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 Fonte da Imagem: 

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Sexta-feira, o dia já conhecido pela actividade que me há-de acompanhar toda a vida: passar-a-ferro.

 

Lamento não ter texto sobre uma cidade onde vivi três meses e que foi alvo de um atentado, mas confesso (do ponto de vista pessoal) que não sigo a loucura dos "bicos de pés", vulgo hashtags... Posto que, quando a poeira assentar e termos percebido um pouco o que se passou, vou voltar ao assunto. Espero que as "Madres-Teresa de Calcutá" aproveitem também para partilhar fotos com os cadáveres dos mais de 50 civis que morreram esta semana na Síria "por engano" e durante um ataque da coligação. Eu sei que dizer que se esteve ou está em Barcelona é mais cool, mas Damasco é logo a seguir a Ankara e além disso tem uma história milenar.

 

Hoje pensava falar de uma zona de praia e de mar, mas a revolta que por aqui vai com os incêndios é maior e não pretendo ser mais um a dizer que está muito preocupado com a temática ao mesmo tempo que tira uma foto a beber uma caipirinha no Algarve ou num outro destino qualquer.

 

Deste modo, esta semana deixo também a música de lado e parto para os livros: "A Farsa" de Raúl Brandão e a personagem de "Candidinha" fazem-nos querer matar tal figura logo de início e, sobretudo no fim da obra, quase que nos sentimos vingados com a morte do filho. Deixo que leiam este livro de desencanto com o mundo, ódio e ambição bem pincelada de tristeza, em suma, um expressionismo e neo-romantismo bastante característicos da obra de Raúl Brandão.

 

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Fonte da Imagem: Própria 

 

E como os temas estão fortes, revisito também Gabriel Garcia Márquez (parece que ando em maratona com o génio) e o seu "Outono do Patriarca". Sem entrar em grandes revelações, é interessante a leitura na medida em que é um retrato fiel de muitos ditadores e marca a literatura de uma época (apesar da obra estar bastante actual) que se debateu também nesta matéria - nomes como Miguel Angel Asturias ou Augusto Roa Bastos são bons exemplos. Garcia Márquez é conhecido pelas suas descrições violentas, mas aqui tem um toque especial, pois no fundo é um relato com espaço para toda a imaginação e espelho do real do autor sobressairem num máximo esplendor. Provavelmente ainda voltarei a este livro para a semana.

 

E um filme? Imaginem que numa só pelicula conseguem ter Sean Connery, Michael Caine (uma vénia), Robert Redford (idem), Gene Hackman (idem), Dirk Bogarde (de "Morte em Veneza"), Antonhy Hopkins (outra vénia), Edward Fox, Ryan O'Neil (gostei dele em "Barry Lindon"), James Caan,  Lawrence Olivier  e um outro sem número de estrelas.

 

Se gostarem do género, somem o facto de ser um filme de guerra, baseado numa conhecida operação militar da 2ª Guerra Mundial, nomeadamente a "Operação Market Garden" (e também no livro de Cornelius Ryan)!

 

Quem já andou pela Holanda e não ficou só por Amesterdão decerto passou pela icónica ponte de Arnhem - é aí que a missão falha redondamente para o lado dos aliados, que animados pela "vitória" na Normandia tentam entrar na Alemanha pela Holanda conquistando várias pontes.

 

O filme realizado por Richard Attenborough tem o nome de "A Bridge too Far". O nome ficou famoso, pois na realidade, o Tenente-General "Boy" Browning (interpretado por Dirk Bogarde no filme) virou-se para um optimista General Montgomery e disse que os aliados tentaram ir longe demais, neste caso, uma ponte longe demais. Se gostaram de Anthropoid, que já teve por aqui um artigo, vão adorar este. Aposto também que, ao fim de 3 horas de filme, vão assobiar durante muitos dias a banda sonora de John Addison. Com estes actores e com mais uma lição de história, não tenho dúvidas que o fim-de-semana ou a semana têm tudo para ser mais animados... Ideal para o pós-ferro e para quem sabe que já não se assiste a um bom filme de guerra desde "O Resgate do Soldado Ryan".

 

E não me acusem de ser saudosista ou velho! Em 1977, penso que ainda nem os meus pais se tinham conhecido.

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: A ponte de Arnhem tem agora o nome de "Ponte John Frost" em homenagem ao Tenente-Coronel John Frost que esteve à frente das tropas aerotransportadas que defenderem a ponte naquele fatídico mês de setembro. Esta personagem é interpretada no filme por Anthony Hopkins (uma vénia).

 

Actualização a 19/08: Se repararam, tive o meu momento à Jorge Jesus no último parágrafo quando escrevi "defenderem" ao invéms de "defenderam".

 

 

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7 comentários

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Maria a 18.08.2017

Deixaste-me curiosa em relação ao filme!
Vou ver. Até porque se é de 77 é da melhor colheita de sempre (modéstia á parte)
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Robinson Kanes a 18.08.2017

Mais uma razão para o veres... Mas são praticamente 3 horas, é preciso algum tempo.

Quem gosta de bons filmes de guerra e com algum conteúdo, além da lição de História, pode ser uma óptima escolha. Sendo algo diferente, é um pouco melhor que o Anthropoid que só começa a cativar mais para o fim...

Um factor interessante: neste filme os alemães falam alemão, os americanos falam "American English", os ingleses falam inglês e até os holandeses falam holandês. Só o polaco do "Gene Hackman" é americano com sotaque.

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Maria a 18.08.2017

Gosto de filmes sobre a 2ª Guerra. E se cativa mais de inicio, aguenta-se as 3 horas :)

Esta questão das linguas e dos sotaques é muito interessante sim !
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Robinson Kanes a 18.08.2017

Correção, não é holandês mas neerlandês. Se os amigos da minha miúda me apanham a dizer holandês estou feito...

Eu gostei bastante... Algumas passagens bem duras, sobretudo aquando da morte de um pai e filho em Arnhem. Mas no geral é um filme que se vê bem. Já o vi duas vezes sem pausas...

Não é um filme, mas um documentário bem interessante (quase filme), "The Somme"! É de 2005 e está voltado para a 1ª Guerra Mundial. Como diz o nome, está relacionado com a Batalha do Somme em 1916, um autêntico desastre para os ingleses. Está disponível via Youtube.
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Maria a 18.08.2017

Diz aos amigos que entre os teus leitores se encontram alguns (uma) leitos(a) que não dão (deu) pela diferença :)

Tenho quase a certeza que já vi. Mas vou espreitar para confirmar!

Obrigada meu poço
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Robinson Kanes a 18.08.2017

Nem queiras saber, a primeira vez ainda disse "Dutch" ou "Flamengo", levei logo nas orelhas.

Eu é que agradeço... Já viste o "The Somme" e eu é que sou o poço, está bem...

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Maria a 18.08.2017

Ui... Não voltas a cair no mesmo "erro".

Pois claro... eu garantidamente não o sou! Mas sempre a aprender contigo!

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