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Um miserável intocável e existencialista...

por Robinson Kanes, em 23.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

A semana foi longa, com mais altos que baixos, com alguma perda de esperança em relação ao futuro - não ao meu, mas ao deste Mundo. Talvez por isso, e por outras trocas de palavras que fui tendo com um senhor chamado "Folhas", recorde para o fim-de-semana o seguinte ensaio: "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre" de Vergílio Ferreira. É uma interessante abordagem onde o pensamento de Sartre, Husserl e Heidegger estão bem presentes e são soberbamente dissecados pelo professor de Melo, concelho de Gouveia. Sem esquecer outros, conceitos como o de "realidade humana" estarão bem presentes.

 

 

Tudo se passa como se, para todo o homem, toda a humanidade tivesse os olhos postos no que ele faz e se regulasse pelo que ele faz. E cada homem deve dizer-se a si próprio: "terei eu seguramente o direito de agir de tal modo que a humanidade se regule pelos meus actos?" E se o homem não diz isso, é porque ele disfarça a sua angústia.

Vergílio Ferreira, in "O Existencialismo é um Humanismo - Da Fenomenologia a Sartre"

 

 

E porque talvez o espírito o alimente, a banda sonora deste fim-de-semana é mesmo uma banda sonora, ou melhor, um musical... "Les Misérables", o romance de Victor Hugo que já foi filme, musical e tudo e "mais alguma coisa" mas que continua tão presente em todos nós como uma das mais belas Histórias de sempre! Por cá, em formato musical, não mp3, está a banda sonora do filme de 2012 realizado por Tom Hooper e com a música de Alain BoublilClaude-Michel Schönberg. Gosto de ouvir a música, não ter imagem para poder criar o puzzle das diferentes representações, a que já assisti, no meu pensamento. Todos têm uma personagem preferida, eu tenho a minha, Javert! E se quiserem acrescentem Éponine. Enfim, só poderiam ser estas duas... 

Nos últimos tempos faz-nos falta ser Misérables... Muita falta. E se existem romances que nos podem ensinar muita coisa sobre a vida, este é um deles. Selecciono duas passagens relacionadas com as personagens: a primeira, Por muito que goste de Russel Crowe e queira colocar a do CD, tenho de escolher Philip Quast com "Stars"... É impossível não nutrir simpatia pelo grande "vilão" "Javert" depois de ouvir esta música...

A segunda, para Éponine, e aqui Samantha Barks (a do filme de Hooper) tem todo o destaque, uma das melhores actrizes e vozes do filme, aliás já trazia esta escola antes de chegar a 2012. Phénoménal este "On My Own".

E para terminar, um filme, como vem sendo habitual... "Les Misérables" será demasiado... Fico-me por "The Untouchables", o filme de Brian de Palma e que, grosso modo,  representa a vida de um grupo de polícias, liderado por Eliot Ness, que decidiu arriscar a vida e tentar capturar o temido Al Capone! Um filme de corrupção, honra e de "Homens" para "Homens". Muitos já o terão visto mas colocar Robert de Niro, Kevin Costner, Sean Connery e Andy Garcia no mesmo filme só pode dar bom resultado. Um filme em homenagem a todos os que combatem o crime e a corrupção.

E não se esqueçam: Na eventualidade das temperaturas aumentarem em média 2 a 2,5, todos os anos o gelo do ártico estará derretido completamente em Setembro. Acho que todos sabemos o que isso significa.

Talvez este e outros motivos nos façam levantar a voz e... (em Hong Kong já o fizeram em Junho)...

 


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you join in our crusade?
Who will be strong and stand with me?
Beyond the barricade
Is there a world you long to see?


Then join in the fight
That will give you the right to be free!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes!


Will you give all you can give
So that our banner may advance?
Some will fall and some will live
Will you stand up and take your chance?
The blood of the martyrs
Will water the meadows of France!


Do you hear the people sing?
Singing the song of angry men?
It is the music of the people
Who will not be slaves again!
When the beating of your heart
Echoes the beating of the drums
There is a life about to start
When tomorrow comes



Bom fim de semana...

 

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4 comentários

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Anónimo a 23.08.2019

Duas belas escolhas... A literária, pelo que nos obriga a pensar e pelo que vamos construindo no que vamos sendo; e a musical, porque, "roubando" o tema à Literatura, lhe traz o ânimo de melodias, vozes e talentos bem escolhidos.

A propósito, uma curiosidade: a (fantástica) Samantha Barks tinha sido já notada no West End de Londres (algures por 2010), no papel de Éponine - o mesmo que viria a interpretar no filme de Tom Hooper. Este papel seria para Taylor Swift, que foi dispensada do elenco. Not bad, Samantha... :)
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Robinson Kanes a 23.08.2019

O Existencialismo é um Humanismo, por algum motivo :-)

O musical é um clássico que é importante ser recordado. Temo que o esquecimento dos clássicos esteja a provocar um dano muito grave nas nossas cabeças.

Sim, toquei nesse ponto ,e sem dúvida... A Samantha provavelmente fez um casting e ficou melhor que a Taylor Swift. A segunda deve ter aprendido que não era pelos castings que lá chegava. (Estou a ser mau e a revelar a minha total preferência pela primeira) :-)
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Anónimo a 23.08.2019

Sem dúvida. :) Muito teríamos para dissertar sobre as incursões pelo Existencialismo/Humanismo.

Os clássicos são sempre uma referência (ou "uma referência incontornável", como diziam os jornalistas há uns anos, quando pareciam viciados no termo :)). Recordo uma colega que dizia não gostar de música clássica e que, ao ouvir a "Lacrimosa" (o Requiem era o de Mozart) ficou tão "vidrada" que não conseguia parar de falar nisso...

Basta aprofundarmos os nossos conhecimentos para vermos que Victor Hugo sabia muito bem que talvez 4 tomos de uma obra pudessem não ser leitura de Verão, mas que, ainda assim, valeria a pena alongar-se. :)

Taylor Swift não é assim tão má... Foi mais fácil produzir conteúdo pop para venda ambulante nas feiras, apenas isso. :) A Samantha Barks é um clássico britânico: muitos actores começam nos palcos do teatro inglês e só depois são (re)conhecidos do grande público...

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Robinson Kanes a 23.08.2019

E já que de música clássica se fala, quantos "anti-clássicos" não se deixam deslumbrar por algumas sonoras que não são mais que música clássica?

Victor Hugo é uma referência incontornável... A verdade é que não precisa de agências de comunicação para ser tão adorado tantos anos após a sua morte. Já muitos dos "vivos"...

Estava a provocar :-)

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