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Fonte da Imagem: Própria 

Muito se tem falado do Turismo, mas pouco se sabe sobre a dinâmica do mesmo. Uma classe que se julga urbana vê diferentes nacionalidades a deambularem pela rua e já se considera especialista em Turismo e, como qualquer português (estou aqui neste rol) opina sobre aquilo que não sabe e porque toda a gente fala nisso ao ponto da discussão sobre turismo se centrar em Lisboa ou Porto ou numa tendência que gera likes e visualizações.

 

Quando temos um jornal generalista de grande tiragem a fazer a distinção entre turista e "viajante", colocando ambos lado-a-lado e apenas baseado na questão se um tira fotos e se o outro planeia, já temos uma falácia de monta. Quando temos "especialistas" em viagens a olhar para o turismo como um conjunto de selfies ou uma lista de locais a visitar temos também um problema, sobretudo quando a mensagem dos mesmos tem eco. Turismo não é andar à boa-vida e será um conceito ao qual voltarei.

 

Mas vejamos:

 

Turista, de um modo breve, é um conceito definido teoricamente e com mais expressão em 1937, nomeadamente no âmbito da Sociedade das Nações, e que definia o turista como o indivíduo que passa no mínimo 24 horas fora do seu país. De facto, ao longo dos anos, esta definição foi sofrendo várias alterações até ser enquandrada num conceito mais abrangente, nomeadamente o de visitante, mas já lá iremos. Deste modo, o turista é um visitante que pernoita pelo menos uma noite num alojamento colectivo ou privado no local visitado. Uma nota para o facto de já não ser colocada a questão se é ou não fora do país de origem e para a dificuldade em definir o que é propriamente "pernoitar" e alguns tipos de alojamento.

 

Deste modo, o conceito de turista é uma ramificação de um conceito mais amplo, como já referi, nomeadamente o de Visitante e cuja definição é a de um indivíduo que viaja para um local fora do seu ambiente habitual por menos de 12 meses e que não exerce uma actividade remunerada no local que visita. Ou seja, o foco aqui é temporal, nomeadamente a deslocação que não pode ser superior a 12 meses e ainda a questão remuneratória. Podemos também questionar as motivações e o conceito de "ambiente habitual", mas isso é um tema mais extenso e a ser debatido de futuro.

 

O conceito de visitante, engloba ainda um outro conceito, nomeadamente o de Visitante do Dia, até há bem pouco tempo denominado de Excursionista. O Visitante do Dia não é mais que todo e qualquer visitante que não passa uma noite num alojamento colectivo ou privado do local visitado.

 

Finalmente, para chegarmos à conclusão que um Viajante não é propriamente um turista e nem se relacionam no estudo do turismo. Neste caso, o visitante (englobando aqui os conceitos de turista e visitante do dia) faz parte de um sistema bem maior e que começa, aí sim no viajante. Contudo, um viajante pode ser alguém que se desloca por um qualquer motivo, por exemplo, um refugiado é um viajante, ou até um estudante. Licínio Cunha, considerado um dos grandes estudiosos portugueses nesta área, define viajante como “(...) toda a pessoa que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio da sua deslocação” (Cunha, 2009:17). 

 

Deste modo, temos aqui um conjunto de definições que nos ajudam a entender alguns dos diferentes actores e a compreender um pouco esta realidade que já não é nova mas que actualmente (no caso português) é um tema em extenso debate.

 

 Alguma bibliografia para ajudar à compreensão do tema:

 

  • Cunha, Licínio (2009[2001]) Introdução ao Turismo. Lisboa: Editorial Verbo.
  • Cunha, Licínio (2010) A Definição e o Âmbito do Turismo: um aprofundamento necessário. ReCiL - Repositório Científico Lusófona. Acedido a 28/08/2017 no endereço: http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/665/A%20Defini%C3%83%C2%A7%C3%83%C2%A3o%20e%20o%20%C3%83%E2%80%9Ambito%20do%20Turismo.pdf?sequence=1
  • http://www2.unwto.org 

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32 comentários

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C.S. a 29.08.2017

Há uns tempos para cá ficou chique dizer que "sou um viajante e não um turista", no sentido em que o viajante será muito mais aventureiro é o turista é, de certa forma, visto como um parolo.
Este teu post fez-me lembrar um dos livros de Gonçalo Cadilhe em que ele, a dada altura, reflete sobre este assunto, dizendo que o turista pode ser muito mais viajado, ter mais mundo que o viajante. Tudo depende de cada pessoa é do que cada um faz com as suas viagens.
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Robinson Kanes a 29.08.2017

É uma forma de nos distanciarmos do outro, de sermos massa, de nos identificarmos com ela, mas querermos fugir do rótulo... O problema é que as modas, sobretudo o "efeito cópia" do que era inacessível. rapidamente nos coloca na situação da qual queremos fugir, ou seja, de sermos mais um...

Mais que tudo, e indo aqui pela experiência em si, somos pessoas. Somos pessoas com diferentes motivações, emoções e gostos... Aí já é uma outra questão, mais sociológica a que abordas e deveras interessante. No entanto, viajante ou não, se seguir os passos que ali estão, é um turista... Pode sempre dizer que turista é um viajante :-)
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C.S. a 29.08.2017

Concordo contigo!
O pessoal segue a moda, mas deseja, no fundo, que mais ninguém o faça, para que se possa sentir único. Seguem o que veem e querem ser considerados autênticos.
Essa parte da viagem, da forma como cada um a experiencia é uma das coisas que me fascina. Eu costumo dizer: podem dar-me os conselhos que quiserem, mas o melhor é eu ir lá, ver e tirar as minhas conclusões. Já fui a locais que me disseram que não era grande coisas e adorei.
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Robinson Kanes a 29.08.2017

Isso e quererem pertencer a um grupo... Do ponto de vista comercial ainda bem que assim é, torna tudo mais fácil :-)
Pode parecer paradoxal, mas é assim que funciona...

Por norma não sigo tendências no que toca a viagens. Existem lugares com os quais me identifico e é por aí que vou. Sou apaixonado pelo Mediterrâneo, Médio-oriente e África, e é por aí que gosto de andar... Além de que não gosto de marcar pontos no mapa... Não sou viajante nem turista, sou um Robinson :-))))

A propósito do que dizes, vi uma cidade do centro da Europa ser "mal-tratada" por um blog da moda e tenho de fazer um contraponto, ainda não o fiz porque não gosto de pescada às postas :-))))
Já outros locais são exaltados e são um perfeito desastre... Paris, é para mim, o exemplo máximo de como se exalta um local que não merece. Não estou com isto a dizer que não gosto de Paris...

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