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Teerão: Entre Tajrish e Darband...

por Robinson Kanes, em 11.11.19

irão_teerao.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

 

Voltamos a Shemiran, mais precisamente a Tajrish (estamos a mais de 1600 metros de altitude), depois de uma passagem pela "verde" Ponte Tabiat - em Teerão também é possível encontrar alguns pontos verdes, não é tudo poluição, óptimos oásis para pulmões que ainda não estão preparados.

tarjrish-bazaar_teerao.jpg

Gostamos da Praça Tajrish. Tem vida, é genuína tem o "Bazar-e-Tajrish", mais organizado e onde parece que temos mais tempo para abastecermos a mercearia. Perdido entre a praça e a mesquita, é um local fantástico, inclusive para comprar umas frutas e até comer algo. É aqui que atacamos os frutos secos: cajus, pistácios com diferentes temperos, amêndoas, tâmaras e um sem número de quilos para encher as malas. É aqui também que nos entregamos às especiarias e são tantas... Comemos fruta, comemos comida de rua (coisas que nem sabemos) e tudo e óptimo.

tajrish_teerao.jpg

Enquanto isto, queremos juntar-nos à movimentação que não cessa na Mesquita Imamzadeh Saleh, é aqui que estão sepultados os restos mortais do Imame Shelver Shia, Musa al-Khadim e que tornam este local um santuário muito especial. A beleza do mesmo com os minaretes que não nos deixam indiferentes e todo o trabalho de azulejo são uma verdadeira atracção para os nossos olhos. Estamos perante uma autêntica tela onde muita da cultura iraniana se pode encontrar retratada.

mesquita_tajrish.jpg

Não podemos, contudo, deixar Teerão sem subir mais um pouco a Darband (porta da montanha), bem nas montanhas e o ponto de partida para a grande montanha que tem o Monte Tochal como maior atracção e que nos dá óptimas vistas sobre Teerão. No entanto, em Darband e depois de deixarmos o taxi, queremos comer em alguns dos muitos restaurantes que se encontram ao longo do bairro e conhecer os "hooka lounges" (bares de shisha). A zona é agradável, onde temos oportunidade de comer em cima dos sempre fabulosos tapetes e de saborear óptimas iguarias, onde se destacam, por exemplo, o "Dizi" e um sem número de espetadas desde frango a cordeiro que nos enchem por muitas horas.

Teerão_darband.jpg

Empregados simpáticos, muita gente simpática e um espírito único, pois o ribeiro que atravessa a zona não é propriamente dos mais limpos. No entanto, a experiência é única. Iranianos e alguns turistas numa harmonia perfeita e onde podemos encontrar algumas marcas de que o Irão está em mudança, sobretudo em termos de paixões e do modo como as mesmas podem ser demonstradas...

Teerão_darband.jpg

Sentamo-nos... Bebemos algo e apreciamos uma verdadeira movida na montanha... Os rostos de Irão aqui transformam-se e ainda mais sorrisos surgem... Compramos uma espécie de doce (óptimo, por sinal) aos inúmeros vendedores ambulantes - as moscas deambulam, mas não se conhece alguém que tenha morrido por provar estas iguarias. Escolhemos a maçã e não nos arrependemos. Em Portugal, também são muitos os que não se arrependeram...

darband_irao_teerao.jpg

A noite começa a dar sinais de querer surgir e a tarde despede-se com mais um pôr-do-sol, desta vez diferente. Desta vez menos romântico e mais urbano, mais vivo e no bulício da cidade... No meio do trânsito, com vista para a Torre Azadi ou Torre da Liberdade. É uma torre que invoca o Império Persa e os seus 2500 anos (1971), no entanto o seu nome original é Shahyād. O nome sofreu a alteração com as manifestação de 1978 e que culminariam com a revolução. Aqui já temos um pequeno aperitivo de Isfahan, pois a mesma é revestida com 25 000 placas de mármore branco com origem nessa mesma zona.

torre_izad_teerao_irao.jpg

É hora de partir... O aeroporto de Mehrabad, que serve os voos domésticos para a cidade, espera por nós. Voamos com a Aseman Airlines, uma companhia que não pode operar na União Europeia e que apesar da tentativa de modernização foi impedida de adquirir novos aparelhos devido às sanções que vigoram contra o país. Apesar de tudo, para um voo de uma hora, serve melhores refeições que alguns voos de longo-curso de companhias aéreas bem conhecidas.

 

- Amanhecer em Teerão

- Teerão: A Metrópole da Pérsia

- Teerão: A Cidade de Onde é Difícil Sair

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22 comentários

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MJP a 11.11.2019

Olá, R.! :-)

Mais uma deliciosa partilha... Muito Obrigada! :-)

Beijo
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Hi MJ,

Esta teve gastronomia, a pedido de algumas individualidades :-)

Beijo e boa semana,
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Folhasdeluar a 11.11.2019

Óptimo texto...para recordar que a cultura árabe e persa é muito mais antiga que a europeia...:)))
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Mais antiga é favor, como diz o povo ;-)
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Calimero a 11.11.2019

Ola Kanes,

Que fotos fantásticas.

Sempre tive fascínio por mercados, :) este deve ser fabuloso a ver pelas cores e frutas e os verdes e que mais não se consegue decifrar aqui..

Sempre gratificante ser tua leitora com as tuas partilhas tao enriquecedoras e fascinantes viagens.!!

beijinhos
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Olá Cal,

Obrigado!

Pessoalmente, gostei mais deste. No entanto, o de Shiraz também me apaixonou... Cenas de um próximo capítulo. Sim, os cheiros são qualquer coisa...

Gratificante é ter-te por aqui,

Beijo :-)
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Luísa de Sousa a 11.11.2019

Obrigada Robinson por mais uma viagem a Teerão!!!
E que fotografias maravilhosas!

Beijinhos
Uma Excelente Semana
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Robinson Kanes a 11.11.2019

A Luísa dá-me a Madeira, eu dou-lhe o Irão :-)

Beijo e boa semana,
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HD a 11.11.2019

Aqueles (pequenos) mercados têm uma energia contagiante :-)
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Têm mesmo, mas olha que de pequenos têm pouco... :-)
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Lady a 11.11.2019

Adorei as fotos, obrigada por mais esta viagem com guia e tudo ;).
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Obrigado pela companhia :-)
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cheia a 11.11.2019

Mais uma ótima viagem! Muito obrigado.
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Robinson Kanes a 11.11.2019

Obrigado pela companhia :-)
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O ultimo fecha a porta a 11.11.2019

muito giros. os mercados são sempre um ponto de interesse :)
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The Travellight World a 12.11.2019

Obrigada pela partilha. Estou a adorar ler sobre a tua viagem Acho que é desta que ganho coragem para visitar esse país fantástico...
Já não carimbam mesmo o visto no passaporte?(como viajo muito sempre tive receio que depois isso fosse complicar a minha vida quando quisesse visitar outros países, nomeadamente os EUA, onde vou com alguma frequência...)
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Robinson Kanes a 12.11.2019

Obrigado :-)
É uma honra :-)

Já não carimbam... Por motivos profissionais também me vejo forçado a viajar e isso era importante, no meu caso não tanto pelos EUA mas por outros aliados (a verdade é que me deslocaria na mesma, paciência). Inclusive podes pedir "online" e fazer à chegada ao aeroporto, mas eu recomendo sempre que se faça antes, por motivos óbvios. Aliás, um dos motivos que levaram a essa mudança foi isso mesmo, a dificuldade com os EUA no pós-viagem ao Irão.
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Vorph Valknut a 12.11.2019

"e que apesar da tentativa de modernização foi impedida de adquirir novos aparelhos devido às sanções que vigoram contra o país".

A bem do povo iraniano e concerteza iguais às que vigoram contra a Arábia Saudita.

Ironia à parte há um ódio figadal entre os muçulmanos, não só em virtude das diversas correntes, tão bem conhecidas (xiitas, sunitas, ismaelitas, etc), mas também resultante das diferenças étnicas. Os Iranianos são um espigão cravado no orgulho Saudita, e seus aliados pois embora da Península Arábica tenha saído Maomé, o Irão é o berço do antigo Império e Civilização Persas, sendo a Arábia Saudita, mais os seus aliados peninsulares criações Anglo Americanas, mal amanhadas, do início do século XX (A civilização Persa é anterior em milénios à civilização islâmica) . Lembro-me, ao ler Heródoto, do contraste entre as civilizações grega e persa. A primeira um esboço de um ideal político democrático, onde os direitos individuais eram considerados pelo governo (alma mater da civilização ocidental), a persa, como o protótipo dos regimes autocraticos orientais, com os seus imperadores divinizados (alma mater da cultura oriental). Lembro - me também desta famosa citação do cruel e ambicioso Xerxes, quando de um promontório viu ao longe as suas legiões intermináveis em combate :

And seeing all the Hellespont covered over with the ships, and all the shores and the plains of Abydus full of men, then Xerxes pronounced himself a happy man, and after that he fell to weeping.

[7.46] Artabanus his uncle therefore perceiving him [...] having observed that Xerxes wept, asked as follows: "O king, how far different from one another are the things which thou hast done now and a short while before now! for having pronounced thyself a happy man, thou art now shedding tears."

He said: "Yea, for after I had reckoned up, it came into my mind to feel pity at the thought how brief was the whole life of man, seeing that of these multitudes not one will be alive when a hundred years have gone by."

Artabanus then made answer and said: "To another evil more pitiful than this we are made subject in the course of our life; for in the period of life, short as it is, no man, either of these here or of others, is made by nature so happy, that there will not come to him many times, and not once only, the desire to be dead rather than to live."

A (re) ler, Histórias de Heródoto.

Fiquei a conhecer este livro após ver o filme O Paciente Inglês.

https://youtu.be/2dCLQWW7GQo

A Mesquita Imamzadeh Saleh é lindíssima. E a comida parece ter bom aspecto, spicy


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Robinson Kanes a 12.11.2019

"A civilização Persa é anterior em milénios à civilização islâmica"

Isto sente-se na rua, sobretudo a ligação ao zoroastrismo. Rapidamente chegamos a essa conclusão.

O facto de termos (Ocidente) desenhado fronteiras a régua e esquadro no Médio-Oriente e em África foi nefasto e ainda hoje estamos/estão a pagar por isso.

No entanto, houve imperadores e imperadores... Os Persas, com Dário, foram um exemplo de conquista interessante: os escravos eram "remunerados" pelo seu trabalho. Vale o que vale, mas atentando à época...

O Paciente Inglês é uma obra-prima! Além disso, com um realizador e elenco daqueles onde é difícil descobrir qual o melhor, é fácil. Banda sonora excelente, também.

A Mesquita é muito bonita, mas gostei acima de tudo, da vida em redor/dentro da mesma. A comida é apetecível, simples e como se quer. Eu gostei, ainda esta semana fiz umas espetadas de frango com açafrão (não iraniano, mas em pós que a minha mãe trouxe de Marrocos e me deu) e outras especiarias, estavam top.



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Vorph Valknut a 12.11.2019

Os mapas foram desenhados por homens poderosos. Nós é que somos os verdadeiros países, sendo as marcas dos nossos corpos as suas verdadeiras fronteiras
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Robinson Kanes a 12.11.2019

Nem mais... Até porque dividir uma tribo só porque a linha territorial tem que passar por aquele lugar, normalmente, acaba mal.

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