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O Som de Stelar e a Fúria de Faulkner...

por Robinson Kanes, em 15.02.18

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Vem aí mais uma fim de semana, quase prolongado para este espaço, pelo que, só voltaremos lá para segunda ou terça-feira, depende se há paciência para escrever algo durante a viagem...

 

Por aqui, de vez em quando, lá se vão deixando umas sugestões, e esta semana, ouso em deixar uma que nem me apaixonou: o "Som e a Fúria" de William Faulkner. Faulkner já passou por este espaço em Outubro de 2017, aqui mesmo! Falou-se de "Os Ratoneiros" - um livro com uma leitura algo simples mas incontestavelmente mais apaixonante, sobretudo quando acompanhamos Boon num sem número de peripécias que nos divertem até um feliz desenlace.

 

Quem espera uma exploração profunda da época, nomeadamente do contexto sulista pós-revolução americana, do incesto, do amor e da decadência das famílias do sul, pode preparar-se para não encontrar aquilo que procura... Os quatro narradores, três deles personagens, acabam por nos levar para um exercício de fluxo de consciência que nem todos apreciam. Apesar de ser colocado como um livro de dificil leitura não me alongo mais na apreciação do mesmo, até porque muitas das abordagens que existem, e como acontece em tantas obras, são por vezes tão forçadas que ficamos com a sensação de que, ou somos ignorantes ou efectivamente alguém quer colocar as coisas num patamar em que não estão! No entanto, isso não nos impede de olhar para o choro de Benjy de uma forma diferente e que no fundo descreve um pouco de todo o colapso da família e das diferentes personagens, como Caddy, a inocente e pura; Quentin, o irmão incestuoso; e finalmente Jason a personagem dura e patriarca da família após a morte de Mr. Compson.

 

Finalmente, uma nota para Dilsey que só aquele narrador (Faulkner?) poderia chamar a atenção... Dilsey, talvez a grande "patriarca" activa e moral da família, a criada em nada reconhecida e valorizada, mas que é sinónimo de estabilidade emocional, moral, valores e paz!

 

E... Para que não me acusem de estar desfazado meu tempo, faço a minha primeira abordagem à música electrónica, e neste campo, não poderia deixar passar Parov Stelar, o austríaco criador do "Electro Swing"... O que me apaixona é a combinação entre a música electrónica e o jazz que conseguem criar obras, algumas delas em estilo mais underground e que naquelas noites mais ousadas nos proporcionam um misto de paz combinado com uma eterna vontade de movimento. Outras, talvez sejam a banda sonora ideal para uma Primavera em Maiorca ou no sul de França... Longe do bulício das grandes discotecas, naquela praia mais recatada e onde as mesas de bar são de madeira desgastada...

 

 

Não é dos meus compositores mais apreciados, mas é sem dúvida a confirmação de que nos anos 90 já existia alguém a adivinhar os ritmos que hoje são autênticos sucessos internacionais! Talvez por isso, a minha escolha... E talvez porque não há nada melhor (pronto, ou talvez haja) que esta banda sonora (vide abaixo) para ir de Sanremo, atravessando a Ligúria até Savona e chegando a Turim onde deixamos que as montanhas nos engulam em cada curva até à fronteira com a Suiça, já em Zermatt... 

 

 

Bom fim de semana e tomem lá mais uma... Até porque ainda é Carnaval! Gozem mais as épocas e menos o "show off" consumista ou gabarolado em torno das mesmas...

 

 Bom fim de semana...

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De Léon, o Profissional aos Ratoneiros...

por Robinson Kanes, em 27.10.17

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Fonte da Imagem: https://cdn-images-1.medium.com/max/1600/1*cQ3z3DWc3rw5uc9cstN3tA.jpeg

 

 

Como prometido a um habitual seguidor e posto que a imagem coloriu um dos meus artigos esta semana, uma das minhas sugestões vai passar por um filme: "Léon, o Profissional". Este é um filme com Jean Reno, Natalie Portman (e que prodígio já ali estava) e Gary Oldman. Não sendo um dos meus realizadores preferidos, só Luc Besson conseguiria inesperadamente  transformar um filme de pura acção com corruptos e pistoleiros, num drama singular.

 

Não desenvolvendo muito do filme, assistir a Jean Reno no papel de um assassino profissional mas que no fundo não passa de um ingénuo indivíduo é algo fantástico - Léon mata para o seu "padrinho" (Tony, um mafioso) que lhe "guarda" todo o dinheiro e faz com que Léon carregue uma vida miserável. Léon nada conhece do mundo, mas é um apaixonado por filmes musicais dos anos 40 e 50, bebe copos de leite quando outros bebem Vodka e ainda cuida de uma planta como muitos de nós não cuidam de um ser-humano. É interessante este lado de Léon que se irá reflectir na relação que terá com Mathilda (Natalie Portman).

 

É Mathilda que mudará a vida de Léon e também acabará por ver a sua altamente marcada por este... Aliás, Léon morrerá a salvar a sua protegida e a vingar a morte dos cuidadores desta e especialmente do seu irmão. Todo o filme tem uma carga dramática, a relação de ambas as personagens é deveras interessante, e na chamada "versão do realizador", Besson chega a explorar uma certa paixão entre o assassino e a menina de 12 anos - o público não gostou e os cortes impuseram-se, mas eu aconselho essa versão. A isto, acresce aquele que me encantou na primeira vez que vi um filme e, sendo eu à época, um miúdo de 10 anos, jamais conseguiria apanhar mais que isso - Gary Oldman. Reparem quando este fala de Beethoven e Mozart depois de ter morto uma família inteira e o célebre grito (que afinal foi um improviso para fazer Besson rir um pouco) "bring me everyone" que acabou por ficar no filme original - surge no minuto 1:44 do trailer. Um filme onde os bons não ganham sempre...

 

Considerado por muitos digno de figurar na lista dos melhores filmes de sempre, é uma fita que à primeira vista pode parecer mais um "dirty harry style" mas consegue agarrar-nos de uma forma nem sempre normal nestes argumentos. Talvez por essa surpresa tenha gerado tantas paixões.

 

Para ler, e já que andamos pelo lado de lá do Atlântico, nada como visitar o escritor do Mississipi, William Faulkner. Escolhi "Os Ratoneiros", último livro do autor que deu origem ao filme com o mesmo nome e com Steve Mcqueen no papel do destemido Boon. Nos Estados Unidos dos anos 20, Boon, um ratoneiro (ladrão) e empregado da família, convence Lucius a roubar o carro do avô e com Ned viajam até Memphis vivendo um sem número de aventuras que são uma tremenda descoberta para todos. Estamos perante uma viagem para o desconhecido, cheia de peripécias e onde a amizade é sempre posta à prova. Gosto particularmente de Boon que terá também um final interessante com uma das personagens que não mencionei aqui, por motivos óbvios. E porque não associarem o filme ao livro e debruçarem-se sobre os dois? Vai ser impossível não gostarem de Boon e do "tolo" Ned.

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Se Steve Mcqueen não for suficiente, talvez a banda sonora de John Barry o seja... Histórias diferentes, também para diferentes estados de espírito... Duas grandes obras, uma da literatura e outra do cinema...

 

Por fim... Uma outra sugestão... Apaixonem-se...

 

Bom fim-de-semana... 

 

 

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