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A dokinni vai dar cabo disto tudo...

por Robinson Kanes, em 11.01.21

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Imagem: instagram

 

Este mundo precisa de tudo menos  de informação suplementar.

Michel Houellbecq, in " Extensão do Domínio da Luta"

 

Em Portugal começa a nascer uma nova trend: o "caronismo". Esta tendência é uma espécie de prática em que médicos com vontade de serem mais estrelas de televisão do que propriamente médicos (e que provocam em muitos profissionais da área estupefacção) se colocam como os profetas da desgraça. Vale tudo... Vídeos, livros e espaços de opiniões em telejornais que os colocam como peritos em várias especialidades médicas... Não fossem os canais informativos uma peça importante na transmissão de notícias, muito provavelmente nem nunca falaria sobre Ana Isabel Pedroso, médica no Hospital de Cascais. Os Médicos de Matosinhos e Cascais têm sempre outro... estão a ver? Também é importante que a TVI não se esqueça de mencionar a actividade no privado, afinal não é mal nenhum, bem pelo contrário, mas fica bem, mesmo que não agrade àqueles que só defendem SNS ou não vejam com bons olhos que um profissional de saúde trabalhe nos dois lados da barricada. 

 

Um destes dias, pois não tendo eu televisão, juro que ligo para a operadora para cortar alguns canais à minha mãe...

 

Confesso que Robinson Kanes tem muito que se lhe diga, mas se uma "dokinni" (nome pelo qual esta profissional é conhecida na rede social instagram) me vier dizer que o Mundo está a acabar e vamos todos morrer de SARS-Cov-2, admito que é possível que ao invés de fugir para a Marateca, muito provavelmente me vou meter no meio da Festa do Avante e sem máscara, especialmente durante aqueles concertos em que os pontapés e as orgias à belga são uma constante. Ana Isabel Pedroso (ou Dra. Ana Isabel Pedroso como se intitula ao mesmo tempo que diz ser a fofinha "dokinni") seguiu a linha que alguns profissionais de saúde tentaram seguir em Itália, aproveitando publicações do "La Repubblica" ou do "Corriere della Sera" para surgir num canal informativo (TVI 24) a anunciar o caos (actos isolados que em termos de comunicação dão sempre uma óptima imagem) e a mostrar o rosto com as marcas da doença, ou melhor com as marcas das horas dedicadas ao combate à doença. Este conceito já está esgotado em Itália... E até gerou alguma controvérsia face aos médicos superstar. Poderia ficar chocado, é um facto, mas afinal parece-me um rosto de "fim de festa" ou de quem tive mais um dia de trabalho... Anormal? Não.

 

A "dokinni", que como Carona se queixa das horas sem fim a trabalhar  mesmo sendo remunerada por isso, é a mesma, também como Carona, que sempre arranja tempo para a televisão e auto-promoção. Anunciar o fim do Mundo com um "A terceira vaga está a rebentar com isto tudo" assusta-me... Quando um médico vem para a televisão sem quaisquer dados fazer destas afirmações é uma espécie de antigo Ministro da Propaganda iraquiano invertido em que ao invés de manter a calma sai pela rua aos gritos com um "fuuuuujam". Depois de um meu familiar ter ouvido um colaborador de um hospital dizer que era "mais uma para morrer naquela sala", também já espero tudo.

 

Mas... Por falar em marcas, sugiro que a TVI 24 comece um novo programa que fale das marcas do trabalho dos portugueses, tem cerca de 10 milhões de candidatos... Bem, 10 milhões não, talvez seja em demasia, mas percebem o que eu quero dizer. Os candidatos poderão também contratar uma agência de comunicação ou perceberem se têm amigos produtores no Whatsapp.

 

E como não gosto de falar das pessoas sem dar uma vista de olhos por alguns aspectos da vida pública das mesmas, lá dei com uma "dokinni" que já é presença habitual nas televisões e também, pelo teor dos comentários, amiga de caras dessas mesmas televisões... Portanto, está explicado. O problema é que este tipo de favores, facultados em canais informativos, só reforça o discurso daqueles que têm os media como uma das maiores ameaças à estabilidade dos nossos tempos.

 

Finalmente, também é interessante ver a tristeza de uma médica que tira uma selfie com marcas da batalha, enquanto improvisa um bico de pato ao mesmo tempo que partilha publicações de quem está muito bem na vida e percorre o caminho daqueles que almejam ser estrelas com vídeos pseudo-educativos mas que colocam o interlocutor como um idiota ou discursos inspiradores dignos de um qualquer Gustavo Santos. Também sugiro à dokinni, que faz questão de mencionar que é a Dra. Ana Isabel Pedroso que apesar da profissão, não é "enxerto" que se escreve, mas sim "excerto". É que isto de ser Dr...

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A Pandemia de Gates e dos Eternos Confinadores...

por Robinson Kanes, em 17.12.20

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/coronavirus/news/italy-to-extend-coronavirus-lockdown-until-easter-as-new-cases-fall/

 

O sentido implica a proporção; os excessos pelo contrário, apenas causam dor e destruição.

Aristóteles, in "De Anima"

 

 

Não quero ser uma espécie de moderador entre uma CNN e uma Fox News, todavia, ao escutar ou ler as palavras de Bill Gates acerca da pandemia, existe sempre qualquer coisa que me deixa inquieto. 

 

Bill Gates foi alguém que desde o primeiro momento da pandemia se mostrou deveras preocupado com toda a situação e mostrando o maior empenho na resolução do problema. É um dos homens mais ricos do Mundo (e não é má pessoa), tem uma fundação (é o maior financiador independente na luta contra a Covid-19 com 650 milhões de dólares investidos) e tudo isto também é bom para o marketing da Microsoft, nada a apontar. Também estou perfeitamente de acordo quando Gates afirma que a pandemia deixou os países pobres num estado ainda mais pobre e que a pandemia não irá durar para sempre. Ao contrário de Gates, prefiro ser mais cauteloso em relação à normalização da mesma - Gates apontou há pouco tempo o Verão de 2021.  O multimilionário foi um dos críticos da política de Trump em relação à pandemia, tendo inclusive criticado a política de encerramento de fronteiras dos Estados Unidos com a China e a Europa que, segundo o mesmo, foi um desastre.

 

Todavia, Gates é o mesmo que defende um confinamento alargado (Bill Gates não é profissional de saúde) e que é fácil para alguém que fundou a Microsoft não ter problemas com lockdowns - em Outubro o revenue chegou aos 37.2 biliões de dólares nos resultados trimestrais (aumento de 12%). Nas últimas palavras aponta para algo até 6 meses, no mínimo. Digamos que até é bom, a Microsoft pode continuar a cortar nos custos e a vender mais software, numa clara adaptação aos novos tempos (desde que não forcemos demasiado os tempos). Gates também colocou nos Estados Unidos o ónus de suportar a pandemia para lá de 2022 até que os países mais pobres possam ficar estabilizados e até a própria economia mundial. Não quero, neste caso, pegar nas palavras muitos dos que defendem que se a China criou o vírus deveria também pagar os custos, mas é no mínimo caricato que o ónus esteja a ser colocado a Ocidente e seja quase um sacrilégio afirmar que a China merece uma investigação.

 

Não questionando Gates, até porque tenho o trabalho deste senhor em boa conta, é preciso recordar, e incluo muitos adeptos do "fique em casa até morrer", que é óptimo passar um confinamento quando estamos a ganhar dinheiro com a pandemia. Também é óptimo estar em confinamento quando a nossa casa ocupa um quarteirão, temos piscina e uma sala que parece um space shuttle. Também poderei falar daqueles que acreditam que o Estado tem recursos infinitos e que portanto o dinheiro nunca vai acabar. Estados paternalistas adoram, e cidadãos que esperam tudo do Estado também. Vamos continuando naquela que, em gstão de catástrofe, se chama a fase 1 de relief.

 

Finalmente, enquanto tomamos o pequeno-almoço de Natal aos conselhos do George Villiers português, continuamos a ignorar as consequências para a saúde mental e para a "saúde social" dos confinamentos (já sem falar na económica), porque não é preciso ser especialista em saúde pública para chegar à conclusão que saúde pública não é só Sars-Cov-2, é também todos os efeitos da doença. Na verdade, é apetecível que passemos as nossas vidas agarrados a videojogos, séries de televisão e a uma inundação de informação que ao invés de nos dar empowerment e espírito crítico, só nos faz sentir inteligentemente estúpidos, no entanto, o Homem (essa natureza em perigo como nos disse Behlen), a Saúde e o Mundo são muito mais que isso... 

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O Desejado Irão...

por Robinson Kanes, em 02.12.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

The Germans sell chemical weapons to Iran and Iraq. The wounded are then sent to Germany to be treated. Veritable human guinea pigs.

Marjane Satrapi, in "The Complete Persepolis"

 

 

Que a Pérsia sempre foi um território profundamente desejado, não restem dúvidas, desde a Antiguidade que o império é alvo de cobiça por vizinhos e inclusive por Ocidentais. Aliás, não será vergonha nenhuma um Ocidental assumir que ainda tem muito a aprender com a cultura e conhecimento produzidos por aquele povo.

 

Também é verdade que o Irão actual, muito por culpa do Ocidente, se encontra sob governação de radicais, sobretudo no parlamento, embora a liderança de "Hassan Rohani" se tenha pautado por bastante moderação em contraste com os tempos de Mahmoud Ahmadinejad onde o discurso feroz e agressivo imperava. Durante a Governação Trump, estivesse Ahmadinejad no poder e as coisas poderiam ter corrido de forma muito diferente, sobretudo após o assassinato do Major-General da Guarda Revolucionária do Irão, Qasem Soleimani. 

 

Na verdade, a influência do Irão em alguns países, nomeadamente no Líbano, onde é o principal financiador do Hezbollah, não é sinal de orgulho para o país. Não obstante, as tentativas de aproximação ao Ocidente e alguma pressão interna junto dos mais radicais poderia dar frutos num futuro próximo. Conhecer o Irão é, apesar do muito trabalho que ainda existe, chegar a essa conclusão. Todavia, se é crime apoiar organizações terroristas como o Hezbollah, também o é apoiar tantas outras por esse mundo fora - e onde a Europa, Estados Unidos, China, Rússia, Israel e Arábia Saudita têm a sua participação. 

 

O Irão é um país rico, onde a abundância de água é uma realidade e o seu aproveitamente de um conhecimeno ancestral. O Irão tem uma importância logística vital no Golfo Pérsico: o estreito de Ormuz. O Irão é o país onde também o petróleo jorra por todo o lado e o gás natural está nos poros daqueles solos. Sobrevoar o Irão à noite, independentemente das rotas, é como sobrevoar a Europa, tal é a iluminação do país, riquíssimo na produção de electricidade que não  se deve somente à indústria nuclear. Podemos andar em algumas aldeias remotas e as canalizações de gás natural estão lá.

 

Por sua vez, enquanto China e Rússia se aproximam do país construíndo infraestruturas, embora de modo controlado, pois a estas também não importa que este país se desenvolva de modo desenfreado, a Europa e o Estados Unidos vão desperdiçando uma oportunidade de ouro. A Rússia e a China nada dão em troca e recebem muito do que o Irão produz, aliás, essa é uma das queixas daqueles que por lá habitam, sobretudo em relação ao petróleo e ao gás natural.

 

Esta semana, e depois do assassinato por parte dos Estados Unidos e não só, de Qaseim Soleimani, foi a vez do mais proeminente cientista nuclear iraniano ter perdido a vida também num assassinato bem planeado. Mohsen Fakhrizadeh foi assassinado pela sua importância no programa nuclear iraniano, alegadamente por duas potências que pouco se podem gabar do seu pacifismo: Israel, Arábia Saudita e quiçá Estados Unidos, até porque raramente uns fazem algo sem conhecimento e cooperação dos outros. O encontro ao mais alto nível entre Israel e Arábia Saudita, algo inédito, a semana passada, aumentou também as suspeitas, até porque inicialmente o mesmo foi negado. Acresce ainda o facto de que este tipo de operações só está ao alcance de potências com meios para tal... E entrar no Irão, cometer um crime e sair sem acordar o gato não está ao alcance de todos. 

 

A prática de assassinar cientistas iranianos é comum, basta recuar a 2010 e 2011... Apesar do radicalismo, não tenho dúvidas que é toda uma herança histórica iraniana e um lado xiita mais moderado que tem tornado o ambiente mais calmo, além da "estratégia de paciência" encetada por Rouhani mas que não é a mais apreciada pelas altas elites religiosas do Irão.

 

A União Europeia e a ONU já condenaram o assassinato, todavia Mohamad Javad Zarif, o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, diz que não basta... A hipocrisia continua a ter lugar, à semelhança daquele que existiu com a Crimeia ou até com os bombardeamentos em hospitais sírios. A saída de Trump pode também estar a acelerar a tomada de medidas extremas na medida em que Biden, mais moderado, evitará (assim se espera) hostilizar países como o Irão! Ao nível internacional, Biden terá uma oportunidade suprema de manter o bom trabalho de Trump em relação à Coreia do Norte (até melhorar o mesmo) e aproximar-se do Irão, seria muito provavelmente um dos feitos diplomáticos do século terminando inclusive com a política iraniana de ter aprisionados cidadãos não-iranianos ou com dupla nacionalidade para servirem como moeda de troca por cidadão iranianos detidos no estrangeiro.

 

Aguardemos... Todavia, e como tenho vindo a referir, a pandemia tem sido uma excelente oportunidade para que se cometam algumas das maiores atrocidades do século XXI. Perguntem isso inclusive àqueles que numa base diária vivem um verdadeiro holocausto no médio oriente porque alguém se lembra de arrasar as suas casas e os tratar como escravos. Esperemos que a estratégia paciente de Rouhani se mantenha, até porque nas mais altas instâncias iranianas já corre o boato de um ataque a Haifa.

Actualização (13h:45m): o parlamento iraniano votou pelo fim da autorização às inspecções da Agência Internacional para a Energia Atómica (AIEA). 

 

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A Sardinha é só minha...

por Robinson Kanes, em 03.11.20

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Créditos: https://www.coolpun.com/topic/safari

 

Hoje é terça-feira e estamos no SardinhaSemLata, mas não partilhamos a nossa sardinha. Saibam mais aqui.

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Resposta a Gustavo Carona...

por Robinson Kanes, em 30.10.20

O pior das humilhações é que fazem quem as sofre sentir-se culpado

Javier Cercas, in "As Leis da Fronteira"

 

Caro Gustavo,

 

Não tenho dúvidas de que será um médico intensivista de topo e estou certo que se necessitasse dos seus cuidados estaria nas melhores mãos. No entanto, e talvez pela exposição pública que foi adquirindo, até porque escrever uns livros e tirar umas fotografias com uns pretinhos passa sempre a mensagem de que somos uns heróis, gente de bem e com talento, deve ter achado que poderia ser um embaixador da classe médica em Portugal, uma espécie de Buescu da medicina.

 

Não obstante, a última campanha mediática que tentou fazer passar, peca por ser tardia, nomeadamente em termos de impacte. Vir afirmar a sua exaustão, dizer às pessoas para ficarem em casa (só falta a fotografia deitado no teclado) já não tem o eco que teve em tempos. Se olhar para países como Itália, Espanha, Bélgica, Alemanha e França, essa partilha já tem mais consequências negativas que positivas - chegou tarde. Além disso, esse discurso (errado) passa a imagem de que até hoje a classe médica (e não só médica) levava uma vida tranquila, o que não é verdade e se quiser exemplos disso também lhos posso dar. Estar exausto é mais do que comum em tantas outras profissões onde não existem corporativismos, salários garantidos ao fim do mês e pagamento de horas extraordinárias ao fim de somente 35 horas de trabalho. Muitos gostariam de escrever livros e colocar licenças para tirar fotografias com os pretinhos, mas andam exaustos todos os dias do ano, todas as épocas, com ou sem vírus.

 

Também me espanta ver um médico a chamar imbecis e anormais a "negacionistas", "relativistas" e todos os outros que não colocam o SARS-CoV-2 como a doença que nos matará a todos. A título de exemplo, passar a mensagem de que o pneumologista descarrega toda a sua fúria no doente que fuma, parece-me contraproducente. Também para um médico, não me parece a melhor forma de criar empatia e abordar os potenciais pacientes. Eu entendo que explorar o mediatismo e entrar no rol dos grandes heróis nacionais contra o vírus pode levar a estes excessos, mas... Em suma, se alguma vez geriu uma equipa, sabe que não é a chamar imbecis e anormais aos seus que vai conseguir resultados, espero que não o faça quando anda por outras paragens em missões "humanitárias"... Lembre-se também que são esses imbecis e anormais que necessitam de cuidados médicos mas que por seu turno os pagam por intermédio dos seus impostos e do seu trabalho e são esses indivíduos que não são mais excepcionais que o resto de nós que fornecem exemplos impressionantes dos nossos momentos mais sublimes como seres humanos, como tão bem descreve Sapolsky. E, pela sua experiência, sabe que se não existir economia em funcionamento, também não existem impostos que paguem a um médico.

 

Aproveito também para o recordar, até porque também colabora(ou) com os Médicos sem Fronteiras, que a saúde-mental e o bem-estar também são saúde, algo que o Gustavo parece ignorar. Antes da especialidade, terá com toda a certeza abordado esta temática na sua formação, talvez uma reciclagem possa ajudar. Isso e gestão de pânico e catástrofes... Lembro-lhe que a política é importante, tem uma vísão holística que ouve todos os lados (ou deveria) e toma decisões de acordo. Por muito que não goste de como a política por vezes é gerida, esperemos que nunca a decisão e gestão perante uma catástrofe passe por uma única entidade/corporação, lamento desapontá-lo. Aliás, como eu, deve saber que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) é uma organização política e não médica que quer comparar a actuação contra o vírus na Europa e não só com a actuação localizada contra o ébola numa determinada região africana.

 

Deixe-me também dizer-lhe que me espanta, e até poderá ter as suas razões, que no dia 18 de Setembro de 2020, defenda eventos de massas como o Avante e outras manifestações similares e aponte que o risco maior se encontra nas pequenas reuniões familiares. Ainda hoje estamos à espera desses estudos. Espanta-me ainda mais que no dia de ontem, 29 de Outubro, surja de repente com um discurso ligeiramente diferente. Portanto, deixemos que as pessoas se juntem em eventos de massas mas ai daquele que ousar visitar a mãe! 

 

Lamento também desapontá-lo quando implicitamente nos diz que a ciência não se questiona e muito menos ela própria é aberta a toda e qualquer "novidade". Não sei em que meios se move, mas uma das coisas que faz a ciência avançar é a constante formulação de novas ideias e abanões ao status quo. Temo até que, se assim não fosse, a leucotomia pré-frontal, idealizada pelo seu colega Egas Moniz, ainda fosse uma prática corrente. A ciência é sempre aberta a novas ideias? Não precisarei de lhe responder... Até porque se assim fosse, não estávamos a confinar (pela primeira vez na História) pessoas saudáveis e a basear-nos em modelos aplicados no passado em contexto totalmente diferentes.

 

Utilizar um programa de televisão e o meio mediático que lhe permitiu ser mais conhecido do que propriamente a exercer o seu trabalho, não me parece de bom tom. É público que não nutro simpatia pela televisão em Portugal, mas adoptar um comportamento que até é cultural em Portugal de, e passo a expressão, de cuspir no prato onde se come é, no mínimo deselegante, sobretudo quando tornamos isso público, partilhamos os detalhes e utilizamos o acto como forma de auto-promoção. Tem passado demasiado tempo a fazer vídeos na internet, programas de rádio, artigos em todos os jornais e mais alguns, a aparecer na televisão e por certo menos tempo em contacto com pessoas. É feio e não lhe fica bem, e sim, com tudo isso para lá do trabalho que se exerce, acredito que fique exausto.

 

E como em tempo outro actor da saúde fez, Fernando Nobre, poupe-me o discurso da catástrofe lá fora, para defender as suas convicções. Não terei a sua experiência, mas também sei o que são pessoas a tombar sem assistência. Também sei o que é a fome, e também tenho fotografias ao lado dos pretinhos, ou melhor, tenho dos pretinhos apenas, os verdadeiros heróis no meio disto tudo. Sei, como não o faço em organizações onde a viagem, a comida e tudo o resto está incluído. Sai tudo do meu bolso, porque assim faço questão,inclusive quando estou longe e faço "donativos" pontuais. Com toda a certeza terá aproveitado o lucro das vendas dos seus livros para também o fazer...

 

Provavelmente este texto nunca lhe chegará, não sou propriamente conhecido na praça e no pouco que sou, e pelo que aqui escrevo, tenho mais inimigos que amigos além de que até o próprio texto vai contra o seu video que esta plataforma teve o gosto de partilhar. Também não chegará a todos aqueles que viram/leram o seu video "perturbador" e "catastrófico", mas espero sinceramente que outros cheguem para desmistificar este "show off".

 

Espero que cumpra bem o seu trabalho, exausto ou não e acima de tudo, sejamos positivos e tenhamos todos os cuidados sem parar o Mundo, isso é fundamental... O Gustavo, parece-me que está demasiado exaltado e em pânico e isso nunca é bom para gerir uma catástrofe.

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O virus é democrático mas parece ser o único...

por Robinson Kanes, em 23.10.20

235866_RGB-981x1024.jpgCréditos: Caglecartoons.com, The Netherlands, March 6, 2020 | By Joep Bertrams

 

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Até o dia dos mortos se finou... Não acredito que uma romaria aos cemitérios possa fazer grande diferença no facto de gostarmos de alguém, está morto e pronto, não obstante, reconheço quem tem nesta prática e nesta forma de lidar com a morte uma visão diferente da minha e que está tão enraizada na nossa sociedade e costumes e que vai muito para além da crença católica. Todavia, este constante ataque ao cidadão que faz por sobreviver e cumprir o pouco que ainda lhe resta de liberdade começa a ser assustador - e pensar que em tempos alguém foi tão criticado por "querer" congelar a Democracia por seis meses.

 

Vejamos, todos aqueles que nos cortam a vida social, humana, cultural e profissional, são os mesmos que no Verão não hesitaram em (e sempre com o jornalismo medíocre atrás) mostrar-se na praia, fins-de-semana seguidos e chamando todos para o ajuntamento parolo habitual do Verão. São os mesmos que não hesitaram em jantar nos restaurantes da praça para português pobre que come uma sopinha ver. São também os mesmos que permitiram ajuntamentos como o 1º de Maio, várias manifestações da direita à esquerda e o grande acontecimento de 2020 que foi a festa do Avante. Não paga impostos, utiliza o erário público, utiliza mão de obra a custo zero e ainda recebe este prémio, enquanto os outros encerram empresas. São os mesmos que se congratularam com a Fórmula 1 no Algarve e permitem uma multidão num fim-de-semana e proibem o cidadão comum de velar os mortos ou estar em família no outro. São os mesmos que encheram o campo pequeno mal o vírus saiu do confinamento e parece ter dito "bem, vou-me embora, vou partir naquela estrada". O vírus é democrático, mas começo a crer que Portugal não...

 

Começa também a ser em demasia o pânico que é gerado nas televisões e jornais - e já lá vão seis meses. Basta! Basta! Basta! As pessoas estão cansadas e assustadas e estou em crer que muitos dos media que embarcam nesta lógica perceberam que três meses de lockdown fazem maravilhas pelas audiências e também pela destruição da inteligência dos cidadãos. Basta de termos matemáticos; profissionais de saúde;  físicos; filósofos; "comentadeiros"; "viradores de frangos" e mais um sem número de indivíduos que procuram destaque a todo o custo e todos os dias nos apresentam modelos e teorias completamente descabidas de base cientifica ou assentes em modelos ultrapassados e que só aumentam o pânico, deixem de ser "wannabes" e concentrem-se no essencial. Isto não é uma guerra como nos querem fazer crer e muito menos o fim do Mundo. É, sem dúvida, um aviso à nossa sociedade, mas sobretudo pela forma como somos "geridos", "controlados" e claro, como nos comportamos. Existem muitas soluções, a economia não pode parar! Mas a Irlanda confinou! Sim, e vejam como economicamente e laboralmente se organizou. Vejam um website de ofertas de emprego naquele país ou tentem ver como se está a comportar o tecido empresarial e percebam que tem mais dinâmica e ofertas de emprego (com qualidade) que um Portugal em tempos áureos!

 

Começa também a ser cansativo ter uma Organização Mundial de Saúde (OMS) e por cá uma Direcção Geral da Saúde (DGS) que um dia nos dizem que a máscara é para utilizar e no outro já não! Que às nove da manhã nos dizem que o contágio não se dá por contacto com superfícies a à tarde já nos diz que afinal todo o cuidado é pouco. É uma OMS que privilegiou os confinamentos mas agora volta atrás... Para o caso de alguém se ter olvidado, a OMS, legalmente, não é uma organização cientifica e muito menos médica, é uma organização política, é essa a sua base!

 

Também não podemos ter confiança total do lado da saúde (não estou a afirmar que não devemos escutar e seguir os conselhos), pelo simples facto de não ter uma visão holística da sociedade, da economia e do Mundo, e é aí que o poder político e cívico tem de mostrar que pode ouvir, acatar, mas exercer uma espécie de gestão da situação do que lhe chega. Também não podemos ter sociedades médicas a afirmarem que os melhores não estão a ser ouvidos em detrimento de outros que provavelmente se movimentam melhor no plano mediático e político. Passámos demasiado tempo no Verão a apanhar sol na praia, sejamos consistentes nas mensagens e nos alertas.

 

Todos sabemos que os números estão a ser "martelados", não tenhamos ilusões, mas mesmo assim, não podemos deixar de viver, não podemos parar a economia e muito menos destruir o que temos de nosso, já nem como cidadãos mas como pessoas! Não façam isso e não deixem que isso vos seja feito.

 

O Mundo do pânico pandémico (e não escrevi da pandemia) está, entre as gotas da chuva a transformar-se. Existem conflitos a eclodir por todo o Mundo, muitos deles pela liberdade de países e povos outros somente a aproveitarem a baixa atenção mediática a outros temas. É terrorífico ver que por cá, inclusive em espaços de blogues e artigos de opinião ainda se defende, aproveitando a embalagem da pandemia, um regime maoista que desenvolve campos de concentração! Existem, como na Nigéria, Colômbia, Chile e outras nações, ataques coordenados a quem diz não: na Nigéria as autoridades antes de abaterem manifestantes pela Liberdade que só estavam concentrados pacificamente, tiveram o cuidado de preparar o terreno, afastando testemunhas com zonas de contenção, retirando câmeras e limpando a zona! Estes são os testemunhos mais violentos, mas também sabemos como Portugal é um país perfeito para "abater" quem diz não!

 

Respeitemos os outros, tenhamos todos os cuidados exigidos para não multiplicar a propagação do vírus, mas acima de tudo não deixemos de viver e não embarquemos numa espécie de suicídio colectivo. Mais do que morrer de medo e desprovido de qualquer personalidade, importa sim saber como reagir face à adversidade e apostar numa mudança que tem de acontecer, e nesse aspecto, o vírus é uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores em muitos campos, embora, infelizmente, em muitos territórios, não seja uma prioridade.

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Um Sável e uma Moretti...

Com uma viagem pelo Líbano e Fuente Ovejuna

por Robinson Kanes, em 11.04.20

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A felicidade é a capacidade de nos libertarmos da tirania e das emoções negativas. A felicidade não é uma recompensa da virtude: a felicidade é a virtude em si mesma.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

 

A Páscoa... Para um não religioso é o tempo de encontros e acima de tudo um tempo actual para pensar, para se envolver na metáfora do nascimento e da ressureição, e como nos fará tão bem pensar nisto!

 

Todavia, também pode ser tempo de felicidade (em uma ou várias das suas vertentes - porque aqui não é uma palavra de moda e charlatanice mas uma área cientifica). Estaremos assim tão mal enquanto em tantos países do Mundo há muito se morre de fome, guerra e doença?

 

É nesse contexto que por aqui o Robinson volta à cozinha e desta vez com uma bela Açorda de Sável acompanhada com o rei do mês de Março e Abril - e mais houvesse durante o ano. Como sempre, não tenho o hábito de partilhar a receita, não é um espaço culinário. Mas também se bebe, e não é pouco, por isso, nada como acompanhar com uma Moretti para me recordar a bella Italia.

 

E o que é uma açorda de sável sem um bom livro? Desta vez, numa ideia diferente do habitual, vou até à dramaturgia de Lope de Vega, até ao século XVII, com o seu "Fuente Ovejuna". Fuente Ovejuna lo hizo, tantas vezes "ouviremos" ao longo da obra, ondes os fracos triunfam sobre os fortes, mas não sobre os fortes de espírito e que sabem utilizar o poder. Triunfa sim sobre os fortes que nunca sendo fortes não sabem utilizar tal instrumento.

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Deixo a música de lado, até porque posso repetir-me, afinal escuto "Vetusta Morla" enquanto escrevo, no entanto, para perceber que talvez não possamos estar assim tão mal, deixo uma recordação cinematográfica que retrata mais um episódio das relações entre o Líbano e Israel e os bombardeamentos de 2006. "Sous les bombs", um filme libanês de 2007, realizado por Philippe Aractingi e que nos vai deixar com um nó no estômago, é um facto. E também nos vai deixar a pensar que talvez não estejamos assim tão mal... Afinal não foi a Covid 19 que trouxe o mal à Humanidade, há muito que ele já anda por aí.

Boa Páscoa...

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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

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Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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