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Persépolis: A Cidade Persa

por Robinson Kanes, em 21.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

A poucos quilómetros de Shiraz, e debaixo de um intenso calor, encontra-se aquela que foi uma das capitais do Império Aquemênida: Persépolis! Iniciada por Dario, a construção deu-se durante séculos até a mesma ser conquistada por Alexandre Magno. Persépolis foi sempre uma capital mais espiritual, até pelos difíceis acessos, as capitais administrativas acabaram por ser Pasárgarda, Susa, Ecbátana e Babilónia. Com Alexandre Magno, em 330 a.c. a cidade seria ocupada, saqueada e parcialmente destruída. Era o início do declínio de umas das pérolas de todo o império.

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Falar da história de todos os pormenores da cidade é matéria para centenas e centenas de artigos, por isso, nada como a consulta da imensa bibliografia, sobretudo a técnica, que existe acerca da cidade. Na internet, existem centenas de documentários e animações 3D, acerca da cidade, uma delas está aqui.

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No entanto, debaixo de um calor abrasador, e onde nos imaginamos nas montanhas do Afeganistão, fascinou-nos sobretudo a grandeza do império, também nestas pedras contada. Para se ter uma ideia, o império iniciado por  Ciro, "o Grande", acabou por ser o maior da antiguidade, nomeadamente uma extensão para ocidente até aos balcãs e leste europeu, uma rota de estradas onde se incluem as da Rota da Seda, o uso de uma língua ao longo de todo o território e o canal que ligou o Nilo ao Mar Vermelho.

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A este aspecto junta-se o facto de que, ao contrário de muitas outras edificações da Antiguidade, Persepólis, como outras grandes construições do império eram realizadas com trabalho remunerado, ou seja, não escravo. Foi com Ciro também que, apesar de muitos povos terem sido conquistados, que existiu o respeito por todos os costumes e religiões de todos os povos. Como nota de curiosidade, também é Ciro, o responsável pelo "Cilindro de Ciro", aquele que é considerado a primeira declaração de Direitos Humanos da história. Infelizmente para o povo iraniano, encontra-se no British Museum em Londres. No Museu Nacional, em Teerão, encontramos apenas uma réplica. Admito que nas duas visitas ao British, bem que já me apeteceu trazer o cilindro e devolver o mesmo ao povo que o escreveu e que é o seu legítimo detentor! Este cilindro, é talvez um dos mais importantes documentos da Humanidade!

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Agora é tempo de percorrer este espaço, de fechar os olhos e com a ajuda dos óculos de realidade virtual, admirar a escultura e a arquitectura, donde se destacam o Terraço, a Escadaria de Persepólis; a magnifica Porta de Todas as Nações; a Apadana e a sua escadria; a Tachara, ou Palácio de Dário, um dos mais belos, o Hadixe, ou Palácio de Xerxes; o Palácio Central e o grandioso Palácio das 100 Colunas.

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Ao alto, podemos vislumbrar e percorrer também, os túmulos de Artaxerxes II e Artaxerxes III com esculturas de nos deixarem de boca aberta onde são claros os símbolos Zoroastras e do próprio império - um pouco à semelhança do que acontece em todo o edificado de Persépolis. A sul, existe também um túmulo que não foi concluído e que consta que teria em vista ter como hóspede Dario III.

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Pisar o solo de Persépolis é viajar na História, é pisar cada pedaço daquele espaço com um sentimento especial, sentir cada pedra como pudessemos recuar séculos e séculos para trás. É repensar a própria história e acima de tudo é termos a sensação de que somos tão pequenos. É termos a noção de que uma certa História, bem lá atrás ainda tem tanto por contar... É termos respeito e perder a arrogância de que a Ocidente é que esteve/está o patamar máximo do desenvolvimento, até porque, se existiu império que não ficou atrás (bem pelo contrário) de outros como o Grego e o Romano, foi este. E ainda hoje, tal se nota em cada iraniano, desde o mais letrado até àquele que não foi bafejado com a sorte de uma educação mais formal.

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Uma coisa é certa... De Persépolis, saíremos mais ricos, mais ricos do que se comprássemos qualquer produto de luxo no Harrods. Mais ricos do que se trouxéssemos meia-dúzia de lingotes de ouro na mão!

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Agora!

por Robinson Kanes, em 13.11.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Há a felicidade simples de estar ainda em vida e mais do que tudo, o amor, da vida, partilhada com os que ama enquanto lhe for dada. Não será a vida o dom inaugural.

Paul Ricouer, in "Vivo até à Morte"

 

 

Existem momentos em que não queremos esperar. Existem momentos em que não queremos saber de nada e do próprio nada de viver. Esgotamos na nossa vontade de querer quebrar todas as regras e simplesmente procuramos a harmonia no descontrolo das emoções.

 

Existem momentos em que simplesmente somos só nós, eventualmente alguém a nosso lado e o mundo e a natureza levada à profundidade do nosso sentir onde a sua exaltação é tal que rebenta sobre diferentes contornos! Um grito, um silêncio, um sonho de amor ou até na comunhão intensa entre o nosso corpo e o de outrem, ou apenas entre o nosso ser e o cosmos, entre o pó, entre as areias e todas as partículas que sou eu e que se fundem no passar dos dias até recolherem ao solo e voltarem com novo impulso.

 

Serás um homem novo, não serás nada... Vive agora, apaixona-te, vence e diz o que tens a dizer, entrega-te e não desperdices tempo nessa sede de viver. Arranca as tuas roupas, entrega-te ao amor, abraça como nunca abraçaste, ama como nunca amaste, entrega-te languidamente à luxúria e deixa que nesse momento dois corpos sejam um. Deixa que os gemidos inundem o universo e o grito da paixão ecoe pelo cosmos navegando perdido durante milhões e milhões de anos! Deixa que essa união pura e sem metafísicas preencha a terra da vossa exsudação e que ambos transpirem, transpirem numa união entre tudo e o nada.

 

Serás um homem novo, não serás nada... Viverás como todos os outros, morrerás como todos os outros. Não procures deixar história, essa história não te vai alimentar quando só de pó e de terra a tua boca se saciar.  Não procures deixar história quando já ninguém se lembrar de ti e fores apenas o nome de uma rua ou uma pequena menção num livro. Não procures deixar história quando as tuas cinzas se sumirem naquilo que do mundo resta e não se vê. Não procures ser história na morte.

 

Cria e recorda a tua história agora, cria a tua história vivendo essa mesma história. Não temas o passado, não te inquietes com o futuro, o teu passado e o teu futuro são agora... Só agora, enquanto os teus braços voam, enquanto o teu sorriso é genuíno e enquanto o teu ser efémero é real, enquanto está no arrebatamente de sentir e de tocar. Entrega-te ao mundo enquanto ainda não és uma criança dataísta, não és uma criação de ti próprio na destruição do que tens de humano!

 

Cria, sente, sê e vive tudo, agora!

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Manhã de Sábado em Belém...

O Chulo e o Provinciano...

por Robinson Kanes, em 28.10.19

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Claude Monet - Regates a Argenteuil (Musée d'Orsay)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Doca de Belém... O sol brilha, é Sábado de manhã... Eu não estou a fazer nada, apenas a aproveitar esta luz fantástica enquanto vejo turistas e mais turistas com camisolas falsas de grandes estilistas e com sacos dos pastéis de belém. No meio da azáfama, tento pensar numa estratégia para um projecto avançar. 

 

Viatura estacionada junto às linhas que permitem a passagem daquele carro anfibío que anda pela cidade e respeitando as indicações da Autoridade Portuária. Penso... Penso no projecto. As viaturas vão-se avolumando e a minha viatura acaba por ficar, hipotéticamente a ocupar dois lugares. 

 

É nesse momento que surge um digno trabalhador deste país, vulgo arrumador ou como se encontra nos estatutos da Real Federação Portuguesa de Arrumadores de Viaturas (RFPAV): Chulo! Com uma distância de segurança, profere as seguintes regras do espaço:

 

- Podia mexer carro e tirá-lo daqui, está a ocupar dois lugares e assim a malta não consegue estacionar e eu não posso fazer o meu trabalho. Assim não dá, um gajo não anda aqui a brincar, ests gajos não respeitam ninguém.

 

Penso que o meu olhar pelo espelho foi esclarecedor, porque o indivíduo não mais palavras proferiu. De facto, confesso que me arrisquei, porque a Polícia Municipal, com a gestão do trânsito no local, estava mesmo ali ao lado a presenciar e o nosso profissional da calanzice poderia chamar as autoridades e quem ficava mal era eu. Realmente, esta falta de cidadania...

 

Devo admitir, e por isso peço desculpa, por me ter comportado de modo pouco civilizado e ter gozado com o trabalho dos outros, que é um trabalho louvável, importante para o bem-estar dos cidadãos e para a mobilidade urbana. Aliás, a minha atitude ainda foi mais reprovável na medida em que não lhe dei uns trocos... Muitos trocos! Sim, porque quem estava a pagar rapidamente ouvia o comentário "não tem mais qualquer coisa?". As pessoas andam a trabalhar e têm de ser remuneradas pelo seu trabalho! Uma vergonha, e por isso, publicamente peço desculpa aos legais profissionais do gamanço deste país.

 

Entretanto, e porque Belém é Belém... Escuto isto vindo daqueles indivíduos que até pensam que o facto de viverem na cidade os torna mais "elegantes":

 

- Epá, não sei, eu vou almoçar à EXPO, comer um peixinho, lá é que se come bom peixe, mas vocês é que sabem. Tem de ser, sabes como é... Eh... Eh... Eh... (Eh... Eh... Eh... aquele tipíco Eh... Eh... Eh... do "estás a ver Zé, isto é que é qualidade de vida, isto é que é viver à grande").

 

E nisto, depois do seu ar de pedante sai uma real escarreta para o chão (daquelas que até estalam e parecem santolas quando tocam no chão) e um "pois é cara...". Homem digno, fino e distinto, que come peixe do melhor na EXPO e usa corta-vento náutico para passear junto à doca quando faz um calor que não se aguenta... Que diga palavrões, cuspa no chão, que não saiba sequer remar e ande de corta-vento num dia soalheiro e sem vento só porque está junto ao Tejo, nem é grave... Já é um hábito! Mas caramba, peixe bom na EXPO? Irra! Realmente o que são os restaurantes de Setúbal, Sesimbra, Montijo, Alcochete, Guincho e Ericeira comparados com a EXPO! Esta é imperdoável!

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Postas de Pescada e Reflexões Sobre Ter um Blog...

por Robinson Kanes, em 26.09.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Foi um destes dias que descobri, graças ao comentador Nuno Carvalho, o alcance do "Não é que não Houvesse" - pois é, ultrapassou fronteiras e um dos artigos (traduzido em inglês) foi parar ao facebook de uma página de fans do Bryan Ferry. É bom saber isso, é bom ter reconhecimento, sobretudo além-fronteiras e de forma desinteressada... E como é bom e genuíno o reconhecimento lá de fora - então quando ele não existe cá dentro. É bom receber alguns emails, sobretudo de pessoas que não têm blogs e de outras pessoas (perdoem-me as mesmas, mas também não vos vou expor) que tendo espaços como este, optam por não tornar muitos dos comentários públicos ou pedir desculpa por não comentarem mas... Aprecio esse facto e compreendo, cada qual terá as suas prioridades neste mundo.

 

Isto para dizer que, pontualmente, é bom fazer balanços... Também assumo que, estando na plataforma que estou, não escrevo com um propósito para a mesma, todavia, não deixo de agradecer todos os artigos destacados até agora, sobretudo na página principal que é onde, acredito, ter mais adeptos do meu "trabalho". Perdoem-me se não crio artigos de agradecimento, não é o meu estilo, sou adepto da eficiência e não do folclore (sem carácter depreciativo)... E há outras formas menos óbvias de agradecimento que vão bem para lá disso, é uma questão de se estar atento e ter capacidade de encaixe.

 

Nestes tempos por aqui, sendo ainda cedo para um balanço, admito que sempre temos dias bons e dias maus. Deixamos de seguir este e aquele espaço porque já não nos desperta interesse, deixamos de comentar só porque sim e somente porque realmente o tema nos merece atenção, tornamo-nos mais selectivos, mesmo que isso implique que existam muitos que ficam revoltados e nos punem com o seu cancelamento, faz parte... Até brinco com isso sempre que alguns temas fazem derrapar o número de seguidores. Algumas boas discussões não faltam, sobretudo quando os apologistas da liberdade e dos direitos nos apontam a sua forma mais vil de serem ditadores.

 

Também já tive artigos dedicados a mim e os quais agradeço: uns muito bons, outros nem por isso... Agradeço especialmente à "Mami", à "MJP", ao "Homem da Caneca" e ao "Pedro Correia" pelos convites à escrita nos seus espaços. Os menos bons, pois bem, fazem parte... Não são tema para agora.

 

Penso que também tenho o dever de agradecer a todos os que me vão seguindo e lendo - uma nota especial para as subscrições por email, não sei quem são, mas são uns "Senhores" a quem agradeço muito. São eles que fazem este espaço, não é o Robinson Kanes que é a vedeta cá do sítio, são todos vocês, inclusive os que espumam quando observam alguns textos... A riqueza destes espaços vem daí e por apreciarem algo que realmente dá trabalho. No meio de tanta azáfama, dá mesmo muito trabalho, este não é um espaço de copy-paste ou de débito fácil! Acreditem ou não, não são raras as vezes em que recebo mais do que dou. Permitam-me, contudo, sublinhar que não abdicarei do que sou e do que penso, bem como de uma certa "linha editorial", isso não o farei.

 

Um obrigado especial a todos aqueles que aceitam os meus comentários e sobretudo àqueles espaços que, não tendo muito destaque e visibilidade, são de uma riqueza extraordinária! Admito que sigo apenas dois separadores: "opinião" e "últimos posts" - não há tempo para mais e é preciso fazer escolhas. É no último que tenho descoberto conteúdos verdadeiramente interessantes! Obrigado a muitos deles também por serem a minha companhia, pois nem sempre é fácil, mesmo nesses separadores, encontrar conteúdo destacado que seja de qualidade, mas afinal, o "Não é Que Não Houvesse" também não se pode gabar muito nesse campo, ainda está numa fase de aprendizagem constante.

 

Obrigado por aturarem o meu mau-feitio, obrigado por compreenderem que não gosto de discursos bonitos e fofos (não resisti... damn), por vezes tenho aquilo a que os holandeses chamam de "bespreekbaarheid". Por cá nem sempre resulta, somos uma cultura mais superficial e também emocional no campo de dizer o que pensamos.

 

Obrigado por estarem aí, sejam apreciadores ou haters, até porque, a existência de um hater implica que alguém nos segue, nos lê e digere o que escrevemos).

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Allegro Vicacissimo adiado...

por Robinson Kanes, em 23.09.19

Jabr-Walking.jpgImagem: https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/walking-helps-us-think

 

Pensava em como as pessoas que se querem bem, sem pensar em mais nada a não ser na triste insensatez da vida e no carácter vão do amor, acabam por viver lado a lado os próprios destinos que, por serem incompreensíveis as mantêm afastadas como nos pesadelos sem sentido.

Hermann Hess, in  "Gertrud"

 

Tchaikovsky escuta o seu concerto para violino e pensará em como é possível numa interpretação de pouco mais de meia-hora colocar tantas emoções, tantos sentimentos e tantos sonhos que fora da partitura se desfazem. Nem sempre a música ajuda as mentes perturbadas, ao contrário do que dizia Horácio. Essa mesma música tende, por vezes, a colocar-nos ainda mais perturbados e destruídos. Pode ter um efeito nefasto no modo como gerimos as nossas emoções...

 

Essa música faz-nos pensar no sonho mas também na realidade, de ter de acreditar naquilo que não queremos, de perceber que queremos deixar de ser um fantoche, de chegar à conclusão que o presente e o futuro dessa realidade não precisa de nós! Que nós somos pedras no caminho, que tudo tem um tempo e o tempo de uns não é o tempo de outros. Encarar esta realidade não é fácil para alguns, acaba por ser mais simples para os outros e é isso que lhes dá força para continuar.

 

Esses que não percebem o tempo, esses que se preocupam com um mundo, esses que não se cansam de falhar, ou porque a vida os marcou para sempre com esse destino ou simplesmente porque são efectivamente falhados. Não terão a consciência de que tudo tem um limite e que a realidade que um dia almejam e que até conquistaram durante algum tempo não estará lá para sempre - ninguém aguenta para sempre viver com um falhado, ninguém aguenta uma vida ao lado de um idealista. Ninguém aguenta para sempre quem acredite efusivamente no amor e aqueles que talvez acabam por viver de olhos fechados como se a própria existência fosse um acto de cobardia.

 

Oui, tout est simple. Ce sont les hommes qui compliquent les choses... Diz-nos Camus no ensaio "Entre oui et non" do seu ""L'Envers et l'Endroit". E sim, são os homens que complicam as coisas, que criam distrações, que criam convenções que decidem como se manipulam e jogam os sentimentos... São os homens que querem dominar a natureza e acabam dominados pela sua vontade de indagar, de ir mais além mesmo que estejam numa espécie de curva de 360º. São os homens que se cansam daquilo que outrora amaram, é humano, sobretudo num mundo que se devora a si próprio em consumo material e emocional.

 

Ficamos a meio na "Canzonetta", porque o "Allegro Vicacissimo" não é para hoje... Amanha será outro dia, e o mundo nasce todos os dias, mesmo que a força humana nos tente impor, não raras vezes, o mesmo mundo de ontem ou o mesmo mundo monótono e amorfo, mesmo que lutemos para fazer a diferença já ontem! E se um dia o "Allegro Vicacissimo" não tiver lugar, pois bem... Talvez que o "Hino dos Querubins" nos acompanhe numa ascenção que não será rodeada de anjos e de Deus, mas da tristeza que nos consumirá até ao dia em que o céu da boca nos arrefecer e não mais a nosso cérebro receber a mensagem que nos chega dos olhos e dos ouvidos. Até ao dia em que afastaremos o nosso pensamento do mundano...

 

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O "fantástico" dia de ontem...

por Robinson Kanes, em 04.09.19

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Créditos: https://www.psychologies.co.uk/why-we-should-all-say-yes-more

 

 

Estávamos em final de Dezembro... Um emprego estável, no entanto, uma oportunidade que surge. Uma oportunidade diferente, um estilo diferente e um projecto diferente; uma equipa diferente; um indivíduo (aparentemente) bem visto na praça e que até "trabalha" para a União Europeia. Adicionem muito espaço para coisas novas e criatividade. Porque não? Deixam um bom cargo (sobretudo pelos contactos que vos permitia e portas que abria em termos de sair do país), por vezes é bom mudar, mesmo que a vossa crença seja abraçar projectos grandes e preferencialmente multinacionais. Mas se é para fazer a diferença, porque não?

 

O primeiro choque, logo no segundo dia: o escritório pimpão com mesas carregadas de papéis, computadores ligados e abertos, montado para enganar incautos afinal não acomodava ninguém! Pura encenação quando descobrimos que afinal a organização repleta de indivíduos conta apenas com dois - vocês e um indivíduo que é gerente de mil e uma organizações e associações! Cuidado quando agendam reuniões fora da hora de expediente - é um óptimo pretexto para vos dizerem que metade da grande equipa está de férias e a outra já saiu. Não se deixem levar também por websites fantásticos e com muito stock footage.

 

Ao longo do tempo (pois por teimosia, CV e consideração) percebem que as coisas não são como parecem - são encostados e não vos deixam desempenhar nenhum dos papéis para os quais foram contratados! Existem para dar credibilidade à organização, porque tem bons profissionais, mesmo que seja uma organização que nada produz e também não tem interesse em produzir. Para conseguir o salário é uma guerra, negam-se a cometer ilegalidades e extorquir parceiros/fornecedores e são humilhados pelo vosso passado de sucesso. Por outro lado, existe um grupo de indivíduos que gira em torno da organização e do aparecer, vivem disso, bebem disso, evidenciam-se por isso... Vocês insistem no trabalho e dizem que não se podem "matar" estagiários meia dúzia de meses só para se dizer que a organização tem muita gente a trabalhar. Não podemos viver numa política de medo e deixar miúdos a entrar em depressão( depressão? São miúdos!) porque não têm nada para fazer e o assédio moral é constante! Dizem basta! Revoltam-se e as próprias instituições de ensino retiram compulsivamente alguns dos alunos...

 

Um dia, dizem efectivamente basta, o vosso percurso profissional não tem que ficar manchado por estranhos esquemas e ficam cansados de tentar ser profissionais e também profissionalizar a organização - por vezes é bom acreditar que não se pode mudar o mundo! No entanto, é importante combaterem tudo aquilo que não permitiram no passado enquanto estavam em posição de liderança!

 

Solicitam uma reunião, apresentam uma proposta de acordo para abandonar a organização - são quase agredidos e intimidados por indivíduos externos à mesma e têm de chamar as autoridades sob pena de serem agredidos. Recebem no email e no correio, no dia seguinte, uma "suspensão preventiva" como se tivessem sido vocês os responsáveis, mesmo que tudo o que está escrito diga precisamente o contrário, começam as ameaças com advogados e uma política de intimidação (esquecem quem está do outro lado, mas enfim). No entanto, existem indivíduos, sobretudo em Portugal que só perante uma sentença judicial (e nem assim) acabarão por perceber que iniciaram uma guerra perdida - contudo, a tacanhez faz isto, há que ir até ao fim só para estragar a vida de alguém... Good luck with that...

 

Hoje é dia de reflexão e de alívio! Amanhã é dia de arregaçar as mangas e segurar a vontade de ser rápido a superar pedindo favores a este e àquele. É dia de ir atrás daquilo que se defende e acredita, é dia de ir à luta pelos meios mais difíceis mas também mais tranquilos em termos de espírito - sou teimoso, não gosto de dever e muito menos de criar pontas soltas que podem um dia quebrar a minha transparência...

 

É também dia de relegar uma guerra que se avizinha para segundo plano e seguir os trâmites da legalidade. É acreditar no que os estrangeiros com quem trabalhei sempre me disseram - keep the focus, mesmo que a queda seja grande!

 

É apostar no futuro, até porque a meu lado tenho sempre quem nunca me deixa cair... E só isso, é o suficiente para nunca, mas nunca, baixar os braços e deixar de acreditar no que é correcto! Amanhã é outro dia e o mundo não vai acabar por isto, bem pelo contrário!

 

Por isso ontem, aquele Moscatel me soube tão bem...

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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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Entre o "Acomisme" e as Cinzas...

por Robinson Kanes, em 18.07.19

asturias.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que ermege da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Talvez um dos maiores segredos para uma vida de sucessos esteja de facto relacionada com a capacidade de nos despojarmos de um certo "acomisme", de pensarmos a nossa realidade com aquilo que temos agora e pensar pouco no que há-de vir. Talvez sim, talvez não... Retirando intelectualidade à coisa, será o mesmo que dizer "vive o momento".

 

Será isso que nos torna mais fortes perante a adversidade, perante todos os mal-entendidos que, de um minuto para o outro, podem dinamitar as nossas relações? Dou comigo a pensar em como as coisas mudam ao longo dos tempos, em como na distracção dos dias nos desviamos daquilo que é importante, e talvez... outrem o faça. Porque é que os abraços se perdem, porque é que os beijos e os carinhos se perdem? Será porque vivemos esse "acomisme"? Nós estamos presentes, estamos face a face com numa vivência diária... E porque é que? Porque é que a falta/ausência nos leva a questionar tudo isso? Talvez não esteja apto a responder a essa questão, talvez a minha capacidade de ter ideias esteja reduzida na tristeza e aguarde a ventura para poder ser mais expansiva.

 

De facto, não sei... Custa-me perceber o turbilhão de emoções que de repente se alteram e de um minuto para o outro se transformam. Talvez as palavras de García Márquez tenham razão de ser quando este nos diz que "os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, mas que a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos". Talvez nesse trecho da "Crónica de uma Morte Anunciada" esteja resumido uma componente da nossa vivência! Somos paridos uma vez, mas temos de nos parir uma e outra e outra vez...

 

Talvez tenha nascido novamente por estes dias, ou talvez não... É neste anabolismo que nos podemos bater até o cansaço - correndo o risco de cair na apatia total e no vazio. É neste anabolismo que nos afundamos e percebemos que o mundo é como é, sem utopias... Sem coisas belas que duram para sempre. E assim caminhamos até ao dia em que já não queremos ser fetos, não queremos ser corpos extraídos numa fecundadidade que teima em não cessar. Esse é o dia, ou a escala de dias, em que deixamos cair a toalha ao chão e ficamos abandonados à nossa tristeza, deixando que a vida corra o seu caminho até sermos estrume... Até sermos nós nas lágrimas dos outros, pelo menos até ao momento em que deixam o crematório e depois de um banho, já em casa, sacodem o pouco que ainda resta do que de nós ficou no ar poluído da cidade ou na terra que se renova com a nossa massa...

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1.jpgCréditos: http://coveteur.com/2018/06/24/best-looks-new-york-gay-pride-parade-2018/

 

Em tempos, por aqui, assumi a minha sexualidade. Não foi fácil e até me valeu uma valente discussão e a fuga de uns 6 seguidores. Consultando esse artigo, penso que terão uma clara noção de como vejo as coisas. Se me quiserem chamar homofóbico, sintam-se livres para tal, todos os homossexuais e lésbicas que no dia-a-dia comigo convivem dirão imediatamente o contrário. Será mais fácil assim, e sempre se é mais sério do que aqueles que hoje em dia comentam e fazem humor fugindo a estas questões, mas um dos trunfos do sucesso, há bem poucos anos, foi, passo a expressão, descascar na homossexualidade e até nas raças... Não é Ricardo Araújo Pereira e outros tantos? Mudam-se os budgets, mudam-se as convicções...

 

Tudo o que é em excesso, nomeadamente a busca da igualdade, tende a cair no ridículo a criar uma diferença ainda maior, vejamos um exemplo: em quantas cidades não temos guetos destinados a indivíduos que não se identificam com aquilo a que chamam "norma" (está entre aspas)? Na verdade, o hype veio para ficar o que tem levado a que a igualdade se torne cada vez mais a diferença! Experimentem fazer uma parada de "machos" desnudos na rua e vão ver as dificuldades que terão, já o contrário! Lembrem-se que andamos a proibir o piropo...

 

Imaginem que a vossa personalidade e forma de estar é sempre a de que são "machos" (ou mulheres daquelas assim bem frias) e preparem-se para a censura social - façam, contudo, toda a vossa vida girar em torno do facto de que se é gay e vão ver os resultados. É óbvio que tal também só acontece em determinados meios, nomeadamente urbanos... Reconheço também que noutras localiações ainda é algo que merece uma reflexão.

 

Outra das questões está relacionada com o efeito hype que já chegou a muitas empresas, inclusive multinacionais que aderiram à moda e até alteraram logótipos para que as "cores gay" possam estar presentes.

 

Não deixa de ser interessante, pois são muitas dessas organizações que, em algumas situações fazem discriminação de género (masculino/feminino), estrato social e até idade... Não deixa de ser interessante que, numa sociedade onde alguém com mais de 30/35 anos já tem dificuldade em conseguir um emprego porque é velho, este tema seja um autêntico tabu e os hypes coloridos uma prioridade! Em termos de recrutamento, mais do que ser preto, cigano, amarelo ou gay, o importante é ser profissional... Em algumas situações nem entendo tanto alarido porque a entrada é directa (cunha).

 

Chegamos ao cúmulo de organizar "gay parades" e "obrigar" todos os colaboradores a estarem presentes! Portanto, aquilo que é uma orientação sexual minoritária, passa a ser uma imposição à maioria que tem de estar presente numa festa em que se faz a apologia de determinada orientação sexual! Não estamos a falar de um ano de vendas, ou da celebração do Verão... De facto, em muitas situações, é puro brand awareness e a cúpula nem partilha de tais ideais, no entanto, as coisas estão a acontecer. Raramente vejo festas africanas para as senhoras da limpeza! Raramente vejo festas dos balcãs ou de leste para as empregadas de housekeeping nos hotéis... Raramente vejo festas para os "velhos"! Lembro-me em tempos, de ter visitado uma organização empresarial portuguesa, daquelas que estão na moda, e onde a directora de marketing exaltava a responsabilidade social da mesma dizendo que faziam muito pelo bairro social que ficava ao lado do "business park" ("business park", só pinta) - não faltava oferta nas limpezas para as senhoras daquele bairro! 

 

Temo que, no longo-prazo, a euforia se transforme em ódio quando, nos tempos actuais, e sobretudo no ocidente, um cidadão homossexual, por exemplo, não é mais nem menos que um outro qualquer cidadão! Quando chegarmos a essa conclusão, finalmente, teremos chegado àquilo que é a perfeição em termos de "integração" se assim quiserem entender... Ninguém dá pela diferença, no entanto, para isso, é preciso mais cidadania e menos euforia e... em alguns casos conter a tentação de querer ser diferente para que as redes sociais possam reagir.

 

Importa recordar, e a título de exemplo, que em Inglaterra, um aluno foi expulso de uma sala de aula e depois da escola, porque defendeu perante o professor que só existem dois sexos: masculino e feminino... 

 

Em suma, mais do que uma opinião vincada, procuro criar um ambiente para a reflexão, até porque estou cansado de ver opiniões e actuações de sentido único...

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Rod Stewart: O cota ainda está em grande!

por Robinson Kanes, em 03.07.19

thumbnail.jpg

Imagem: GC 

 

Não é comum, mas "volta e meia" (cão deitado), acabo por falar de uma ou outra experiência que acaba por ter algum impacte em mim.

 

Rod Stewart esteve anteontem na Altice Arena em Lisboa, e mais do que vir debitar as músicas, é importante mencionar que o senhor esteve em grande. Quem conhece os concertos de Stewart, sobretudo nos últimos anos, sabe que a desculpa de que se aleijou na visita ao Estádio Nacional  não convence! A estrela já tem idade para estar quieta no seu canto! Tal não impediu que fizesse um esforço (em alguns momentos, hercúleo) para estar em palco e não perder aquele ritmo e boa disposição que sempre o caracterizou!

 

Rod fez os mais lamechas dar uns abraços, trocar uns beijos e acima de tudo, fez dançar aqueles que, como eu, estavam num "dia não". O dia 1 de Julho é um dia de más memórias, e a este somaram-se decisões arriscadas e de uma terrível luta interior entre se manter fiél ao que defende e não embarcar em facilidades. Rod ajudou a ultrapassar tais inquietações - e só por isso mereça aqui um destaque. 

 

E a malta que ouve Rod Stewart também é boa gente - na plateia, ao nosso lado, um casal apaixonado pelo músico fez questão de nos oferecer duas cervejas durante o espectáculo! Porquê? Não sei! Quem lá esteve ouviu por duas vezes um "I Love you Rod" que ecoou pelo recinto? Pois é! Foi o cavalheiro que nos ofereceu as cervejas!

 

Em suma, o velho ainda mexe e ainda nos faz levantar o rabo da cadeira, mesmo que seja um dia daqueles...

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