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A Peste dos Porcos!

por Robinson Kanes, em 07.06.19

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Créditos: https://sg.news.yahoo.com/dead-pig-found-beach-cheung-060130076.html

 

A sexta-feira tende a ser um dia dedicado a algumas sugestões ou algo mais descontraído, no entanto, não posso deixar escapar uma notícia que não tem tido o eco que deveria ter - por cá é daquelas que passa completamente à margem.

 

O sudoeste asiático está a debater-se com aquela que já é considerada a maior pandemia animal de sempre - inclusive em comparação com doenças que ficaram conhecidas pelo grande público como "doença das vacas loucas" e a "gripe das aves".

 

A febre suína africana começou na China, alastrou-se ao Vietname, Cambodja Mongólia, Coreia de Norte, Hong Kong e é possível que já esteja na Coreia do Sul e na Tailândia. Entretanto, os próximos alvos já estão sinalizados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO): Myanmar, Filipinas e Laos.

 

Acresce que não existe qualquer vacina e por isso os suínos ficam sujeitos a uma hemorragia interna ate à morte e que obriga ao abate imediate dos mesmos pois o risco de contaminação é altíssimo entre animais - não em pessoas, pelo menos para já (afinal as mutações existem).

 

Nestas situações, os riscos acabam também por aumentar devido ao medo em informar as autoridades - até porque não existe compensação pelo abate dos animais - e também devido à falta de informação, sem esquecer as dimensões destes países e as fracas condições de vida em alguns deles. Consequências? Disseminação da doença e surgimento de um mercado negro altamente descontrolado e com riscos inimagináveis. Escusado será também falar do aumento do preço da carne de porco, afinal em muitos destes países, o consumo desta carne está também na base da alimentação.

 

Estamos a falar de milhões de animais abatidos, de muitos milhões de "euros" e de um risco muito grande para o Mundo - apesar do tema, o "ébola dos porcos" não preencher capas de jornais - um pouco como o ébola dos humanos, afinal um está na Ásia e o outro em África.

 

... ainda.

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E não me digam que é cultural!

por Robinson Kanes, em 30.05.19

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Créditos: http://www.comicstripoftheday.com/

Alemanha (é só um exemplo)

Início dos trabalhos às 08h:00, cada um sabe bem o que tem a fazer - existe espaço para falar dos problemas e a chefia está presente para, com as orientações necessárias, conduzir os processos. Tudo está no caminho correcto, mostrar stress é mal visto, pois além de tirar o foco do essencial toma conta das pessoas e torna a questão, pontualmente, muito emocional - não se fala disto em revistas e depois pratica-se exactamente o contrário, sobretudo quem escreve sobre...

 

Reuniões que começam a horas, duram o minímo de tempo e sem temas laterais que pouco interessam...

 

Hora de almoço rápida, não se perde muito tempo com cafés e com assuntos que não interessam a ninguém! Alguém está a sair muito tarde! Porquê? Demasiado trabalho, incompetência ou ineficiência? Se é demasiado trabalho vamos encontrar uma solução e se necessário, para já, garantir que as horas adicionais são pagas ou gozadas!

 

Existem colaboradores que falam em flexibilidade, vamos testar... Se os resultados forem positvos, nada como uns dias em home-office.

 

Remunerações? Ponderadas, justas e com tabelas salariais bem estrturadas, transparentes e equitativas.

 

Portugal (claro que não é em todos os casos)

Início dos trabalhos às 08h:00m! Não, isso foi um que chegou a essa hora, a maioria chega entre as 09h:30m e as 10h:00m. A chefia chega tarde (sempre stressada - vá-se lá saber porquê). Começa a disparar tarefas num ambiente que estava calmo e que rapidamente se torna, além de tenso, mais stressante! Também existe aquele em que não se passa nada e todos estão agarrados ao computador a trabalhar, perdão, no "insta"! Não fiquem quietos, mostrem stress e andam como "baratas tontas"! Tentem permanecer calmos e rapidamente alguém diz que vocês não fazem nada!

 

Tarefas atiradas ao ar e ninguém percebe! Não existe wrap up semanal e muito menos diário, vai-se fazendo. Pelo meio uns cafés, excepto aqueles que têm um "medo que se pelam" de levantar o rabo da secretária e por isso serem despedidos porque não estão a fingir que trabalham.

 

Demasiado tempo perdido com conversas e temas que não interessam a ninguém: o futebol, o vestido da "Carolina", o "Manuel" que anda metido com a "Carla", os videos dos filhos da "Mariana" (Who cares?) e a chefia que é tudo e mais alguma coisa mas quando está presente as opiniões tendem a mudar e é o "Rei Sol" - ninguém se atreve a dizer que algo não está bem. Sempre que se fala de algo ou em temas que envolvem discussão as emoções escalam... É sempre pessoal, como se o trabalho fosse uma coisa pessoal...

 

Hora de almoço com as conversas do costume ou então com a temática do trabalho e a chefia que tem muitas reuniões à tarde - umas vezes no shopping, outras na esplanada e outras tantas em eventos de networking. Responde em segundos a emails pessoais, nomeadamente de colegas de outras empresas ou das maçonarias que existem nas diferentes áreas profissionais e demora dias a responder a solicitações que surgem no seio da organização, nomeadamente de quem está abaixo.

 

Reuniões que nunca começam a horas e que duram e duram e duram... E no fim, maioria das vezes, não dão em nada. Almocinhos - e como o português gosta de almocinhos intermináveis nem que seja só para definir um ponto no início ou no fim da frase - e resulta, é mais fácil fechar um negócio carregado de vinho tinto numa taberna, do que numa sala de reunião com todos os detalhes à frente).

 

O colaborador que entrou às 08h:00m está a sair às 17h:00m! Mas que raio!!! Este tipo não trabalha, como é que tem a lata de sair a esta hora? Não faz nenhum, a secretária está limpa e passa o dia tranquilo! Pelas 17h:00m, quando não é mais tarde, chega a chefia - despeja mais uns temas e das duas uma: ou fica e retém toda a gente até altas horas ou sai e pede que as coisas estejam prontas amanhã de manhã! Entretanto, 10% esteve a trabalhar no duro e os outros 90% ficam mais umas horas para dar a sensação de que fizeram o mesmo que os demais 10%. Entretanto, os outros 10% já saíram para estar com a família e arriscam-se a perder o emprego em breve, esses preguiçosos que chega a hora e "toca a bazar".

 

No meio de todas estas horas, o habitual "estou cheio de trabalho" ou o "estão muitas coisas a acontecer". Sim, muitas notificações nas redes sociais, dois emails e pelo meio uns minutos de trabalho.

 

Dia seguinte, pela manhã, vários emails disparados, uns 100! Cerca de 80 não interessam e a maioria foi enviada durante a noite - gente que trabalha muito (ou então gente que não tem vida nem nada para fazer e a ainda acredita que enviar emails às tantas, quando podiam ter sido enviados durante o dia, lhe vai garantir o emprego).

 

Entretanto, algumas pessoas estão doentes mas não vão para casa - todos vão falar mal e não é bem visto! Outros até pensaram na questão de home-office e flexibilidade de horário! Mas quem é que eles pensam que são? Depois como é que se pode dizer que temos muitos trabalhadores e fazer gala de que somos uma empresa que recruta muita gente... Muitas vezes para não fazer nada... E flexibilidade? Eles querem é boa vida... Quando chegarem as avaliações importa é ver o "ponto" (uma das razões porque cerca de 95% dos profissionais de RH não passam da cepa torta, a fixação com o "ponto" - perdoem o ponto entre aspas, mas como estou a falar de algo do século XVIII).

 

Remunerações: há estagiários? De preferência curriculares, caso contrário falem com o IEFP. Não estamos a conseguir? Coloquem no "net-empregos" mas não revelem o range salarial. Não queremos séniores, queremos sim júniores com pouca ambição económica, de preferência com contas para pagar - limita-lhes o empowerment. E já nem falo de empresas que têm um ou dois colaboradores e estagiários que davam para encher um estádio de futebol.

 

Depois falem-me de produtividade...

 

Uma nota final: também existem aqueles que trabalham de sol a sol, ou de lua a lua! Esses trabalham verdadeiramente e são os que não têm voz! São os que não escrevem artigos, não estão em jantares e cafés de interesses e apesar de tudo, desdobram-se para conseguir uns minutos em família. Desses pouco se fala... Como também se fala pouco daqueles em que um faz o trabalho de dez.

 

 

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IMG_5964.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

A manhã está chuvosa e ventosa, a noite foi agitada, mal se conseguiu dormir (aquele ruído bom das tempestades)... O mar agitado não traz boas perspectivas. Tomamos o pequeno-almoço, não no Porto Velho, pois ainda é cedo, mas em Santa Cruz - o mar não mudou, a chuva também não e o vento muito menos. E perdoem-me a piada com o Eduardo Nascimento, também "ele não voltou".

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Vamos entregar o carro, desta feita, como em tantas outras vezes, foi na "Ilha Verde". Sempre simpáticos e impecáveis, quer à chegada - que se deu com um dia de atraso - quer à partida quando nos disseram que o melhor seria não entregar já o mesmo! Conhecendo a pista das Flores, ficamos com a sensação que o voo que deveria chegar da Horta para nos levar para Ponta Delgada (São Miguel) poderia não vir. No check-in, pediram-nos para aguardar. 

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A chuva e o vento não acalmaram e quem já vai viajando entre ilhas, percebe que o voo não vai sair! Esperamos pelo Q400 que não chegará! Temos a certeza quando somos chamados ao balcão e nos dizem que o voo foi cancelado e indagam se precisamos de transporte e alojamento! A simpatia e a forma como tal é feito pelo staff da SATA é sempre irrepreensível! Ficar nas Flores não é a pior coisa do mundo, apesar dos compromissos em São Miguel... 

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Primeira situação, o carro de aluguer! Problema resolvido, mais um dia e com total apoio do rent a car. A mim não me pagam para publicidade, mas se há coisa que não me canso de elogiar nos Açores é a "Ilha Verde" (a Sixt também) e a "Sata"... Outros também, mas já fui falando e também os abordarei.

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Alojamento e refeições... Um voucher e aí vamos nós para o Servi-Flor! O Servi-Flor tem várias particularidades que o tornaram num dos pontos altos desta aventura - é um hotel antigo, onde os materiais são antigos, de facto, mas onde o estado de conservação dos mesmos e a limpeza são irrepreensíveis! Não importa se os móveis são dos anos 50, estão bem mantidos, limpos, pelo que é viajar no tempo naquela que foi a antiga messe da base militar francesa nas Flores! Simplesmente formidável, até porque os pratos ainda fazem menção a esse passado...

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Somos bem recebidos pelo Sr. Rogério, aquele ar mais austero acaba por esconder um dos indivíduos mais simpáticos da ilha! Vamos almoçar e quando temos a ideia de que vem aí uma comida "à hotel" eis que... Uma surpresa... Um peixe (Mero com banana) maravilhoso e um outro prato que já não me recordo! Um queijo da ilha como entrada e tudo com um sabor único! Ficamos impressionados, até porque só depois de deixarmos o hotel é que percebemos que o cozinheiro é o próprio dono do hotel, o Sr. Rogério!

 

Melhor do que isso, mais uma daquelas coisas que só a Sata consegue fazer: somos informados no hotel de que a Sata prolongou o nosso voucher para o almoço do dia seguinte para que a viagem fosse mais tranquila e pudessemos ir de... "estômago aconchegado"! Nem a Qantas, a Air New Zealand sequer alguma vez me nos fizeram uma coisa destas!

 

Pouco passa do meio-dia, o tempo piora... Piora bastante, vem aí uma tempestade. O Sr. Rogério, conhecedor da ilha, rapidamente nos diz que podemos pegar no carro ao fim de uma hora e partir para visitar as cascatas pois vão ficar cheias de águas e o espectáculo será outro! Como somos doidos, nem perguntamos como é que será possível pegar num carro, percorrer meia ilha enquanto o fim do mundo se está a aproximar! Ficamos radiantes e dizemos que é isso mesmo que iremos fazer, mesmo quando os estores parecem estar prestes a ser arrancados pelo vento! No final da conversa, e é importante dizer, mais um grande elogio, por parte do Sr. Rogério, ao Comandante Luis Gouveia da Sata! É um herói dos céus dos Açores!

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Mais do que por nós, ao espreitar pela janela do quarto, tememos pelo carro... Afinal não somos os proprietários do mesmo. A verdade é que o tempo abrandou... Vejamos, deixou de ser o fim do mundo e passou a ser algo como o fim da Terra... Metemo-nos ao caminho não sem ver na cara do Sr. Rogério um sorriso! Acredito que terá pensado: "para continentais não estão nada mal! Eu a pensar que hoje já não deixavam o quarto com medo".

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Não é nas Flores, mas é no apaixonante Corvo... E porque no dia em que foi escrito este artigo, o Sapo publicou esta notícia.

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Continua...

 

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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Portugal: o País dos Alegremente Corruptos!

por Robinson Kanes, em 21.05.19

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Créditos: https://newatlas.com/2016-corruption-perceptions-index-our-rotten-world/47566/

 

Pior do que Itália, Portugal é o país da alegre corrupção e real bandidagem - até porque em Itália a generalidade da população não gosta da máfia e só não faz mais contra esta porque tem medo. Portugal também não é só um barril de pólvora, como Itália e outros países, porque alegremente aceita coisas que nunca seriam toleradas por outras paragens.

 

A desculpa de que há países piores, e há, só resulta porque pactuamos com muitas situações e porque - permitam-me a provocação - talvez a larga maioria dos portugueses tenha o seu esquema que, só não é maior, porque não tem acesso a outros meios. Talvez uma larga maioria dos portugueses também tenha a sua agenda escondida, seja nas associações, no clube recreativo, no trabalho, no IRS e em tantas outras coisas que... Temos também aqueles que vivem apoquentados com a corrupção e a política em países como Angola e Brasil mas dentro de portas assobiam para o lado - ou usufruem do status quo, porque uma coisa é a corrupção e a ausência de ética e moral lá fora, cá dentro é diferente... Porque dá jeito e não é bem corrupção ou má prática, é cultural...

 

O paternalismo também pode ser uma justificação para um certo estado da arte - um Estado que se endivida largamente para manter alguns sectores mais calmos, mas também u,ma certa apatia e desinteresse da população que, muito provavelmente pela má educação pelos pais e pelas escolas a isso é levada. Por outro lado temos os mais velhos que ainda são produto dos "anos dourados", portanto conseguem uma estabilidade na vida que não os faz querer mudar muito o país actual, até porque muitos também acabam por usufruir de regalias com que os jovens já nem podem sonhar. 

 

Por outro lado, gerações que começam nos 25 e se estendem até aos 45 também não se preocupam - é importante passar a imagem de que tudo está bem (sobretudo perante amigos e redes sociais) e acima de tudo preservar a vida do casal feliz, com filhos e de bem na vida - suportado pelos pais, tantas e tantas vezes - arriscar perder o emprego ou a aceitação de outrem porque se disse "não" é incómodo e não causa boas impressões! Poder dizer "não" é uma das maiores liberdades que podemos ter... E até dizemos, entre um círculo fechado no café... Aí somos os maiores, não podemos é sair a porta.

 

As gerações abaixo, nem se fala... Ter e parecer, todos os meios justificam os fins, nem que para isso se torne algo censurável numa coisa "cool" - também aprenderam com os mais velhos.

 

Independentemente da idade, temos aqueles que sofrem da ausência do conceito de empowerment por terras lusas e que desistem de lutar ou nem o fazem sob pena das consequências nefastas que tal exercício de cidadania possa ter. Os culpados? Sobretudo os educadores e os políticos, desde o Presidente da República (e o caso actual então) até ao Presidente da Junta.

 

Temos também o mundo dos comentadores, dos media, das artes (os disruptivos que mudam o mundo e que só se revoltam quando o tema são subsídios), daquelas pessoas que podem colocar questões mas não as colocam... Até no humor e nos nossos humoristas ninguém quer correr o risco de pôr o dedo na ferida sob pena de perder o palco. Pontualmente, poucos são os que falam - são aqueles que realmente não estão dependentes do aparelho do Estado, dos partidos, das maçonarias, dos corporativismos e tantos outros poderes que por aí andam...  São aqueles que não temem perder a fortuna, o emprego (como se só houvesse uma oportunidade) ou os amigos.

 

Os exemplos dos últimos dias, mais um lote deles a juntar a tantos outros dão que pensar: o INEM, a deputada que recebe dinheiro de subsídios para construir algo que já o foi, a lei sobre a transparência em cargos políticos, Marques Mendes (o seguidor de Marcelo) que defende que se tirem condecorações a José Sócrates mas não a Mourinho ou Ronaldo e desconfio que até a Berardo - Berardo, outro caso, a diferença é que este tem mais sentido de humor do que aqueles que fizeram exactamente o mesmo. Estranho, e já alguém o disse, é que toda a gente censure Berardo mas continue a aplaudir um dos maiores cancros e centros de corrupção, violência e outros crimes neste país: o futebol! Aí tudo é permitido!

 

Pelo menos para mim, quem pactua com corrupção (sabendo que ela existe) é corrupto e... talvez por isso sejamos um país de corruptos que alegremente não tardará a exacerbar tal comportamento no Facebook ou no LinkedIn com a designação "corrupto" ao invés de "trabalhador em". Mais do que ser integro, é bom que o perfil exponha o conceito de corrupto, mesmo que por outras palavras...

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Créditos: https://medium.com/swlh/stop-working-start-thinking-e2a643c11b86

 

 

Recentemente o eco revelou um relatório da OIT que apontava para o facto de 36% dos trabalhadores a nível mundial trabalharem em excesso. Vejamos, estes relatórios são baseados nas informações que se conseguem, ou seja, trabalho legal, declarado e não escravo - podemos sempre imaginar o que estes relatórios não alcançam.

 

No caso português muito se tem falado - não faltam revistas, comentadores que cultivam o networking, gestores de recursos humanos e não só, que apregoam uma coisa e fazem outra ou então que assumem como obra sua copy-paste de directivas que são emanadas pelas multinacionais para as quais trabalham. Não são raras as situações em que essas directivas constam nos relatórios e nas visitas dos headquarters mas não no dia-a-dia dos demais trabalhadores. Se por um lado já temos muitos gestores que merecem tal designação, ainda temos muitos que vivem no tempo das Descobertas.

 

Fala-se bastante, os amigos distribuem prémios uns entre os outros (não existe só uma maçonaria),  mas os resultados não surgem e continuamos a trabalhar muito e a produzir pouco! Continuamos com a mentalidade de que, mais do que uma produção e organização dos recursos, importa o tempo e a presença. Em Portugal é mais fácil criar manobras de diversão para uma chefia (envio de emails sem interesse ou movimento de caos) do que propriamente convencer a mesma por intermédio dos bons resultados. Isto ainda acontece no Portugal moderno do século XXI. Depois temos outros factores que é a dificuldade em penalizar os maus colaboradores ou então em gerir as chamadas "cunhas", muitas vezes recrutadas por imposição de outrem ou pelo próprio e com as consequências que as mesmas têm. 

 

Existem, contudo, questões que é preciso colocar e têm de ser estudadas por todos:

  • Porque é que trabalhamos tantas horas e produzimos tão pouco?
  • Porque é que não cultivamos uma cultura de mérito? Até porque muitas são as vezes em que produzimos mas não existe eco de achievement
  • Porque é que não criamos espaços de partilha? E quando os criamos rapidamente saímos da discussão, damos a volta por trás e fazemos "valer a nossa"? Ou então acabamos com a discussão e resolve-se autoritariamente.
  • Porque é que a culpa é sempre dos gestores? Mesmo em muitos outros colaboradores existe uma lógica de que ser bom passa por trabalhar horas e mais horas? Muitos são os motivos: insatisfação familiar (inclui marido e filhos), ausência de hobbies e de um sentido de vida, mentalidade tacanha e tantas outras...
  • Estamos dispostos a abdicar de muitos serviços que nos são oferecidos fora de horas e em dias de descanso para muitos dos cidadãos? Existem alguns que são de todo impossíveis, mas os demais?
  • Está o país preparado para proporcionar a mesma oferta a quem trabalha fora dos "picos" e a flexibilizar o trabalho? (um conselho, se forem a uma entrevista questionem sempre o recrutador acerca do que é flexibilidade). 
  • Estamos dispostos a pagar mais por um produto/serviço oferecido por uma organização que reconhece os seus trabalhadores, lhes dá condições e oferece qualidade final ao respectivo produto/serviço?

 

E tantas perguntas que podemos colocar, no entanto, deixei de ir a muitos encontros de recursos humanos em Portugal porque, a título de exemplo, em questões tão básicas como objectivos de produção a pergunta que atormentava muitos profissionais da área era a necessidade de perceber como é que se "picava o ponto" se as pessoas não tinham horário (sei do que falo, pois embora tendo também uma das vertentes da minha formação nessa área, não exerço como profissional da mesma).

 

Deste modo é complicado ir mais além, até porque, e já escrevi sobre isso, se uma coisa tão simples como um "obrigado" tende a ser algo muito difícil de dizer, não vá ser dado alguma espécie de poder a quem o ouve e isso ser uma ameaça a quem o diz. Quando os créditos, a competição (não saudável), a mentalidade mísera e provincina, a impunidade, a ausência de pensamento crítco por parte de outrem, e claro, uma mãozinha parental e estatal são sempre uma presença, é natural que a vontade de evoluir também seja pouco e assim o status quo permaneça inalterável.

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E porque hoje é o dia da Terra...

por Robinson Kanes, em 22.04.19

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Créditos: Daniel Muller/Greenpeace - https://earthjournalism.net/stories/copy_of_philippines-and-pacific-island-countries-step-up-battle-against-plastic-pollution-in-the-pacific-ocean

 

E porque hoje é o dia da Terra, e porque também hoje, começo a ficar descrente na atitude do ser-humano para salvar o planea, junto a minha voz à Earth Day Network e às Nações Unidas e partilho algumas recomendações e deixo algumas mensagens... Apesar de todas as dificuldades, tento manter o meu pessimismo optimista.

 

 

  1. Junte-se a um parque local, rio ou praia limpa (em Portugal não é fácil a não ser que estejamos ligados às associações e grupos do costume, mas nada como tentar, só isso também poderá mudar as coisas).
  2. Use, produtos de limpeza não tóxicos ecológicos (leia bem os rótulos).
  3. Substituir as lâmpadas incandescentes ineficientes com lâmpadas fluorescentes compactas ou LED eficientes. 
  4. Pratique o car-sharing, ande de bicicleta, utilize os transportes públicos ou adquira veículos automóveis mais amigos do ambiente.
  5. Mantenha seus pneus com a pressão correcta e consiga melhores consumos. 
  6. Mude o filtro de ar do seu carro regularmente.
  7. Use o Skype, WebEx ou outro software ao invés de viajar.
  8. Reduza o uso de plásticos descartáveis, especialmente plásticos de uso único, como garrafas e sacos.
  9. Recicle! Recicle! Recicle! Reduza o lixo em 10%. É pouco mas é um começo com grande impacte.
  10. Doe as suas roupas velhas e bens domésticos. Compre bens usados.
  11. Use toalhas de pano em vez de papel.
  12. Mude a facturação em papela para facturação online. 
  13. Leia os documentos online e não os imprima. Imprima frente e verso.
  14. Convença as autoridades públicas locais a optarem por bens reutilizáveis.
  15. Utilize garrafas reutilizáveis ​​para água, e canecas reutilizáveis ​​para o café. Faça o mesmo para os sacos das compras.
  16. Compre comida produzida localmente para reduzir a distância do produtor à mesa. Compre nos mercados ou fomente o desenvolvimento de cooperativas.
  17. Compre alimentos orgânicos para manter seu corpo e o ambiente livre de pesticidas tóxicos. Apoie os agricultores e empresas que utilizam ingredientes orgânicos.
  18. Adira a um grupo de farm-share.
  19. Reduza o consumo de carne para reduzir as emissões de carbono dos produtores de gado.
  20. Transforme o seu lixo da cozinha em fertilizante (compostagem).
  21. Utilize o duche e por períodos mais curtos.
  22. Nas torneiras, coloque sistemas de retenção.
  23. Escolha plantas resistentes à seca em áreas secas. Regue apenas de manhã e/ou fim da tarde.
  24. Lave a roupa com programas curtos e utilize água fria.
  25. Forme uma “equipa verde” no seu trabalho de modo a encontrar formas rentáveis ​​para conservar os recursos e promover a sustentabilidade.
  26. Ofereça-se-se para um grupo ambiental local.
  27. Retire plantas invasoras do jardim e substitua as mesmas por plantas autóctenes.
  28. Ligue e desligue os equipamentos electrónicos quando que não estiverem a uso.
  29. Desligue as luzes quando sair de uma divisão.
  30. Instale painéis solares.
  31. Utilize as escadas em vez do elevador para economizar energia (e fazer desporto).
  32. "Rentabilize" o termóstato do aquecedor abaixo de dois graus no inverno e até dois graus no verão para reduzir a sua pegada de carbono.
  33. Baixe a temperatura do seu aquecedor de água.
  34. Utilize eletrodomésticos e equipamentos electrónicos eficientes em termos energéticos.

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O Natal nunca mais será o mesmo!

por Robinson Kanes, em 11.04.19

IMG_20190303_170305.jpgCréditos: Robinson Kanes

 

Crianças que esperam pelo presente! Pais que gastam um orçamento de Estado em prendas como se isso colmatasse a vossa ausência o resto do ano? Malta que procura naquela noite de 24 para 25 a paz por intermédio de um bem de consumo?

 

 

Lamento informar-vos mas o "Pai Natal" apareceu morto numa rua da Corunha por estes dias. Ao que tudo indica poderá ter sido assassinado por alguém a mando da Amazon ou do Alibaba. Todavia, algumas fontes confirmaram que a morte se deveu a causas naturais. Outros relatos apontam que foi atingido por um 737-800 da Ryanair carregado de ingleses para Tenerife! São muitos também aqueles que alegam ao facto do figado não ter resistido a tanta Coca-Cola. Há ainda quem diga que foi uma das renas que se cansou de não receber ordenado há mais de seis meses. E finalmente, há quem jure a pés juntos que pode ser um adepto do Deportivo que saiu do "Riazor" embriagado e chateado porque não conseguiu umas tapas e queijo galego às 11 da noite.

 

 

A verdade é que o "Pai Natal" morreu e nada será como dantes...

 

 

Entretanto, nas escolas portuguesas e laicas, já se celebram missas pascais pedindo a Cristo que volte em Dezembro com um saco cheio de prendas e assim possa substituir São Nicolau - o Vaticano é que entretanto já emitiu um comunicado de imprensa dizendo que os presentes de Cristo são para consumo interno e não vão alterar uma lei com 2019 anos! 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa também já se pronunciou e lamentou a morte desta individualidade tendo fretado um avião carregado de jornalistas para estar presente no funeral que se realizará na Lapónia. Da parte do Governo estará o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva que ficará por essas terras depois de dizer que quem se preocupa com a corrupção (atribuir cargos públicos a familiares, porque sim, é corrupção) é parolo. Não consta que volte a Portugal.

 

 

Em suma, temos de assumir que a magia do Natal se perdeu, mas ainda vamos tendo alguns "batatoons" que por aí pululam... Podia ser pior.

 

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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Cuidadinho, vai aqui o meu paizinho!

por Robinson Kanes, em 19.03.19

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Créditos: http://apps3333.bigbigabum7.icu/?utm_medium=oxxGrJ1EO8rl%2flkgHhDHtdaJe%2b6y3ml38Z%2b1ZX9QaLo%3d&t=main4

 

 

As crianças são encantadoras e por elas os pais dão tudo. Falam delas aos amigos, publicam fotos nas redes sociais, criam blogues dedicados às mesmas e acima de tudo sentem um adoração infinita por esse acontecimento a que tanto gostam de chamar de "milagre da vida", como se os outros seres-vivos da Terra fossem peças de manufactura ou a biologia não fosse uma coisa normal.

 

O amor dos pais pelos filhos é uma coisa que devemos enaltecer. Aquilo que mais me encanta são os papás e as mamãs que colocam autocolantes nas respectivas viaturas: "Mateus a bordo", ou então "Santiago a bordo" ou até o tradicional "bebé a bordo"! É amoroso não é? Por acaso não escolhi nem José e muito menos Ricardo porque hoje todas as crianças têm praticamente os mesmos nomes - mal os papás sabem que os filhos daqueles que realmente são ricos e finos, pronto, dão nomes perfeitamente normais aos filhos, como Joaquim, Óscar ou até Manuel! A filha do falecido Américo Amorim, chama-se? Paula! O filho do falecido Belmiro de Azevedo, chama-se? Paulo! O antigo "dono disto tudo", chama-se? Ricardo! E o primo, como se chama? José Maria, de facto!

 

E permitam-me: acham que alguém quer saber se o vosso filho se chama Bernardo e que vai no interior do vosso carro a crédito? Acham mesmo?

 

Mas retomando os autocolantes - e aquele especial, o "cuidadinho vai aqui o meu paizinho"? Por acaso, e até acredito que exista, ainda não vi o "cuidadinho vai aqui a minha mãezinha"! Se uma certa corrente castradora que anda por aí sabe, vai começar a apedrejar os carros desses machistas! Como se só os homens fossem merecedores de serem reconhecidos com o piroso "tóclante". Machistas! (Nem sei como é que ainda permitem que se diga "pais e filhos" e não "pais, mães e filhos".

 

O que os papás não sabem é que provavelmente esse "tóclante" deveria servir para alertar os outros condutores! Alertar os outros condutores dos papás e das mamãs que adoram as suas crianças e até espelhos colocam no interior dos carros para, enquanto conduzem, não tirarem os olhos do "filhinho", não vá este morrer entretanto. Pode morrer, de susto, quando olha para conta-quilómetros ou quando o papá e a mamã se comportam como verdadeiros selvagens ao volante!

 

Os papás que adoram os seus filhinhos e até trocam de carro porque de repente nasceu um filho, deveriam gostar dos filhos ao ponto de respeitarem os limites de velocidade e as demais regras de trânsito! É que ultrapassagens altamente perigosas, excesso de velocidade, manobras perigosas e altamente agressivas no trânsito enquanto levam os filhos nas suas station-wagon ou SUV pode não só acabar com a vida do filhinho amado como com a vida do filhinho do outro! E acreditem que nem a cadeirinha que mais parece o assento de um carro de WRC os vai salvar!

 

Eu sei que até é permitido que se faça a vida negra aos pais dos outros para que o nosso filhinho tenha tudo, é um facto que a nossa sociedade até aceita isso! Mas convenhamos, que levar tanto amor no carro e depois entrar a abrir, qual street racer na Ponte Vasco da Gama,  com um carro a brilhar mas com os pneus gastos (porque a malta pensa que os invejosos só olham para a chapa e porque os indivíduos das casas de pneus não gostam muito de créditos) é uma coisa que...

 

Arriscar a vida do filhinho no traço contínuo ou com uma "entrada à cão" só porque estar na fila a ouvir programas estupidificantes das três rádios mais ouvidas de Portugal nem sempre é agradável, é uma coisa que...

 

Em suma, começo a ter mais respeito pelo acelera do M3 ou do Type R do que propriamente da carrinha pirosa com a cadeirinha... Que isto de andar ao lado de carros com filhos a bordo, todo o cuidado é pouco e pior que um "racer" ou um tipo com o carro todo "quitado" é o pai ou mãe com pressa de chegarem a casa ou à creche do filho.

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De Almourol a Recordar...

por Robinson Kanes, em 14.03.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Poderia vir aqui repetir a história do Castelo de Almourol mas tenho de admitir que as recordações que este castelo e toda a área envolvente me trazem vão bem para além do monumento em si e do seu carácter histórico. 

Tenho em mim a memória daqueles fins de tarde na companhia do meu pai, depois do serviço... Recordo-me dos militares a usufruirem do Tejo, quer com a sua ponte do regimento de engenharia, quer com banhos naquelas águas como refrescante de horas e horas de treino ali mesmo em cima, em Tancos... Ou então ainda mais acima pois eram, na sua maioria, paraquedistas. 

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Almourol era o pôr do sol que no Ribatejo e também no Alentejo tem uma luz especial e onde disputava o seu protagonismo com Vila Nova da Barquinha ou até com o Arrepiado, quando se atravessava para a margem sul do Tejo via Constância ou via Chamusca. Fins de tarde quentes e onde escutei mil e uma histórias e ensinamentos - talvez algumas tenham feito de mim o homem que sou hoje! 

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Almourol traz-me também à memória a vontade de, ainda miúdo, querer atravessar aquelas águas a nado e descobrir os segredos do castelo - dizia o meu pai, para me assustar, que ainda lá se encontravam cavaleiros do templo e que todo o cuidado era pouco.

 

Hoje apeteceu-me recordar mais um pouco desses tempos no Ribatejo, das tardes em Praia do Ribatejo, de Constância, da Atalaia e das muitas amizades que se faziam na Asseiceira, já a caminho de Tomar.

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