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Postas de Pescada e Reflexões Sobre Ter um Blog...

por Robinson Kanes, em 26.09.19

Setúbal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Foi um destes dias que descobri, graças ao comentador Nuno Carvalho, o alcance do "Não é que não Houvesse" - pois é, ultrapassou fronteiras e um dos artigos (traduzido em inglês) foi parar ao facebook de uma página de fans do Bryan Ferry. É bom saber isso, é bom ter reconhecimento, sobretudo além-fronteiras e de forma desinteressada... E como é bom e genuíno o reconhecimento lá de fora - então quando ele não existe cá dentro. É bom receber alguns emails, sobretudo de pessoas que não têm blogs e de outras pessoas (perdoem-me as mesmas, mas também não vos vou expor) que tendo espaços como este, optam por não tornar muitos dos comentários públicos ou pedir desculpa por não comentarem mas... Aprecio esse facto e compreendo, cada qual terá as suas prioridades neste mundo.

 

Isto para dizer que, pontualmente, é bom fazer balanços... Também assumo que, estando na plataforma que estou, não escrevo com um propósito para a mesma, todavia, não deixo de agradecer todos os artigos destacados até agora, sobretudo na página principal que é onde, acredito, ter mais adeptos do meu "trabalho". Perdoem-me se não crio artigos de agradecimento, não é o meu estilo, sou adepto da eficiência e não do folclore (sem carácter depreciativo)... E há outras formas menos óbvias de agradecimento que vão bem para lá disso, é uma questão de se estar atento e ter capacidade de encaixe.

 

Nestes tempos por aqui, sendo ainda cedo para um balanço, admito que sempre temos dias bons e dias maus. Deixamos de seguir este e aquele espaço porque já não nos desperta interesse, deixamos de comentar só porque sim e somente porque realmente o tema nos merece atenção, tornamo-nos mais selectivos, mesmo que isso implique que existam muitos que ficam revoltados e nos punem com o seu cancelamento, faz parte... Até brinco com isso sempre que alguns temas fazem derrapar o número de seguidores. Algumas boas discussões não faltam, sobretudo quando os apologistas da liberdade e dos direitos nos apontam a sua forma mais vil de serem ditadores.

 

Também já tive artigos dedicados a mim e os quais agradeço: uns muito bons, outros nem por isso... Agradeço especialmente à "Mami", à "MJP", ao "Homem da Caneca" e ao "Pedro Correia" pelos convites à escrita nos seus espaços. Os menos bons, pois bem, fazem parte... Não são tema para agora.

 

Penso que também tenho o dever de agradecer a todos os que me vão seguindo e lendo - uma nota especial para as subscrições por email, não sei quem são, mas são uns "Senhores" a quem agradeço muito. São eles que fazem este espaço, não é o Robinson Kanes que é a vedeta cá do sítio, são todos vocês, inclusive os que espumam quando observam alguns textos... A riqueza destes espaços vem daí e por apreciarem algo que realmente dá trabalho. No meio de tanta azáfama, dá mesmo muito trabalho, este não é um espaço de copy-paste ou de débito fácil! Acreditem ou não, não são raras as vezes em que recebo mais do que dou. Permitam-me, contudo, sublinhar que não abdicarei do que sou e do que penso, bem como de uma certa "linha editorial", isso não o farei.

 

Um obrigado especial a todos aqueles que aceitam os meus comentários e sobretudo àqueles espaços que, não tendo muito destaque e visibilidade, são de uma riqueza extraordinária! Admito que sigo apenas dois separadores: "opinião" e "últimos posts" - não há tempo para mais e é preciso fazer escolhas. É no último que tenho descoberto conteúdos verdadeiramente interessantes! Obrigado a muitos deles também por serem a minha companhia, pois nem sempre é fácil, mesmo nesses separadores, encontrar conteúdo destacado que seja de qualidade, mas afinal, o "Não é Que Não Houvesse" também não se pode gabar muito nesse campo, ainda está numa fase de aprendizagem constante.

 

Obrigado por aturarem o meu mau-feitio, obrigado por compreenderem que não gosto de discursos bonitos e fofos (não resisti... damn), por vezes tenho aquilo a que os holandeses chamam de "bespreekbaarheid". Por cá nem sempre resulta, somos uma cultura mais superficial e também emocional no campo de dizer o que pensamos.

 

Obrigado por estarem aí, sejam apreciadores ou haters, até porque, a existência de um hater implica que alguém nos segue, nos lê e digere o que escrevemos).

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Allegro Vicacissimo adiado...

por Robinson Kanes, em 23.09.19

Jabr-Walking.jpgImagem: https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/walking-helps-us-think

 

Pensava em como as pessoas que se querem bem, sem pensar em mais nada a não ser na triste insensatez da vida e no carácter vão do amor, acabam por viver lado a lado os próprios destinos que, por serem incompreensíveis as mantêm afastadas como nos pesadelos sem sentido.

Hermann Hess, in  "Gertrud"

 

Tchaikovsky escuta o seu concerto para violino e pensará em como é possível numa interpretação de pouco mais de meia-hora colocar tantas emoções, tantos sentimentos e tantos sonhos que fora da partitura se desfazem. Nem sempre a música ajuda as mentes perturbadas, ao contrário do que dizia Horácio. Essa mesma música tende, por vezes, a colocar-nos ainda mais perturbados e destruídos. Pode ter um efeito nefasto no modo como gerimos as nossas emoções...

 

Essa música faz-nos pensar no sonho mas também na realidade, de ter de acreditar naquilo que não queremos, de perceber que queremos deixar de ser um fantoche, de chegar à conclusão que o presente e o futuro dessa realidade não precisa de nós! Que nós somos pedras no caminho, que tudo tem um tempo e o tempo de uns não é o tempo de outros. Encarar esta realidade não é fácil para alguns, acaba por ser mais simples para os outros e é isso que lhes dá força para continuar.

 

Esses que não percebem o tempo, esses que se preocupam com um mundo, esses que não se cansam de falhar, ou porque a vida os marcou para sempre com esse destino ou simplesmente porque são efectivamente falhados. Não terão a consciência de que tudo tem um limite e que a realidade que um dia almejam e que até conquistaram durante algum tempo não estará lá para sempre - ninguém aguenta para sempre viver com um falhado, ninguém aguenta uma vida ao lado de um idealista. Ninguém aguenta para sempre quem acredite efusivamente no amor e aqueles que talvez acabam por viver de olhos fechados como se a própria existência fosse um acto de cobardia.

 

Oui, tout est simple. Ce sont les hommes qui compliquent les choses... Diz-nos Camus no ensaio "Entre oui et non" do seu ""L'Envers et l'Endroit". E sim, são os homens que complicam as coisas, que criam distrações, que criam convenções que decidem como se manipulam e jogam os sentimentos... São os homens que querem dominar a natureza e acabam dominados pela sua vontade de indagar, de ir mais além mesmo que estejam numa espécie de curva de 360º. São os homens que se cansam daquilo que outrora amaram, é humano, sobretudo num mundo que se devora a si próprio em consumo material e emocional.

 

Ficamos a meio na "Canzonetta", porque o "Allegro Vicacissimo" não é para hoje... Amanha será outro dia, e o mundo nasce todos os dias, mesmo que a força humana nos tente impor, não raras vezes, o mesmo mundo de ontem ou o mesmo mundo monótono e amorfo, mesmo que lutemos para fazer a diferença já ontem! E se um dia o "Allegro Vicacissimo" não tiver lugar, pois bem... Talvez que o "Hino dos Querubins" nos acompanhe numa ascenção que não será rodeada de anjos e de Deus, mas da tristeza que nos consumirá até ao dia em que o céu da boca nos arrefecer e não mais a nosso cérebro receber a mensagem que nos chega dos olhos e dos ouvidos. Até ao dia em que afastaremos o nosso pensamento do mundano...

 

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O "fantástico" dia de ontem...

por Robinson Kanes, em 04.09.19

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Créditos: https://www.psychologies.co.uk/why-we-should-all-say-yes-more

 

 

Estávamos em final de Dezembro... Um emprego estável, no entanto, uma oportunidade que surge. Uma oportunidade diferente, um estilo diferente e um projecto diferente; uma equipa diferente; um indivíduo (aparentemente) bem visto na praça e que até "trabalha" para a União Europeia. Adicionem muito espaço para coisas novas e criatividade. Porque não? Deixam um bom cargo (sobretudo pelos contactos que vos permitia e portas que abria em termos de sair do país), por vezes é bom mudar, mesmo que a vossa crença seja abraçar projectos grandes e preferencialmente multinacionais. Mas se é para fazer a diferença, porque não?

 

O primeiro choque, logo no segundo dia: o escritório pimpão com mesas carregadas de papéis, computadores ligados e abertos, montado para enganar incautos afinal não acomodava ninguém! Pura encenação quando descobrimos que afinal a organização repleta de indivíduos conta apenas com dois - vocês e um indivíduo que é gerente de mil e uma organizações e associações! Cuidado quando agendam reuniões fora da hora de expediente - é um óptimo pretexto para vos dizerem que metade da grande equipa está de férias e a outra já saiu. Não se deixem levar também por websites fantásticos e com muito stock footage.

 

Ao longo do tempo (pois por teimosia, CV e consideração) percebem que as coisas não são como parecem - são encostados e não vos deixam desempenhar nenhum dos papéis para os quais foram contratados! Existem para dar credibilidade à organização, porque tem bons profissionais, mesmo que seja uma organização que nada produz e também não tem interesse em produzir. Para conseguir o salário é uma guerra, negam-se a cometer ilegalidades e extorquir parceiros/fornecedores e são humilhados pelo vosso passado de sucesso. Por outro lado, existe um grupo de indivíduos que gira em torno da organização e do aparecer, vivem disso, bebem disso, evidenciam-se por isso... Vocês insistem no trabalho e dizem que não se podem "matar" estagiários meia dúzia de meses só para se dizer que a organização tem muita gente a trabalhar. Não podemos viver numa política de medo e deixar miúdos a entrar em depressão( depressão? São miúdos!) porque não têm nada para fazer e o assédio moral é constante! Dizem basta! Revoltam-se e as próprias instituições de ensino retiram compulsivamente alguns dos alunos...

 

Um dia, dizem efectivamente basta, o vosso percurso profissional não tem que ficar manchado por estranhos esquemas e ficam cansados de tentar ser profissionais e também profissionalizar a organização - por vezes é bom acreditar que não se pode mudar o mundo! No entanto, é importante combaterem tudo aquilo que não permitiram no passado enquanto estavam em posição de liderança!

 

Solicitam uma reunião, apresentam uma proposta de acordo para abandonar a organização - são quase agredidos e intimidados por indivíduos externos à mesma e têm de chamar as autoridades sob pena de serem agredidos. Recebem no email e no correio, no dia seguinte, uma "suspensão preventiva" como se tivessem sido vocês os responsáveis, mesmo que tudo o que está escrito diga precisamente o contrário, começam as ameaças com advogados e uma política de intimidação (esquecem quem está do outro lado, mas enfim). No entanto, existem indivíduos, sobretudo em Portugal que só perante uma sentença judicial (e nem assim) acabarão por perceber que iniciaram uma guerra perdida - contudo, a tacanhez faz isto, há que ir até ao fim só para estragar a vida de alguém... Good luck with that...

 

Hoje é dia de reflexão e de alívio! Amanhã é dia de arregaçar as mangas e segurar a vontade de ser rápido a superar pedindo favores a este e àquele. É dia de ir atrás daquilo que se defende e acredita, é dia de ir à luta pelos meios mais difíceis mas também mais tranquilos em termos de espírito - sou teimoso, não gosto de dever e muito menos de criar pontas soltas que podem um dia quebrar a minha transparência...

 

É também dia de relegar uma guerra que se avizinha para segundo plano e seguir os trâmites da legalidade. É acreditar no que os estrangeiros com quem trabalhei sempre me disseram - keep the focus, mesmo que a queda seja grande!

 

É apostar no futuro, até porque a meu lado tenho sempre quem nunca me deixa cair... E só isso, é o suficiente para nunca, mas nunca, baixar os braços e deixar de acreditar no que é correcto! Amanhã é outro dia e o mundo não vai acabar por isto, bem pelo contrário!

 

Por isso ontem, aquele Moscatel me soube tão bem...

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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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Entre o "Acomisme" e as Cinzas...

por Robinson Kanes, em 18.07.19

asturias.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que ermege da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Talvez um dos maiores segredos para uma vida de sucessos esteja de facto relacionada com a capacidade de nos despojarmos de um certo "acomisme", de pensarmos a nossa realidade com aquilo que temos agora e pensar pouco no que há-de vir. Talvez sim, talvez não... Retirando intelectualidade à coisa, será o mesmo que dizer "vive o momento".

 

Será isso que nos torna mais fortes perante a adversidade, perante todos os mal-entendidos que, de um minuto para o outro, podem dinamitar as nossas relações? Dou comigo a pensar em como as coisas mudam ao longo dos tempos, em como na distracção dos dias nos desviamos daquilo que é importante, e talvez... outrem o faça. Porque é que os abraços se perdem, porque é que os beijos e os carinhos se perdem? Será porque vivemos esse "acomisme"? Nós estamos presentes, estamos face a face com numa vivência diária... E porque é que? Porque é que a falta/ausência nos leva a questionar tudo isso? Talvez não esteja apto a responder a essa questão, talvez a minha capacidade de ter ideias esteja reduzida na tristeza e aguarde a ventura para poder ser mais expansiva.

 

De facto, não sei... Custa-me perceber o turbilhão de emoções que de repente se alteram e de um minuto para o outro se transformam. Talvez as palavras de García Márquez tenham razão de ser quando este nos diz que "os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, mas que a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos". Talvez nesse trecho da "Crónica de uma Morte Anunciada" esteja resumido uma componente da nossa vivência! Somos paridos uma vez, mas temos de nos parir uma e outra e outra vez...

 

Talvez tenha nascido novamente por estes dias, ou talvez não... É neste anabolismo que nos podemos bater até o cansaço - correndo o risco de cair na apatia total e no vazio. É neste anabolismo que nos afundamos e percebemos que o mundo é como é, sem utopias... Sem coisas belas que duram para sempre. E assim caminhamos até ao dia em que já não queremos ser fetos, não queremos ser corpos extraídos numa fecundadidade que teima em não cessar. Esse é o dia, ou a escala de dias, em que deixamos cair a toalha ao chão e ficamos abandonados à nossa tristeza, deixando que a vida corra o seu caminho até sermos estrume... Até sermos nós nas lágrimas dos outros, pelo menos até ao momento em que deixam o crematório e depois de um banho, já em casa, sacodem o pouco que ainda resta do que de nós ficou no ar poluído da cidade ou na terra que se renova com a nossa massa...

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1.jpgCréditos: http://coveteur.com/2018/06/24/best-looks-new-york-gay-pride-parade-2018/

 

Em tempos, por aqui, assumi a minha sexualidade. Não foi fácil e até me valeu uma valente discussão e a fuga de uns 6 seguidores. Consultando esse artigo, penso que terão uma clara noção de como vejo as coisas. Se me quiserem chamar homofóbico, sintam-se livres para tal, todos os homossexuais e lésbicas que no dia-a-dia comigo convivem dirão imediatamente o contrário. Será mais fácil assim, e sempre se é mais sério do que aqueles que hoje em dia comentam e fazem humor fugindo a estas questões, mas um dos trunfos do sucesso, há bem poucos anos, foi, passo a expressão, descascar na homossexualidade e até nas raças... Não é Ricardo Araújo Pereira e outros tantos? Mudam-se os budgets, mudam-se as convicções...

 

Tudo o que é em excesso, nomeadamente a busca da igualdade, tende a cair no ridículo a criar uma diferença ainda maior, vejamos um exemplo: em quantas cidades não temos guetos destinados a indivíduos que não se identificam com aquilo a que chamam "norma" (está entre aspas)? Na verdade, o hype veio para ficar o que tem levado a que a igualdade se torne cada vez mais a diferença! Experimentem fazer uma parada de "machos" desnudos na rua e vão ver as dificuldades que terão, já o contrário! Lembrem-se que andamos a proibir o piropo...

 

Imaginem que a vossa personalidade e forma de estar é sempre a de que são "machos" (ou mulheres daquelas assim bem frias) e preparem-se para a censura social - façam, contudo, toda a vossa vida girar em torno do facto de que se é gay e vão ver os resultados. É óbvio que tal também só acontece em determinados meios, nomeadamente urbanos... Reconheço também que noutras localiações ainda é algo que merece uma reflexão.

 

Outra das questões está relacionada com o efeito hype que já chegou a muitas empresas, inclusive multinacionais que aderiram à moda e até alteraram logótipos para que as "cores gay" possam estar presentes.

 

Não deixa de ser interessante, pois são muitas dessas organizações que, em algumas situações fazem discriminação de género (masculino/feminino), estrato social e até idade... Não deixa de ser interessante que, numa sociedade onde alguém com mais de 30/35 anos já tem dificuldade em conseguir um emprego porque é velho, este tema seja um autêntico tabu e os hypes coloridos uma prioridade! Em termos de recrutamento, mais do que ser preto, cigano, amarelo ou gay, o importante é ser profissional... Em algumas situações nem entendo tanto alarido porque a entrada é directa (cunha).

 

Chegamos ao cúmulo de organizar "gay parades" e "obrigar" todos os colaboradores a estarem presentes! Portanto, aquilo que é uma orientação sexual minoritária, passa a ser uma imposição à maioria que tem de estar presente numa festa em que se faz a apologia de determinada orientação sexual! Não estamos a falar de um ano de vendas, ou da celebração do Verão... De facto, em muitas situações, é puro brand awareness e a cúpula nem partilha de tais ideais, no entanto, as coisas estão a acontecer. Raramente vejo festas africanas para as senhoras da limpeza! Raramente vejo festas dos balcãs ou de leste para as empregadas de housekeeping nos hotéis... Raramente vejo festas para os "velhos"! Lembro-me em tempos, de ter visitado uma organização empresarial portuguesa, daquelas que estão na moda, e onde a directora de marketing exaltava a responsabilidade social da mesma dizendo que faziam muito pelo bairro social que ficava ao lado do "business park" ("business park", só pinta) - não faltava oferta nas limpezas para as senhoras daquele bairro! 

 

Temo que, no longo-prazo, a euforia se transforme em ódio quando, nos tempos actuais, e sobretudo no ocidente, um cidadão homossexual, por exemplo, não é mais nem menos que um outro qualquer cidadão! Quando chegarmos a essa conclusão, finalmente, teremos chegado àquilo que é a perfeição em termos de "integração" se assim quiserem entender... Ninguém dá pela diferença, no entanto, para isso, é preciso mais cidadania e menos euforia e... em alguns casos conter a tentação de querer ser diferente para que as redes sociais possam reagir.

 

Importa recordar, e a título de exemplo, que em Inglaterra, um aluno foi expulso de uma sala de aula e depois da escola, porque defendeu perante o professor que só existem dois sexos: masculino e feminino... 

 

Em suma, mais do que uma opinião vincada, procuro criar um ambiente para a reflexão, até porque estou cansado de ver opiniões e actuações de sentido único...

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Rod Stewart: O cota ainda está em grande!

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Imagem: GC 

 

Não é comum, mas "volta e meia" (cão deitado), acabo por falar de uma ou outra experiência que acaba por ter algum impacte em mim.

 

Rod Stewart esteve anteontem na Altice Arena em Lisboa, e mais do que vir debitar as músicas, é importante mencionar que o senhor esteve em grande. Quem conhece os concertos de Stewart, sobretudo nos últimos anos, sabe que a desculpa de que se aleijou na visita ao Estádio Nacional  não convence! A estrela já tem idade para estar quieta no seu canto! Tal não impediu que fizesse um esforço (em alguns momentos, hercúleo) para estar em palco e não perder aquele ritmo e boa disposição que sempre o caracterizou!

 

Rod fez os mais lamechas dar uns abraços, trocar uns beijos e acima de tudo, fez dançar aqueles que, como eu, estavam num "dia não". O dia 1 de Julho é um dia de más memórias, e a este somaram-se decisões arriscadas e de uma terrível luta interior entre se manter fiél ao que defende e não embarcar em facilidades. Rod ajudou a ultrapassar tais inquietações - e só por isso mereça aqui um destaque. 

 

E a malta que ouve Rod Stewart também é boa gente - na plateia, ao nosso lado, um casal apaixonado pelo músico fez questão de nos oferecer duas cervejas durante o espectáculo! Porquê? Não sei! Quem lá esteve ouviu por duas vezes um "I Love you Rod" que ecoou pelo recinto? Pois é! Foi o cavalheiro que nos ofereceu as cervejas!

 

Em suma, o velho ainda mexe e ainda nos faz levantar o rabo da cadeira, mesmo que seja um dia daqueles...

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Sobre a Corrupção e um Obrigado ao Sapo!

por Robinson Kanes, em 01.07.19

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Créditos:https://www.bloomberg.com/news/features/2017-06-08/no-one-has-ever-made-a-corruption-machine-like-this-one

 

Tenho de iniciar este artigo com um agradecimento especial à "página principal" do portal SAPO, sobretudo pela partilha do meu último texto dedicado à corrupção. Tenho de admitir que não esperava, quer pelo teor quer pelo "esticar da corda" com que abordei o tema. O SAPO e eu nem sempre estamos de acordo, mas também tenho de reconhecer quando faz um bom trabalho e quando tem em conta os meus artigos e de outros que, embora menos divulgados, também vão tendo o seu destaques. Obrigado! E admito que é com um grande sorriso que vejo que também estão atentos a temáticas que são verdadeiramente interessantes, mesmo que a partilha deste género de conteúdos nem sempre possa gerar a simpatia de todos os vossos visitantes. OBRIGADO!

 

Aproveito também este artigo, porque não deixei de pensar nas palavras que ouvi num programa de rádio (Bloco Central, na TSF - 28/06/2019) onde, mais uma vez, uma rádio que já foi de algum nível dá espaço de comentário a indivíduos que ninguém consegue perceber o porquê: o típico comentador de tudo que tanto está num programa a comentar política e/ou economia como num outro a comentar futebol e cuja vida gira em torno de tecer comentários - pior que isso, o jornalista comentador que não quer perceber a linha entre ser jornalista e ser, de certo modo, influencer e arrogante na exposição da sua "verdade"... Nem que seja na Rádio Voz do Sardoal, não consigo perceber.

 

Não posso deixar de ficar estupefacto com o facto de um desses mesmos indivíduos, que estão numa rádio de expressão nacional, vir dizer, por outras palavras, que a corrupção não é um problema, ou quando muito, não é um problema grave! Um dos argumentos, até faz sentido, não fosse surgir com o intuito de não dar importância ao que foi anunciado pelo Conselho da Europa e que se  debatia com o facto de termos leis a mais no combate à corrupção! Aliás, vai mais longe e diz que muitas delas violam a Constituição e vão além daquilo que deveriam ir! Até pode fazer sentido, mas aí também fará sentido debater a Constituição noutras matérias - tema pouco abordado! Também não vi nesse programa ser defendido o facto de que se temos tantas leis, porque é que não são aplicadas como deveriam ou o porquê dos meios não serem reforçados.

 

Um outro argumento, está relacionado com o facto de se encarar o tema da corrupção como sendo populista e como uma forma de que, quem não tem sustento, poder ganhar dinheiro a falar e a denunciar a corrupção! Face a um argumento destes, chego a pensar se na cabeça de quem profere isto não se procura promover as práticas de corrupção ou, no mínimo, abafar a discussão em torno desta - já não questiono o porquê de tal pensamento. Se falar e combater a corrupção for populista ou pindérico, pois bem, chamem-me tudo isso! Melhor isso do que corrupto ou vendido encartado.

 

As pérolas não se ficam por aqui, e uma outra é o facto de garantir que o Ministério Público e quem investiga a corrupção tem meios e campo de actuação mais que suficientes! Sugiro que fale com quem trabalha, só a título de exemplo, no Ministério Público ou na Polícia Judiciária. Parece que o intuito aqui é responsabilizar quem combate a corrupção, pela existência da mesma - no mínimo, vergonhoso!

 

Finalmente, o argumento de que a Justiça condiciona a acção de determinado partido que está refém do "caso Sócrates"! A Justiça não condiciona ninguém e ao contrário do que foi veiculado por alguns media nos últimos dias, não vive de derrotas nem vitórias - ao contrário da política, a Justiça não é um jogo, embora seja o desejo de muitos jornalistas, comentadores de WC e políticos.

 

Espero que, de facto, quem acompanhe estes programas - cuja ideia é interessante - não se deixe levar pelas alarvidades que são ditas por indivíduos mandatados por outrem ou que simplesmente vivem de opinar sobre tudo e sobre nada e que têm também os seus expedientes. Temo que esta espécie de comentadores tenha demasiado tempo de antena e pouca avaliação/crítica por parte de quem vê/lê/ouve... Temo que o comentário de outrem seja o "delegar do nosso pensamento e espírito critico". Temo que não se avalie a credibilidade, conhecimento e competência destes indivíduos...

 

Em alguns casos, chego a "temer" que num país sem corrupção, indivíduos destes também não existiriam...

 

P.S.: Não deixem de visitar este espaço que nos fala da importância de preservamos o nosso Tejo! Tenho a vaga ideia de que esta temática vai andar por lá e por cá nos próximos tempos!

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Créditos: https://mobile.monitor.co.ug/Oped/cartoon/-the-era-of-corruption-in-all-government-departments-is-over/2471326-3262206-12cd5wuz/index.html

 

Mais um daqueles temas que se fala pouco, espaços "blogueiros" incluídos... Também se fala em privado, mas se alguém abre a porta...

 

Portugal é o país que se vangloria de pedir a ocultação de dados em relatórios sobre a corrupção, a OCDE que o diga. No entanto, desta vez, o Conselho da Europa não foi brando e afirmou que Portugal é o país que menos implementou medidas anticorrupção, estabelecidadas de acordo com o Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO). Portugal só é ultrapassado pela Turquia e fica à frente da Grécia e da Sérvia, um orgulho, portanto. Mais interessante ainda é o facto de que a comissão parlamentar (mais uma) da casa da Democracia não aplicar as medidas e pensar pouco no assunto - o povo também não quer saber, portanto, também não se pense muito sobre isso.

 

Marcelo Rebelo de Sousa até pode vir dizer que estão a ser dados passos e prometer soluções para Julho, como se no prazo de um mês um tema complexo como este ficasse resolvido - inexperiência social, criminal, legislativa e em gestão. Tipíco de quem se mexe em determinados mundos de forma muito fácil, demasiado fácil. Marcelo Rebelo de Sousa também não pode usar como desculpa o pacote legislativo sobre transparência e incompatibilidades dos deputados e a atividade de lóbi, até porque todos sabemos como é inútil. Marcelo também só não pode agitar a bandeira da corrupção quando somos envergonhados como país em relatórios do género! O habitual do "doa a quem doer" que vem desde Pedrogão, passou por Tancos e por tantos outros e ainda ninguém viu "pernas partidas".

 

A verdade é que se em Bruxelas ou Estrasburgo, Portugal treme quando o tema é corrupção, dentro de portas não parece muito preocupado com o assunto. Promove a corrupção, premeia quem é corrupto e permite que a grande maioria dos portugueses a pratique de uma forma ou de outra. Temo até que a regra 80/20 se aplique aqui!

 

Ninguém quer mudar as coisas se usufrui do status quo. Ninguém quer ver empresas a encerrar, institutos públicos a ficarem vazios, associações e fundações a encerrarem, clubes de futebol a fecharem, a maioria das associações solidárias a desaparecer e as autarquias a serem esvaziadas. Ninguém quer o efeito contágio nas práticas do dia-a-dia quando a cunha já não for a melhor escolha quando existe a promoção do mérito, ou quando muitas figuras que pululam de revista em revista profissional e congressos perceberem que são inúteis. Ninguém quer ficar sem o topo de gama na garagem e a hipoteca por pagar... Ninguém quer ficar sem aquele biscate que permite uma vida fácil e de luxo... Ninguém quer isso... Além disso, depois como é que escoam os bilhetes para a bola e os almocinhos? Como é que se tira partido dos Vistos Gold? Como é que o nosso produto/serviço/pessoa consegue ficar no mesmo patamar daqueles que nada valem mas têm mais projecção?

 

Entretanto, nos corredores da Polícia Judiciária e do Ministério Público, corre o habitual burburinho de que os meios não chegam e o apoio a muitas investigações também não porque... porque... Somos alegremente corruptos, gostamos disso e quem estiver mal que se mude, como alguns portugueses imbecis gostam de frisar quando se deparam com alguém inteligente... É por essas e por outras que Álvaro Santos Pereira teve de se mudar para a OCDE e tantos outros andam por esse mundo fora.

 

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Imagem: Robinson Kanes

Chegou o Verão, a silly season (se bem que nos últimos anos esta tende a alastrar-se pelas quatro estações) e também a época em que aproveitamos para saltar por cima do cão. Cá por casa, como não temos fogueiras e não podemos dar azo ao nosso paganismo através desse modo, nada como saltar por cima do cão! Não, não é vitíma de bullying (o PAN pode ficar tranquilo). É Verão salta por cima do cão ou, como sempre dizemos, é São João, salta por cima do cão!

 

Na verdade, aquele bicho de 42 quilos olha para nós e pensa: "enfim, com tanta gente no mundo, só me poderiam sair tutores como estes!". 

 

Para entrar no Verão e como está o fim de semana à porta, partilho uma leitura: "A Ilha", de Aldous Huxley! O Verão não nos deve impedir de pensar e quando lemos esta obra de Huxley é muito provável que vejamos alguns casos bem reais e pensemos no mundo de uma outra forma - alguns terão a sensação de viver nessa ilha. Talvez tenham de lutar com todas as suas forças para não conhecer igual destino. Como todos os livros de Huxley, merece bem a pena a leitura, infelizmente, numa altura em que encontramos um Huxley já totalmente pessimista com o mundo.

 

E como saltar por cima do cão, só tem graça com muita música, nada como recordar alguns finais de tarde de Verão bem quentes. Admito que, enquanto escrevo, só me recordo das intermináveis estradas de Espanha, sobretudo de Castilla y León e Aragão... Do sol a iluminar com uma luz única os campos entre Segóvia e Ávila ou o tórrido calor de Aragão em Teruel quando percorremos a A-23!

 

Bem a propósito, nada como recordar, do albúm "Fuego y Cielo", a música "Mi Suerte" de Nolasco. O Nolasco tem uma presença especial na minha vida, não só por aquela voz andaluza, mas também como muitos  em Espanha, por "Las Cosas más Pequeñitas"...  Um dia voltarei a Nolasco e quiçá ao La Latina em Madrid.

E porque uma sugestão pode ser pouco, nada como terminar a travessia ao som de Buika e claro, como não poderia deixar de ser "No Habrá Nadie en el Mundo"...

Agora deixemos que a música, as recordações e também as leituras - com as respectivas inquietações - nos levem a saltar por cima do cão! É estúpido? É... Mas ele diverte-se e nós também...

 

Por aqui ainda se dança, e o Verão tem o seu lado piroso... E porque existe uma certa aura de amor... Existe? Manuel Carrasco e "Uno X Uno"...

Bom fim de semana... Bom Verão...

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