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A Partilhar a Caneca...

por Robinson Kanes, em 14.02.19

Caneca de Letras_ Um Ano Depois - Caneca de Letras

Créditos: Filipe Vaz Correia

 

Hoje sentei-me à mesa com o Filipe Vaz Correia e decidimos entre uma caneca de cappuccino carregada de letras, descarregar um pouco do "Não é que não Houvesse" por aquelas bandas.

Resta-me agradecer o convite deste amigo bem como toda a atenção e dedicação ao meu artigo.

Não deixem de passar por lá hoje e todos os dias, é um espaço bastante eclético e com interessantes temáticas, por vezes, bastante surpreendentes e... Onde ainda se cozinha e não se debitam apenas ingredientes e nomes estranhos para a comida.

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Crianças-Soldado: Os Putos Esquecidos...

por Robinson Kanes, em 12.02.19

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Créditos: https://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/9391115/UN-hundreds-of-thousands-of-child-soldiers-kept-in-slavery.html

 

Admito que é revoltante quando chamam de egoísta alguém que, por opção, não quer ter filhos. Por norma, a acusação parte de quem pretende ter filhos, ou já os tem,  mas faz questão que os mesmos tenham os seus genes, nem que para isso tenham de despender milhões em tratamentos - e, em alguns casos, mais valia que tais genes não andassem pela superfície terrestre. Mas o que é ser egoísta?

 

Escrevo sobre este tema no dia seguinte à publicação, por parte da "Child Soldiers International" de uma comunicação que refere a duplicação do número de crianças soldados desde 2012 - nomeadamente um aumento na ordem dos 160%, ou seja, mais 30 000 casos.

 

Esta conclusão, para que possamos perceber a mesma, baseou-se numa análise dos relatórios das Nações Unidas, nomeadamente os relatórios anuais "Crianças em Conflitos Armados" de 2018 e 2013. Estes relatórios tornam-se mais assustadores quando percebemos que estes números, muito provavelmente não correspondem À totalidade dos casos. 

 

Mas as crianças em combate não são apenas do sexo masculino, como se pensa, pois também as raparigas sofrem, muitas vezes como escravas de apoio e como... Escravas sexuais! Aliás, o aumento da violência sexual sofreu também um aumento! Estamos a falar de crianças que chegam a ter 7 anos e menos e que, mesmo quando libertadas, encontram (por motivos religiosos e culturais) o isolamento e a repulsa por parte das comunidades acabando por sofrer as consequências de um passado negro.

 

A dificuldade em acolher estas crianças noutros países é também uma realidade, não só legal mas também cultural, afinal, somos muito humanos com as crianças desde que tenham a nossa cor, os nossos genes e não nos causem problemas administrativos. Também somos humanos se formos uma "pop star" e nos deslocarmos ao Sudão, com um milhar de fotógrafos para assistir à adopção de um "pretinho". Também ignoramos que, aqueles que chegarem a adultos não serão propriamente os adultos mais recomendáveis - nascer no meio de uma guerra, com uma arma na mão, não augura nada de bom para o futuro!

 

Hoje é um bom dia para fazermos um exercício: pensemos que, enquanto estamos no trabalho, os nossos filhos são retirados da creche paga a peso de ouro - ter os filho em creches do Estado já não é cool, mesmo que provoque o endividamente dos pais - e são levados para a guerra. Em troca do tablet e do smartphone é-lhes dada uma kalashnikov e uma valente tareia. Imaginem que nunca mais saberão dos vossos filhos e que, muito provavelmente acabarão mortos em dias! Imaginem que as vossas filhas são levadas para lavar os pés a senhores da guerra e também para serem violadas numa base diária por estes!

 

Fechem os olhos, parem um pouco e imaginem tudo isso! Imaginem que, mais logo, quando deixarem o vosso emprego, é o cenário que irão encontrar... Imaginem também que, é por puro egoísmo que muitas destas crianças nunca terão um lar porque afinal... Não há espaço para elas no mundo dito desenvolvido, onde a solidariedade impera e, aparentemente, não pode have espaço para o egoísmo...

 

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Exames do 9º Ano e a Cultura do Desleixo...

por Robinson Kanes, em 11.02.19

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Créditos: https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/bloco-de-esquerda-quer-acabar-com-exames-nacionais-do-9-o-ano

 

Lembro-me de ter tido um professor na faculdade que, quando questionado pelos alunos do porquê de se fazer um exame e não se fazer um trabalho de grupo com o peso do exame respondeu: "quando estiverem numa empresa, com um problema para resolver, também vão responder que é preciso fazer um trabalho de grupo?".

 

Esta recordação a propósito de mais uma proposta do Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que era contra tudo e contra todos, exigia demissões e agora parece que não existe quando a temática são temas fracturantes. Aliás, existe e continua a alimentar-se de um protagonismo que tem saído caro a todos os cidadãos portugueses.

 

A nova trend do movimento é agora terminar com os exames no 9º ano. De facto, quando ao invés de termos técnicos e pessoas competentes numa assembleia temos a família inteira e o grupo de amigos que reune no Bairro Alto, é natural que surjam propostas como estas. Entretanto, sobre a questão dos professores, este movimento tem estado em silêncio.

 

O que o Bloco de Esquerda tem de entender é que, mais do que fazer um exame,  é preciso incutir nos alunos uma cultura de trabalho, de avaliação e até reconhecimento desse trabalho. É preciso que os alunos percebam que o seu trabalho tem uma consequência, um resultado, independentemente de passarem uma noite a decorar fórmulas ou textos! O que o Bloco de Esquerda tem de perceber é que não pode, sob a pseudo-intelectualidade que caracteriza este movimento, incutir o seu pensamento único com claras consequências para os alunos, futuros trabalhadores e futuros líderes. É um facto que demasiado conhecimento e demasiado mérito é algo com que os partidos de extrema-esquerda não se solidarizam, pois um povo pensante não se submente a políticas de uma pseudo-elite intelectual que se acha dona do saber e dos destinos de outrem.

 

Os exames, mais do que uma mera prova de conhecimentos, são uma forma de educação, são uma forma de formar cidadãos. Cidadãos que um dia trabalharão e por certo não terão duas faces. Serão esses cidadãos que irão a entrevistas de emprego e que alimentarão algumas posições parlamentares com os seus impostos, posições essas cuja prova de conhecimentos possivelmente terá ficado na gaveta...

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Consulta Popular: O Prémio...

por Robinson Kanes, em 07.02.19

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Créditos: https://saultonline.com/2017/01/opinion-the-by-election/

E hoje a voz é do povo...

Imaginem que... Se tivessem que atribuir um prémio a alguém, a quem o fariam? Mas a alguém não mediático e construído... A alguém ou até mesmo a uma iniciativa que merecesse o vosso reconhecimento e consequentemente o da própria sociedade. Poderia ser um padeiro, um polícia, um eco warrior ou até um barman... Que prémios criariam? Quem distinguiriam?

 

Obrigado pela vossa participação!

 

 

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Mínimo... Muito Mínimo...

por Robinson Kanes, em 05.02.19

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Créditos: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/vieira-da-silva-garante-que-vai-resolver-atrasos-nas-pensoes-no-primeiro-semestre-404764

 

Poderia abordar o porquê do salário mínimo em Portugal ser baixo mas também não poder ser mais elevado devido a outros factores como a produtividade e a má organização do trabalho em Portugal - também temos de ter em conta que se o salário mínimo em Portugal não é mais alto se deve ao facto da cultura do querer o mais barato (excepto se gadgets e automóveis) ou até da aquisição título gratuito.

 

Mas, mais que o salário, existem indivíduos que são mínimos e, entre os pingos da chuva, vitórias do Benfica, populismos dos anti-populistas, lá passam sem ninguém dar por eles. Um deles é o ministro Vieira da Silva, um herdeiro do período socrático (mais um daqueles que desconhecia um sem número de irregularidades) e que acha perfeitamente normal a existência de portugueses de segunda e portugueses de primeira - pelo menos, nesse aspecto, é fiel à Constituição, outro marasmo que tem travado o desenvolvimento do país com revisões ténues e nada profundas. 

 

Estabelecer um salário mínimo para a função pública e outro para o sector privado é, no mínimo, uma afronta a todos os que trabalham no sector privado. Mais ainda é o argumento de que no sector privado também existem diferentes patamares salariais. Existem, como existem na função pública mas são em mercado livre e sem interferência estatal e negociados entre empresários e o colaboradores - além disso, mais uma vez, estão sempre sujeitos a um patamar... mínimo.

 

Em ano de eleições o Governo voltou aos tiros no pé, no entanto, por incrível que pareça, os portugueses deixaram passar mais este atentado à sua cidadania - o Governo sabe, Vieira da Silva também sabe, os partidos que suportam o Governo sabem... Sabem que o funcionário público é um votante fiel, que não é dos que mais se abstem e que ainda é uma das grandes massas da população sob o jugo de sindicatos e influências partidárias e isso pode mudar uma votação por completo.

 

Entretanto, as reformas estruturais do Estado vão ficando na gaveta e as políticas de desenvolvimento a longo prazo no papel... Entretanto, os mesmos dinossauros (e não são nada raríssimos) vão ocupando um espaço que, quais eucaliptos, não hesitam em secar, não só em termos económicos mas em termos de ideias e modernidade! Entretanto... Temendo que o futuro fique nas mãos de outros lá vão deixando os seus tentáculos... Mariana Vieira da Silva e Sónia Fertuzinhos são dois exemplos...

 

É motivo para dizer, mínimo... muito mínimo...

 

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Os Amigos são para as Ocasiões...

por Robinson Kanes, em 04.02.19

 

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Imagem: https://tribunaexpresso.pt/um-azar-do-kralj/2018-06-28-Ronaldo-a-presidente--E-bem-capaz-de-resultar

 

Os amigos são para as ocasiões e não é só Rui Rio que se lembra disso quando se trata de defender os seus, mesmo quando cospem nos votos de todos os cidadãos e simulam presenças na Assembleia da República. Mas a política, mais do que sentido de dever, é uma praça de amizades, sobretudo quando também envolve futebol, e, desta vez foi o intocável património nacional (futebol) que saiu impune de mais uma vergonha para qualquer cidadão nacional.

 

A recente atitude de não retirar as condecorações a Cristiano Ronaldo demonstrou - mais uma vez - o poder do futebol em Portugal. O que o Presidente da República quis dizer ao não retirar as condecorações a um criminoso que fugiu aos impostos e até foi condenado a pena de prisão, foi que, desde que o assunto seja futebol, mexa com populismos e votos, tudo é permitido. Também Marcelo cuspiu em todos os portugueses que pagam os seus impostos e não gozam uma vida melhor porque continuam a alimentar instituições que tudo absorvem e viagens a roçar o privado de algumas altas entidades do Estado. Depois da amnistia a um padre que era tido como um ser repugnante e por isso foi condenado, já tudo se espera - afinal, também Marcelo tem de pagar os seus favores, sobretudo à santa Igreja que é um dos pilares da sua popularidade na trilogia, assistencialismo, media e religião. Pelo menos para mim, maior criminoso que o próprio, é aquele que conhece o crime, assiste ao crime e o legitima!

 

Mas deixemos Marcelo e pensemos na forma como toleramos isto: temos em Portugal um jogador de futebol (e toda uma instituição futebolística) que goza de total impunidade, aliás, a clubes e jogadores os portugueses tudo perdoam e tudo dão mas são os primeiros a julgar na praça pública aquele que roubou um quilo de laranjas para alimentar a família. Que cidadania completamente inebriada é esta que se vende desta forma tão... fácil? Que cidadania é esta que pede a cabeça de um bando de desocupados (E até os acusa de terrorismo...) que invade uma academia de futebol mas permite que o terrorismo diária afunde o país num buraco sem fundo?

 

José Sócrates, Zeinal Bava e outros perderam as condecorações da República, os intocáveis que afinal não são mais intocáveis que um jogador de futebol... Andamos de facto inebriados, resta saber até quando, porque não hesitamos em ameaçar e aplaudir a prisão de quem pede uma revisão dos impostos ns combustíveis e na forma como é administrado o Estado mas batemos palmas aos criminosos que, muito provavelmente, sustentam a nossa popularidade. E quando assim é, por norma, as coisas não acabam bem... Pelo menos em países onde o povo ainda pensa e deseja um futuro melhor e não uma embriaguez imediata...

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A Ortodoxia do Livre Arbítrio...

por Robinson Kanes, em 28.01.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Quem nunca, durante a eucaristia, escutou o "eu serei vosso amigo, se fizerdes o que vos mando"? Eu já ouvi, muitas vezes. Aliás, fico espantado com o amor e compaixão que chega até a mim e com esse forte laço de amizade.

 

No entanto, não me parece que isso seja grande novidade - eu serei sempre muito amigo de todos aqueles que fizerem aquilo que eu mandar: Imaginem que crio uma divindidade, destruo todas as outras, e me assumo como o líder lá do bairro. Aproveito essa onda de poder e começo a dizer que se me derem o pouco dinheiro que têm para eu fazer uma Igreja - para "todos" - eu serei amigo dos respectivos. Também passo a mensagem que tal submissão pode levar a que morram à fome, pelo que, eu os salvarei (nem eu sei explicar como) e ainda deixo um aviso: ai daquele que não quiser a minha amizade! Melhor mensagem para vender aos nossos jovens não há, mesmo que apregoe esta mensagem vestido de ouro, viva faustosamente e me desloque em automóveis topo de gama. Quem não deseja?

 

Mas o mais interessante é que todo aquele que entre em minha casa, neste caso em particular, em Vila Viçosa, fica logo com o aviso dado: "Fazei tudo o que Ele vos mandar"! Não restem dúvidas. Será que Marcelo Rebelo de Sousa, convicto católico, e desconhecedor que Portugal é um país laico, terá passado por Vila Viçosa e esperado que, via Papa Francisco, Deus lhe desse autorização para se candidatar a um segundo mandato? Até já estou a imaginar, o amigo de Marcelo, João Miguel Tavares, no 10 de Junho, qual arauto de Belém, a dizer (Isto sem alguém perceber o perceber) que Portugal não existiria sem Deus e sem Marcelo, até porque os favores com os ricos e com os jornalistas têm de ser pagos. 

 

Fazei tudo o que Ele vos mandar... Com amigos destes quem precisa de inimigos...

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Jamaica Beat...

por Robinson Kanes, em 24.01.19

1323428.jpgImagem: www.publico.pt

 

Lisboa e arredores puderam, nos últimos dias, ter uma amostra do que é viver em Kingston e até no resto da verdadeira Jamaica: os portugueses acordaram para o facto de, embora a uma pequena escala, se conseguir em horas mobilizar centenas de indivíduos de bairros algo distantes entre si tendo em vista a prática de crimes violentos. Os barris de pólvora por cá também existem e paióis abertos a todos não existem apenas em Tancos.

 

Os portugueses também ficaram a saber que um ataque contra uma academia de futebol é terrorismo mas o ataque a polícias e o incitamente à violência contra as forças de defesa do Estado por parte de indivíduos desocupados, partidos/ajuntamentos políticos (alguns até suportam o actual Governo) e associações "pacíficas" é apenas um delito menor. Como frisam o Presidente da República e o Ministro da Administração Interna, o povo português é sereno... Sereno como se pudesse aceitar tudo e mais alguma coisa, desde que não seja o futebol, tudo é permitido e... Sereno.

 

Quem está à frente de associações como a SOS Racismo e de partidos políticos como o Bloco de Esquerda, entre outros, tem de ter cautela com o que publica e com o que diz, caso contrário, faz-nos pensar se a diferença entre fascimo, populismo, comunismo e uma certa extrema esquerda não é de facto uma semelhança. O ataque gratuito às forças políciais tem sido uma constante, isto talvez porque muitos partidos políticos não tenham a sua própria força policial, uma espécie de Stasi ou Milítsia. Também fico algo pensativo quando escuto o discurso de que todos os extremos são maus, no entanto, alguns ditos moderados começam a assumir um papel demasiado extremista...

 

Também é de estranhar que num país democrático, manifestações como as dos "coletes amarelos" sejam vistas como acontecimentos fascistas e populistas e este tipo de actos seja encarado como algo isolado e que não merecem tanta atenção. Se por um lado temos manifestações com um intuito claro de lutar contra um certo estado de coisas que nem sempre é o melhor, por outro temos violência gratuita. Mais grave é quando o mencionado Presidente da República, já em campanha eleitoral, adquire também a atitude de repudiar os primeiros e aceitar como normal os segundos. 

Também pergunto onde andavam os telemóveis dos membros de partidos do Partido Comunista e o Bloco quando a Polícia carrega sobre aqueles que defendem um país mais justo e menos corrupto? 

 

Mais uma vez, a polícia, em Portugal é um alvo a abater por determinados quadrantes políticos e sociais, a mesma polícia que nem sempre pode executar as suas funções porque presta serviço a esses mesmo quadrantes e aos "ópios" do povo - no entanto, pode ser que um dia a polícia seja tão pacífica e tão neutra que não actue sob pena de ser acusada de violência. Afinal, como refere  dirigente da SOS Racismo e assesor do Bloco de Esquerda, a Polícia é uma bosta... Que chatice zelar pelo bem público... A Polícia, essa sim, parece ser cada vez mais deixada à mercê de uma certa bandidagem e altamente solicitada quando alguém decide dizer que esta Democracia já teve (se é que alguma vez teve) dias melhores.

 

Cabe também apurar responsabilidades em termos sociais - afinal, que têm feito as instituições estatais, autárquicas e sociais no sentido de empoderar muitos dos habitantes destes bairros para que arranjem um emprego (muitos já o têm e são cidadãos exemplares) e possam comprar/arrendar as suas casas e assim acabar com estes guetos? Continua a preferir-se o assistencialismo e as recolhas dos bancos alimentares com direito a câmeras de televisão, permitindo assim que a taxa de empowerment seja maior - até porque cidadãos com mais empowerment questionam o status quo e exigem mais da política, algo mais que subsídios, exigem uma política séria.

 

No entanto, para mal de muitos, Portugal é um país que ainda respeita os seus polícias e não será uma minoria com assento parlamentar e uma ou outra instituição que conseguirá abalar este sentimento. Entretanto, os dias de violência continuam e o povo está sereno, isto até um polícia agredir um hooligan num estádio de futebol, aí é que vamos ter a revolta nacional ou bando de desocupados invadir um centro de treinos. 

 

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Homens sem Guerra...

por Robinson Kanes, em 27.11.18

IMG_3476.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

A grande maioria dos indivíduos nascidos na Europa parece hoje esquecer os perigos bélicos que ameaçam o velho continente... A sorte bafejou-os com o facto de nunca terem passado por um conflito, por nunca terem dormido numa trincheira, por nunca terem cheirado qualquer arma química, por nunca terem lutado numa guerra mundial sem fim ou simplesmente num confronto sanguinário entre irmãos como foi a Guerra Civil Espanhola.

 

Estamos e vivemos na Europa como se tudo fosse pacífico, mesmo fazendo fronteira com países em conflitos sangrentos e perigosos para a estabilidade do velho continente. Os jovens e até aqueles mais velhos, esquecem o sangue que foi preciso correr para a Europa se tornar num continente de paz, um continente capaz de permitir um estilo de vida que, embora sendo apetecível, fez esquecer que para lá das fronteiras europeias existe mais mundo e que, mesmo cá dentro, algumas feridas ainda estão bem abertas.

 

Ignoramos, por exemplo, a tensão entre a Ucrânia e a Rússia, como também ignoramos que a primeira quer ser membro da NATO e que, em caso de hostilidade, todos nós temos de ser solidários com esse país e hipoteticamente encetar uma guerra com a Rússia, governada por um indivíduo que ainda não digeriu o fim da URSS.

 

Comportamo-nos, no nosso canto, a brincar às guerras em jogos de computador, mas esquecemos que o sangue que vemos em imagens de videojogos pode ser real, pode ter cheiro, pode ser sentido e pode até ser o nosso. De facto e como dizia Alves Redol em a Barca dos Sete Lemes, "as guerras não deviam começar, mas quando começam está tudo perdido" - está tudo perdido e já é mais difícil voltar atrás, sobretudo numa época contemporânea com tantos desafios e tantas vulnerabilidades que não existiam em tempos idos.

 

Tudo isto traz-me à memória a "Casa Canadiana", aquela casa junto à praia, aquela casa que foi a primeira a ser libertada (pelo menos diz-se) durante o "Dia D". A casa que, logo nos primeiros instantes até ser conquistada, custou a vida a praticamente 100 homens do "The Queen's Own Rifles". Não devemos esquecer esses tempo, e se, porventura uma guerra começou porque as dificuldades eram imensas e as estratégias de sobrevivência de cada nação tudo pareciam justificar, não deixemos que tantas outras comecem simplesmente porque somos indivíduos completamente ocos e sem sentido algum de cidadania e de dever com o próximo.

 

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Noite de Facas Longas...

por Robinson Kanes, em 26.11.18

IMG_2296.jpgJudite decapitando Holofernes, Caravaggio -Gallerie Degli Uffizi

Imagem: Robinson Kanes

 

Existe uma coisa em política que me coloca sempre a pensar em como a pescadinha de rabo na boca é mesmo uma realidade e não há forma de, muitas vezes, cortar de vez às postas um enrolar hipócrita e prejudicial, inclusive para a Democracia.

 

Vejamos... Um dos maiores discursos dos indivíduos de esquerda, sobretudo daqueles mais adeptos da causa e que chamam (democraticamente) fascita a qualquer um que tenha uma ideia diferente da sua, é a de que alguém domina e controla tudo, de que o capitalismo nefasto subjuga as pessoas e transforma as mesmas em objectos, que as elites todos os dias encenam mais um acto da famosa "noite das facas longas". Este discurso de cassete, repetido décadas e décadas, tende até a enganar alguns mais incautos, todavia...

 

É estranho como estes arautos da liberdade, da ética e dos valores, muitas vezes, são alimentados pelo mesmo sistema que criticam, pelo sistema que lhes permite viver uma vida tranquila e até bem coroada em termos monetários. Uma espécie de sistema, grande maioria das vezes público, que ao alimentar tais faustosas vidas, ainda permite que, democraticamente, possam exprimir os mais absolutos disparates - não me refiro somente a Mário Nogueira, Francisco Louçã, Catarina Martins e tantos e tantos outros que podemos citar.

 

Também nos faz pensar no facto de, quando no poder, este tipo de indivíduos e clãs, rapidamente esquecer os problemas que antes apontavam. Se existiam impostos altos, na boca dos mesmos, terão deixado de existir, se existiam desigualdades, rapidamente deixaram de existir... O importante passa sobretudo por manter um discurso próximo de uma maioria que vota e que está ligada ao funcionalismo público. Afinal, uma coisa são meia-dúzia de estivadores, já outra são quadros técnicos do Estado. Alimentar os pobres não lhes dando, contudo, empowerment é também um forma de manter uma larga camada de população que vê nestes discursos a tábua de salvação.

 

Quando têm a mínima sensação de poder, é vê-los (democraticamente) a exercer uma espécie de "noite das facas longas" mas com outro nome, é que a denominação anterior puxa muito ao fascismo e ninguém quer comparar conceitos, mesmo que na prática as coisas sejam pouco diferentes. Essa mínima sensação de poder, faz com que estes indivíduos se comportem de pior forma que um capitalista e acumulem riqueza, nem sempre porque investiram mas porque o poder lhes dá - uma espécie de transformação de "filhos da sopeira" que de repente passam a senhores do feudo - por norma, quando isso acontece com pouco esforço ou preparação, o resultado é catastrófico.

 

Soa a discurso elitista de facto, mas a realidade não distingue discursos. Afinal, já Platão havia dito em a "República", que é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". É do cúmulo da liberdade, conceito repetido até à exasutão por estes indivíduos, que (democraticamente) se alimentam muitos tiranos com capa de bom samaritano.

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