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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por MJP...

por Robinson Kanes, em 09.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: Amarjeet Kumar Singh/SOPA Images/Lightrocket via Getty Images - https://www.sciencemag.org/news/2020/05/doctors-race-understand-rare-inflammatory-condition-associated-coronavirus-young-people  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

O que aprendi nos últimos seis meses…

Quando recebi o generoso convite do R., que muito me honra e agradeço, para reflectir sobre o que aprendi nos últimos seis meses, pensei que seria uma boa oportunidade de colocar em palavras escritas o que me vai no pensamento.

 

E, assim, de repente  (ou talvez não!), já passou metade de 2020... um ano diferente... arriscaria, mesmo, dizer que este será, muito provavelmente, o ano mais atípico que a maioria de nós já experienciou...

Fomos brindados com acontecimentos inesperados  (inimagináveis)  que abalaram, algumas das nossas certezas...

No início do ano, creio que poucos pensariam que este vírus chegaria à Europa... à medida que o tempo foi decorrendo e as imagens do desespero  (e da morte), que chegavam de Itália e de Espanha,  invadiam os nossos ecrãs, fomo-nos dando conta que isto era "real"... que o"nosso dia" haveria de chegar... era inevitável a chegada do vírus a Portugal... muitos de nós, conhecedores das fragilidades do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) - onde eu me incluo - temeram o pior...

Entretanto, ocorreu o proclamado “milagre Português”, que redundou no cenário que, actualmente, experienciamos…

 

A verdade é que depois de muito pensar, não creio que tenha aprendido nada de novo nestes últimos seis meses (decorrente da Pandemia) … mas, a verdade é que, constatei muitas coisas que já sabia, nomeadamente:

 

- O Ser Humano é muito vulnerável e controla muito pouco (ou nada) à sua volta, ao contrário do que muitos pensam;

- O Bem comum deverá sobrepor-se à (minha) vontade individual, ainda que, signifique ter de abdicar da Minha Liberdade de circulação, que tanto prezo;

- Nada é garantido, de um momento para o outro tudo pode mudar “sem aviso prévio” e, por isso, devemos aproveitar o melhor possível o momento presente e não adiar aquilo que consideramos importante;

- O que se torna essencial, em momentos de crise, são as relações de qualidade que estabelecemos com as nossas pessoas e que se revelam à prova de qualquer distanciamento físico;

- A Saúde Mental (tão estigmatizada e desvalorizada) é muito mais frágil (e difícil de manter, sobretudo, em confinamento) do que a Saúde Física;

- As crises não tornam os indivíduos “melhores Pessoas”, apenas evidenciam as suas características mais marcantes, ou seja, tornam-nos mais refinados;

- O Mundo não é cor-de-rosa, não somos todos amigos e não vai ficar tudo bem para todos;

- O Mundo é um lugar repleto de desigualdades, que se evidenciam e acentuam em momentos de crise;

- Há sempre quem esteja pronto a lucrar com a tragédia alheia;

- A memória é curta e os erros cometidos são facilmente repetíveis;

- Há muita gente que não saber viver em sociedade, adoptando comportamentos de risco que fazem perigar a saúde alheia;

- Os profissionais de saúde apenas são reconhecidos e valorizados pelo seu trabalho quando uma crise sanitária se instala e ninguém deseja morrer por ausência de cuidados de saúde!!!  

MJP

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por menina-mulher.

por Robinson Kanes, em 02.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: https://www.wallpaperup.com/528753/mood_sensual_fashion_beauty_beautiful_girl_face_cute_attractive_lovely_woman_female_model.html ( (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

 

Começo com um paradoxo: tenho tentado não pensar demais, passando o dia a pensar – especialmente nos últimos seis meses. Por isso este convite foi um desafio, mas um dos bons, que como vão ver, a seguir, acabou a fazer-me sorrir.

 

Admito que desde dezembro (daí os seis meses) estava atenta às notícias do Oriente, mas, na minha inocência de pessoa pouco ligada às Ciências, acreditava que íamos passar “só” por uma “sequela” do SARS 1, ou seja, volta e meia ouvir falar da nova gripe nos noticiários, quase como um fait-divers, mas a achar que a sua representatividade no nosso “cantinho à beira mar plantado” ia ser mínima.

 

Chega março e percebi... pânico, particularmente em quem me rodeia, ou não seja eu irmã de uma pessoa em imunodepressão e que está dependente de medicações e tratamentos diários. No “nosso umbigo familiar”, o que primeiro percebemos é que a (agora nova) Covid-19 ia mudar os nossos dias e as prioridades do país e logo do curso dos tratamentos com que vivemos, todos os dias.

 

Seguiu-se a muito lenta alteração do espírito e atitudes dos lisboetas nos transportes públicos e nos restaurantes (os meus habitats mais naturais aqui na capital), tanto que, na noite anterior ao decretar do isolamento voluntário pela empresa onde trabalho, estive com amigos a jantar e a Covid não foi, de todo, o principal tema de conversa.

E plim! Na tarde seguinte, entrei em confinamento voluntário e por cá continuo quase 120 dias depois.

 

O que aprendi?

  • Que lido melhor com o confinamento do que esperava. Lido bem com o trabalhar de casa, com as reuniões com câmara e sem ela; que os meus gatos também têm horários e que conseguem ser companheiros de trabalho muito chatinhos...;
  • Que cozinhar me acalma e me dá um foco ao dia: o alimentar os outros, o encontrar novidades seguras, o ganhar coragem para experimentar, mesmo dentro das minhas “quatro paredes”;
  • Que morar numa casa não é o mesmo que viver numa casa, e que passar tanto tempo dentro de casa leva a um graaaande “síndroma de ninho;
  • Que “as dicas certas”, “a produtividade”, o “melhoramento pessoal” não funciona igual para todos, e pode bem até aumentar a ansiedade e o sentimento de alienação;
  • Que morar a 300 quilómetros da nossa família é difícil, mas agora experimentem viver com a regra “não podes sair de casa” e vão ver que centenas de quilómetros se transformam num continente com um oceano pelo meio;
  • Que descer as escadas para ir à mercearia ao lado da porta pode ser todo um programa, agora na companhia de máscara e luvas e um cronómetro.

 

Mas, acima de tudo, aprendi que vivemos num país que se entrega e se ouve quando o mal é comum, mas que se distrai facilmente quando os estímulos são muitos.

Aprendi que informação pode ser demais, mas que o “lava sempre bem as mãos”, o “mantém 2 metros de distância”, o “apoia os negócios locais” já não são informação, mas são sim formação da nossa personalidade no “novo normal”.

 

Venha o copo de vinho à 6ª feira, para brindar a mais uma semana (minimamente) sãos, e cá estaremos daqui a meio ano, para nos abraçarmos virtualmente, outra vez!

Blog da menina-Mulher

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Maria Araújo...

por Robinson Kanes, em 25.06.20

WhatsApp Image 2020-06-24 at 23.07.49.jpegCréditos: GC/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Estávamos todos a par do que acontecia na República Popular da China, pensávamos que um desconhecido, perigoso e invisível vírus, que obrigou a que milhões de pessoas tivessem de ficar fechadas em casa, não chegaria à Europa, muito menos a um cantinho à beira-mar plantado: o nosso país.

Em Fevereiro, fui uns dias de férias para conhecer um pouco mais do Alentejo, dias estes muito bem passados, "que tranquilidade!", de regresso a casa, já se ouvia nas notícias que Itália era o foco de infecção, os media entravam casa adentro a toda a hora, o Coronavírus estava na Europa.


E de Itália a França e Espanha, Portugal começou a sentir o perigo, agiu o governo atempadamente, e, de uma forma inesperada, mudámos o nosso estilo de vida.


Somos um povo de afectos, estavam proibidos os beijos e os abraços, o alerta constante de evitar o contacto físico e manter o distanciamento desencadeou nas pessoas o medo de ser contaminado.


As cidades ficaram desertas.


Às crianças foi-lhes tirada a rotina das creches, da escola. Interromperam-se os afectos, as brincadeiras com os amiguinhos, os parques de rua para brincar. Estava nas mãos da família adaptarem-nas a uma nova rotina, árdua e exigente.


A nossa casa passou a ser o escritório, a escola, as consultas, as reuniões, a fé, a cultura, o ginásio, a loja que procurávamos para comprar alguma coisa que nos satisfizesse o ego de tão triste estávamos neste isolamento forçado.


Passados este seis meses ( comentando com um familiar, a quem foi muito difícil este tempo de confinamento, que, apesar de tudo, parece-nos que já foi há bastante tempo ), não tendo alterado o meu comportamento muito mais que anteriormente, aprendi algumas coisas que em situações normais certamente não pensaria nelas: 

aprendi que fiquei mais tolerante a pequenas coisinhas que me irritavam, sobretudo más interpretações ou juízos de valor que eu mesma fazia; 

aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente, há que proteger os seres mais frágeis; 

aprendi a controlar a minha ansiedade se me doesse um dedo, ou a ponta nariz, e,sim,tive dores no braço, e deixar de procurar o médico especialista disto e daquilo só porque queria ficar tranquila (não vou a uma consulta desde novembro do ano passado); 

aprendi, basta querer, que o tempo que tenho chega para tudo: ler, computar, tomar conta do sobrinho neto quando é preciso, cozinhar, fazer as tarefas da casa, passear, apoiar quem me pede ajuda;

aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos: um almoço e/ou jantar convívio via whatsapp;

aprendi que o progresso traz riscos, que a insegurança e a desigualdade social aumentam.

O homem é um ser vulnerável.

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Final de dia...

por Robinson Kanes, em 20.06.20

IMG_3295.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Ce n'était pas des action de grâces qui pouvaient me monter au lèvres , mais ce Nada qui n'a pu naître que devant de paysages écrasés de soleil. Il n'y a pas de l'amour de vivre san désespoir de vivre

Albert Camus, in "L' Envers et L'Endroit"

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por GC...

por Robinson Kanes, em 18.06.20

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Peter Paul Rubens - "Retrato da Filha do Artista" (Scottish National Gallery) 

Imagem: Robinson Kanes

 

Quando penso nos últimos seis meses tenho a sensação de ter passado já muito tempo. Não por causa da pandemia e do consequente recolhimento forçado, que obriga a mais tempo de reflexão e contacto com a nossa mais íntima realidade, mas porque uma parte de mim parece ter ficado lá atrás - enquanto a minha essência mais profunda está a voltar e a caminhar em frente. Qualquer que seja a razão para isso ter acontecido, parece que devo ter motivos para ficar feliz.

 

Nos últimos seis meses aprendi que, embora seja por vezes doloroso, a escolha pelos nossos ideais e valores em detrimento de títulos (profissionais ou outros) vale sempre a pena. É um caminho solitário e muitas vezes incompreendido. Mas a coerência e consistência com o que temos de mais estrutural traz-nos uma tranquilidade impagável.

 

Aprendi, igualmente, que a minha ignorância é afinal bem maior do que julgava. Há tantos livros para ler, tantos cursos para fazer, tantos filmes e música e poesia para me emocionar, que a única hipótese viável é reservar uma parte do dia para me cultivar e tentar ser melhor a partir do conhecimento e da experiência dos outros.

 

Aprendi ainda que a vida pode ser tão simples para nós, humanos, como é para um cão. O meu Pastor Alemão descobre, à medida que vai ficando mais velho, muito mais sítios interessantes para farejar, brincadeiras muito mais divertidas para me pedir ou técnicas bem mais ardilosas para me obrigar a levá-lo a dar passeios mais longos pela natureza. Quando penso que poderia traduzir tudo isso para a minha própria experiência humana, chego à conclusão de que, tal como para ele, descobrir constantemente novos motivos para me fascinar perante o mundo poderá ser algo verdadeiramente espontâneo - basta estar atenta ao que me rodeia.

 

Aprendi também que, embora não se morra, literalmente, de saudades, é possível morrer metaforicamente. Porque é por dentro, no invisível traço que nos une a alguém, que a falta acontece sem pedir licença. Um dia disseram-me que não era de uma pessoa que sentíamos saudades mas do que ela nos fazia sentir. Talvez seja verdade. Ainda assim, há olhares, aromas, sorrisos, abraços e cumplicidade que não são repetíveis - por muito que outra ou outras pessoas cheguem entretanto à nossa vida. Aquela marca, aquela ausência, aquela memória pertencem unicamente a quem no-la gravou cá dentro.

 

Aprendi, finalmente, que não há nenhuma forma de saber o que cada dia nos reserva, por muito que gostemos de nos defender dessa certeza com falsas seguranças e vidas muito cronometradas. A inevitabilidade e o mistério do desconhecido parecem-nos longínquos quando estamos a viver em piloto automático. Mas o facto de não podermos controlar tudo pode trazer uma bênção impensada: a de sermos, finalmente, aquilo que somos, sem amarras, sem controlo de cada gesto, sem medo que a nossa essência transborde para lá do barco imenso da nossa plena existência.

 

GC

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Desinformação e o Caos...

Ou a guerra...

por Robinson Kanes, em 11.06.20

thediplomat-ap_18088377013515.jpgCréditos: https://thediplomat.com/2018/04/malaysias-elections-and-the-anti-fake-news-act/

 

 

Sem qualquer censura, no Ocidente os temas da moda em termos de pensamento e ideia são cuidadosamente separados daqueles que não são da moda; nada é proíbido, mas o que não está na moda dificilmente encontra o seu espaço em jornais ou livros ou é mesmo ouvido nas universidades. Legalmente os nossos investigadores são livres, mas estão limitados pela tendência do dia.

Aleksandr Solzhenitsyn, proferido no discurso de 08 de Junho de 1978 em Harvard 

 

 

 

O mundo ocidental não se pode orgulhar de muita coisa, é um facto, sobretudo do hype racista que colocou esse mesmo mundo ocidental, por sinal o que mais respeita os direitos humanos, como todo o foco de racismo no mundo. Fora da Europa e dos Estados Unidos, portanto, não existe racismo... Pouco relacionado com o tópico deste artigo, este é um exemplo de como o comportamento de massas pode ser manipulado e de como, um destes dias, temos uma "guerra" (ou sem aspas?) ou uma total queda das instituições e instalação do caos. Não pretendi, contudo, mesmo sendo um hype, discutir se é certo ou errado.

 

Pela primeira vez na sua história, a União Europeia, pela voz de altos representantes da instituição, nomeadamente o Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança (Josep Borrell) e a Vice-Presidente da Comissão Responsável por Valores e Transparência (Vera Jourova) veio apontar o dedo à China na forma como tem promovido ao mais alto nível campanhas de desinformação na Europa. Em relação à Rússia, já não é uma novidade. A existirem provas (e por toda a admiração que tenho por dois países como Rússia e China, espero que não sejam validadas) abre-se, ou volta a abrir-se o debate para uma questão muito sensível e que não se resolve com meras iniciativas de fact-checking até porque são tardias e igualmente manipuláveis.

 

Redes Sociais, plataformas como a Google e claro, meios de comunicação mais tradicionais, são também responsáveis (quero acreditar que também indirectamente) pela situação de propaganda e desinformação que está a ter lugar. Há poucos anos, foram muitos os que avisaram e foram ignorados. Também não sou adepto da teoria da conspiração, no entanto, quando o tema é a Covid-19, os países que mais atenção mereceram foram os do bloco europeu, Estados Unidos e Brasil, como se no resto do mundo não existisse tal problema. Esqueci-me do Irão, que sempre foi um desejo para Rússia e China. Para o mal ou para o bem, se existem países que ao nível de geo-estratégia mais interesse têm na antiga Pérsia são Rússia e China.

 

A campanha de informação e desinformação em torno da Covid-19 é uma lição poderosa, como é a própria questão em torno de George Floyd, na medida em que, bastam uns minutos para semear o caos. Quem quiser iniciar uma guerra ou até enaltecer a mediocridade, vive os tempos ideais para o fazer, tempos em que a polarização está a crescer e mais grave, onde todos nos julgamos demasiado inteligentes que nem questionamos o que nos é colocado diante dos olhos e embarcamos porque, achando também os outros uma maré de mentes iluminadas, não queremos ficar atrás.

 

Vivemos tempos perigosos em que existe um grito quase desesperado pelo apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para que também tenha um papel na prevenção destas estratégias de ataque. A OTAN deixou-se apagar mantendo-se focada na questão bélica de terreno e esqueceu a mudança dos tempos, tem agora mais uma oportunidade de defender a Europa, os Estados Unidos e a Turquia com as "armas" adequadas aos tempos modernos. 

 

O envolvimento de uma organização como a OTAN deve alertar o cidadão comum, que provavelmente desconhecerá muitas das acções entretanto realizadas, para os perigos que se colocam num mundo onde as redes sociais, motores de busca, a imprensa e outros meios de comunicação geral imperam, têm peso e consequentemente também têm ameaças. Está na hora de pensarmos nestes temas como uma ameaça grave, mesmo como cidadãos, até porque, se por um lado alimentamos tentativas de destabilização da sociedade como a conhecemos, também acabamos por alimentar discursos extremistas associados à extrema-direita e à extrema-esquerda, sendo que, a última, em poucos países já vem impondo a sua vontade como lei.

 

Ainda vamos a tempo de fazer algo, até porque o cidadão comum que trabalha arduamente, paga os seus impostos e tem pouco tempo para perder com redes sociais e não só, não dá a importância devida e não encaixa no falso discurso do "toda a gente"... O "toda a gente" ainda não é uma maioria, mas os tempos evoluem e quando o "toda a gente" efectivamente corresponder à verdade, temos a salvação ou temos o problema, depende sempre do contexto e da capacidade de olharmos de frente para as coisas como elas são... E não há desculpa para não o fazer, somos a sociedade mais evoluída que o mundo teve em termos de conhecimento e acesso ao mesmo, por isso não basta dizer que, é preciso pensar que e agir com!

 

Sugestão de Leitura para o feriado: JOINT COMMUNICATION TO THE EUROPEAN PARLIAMENT, THE EUROPEAN COUNCIL, THE COUNCIL, THE EUROPEAN ECONOMIC AND SOCIAL COMMITTEE AND THE COMMITTEE OF THE REGIONS - Tackling COVID-19 disinformation - Getting the facts right

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Woke Capital e Racismo na Sardinhada de Hoje...

por Robinson Kanes, em 09.06.20

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Créditos: http://www.umgasmagazine.com/museum-failure-failed-inventions/

 

Hoje a sardinha está temperada com "woke capital" e racismo... 

Nada como passarem por e apreciarem uma bela sardinhada com muito pimento vermelho.

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Da Discriminação Etária...

por Robinson Kanes, em 08.06.20

HPIM0244.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Young people are just smarter

O "vanguardista" Marck Zuckerberg numa conferência em Stanford

 

 

Numa época em que tudo é discriminação, desde que seja mediático (daqui a uns tempos colocarei em texto o porquê da insistência no "mediático"), abordo um tema que é mais presente do que se imagina e nem por isso gera grande debate. Nem tudo tem de ter a devida importância, é um facto.

 

No entanto, enquanto destilamos heróicamente o ódio face a um caso isolado nos EUA e legitimamos a violência, embora no conforto do nosso sofá que dá sempre mais jeito e não nos permite correr grandes riscos, deixamos passar outros temas igualmente importantes - ser discriminado porque se é velho (ou até novo, o conceito de ageism é mais vasto) é igualmente importante como ser-se discriminado porque se é preto ou amarelo.

 

Na verdade, quantos de nós não conhecem situações em que a discriminação etária foi praticada, tenha sido ela de forma directa ou indirecta? Quantos de nós tememos o assédio e a "vitimização" também elas formas de descriminação etária que nem sempre incidem sobre as vítimas?

 

No emprego, em marcas que até nos abastecem desde a despensa à garagem, no dia-a-dia... Quantas pessoas não conseguem um emprego porque são "velhas" mesmo tendo qualificações fisicas e mentais para o trabalho? Quantas vezes não nos deparamos com os anúncios (e reconheço que só o facto de responder a um anúncio é praticamente garantia de que não se vai conseguir o emprego) em que a discriminação indirecta vem bem detalhada? E quem é que já reparou numa empresa de distribuição que de um momento para o outro quase que deixou de ter maiores de 40 nas caixas, pelo menos numa área geográfica em particular. 

 

Na verdade, andamos a discutir tanto o cuidado que damos às nossas crianças e até a legitimar que se paguem milhares/milhões para "comprar" algumas... Comprar algumas, sem aspas... Ou forçar a geração do feto, o que é importante, mas não atribuímos importância aos nossos sábios mais velhos, por exemplo? É estranho, particularmente numa sociedade ocidental que caminha para o aumento do seu número de velhos de forma avassaladora. Como é que encaramos estas situações a nível social, cultural até, e sobretudo económico?

 

E quantos de nós já nos erguemos (meia-dúzia de "nice catchy posts" na internet não contam) contra a discriminação etária, sobretudo nos nossos empregos/actividades? Quantos de nós já furamos o status quo e recrutámos, ou apoiamos o recrutamento daquele "cota" para a posição "Y"? Excluo obviamente situações em que uma "cara jovem" pode efectivamente funcionar melhor que uma "cara mais velha", que as há, não vejo as coisas de forma tão radical.

 

Finalmente, e porque sei que tenho alguns seguidores da área artística e que nem sempre concordam comigo, porque é que com tantos bons artistas, neste caso actores, mais velhos, e com excelentes competências, contratamos actores mais jovens (alguns bem medíocres) e caracterizamos os mesmos para fazerem papéis de mais velhos? Talvez como disse Larry Gelbart, a única forma de evitar a discriminação etária em Hollywood seja mesmo morrer jovem...

 

Fica aberto o espaço para falarmos um pouco mais sobre o tema e não dizermos que somos apenas contra a discriminação etária porque sim, no entanto, acredito que uma larga maioria se esteja, e passo a expressão, a borrifar para isso. Espero, contudo, que este meu último pensamento esteja errado...

 

Este texto foi escrito e inspirado num alguém que contra tudo e contra todos conseguiu virar a mentalidade de uma multinacional (em Portugal) e também contra todas as expectativas mostrou que os mais velhos podem fazer a diferença nas organizações. Este texto foi inspirado em todos aqueles que, como eu, já tiveram acesas discussões, muitas vitórias e muitas derrotas para que alguém mais velho ficasse com a posição. 

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por José da Xã...

por Robinson Kanes, em 04.06.20

Jan.-11-2016.jpgCréditos: https://elmlearning.com/lxd-instructional-designer/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

O que aprendi nos últimos seis meses…

Foi com um misto de espanto e, porque não dizê-lo, de alguma vaidade que recebi o convite do Robinson para escrever aqui sobre um tema que nos tocou e toca ainda a todos. Desde já o meu muuuuuuuuuuito obrigado por este convite que só me lisonjeia.

Espero, contudo, estar à altura do desafio…

Então vejamos… desde o início do ano o Mundo, literalmente, virou de pernas para o ar. Uma pandemia com origem (dizem!!!) na República Popular da China rapidamente se alastrou a todos os países.

Em Portugal e após consciência do mal que se estava a alastrar, por exemplo, em Itália e aqui na nossa vizinha Espanha, justificadamente, o governo decretou o confinamento geral.

Ora bem… é deste tempo, destes seis meses desde o dealbar do ano que fui convidado a falar (leia-se escrever), nomeadamente naquilo que aprendi neste derradeiro meio ano.

A primeira lição é que jamais comerei pangolim… nem morcegos, não obstante a chusma destes que livremente se passeiam num barracão que tenho na Beira e que se fossem comestíveis… já eram!

Depois aprendi a colocar uma máscara cirúrgica na cara. Das muito poucas vezes que saí de casa andei com a máscara ao contrário. Até que me ensinaram!

Aprendi a lavar as mãos. Antigamente aquilo era uma passagem e já está… Agora tinha de ser mais demorado… Parece que não, mas até agora fez efeito!

No entanto a maior lição que aprendi prende-se com um mito bem luso e que após esta pandemia caiu totalmente por terra. A verdade, verdadinha é que ninguém em Portugal ou noutro local, morre de saudades.

Nem eu que fui avô dois meses antes do confinamento, nem os meus pais idosos e que se viram privados da minha companhia e dos netos (e da bisneta, claro!), ninguém pereceu às mãos de um sentimento tão luso. Nem os meus filhos, sobrinhos, amigos e colegas morreram com saudades minhas. Nem eu deles.

Também aprendi que teletrabalho é fixe… Levanto-me cinco minutos antes de começar e não tenho de apanhar trânsito, calor, chuva, frio… O que custa mais será o pequeno-almoço em casa já que sou da mesma opinião do Obélix quando falava dos Romanos: lá foram são melhores que os de dentro.

Outra coisa que eu aprendi nesta meia dúzia de meses foi fazer compras on-line. Até agora de todos os livros que comprei só me falta entregarem um… Os supermercados nunca falharam e os cafés também não!

Finalmente… aprendi que se pode viver sem futebol. Quem diria?

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1_YHCUfvoIa-36YJGmIfIXAw.jpegCréditos: https://medium.com/@buchireddy/the-importance-of-unlearning-765f4c32112e (responsabilidade do autor do espaço)

 

O meu estimadíssimo amigo Robinson Kanes convidou-me para escrevinhar no seu blog, Não é que não houvesse, um dos espaços que há mais tempo acompanho e um dos que me suscita mais carinho.
Sendo assim é fácil imaginar a honra que senti diante de tal convite, perante a generosidade do meu anfitrião.
O desafio foi...
O que aprendi nestes últimos seis meses?
Ora bem...
Se me dissessem nos primeiros dias de 2020 que iríamos todos, o mundo, passar dois meses confinados em casa com o receio de uma Pandemia que chegava para aniquilar parte da Humanidade, iria achar uma patetice.
Sentiria que a impossibilidade dessa realidade só poderia ser descrita num guião de péssima qualidade, apressado e sem adesão à vida quotidiana deste planeta.
Enganei-me.
Aqui está uma das primeiras lições...
Não menosprezar a impossibilidade desses “impossíveis” que um dia se tornam realidade.
Deve ter sido isso que sentiram aquelas pessoas entregues a um Tsunami, descrito no filme O Impossível, esmagados por uma onda que tomou conta desse momento parecendo sair de um filme de terror.
Pois é...
Às vezes pode ser possível.
Outra das coisas que aprendi, foi a gerir o compartilhar de espaço e tempo, confinado em família, olhando para os mesmos rostos, as mesmas vozes, 24 sobre 24 horas...
O que eu troçava desta frase, de autoria dos concorrentes de Reality Shows, mas que durante esta Pandemia se tornou real em nossas vidas.
Por vezes a realidade que chega não necessita de ser extraída de um filme de ficção cientifica, pode mesmo ser de um qualquer BIG BROTHER, no entanto, não deixa de trazer consigo um pedaço de ensinamento.
Só aprendizado.
Durante este tempo aprendi ainda a partilhar em comunidade, neste caso no Sapo, juntando-me a um estimado grupo de amigos, com personalidades diferentes, ideias diferentes, para num projecto comum dar voz ao tamanho mar que se atreve a libertar pedaços de pensamento amarrado a cristalinas ondas salgadas.
O sardinhaSemlata é esse pedaço de abraço que conjuga dentro de si, vidas, realidades, gente...
Numa partilha maior da palavra.
Aprendi tanta coisa...
Aprendi a ter saudades, tamanhas e pequenas, desgarradas e serenas, pessimistas e optimistas.
Aprendi a ter saudades dos abraços perdidos em braços esquecidos de um tempo por viver.
Aprendi a aprender...
Tentando discernir sobre as milhões de questões que invadiam o dia a dia deste nosso Pandémico quotidiano, nesse medo de sair, de conviver, de viver.
Tantas e tamanhas aprendizagens que não caberão num texto para este Blog, mesmo sendo o Não é que não houvesse, habituado a viagens e palavras, frases e retratos, pequenos pedaços de deslumbre da responsabilidade deste queridíssimo amigo, de seu nome Robinson.
Obrigado meu amigo, pelo convite, pela amizade, pela partilha desta nossa viagem em lata e por tanto que ainda se vislumbra no horizonte.

Um abraço

Filipe Vaz Correia

Caneca de Letras

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