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Atrás das Cegonhas - Almodôvar

por Robinson Kanes, em 10.07.18

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

 

Em qualquer viagem ao Algarve uma paragem em Almodôvar é sempre importante. É fundamental para garantir que as minhas amigas continuam tranquilamente a habitar aquele concelho e dão um colorido especial à chegada à sede do mesmo. 

 

Com os ares da Serra do Caldeirão a contagiarem este regresso, foi necessário escolher um local para o pequeno-almoço antes de voltar à minha visita com estas aves. Nada melhor que o miradouro que fica à entrada da vila e nos dá uma panorâmica da mesma. Levem pequeno-almoço, é obrigatório.

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Tomado o pequeno-almoço, que só acaba com um café já dentro da vila, nada como regressar ao objectivo que me fez sair da auto-estrada, até porque o tempo era pouco, posto que em Faro já me esperava muito trabalho. E é quando, bem perto, sou surpreendido por um espectáculo que é sempre singular, uma cegonha no chão, tentando encontrar algo que também lhe possa fazer dizer que tomou um pequeno-almoço.

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Não há nada que pague tamanho espectáculo em plena planície alentejana. Contudo, apenas uma nota: a distância de segurança foi mantida, e a aproximação não deve ser feita. São animais que estão no seu habitat e por muito que estejam habituados à presença humana não podem ver o seu espaço invadido por nós. Recomendo binóculos, caso contrário ao invés de estarem a apreciar a natureza estão a contribuir para a sua destruição!

 

E a verdade é que quem tem binóculos vê mais ao longe do que quem não os tem e está perto. A surpresa acabou por chegar e está bem representada na imagem abaixo.

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 É nestes momentos que percebemos que o melhor da vida não tem preço e que as coisas mais espectaculares que podemos observar, por vezes, estão mesmo ali ao virar da esquina. Admito que me considerei um privilegiado, e como eu outros, mas de facto, esta imagem fez-me ficar por ali mais tempo do que esperava.

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 Simplesmente maravilhoso. Mais uns minutos a apreciar e eis que é chegada a hora em que o relógio nos diz que temos de voltar. E, mais uma vez, levo comigo a imagem destas grandes e belíssimas aves e, ao invés de voltar à auto-estrada, sigo pelas planícies do Alentejo onde pequenas elevações já anunciam as curvas do Caldeirão.

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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Em Sitges... Entre o Mar e um Café...

por Robinson Kanes, em 08.06.18

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Fonte Imagens: Própria. 

 

 

Conheci sempre Sitges fora da época de Verão, o que me transporta para uma experiência mais genuína, até porque esta pequena cidade chega a ser apelidada da Saint Tropez da Catalunha. Contudo, nada é mais errado, pois quem já esteve em ambas as localizações vai perceber que as diferenças são muitas e cada espaço tem as suas peculariedades. 

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Sitges é sempre o meu retiro de Barcelona. Rapidamente acessível de comboio pela estação de Passeig de Gràcia (Barcelona Sants ou Estació de França também são opção) é sem dúvida uma cidade para tranquilamente percorrer as pequenas ruelas, parar numa qualquer pastelaria e sentir a brisa do mar que se torna mais intensa quando apertada pelos edifícios que ladeiam as estreitas ruas. Admito que um dos melhores momentos aquando da minha vida em Barcelona era o pequeno-almoço em Sitges. Sair cedo de Ausiàs March, apanhar o comboio, atravessar o Garraf e em Sitges apreciar uma manhã com gente simpática e com o mar ali como companheiro era sem dúvida um momento soberbo.

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Sitges é também daquelas cidades pequenas onde as estações de caminho-de-ferro têm vida e onde o quotidiano se sente a pulsar nessas tão importantes ágoras. No Verão, a cidade enche-se de turistas e talvez muita da sua magia se perca, no entanto, mesmo em meses mais "tristes" como Novembro, as pessoas são gentis e a simpatia e alegria do povo espanhol é evidente em cada conversa. Além disso, nos meses de Inverno conseguem-se autênticos dias de Verão que enchem as ruas, sobretudo ao fim de semana, na costa desde Castelldefels até Tarragona.

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Bem perto de Barcelona, é uma cidade com uma intensa actividade cultural, onde se destacam o Festival de Cinema, o  Carnaval e as "noches sitgeanas". Mas Sitges é muitos mais, é o estilo mediterrânico bem presente na arquitectura, nas varandas, nas pessoas, na brisa marítima, nos sons que ecoam e por aquele cheiro único que nenhum fragrância consegue igualar. O património é uma das suas imagens de marca e isto acontece sem ter necessidade de possuir grandes monumentos. Aqui o "small is beautiful" tem uma das suas mais maiores exaltações.

IMG_2528.jpgOutra das coisas que não se pode dispensar em Sitges é a caminhada junto ao mar... Aliás, o banho no mar é altamente recomendável. Aqui as cores do Mediterrâneo também não deixam ninguém indiferente e o todo o pitoresco do horizonte contagia-nos de uma forma que não nos faz querer voltar a Barcelona.

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O que podemos dizer mais desta cidade? Sentemo-nos num qualquer banco de jardim diante do mar... Temos o pequeno-almoço  tomado, o café (como tem de ser), o sol a tocar-nos no rosto e um sem número de aromas que nos limpam os pulmões... Será que é preciso dizer mais alguma coisa? Pois bem, esperemos pela noite e vamos de "copas". À noite a cidade não se transforma, não deixa que lhe tirem a identidade e é isso que também a torna mais interessante para quem aprecia ficar até de madrugada a aproveitar aquilo que só as cidades espanholas (e Argentinas) podem oferecer.

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Já vai ficando tarde e é preciso voltar a apanhar o comboio. É possível que hoje a noite ainda não tenha acabado, é preciso passar em Cornellà de Llobregat... Até lá, vamos discutindo porque é que Sitges é tão especial e merece o seu destaque lado a lado com Saint Tropez, até porque entre uma e outra cidade, dificil é escolher.

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Bom fim de semana... 

 

 

 

 

 

 

 

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Como prometido, não poderia deixar aquele que é um dos meus recantos preferidos em Barcelona: fica na "Plaça Comercial"!

 

Um grande exemplo de preservação de um espaço, da memória e da própria História - o Mercat del Born! Construído em ferro e de herança modernista, é um edifício digno de ser admirado por dentro e por fora! Construído em 1878 teve o seu declinío em finais da década de 70. Em 2002, quando estava prestes a ser transformado numa biblioteca, foram encontradas ruínas da Barcelona medieval o que levou ao embargo das obras e consequentemente permitiu que nascesse um dos locais mais interessantes da cidade: o "El Born Centre de Cultura i Memòria"!

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Encontrei-o por acaso, sem fazer a devida pesquisa e nunca mais esqueci este espaço que alberga também exposições temporárias! Não é uma das maiores referências da cidade mas, em meu entender, é de visita obrigatória, até pela vida que gira em torno do mesmo!

 

Se tivesse que seleccionar um "top 5" este espaço mereceria um dos lugares! É uma paixão que não se explica, talvez de quem se perde em Dresden quando percebe que os empreiteiros ao invés de estarem a construir um prédio estão a trabalhar numa escavação que alberga vestigios da antiga cidade, ou então de alguém que perde uma tarde inteira em Nice, depois de perceber que o destino o colocou no dia certo em que, também numas obras, foram descobertos vestígios arqueológicos e assiste ao chegar dos arqueólogos e a toda a azáfama que teve lugar em redor daquele espaço. Sente-se e pronto, o "Mercat del Born" é um desses espaços!

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Mas é também, saindo do "Mercat", que se percorre o "Passeig del Born" e se chega à minha igreja preferida na cidade: a "Basilica de Santa Maria del Mar"! O "Passeig del Born" em nada fica atrás do "Passeig de Gràcia", acerca do qual aqui também já falei. Arrisco até dizer que é mais genuíno, mais catalão e numa dimensão mais reduzida. Foi também nesta zona que alguns episódios negros da História mancharam as memórias da cidade - o mais tenebroso terá sido o facto das vitimas da Inquisição terem sido aqui chacinadas! Não esquecendo o passado mas vivendo o agora, a caminhada é obrigatória, sobretudo para um café pela manhã ou então ao entardecer - fora da época turística (se é que se pode dizer que existe uma época turística em Barcelona) é imensamente cativante passar aqui um final de tarde.

 

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Não podemos fugir ao que nos espera... Aí está ela, a "Basilica de Santa Maria del Mar"! Se não assistirem a um concerto no "Palau de Musica Catalana", podem bem redimir-se aqui desse pecado! É um dos locais que mais gosto para assistir a concertos de música clássica em Barcelona! Ao entrar neste espaço, não conseguiremos conceber como é que o mesmo já esteve sujeito a todas as convulsões que afectaram a cidade, sendo a última uma das piores e que teve lugar durante a Guerra Civil de Espanha! A 19 de Julho de 1936 a igreja foi incendiada num espectáculo macabro que teve a duração de 7 dias!

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Percamo-nos por esta igreja do século XIV e ex-libris do gótico catalão e admiremos o altar, as colunas que lhe mostram toda a sua imponência, apreciemos os vitrais e a iluminação que, à noite, lhe dá um carácter especial e claro - sentemo-nos e apreciemos um bom concerto! Para mim, apesar dos muitos restauros, esta é a mais bela igreja de Barcelona!

 

Mas não vamos já embora! Não poderia sair destas ruas sem passar pela "Carrer de la Vidriería" e parar no "Golfo de Bizkaia"! Não é um dos espaços mais baratos, mas é uma "taperia" daquelas que nunca se esquecem.

 

Um atendimento muito simpático por empregados bascos, as tapas óptimas e um ambiente único que junta a Catalunha e o País Basco num restaurante notável e onde é impossível resistir às tapas frias no balcão! Além de brilhantemente elaboradas para encher a vista, são também de um sabor sui generis! Não se sentem nos barris que servem de bancos e de mesas - arriscam-se a ser aliciados para comer as tapas quentes. A vossa dieta vai acabar destruída entre tapas, cerveja e "mosto blanco" mas afinal, estamos em Espanha! Ainda hoje nos lembramos de um dos empregados que nos atendia sempre e ao qual perguntávamos "tienes mosto blanco?", respondendo sempre com um grave timbre basco "siiiiiiiiiiii".

 

Vale a pena lá passarem, mas não se percam com os palitos que servem para contabilizar as tapas que comem! A mim nunca me pagaram nada para sugerir este espaço, pelo que entendam o meu conselho como o de um brand advocate e não de um influencer, até porque não tenho estatuto para tal, mas... Por falar no "Golfo de Bizkaia"... Tenho a sensação que hoje, se encontrar, ainda vou fazer uns "chipirones" com aquele saboroso molho verde que me recorda grandes momentos naquele restaurante! Por incrível que pareça, não é propriamente um restaurante familiar, faz parte do Grupo Sagardi, mas não é por isso que deixa de ser tentador.

 

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 Créditos: Grupo SAGARDI

 

Fecho os olhos, percorro estas ruelas... Já sinto os cheiros e a vida de Barcelona...Escuto os "Rumores de la Caleta" na versão de guitarra espanhola do catalão Albeniz... Quem me dera encontrar Yepes e Albeniz juntos na Basilica de Santa Maria del Mar para um concerto! Contento-me com a sonoridade que nos deixaram e quiçá, com umas tapas depois do concerto ali bem perto com o empregado basco a responder "siiiiiiiii" ao nosso pedido de "mosto blanco".

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Catalunha até à Catedral e à Plaça del Rei!

Pelo Barri Gòtic: Da Pintura de Picasso ao Palau de la "Musica Catalana"...

Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

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Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

por Robinson Kanes, em 14.05.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Prometi para esta vez um percurso mais turístico. Sem sair do "L’Eixample" deixo a "Ausiàs March" ou até a empresa na Avinguda Diagonal para rapidamente chegar à Sagrada Família! Para mim nunca foi um lugar propriamente especial, além das suas eternas obras me causarem alguma estranheza.

São também célebres as palavras de George Orwell acerca da fealdade da infraestrutura e a estranheza  pela mesma ter sido poupada por Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Para mim sempre foi um local sem grande chama, se é que o podemos dizer, isto já para não falar nos cafés e restaurantes caros em torno do mesmo, um pouco como em Roma junto ao Coliseu.

 

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Daqui as opções são várias e uma delas pode ser o "Park Güell" em "La Salut". Pessoalmente, é um percurso que dá gosto em fazer a pé, embora admita que muitos não estão para isso. Também admito que gosto do movimento da "Carrer de Sardenya" e até do próprio ar cosmopolita que já vem de Gràcia. Prefiro o "Park Güell" aberto ao público. Não é que se consiga fugir das multidões mas podemos apreciar alguns momentos mais tranquilos, além de achar que o parque se visita bem e se consegue apreciar a obra de Gaudi sem pagar bilhete.

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Quando estamos de frente para a porta do parque, nada como virar à esquerda, seguir a estrada e subir a escadaria que nos levará ao interior do parque. Aí tudo muda… Começamos a subir e a ver uma outra Barcelona diferente daquela que já falei aqui e aqui, só a título de exemplo. Vislumbramos uma Barcelona para o mar, encontramos o "Tibidabo" e ainda conseguimos visualizar um pouco do parque. É a Barcelona cosmopolita que vemos daqui desde Gràcia até ao mar… Para uma primeira visita a Barcelona, ou até para um regresso, acredito que este miradouro é o local ideal para iniciar uma visita - é aqui que conseguimos captar muito do espírito da cidade.

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Se adicionarmos a este panorama um pôr-do-sol único, mais um daqueles que o Mediterrâneo tanto nos dá, temos o dia perfeito na cidade. Paremos pelo miradouro, respiremos a cidade, sintamos o contágio que vem do mar até nós. Fiquemos por aí um pouco… Segue-se a descida, e nada como percorrer a área gratuita do "Park Güell" e apreciar o próprio parque, acredito que conseguirão ver muitos dos pormenores mais interessantes do mesmo e poupar uns euros.

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Vamos descer? Pois passemos pela "Casa-Museu Gaudí" e desçamos a Gràcia bem pelo centro, atravessando a "Carrer de Montmary"  e transpondo a "Travessera de Gràcia"! Aqui é importante aproveitar bem a zona e o bairro antes de entrar na zona mais in. Ambas se podem combinar, aliás, o que faria era visitar uma e depois a outra, mas quando se vive ou se passa uma grande temporada na cidade tudo isso é mais fácil. 

 

E eis que chegamos ao "Passeig de Gràcia"! Uma nota... De facto, o caminho mais apetecível é o "Passeig de Gràcia", no entanto, ignorar ruas e respectivas transverssais da "Carrer de Pau Claris" e visitar o "Museu Egípcio" ou até o "Centre Català d'Art"... Em suma... Quanto mais nos perdermos no emaranhado de ruas, melhor!

 

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Mas vamos para a "Plaça Joan Carles I" e iniciemos a descida pelo "Passeig de Gràcia" e rapidamente encontraremos do lado esquerdo a "Casa Milà", também conhecida como "La Pedrera". Só conheci este espaço por fora, foram muitos aqueles que em Barcelona me aconselharam a não visitar a mesma por dentro e, pelo que tive oportunidade de procurar, não me arrependi. No entanto, cabe a cada um decidir. A própria história é interessante, na medida em que o primeiro proprietário da mesma assumiu ter ido parar à miséria devido à extravagância "gaudiana". Exteriormente é apetecível e merece o nosso olhar, mesmo que por segundos. 

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Nesta rua já se sente a fervilhar a Gràcia em toda a sua força com os cafés, as lojas, as gentes a dominarem a atmosfera daquela zona. Estamos na Catalunha, mas não deixamos de estar em Espanha onde facilmente encontramos estes ambientes. Levantemos os olhos e apreciemos os diferentes edifícios que se estendem ao longo do bairro e não esqueçamos a "Casa Vicens" e a "Casa Fuster" com o seu café vienense... Não poderia deixar escapar esta, mesmo que o café e um mimo doce fiquem para lá de um orçamento mais contido.

 

Com as energias repostas, pois já cai a noite e até vos convido para jantar em casa, pois lembram-se do meu amigo do Bon Preu? Temos um "rape" com açafrão e leite de coco à espera! No entanto, não podemos deixar de continuar a apreciar esta elegante rua e passar pela "La Manzana de la Discòrdia". Este é mais um daqueles espaços em que o exterior preenche a visita. Aqui podemos apreciar os três arquitectos que estiveram na sua construção, nomeadamente as esculturas e a cúpula de Domènech i Montane, as esculturas nas janelas e os vitrais da entrada de Puig i Cadafalch e finalmente algumas das influências de Gaudì que saltam bem à vista mal olhamos o edifício. Deixamos para amanhã a "Fundació Antoni Tàpies"? Pois bem, vamos então descer até à "Plaça Catalunya" e a apreciar os edifícios modernistas... Viremos para "Urquinaona" onde chegaremos a Ausiàs March - já nos acenam para jantar!

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Deixemos a "Plaça del Rei" onde ainda escutamos os ecos daquela soprano que canta a troco de uns euros junto à Catedral e deixemo-nos embrenhar nas ruas estreitas do "Barri Gòtic".

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Hoje já é tarde, mas amanhã, é um imperativo visitar o "Museu Picasso de Barcelona"! É aí que se encontram algumas das grandes obras do génio, para mim, "O Abraço" é uma delas e é digno de ser visto! É um daqueles museus, em que a arquitectura do espaço combinada com a exposição o tornam numa referência! Quem já esteve no de Málaga ou até no de Paris não se vai sentir defraudado. Percorrer a estreita "Carrer Montcada" e aceder ao "Palau Berenguer d'Aguillar" é algo que não pode falhar numa visita a Barcelona e depois... Bem, depois nada como se deixar surpreender pelo "El Loco" ou pelo "Harlequin".

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Mas ainda há tempo para atravessar a "Carrer de la Princesa", a que termina no "Parc de la Ciutadella", e subir até ao "Palau de la Musica Catalana". Aqui as opções são várias: ou apreciamos o espaço do exterior, ou compramos um bilhete para visitar o espaço e deixarmo-nos deslumbrar pela sala de espectáculos com a sua cúpula invertida e em vitral ou... Ou assistimos a um espectáculo! Não são os bilhetes mais baratos, quer para visitar quer para um espectáculo mas não deixa de ser uma experiência única e que depois provoca uma ânsia de repetir a experiência - assistir a um espectáculo é mais que recomendável e devo admitir que pondero mais um regresso ou para assistir a Simon Rattle com a "Orquestra Filarmónica de Berlim" ou efectivamente, a Gustavo Dudamel, com a "Mahler Chamber Orchestra"... Tenha vida para isso. Acredito que, em turismo ou vivendo na cidade, visitar a obra de Domènech Montaner é das melhores experiências que podemos ter.

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E como estamos em Barcelona e... Porque o Mediterrâneo invade os areais de "Barceloneta", nada como ficar a ouvir um dos grandes compositores nascidos naquela cidade e que marcou uma geração - que não a minha - e por arrasto, me fez conhecer a sua obra durante a minha infância. Escutemos neste passeio à beira-mar uma das grandes obras de Joan Manuel Serrat, "Mediterraneo".

 

 

E hoje ficamos por aqui! Ou melhor, não ficamos, vamos caminhar e terminar num pequeno restaurante de fast food na "Plaça Urquinaona" (posso dizer que era a "Pans & Company"?) e onde tantas vezes a altas horas era o local ideal antes de voltar a Ausiàs March para descansar... Se nos deixassem...

IMG_1677.jpg E amanhã? Vamos sair de Ausiàs March, comer qualquer coisa na "Plaça de Tetuan" e seguir por uma das rotas mais turísticas da cidade, embora com alguns recantos por descobrir.

 

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Antes de saírmos do ponto de encontro combinado no artigo passado, partilho convosco o facto de ter lido alguns maus comentários sobre Barcelona. De facto, nenhuma cidade é perfeita e podemos sempre apontar pontos negativos ou até dizer que não gostamos mas daí a dizer que não se gosta de Barcelona "porque sim" e baseado somente numa experiência de fim-de-semana, devo dizer que é bastante redutor.

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Deste modo, continuemos pela zona turística, mas também antiga, de Barcelona. Tomamos um café naquela que foi a minha casa, com o "peixeiro" do "Bon Preu" da Ausiàs March que me ensinou a fazer um "rape" (tamboril) com caril e que ainda hoje faz as delícias daqueles que frequentam a nossa casa. Barcelona também é isto, fazer amigos em cada canto, em cada espaço, mesmo que seja um supermercado e, de facto, isto não conseguimos em dois dias.

 

Vamos então? Façamos a Ausiàs March, atravessando a "Plaça Urquinaona" e entremos na Plaça Catalunya. Já conseguimos ouvir a "Rambla" e todo aquele movimento desta praça, um dos principais pontos para apanhar transportes em Barcelona. Se a praça é bela? No contexto de Barcelona é mais uma praça, mas comecem a apreciar as gentes e a ver a vida a acontecer e a vossa opinião muda em segundos!

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Mas caminhemos, a Catedral aguarda por nós! Para mim, quem tiver de escolher entre a Catedral do século XVI e a Sagrada Família, eu sugiro que escolha a primeira. Dedicada a Santa Eulália - aliás, a cripta com o túmulo desta santa é uma das atracções - esta catedral tem uma fachada algo ao estilo francês porque só no século XIX se reuniram fundos para terminar a mesma. Com 29 capelas, no exterior, apesar da beleza, não a podemos incluír no roteiro das grandes catedrais, sobretudo porque em Espanha tem uma forte concorrência. Mas é também no exterior que encontramos uma das praças mais movimentadas da cidade e não é só com turistas - é aqui que ao fim de semana, os habitantes da cidade, dançam a sardana - a dança de roda catalã que representa a unidade.  Falámos também de Santa Eulália, pois aquela estátua no topo da torre central é desse mesma santa.

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No entanto, quando temos a impressão de não estarmos perante uma catedral de Burgos ou até mesmo de Colónia, entramos e tudo muda! Visitem o coro e procurem encontrar a multiplicidade de estilos presentes na catedral, que vão desde a construção paleocristã até ao estilo gótico francês passando pelo românico e gótico (catalão). Apesar de tudo, também não é esta a minha igreja preferida em Barcelona... Quiçá passemos lá no próximo artigo.

 

Saímos da catedral e eis que chegamos à Plaça del Rei, ou melhor, aos vestígios de Barcino, uma povoação romana! Se por fora ficamos com essa sensação, esperem para conhecer o subsolo e as relíquias que por lá se encontram - um dos museus que merece a visita é o "Museu d'História de Barcelona". Também é nesta praça que podem namorar um pouco - pode parecer estranho, mas uma das imagens mais românticas que tive da cidade foi aí mesmo... 

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Ainda andamos pelo centro, ainda estamos rodeados de turistas - algo que em Barcelona é assunto delicado - e ainda nos conseguimos apaixonar por esta cidade, todavia, é também aqui que uma estada mais prolongada nos permite conhecer aqueles recantos aos quais "só" os habitantes de tão bela cidade conseguem ter acesso... E no meio disto tudo, vou voltar ao caminho da "Plaça Sant Jaume" e procurar aquela mercearia familiar que vende um presunto "extremeño" de comer e chorar por mais...

 

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Um Sírio em Český Krumlov...

por Robinson Kanes, em 18.04.18

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Fonte da Imagem: própria

 

Estava uma tarde de frio, de um frio aconchegante, longe daquela intensidade que nos congela os ossos quando a Boémia decide testar os limites do sofrimento humano. A baixa temperatura, associada ao tempo nublado, convidava a uma entrada na "ilha" e a uma das suas praças onde, numa pequena feira de Natal, se poderia comer uma carne assada ou então o tradicional  "trdelník".

 

Não sentimos a simpatia dos vendedores daquela praça, ou talvez esse espírito não estivesse em nós, afinal já eram quase 300 quilómetros desde Bratislava. Procurámos por esse espírito ao longo das ruelas de uma das belas cidades do centro da Europa e foi numa pequena loja que parámos para vencer a fome. Por fora, uma loja simples, sem grande história, colorida mas confundindo-se com todas as outras. Quase que numa espécie de desespero entrámos, afinal já estávamos outra vez perto do rio Moldava, o mesmo que atravessa Praga.

 

Lá dentro, um pequeno espaço onde o "kebab" era rei. Um balcão sujo para comermos de pé, uma mesa com duas cadeiras, bebidas de um supermercado low cost dentro de um frigorifico de self service e as paredes com um sem número de fotografias com monumentos milenares que chamaram a minha atenção. Por momento dei comigo na Turquia e pelo médio-oriente.

 

O empregado era árabe. Numa primeira abordagem apresentou-se mais fechado mas rapidamente abriu o sorriso às nossas perguntas. Disse-nos que nos havia confundido com húngaros e daí a sua reticência em arriscar um comportamento mais expansivo. Falámos muito de Marrocos, da presença dos árabes em Espanha e Portugal e da nossa paixão pela Turquia - isto até ter indagado que duas das fotografias eram de Palmira. Foi aí que percebemos que não estávamos perante um turco mas sim perante um sírio que tinha fugido da guerra.

 

Enquanto comíamos um kebab, e também enquanto o sírio ia brincando, mexendo com as mãos na alface e na cenoura do balcão que albergava as cubas com que ornamentava a iguaria da casa, ficámos a saber mais sobre as suas origens - a família que vivia na Síria, alguns em Aleppo e outros próximos de Palmira - foi neste intervalo que pudemos ver fotografias de Palmira completamente destruída, fotografias reais, daquelas que não surgem nos jornais mas nos olhos trágicos daqueles que sempre viveram naqueles territórios, fotografias actualizadas que, depois comparámos em nada tinham a ver com as últimas que haviam chegado aos media.

 

Apesar de alguma tristeza que os seus olhos não conseguiam disfarçar, o sírio mostrava-se optimista no seu sorriso humilde. Fazia perguntas acerca de Portugal e de como poderia lá montar o seu negócio - respondemos que não era fácil e de como o nosso país também não era tão atraente como se vendia nos postais turísticos. Foi aí que levantou os olhos, sorriu, estendeu as mãos para a alemã e disse: "mas vocês têm paz".

 

Mas nós temos paz, de facto. Dei comigo a pensar no que seria pior, se enfrentar toda uma máfia que prolifera no nosso país ou se, realmente, deitar-me sem saber se no dia seguinte acordaria tal o estrondo das bombas à minha volta. Pensámos ambos em como era morrer sufocado por gases tóxicos, como era ser atingido por uma bala perdida enquanto se vai comprar algo para comer no intervalo em que também as peças de artilharia precisam de respirar antes de debitarem o seu fogo.

 

Para aquele Ser, pessoas como Assad,Obama, Trump e Putin eram todos terroristas, pouco diferentes de um Estado Islâmico. Para aquele Ser, qualquer um deles podia acabar com a guerra num minuto mas não era essa a sua vontade nem o seu interesse. Perguntei como era possível que o Presidente de um país ordenasse um ataque químico como de Ghouta em 2013 e que matou milhares de compatriotas - hoje, quando muitos partidos políticos, facções e pseudo-personalidades falam de mentira em Douma e tentam também influenciar e tirar proveitos dessas declarações, é importante fazer recuar as mesmas uns 5 anos e perceber que nada disto é novo e que esse arsenal químico existe e é utilizado! Perguntei e o sírio baixou ainda mais os olhos, não me respondeu - optei por não desenvolver o assunto.

 

Pedi um copo para despejar o refrigerante que tinha tirado do frigorífico. De entre vários copos, pois consegui apreciar a procura, escolheu o mais limpo. O copo mais limpo que levou a que a "alemã" arregalasse os olhos tal era a gordura que envolvia o mesmo, muito por culpa de uma má lavagem. Não era novo para nós, despejei algum refrigerante e bebi, não seria de bom tom beber pela garrafa. A conversa continuou e ficámos a saber o destino, à data, da irmã e do irmão daquele indivíduo... Dos sobrinhos... Da restante família... Ficámos a conhecer os rostos e aqueles olhares, apesar de tudo... Felizes. Estarão ainda vivos?

 

Entrou um checo, conhecido já do proprietário do estabelecimento. Cumprimentou, assistiu um pocuco à nossa conversa, sorriu... Sorriu bastante e em checo disse algo como "volto mais tarde". Deve ter pensado que eu era árabe, sobretudo porque entrou no momento em que eu dizia também ter esse sangue e orgulhar-me desta mescla de culturas em que nasci e cujos meus genes não me deixam mentir.

 

Como bom árabe, ofereceu-se para nos fazer um café. Café de cafeteira, como tem de ser entre seres que partilham esse "maldito" sangue! O café veio prolongar a conversa e permitir que numa cidade Património da Humanidade, mais que construções e um sem número de património material, o verdadeiro Património da Humanidade, indestrutível e rico estava ali, naquelas pessoas que conversavam. Gostámos da cidade, mas sem dúvida que a grande recordação que de lá temos foram estes momentos onde o frio da Boémia foi vencido pelo calor de uma boa conversa, de uma amizade, do conforto da troca de laços. O aroma de um café que não era brilhante mas carregado de amizade, perseguiu-nos até ao adormecer.

 

Chegada a hora de pagar, indaguei do valor do café, erro crasso e que já não deveria permitir a mim mesmo. Reparei que o sírio quase que ficou ofendido, tendo eu, sido obrigado a dizer que estava demasiado ocidentalizado e ele que me perdoasse o facto de me ter deixado levar por aquela lógica. Quebrámos o gelo, e antes de sair, entre um forte abraço, olhámos mais uma vez aquelas fotografias e o sírio... Queríamos levar aquele momento connosco e sem qualquer suporte digital afinal, dia menos dia iria desaparecer - queríamos registar aquele acontecimento no melhor disco rígido do mundo e assim o fizemos.

 

Não vou falar dos ataques dos últimos dias, mas não posso deixar a revolta que sinto ao, num dos países que mais me apaixona naquela região, a par do Líbano, ver e ouvir o que vejo. Revolta-me que tenha de assistir a uma matança que ninguém percebe muito o porquê, que tenha de assistir a um ditador que não hesita um segundo em matar todo o seu povo, seja de que forma for! Sugiro, aliás, que se matem todos os sírios e que fique Assad e a sua legião a governarem um país vazio e que não alimente as vidas de luxo que este e a sua família não hesitam em ostentar... Tudo isto enquanto cartuxos de gás matam o seu povo e tornam, como dizia Gabriel Garcia Márquez,  invisíveis todos aqueles que morrem, porque é esse uma das faces da fatalidade.

 

Entretanto, em Český  Krumlov, espero que o sírio continue a mostrar as fotografias da família com um sorriso nos lábios e um brilho nos olhos e não com as lágrimas de quem já só pode contemplar aqueles rostos numa fotografia.

 

 

 

 

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Da última vez não resisti ao local das grandes multidões, daquela "Rambla" que nos contagia mas que vai perdendo alguma da sua autenticidade. O "Barri Gòtic" é, talvez, uma das melhores alternativas, embora, também aí, não possamos fugir dos turistas que, apesar de tudo dão um colorido especial à cidade.

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Combinei um ponto de encontro na "Font Canaletes" para descermos até à "Ronda Litoral", mas vamos fugir à fila das massas e penetremos no Barri Gòtic onde, enquanto descemos a "Rambla", sugiro que viremos à esquerda antes de chegarmos à "Plaça del Teatre" - é aí está um dos locais que, para mim, é dos mais belos de Barcelona! Dizia muitas vezes aos meus amigos catalães e não só, que aquela praça sempre cheia de vida me fazia lembrar o sul de Espanha, as praças de Andaluzia - a praça foi inspirada, contudo, nas praças parisienses.

 

Perco as vezes que, com a "alemã", por lá tomávamos uma bebida ou simplesmente nos sentávamos junto à fonte assistindo ao movimento nocturno, às gargalhadas e ao deambular dos empregados de mesa procurando encontrar clientes - admito que é o meu cantinho andaluz em Barcelona e que me custa sempre deixar nas visitas que se seguem à minha permanência na cidade. Finalmente, também nesta praça, Gaudí teve mão ao desenhar os seus candeeiros.

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Com a "Artiliana" da banda de Barcelona Gipsy Balkan Orchestra nos ouvidos, já estamos perto do "Palau de la Generalitat" e do "Ajuntament", por isso nada como caminhar para uma outra praça, mais administrativa mas igualmente cheia de gente: a "Plaça de Sant Jaume". Pelas vielas até lá, não convém esquecer de comprar presunto ibérico, queijos e outras iguarias espanholas em algumas mercearias antigas que ainda sobrevivem. E porque não parar na "tasca" mais feia, mais pequena e com mais mau aspecto e deixar que os petiscos dispostos em cima do balcão alimentem o nosso desejo de comer após umas boas caminhadas... Daí até ao "Mercat Sta. Caterina" não faltam desses recantos. Confesso que um dos meus favoritos era bem perto da "Plaça de Sant Jaume" numa transversal à "Carrer de Ferran", mas só lá indo convosco, consigo precisar a localização e assim vos deixar saborear um frango bem temperado ou uma "Paella" de rua como não há igual.

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Aqui fervilham os habitantes e os visitantes que se deixam contagiar pelas compras ou então por um bom gelado que, em qualquer altura do ano, sabe sempre bem por estas paragens. Percorrer todos estes recantos é sem dúvida uma das melhores opções em Barcelona, onde a cidade se fecha entre edifícios antigos e permite que em cada rua e ruela as vozes circulem de um modo e com uma entoação que só encontramos nas cidades espanholas.

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Parece pouco, mas estar em Barcelona não é ir do "ponto A" ao "ponto B" é viver uma experiência em cada recanto, é apreciar as gentes que se confundem entre o cosmopolita e o periférico, entre o ocidente e África, uma metrópole do sul com características únicas que não se resumem a monumentos, espaços culturais ou restaurantes e cafés.

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Deste modo, onde combinamos para a próxima? Que tal em frente ao "Museu Miba"? Os rincones mais religiosos esperam por nós...

 

Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

 

 

 

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Rent-a-Car... Cuidados a ter...

por Robinson Kanes, em 28.03.18

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Fonte da Imagem: https://www.scamalert.sg

 

É com alguma frequência que me desloco a Itália, e de facto, existem situações que já não encaramos como mero turista em lazer ou negócios que se desloca a primeira ou a segunda vez a um país e tem uma má experiência, uma situação isolada. Esta situação é comum em muitos países, no entanto, nunca tive problemas com rent-a-car, sobretudo na União Europeia mas... em Itália, é sempre um dilema. Aí, o maior padrão está em algumas situações que são de extrema fraude, que toda a gente sabe que existem mas que parecem não ter eco no respectivo país.

 

Também não fosse já ter conhecido excelentes profissionais nesta área, seria obrigado a dizer que um dos requisitos é a falta de educação, o total desinteresse, e em alguns casos, a brutalidade com que os clientes são tratados. Se existe indústria que só utilizo porque tem mesmo de ser, é esta!

 

Em Itália, não são raras as vezes em que os carros são entregues sem serem vistoriados! Aqui, sugiro que vistoriem sempre os carros no interior e no exterior, aquando do levantamento – inclusive jantes e pára-choques por baixo! Procurem, inclusive, pelo pneu suplente, triângulo de sinalização, correntes de neve (se incluídas ou obrigatórias) e até os coletes! Tirem fotografias e chamem alguém, se necessário, para sinalizar essa situação. Os problemas que vão ter no acto da entrega começam logo por aí, sobretudo se a entrega for feita num aeroporto, onde são muitas as companhias que jogam com a “pressa” dos clientes.

 

E é aqui, à entrega, que podemos ter todo o tipo de problemas, desde férias estragadas até problemas com a vossa empresa. Um dos problemas/situações mais comuns são as “amolgadelas” por baixo do carro, junto às cavas das rodas. Não são raras as situações em que vos é entregue um carro com essas zonas sujas, ocultando assim riscos nas jantes e amolgadelas por baixo! Em muitas situações, vão perceber que, indivíduos menos treinados na arte da fraude, vão directamente a esses locais – vão logo visualizar por baixo do carro algo quase invisível, por vezes, quando nem viram o resto do automóvel.

 

Alguns colegas já me informaram – e também tive oportunidade de pesquisar na internet – que muitos destes danos na carroçaria são propositadamente provocados com o chamado “macaco”, o elevador do carro em caso de furo. Desta forma, um simples aluguer pode custar-vos uma autêntica fortuna. Deste modo, o ideal será seguir alguns destes conselhos:

 

  • Verifiquem sempre a viatura antes de levantar a mesma – pneus, jantes, carroçaria exterior (inclusive por baixo) pára-choques, faróis, vidros, antena, cavas das rodas, interior (estofos, bagageira, porta-luvas, por baixo dos bancos).

  • Tirem fotografias e, se possível, datem-nas.

  • Cuidado com a luz – pela noite é mais difícil encontrar danos, mesmo quando sob iluminação, por causa dos reflexos – o mesmo acontece quando está muito sol.

  • Se possível, tentem alugar em companhias multinacionais – poderão não ter sorte, mas a abordagem é diferente, e além disso, têm mais escritórios, inclusive em Portugal, onde podem apoiar-vos na resolução de eventuais problemas. As multinacionais têm também políticas de apoio ao cliente mais desenvolvidas.

  • Em caso de fraude, chamem sempre a polícia e envolvam as autoridades competentes para este tipo de situações.

  • Leiam com muita atenção tudo o que assinam – aqui é importante fazer o trabalho de casa.

  • Leiam os documentos de entrega da viatura e não assinem nada sem ler com atenção, mesmo que vos digam que os valores, apesar do suposto dano, não vão ser cobrados sem o vosso consentimento – muitos destes documentos escondem nas entrelinhas que assumem o dano.

  • O condutor também causa danos, o ideal é sempre ter um seguro completo, contra todos os riscos – isso evita muitos problemas.

  • Existem empresas que aplicam custos quando não adquirimos o seguro directamente com as mesmas, cuidado com estas situações.

  • Apelando ao bom senso, se sentirem que poderão estar a ser alvo de uma fraude, contactem imediatamente o V/banco e apresentem uma reclamação ou cancelem quaisquer débitos no cartão de crédito.

  • Levem sempre a documentação solicitada – cartões de débito raramente são aceites e o cartão de crédito tem de estar no nome do condutor principal.

 

Todo o cuidado é pouco, sobretudo em países onde este tipo de práticas é comum e que acabam por manchar a imagem de toda uma indústria.

 

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