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Lille: A Rainha da Flandres Francesa

por Robinson Kanes, em 30.11.20

vielle bourse lille.jpgImagens: Robinson Kanes

 

O pequeno-almoço em Paris começa cedo... É hora de calibrar e preparar os cerca de 230 km até Lille. É preciso precaver as paragens em Arras e Lens e claro, a mítica chegada, já depois da capital da Flandres francesa, a Roubaix. Para os amantes de ciclismo, de carro ou de bicicleta, todos perceberão a importância de uma viagem Paris-Roubaix.

 

Duzentos quilómetros com mil e uma paragens levam-nos a chegar ao anoitecer, sendo que, encontramos uma Lille bastante animada e o milagre de ficar mesmo no centro e ter um lugar para estacionar. Temos também a sorte de passar pela Rue de Gand, uma das mais animadas da cidade e onde está o "Chez la Vieille". Um restaurante apetecível, inclusive no preço. Sempre repleto de comensais, com empregados e clientes simpáticos e manjares deliciosos, onde só as batatas fritas podem provocar algum dano. Cerveja artesanal em abundância e um início de noite perfeito, até porque, estando na Rue de Gand, as cervejas não se ficam por um só sitio. Lembrei-me deste espaço, afinal também ele um monumento da cidade, não só pela comida mas também pela decoração e animação.

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A noite prolonga-se e o dia seguinte implica uma visita a um dos mais importantes (e um dos primeiros) museus de França, o Palais des Beaux-Arts de Lille.  Belas artes, onde lá voltamos a encontrar Rodin, a grande tendência desta aventura que nos acompanha desde Caen. Uma visita à Casa-Museu Charles de Gaulle e temos a manhã completa, sendo que é possível que um pequeno-almoço seja demorada na medida em que o pão, o queijo e o vinho são qualquer coisa... E ainda bem que não me lembro da queijaria no centro que... Enfim, é melhor nem ir por aí...

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Lille, ao contrário do que esperávamos, é uma cidade enérgica, inclusive culturalmente, pelo que também a visita à Ópera não podia faltar. Temos assim tempo para percorrer o centro, nomeadamente La Grand'Place e a Vielle Lille. Todavia, existe apenas um problema... Cuidado com o cartão de débito. Sacos carregados de queijos, pão, livros e enchidos, uma bagagem de porão bem apimentada... Pequenas lojas, bem arrumadas e simpáticas, os edificios antigos e tão característicos da Flandres fascinam-nos. As cores, pequenas esplanadas, tudo se conjuga na perfeição e onde o dia não pode terminar sem apreciar duas das mais belas e imponentes estruturas das cidade: o Hôtel de Ville (câmara municipal) e o seu "Beffroi" (torre sineira). E como não poderia deixar de ser, o colorido e mais pitoresco edifício da cidade, o Palácio da Bolsa ("Vieille Bourse"). Temos a sorte de poder adquirir alguns livros antigos no mercado de velharias que se realiza no claustro. 

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Gostamos de Lille e vamos sair da cidade com uma boa dose de calorias, sendo que, não contentes com isso, ainda importamos algumas delas para consumo em Portugal. A noite aproxima-se e depois da amizade do dia anterior, voltamos à Rue de Gand, para nos perdermos no "Chez la Vieille". Hoje as cervejas descansam e aproveitamos para um passeio nocturno, está muito calor para as habituais temperaturas da Flandres. O centro fica ainda mais belo, mas o sono já nos começa a atacar depois de tantos quilómetros de estrada. 

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Chegamos ao nosso último dia na cidade... A prioridade será  absorver a transformação de Lille que se está a modernizar fortemente. Uma cidade sustentável que quer ser a grande metrópole fronteiriça (Euralille). Percorremos a novas construções, muitas delas ainda em tosco e acabamos a manhã no Les Halles de Wazammes. No interior não encontramos propriamente um mercado muito barato, e no exterior... No exterior é uma viagem ao Norte de África. É um mercado de imigrantes, e segundo alguns, um espaço apetecível para carteiristas. Sendo que em França e na Argélia "sou" argelino", na Turquia "sou" turco, no norte de África nem sei e no Irão "sou" iraniano, acabei por não sentir grande risco e a alemã também não. Cá fora os produtos são mais baratos e depois de, mesmo em frente ao mercado termos visto um pequeno restaurante gerido por árabes com mais um sem número de argelinos agarrados a uns belos pitéus, não resistimos... Comida óptima, um acolhimento formidável quer pelos proprietários quer pelos clientes e ainda cozinheiras de uma extrema simpatia. Fabuloso... E mais duas horas à conversa!

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Por pouco, não esquecemos do nosso passeio pelo Parc de la Citadelle e os seus fabulosos 110ha entre arvoredo e o Deûle. Um dos passeios mais interessantes na cidade, não só pela oportunidade que temos respirar um pouco de ar puro, visitar o Zoo de Lille e encontrar muita gente que aproveita este espaço ao máximo, seja em terra seja no próprio rio que nos dá algumas vistas fantásticas. Apreciamos mesmo este momento, um verdadeiro embalo de calma e tranquilidade antes do regresso... Pelo caminho de regresso ainda conseguimos para no Jardin d'Arboriculture Frutiere e no Palais Rameu... Fantástico!

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É fascinante... juntar toda esta flora e fauna num parque dentro de uma cidade agitada mas ao mesmo tempo com a sua pacatez do Norte de França. Lille foi uma das grandes surpresas desta longa jornada, até porque já havíamos andado por perto, inclusive a atravessar a fronteira para a Bélgica e nunco nos detemos perante esta pérola de inegável beleza, qualidade de vida e sustentabilidade.

 

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Respirar Saint-Germain-des-Prés e o Sena...

por Robinson Kanes, em 13.11.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Era Victor Hugo quem dizia que respirar Paris era das melhores coisas que se poderia fazer para cuidar da alma...

 

Pois assim é... Um dia preenchido pela frente, além de que os passeios junto ao Sena são sempre uma obrigatoriedade, mesmo enfrentando alguns indivíduos que deixam cair um anel, perguntam se é nosso e depois tentam vender-nos por um bom preço alegando que se trata de ouro. E assim foi, contudo, não tentando repetir o último que praticamente acabou em Créteil.

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Saint-Germain-des-Prés sempre ali presente, sempre com o seu habitual glamour que atravessa séculos e que nos traz de volta para romances, peças de teatro e composições únicas que nos transformam a cada viagem àquela cidade. Estranhamente, talvez por ter sido um dos meu primeiros contactos com Puccini, tenha sempre esperança de encontrar Mimi; Rodolfo; Marcello; Colline; Schaunnard e Musetta a deambular pelas ruas. Espero mesmo encontrá-los e poder juntar-me num qualquer café daquela zona e beber a Murger, Puccini; a "La Bohème" sem esquecer Illica e Giacosa. 

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Paris consegue ainda conservar muito daquilo que a torna para muitos a capital do Mundo. Atravessar o quarteirão das Universidades é deambular por muito do conhecimento que ainda hoje transforma o Mundo, é sentir o Maio de 68, sobretudo por quem nunca o viveu e só o conheceu nos livros de História e Política. O Maio de 68, que grandes e acesas conversas já permitiu ter num pequeno café, junto a uma praça perto da sede da UNESCO. É também por aqui, antes de chegarmos aos "Jardins de Luxembourg" que temos talvez umas das mais belas vistas (embora distante) da "Tour Eiffel".

 

O sol convida a que apreciemos este passeio, até os corpos aquecerem e refugiarmo-nos nas sombras ou no Panteão. Hesitamos... Voltamos lá? Continuamos, este Paris soalheiro não pode ser desperdiçado e temos falta de um almoço... Escolhemos um que nos recomendou um polícia (na ausência de camionistas, os polícias e os taxistas sabem sempre onde se come bem). Como não poderia deixar de ser, não ficámos mal, uns cogumelos, uma carne daquelas e um Bordeaux tinto. 

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Planeamos a tarde... O fim do dia será num banlieue fora de Paris. Um árabe "de Agrigento" que em tempos conhecemos em Orly e que ía para a Sicília convidou-nos para um jantar, pois encontrava-se na cidade para visitar a filha. Timing perfeito! E é neste planeamento que me lembro da "Église de Saint-Denys-du-Saint-Sacrement". Um tesouro escondido, pois é lá que se encontra uma pintura de, e façamos uma vénia, de Delacroix. A "Pietá" em todo o seu esplendor "Le Christ Descendu de la Croix" bem perto de uma sala também interessante a "Comédie Bastille" e de mais uma das surpresas "escondidas" de Paris, o "Musée Cognacq-Jay" onde descobrimos o "Banquete de Cléopatra" de Tiepolo.

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E caramba, como o sol em Paris pode queimar verdadeiramente, já não precisamos de Biarritz nem tão pouco de Saint-Tropez, Paris encarrega-se de nos queimar a pele...  É hora de partir, o Hassane está à nossa espera e ainda nos deixa tirar uma fotografia da lua, fora das luzes da cidade do Sena.

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At Montparnasse with Rodin, Sartre and Donizetti...

por Robinson Kanes, em 09.11.20

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Photos: Robinson Kanes

 

 

A gesture, an event in the small colourful world of men is never preposterous except in relation to the facts that go with it. The words of a madman, for example, are absurd in relation to the situation in which he finds himself, but not in relation to his delirium.

Jean Paul Sartre, in "Nausea"

 

It's not Paris-Marseille, but it could be. We leave behind Normandy and Brittany and many days of asphalt, land and sea. After the Portuguese coffee by the road, we arrive in Paris. Getting to Paris is always that glamorous feeling, whether by plane, train or road, even if the hours in line can be endless, which was not the case this time. Paris is part of our lives, the fascination of our parents for the city, for France and also for the many business or leisure trips that have already brought us here. Talking about Paris is to reproduce everything that has already been said.

 

This time, we stayed right in the centre, a small stop of three days before heading to Lille and French Flanders. A tour full of new stops, so we need to be chilled out. But.. in Paris? Come on... A couple of dinners at Marais and a few gatherings at the 7th arrondissement near the Musée Rodin. Who takes a rest? Perhaps, and as everything in Paris will be said, this could be the motto to approach one of the favorite sculptors for any art enthusiast.

rodin.jpgTo pass anywhere and to vibrate when one identifies a work of this sculptor is already something, and get into a property where the gardens and the building are flooded with Rodin's works, is to enter the paradise. A nice garden and a small "palais" keep some of the greatest treasures of Humanity and allow us to be seduced by Rodin. How is it possible? How can anyone...

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The museum is not that big, but the tour can last an eternity, and it has not yet reached the 7 hours we stayed in the Prado and the 6 in the Louvre. It's sunny, we took the opportunity to go down to the garden and get some fresh air... To think that museology in Paris is the Louvre is one of the biggest mistakes you can make when you have in the same city the Musée Rodin, the Musée Picasso, the beautiful and thrilling Musée d'Orsay, the ravishing Musée Delacroix and so many others that you could list and that include many small galleries that ravish us with all their artistic magnificence.

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And in the midst of all this pseudo-intellectualism, what I feel most like is a taste of the Pont l'Évêque which we still have with us and which in the hotel they were kind enough to preserve ( I know, but in France asking for cheese is the same as in New York asking for a diamond) and also adding a Breton cider. Let the "The Thinker" to join us - to come down from the pedestal and join us while between a "mais non" and a "si, mais" we can question nowadays world? Today we would have many questions for that bronze gentleman.

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Before leaving, we took advantage of the views of the Hôtel des Invalides... Paris, like Rome, would force a human being to have a 360º view to enjoy all that the landscape offers him. It is a fascinating place, where we can feel the energy and strength that comes from there and even more when we cross the entrance. 

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It's lunchtime, we want to discuss everything we've seen, we want to debate what we've just witnessed, besides the passion for Rodin. We walk around and Montparnasse feels like it. That's where we stay... A Moroccan restaurant, "Chez Berberett", with friendly waiters and nice guests in the terrace comes to us as a good option... It does not disappoint us, and in Montparnasse, it is easy to eat poorly and pay a lot, despite some restaurants that are a reference.

 

Time goes by, and Rodin is left behind... The waiter, an extremely kind Moroccan who seems more like a Norwegian, initially questioning whether I was Algerian, realizes that I am Portuguese and we start talking about History. He remembers D. Sebastião and D. João I. So much history to realize that we share so much, including the genes... Rodin is left behind, overtaken by anthropology, history and biology.

 

Well settled by the delicacies of North Africa, we decided to go to pay tribute to some illustrious people who rest nearby, before meeting Donizetti and his work "Don Pasquale" at the "Palais Garnier".

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Before we left, we meet with Sartre and Beauvoir... We talk about Camus, we talk about existentialism although forgotten today is still so actual, a real lesson of Humanity. The cemeteries comfort us, we feel safe... It is as if the dead protected us from the living and where we can also spit on the graves of those who should not even have trod the earth, perhaps because wisdom only reached them when it was of no use, as Garcia Márquez would say.

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We walked through the streets... We walked along the Seine and the time came for "Don Pasquale"... The time has come to let ourselves be carried away by the love of Ernesto and Norina...

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Em Montparnasse com Rodin, Sartre e Donizetti...

por Robinson Kanes, em 06.11.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Um gesto, um acontecimento no pequeno mundo colorido dos homens nunca é absurdo senão relativamente em relação às circunstância que o acompanham. As palavras de um doido, por exemplo, são absurdas em relação à situação em que ele se encontra, mas não em relação ao seu delírio.

Jean Paul Sartre, in "A Náusea"

 

 

Não é Paris - Marseille, mas poderia ser. Para trás fica a Normandia e a Bretanha e muitos dias de asfalto, terra e até mar. Depois do delta à beira da estrada, chegamos a Paris. Chegar a Paris é sempre aquela sensação glamourosa, seja de avião, comboio ou por estrada, mesmo que as horas na fila possam ser intermináveis, o que, desta vez, não foi o caso. Paris faz parte das nossas vidas, o fascínio dos nossos pais pela cidade, pela França e também pelas muitas viagens em trabalho ou lazer que já nos trouxeram aqui. Falar de Paris é repetir tudo aquilo que já foi dito.

 

Desta vez, ficamos mesmo no centro da cidade, uma pequena paragem de três dias antes de apontarmos a Lille e à Flandres francesa. O périplo promete, com mais paragens e por isso é preciso estar fresco. Mas ficar fresco... em Paris? Só se for o tempo e nestes dias com temperaturas acima dos 30º e em alguns casos alternadas com grandes chuvadas, não foi propriamente para se descansar. Os jantares no Marais e os convivios no 7.º arrondissement perto do Musée Rodin ocuparam as noites e os dias... Quem é que descansa? Talvez, e como de Paris estará tudo dito, possa ser este o mote para abordar um dos escultores predilectos de qualquer amante de arte e respectivamente o seu museu que não me canso de visitar.

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Passar em qualquer lado e vibrar quando se identifica uma obra deste escultor já é qualquer coisa, entrar numa propriedade onde os jardins e o interior do seu edifício está repleto de obras de Rodin, é entrar no céu. Um simpático jardim e um pequeno "palais" guardam alguns dos maiores tesouros da Humanidade e permitem que nos embriaguemos com Rodin. Como é possível? Como é que alguém...

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O museu não é grande, mas a visita dura uma eternidade, sendo que ainda não atingiu as 7 horas que ficámos no Prado e as 6 no Louvre. Está sol, aproveitamos para descer ao jardim e apanhar um pouco de ar... Pensar que museologia em Paris é o Louvre, é um dos maiores erros que se podem cometer quando temos na mesma cidade o Musée Rodin, o Musée Picasso, o belíssimo e riquissímo Musée d´Orsay, o arrebatador Musée Delacroix e tantos outros que poderia enumerar e que incluem muitas pequenas galerias que nos arrebatam com toda a sua grandeza artística.

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E no meio de toda esta pseudo-intelectualidade, aquilo que mais me apetece é abrir o Pont l'Évêque que ainda temos connosco e que no hotel tiveram a amabilidade de preservar (parolo, eu sei, mas em França solicitar a guarda de um queijo é o mesmo que em Nova Iorque solicitar a guarda de um diamante) e ainda juntar-lhe uma sidra bretã. Chamemos para se juntar a nós "O Pensador" - para descer do pedestal e juntar-se a nós enquanto entre um "mais non" e um "si, mais" pensamos o Mundo... Hoje muitas perguntas teriamos para aquele cavalheiro de bronze.

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Antes de sair, aproveitamos as vistas para o Hôtel des Invalides... Paris, como Roma, obrigaria um ser-humano a ter uma vista 360º para aproveitar tudo aquilo que a paisagem lhe oferece. É um espaço fascinante, nunca nos apaixonou como outros, mas sentimos o peso e a força que de lá emana e mais ainda se sente quando cruzamos a entrada. 

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É hora de almoço, queremos debater tudo aquilo que vimos, temos vontade de discutir aquilo que acabámos de presenciar, além de que a paixão por Rodin, na Alemã, é qualquer coisa... Caminhamos e Montparnasse apetece-nos. É por aí que ficamos, um restaurante marroquino, "Chez Berberett", com empregados gentis e gente simpática na esplanada surge-nos como uma boa opção... Não desilude, e em Montparnasse é fácil comer mal e pagar muito, apesar de alguns restaurantes que são uma referência.

 

O tempo passa, e Rodin fica para trás... O empregado, um marroquino extremamente gentil e que mais parece um norueguês, inicialmente questionando se eu era argelino, percebe que sou português e começamos a falar de História. Lembra-se de D. Sebastião e de D. João I. Tanta história para perceber que partilhamos tanta coisa, inclusive os genes... Rodin fica para trás, ultrapassado pela antropologia, pela história e pela biologia.

 

Com o estômago bem acomodado pelas iguarias do Norte de África, decidimos ir prestar homenagem a alguns ilustres que repousam ali bem perto, antes de nos encontrarmos com Donizetti e a sua obra "Don Pasquale"no "Palais Garnier" - o tempo não está contado, mas com Rodin e o empregado de mesa, e um jantar entre amigos depois do espectáculo, o dia não poderia ter ficado mais bem preenchido.

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Antes de sairmos, conversamos com o Sartre e Beauvoir... Falamos de Camus, falamos de uma época de pensamento que apesar de esquecida ainda hoje é tão actual, uma verdadeira lição de Humanidade e do que é ser Homem. Os cemitérios tranquilizam-nos, é como se nos sentissemos mais seguros... É como se os mortos nos protegessem dos vivos e onde também podemos cuspir na campa daqueles que nem a terra deveriam ter pisado., talvez porque a sabedoria só lhes tivesse chegado quando já para nada servia, como diría Garcia Márquez.

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Percorremos as ruas desta cidade... Caminhamos junto ao Sena e chega a hora de "Don Pasquale"... Chega a hora de nos deixarmos levar pela força do amor de Ernesto e Norina...

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O Mont-Saint-Michel

Saint-Malo, a cidade pirata

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Saint-Malo, a cidade pirata...

por Robinson Kanes, em 29.10.20

saint_malo_france.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Estamos já na Bretanha... Apressámos a saída do Mont-Saint-Michel porque esta paragem tinha de ser efectivamente bem degustada. As bicicletas também já pedem para sair do carro e percorrer um pouco da Bretanha, assim se fizeram os 51km até Pléneuf-Val-André. Todavia, no périplo em duas rodas, a "descoberta" mais interessante foi sem dúvida o "Cimetière de bateaux de Quelmer" onde repousa mais de uma dezena de barcos abandonados e que dão uma imagem pitoresca da zona, sem esquecer que representam muita da história dos pescadores de Saint-Malo. Temos tempo para ficar, além de que Paris, será o próximo destino - e depois de umas cinco idas em lazer a Paris, cada uma se torna mais especial à medida em que vamos conhecendo mais a cidade. E pensar que a capital de França não me fascinou na primeira visita.

 

Saint-Malo é aquela cidade carregada de histórias e de lendas, não poderia ficar para trás. Para lá da pirataria, estava na nossa memória a difícil tomada (e destruição) aquando do desembarque na Normandia. A fuga dos alemães para a Bretanha e a excelente localização e fortificação da cidade acabaram por tornar Saint-Malo um campo de batalha e com enormes baixas para ambos os lados.

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A chegada a Saint-Malo começa com um crepe. Um lado mais turístico, embora mereça bem a pena antes de um jantar de peixe e frutos do mar, tão valorizados nas costas bretã e normanda. Por falar em lado mais turístico, também não resistimos aos Gwelladous na Maison Guella que já leva 100 anos de existência. O crepe dá-nos alguma energia para percorrermos os quase 2 km de muralhas e apreciar não só a cidade intramuros mas também o mar e as suas praias. Amante de cidades portuárias e portos, não descanso enquanto não volto a abandonar a cidade e a percorrer uma área mais industrial da mesma.

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Mas é impossível ficar fora das muralhas por muito mais tempo, é preciso não deixar fugir a alma de Chateaubriand que vive ainda encarcerada na Grand Bé. A Grand Bé e Petit Bé são as duas ilhas que confrontam a cidade e que nos colocam a imaginar os tempos em que piratas atacavam e defendiam a cidade ou, regressando aos tempos modernos, visualizar os soldados alemães no desespero a disparar peças de artilharia contra os libertadores da França. Imaginamos a azáfama e o medo pelas ruas românico-góticas e como se terá perdido um património de incalculável valor aquando dessas batalhas. 

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Falamos em batalhas, por isso Fort National (1689) não poderia ficar para trás, é um daqueles pedaços de história e com uma localização única e panorâmica de Saint-Malo e de toda a zona envolvente. É a imagem da cidade corsária, é onde poderá estar bem guardada toda a sua essência, toda a sua história.

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Sentamo-nos... As ruas estreitas e as imponente muralhas amplificam as vozes, a cidade tem vida e convida a viver... O sol está a despedir-se e provavelmente um dos melhores locais para apreciar um dos mais belos espectáculos do mundo, sempre grátis e que se repete todos os dias, é a Plage du Sillon, por muitos considerada a mais bela de França. Todavia, e porque a cidade a isso se presta, não deixamos de percorrer as areias e sentir a fria água na Plage de l´Éventail (com uma vista deslumbrante para o Fort National), na Plage du Môle (com uma vista espectacular para Dinard) e como não poderia deixar de ser, a Plage de Bon Secours com vistas para Dinard e para as ilhas Bé. Dinard, na outra margem do Rio Rance, foi uma das outras posições defendidas pelos alemães quase até ao último homem.

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E como em cidade de piratas, há que ser um Jack Sparrow, nada como devorar as boas iguarias de Saint-Malo e ficar duas horas à convesa com alguém que não conhecemos de lado nenhum mas que parece ter vivido a invasão alemã e depois a libertação, tal é a precisão com que nos relata os factos e fala orgulhosamente deste bastião onde também se destaca Catedral, o "Chatêau" e claro, a Maison des Poètes et des Écrivains - esta última por mero apontamento e curiosidade.

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Vamos descansar, segue-se uma pequena viagem de 400 km com muitas paragens até Paris: em Rennes para estar com amigos, em Laval, Le Mans e Chartres (porque sim) e inclusive num pequeno café à beira da estrada que serve café Delta entre Dreux e Versalles

 

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O Mont-Saint-Michel

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O Mont-Saint-Michel...

por Robinson Kanes, em 21.10.20

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Imagens: Robinson Kanes 

 

Na Foz do Couesnon, reside um dos clássicos de qualquer passagem pela Normandia e pela Bretanha: o Mont-Saint-Michel. Depois de Ponts e de uma longa  aventura carregada de emoções, é preciso descontrair um pouco.

 

O Mont-Saint-Michel é deveras imponente, a longa distância já se mostra em todo o seu esplendor, acredito até que é aí que mostra toda a sua beleza e imponência sempre envolvido numa ténue névoa mágica. Paramos o carro dezenas de vezes até chegar ao destino.

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A baía, é algo de assombroso e só tem 8000 anos (até lá havia estado tudo coberto de gelo). É fantástico... Infelizmente o tempo não nos permite deixar o carro para trás e seguir de bicicleta, temos afazeres em Saint-Malo e queremos aproveitar ao máximo para explorar os "prés-salés" - cobertos pelas marés altas mas que são um marco paisagístico e até agrícola fantástico. Queremos arriscar até atravessar uma parte do estuário e sabemos como isso também pode ser perigoso. Todos os anos é necessário resgatar um sem número de pessoas que não acautelam a subida das marés e só de helicóptero podem ser retiradas. Infelizmente, não estamos no equinócio para apreciar a grande descida das marés.

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É fantástico, é mirífico ouvir e ver todas aquelas aves, porque se as gaivotas dominam a ilha. Se deambularmos pelos campos, encontraremos um sem número de espécies que nos deixarão fascinados.

 

Andamos, percorremos os terrenos movediços (e muita cautela nestes terrenos) e esquecemo-nos que é possível entrar na "fortaleza" e percorrer as estreitas ruelas e visitar a Abadia. Mas torna-se difícil... Mesmo na ilha os nossos olhos procuram tudo aquilo que acontece à volta da mesma e esta transforma-se numa espécie de posto de comando para a observação da Natureza. É maravilhoso...

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Reparamos em algo que havíamos presenciado na infância... Os carros estão afastados o que permite preservar o lugar. Todavia, o interior está repleto de visitantes o que por vezes torna a experiência menos boa, mas temos de aceitar, de facto é um local estratosférico.

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Percorremos as muralhas e não suportamos o peso da arquitectura, pelo que somos obrigados a sair, a voltar a colocar os pés nas areias e a apreciar... Tentamos que o tempo pare, esperamos pelo "tramonto" e não queremos vir embora. A luz da ilha torna-se única e tudo o que a envolve parece começar a adquirir uma nova dimensão. É por aí que ficamos, mergulhados na areia e na água tomando parte num dos mais belos espectáculos da Natureza e da própria vida terrestre.

 

Honfleur, uma cidade portuária

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Normandia: um dia de homenagem

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Normandia: um dia de homenagem

por Robinson Kanes, em 30.09.20

american_cemetery_normandy.jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

A morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente

Aristóteles, in "De Anima"

 

Deixamos Bayeux e voltamos para trás, para perto da memorável "Juno Beach", mais precisamente para Courseulles-sur-Mer. É aqui que o carro descansa e as bicicletas descem do tejadilho. Entramos em modo "Tour de Normandie" e procuramos ir ao encontro de alguns dos locais que durante anos, permanecem na nossa memória devido à grande invasão. Daqui em diante e antes de apontarmos ao Mont Saint-Michel vai ser a pé e sobre duas rodas.

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Começamos com uma deslocação de cerca de sete quilómetros, até ao Cemitério Canadiano de Bény-sur-Mer. e que é o repouso dos primeiros mortos canadianos no Desembarque - o de Bretteville-sur-Laize ficou para os que morreram nos momentos posteriores. Mesmo à beira da estrada e já se sente o peso da História, o peso da morte. A primeira sensação? Tantos mortos e este é só o primeiro... Tantos miúdos no chão que morreram em nome da libertação da Europa, em nome de um mundo que nunca mais seria o mesmo... Sentimo-nos cobardes por não termos mantido esse mundo desejável e que lhes custou estupidamente a vida - e este nem é um dos maiores jardins de pedra. Respira-se fundo, ouve-se o vento entre as árvores, faz-se uma revisão da matéria e leem-se as mensagens que encontramos em cada lápide.

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Damos connosco a perceber que já passou mais de uma hora e ainda há tanto para sentir, algo sem aparente explicação... É hora de partirmos, regressarmos para perto de "Juno Beach" e prestar também aí a nossa homenagem junto do memorial e também da primeira casa a ser conquistada naquele dia fatídico e mortífero. 

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Torno-me repetitivo, mas de facto, acabo sempre a pensar, para quê? Será que, à semelhança do que fazemos com os acidentes de viacção, onde muitos juízes condenam os culpados a visitar hospitais, particularmente com as vítimas dos embates, não deveríamos fazer isto com aqueles que parecem esquecer o passado? 

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As praias são isso mesmo, praias, é preciso fechar bem os olhos, ter presente a História da invasão e voltar a esses tempos, caso contrário será mais difícil, mesmo sentido os ares que nos chegam da Mancha. Temos de prosseguir, o nosso destino em duas rodas será o cemitério alemão de "La Cambe" e antes ainda temos de voltar ao Cemitério de Guerra em Bayeux.

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Pelo caminho, um destaque e paragem obrigatória no Cemitério Americano em "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Até lá, museus e memoriais não faltam, as praias e aquelas região, mesmo à entrada de algumas vilas, não esquecem aqueles que tombaram pela França e pela Europa. Mas temos de parar em Colleville, os Americanos sabem honrar os seus e de facto, este cemitério, é um verdadeiro monumento, uma grandiosa homenagem aos mortos em combate que atravessaram o Atlântico e depois o Canal da Mancha e tombaram em solo francês.

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O número de mortos é imenso, o espaço é imenso e o contraste entre a beleza e o cuidado do local com aqueles que ali jazem é qualquer coisa. Procurou-se criar o paraíso para que aqueles soldados ali possam descansar, bem nas colinas que dão para a praia onde muitos tombaram. A quietude do espaço, a forma como tudo está cuidado (melhor que em muitos palácios), o silêncio... Olhamos novamente o mar que trouxe todos estes corpos para a terra, um Atlântico atravessado, para depois se ultrapassarem as águas da mancha e morrer em nome de todos nós. Vida triste, não podermos reconhecer estes jovens e mesmo os mais velhos, a lágrima... O pensamento a caminhada entre cruzes de Cristo e de David não bastam, deixam-nos impotentes e desarmados. Ficamos a engolir em seco, saímos a engolir em seco. Pensamos no hoje e até no amanhã, pensamos em todos os cemitérios como este e que não existiram... Perguntamos, para quê?

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Prosseguimos... É hora de prosseguir, mas depois daquele dia, não mais somos os mesmos... Depois daquele dia, já adultos e sem a magia que ser criança nos provoca ingenuidade, nunca mais olharemos aquela costa depois deste regresso.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

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Uma jóia normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 25.09.20
 
 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar cenários de conflito desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO, sobretudo pelos seus tapetes.

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

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Honfleur, a fishing town...

por Robinson Kanes, em 24.09.20
 
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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

My passion for these towns is more than obvious... Throughout my childhood and adolescence (and why not... adult age) the sea was always there. Having a part of the family connected to the sea it is natural that genes are playing their role here.

 

Honfleur, although not a colossus, is that city where the Seine meets the English Channel and, according to some (i.e. me), where that river loses all that romanticism, which some (i.e. me) do not recognize it. I like, in spite of everything, Honfleur... A quiet town in Calvados, just in the middle of Normandy. A quiet town, with a small bay where we find some leisure boats that contrast with those that work and seek the sea riches of the English Channel. I still prefer it the other way around, but tourism, the cities, and the functionalism of the city itself force this change.

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I love downtown... Being in Honfleur and not enjoying the bars and restaurants by the sailboats is not going to Honfleur - this area is called "Vieux Bassin". However, and knowing Normandy relatively well (for a visitor), I had never been to Honfleur. I like the cafés inside the city, especially the quiet streets, in a different way from being in a port city that ends up being invaded by tourists or was not one of the first tourist attractions for those crossing the English Channel or even entering from the north of France.

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A trading city in the midst of history and one of the most disputed during the Hundred Years War (once again the proximity to England), I am also pleased to be the city where Erik Satie was born - who knows, some of his "Gymnopédies", will not have had any inspiration around here... I don't think so, but that note reinforces a need to visit this city. With a history linked to Impressionism, it is also a city where the plastic arts have their place, I highlight only the "Eugène Boudin Museum" which houses paintings by the artist and also from Monet.

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One of the great attractions, however, is the "Church of Saint Catherine"! Totally made of wood, much because of the naval tradition, it is really a charm for those who like architecture! A wooden church, with the intense smell of old wood and all that particular austerity, is a surprise of those that mark!

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Tired of the smell of wood and of such great wealth, nothing like stopping at the coffee shop near the restaurant "Entre Terre & Mer". Being the same owners, I have to thank the two collaborators who, serving only two expressos, treated us as if we had lobster dinner or other delicacies from that sea so close by - without advertising because I paid the respective two euros for each one.


Finally, and talking about this aspect in a country with such beautiful bridges as Portugal is not exactly fascinating, however, nothing like enjoying the (expensive) views from the "Ponte de Normandie" to the Estuary of the Seine or even from the same river still confined in a shorter space by the "Ponte de Tancarville" - coming from Le Havre, there is no escape.

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Looking for Marcel Proust in Cabourg

The peaceful and firm Caen

Bayeux, a Norman Jewel

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A pacata e firme Caen...

por Robinson Kanes, em 24.09.20

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História, Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a "Église de Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien"

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a "Église de Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

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Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "Église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

 

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Uma jóia normanda: Bayeux

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