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Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

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Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

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Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

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Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

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Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

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llanes_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

De repente, as rodas travam e numa brusca viragem à direita segue-se em direcção ao mar! "Mas porque é que foi esta manobra?" perguntas... Mais um daqueles momentos em que o automóvel deixa o alcatrão e investe por caminhos onde as pedras saltam à passagem dos pneus. 

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Estamos entre Comillas e San Vicente de la Barquera... O dia já vai querendo despedir-se, a chuva ameça cair em força mas chega até nós em modo "molha-tolos". Caminho inacessível! Voltamos para trás, o carro lembra-nos as viagens aos Açores, com as cavas cheias de lama e esterco. Voltar atrás, novo caminho -"não me metas aí o carro" e lá se vai o branco nacarado - e eis que chegámos a uma pequena estrada de alcatrão... Encontramos a igreja, lá no alto, com o seu cemitério, pois sem ele e as suas promessas de vida eterna, arrisca ficar sem clientela.

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Paramos... Contemplamos o mar e os prados da Cantábria, sobretudo quando, mais uma vez, nos vamos despedir deste pedaço de terra... Onde fica a Igreja? Não conto, fica para nós! Mas é uma das melhores vistas da Cantábria!

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Estamos perto de San Vicente de la Barquera e como manda a tradição (a nossa), é preciso parar à entrada da ponte e apreciar o estuário com as montanhas de um lado (já se avistam os Picos da Europa) e o mar cantábrico do outro. Chove ainda, pouco, mas o suficiente para molhar os nossos rostos, o nosso cabelo que já pede uma lavagem. Cuidado, a chuva já não molha só tolos, vai ficando mais grossa... Ficar por ali... Simplesmente ficar a apreciar a ria. É o que mais nos encanta nesta vila piscatória, com o seu castelo e a famosa "Iglesia de Santa María de los Ángeles". Gostamos de estar por lá, descer à praia e beber o ar da montanha em perfeita harmonia com o a brisa marinha.

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As pontes, o colorido das embarcações, os ecossistemas e uma luz (ou falta dela) que nos transporta para aqueles dias carregados em que a ida ao mar é mais atrevida e onde o sustento dos homens da faina pode trazer a morte.

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Apesar de pequena, esta vila é carregada de história, com a sua origem romana (consta) até à ponte de "Maza" mandada construir pelos Reis Católicos, não fosse este um ponto de passagem fundamental entre a Cantábria e as Astúrias

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E por falar em Astúrias, Llanes está perto... É hora de fazer pouco mais de 30 km e partir em direcção às Astúrias. A diferença é reduzida, mas existem pequenos apontamentos que tornam as terras do Principado ligeiramente diferentes da Cantábria.

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Mais uma vila junto ao mar, histórica e com um património invejável! Llanes foi também vila baleeira e hoje o porto é uma pequena amostra do que outrora foi a azáfama naquela terra.

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De destacar a muralha e claro, a "Basílica de Santa María del Conceyu", data do século XII. Também não faltam edifícios de impar beleza como o "Casino de Llanes" e palácios nobres!

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A praia é também um dos atractivos especialmente a "Playa del Sablon". Mas deambular pelo casco antiguo e terminar essa caminhada junto à comunhão do Carrocedo com o mar é algo que não deixa ninguém indiferente. Começar o dia com esse percurso e terminar com uma tortilla de patata enquanto os comerciantes ainda iniciam a montagem das suas bancas é a experiência perfeita para ainda sentir o pulso à vila e imaginar o convívio entre pescadores e agricultores!

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A simpatia da Cantábria também aqui não sofre grandes diferenças e o tardio despertar também não, ou não estivéssemos em Espanha. Llanes é talvez uma daquelas vilas que podem ser o fim e o início de um dia de viagem, a aurora e o crepúsculo! Perder um destes momentos pode levar a que só possamos trazer "metade" da vila connosco.

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E ainda só entrámos nas Astúrias, mas até a "fabada" já tem outro sabor... Sobretudo se confeccionada com os sabores do mar...

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P.S.: Praias? O que não falta são praias! Quem quiser saber mais pode consultar este site e fazer download da APP - lá encontra também uma lista (por comarca) das praias asturianas. É super completa com os itinerários, descrição e infraestruturas entre outras informações muito úteis! Perfeito!

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Venga!

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Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

por Robinson Kanes, em 05.08.19

IMG_0050.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A estrada deve levar-nos directos a Comillas. A A8 (Autovía del Cantábrico) é demasiado rápida para os nossos intentos... A Cantábria traz-nos a recordação da Bretanha e da Normandia até que entre Santander e o destino final esbarramos com Santillana del Mar!

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Voltamos atrás no tempo, além disso, uma sidra já não cai mal, sobretudo se vier acompanhada com uma tapa de morcela de arroz... Santillana del Mar é voltar atrás no tempo, como tantas outras vilas da Cantábria e de Espanha - começa na senhora com perfil de século XIV que nos cobrou o estacionamento. A "vila das três mentiras" (não é santa, não é plana nem fica perto do mar) transporta-nos para uma época distante onde o casario cantábrico salta à vista.

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O turismo é agora, muito provavelmente, a grande alavanca económica da vila, no entanto, a simpatia com que cada um de nós é atendido nas lojas, nos cafés e por todos aqueles que amam a sua vila é de sublinhar, constrastando talvez com os ferozes habitantes de outros tempos que andavam por Altamira, bem perto.

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O grande destaque é a "Colegiata de Santa Juliana" que entre o casario e os campos nos apresenta uma arquitectura singular de influências românico-góticas não datasse a mesma de finais do século XI, embora tenha origens no século IX ("Monasterio de Santa Juliana"). É o mais importante marco românico da região e isso é mais que suficiente para provocar alterações na rota!

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Bem... Isso e trazer dois sacos carregados de "Corbatas de Santillana del Mar", "Quesadas" (que em vácuo aguentam dias de viagem), "Piedras", "Sobaos" e muitas "Palmeras de Chocolate" - basicamente palmiers de chocolate mas com menos açúcar e bem mais... Enfim, saborosos? Este website tem algumas das receitas destes doces tradicionais e o lado bom é que podemos encomendar online! É uma pouca vergonha, admito, mas... Enquanto houver espaço na bagageira e uma praia como a de Santa Justa para destruir, qual monstro das bolachas, os palmiers... Nada a fazer...

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É hora de regressar à estrada e agradecer à senhora de ar medieval...

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Atravessar a verde Cantábria!

por Robinson Kanes, em 01.08.19

san_vicente_de_la_barquera.jpgCréditos: Robinson Kanes e GC

 

 

Castilla y León fica para trás e com ela também a "Provincia de Burgos", entramos agora na Cantábria. É estranho sentir uma certa saudade da aridez de Castilla y León, ou até da Extremadura... Por vezes, temos a sensação que estamos numa paisagem lunar, sobretudo na segunda região. Naquelas terras há algo que me encanta - o cheiro daqueles solos secos, aquele calor que nos faz suplicar por uma pequena brisa fresca. Isso consegue ser fascinante, sobretudo quando matamos a sede com águas do "Valle del Jerte" e tragamos uma fatia de presunto ibérico enquanto admiramos o quadro criado pelo horizonte!

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A Cantábria fecha as portas a essa Espanha e abre-nos um novo mundo, um mundo que desejamos percorrer e onde o verde reina, onde tudo é verde - já pareço Miguel Torga a falar do Minho, onde até o vinho "era" verde. Mas na verdade, entramos numa outra Espanha, num outro mundo onde a natureza é tão pura, em muitos casos praticamente intacta. Sabe-nos bem parar, mesmo em terras mais pequenas como Mataporquera ou Retortillo e ficar a admirar as montanhas junto à igreja! 

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Sabe-nos bem desviar caminho e percorrer os vales dos rios "Saja" e "Nansa", ou os chamados "Valles Altos del Nansa y Saja" - apetece-nos "beber" aquelas águas, interiorizar aqueles picos, inundar o nosso nariz de aromas contidos num mundo ideal e perfeito! E os ursos! Os ursos da Cantábria... Os ursos e toda aquela fauna de lobos, águias imperiais e tantos outros bichos! Genial... É fascinante poder observar tantas águias imperiais  ibéricas (aquila adalberti). Espécie em perigo... São imponentes e belas, mesmo debaixo de um tempo que nem sempre é convidativo, não conseguimos abandonar as montanhas: o espectáculo é único...

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É bom percorrer aquelas estradas, seja via A-67 ou até via N-623! É simplesmente belo... Não poderia ser de outra forma quando se está entre as Astúrias e o País Basco... Temas para outras conversas...

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A Cantábria é também desenvolvimento, e a sua grande cidade, Santander, disso é exemplo! Se a chegada até nos pode dar a sensação de estarmos a entrar numa zona muito industrializada, aí chegados, percebemos que as coisas são diferentes - cidade rica, com casas belíssimas e onde se encontra o "Palacio de la Magdalena", localizado na garbosa península com o mesmo nome! Santander apresenta as suas ruas, percorridas de gente distinta, sobretudo no seu centro perto da Catedral ("Santa María de la Asunción") e do ayutamiento.

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É agradável também percorrer toda a marginal (não esquecer os "Jardines de Piquío") e mergulhar nas "Playas de los Peligros e de la Magdalena". No entanto, é no Sardinero e na "playa" com o mesmo nome que gostamos de estar... É lá que temos boas recordações...

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Ir ao "Mercado de la Esperanza" é obrigatório, como é obrigatório percorrer os "Jardines de la Pereda" e toda aquela promenade... É obrigatório o Museu Marítimo e também o "Centro Botín". No entanto, é mesmo nas ruas que se sente a cidade e porque não no "Barrio Pesquero" - esta paixão por portos, enfim...

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A Cantábria, comete o "erro" terrível de tirar uma percentagem do fascínio que temos quando chegamos às Astúrias. Porque de facto, é uma região única e singular, como o contrário... Se deixarmos as Astúrias e entrarmos na Cantábria, percebemos que afinal, toda aquela falta de fôlego está para continuar...

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Sentemo-nos e apreciemos a "Bahía de Santander"... Até porque ao longe temos o "Estuário del Miera" e a "Playa de Somo"...

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Pela A62, de Palencia a Burgos.

por Robinson Kanes, em 25.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Valladolid fica para trás... Mas a A62, uma das estradas dos camionistas portugueses e dos emigrantes para a Europa segue até Burgos, onde não é só a Catedral nos apaixona...

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Entre estas duas cidades fica uma outra cidade que não é menos interessante: um ponto de paragem obrigatório para quem acorda em Valladolid e volta a percorrer o alcatrão de Castilla y León, por exemplo, até Burgos. Palencia, a cidade banhada pelo Carrión (onde vai encontrar bem perto o Pisuerga) e cujas margens podem ser um ótimo ponto de partida para abrir o apetite.

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Não estamos numa cidade de luxos e ainda bem, uma cidade típica da região e cujos cafés são simples e ótimos para iniciar o dia com uma torrada com doce de tomate e uma tortilla - ao balcão, como tem de ser e mesmo em frente ao "Mercado de Abastos de Palencia"! Por lá existe um café onde é necessário descer uns três degraus! Simples, nem sempre o mais limpo do mundo mas se assim não fosse, também não teria interesse. 

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Estômago refastelado e nada como pararmos para apreciar o edifício da "Deputación Provincial" (um edifício de 1914 que é, sem dúvida, o mais bonito da cidade) e o "Teatro Principal". Já com os olhos em fascínio, nada como voltar atrás pela "Calle Don Sancho" para apanharmos a mais típica rua da cidade, a "Calle Mayor Principal". Rua movimentada, com lojas, gente simpática pela manhã e cujo emblema da cidade ficará do lado direito, a "Plaza Mayor" onde se encontra o "Ayuntamiento" e a "Iglesia de San Francisco". O espaço é interessante, mais pequeno que muitas das "plazas mayores" que encontramos em Espanha. Mas, como qualquer "plaza mayor" é agradável e, estranhamento, até com um certo toque de nostalgia.

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Caminhamos agora em direcção ao rio. Espera-nos a "Catedral de San Antolín" que data do século XII e conta com uma cripta visigótica! Esta é talvez uma das catedrais mais underated de Espanha e que não fica atrás de outras catedrais góticas como, por exemplo, a de Reims! A visita é obrigatória, antes do passeio terminar na "Iglesia de San Miguel" -mais um interior gótico para deliciar os apaixonados por esta arquitectura. Chegamos à conclusão que também Palencia nos encanta.

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Está na hora de seguir caminho... Burgos ainda fica a cerca de 100km de distância e os camiões já dominam a A62, uma constante naquela estrada onde as matrículas portuguesas abundam nos pesados. 

 

Falar de Burgos não é nada de novo para a maioria, é só o local de uma das maiores e mais belas catedrais góticas do Mundo, a "Catedral de Santa María de Burgos" e obviamente classificada pela UNESCO. A arquitectura gótica está em todo o lado e ao entrar, rapidamente nos apercebemos da construção em cruz latina. É uma das mais belas catedrais do mundo e não visitar a mesma, estando em Burgos, é um verdadeiro crime! Crime é também não conhecer algum do património religioso da cidade, nomeadamente o "Monasterio de Santa María la Real de Las Huelgas" , imponente e austero edifício (e como isso nos encanta) e a "Cartuja de Miraflores". De fora também não pode ficar o castelo que bem merece a pena devido às vistas que proporciona sobre a cidade. Finalmente, uma visita à Universidade de Burgos pode ser também uma opção interessante para os apaixonados por arquitectura e história.

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No entanto, aquilo que nos apaixona em Burgos é percorrer o centro histórico! Nada como iniciar esse passeio romanesco perto das margens do Arlanzón, nomeadamente, junto ao "Arco de Santa Maria"! É aí que podemos percorrer o "Paseo del Espolón" - um caminho fantástico, com árvores minuciosamente podadas, cujo percurso e posterior entrada no centro histórico nos faz recordar Lyon! Não é propriamente parecido mas fica-se com tal sensação, vá-se lá saber porquê.

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Uma nota importante, andar pelo centro e não comer uma morcela de arroz ou beber uma Estrella Damm com uma um bocadillo de jamón é um crime contra "El Cid", não o irritem! Ao fundo da "Calle Laín Calvo" existe um espaço de venda de queijos e presuntos que faz umas sandes para fora que é qualquer coisa - não deixem é lá carteira pois arriscam-se a trazer sacos de queijos e jamón ibérico que vos vão aumentar as calorias de forma exponencial! É o aviso de alguém que já cometeu esse pecado em Burgos.

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É bom andar por Burgos, é bom apreciar os edifícios coloridos, beber un café con leche ou solo na "Plaza Mayor", percorrer o casco viejo junto ao Arlanzón e sair dos limites turísticos da cidade - e porque não de bicicleta? Percorrer Burgos cria-nos uma particular atracção na medida em que a Catedral, a main attraction, acaba por ser "só" mais um ponto de interesse nesta bonita cidade o que, só para termos uma ideia e a título de exemplo, já não acontece em Colónia. 

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E os ares da Cantábria já vão chegando e a frescura dos mesmos embrenha-se com a aridez de Castilla Y León numa dança que só nos faz adivinhar que, para norte em direcção a Santander as coisas só poderão melhorar!

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valladolid.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Valladolid sempre teve um significado especial, não só pela sua universidade que é uma das mais antigas do mundo mas também pela importância que tem para a língua castelhana. A isto, acresce o facto de ser um ponto de passagem de muitos emigrantes e camionistas no "acesso à Europa". Parar torna-se obrigatório, embora muitos não o façam e percam uma excelente oportunidade de ficarem mais ricos...

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Chegar a Valladolid não fascina, sobretudo se viermos de Salamanca ou até mesmo do calor "extremeño", no entanto, depois de uma caminhada junto ao Pisuerga (que é afluente do Douro), podemos ficar a conhecer melhor uma cidade que, à semelhança de todas as cidades espanholas, tem nas pessoas a sua força, o seu ritmo e a sua vida. 

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Comecemos junto ao edifício do "Instituto Zorrila" e encontramos o "Colegio de San Gregorio" que além da beleza em termos de arquitectura é também o "Museo Nacional de Escultura" - só por isto já vale a pena passar uns dias nesta cidade. Passar umas horas a admirar muito do que a escultura espanhola é um bom início! Adicionem o facto de, praticamente na mesma praça (Plaza de San Pablo), terem a "Iglesia de San Pablo", com uma fachada singular e o "Palacio Real"

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Mas Valladolid, ao contrário do que possa parecer, é uma cidade grande... Se seguirem pela "Plaza de San Pablo" e entrarem na "Calle de las Angustias", rapidamente atravessam um relvado onde, no lado esquerdo, encontram a "Iglesia de Santa María la Antigua": uma igreja interessante, austera e onde o românico e o gótico se misturam de um modo particular! Se continuarem em direcção à Catedral, ainda vão passar pelas ruínas da "Colegiata de Santa María la Mayor" - se gostam de ruínas, têm aqui, na "Plaza de Portugalete" um com que se deliciar. 

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E eis que chegamos à Catedral, ou melhor, "Catedral de Nuestra Señora de la Asunción"... É austera, o que me agrada, no entanto, está longe de ser uma das mais bonitas de Espanha... Quem espera encontrar grande monumentalidade não terá grande sorte, o que não impede a visita, bem pelo contrário. Uma desculpa para ficar por aqui pode ser a oportunidade para "pinchar" algo... Não faltam locais para comer e beber qualquer coisa, embora, em Valladolid a diferença entre espaços de "tapeo" seja pouca.

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Esperem! Não abandonem esta área sem apreciar a estátua de Cervantes e a Universidade! É mesmo ao lado da Catedral, não há como deixar para trás! Depois de deixarem a Cervantes um grande obrigado pela herança que nos deixou, o ideal seria descer imediatamente pela "Plaza de Libertad", apanhando a "Calle Ferrari" para chegarem à "Plaza Mayor", uma das imagens de marca da cidade - aliás, qual é a Plaza Mayor em Espanha que não é uma imagem de marca da respectiva cidade ou vila? No entanto, é preciso uma paragem obrigatória: a "Pasaje Gutiérrez"! (Maldição! Tenho as fotos num outro local... Fica prometida a partilha e com o bónus do "Palacio Pimentel"). É nesta pequena galeria que encontramos alguns cafés deveras interessantes e com um gosto bem particular, o ideal para beber um copo ou até jantar! Muito se fala de Milão, por exemplo, mas toda aquela sumptuosidade, em meu entender, tende a ser absorvida pelo ambiente deste local! Agora sim, "Plaza Mayor"! Aproveitem e bebam uma "Mahou 5 estrellas" enquanto apreciam a torre do relógio e o Ayuntamiento.

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E como o dia pode estar a acabar, nada como aproveitar o fim de tarde para passar na "Academia de Caballería" onde podem encontrar, além do espectacular edifício, um excelente "arsenal" de artefactos que retratam muito do que foi e é a cavalaria em Espanha. Contudo, porque os finais de tarde são longos em Espanha, dar um passeio mais romântico pelo "Campo Grande" é fundamental para fazer divergir novamente a atenção para quem nos acompanha. Mas cuidado, os patos e os pavões são reis neste ecossistema!

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A noite aproxima-se, por isso, existindo cartaz, nada como agendar um programa no "Teatro Calderón de la Barca", isto antes de "salir de copas", isso é fundamental para um dia/noite bem passada nesta cidade de Castilla y León.

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Ao acordar, no dia seguinte, rapidamente ficamos com a ideia de que como destino final ou como mera paragem de uma longa viagem, Valladolid "nos encanta" e tem aquela magia especial que tende a não se mostrar após um primeiro olhar. Não podia faltar a poesia ou não tivesse nascido aqui o poeta José Zorrilla.

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Muito importante! O Mercado, o "Mercado del Val"... Como em qualquer cidade, é uma visita obrigatória e acima de tudo uma oportunidade de encher o saco, especialmente se pudermos trazer os produtos frescos connosco! Estes espaços têm sempre um encanto especial que vai para lá das fotografias... Os cheiros, as pessoas e a história, toda uma cultura nos corredores e nas bancadas... E também na carteira...

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Flores - Parte 10: A Despedida e o Até já...

por Robinson Kanes, em 24.06.19

IMG_6379.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

Acordamos e a manhã está mais calma... Algum vento e chuva durante a noite mas agora a tranquilidade regressa. Ansiosamente vamos tomar o pequeno-almoço... Sem luxos, não é necessário, mais uma vez, somos surpreendidos com a savoir faire do senhor Rogério. Conversamos mais um pouco com o nosso anfitrião e vamos dar um último passeio por Santa Cruz aproveitando também para resolver algumas questões profissionais à distância.

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A vila está a acordar, as pessoas circulam pelas ruas e retomam as suas vidas, como todos os dias e felizes. Aproveito para assistir a essa rotina, como sempre gosto de fazer, no entanto, o mar chama por mim e retorno para bem perto deste. Quero dizer adeus a estas águas, quero despedir-me do Corvo, quero ali ficar a minha manhã...

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Observo, mais uma vez, as pessoas... Passo pela lota, está fechada, nestes dias os barcos não terão saído ao mar e além disso também já não é hora de estar aberta. Observo as embarcações em terra e imagino as mesmas por aquele mar agitado, retomo ao Mar Santo que Redol imortalizou em "Uma Fenda na Muralha". Imagino o mar em rabiosa, imagino aqueles homens naquelas águas... E eu que também conheci de perto, na minha infância, as vidas dos lobos do mar.

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A GC liga-me e diz-me que tem a sua burocracia tratada... Vou buscá-la, quero trazer os olhos dela para junto dos meus e ficarmos sentados a apanhar o leve sol que toca a ilha e a sentir aquele vento carregado de sal. Observamos agora a força dos homens contra a força do mar... O homem tenta vencer o mar, mas será sempre uma batalha perdida no longo prazo. Deparamo-nos que dois dos indivíduos que desafiam o mar viajaram connosco naquele voo "inesquecível" do Corvo para as Flores. Depois de enfrentar ventos que não lembram a ninguém e de sermos sacudidos como se fôssemos flocos de neve naquelas recordações que se compram nas cidades ou pelo Natal, eis que ainda alguém tem de lutar contra a fúria do mar a reclamar o que é seu.

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São horas, é preciso ir almoçar... Almoçar para apanhar o voo de estômago aconchegado... Mais uma vez a salada com aquele molho especial, o queijo divinal e um bacalhau com natas escangalhado na travessa que, devo admitir, me assustou quando colocado na mesa! Na verdade, e porque não quero ser injusto com ninguém (e nem comigo próprio), está no top três dos melhores pratos de bacalhau com natas que já comi. A sobremesa, óptima... Sei que foi mas já não consigo precisar o que era...

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A nossa pressa em sair, como se o aeroporto estivesse a duas horas de caminho fez sorrir o senhor Rogério! Mas era chegada a hora e foi a vez de dizer adeus a mais um amigo! Um amigo que cozinha como ninguém e mais uma daquelas pessoas que nunca esqueceremos!

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No aeroporto, a tensão do costume, até porque o vento sopra agora com alguma intensidade. Mas eis que o Q400 chega e embarcamos. Embarcamos com destino ao Faial, com uma paragem na Terceira... E é nesse voo e em todas as peripécias que tiveram lugar (e foram muitas horas) até chegarmos à Horta que encontrámos gente singular e única, como só nos Açores se pode encontrar. A grande maioria com um objectivo de viagem que nos surpreenderia e faria pensar em como realmente este povo merece a nossa admiração! Talvez venha a falar disso um dia... Talvez não...

 

Pelo meio, mais um regresso a São Miguel tinha ficado pelo caminho devido à intempérie que se abateu sobre as Flores... Uma Foi talvez o melhor que nos aconteceu...

 

Fim

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_6029.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

E estamos de regresso a Santa Cruz, o último local que pisaremos nesta aventura. A estrada de regresso cansa-nos os olhos - queremos, mais uma vez, guardar toda aquela paisagem e acima de tudo todas aquelas vivências, como se pudessem estar escritas em cada árvore; em cada quilómetro de alcatrão ou de terra; em cada gota de chuva. Queremos recordar a força do mar na Fajã Grande, queremos sentir a natureza no seu estado mais puro a fazer das suas em pleno Atlântico.

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Depois de uma ida ao supermercado, já com muitas prateleiras vazias e sem qualquer tipo de pão, rumamos ao Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão. Como referi, embora nos choque o facto de se matar um animal como a baleia, reconhecemos que também está por detrás um sem número de histórias de vida e de pessoas que deram essa mesma vida para poderem sobreviver naquela ilha dos Açores. Não devemos fugir a essa realidade; a homens que tudo deram para tirar do mar o seu sustento.

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O museu é simples (como se quer num misto de antropologia com arqueologia industrial), está vazio, com pouca gente. É contudo, uma obra fundamental para a ilha e que se percebe em cada parede e em cada máquina. Percorremos os diferentes espaços, fazemos perguntas e também vemos algumas fotografias que nos deixam mais tristes, quer ao nível de perdas humanas quer ao nível das perdas animais. Temos de ver, é a realidade, é um mundo passado (ainda real em alguns países).

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Lá fora... O tempo arrefece, mas ainda convida ao passeio, além de que ainda falta algum tempo para provar os acepipes do senhor Rogério. Despedimo-nos dos simpáticos colaboradores do museu e voltamos a caminhar por Santa Cruz cujos habitantes agora não se encontram nas ruas... Poucas almas, um vento que sopra com alguma intensidade e o som do mar. A capital da ilha só para nós... E o Corvo, como sempre, tão perto...

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Heeeeey... Gritamos nós na esperança de que nos escutem. Afinal, estamos sozinhos na rua, já não nos chamam loucos. Esperamos que o vento transporte o nosso chamamento até à pequena ilha. Esperamos uma resposta, mais um convite para um jantar animado, mais umas cervejas à mesa do BBC. Não obtemos retorno e continuamos a deambular pelas ruas, vagueando desprendidos mas atentos a cada pormenor. É nas coisas mais simples e mais vazias que se encontram os maiores segredos...

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Anoitece... E queremos voltar a desvendar um dos segredos desta ilha na simplicidade do Servi-Flor - os pratos do senhor Rogério. O pargo está óptimo, a salada de alface e tomate sempre com aquele molho especial... E o pão, e o queijo... Terminamos no bar com um martini e uma conversa com o senhor Rogério. Ficamos a conhecer um pouco melhor a ilha, as aventuras dos céus dos Açores e a reconhecer a amizade deste nosso companheiro. Na zona do bar imaginamos aquele espaço, em tempos idos, repleto de soldados franceses e deixamos que essa imagem nos acompanhe até à cama. Fecho os olhos com Santa Cruz e a folia dos franceses na minha imaginação.

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Amanhã é o dia da partida e o fim da aventura... Pelo menos, nas Flores...

 

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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IMG_6325.jpgCréditos: Robinson Kanes e GC

 

 

Carro a trabalhar... A tempestade ainda a dizer presente, embora mais calma... Primeira paragem, as cascatas do Poço da Ribeira do Ferreiro e depois a Fajã Grande - não foi por acaso que esta ainda não foi falada e ficou para o fim.

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No Poço da Ribeira do Ferreiro ainda se notavam os danos de um tempo mais agreste, por sua vez, ao longo da estrada já se procediam a algumas limpezas. Se pensamos que é impossível ficarmos impressionados como na primeira vez, esse mito cai por terra. A aproximação, mesmo por estrada, já antevia aquilo que estaria daqui a minutos diante de nós. Algum vento forte empurrrava a água para cima num espectáculo único de luta entre duas forças da natureza. O corta-vento e a roupa resistente são agora obrigatórios, muita lama, alguns aguaceiros ainda surpreendem - e claro, o vento...

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A chuva não nos demove, nada nos pode demover daquele espectáculo embora o mero do Sr. Rogério já esteja esquecido pelo estômago! É essa necessidade que nos faz partir em direcção à Fajã Grande e voltar a comprar umas latas de atum numa pequena mercearia gerida por um senhor, já com alguma idade - uma mercearia das antigas mas que ainda abastece os habitantes daquele local. Pão e atum, uma ou outra recordação e em frente ao mar - que não está pelos ajustes - saboreamos aquele repasto que, nos Açores, tem um sabor especial - além disso é ótimo para quem pratica desporto! O pão não, pronto...

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Na Fajã Grande o tempo oscila entre a chuva e algumas abertas - agora uma "chuva miúda", que conseguimos aguentar melhor. Dentro do carro, acabamos o atum que nos sabe pela vida e contemplamos aquele mar, um mar infinito e que nos coloca em sentido apesar da paixão que temos pelo mesmo. Pensamos nas lutas de muitos e muitos daqueles que se dedicaram as suas vidas à pesca... Regresso a uma das minhas origens, ou pelo menos a alguns dos locais onde, na minha infância, assitia à azáfama da faina.

IMG_6047.jpgO mar está forte, bem como o gostamos de ver em terra. Olhamos para o relógio... Ainda temos tempo, é hora de regressar a Santa Cruz - vamos conseguir visitar o Museu da Fábrica da Baleia do Boqueirão - embora nos choque como é que é possível matar um animal como a baleia, entendemos que também está por detrás um sem número de histórias de vida e de pessoas que deram essa mesma vida para poderem sobreviver naquela ilha dos Açores. 

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Aproveitamos, damos mais uma volta para sentir o frio das cascatas e da chuva no nosso rosto!

 

Continua...

Flores, Parte 1: A Chegada, as Lajes e o Porto Velho!

Flores, Parte 2: O Poço da Ribeira do Ferreiro, a Rocha dos Bordões e a Fajãzinha...

Flores, Parte 3: Calçar as botas e percorrer as Lagoas...

Flores - Parte 4: A Subida ao Morro Alto - Pico da Sé e as Falésias da Costa Oeste

Flores - Parte 5: A Surpresa da Costa Nordeste e da Ponta Norte!

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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

xuan-nguyen-781157-unsplash.jpg

Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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