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Persépolis: A Cidade Persa

por Robinson Kanes, em 21.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

A poucos quilómetros de Shiraz, e debaixo de um intenso calor, encontra-se aquela que foi uma das capitais do Império Aquemênida: Persépolis! Iniciada por Dario, a construção deu-se durante séculos até a mesma ser conquistada por Alexandre Magno. Persépolis foi sempre uma capital mais espiritual, até pelos difíceis acessos, as capitais administrativas acabaram por ser Pasárgarda, Susa, Ecbátana e Babilónia. Com Alexandre Magno, em 330 a.c. a cidade seria ocupada, saqueada e parcialmente destruída. Era o início do declínio de umas das pérolas de todo o império.

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Falar da história de todos os pormenores da cidade é matéria para centenas e centenas de artigos, por isso, nada como a consulta da imensa bibliografia, sobretudo a técnica, que existe acerca da cidade. Na internet, existem centenas de documentários e animações 3D, acerca da cidade, uma delas está aqui.

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No entanto, debaixo de um calor abrasador, e onde nos imaginamos nas montanhas do Afeganistão, fascinou-nos sobretudo a grandeza do império, também nestas pedras contada. Para se ter uma ideia, o império iniciado por  Ciro, "o Grande", acabou por ser o maior da antiguidade, nomeadamente uma extensão para ocidente até aos balcãs e leste europeu, uma rota de estradas onde se incluem as da Rota da Seda, o uso de uma língua ao longo de todo o território e o canal que ligou o Nilo ao Mar Vermelho.

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A este aspecto junta-se o facto de que, ao contrário de muitas outras edificações da Antiguidade, Persepólis, como outras grandes construições do império eram realizadas com trabalho remunerado, ou seja, não escravo. Foi com Ciro também que, apesar de muitos povos terem sido conquistados, que existiu o respeito por todos os costumes e religiões de todos os povos. Como nota de curiosidade, também é Ciro, o responsável pelo "Cilindro de Ciro", aquele que é considerado a primeira declaração de Direitos Humanos da história. Infelizmente para o povo iraniano, encontra-se no British Museum em Londres. No Museu Nacional, em Teerão, encontramos apenas uma réplica. Admito que nas duas visitas ao British, bem que já me apeteceu trazer o cilindro e devolver o mesmo ao povo que o escreveu e que é o seu legítimo detentor! Este cilindro, é talvez um dos mais importantes documentos da Humanidade!

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Agora é tempo de percorrer este espaço, de fechar os olhos e com a ajuda dos óculos de realidade virtual, admirar a escultura e a arquitectura, donde se destacam o Terraço, a Escadaria de Persepólis; a magnifica Porta de Todas as Nações; a Apadana e a sua escadria; a Tachara, ou Palácio de Dário, um dos mais belos, o Hadixe, ou Palácio de Xerxes; o Palácio Central e o grandioso Palácio das 100 Colunas.

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Ao alto, podemos vislumbrar e percorrer também, os túmulos de Artaxerxes II e Artaxerxes III com esculturas de nos deixarem de boca aberta onde são claros os símbolos Zoroastras e do próprio império - um pouco à semelhança do que acontece em todo o edificado de Persépolis. A sul, existe também um túmulo que não foi concluído e que consta que teria em vista ter como hóspede Dario III.

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Pisar o solo de Persépolis é viajar na História, é pisar cada pedaço daquele espaço com um sentimento especial, sentir cada pedra como pudessemos recuar séculos e séculos para trás. É repensar a própria história e acima de tudo é termos a sensação de que somos tão pequenos. É termos a noção de que uma certa História, bem lá atrás ainda tem tanto por contar... É termos respeito e perder a arrogância de que a Ocidente é que esteve/está o patamar máximo do desenvolvimento, até porque, se existiu império que não ficou atrás (bem pelo contrário) de outros como o Grego e o Romano, foi este. E ainda hoje, tal se nota em cada iraniano, desde o mais letrado até àquele que não foi bafejado com a sorte de uma educação mais formal.

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Uma coisa é certa... De Persépolis, saíremos mais ricos, mais ricos do que se comprássemos qualquer produto de luxo no Harrods. Mais ricos do que se trouxéssemos meia-dúzia de lingotes de ouro na mão!

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IMG_1701.JPGImagens: Robinson Kanes

 

Amanhece em Shiraz, o sol brilha logo cedo e nem sentimos a diferença de horário. Preparar um jantar iraniano foi fantástico, abençoada suite de hotel que nos permitiu, nesta estada, também tomar parte neste cultura de forma mais profunda.

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Não deixámos de passar uma noite agradável e na companhia de duas jovens iranianas que nos mostraram um pouco das ruas do norte da cidade e ainda nos fizeram prometer que faríamos compras no supermercado dos pais. Uma sem sonhos ainda definidos, outra com um desejo de ser professora de inglês. Quiseram saber tantas e tantas coisas da nossa vida e que nos interrogaram mil e uma vezes do porquê de não poderem ter um namorado não-iraniano.

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Mas temos de seguir caminho pela cidade, há tanto para ver e sentir. Depois do "Jardim Eram" e das suas águas límpidas, a "Casa Qavam/Museu Nerenjestan", construída em finais do século XVIII por ricos comerciantes de Qazvin.

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Os jardins e o espaço são mais uma demonstração do encontro da cultura ocidental com a cultura persa - uma curiosa representação de como ambas podem combinar muito bem arquitectonicamente. A rua movimentada lá fora, não nos deixa permanecer por lá muito tempo, chama por nós... Não obstante, à saída, paramos, olhamos mais uma vez os jardins, recordamos os espelhos, inalamos o odor das flores do jardim e saímos para um sumo de romã.

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Entre talhos, lojas de ferragens, lojas de comida, enfim... lojas de tudo, percebemos que está a chegar a melhor hora para visitar a "Mesquita Nasir ol Molk", também conhecida como "Mesquita Rosa". No bairro de Gawd-i Arabān, encontramos esta herança dos Qajars. Amplamente conhecida, esta é uma mesquita singular pelos seus vitrais que, escolhida a hora certa da posição do sol, se tornam ainda mais encantadores! É um local muito procurado pelos turistas para as fotos, mas é no pico da sua beleza que encontramos menos gente e nos permite apreciar toda a sua arquitectura. Podemos examinar o seu pátio e deixar que as cores dos vitrais se possam reflectir no nosso rosto, nos tapetes persas e transformar-nos também em parte daquele mundo de maravilhas. É um monumento único, belo e onde nos sentimos a viajar por contos e lendas da pérsia.

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Alguns turistas "irritam-nos" tentanto simular orações e uma certa pose para a fotografia, o banalismo habitual... Fascina-nos, contudo, a condescendência da segurança que com um sorriso no rosto sente que partilha um pouco de si com todos aqueles que deliciam perante um património de uma riqueza invejável... Fascinam-nos aqueles que lá se encontram em recolhimento... E é junto desses que também nos sentamos antes de abandonar o local e voltar às movimentadas ruas da cidade. No entanto, a sensação de que saímos de um mundo grandioso e mirífico contido numa sala tão pequena não nos abandona.

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E é tão difícil deixar este templo, no entanto, mal sabemos que ao longo dos dias ficaremos a perceber que uma das imagens de marca do Irão está longe de ser apenas esta e mais uma ou duas que conhecemos até agora. É hora de almoçar e pela rua vamos comendo aquilo que nos oferecem, temos que passar pela famosa "Universidade de Shiraz" e pela "Porta Quran" - queremos apenas sentir se o conhecimento que já temos destes locais se reflecte de poderosa forma nas nossas emoções.

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É hora de começar a pensar no "Santuário de Ali Ibn-e Hamze" que se apresenta hoje como mais uma reconstrução pois os sismos em Shiraz são frequentes.

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Ao entrarmos sentimos o peso da religião e da história. Sentimos o peso da amizade, nenhum dos acessos nos é vedado, tomamos chá, comemos doces e ainda temos um diálogo sobre o Islão e o Cristianismo. O diálogo e a experiência acaba por se sobrepor à beleza do espaço, dos seus espelhos, da sua arquitectura. Para nós é interessante na medida em que sendo pouco crentes (pelo menos eu), do outro lado temos um crente fervoroso mas com uma abertura de espírito tal que reconhece as fragilidades da sua religião e entre esse reconhecimento (até porque o tema das mulheres acaba sempre por surgir) nos prova que a própria Bíblia é muito mais castradora em relação às mulheres do que o Alcorão.

Ali Ibn-e Hamze_shiraz_iran.jpgÉ interessante esse diálogo... A abertura religiosa é, aliás, uma das imagens de marca deste povo. Como já havíamos sentido noutros países, por vezes, algum desconforto religioso sucede dentro da própria confissão e não com crenças exteriores. Conversamos largos minutos... Sentados dentro do santuário enquanto outros estudam e fazem as suas orações, o diálogo inter-religioso (e até entre quem não é crente) a acontecer e o respeito permanente entre os três vértices deste triângulo. 

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Terminamos a conversa com um convite para a "Mesquita Vakil", um edifício que ocupa uma área de mais de 8500m2 e que foi construído no terceiro quartel do século XVIII durante a dinastia Zand, sendo restaurado já no século XIX sob a liderança dos Qajars.

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A entrada, o pátio das orações, os minaretes e os pilares são algumas dos seus aspectos mais peculiares. O pôr-do-sol é também o momento perfeito para apreciar este espaço. A luz do crepúsculo cria uma imagem perfeita que, se complementada com aqueles que vêm aqui prestar o seu culto, se torna ainda mais pulcra.

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"Acompanhamos" as orações e voltamos ao exterior. Hoje ainda lá anda o "nosso" declamador de poesia persa. E é com ele que deixamos que o anoitecer se intensifique... E é com a poesia de Hafez e de tantos  outros que nos entregamos novamente às delicias astronómicas iranianas...

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Uma nota final para o facto de Shiraz ser também a região onde, no Irão, se produz/produzia um vinho fantástico. Até hoje, ainda é controverso se a casta Syrah vem de Shiraz. Testes genéticos dizem que não, todavia, também a produção deste vinho (deste e de outros) em terras iranianas não é permitida desde a revolução de 1979.

 

Sobre Shiraz

Shiraz: Cidade dos Jardins e dos Poetas

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Shiraz: Cidade dos Jardins e dos Poetas!

por Robinson Kanes, em 14.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Apesar de distarmos cerca de 1000Km de Teerão, continuamos a quase 1600m de altitude! Embora não pareça, dentro da cidade temos até a sensação de que estamos numa planície. E pensar que ainda nos faltam pouco mais de 550km para chegar a Bandar Abbas, no Estreito de Ormuz.

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Aterramos, literalmente, na capital da província de Fars: Shiraz, ou Xiraz. Já sentimos o forte calor da terra, é de madrugada mas é a hora em que o solo respira e a humidade é uma presença que não deixa a nossa respiração e os tecidos que nos cobrem indiferentes. Esta é uma das cidades mais antigas da Pérsia, tem mais de 4000 anos (registos actuais) e acompanhou todas as "revoluções" que possamos imaginar ao longo da história desta região. Chegou inclusive a ser a capital durante a dinastia Zand erguida por Karim Khan - os Vakilol Ro'aya, ou "defensores do povo" como se intitulavam e que criaram, pelo menos em termos de imagem, uma oposição a um certo sentimento de autoritarismo.

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Estamos também na Rota da Seda e Shiraz foi um importante entreposto, sobretudo pela sua localização e  interface entre a rota marítima e a rota terrestre. Andamos por terras que os imperadores aqueménidas, sobretudo Xerxes e Dario ajudaram a erguer e a dinamizar comercialmente. E encontramo-nos a cerca de 60Km de Persépolis, outro sonho (lá iremos)... Estaríamos meses a falar sobre a história da região, por isso, nada como nos deixarmos encantar pela "Cidade dos Jardins" como é conhecida. "Cidade dos jardins" e "cidade dos poetas", pois é também a terra de Hafez (que iremos escutar mais tarde a ser declamado perto do bazaar) e de tantos outros... E por mera curiosidade, foi também aqui que nasceu Siyyid `Alí Muhammad Shírází, o inspirador do Babismo. 

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Andar pelo Irão é inalar história, é tropeçar em cultura, é fazer uma travessia pelo quase nascimento da civilização até aos dias de hoje, contudo, com uma riqueza que muito poucos países/regiões acompanham. Contudo, é em Shiraz que estamos e é em Shiraz que queremos percorrer as ruas, conhecer gente que terá muitos dos seus genes num passado rico e singular.

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E em Shiraz essas ruas são movimentadas, é mais uma daquelas cidades iranianas que se deita tarde e em alguns pontos questionamos se chega realmente a dormir. Quem descansa em paz, e na terra que o viu nascer, é o próprio Hafez que se encontra sepultado a norte da cidade, mais precisamento nos jardins de Musalla. Quiçá o poeta e herói (no Irão os poetas são heróis) esteja a pensar como os seus poemas influenciaram a sociedade iraniana e não só, como ainda hoje são um elogio ao comportamento da natureza e da Humanidade. O muezim chama, é hora da oração, não sem antes prestarmos a devida homenagem ao poeta no seu mausoléu e com a protecção da grande "Cordilheira de Zagros" que nos seus 1500Km tem início entre a Turquia e Iraque e termina no Estreito de Ormuz. Fascina-nos fazer parte também dessa natureza, até porque a vamos reencontrar e testemunhar a força da sua extensão e altitude.

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Enquanto caminhamos pelas ruas não dispensamos também uma passagem pela Karim Khan, a Cidadela que nos fascina pelos seus relevos e torres inclinadas - a conselho de um local, visitamos também ao pôr-do-sol, pois é quando se torna mais bela e onde muitos habitantes da cidade se reunem para confraternizar, além disso a sua proximidade com o Vakil Bazaar, o maior de Shiraz, é um atractivo extra.

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Voltamos ao final da tarde, início da noite, é hora de nos sentarmos perto de Karim Khan e sermos abordados por um sem número de pessoas. As crianças querem posar para a fotografia. Acabamos por conhecer um turquemeno e torna-se impossível não termos sido remetidos para a história das tribos turcas do hoje cazaquistão e que ocuparam aquele território no século X. É viajar no tempo estando no presente... É único e ocupa-nos muitos minutos de conversa, sobretudo com o auxílio de um iraniano que vai servindo de tradutor. Nós, os portugueses, um iraniano e um turcomeno, sentados na cidadela a estudar história, ou melhor, a senti-la e a quebrar todas as barreiras fronteiriças e religiosas.

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Deixamos aquele local e seguimos para o Vakil Bazaar, não mais que cinco minutos... E, mais uma vez, deixamo-nos contagiar pela número de tecidos, ou não fosse Shiraz um importante entreposto da Rota da Seda. No entanto, e para não variar, o que mais nos fascina são as especiarias, as frutas e os frutos secos. Abastecemo-nos de sumac ou sumagre, e recordamos a Turquia... O aneto abunda e também não o deixamos fugir (ainda não sabemos o que fazer com tanto, mas que é do outro mundo é...),  e não esquecemos mais alguns temperos porque hoje queremos cozinhar umas almôndegas de carne e vegetais, "khofteh". Compramos várias misturas e claro, voltamos ao açafrão Iraniano, o ouro que nem sempre é fácil de encontrar se quisermos qualidade.

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São horas de sair, deixar que o canto dos pássaros que se encontram em algumas gaiolas na extremidade do bazaar se fiquem com as vozes de comerciantes e compradores... Não são mercados ruídosos como noutros locais, nomeadamente Marrocos ou até Turquia, mas têm a magia dos iranianos e isso é mais que suficiente para que um sem número de sons se funda sem um se sobrepor ao outro.

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As "almôndegas" ficaram óptimas e agora é hora de descansar, o dia amanhã promete numa cidade que respira o perfume da História...

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Teerão: Entre Tajrish e Darband...

por Robinson Kanes, em 11.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Voltamos a Shemiran, mais precisamente a Tajrish (estamos a mais de 1600 metros de altitude), depois de uma passagem pela "verde" Ponte Tabiat - em Teerão também é possível encontrar alguns pontos verdes, não é tudo poluição, óptimos oásis para pulmões que ainda não estão preparados.

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Gostamos da Praça Tajrish. Tem vida, é genuína tem o "Bazar-e-Tajrish", mais organizado e onde parece que temos mais tempo para abastecermos a mercearia. Perdido entre a praça e a mesquita, é um local fantástico, inclusive para comprar umas frutas e até comer algo. É aqui que atacamos os frutos secos: cajus, pistácios com diferentes temperos, amêndoas, tâmaras e um sem número de quilos para encher as malas. É aqui também que nos entregamos às especiarias e são tantas... Comemos fruta, comemos comida de rua (coisas que nem sabemos) e tudo e óptimo.

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Enquanto isto, queremos juntar-nos à movimentação que não cessa na Mesquita Imamzadeh Saleh, é aqui que estão sepultados os restos mortais do Imame Shelver Shia, Musa al-Khadim e que tornam este local um santuário muito especial. A beleza do mesmo com os minaretes que não nos deixam indiferentes e todo o trabalho de azulejo são uma verdadeira atracção para os nossos olhos. Estamos perante uma autêntica tela onde muita da cultura iraniana se pode encontrar retratada.

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Não podemos, contudo, deixar Teerão sem subir mais um pouco a Darband (porta da montanha), bem nas montanhas e o ponto de partida para a grande montanha que tem o Monte Tochal como maior atracção e que nos dá óptimas vistas sobre Teerão. No entanto, em Darband e depois de deixarmos o taxi, queremos comer em alguns dos muitos restaurantes que se encontram ao longo do bairro e conhecer os "hooka lounges" (bares de shisha). A zona é agradável, onde temos oportunidade de comer em cima dos sempre fabulosos tapetes e de saborear óptimas iguarias, onde se destacam, por exemplo, o "Dizi" e um sem número de espetadas desde frango a cordeiro que nos enchem por muitas horas.

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Empregados simpáticos, muita gente simpática e um espírito único, pois o ribeiro que atravessa a zona não é propriamente dos mais limpos. No entanto, a experiência é única. Iranianos e alguns turistas numa harmonia perfeita e onde podemos encontrar algumas marcas de que o Irão está em mudança, sobretudo em termos de paixões e do modo como as mesmas podem ser demonstradas...

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Sentamo-nos... Bebemos algo e apreciamos uma verdadeira movida na montanha... Os rostos de Irão aqui transformam-se e ainda mais sorrisos surgem... Compramos uma espécie de doce (óptimo, por sinal) aos inúmeros vendedores ambulantes - as moscas deambulam, mas não se conhece alguém que tenha morrido por provar estas iguarias. Escolhemos a maçã e não nos arrependemos. Em Portugal, também são muitos os que não se arrependeram...

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A noite começa a dar sinais de querer surgir e a tarde despede-se com mais um pôr-do-sol, desta vez diferente. Desta vez menos romântico e mais urbano, mais vivo e no bulício da cidade... No meio do trânsito, com vista para a Torre Azadi ou Torre da Liberdade. É uma torre que invoca o Império Persa e os seus 2500 anos (1971), no entanto o seu nome original é Shahyād. O nome sofreu a alteração com as manifestação de 1978 e que culminariam com a revolução. Aqui já temos um pequeno aperitivo de Isfahan, pois a mesma é revestida com 25 000 placas de mármore branco com origem nessa mesma zona.

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É hora de partir... O aeroporto de Mehrabad, que serve os voos domésticos para a cidade, espera por nós. Voamos com a Aseman Airlines, uma companhia que não pode operar na União Europeia e que apesar da tentativa de modernização foi impedida de adquirir novos aparelhos devido às sanções que vigoram contra o país. Apesar de tudo, para um voo de uma hora, serve melhores refeições que alguns voos de longo-curso de companhias aéreas bem conhecidas.

 

- Amanhecer em Teerão

- Teerão: A Metrópole da Pérsia

- Teerão: A Cidade de Onde é Difícil Sair

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Teerão: A Cidade de Onde é Difícil Sair

E não é só por causa do trânsito...

por Robinson Kanes, em 07.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O calor aperta, em Teerão aperta bastante e um dos taxistas que vamos conhecendo diz-nos que ainda não é nada. A tarde começa a mostrar a força da poluição, em algumas zonas é impossível respirar - onde é que já vimos isto.

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As ruas continuam pejadas de carros e de gentes - uns em trabalho, outros simplesmente deambulando. É notável como se sente o conhecimento que também habita este povo. Este povo que faz questão de se assumir como persa e que não precisa de engalanar um facto que está à vista: a inteligência, o saber e a forma de estar. 

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Dirigimo-nos agora para o Palácio de Sadabade, mais a norte da cidade. Ainda voltamos a passar por um dos pontos de referência para quem se desloca na mesma, a Torre Milad. O taxista, numa cidade onde não faltam taxis e é habitada por 10 milhões de pessoas já é um conhecido, encontrámo-lo por mero acaso em Tajrish e foi uma alegria ao ver-nos! Pelo caminho vamos vendo entrar e sair passageiros, em Teerão também é assim e sempre fica mais barata a viagem. Inesperado é também o facto dos transportes públicos terem áreas (e até carruagens no caso do metropolitano) separadas para homens e mulheres mas dentro de um taxi ter circulado várias vezes quase abraçado a muitas mulheres - as coisas estão a mudar.

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Mas o Palácio de Sadabade? Sim, entre jardins (não fossem os persas uns autênticos mestres na arte) encontramos um edifício moderno mas bem decorado, foi aqui que viveu o último Xá da Pérsia com a família. Mohammad Reza Pahlavi deixa-nos esta herança que já vinha dos Qajars e desde o seu abandono em 1979, ficou um complexo ajardinado com vários palácios, edifícios museológicos e governamentais, inclusive o palácio presidencial.

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Gostamos de estar aqui, respira-se ar puro, é bom ventilar os pulmões em Teerão e além disso as montanhas já estão perto. Passamos pela "Embaixada" dos Estados Unidos que não é mais que uma memória histórica da crise dos reféns americanos de 1979! Praticamente intacta, transporta-nos para aqueles dias e onde é inevitável a propaganda anti-americana. Salvo uma situação ou outra, não vamos encontrar no Irão propaganda anti-ocidente em tudo o que é local, ao contrário do que é transmitido por algumas publicações. Nota-se sim uma presença ainda forte da memória da guerra Irão-Iraque e dos mártires da mesma, inclusive no cinema e na televisão.

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Mais um taxi, mais uma viagem onde conseguimos por meio de gestos chegar à "fala" com o condutor pois a música que este ouve é fantástica - indica-nos duas boas rádios que prontamente registamos e até nos daremos, mais tarde, ao desplante de pedir aos taxistas que sintonizem as mesmas. Chegamos ao Grand Bazaar, queremos percorrer novamente a cidade mas não deixar para trás a visita à Mesquita Shah ou Mesquita Soltani.

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O relógio e os minaretes compõem o edifício e dão uma alma especial a uma praça onde comerciantes e clientes se misturam num ponto de passagem obrigatória, mesmo para os locais. Ficamos a sabe, em conversa com um iraniano, que este espaço, da era dos Qajars é histórico na medida em que foi aqui que se deram os primeiros passos para a Revolução Iraniana de 1905.

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Esta revolução teve as suas raízes depois da humilhação de alguns comerciantes acusados de serem os culpados pela especulação em torno do aumento do açúcar e que, além do encerramento do Grand Bazaar, levou à revolta de todo um povo. Foi também quando se dirigia para esta mesquita em 1951, que foi morto Haj Ali Razmara, primeiro-ministro do Irão, quando se dirigia para o funeral do Aiatola Feyez e que acabou por gerar mais um período complexo na história do país.

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Estamos cansados e Teerão ainda tem tanto para ver e sobretudo para sentir...

 

Amanhecer em Teerão

Teerão - A Metrópole da Pérsia

 

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Teerão: A Metrópole da Pérsia...

por Robinson Kanes, em 06.11.19

Teerão_grand_bazaar-2.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

Há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é o mesmo que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

 

Teerão não é a cidade mais bonita do mundo, mas existe algo que a torna especial: as suas ruas sempre numa azáfama, a poluição e a aridez que não abonam a seu favor mas... mas as suas gentes são outra coisa. A ausência de qualquer conduta na condução é algo que nos obriga a esquecer que existe um código da estrada, atravessar passadeiras é outro dilema, sobretudo quando aprendemos a atravessar e a arriscar, "eles vão parar, quando nos virem no meio da estrada param". Muitas vezes não procuram parar e até nos fintam seja de mota ou de carro mas sentimos que é aí que "perigosamente" já estamos com o chip da cidade. Torna-se ainda pior quando damos connosco a resmungar duas ou três palavras em farsi - é preciso dar resposta às buzinadelas e às criticas que chegam de todos os lados nestas situações.

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Queremos conhecer mais do Irão e embora (injustamente na maioria dos casos) muita da história deste país e desta civilização se encontre em museus espalhados sobretudo pela Europa, é importante visitar o Museu Nacional. É atroz a forma como muitas das mais importantes relíquias de um povo se encontram em museus de outros países!

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Por esse motivo este espaço museológico não é tão rico! No entanto, divididas entre duas áreas (O Museu do Antigo Irão e o Museu Islâmico) - a desculpa, dada a ocidente, de que o museu é pobre esconde uma vergonha em não assumir que não é propriamente por causa da divisão dos artefactos ou até a ausência de explicações mas sim pelo simples facto das principais peças estarem noutros lugares fora do país. Após a visita fica-nos não uma vontade de procurar as peças no exterior mas de conhecer Persepólis, um verdadeiro tesouro da Humanidade.

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Mas Teerão tem também o Palácio Golestan, uma jóia (extravagância?) dos Qajars. Deslumbramo-nos com o exterior do palácio, com a sala dos espelhos, com os azulejos e com toda a envolvência e simpatia daqueles que lá trabalham. A mim, perguntam-me se sou iraniano, algo que estranho - ao fim de alguns dias  deixarei de estranhar e até aproveito as deixas. 

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Este palácio, Património Mundial da Unesco, é uma jóia e onde as culturas ocidentais e persas se fundem numa forma única e se complementam num espectáculo de beleza singular - O "Khalvat-e Karim Khani", os tapetes, o "Emarat Badgir" e os azulejos são o nosso fascínio.

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E com tudo isto finda-se uma manhã bem no centro da cidade, entre quartéis, edifícios governamentais e claro, uma visita aos tesouros nacionais - não somos propriamente entusiastas, mas as pedras e metais preciosos que o Banco Nacional alberga são de deixar qualquer um de boca aberta. É hora de almoçar e no Irão, seja na rua, sentados num jardim ou efectivamente num restaurante, a oferta não falta e os pistácios crús não alimentam por aí além.

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Passamos ainda uma vez (e passaremos tantas mais) pelo Grand Bazaar e como esperávamos, esquecemo-nos de almoçar! Por incrível que pareça apenas compramos alguns frutos secos mas deliciamo-nos com as gentes, mais uma vez. Dizer que estes espaços são como na Turquia, é estar completamente fora do contexto. Queremos ver as gentes, apaixonam-nos os rostos, alguns tristes mas com uma vontade enorme de esboçar um sorriso - é algo que encontramos com abundância. Deambulamos, conhecemos, conversamos e vemos gente bonita e isso em Teerão não é nada difícil.

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Vamos almoçar, agora sim... 

 

- Amanhecer em Teerão

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Amanhecer em Teerão...

por Robinson Kanes, em 31.10.19

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

São quatro da manhã e acabamos de chegar no salão de festas (como chamamos ao Boeing 777-300ER) que acaba de aterrar em Teerão. Não somos muitos, a maioria chegou deitada ao longo dos bancos, quase não fomos excepção mas a fome manteve-nos acordados a apreciar as iguarias servidas a bordo.

 

Madrugada quente, como esperamos. Algumas dificuldades com o inglês, sobretudo quando as malas ficaram do outro lado do Golfo Pérsico. Conseguimos encontrar alguém que fala bem francês, temos agora um canal privilegiado de comunicação.

 

Depois dos tapetes de recolha de bagagem, na zona das chegadas, uma celebração! São quatro da manhã, alguém celebra com música e dança um herói desportivo, juntamo-nos à festa e somos agraciados com um abraço. Em Teerão sê iraniano e ambienta-te. O nosso contacto espera-nos com um ar de quem precisa de dormir, temos consciência disso e seguimos caminho.

 

O 206 já não sabe o que é a quinta mudança e a luz do motor ligada já é rotina (mais tarde iremos perceber que não é assim tão fora do comum). Conversamos num inglês complicado - paramos entre o aeroporto e o hotel, a nossa anfitriã oferece-nos água e nós pedimos se têm garrafões para podermos encher os mesmos de gasóleo e levar para Portugal. Sorrimos, encetamos a conversa e falamos de coisas boas, de cá e de lá.

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De repente, um salto de alegria num rosto cansado... "Sabes, tenho uma filha com 7 anos. Vai ser o primeiro dia dela na escola e eu vou levá-la. Estou tão contente!". O sorriso e a felicidade com que esta jovem nos disse isto comoveu-nos - não fossem quase cinco e meia da manhã e a nossa anfitriã ter de estar levantada para levar a filha às sete. Contudo, com o desenrolar da conversa, o pouco optimismo em relação ao futuro nos estudo era evidente - tentámos deixar algum desse optimismo e dar força à mãe para nunca deixasse que a filha desistisse dos sonhos.

 

A noite já quer dar lugar à manhã, e o trânsito começa a adquirir o seu aspecto caótico, tão característico desta cidade - a poluição já é notória, outra característica capaz de, em dias, levar à morte alguém mais fraco dos pulmões.

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Estamos cansados, é hora de nos despedirmos - aproveitamos o quarto apenas para um banho e para o pequeno-almoço. Não esqueceremos aquele sorriso e desejar o melhor para o futuro de mãe e filha. O Irão hóstil? De madrugada e ao início da manhã não...

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Puerto de Vega, e a Entrada na Galiza

Passando por Frexulfe, Castropol, Figueras e Ribadeo

por Robinson Kanes, em 15.10.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Custa-nos deixar Luarca. Custa-nos deixar os diálogos com os pescadores e saber que já não estaremos cá para as próximas chegadas. Já não iremos sentir o cheiro do peixe fresco a inundar aquela pequena lota. 

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Mas seguimos em frente, talvez ainda possamos sentir o aroma da maresia e também algumas "sobras" de peixe em Puerto de Vega. Esta pequenina vila piscatória fascina-nos - é pequena, mas tem vida, tem o cheiro do peixe fresco em cada rua, tem o cheiro do mar tão intenso que nos contagia. Queremos ficar mais, queremos beber aqui um café, queremos por aqui almoçar. Descansa o carro, cansam-se as pernas...

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O caminho é para se fazer, Lugo espera por nós com a sua imponente muralha e não sendo a cidade mais bonita de Espanha, ali já na Galiza, é sem dúvida uma das rainhas daqueles vales e montanhas que percorreremos da já conhecida Ribadeo até Orense. Pelo caminho e antes de outros pueblos dignos de uma visita, a obrigatória paragem em Frexulfe! A "Playa de Frexulfe", monumento natural empata-nos pois a acalmia das águas e todo aquele azul contagiante fazem-nos correr ao carro e ir procurar as toalhas de banho - é obrigatório sair daqui com um mergulho e também com a comunhão única com a natureza, num espaço de uma riqueza imensa e onde ainda conseguimos observar algumas aves de presa, com registos únicos entre as árvores!

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É bom, gostamos e o sol seca-nos... Aproveitamos para namorar, o cenário a isso obriga e aquele dia tão especial entre pueblos marineros e praias que rivalizam com o mediterrâneo só poderiam provocar uma vontade enorme de nos envolvermos em beijos e em apertados abraços.

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Ao longe, Figueras já se aproxima, é a despedida das Astúrias, pelo menos de mais uma visita.  Descansamos numa esplanada junto ao rio, visitamos a belas casas apalaçadas e ao longe, alimentamos a vista com a belissíma paisagem de Castropol que é uma das jóias da Ría del Eo também conhecida por Ría de Ribadeo.

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Castropol apaixona-nos, como sempre... Nem o cansaço nos faz adiar a passagem por esta bela terra e assim teimamos em não abandonar as Astúrias. Ficamos pela fronteira entre a Galiza e as Astúrias que tão bem a Ría demarca.

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Voltamos para trás, queremos passar em Ribadeo. Depois da despedida das Astúrias queremos dar um "olá" à Galiza. É isso que fazemos bem regados com uma "Estrella Galicia" como não poderia deixar de ser.

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Agora é fazer o caminho até Lugo, entregarmo-nos ao verde e alguma montanha, é deixar que as muralhas nos envolvam num sono reconfortante antes de voltarmos a entrar por terras portuguesas. 

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espana_asturias_luarca (1).jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

Cudillero fica para trás e percorremos a estrada de acesso à Autovia del Cantábrico ao som da "Agua Misteriosa" de Javier Limón com a interpretação de Shica - existem coisas de que não abdicamos e em Espanha têm outro sabor numa fusão entre Mediterrâneo e Oriente, mesmo que nas Astúrias.

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Dura pouco, até porque a "Playa Concha de Artedo" recebe-nos para um café. É preciso repor forças antes de chegar a um dos pontos altos deste dia, o "Cabo Vidio" e o seu faro.  Este farol, além da sua localização belíssima, é fundamental para os barcos pesqueiros e de recreio num mar que, de calmo, rapidamente se altera e se transforma em mala mar. O "Cabo Vidio" É um lugar com uma vista inigualável e com uma riqueza em termos de flora e fauna singulares, sobretudo em tão curto espaço.

espana_asturias_cabovidio (1).jpgCalcorreamos toda a área, inclusive a pequena aldeia... Não queremos vir embora e sentamo-nos num dos bancos que permitem vislumbrar o horizonte e é maravilhoso. Uma leve brisa, o tempo quente... Arrependemo-nos de não ter comida a bordo para ali almoçarmos e trocar uma refeição naquele local pelas confortáveis cadeiras de um restaurante. Aproveitamos aquele momento para anotar as praias que já se vislumbram ao longe e que prenderão a nossa atenção: "Playa de Vallina" e "Playa de los Campizales".

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De volta ao caminho, cansados, sentimos que é hora de parar... É hora de nos entregarmos ao silêncio na praia que tem o mesmo nome, "Playa del Silencio". Considerada uma das praias mais bonitas das Astúrias faz jus à fama. O silêncio reinante permite que relaxemos, que pensemos no que está para trás desta caminhada... É bom retemperar forças, respirar a leve brisa marinha... Leve mas retemperadora. Apetece-me abraçar-te e é o que faço e na minha alma escuto novamente Javier Limón com um "Un Trago de tu Vida".

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Continuamos, a manhã está a terminar. Temos tempo para passar em Cadavedo e dar um mergulho na sua praia! É bom, gostamos... Estamos temperados pelo mar e é isso que nos faz parar em quase todas as praias até chegarmos a Luarca. Já não nos interessa o nome das mesmas... Já só nos interessa sentir a areia, as pedras e deixar que o tempo nunca mais se esgote... As Astúrias, seja na montanha ou junto ao mar, permitem que o tempo pare e isso é um dos grandes segredos daquela região.

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É importante alimentar a alma, mas o estômago também se queixa, por isso a vila piscatória de Luarca recebe-nos para um peixe fresco acabado de sair do mar. A verdade é que também não resistimos a uma "Fabada Asturiana" e as coisas complicam-se. Também são necessárias forças para conhecer a vila do nobel, Severo Ochoa

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Percorrer as ruas de Luarca provoca-nos uma sensação estranha: cada canto coloca-nos diante dos olhos a vida de outros tempos e a vida de hoje e mesmo quando o pueblo se anima após a tarde todas essas imagens se confirmam. O farol, as casas e sobretudo a marginal e o porto são as mais-valias deste lugar, sem esquecer as pessoas e a boa comida servida numa esplanada junto ao mar.

espana_asturias_luarca_1.jpgApaixonados por vilas piscatórias ficamos a apreciar a azáfama que já se vai sentindo. Fotogramos, convidam-nos a fotografar como cada registo fosse o relato de uma vida, da vida da faina... Da vida daqueles gentes simpáticas. A verdade é que por esta hora já deveríamos estar em Lugo, mas decidimos ficar junto ao mar, a acompanhar a vida dos lobos do mar... Luarca merece.

 

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cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

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O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

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Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

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Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

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No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

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É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

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Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

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