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Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

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Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

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Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

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A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

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Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

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Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

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Verdades na Estrada...

por Robinson Kanes, em 21.11.18

 

IMG_5865.JPGImagem: Robinson Kanes

 

Uma carrinha de caixa aberta, uma estrada movimentada e uma verdade bem latente, logo abaixo da matrícula. E razão para recordar as palavras do mestre Vergílio Ferreira e pensar  em "quantas vidas se fariam com o que a nossa não utilizou"...

 

 

 

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Do Porto a Cagliari!...

por Robinson Kanes, em 18.11.18

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Imagem: Robinson Kanes

"Sem dar por ela", eis que nos últimos dias me vi no voo inaugural Porto - Cagliari... A Ryanair a fazer das suas, lá me ofereceu simpaticamente um bolo de cenoura e laranja (óptimo, por sinal) e um sumo - e não pagámos! Também nos ofereceu um simpático acolhimento no aeroporto e uma  descontraída tripulação - muito bem disposta - o que permitiu que muitos ficassem calmos face à turbulência causada pelas  tempestades que têm fustigado Itália! Não viajei apertado e não paguei mais por isso também, o mesmo aconteceu com o voo Lisboa - Porto com a mesma companhia.

 

De todas as vezes que tenho viajado com esta companhia, se tenho algo a apontar é a falta de qualidade de alguns passageiros! Afinal, também não fica mal dizer bem da Ryanair, quando todos parecem sempre andar à procura do mais pequeno percalço para criticar esta companhia. Em muitos casos já superou os voos que fiz com algumas companhias de bandeira. Aliás, voltarei para "dizer mal" da Ryanair mas tal será devido à existência de algumas almas que se julgam acima das outras e não sabem a diferença entre bagagem de mão e bagagem de porão, ou então, entre viajar "à borla" ou pagar taxas obrigatórias de bagagem.

 

Foi um momento "mete-nojo" do género estou na Sardenha, mas afinal... Também é daqueles locais que ficamos sempre com vontade de regressar! 

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A Pacata e Firme Caen...

por Robinson Kanes, em 20.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a Igreja de "Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien". 

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a Igreja de "Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

 

Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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Pensei em trabalhar esta imagem, mas revela profundamente o estado de espírito que ali temos, como se fosse um resumo de toda a história trágica da cidade. É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

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Desde o Jardim de Luxemburgo, Uma Paris Quente...

por Robinson Kanes, em 14.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Fim de tarde quente... Anormalmente, Paris estava quente, quente como um deserto com temperaturas a tocarem os 40 graus. Anormalmente, também Paris tinha, finalmente, uma luz... Não era uma luz forte, talvez uma luz diferente mas que colocava a cidade com uma iluminação homogénea mas alegre.

 

Sentada, num banco, a nossa "modelo" da fotografia contemplava o horizonte, algo smoggy mas encantador. Bela contemplação terá sido, pois foi tempo suficiente para aquele clara, de uma tonalidade bretã ficar tocada por uma cor mais escura. Ao longe a Torre Eiffel, imponente, não tão bela ao perto, mas de uma imponência que a tornou na imagem de marca da cidade e, injustamente, até de um país. Ao longe, o verde em contraste com o cinzento enriquecia a visão...

 

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Mas é ali, no "Jardin de Luxembourg", entre o "Quartier Latin" e "Saint-Germain-des-Prés que temos a vista mais romântica da torre em todo o seu esplendor. Entre as árvores que abundam nos 25 hectares de jardim e a vista também para o "Palácio de Luxemburgo" é possível nestes finais de tarde quentes, apreciar uma Paris diferente, uma Paris, aí sim, talvez mais romântica e apaixonante, sem estereótipos ou qualquer outra imagem de marca que nem sempre corresponde à realidade.

 

Com uma pequena coroa de tranças, a nossa bretã - não sei se o seria - apreciava essa Paris, sentia essa Paris. À sua volta a cidade parou, as crianças deixaram de correr, outros pararam as suas leituras, outros bloquearam no seu passeio e assim a cidade ficou à mercê dos seus olhos ou da sua paz... Olhando à volta, percebiamos que afinal a nossa bretã era apenas mais uma entre tantos outros que especialmente respiravam aquele ar quente  e se entregavam a tal contemplação.

 

Naquele final de tarde, Paris escaldava, mas estranhamente parecia mais calma, mais romântica e mais humilde em toda a sua sumptuosidade.

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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 24.08.18

IMG_3401.JPG Imagens: Próprias e GC.

 

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg, localidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não ir a Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

 

Cabourg, no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente, já perto de Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "promenade Marcel Proust" e sentir um pouco certos tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não foss conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente a "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Bom fim de semana...

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Uma Cidade Portuária: Honfleur...

por Robinson Kanes, em 17.08.18

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Imagens: Próprias e GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos do lado de Le Havre, não há como fugir.

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Amor em Tempos de Cólera...

por Robinson Kanes, em 03.08.18

Roubei o título ao grande Gabriel García Marquez... Todavia, com a cólera que grassa neste pequeno planeta que já começa a contratar um cobrador do fraque para saldar a dívida, ainda vai existindo tempo para se amar e apreciar o que é realmente importante .. L'amour...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

E como o amor não se explica, deixo-me envolver por um poema que poderia estar escrito naquele livro e ilustrar aquela cena na "Place des Vosges".

 

Só de espelhos o crânio mobilado

Um corpo de mulher posto no centro

Outro jogo de espelhos lá por dentro

O meu crânio no centro colocado

 

E cada  corpo o crânio projectado

E em nenhum me detendo em todos entro

se de encontro aos espelhos me concentro

se do crânio me encontro descentrado

 

Os espelhos reflectem só o fogo

do sol que desses corpos anda ausente

porque só no meu crânio tem morada

 

E é sem dúvida Amor todo este jogo

É sem dúvida Amor Mas de repente

é sem dúvida Amor e não é nada

 

Mourão-Ferreira, David (1998). "É Sem Dúvida Amor", Antologia Poética, Lisboa, Editorial Presença.

 

Bom fim de semana...

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Atrás das Cegonhas - Almodôvar

por Robinson Kanes, em 10.07.18

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

 

Em qualquer viagem ao Algarve uma paragem em Almodôvar é sempre importante. É fundamental para garantir que as minhas amigas continuam tranquilamente a habitar aquele concelho e dão um colorido especial à chegada à sede do mesmo. 

 

Com os ares da Serra do Caldeirão a contagiarem este regresso, foi necessário escolher um local para o pequeno-almoço antes de voltar à minha visita com estas aves. Nada melhor que o miradouro que fica à entrada da vila e nos dá uma panorâmica da mesma. Levem pequeno-almoço, é obrigatório.

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Tomado o pequeno-almoço, que só acaba com um café já dentro da vila, nada como regressar ao objectivo que me fez sair da auto-estrada, até porque o tempo era pouco, posto que em Faro já me esperava muito trabalho. E é quando, bem perto, sou surpreendido por um espectáculo que é sempre singular, uma cegonha no chão, tentando encontrar algo que também lhe possa fazer dizer que tomou um pequeno-almoço.

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Não há nada que pague tamanho espectáculo em plena planície alentejana. Contudo, apenas uma nota: a distância de segurança foi mantida, e a aproximação não deve ser feita. São animais que estão no seu habitat e por muito que estejam habituados à presença humana não podem ver o seu espaço invadido por nós. Recomendo binóculos, caso contrário ao invés de estarem a apreciar a natureza estão a contribuir para a sua destruição!

 

E a verdade é que quem tem binóculos vê mais ao longe do que quem não os tem e está perto. A surpresa acabou por chegar e está bem representada na imagem abaixo.

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 É nestes momentos que percebemos que o melhor da vida não tem preço e que as coisas mais espectaculares que podemos observar, por vezes, estão mesmo ali ao virar da esquina. Admito que me considerei um privilegiado, e como eu outros, mas de facto, esta imagem fez-me ficar por ali mais tempo do que esperava.

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 Simplesmente maravilhoso. Mais uns minutos a apreciar e eis que é chegada a hora em que o relógio nos diz que temos de voltar. E, mais uma vez, levo comigo a imagem destas grandes e belíssimas aves e, ao invés de voltar à auto-estrada, sigo pelas planícies do Alentejo onde pequenas elevações já anunciam as curvas do Caldeirão.

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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