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Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

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Uma Lição dos Tempos de Salazar...

por Robinson Kanes, em 21.12.17

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 Fonte da imagem:http://teatromunicipal.cm-braganca.pt/frontoffice/pages/98?event_id=372

 

Não vivi os tempos de Salazar, no entanto, ouvi muitas histórias de um lado e de outro e no final... A minha conclusão é que as coisas também não são sempre como se contam. O pós 25 de Abril, que ainda hoje na cabeça de muitos está tão actualizado como nos anos de 1974 ou 1975, levou a que poucos ousassem falar bem de uma outra situação anterior a 1974... É estranho, contudo, essa situação, posto que, muitos dos que nos governam hoje em dia, inclusive o Presidente da República, defendiam o regime ditatorial com unhas e dentes, aliás, até almejavam posições de poder no mesmo. Também é interessante que se implemente uma Democracia mas depois exista tanta dificuldade em aceitar o que de bom possa ter ficado para trás...

 

Assim sendo, se podemos ter um Presidente da República que foi apologista de um regime ditatorial, mas agora governa em Democracia, também posso falar bem de alguns episódios acontecidos aquando desse mesmo regime ditatorial. Conto esta história como me contaram, e vindo de quem veio, não tenho a mínima dúvida de que é verdade...

 

Estávamos em Lisboa, o Presidente de uma Câmara Municipal do distrito de Braga acabava de chegar para uma reunião no Ministério, ou seja, para uma reunião com o intuíto de solicitar mais abertura orçamental para o concelho em questão. Este era acompanhado do filho, um miúdo dos seus 11/12 anos.

 

Ambos ficaram num hotel no Rossio e haviam combinado assistir a uma peça de teatro mais tarde. Assim foi, no entanto, à saída do hotel, o pai procura encontrar um taxi que os levasse ao teatro escolhido ou dá a sugestão de fazerem o caminho pela Avenida da Liberdade a pé.

 

Perante este facto, a criança inocente e estupefacta, perguntou ao pai porque é que não chamavam o motorista e seguiam no carro oficial... A resposta não tardou:

 

- Mas tu achas que o carro com o motorista é para quê? O carro é para nos trazer aqui em trabalho e para nos levar de volta para cima! O motorista não é nosso criado para nos andar a levar ao teatro e ninguém tem de pagar para que andemos aqui a passear. O carro é para uso em trabalho!

 

Ainda hoje, esta história é contada com saudade e para ilustrar que nem os regimes anteriores têm de ser 100% pejados de maus episódios e as democracias nem sempre são sistemas onde tudo corre na perfeição. Ainda hoje esta história é recordada como aquela em que Marcelo Rebelo de Sousa, tentanto acompanhar o pai na tribuna ministerial foi imediatamente "posto a andar" por não fazer parte do Governo da época.

 

Numa altura em que se fala tanto de usos e abusos da res publica, talvez a lição do Dr. Avelino nos faça pensar na história que muitos preferem não contar de modo a legitimar as suas ditaduras democráticas. Talvez aí também estejam importantes contributos de como se governa com e para o povo.

 

P.S: qualquer indivíduo que se diga democrático e tenha alguma capacidade racional, perceberá que não estou a fazer a apologia de uma ditatura.

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Nunca Mais Acaba o Natal!

por Robinson Kanes, em 27.11.17

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Fonte da imagem:  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/89/16/3f/89163f33a238b5e825a89d506be59013.jpg

 

(Original publicado a 30 de Novembro de 2016 e agora reeditado com outro sabor...)

 

Já estamos na época natalícia... O vizinho da frente já comprou um lote de luzes que dava para iluminar Amesterdão inteira, mesmo naqueles dias mais escuros. Obviamente que o vizinho do lado, não querendo ficar para trás na corrida energética, comprou um lote de luzes que obriga os aviões com destino a Schiphol a mudar de rota e a aterrar em Haia devido ao encandeamento provocado pela fortaleza de luzes capaz de fazer inveja a qualquer artilharia anti-aérea.

Não vou questionar a vertente comercial do Natal. É preciso vender e, em alguns casos, antecipadamente. Um exemplo? Os jantares de Natal das empresas, isso leva tempo e começar em Setembro pode ser um bom ponto de partida.

E quem não gosta de andar por Praga, Nuremberga, Dresden e outras cidades e sentir o espírito dos mercados de Natal? Quem não gosta do convívio, de um Glühwein ou de uma boa conversa embrulhado em cachecóis e casacos bem quentes? E a entrada é grátis!

Todavia, em alguns países (Portugal também), tenho a sensação de que quando chega o dia de Natal, para muito boa gente, é o dia em que finalmente chega a paz e o sossego! Acabou-se a injecção de anúncios, catálogos no correio, as músicas da Mariah Carey ou então “midis” com o “jingle bells”, crianças aos berros, os peditórios, os “emails” de boas festas formatados, as propagandas de Governos que fazem lembrar as ditaduras sul-americanas, e aquela correria de comprar coisas mais caras e que também existem a melhor preço noutras épocas do ano.

 

E quem é que não adora circular num hipermercado num ou num centro comercial, numa época tão bela e de paz, mas que se não toma cuidado ou é empurrado ou atropelado por um conjunto de gente com mau feitio e com o desejo de comprar qualquer coisa, qual leão atrás de uma palanca - eu acredito que não é fácil ter dinheiro na carteira e poder gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, mas vejamos, nem todos podemos ter a sorte de viver na Síria, no Egipto, no Bangladesh ou na Venezuela! Não andem tristes nem se comportem como autênticos figurantes do videoclip do “Thriller” de Michael Jackson. Infelizmente, ter dinheiro para gastar e poder acumular dívidas tocou-nos e temos de viver com isso, por isso que o façamos com um sorriso e simpatia e respeito pelos outros... Eu sei que não é fácil, mas os outros também conseguem viver.

 

Depois temos as “Black Fridays”, que, num país com mais dias de promoções que habitantes faz claramente todo o sentido. Faz tanto sentido que alguns até vão mais longe e criam os “Black Weekends” ou as “Black Weeks” não vá escapar algo à nossa lista de desejos.



Acredito até, que o dia de Natal, ou mesmo a consoada, são uma tremenda ressaca e que o ar enfadado, na cara de muitos, prova isso mesmo. Lá se vai um subsídio para meia-dúzia de horas e ainda por cima para marcar no calendário esta comunhão. O dia de Natal em si, é feito sentado à mesa e numa apatia muitas vezes assustadora... É preciso comer e ficar com um aspecto anafado! Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão). Não esquecemos que a fauna portuguesa precisa de épocas impostas para festejar algo... Mesmo que acabe farta e cansada com uma expressão de cara de atum.

A vertente consumista (mesmo a dos peditórios) é tanta e tão mecanizada como a própria época que questiono se ainda existe Natal. E nem sou daqueles que vê o Natal com o menino Jesus nas palhas deitado (ou será nas palhas estendido?) ,mas sim o Natal como uma época que se sinta, que se viva, que se experimente com naturalidade e com a emoção devida, independentemente da religião ou qualquer outra convicção... Se tiverem oportunidade de partilhar e "ensinar" o espírito de Natal com indivíduos que não são crentes arriscam-se a ter um Natal mais cristão que os próprios cristãos...

Talvez seja uma visão romanceada... talvez seja até uma visão infantil, mas tal como Saint-Exupery, eu próprio possa ser levado a pensar se a infância em Saint-Maurice-de-Rémens não teria sido o corolário de uma vida e o que aí se seguiu uma luta pela verdade e pela realidade da mesma.

 

P.S: E porque já se fala de Natal, o meu desejo é  que ninguém se lembre de me proibir de sorrir ou cantar no carro... Se o ACP (Automóvel Clube de Portugal) e a LPCPBD (Liga Portuguesa Contra as Pessoas Bem Dipostas) começam a perceber que existem muitos indivíduos como eu, vão perserguir-nos como a qualquer fumador que puxe do seu cigarro dentro do veículo. Eu sei que é uma forma estúpida de conseguir financiamento para campanhas e para algumas carteiras... Mas isso não!

 

 

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"Ter de Ser é Ter de Morrer".

por Robinson Kanes, em 10.10.17

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Ontem escrevi sobre a morte, aliás, penso que escrevi sobre a vida... Tentei rondar algumas das minhas inquietações, colocando o "nós" perante a morte como um não "nós", como um nada, pelo menos enquanto humanos. Procurei, com base numa abordagem mais literária e cientifica, trazer a importância do Homem no quadro do seu destino e de como este ainda não percebeu a enorme responsabilidade que lhe foi atribuida, mesmo tendo chegado à conclusão que não é possível delegar a mesma num ser superior para lá de toda e qualquer possível interpretação.

 

Ao reler o texto de ontem fui novamente à procura Levinas (que também serviu de base), mais precisamente ao seu "Deus, a Morte e o Tempo". Voltei a Levinas, talvez depois de reler nos meus apontamentos a sua interpretação do "ter de ser é ter de morrer", frase que resume a primeira parte do meu texto de ontem. Mas Levinas vai mais longe e coloca-nos perante a realidade de que "a fuga diante  da morte é que atesta a própria morte". Será que ao não fugirmos da morte viveremos mais? Será essa uma forma de protelar a nossa morte e viver um dia-a-dia mais tranquilo? Mas será também esse o caminho mais correcto, o de fechar numa gaveta essa realidade que pode ser o próximo instante?

 

Os antigos, e algumas sociedades ainda hoje convivem bem com a morte, mas a esse contexto está agarrado um outro factor que é uma profunda fé (maior parte das vezes) em algo sobrenatural. O homem medieval do ocidente lidava muito bem com a morte, recebia-a tranquilamente e tudo se cumpria num ritual minuciosamente preparado. No entanto, este não tinha dúvidas de que seria recebido nos céus... Aliás, todo o trabalho de fuga ao "inferno" era realizado muito antes de forma a evitar o castigo divino - hoje, no entanto, percebemos que também foi enganado por uma estrutura religiosa.

 

Fui relendo mais umas páginas, cruzando anteriores leituras com a actual e no fundo a conclusão foi óbvia: "a morte não é, então, o acabar de uma duração feita de dias e de noites, mas uma possibilidade sempre aberta". É uma fuga constante, de facto, mesmo que não demos conta dela, é o facto dessa possibilidade existir, mesmo que não pensemos nela, daí o nosso choque com a morte fora da "idade para a mesma", talvez influenciados por aquilo que, mais uma vez, Levinas diz e que se resume no seguinte: "fugimos à morte mantendo-nos ao pé das coisas e interpretando-nos a partir das coisas da vida quotidiana". É talvez essa fuga com motivos distractores que nos fecha neste círculo - fugimos sem ter sequer consciência disso, mas estamos nessa fuga constante. Será também essa fuga e permanência perto das coisas da vida que permitem a própria vida como a conhecemos.

 

Mais uma vez, penso que esta reflexão faz-nos pensar no tipo de vida que queremos, naquilo que ambicionamos e nos guia no quotidiano. Talvez isso, apesar de ser uma covarde fuga, nos permite encetar caminhos mais claros, justos e com uma enorme responsabilidade perante nós, perante os outros e a sociedade em geral... Podemos pensar nisto e, no fundo, conservar alguma esperança, pois "não podemos ignorar o nada da morte, mas também não o podemos conhecer". Por estas palavras, Levinas tentará criar aqui uma atenuante ao estado "negro" dessa condição humana e abrir caminho para uma certa fé/esperança, cabendo a cada um interpretá-la de diferentes formas e com isso estabelecer um caminho de vida que lhe permita ser feliz e permitir que os outros também o sejam... Mesmo que sem fé em algo para lá da morte...

 

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Quando Cai a Cruz...

por Robinson Kanes, em 09.08.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Numa deslocação a pé, eis que me deparei com a imagem que dá cor a este artigo. Pensei imediatamente numa frase de Rousseau que podemos encontrar no "Contrato Social"... Dizia Rousseau que "quando a cruz expulsou a águia todo o valor romano desapareceu".

 

Olhando o cenário que partilho convosco, penso no que diria Rousseau se estivesse no meu lugar àquela mesma hora e encontrasse este cenário.

 

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Como vê a malta do bairro, iletrada e sem visão, a vida pública e o status quo? Permitam-nos, mas temos de sair cedo de casa e chegar tarde para auferir os 557 euros que conseguimos naquele trabalho onde fomos escolhidos pelo nosso mérito, pelo que, perdoem-nos algumas falhas. Nós não temos voz porque preferimos ficar agarrados aos nossos valores e não pretendemos ser “boa onda”.

 

O Exame Nacional de português não vai ser repetido. Dizem que serão encontrados os culpados. Digamos que é o mesmo que colocar um vídeo com conteúdo sexual da Kim Kardashian na internet e ao fim de um mês procurar encontrar todos aqueles que fizeram o download! Ao fazer isto, o Ministério da Educação, sim... O Ministério da Educação está a dizer aos futuros trabalhadores e líderes deste país que tudo é permitido desde que não se seja descoberto ou que o aparato seja tanto que não justifique uma intervenção radical. Liderar pelo exemplo diz-se muito por aí... Diz-se...

A malta do bairro dá os parabéns por estarmos a ensinar aos nossos jovens que o crime compensa! Depois admirem-se de se candidatarem a um concurso público e o selecionado ser da família de Carlos César e nem ter passado pelas provas que vocês passaram.

 

O Governo (este e muitos outros) tem sido um grande defensor da protecção civil... Não! Tem sido um grande defensor do SIRESP. Adquirir um sistema ao dobro do preço do espanhol, altamente falível e envolver alguns amigos que trabalham pro bono (sempre pro bono, como se existissem almoços grátis...) é o que está a dar... E o Tribunal de Contas até discordou, mas afinal quem é o Tribunal de Contas neste país? Uma espécie de Presidente da República que fala pouco, mas quando fala toca realmente na ferida, a diferença é que ninguém o ouve - dizem que não é afectuoso na abordagem - além disso, o debate sobre quem teve culpa nos fogos passou a assentar no SIRESP... Enquanto for o SIRESP não se pensam nos verdadeiros culpados. Mais uma vez, compram-se umas antenas e diz-se que as coisas estão a funcionar bem e problema resolvido...

 

Ainda a propósito de amigos e festa, parabéns pela mediocridade de um povo que vibra mais com flatulência do que com situações realmente sérias. E como é bom vê-los pelas ruas, pelo digital, pela rádio e pela televisão a usarem um termo como se sentissem alemães de Lubeck que acabaram de chegar às Canárias! Não foi só o Direito, os Esgotos, a corrupção e a Fábrica da Louça de Sacavém que herdámos do tempo dos Romanos, também foi o “Pão e o Circo”. Desde que nos sejam impingidas certas figuras a toda a hora e se passe a imagem de que é cool, estamos no caminho certo para gozar com a nossa própria cara, mas sem darmos por isso... Numa coisa um certo indivíduo tinha razão quando por outras palavras disse isto: "meus grandes palermas, vocês comem tudo o que vos dão, desde que meia-dúzia de pseudo-celebridades e jornalistas a soldo digam que eu sou cool".

 

 A conversa e imagens estupidificantes sobre flatulência revelam a inteligência de muito boa gente. A malta do bairro é iletrada, deve ser por isso que não compreende este aparato... Perdoem-nos, não andámos nas melhores escolas nem tivemos a melhor educação para alcançar tal patamar de inteligência!

 

Finalmente... Sempre gostámos dos concertos solidários. Faz-se um espectáculo que ajuda sempre à imagem dos artistas e todos pagamos a factura dos estragos mas não exigimos que os responsáveis pelos estragos se sentem numa sala de audiências. É uma espécie de juntar o útil ao agradável, senão veja-se: vamos cantar e dançar a um preço simpático, colocamos umas fotos para mostrar que lá estivemos e, além de sermos muito solidários, mostramos que somos malta muito vanguardista.... Além disso, o donativo é uma espécie de penitência pela nossa cegueira colectiva face aos principais assuntos da nação. É como queimar uma vela em Fátima ou deixar uns trocos na caixa das esmolas e nem procurarmos saber para onde vai o dinheiro. A intenção está lá e é o que importa! Estou redimido!

 

Agora a malta do bairro vai trabalhar, esta noite houve uma rusga e ninguém dormiu, o “Beto Mãozinhas” voltou a roubar duas laranjas da mercearia do “Inácio” e arrisca-se a ser condenado a uns bons anos na prisão. Bem lhe disse a mãe um dia: “vai à escola, não estudes muito, escolhe os amigos certos e depois aprende a estar na sociedade”. Soubesse o Beto quão sábias tinham sido aquelas palavras e nada disto teria acontecido... E logo o “Beto”, que não é capaz de dizer um palavrão sobre flatulência e sentir-se importante com isso... Coisa pouco inteligente...

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Tudo Normal...

por Robinson Kanes, em 10.04.17

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Vincent Van Gogh, O Salão de Baile em Arles (Museu D'Orsay)
Fonte da Imagem: Própria

 

Vivemos numa época em que tudo parece ser normal...

 

É normal que um sem número de indivíduos menores tenha 500 euros disponíveis (mínimo) para ir para Espanha consumir alcóol e drogas, praticar sexo desenfreadamente e não contentes com isso ainda possam destruir um hotel. É ainda mais normal que adultos reconheçam que pintar paredes, disparar extintores, partir vidros e simplesmente fazer barulho como se todos os outros indivíduos normais se tivessem de sujeitar à delinquência de meia-dúzia de filhos de outros pais é... normal. Pais que estão mais preocupados em alimentar a sua e a neofilia dos filhos do que propriamente lhes dar educação. 

 

É normal andarmos apoquentados com a luta pelo título de futebol e termos o fim de semana estragado porque meia dúzia de pessoas insistem em falar de guerra e agora se lembraram de falar mal dos delinquentes que envergonham Portugal. Afinal é normal dizermos que comportamentos (nem sempre educados) como os de Ronaldo e Mourinho são exemplos a seguir, os verdadeiros portugueses... a imagem de Portugal, é normal. Batemos palmas à falta de educação destes mas depois censuramos as crianças a quem dizemos que estes são o exemplo... é normal.

 

É normal querermos que os Admninistradores Executivos do Pingo Doce não ganhem milhões, mas não é normal questionar os movimentos salariais e outros que ocorrem no futebol... aliás, ainda batemos palmas.

 

É normal e vai passar a ser ainda mais normal que estejamos a tomar um café tranquilamente e nos entre um camião pela porta. É normal ouvir muitos portugueses dizerem que ficam assustados com este tipo de ataques porque assim já têm de mudar os planos de férias - eu quero lá saber de egipcios, suecos, franceses, alemães, israelitas, indonésios e outros, eu quero é ir passar férias sem ter de pensar em terrorismo. 

 

É normal que maior parte das pessoas com quem falo se diga não católica ou católica não praticante mas não abdique de um feriado religioso (que muitas vezes nem sabe a origem) para poder estoirar todo o salário de um mês - Retirar o feriado? É que nem pensar!

 

É normal que Estados Unidos ataquem a Síria, que Russos e Iranianos ameacem com retaliações e também é normal que uma frota de vasos de guerra norte-americanos se esteja a deslocar para águas do Mar do Japão.  É normal, até já "vi" este cenário em Espanha quando eclodiu uma Guerra Civil... com as consequências que veio a ter mais tarde.

 

É normal lamentarem-se tantas mortes, sermos tão solidários, mas no fundo não passarmos de egoístas que desejamos é ter distância desses cenários.

 

É normal continuarmos a alimentar guerras entre religiões (que nunca deram provas de nada - e aqui não questiono a fé) e não atentarmos em nós como homens (com prova cabal de existência) capazes de dirimir tantos e tantos conflitos. É como se a religião possa permitr que deixemos de ser homens e nos comportemos como autênticas bestas porque delegámos o controlo da nossa estupidez em alguém ou em algo que nunca vimos mas acreditamos que exista.

 

Mas, como já pensava outrora Vergilio Ferreira (in "O Existencialismo é um Humanismo"), talvez seja normal que me equivoque do que julgo que vejo...

 

 

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