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A pensar Istambul...

por Robinson Kanes, em 08.09.20

istambul (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Hoje é terça-feira, é dia de andarmos pelo SardinhaSemLata... Atravessamos o Bósforo e pensamos a cidade... Podem encontrar-nos aqui.

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Playlist porque não me consigo desligar...

por Robinson Kanes, em 01.07.20

Istambul.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Por aqui vou andando... Não há forma de fugir destas terras que me sugam e às quais me entrego com o maior prazer. Esta semana, apesar das memórias e de uma apaixonante fotografia que me chegou da fronteira com a República Democrática do Congo, foi a música que, mais uma vez me levou a sentir o sabor das terras para lá do Adriático, para lá do Trieste. Talvez, por isso, enquanto o "Vallado Tinto de 2014" teima em saltar do copo, me deixe levar pelas longas caminhadas do oriente... Daquele oriente que não consigo deixar...

 

Começo por Tigran Hamasyan, que já foi presença por aqui e cujo último concerto na Gulbenkian deixou o público completamente rendido à humildade e qualidade artística de um dos melhores músicos do nosso tempo. Fica "Lilac" para ouvir enquanto os nossos ouvidos descansam dos sons das montanhas arménias. Invejo Tigran Hamasyan pelo facto de viver em Yerevan com vista para o Ararate.

Falei do concerto de Novembro de 2019 na Gulbenkian e também só posso recordar Norayr Kartashyan, um homem que domina o duduk e não só. Sempre envolvido em vários projectos foi uma fantástica descoberta... Deixo-me levar por "Hayr Komitasin", é simplesmente genial e só me recorda longas caminhadas com o pó na cara, um pó especial que, ao chegar a bom porto, não queremos que nos saia do rosto...

Aram Movsisyan poderá não dizer muito a uma grande maioria de quem me lê mas na Arménia é um Senhor. A sua voz faz-nos amar ainda mais este país único. Deixo que o tinto descanse enquanto fecho os olhos e escuto esta música tradicional arménia, "Havun Havun",acabo por recuar ao século X.

Não podia deixar a fronteira arménia sem ouvir Lévon Minassian, um dos mais conhecidos e mais famosos intérpretes da "flauta mágia arménia". Da banda sonora do filme "Bab'azis: Le prince ici fils contemplait âme" é uma das suas interpretações de excelência e uma das mais conhecidas (a composição coube a Armand Amar)... Não importa rebuscar muito quando a nossa cabeça pisa terras que nos engolem pela história e quando são artistas deste calibre a comprarem-nos o bilhete para as mesmas. O gosto pela música e pela banda sonora fez-me ver o filme, como não poderia deixar de ser... Genial! Retiro o meu chapéu a Nacer Khemir.

Na música electrónica, as sonoridades árabes são sempre uma das coisas que me fazem apreciar o género... Não sendo daquelas bandas, os Acid Arab são sem dúvida um fenómeno onde o moderno e o tradicional, de facto, quando se juntam, podem dar um excelente resultado! Juntem uma discoteca em Budapeste ou uma travessia pelo Qatar ao volante de um Mitsubishi Pajero e esta música no rádio e... Enfim, existem coisas que não se contam... "Zhar"!

Não podia deixar escapar o Irão, e por isso, também não posso deixar de trazer dois exemplos da música contemporânea do Irão e que preservam as raízes em cada nota e em cada acorde. No Irão ainda não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas, caso contrário, era com todo o gosto que beberia num qualquer café em Isfahan um copo com estes senhores: Shahram Nazeri e Hafez Nazeri com "The Passion of Rumi".

Uma das vozes iranianas que mais aprecio... A curiosidade e a partilha de conhecimentos levou-me até Shiraz para descobrir Sara Naeini. Aprecio uma grande maioria das músicas deste intérprete, mas na escolha de uma, difícil... Fico-me por "Del Yar" embora reconheça que a versão de "Jane Maryam" está qualquer coisa! Inspiradora, simplesmente inspiradora e como é bom pisar Shiraz mais uma vez...

Prometo deixar o Irão, mas não posso deixar esta terra sem voltar ao filme "Bab'Azis" e encontrar a bela actriz Ghazal Shakeri que também canta e foi nessa banda sonora que descobri uma das muitas pérolas desta senhora: "Song of the Red Dervish". Existem coisas que se gostam e não sabemos explicar...

De um filme que me apaixonou, ficou-me, à semelhança de tantos outros a banda sonora... "Istambul Kirmizi" ou também conhecido como "Rosso Istambul" trouxe-me uma experiência cinematográfica inesquecível e uma banda sonora de Giulian Taviani e Carmelo Travia, mas como diria a personagem do Tele Rural Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. Destaco a conhecida (pelo menos na Turquia) Gaye Su Akyol com "Kırmızı Rüyalar". Para nos deixarmos envolver e dançarmos na sala... Adoro esta "miúda". Com tempo, escutem também "Cehennem Meyhanesi".

Deixo uma surpresa para último. Também por intermédio do cinema, descobri uma actriz que tem uma voz especial: Demet Evgar. Não é uma pop star mas gosto da voz... Ficou-me e partilho uma das peculiares músicas que fui encontrando da mesma, aqui com Kemal Hamamcıoğlu. Sentemo-nos numa árvore e escutemos "Mak Mek Mok".

Sinto saudade... Sento-me perto Anadolu Hisarı e contemplo o Bósforo seguindo as suas águas até ao Mar Negro, até um novo Mundo, até uma nova paixão...

 

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iran_qatar.JPGImagens: Robinson Kanes

 

 

Apenas se descobre uma vez o que é a guerra, porém descobre-se repetidamente o que é a vida.

André Malraux, in "A Esperança"

 

 

Estamos em Outubro... Outubro adivinhou-se como o início de um ano, como um início de uma nova época. Uma espécie de lavagem mental. As coisas, por vezes são assim... 2020 terá chegado mais cedo, quiçá.

 

E como o fim-de-semana se aproxima, nada como uma sugestão para quem também atravessa o deserto, seja ele nas profundezas da alma seja ele na realidade em que os lábios se queimam, a cara escurece e a areia parece criar uma pelicula no nosso rosto! E haverá lá coisa mais maravilhosa que isso? Tinariwen é daqueles sons que sabe bem ouvir - nos momentos mais introspectivos ou naqueles momentos em que um jipe, um tractor ou as sapatilhas fazem levantar os grãos de areia que esvoaçam ao sabor do vento. Fica "Sastanàqqàm" desta banda tuareg que é um sons vivos do Saara. E do Saara para o mundo, em qualquer deserto, é a banda sonara ideal.

Lembro-me agora de um filme... Um filme diferente e que fez grande sucesso há pouco mais de 10 anos! De Ari Folman, "The Watlz of Bashir" não é mais que o drama daqueles que tiveram de assistir impávidos e serenos a um dos episódios mais negros da história do Libano e de Israel, o massacre de Sabra e Chatila!  Já passaram 37 anos e muitos no Libano e Israel ainda deveriam ter vergonha só de pensar no dia 16 de Setembro de 1982! As Nações Unidas chegaram mesmo a declarar este acto como um genocídio contra palestinianos! Alguém se lembra? 

Para ler, talvez um relato (não pessoal) do que foi a Guerra Civil de Espanha, talvez uma lição de história e humanidade. Talvez um dos livros obrigatórios do século XXI, embora tendo sido escrito por um mestre do século XX: "A Esperança" de André Malraux.

 

Todos sofrem, pensou, e cada um sofre porque pensa. No fundo, o espírito só pensa o homem no eterno, e a consciência da vida só pode ser angústia.

André Malraux, in "A Esperança"

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E porque é fim de semana, é sempre bom pensar que o Estado turco (não a Turquia) ataca sem qualquer pudor o curdistão Sírio matando homens, mulheres e crianças, muitos deles que gostavam de saber o que é um fim de semana como nós o gozamos... Isto enquanto os Estados Unidos da América deixaram os seus aliados contra o Estado Islâmico completamente desprotegidos e ao abandono - uma verdadeira traição! Ainda dizem que o Ocidente é exemplo para alguém...

 

Bom fim de semana,

 

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Não é novo que um mês em Istambul me deixou agarrado àquela cidade e ao próprio país. Também por aqui já abordei um sentir da cidade de todas as culturas...

 

Se podemos falar de sugestões, nada como uma leitura por Orhan Pamuk, sobretudo do seu penúltimo livro "Uma Estranheza em Mim". Pamuk é o cronista de Istambul na primeira pessoa e foi também graças a escritor que me foi possível compreender a dinâmica desta cidade, fora dos livros de história e sociologia, bem para lá de Sultanahamet ou Galata... O que parece um livro sem fim e que lentamente vai contar a história do vendedor de boza (Mevlut Karatas) sem grande entusiasmo, transporta-nos para as ruas dos "novos" bairros pobres que contribuiram para que entre 1969 e anos mais recentes a cidade aumentasse de 3 para 13 milhões de habitantes. Mas a história começa numa aldeia Anatólia Central e é aí que vamos sendo levados pontualmente numa espécie de contraste com a própria Istambul, ou entre a Turquia profunda e a Turquia mais cosmopolita.

 

Não é de todo um livro inacessível, aliás, é uma lição de história, cultura, antropologia, urbanismo e até felicidade... Com especial interesse nessa última área, encontrei aí um bom exemplo de estudo, embora seja pouco ou nada mencionado nas criticas que vi à obra, por norma sempre pesadas e que tendem a afastar leitores mais cépticos - aliás, em música, literatura, pintura e outras artes nunca entendi esta forma europeia de complexificar tanto as coisas que a dita democratização das artes parece uma miragem. Não se assustem, assim que começarem a ler não vão querer parar e o discurso é simples, é mais fácil compreender o livro que as análises ao mesmo. 

 

IMG_20170904_091802.jpgPode também parecer "tolo", mas a par das peripécias que envolvem o casamento de Mevlut, não consegui deixar de pensar na prática do "casamento e fuga" também alvo da etnologia no contexto da comunidade piscatória da Nazaré. É Istambul no seu dia-a-dia, da pressão do Estado, das máfias "bondosas" que acabam por comandar os submundos e os destinos de muitos, é a felicidade com pouco, mas com fortes alicerces na família (primos), nos amigos (Ferhat) e naqueles que encontramos dia-a-dia - interessante a relação que Mevlut acabará por ter com o " Santo Guia". É um relato realista, sem qualquer fantasia mas também sem qualquer necessidade de adensar a tristeza. Discordo quando a obra é tida como uma "novela trágica"... Só de um sofá numa confortável cidade europeia podemos tecer tal afirmação...

 

 É a realidade aqui tão bem escrita e que me transporta para aquele mês em que vi muito do que nestas páginas é apresentado. Como eu, chego à conclusão que no misto de tristeza e encanto com Istambul, também Mevlut é um apaixonado pela mesma.

 

 

É envolvente como, com o livro a meio, e ainda antes de fecharmos os olhos, nos deitamos na nossa cama e temos a sensação de ouvir lá fora a personagem de Mevlut a apregoar "Boooooooo-zaaaaaaaa". Experimentem e deixem a noite alta chegar e ouçam o som da vossa cidade, vila ou aldeia...

 

Finalmente, uma nota musical para me lembrar esta cidade: os "Light in Babylon", uma banda turca de Istambul com várias influências, ou não fosse Istambul uma mescla de povos e culturas. Não sou confesso adepto da voz da vocalista, contudo, não deixa de ser um banda que me atrai pelos temas explorados, pelas letras e sobretudo pelos ritmos árabes, turcos e judaicos. Uma das minhas composições preferidas tem o nome da cidade: "Istambul".

 

 

É uma das companhias para alguns crespúsculos e sobretudo para recordar terras distantes ou, como Mevlut, percorrer os diferentes bairros de Istambul. A encontrar o vendedor de boza - coisa rara - e a descobrir naqueles olhos as inquietações do seu dia-a-dia que só era, apesar do cansaço e árduo trabalho, enriquecido com a venda desta iguaria. Talvez as ruas de Istambul sejam perfeitas para isso, talvez sejam um misto de inquietação e paz que nos transporta para outra dimensão enquanto um simit nos alimenta o estômago e a alma.

 

Deixo mais uma das músicas que aprecio desta banda, 

  

 

 Boa Semana...

 

Boza: bebida tradicional asiática à base de trigo fermentado, de consistência grossa, cor amarelo-torrado e de baixa graduação.

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IMG_20170706_083051.jpg

Fonte da Imagem: Própria

 

Amanhã andarei ausente, ou melhor, vou andar noutras paragens deste mundo que é a blogolândia...

 

Também não irei estar agarrado ao ferro! Contudo, nem só o ferro nos inspira, pelo que aponto para algumas sugestões a ter em conta para o fim de semana e para a semana!

 

Terminada a obra "Uma Fenda na Muralha" de Alves Redol,  pergunto: como é que com tanto filme já realizado, ainda não se fez um filme baseado nesta obra? O argumento está praticamente feito e a mestria de Redol é latente. Se este livro chega a Hollywood temos filme para óscares, bem melhor que o "Perfect Storm" de Wolfgang Petersen. Foi esse o motivo que me fez arrancar  para a "Barca dos Sete Lemes", também de Redol. Deixei a Nazaré com o arrais "Zé Diabo" de "Uma Fenda na Muralha" e rumei ao não menos árduo Ribatejo! Ao cabo de 100 páginas, posso dizer que não me arrependo minimamente, ou não fosse o neo-realismo uma das minhas correntes de eleição. O modo como Redol olha para estas gentes é de uma proximidade e carácter etnológico surpreendentes. Num discurso simples mas aritisticamente talhado faz-nos questionar e admirar uma realidade que não tem assim tantos anos e não é diferente de muitas que encontramos nos dias de hoje.

 

Para um passeio, porque não a Praia de Vale Figueiras, a Praia da Arrifana ou até a Praia da Amoreira? Sigam os artigos já publicados clicando nas mesmas.

 

Uma música para o fim de semana? Talvez inspirado pelo filme que vou sugerir, recomendo o albúm "La Sublime Porte - Voix d'Istambul" de Jordi Savall. A música otomana, arménia e judaíca conjugam-se em notas e ritmos que nos vão transportar para a época em que o Palácio de Topkapi (Istambul) era um dos mais movimentados e a sua corte uma das mais poderosas do mundo! É de facto uma obra fascinante e que nos faz crescer, aprender e sonhar! Perfeito seria ficar numa das varandas do palácio a contemplar o Bósforo e a ouvir estas sonoridades...

 

Finalmente, um filme! Cinema turco, "Babam ve Oglum / Meu Pai e Meu Filho": devo dizer-vos que é um filme que me encantou desde o início porque nos leva de Istambul para Izmir e traz-me saudades daqueles 30 dias em que fui turco. No entanto, o filme  de Çagan Irmak começa trágicamente com uma morte no parto e leva-nos à Turquia dos anos 70-80, e dos seus golpes militares. Do filho que regressa a casa do pai e que agora traz também consigo o seu próprio filho! A luta e o reencontro entre pai, filho e neto, bem como algumas pequenas passagens que nos dão algumas lições de vida na relação entre parentes tão próximos. É claríssimo ao longo do filme alma turca, sobretudo daqueles que vivem fora de Istambul, da aspereza (muitas vezes exterior apenas) dos homens e da sensibilidade, carinho e doçura das mulheres daquela região, as gargalhadas de Nuran são um dos melhores exemplos. Mais não conto, vejam por vocês próprios, o filme existe com legendas em inglês se procurarem por aí... Uma nota para a banda sonora que deu o prémio de revelação do ano 2006 nos "World Soundtrack Awards" a Evanthia Reboutsika.

 

Bom fim de semana ou Bom trabalho...

 

Uma nota do disco "La Sublime Porte - Voix d'Istambul"

 (Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo)

O trailer em inglês de "Babam ve Oglum"

(Aguarda Resolução de Problemas por parte do Sapo) 

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Istambul... Minha Princesa...

por Robinson Kanes, em 02.01.17

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Atravessando o Bósforo até ao Mar de Marmara

 

 As notícias de Istambul, aliás, da própria Turquia não param de chegar. São os Golpes de Estado, são os atentados, é o ódio contra tudo o que é turco. Não se faz um Je suis Istambul, afinal quem é que quer saber da Turquia para alguma coisa? Acham que os meus amigos vão ficar mais meus amigos por isso? Só resulta se for em Cannes, aí sim, Je suis Cannes, é bem mais pomposo.

 

No caso de Istambul (Ankara e Bursa também), só quem nunca lá colocou um pé, ou viveu lá, pode olhar para os turcos como gente "sem rei nem roque", como gente louca e sem qualquer lugar numa sociedade actual.

 

Lembro-me da minha primeira chegada àquela metrópole de 13 milhões de habitantes e de ter perguntado ao motorista que me trazia do aeroporto de Atatürk e ao "assistente" que o acompanhava: "vocês aqui não têm receio dos constantes ataques, por exemplo, do Daesh ou do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão)?". Com um sorriso nos lábios, desdenhoso até, numa primeira abordagem, e em tom de risada me responderam tranquilamente que "nunca! nós aqui trabalhamos, temos de alimentar as nossas famílias e não tememos os terroristas, não temos tempo para isso.". 

 

Presumi, pura e simplesmente, que se riam de mim e do meu hipotético medo de tudo e de todos e da paralisia perante a realidade do Mundo - o engomadinho ocidental protegido na sua concha, que se julga muito forte, mas assim que coloca o pé em solo turco se agacha ao primeiro barulho que ouve na rua (sobretudo após uma onda de atentados que havia varrido a cidade dias antes).

 

A conversa prolongou-se - experimentem conduzir em Istambul, todos os locais podem ficar distantes em segundos e a viagem de Atatürk a Sultanahmet pode ser uma aventura de horas - e percebi, mais uma vez, a realidade de um povo que vive para o trabalho, que se organiza e se apoia mutuamente, que acorda cedo e se deita tarde e que não sabe a diferença entre semana e fim-de-semana. Um povo que trabalha arduamente, nem sempre nas melhores condições e que, mesmo assim, consegue, após uns minutos de conversa, ter um sorriso bem rasgado nos lábios... 

 

É esse sentimento de luta diária, de coragem e garra, que me fez, dias após a minha primeira partida, e depois de um atentando à bomba, cujo rebentamento foi exactamente no mesmo sítio onde tinha estado sentado a comer um Kebab (obrigado BBC pelas imagens), engolir em seco e pensar - "aposto que, ao cabo de 2 horas, a cidade já levava a sua vida normal, como se não baixasse os braços perante essa luta que enceta ao longo de anos.".

 

É o dia-a-dia de uma cidade que sempre foi um ponto de encontro de culturas, de convulsões e de uma história, que a tornam hoje, no rosto dos seus habitantes, capaz de enfrentar qualquer desafio. Não há tempo para chorar os mortos e sufocar as redes sociais com lamúrias egoístas... é preciso enterrá-los, homenageá-los e voltar a viver.

 

Fonte da Imagem: Própria (o indivíduo da imagem não sou eu, é bom esclarecer)

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