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De Yazd a Isfahan: Isfahan à noite...

por Robinson Kanes, em 06.04.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Yazd começa a ficar para trás... O tempo entristeceu-se com a nossa partida, ou talvez por termos trazido quase todos os bolos da cidade, conhecida pela sua pastelaria. No entanto, o fascínio da cidade e das suas gentes continua a ser a sua mais-valia e claro, bem perto, duas reservas naturais bastante interessantes: Kalmand e Dar-e-Anjir.

 

Talvez não perceba, ou não queira perceber, mas o ideal passaria por dar o salto até Isfahan e passar à frente dos quase 350 quilómetros que fazem distar esta metrópole persa de Yazd. Apetece-nos, contudo, percorrer nos nossos pensamentos aquela longa estrada onde durante muitos e muitos quilómetros de alcatrão onde não se vê uma alma ou sequer uma construção. Percorrer o deserto, e este não se faz propriamente de areia, pode ser uma sensação única - sobretudo se não conhecermos o clima e o tempo triste de Yazd não tiver sido uma premonição das duas tempestades de areia que se avizinhavam. Uma mais severa que a outra, mas nada que obrigasse a grandes paragens - ficámos rapidamente a perceber porque é que muitos dos camiões vinham com os "pirilampos" da frente ligados...

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Aproveitamos um check-point dos Guardas da Revolução para descansar... Perguntam-se, por certo, porque raio é que no meio de uma tempestade de areia, duas figuras com ar de cidade decidem percorrer o deserto como se nada se passasse. Terão pensado quão tolas poderiam ser aquelas almas que não tinham noção de que estavam num controlo dos Guardas da Revolução, a temida tropa de elite iraniana. Estranhamente, a despedida foi com sorrisos, como não poderia deixar de ser, sem esquecer as fotografias de Lisboa, mostradas entretanto.

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A chegada a Isfahan dá-se já pela noite... De repente parece que damos connosco no Mediterrâneo. As ruas povoadas de gente e até a relva dos cruzamentos se encontra ocupada por gente sentada em família a conviver e a comer. Isfahan tem o condão de ser talvez, no Irão, a cidade turística por excelência, mas ninguém pode esperar tal movimento nocturno. Pensávamos nós que em Shiraz já tinhamos visto tudo... 

isfahan_3.jpgAntes de jantar, seguimos alguns conselhos e percorremos as margens do Zayandeh com o intuito de sentir o "estranho" movimento de pessoas e também conhecer as suas pontes que, durante a noite, não perdem a animação que nasce logo pela manhã. Somos convidados para nos juntar a muitos daqueles que estão sentados a conviver e a comer, acompanhamos os pequenos grupos que se reunem para cantar e por lá ficamos entre o som da música persa, das águas que não cessam de correr e das gargalhadas e sorrisos que contaminam todo aquele lugar.

c_1.jpgApesar de tudo, ainda temos uma "larica" que nos faz querer encontrar um local para comer... E é aí que atravessamos, um pouco mais distantes do Zayandeh, uma das maiores praças do mundo e também uma das mais belas, a "Praça Naqsh-e Jahan". Mas ela voltaremos... Por ora, respiramos fundo, admiramos toda a sua excelência e ficamos absortos com tão mágico lugar.

iafhn_2.jpgA noite acaba num pequeno restaurante onde a culinária persa, pela mão de uma perna de cordeiro, mostra que, mais uma vez, é algo que levaremos sempre no coração e no paladar.

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Do turismo LGBTYZGHJKL...

por Robinson Kanes, em 15.01.20

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Imagem: https://www.projectq.us/atlanta/atlanta_stages_gay_pensacola2014_instagram_takeover?gid=15667

 

Existe uma coisa que me faz alguma confusão e que me custa a entender do ponto de vista pessoal embora reconheça que, se gera lucro, deve ser aproveitado num âmbito mais empresarial. Refiro-me àquela designação de turismo que tem muitas letras e todos os dias vai tendo uma nova, algo como turismo LGBTWSCEFBRTYHGBNUNMKIOLPQAX...

 

De facto, o arco-iris é um mercado apetecível do ponto de vista das vendas, no entanto, aqueles que tanto reinvindicam igualdade não estarão a cair no erro de criar mais desigualdade? A sede de igualdade é cada vez mais uma forma de criar uma espécie de elite e que por sua vez alimenta o ódio de outros.

 

Custa-me perceber porque é que vejo dinheiros públicos a promoverem, por exemplo, um turismo que promove a desigualdade. Ainda preciso que alguém me explique se um hotel para um indivíduo LGBGHJDXVNTEXHMJUDFHGNJTYTEYGTJTEJYRTJYTJT é diferente de um hotel para um homem ou para uma mulher que não se identifica com siglas.

 

Alguém me pode explicar se o facto de ser LGBTVFEWFGWGRWGWGTGTRG obriga a que existam acessos diferentes num museu ou se a comida tem de ser diferente. Eu assumo-me como hetero, e espero não ser perseguido por ser hetero, pois sou e assumo isso sem medo de represálias, mas será que devo começar a não frequentar determinados locais e destinos sob pena de ser perseguido ou até me sentir mal - perante a lei, e como cidadãos, não somos todos iguais? É que nem é só nesta matéria, mas em outras, começo a sentir que o facto de ser um indivíduo que paga impostos, trabalha, é hetero, consegue pagar as contas, não vive de subsídios, não embandeira em arco o facto de ter esta ou aquela doença e procura ter uma vida normal me começa a prejudicar....

 

É óbvio que existem temáticas e atracções diferentes dependendo dos gostos de cada um, mas uma coisa é promover isso comercialmente, outra é utilizar a arma dos direitos e do civismo para promover algo que além de ser, por vezes ridículo, é mais corrosivo do que propriamente agregador.

 

Agora podem chamar-me homofóbico, mas se achar que todos somos iguais é uma espécie de homofobia, pois bem, então que me chamem de tal e já agora não se esqueçam da designação de populista ou fascista, tão comum nos dias de hoje e que encaixa em todos aqueles que fazem perguntas ou dizem não!

 

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Paisagens de Portugal: Bataria do Outão.

por Robinson Kanes, em 02.01.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Existe um local onde é possível tocar as águas do Atlântico como se fôssemos uma espécie de Gulliver. Não é preciso irmos para muito longe, basta ficarmos por Setúbal e subir à Bataria do Outão... A bataria naval abandonada que é um dos locais com maior potencial lúdico e hoteleiro do nosso país. Espero que possa ser um lugar aberto a todos, porque a Arrábida, Setúbal e o Atlântico bem merecem que todos possam contemplar um dos mais belos cenários do mundo.

 

Pasmo

 

Nessas noites de morna calmaria

em que o Mar se não mexe e o Arvoredo

não murmura, pedindo o Sol mais cedo,

que o resguarde da fria Ventania;

 

em que a Lua boceja, se embacia,

e as palavras estagnam, no ar quedo,

noites podres - até chego a ter medo

de me volver também Monotonia.

 

E então sinto vontade de atirar 

meu corpo bruto e nu contra o espanto

da Noite, a ver se o quebro e vibro, enfim;

 

cair no lago morto e acordar

os cisnes que adormecem de quebranto...

... ... ... ... ... .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Mas só caio, afinal, dentro de mim.

 

Sebastião da Gama, in "Serra-Mãe"

 

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Paisagens de Portugal: Alqueva

De Monsaraz...

por Robinson Kanes, em 21.12.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem em comunhão com a natureza, e apesar de todos os impactes, foi responsável por uma das mais belas paisagens do mundo: o Alqueva. O Alqueva visto de Monsaraz é simplesmente apaixonante, seja através das esplanadas de alguns dos seus restaurantes, seja através dos inigualáveis crepúsculos ou das belas auroras. Monsaraz, em Espanha, é considerado um dos mais belos pueblos de Portugal... E não é difícil perceber porquê...

 

Com uma perdiz no prato, o cante alentejano nos ouvidos e tamanha vista diante dos meus olhos, devo dizer que é uma das mais belas experiências que um mortal pode ter...

 

Passeio ao Campo

 

Meu Amor! Meu Amante! Meu amigo!

Colhe a hora que passa, hora divina,

Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo"

Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

 

Eu tenho, Amor, a cinta esbelta e fina...

Pele doirada de alabastro antigo...

Frágeis mãos de madona florentina...

- Vamos correr e rir por entre o trigo! -

 

Há rendas de gramíneas pelos montes...

Papoilas rubras nos trigais maduros...

Água azulada a cintilar nas fontes...

 

E à volta, Amor... tornemos, nas alfombras

Dos caminhos selvagens e escuros,

Num astro só, as nossas duas sombras!

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

 

 

Ai Monsaraz... Ai Alqueva...

 

 

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Yazd: Uma Pérola no Deserto.

por Robinson Kanes, em 18.12.19

yazd-2.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Depois de um duche que soube pela vida e uma noite de descanso com uma vista sobre a cidade, é altura de caminhar até Yazd ou Yezd! Yazd é uma cidade de comércio, é também a capital da província que tem o mesmo nome. Esta cidade, que se vai adptando consoante  a disposição do deserto e do seu clima imprevisível, é tambémPatrimónio Mundial da UNESCO.

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Além de Yazd ser a cidade com maior número de bicicletas per capita do Irão, é também um território onde o zoroastrismo tem uma forte presença! Aliás, é aqui que está a conhecida "Torre do Silêncio", local de culto (culto esse que é proibido actualmente) e de grande importância para todos os zoroastras. É também aqui que encontramos muitos verdadeiros persas e percebemos o quão afáveis e humildes são. Entre um sumo de romã "amarela", bem mais doce que a "encarnada", é possível conversar com mil e uma pessoas que nos abordam ou que podemos abordar. É simples e fácil, para europeus habituados a estar rodeados de gente com caras de atum e pouco afáveis.

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Gente boa que vagueia pelas ruas e nos transmite uma segurança e um sentido de pertença que não sentimos em todo o lado, tudo isto enquanto admiramos os tecidos e as carpetes de alta qualidade e a preços bem mais baixos que em outras localizações do mundo.

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Uma das outras curiosidade de Yazd, é o imenso número de qanats. Os qanats são canais subterrâneos de água criados pelo homem, (aliás, encontram-se em Yazd os melhores construtores de qanats) e que surgem da necessidade de armazenar e "proteger" a água das altas temperaturas. Falando de frio, é também em Yazd que encontramos uma grande concentração de Yakhchāls, uma espécie de frigoríficos que, e de uma forma muito rápida, funcionam por evaporação, posto que é colocado gelo na base e que permite que os produtos se mantenham frescos e conservados - o da imagem fica no caminho entre Yazd e Isfahan. Estamos a falar de construções que remontam a 4 séculos antes de Cristo! Canais de água, frigoríficos gigantes... Não me venham dizer que a Pérsia é um "país" qualquer!

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Mas os dias no Irão começam cedo e por isso, a primeira visita da manhã começa pelo Yazd Atash Behram - um templo zoroastra onde podemos conhecer muita da cultura e hábitos dos zoroastras. É um edifício de 1934 dedicado ao Atash Bahram (Fogo Vitorioso) que arde desde 470ac. Dos nove existentes, é o único no Irão, sendo que os restantes se encontram na Índia. Este fogo permanece sem ser apagado desde essa época, é um fogo sagrado e que sobreviveu à revolução. É também aqui que podemos escutar as orações zoroastras que são de uma beleza que nos entra nos ouvidos e nos acompanha ao longo de dias, de meses e de anos. É simplesmente a paz no nosso espírito! Não é fácil conseguir as gravações, mas...

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O calor aperta, por isso, não podemos deixar para trás a "Torre do Silêncio" ou "Dakhma" cuja função principal, além de lugar de culto, é servir para que os corpos dos mortos sejam deixados ao sol e sejam posteriormente devorados pelos abutres. Para os zoroastras um corpo morto é uma ameaça ao fogo e à água e daí a necessidade de ser exposto ao sol e devorado por abutres. A história é bem mais complexa, mas a ideia base é esta.

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Também na Índia encontramos alguns e aí o culto ainda se pratica, no Irão é proibido. Este espaço é mágico... É também um daqueles locais onde conseguimos absorver toda uma cultura somente por pisar o chão e sentir um sem número de emoções, mesmo que não nos expliquem nada. Subir às torres, contemplar o edificado daquele espaço onde se incluem as casas dos sacerdotes, contemplar Yazd e as montanhas, e deixarmos que a nossa memória caminhe para trás, é uma experiência que todos devemos experimentar lá do alto, mesmo que o calor nos empurre para baixo ou nos tente convencer a não subir.

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Voltamos ao centro da cidade, e conhecemos a famosa pastelaria. Admito que não é a que mais me fascina, salvo uma ou outra especialidade, no entanto, admito que a maioria das pessoas se apaixona pelas diferentes iguarias. É hora de deixar os doces e seguir em direcção à Mesquita de Jameh: a grande mesquita de Yazd! Esta tem a sua origem no século XII e foi construída durante a dinastia Âl-e Buye. Os minaretes e a cerâmica são alguns dos seus detalhes que nos fascinam.

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A rua que leva à mesma é repleta de interessantes lojas e nas suas traseiras encontra-se uma sinagoga. Sim, o culto judaico pratica-se também no Irão. A mesquita permite-nos uma paragem para respirar e para nos prepararmos para tentar encontrar a sinagoga que nos obriga a percorrer os bairros antigos de casas de adobe, algumas com enormes mas belas e luminosas caves. A utilização do adobe é óbvia: enfrentar as altas temperaturas que assolam a região.

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Passear nestes bairros é uma das melhores experiências de Yazd. Em cada canto encontramos uma surpresa. Encontramos alguém que nos fala, alguém que nos oferece fruta ou simplesmente alguém que nos olha com um sorriso verdadeiro. Encontramos crianças que estão a sair da escola, pequenas mesquistas que naquele dia estão reservadas às mulheres. Tentamos penetrar numa delas, e após autorização, consigo entrar por um minuto. A minha chegada provoca mil e um cumprimentos por parte das mulheres que aí se encontram. É aí também que viveremos mais uma experiência única e mais um verdadeiro "soco no estômago". Talvez tema para outro artigo, ou talvez não... 

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Saímos da mesquita e voltamos para terminar o "soco no estômago"... Por momentos nada nos interessa a não ser quem deixámos para trás e as gentes que deambulam por aquelas ruas. É difícil voltar a colocar o foco na arquitectura e só as "Torres de Vento" chamam a nossa atenção. Estamos perante autênticos sistema de ar condicionado com séculos de existência! São de uma eficiência que muitos dos mais modernos não conseguem atingir. Sugiro uma busca na internet para perceberem como os persas não são um povo qualquer e por isso também devem ser dos mais respeitados!

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Caminhamos entre o adobe, os sorrisos das crianças e o carinho dos transeuntes. Pedimos para tirar fotografias, pedido esse que é sempre aceite. Queremos tirar outras tantas fotografias mas não temos coragem ou então, noutras situações, o egoísmo toma conta de nós - o querer viver o momento é de tal forma forte que a máquina ou o telemóvel regressam à mochila. Além disso, as experiências únicas não se fotografam...

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Somos convidados a visitar muitas das casas, somos confundidos com iranianos, especialmente eu - a alemã não engana a não ser em França - e já nem pensamos que existem refeições necessárias para nos ajudarem a sobreviver à intensidade do dia. Esse dia é terminado junto das cores de Amir Chakhmaq. Uma das grandes atracções da cidade e zona de comércio, doçaria e de encontro para os habitantes de Yazd.

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Com a tarde a querer despedir-se do sol, pensamos nos dias seguintes, em Kharanaq, por exemplo, e em como o Irão tem uma capacidade de nos surpreender dia após dia. A arquitectura, a história, a geografia e o clima sem esquecer uma aura especial que parece ter-se plantado nesta região fazem-nos, mais uma vez, ter vontade de voltar - sim, muito possivelmente!

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No entanto, mais uma vez também, o que levamos de Yazd é que, por incrível que pareça, o Irão consegue ser extremamente romântico e o local ideal para se viver uma grande paixão! Yazd ficará também para sempre no nosso coração bem como aquela mãe e os seus filhos... Todas aquelas mulheres e os seus filhos.

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Viremos a despedirmo-nos da cidade com o fascínio que já não é novo por estas terras e com o sentimento de Schindler, aquele sentimento de que podíamos ter feito mais... Mas isso já é tema para outra conversa.

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Irão: Entre Pasargarde e Naqsh-e-Rustam...

por Robinson Kanes, em 11.12.19

fars_iran.jpgImagens: Robinson Kanes

 

Ainda andamos por Fars, o Irão é um país imenso e as distâncias são longas... Com o pó de Persepólis ainda a cobrir os nossos rostos, chegamos a Pasargarde. Este é um daqueles locais cujas poucas ruínas existentes não deixam de contar uma história. Sentimo-lo em Persepólis e ainda mais aqui. Um vestígio por muito simples que seja, o solo, o ar e a paisagem colocam uma imagem diante dos nossos olhos e transportam-nos para um passado bem longínquo, bem distante de tudo aquilo que conhecemos hoje.

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Pasargarde, mais uma das capitais do Império Aqueménida, a capital de Ciro II, que viria a morrer em combate e a deixar esta cidade sem o seu grande patrono. Hoje, este local que é Património Mundial da UNESCO -   conserva apenas o túmulo de Ciro, uma construção militar (Tall-e Takht) e vestigíos do palácio real e dos jardins. Uma nota para os vestígios dos jardins, os famosos "chahar bagh" persas e que, aparentemente aqui, encontram o seu testemunho mais antigo.

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O túmulo de Ciro é assim a grande atracção e aquela que mais visitantes atrai, sobretudo por ter sobrevivido às invasões de Alexandre, "o Grande" e dos Árabes. Aliás, perante a hipótese do túmulo ser de Ciro, os guardas deste convenceram os árabes (que queriam destruir o mesmo) que ali se encontrava a mãe do Rei Salomão. Aliás, ainda hoje este local é conhecido também por "Qabr-e Madar-e Sulaiman" ou túmulo da mãe do Rei Salomão.

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Nas redondezas do complexo, mais um pequeno aglomerado de habitações e de gentes que nos deram a provar o seu café e sobretudo o seu chá. Água aquecida em plena rua, em cima de meia dúzia de paus, e na verdade, não podia ter sabido melhor. Entre pequenas conversas e muitas viagens, através do olhar, pela dinâmica e pelos comportamentos, será mais uma experiência a registar para sempre.

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Reconfortados e depois de admirarmos as aves de presa e as montanhas ao longe, não nos perguntem porquê, foi o que nos fascinou mais, eis que temos de partir para Naqsh-e-Rustam.

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Voltamos para perto de Persepólis e admiramos então os túmulos dos reis aqueménidas esculpidos nas rochas e os relevos que nos fazem lembrar a passagem pela Jordânia. Em forma de cruz e com uma altura de 23 metros e 18 metros de largura, este túmulos além de serem um local de culto, são também umas das mais importantes memórias do Irão. O túmulo de Dario I, o único que tem a inscrição do seu "ocupante". Supõe-se, contudo, que lhe tivessem feito companhia nos demais túmulos, Xerxes I, Artaxerxes I e Dário II (Artaxexes II e Artaxerxes III escolheram como última morada, os túmulos de Persepólis).

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Os baixos-relevos da época sassânida são das coisas mais magnificas que aqui podemos observar e somos, enquanto nos deliciamos com tais obras humanas, levados para o culto zoroastra por causa da torre/relógio do sol. Não irei descrever cada um dos relevos, não falta matéria sobre isso e mais do que tudo, o importante é pensarmos quão rica é esta civilização. Literalmente, em cada pedra, descobrimos um Irão, uma Pérsia repleta de riquezas.

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Partimos, mais uma vez, muito mais ricos... O Irão tem essa capacidade, de cada dia nos enriquecer cada vez mais, com uma riqueza que, de tão valiosa que é, nenhum dinheiro consegue comprar.

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À data deste artigo, ainda existe alguma tensão em algumas das cidades da actual República Islâmica do Irão e que acredito fique sanada em breve. Os iranianos, os persas, aquele povo não precisa de mais violência, precisa sim, de mostrar o que tem de melhor e se isso acontecer, todo o mundo terá muito a ganhar! Independentemente de algumas práticas menos boas do regime, também as práticas menos boas de muitos países ocidentais não têm sido as melhores no sentido de trazer prosperidade a um território repleto de riquezas e onde se incluem as suas gentes, sem qualquer dúvida!

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espana_asturias_luarca (1).jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

Cudillero fica para trás e percorremos a estrada de acesso à Autovia del Cantábrico ao som da "Agua Misteriosa" de Javier Limón com a interpretação de Shica - existem coisas de que não abdicamos e em Espanha têm outro sabor numa fusão entre Mediterrâneo e Oriente, mesmo que nas Astúrias.

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Dura pouco, até porque a "Playa Concha de Artedo" recebe-nos para um café. É preciso repor forças antes de chegar a um dos pontos altos deste dia, o "Cabo Vidio" e o seu faro.  Este farol, além da sua localização belíssima, é fundamental para os barcos pesqueiros e de recreio num mar que, de calmo, rapidamente se altera e se transforma em mala mar. O "Cabo Vidio" É um lugar com uma vista inigualável e com uma riqueza em termos de flora e fauna singulares, sobretudo em tão curto espaço.

espana_asturias_cabovidio (1).jpgCalcorreamos toda a área, inclusive a pequena aldeia... Não queremos vir embora e sentamo-nos num dos bancos que permitem vislumbrar o horizonte e é maravilhoso. Uma leve brisa, o tempo quente... Arrependemo-nos de não ter comida a bordo para ali almoçarmos e trocar uma refeição naquele local pelas confortáveis cadeiras de um restaurante. Aproveitamos aquele momento para anotar as praias que já se vislumbram ao longe e que prenderão a nossa atenção: "Playa de Vallina" e "Playa de los Campizales".

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De volta ao caminho, cansados, sentimos que é hora de parar... É hora de nos entregarmos ao silêncio na praia que tem o mesmo nome, "Playa del Silencio". Considerada uma das praias mais bonitas das Astúrias faz jus à fama. O silêncio reinante permite que relaxemos, que pensemos no que está para trás desta caminhada... É bom retemperar forças, respirar a leve brisa marinha... Leve mas retemperadora. Apetece-me abraçar-te e é o que faço e na minha alma escuto novamente Javier Limón com um "Un Trago de tu Vida".

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Continuamos, a manhã está a terminar. Temos tempo para passar em Cadavedo e dar um mergulho na sua praia! É bom, gostamos... Estamos temperados pelo mar e é isso que nos faz parar em quase todas as praias até chegarmos a Luarca. Já não nos interessa o nome das mesmas... Já só nos interessa sentir a areia, as pedras e deixar que o tempo nunca mais se esgote... As Astúrias, seja na montanha ou junto ao mar, permitem que o tempo pare e isso é um dos grandes segredos daquela região.

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É importante alimentar a alma, mas o estômago também se queixa, por isso a vila piscatória de Luarca recebe-nos para um peixe fresco acabado de sair do mar. A verdade é que também não resistimos a uma "Fabada Asturiana" e as coisas complicam-se. Também são necessárias forças para conhecer a vila do nobel, Severo Ochoa

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Percorrer as ruas de Luarca provoca-nos uma sensação estranha: cada canto coloca-nos diante dos olhos a vida de outros tempos e a vida de hoje e mesmo quando o pueblo se anima após a tarde todas essas imagens se confirmam. O farol, as casas e sobretudo a marginal e o porto são as mais-valias deste lugar, sem esquecer as pessoas e a boa comida servida numa esplanada junto ao mar.

espana_asturias_luarca_1.jpgApaixonados por vilas piscatórias ficamos a apreciar a azáfama que já se vai sentindo. Fotogramos, convidam-nos a fotografar como cada registo fosse o relato de uma vida, da vida da faina... Da vida daqueles gentes simpáticas. A verdade é que por esta hora já deveríamos estar em Lugo, mas decidimos ficar junto ao mar, a acompanhar a vida dos lobos do mar... Luarca merece.

 

Outros Caminhos:

Valladolid: Primeiro Estranha-se... Depois Entranha-se...

Pela A62, de Palencia a Burgos.

Atravessar a verde Cantábria!

Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

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Gijón: Para se Visitar e Para se Viver.

por Robinson Kanes, em 19.09.19

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Imagens:  GC

 

Depois de Oviedo, torna-se obrigatório rumar a Gijón, duas cidades claramente diferentes... Uma bastante mais interior, já a outra, uma cidade marítima e com muitas das caracteristicas que marcam estas cidades.

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Chegar a Gijón é encontrar uma cidade mais airosa que a "rainha" Oviedo... Oviedo apresenta-se como uma cidade monumental, histórica. Gijón tem tudo isso e a vontade de também lá viver. É bom sentir que um lugar é apetecível para lazer mas também para habitar. Gostamos de Gijón  pela sua história, pelas lindissímas caminhadas que proporciona junto ao mar, seja numa lógica mais urbana seja numa outra mais natural. Gostamos da gastronomia, ou não tivesse o lado piscatório, gostamos da vida, cultura e encanto que esta cidade que não deixa de ser vibrante, bem pelo contrário - é uma cidade que convida e com vida, onde o industrial, o histórico e até o romântico se misturam - algo muito difícil de conseguir.

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Não somos só nos que gostamos de Gijón, já os romanos gostavam e em "Campo Valdés" construiram umas termas. Terão ficado encantados pela frente de mar e sobretudo pela imagem que, quem está sob as águas consegue ter - a cidade e as montanhas lá atrás. Eduardo Chillida não poderia ter mais inspiração para criar o "Elogio del Horizonte", o símbolo da cidade, pelo menos o turístico. Gijón é uma cidade para ser aproveitada  quer por quem a visita quer por quem lá vive e isso sente-se nas ruas.

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Chegamos ao "Cerro de Santa Catalina", o coração da cidade e a linha de defesa da mesma. Este parque é um convívio com o mar e com a demais natureza que o completa. Um dos melhores passeios à beira-mar das Astúrias. É óptimo para complementar com um passeio pela extensa praia de areia amarela, a "Playa de San Lorenzo". É fantástico se assumirmos que estamos dentro da cidade. O pôr-do-sol nesta praia é uma delícia e com a companhia de uma "Estrella Damm" nada pode ser mais perfeito. Juntem a esta a "Playa de Poniente" (bem perto está o "Acuário de Gijón") , conhecida pelo fogo de artifício no São João e a "La Ecalerona" que encerra uma praia com um relógio e termómetro Art déco dos anos 30 e há muito que apreciar para lá da areia e do mar.

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Ainda numa lógica de grandes passeios, nada como percorrer a "Vía Verde de La Camocha" que segue a antiga linha-férrea que suportava a actividade mineira. Não faltarão apontamentos de arqueologia industrial para quem aprecia. É caminhar numa história recente e vale, sem dúvida, os 7 km. 

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O que não pode ficar de fora também é a "Laboral Ciudad de la Cultura" o campus universitário dos anos 50 do século 20 e claramente franquista, basta olhar a arquitectura. Muitos dos edifícios franquistas não tiveram a oportunidade que este teve e nos anos 90 foi alvo de uma intervenção. Além de albergar um pólo da Universidade de Oviedo tem uma área de exposições e um teatro com 1500 lugares, sem esquecer a torre de 117 metros, o edifício mais alto das Astúrias e inspirado na Giralda de Sevilha. É impossível não sentir o peso daquela infraestrutura, Franco terá passado bem a mensagem. Um edifício magnifico a visitar ou até para assistir a uma exposição ou espectáculo, sem esquecer a passagem pelo único jardim botânico das Astúrias que é bem perto: o "Jardín Botánico Atlántico".

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Todavia, o grande atractivo de Gijón são as suas gentes, o seu centro histórico, "Cimadevilla" e todo um conjunto de monumentos que englobam o "Aynuntamiento", a "Plaza Mayor" e o "Palacio de Rebillagigedo". Caminhar pelo centro histórico é parar para "tapear", conversar e sentir a animação das ruas que dura até bem tarde, é alternar entre o passeio pelos edifícios históricos e a brisa junto ao mar. Gijón, é indubitavelmente uma cidade para se apreciar mas, mais do que isso, para se viver.

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Mais informação:

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O Pré-Românico Asturiano e Oviedo...

por Robinson Kanes, em 11.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Os Picos da Europa começam a ficar para trás. Numa gasolineira, de uma marca portuguesa, e após os meus comentários, dizem que todos os portugueses se queixam do preço dos combustíveis em Portugal sendo que, em Espanha, os impostos sobre os produtos pretrolíferos também são elevados.

Carro atestado, e à semelhança do que havia pensado, o caminho até Oviedo não foi directo. É preciso viajar na História, é preciso subir mais montanhas e ir ao encontro de igrejas quase milenares e admirar o pré-românico asturiano classificado como Património da Humanidade!

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Vindos dos Picos da Europa, começamos por aquela que nos suscita, talvez maior interesse e nos obriga a um desvio, a Ermida de Santa Cristina de Lena, no vale do "Río Lena" e cuja data de construção aponta para o ano de 850! Podemos chamar desvio ao facto de termos acedido a esta ermida via Parque Natural de las Ubinãs - La Mesa - Esta gente não consegue deixar os montes da cordilheira cantábrica, enfim... Chegados à Ermida, admiramos toda aquele pequeno monumento mas que respira história, muita história...

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Tantos séculos, anos e dias, continua imponente naquela colina apenas acordada pelo ruído da via rápida que fica uns quilómetros abaixo. Conversamos com os locais, percebemos que metemos o carro onde não deviamos mas nem isso tira a simpatia àquelas gentes... Imaginamos aquela Ermida noutras épocas, sem estradas e apenas com o pueblo atrás de si. Quantos não terão perdido aqui horas a admirar a paisagem que se abre ao longo das montanhas e que este pitoresco ponto permite contemplar com agradável decoro...

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É hora de partir, além disso já se comia qualquer coisa... Como tinhamos a noção de que nos poderíamos "perder" pelo parque natural viemos prevenidos... Enlatados, fruta e muita água. Não fomos a restaurantes glamourosos e entregámo-nos ao glamour de "las Ubiñas". 

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Agora sim, seguimos em direcção a Oviedo onde, num dos montes que ladeia a cidade, encontramos mais dois magnificos monumentos pré-românicos e também Património da Humanidade: a "Iglesia de San Miguel de Lillo" e o "Palacio Ramiro", conhecido como "Santa María del Naranco". Mais visitados, estes dois monumentos são duas das principais atracções da cidade! Olham para Uviéu bem lá de cima e são obras-primas da arquitectura que, de uma forma simples e pequena fascinam todos aqueles que os visitam. Por ali nos quedamos um pouco. É preciso digerir, com calma... Ainda nos espera o centro de Oviedo e toda a azáfama da capital do principado.

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Oviedo é a típica cidade antiga e até algo escura... Mas estamos em Espanha, e mesmo a norte, a animação é constante, as ruas falam, vivem... Como não poderia deixar de ser, procuramos deixar o carro perto da "Camilo de Blas", uma pastelaria fantástica, daquelas bem antigas e onde nos acompanha o café dois apetecíveis carbayones. Tenho de admitir, contudo, que o melhor momento em termos de comidas e bebidas foi ao balcão de uma bela tasca perto da catedral.

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Carregados de açúcar, nada como começar pela Catedral. É impossível ignorar este monumento que se localiza na "Plaza de Alfonso II", especialmente a sua torre gótica! Como seria de esperar, encontramos muitos peregrinos (é um ponto de passagem para quem faz este Caminho de Santiago"). O interior é belo, austero como gostamos, e a "Cámara Santa" um dos seus maiores atractivos, além das jóias e das reliquias que ignoramos - admito que é algo que não nos fascina.

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Caminhamos pela zona, esta cidade medieval com todas as suas torres tornam-na apetecível para nós. Faz-se, contudo, sentir algum frio, é preciso aquecer, mas na rua... Qual a melhor escolha? A "Plaza del Fontán" que deve o seu nome ao facto de aí ter existido uma pequena lagoa! É aí que também se localiza o mercado e lojas com coisas bem interessantes, sobretudo para quem gosta de comer... É um local extremamente movimentado, não fosse também uma forte zona de comércio e próxima da "Plaza del Ayuntamiento" e da "Plaza de Abastos". É por aqui que se sente Oviedo, é por aqui que queremos estar...

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A visita ao "Museo de Bellas Artes" é obrigatória, a paixão pela arte obriga-nos. Somos obrigados também a correr até ao "Teatro Campoamor" no sentido de saber se há espectáculo. Nunca percebemos bem porquê, mas sempre quisemos pisar este espaço.

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No entanto, Oviedo é feito das caminhadas pelo seu "casco histórico", é passar pela Universidade e terminar para umas compras na "Calle Uría", ligeiramente mais moderna. É a cidade antiga por excelência, é a capital do "reino"... Despedimo-nos do "interior", o dia seguinte já será junto ao mar, ainda nas Astúrias e numa cidade que, estranhamente, nos conquistou logo após a primeira visita.

 

Mais informação:

Valladolid: Primeiro Estranha-se... Depois Entranha-se...

Pela A62, de Palencia a Burgos.

Atravessar a verde Cantábria!

Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

 

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Astúrias: de Labra para a Ruta del Cares.

por Robinson Kanes, em 05.09.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Em Labra o amanhecer é surpreendente. Durante a noite nevou nas montanhas e dpois de um pôr do sol com cores únicas, a alvorada é preenchida com a névoa a desvanecer deixando as montanhas com os cumes pintados de branco.

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Depois de um pequeno-almoço bem composto, pois o dia prometia: o objectivo era apreciar o "Picu Urriellu", mais conhecido por "Naranjo de Bulnes". O caminho torna-se "duro" de Labra a Poncebos e as paragens são constantes... Para-se, caminha-se, volta-se ao carro e mais meia dúzia de quilómetros um novo ritual. Começar cedo é fundamental, sobretudo se, nos planos, estiver a "Ruta del Cares".

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E eis que, entre o nevoeiro, a montanha mostra-se! O primeiro objectivo fica concluído, não "escalámos" a montanha, não era essa a pretensão - mais que isso queríamos ver aquele monumento de pouco mais de 2500 m a mostra-se, entre outras montanhas, aos nossos olhos - admirável!

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Mas o "melhor" do dia está para vir, nomeadamente os 24 km entre Poncebos e Caín de Valdeón, sempre com o rio Cares a dividir os dois desfiladeiros. Começamos em Poncebos (Astúrias) e contamos terminar em Caín (Castilla y León). A "Garganta Divina" permite-nos hoje que a percorramos devido ao acesso criado em 1950, acesso que permitiu o acesso para manutenção do canal de água entre Caín e Poncebos - canal esse que desde o primeiro quartel do século XX já estava em funcionamento. 

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É esse o percurso que, embora em altitude, raramente obriga a grandes subidas, excepto nos primeiros 2/3 km (direcção Poncebos - Caín). É um facto que estamos perante um percurso que tende a ser considerado de baixo risco, embora não seja essa a nossa opinião - o risco está sempre iminente, estamos a uma altitude elevada e além do caminho ser estreito não existe qualquer protecção (é assim que tem de ser). Já foram registados muitos casos de quedas (com mortos), sem esquecer que a travessia no Inverno tende a ser perigosa, devido ao gelo/frio e ao perigo de queda de pedras. O Verão pode ser mais calmo e é muito aconselhado por quem já visitou e fala do local, mas em dias muito quentes, quem não estiver preparado e hidratado pode meter-se em sarilhos. No Verão a queda de pedras é um risco também, sobretudo devido às cabras da montanha.

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A tudo isto, temos de juntar o número de pessoas que, novamente no Verão, pois consta que é bastante elevado, aumenta o risco de nos encontrármos com os peritos do trekking instagrameiro que, com roupas compradas horas antes para o look desportivo e aventureiro, arriscam demasiado.

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Questões logísticas à parte, entramos numa nova dimensão... Num local onde somos nós e a natureza! A beleza da montanha, o rio lá em baixo e por vezes os canais a correrem lado-a-lado connosco, é simplesmente apaixonante. É a oportunidade de vermos e contactarmos com as cabras da montanha em autêntico trapézio, o uivo dos lobos e um pastor a correr montanha acima preocupado com o rebanho.

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É calcorrear um caminho que já perto de Caín nos oferece a oportunidade de molhar o rosto nas águas frias do Cares, é passar dentro das rochas, é parar e sentir a humidade e os cheiros da terra e dos minerais. 

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A chegada a Caín é, mais do que um alívio, é um objectivo cumprido e a oportunidade de repor energias! Atacamos os enlatados, os frutos secos, os ovos cozidos e a água. No entanto, Caín, outrora terra de pastores, tem agora no turismo o seu sustento, pelo que tem alguns pequenos cafés e restaurantes - não resistimos a ir comprar pão e queijo cabrales para nos alimentarem para o regresso! Enquanto almoçamos, partilhamos o espaço junto ao cemitério com caminhantes franceses: queijo, vinho de Bordéus, enchidos franceses, falamos muito de Saint-Malo e da Bretanha - temos a a típica imagem de portugueses e franceses à mesa - não aceitamos o vinho, não ajuda ao caminho.

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Ao nosso lado, a Igreja e o cemitério oferecem-nos uma vista única sobre os picos e aproveitamos para prestar homenagem àqueles que morreram a escalar os mesmos. É tempo de silêncio que é interrompido com um "merci a vous, au revoir". Tomamos um café, um espaço com um anfitrião muito simpático e que nos obrigou a colocar no lugar um grupo de portugueses (professores de velha guarda em época de correção de exames) cujo complexo de inferioridade estava a reflectir-se com algum desrespeito no simpático proprietário. Agora partimos com um "venga, hasta luego" e fazemo-nos ao caminho. Os professores ficaram a pensar que éramos espanhóis...

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Mais uma oportunidade para nos maravilharmos... Não queremos deixar aquele local e só já pensamos em 2020 para percorrer o que falta do Parque Natural de Somiedo, já a sudoeste de Oviedo. Pelo caminho novo encontro com portugueses, desta vez com um "Wait!Wait! Só sei dizer isto porra". A companheira de viagem desta senhora aliviava-se agora a meio do caminho! Mais um postal de bom português.

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Estamos a chegar e prestes a terminar mais um dia... Amanhã voltamos à montanha, agora é hora de ir tomar banho, comer um "Cachopo" e cair na cama que o dia seguinte promete ser longo...

 

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