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Atrás de Marcel Proust em Cabourg...

por Robinson Kanes, em 23.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A única verdadeira viagem de descoberta, a única fonte da eterna juventude, será não visitar terras que nos são estranhas, mas sim possuir outros olhos, contemplar o universo através dos olhos do outro, de centenas de outros, ver as centenas de universos que cada um contempla, ver o que cada um deles é.  

Marcel Proust, in "Em Busca do Tempo Perdido - Volume V: A Prisioneira"

 

 

Já tive oportunidade de falar de Erik Satie, ou até de Eugène Bodin aquando do meu artigo sobre Honfleur. No entanto, agora é a vez de um mestre das letras merecer um destaque, é ele Marcel Proust!

 

Falo de Marcel Proust para poder também falar de Cabourg. Esta é umalocalidade, sobretudo conhecida por ter sido o local preferido de férias do escritor! Estar em Trouville-sur-Mer, ou mesmo em Dieppe e não passar por Cabourg acabará por ser quase um crime, nomeadamente cometido por parte daqueles que têm em Proust uma referência.

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Cabourg, ainda no Departamento de Calvados, é um daqueles locais de França em que as flores e as plantas transformam uma cidade... E uma espécie de cataplana típica também, devo confessar. Para mim, é também um local onde, como amante do estudo da 2ª Guerra Mundial, olhando o mar, já começo a ter uma sensação menos boa. Devo admitir que, na primeira vez que visitei Cabourg - e já explico porque é importante lá voltar - não consegui colocar um pé na água. Já imaginava muito daquilo que iria sentir mais para a frente... ao chegar a Caen.

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Mas Cabourg é mais que um majestoso Casino do século XIX. Cabourg é poder passear na "Promenade Marcel Proust" e sentir a aura de tempos que não vivi. É sentir um certo glamour dos anos 60, 70, 80 ou até mesmo de finais do século XIX e imaginar o charme e requinte de tal estância balnear. Não será dificil conceber Cabourg, e daí ser importante regressar, como uma daquelas escapadas românticas únicas ou não fosse conhecido pelo Festival de Cinema, também ele dedicado a filmes românticos! Acrescentem a isto, que uma parte do programa inclui cinema na praia!

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Mas Cabourg não se fica por aqui no que concerne a romantismo! O São Valentim é também celebrado de uma forma muito especial, com direito a banhos nocturnos e muito fogo de artifício - esta temática é tão levada a sério que se abrem ciclos de debates e um sem número de iniciativas culturais e até cientificas ligadas ao amor... Quiçá, e nem sou adepto da data, o próximo dia 14 de Fevereiro não venha a ser passado em Cabourg!

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Ainda falando de amor, Cabourg, mais precisamente da "Promenade Marcel Proust", é também o local onde encontramos o "Le Méridien de L'Amour", uma celebração do amor a uma escala universal e onde vários "quiosques" nos abrem os horizontes nesta matéria e em 104 línguas" - algo que não fica indiferente a ninguém! É fácil deambular por entre os  telegramas em diferentes línguas e sentir o amor num passeio junto à praia, numa localização privilegiada e romântica. Talvez seja isso que está a sentir aquele casal na segunda fotografia.

 

Honfleur, uma cidade portuária...

A pacata e firme Caen

Uma jóia normanda: Bayeux

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Honfleur, uma cidade portuária.

por Robinson Kanes, em 22.09.20

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Imagens: Robinson Kanes & GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), onde esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

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Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

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Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

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Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

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Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos de Le Havre, não há como fugir.

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A recuperar uma aventura que deixei a meio...

 

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

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Em Linhares da Beira com os Bravos...

por Robinson Kanes, em 07.09.20

linhares_da_beira (2).jpgImagens: Robinson Kanes

 

O homem está só. Mas como há-de ele estar só? Isto é um absurdo e a vida não pode ser absurda. Toda a minha história começa aqui. O resto entende-se bem.

Vergílio Ferreira, in "Estrela Polar"

 

 

Por aqui sopram ventos que atravessam a Estrela e descem pelo Açor. São também ventos que me deram uma costela e que, por isso, me enlevam numa intensa paixão por estas "terras altas". São também estes ventos que criaram a valentia nas gentes de Linhares, conhecidas pela bravura, que o diga Zurar, um chefe mouro que por estas terras passou.

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Linhares, uma das aldeias históricas portuguesas, apaixona-nos pela simpatia e humildade das suas gentes, algo tão característico da Beira Baixa. Característico é também a boa gastronomia, e como é obrigatório, não pude deixar de passar no "Escorropicha Ana", na Carrapichana. É impossível deixar que os enchidos e o bacalhau não tomem conta de três horas do meu dia. Este é um exemplo, mas em cada porta o manjar é sempre qualquer coisa.

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É com o excesso de combustível do almoço que se chega a Linhares e ao seu castelo. Olhando a paisagem, penso em Vergílio Ferreira, nascido em Melo, ali bem perto. Penso naquele serrano, penso nos seus textos: imagino "Estrela Polar", "Manhã Submersa" ou até os seus "Contos".  O ar e austeridade da montanha sempre o acompanharam, mesmo em Lisboa ou até no seu refúgio de Fontanelas.

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No castelo, percorro as muralhas e abraço todo um mundo, todo um sem número de imagens de muitas e muitas batalhas, vidas errantes em cada caminho, hoje asfaltado, em tempos por entre a floresta.

E é por aí que me fico, o dia acabará em Sandomil, já no concelho de Seia, mas até lá, repousarei e ficarei a tentar compreender "Adalberto" na senda da sua própria existência. Encontrarei "Aida" entre aqueles que passeiam por altaneira fortaleza? Encontrarei também essa estrela polar?

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Recados ao Turismo...

por Robinson Kanes, em 03.09.20

portugal_spain.jpgImagem: Robinson Kanes (ou GC?, não me lembro)

 

 

Não me apetece escrever... Cansa-me... Lembro-me agora de António Lobo Antunes e do seu cansaço para a escrita ou então de Vergílio Ferreira que nos seus diários (Conta-Corrente) matava uma profunda discussão filosófica com um "vou mijar". Talvez por isso, me fique por uns recados.

 

Não me apetece escrever porque além de ser tão cedo que ainda nem o galo cantou, tenho de apanhar o barco e aproveitar dois dias únicos. Juntar trabalho e férias tem coisas boas, sobretudo quando se está do lado de lá da raia - é a minha forma de protestar contra um país que elimina uma actividade como o Turismo mas depois permite que um partido faça uma festa ilegal, ou pior, imoral.

 

É também a minha troca com este cavalheiro que me brindou com mais uma aventura pelo meu também amado Gerês, aliás, mais especificamente, pelo Planalto da Mourela. Top! Ainda por cima o homem dorme na serra!

 

Por fim, deixo um conselho ao Turismo de Portugal, sobretudo na gestão do "VisitPortugal": mais do que partilharem fotos que se assemelham a páginas de uma "fuças" (nome simpático para "Caras") e apadrinharem bloggers ou influencers pagos (que também é importante), ouçam os verdadeiros viajantes e tirem o "armanço" das fotos, o que temos de bom não precisa de espantalhos. "Lá está você, Robinson!". Desta vez não, sou só o mensageiro.

 

Finalmente... Façam como outras entidades similares e interajam (nas redes sociais, por exemplo) com aqueles que pagam para visitar Portugal e não somente com aqueles que são pagos para o fazer. Não precisam de ir lá para fora, por cá, e a título de exemplo, o Turismo do Centro tem uma óptima abordagem. Eu sei que é bom sentirmos que estamos acima de tudo e não falarmos com o povo, à boa maneira portuguesa gostamos de ser os profetas lá no alto, mas olhem para o que outros já estão a fazer... 

 

Bom avante, bom fim-de-semana e um Setembro com uma visita ao Douro! A melhor época do ano para lá passar! Por falar em Douro, ainda tenho de passar na "Martha's" - o "Special Reserve Tawny" é uma pomada daquelas e faz ver (se faz!!!) a muitos vinhos mais caros!

 

P.S.: Ninguém no "Martha´s Group" me pagou para falar do vinho, cuja descoberta devo ao Dr. Vasco de Cabeceiras. Devo dizer que é qualquer coisa, sobretudo se o formos buscar à origem e aproveitarmos a deslocação a Santa Marta de Penaguião para apreciar uma das mais belas regiões do Mundo! Palavra de brand advocate...

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De Bicicleta: Barragem dos Minutos e Safira

por Robinson Kanes, em 28.08.20

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

A vida é tão estupidamente bela. Que significa a beleza do mundo sem um homem que a testemunhe? Que significa quando não houver um homem para a testemunhar? Mas é precisamente o que significa, agora que ainda o há.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente II"

 

 

 

A manhã está a meio. É altura de tirarmos a Scott e a KTM do carro. Uma roda 26 e uma roda 29, no Alentejo a segunda será rainha. Estamos na Barragem dos Minutos, deixámos Montemor-o-Novo para trás e seguirmos a estrada de Estremoz. Ao contrário do que esperávamos, o movimento era nulo... Queremos estrada, mas queremos apreciar toda a envolvente desta barragem, uma das mais adoradas pelo quatro patas de 41 quilos. 

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Um pequeno paraíso com muitas paragens, faz-nos lembrar o caminho da albufeira de Montargil onde as paragens são também constantes para apreciar a natureza. É por ali que queremos ficar e é por ali que acabamos por almoçar, um aviado em Montemor-o-Novo fez o milagre da multiplicação da proteina.

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De história tem pouco, talvez os bons momentos nunca tenham grande história, pelo que, seguimos para Montemor-o-Novo, abandonamos a N4 e entramos por Safira - a aldeia abandonada que divide com Santo Aleixo muitas e muitas histórias mas já sem gente que, segundo historiadores locais (Jorge Fonseca é um deles), abandonou a aldeia devido ao seu isolamento. Bicicletas para o chão, lugares inóspitos e austeros é connosco... E encontrar chatices também...

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Muita poeira no alumínio e além de escombros que contam história de um passado assim não tão longínquo a bela planície alentejana, sobretudo quando ganha aquela cor de fim de dia. Percorrer caminhos de terra batida desconhecidos, ver o gado, sentir o inegável cheiro da terra seca. Aquela aridez única e que na Península Ibérica consigo encontrar na Extremadura e no sul de Aragão, bem perto de Teruel. Aqui, contudo, os cheiros são muitos e continuamos o percurso não temendo o crepúsculo e o fim da luminosidade de um dia inesquecível. Não estamos equipados com iluminação, hoje não era dia para isso, mas continuamos e continuamos, mesmo tendo deixado o carro parado no meio de um qualquer monte sem ninguém num raio de muitos quilómetros.

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Pouco importa, na planície alentejana só nos podemos perder com uma das regiões mais bonitas para apreciar o pôr do sol, seja em que época do ano for. Continuamos e, face à falta de água, somos levados a voltar, caso contrário ainda chegaríamos a Santa Susana ou até mesmo ao Estuário do Sado.

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A noite já chegou e conseguimos encontrar o carro, em horas de viagem não vimos ninguém a não ser as aves e o gado e esse foi talvez um dia com mais companhia do que pensávamos. Também por estrada e dias depois, e em mais um regresso de Madrid, já com o asfalto a ditar-nos o percurso, lá estava o mesmo sol, o mesmo crepúsculo que só o sul da Ibéria pode oferecer. E se quiserem o acompanhamento perfeito, lamento, mas tenho de atravessar a fronteira e dançar no assento com os El Duende Callejero e porque não, o tema "Barre las Piernas"...

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Pelo Nariz do Mundo...

por Robinson Kanes, em 06.08.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Estamos em Moscoso, o distrito de Braga despede-se e ao longe já quase se avista o distrito de Vila Real e consequentemente Trás-os-Montes. A diferença paisagística é nula e não são raros os habitantes de Cabeceiras de Basto que já se sentem mais transmontanos que minhotos.

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Ficando a aldeia para trás, e também a conhecida Adega Regional, é hora de seguir caminho, um percurso clássico e com as clássicas Timberland - não são à prova de água, são mais pesadas, mas é outra atitude, é outra história e por estas terras os caminhos a isso se prestam.

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As barrosãs fazem parte da paisagem, seja pelos campos seja inclusive pelas estreitas estradas que percorrem aquela zona do concelho ou a principal que é a Estrada Municipal 1700 e que mais tarde nos guiará até à UZ seguindo-se umas bebidas bem frescas em Cavez. Cavez, conhecida por uma personagem da "Liga dos Últimos", mas também é  um ponto de paragem obrigatório antes de nos despedirmos de Cabeceiras de Basto e entrrarmos em Ribeira de Pena.

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Antes de deixarmos os trilhos, vamos apreciando as aves de presa até entrarmos no denso mato, e pode ser aqui que as coisas mais se podem complicar. Não há um caminho, pelo menos desta vez, e é aqui que o calçado "old school" ganha pontos ao mais moderno.

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Por estas bandas, como por outras paisagens, ou está frio de gelar ou um calor de  derreter, sofremos do segundo. Por sorte, a água ainda desce pelas serras, permite-nos lavar o rosto e até, em último caso, abastecer o cantil. Paramos, ouvir a água a percorrer os altos enquanto a passarada não cessa no seu chinfrim habitual, isto enquanto uma ave de presa voa pelos céus e assusta quem voa mais baixo. Não conseguimos identificar, está longe mas já se faz ouvir.

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A Serra da Cabreira é encantadora, a alemã é por ela apaixonada e por ela se deixa levar. Queremos chegar a uma posição onde podemos ver a cascata e o Monte Farinha, mais conhecido pela Senhora da Graça. Um pico enorme num vale rodeado de grandes montanhas e com o Alvão a mostrar o melhor de si. Está longe de ser um dos pontos mais altos de Portugal, mas a sua localização, a sua elevação, tornam-no num monumento natural único no nosso país.

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Ficamos por aí, com a cascata lá em baixo, com a Senhora da Graça ao longe e deixamo-nos farejar por esse nariz, esse grande nariz que é do mundo não sem antes receber em troca os aromas da Cabreira. Percebo também porque é que pontualmente me custa tanto correr os dez quilómetros de ida e volta que me levam de Leiradas a Cavez. É sempre a subir... Será que é a alma do bruxo que me dá força?

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Olhamos tudo à nossa volta e percebemos que talvez estejamos no centro do Mundo, rodeados pelo Gerês e pelo Alvão. Sente-se o cheiro do verde de Amarante a chegar do lado de Mondim, bem servido numa caneca e muito fresco e já se começam a pensar nos 100 quilómetros (ida e volta) que ligam a Estação do Arco de Baúlhe à Estação de Amarante...

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Terras do Baixo-Tâmega a chamarem por nós, terras únicas que já absorvem os ares do Douro, terras de boa gente, terras onde facilmente nos apaixonamos...

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De Braga ao Sameiro - Por Tenões...

por Robinson Kanes, em 22.07.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Dizem por que o fim-de-semana foi pouco animado para os lados de Braga. Devo dizer que me sinto ultrajado com tais palavras, pelo que, e sabendo que em breve terei uma resposta à altura com belas montanhas, venho justificar-me.

 

Uma das vantagens de quem está/vive por Braga, logo pela manhã, é poder subir ao Bom Jesus e ao Sameiro e assistir a uma das mais airosas auroras do nosso país. Existem duas opções para quem chega do centro, nomeadamente a subida pelo Bom Jesus, ou a subida pela Falperra. Hoje debato-me sobre a primeira, a segunda fica para sexta-feira. Perdoem-me também os amantes do Bom Jesus, mas isso será também tema para outros artigos.

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Apanhar a Ecovia do Rio Este, uma das melhores obras que se fez em Braga nos últimos tempos, finalmente o cimento começa a perder terreno e toca a subir por aí acima. Sobe-se bem em passo de corrida, mas para quem não estiver para isso, ou vai a caminhar pela estrada ou sobe as escadas. Vejo os velhos de 80 anos a subir aquelas escadas, não há desculpas. Todavia, é pela estrada que mais aprecio, além da paisagem, vou vendo as casas "senhoriais", algumas de amigos e sempre dá para aquecer um bocadinho e apreciar a grande chegada ao topo...

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Chegar ao Bom Jesus é bom, mas as pernas pedem mais e o Sameiro a cerca de quilómetro e meio não é nada, é só subir mais um pouco. Esqueci-me de um pormenor: guardem a paragem no Pórtico, em Tenões, para o fim do dia... Boa comida, gente simpática e vinhos a condizer...

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O Sameiro, a chegada ao Sameiro, esse ponto alto que nos contempla com duas opções: ou depois de uma corrida se sobem as escadas e se sentem os músculos a vibrar ou então nada como seguir pela estrada. Se for muito cedo não há tempo para grandes deslumbramentos, é que descer a correr com os músculos a frio pode correr mal.

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Outra opção interessante é,para quem não quiser "esticar muito a corda", levar o carro até ao Bom Jesus e correr até à Citânia de Briteiros, cerca de 20 quilómetros a correr, ida e volta. O passeio vale bem a pena e é bastante acessível.

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Dizem que a sardinha está de morrer...

por Robinson Kanes, em 07.07.20

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Créditos: https://100anos100arvores.wordpress.com/tag/fernando-medina/

 

É o que dizem, no habitual espaço de terça-feira no SardinhaSemlata... Vão lá comer uma, basta ir por aqui.

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Ondem andam os milhões do turismo?

por Robinson Kanes, em 24.04.20

euro_45790700_12940600.jpgCréditos: https://en.publika.md/2016-ends-with-investments-of-tens-of-millions-euro-for-economy-relaunchment_2632517.html

 

Ao longo dos últimos anos, não terá passado ao lado de ninguém, o fabuloso mundo do turismo em Portugal. Todos nós vimos serem anunciados milhões e milhões de apoios ao turismo por parte dos diferentes Governos e sobretudo pela anterior Secretária de Estado que tanto explorou a sua imagem que ficámos a pensar se o turismo em Portugal era só a pessoa de Ana Mendes Godinho - afinal, com o dinheiro dos outros. A verdade é que resultou e a catapulta para Ministra do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social fez-se notar.

 

Anunciaram-se financiamentos de milhões ao mesmo tempo que se apresentavam os números do turismo, havia que investir na galinha dos ovos de ouro, mesmo que mais de metade dos turistas fosse o tão conhecido "pé de chinelo". No entanto, uma das coisas que se aprende logo no primeiro ano de uma licenciatura na área, em Introdução ao Turismo ou em Economia do Turismo, é que esta indústria é a mais vulnerável em períodos de crise. Entendo que tal seja esquecido, afinal os primeiros anos na universidade servem é para a malta andar nos copos. 

 

Com tamanho encaixe financeiro, com uma economia a apostar tão forte neste tipo de serviços, com a gabarolice de que o revenue per available room (RevPar) estava mais alto que nunca, de que os milhões não paravam de entrar em hotéis, restaurantes, eventos e alojamento local, de um regresso de uma certa sobranceria de certos actores, acabamos, numa vastidão de casos, ainda no primeiro mês de vírus com o caos montado - ainda o vírus tentava sair da China e já alguns negócios abriam falência ou iniciavam o discurso habitual do colapso imediato. A minha questão é simples: onde estão os milhões do turismo? Onde está o return on investement (ROI) ou, pelo menos, uma clara demonstração do destino desses valores?

 

Portugal pode-se orgulhar de ter uma boa oferta turística, mas não se pode gabar de pagar os melhores salários nessa área. Portanto, não terá sido aí que todos esses milhões desapareceram. A destruição do valor da profissão (e dos salários) que culminou com a crise de 2008, não voltou à ao glamour da profissão em tempos anteriores, embora reconheça que muitas correcções eram necessárias. Uma nota: não eram poucos os hotéis, pelo menos em Lisboa, cujas máfias de trabalhadores imperavam, e isso foi/é importante limpar.

 

Mas volto à questão, onde estão os milhões do turismo? Gastámos esses milhões todos a comprar prémios para dizerem que nosso turismo era o número 1? São os próprios agentes do turismo, os que têm coragem, que o dizem... Um deles é o inesperado André Jordan.

 

E os planos de contingência? Será que à boa maneira portuguesa ignorámos estes mesmos planos? Porque é que não nos preparámos para crises? Porque é que só alguns autores estavam preparados, os mesmos que encerrando serviços têm investido na manutenção, não despediram e ao invés de andarem a apanhar cacos já andam a pensar em 2021. Estes, sobretudo na hotelaria, foram também aqueles que conseguiram antever o colapso de operadoras como a Booking.com e outras ,e que deixaram os seus clientes sem apoio, e encetaram um sem número de contactos no sentido de apoiar os seus hóspedes, antecipando riscos, encontrando soluções e não deixando para o período crítico problemas com os quais ninguém quer ter com que se preocupar quando a questão é a saúde.

 

Quer para o turismo e quer para todas as outras áreas, são necessário muitos novos actores e a reconversão de tantos outros sem esquecer a retenção dos melhores. Vai ser preciso resistir ao show off; às maçonarias de profissionais de determinadas áreas e apostar em gestores/colaboradores com uma visão de futuro, um futuro imprevisível, que obriga a decisões dificeis e a uma clara visão de longo-prazo e não de dias ou semanas.

 

O futuro será de altos e baixos, e só aqueles cuja capacidade de antevisão, adaptação e reacção às crises é que poderão acrescentar valor, caso contrário, teremos o caos e o pânico montados de cada vez que acontece algo, isto porque continuamos a ter um plano para a vida do qual não queremos ter desvios. Tuudo isto não vai mudar com horários de trabalho desenfreados, com o discurso do cheio de trabalho e horas não dormidas (muitas vezes com eficiência zero), mas sim com um mindset claro de quais são as prioridades, a estratégia, e mais que nunca, a aposta na sustentabilidade.

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De Yazd a Isfahan: Isfahan à noite...

por Robinson Kanes, em 06.04.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Yazd começa a ficar para trás... O tempo entristeceu-se com a nossa partida, ou talvez por termos trazido quase todos os bolos da cidade, conhecida pela sua pastelaria. No entanto, o fascínio da cidade e das suas gentes continua a ser a sua mais-valia e claro, bem perto, duas reservas naturais bastante interessantes: Kalmand e Dar-e-Anjir.

 

Talvez não perceba, ou não queira perceber, mas o ideal passaria por dar o salto até Isfahan e passar à frente dos quase 350 quilómetros que fazem distar esta metrópole persa de Yazd. Apetece-nos, contudo, percorrer nos nossos pensamentos aquela longa estrada onde durante muitos e muitos quilómetros de alcatrão onde não se vê uma alma ou sequer uma construção. Percorrer o deserto, e este não se faz propriamente de areia, pode ser uma sensação única - sobretudo se não conhecermos o clima e o tempo triste de Yazd não tiver sido uma premonição das duas tempestades de areia que se avizinhavam. Uma mais severa que a outra, mas nada que obrigasse a grandes paragens - ficámos rapidamente a perceber porque é que muitos dos camiões vinham com os "pirilampos" da frente ligados...

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Aproveitamos um check-point dos Guardas da Revolução para descansar... Perguntam-se, por certo, por que raio é que no meio de uma tempestade de areia, duas figuras com ar de cidade decidem percorrer o deserto como se nada se passasse. Terão pensado quão tolas poderiam ser aquelas almas que não tinham noção de que estavam num controlo dos Guardas da Revolução, a temida tropa de elite iraniana. Estranhamente, a despedida foi com sorrisos, como não poderia deixar de ser, sem esquecer as fotografias de Lisboa, mostradas entretanto.

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A chegada a Isfahan dá-se já pela noite... De repente parece que damos connosco no Mediterrâneo. As ruas povoadas de gente e até a relva dos cruzamentos se encontra ocupada por gente sentada em família a conviver e a comer. Isfahan tem o condão de ser talvez, no Irão, a cidade turística por excelência, mas ninguém pode esperar tal movimento nocturno. Pensávamos nós que em Shiraz já tinhamos visto tudo... 

isfahan_3.jpgAntes de jantar, seguimos alguns conselhos e percorremos as margens do Zayandeh com o intuito de sentir o "estranho" movimento de pessoas e também conhecer as suas pontes que, durante a noite, não perdem a animação que nasce logo pela manhã. Somos convidados para nos juntar a muitos daqueles que estão sentados a conviver e a comer, acompanhamos os pequenos grupos que se reunem para cantar e por lá ficamos entre o som da música persa, das águas que não cessam de correr e das gargalhadas e sorrisos que contaminam todo aquele lugar.

c_1.jpgApesar de tudo, ainda temos uma "larica" que nos faz querer encontrar um local para comer... E é aí que atravessamos, um pouco mais distantes do Zayandeh, uma das maiores praças do mundo e também uma das mais belas, a "Praça Naqsh-e Jahan". Mas ela voltaremos... Por ora, respiramos fundo, admiramos toda a sua excelência e ficamos absortos com tão mágico lugar.

iafhn_2.jpgA noite acaba num pequeno restaurante onde a culinária persa, pela mão de uma perna de cordeiro, mostra que, mais uma vez, é algo que levaremos sempre no coração e no paladar.

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