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Do Irão com Paixão...

por Robinson Kanes, em 08.01.20

meninos_do_Zāyandé-Rud.jpg

Imagem: Robinson Kanes (Não percam nunca a vossa amizade...)

 

 

O direito do homem a não matar. A não aprender a matar. Este direito não está consagrado em nenhuma constituição.

Svetlana Alexievich, in "Rapazes de Zinco"

 

 

Hoje não venho falar de visitas ao Irão... O Irão é mais que isso, é mais do que um postal, é um país com uma cultura e uma História que países como os Estados Unidos, por exemplo, nunca terão. Não vou ser contra os Estados Unidos, até porque prefiro (pelo menos para já) viver num regime mais semelhante ao norte-americano.

 

No entanto, não posso deixar de elogiar uma terra que me recebeu muito bem, quer pelas minhas origens culturais e religiosas totalmente diferentes quer por respeitar a minha negação das segundas. Denoto que algumas das discussões religiosas mais leves e mais abertas que tive aconteceram no Irão. Senti até que, ao contrário do que se diz, o dilema não se dá entre religiões mas entre "derivações" da mesma.

 

Não posso deixar de recordar aqueles sorrisos de homens carimásticos e de belas mulheres que podemos encontrar em qualquer cidade ou vila iraniana! Caramba, deixemos a porcaria da política e de interesses obscuros (vejam as acções de algumas empresas de armamento a subir) e foquemo-nos nas pessoas, no povo! Esse é um povo que não deseja violência, sobretudo no caso iraniano, que até por vários acontecimentos históricos demonstra uma grande vontade em estar junto do Ocidente, inclusive dos Estados Unidos.

 

Todavia, o que um povo não pode suportar é sofrer ameaças e sanções só porque uma Democracia decidiu atacar directamente o país - a morte de Qasem Soleimani é um ataque ao país. O povo iraniano e também o iraquiano não podem tolerar que uma Democracia invada os seus territórios e mate os seus líderes com total apoio de vários outros países e ainda recuse abandonar esses mesmos territórios. As ameaças de Donald Trump ao Iraque (e não falo do Irão) são qualquer coisa que deveria envergonhar qualquer democrata, qualquer cidadão com direitos, seja ele americano ou não! Junte-se a isto o abandono dos aliados curdos e mais vale cavarmos um buraco e escondermo-nos bem lá no fundo. A postura da comunidade internacional ocidental também é lamentável e nem o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas consegue esconder o facciosismo.

 

Todo este aparato só servirá para uma coisa: endurecer a postura do regime iraniano que já mostrava alguma vontade de abertura, além de que existem países aliados do Ocidente com maior limitação aos direitos humanos, e ainda reforçar o apoio ao regime por parte dos iranianos. Ninguém é isento de culpas, mas este levantar de poeira pode acabar da pior forma, até porque uma nação soberana e com a dimensão do Irão não pode cruzar os braços sob pena de se repetirem mais actos hediondos.

 

Os Estados Unidos e Europa estão também a perder uma oportunidade soberana de tomar parte na(s) nova(s) Rota(s) da Seda e com isso embarcar num caminho de prosperidade económica, social e política, aliás, estão neste momento a ser um entrave a esse desenvolvimento e a permitirem que países como a China e a própria Rússia aproveitem e assumam os destinos da região.

 

Todavia, neste momento, só me posso recordar de toda aquela gente boa, especialmente um pequeno grupo que, nas margens do Zāyandé-Rūd, partilhou connosco da sua comida, da sua casa e da sua vida, desde o primeiro momento em que nos conheceu numa clara demonstração de afecto que não vemos por cá, inclusive em Portugal, onde os principais seguidores da política dos afectos são os mais distantes daqueles a quem querem vender tamanha falsa ideia.

 

O Irão, aliás, os iranianos são um povo com quem todos temos de aprender e com uma bagagem intelectual e cultural que me faz, perante os mesmos, curvar-me e fazer uma vénia em respeito por tão importantes indivíduos. 

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Cuidado senhor Trump, o perigo para si está em Portugal... Depois de ir a Washington fazer a figura de provinciano gingão com a mania que pode gozar com os grandes, Marcelo voltou ao ataque a Trump esta semana após nova visita... Estranho é ouvir Marcelo a contestar o unilateralismo quando foi um partidário da cátedra "orgulhosamente sós" durante um regime ditatorial... Será que é inveja porque Trump tem mais mediatismo? Será que se deve ao facto de Trump também já ter feito algo pelo seu país (pois nem tudo o que o senhor faz é mau) e que vai para além de beijinhos e abraços? E porque não fala Marcelo da Venezuela e até de Angola? É motivo para mais um "facepalm"...

donald-trump-facepalm.jpg

 

E por agora, mais não digo... Até porque Trump já nem vai dormir depois de ter percebido que Marcelo não é propriamente o seu melhor amigo...

 

P.S: esta semana deu-me para isto, enfim...

 

Créditos: https://fabiusmaximus.com/2018/03/25/last-days-of-trump-rise-of-pence/

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Os Irritantes...

por Robinson Kanes, em 11.05.18

irritant-39019_960_720.png

Fonte da Imagem: https://pixabay.com 

 

O hipócrita é o espantoso hermafrodita do mal.

Victor Hugo

 

 

 

Quando chegamos a um patamar de desenvolvimento onde a teoria de Turing está prestes a chegar à luz do dia, percebemos que o desenvolvimento dos humanos não acompanha o desenvolvimento da robótica e consequentemente da inteligência artificial...

 

Muitos são aqueles que em Portugal respiram de alívio com os últimos desenvolvimentos do processo de Manuel Vicente, que em Angola seguirá agora outros trâmites que permitirão a indivíduos como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e tantos outros fiquem bem na fotografia com Angola mas mal perante os portugueses. A questão aqui é que Angola não esquece e em Portugal amanhã já ninguém se lembra... O saldo final, neste campo, não poderia ser mais positivo para todos.

 

Dentro do clube dos irritantes, voltamos a encontrar um Marcelo que volta aos seus discursos de chantagem e a tantos anos das presidenciais já começou a preparar o terreno. O ano passado lançou a terraplanagem, agora começa a aplicar o cascalho. Fazer depender a sua decisão dos fogos é minimamente redutor. Penso que, Marcelo deveria fazer depender sim a sua futura candidatura da capacidade de alterar um status quo com o qual vai pactuando. Fala muito, diz muito pouco, e com um discurso balofo de quem sempre praticou mais a oratória do que a acção lá vai comprando os portugueses com a veia de inovador que deixa tudo na mesma.

 

Também é interessante que no clube dos irritantes, surja um Costa que pede aos portugueses que se têm problemas que consultem um advogado. Estará Costa a pensar em deixar a política e dedicar-se à advocacia novamente? Interessante é que Costa não tenha pedido às vítimas de Pedrogão, aos banqueiros, às empresas de helicópteros, aos administradores do BES e da TAP, a José Sócrates e a tantos outros para procurarem um advogado...

 

Também não sou daqueles que diz tudo o que Trump faz é mau, mas extinguir o Programa de Monitorização de Gases com Efeito de Estufa da NASA é, no mínimo, retroceder à Idade do Gelo e contribuir com mais uma forte pedra para a lápide que começa a formar-se à volta do planeta Terra. Os Estados Unidos não podem nem devem chegar a este ponto e retornar aos colonos estupidificantes da Guerra da Independência, até porque o processo de desenvolvimento do país após esse conflito foi moroso e levou muitos anos a tornar os Estados Unidos na potência que são hoje.

 

Finalmente, irritante é também muita da comunicação social portuguesa que insistentemente nos impige vozes que defendem a impunidade de Lula da Silva. Os defensores, sobretudo brasileiros, de Lula da Silva, encontram em Portugal o palco perfeito para a defesa de um corrupto. Talvez encontrem aqui o palco perfeito para puxar do conceito de fascismo aplicado a todos os que não pensam como eles. Aliás, actualmente, não pensar como muitos partidos de esquerda e extrema-esquerda é uma atítude fascista... Pelo menos na boca daqueles que o praticam, mas ao invés de ter uma origem na extrema-direita, tem na extrema-esquerda - por falar em extrema-esquerda, é interessante ver, sempre que pode, o Presidente da República Portuguesa negar a existência desta em Portugal! Será que Marcelo, como todos nós, sabe que é o defensor máximo de uma Constituição que aplaude a extrema-esquerda mas proibe a extrema-direita e procura varrer alguma poeira para debaixo do tapete?

 

E por falar em Constituição e Justiça, por mais quantos anos os Provedores de Justiça irão continuar a dizer à classe política que  estão a elaborar leis que criam uma autêntica partidocracia, aliás, iria mais longe e díria uma autêntica ditadura? O caso do financiamento das campanhas autárquicas é um deles, onde os partidos estão isentos de IVA mas os movimentos de cidadãos não... É isto a Democracia...

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