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IMG_6891.JPGFonte das Imagens: Própria.

 

Ontem falei do Outono e... Falar do Outono sem falar em Trás-os-Montes e mais especificamente em Pitões das Júnias é um autêntica falta de sensibilidade para com esta estação.

 

Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre, não está na moda, por isso não confundamos as coisas. Aliás, se alguma vez esteve na moda foi no âmbito da etnologia e da antropologia sobretudo no estudo e na abordagem às aldeias comunitárias.  Sobre uma delas debrucei-me em tempos, Tourém.O próprio nome da aldeia ainda hoje é alvo de um grande debate, pois não é fácil perceber a sua origem.

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Pitões das Júnias é a aldeia mais alta do Barroso e encontra-se no Parque Natural da Peneda-Gerês. Apesar da proximidade com Espanha, não deixa de ser uma aldeia perdida do interior, uma aldeia esquecida e que tem, graças ao turismo, conseguido manter-se de forma a que não se torne apenas mais uma recordação do passado. A abordagem a Pitões também não pode ficar circunscrita só a um artigo (cá voltaremos), apesar da dimensão da aldeia e da sua população de pouco mais de 150 habitantes. Pitões é mais que uma aldeia, e quando chegamos a Pitões é fácil sentir essa diferença. Pitões é a história de um povo que numa região inóspita lutou contra as adversidades de um clima rigoroso e contra a distância dos grandes centros e isso reconhece-se ainda hoje nos rostos daquelas gentes - gente forte, dura mas de uma humildade e carinho singulares. A própria génesa das aldeias comunitárias nasce dessa necessidade de união e partilha face aos diferentes desafios.

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Entre o rio, a "Pala da Vaca" e os "Cornos de Pitões" (Cornos da Fonte Fria), como são chamadas pelos locais as elevações que "protegem" a aldeia e que contribuem para uma imagem pitoresca sobretudo ao amanhecer e durante o crespúsculo. A vista da aldeia a partir do cemitério é algo que fica para sempre na nossa memória. Daí podemos rever o nosso circuito dentro da aldeia e imaginarmo-nos nós também como parte da mesma. O forno comunitário/Ecomuseu, as fontes com uma água cristalina, a Igreja e as diferentes casas são de uma beleza indescritível e não faltam relatos desta riqueza em livros e também na web, sobretudo daqueles que lá vivem, e não daqueles que, como eu, só lá vão de vez em quando.

 

Também não é incomum encontrarmo-nos com amigos de 4 patas, sejam bois ou enormes cães que nos abordam com um olhar inquiridor mas rapidamente se deixam contagiar pelas nossas festas.

 

Entre os "Prados do Lima", os "cornos" e os ribeiros podemos encontrar verdadeiros dias de descanso, considero até que é um dos locais perfeitos para fugir do mundo e reflectir. Contudo não nos deixemos enganar, pois não perdemos a ligação com a vida e com as pessoas, a outra grande riqueza desta aldeia. Em Pitões apodemos perder a carteira com algum dinheiro e rapidamente toda uma aldeia se mobiliza para encontrar o proprietário da mesma, mesmo que este já se encontre em Lisboa com a memória da "Cascata" ainda bem presente nos seus pensamentos.

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Mas voltaremos a Pitões para descobrir mais um dos segredos deste nosso país. Por agora repousemos entre um clareira rodeada de carvalhos e estudemos este interessante percurso recomendado pelo ICNF. Depois, abramos os nosso cesto de piquenique porque a fome já aperta. Ao que sei está rechedado de enchidos e licores da região...

 

Finalmente, e como Pitões se encontra num Parque Natural, nada como recordar o Código de Conduta e Boas Práticas que deve ser interiorizado por todos os visitantes das áreas protegidas.

 

Bom fim-de-semana...

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"Friday I'm In Love"...

por Robinson Kanes, em 28.07.17

 

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Aí está o fim de semana e com ele o delírio daqueles que trabalham cinco dias para viverem um e deprimirem a partir das 13 horas do segundo...

 

Por aqui deixo uma pergunta, já foram a Tourém? Então nada como ir até ao artigo de ontem, pode ser uma óptima sugestão para vos encher de boas energias ao invés de lastimarem a infelicidade de terem um trabalho e ainda terem tempo de descanso...

 

O tema dos incêndios também tem sido uma tónica cá por casa, pelo que será necessário descomprimir antes que me sejam colocadas as malas à porta. Na leitura não será,  pois por aqui continua-se a reler Gabriel Garcia Márquez e o seu "Amor Nos Tempos de Cólera". Quem viu o filme e gostou, após ler o livro vai mudar de opinião em relação ao primeiro. Mas... Apesar de arrebatadores e geniais, os livros de Garcia Márquez não são propriamente os que nos colocam mais felizes...

 

Por tudo isto, lembrei-me da banda sonora desta semana: "The Cure" - aquele rock com um sotaque british bem vincado na voz de Roberth Smith, o vocalista da banda nascida nos anos 70 e que sobreviveu aos ricos anos 80 e ainda conseguiu atingir o apogeu nos anos 90! É a banda ideal para ouvir enquanto se conduz na cidade enquanto outros, fechados nos seus automóveis, apresentam a tradicional cara de atum. Destaco três músicas que estão incluídas no "Best Of" mais "recente" da banda - três porque não poderia esquecer "Friday I'm In Love"! As outras duas são "Why Can't Be You" (adoro além de que é das melhores para andar no trânsito - ver no final do artigo ) e "Mint Car" (ideal para filas longas - idem).

 

 

Um filme? Poderia pensar em vários mas talvez opte por uma produção francesa de Yann Samuell com Guillaume Canet e a belle Marion Cotillard. O filme é "Jeux d'enfants" ("Love Me if you Dare", em inglês). Uma história de amor, mais leve e mais animada que decorre em torno de um jogo, ideal para quem gosta de amores difíceis, e com alguns apontamentos mais sérios onde destaco a questão da morte e de levarmos a enganadora vida perfeita ao lado de quem não amamos... No final, uns conseguem corrigir o erro e viver o seu grande amor, outros nem por isso. Abaixo fica o trailler para os apaixonados.

 

 

Bom fim de semana e até terça-feira.

 

Abaixo as outras duas sugestões dos "The Cure".

 

"Why Can't Be You"

 

 "Mint Car"

 

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"Contrapassear" pelo Exclave de Tourém...

por Robinson Kanes, em 27.07.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Tourém, a par de Mourão no Alentejo é um dos exclaves de Portugal. Atravessado pelo Rio Salas faz fronteira a norte com Espanha, nomeadamente com os Ayuntamientos de Muíños e Calvos.

 

Tourém, com cerca de 151 habitantes, repousa nas costas do Gerês e é aí que olha para Espanha e se deixa banhar pelo rio que serve de local de descanso e alimentação para pessoas e animais. É um local mítico e que serviu de apoio ao Castelo de Piconha que defendia Portugal de Castela. 

 

De Tourém podemos admirar as suas casas ainda bem preservadas, o seu chão em paralelo e toda uma história de aldeia comunitária que a colocam lado-a-lado com aldeias como Pitões das Júnias, ou até com a mais distante, Rio de Onor. O Forno acaba por ser o grande herdeiro desses tempos, como o é nas demais mencionadas.

 

Chegar a Tourém é chegar ao fim de Portugal, não só pelo facto de estarmos perante uma aldeia raiana mas também por deixarmos para trás os encantos únicos do Gerês e penetrarmos num outro mundo que é o da Galiza com todas as suas tradições e especificidades, muitas delas bem semelhantes às da região do Barroso.

 

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Como Aldeia Raiana, Tourém não escapou ao contrabando, uma temática que ainda cultiva algumas questões mas que é também um produto turístico. Aqui, recomendo o trabalho fotográfico de um investigador da Universidade de Trás-os-Montes, Hugo Costa, que retratou em imagens as histórias de alguns contrabandistas de Tourém com a sua câmera fotográfica. Uma volta pelo "google" e não faltarão exemplos. Para quem gosta de caminhar, porque não experimentar um percurso pedestre da "Rota do Contrabando", mais especificamente  o "Trilho de Tourém" - permite que sejamos contrabandistas por um dia e conhecer toda a aldeia e paisagem envolvente, o download do trilho pode ser feito no website da Câmara Municipal de Montalegre. São 11km mas o percurso é circular e permite contemplar o Forno Comunitário, a Capela de S. Lourenço, o Largo do Outeiro e a Albufeira de Salas. Parar, conversar com quem passa, jogar às damas num qualquer café e fazer festas aos cães que deambulam por aquelas ruas também vai ser uma realidade.

 

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Visitar Tourém é recuar a tempos mais distantes onde o sentimento de comunidade era a maior arma contra o isolamento e contra os duros Invernos daquelas terras distantes... Atravessar a ponte e observar a albufeira e as montanhas circundantes, enquanto observamos o gado a saciar a sede naquelas águas, é como sermos transportados para Alberto Caeiro, para a capa bucólica de Fernando Pessoa.

 

Uma nota para os que gostam de "passarada", aqui não faltam atractivos, na foto consegui captar um Gavião, mas também se podem encontrar, entre outros, o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus), Águia-calçada (Aquila pennata), Águia-cobreira (Circaetus gallicus), Peneireiro-vulgar (Falco tinnunculus), Ógea (Falco subbuteo) e a  Águia-d'asa-redonda (Buteo buteo)... E estamos só a falar de aves de presa, imaginem o que não poderão ver mais... O website Aves do Barroso pode ajudar.

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Também prometi que esta semana falaria da Cordoama e do Castelejo mas... Com o país em chamas, falar de praia não é a melhor postura!

 

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