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Playlist para um gin junto ao Tejo!

por Robinson Kanes, em 28.08.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

Um destes dias fui "convidado" para um gin, foi o Filipe da Caneca. Não o provaria mas alguém estaria por certo habilitado a consumi-lo por mim, e acredito, que com muito vontade. Dei comigo a pensar um destes dias, com o Tejo mesmo ali à frente e os phones nos ouvidos. Era uma zona do Tejo, sem turistas, apenas com os locais nas suas vidas deambulando entre aquela esplanada e os passeios.

Hoje, e como vem sendo habitual, partilho a playlist desse momento. Foram mais que dez músicas, mas penso ser capaz de rapidamente escolher as 10 que poderiam acompanhar um gin com vista para o Tejo... Um "Real Gin", assim era apelidado pelo barman responsável pela carta.

Começo talvez pela música que ainda vinha no carro, até porque as demais pouco terão a ver. É uma das malhas preferidas para a condução, embora não tenha tiques de Rainho. Os Kasabian e a sua "Club Foot" são daquelas que transformam o mais tranquilo festivaleiro num verdadeiro maluco da poeira ou da lama. Para rolar no alcatrão ou encher as cavas das rodas com terra, "Club Foot"!

Mas um gin com vista rio quer-se mais calmo, sobretudo enquanto se espera e se vai tentando perceber o que aí virá. Faz sol... Faz sol, o tempo convida e volto-me para outros ritmos, não consigo deixar Itália... Aquele momento, não sei porque motivo, lembrou-me Como, a cidade, a porta do Lago e a Georgia (aqui em dueto com Eros Ramazzotti). Pouco tem a ver, mas talvez a companhia, talvez as curvas e todo aquele lago até lá chegar, no fundo, "Inevitabile".

É notória a calma e o percurso da força da música para algo mais leve. Chego a Lorenzo Jovanotti, em Portugal, ficou em tempos conhecido pelo "apelido" mas depois desapareceu... Como tantos outros. Em Itália vai tendo o sucesso habitual. Fica "Chiaro Di Luna", uma música que me tem acompanhado desde o final do ano passado!

E enquanto os meus olhos navegam pelo Tejo e pela senhora que é arrastada por um Labrador... Pelo cavalheiro que, ao meu lado, troca a música por um cigarro, continuo por Itália e não mudo de pasta. Quererá isto dizer alguma coisa? Por norma sucede mais com Espanha. Quem não gostar pode já deixar este espaço. Estou em querer que vamos andar por aqui, e agora com Ermal Meta com "A Parte Te".

Temos dias assim, o copo ainda nem vai a meio. Vou abandonar os italianos, prometo... Mas avanço e tenho de acabar com duas das melhores vozes de Itália. Duas cantoras singulares e com timbres tão diferentes - o resultado não poderia ter sido melhor, novamente Giorgia, mas agora Gianna Nannini (e como eu adoro ambas). Salvami... De quê, não sei...

Os ouvidos voam agora para os Estados Unidos, para o CD Metropolis, o quarto de Peter Cincotti e que alguém há "muito" tempo meu deu a conhecer e desde então, a cada lançamento, o Robinson corre para o comprar! Peter Cincotti é um indivíduo bem disposto, lutador e que se deu bem mas não perde o seu lado sofredor! Gosto disso e com este gin, com este sol, só me poderia recordar de "Madeline"... "Oh Madeline... Always in the back on my mind".

Uma coisa leva à outra e agora é mesmo preciso tragar o gin, calmamente... Lembro-me de uma história que acabava com um "glass of wine" mas não a vou contar aqui, até porque pouco tem a ver com o estado de espírito do momento.  Por falar em momento, talvez uma das melhores vozes internacionais da actualidade, Jacob Banks! Uma espécie de Seal mas que se arrisca a ser ainda mais intenso na sua música, na sua voz. "Unknown (to you)" é um hino ao amor, à música... A tantas e tantas outras coisas. Esta tarde tinha de estar ao meu lado. Wow...

Wow... Por isso me repito e volto à carga com Jacob Banks. Abano a cabeça, o indivíduo do cigarro olha para mim. É ele que tem a nicotina na mão mas sou eu que percorro o alcatrão dos pensamentos que uma tarde soalheira junto ao Tejo traz. "Chainsmoking" é o tema escolhido, não pode ser outro, agora não.

O tempo está-se a esgotar, vão chegando mais pessoas... Gosto do movimento humano, sobretudo quando respeita os demais humanos. Mas admito, estou na minha bolha e quero sossego, vou aproveitando o que sobra do gin e entra Lloyd Cole com "Like a Broken Record". Música à Lloyd Cole e que contagiou a plateia em tempos quando apresentou o albúm por estas terras. Com esta música acabo por "entrar" num dos barcos ancorados e olhar a terra desde o rio. É interessante, sentimo-nos protegidos. Os verdadeiros homens do mar chegam a ter medo da terra...

Acaba a bebida, obrigações cumpridas e pagamento saldado. Escolho uma música para me acompanhar nos últimos minutos deste momento. Procuro... Tem de estar por lá. Surge Nick Cave (com os The Bad Seeds, claro) com a sua voz poderosa! "Into my Arms" é uma música forte, não deveria concluir este pedaço da tarde desta forma, mas Nick Cave não é homem para nos deixar indiferentes. É hora de sair com as ideias baralhadas, o que, pontualmente, também nos ajuda a organizar o nosso mundo... Nosso mundo? Nah...

E  no final, é interessante perceber como tudo começou e como tudo acabou. O copo vazio, a tarde a perder o seu sol mas a minha cabeça bem cheia...

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

Esta é talvez uma das bandeiras deste espaço, quem já o vem seguindo vai percebendo a afinidade que por aqui se tem com o mesmo e a forma como se tem lutado para que o novo aeroporto de Lisboa não destrua um dos mais belos santuários naturais do Mundo.

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O Tejo é, cada vez mais, um rio em vias de extinção: em Espanha soam os alarmes (ver o Tejo em Toledo  mete dó) e em Portugal ignora-se, e até se fomenta (não punir é o mesmo que aceitar) a sua poluição que vem desde Ródão e Fratel e segue por todo o rio até às descargas, já em Lisboa - sem esquecer toda a movimentação de navios que agora ganha novo ritmo com o terminal de cruzeiros - é sempre a poluir.

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O Tejo é um dos nossos maiores bens, o Estuário ainda mais, mas insistimos em obras faraónicas, em investir mais dinheiro e continuar a alimentar interesses de meia-dúzia em prol da destruição de outros. Andamos tão tristes com a Amazónia (e o que aí vem não vai ser agradável, de facto) mas andamos a esquecer os nossos incêndios e um dos estuários mais belos do Mundo. 

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É triste perceber que a grande maioria dos lisboetas não conhece este Estuário! Ainda recentemente me desloquei com um "alfacinha" ao Seixal (nascido, criado e ainda com casa bem no coração da cidade) que, ao chegar, perto da Câmara Municipal e num ponto mais alto, ficou deslumbrado com aquela baía e parecia um tonto a tirar fotografias: "mas isto é lindo, não conhecia... Isto é lindo!".

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Enquanto pensamos no novo aerporto, numa das mais belas praias da região de Lisboa, em Alcochete, os avisos desaconselham os banhos... O que se fez para reverter esta situação ao longo dos anos? Nada! O que se tem feito para combater a pesca ilegal de bivalves e a existência de autênticas máfias no rio? Tudo acontece sob o olhar da GNR e da Polícia Marítima que parecem estar de mão atadas. Nada se faz ou ficamo-nos por escassas intervenções - apreende-se uma embarcação, surgem logo duas ou três! Entretanto, a autarquia continua a investir em touradas, com o consentimento dos seus habitantes, é preciso ter isso em conta.

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Ainda recentemente se falou de um problema com aves no aeroporto de Sá Carneiro, que obrigou a uma aterragem de emergência, foi em Portugal. No entanto, pouco se falou do voo da Ural Airlines que saiu de Moscovo e que, após a descolagem, viu os reactores serem destruídos por aves obrigando a uma aterragem num campo de milho! Não utilizarei a palvra milagre, porque é dar os louros ao que não existe e esquecer o trabalho dos pilotos! Aterrar um avião acabado de descolar, carregado de combustível, num campo de milho e sem incendiar ou provocar mortos é uma proeza daquelas! Não terão os holofotes dos pilotos do Rio Hudson, Hollywood e a CNN não ficam em Moscovo.

 

Uma nota final para a Amazónia: a Amazónia é um património do mundo, a Amazónia tem vindo a ser destruída ao longo de décadas e só agora o mundo acordou para esta realidade! Porquê? Dá "likes"? O efeito rebanho afinal é mesmo uma realidade? Porque todos querem seguir as celebridades? Quando é que nos lembramos que, embora influenciando pela positiva, não raras vezes estamos perante um "show off" que se esgota em horas e os resultados serão nulos! Quando é que agiremos por nós? Quando é que o mundo viola pela "primeira vez" uma lei internacional em prol do bem e faz questão de dizer que a Amazónia é de todos?

 

Deixo este gráfico e uma ligação com mais informações para percebermos que toda esta calamidade não é só "obra de Bolsonaro" (embora também este esteja a falhar redondamente), como parece ser o pensamento geral! Um olhar mais atento vai descobrir que os anos anteriores à eleição deste foram negros para a floresta! No entanto, a culpa maior é de todos nós que consumimos produtos oriundos desta floresta e que nada fazemos para mudar o estado das coisas! Além disso, a floresta amazónica não compreende só o Brasil!

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Fonte: https://rainforests.mongabay.com/amazon/amazon_destruction.html

Até lá, fiquemos sentados a assistir e a aguardar pelos voos baratos que nos levarão de Lisboa para outros destinos igualmente com voos baratos a troco de um investimento que nos vai sair muito caro!

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Sexta-feira, não raras vezes, é um dia que se aproveita o casebre para apontar algumas ideias mais... "bonancibles"? Eu admito que tento relaxar na pressão dos temas mas nem sempre consigo, pelo que, vamos lá ver se tiro algum peso "à coisa"...

 

Se há coisa que um português gosta é de uma boa esplanada, de preferência sobre o mar! E eis que me lembrei (fazendo vénias) do "meu" Vergílio Ferreira! Dirão "lá vem este com aquela conversa e com os livros do Vergílio", mas este é leve, aliás, tão leve que é uma espécie de conto e que até encontrarão pela internet... "Uma Esplanada Sobre o Mar".

 

Não há nada mais igual do que o mar ou o lume ou uma flor. Ou um pássaro. E a gente
não se cansa de os ver ou ouvir. Só é preciso que se esteja disposto para achar diferença nessa
igualdade. Posso olhar o mar e não reparar nele, porque já o vi. Mas posso estar horas a olhar e
não me cansar da sua monotonia.

Vergílio Ferreira, in "Uma Esplanada sobre o Mar"

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Sim, de facto não consigo manter a leveza da coisa... E se agora tanto se fala de demografia (ou se evita ao não apontar os factos reais e aproveitando o refúgio no politicamente correcto) nada como ir aos "primórdios" do excesso de população e pensar em Thomas Malthus! É uma visão que já precisa dos seus ajustes mas que em determinadas passagens está mais actual e é mais necessária que nunca! Para quem conhece a teoria de Malthus, saberá que este nos dizia (de uma forma bastante sucinta) que a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos de forma aritmética, logo levava à fome! A isto junta-se a questão ambiental e de sustentabilidade cuja fragilidade aumenta com a eliminação dos predadores e das doenças, entre outros factores.  "Ensaio sobre o Princípio da População"... 

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Uma música... Uma música para um fim-de-semana ou um momento em que estamos perfeitamente em altas (ou em baixas) depende do contexto mas não perdendo o foco no positivo! Para tirar peso à coisa e para se celebrar o amor (seja lá o que isso for... até já há quem use (mal) a ciência para dizer a anormalidade de que este só dura 5 anos), nada como regressar a Tiziano Ferro, agora com Carmen Consoli. "Il Conforto" é um hino à paixão e pelos vistos não fui eu só a achar isso em 2016/2017, quando esta música foi lançada! Tiziano Ferro morreu há muito em Portugal mas em Itália é um senhor! Esta está sempre na lista...

 

Per pesare il cuore con entrambe le mani 
Ci vuole coraggio 
E occhi bendati su un cielo girato di spalle 
La pazienza a casa nostra il coraggio il tuo conforto 
Ha a che fare con me 
È qualcosa che ha a che fare con me

 

E um filme? De facto, quem sou eu para estar aqui com sugestões? Enfim... Porque é que não me dão as vossas também? Trocamos? Afinal, quem sugere é mais do que quem segue? Negativo! Às vezes, bem pelo contrário... Chutem! Deixo "Istanbul Kirmizisi" ou "Rosso Istambul" de Ferzan Ozpetek. Ver este filme é percorrer Istambul , é recordar... E muito que há para recordar! A banda sonora é interessante e embora não sendo um filme perfeito, a história em torno da personagem do escritor Orhan Şahin merece a pena...

Caríssimos... E é isto! Se tiverem tempo, nada como dar uma espreitadela a este artigo que nos fala do ameaçado "Mouchão da Póvoa" em pleno estuário do Tejo! Estou em dívida com o autor, pois contamos iniciar uma série de textos (e talvez, não só) no sentido de alertar para os perigos que o nosso "Tejo" enfrenta.

 

Bom fim-de-semana e... Não se esqueçam que os 10% de assalariados (assalariados, reforço) mais pobres do Mundo têm de trabalhar três séculos (portanto... 300 anos!) para auferir o rendimento anual (365 dias, 1 ano) dos 10% mais ricos.

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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O Tejo, Esmond Bradley Martin e a Cidade do Cabo...

por Robinson Kanes, em 06.02.18

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Fonte da Imagem: https://www.thetimes.co.uk/article/ivory-trade-investigator-esmond-bradley-martin-murdered-in-kenya-k65bltr0r

 

 

Hoje este espaço está de luto... Está de luto porque existe um rio chamado Tejo mas ninguém quer saber... Pelo menos até secar. Quando isso acontecer lá vamos ter os do costume a posar para a fotografia e a dizerem-se muito preocupados com os portugueses, com o discurso do "tudo está a ser feito"! Enquanto assim não for, vamos continuar calados, mesmo que passemos a vida a falar de tudo e de nada quais cataventos que seleccionam as brisas e se escondem de outras que podem retirar votos e "amizades" com interesses óbvios. É mais fácil andar sempre perto dos sem-abrigo, mesmo que sejam só um ou dois, passando a ideia de que em Portugal são aos milhões, do que propriamente falar e agir contra a poluição no Tejo... Não é Sr. Presidente?

 

Mas o "Não É Que Não Houvesse" também está de luto porque foi encontrado esfaqueado, na sua casa de Nairobi, o activista/conservacionista, Esmond Bradley Martin, um dos maiores nomes quando se fala em combate ao tráfico de marfim! Em Portugal, em alguns meios, também acredito que foi uma morte aplaudida.  

 

É a este homem que devemos algum conhecimento acerca das rotas de tráfico de marfim e a protecção em larga escala de elefantes e rinocerontes! A notícia, encontrei-a na National Geographic e na Time e partilho convosco os links. Dou também os parabéns ao SAPO por ter partilhado também esta notícia e ter dado a conhecer a morte deste senhor nos canais de comunicação nacionais - parabéns.

 

Além da chacina destes mamíferos, o tráfico de marfim alimenta dezenas de guerras civis em África, Médio-Oriente e no Sudoeste Asiático, sem esquecer redes terroristas que encontram neste comércio uma forma de financiar os seus ataques e propaganda. Bradley Martin foi ainda responsável pelo facto de muitos países proibirem este comércio e lançarem verdadeiras intervenções no terreno contra esta prática... A juntar a tudo isto, Bradley Martin foi só mais um a ser assassinado, pois estas redes não olham a meios e todos os anos morrem milhares de heróis desconhecidos nesta verdadeira guerra, desde investigadores a guardas dos parques nacionais! 

 

Finalmente, o luto fecha-se com o drama que vive a cidade do Cabo e o primeiro grande alerta em termos de escassez de água em grandes metrópoles! Antes de desenvolver o assunto, sugiro este artigo brilhante publicado no "The Guardian" e que é da autoria de Anne Van Loon, professora e investigadora em "Ciências da Água" na Universidade de Birmingham. É um artigo a propósito desta temática e das consequências que poderá ter para o nosso futuro! Tive oportunidade também, de ler uma notícia no "New York Times" e cuja preocupação passava pelos turistas, nomeadamente, como estes podiam ser afectados! "Que se danem os habitantes, cuidado é com as viagens para o Cabo".

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Fonte da imagem: Associated Press - Bram Janssen 

 

Neste momento, as restrições e as campanhas estão a dar resultados e o "dia zero" está neste momento em 11 de Maio, ou seja, o dia em que a água vai mesmo faltar. Mais interessante ainda, é o facto de muita desta água ter sido utilizada na agricultura, mas também em usos mais luxuosos, como em piscinas, lavagem de automóveis e outros comportamentos que deixam muito a desejar... Não culpem os pobres, a maioria dos habitantes da cidade, pelo desperdício, pois muitos destes abastecem-se em fontes públicas e o consumo não é assim tão elevado. Segundo fontes da Associated Press, os mais pobres consomem apenas 4% a 5% da água!

 

Hoje estamos de luto também porque estes temas não enchem de revolta as redes sociais e a ruas que andam mais preocupadas com programas de televisão, mini-saias, peripécias de clubes de futebol e com o aniversário do Cristiano Ronaldo.

 

 

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Porque os Verdadeiros Flamingos Não São uma Moda.

por Robinson Kanes, em 27.09.17

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 Fonte das Imagens: Própria - as sombras em algumas das fotografias devem-se ao facto de estar escondido por entre as ervas e a alguma distância. Uma boa fotografia não vale o desassossego das aves.

 

Este Verão parece que a moda foram os flamingos. Parece que todos aqueles que querem ser diferentes lá seguiram a moda e partilharam-na como sendo os únicos a usufruir da mesma... O que eu não vi foi gente realmente diferente a falar dos verdadeiros flamingos, aqueles flamingos que, por exemplo, podem vir a desaparecer do Estuário do Tejo devido à construção do futuro aeroporto de Lisboa... Um aeroporto que, mesmo não estando ainda aprovado, em alguns círculos já é um dado adquirido.

 

Em tempos escrevi aqui e também aqui sobre os flamingos do Tejo. Não são só os flamingos, mas todas as aves que se encontram na Reserva Natural do Estuário do Tejo. O que me espanta é que por cá, muitos tenham aderido a uma moda mas nem tenham a menor ideia da importância extrema da rota migratória destas e de outras aves e também que a Reserva é a maior colónia de flamingos da Europa. O Estuário do Tejo encontra-se ainda na lista das Zonas Húmidas de Importância Internacional. Corremos o risco de cometer mais um atentado gigante contra o ambiente sem que ninguém faça rigorosamente nada.

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Pensei que esta moda (e nada tenho contra a tendência em si, embora tenha a minha opinião pessoal acerca desta em particular) ainda pudesse alertar ou até sensibilizar para esta situação, mas no Verão (ou todo o ano?) temos uma certa tendência para fazer uma pausa em alguns valores e causas, até poque Dezembro está a caminho e lá vem a altura de encaixar uns pseudo-actos de bondade e em alguns casos uns dividendos para o bolso.

 

Podemos sempre fazer uma corrida solidária, correr por uma causa... Coisa que a mim me causa uma certa confusão, embora reconheça que se traz frutos, pois bem, que se faça. Não podemos é esquecer que os flamingos não são uma peça de vestuário ou de decoração, são seres-vivos e uma espécie protegida. Finalmente, uma outra nota: sempre que virem flamingos ou outras aves, por favor, não desatem a apitar ou aos gritos, uma das regras básicas da observação destes animais é isso mesmo: a distância e a não interferência!

 

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Dispam a camisola, ou quando forem guardar o fato de banho ridículo com flamingos (eu disse que tinha uma opinião muito pessoal, lembram-se?) procurem saber a importância destes animais e do habitat dos mesmos em Portugal. Não é só pelo Estuário do Tejo que estes deambulam... Tentem, contudo, não incomodar estes aves quando as virem... O senhor abaixo, que me acompanha sempre, faz exactamente o mesmo e respeita o espaço das outras espécies, ora vejam-no atrás de mim...

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P.S: de facto, muito se falou da moda dos flamingos e que "toda a gente" havia aderido à mesma, no entanto, terei sido o único a não ver ninguém vestido com padrões de flamingos? Contudo, se a moda continuar no Inverno, é garantido que comprarei uma "capinha" com estas aves para proteger o pastor alemão da chuva. Assim fica a condizer com o arnês e a trela que também são aos flamingos... Prometo "postar" várias fotos do indivíduo canino a fazer bico de pato e a levantar a pata fazendo um "V" enquanto tira uma selfie com o outfit que lhe ofereci...  

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No Estuário do Tejo com os Flamingos

por Robinson Kanes, em 05.05.17

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Um dos locais mais aprazíveis e mais tranquilos para um bom passeio e, sem ir para muito longe, é o Estuário do Tejo...  sobretudo quando a maioria dos residentes em Lisboa e na margem sul do rio Tejo não sabem que existe a Reserva Natural do Estuário do Tejo. Este estuário é, aliás, uma das maiores Zonas Húmidas da Europa mas continuamos a insistir na sua destruição!

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Confesso que uma das minhas grandes paixões são as Aves de Presa e como tal, também é nesta zona que já tive oportunidade de apreciar verdadeiros momentos National Geographic de ataques sem piedade. Não me julguem sanguinário, aí é a natureza a desempenhar o seu papel, eu sou um mero espectador que não intervém.

 

Mas existem mais que aves de presa no Estuário do Tejo, existe também o Flamingo (Phoenicopterus roseus). O Estuário do Tejo é um verdadeiro Santuário, à semelhança do Estuário do Sado, Ria Formosa e Reserva Natural de Castro Marim e algumas zonas do Alentejo. Apesar de serem avistáveis praticamente todo o ano os flamingos não se reproduzem em Portugal e não é de todo incomum que se encontrem alguns com anilhas espanholas. Aliás, o maior santuário mediterrânico desta espécie  fica bem perto, nomeadamente na Reserva Natural da  Laguna de Fuente de Piedra em Málaga. Vale bem a visita... sobretudo se já trouxerem o Parque Nacional de Doñana na memória (património UNESCO).

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Quantos fins de tarde ou piqueniques não são feitos na companhia destes senhores de pernas longas e com uma cor peculiar que dão cor a pequenas lagoas ou aos céus daquela região. Não é de todo anormal vermos um bando destes senhores a atravessar os campos e o Tejo à procura de alimento ou simplesmente em busca de abrigo. Um fim de tarde pode ser verdadeiramente a tela perfeita, quando as cores alaranjadas de fim de dia, se juntam ainda com o azul do céu e com o branco e rosa destas aves. Juntem-lhe uma manta aos quadrados verdes e brancos, um cesto com um lanche, uma máquina fotográfica e claro uma boa companhia para, com a devida distância, terem talvez um dos momentos mais agradáveis e memoráveis das vossas vidas!

 

Quem não estiver muito interessado nesse momento, pode sempre ir a Alcochete, onde gente simpática e boa comida a bom preço (preço muito simpático, verdadeiramente) fazem a delícia dos mais gulosos. Nada como um pulo à Taberna D. Manuel I, bem perto do rio, com um atendimento que parece ser feito pela nossa mãe e com uma comida de sabor verdadeiramente caseiro. Entre carne e peixe é difícil de escolher, mas pode ser que ainda encontrem a Açorda de Sável com o respectivo Sável frito, ou então o Pregado Grelhado e o Robalo no ponto. Nas carnes, a carne de porco, tem aí um sabor especial. Na companhia da D. Zézinha e do Sr. Manuel vão ver que se vão sentir em casa. Cuidado é com a D. Zézinha, que fala demais na sua pureza de quem não vê mal em nada.

 

Podem também experimentar carne de touro ou iguarias de terras africanas no Restaurante Alternativa, na praça central da vila. À semelhança da sugestão anterior, o atendimento tem as falhas devidas de quem atende sem protocolo, mas com a mais-valia de um atendimento genuíno e de uma comida saborosa, sem adereços ou elementos distractores do paladar. A Espetada de Touro Bravo ou os fabulosos Mimos de Touro Bravo são delícia. Dos pratos africanos, cá voltarei um dia, pois a cozinheira de S. Tomé e Príncipe é uma verdadeira "MasterChef". (publicidade não paga, porque acredito que as melhores sugestões não se compram). 

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E não se esqueçam! Mantenham distância e sigam as recomendações, só assim poderemos apreciar estes amigos em segurança, garantindo que o bem-estar dos mesmos não é afectado. Resistam à tentação das aproximações! Até porque não terão muita sorte.

 

Têm aqui o Código de Conduta que deverão seguir: http://www.icnf.pt/portal/turnatur/resource/docs/ap/codigos/codig-condut

 

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Um Fim de Semana Com o Felix!

por Robinson Kanes, em 31.03.17

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Almada Negreiros, Sem Título (Colecção Privada)
Fonte da Imagem: Própria

 

 

No momento em que escrevo este texto encontro-me numa turbulência (não é metáfora) daquelas em que até os “palradores” do costume se calaram. Mas senti que devia escrever, será que começo a sentir o peso da responsabilidade para com quem ainda perde algum tempo a ler-me?

 

Como é sexta-feira, (ou vai ser porque estou a escrever isto numa quinta-feira) é o dia em que falo de algumas coisas que me agradam, que me deixam contente e de bem com a vida - para trás Satanás, hoje nada me farás pois o Senhor é o meu Pastor!

 

Esta quinta-feira, pela manhã, que afinal é sexta-feira, dei comigo a percorrer a ponte Vasco da Gama e a usufruir de uma sonoridade que, quem fosse ao meu lado, julgaria que na minha humilde viatura se ouvia AC/DC ou Rolling Stones, mas não... estava a “curtir uma bela de uma malha” de Mendelssohn, mais propriamente “Die Hebriden” também conhecida como "Fingal's Cave". Se acrescentar Opus 26 acham que soará muito a pedante da Antena 2?

 

Surgiu por acaso... num CD de clássicos que tenho no carro. E não é que soube mesmo bem atravessar o Tejo qual falua em busca de amêijoa ilegal! O Pastor Alemão que ia atrás adorou, aliás, contemplou o Tejo, como é seu hábito, naquele ar nobre e distinto que tal figura arrogante teima em não perder. Não lhe conhecia a faceta de Mendelssohn, devo confessar... talvez seja por partilharem a nacionalidade.

 

O poema sinfónico, embora dedicado ao Principe da Prússia e apresentado em Londres durante o ano de 1832, não é mais que uma abertura de homenagem à Gruta de Fingal, em Staffa, uma das ilhas Hébridas Interiores na costa da Escócia. 

 

Uma leitura para o fim de semana? O “Inverno do Nosso Descontentamento” de Steinbeck, bastante actual quando muita gente parece nem sequer questionar os valores que regem a vida em sociedade, em família e até do ponto de vista do indivíduo... onde vale tudo por um salário, pelo pagamento de um empréstimo ou simplesmente por um show off bacoco. Ler este livro é viver muito do que se encontra no nosso quotidiano.

 

 

Na pobreza é invejosa. Na riqueza pode ser arrogante. O Dinheiro não altera a doença, apenas os sintomas. John Steinbeck, in "O Inverno do Nosso Descontentamento".

 

Bom fim de semana e vão ver o Almada Negreiros à Gulbenkian!

 

Ah! O Felix, e logo com a London Symphony e o Mestre Sir John Eliot Gardiner:

 

 

 

 

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