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A Uber dos Mortos...

por Robinson Kanes, em 23.11.17

IMG_4464.jpg

Fonte da Imagem: Própria. 

 

Se fosse hoje, a versão da música dos Ghostbusters (Caça-Fantasmas), da autoria de Ray Parker Jr. seria algo como:

 

Se queres fazer um jantar de gala...

Quem é vais chamar?

O Panteão Nacional!

 

Se ao centro de Lisboa queres chegar, mas não queres um taxista que te leve a Cascais...

Quem é que vais chamar?

A Uber!

 

Se o teu amigo ou familiar morreu e queres enterrá-lo ou cremá-lo...

Quem é que vais chamar?

A UMER!

 

A UMER! Pois é, empacotar os nossos entes queridos agora está ao alcance de uma "app" (https://www.umer.mobi) termo porreiraço para aplicação. Até porque aplicação dá sempre aquela sensação de que estamos a falar de bricolage e se não formos alemães ou esmerados pais de familia americanos é provável que o impacte seja fraco.

 

Quando ouvi falar da UMER há algum tempo ainda pensei que era mais uma daquelas coisas que nascem e morrem no dia a seguir mas... A verdade, é que a "app" dos mortos continua activa e de boa saúde. Imaginem o vosso ente querido a quinar e toda aquela papelada que é preciso preencher além de termos de encontrar a melhor cama possível, uma espécie de IKEA mas sem o "monte você mesmo"? É aborrecido e além disso, tal como com alguns taxistas, estamos sempre sujeitos a ser também enganados por alguns abutres do ramo.

 

Mas a UMER resolve o problema, basta puxarmos do nosso smartphone e tratamos logo ali do serviço. Aliás, UMER em russo, significa algo como "morrer" e o próprio slogan da aplicação é: a aplicação que o ajuda se alguém morrer, ou algo como isto Приложение, которое помогает, если кто-то UMER. Tendo em conta alguns comportamentos a que tenho assistido, o UMER em Portugal fazia sucesso e... Quantos não davam para que um simples clique praticamente fizesse desaparecer os tão amados pais ou amigos? Já viram quão bom pode ser ao não permitir que as férias sejam interrompidas? Quem é que quer deixar os areais do Algarve para chorar os amigos ou enterrar os pais? Cada vez menos! Aposto que a próxima inovação da UMER será o imediato envio de uma mensagem via "whatsapp" com o texto: "o Valdemar morreu, Deus o tenha. Se quiser aparecer na cremação informamos que terá lugar no cemitério de Carnide pelas 16h:30m, o dress code é casual death. Mais informamos que temos o serviço de florista, carpideiras do Trocadero, estacionamento e transfer para convidados. Não hesite em contactar-nos".

 

Também já estou a imaginar a UMER a fazer promoções ou a dinamizar, qual "Bookingdos jazigos, um segmento "genius" para os clientes mais fiéis. Ainda vamos ter os caça funerais sempre à procura do desconto. Imaginem uma pastelaria em que um velho diabético cheio de problemas cardíacos ao empaturrar-se de bolas de berlim e galões cai e morre ali mesmo... Primeiro tirar-se-ão as "selfies" enquanto se simulam manobras de RCP - isso é fundamental - depois todos se irão agarrar ao smartphone na tentativa de serem os primeiros a fazer a reserva... Isto até alguém que ainda vive no século XIX se lembrar de dizer: "então e ninguém ajuda o velho, ele ainda respira! Liguem para o 112". Preparem-se é para ouvir é que afinal "não está nada vivo, está é mal morto!". Ninguém vai querer perder a oportunidade, acreditem.

 

Para o caso de ser comigo, aviso já que quero um funeral ao estilo de Nova Orleães e pretendo ser colocado num local onde todas as noites existam jantaradas e festas... A morada para pagamento das respectivas contas pode ser a Rua do Enxofre Lote 23, Casal do Ò Diabo, 2039-428 Lagameças.

 

A todos uma boa morte...

 

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 Fonte da Imagem:https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/static.wetek.com/storage/events/597f0206-77d4-40df-a5cd-5c6925fc7e5d-websummitlisbon2017.jpg

 

Eventos como a "Web Summit" são, para mim, uma mais-valia para Portugal. São bons para a própria marca "Portugal", para o turismo e todos os seus actores e acima de tudo animam uma cidade que não deixa de ser uma das mais belas do Mundo. Com tantas criticas à mesma, seria interessante perceber os custos vs retorno desta face ao tão aplaudido Festival Eurovisão da Canção, por exemplo.

 

Discutir tecnologia é hoje fundamental. Não tenhamos dúvidas que o futuro passa por aqui e é importante desmistificar (contra a vontade de alguns) que não estamos perante nenhum "bicho de sete cabeças". Todavia, reconheço, que todos estes eventos (salvo algumas situações) são um mero encontro de profissionais e cujo retorno é sempre difícil de quantificar. Políticos e organizadores atiram números de milhões para o ar, mas na realidade, nunca temos contas certas, e neste campo, o Estado é responsável até porque financia, também com milhões, este evento. Eu sei que é aborrecido estragar a festa, mas quem já trabalhou com americanos, alemães e outras tantas nacionalidades sabe que o discurso é sempre interessante, mas os números têm de aparecer no papel e no terreno! Podemos falar de consumos de copos de água e cafés, do número de audiovisuais e afins, mas o que queremos são mesmo os números e os resultados concretos.

 

A "Web Summit", mais que um evento com resultados, é marketing e networking. Do ponto de vista do marketing é positivo, como também é necessário dar imagem ao mercado, ou não fosse a organização especialista em transmitir a ideia às organizações (sobretudo startups) que são convidadas e especiais, mas depois têm de pagar cerca de €1.500 para serem efectivamente tão especiais e dignas de convite. Do ponto de vista do networking também, todavia o foco nesta questão (apontada pela maioria como o ponto fundamental do evento) tira protagonismo à discussão de temas relevantes e ao desenvolvimento de estratégias para o futuro.

 

É neste sentido que, na "Web Summit", ficou também por esclarecer, apesar de ter sido abordado, como é que o mundo se vai preparar para toda esta revolução na robótica e que inclui a Inteligência Artificial (IA). Quais serão os reais impactes nas pessoas, nos negócios e nos países menos desenvolvidos? Eu sei que estamos perante um encontro na área das tecnologias da informação, mas não falar das pessoas... Como é que vamos conviver com este futuro que, para muitos, é visto com optimismo e para outros com grande pessimismo, enquanto a grande maioria não pensa nisso enquanto se diverte a brincar com o cão robot e não tem paciência para um cão de carne e osso. Interessante os risos e a satisfação quando um robot se vira para os humanos e lhes diz que o emprego destes tem os dias contados mas não lhes oferece uma solução... Mas a maioria aplaude. Aplaude até não ter emprego e passar a ser a personagem de um romance-catástrofe.

 

Não sou contra a IA, no entanto, defendo que esta merece uma grande discussão! Não só ao nível da ética mas também das consequências positivas e negativas que trará e, como já referi num outro artigo, comparar esta revolução com a primeira Revolução Industrial é no mínimo patético e revela um total desconhecimento do passado e do presente. Como é que enquadramos esta realidade nos desafios do presente e do futuro? Aqui, estamos perante um enorme  buraco negro em que ninguém arrisca entrar e já nem vamos falar da quase ausência da questão da responsabilidade social - não chega ter Al Gore a lançar desafios... É preciso agarrá-los. A lógica da sensibilização de cada um de nós tem limites, todavia, as mentalidades não se mudam somente com conselhos.

 

Fiquei também com a sensação que a "Web Summit" é um acontecimento político. À boa maneira portuguesa, a presença dos políticos do costume (Presidente da República - que até deixou a questão da água para segundo plano - e Primeiro Ministro incluídos) demonstra o ainda peso do Estado e a propaganda que grassa nestes meios. Até tivemos um presidente de câmara, Fernando Medina, que acompanhou todo o evento, mais parecia a "Web Medina", mas depois disse não ter conhecimento de um jantar no Panteão (um dos momentos altos da conferência), chegando mesmo a estar contra o mesmo.

 

Desta feita até foi bom, porque "apagou" a questão da legionella num hospital público, causando amnésia ao Presidente da República que encarou este facto como único, esquecendo o que aconteceu em Alverca em tempos recentes. Neste âmbito, também foi interessante assistir à presença de João Vasconcelos (ex Secretário de Estado da Indústria) como se ainda ocupasse um cargo de Estado (estando presente inclusive em alguns dos certames oficiais e diplomáticos) após ter sido demitido, perdão, se ter demitido devido ao escândalo com as viagens pagas pela GALP e cujo inquérito ainda decorre. Pelo campanha de comunicação em torno deste indivíduo, então no LinkedIn e em alguns "media" é bem latente que ter saído do Governo foi a melhor coisa que lhe poderia ter acontecido. José Régio escreveu "Há Mais Mundos", eu escreveria "Há Mais Isaltinos".

 

Mais uma vez, passou-se a imagem que Portugal é Lisboa... Tirando um evento de surf na Ericeira, num país pequeno como o nosso não ficaria mal alargar o âmbito da conferência. Contudo, a ideia com que fiquei, e aqui baseio o meu relato somente naquilo que vou ouvindo, é que a "Web Summit" é uma coisa, os portugueses são outra... O português comum é totalmente arredado deste evento não só por falta de informação concreta, bem como pela apresentação dos resultados... Volta a questão do empowerment e da crónica estupidez nacional de não gostar muito de passar a informação toda capacitando assim os outros. Em muitos com quem falei, encontrei a ideia de que a "Web Summit" é um evento elitista, quando não o deveria ser, e muito menos me parece que seja essa a ideia de Paddy Cosgrave. Na verdade, não é por andarmos de t-shirt e calças de ganga que a nossa mentalidade se torna mais cool ou moderna. Não é por se trocar o fato, a gravata e o golfe, por um polo, umas sapatilhas e surf que deixamos de ser aquele executivo labrego e nos transformamos no mais atractivo CEO do mundo.

 

Finalmente, algumas provocações: no país da tecnologia, não é de estranhar que durante os incêndios esta tenha falhado redondamente? No país da tencologia, não é de estranhar que muitas das inovações portuguesas (inclusive na área dos incêndios) não tenham a devida projecção? No país da tecnologia ainda discutimos jantares no Panteão nacional como se a nossa independência estivesse em causa e esquecemos o que realmente tem travado o nosso desenvolvimento? No país da tecnologia, porque é que ainda continuamos com uma mentalidade obsoleta? Porque a tecnologia altera hábitos mas não muda mentalidades.

 

Esperemos por 2018 e finalmente por bons resultados... Porque também isso leva o seu tempo e em relação à "Web Summit" quero continuar optimista. Venha a próxima edição...

 

Uma nota: ainda a propósito do famoso jantar, pede-se aos humoristas nacionais (muitos deles tão inteligentes que julgam viver num universo acima daqueles que ainda os sustentam)  que tenham em atenção o facto de personalidades como Camões, Vasco da Gama, D. Nuno Álvares Pereira, Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e o Infante D. Henrique (destes quatro últimos nem ninguém se lembrou) não se encontrarem sepultados no Panteão. Na Igreja de Santa Engrácia encontram-se somente os cenotáfios destes. No país da tecnologia e de gente que domina a praça pública e se diz tão evoluída já deveriam saber isso...

 

 

 

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Capacete à Prova de Chatos!

por Robinson Kanes, em 03.10.17

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 Fonte das Imagens: http://hochurayu.com

 

E era agora que eu começava a falar como os indivíduos das tele-vendas: "cansado de ouvir os outros a conversar? Farto de ter de encarar colegas de trabalho que só falam dos filhinhos, viagens a Marrazes ou ao Samouco e futebol? Desesperado por querer trabalhar e não suportar a voz da Tininha da contabilidade ou o constante catarro do Alves? Agora já se pode ver livre de todos os grafonolas, chatos e vozinhas irritantes que deambulam à sua volta!"

 

Seria mais ou menos isto se vos quisesse vender o "Helmfon"! O "Helmfon" é um capacete à prova de chatos, vulgo sarnas, e que foi desenvolvido por um atelier de design ucraniano, o Hochu Rayu. Eu, habituado a ambientes altamente barulhentos, devo dizer que sentiria uma grande diferença, contudo, também não consigo entrar num escritório onde só se ouve o ar condicionado e pessoas com cara de pargo na bancada a movimentarem-se nas cadeiras - eu sei, assim nunca me vou safar por cá...

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Mas de facto, este produto despertou-me a curiosidade, sobretudo porque nos transporta para aquela série de desenhos-animados, os "Jetsons". Este capacete consegue bloquear todo o ruído à nossa volta e além disso permite-nos levar a expressão "ficaste cá com uma cabeça" ao seu sentido mais literal. De um modo mais sério, o capacete, além de permitir o conforto do utilizador, também não incomoda os indivíduos que estão à volta, sendo totalmente insonorizado para o exterior. Segundo os criadores deste produto, o objectivo é permitir a concentração, algum espaço (quem conhece a realidade de alguns open-space e da disposição dos call-center sabe do que falo) e consequentemente eliminar efeitos distractores facilitando a concentração do utilizador com consequentes resultados na produtividade.

 

Melhor! O capacete é personalizável (eu adoraria ter um do Olaf) e inclui um sistema de som com microfone, colunas e até um espaço para colocar o smartphone! Imaginem também que podem fazer uma skype conference ou mesmo uma conference call e ainda ver e editar fotografias!

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Confesso que me causa alguma estranheza, e acredito que ao entrar num local repleto de utilizadores deste produto teria a sensação de ter sido atirado para as páginas do "Admirável Mundo Novo" de Huxley. No entanto, é uma inovação extremamente interessante e que acredito que a muitos iria dar uma grande ajuda no dia-a-dia laboral.

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