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Hyacinthe Rigaud, Retrato de Antoine Pâris (National Gallery)

Fonte: Própria

 

Quem pensava que títulos como Duque, Conde, Barão ou até Viscondessa eram coisas do passado pois que se desengane... Portugal sempre foi um país de títulos e mais se tornou quando a plebe, sob a veia republicana da libertação face a uma monarquia quase inexistente, decidiu chamar a si alguma posição social. Mas... de facto, a evolução do ser-humano leva tempo, sobretudo na fauna nacional onde a adaptação do ser ao meio tende a ser mais demorada.

 

Na verdade, muitos destes títulos ainda existem. É estranho, porque não existindo monarquia é o mesmo que sermos acossados por uma tomada de poder de um monarca e, o nosso Presidente da República conservar esse título. No entanto, sobretudo na plebe, muitos destes títulos adoptaram outro nome, nomeadamente os de Doutor, Engenheiro, Arquitecto e até Professor (quando muitas vezes o “detentor” nem sequer entrou numa faculdade). Por norma, este uso abusivo de títulos acontece em países subdesenvolvidos ou então com uma taxa de incompetentes ou inseguros tal, que é necessário ir buscar o status a esse mesmo título.

 

Afinal... tantas palavras para me recordar de uma reunião, há duas semanas, com um indivíduo que teimou em não perceber que a nossa organização ia fechar e insistiu em vender-nos serviços. Como gosto de ter tempo para toda a gente, recebi o mesmo.

 

Iniciada a reunião, virou-se para mim, com um ar um quanto para o boçal, mas até bastante simpático e solícito, expressando um:

 

-Engenheiro?

 

(Questão proferida enquanto fazia um ângulo obtuso com o braço estendo um cartão de visita.)

 

Confesso que existem respostas que deveriam ficar guardadas mas, perante a abordagem, a minha resposta imediata foi um:

 

-Não, hetero!

 

O rosto do senhor, que por acaso era engenheiro, empalideceu e, penso que, ou teve vontade de me atirar com o cartão à cara, ou então de se esconder num qualquer buraco debaixo da mesa.

 

Perante aquela expressão, levantei-me e respondi:

 

-Café, Sr. Paulo (nome fictício)? Este é do Comendador Nabeiro!

 

Também disse ao senhor que me chamava Robinson e no meu bilhete de identidade não constava esse nome. Acho que o Sr. Paulo não ficou foi muito contente que eu o tratasse pelo nome... aposto que lhe feri todos os sentimentos e status adquirido por pertença a uma corporação de milhões de pessoas por todo o mundo onde ele... é só mais um.

 

P.S: No cartão de visita do Sr. Paulo constava algo como:

 

Eng. Paulo X

CEO

 

(CEO de uma empresa com dois outros indivíduos?)

 

 

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