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Isto está a aquecer...

por Robinson Kanes, em 10.07.20

Polar-Bear-on-Iceberg.jpg

Créditos: https://lakeshoresolar.com/index.php/home-extended/polar-bear-on-iceberg/

 

O clima... Só podemos andar "apanhados do clima", de facto. Eu hipócrita me confesso, afinal ando de avião, tenho carros a gasóleo e não consigo ter uma pegada nula, esforço-me mas não é o suficiente.

 

Todavia, a realidade, por muito assustadora que se apresente, não parece estar a fazer-nos compreender que o futuro em termos de alterações climáticas não se avizinha risonho. Entendo que muitos ainda pensem que "isto já não vai ser no meu tempo", mas a verdade é que pode ser mesmo e se não for no tempo destes será no tempo dos adoráveis filhos concebidos na lógica da perpetuação dos genes. Como é que podemos ser solidários com o próximo se nem com aqueles que amamos o somos.

 

Junho foi um mês óptimo para fazer uma fogueira, afinal, desde que existem registos meteorológicos, nunca existiu ano mais quente (Fevereiro, Março e Abril foram os segundos). Se em Portugal nem terá sido dos piores e os incêndios também andaram doentes com Coronavírus, juntando-se ainda uma certa frustração pela perda de tempo de antena para a epidemia, a verdade é  que o assador esteve bem quente, sobretudo no Árctico. Não me enganei, falei mesmo do Árctico e foco também a Gronelândia. A título de curiosidade, se a Gronelândia, aquela pequena ilha em comparação com a Antárctida, derreter, o nível médio da água do mar irá subir 7 metros! Imaginem que calçamos o chinelo de enfiar no dedo, toalha da Coca-Cola e cadeira pirosa debaixo do braço e vamos à Costa da Caparica ou a Matosinhos e de repente... Só vemos a geleira carregada de cervejas e uvas a aterrar em Pegões.

 

Tudo isto para chegar ao ponto em que temos de nos preocupar seriamente com as consequências deste fenómeno e especialmente com o facto do mesmo suceder cada vez mais vezes e ainda com mais intensidade de ano para ano. Quem o diz é a NASA, a agência daquele país onde muitos associam aquecimento global a propaganda. Sugiro a quem ainda tiver dúvidas que invista 2 minutos do seu tempo com uma reportagem da Reuters filmada nos campos de arroz do Vietname e onde os trabalhadores que fazem a colheita deste cereal já só o podem fazer de noite! Estamos a falar de campos de arroz e não em recolha de cactos. 

 

Penso que ainda não temos real noção dos cataclismos que todos estes fenómenos podem causar e com impactos em tudo aquilo que possamos imaginar, nomeadamente em relação ao ambiente, às pessoas e às sociedades, mas também em relação à economia. A epidemia de COVID-19 já nos mostrou como algo, à partida tão vulnerável, pode destruir a economia mundial e por arrasto muitas outras áreas. 

 

2020 tem tudo para ser o ano mais quente de sempre, mas voltemos ao Árctico: no dia 20 de Junho e em Verkhoyansk (Sibéria/Rússia) iremos encontrar temperaturas de uns assustadores 38º centígrados que, associados aos dados do Copernicus Climate Change Service (C3S*) revelam, até à data, um ano negro para a o Globo.

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Entendo que se lance o medo global (ou se tente) por causa de um infectado com "peste negra" (como se a mesma não estivesse já controlada) mas não estará na altura de lançar o "pânico" também em relação ao clima? Se não chega, juntemos o permafrost do Árctico que está a derreter e cujas consequências são apenas o desaparecimento de cidades inteiras que estão sob o mesmo e a libertação para a atmosfera de uma quantidade astronómica de gases que provocam efeito-estufa, nomeadamente dióxido de carbono e metano.

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Fonte:  NASA: The 1980-2015 seasonal cycle anomaly in MERRA2 along with the 95% uncertainties on the estimate of the mean.

E porque não ter em conta algo que nos é tão próximo nestes tempos que vivemos e encarar que um perigo maior poderá estar à nossa espera, pois o permafrost armazena bactérias e vírus que não conhecemos e que podem ser letais para homens e animais.

 

Finalmente, e porque é importante falar em números, por muito que queiramos  ignorar os mesmos, e tomando apenas como exemplo os Estados Unidos, segundo o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), só nos primeiros seis meses deste ano, 10 desastres climáticos provocaram um prejuízo de 10 biliões de dólares! Argumentar que financeiramente é difícil fazer algo, não pode servir de desculpa sob pena de que as perdas superem os dividendos em larga escala.

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Fonte: NOAA: Assessing the U.S Climate in June 2020

 

É tempo da economia e dos nossos comportamentos começarem a ser mais eco-friendly e também estarmos dispostos, como consumidores, a procurar os produtos oriundos de produtores e/ou vendedores ambientalmente e socialmente responsáveis. Não chegam as palavras, são precisas acções, porque ao contrário dos humanos, a Natureza não se deixa convencer tão facilmente.

 

P.S.: também a Ucrânia tem sido fustigada, desde segunda-feira, dia 6 de Julho, por vários incêndios (sim, a Ucrânia) e que já mataram 5 pessoas, colocando no hospital cerca de 30 à data da publicação deste artigo. Incêndios deste género já têm existido desde Abril e até ameaçaram Chernobyl...

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O Turismo, o Instagram e Santorini...

por Robinson Kanes, em 06.06.19

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Créditos: Xuan Nguyen

 

Recentemente li um artigo do "The Economist", da autoria de Jessica Bateman, que dava conta de uma preocupação crescente em relação ao turismo nas ilhas gregas, particularmente em Santorini. Ao ler esse artigo, mais uma vez, dou-me conta da necessidade de encarar o turismo como uma verdadeira indústria e também de apostar na sustentabilidade deste sob pena de termos mais uma indústria que financia uns tantos e destrói milhões. 

 

Quem já foi a Santorini, rapidamente vai perceber o encanto da ilha, sobretudo se visitarem a mesma durante a época baixa - embora a visita a ilhas menos conhecidas possa ser uma surpresa ainda maior. Como refere o artigo, a verdade é que redes sociais como o "instagram" têm aumentado o desejo em visitar a ilha - e como eu entendo, apesar de preferir a aurora ao crepúsculo, este último, o momento mais desejado na ilha.

 

O "instagram", entre outras redes sociais, levou a um aumento de 66% nas dormidas sobretudo numa época em que o turismo na Grécia sofria os efeitos da crise. Tudo isto é fantástico, no entanto, num país onde nem sempre as leis são respeitadas, temos um aumento da pressão e da especulação imobiliária e um sem número de situações de corrupção - esse panorama já é visível em Lisboa. Segundo o artigo, que cita Ioannis Glinavos, Professor na Westminster University em Londres, existem algumas restrições que passam ao lado de quem legisla e basta pisar o local para perceber que a impunidade reina - mais uma vez, é um exemplo que podemos ter em Portugal! A título de exemplo, visitem Alcochete e reparem como se constrói "em cima" do Tejo e de uma Reserva Natural - por sinal, uma das mais importantes da Europa e (estranhamente) menos importantes de Portugal.

 

O aumento do número de visitantes (totalmente descontrolado) e as consequências desse efeito vão acabar por destruir a autenticidade da ilha, fazer desaparecer outras actividades (a vinha é um exemplo) bem como o tecido social e a própria natureza - já é a própria União Europeia que o diz, acentuando também o facto de que a gestão urbanística da ilha está sob dependência do Governo Central. Num país com as características da Grécia, é totalmente inconcebível!

 

Por outro lado, aqueles que investem no turismo da ilha tiram o máximo proveito da situação e esforçam-se por aumentar legitimamente as suas receitas - actualmente, o posicionamento de talheres e copos tem em conta as fotografias que irão ser tiradas pelos clientes. Redes como o "instagram" são, neste momento, o maior aliado em termos de marketing - a "foto feita" tem um impacte sem precedentes e todos querem tomar parte na mesma! Numa sociedade onde todos queremos ser diferentes também acabamos todos por querer pertencer a um grupo e seguir a mesma tendência. Deixo essa análise para outras "letras"...

 

Mas colocando o foco no "instagram" ou em que faz uso do mesmo, também é preciso educar o turista: não são raras as invasões de espaço e a destruição do mesmo - vale tudo por uma fotografia e corremos o risco de criar o efeito de repulsa! Alguns exemplos são dados e muitos acabarão por se rever nos mesmos: bater às portas, entrar dentro de espaços privados, subir a telhados e a falta de respeito com os locais. Temos aqui um paradoxo, pois aquilo que atrai turistas à ilha acaba efectivamente por ser destruído pelos "mesmos canais" que criam esse desejo de experimentar. 

 

Acredito também que temos de ter em conta que o turismo é uma actividade que se pode considerar de luxo e que, não raras vezes, é desenvolvida num precipício em que de um lado temos o turista (rico ou aparentemente rico) e do outro o autóctene (mais pobre). Quando a invasão e destruição tende a ser em demasia podemos ter efeitos nocivos, sobretudo quando a exploração turística não é feita pelos locais e os mesmos não são consultados nos processos de desenvolvimento da mesma.

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E porque hoje é o dia da Terra...

por Robinson Kanes, em 22.04.19

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Créditos: Daniel Muller/Greenpeace - https://earthjournalism.net/stories/copy_of_philippines-and-pacific-island-countries-step-up-battle-against-plastic-pollution-in-the-pacific-ocean

 

E porque hoje é o dia da Terra, e porque também hoje, começo a ficar descrente na atitude do ser-humano para salvar o planea, junto a minha voz à Earth Day Network e às Nações Unidas e partilho algumas recomendações e deixo algumas mensagens... Apesar de todas as dificuldades, tento manter o meu pessimismo optimista.

 

 

  1. Junte-se a um parque local, rio ou praia limpa (em Portugal não é fácil a não ser que estejamos ligados às associações e grupos do costume, mas nada como tentar, só isso também poderá mudar as coisas).
  2. Use, produtos de limpeza não tóxicos ecológicos (leia bem os rótulos).
  3. Substituir as lâmpadas incandescentes ineficientes com lâmpadas fluorescentes compactas ou LED eficientes. 
  4. Pratique o car-sharing, ande de bicicleta, utilize os transportes públicos ou adquira veículos automóveis mais amigos do ambiente.
  5. Mantenha seus pneus com a pressão correcta e consiga melhores consumos. 
  6. Mude o filtro de ar do seu carro regularmente.
  7. Use o Skype, WebEx ou outro software ao invés de viajar.
  8. Reduza o uso de plásticos descartáveis, especialmente plásticos de uso único, como garrafas e sacos.
  9. Recicle! Recicle! Recicle! Reduza o lixo em 10%. É pouco mas é um começo com grande impacte.
  10. Doe as suas roupas velhas e bens domésticos. Compre bens usados.
  11. Use toalhas de pano em vez de papel.
  12. Mude a facturação em papela para facturação online. 
  13. Leia os documentos online e não os imprima. Imprima frente e verso.
  14. Convença as autoridades públicas locais a optarem por bens reutilizáveis.
  15. Utilize garrafas reutilizáveis ​​para água, e canecas reutilizáveis ​​para o café. Faça o mesmo para os sacos das compras.
  16. Compre comida produzida localmente para reduzir a distância do produtor à mesa. Compre nos mercados ou fomente o desenvolvimento de cooperativas.
  17. Compre alimentos orgânicos para manter seu corpo e o ambiente livre de pesticidas tóxicos. Apoie os agricultores e empresas que utilizam ingredientes orgânicos.
  18. Adira a um grupo de farm-share.
  19. Reduza o consumo de carne para reduzir as emissões de carbono dos produtores de gado.
  20. Transforme o seu lixo da cozinha em fertilizante (compostagem).
  21. Utilize o duche e por períodos mais curtos.
  22. Nas torneiras, coloque sistemas de retenção.
  23. Escolha plantas resistentes à seca em áreas secas. Regue apenas de manhã e/ou fim da tarde.
  24. Lave a roupa com programas curtos e utilize água fria.
  25. Forme uma “equipa verde” no seu trabalho de modo a encontrar formas rentáveis ​​para conservar os recursos e promover a sustentabilidade.
  26. Ofereça-se-se para um grupo ambiental local.
  27. Retire plantas invasoras do jardim e substitua as mesmas por plantas autóctenes.
  28. Ligue e desligue os equipamentos electrónicos quando que não estiverem a uso.
  29. Desligue as luzes quando sair de uma divisão.
  30. Instale painéis solares.
  31. Utilize as escadas em vez do elevador para economizar energia (e fazer desporto).
  32. "Rentabilize" o termóstato do aquecedor abaixo de dois graus no inverno e até dois graus no verão para reduzir a sua pegada de carbono.
  33. Baixe a temperatura do seu aquecedor de água.
  34. Utilize eletrodomésticos e equipamentos electrónicos eficientes em termos energéticos.

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"Dinner in the Sky"? Prefiro "In the Tree".

por Robinson Kanes, em 22.08.17

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Fonte das Imagens: http://www.redwoodstreehouse.co.nz/photo-gallery/

 

Uma das "últimas" tendências na área dos eventos e até do turismo é o "Dinner in the Sky", ou seja, "Jantar no Céu". Não estou a falar de uma reedição da "Última Ceia" mas agora com palco nas alturas e muito menos no "Cenáculo", em pleno Monte Sião. Também ninguém vai trair o organizador do jantar, é mesmo um jantar numa plataforma suspensa e suportado por gruas com chefs famosos a servirem. 

 

Pessoalmente não é uma iniciativa que aprecie, mesmo que digam que é moderno. Além de que... Se alguém beber bastante corre o risco de cair (não acontece, estarão presos).

 

No entanto, para comer nas alturas, um dos locais/iniciativas que mais me encantou foi recomendado por um colega austríaco na Nova Zelândia, mais precisamente em Warkworth, Auckland. O resultado é fazer a refeição nas árvores, uma espécie de regressar às origens mas de uma forma bem mais conseguida e bem mais ecológica que a anterior. Estou a falar da "Reedwoods Treehouse", um conceito de restauração extremamente interessante. Também é nas alturas, mas bastante mais natural e humano. 

 

Saborear uma refeição ou celebrar uma festa no meio da floresta, tendo para isso de atravessar uma plataforma de madeira entre as árvores e entrar num "ninho" é algo de singular. Actualmente, a "Reedwoods Treehouse" ainda só pode ser utilizada para eventos privados mas é sem dúvida um ideia excelente e que poderia ser transposta para as nossas florestas. Quando nos queixamos que a floresta está ao abandono, pode ser uma forma de rentabilizar um espaço garantindo, contudo, o equílibrio com a natureza. Ainda me lembro, quando apresentei esta ideia a um investidor e a duas câmaras, a perplexidade de todos. Embora não fosse algo novo a reacção foi esta: "acha que somos macacos para comer em árvores?". Tivesse eu falado de um jantar suspenso por gruas mas que tem mais visibilidade talvez tivesse tido mais sorte.

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O conceito é fantástico, ecológico e de extremo bom gosto criando uma experiência inesquecível. Com Portugal a ser o foco do turismo internacional, bem podemos ter uma forma de fazer o mesmo chegar a locais mais recônditos e menos conhecidos e com isso desenvolver um turismo sustentável e com reais impactes positivos no local. Além disso, a estrutura foi construída em apenas 66 dias! Quando falamos em "Turismo para Todos" não nos podemos esquecer de incluir no "todos" os que cá estão sob pena de cometermos erros que outros já se arrependeram e agora se encontram a corrigir.

 

Se ser macaco é isto, pois bem, trepemos às àrvores e aproveitemos este espaço!

 

Querem saber como tudo começou? Sigam esta ligação e vejam como uma campanha de marketing acabou por dar origem a este espaço.

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