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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Da última vez não resisti ao local das grandes multidões, daquela "Rambla" que nos contagia mas que vai perdendo alguma da sua autenticidade. O "Barri Gòtic" é, talvez, uma das melhores alternativas, embora, também aí, não possamos fugir dos turistas que, apesar de tudo dão um colorido especial à cidade.

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Combinei um ponto de encontro na "Font Canaletes" para descermos até à "Ronda Litoral", mas vamos fugir à fila das massas e penetremos no Barri Gòtic onde, enquanto descemos a "Rambla", sugiro que viremos à esquerda antes de chegarmos à "Plaça del Teatre" - é aí está um dos locais que, para mim, é dos mais belos de Barcelona! Dizia muitas vezes aos meus amigos catalães e não só, que aquela praça sempre cheia de vida me fazia lembrar o sul de Espanha, as praças de Andaluzia - a praça foi inspirada, contudo, nas praças parisienses.

 

Perco as vezes que, com a "alemã", por lá tomávamos uma bebida ou simplesmente nos sentávamos junto à fonte assistindo ao movimento nocturno, às gargalhadas e ao deambular dos empregados de mesa procurando encontrar clientes - admito que é o meu cantinho andaluz em Barcelona e que me custa sempre deixar nas visitas que se seguem à minha permanência na cidade. Finalmente, também nesta praça, Gaudí teve mão ao desenhar os seus candeeiros.

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Com a "Artiliana" da banda de Barcelona Gipsy Balkan Orchestra nos ouvidos, já estamos perto do "Palau de la Generalitat" e do "Ajuntament", por isso nada como caminhar para uma outra praça, mais administrativa mas igualmente cheia de gente: a "Plaça de Sant Jaume". Pelas vielas até lá, não convém esquecer de comprar presunto ibérico, queijos e outras iguarias espanholas em algumas mercearias antigas que ainda sobrevivem. E porque não parar na "tasca" mais feia, mais pequena e com mais mau aspecto e deixar que os petiscos dispostos em cima do balcão alimentem o nosso desejo de comer após umas boas caminhadas... Daí até ao "Mercat Sta. Caterina" não faltam desses recantos. Confesso que um dos meus favoritos era bem perto da "Plaça de Sant Jaume" numa transversal à "Carrer de Ferran", mas só lá indo convosco, consigo precisar a localização e assim vos deixar saborear um frango bem temperado ou uma "Paella" de rua como não há igual.

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Aqui fervilham os habitantes e os visitantes que se deixam contagiar pelas compras ou então por um bom gelado que, em qualquer altura do ano, sabe sempre bem por estas paragens. Percorrer todos estes recantos é sem dúvida uma das melhores opções em Barcelona, onde a cidade se fecha entre edifícios antigos e permite que em cada rua e ruela as vozes circulem de um modo e com uma entoação que só encontramos nas cidades espanholas.

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Parece pouco, mas estar em Barcelona não é ir do "ponto A" ao "ponto B" é viver uma experiência em cada recanto, é apreciar as gentes que se confundem entre o cosmopolita e o periférico, entre o ocidente e África, uma metrópole do sul com características únicas que não se resumem a monumentos, espaços culturais ou restaurantes e cafés.

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Deste modo, onde combinamos para a próxima? Que tal em frente ao "Museu Miba"? Os rincones mais religiosos esperam por nós...

 

Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

 

 

 

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Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

por Robinson Kanes, em 16.03.18

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Pode ser turístico, pode já ter sido visitado por tudo e por todos, mas ninguém concebe Barcelona sem "La Rambla" ou "Le Ramble" em catalão. Este nome, e em Espanha tantas vezes isto acontece, vem do árabe ramla que significa rio seco. Neste caso, volta a fazer todo o sentido, pois até ao século XV, era por ali que passava um rio até ser desviado.

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Um dos "passeios dos tristes" de Barcelona é mesmo esse, descer a "Plaça de Catalunya" até ao mar, mais precisamente até ao "Port Vell". Digamos o que dissermos, é óptimo sentir aquela multidão de gente, todas aquelas culturas e até nos cruzarmos com os vendedores que fogem sempre que passa a polícia. É a vida da cidade, é um dos seus grandes centros, com cafés e restaurantes fantásticos, mas que valem apenas pela vista e pelo ambiente - quem quiser comer bem tem de se afastar. Ver gente, muita gente nas ruas, essa coisa tão espanhola e tão profundamente atraente que só em Madrid encontra paralelo ou então quando temos de atravessar o oceano até Buenos Aires.

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Passeava, não poucas vezes por aí, afinal é, como costumo dizer, um dos melhores anti-depressivos, além disso é aí que se encontra o Grande Teatro do Liceu, a casa da ópera de Barcelona e que, como amante desta experessão artística, de vez em quando lá me lembrava de rebentar com o orçamento e assistir aos espectáculos.

 

 

Além disso, a história deste local é vasta, pois aquando da sua inauguração em 1847, era a maior ópera da Europa em termos de lugares! Entre outras histórias, foi aqui que em 1893, assistia-se a "Guilherme Tell" de Rossini, foram lançadas duas bombas causando um número elevado de mortos e feridos - atribuiu-se o ataque ao anarquista Santiago Salvador.

 

 

Visitar este espaço e aí assistir a um espectáculo, é quase obrigatório! E se por aqui já referi que os cafés não são os melhores, talvez um café antes de uma representação possa ser uma óptima escolha se o fizermos no "Café de L'Opera" - um espaço com interior em art noveau.

 

Pelas fotografias, facilmente se percebe que este era um dos locais de eleição para se passar muitas vezes a noite antes de voltar à cama, uma coisa que, em Barcelona e tantas outras cidades espanholas, nem sempre é fácil - ou porque não nos deixam simplesmente dormir, ou porque também não conseguimos ficar imunes ao contágio da movida que nos faz querer aproveitar cada momento, e por estranho que pareça, até nos ajude a levantar com outro sorriso e disposição no dia seguinte.

 

Por muito turístico que também seja, e caro, visitar "La Boqueria" (Mercat de Sant Josep), pode ser também uma óptima opção, embora nunca lá tenha comprado nada - quem tem o "Mercat de La Barceloneta" e o "Mercat de Sant Antoni" não vai sentir grande falta da "La Boqueria". Não quero com isto dizer que não mereça a visita, pois a beleza e o investimento constantemente realizado na promoção e dinamização têm transformado este espaço num local bastante agradável. Importa também não esquecer a carga histórica do espaço, pois os primeiros registos de um mercado naquele local remontam a 1217!

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E esta noite, combinamos na "Font de Canaletes" e vamos descer a até à "Ronda Litoral"?

 

Bom fim de semana,

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Retratos de Inverno - O Mar Guincho

por Robinson Kanes, em 23.02.18

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Um dos espectáculos mais admiráveis da costa portuguesa dá-se entre Cascais e Sintra... É nesse troço de beleza única que encontramos o Guincho e toda a sua encantadora fúria. Paradoxalmente, assistimos a uma demonstração de força inigualável e à qual não podemos ficar indiferentes devido à tamanha perfeição da Natureza.

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O Guincho é um paraíso para surfistas, ciclistas, visitantes de Domingo e, sobretudo no Verão, para banhistas e aspirantes a um qualquer estatuto social - dizer que se faz praia no Guincho, ou que se almoçou no Guincho ainda é sinónimo de um qualquer status - e ainda bem, até porque assim talvez tenhamos o devido cuidado com a paisagem que nos rodeia. E sim, não vou negar que adoro o meu café na Fortaleza do Guincho onde temos um bar fantástico e praticamente em cima do mar - nada como sentir a espuma nos dias mais agrestes mesmo a bater ali no vidro.

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Também não podemos esquecer que estamos num Parque Natural, o mesmo é dizer que entramos numa zona protegida e onde todos os cuidados têm de ser mantidos - mas a isso voltaremos um destes dias.

O Guincho, de facto, e sobretudo no Inverno, não é so glamour, ou restaurantes - é frio, é algo de sedutoramente tenebroso e apaixonante. É o vento norte a entrar-nos pelo corpo, mas que nada consegue contra o impulso de não querermos abandonar aquelas rochas.

IMG_1002.JPGPor tudo isto, e sobretudo para aqueles que vão ter fim-de-semana, nada como flanar num daqueles locais que faz sempre parte do "passeio dos tristes". Se possível, nada como levar a bicicleta ou as botas e percorrer todos estes recantos, aposto que, mesmo para quem tem filhos, eles vão adorar - o melhor que pode acontecer é apanharem uma constipação, mas isso até reforça as defesas naturais na idade adulta. Acredito até que seja melhor do que passar o dia fechado numa rocha de cimento.

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Finalmente, e se estiver um daqueles dias em que não apetece mesmo sair do carro e apanhar aquela brisa marinha, pensem que uma embalagem de água do mar, nas farmácias, pode custar mais de 10 euros e aqui, além de perfeitamente natural e sem aditivos, temos essa embalagem em doses indústriais e sem custos...

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Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Som de Stelar e a Fúria de Faulkner...

por Robinson Kanes, em 15.02.18

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Vem aí mais uma fim de semana, quase prolongado para este espaço, pelo que, só voltaremos lá para segunda ou terça-feira, depende se há paciência para escrever algo durante a viagem...

 

Por aqui, de vez em quando, lá se vão deixando umas sugestões, e esta semana, ouso em deixar uma que nem me apaixonou: o "Som e a Fúria" de William Faulkner. Faulkner já passou por este espaço em Outubro de 2017, aqui mesmo! Falou-se de "Os Ratoneiros" - um livro com uma leitura algo simples mas incontestavelmente mais apaixonante, sobretudo quando acompanhamos Boon num sem número de peripécias que nos divertem até um feliz desenlace.

 

Quem espera uma exploração profunda da época, nomeadamente do contexto sulista pós-revolução americana, do incesto, do amor e da decadência das famílias do sul, pode preparar-se para não encontrar aquilo que procura... Os quatro narradores, três deles personagens, acabam por nos levar para um exercício de fluxo de consciência que nem todos apreciam. Apesar de ser colocado como um livro de dificil leitura não me alongo mais na apreciação do mesmo, até porque muitas das abordagens que existem, e como acontece em tantas obras, são por vezes tão forçadas que ficamos com a sensação de que, ou somos ignorantes ou efectivamente alguém quer colocar as coisas num patamar em que não estão! No entanto, isso não nos impede de olhar para o choro de Benjy de uma forma diferente e que no fundo descreve um pouco de todo o colapso da família e das diferentes personagens, como Caddy, a inocente e pura; Quentin, o irmão incestuoso; e finalmente Jason a personagem dura e patriarca da família após a morte de Mr. Compson.

 

Finalmente, uma nota para Dilsey que só aquele narrador (Faulkner?) poderia chamar a atenção... Dilsey, talvez a grande "patriarca" activa e moral da família, a criada em nada reconhecida e valorizada, mas que é sinónimo de estabilidade emocional, moral, valores e paz!

 

E... Para que não me acusem de estar desfazado meu tempo, faço a minha primeira abordagem à música electrónica, e neste campo, não poderia deixar passar Parov Stelar, o austríaco criador do "Electro Swing"... O que me apaixona é a combinação entre a música electrónica e o jazz que conseguem criar obras, algumas delas em estilo mais underground e que naquelas noites mais ousadas nos proporcionam um misto de paz combinado com uma eterna vontade de movimento. Outras, talvez sejam a banda sonora ideal para uma Primavera em Maiorca ou no sul de França... Longe do bulício das grandes discotecas, naquela praia mais recatada e onde as mesas de bar são de madeira desgastada...

 

 

Não é dos meus compositores mais apreciados, mas é sem dúvida a confirmação de que nos anos 90 já existia alguém a adivinhar os ritmos que hoje são autênticos sucessos internacionais! Talvez por isso, a minha escolha... E talvez porque não há nada melhor (pronto, ou talvez haja) que esta banda sonora (vide abaixo) para ir de Sanremo, atravessando a Ligúria até Savona e chegando a Turim onde deixamos que as montanhas nos engulam em cada curva até à fronteira com a Suiça, já em Zermatt... 

 

 

Bom fim de semana e tomem lá mais uma... Até porque ainda é Carnaval! Gozem mais as épocas e menos o "show off" consumista ou gabarolado em torno das mesmas...

 

 Bom fim de semana...

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Retratos de Inverno - Neve

por Robinson Kanes, em 09.02.18

 

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Numa semana em que o negro da morte e da poluição andou um pouco por aí, é importante regressar ao branco... Ao branco, à palidez de algo vazio, algo puro, e onde tudo pode renascer.

 

Admito que a neve em excesso não me fascina, nunca fui adepto de destinos de neve e só consigo apreciar a mesma quando ainda conseguimos ver um pouco da folhagem das árvores ou então quando bem lá de cima, vimos as montanhas cobertas por um manto branco com um pico aqui e acolá. O contraste entre o verde ou o castanho com a neve, esse sim, é deveras encantador.

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Além de que existe algo que se aproxima da magia e do som único que é o pisar de folhas... O som do pisar da neve, aquele "rac rac rac" que nos anuncia a chegada de alguém, por norma bem encasacado e encolhido, mas também com um sorriso no rosto ou então desejoso de partilhar o aquecimento numa conversa entre uma bebida quente e um bolo... Quiçá um chocolate quente e um pastel de nata, ou então um "Glühwein" acompanhado de um Trdelník ou da sua versão húngara, o "Kürtőskalács".

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A neve lembra o Natal, sobretudo no pólo norte, mas lembra também dificuldades, sobretudo quando em excesso. Lembra também bons momentos passados na rua, com um frio que não lembra a ninguém, mas onde a brincadeira impera. A neve recorda-me sempre a imagem do Alhambra com a Serra Nevada ao fundo, com os seus cumes com neve e com aquelas nuvens que vão escurecendo a pouco e pouco até se tornarem ameaçadoras e descarregarem a sua força na cidade.

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Recorda-me o contraste dos campos de alfazema e de como de um enorme manto branco surge toda aquela cor que nos apaixona quando percorremos a Provença e nos socorremos de um Calisson "Le Roy René" para retemperar forças.

Aquando da neblina, falei de Alberto Caeiro e dos "Poemas Inconjuntos"... Pois também na sua falta de conjunto, surgiu "A Neve Pôs Uma Toalha Calada Sobre Tudo":

 

 

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

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Talvez, ao contrário do que nos dizia Caeiro, a neve coloque em nós um pano branco que nos faça também descolorar todo um pensamento e do zero criar novas raízes, novos caminhos desobstruídos, novos desafios e deixar que o cobertor apodreça entre o gelo do Inverno, e depois, o calor do Verão.

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Como muitas aves que percorrem e perfuram a neve em busca de alimento, pois que, também possamos sair à rua e encontrar na neve algum alimento para o sorriso, para a brincadeira e para as memórias, até porque esta época não precisa de calor para ser perfeita, quando podemos fazer um enorme Carnaval a brincar na neve...

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 Bom fim-de-semana,

 

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Retratos de Inverno - Neblina Matinal

por Robinson Kanes, em 02.02.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Entre as palavras que mais ouvimos estão estas duas: neblina matinal. Raros são os boletins meteorológicos que deixam a neblina matinal para trás... No entanto, se para uns é uma forma de tornar o despertar mais difícil, para outros é uma daquelas coisas que nos faz saltar da cama e percorrer os campos a pé ou em duas rodas! Equipamento térmico de ciclismo vestido, sapatilhas de encaixe calçadas, travões afinados e aí vamos nós! Ou então sempre podemos calçar as botas, vestir uma camisola quente, umas calças confortáveis e admirar a natureza ainda mais perto.

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Quem é que não se recordará de, ao fazer estes percursos singulares, dos poemas de Fernando Pessoa sob o heterónimo de Alberto Caeiro? Quem não será um "guardador de rebanhos" ou aquele que Pessoa tenta descrever em "Hoje de Manhã Saí muito Cedo?"

 

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

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A neblina matinal é inspiradora... Não tem de ser triste... Não tem de ser o início de uma constipação, mesmo que as nossas narinas sintam o aroma e o frio que rapidamente se dissipa se deixarmos que o nosso pensamento se funda na manhã e na paisagem. Deixemos que aquela humidade que nos gela os ossos seja o ar condicionado de um corpo quente em fusão com a natureza. Poderei estar lírico, mas talvez as palavras de Vergílio Ferreira, no seu Conta-Corrente façam sentido quando diz que "a vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio".

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Nestas manhãs, os cheiros são sempre diferentes, são sempre mais puros e mais intensos, é comum pela manhã ou ao final da tarde, mas esta humidade faz levantar da terra todo o seu aroma, todo o seu sabor até. O solo fica macio, por vezes os pés ou as rodas da bicicleta enterram-se na areia e como é bom ter de limpar toda aquela lama depois de um percurso por entre caruma, folhas, lama e tudo aquilo que encontramos nestas pequeninas mas tão inspiradoras viagens. 

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Bom fim de semana... De preferência, com muita neblina...

 

 

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"Hold On"...

por Robinson Kanes, em 01.02.18

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Estava agora a ouvir umas músicas no laptop (computador, mas laptop é fancy assim para o cool style, vintage a apelar ao fashion) enquanto terminava um projecto, e dou comigo a ouvir e a recordar uma música... Ainda por cima daquelas que tenho guardadas na pasta onde se encontram alguns dos meus maiores segredos (maus).

 

Esta era uma daquelas músicas que imperativamente constavam na pasta do nosso grupo de amigos lá de casa, aquando do meu primeiro curso... E sim, tenho de confessar que esta se encontrava numa pasta partilhada em rede que era o "Best of ir ao... frango ainda jovem".

 

Sim, já estou a dar cabo da reputação ao dizer que sei de cor o refrão...

 

"Hold on to me.
Yeah, and I said, hold on.
Ev'rything's gonna be alright,
Just hold on to me tonight."

 

De facto, era daquelas músicas que lá passavam por casa e punham o João a pensar na namorada que estava longe, ou então que me davam uma certa vontade de sair e conhecer a mulher dos meus sonhos numa noite estudantil recheada de copos, cheia de podridão e pouca vergonha... A mulher dos meus sonhos que iria aparecer com uma valente carraspana e desejar-me para sempre...  Não...

 

De facto, como tantas outras músicas, eram estas que ouvíamos quando já não queríamos saber se tinhamos aquele ar de reguilas ou nos orgulhávamos do Honda do João me ter ultrapassado a 220km/h quando eu já ía no 206 a 160km/h e a fazer voar os plásticos do pára-choques, os faróis e tudo o resto - mas sempre com uma sinfonia de Beethoven como fundo - há que ser mauzão mas com classe. Naquele momento éramos românticos... Apaixonados até... Era o momento em que o João até falava em casar... E casou! Sim, casou... Agora fiquei com vontade de ouvir John Williams e a banda sonora da Lista de Schindler.

 

E é com o Jamie Walters que me preparo para desligar o computador (laptop tem qualquer coisa, não tem?)...

 

 

 

P.S: se alguém descobrir a minha identidade, aviso já que negarei a autoria deste artigo e ainda irei alegar que me piratearam a conta no SAPO.

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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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Semana de Um Condenado...

por Robinson Kanes, em 27.01.18

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi na segunda ou terceira exibição que tive oportunidade de utilizar um "voucher sapo" e fui ver, ao Teatro Armando Cortez, a peça "O Último Dia de um Condenado" de Victor Hugo, encenada por Paulo Sousa Costa e representada por Virgílio Castelo. O que me chamou à atenção, além do preço do voucher, foi o facto de se tratar de uma obra magnifica que já havia lido há tempos.

 

A sala não estava ainda muito composta, talvez por ainda estarmos no início e a divulgação a ter lugar. "Não conhecia" Vergílio Castelo e devo dizer que esteve magnífico. Como vem aí mais uma boa semana (e o fim de semana também não acabou), nada como ir ao Teatro Armando Cortez ver bom teatro - e os preços não são desculpa para não ir. Aqui, lanço o meu primeiro agradecimento ao "SAPO".

 

Em relação ao livro... É um romance de 1829 e que, segundo alguns relatos da época, se deveu ao triste espectáculo a que Victor Hugo muitas vezes teve de assistir: a morte pela guilhotina. É a angústia de um condenado à morte, da vontade de viver, das recordações, do homem que preso já não é ninguém, do homem que já é esquecido pela sociedade, inclusive pela própria filha (e aqui, na peça, a interpretação de Virgílio Castelo é genial), é o homem esquecido por todos. É uma angústia latente e a interrogação se, de facto, a morte de alguém resolve ou atenua verdadeiramente o crime cometido anteriormente - aliás, a mesma celebra os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal e que, naquele tempo, também mereceu um grandioso elogio de Victor Hugo.

 

Uma vez cravado a esta cadeia, não se é mais que uma fracção deste todo hediondo a que se chama o cordão, e que se move como um só homem. A inteligência  deve abdicar, a golilha de prisioneiro condena-o à morte: e o próprio animal  nunca mais deve ter apetites nem necessidades sem ser a horas fixas. In "O Último Dia de Um Condenado", Edição Verbo de 1972, vide pág. 43.

 

Na verdade, e a peça (e bem) não vai por aí, o final do livro conta a história de um prisioneiro real, Claude Gueux que, devido a um evento na prisão onde se encontrava condenado a 5 anos de prisão, acaba por ser condenado à morte... A interrogação que vão encontrar neste texto é notável e fazer-nos-á pensar bastante em crime e inocência, em justiça e injustiça... Mas para isso, nada como ler este pequeno livro, uma obra-prima deste grande génio.

 

Todo esse povo rirá, baterá palmas, aplaudirá. E entre todos esses homens, livres e desconhecidos dos carcereiros, que acorrem cheios de alegria a uma execução, nessa multidão de cabeças que cobrirá a praça, haverá mais de uma cabeça predestinada que seguirá a minha mais cedo ou mais tarde no tapete vermelho. Mais de um dos que aí vier para mim aí voltará para si mesmo.

Para estes seres fatais há um certo ponto da Praça de Gréve, um lugar fatal, um centro de atracção, uma armadilha.Vão andando à volta até cair nele. In "O Último Dia de Um Condenado", Edição Verbo de 1972, vide pág. 107.

 

Bom fim de semana... Boa semana...

 

P.S: Obrigado ao "SAPO" por me ter permitido tomar conhecimento desta peça e obrigado também pelo destaque do artigo "Retratos de Inverno - Cogumelos".

 

 

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Retratos de Inverno - Cogumelos.

por Robinson Kanes, em 19.01.18

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Uma das imagens mais pitorescas que podemos ter do Inverno são os cogumelos...

 

Caminhar por entre vales e montes é uma das minhas temáticas preferidas e, uma vez por outra, lá acabo por descobrir autênticas riquezas naturais... Riquezas naturais que me entusiasmam mais que toda e qualquer peça vazia de sentido, de essência e só avolumada na sua importância porque alguém com interesses óbvios lhe decidiu atribuir valor.

IMG_1635.JPGOs cogumelos são das coisas mais fantásticas que podemos encontrar pelos campos, preferencialmente os comestíveis, mas também os não comestíveis nos encantam com a sua beleza singular. Tão singular que já dei um verdadeiro "trambolhão" só para me desviar de uma destas preciosidades... Até é normal, tendo em conta que as quedas de bicicleta têm já um extenso espaço na minha história de vida.

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Penso que seja impossível ficar indiferente a um cogumelo colorido, perdido pelos campos e ainda refrescado pela neblina que atravessa muitas das serras e campos deste país.

 

Finalmente, o momento didáctico do dia, cuidado com os cogumelos. A grande maioria não são comestíveis e muito menos se deixem levar pelos mitos ou sabedoria popular em relação a muitos deles. Uma grande fonte de envenenamente advém dessas ideias de que, por exemplo, todos os cogumelos brancos são comestíveis ou que os animais não consomem cogumelos venenosos... Nada mais errado, até porque muitos são os que têm imunidade às toxinas destes. Mortes por evenenamento, voluntário e involuntário, não faltam, até entre algumas figuras históricas - aliás, nas civilizações grega e romana eram uma das armas preferidas.

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Este fim-de-semana, aproveitem para umas boas caminhadas por esses campos, sempre respeitando a natureza e acima de tudo com os olhos bem abertos... Nunca se sabe quando estarão diante de nós estas autênticas obras de arte pintadas e esculpidas pelo planeta Terra.

 

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Bom fim-de-semana, 

 

 

 

 

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