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Brugge... Entre Canais e História...

por Robinson Kanes, em 28.11.18

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Imagens: Robinson Kanes

 

A primeira viagem que fiz de avião foi numa aeronave da Sabena, portanto, já há alguns anos. Nesse dia chuvoso, partia de Lisboa para Bruxelas, mais precisamente para Leuven. Essa primeira viagem, e embora não sendo o melhor apreciador dos países que compõem o Benelux, marcou-me, e claro está, fez com que tivesse um carinho especial por aquele país. Entre as várias viagens que fiz à Bélgica entretanto, parecia-me injusto não lhe dar o devido destaque neste espaço, até porque também tive os meus namoricos belgas, conheci muito boa gente belga, recuso-me a pagar €15 ou mais euros por meia-dúzia de mexilhões, não acho a Stella Artois nada de especial (embora até tenha conhecido a fábrica) e por aí adiante...

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Retomo a Brugge... Não é uma cidade fascinante, no entanto, faz-nos pensar em como é que num local tão pequeno a vibração cultural é tão grande. Faz-nos pensar em como é que se sente o peso da história e entre os pequenos canais podemos passar alguns momentos bem agradáveis. A parte nova, é a imagem típica de cidade flamenga "moderna", mas no centro histórico, podemos encontrar algum património bem interessante que pode ser conhecido a pé ou através dos passeios nos canais. Já não recomendo os passeios de carruagem, ninguém que goste de cavalos pode tolerar tal sofrimento inútil.

IMG_4115.jpgO ideal é começar o dia no "Books & Brunch", nada como um pitéu num local rodeado de livros para iniciar uma visita e assim compensar o tempo que poderemos não ter para almoçar. Seguidamente, nada como apimentar esta sedução intelectual com uma visita ao "Groeningemuseum", um local ideal e a não perder para quem adora pintura flamenga, aliás, Jan van Eyck (que até tem por lá a sua estátua - morreu nesta cidade em 1441) e Van den Berghe estão por lá. 

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A pintura e a escultura também estão patentes numa visita obrigatória à "Igreja de Nossa Senhora" e ao seu museu, o "Onze-Lieve-Vrouwekerk" oferece, entre muitas obras, a oportunidade de admirar "A Virgem com o Menino" de Miguel Ângelo.

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Brugge, para um turista, é um local bastante económico - é nas ruas e caminhando por entre os canais que conhecemos a cidade, entrando nas Igrejas e até o famoso carrilhão.

IMG_4128.JPGEstamos numa cidade, contudo, com uma imensa oferta cultural e que para amantes de teatro, música clássica e tantas outras artes, pode ser, sem dúvida uma mais-valia, aliás, é para mim o grande ponto alto de uma visita à cidade, um pouco como Hamburgo na Alemanha, que não sendo uma cidade bonita e atraente, é bastante apetecível em termos de acontecimentos culturais.

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Finalmente uma nota para as importantes questões ambientais. Na última visita a esta cidade, fica a memória de que um destes dias, podemos assistir a uma baleia como a da imagem acima a invadir os nossos mares... Não pensamos muito nisto, mas um dia vamos mesmo ter de fazê-lo, e não é quando a vida destes e de outros animais estiver em risco, no nosso egoísmo incorrigível, vai ser mesmo no dia em que a nós próprios estivermos em risco.

 

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Uma Jóia Normanda: Bayeux

por Robinson Kanes, em 06.10.18

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 Fotografias: Robinson Kanes

 

 

Uma das mais belas catedrais de França está situada no departamente de Calvados, na região da Normandia, mais precisamente em Bayeux!

 

No entanto, antes de entrarmos na catedral, Bayeux tem a curiosidade de ter sido a primeira cidade a ser libertada na Batalha da Normandia! É também por isso, que acolhe o cemitério de todos os jornalistas abatidos a acompanhar guerras desde 1944! Também é nas imediações do centro de Bayeux que se encontra o maior cemitério britânico da Segunda Guerra Mundial. Mas deixando as experiências menos boas, Bayeux é conhecida pela sua tapeçaria do século XI e onde se encontra "relatada" a conquista de Inglaterra por parte dos normandos liderados por Guilherme II. Merece ser visitada até porque está catalogada pela UNESCO!

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Mas o que pode levar alguém como eu a Bayeux é a oportunidade de poder conhecer mais uma localidade normanda e apreciar a calma e simpatia dos seus residentes, num quase viajar ao passado. Se esperamos passar uma manhã ou uma tarde, rapidamente percebemos que temos de ficar mais tempo.

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Regressando à catedral, rapidamente percebemos o estilo gótico que se deve à reconstrução da mesma durante o século XI. Destaco a nave central que nos guia pelos imensos vitrais que se espalham ao longo de toda a estrutura. Para apreciadores desta arte, sem dúvida que verão aqui a sua sede de conhecimento saciada. 

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Também não podemos esquecer onde estamos, pelo que, em cada canto somos recordados de um passado não muito longínquo e onde se recordam todos aqueles que tombaram em nome da liberdade na Europa.

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Se gostarmos da Normandia, por certo que não podemos deixar de conhecer Bayeux, até porque qualquer das estradas até lá é um verdadeiro passeio carregado de paisagens que são o verdadeiro postal da Normandia. 

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 Bom passeio...

 

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A Pacata e Firme Caen...

por Robinson Kanes, em 20.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Caen é daquelas cidades que, para mim, sempre mereceram uma visita obrigatória. Não pelo conjunto da cidade, não por se extremamente bela, não pela proximidade com a fábrica da PSA... Para quem aprecia História Caen é uma visita obrigatória, sobretudo quando falamos da história da Idade Média, da ocupação alemã e do desembarque na Normandia - é o local ideal para repousar após uma visita pelas praias desse mesmo desembarque.

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Situada na Baixa Normandia, mais precisamente no Departamento de Calvados, Caen é uma cidade pacata e que tem em Guilherme "o Conquistador" um dos seus grandes nomes, aliás, encontra-se sepultado naquele que é o monumento mais imponente da cidade, a "Abbaye-aux-Hommes", uma abadia beneditina de extraordinária beleza e um verdadeiro exemplo de construção românica. É aí que encontramos a "Mairie" (Câmara Municipal) e a Igreja de "Saint Etienne".  Merece a pena percorrer as ruas até aí chegar, sobretudo se viermos pela "Rue de Fossés Saint Julien". 

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Todavia, visitada a Abadia, entramos na "Esplanade Jean Marie Louvel". Não é mais que um jardim bem amplo que nos coloca diante daquele que é o monumento que mais me apaixona em Caen, a Igreja de "Saint-Étienne-le-Vieux". Admito a paixão por ruinas mas também pelo facto desta igreja continuar de pé depois de ter sido praticamente destruída durante a "Guerra dos Cem Anos" aquando do cerco de Caen. Admiro a construção por ter continuado em ruinas durante séculos - apesar de algumas tentativas para que fosse reconstruída - e ainda por ter sido quase reduzida a escombros por um projéctil alemão durante a II Guerra Mundial. Estar de pé é uma verdadeira conquista... Talvez por isso mereça tamanho interesse, além de que é bastante interessante do ponto de vista arquitectónico.

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Percorrer Caen é efectivamente conhecer uma cidade normanda, mas é inegável a carga histórica em termos de guerras e conflitos que a cidade carrega. É impossível não parar de sentir a força da cidade que por várias vezes se viu reduzida a cinzas. Cidade fortificada, como não poderia deixar de ser, é interessante a pacatez da mesma, por vezes, demasiado pacata para um mediterrânico, mesmo quando se sobe às suas muralhas e se tenta vislumbrar todos os detalhes da cidade.

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Porém, é dentro das muralhas que a alma se anima, pois quando menos se espera, sobretudo se estiver a ter lugar uma feira medieval normanda, encontramos uma obra de arte que, mesmo ainda ao longe, faz soltar um "aquilo é um Rodin"! É também entre muralhas que encontramos mais uma das grandes obras do mestre, um dos melhores escultores de todos os tempos!

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Na verdade, acabamos por gostar desta cidade, o refúgio ideal na Normandia, sobretudo se escolhermos um hotel que fica mesmo dentro de um hospital. Não é um hotel de topo e também não vemos nem ouvimos ambulâncias a toda a hora - nem os helicópteros que aterram mesmo no topo são audíveis - e pelo que vi são várias as vezes em que se aterra e descola.

 

Deixamos Caen, não sem antes encontrar mais uma outra ruina, a "église Saint-Julien", uma igreja cuja primeira referência data de 1150 e que também sofreu com a "Guerra dos Cem Anos" e ficaria em destroços aquando do famoso bombardeamento de 7 Julho de 1944.

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Pensei em trabalhar esta imagem, mas revela profundamente o estado de espírito que ali temos, como se fosse um resumo de toda a história trágica da cidade. É um recanto interessante, calmo, mesmo que perto de uma rua movimentada e bem no centro de Caen. A visita a este espaço e ao "Mémorial de Caen" prometem marcar quem visita a cidade. 

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Nascido nos anos 80, não tive oportunidade de sentir aquilo que muitos dizem ter sentido e outros que efectivamente sentiram, sobretudo em relação à música. Todavia, quando temos uma irmã que poderia ser nossa mãe, aliás, duas irmãs que o poderiam ser - tenho uma sobrinha bem mais velha que eu - não é descabido que nos fique algo de ambas - e na música não foi excepção com claras influências no bom e no mau gosto musical que daí adveio.

 

Falo sobretudo da minha irmã mais nova (sendo que é mais velha que eu) e que acabou por ser também um pouco minha mãe. Na verdade, os gostos musicais desta acabaram também por me acompanhar, e nesse campo fiquei completamente marcado com os anos 80 pois cresci a ouvir muitas das músicas que foram um autêntico sucesso. Hoje, acabo por ter em mim um pouco desses sons e que também escuto não raras vezes.

 

Existe a capa de um vinyl (com Laura Braningan encostada a uma rocha) que ainda hoje tenho na cabeça e já nem falo da música. Estava sempre na linha da frente do gira-discos lá de casa, pelo menos no gira-discos da minha irmã, qual teenager rebelde. Hoje, quando passa "Self Control" de Laura Braningan, não resisto a dançar aquele estilo slow 80's. Esta música levou a que desde a infância lá solte um "oh-oh-oh oh-oh-ho" de vez em quando e sem perceber muito bem a que propósito.

Outra das músicas que me persegue e por culpa da minha irmã já vem dos anos 70 - época onde eu ainda não era sequer pensado. "Goodbye Yellow Brick Road" é um clássico de Elton John que não me é indiferente. Porquê? Pela melodia, pela entrega à música e também pela letra, foi uma das que preservei e me recorda um estilo que já não se ouve por aí... Sim, a minha irmã chegou a ter o disco do Elton com a música "Nikita" (não contem a ninguém).

Se gosto de Bruce Springsteen e venero o senhor no meio musical e não só, devo-o à paixão que também a minha irmã tinha por este senhor e que dava direito a um poster na parte interior da porta do guarda-fatos. "Dancing in the Dark" foi das que mais ouvi e é das que mais gosto... No entanto, para quem como eu adora o Bruce, não faltam bons exemplos de grandes malhas... Mais um daqueles que, cada vez que abre a boca para cantar arrasta multidões!

Outro indivíduo que não parava de tocar lá por casa era o incontornável David Bowie. "Heroes" foi uma das músicas que me acompanha desde então e que é indespensável que me apetece ouvir este senhor. Com "Ashes to Ashes" ou até "This is not America" é o complemente perfeito para um óptimo momento em que um sofá e uma boa música fazem toda a diferença na vida de cada um de nós.

Outra das boas heranças musicais que tenho da minha irmã é outro senhor que já não está entre nós: George Michael. Penso que a adolescente que foi não dispensaria algumas das suas melhores músicas. Desses tempos, pois muitas fui descobrindo, guardo sobretudo uma que ecoava bastante lá por casa, e mais tarde, acabou por dar azo a grandes conversas e dissertações: "One More Try". Nessa altura a minha irmã era uma romântica, enfim, que fazer... Hoje não é e... Não sei se isso é bom ou mau... De bom, pelo menos ficou este senhor!

Uma banda pura dos anos 80 e com letras adequadas ainda a uma época de inquietação mas de alguma esperança. Os Tears for Fears são outra daquelas bandas que muito estimo, algo ao nível dos Spandau Ballet, Duran Duran, The Clash e tantas outras que poderia enumerar. Ainda me lembrei dos Roxy Music e especialmente de Bryan Ferry, mas isso já é outro planeta. Lembro-me de ouvir sem perceber uma palavra de inglês "Sowing the Seeds of Love". Poderiam ser tantas outras, como "Everybody Wants to Rule the World", "Watch me Bleed", "Pale Shelters" ou até "Swords and Knives".

Outro mestre que não faltava lá por casa era o tio Phil. Falo de Phil Collins, não tanto na sua era Genesis, que aprendi a gostar mais tarde, mas já num Phil a solo. Lembro-me de "I Don't Care Anymore"... Não porque fosse uma música ouvida pela minha irmã, mas porque foi o mote para gostar tanto do baterista genial que também é um cantor fantástico... 

E não poderia faltar Sting... Muitas das músicas que aprecio e que fazem parte da carreira deste senhor encontram-se nos anos 90, no entanto, "Englishman in New York" ficou nos anos 80 como uma das grandes músicas do século. Foi com esta música que conheci Sting e contribuí para preservar mais um vynil da minha minha irmã na colecção lá de casa. Mais uma daquelas vozes cujo paralelo teima em aparecer. Uma música para verdadeiros cavalheiros...

Mas nem só de coisas boas foram feitos esses tempos - cresci traumatizado pela paixão parola que a minha irmã tinha por um dos vocalistas dos "Modern Talking" - o senhor moreno de cabelos compridos. Com direito a poster, um pouco contra a vontade do meu pai, lá tive de olhar para aqueles discos todos e crescer ao som de "You're my Heart, You're my Soul". Pior não poderia ser e, além do hit anterior, sei de cor músicas como "Brother Louie", "Cheri Cheri Lady" e até algumas partes de "Lady Lai"... Sim... A minha irmã é parola e contagiou-me com os Modern Talking, fantástico não é? Não...

Esquecendo um pouco a vergonha que já passei, termino com algum bastante melhor: INXS. É claro que a minha irmã só aparolou a sério a partir dos 28, ou seja, até lá teve muitas coisas mais... Cool? "Mistify" foi uma delas. Mais uma daquelas músicas para se ouvir enquanto se conduz, quando apetece bater em alguém ou então simplesmente quando nos apetece ser rebeldes lá por casa...

Poderia falar de mais, e talvez volte a falar, mas para já estas dez músicas já mostram um pouco do que ía, e de certo modo, ainda lá vai por casa.

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Playlist para uma Noite de Verão...

por Robinson Kanes, em 13.07.18

A caipirinha está pousada na mesa. Hora de repousar depois de mais um dia de trabalho que acabou com o pilão a triturar as limas que irão apimentar ainda mais a bravia cachaça. Não estamos em Manaus, não é uma daquelas noites húmidas em que ouvimos toda a floresta a pronunciar-se... Desta varanda, surgem talvez mais algumas músicas que me marcam e que, mais uma vez, talvez digam um pouco de quem se esconde por detrás de meia dúzia de teclas.

Começo por uma das minhas cantoras preferidas, uma surpresa "recente" que é companhia não só em noites de verão mas também durante o trabalho. É impossível não ficar bem disposto com esta voz, com estas letras... É impossível não nos deixarmos contagiar por Natalie Lafourcade! Esta senhora mereceria só um artigo, quiçá o venha a ter. Se tenho de escolher uma música, pois que para esta noite de Verão na varanda ou até para uma óptima festa entre amigos ou num lugar desconhecido, só poderei destacar "Tú Sí Sabes Quererme". Uma das músicas que mais bem disposto me deixa e, acima de tudo, faz mexer os pés de chumbo. Adoro Natalie Lafourcade!

Lembro-me agora dos Beirut. O fim da faculdade serviu de mote para conhecer esta banda. Desde aí nunca mais os deixei... Tudo começou com "Elephant Gun" e desde então têm merecido destaque na prateleira de CD cá por casa. É sem dúvida uma das mais conhecidas, mas não poderia deixar escapar. A sonoridade eslava misturada com os balcãs produz uma melodia única. Num ritmo único, devemos deixar que nos acompanhe numa noite de verão ou numa longa viagem... Uma viagem pelas nossas vísceras, pelo nosso ser, pelas nossas emoções.

 Talvez não seja a melodia mais animada de todas e muito menos seja o ideal para uma noite de Verão - mas Julho tem o dom de ser também um mês maldito. Existem recordações que não se podem varrer para debaixo do tapete e existem músicas que nos acompanham nessa dor que por vezes teima em ocupar um espaço de tranquilidade e felicidade, afinal também não será ela parte dessa mesma felicidade? Tenho em "Porz Goret" de Yann Tiersen uma dessas companhias para esses momentos. Gosto do lado mais intimista de Yann Tiersen, longe daquela mescla pseudo-contemporânea que defrauda os amantes de "Amélie". Gosto deste Yann Tiersen, grande músico e compositor.

E o calor só me consegue lembrar aquelas noites quentes andaluzas ou a temporada passada em Barcelona. Para isso nada melhor que "Noches de Andalucia" de Govi. Por incrível que pareça, não é andaluz e muito menos espanhol, é mesmo alemão. Se é bom recordar as noites quentes do sul de Espanha, então esta será uma das melhores escolhas.

Uma noite quente de verão não pode descurar o calor do sul de França e da bela cidade portuária de Marselha! O mediterrâneo moderno, juntando o calor de África e a paixão europeia fazem surgir Soha que nos convida para o "Cafe Bleu". Se falamos de recordações, pois bem, deixemos que Marselha surja também nos meus pensamentos.

Entra a alemã de copo na mão e diz a brincar que parecemos dois bêbados tal é o consumo lá por casa, subentenda-se um copo de caipirinha cada um. E aqui as coisas animam, muda a música e entra um dos senhores venerados cá de casa, Billy Idol e o "Dancing with Myself". Não está nada mal... Deixo ficar e começo a mexer-me.

E agora as coisas mudam e o ânimo vai sendo uma constante. Com a alemã ao leme entra um daqueles senhores que nos faz assistir a todos os seus concertos de norte a sul do país: Lloyd Cole. E claro, não poderia deixar de ser "Jennifer She Said". Recordamos os concertos e como este senhor é em palco desde os tempos dos "The Commotions". Palavras para quê... Se eventualmente o indivíduo que me assaltou o carro estiver a ler, devolva-me um dos CD do Lloyd Cole que teve a gentileza de tirar do meu porta-luvas naquele fatídico dia.

Uma playlist por aqui não poderia deixar de contar com uma música italiana, talvez uma das melhores da nova geração: Annalisa com "Scintille". Uma música que me deixa a levitar e uma óptima companhia para trabalho e claro está, para aquelas noites de verão na companhia da bendita caipirinha ou então do mero copo de água, pois o calor pode ser tanto que a água é mesmo a melhor escolha. Annalisa é das vozes mais belas e genuínas do cenário musical italiano... Ainda longe de Giorgia, mas uma "concorrente" interessante.

 E noites de calor não podem deixar de me chamar ao continente mãe, aquele continente aqui tão perto e que é África. Apesar de nascida em Londres, é impossível não ver o rosto de África na voz de Sona Jobarteh. Escolhi uma das músicas que mais gosto e que dá nome também às origens desta intérprete: "Gambia". Uma música que nos transporta para as ruas das cidades de muitos países africanos e retrata as verdadeiras origens musicais sem importações baratas que acabam por fazer sucesso em países... Como o nosso?

Finalmente, a fechar esta playlist, e não sendo propriamente um motivo de orgulho, nenhuma noite de verão pode ficar sem Barry Manilow... Não só porque é uma daquelas músicas "à velho" que não abona muito a favor de quem tinha idade para ser filho ou neto do mesmo mas também porque nos leva a "Copacabana" e nos recorda também aquele verão carioca de 2017 onde a caipirinha eram bem melhores que a minha...

 Bom fim de semana,

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"Playlist" para uma Madrugada...

por Robinson Kanes, em 05.06.18

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Fonte Imagem: GC 

 

 

Ultimamente a condução noctura e madrugadora tem feito parte da minha vida... As saídas tardias atiram-me para uma necessidade de escape mesmo que entre o asfalto e o conforto dos estofos. Tenho aproveitado, sobretudo, para ouvir algumas músicas que vão compondo a minha playlist ao longo dos anos e assim podendo também partilhar um pouco do que vou sendo por aqui, posto que não é propriamente a minha imagem de marca... 

 

Este Sábado, e já passava das três da manhã, uma marginal junto ao mar e a Lisa Ekdahl a adivinhar o início de um novo dia com o seu "Daybreak". É uma música de amor, mas tem o seu quê de boa disposição, que nos faz mexer no banco do carro, na cadeira ou até de pé no escritório ou seja lá onde for, além disso... Música simples, mas apaixonante e que nos carrega baterias na madrugada rumo a um novo dia ou a um novo beijo ou abraço.

E como estamos numa onda de vozes femininas que podem preencher os bons momentos de uma madrugada não poderia deixar uma descoberta já com o seu tempo... Falo de Sophie Milman e "Something in the Air Between Us". É impossível resistir ao amor e ao romance, mas afinal, é isso que nos pode esperar quando a cacimba nos afronta o vidro do carro e nos obriga a um esforço extra de condução até um destino em que o ar está recheado de sentimentos de paixão.

Uma das minhas músicas de eleição dentro do registo "Oceano Pacífico" teria de ter destaque numa madrugada ao volante: Cutting Crew e "I've Been in Love Before". Não vivi propriamente os anos 80 como o viveram muitos, até porque nasci em meados dessa década, no entanto, tenho de reconhecer que acabaram por fazer parte da minha vida. Foi uma espécie de últimos anos de boa música - a prova disso é o impacte que ainda hoje têm face a "êxitos" actuais que são facilmente esquecidos. No entanto, quando temos irmãs que têm idade para serem nossas mães, acontece que possamos ser muito influenciados pelos gostos das mesmas. Não conheci esta música nos anos 80 e muito menos nos anos 90, no entanto é uma daquelas que nos faz dançar na sala, entre um Rosso e um Bianco ou então enquanto preparamos o jantar com quem gostamos. Presença obrigatória cá por casa.

Outra das músicas que obrigatoriamente devem preencher uma madrugada é "My Valentine" de Paul McCartney. Ouvi esta música pela primeira vez ainda não tinha saído, ouvi-a por acaso perto de Bath e nunca mais me largou e obrigou à compra de um brilhante disco de McCartney, "Kisses on the Bottom". Quando pensamos que este senhor já não nos pode surpreender aí está mais uma grande música! Tenho uma tendência para descobrir sempre os novos lançamentos de McCartney fora do país, um dos últimos foi em Berlim. Mais uma que não deixa de tocar por estas bandas... Influências do amor, quiçá...

Uma madrugada ou até uma noite tranquila, ou onde os pensamentos dominam o nosso espírito, ou onde até um bom momento com quem amamos tem lugar não pode ficar completa sem "Hold On My Heart" dos Genesis! Do albúm "We Can't Dance" é sem dúvida um dos hinos à música! É a sonoridade ideal para acompanhar a luz dos faróis entre curvas e rectas até ao destino que nos acolhe. De deitar na cama ou até de sentar no sofá após o regresso e permitir, ainda com a melodia nos ouvidos, que possamos deixar que a nossa mente ande por aí a vaguear num turbilhão de emoções e pensamentos enquanto o corpo relaxa.

Diana Krall e "The Look of Love", mais um albúm que habita cá em casa. A música, a voz de Diana Krall e tudo o resto dispensam palavras... Desde sempre uma presença obrigatória no carro, em casa e onde quer que esteja! Palavras para quê, simplesmente brilhante.

Regresso aos anos 80 para mais um albúm que tem presença cá em casa, sobretudo com a música "Everybody Wants to Rule The World". Conhecida sobretudo pelo seu ritmo e sonoridade, a letra desta música dos Tears For Fears permite-nos retirar um pouco mais de sumo daquilo que nos é apresentado.

It's my own desire
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most Of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

É uma daquelas músicas que nos atira para a frente, que nos fazer erguer a cabeça e nos acompanha em qualquer viagem... Seja nesta madrugada ao volante ou então nessa viagem bem mais curta... Sim, bem mais curta que é a vida.

Outro dos meus cantores e músicos preferidos, aliás, com todos os albúns presentes na sala, é Peter Cincotti. Devo esta descoberta à "alemã" que trouxe até mim este senhor. Foi sem dúvida uma das melhores descobertas no mundo da música, pelo menos para mim. Optei por escolher uma que também me acompanhou esta madrugada, embora possa enumerar um sem número de músicas que me apaixonam - "Madeline" do albúm "Metropolis". Poucos hoje em dia conseguem conjugar a autoria, composição, interpretação instrumental e vocal como Cincotti. Sem dúvida um músico a acompanhar.

Não sou propriamente o maior simpatizante dos The Cult, mas não me é permitido não gostar de "Painted On My Heart". Foi banda sonora do filme "Gone in 60 Seconds" e embora o filme não seja propriamente brilhante, a música é qualquer coisa. Mais uma daquelas que se gosta e, talvez nesta madrugada, apesar da cacimba, convidasse a apertar um pouco mais o acelerador. Eu sei que não é o melhor conselho, mas quem nunca prevaricou que atire a primeira pedra...

Finalmente, e já com o lar bem perto, seleccionei Dave Matthews Band. É talvez daquelas bandas que é giro gostar-se, no entanto existem aqueles que, como eu, e perdoem-me a sobranceria, gostam, apaixonam-se e não mais conseguem largar este contágio. Conheci a banda com a música que apresento aqui: "The Space Between". Dave Matthews Band surgiu numa fase algo estranha da minha vida - não posso dizer que foi boa ou má, foi estranha e não terá sido no mau sentido, deduzo... São épocas em que conhecemos tantas pessoas, sobretudo mais velhas que nós, e que aprendemos tanto que chega a ser complexo fazer uma gestão de toda essa carga de vida que existe à nossa volta... Uma espécie de retalhos de diferentes vidas que observamos - quando ainda nós não temos a nossa vida propriamente definida, se é que algum dia a temos. Chamem-lhe maturidade, vivência, experiência ou simplesmente palermice... Mas é assim...

 

 

 

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Como prometido, não poderia deixar aquele que é um dos meus recantos preferidos em Barcelona: fica na "Plaça Comercial"!

 

Um grande exemplo de preservação de um espaço, da memória e da própria História - o Mercat del Born! Construído em ferro e de herança modernista, é um edifício digno de ser admirado por dentro e por fora! Construído em 1878 teve o seu declinío em finais da década de 70. Em 2002, quando estava prestes a ser transformado numa biblioteca, foram encontradas ruínas da Barcelona medieval o que levou ao embargo das obras e consequentemente permitiu que nascesse um dos locais mais interessantes da cidade: o "El Born Centre de Cultura i Memòria"!

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Encontrei-o por acaso, sem fazer a devida pesquisa e nunca mais esqueci este espaço que alberga também exposições temporárias! Não é uma das maiores referências da cidade mas, em meu entender, é de visita obrigatória, até pela vida que gira em torno do mesmo!

 

Se tivesse que seleccionar um "top 5" este espaço mereceria um dos lugares! É uma paixão que não se explica, talvez de quem se perde em Dresden quando percebe que os empreiteiros ao invés de estarem a construir um prédio estão a trabalhar numa escavação que alberga vestigios da antiga cidade, ou então de alguém que perde uma tarde inteira em Nice, depois de perceber que o destino o colocou no dia certo em que, também numas obras, foram descobertos vestígios arqueológicos e assiste ao chegar dos arqueólogos e a toda a azáfama que teve lugar em redor daquele espaço. Sente-se e pronto, o "Mercat del Born" é um desses espaços!

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Mas é também, saindo do "Mercat", que se percorre o "Passeig del Born" e se chega à minha igreja preferida na cidade: a "Basilica de Santa Maria del Mar"! O "Passeig del Born" em nada fica atrás do "Passeig de Gràcia", acerca do qual aqui também já falei. Arrisco até dizer que é mais genuíno, mais catalão e numa dimensão mais reduzida. Foi também nesta zona que alguns episódios negros da História mancharam as memórias da cidade - o mais tenebroso terá sido o facto das vitimas da Inquisição terem sido aqui chacinadas! Não esquecendo o passado mas vivendo o agora, a caminhada é obrigatória, sobretudo para um café pela manhã ou então ao entardecer - fora da época turística (se é que se pode dizer que existe uma época turística em Barcelona) é imensamente cativante passar aqui um final de tarde.

 

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Não podemos fugir ao que nos espera... Aí está ela, a "Basilica de Santa Maria del Mar"! Se não assistirem a um concerto no "Palau de Musica Catalana", podem bem redimir-se aqui desse pecado! É um dos locais que mais gosto para assistir a concertos de música clássica em Barcelona! Ao entrar neste espaço, não conseguiremos conceber como é que o mesmo já esteve sujeito a todas as convulsões que afectaram a cidade, sendo a última uma das piores e que teve lugar durante a Guerra Civil de Espanha! A 19 de Julho de 1936 a igreja foi incendiada num espectáculo macabro que teve a duração de 7 dias!

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Percamo-nos por esta igreja do século XIV e ex-libris do gótico catalão e admiremos o altar, as colunas que lhe mostram toda a sua imponência, apreciemos os vitrais e a iluminação que, à noite, lhe dá um carácter especial e claro - sentemo-nos e apreciemos um bom concerto! Para mim, apesar dos muitos restauros, esta é a mais bela igreja de Barcelona!

 

Mas não vamos já embora! Não poderia sair destas ruas sem passar pela "Carrer de la Vidriería" e parar no "Golfo de Bizkaia"! Não é um dos espaços mais baratos, mas é uma "taperia" daquelas que nunca se esquecem.

 

Um atendimento muito simpático por empregados bascos, as tapas óptimas e um ambiente único que junta a Catalunha e o País Basco num restaurante notável e onde é impossível resistir às tapas frias no balcão! Além de brilhantemente elaboradas para encher a vista, são também de um sabor sui generis! Não se sentem nos barris que servem de bancos e de mesas - arriscam-se a ser aliciados para comer as tapas quentes. A vossa dieta vai acabar destruída entre tapas, cerveja e "mosto blanco" mas afinal, estamos em Espanha! Ainda hoje nos lembramos de um dos empregados que nos atendia sempre e ao qual perguntávamos "tienes mosto blanco?", respondendo sempre com um grave timbre basco "siiiiiiiiiiii".

 

Vale a pena lá passarem, mas não se percam com os palitos que servem para contabilizar as tapas que comem! A mim nunca me pagaram nada para sugerir este espaço, pelo que entendam o meu conselho como o de um brand advocate e não de um influencer, até porque não tenho estatuto para tal, mas... Por falar no "Golfo de Bizkaia"... Tenho a sensação que hoje, se encontrar, ainda vou fazer uns "chipirones" com aquele saboroso molho verde que me recorda grandes momentos naquele restaurante! Por incrível que pareça, não é propriamente um restaurante familiar, faz parte do Grupo Sagardi, mas não é por isso que deixa de ser tentador.

 

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 Créditos: Grupo SAGARDI

 

Fecho os olhos, percorro estas ruelas... Já sinto os cheiros e a vida de Barcelona...Escuto os "Rumores de la Caleta" na versão de guitarra espanhola do catalão Albeniz... Quem me dera encontrar Yepes e Albeniz juntos na Basilica de Santa Maria del Mar para um concerto! Contento-me com a sonoridade que nos deixaram e quiçá, com umas tapas depois do concerto ali bem perto com o empregado basco a responder "siiiiiiiii" ao nosso pedido de "mosto blanco".

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Catalunha até à Catedral e à Plaça del Rei!

Pelo Barri Gòtic: Da Pintura de Picasso ao Palau de la "Musica Catalana"...

Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Deixemos a "Plaça del Rei" onde ainda escutamos os ecos daquela soprano que canta a troco de uns euros junto à Catedral e deixemo-nos embrenhar nas ruas estreitas do "Barri Gòtic".

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Hoje já é tarde, mas amanhã, é um imperativo visitar o "Museu Picasso de Barcelona"! É aí que se encontram algumas das grandes obras do génio, para mim, "O Abraço" é uma delas e é digno de ser visto! É um daqueles museus, em que a arquitectura do espaço combinada com a exposição o tornam numa referência! Quem já esteve no de Málaga ou até no de Paris não se vai sentir defraudado. Percorrer a estreita "Carrer Montcada" e aceder ao "Palau Berenguer d'Aguillar" é algo que não pode falhar numa visita a Barcelona e depois... Bem, depois nada como se deixar surpreender pelo "El Loco" ou pelo "Harlequin".

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Mas ainda há tempo para atravessar a "Carrer de la Princesa", a que termina no "Parc de la Ciutadella", e subir até ao "Palau de la Musica Catalana". Aqui as opções são várias: ou apreciamos o espaço do exterior, ou compramos um bilhete para visitar o espaço e deixarmo-nos deslumbrar pela sala de espectáculos com a sua cúpula invertida e em vitral ou... Ou assistimos a um espectáculo! Não são os bilhetes mais baratos, quer para visitar quer para um espectáculo mas não deixa de ser uma experiência única e que depois provoca uma ânsia de repetir a experiência - assistir a um espectáculo é mais que recomendável e devo admitir que pondero mais um regresso ou para assistir a Simon Rattle com a "Orquestra Filarmónica de Berlim" ou efectivamente, a Gustavo Dudamel, com a "Mahler Chamber Orchestra"... Tenha vida para isso. Acredito que, em turismo ou vivendo na cidade, visitar a obra de Domènech Montaner é das melhores experiências que podemos ter.

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E como estamos em Barcelona e... Porque o Mediterrâneo invade os areais de "Barceloneta", nada como ficar a ouvir um dos grandes compositores nascidos naquela cidade e que marcou uma geração - que não a minha - e por arrasto, me fez conhecer a sua obra durante a minha infância. Escutemos neste passeio à beira-mar uma das grandes obras de Joan Manuel Serrat, "Mediterraneo".

 

 

E hoje ficamos por aqui! Ou melhor, não ficamos, vamos caminhar e terminar num pequeno restaurante de fast food na "Plaça Urquinaona" (posso dizer que era a "Pans & Company"?) e onde tantas vezes a altas horas era o local ideal antes de voltar a Ausiàs March para descansar... Se nos deixassem...

IMG_1677.jpg E amanhã? Vamos sair de Ausiàs March, comer qualquer coisa na "Plaça de Tetuan" e seguir por uma das rotas mais turísticas da cidade, embora com alguns recantos por descobrir.

 

 

Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

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"Playlist" para um Martini Rosso...

por Robinson Kanes, em 02.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.gutekueche.at/cynar-martini-rosso-rezept-23200

 

 

Um copo de Martini Rosso pode durar uns segundos... Pode durar minutos... Pode durar uma hora... Um copo de martini on the rocks acompanhado pela música ideal pode durar uma noite... É com este copo de Martini que respondo a um desafio colocado por email, como forma de partilhar um pouco de mim, embora noutros moldes, e vos deixo a minha playlist para esse momento... Para essa noite, onde algumas nuvens escondem as estrelas e o silêncio daquela varanda deixa que cada acorde se funda entre a laranja e a mistura alcoólica.

 

"The Cinematic Orchestra - Arrival of The Birds & Transformation" - Do documentário "The Crimson Wing: Mystery of the Flamingos". Com a Reserva Natural do Estuário do Tejo tão perto, a banda sonora deste documentário leva-me para perto daqueles seres que vejo todos os dias palmilhando as salinas em busca de alimento ou efectuando um dos voos mais coloridos e belos do mundo. A melodia é fascinante e já foi aproveitada também para anúncios televisivos.

 

 

"Ennio Morricone - Deborah's Theme" - Outra banda sonora - do filme "Once Upon a Time in America" que conto falar aqui e uma obra-prima de Hollywood. Enriquece uma qualquer noite, um qualquer espírito. Não poderia deixar Morricone de fora, para mim, o grande do século XX! É preciso ver o filme e deixar que a noite na varanda, de Martini Rosso como companhia tenha uma pequena aragem... Suave... O suficiente para conter algumas emoções que poderemos não controlar.

 

 

Em continuação pelos italianos, não poderia deixar escapar "Ludovico Einaudi - I Giorni". Talvez porque representa tudo aquilo que a música de Einaudi nos dá. Cá por casa não faltam discos do compositor que já tive oportunidade de ver ao vivo. Paz, reflexão, pensamento, espaço para muitos dos artigos que escrevo...

 

 

"Sergei Rachmaninoff  - Concerto para Piano nº 2" - É entrar nos clássicos, no entanto, não poderia ficar de fora um dos meus compositores de eleição. A pureza da música é qualquer coisa de maravilhoso, a doce serenidade com que Rachmaninoff nos contagia, mesmo quando os acordes se tornam mais violentos e dolorosos é algo ao alcance de poucos compositores! Tem o seu lugar de honra cá em casa, sem qualquer dúvida... E também no porta-luvas do carro, quando nos entregamos a algumas paragens técnicas para... respirar... O "Concerto para Piano nº 2" porque foi uma das primeiras obras que ouvi do mesmo e a sinto tão actual... Uma curiosidade, vão reconhecer o "All by Myself" em algumas passagens.

 

 

"Ennio Morricone - Malena" - Malena é uma daquelas músicas apaixonantes, sobretudo se conhecermos o filme e os locais onde o mesmo foi gravado. É, para mim, regressar à Sicília, sentar-me na "Scala dei Turchi" e atirar as "folhas" deste blog ao mar. É regressar a Siracusa, é percorrer a Sicília e viver uma história de amor e encanto. É ouvir e sentir aquelas sensações que só Morricone nos consegue trazer. É uma certa nostalgia de quem não tem idade para ter nostalgia... Uma das melhores músicas de sempre.

 

 

"Sting - Shape of my Heart" - A fugir ao padrão, numa noite em que se contempla o céu, esta é uma daquelas músicas que não pode faltar. Vale o que vale e dispensa palavras, nem tudo tem de ter uma explicação.

 

 

"Eleni Karaindrou - To Vals Tou Gamou" - Outra das minhas paixões, Eleni Karaindrou. Conheci-a com a banda sonora do filme "Eternity and a Day" e desde então nunca mais a larguei. A sonoridade grega e turca, um passado pouco longínquo e uma riqueza ímpar tornam a suas músicas património da Humanidade! "To Vals Tou Gamou" é sem dúvida uma obra singular e que merece um trago especial deste Martini.

 

 

"Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia" - Na varanda, com as ruas lá fora, com uma certa paz reinante, não poderia deixar passar esta música do rei! Uma música fantástica, uma melodia única de um dos poucos que ainda vai fazendo verdadeira música por esse mundo fora, sobretudo numa vertente mais "comercial". Um hino e uma das músicas que marcou a minha infância, mesmo quando nem eu próprio percebia bem o que a mesma queria dizer.

 

 

Faltam duas para as 10 músicas? Pois continuarei a fazer render o copo... Outra composição que não poderia deixar sem passar, e voltando a Itália é "Pietro Mascagni - Intermezzo/Cavalleria Rusticana". É uma das mais belas melodias alguma vez criadas! Retirada a obra com apenas um acto "Cavalleria Rusticana" é um hino ao amor e à paixão, embora no contexto da obra surja após Santuzza revelar a Alfio a traição de Lola! É um outro regresso à Sicilia, mas também uma apaixonante e reconfortante melodia para contemplar enquanto as nuvens vão deixando espaço para as estrelas... Sublime!

 

 

 E finalmente, porque a noite já vai longa e só a rodela de laranja dá cor ao copo, só resta espaço e força para a versão de "Peter Gabriel - The Book of Love". Talvez uma das músicas mais românticas e que, com a voz de Peter Gabriel, se transforma definitivamente em algo de divino! Peter Gabriel tem esse poder, de transformar a música e de a tornar em algo tão complexo que fascina pelo modo como depois a encontramos tão simples e tão facilmente audível.

 

 

 Uns bons momentos para todos...

 

 

 

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"Amarcord"

por Robinson Kanes, em 01.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.moma.org/calendar/events/1506

 

 

Talvez de que somos, o somos por efeito do que se é e não do que se acumula sobre isso. O que se acumula apenas coordena o que já se é ao nível a que se vai ser.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente IV"

 

 

A minha paixão por filmes italianos não é novidade, sobretudo se caminharmos alguns bons anos para trás, anos em que nem eu era sonhado!

 

No entanto, juntar num só filme Frederico Fellini e Nino Rota, o resultado só pode resultar num Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - "Amarcord" é um desses exemplos! A banda sonora nunca mais nos sairá dos ouvidos!

 

Passado no Borgo San Giuliano perto da Rimini dos anos 30, acabou por ser uma inspiriração de Fellini, baseada na infância do mesmo, até porque "Amarcord" vem do dialecto romagnol e quer dizer algo como "eu lembro-me".  Estamos perante um número de personagens (a adolescente e a sua família, o acordeonista, a bonitona da cidade, os defensores dos bons costumes...) que é afectado nas suas vidas pela itália fascista dos anos 30. É um filme que nos mostra um pouco a realidade da época, quer do ponto de vista do indivíduo quer da própria presença do mesmo na comunidade.

 

 

Não é um filme com uma história fascinante mas que vale pelo que é - deixo-me portanto - de grandes divagações.

 

Deixem-se envolver por uma Itália de outros tempos e pela música de Rota, já será o suficiente para apreciar uns minutos mágicos...

 

Bom feriado...

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