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 Fonte da Imagem: Própria

 

Hoje, ao ver este sol radioso, deu-me imensa saudade de Espanha. Mas não de toda a Espanha, isso seria demais para uma manhã...

 

Deu-me uma saudade de percorrer a estrada de Segóvia até Ávila, de como é fantástico percorrer as intermináveis estradas que percorrem a Comunidad de Madrid e Castilla y León e de nos perdermos nos secos campos daquela zona de Espanha.

 

A saída ao fim da tarde de Segóvia e a chegada ao anoitecer a Ávila são das coisas mais fantásticas que se podem experienciar. Se Hemingway, tão apaixonado por Espanha, escreveu “As Verdes Colinas de África” pois bem que poderia ter escrito os “Secos Campos de Espanha”.

 

O fim de tarde com cores mediterrânicas, numa conjugação entre o sol de África e o calor da terra espanhola, o halo que esse sol de outro continente abre e permite presentear todos aqueles tão vastos campos com uma luz e fantasmas ancestrais... fazem-nos retornar a tempos antigos, de crenças e costumes, de tradições e identidades multiculturais.

 

Passar por uma “Yeguada” (éguada), parar o carro na berma da estrada e correr lado a lado com as éguas junto à vedação. A crina das éguas e dos cavalos ao vento enquanto correm é dos espectáculos mais bonitos que estes filhos do vento nos permitem vivenciar. Soltos de rédeas, só eles e os campos e... nós. Na Yeguada La Perla ainda encontramos um pouco de Portugal e podemos encostar a nossa cabeça ao cavalo mais dócil que alguma vez poderemos conhecer, o Puro Sangue Lusitano.

 

Deixamos para trás as Yeguadas e a estrada infinita.. em Zarzuela del Monte ainda nos é permitido olhar pelo retrovisor e apreciar a Serra de Guadarrama, bem ao longe, mas imponente e tão importante na história e na geografia do país.

 

A banda sonora que mais saudades me traz nestas aventuras teria de vir dos arredores de Madrid, de Aranjuez e das mãos de Joaquín Rodrigo . Para mim é uma obra-prima da música mundial e que permite tão facilmente conhecer a cultura e “el calor” espanhol logo a partir do primeiro compasso. Não assobiá-la em Espanha é considerado crime...

 

Falo do “Concerto de Aranjuez” escrito em 1939 (em Paris) já no final da Guerra Civil Espanhola. Se por sons for possível descrever a sangrenta guerra de irmãos e o cataclismo que se avizinhava na Europa este é sem dúvida o melhor documento. Escutem o Adagio e digam-me se não é verdade...

 

A história deste concerto, contudo é outra, mas a isso voltarei... afinal é das poucas composições que me consegue provocar um infinito número de sentimentos e emoções.

 

Por ora, vou fechar os olhos e tentar beber um pouco desse sol que me será trazido do outro lado da fronteira... por ora focarei os meus olhos naquele alcatrão imenso... por ora contemplarei o olhar querençoso de um cavalo... por ora deixar-me-ei envolver nos acordes de uma guitarra espanhola...

 

Hoje, poque vem aí o fim de semana, não sugiro um filme. Mas... como é de Espanha que falamos, nada como ler a "Esperança" de André Malraux, um "relato" profundo sobre a Guerra Civil de Espanha e onde me ficou, entre outros, este diálogo: "May ouça; não são precisos nove meses, são precisos cinquenta anos para fazer um homem, cinquenta anos de sacrifícios, de vontade de... de tantas coisas! E quando esse homem está feito, quando nada há mais nele da infância, nem da adolescência, quando verdadeiramente, ele é um homem, nada mais resta senão morrer".

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O "Concerto de Aranjuez", não consigo escolher somente uma parte do mesmo porque todo ele é sublime, mas o Adagio referido é a partir do minuto 5:15. Narciso Yepes, como não poderia deixar de ser. Quem gostar de Paco de Lucía também terá bastantes videos na internet.

 

 

 

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