Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

IMG_5583.jpg

Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quando a Raridade é Normalidade...

por Robinson Kanes, em 12.12.17

Drowning.jpg

Fonte da Imagem: http://integritas360.org/2016/02/why-anti-corruption-programmes-fail/ 

 

Esta é aquela parte em que, de garrafa na mão, percorro as ruas aos gritos e digo "eu bem dizia, eu bem dizia"... Senão vejamos:

 

Solidariedade... Uma visão mercantilista do conceito?

ONG, bom ou mau?

Empreendedorismo Social e o Paradoxo do Culto da Personalidade.

Empreendedorismo Social não é Dádiva.

Caritas et Lucrum.

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons

O Social... Os Donativos... E a Mendicidade de Resultados...

 

Raríssimas são as instituições sociais que em Portugal são completamente transparentes! A raridade é a nova normalidade. Não sou só eu que o digo, os acontecimentos falam por si: é a Cáritas que já mostrou uma inclinação para práticas menos claras (interessante que foi um caso que desapareceu do mapa), são instituições que. recebem roupa mas depois a vendem, é o Banco Alimentar Contra a Fome, a AMI e outras tantas instituições que de transparência têm pouco mas continuam a ser instituições com um peso tremendo no país e até onde o próprio Presidente da República que tudo comenta, se encarrega de fazer publicidade mas não de comentar quando as notícias não são de feição.

 

Associações, Misericórdias e outras Instituições Particulares de Acção Social (IPSS) proliferam em Portugal e garantem a ostentação de muitos indivíduos, em muitos casos em clara promíscuidade com o poder político, central e local.

 

Em Portugal a área social e o not for profit são áreas onde o enriquecimento é garantido, basta olhar à volta para se perceber... Porque é que estas áreas não são alvo de controlo mais apertado? Porque é que continuam a ser autênticos poderes? Porque é que se fomenta esta espécie de dádiva mas não se fomenta o empowerment dos cidadãos? Porque é que se utiliza o discurso da morte pela fome quando em Portugal, tal, não é uma realidade? E nem é preciso ir à fome: perde-se a conta às instituições e aos milhões gastos, na história do empreendedorismo e de ajudar os outros a vingar na vida... Mas depois... Face aos milhões investidos quais são os resultados?

 

Não é por mero acaso que existem organizações empresariais que se recusam a trabalhar com a área social! Talvez porque percebem que aqueles que lhes pedem conseguem maiores lucros que os próprios!

 

Alguns dos melhores exemplos são muitas comunidades imigrantes que se ajudam mutuamente e permitem que muitos indivíduos consigam trabalho ou até montar um negócio e a maioria nem quer ouvir falar de instituições que os apoiem... Esses sim, são bons exemplos.

 

Experimentem desenvolver um projecto a título indivídual e vejam se conseguem? Experimentem, em  muitas zonas do país, desenvolver um projecto social ou de cidadania sem pedir autorização (e algo mais) a poderes instalados em associações, munícipios, misericórdias e Igreja... Não vão conseguir, é um mundo fechado e só aberto a alguns! Espantados com a Presidente da Associação Raríssimas? Existem autênticos ditadores na área social, um meio para atingir muitos fins e que nem sempre é o bem-estar do outro... Olhem à vossa volta, mesmo na vossa região, na vossa cidade, vila ou aldeia e vejam quem está à frente desta área... Não tenhamos receio de dizer que a área social em Portugal alimenta máfias muito poderosas e que muitas instituições sociais ou de ajuda ao próxima não passam de grupos de tráfico de influências...

 

Perguntem porque é que alguém como o Ministro Vieira da Silva e outros estão ligados aos orgãos sociais destas instituições? Porque é que um dos próximos da lista era um deputado do PSD? Somem a isto os imensos apoios que esta instituição tem e rapidamente chegarão a uma conclusão... A área social em Portugal tem de ser alvo de uma avaliação profunda, tal como outras tantas áreas, a cultura é uma outra... 

 

Estamos num país onde é mais fácil gerar retorno com a área social e a "ajudar" os pobrezinhos do que a criar valor, emprego e investimento! Tal já diz muito da triste situação em que nos encontramos.

 

Não sejamos ingénuos, são muitos aqueles que já trabalharam e trabalham com a área social e sabem bem como as coisas acontecem... Falar da área social em Portugal é tabu! É tabu porque, no dia em que se olhar para esta área com atenção vamos perceber que milhões e milhões de euros investidos nem um euro de Social Return on Investement (SROI) geraram! Falar da área social em Portugal é mexer com aquilo que mais de podre existe na sociedade, na política e na Igreja... E aqui nem o nosso Presidente escapa...

 

De facto, também existem situações em que o trabalho é bem feito e existe um claro espírito de missão, e a esses voltarei! Mas é por isso mesmo, por existirem esses bons exemplos que nós, cidadãos, devemos exigir um claro escrutínio destas instiuições... Podemos fazer muito, basta que deixemos de participar em actividades e também em deixar de dar donativos. Podemos pressionar o poder central para que feche a torneira que alimenta autênticas oligarquias e sorvedouros do dinheiro dos nossos impostos.

 

Em tempos alguém me dizia... "achas que se fosse uma área com tantas dificuldades quem lá está se perpetuava eternamente e destruía todos aqueles que poderiam assumir o lugar e trazer sangue novo? Já viste alguém que lá esta a pedir para si por não ter que comer?".

 

É Natal, sejamos verdadeiramente solidários e actuemos directamente, porque... Se todos agirmos como verdadeiros cidadãos estas instituições deixarão de ter razão de existir. E para sermos solidários, não precisamos de andar sempre a dizer que o somos... A verdadeira solidariedade não tem publicidade, para isso temos a Responsabilidade Social Corporativa, onde aí até faz sentido... Até porque cansa ouvir um sem número de indivíduos todos os dias a repetirem que já entregaram um saquinho de comida a pobrezinho mas depois, no seu dia-a-dia são autênticos seres desprezíveis para com quem os rodeia.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_0218.jpg

Hugues Merle, Uma Mendiga  - Musée d'Orsay

Fonte da Imagem: Própria

 

 

O contrário da justiça é a caridade.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente V"

 

Muitos portugueses começam a perceber que um dos grandes colossos deste país, a área social, apresenta paradoxos tremendos. São muitas as instituições de solidariedade, e podemos incluir associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), outras Organizações Não-Governamentais (ONG), Misericórdias e outras tantas ligadas a sectores como a Igreja, mas não só. Muitos portugueses começam também a perceber que o conceito de "sem fins lucrativos" pode ser facilmente camuflado nos relatórios que muitas destas instituições apresentam.

 

A área social é uma verdadeira indústria e utilizando o ditado popular "só não vê quem não quer". Se de facto existem indivíduos e instituições que vão fazendo um excelente trabalho, uma larga maioria não o faz e, na verdade, se exercermos a nossa cidadania, mais de metade destas organizações torna-se inútil. 

 

Os recentes casos dos donativos para os incêndios e de instituições que direccionam os mesmos para outras origens que não a solidariedade repetem-se... Repetem-se e já são de longa data. Todavia, quando falamos de tratar estas instituições como empresas, nomeadamente "empresas sociais" este conceito e configuração legal provoca autênticos ataques de pânico na área. Contudo, muito do que se passa nestas organizações, não é diferente de uma organização empresarial, ou melhor não é diferente de uma organização empresarial na remuneração e acumulação de dividendos, o que não é mau se... Não utilizarmos a figura do social para camuflar um outro negócio.

 

A área social em Portugal é um colosso porque ao longo de tantos anos não procurou criar empowerment naqueles que apoia. É uma coisa muita portuguesa, devemos assumir, pois dar poder às pessoas para viverem sem o nosso apoio é o mesmo que assinar por baixo a nossa extinção e a queda do nosso poder sobre as mesmas e os portugueses adoram exercer o seu poder sobre outrem... Há quem defenda que ser solidário e ver os outros mal é uma forma de mostrar que estamos por cima -  eu não iria tão longe, mas...

 

A verdade é que assistimos ao engalanar de que são doados muitos milhões daqui e dali, mas depois não assistimos a uma clara demonstração dos resultados. Não há um controlo efectivo destes donativos (monetários e não monetários), a própria ex-Ministra da Admninistração Interna assumiu claramente essa situação com um semblante de quem se encontrava desarmada... E eu até entendo, porque ao explorarmos bem - no nosso concelho, na nossa região, no nosso país - facilmente percebemos quem é que está sempre à frente destas instituições e quais são os interesses que se movem... Além disso, experimentem também criar um projecto social sem envolver o vosso municipio ou as associações do concelho. Eu próprio já vi um projecto cair por terra porque um Técnico Superior do "social" (e como estes senhores adoram dizer que são do "social") que ficou muito zangado por não terem falado com ele primeiro para colocar também o nome, boicotou o mesmo - o conteúdo desse email foi lido à minha frente (pois era eu o promotor) pelo Vereador que tinha essa pasta, mas que não teria "poder" sobre o técnico... 

 

Acabar com esta situação não é difícil, passa por exercermos a nossa cidadania, sermos nós os produtores e os intermediários, seja individualmente, seja em pequenos grupos que nascem, fazem o seu papel e morrem assim que o objectivo está atingido, podendo até renascer caso se justifiquem necessidades futuras. Não podemos é contratar um outsourcing que não nos dá garantias nenhumas de como são aplicados os nossos donativos. Ainda esta semana, uma associação bastante conhecida, foi colocada em causa por uma pessoa que conheço e me lê, pois ao participar numa corrida, esta entregou o donativo e qualquer pessoa recolhia o mesmo, e sem direito a recibo. Quem nos pode garantir que este dinheiro vai ser bem aplicado? Quem controla esse dinheiro logo na fonte? E as desculpas da falta de meios, aqui não se aplicam! Encontramos muitas iniciativas, espectáculos, figuras públicas que até fazem espectáculos solidários (mesmo quando já não são precisos mais donativos), mas ninguém faz espectáculo com relatórios estruturados com a correcta aplicação dos fundos!

 

Também podemos defender muitas destas organizações salientando que fizeram isto e aquilo, contudo, mal seria se não tivessem feito algo, mas... E o que poderiam fazer? Temos de ser também mais exigentes com estas organizações, até porque muitas são apoiadas com dinheiro dos nossos impostos e até concorrem a fundos europeus, constituidos pelos impostos de todos os cidadãos da União!

 

Neste contexto, são também muitas as organizações empresariais que deixam de trabalhar com estas instituições. Cada vez mais a Responsabilidade Social Corporativa tem de passar por acções internas e na sociedade mas com uma intervenção directa das próprias empresas - salvo algumas excepções, o delegar desse dever em outrem, pode não só constituir um prejuízo para as mesmas mas também, no longo prazo, criar um sentimento de desconfiança e que prejudicará sempre aqueles que efectivamente necessitam e a própria imagem das marcas no mercado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_7763.JPG

Fonte da Imagem: Própria. 

 

Mas uma natureza medíocre jamais fará algo de grande, seja a um particular, seja a uma cidade.

Platão, in "República"

 

 

E Portugal continua a viver debaixo de uma intensa nuvem de fumo que parece até cortar a visão aos seus cidadãos...

 

Os fogos continuam a deflagrar! Na verdade, agora até podem deflagrar porque não estamos na burocratizada época de incêndios, por isso o impacte mediático é curto. Aliás, até podemos aproveitar a onda e vender o produto "Turismo Incendiário" para combater a sazonalidade. Fosse esta época tão quente como foi em alguns países e provavelmente muitos membros do Governo e o próprio Presidente da República já tinham sido chamados a responder onde está o "doa a quem doer", sob pena de serem pendurados numa varanda em Belém e São Bento. Mas os fogos também são uma mais-valia, que o diga o Presidente da Câmara de Pedrogão Grande que utilizou os mesmos (e o dinheiro do povo), para fazer campanha eleitoral. A verdade é que cometeu um crime, mas a diferença é que Isaltino Morais tem uma máquina melhor que a Comissão Nacional de Eleições no espaço mediático - um vende bem a promover-se, o outro beneficia do quase anónimato.

 

Contudo, apraz-me perguntar: podemos chamar de profissional e competente quem, vendo que o panorama climático não iria mudar, decidiu baixar a guarda perante uma calamidade que já se adivinhava? Há mais de 40 anos que os erros se têm vindo a repetir, Pedrogão (pelo grau de violência) seria o ponto de viragem. Todavia, não passaram três meses e os erros infantis de gente medíocre voltaram a repetir-se! Reduziram-se os meios, fecharam-se postos de vigia e fechou-se os olhos ao cataclismo. Os olhos só se voltaram a abrir porque alguns indivíduos vieram para a comunicação social, denunciar a incompetência e a imbecilidade de quem está à frente desta matéria, caso contrário, continuaria tudo na mesma - aliás, o próprio inapto Secretário de Estado com a pasta da protecção civil, veio dizer ontem que muitos meios seriam reactivados por causa das notícias dos últimos dias! Por causa das notícias, que mexem com a popularidade e não por uma necessidade! O país é gerido numa lógica de popularidade, mas sem um país, também não existirá popularidade...

 

E porque é que em muitas situações os meios aéreos só entram quando o fogo já atingiu dimensões incontroláveis? Não percebo de incêndios, é apenas a visão de quem está a ver o seu país a ser destruido por um vasto conjunto de indivíduos podres e que contaminam tudo o que ainda de bom subsiste, mas os meios aéreos não atingem o ponto maior de eficácia nos primeiros momentos do incêndio?

 

Entretanto o país arde... Mas o fogo dos portugueses já está mais focado no futebol... Desde que não ardam estádios, o resto pode arder e alguns vão assim assistindo ao fim de um país! Até os defensores do separatismo catalão, tiraram hoje o dia para se debruçarem sobre o futebol, excepto alguns que andam a dizer que a Catalunha é uma não questão para Portugal, mas até vão aplaudir uma hipótética declaração de independência in loco

 

Na verdade, a corrida ao melhor lugar na fotografia, levou a uma irresponsabilidade grotesca que terá consequências no médio-longo prazo. Não importa ser bom, importa estar nos grupos certos, nos meios certos e conhecer as pessoas certas... E aqui, é extensível a tantas outras áreas deste país... Talvez seja verdade o que alguns dizem: temos aquilo que merecemos - a ser verdade, que arda tudo e limpe de vez este povo do mapa, sobretudo o sentimento de impunidade e a incompetência camuflada de discursos e imagens bonitas... 

 

Porque não é passando o Natal em Pedrogão sob os holofotes mediáticos (óptima estratégia para aparecer numa época que politicamente tem pouca expressão nos media e passar a imagem do pai caridoso - estratégia muito comum em regimes ditatoriais) que os problemas das populações se resolvem: a prova é de que não foram coletes, nem donativos e muito menos selfies que evitaram um Setembro e um Outubro negros.

 

E para que não nos esqueçamos até ao Natal:

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lidia

O Fogo que Fala

O Fogo que nos Continua a Queimar

Chegou de Avioneta a Cobardia de um Povo

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios destes Dias

Sr Presidente, Não Somos Nada Bons

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha

Fires in Portugal: Our heros are not hust Football or TV Stars!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

por Robinson Kanes, em 04.10.17

money-fight.jpg

Fonte da Imagem: https://www.forbes.com/forbes/welcome/?toURL=https://www.forbes.com/sites/laurashin/2015/02/26/44-ways-to-make-more-money/&refURL=https://www.google.pt/&referrer=https://www.google.pt/

Para Onde Vai o Meu Dinheiro?

 

Esta é a pergunta que muitos de nós fazemos, contudo, também é uma pergunta para a qual nem sempre encontramos resposta.

 

Alguém, que não aguentou presenciar muitas das coisas que se passam na Assembleia da República, disse um dia algo como isto: "se o povo soubesse o que ali se passa rapidamente aí acorria e pegava fogo a tudo". Na verdade, quantos de nós sabemos para onde vai o nosso dinheiro, mesmo que numa estimativa muito "caseira"? Poucos, muito poucos.

 

Foi neste sentido que decidi partilhar a iniciativa "Where Does My Money Go?" que visa, embora de uma forma ainda pouco detalhada, alertar e informar os contribuintes do Reino Unido das despesas realizadas com os seus impostos. Basicamente, e segundo os promotores da iniciativa, o objectivo passa simplesmente por procurar promover a transparência e o engagement dos cidadãos numa lógica de visualização e análise da informação dos gastos públicos no Reino Unido. 

 

Talvez se, a nós portugueses, nos dissessem com clareza para onde vai o nosso dinheiro e também cada um de nós procurasse saber essa informação, fosse possível ter uma melhor aplicação dos nossos impostos ou então, muito provavelmente face a um primeiro impacte da informação, fosse criado um clima de guerra civil... É um longo caminho, pois quantos de nós têm realmente interesse em saber onde são aplicados os seus impostos? E quando as próprias instituições públicas não cumprem a lei nem as directivas do Tribunal de Contas e infringem claramente as regras não sendo transparentes na divulgação das despesas? Está em cada um de nós ser mais activo e assim exercer também o papel fiscalizador nestas matérias... Porque o dinheiro é nosso e é um bem escasso.

 

E a vocês? Interessa-vos realmente saber onde é investido o dinheiro dos vossos impostos? Se sim, como exercem esse dever?

 

P.S: por cá existe o http://www.base.gov.pt, tenho é dúvidas que seja assim tão frequentado pelos cidadãos. Aconselho a consulta, foi aí que já encontrei algumas situações, no mínimo, ultrajantes para o erário público (lembram-se de ter falado de uma situação aquando dos incêndios?). Não é um espaço perfeito, muitos contratos e adjudicações directas permanecem omissas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia...

por Robinson Kanes, em 28.09.17

IMG_0294.jpg

 Eva Gonzalès, Une loge aux Italiens (Museu d'Orsay)

Fonte da Imagem: Própria

 

Felizmente, mais que os heróis das redes sociais, mais do que os sentimentalistas de blogs, mais que os solidários da televisão e das artes, existem anónimos que fazem a diferença, aliás, são eles que fazem a diferença, os outros só aparecem.

 

É também por serem anónimos que não vou revelar mais da identidade destas duas pessoas que vou elogiar (elogiar, em Portugal? Não, não perdi a cabeça, não lhes pedi nenhum favor e não quero ganhar nada com isto), até porque os mesmos não iriam querer essa exposição. Estamos perante uma história verídica.

 

O Dr. Vasco, eu sei que não sou pessoa de tratar outros por títulos e o Dr. Vasco nunca fez questão que eu o fizesse - no entanto, existem pessoas que fazem questão de ser tratadas pelo título e outras cuja educação, respeito, ética, profissionalismo e postura nos fazem automaticamente assumir o título, mesmo que, academicamente nem fossem dignos de tal, o que não é o caso. O Dr. Vasco e a D. Lídia são um casal anónimo que não fala, não escreve e muito menos procura protagonismo com causas solidárias, contudo, o Dr. Vasco e a D. Lídia tiveram num Verão, uma viagem na ordem dos 3000-3500 euros agendada para fora das nossas fronteiras.

 

Ao verem o país a arder, sobretudo a sua região, o Dr. Vasco e a D. Lídia decidiram negociar com a agência e doar todo o dinheiro para a causa dos incêndios! Obviamente que não foi através de associações. Segundo o Dr. Vasco e a D. Lídia não se sentiam bem consigo próprios pelo facto de andarem a passear por aqui e por acolá deixando para trás um país em chamas, por sinal o seu. Não se sentiam bem por verem indivíduos conhecidos com o coração nas mãos enquanto bebiam um refresco em algumas das praças mais belas do mundo.

 

Uma história simples que não precisa de mais floreados e cujo testemunho o tive na primeira pessoa... Um exemplo de cidadania, demonstrativa de que, para além do folclore mediático os verdadeiros heróis são anónimos e andam espalhados por esse país fora. Cabe-nos a nós, demais anónimos, encontrá-los, valorizá-los e exaltá-los ao invés de perdermos muito do nosso tempo a bater palmas a indivíduos ocos e patrocinados pelo compadrio político e/ou mediático. No vosso dia-a-dia, inclusive, não faltam esses anónimos, hoje elogiem-nos, dêem-lhes um abraço e convidem-nos para tomar um café.

 

P.S: e praticamente em Outubro, ainda estamos à espera das responsabilidades ou de desenvolvimentos visíveis acerca dos incêndios do Verão... "Doa a quem doer"... Mais importante que passar um Natal mediático em Pedrogão é a justiça!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Jovem Que Não Quer Largar as Saias da Mãe.

por Robinson Kanes, em 07.09.17

79d0fd3f-7a11-4b4d-8b67-e2a2d3d36546-original.jpg

Fonte do Gráfico: Cálculos da OCDE baseados em EU-SILC, HILDA (Australia), SLID (Canada), CASEN (Chile), HLFS (Nova Zelândia) e CPS (EUA). Dados publicados em "Society at a Glance" 2016, (figura 3.10).

 

Que os jovens portugueses, como bons latinos da Europa, gostam de viver em casa dos pais até mais tarde é um facto. Todavia, segundo os dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), Portugal é dos países onde a taxa é assustadoramente maior, ou seja, 75% nos jovens entre os 15 e os 29 anos. Não será de estranhar, sobretudo num país onde são poucos aqueles que arriscam ir à luta sem muletas.

 

Não me cabe a mim analisar os motivos que podem ser de vária ordem (abordarei apenas superficialmente mais para o fim), no entanto, devemos pensar que estes números não trazem uma boa mensagem, sobretudo se aos mesmos nos fosse possível adicionar aqueles "jovens" que vivem sozinhos ou numa relação (casamento e existência de filhos incluídos) com a ajuda dos pais.

 

Portugal, nestes números, só é ultrapassado pela Itália (tradicional país onde os filhos "morrem" em casa dos pais e com números a rondarem os 81%) e muito ligeiramente pela Eslovénia, Grécia e Eslováquia, todos com taxas na ordem dos 75%. Se tivermos em conta que a média da OCDE é de 59%, estamos realmente a viver demasiado tempo em casa dos nossos pais. Uma nota para o Canadá e países nórdicos que apresentam taxas entre os 38 e os 31%.

 

Um destes dias alguém me dizia acerca dos indivíduos entre os 20 e os 40 (não vou utilizar rótulos geracionais): "estas gerações se não tivessem tido os pais a usufruir dos anos de bonança ou a trabalhar no duro para os sustentarem já nem existiam". Aliás, acrescentou mesmo que a faixa dos 40-45 não andava muito longe dessa realidade também. Eu dou alguma razão e também acrescento um efeito de acesso a coisas que outrora não existiam e que hoje são "obrigatórias". Como exemplo, recordo-me do meu pai e os mais velhos me dizerem que sem esforço nada se consegue. Se utilizar esse discurso hoje sou apedrejado...

 

Será que aquilo que leva os jovens a ficar em casa até tão tarde é somente por incapacidade total para terem uma vida independente? Será por preguiça? Será por razões económicas? Neste último não me abstenho de incluir que a razão económica possa revestir a ambição de atingir um patamar de bem-estar superior à sua realidade. É um tema interessante, sobretudo porque alguém me dizia também, acerca de alguns indivíduos com responsabilidades profissionais sobre outros, que "quem não consegue viver sem os pais ou a equilibrar a vida sem bengalas nunca estará preparado para conduzir seja o que for de forma autónoma".

 

São questões às quais cabe a cada um de nós reflectir e responder... A minha declaração de interesse é de que não permito qualquer ajuda da minha mãe (as "discussões" são hábito neste campo), até porque esta foi a responsável, com o meu pai e com a minha irmã, pelo meu sustento durante a minha infância. Além disso, tenho-lhe uma divída enorme que foi o apoio que me deu durante o meu primeiro curso. Se às vezes custa? Custa! Mas é o preço a pagar por dizer que sou independente (sem pontas soltas). Se às vezes custa? Já dizia um conhecido banqueiro: "Ai aguenta, aguenta"...

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

AAEAAQAAAAAAAAjbAAAAJGUxYTJiMTU4LWRhZmUtNGY0NC05M2

 

O conceito está na "moda" e tudo é Empreendedorismo Social... erradamente. Além de que é necessário sair à rua e observar...

 

Entrando nesta matéria, importa perceber como podemos trazer ao Empreendedorismo  uma componente social. A diferença entre os dois conceitos é praticamente nula, ou seja acresce a componente de que o Empreendedorismo Social assenta sobretudo na missão social, ou se quisermos, um campo de actuação social.

 

Drayton, considerado o “pai” do Empreendedorismo Social e fundador da Fundação Ashoka, organização que junta e premeia empreendedores sociais por todo o mundo, defende estes como sendo indivíduos com ideias inovadoras e que permitem a solução dos problemas mais prementes da sociedade. Os empreendedores sociais são ambiciosos e persistentes, procuram não deixar as questões sociais para o Estado ou para o sector privado. É deste modo, encontram formas de trabalhar e resolver os problemas - mudando o sistema, espalhando a solução e abrindo os horizontes da sociedade (Ashoka, 2015).

 

 

Drayton aponta também uma questão essencial nos dias de hoje, afirmando que o Empreendedorismo Social é um excelente exemplo de gestão e adaptação aos actuais tempos de mudança:

 

Uma organização que trabalhe segundo as convenções hierárquicas do passado não estará habilitada para funcionar num mundo em constante mutação. É um modelo obsoleto. Não importa se actua no sector empresarial ou social, a questão da mudança está sempre presente e não importa o tamanho da organização (Drayton, 2015).

 

A visão da Schwab Foundation for Social Entepreneurship não difere muito da Ashoka na medida em que vê o Empreendedorismo Social como a aplicação de abordagens sustentáveis e práticas inovadoras que beneficiam a sociedade em geral, com especial ênfase nos mais desfavorecidos (Schwab Foundation, 2015). Aliás, a definição da Schwab vai mais longe e define o Empreendedorismo Social como um

 

termo que captura uma abordagem única aos problemas económicos e sociais, uma abordagem que é transversal a diversos sectores e disciplinas e que assenta em determinados valores e processos comuns (...) independentemente da área deste ou daquele (empreendedor social) e de se tratarem de organizações cuja base é lucrativa ou não lucrativa (idem).

 

Se por um lado o Empreendedorismo Social pode ser visto como algo semelhante ao empreendedorismo por outro só é possível com a operação centrada na comunidade e voltada para o suporte e ajuda desta mesma comunidade, estando menos focado na obtenção de lucros (Thompson, 2002:431).

 

Todavia, continuamos com a questão prática por definir. A mesma parece incidir mais uma vez sobre as motivações, ignorando a questão operacional. Este alerta é dado, sobretudo quando o indivíduo é o grande visado e, no fundo, o detentor da visão de mudar o mundo. Muitas são as organizações de Empreendedorismo Social que assentam na figura dos indivíduos, confundindo-se muitas vezes com os próprios e, em alguns casos, são estes mesmos indivíduos que pela sua persistência não só de liderança, mas até de visão levam ao fim destes empreendimentos.

 

São quatro os pontos críticos no que concerne a esta matéria e indubitavelmente levam a consequências nefastas no seio das organizações :

  1. o culto da personalidade;
  2. o foco no indivíduo e nas suas competências esquecendo outros que o podem completar no seu processo de gestão;
  3. o foco na ideia e não o trabalho da própria ou mesmo de outras (aparentemente não é preciso “inventar a pólvora”);
  4. o foco nos sobreviventes, ou seja a ausência de estudos sobre os projectos falhados e que permitiriam melhorar o acompanhamento e a gestão destas empresas (Light; 2006).

 

O Empreendedorismo Social nasce por intermédio de uma necessidade da comunidade ou indo mais longe até da própria sociedade. É, apesar de tudo, primordial  ter em conta que a sua actuação é colectiva e é neste sentido que não pode cair na tentação de ser um caminho de egos ou até de grupos de indivíduos cujo interesse está aquém do objectivo fundamental do projecto.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

ONG, bom ou mau?

por Robinson Kanes, em 19.10.16

refugee.jpg

 

Como é que se fala com uma ONG (Organização não Governamental)? Costumo colocar esta questão múltiplas vezes e chego à conclusão que existem ONG’s que fazem um papel extraordinário e com impactes directos e indirectos na vida dos cidadãos ou animais... mas...

 

... existe uma grande massa de ONG’s que provavelmente existe porque... simplesmente existe... ou é uma óptima forma de promoção dos seus “associados” ou, em último caso, piscam o olho ao tão desejado subsídio.

 

Falo de algumas experiências que me chegaram de colegas e amigos que sempre que tentam o contacto com algumas destas instituições obtêm um silêncio que se arrasta por emails e emails, sem esquecer os telefonemas e um “simpático desprezo”... também já passei por tal.

 

Experimentem, muitos de vós conseguir um emprego, mesmo quando é raramente publicitado, em algumas destas organizações e... vejam o resultado.

 

Eu quero acreditar que estão todos na rua a ajudar o próximo e não dispõe de tempo para responder àquele que lhes remeteu um email à procura de emprego, ou simplesmente quer apresentar um projecto. Em alguns casos, até para se ser voluntário é uma aventura e... em muitas delas é importante estar-se bem relacionado. Ainda me recordo de um episódio ocorrido durante um jantar em que falando de voluntariado fui abordado por um amigo que imediatamente se prontificou a arranjar aquela cunha na instituição “y”... segundo ele era uma óptima forma de entrar na política e fazer o tão aclamado... personal branding.

 

Pergunto-me, para que servem? Porque existem? Se têm um fundo de apoio social cultural ou cívico, porque não prestam retorno perante a abordagem de terceiros? Falta de meios poderá ser a resposta... sim, mas a falta de meios servirá de desculpa para não olhar, ou ignorar potenciais projectos que podem mudar a vida de muitas pessoas ou até de regiões inteiras? Não é esse o trabalho destas instituições?

 

Mas alguns poderão afirmar: “algumas delas até fazem alguma coisa”. Sim, fazem. Mas em tempos de escassez de recursos, sobretudo económicos, não seria interessante aplicar os fundos em projectos cujo impacte justificasse a intervenção? Schindler dizia que “quem salva uma pessoa, salva o mundo”... de facto, mas o contributo de 10 milhões ao invés de ser aplicado para a salvação de 1000, deve continuar a ser aplicado na salvação de 1? São questões com as quais vamos ter de nos debater mais cedo ou mais tarde.

 

Os recursos são escassos e a solidariedade dos cidadãos começa a ser cada vez menor devido à ausência de resultados visíveis que vão além de campanhas que promovem o “ajudamos X pessoas” mas por aí se perdem.

 

Não deverá também o cidadão exigir mais destas instituições, nomeadamente em termos de apresentação de resultados e que vão para além de balanços e demonstrações (o que já é algo), muitas vezes revestidos de manobras contabilísticas?

 

Não deverá, em muitas situações, o cidadão exigir um trabalho com mais empowerment ao invés do perpetuar de situações de pobreza, decadência ou deterioração com medidas paliativas que só prolongam a situação até ao colapso final?

 

E os cidadãos? Em que medida podem trabalhar bairro a bairro, comunidade a comunidade, para eles próprios serem agentes geradores de mudança?

 

(imagem: Steps of Justice, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB