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Recursos Humanos: Os Suspeitos do Costume.

por Robinson Kanes, em 04.12.19

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Créditos: https://www.dicionariopopular.com/facepalm-meme-emoji/

 

 

Existem muitos truques que permitem a ascensão e o reconhecimento profissional de nulidades encartadas. Um pouco como aqueles indivíduos que aparecem do nada em televisão, jornalismo ou cinema e depois de nos serem impingidos e terem sucesso, é que vão ter formação para aquilo que estão a fazer. Ou então aqueles que para venderem o seu produto/pessoa dizem que vão à televisão, como se isso pudesse superar qualquer curriculum vitae.

 

É algo que também acontece na função pública e em muitas organizações privadas: o importante é entrar na organização, ocupar determinado cargo e depois pensa-se na formação e nas competências. Os resultados? Se a equipa for boa, eles acontecem. Desde que estejam a ocupar as suas funções enquanto eu vou ao cabeleireiro, não há como falhar, mesmo que seja fora do horário de trabalho destes, forço-os a ficar e pronto. Portugal, ou grande parte dele, portanto...

 

Mas uma das tácticas mais conhecidas não dispensa um certo estrelato. Quem é que nunca ficou com a sensação de que são sempre os mesmos em determinadas áreas e cargos a aparecerem em conferências, redes sociais e a vencer concursos disto e daquilo? Quem é que nunca ficou com a sensação de que aquele (e isto é um exemplo) director de recursos humanos sem autoridade ou que é uma nulidade hoje, amanhã está a receber o prémio de excelência da área, a dar palestras todos os dias e a escrever sobre tudo e sobre nada. E então quando as políticas que implementa estão debaixo de fogo mediático...

 

Alguns, nomeadamente aqueles que rapidamente vão realçar o seu lambe-botismo com comentários vazios e a aspirar a uma ascenção profissional não darão por isso. Ou darão e só querem apanhar o comboio do personal branding.

 

No entanto, existem outros que já deixaram de acreditar em tudo o que lhes aparece à frente e até já nem frequentam os habituais congressos, feiras, palestras, galas onde se fala de tudo e de nada e cuja aplicabilidade prática não é demonstrada - opto por nem mencionar o dizer-se uma coisa e fazer-se outra totalmente diferente fora dos palcos. Quando muito servem para o networking e aí é uma falha minha... Só gosto de distribuir business cards para gerar negócio e não para colocar o meu interesse pessoal à frente do resto! No dia em que isso acontecer, carta de demissão, e nada como me dedicar à procura exaustiva de emprego.

 

Mas toda esta conversa para dizer que num país de corporativismos e aldrabice (sim, censurem-me, não é uma palavra que saiu) como é Portugal, é fácil ganhar prémios e ser reconhecido, não raras vezes, por aquilo que não se faz. Um exemplo para a ascensão pode ser estar dentro de uma associação ou de uma comissão de honra ou advisory board ou lá o que lhe quiserem chamar - nunca vão a nenhuma reunião, mas o vosso nome aparece no website e na comunicação e está feito, rapidamente são reconhecidos como profissionais de excelência. Uma nota: também existem entidades que usam profissionais de excelência para se catapultarem...

 

Outra são os prémios, se existem prémios que são bem atribuídos, também sabemos que é fácil conhecer este e aquele que faz com que ganhemos aquele prémio tão desejado, sobretudo se quisermos um novo emprego ou reconhecimento. Uma troca de favores e uns contratos aqui e acolá e temos um vencedor na categoria de aldrabice. Então se fizermos parte dos grupos que surgem sempre em determinadas revistas de algumas áreas, é certo que o sucesso está garantido. Não faltam revistas, publicações e até associaçõess que são meros canais de divulgação e exaltação deste e daquele indivíduo cujo culminar acaba com grandes prémios. E tudo isto se paga, quer em favores quer em outras coisas mais... E tudo isto é aplaudido por muitos que nem se dão conta como se movem estes mundos e outros que só querem entrar nos mesmo pelo papalvismo primário.

 

Ainda me lembro de um que ao mesmo tempo que falava de boas práticas e ética numa palestra vazia de conteúdo, tinha acabado de lançar um livro e surgia como um grande exemplo mas nessa mesma manhã as notícias davam conta de um caso vergonhoso para a organização e para o país e onde além de ter pactuado com, ainda tinha sido beneficiado...

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Agora!

por Robinson Kanes, em 13.11.19

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Imagem: Robinson Kanes

 

 

Há a felicidade simples de estar ainda em vida e mais do que tudo, o amor, da vida, partilhada com os que ama enquanto lhe for dada. Não será a vida o dom inaugural.

Paul Ricouer, in "Vivo até à Morte"

 

 

Existem momentos em que não queremos esperar. Existem momentos em que não queremos saber de nada e do próprio nada de viver. Esgotamos na nossa vontade de querer quebrar todas as regras e simplesmente procuramos a harmonia no descontrolo das emoções.

 

Existem momentos em que simplesmente somos só nós, eventualmente alguém a nosso lado e o mundo e a natureza levada à profundidade do nosso sentir onde a sua exaltação é tal que rebenta sobre diferentes contornos! Um grito, um silêncio, um sonho de amor ou até na comunhão intensa entre o nosso corpo e o de outrem, ou apenas entre o nosso ser e o cosmos, entre o pó, entre as areias e todas as partículas que sou eu e que se fundem no passar dos dias até recolherem ao solo e voltarem com novo impulso.

 

Serás um homem novo, não serás nada... Vive agora, apaixona-te, vence e diz o que tens a dizer, entrega-te e não desperdices tempo nessa sede de viver. Arranca as tuas roupas, entrega-te ao amor, abraça como nunca abraçaste, ama como nunca amaste, entrega-te languidamente à luxúria e deixa que nesse momento dois corpos sejam um. Deixa que os gemidos inundem o universo e o grito da paixão ecoe pelo cosmos navegando perdido durante milhões e milhões de anos! Deixa que essa união pura e sem metafísicas preencha a terra da vossa exsudação e que ambos transpirem, transpirem numa união entre tudo e o nada.

 

Serás um homem novo, não serás nada... Viverás como todos os outros, morrerás como todos os outros. Não procures deixar história, essa história não te vai alimentar quando só de pó e de terra a tua boca se saciar.  Não procures deixar história quando já ninguém se lembrar de ti e fores apenas o nome de uma rua ou uma pequena menção num livro. Não procures deixar história quando as tuas cinzas se sumirem naquilo que do mundo resta e não se vê. Não procures ser história na morte.

 

Cria e recorda a tua história agora, cria a tua história vivendo essa mesma história. Não temas o passado, não te inquietes com o futuro, o teu passado e o teu futuro são agora... Só agora, enquanto os teus braços voam, enquanto o teu sorriso é genuíno e enquanto o teu ser efémero é real, enquanto está no arrebatamente de sentir e de tocar. Entrega-te ao mundo enquanto ainda não és uma criança dataísta, não és uma criação de ti próprio na destruição do que tens de humano!

 

Cria, sente, sê e vive tudo, agora!

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Ruído de Vizinhança - Uma Praga que "Mata"

por Robinson Kanes, em 12.11.19

Willem Witsen - De Voorstraathaven in Doordrecht (

Willem Witsen - De Voorstraathaven in Doordrecht (Rijksmuseum)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

 

Mas realmente, basta um, que mantenha a cidade obediente, para executar tudo aquilo em que agora não se acredita.

Platão, in "República"

 

Portugal é daqueles países em que existe a tradição de produzir muitas leis, o que leva ao velho problema das mesmas serem uma obstrução à própria justiça e ao próprio bem-estar entre os cidadãos. Uma das leis está relacionada com o ruído de vizinhança que, raras vezes, tem um efeito disuasor sobre quem pratica actos que prejudicam os demais.

 

O ruído de vizinhança ainda é um tema tabu, mesmo que afecte uma vasta camada da nossa população. Os efeitos são nefastos, quer em termos de produtividade quer em termos de saúde mental e ambiente familiar. Não são raros os casos, e não preciso de recorrer a estudos, em que famílias se desintegram, têm problemas de sono e de stress e cuja produtividade no trabalho sai claramente afectada.

 

Na realidade, se em Espanha nos podemos queixar do ruído nas ruas (e não é em todas as cidades), por Portugal podemo-nos queixar do ruído dentro dos apartamentos - existe uma clara sensação de impunidade de muitos (muitos mesmo) portugueses em relação a esta matéria, até porque as autoridades policiais pouco mais podem fazer do que levantar autos, quando o fazem. Os casos que chegam aos tribunais tornam-se morosos e dispendiosos e as coisas ficam como estão. 

 

A impotência dos lesados é tal que existem milhares de casos em que a saúde mental é afectada de tal forma que o acompanhamento médico é recomendado ou então o velho e estúpido recurso (tão português) do "quem está mal muda-se". 

 

Indivíduos cujo volume da música parece a de um festival de verão, indivíduos que falam/gritam alto independentemente de ser dia ou noite, o arrastar constante, as jantaradas com o pretexto do "é fim-de-semana" e as crianças ("afinal são crianças") que correm e gritam sem que os pais façam algo são apenas alguns dos exemplos que podemos ver por aí. Também não são raros os casais que ficaram a "odiar" crianças por motivos relacionados com o ruído. Em Portugal já estamos a ter o reflexo da infantocracia vigente, mas também é tema tabu e ai daquele que se atreva a falar sobre isso...

 

Recordo também as abordagens para que se faça silêncio e do outro lado surge uma reacção hóstil. No entanto, também ocorre o contrário e perante determinados exageros e inacção da justiça, não são raros os casos de aplicação da "lei de Fafe". Sou totalmente contra, mas se nos colocarmos na pele do condenado de Victor Hugo talvez consigamos nutrir alguma sensibilidade em relação a este.

 

Não somos um povo com respeito pelo próximo, é um facto. Estamos a perder a noção do que é viver em comunidade e temos a lógica do "eu primeiro, os outros que se danem" e isso tem consequências na nossa sociedade.

 

Associada a estas questões, junta-se a má construção do parque habitacional. Agora preocupa-nos em ter casas, sobretudo nos concelhos do Barreiro, Moita e Seixal que possam estar isoladas ao ruído por causa de um hipotético novo aeroporto (ridículo), mas não nos lembramos de inspecionar e punir os construtores que, mais uma vez à boa maneira portuguesa, se esquecem que as casas precisam de isolamento acústico e térmico. Em termos pessoais, também nunca percebi a paixão dos portugueses por pavimento flutuante e parquet, que afinal nada isolam e são um enorme foco de ruído.

 

Finalmente, temos uma outra questão que são as autorizações dadas a alguns estabelecimentos para que exerçam a sua actividade em prédios habitacionais. E estabelecimentos desses nem são os tradicionais cafés mas, por exemplo, os infantários ou a praga de infantários disfarçados de centros de estudo - porque de outro modo não teriam autorização da Segurança Social e dos municípios. Até deixo um conselho, se querem acabar com o ruído destes e até encerrar os mesmos, nada como a queixa na Segurança Social antes do município. Muitos destes casos existem, mais uma vez, porque o compadrio é parte da nossa sociedade e quem conhece o amigo do amigo... Dou um exemplo que uma câmara municipal autorizou uma salão de festas num prédio habitacional! Um salão de festas no R/C de um prédio com cerca de 4 pisos!

 

Com tantos partidos preocupados com a natureza, os animais e os cidadãos (será que algum o é?), que aprovam leis à pressa e com maus resultados tal é a ausência de uma análise profunda, estranho que ainda nenhum se tenha debruçado sobre este problema que afecta em muito a qualidade de vida dos portugueses. Há quem diga que os deputados não têm este tipo de problemas... Compreendemos o porquê.

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Teerão: A Cidade de Onde é Difícil Sair

E não é só por causa do trânsito...

por Robinson Kanes, em 07.11.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O calor aperta, em Teerão aperta bastante e um dos taxistas que vamos conhecendo diz-nos que ainda não é nada. A tarde começa a mostrar a força da poluição, em algumas zonas é impossível respirar - onde é que já vimos isto.

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As ruas continuam pejadas de carros e de gentes - uns em trabalho, outros simplesmente deambulando. É notável como se sente o conhecimento que também habita este povo. Este povo que faz questão de se assumir como persa e que não precisa de engalanar um facto que está à vista: a inteligência, o saber e a forma de estar. 

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Dirigimo-nos agora para o Palácio de Sadabade, mais a norte da cidade. Ainda voltamos a passar por um dos pontos de referência para quem se desloca na mesma, a Torre Milad. O taxista, numa cidade onde não faltam taxis e é habitada por 10 milhões de pessoas já é um conhecido, encontrámo-lo por mero acaso em Tajrish e foi uma alegria ao ver-nos! Pelo caminho vamos vendo entrar e sair passageiros, em Teerão também é assim e sempre fica mais barata a viagem. Inesperado é também o facto dos transportes públicos terem áreas (e até carruagens no caso do metropolitano) separadas para homens e mulheres mas dentro de um taxi ter circulado várias vezes quase abraçado a muitas mulheres - as coisas estão a mudar.

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Mas o Palácio de Sadabade? Sim, entre jardins (não fossem os persas uns autênticos mestres na arte) encontramos um edifício moderno mas bem decorado, foi aqui que viveu o último Xá da Pérsia com a família. Mohammad Reza Pahlavi deixa-nos esta herança que já vinha dos Qajars e desde o seu abandono em 1979, ficou um complexo ajardinado com vários palácios, edifícios museológicos e governamentais, inclusive o palácio presidencial.

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Gostamos de estar aqui, respira-se ar puro, é bom ventilar os pulmões em Teerão e além disso as montanhas já estão perto. Passamos pela "Embaixada" dos Estados Unidos que não é mais que uma memória histórica da crise dos reféns americanos de 1979! Praticamente intacta, transporta-nos para aqueles dias e onde é inevitável a propaganda anti-americana. Salvo uma situação ou outra, não vamos encontrar no Irão propaganda anti-ocidente em tudo o que é local, ao contrário do que é transmitido por algumas publicações. Nota-se sim uma presença ainda forte da memória da guerra Irão-Iraque e dos mártires da mesma, inclusive no cinema e na televisão.

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Mais um taxi, mais uma viagem onde conseguimos por meio de gestos chegar à "fala" com o condutor pois a música que este ouve é fantástica - indica-nos duas boas rádios que prontamente registamos e até nos daremos, mais tarde, ao desplante de pedir aos taxistas que sintonizem as mesmas. Chegamos ao Grand Bazaar, queremos percorrer novamente a cidade mas não deixar para trás a visita à Mesquita Shah ou Mesquita Soltani.

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O relógio e os minaretes compõem o edifício e dão uma alma especial a uma praça onde comerciantes e clientes se misturam num ponto de passagem obrigatória, mesmo para os locais. Ficamos a sabe, em conversa com um iraniano, que este espaço, da era dos Qajars é histórico na medida em que foi aqui que se deram os primeiros passos para a Revolução Iraniana de 1905.

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Esta revolução teve as suas raízes depois da humilhação de alguns comerciantes acusados de serem os culpados pela especulação em torno do aumento do açúcar e que, além do encerramento do Grand Bazaar, levou à revolta de todo um povo. Foi também quando se dirigia para esta mesquita em 1951, que foi morto Haj Ali Razmara, primeiro-ministro do Irão, quando se dirigia para o funeral do Aiatola Feyez e que acabou por gerar mais um período complexo na história do país.

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Estamos cansados e Teerão ainda tem tanto para ver e sobretudo para sentir...

 

Amanhecer em Teerão

Teerão - A Metrópole da Pérsia

 

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Halloween? Not!

Importar para Destruir...

por Robinson Kanes, em 04.11.19

Jean Baptiste Greuze - La Malédiction Paternelle.

 

Jean Baptiste Greuze - La Malédiction Paternelle (Musée du Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

Agora que a febre do "Halloween" já passou, penso nos efeitos do mesmo nas nossas crianças e sobretudo nos nossos adultos.

 

Espanta-me que, mais uma vez, Portugal tenha abdicado da sua identidade para ceder a uma importação fraca de uma prática que em nada está relacionada com a nossa forma de estar. Enquanto o México (e não é fácil com os Estados Unidos tão perto) luta por manter a sua tradição do Dia(s) dos Mortos (1 e 2 de Novembro) transformando-a até em atractivo turístico, por cá apagamos a memória, e não é a memória religiosa mas a memória de um povo. Ainda esta semana recebi um vídeo de um amigo mexicano que mencionava claramente a necessidade de não se confundir o "Dia dos Mortos" com o Halloween.

 

Fui criado em seio católico mas estou longe de me afirmar como tal... No entanto, não é por não ser católico que não celebro o Natal, a Páscoa e se quisermos o "Dia dos Mortos" ou "Dia de Todos os Santos".  Muitas das celebrações do cristianismo nem são mais que meras apropriações de práticas bem mais ancestrais e que de religiosas tinham pouco. Durante muitos anos, lembro-me que este era um dia para ser celebrado com a família, com alegria sim, mas recordado quem não estava. 

 

A verdade é que trocámos um momento de reflexão (reflectir, esse bem escasso), paz e até de recordação daqueles que já não estão cá por fantasias de terror e um cravar de doces que pouco ou nada significa, aliás, em muitos casos até reveste contornos de "vandalismo" com carros e casas que são alvos de brincadeiras menos próprias - afinal é "Halloween" e são crianças. Não!

 

Não explicamos às nossas crianças (e aos adultos) o porquê, independentemente de sermos religiosos ou não,  a importância de um dia como este! Não procuramos preservar o chamado "Pão por Deus" (seja lá Deus o que for) e o quão essa prática era importante na dinâmica de comunidade e até de estabelecimento de laços de vizinhança sólidos. A verdade é que vestimos as nossas crianças de mortos com uma facilidade tremenda, a mesma com que mudamos de canal ou ignoramos quando vemos cadáveres na televisão ou até ao nosso lado - a não ser que alguma imagem se torne viral e aí todos nos tornamos seres sensíveis. Somos os mesmos que afastamos as nossas crianças dos funerais quando alguém morre - a avó foi fazer uma viagem! Somos os mesmos que fazemos um frete em ir ao funeral de...

 

No fundo,  ninguém retira nada disto a não ser uma carga de açúcar e uma brincadeira que ninguém sabe muito bem para que serve. Espanta-me, por exemplo, que algumas escolas e infantários façam um alarido com o "Halloween" e pouco ou nenhuma importância atribuam à Páscoa, ao Dia de Portugal ou até ao Dia Mundial da Criança.

 

Temos de nos recordar que, sendo portugueses (e seres-humanos) temos uma identidade, temos uma forma de estar e até um humanismo e sentido de comunidade (?) que não é trocado porque meia-dúzia de indivíduos ou instituições decidiram, à pressa, substituir práticas intrínsecas e enraizadas durante séculos. Provavelmente até estamos a conseguir uma coisa com o "Halloween" e que reveste o terror, de facto - o terror que é matar o que de humano ainda nos resta.

 

Uma nota que me parece também interessante é o facto de que aqueles que até "são contra" estes dias por terem uma matriz religiosa (o que nem sempre acontece) serem os mesmos que depois o substituem por uma prática puramente mercantil e da qual também são acérrimos criticos.

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Manhã de Sábado em Belém...

O Chulo e o Provinciano...

por Robinson Kanes, em 28.10.19

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Claude Monet - Regates a Argenteuil (Musée d'Orsay)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Doca de Belém... O sol brilha, é Sábado de manhã... Eu não estou a fazer nada, apenas a aproveitar esta luz fantástica enquanto vejo turistas e mais turistas com camisolas falsas de grandes estilistas e com sacos dos pastéis de belém. No meio da azáfama, tento pensar numa estratégia para um projecto avançar. 

 

Viatura estacionada junto às linhas que permitem a passagem daquele carro anfibío que anda pela cidade e respeitando as indicações da Autoridade Portuária. Penso... Penso no projecto. As viaturas vão-se avolumando e a minha viatura acaba por ficar, hipotéticamente a ocupar dois lugares. 

 

É nesse momento que surge um digno trabalhador deste país, vulgo arrumador ou como se encontra nos estatutos da Real Federação Portuguesa de Arrumadores de Viaturas (RFPAV): Chulo! Com uma distância de segurança, profere as seguintes regras do espaço:

 

- Podia mexer carro e tirá-lo daqui, está a ocupar dois lugares e assim a malta não consegue estacionar e eu não posso fazer o meu trabalho. Assim não dá, um gajo não anda aqui a brincar, ests gajos não respeitam ninguém.

 

Penso que o meu olhar pelo espelho foi esclarecedor, porque o indivíduo não mais palavras proferiu. De facto, confesso que me arrisquei, porque a Polícia Municipal, com a gestão do trânsito no local, estava mesmo ali ao lado a presenciar e o nosso profissional da calanzice poderia chamar as autoridades e quem ficava mal era eu. Realmente, esta falta de cidadania...

 

Devo admitir, e por isso peço desculpa, por me ter comportado de modo pouco civilizado e ter gozado com o trabalho dos outros, que é um trabalho louvável, importante para o bem-estar dos cidadãos e para a mobilidade urbana. Aliás, a minha atitude ainda foi mais reprovável na medida em que não lhe dei uns trocos... Muitos trocos! Sim, porque quem estava a pagar rapidamente ouvia o comentário "não tem mais qualquer coisa?". As pessoas andam a trabalhar e têm de ser remuneradas pelo seu trabalho! Uma vergonha, e por isso, publicamente peço desculpa aos legais profissionais do gamanço deste país.

 

Entretanto, e porque Belém é Belém... Escuto isto vindo daqueles indivíduos que até pensam que o facto de viverem na cidade os torna mais "elegantes":

 

- Epá, não sei, eu vou almoçar à EXPO, comer um peixinho, lá é que se come bom peixe, mas vocês é que sabem. Tem de ser, sabes como é... Eh... Eh... Eh... (Eh... Eh... Eh... aquele tipíco Eh... Eh... Eh... do "estás a ver Zé, isto é que é qualidade de vida, isto é que é viver à grande").

 

E nisto, depois do seu ar de pedante sai uma real escarreta para o chão (daquelas que até estalam e parecem santolas quando tocam no chão) e um "pois é cara...". Homem digno, fino e distinto, que come peixe do melhor na EXPO e usa corta-vento náutico para passear junto à doca quando faz um calor que não se aguenta... Que diga palavrões, cuspa no chão, que não saiba sequer remar e ande de corta-vento num dia soalheiro e sem vento só porque está junto ao Tejo, nem é grave... Já é um hábito! Mas caramba, peixe bom na EXPO? Irra! Realmente o que são os restaurantes de Setúbal, Sesimbra, Montijo, Alcochete, Guincho e Ericeira comparados com a EXPO! Esta é imperdoável!

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O Objectivo 12 - Consumo e Produção Responsáveis

por Robinson Kanes, em 21.10.19

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Créditos: https://www.bt.undp.org/content/bhutan/en/home/presscenter/articles/2016/08/12/engaging-youth-to-eradicate-poverty-and-ensure-sustainable-consumption-and-production/

 

 

A meta 12 é um dos 17 objectivos que fazem parte dos "Objectivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável". Este objectivo, mais do que um trabalho para os governos e instituições internacionais, é acima de tudo um apelo à cidadania e até ao carácter democrático da mesma.

 

A verdade, sempre relembrada pelas Nações Unidas,  e que não é novidade, é o facto do nosso planeta ter uma extrema abundância de recursos naturais. No entanto, os mesmos não são utilizados de forma responsável e, como os recursos são finitos, todos sabemos como acaba - uma das grandes metas da economia, a gestão de recursos finitos, adulterou-se e agora temos graves problemas pela frente. 

 

Mas caberá o papel de mudar as coisas somente às autoridades governamentais? Será que estas são matérias que só ao nível estatal poderão ser abordadas? Sim, se estivermos a falar de um conjunto de cidadãos apáticos, desinteressados e sem valores. Contudo, numa comunidade onde a cidadania está presente, cada um de nós pode ter um papel fundamental, vejamos:

 

1. Cada um de nós pode colaborar com instituições (nomeadamente ONG) que desempenhem um papel relevante - isto não implica apenas uma donativo mas uma intervenção directa.

2. Cada um de nós pode e deve apoiar o comércio local - além de permitirmos que a circulação de dinheiro se faça em modo 360º, ajudamos ao nível do emprego e do desenvolvimento local. 

3. Menos é mais - Será que precisamos de tantas coisas? E será que temos necessidade de investir em tantas embalagens e afins? 

4. Podemos adquirir muitas das coisas que precisamos em "segunda mão". Também podemos reutilizar muitas das coisas que temos.

5. "Food sharing" : esta diz-me muito, até porque já tentei implementar um projecto/app deste género que, em tempos, foi chumbado sob a lógica de que os portugueses não confiam no próximo e de que a comida podia ser contaminada. Numa comunidade onde as relações de vizinhança funcionam, pode ser uma prática com resultados excelentes!

6. Compra de produtos reutilizáveis: os eco-bags, por exemplo, ou até as garrafas de água.

7. Este talvez um dos mais interessantes em termos de cidadania e fuga à "zona de conforto": adquirir produtos de empresas responsáveis em termos de economia, ambiente e pessoas.

8. No seguimento do ponto anterior, e com a mesma importância, criar grupos que finalmente, e em Portugal precisamos tanto, façam pressão para as organizações implementarem verdadeiros programas de Responsabilidade Social Corporativa e alertem para as más práticas! Grupos de cidadãos independentes e não associações que se perpetuam com poucos efeitos.

9. Aquisição de produtos que não prejudicam o ambiente e têm uma origem controlada e sustentável.

10. Trazer aqueles que estão junto de nós para estas iniciativas, ter a coragem de dizer não!

 

Mais do que leis e imposições, se seguirmos estas e tantas outras práticas, provavelmente até estaremos a fazer mais pelo nosso país e pelo nosso mundo do que muitas políticas nacionais e internacionais - do que é que estamos à espera para sermos cidadãos e também verdadeiros actores na mudança deste paradigma?

 

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Das Dívidas Perdoadas...

por Robinson Kanes, em 14.10.19

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Créditos:https://www.thoughtco.com/al-capone-1779788

 

Como tantos outros animais, temos de uma necessidade muitas vezes desesperada de nos adequar, pertencer e obedecer. Tal conformidade pode ser marcadamente prejudicial, pois negligenciamos soluções melhores em nome da loucura da multidão. Quando nos damos conta que estamos fora da sintonia com o resto do grupo, as nossas amígdalas contraem-se de ansiedade, as memórias são revistas e as regiões de processamento sensorial são inclusive pressionadas a experimentar o que não é verdadeiro. Tudo para nos encaixar.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

 

Muitos são aqueles que argumentam que somos um país de gente boa, de brandos costumes e perdolários do próximo. Da minha experiência como ser humano e português, uma coisa eu sei: um português nunca se esquece de alguma que lhe fizeram e à mínima oportunidade lá estará ao ataque. O português quando perdoa é porque tem um interesse óbvio nesse perdão.

 

Tudo isto a propósito dos perdões sucessivos dos bancos públicos (Novo Banco e Caixa Geral de Depósitos) a determinados indivíduos e entidades da nossa praça. Que os privados o façam, ainda posso compreender, não é o nosso dinheiro - a não ser que as injecções de capital público (de todos nós) não sejam utilizadas para esse efeito. 

 

Percebo também porque tal é feito, de facto até percebo, mas convenhamos que para o comum cidadão -  aquele que é perseguido pelos bancos públicos por não conseguir pagar os míseros €5000 que deve e que até pagaram os seus estudos - perdoar milhões atrás de milhões a empresas que muitas vezes se gabam na comunicação social e redes sociais de fecharem negócios e até de estarem a crescer é, no mínimo, cruel. Podemos falar das empresas, muitas delas detidas por indivíduos com filiações partidárias que viram muitas das suas dívidas perdoadas e claro, como não poderia deixar de ser, dos grandes clubes de futebol.

 

É vergonhoso, para não dizer criminoso, que os bancos públicos perdoem milhões aos clubes de futebol (o Sporting Clube de Portugal foi o mais recente caso) e ninguém esteja interessado em perceber o porquê! Onde andam os comentadores da praça? Onde andam as entidades que deveriam olhar para estes factos? Onde anda o jornalismo sério? Onde andam os  fanáticos da bola? Ondem andam os partidos da esquerda? Onde andam os pequenos partidos que dizem que é hora de mudar?

 

Que o futebol em Portugal é uma instituição/religião todos sabemos, que corrompe a política e é um jogo de interesses, também todos sabemos, mas perdoar dívidas astronómicas a clubes que pagam milhões em salários a um só jogador, que não abdicam do luxo e da ostentação e que não abdicam de compras e vendas de mais milhões é, no mínimo, gozar com a cara de todos aqueles que todos os dias laboram para que a sua empresa não feche por falta de pagamentos. É criminoso que uma empresa produtiva e com reais impactes na economia feche porque não consegue pagar aos bancos ou ao fisco, mas é perfeitamente aceitável que um ou vários clubes de futebol continuem a receber dinheiro do Estado, a ter perdão de dívidas e mais um sem número de regalias que incluem muitas isenções fiscais!

 

E mais uma vez, censuramos o vizinho caloteiro que deve €10.000 e não paga, censuramos o gestor que até recebe pelos bons resultados, mas aceitamos de bom grado e até aplaudimos nos estádios e no sofá aqueles que todos os dias nos enganam e nos retiram dinheiro do bolso. 

 

Até podem acusar este discurso de ter o seu quê de populista, mas ver as tribunas de honra apetrechadas de políticos e responsáveis públicos desde as mais altas instâncias até aos lambe-botas locais, ver ministros e presidentes a mendigarem bilhetes para a bola é esclarecedor do estado criminoso em que algumas instâncias se movem, mas isso não é populismo, dizem que é dever de Estado.

 

Em Portugal, para se ser imune à lei e agir como um perfeito Al Capone, basta estar ligado ao futebol... Sobretudo aos grandes clubes da praça! E aqui temos uma vantagem, é que nem os "Eliot Ness" têm poder para acabar com o estado das coisas, ao contrário do que acontecia na Chicago da década de 30 do século passado.

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Dinheiro para o Atletismo? Não!

por Robinson Kanes, em 08.10.19

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Créditos: https://www.fpatletismo.pt/diário-de-doha’2019-–-nota-positiva-para-portugal

 

 

Não é com palavras que comunicamos o que em nós há de melhor.

Raul Brandão, in "A Farsa"

 

Os mundiais de Doha, no Qatar, terminaram com uma prestação modesta dos atletas portugueses. Não vou cair na tentação de dizer que tudo foi mau e que os nossos atletas pouco ou nada valem - somos um país pequeno e nunca poderemos chegar ao nível das grandes potências, quando muito, podemos potenciar o talento inegável de alguns atletas. Admito até que, para país pequeno, temos atletas fantásticos, embora, ao fim de alguns dias em Doha, o mínimo que dois deles deveriam saber é que estavam no Qatar e não no Dubai!

 

No entanto, uma das queixas mais comuns em relação ao atletismo, e também outros desportos, é de que o dinheiro é pouco, que os atletas vivem de forma muito modesta e que é um milagre conseguir levar os melhores lá fora. Para alguns é verdade, para outros, nem por isso, sobretudo se juntarmos um sem número de regalias entre as quais se enquadra o estatuto de atleta de alta competição e a permanência de alguns dinossauros que só abandonam os cargos quase com a morte, quais monarcas abençoados pela graça divina.

 

Contudo, a questão económica não parece ser preocupação para o Director Técnico da Federação Portuguesa de Atletismo e Seleccionador Nacional, José Santos, que, viajou em 1ª classe (não disse executiva, disse  1ª classe) num voo da Qatar Airways com a sua comitiva aquando do término dos Mundiais de Atletismo em Doha. Se por um lado sou adepto de que um "treinador" está sempre com os seus, também sou adepto do exemplo: na realidade, é que de uma forma ou de outra, também existe dinheiro de todos os portugueses para o Atletismo, e no mínimo, parece-me absurdo que um seleccionador nacional de atletismo viaje em primeira classe numa companhia aérea premium, longe dos seus e em condições das quais já nem as altas figuras do Estado usufruem! Infelizmente, estes tiques de provincianismo ainda vão permanecendo e é também por isso que, dinheiro público para o atletismo, não!

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Postas de Pescada e Reflexões Sobre Ter um Blog...

por Robinson Kanes, em 26.09.19

Setúbal.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Foi um destes dias que descobri, graças ao comentador Nuno Carvalho, o alcance do "Não é que não Houvesse" - pois é, ultrapassou fronteiras e um dos artigos (traduzido em inglês) foi parar ao facebook de uma página de fans do Bryan Ferry. É bom saber isso, é bom ter reconhecimento, sobretudo além-fronteiras e de forma desinteressada... E como é bom e genuíno o reconhecimento lá de fora - então quando ele não existe cá dentro. É bom receber alguns emails, sobretudo de pessoas que não têm blogs e de outras pessoas (perdoem-me as mesmas, mas também não vos vou expor) que tendo espaços como este, optam por não tornar muitos dos comentários públicos ou pedir desculpa por não comentarem mas... Aprecio esse facto e compreendo, cada qual terá as suas prioridades neste mundo.

 

Isto para dizer que, pontualmente, é bom fazer balanços... Também assumo que, estando na plataforma que estou, não escrevo com um propósito para a mesma, todavia, não deixo de agradecer todos os artigos destacados até agora, sobretudo na página principal que é onde, acredito, ter mais adeptos do meu "trabalho". Perdoem-me se não crio artigos de agradecimento, não é o meu estilo, sou adepto da eficiência e não do folclore (sem carácter depreciativo)... E há outras formas menos óbvias de agradecimento que vão bem para lá disso, é uma questão de se estar atento e ter capacidade de encaixe.

 

Nestes tempos por aqui, sendo ainda cedo para um balanço, admito que sempre temos dias bons e dias maus. Deixamos de seguir este e aquele espaço porque já não nos desperta interesse, deixamos de comentar só porque sim e somente porque realmente o tema nos merece atenção, tornamo-nos mais selectivos, mesmo que isso implique que existam muitos que ficam revoltados e nos punem com o seu cancelamento, faz parte... Até brinco com isso sempre que alguns temas fazem derrapar o número de seguidores. Algumas boas discussões não faltam, sobretudo quando os apologistas da liberdade e dos direitos nos apontam a sua forma mais vil de serem ditadores.

 

Também já tive artigos dedicados a mim e os quais agradeço: uns muito bons, outros nem por isso... Agradeço especialmente à "Mami", à "MJP", ao "Homem da Caneca" e ao "Pedro Correia" pelos convites à escrita nos seus espaços. Os menos bons, pois bem, fazem parte... Não são tema para agora.

 

Penso que também tenho o dever de agradecer a todos os que me vão seguindo e lendo - uma nota especial para as subscrições por email, não sei quem são, mas são uns "Senhores" a quem agradeço muito. São eles que fazem este espaço, não é o Robinson Kanes que é a vedeta cá do sítio, são todos vocês, inclusive os que espumam quando observam alguns textos... A riqueza destes espaços vem daí e por apreciarem algo que realmente dá trabalho. No meio de tanta azáfama, dá mesmo muito trabalho, este não é um espaço de copy-paste ou de débito fácil! Acreditem ou não, não são raras as vezes em que recebo mais do que dou. Permitam-me, contudo, sublinhar que não abdicarei do que sou e do que penso, bem como de uma certa "linha editorial", isso não o farei.

 

Um obrigado especial a todos aqueles que aceitam os meus comentários e sobretudo àqueles espaços que, não tendo muito destaque e visibilidade, são de uma riqueza extraordinária! Admito que sigo apenas dois separadores: "opinião" e "últimos posts" - não há tempo para mais e é preciso fazer escolhas. É no último que tenho descoberto conteúdos verdadeiramente interessantes! Obrigado a muitos deles também por serem a minha companhia, pois nem sempre é fácil, mesmo nesses separadores, encontrar conteúdo destacado que seja de qualidade, mas afinal, o "Não é Que Não Houvesse" também não se pode gabar muito nesse campo, ainda está numa fase de aprendizagem constante.

 

Obrigado por aturarem o meu mau-feitio, obrigado por compreenderem que não gosto de discursos bonitos e fofos (não resisti... damn), por vezes tenho aquilo a que os holandeses chamam de "bespreekbaarheid". Por cá nem sempre resulta, somos uma cultura mais superficial e também emocional no campo de dizer o que pensamos.

 

Obrigado por estarem aí, sejam apreciadores ou haters, até porque, a existência de um hater implica que alguém nos segue, nos lê e digere o que escrevemos).

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