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O Fim do Não é que não houvesse...

por Robinson Kanes, em 20.02.21

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Créditos: https://www.pinterest.pt/carlosserrenho/no-masculino/

 

 

Não é que não houvesse... Haver havia... Não era grande coisa... Mas haver havia...

 

Quem me acompanha sabe que não sou adepto do bafio ou de me perpetuar em algo. Acredito na renovação e na procura de diferentes desafios. Ficar agarrado ao mesmo uma vida inteira é como se me matassem. Prefiro a dedicação total no tempo que tenho ao laissez faire da eternidade. Gosto de novos desafios e também de ver outros tomarem um caminho que eu já percorri, por certo o enriquecerão. A toda a hora a natureza, o espaço, tudo se renova, porque nós também não o fazermos?

 

Quem me conhece, também sabe que quando discordo de algo ou não me revejo em, alerto e abandono (o chorrilho português tem o habitual discurso escroque do "quem está mal que se mude") ao invés de preferir pactuar com ou tomar parte em. E existem, por certo, em muitas coisas boas, outras tantas coisas que a minha, digamos, forma de estar, não quer pactuar ou estar associado. 

 

Defendo também que espaços como os blogues são espaços de inovação, de mudança e não de pó entranhado. Assumi isso no primeiro dia em que aqui publiquei e hoje é o dia de fechar o "Não é que não houvesse" que, em meu entender, até durou muito. Fico contente pelas conquistas e também pelas aprendizagens que tive com todos aqueles que por aqui passaram: os comentários; as mensagens de email; os ataques e os elogios; os que não nos seguem ou nos abandonam por medo de acicatarem alguma força que por aí anda e com isso matar a sua imagem virtual na plataforma; os que nos abandonam porque perderam o interesse; os que nos seguem porque os seguimos, uma espécie de moeda de troca, e finalmente os que nos seguem desde o primeiro momento, entre o apreciar e o discordar. Tenho de admitir que estes últimos são os melhores, a par daqueles que nem a existência conhecemos - a sua dedicação e capacidade de discussão, o seu silêncio até, são qualquer coisa e a grande riqueza deste espaço.

 

É tempo de parar, de pensar em novos projectos e de com menos fazer mais, até porque, acredito, só 10% do que poderia adicionar foi escrito. Continuarei, para já, no SardinhaSemLata a espalhar veneno à terça-feira, todavia as portas aqui se fecham. O caminho faz-se caminhando, e além disso, as palavras são uma coisa boa mas terei agora ainda mais tempo para o terreno... Para o pó e para a lama e sem dúvida para um acréscimo do risco. Não poderei estar mais feliz.

 

Para o fim, deixo o porquê do "Não é que não Houvesse" e do seu "Haver havia e por aí adiante"... Foi numa loja de bairro, onde aquando da compra de farinha, uma personagem de provecta idade falava do seu passeio de autocarro a um restaurante (aqueles passeios dos velhos que todos conhecem) e da comida... Repetiu a lenga-lenga umas sete ou oito vezes, o que levou a que uma besta (eu), tivesse tido vontade de lhe despejar um pacote de farinha em cima. Quem díria que acabou por servir de inspiração a...

 

A todos os que por aqui andaram, só tenho de deixar o meu agradecimento, porque quem escreve, gosta sempre de ter o seu público, ou melhor, de criar relação - é isso mesmo. Se não quisesse não publicava, sejamos sérios - outra coisa é afastarmos a clientela ou abanarmos uma certa estrutura, momento em que agora colocaria um smile à gargalhada. Vou estando por aí, algures nesta poeira cósmica que somos e com o mau-feitio do costume. Sabem onde me encontrar...

 

Obrigado a todos e muitos sucessos!

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Marcelino da Mata no SardinhaSemLata

por Robinson Kanes, em 17.02.21

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Créditos: http://ultramar.terraweb.biz/CTIG/Imagens_CTIG_TenCorMarcelinodaMata_Apadrinhou_seu_neto_PupilosdoExercito.htm

Ontem foi assim na habitual passagem pelo SardinhaSemLata.

 

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O Holocausto do West Bank...

por Robinson Kanes, em 11.02.21

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Créditos: Associated Press

 

No Verão de 1948, no espaço de algumas horas, os meus pais, como centenas de milhar de palestinianos, perderam tudo. O meu contou-me que estava no colégio quando souberam que os israelitas estavam a massacrar as pessoas nas aldeias vizinhas. A sua família e todos os vizinhos fugiram em direcção a Gaza, então sob domínio egípcio. Como muitos jovens, critiquei o meu pai durante muito tempo por não ter ficado e lutado, mas depois li os relatos dos "novos historiadores" israelitas e compreendi que os palestinianos, com as sua espingardas de má qualidade, não tinham qualquer hipótese. Ficar teria sido um verdadeiro suicídio, e era preciso sobreviver para preservar o futuro.

Kenizé Mourad, in "O Perfume da Nossa Terra - Vozes da Palestina e de Israel" 

 

 

Dei comigo, por várias vezes esta semana, a olhar para esta fotografia... Assumo até que tentei prestar pouca atenção à mesma. Procurei filtrar, afinal a propaganda não é só de um lado e por isso é necessário manter algum distanciamento. Também já escrevi sobre isto algumas vezes, "não deveria" ser tema sequer para voltar a trazer... É pouco relevante, não é importante, actualmente é como faire monter la mayonnaise.

 

A verdade é que ninguém, e passo a expressão, com dois dedos de testa, consegue ficar indiferente aos crimes que continuam a ocorrer, crimes contra a Humanidade! O Estado de Israel (o Estado e não os israelitas) continua impunemente a semear o terror no Vale do Jordão. Na Cisjordânia continuam a cometer-se atrocidades dignas também de um Holocausto, todavia, surgem apenas avisos, apenas consternação. Alguns esperam por Biden, como se este fosse o salvador, pois que desesperem... O silêncio pode manter as luzes, mas não pode esconder o resto... Apenas um assobiar para o lado numa guerra em que não podemos dizer que existe um lado totalmente inocente. É também relevante afirmar que não deixa de ser estranho, até quando já a própria Arábia Saudita ganha alguma consciência (independentemente do que levou a) e liberta a activista Loujain al-Hathloul - um ponto para os alegados radicais, muitos pontos a menos para os pacíficos e pobres perseguidos.

 

A história da comunidade de Khirbet Humsu é uma das mais intrigantes e mais interessantes na luta de territórios entre David e Golias... As mais recentes peripécias passam por três meses, ou perto disso, em que as forças israelitas, sem qualquer motivo, derrubaram por três vezes aldeias e vilas inteiras e também por três vezes o povo palestiniano as reergueu. O mesmo povo que diz não ter para onde ir, já nem é uma questão de reclamar território... Até porque, diz-nos a História e o presente, que nenhum dos lados, quer ao mais alto nível político quer a nível militar, parece estar interessado em resolver a questão pacificamente.

 

Esta fotografia, contudo, transporta-me para um cenário misto, onde uma película bem realizada se mistura com a realidade. Os sorrisos e a alegria de crianças que nem sabem bem que bandeira transportam, mas de uma coisa estão certas: é a sua terra! É a sua terra e o seu futuro que, esperamos, entre sorrisos e muitas lágrimas, não acabe com um projéctil na testa ou com um colete armadilhado. Espero que transportem a bandeira da esperança e que possam ser os futuros líderes de um povo. Futuros líderes vencedores na diplomacia e na paixão pelos seus, mesmo que tenham sofrido tentativas de deportação quase como numa espécie de vingança por aqueles que mais de meio século antes passaram pelo mesmo.

 

Estes putos são o pó e a esperança de um Mundo melhor... Não os ignoremos... E não faltam por aí putos a transportar bandeiras...

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É passar por lá...

por Robinson Kanes, em 09.02.21

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Créditos: https://www.ebaumsworld.com/images/feminism-fail/81157278/

 

Pronto, hoje é terça-feira... Dia de estarmos no SardinhaSemLata... Passem por

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Lokman Slim - E assim se mata um Cidadão!

por Robinson Kanes, em 08.02.21

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Créditos: AFP

 

Meu caro Negus, disse cordialmente, quando se deseja que a revolução seja uma maneira de viver por si própria, quase sempre se torna uma maneira de morrer.

André Malraux, in "A Esperança"

 

 

Lokman Slim dirá pouco a quem não tem grande afinidade com o Líbano. É um daqueles nomes que, para o bem e para o mal, vive sobretudo ligado aos que sentem, numa base diária, a violência na pele e que, no caso do Líbano, procuram uma solução para um dos mais belos países do médio-oriente.

 

Mas porquê o interesse em Slim? É simples... Slim, um activista e realizador libanês era um cidadão. Slim era um cidadão empenhado em fazer a diferença no Líbano combatendo o sectarismo envolvendo a participação dos cidadãos e assim levar, através desse empowerment, uma espécie de transição verdadeiramente democrática e participativa naquela pérola de país! Um promotor daquilo a que também chamamos a "Cultura da Lembrança" ou se preferirem da "Memória". Foi alguém que, criado numa família com actividade política e religiosa, foi estudar para Paris e voltou, trazendo e dinamizando as artes no Líbano e apelando sempre à paz, aliás, o filme "Massaker" é uma das suas grande obras. Alguém que defendeu o seu país lá dentro e não a milhões de quilómetros... Alguém que não voltou como herói quando vivia ricamente em Paris e depois de ter sido "terminada" uma revolução.

 

Slim lutava contra o sectarismo onde se incluía o Hezbollah e do qual era inimigo, todavia, naquela região, quando o tema é paz e empowerment, temos sempre a sensação de que o inimigo por vezes também pode estar do lado mais... amigo. O Hezbollah negou o assassinato e até já exigiu investigação, todavia, independentemente de quem terá ordenado a morte deste homem, é certo que a investigação pouco ou nada resolverá. O Líbano é fascinante, os seus habitantes igualmente, mas a tensão política, as guerras com Israel, têm destruído o país de uma forma lamentável.

 

No passado dia 3 de Fevereiro morreu, com quatro tiros na cabeça e um nas costas, mais um agente da paz, mais alguém que não queria sectarismos e aparelhos partidários e pejados de interesses a Governar, minorias sedentas de poder e riqueza que subjugam milhões... Esse foi o seu erro e provavelmente, até em Portugal, muitos saberão o que terá tantas vezes sentido Slim, sobretudo aqueles que não vendem a alma ao diabo e colocam o interesse do país à frente dos interesses partidários e de outros interesses que oscilam em torno deste cangalho em que se transformou a Democracia portuguesa - e que também pouca importância deu ao facto, ou não fosse esse um conceito, o de cidadania, algo que aterroriza muita gente.

 

A cidadania perdeu um dos seus principais actores e a paz voltou a ser alvejada...

 

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Todavía cambian más las cosas que tenemos delante de loso ojos que las que viven sin distancia debajo de la frente. El agua que viene por el río es completamente distinta de la que se va. ¿Y quién recuerda un mapa exacto de la arena del desierto.... o del rostro de un amigo  cualquiera?

Federico García Lorca, in "Así que pasen cinco años" 

 

 

Tarde vai um Sábado onde se almoçou sushi para fugir à rotina -  entrar na comida da moda para dar descanso ao estômago - se bem que um branco de Bucelas no Inverno cai sempre bem, sobretudo numa monocasta de Arinto. Arinto... Aquela coisa que até o pior apreciador reconhece logo pelo aroma e pelo paladar. Desta vez foi um "Prova Régia" e que mesmo refrescado ao momento não desapontou.

 

Apesar de bastante trabalho, uma semana com muita actividade... No que concerne à sétima arte, dose tripla do melhor, uma da Geórgia, outra da Coreia e outra de França. Tentar perceber qual das três a melhor é um exercício demasiado complexo. Graças à quarentena cinéfila do meu adorado Nimas/Medeia consegui ver "Chantrapas" de Otar Iosseliani - um quase filme de cinema dentro do cinema e nos mostra uma realidade que, muito provavelmente já vivemos. Juntemos-lhe "Le P'tit Quinquin" de Bruno Dumont. Adorei o "Commandant Van der Weyden" interpretado por alguém que não é propriamente actor mas faz ver a muitos: Bernard Pruvost. Uma interpretação fantástica (e bem real, porque aquele senhor não está só a representar) para um filme que enquanto toca entre alguns dos males da sociedade explora o já conhecido naturalismo de Dumont. Este ainda é passível de ser visto no site da Medeia Filmes. Três horas de filme que valem cada minuto... Cada minuto até o "Commandant" virar as costas perante o olhar de Quinquin.

Dose tripla a terminar, já fora do espaço Medeia, com mais um daqueles filmes coreanos que, à semelhança dos filmes japoneses, conseguem entre a fantasia e a realidade espoletar em nós as mais profundas emoções. "Deok-Gu", mais conhecido por "Stand by Me" é uma obra prima entre a história de um avô e do seu neto e de como existem separações que não são possíveis, simplesmente... Um filme, à partida para preencher um início de noite, mas que acaba por nos deixar a pensar noite dentro. Grande obra de Bang Soo-In e uma interpretação maravilhosa de Lee Soon-jae como avô! 

Um fim-de-semana este, apimentado com Lenny Kravitz , especialmente com "Ride". Este músico é daqueles que não perde aquilo que o tornou famoso e vai conservando um estilo muito próprio sem ceder às tendências de destruição da boa música. É sempre um gosto ouvir o intérprete da brilhante "It Ain't Over Til It's Over".

Fecho com uma das minhas últimas leituras do universo García Lorca, nomeadamente duas peças extraordinárias: "El público" e a espectacular "Así que pasen cinco años". Quem já viu as duas representadas vai perceber a intensidade das mesmas e a presença do espírito de García Lorca em cada fala. García Lorca foi um génio e mais do que uma vítima da guerra civil, é um verdadeiro colosso da poesia e dramaturgia espanhola... E de uma época que, apesar de toda a turbulência, deixou a sua marca na História Mundial, sobretudo a nível político, social e claro, artístico.

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Bom fim-de-semana...

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Do Uganda... Com dor e esperança...

por Robinson Kanes, em 05.02.21

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Imagem: John B. 

 

 

Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décimo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? 

Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Em tempos, por estas bandas, uma espécie de indivíduo"distorce discursos", dizia-me que estava feliz com a vitória de Biden numa tentativa de "sair por cima" e com isso me fazer sentir mal, apenas porque (de forma errada devido a lacunas pedagógicas na interpretação de textos) me julgava apoiante de Trump. Tempos de delírio louco nas semanas que antecederam a eleição e que agora se esgotou numa espécie de marido que atinge o climax e se vira para o lado a ressonar - ou seja, mãos cheias de nada. Tristes aqueles cuja felicidade anda ao sabor da moda, "ovelhoas" modernos como diria John Littman...

 

Todos os dias encontro sempre algo que me faça feliz, não preciso de eleições nos Estados Unidos enquanto pactuo com ditaduras internas para encontrar algo de bom. Mas ontem, bem cedo o meu dia começou da melhor forma: O Tribunal Penal Internacional, finalmente deu como culpado de crimes de guerra e contra a Humanidade, Domonic Ongwen. Ainda sem sentença, esta besta humana foi o Comandante do "Lords of Resistance Army" (LRA) no Uganda, o que lhe permitiu cometer toda a espécie de atrocidades como raptos, violações e a utilização de crianças-soldado entre 2002 e 2004.

 

Sob a égide de Joseph Kony e da sua distorção do cristianismo (o LRA é uma espécie de Estado Islâmico versão cristã), estes cavalheiros espalharam/espalham o terror não só no Uganda mas também  no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Central Africana... Três países que estão como estão, sendo que Kony é talvez o homem mais procurado de África.

 

Talvez tenha pouco interesse por estes dias, mas ainda online, o rosto de quem sofreu esta violência e medo na pele é algo indescritível num misto de alegria e pesar. A felicidade tem destas coisas...

 

Aproveitando a minha presença no Uganda, as eleições acabaram por ter lugar, apesar da contestação ao ditador-mor Museveni. O corte no acesso à internet, a prisão do opositor Bobi Wine, as mortes encetadas pelas forças ugandesas permitiram que mais uma velha besta continue no poder. Bobi Wine continua numa espécie de prisão domiciliária após as eleições, todavia nasceu uma esperança... Os jovens do Uganda despertaram e vão querer um novo país. Um dos mais jovens países do Mundo terá dado o primeiro passo para um futuro melhor e mesmo que Bobi Wine não venha a ser um líder perfeito as pessoas acordaram e estão empenhadas, quando todo o Mundo treme, em mostrar do que o Uganda é capaz e tem gente para isso... Se quiserem importar cidadãos com essa vontade para Portugal, serão bem-vindos... 

 

E falando de  importação... É absolutamente fantástico o discurso daquele povo. Aquele povo deseja arduamente que os seus jovens e melhores profissionais regressem/fiquem no país. Não defendem a emigração para a Europa, por exemplo... Não defendem muitos dos seus serem humilhados por traficantes e trabalhos de baixa linha no velho continente, querem-nos ao serviço do seu país. Por vezes chego a pensar se um país como Portugal não estará no ranking do desenvolvimento abaixo do Uganda. E é também aqui que fico a pensar num ponto extremamente importante defendido por mim e por muitos... As grandes vagas de imigração para a Europa são resolvidas a montante! É um facto que isso implica investimento e pode ser mau para o negócio que muitas ONG estão a fazer no Mediterrâneo (verdadeiras e ricas multinacionais do coitadinho), mas não está a resolver o problema. Primeiro pensa-se em como encontrar fundos, depois prolonga-se o problema e quando secarem os fundos, encontra-se outro teatro de miséria com acesso a outros fundos.

 

Hoje, sendo sexta-feira, deveria ser como já o aqui disseram, um dia mais calmo e com algumas partilhas menos pesadas neste espaço, mas talvez existam coisas que são bem melhores que um copo de vinho... Todavia, uma coisa é certa... Hoje será aberta uma garrafa de um dos melhores vinhos cá de casa e celebraremos a punição dos maus e a esperança num futuro melhor para aquele país... Tanto entusiasmo e há quem me diga que isso já é o desligar do meu próprio país... 

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As Mamas da Liz Hurley...

por Robinson Kanes, em 03.02.21

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Créditos: yahoo.co.uk / Liz Hurley Instagram

 

E de repente, a chavasqueira toma conta deste espaço porque vamos falar de mamas! Sim, a Liz Hurley tem 55 anos e um corpo invejável onde se incluem as mamas, por sinal, igualmente atraentes. So what? Sim a Liz Hurley deverá ser das poucas britânicas realmente atraentes, so what? Sim, muitas mulheres gostariam de chegar aos 55 como a Liz Hurley. So what

 

Mas tendo em conta que o chavascal tem limites, não vou entrar na discussão das redes sociais nem das celebridades, seria perda de tempo, fico-me mesmo pela apreciação dos seios da senhora. Não obstante, quando alguém como a Liz Hurley expõe parcialmente os seus seios e é alvo de um coro de criticas, inclusive de um dos mais mediáticos gentlemen de bem, mas que não passa de um dos novos censores, Piers Morgan, começamos a pensar. Ninguém sabe muito bem o que é este cavalheiro e o que é que ainda faz nas manhãs de Inglaterra. Ninguém percebe como é que uma coisa destas escalou em importância enquanto o Mundo está transformado numa autêntica sarrafusca! Abrir noticiários com isto é...

 

Posto que, nesta sociedade aberta do politicamente correcto é mau dizer que a roupa é preta pois já estamos a ser racistas, é mau até falar de racismo em África porque não é cool (mas se for nos Estados Unidos já é ser activisita) e é mau levantar um braço ou até fazer humor, todos os cuidados são poucos... a bem da liberdade, dizem. Um humorista que hoje em dia queira fazer jus à profissão não vai longe, ou se vende à política e ao futebol (sim, o Ricardo Araújo Pereira, o Nogueira e tantos outros... acho que houve um que até se trocou todo a propósito de uma passagem de ano mais rebelde) e passa a ser um canal de débito político e ao sabor de quem governa , ou então procura uma nova profissão... Já não se pode ser engraçado que é o fim do mundo. Aliás, já nem assertivo, fará engraçado... Não fosse o humor e tanta coisa já seria esquecida, como se tem tentado que seja nas escolas.

 

Penso hoje que uma série como o Allo' Allo'! nunca teria sucesso, aliás, seria censurada logo à partida! Eu vejo o Allo' Allo', tenho todos os episódios e parto o caco a rir com os alemães, ou melhor, com os nazis! Com os nazis, com os franceses, com a Resistência, com os ingleses, com o fascista Bertorelli e claro com o fantástico agente da Gestapo, Herr Flick! Tornei-me numa besta? Não! Não tendo acompanhado aquando da estreia, vi em diferido e suscitou-me até bastante curiosidade acerca de alguns tópicos. Mas depois criticamos umas mamas atraentes praticamente escondidas... 

 

E enquanto reprovamos as mamas da Liz Hurley, vamos empreendendo o novo hype de uma sociedade decadente que dá demasiada importância a desocupados, perdão, influencers, e embarcou naquela coisa de liberdade feminina que se chama... menstruação! Aliás, vestir de branco e exibir uma enorme mancha vermelha é o que está a dar! Ainda bem que a maioria das mulheres não se revê nisto e outras até dizem que se a emancipação da mulher é isto mais vale voltar ao que era! Como as consigo entender... E sim, não sou mulher, mas posso falar sobre, poupem-me à superioridade moral. Não sou mulher e gosto de mulheres, preferencialmente atraentes como a Liz! Uau! Posso?

 

Enquanto criticamos a mamas da Liz Hurley, estamos a ir contra aquilo que queremos para as mulheres, enquanto criticamos a Liz Hurley mostramos quão hipócritas somos e como fazemos parte de um monte de ovelhas que coloca o bem-estar à frente do look at me. Enquanto enxovalhamos a Liz Hurley, e até achando que é creepy que tivesse sido o filho maior a fotografar, fechamos os olhos a tanta coisa e escavamos um buraco maior do que aquele que queremos tapar. 

 

Esta é a mesma hipocrisia que assistimos em movimentos e causas criadas no momento e ao sabor do like mas depois enfiamos a cabeça na areia porque ser homossexual em Aceh, Indonésia, pronto, como é bem longe, vá... uma 43 chibatadas no lombo e à frente de quem quiser ver até é uma coisa aceitável. A Indonésia é cool, tem Bali, pronto... Nem tudo é mau. Recordo-me do episódio hipócrita do "batom vs velhos bêbados"  e de facto, como tão bem retrata Houellebecq, de que "no mundo moderno (é) permitido trocar a toda a hora, ser bi, trans, zoófilo, sadomaso, mas (é) proibido ser velho". Basta pegar nesta observação e transportá-la para tantos episódios do quotidiano.

 

O vírus tem-nos roubado tanta coisa que é tão nossa, que é tão humana, que não nos roube as nossas liberdade e não nos coloque na cabeça a pedra da loucura de Bosch ou até da histeria colectiva que mais parece um pelourinho mas com gente ainda mais louca com tiques de altamente civilizada e desenvolvida. Realmente... como diz o povo, "o trabalho faz tanta falta"...

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Sardinha Vacinada...

por Robinson Kanes, em 02.02.21

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Créditos: https://starecat.com/katie-i-dont-want-the-covid-vaccine-i-dont-trust-what-they-put-in-it-also-katie-snorting-cocaine/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a cumprir a penitência da terça-feira. 

Aproveitei, e como me sobraram vacinas que já haviam sobrado de uma misericórdia e que antes também já haviam sobrado de uma delegação do INEM, vacinei-me também. Não sou grupo de alto risco, os pulhas da misericórdia também não e os do INEM, perdão dos amigos do INEM, também não, mas isto a res publica só é pública depois de me precaver em privado. 

 

Mas confesso, foram só sobras e por via das dúvidas vacinei também o peixe, o gato e o cão, além do papagaio da D. Dorinda (é mor, fala muito consoante o vento) e claro do indivíduo que a partir de hoje me vai oferecer sempre os almoços de francesinha.

 

Basta irem aqui para saberem mais...

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Os Heróis da Natureza em Virunga...

por Robinson Kanes, em 01.02.21

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Créditos: The Jane Goodall Institute

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Marquéz, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

 

Apesar de acharmos que estamos a passar por algo único (porque nos bateu à porta "finalmente") não estamos. Lamento decepcionar aqueles que só encontram "covid" à frente e até se "esqueceram" das habituais campanhas quando existem tempestades em Moçambique como as das últimas semanas... 

 

O que não faltam são heróis neste mundo, que agora descobriu tal palavra, mas que também rapidamente a esquece tal o modo como é levada à exaustão. É inacreditável pensar que existem indivíduos que morrem a tentar defender a natureza, sobretudo habitats e animais. Na verdade, é algo que acontece praticamente numa base diária, mas os recentes acontecimentos na República Democrática do Congo (RDC) vieram mais uma vez demonstrar que as frentes de combate não se resumem a um vírus. 

 

No conhecido Parque Nacional de Virunga (o mais antigo e o primeiro "site" africano a ser declarado Património Mundial da UNESCO) seis guardas foram alvo de uma emboscada que os matou a todos de uma vez só. No ano passado foram treze, na última década cerca de duzentos! Também é moda utilizar o conceito de "linha da frente" (enfim...), pois existem muitas por esse mundo fora e desta vez o ataque foi impiedoso àqueles que defendem a vida selvagem e lutam contra o tráfico de plantas e sobretudo, neste caso em particular, contra a extinção do Gorila da Montanha, uma espécie em vias de extinção. Muitos poderão não ter noção da importância desta espécie, mas bastará, mesmo que a alguma distância, observar um animal destes para perceberem do que estamos a falar.

 

Em relação à RDC, um dos países mais "ricos" de África, já nem será necessário tecer comentários... Um mundo Ocidental em modo cataclismo só aumentará a destruição de um país, de um continente... Até um grupo de patifes no Myanmar, em paragens mais distantes, aproveitou a deixa da fragilidade Ocidental para fazer valer a sua força e com o alto patrocínio dos suspeitos do costume... Espero ver os senhores Zuckerberg e Dorsey a cortarem as redes sociais para estes senhores da guerra como o fizeram para Trump... Ou talvez não.

 

Estes rangers, como as Akashinga, são a verdadeira linha da frente da Natureza e pagam com a vida essa paixão. Num país onde a vida tem o valor de uma moeda de um euro, e o vírus actual será o menor dos problemas, o tráfico de recursos naturais chega aos 170 milhões de dólares - sendo que 47 milhões financiam milícias e grupos terroristas - um orçamento que ultrapassa largamente quem pouco tem mais do que uma automática que constantemente encrava e ainda tem de contar as munições. E desenganemo-nos quando desvalorizamos o papel destes homens na medida em que alguns já morreram a salvar cidadãos ocidentais - recordo o caso de uma senhora, a ranger Rachel Masika Baraka que perdeu a vida ao tentar salvar de um rapto dois indivíduos britânicos.

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Créditos: Virunga National Park (Foto de Rachel Masika Baraka)

 

Estes senhores não defendem a Natureza a viajar de veleiro e muito menos com discursos pomposos emitidos a milhares de quilómetros e carregados de nada. Estes senhores defendem com o seu sangue a própria natureza e isso merece o nosso reconhecimento e a nossa acção, porque na maioria dos casos, os milhões produzidos pela violência não são para consumo interno...

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