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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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Hugues Merle, Uma Mendiga  - Musée d'Orsay

Fonte da Imagem: Própria

 

 

O contrário da justiça é a caridade.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente V"

 

Muitos portugueses começam a perceber que um dos grandes colossos deste país, a área social, apresenta paradoxos tremendos. São muitas as instituições de solidariedade, e podemos incluir associações, Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), outras Organizações Não-Governamentais (ONG), Misericórdias e outras tantas ligadas a sectores como a Igreja, mas não só. Muitos portugueses começam também a perceber que o conceito de "sem fins lucrativos" pode ser facilmente camuflado nos relatórios que muitas destas instituições apresentam.

 

A área social é uma verdadeira indústria e utilizando o ditado popular "só não vê quem não quer". Se de facto existem indivíduos e instituições que vão fazendo um excelente trabalho, uma larga maioria não o faz e, na verdade, se exercermos a nossa cidadania, mais de metade destas organizações torna-se inútil. 

 

Os recentes casos dos donativos para os incêndios e de instituições que direccionam os mesmos para outras origens que não a solidariedade repetem-se... Repetem-se e já são de longa data. Todavia, quando falamos de tratar estas instituições como empresas, nomeadamente "empresas sociais" este conceito e configuração legal provoca autênticos ataques de pânico na área. Contudo, muito do que se passa nestas organizações, não é diferente de uma organização empresarial, ou melhor não é diferente de uma organização empresarial na remuneração e acumulação de dividendos, o que não é mau se... Não utilizarmos a figura do social para camuflar um outro negócio.

 

A área social em Portugal é um colosso porque ao longo de tantos anos não procurou criar empowerment naqueles que apoia. É uma coisa muita portuguesa, devemos assumir, pois dar poder às pessoas para viverem sem o nosso apoio é o mesmo que assinar por baixo a nossa extinção e a queda do nosso poder sobre as mesmas e os portugueses adoram exercer o seu poder sobre outrem... Há quem defenda que ser solidário e ver os outros mal é uma forma de mostrar que estamos por cima -  eu não iria tão longe, mas...

 

A verdade é que assistimos ao engalanar de que são doados muitos milhões daqui e dali, mas depois não assistimos a uma clara demonstração dos resultados. Não há um controlo efectivo destes donativos (monetários e não monetários), a própria ex-Ministra da Admninistração Interna assumiu claramente essa situação com um semblante de quem se encontrava desarmada... E eu até entendo, porque ao explorarmos bem - no nosso concelho, na nossa região, no nosso país - facilmente percebemos quem é que está sempre à frente destas instituições e quais são os interesses que se movem... Além disso, experimentem também criar um projecto social sem envolver o vosso municipio ou as associações do concelho. Eu próprio já vi um projecto cair por terra porque um Técnico Superior do "social" (e como estes senhores adoram dizer que são do "social") que ficou muito zangado por não terem falado com ele primeiro para colocar também o nome, boicotou o mesmo - o conteúdo desse email foi lido à minha frente (pois era eu o promotor) pelo Vereador que tinha essa pasta, mas que não teria "poder" sobre o técnico... 

 

Acabar com esta situação não é difícil, passa por exercermos a nossa cidadania, sermos nós os produtores e os intermediários, seja individualmente, seja em pequenos grupos que nascem, fazem o seu papel e morrem assim que o objectivo está atingido, podendo até renascer caso se justifiquem necessidades futuras. Não podemos é contratar um outsourcing que não nos dá garantias nenhumas de como são aplicados os nossos donativos. Ainda esta semana, uma associação bastante conhecida, foi colocada em causa por uma pessoa que conheço e me lê, pois ao participar numa corrida, esta entregou o donativo e qualquer pessoa recolhia o mesmo, e sem direito a recibo. Quem nos pode garantir que este dinheiro vai ser bem aplicado? Quem controla esse dinheiro logo na fonte? E as desculpas da falta de meios, aqui não se aplicam! Encontramos muitas iniciativas, espectáculos, figuras públicas que até fazem espectáculos solidários (mesmo quando já não são precisos mais donativos), mas ninguém faz espectáculo com relatórios estruturados com a correcta aplicação dos fundos!

 

Também podemos defender muitas destas organizações salientando que fizeram isto e aquilo, contudo, mal seria se não tivessem feito algo, mas... E o que poderiam fazer? Temos de ser também mais exigentes com estas organizações, até porque muitas são apoiadas com dinheiro dos nossos impostos e até concorrem a fundos europeus, constituidos pelos impostos de todos os cidadãos da União!

 

Neste contexto, são também muitas as organizações empresariais que deixam de trabalhar com estas instituições. Cada vez mais a Responsabilidade Social Corporativa tem de passar por acções internas e na sociedade mas com uma intervenção directa das próprias empresas - salvo algumas excepções, o delegar desse dever em outrem, pode não só constituir um prejuízo para as mesmas mas também, no longo prazo, criar um sentimento de desconfiança e que prejudicará sempre aqueles que efectivamente necessitam e a própria imagem das marcas no mercado.

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O Calvário da União!

por Robinson Kanes, em 28.03.17

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 Jacopo Bassano, O Caminho Para o Calvário (The National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Existe algo que sempre me inquietou no seio da União Europeia e que são, nada mais nada menos, que os partidos antieuropeístas!

 

Sun Tzu, no capítulo sobre os Pontos Fortes e os Pontos Fracos dizia: “não repitas tácticas que deram uma vitória, deixa antes que os teus métodos sejam ditados pela infinita variedade das circunstâncias”. Quero acreditar que é por isto que partidos com assento no Parlamento Europeu gritam pelo fim da União Europeia mas de lá não arredam pé.

 

Tenho muitas criticas à União Europeia, sobretudo em alguns moldes que a sustentam bem como pela falta de liderança e competência que tende a apresentar nos seus líderes. Contudo, a Europa, ou melhor... a União Europeia continua a ser dos locais mais aprazíveis da terra para se viver e essa é uma realidade inegável!

 

Se podemos e devemos mudar a União Europeia? Sim, façamo-lo e rápido, mas sabotar esta instituição levando a mesma à sua extinção é no mínimo caricato... e sou dos primeiros a admitir uma profunda crise nesta instituição.

 

Poder-me-ão explicar que ter assento parlamentar na União Europeia é uma forma de defender valores deste ou daquele movimento mas... e tomemos um exemplo simples, fará sentido que eu me encontre a trabalhar numa organização que me paga o salário e me dá benefícios singulares e depois venha manifestar-me contra o fim desta, porque simplesmente tem de acabar?

 

Uma das maiores lições da União Europeia e que prova a superioridade desta sobre extremismos de esquerda e de direita é a forma como aceita estes mesmos extremismos no seu seio, mesmo sabendo que tais extremismos podem ser o seu fim. São estes extremismos que criticam a Presidência de Trump, mas procuram, diariamente, acabar com esta instituição. São estes extremismos que alertam para um renascer do fascismo mas praticam o comunismo elevado ao expoente máximo do totalitarismo e vice-versa.

 

O actual bode expiatório é a moeda única e ao invés de se articularem políticas monetárias que levem a uma saída da crise o objectivo é a destruição e, mais uma vez, cito Sun Tzu: "por isso, na guerra, deve evitar-se o que é forte e atacar o que é fraco”.

 

Talvez o fim último destes movimentos não seja a paz interna nem externa mas sim o caos e o alimento de uma elite que procura o seu espaço para governar a seu bel-prazer, contudo sem uma solidez que dê garantias de sucesso e estabilidade, já dizia Sun Tzu, agora no capítulo dedicado ao estabelecimento de planos: “toda a guerra é baseada no engano”. Estes espectáculos distratores são um sublinhar das palavras do sábio.

 

No caso português, continuamos a deixar passar situações gravíssimas e também a beneficiar das mesmas, quer do ponto de vista da justiça, quer do ponto de vista social, democrático e legal, mas como sempre... a culpa está lá fora, em Bruxelas. Está lá fora em Bruxelas, porque continua a enviar dinheiro a rodos, mas agora quer algo em troca e isso é algo para o qual ainda não estamos talhados... “Mas um reino que foi destruído nunca pode renascer, nem podem os mortos ser ressuscitados”, também o disse Sun Tzu no capítulo dedicado ao ataque com fogo.

 

E nós, continuaremos a permitir a destruição do reino só porque continuamos adstritos a uma sede de poder e de dinheiro? E estaremos preparados para viver com as dificuldades inerentes a uma saída do Euro e até da União Europeia? Mais do que nunca, os discursos libertadores e "amigos" do povo são dotados de uma falta de competência dos seus arautos e colocam-nos alerta para aquela igualdade, e agoro recorro a Orwell, em que todos são iguais, mas uns serão mais que os outros...

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O Mundo Envia-nos Lixo e Nós Damos-lhe Música!

por Robinson Kanes, em 15.03.17

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Fonte das Imagens: Orquesta de Reciclados de Cateura

 

No seguimento de um artigo muito interessante que tive oportunidade de ler (http://quimeraseutopias.blogs.sapo.pt/do-lixo-para-a-boca-38578) e que me chocou profundamente, aproveito esta minha exposição, não só para divulgar o mesmo – posto que a comunicação social em Portugal prefere virar o foco para o futebol e para o fútil – mas também para abordar uma iniciativa que é um verdadeiro exemplo de como se pode sair do lixo... ainda tive esperança de ver aquele artigo em destaque...

 

Cateura, no Paraguai, é a maior lixeira daquele país, aliás, é considerada uma zona inabitável face à degradação que aí se encontra e ao elevadíssimo risco de cheia. Inabitável... mas local de residência para 2500 famílias!

 

0c2f2c_e5e7546a109849b6bc0b23b206f01add.jpgFoi entre esta degradação que um indivíduo encontrou uma forma de criar valor acrescentado... valor acrescentado numa lixeira. Começou por fazer instrumentos com o próprio lixo e o resultado foi que um grupo de crianças completamente esquecidas pela sociedade se transformaram em artistas e deram origem à “Landfil Harmonic” ou, menos sonante mas mais genuíno, a “Orquesta de Reciclados de Cateura”.

 

O lema da orquestra é algo extraordinário e ao mesmo tempo provocador: “O Mundo envia-nos lixo e nós damos-lhe música”. Num só projecto temos uma lição ambiental, uma lição educacional e uma lição social. Do atelier, porque existe um atelier, saem todos os instrumentos feitos à base de... lixo... são esses instrumentos que vão acompanhando um grupo de crianças na sua educação e viagens pelo mundo, crianças perdidas e entregues a uma sorte que... de sorte tem pouco.

 

Lembro-me de ter partilhado esta temática com muita gente (sobretudo da área social e ambiental em Portugal) que, simplesmente, olhou para mim com um desprezo tal que me fez pensar onde estaria a lixeira... se em Cateura, se numa mentalidade triste e tacanha que habita na cabeça de muitos portugueses que se orgulham de ter dado mundos ao Mundo, mas cuja cabeça e visão não vai além do seu pequeno quintal.

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Todo este projecto começou sem apoios do Estado, afinal falamos de pobreza em Portugal, mas não sabemos realmente o que é ser pobre. Hoje, além de vários prémios (inclusive para um documentário) e apoios de vários mecenas esta orquestra é um verdadeiro sucesso. Mas há países onde alguns indivíduos, que se dizem homens e mulheres de terreno, ou os apóstolos da felicidade, cujo suícidio é iminente se ficam sem o relógio de marca, se riem e exclamam: “instrumentos de lixo, que estupidez!”.

 

Talvez a música que nos chegue desta orquestra possa inspirar muitos que andam por aí, numa lixeira diária... e se esquecem que... mesmo com talas nos olhos, cavalos e burros caminham em frente... talvez a inspiração possa vir do texto de Agustina em “Fanny Owen” porque muito provavelmente “ as grandes obras nascem assim: dum sujo porto, entre fezes e urina”.

 

Um pequeno vídeo, resumo da "Orquesta de Reciclados de Cateura"

 

 

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Empreendedorismo Social não é Dádiva.

por Robinson Kanes, em 26.01.17

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Hugues Merle, Uma Mendiga (Museu d'Orsay)

 

 

Ainda existe a tentação, sobretudo em países da Europa do Sul, de que o Empreendedorismo Social tem de estar ligado à dádiva.

 

A própria "promoção" do mesmo ainda assenta na base do chamado apoio aos mais carenciados tendo, em pano de fundo, os seus próprios promotores que não se coíbem de aparecer como os "salvadores do mundo" e que nada auferem em troca pelas suas práticas - na verdade, não é assim. Não existem almoços grátis e na área social também não! Mas porque é que temos receio de falar nisso?

 

Vejamos algumas conclusões de instituições e peritos que suportam estas afirmações... antes que digam que tenho mau feitio.

 

Hockerts, numa visão mais aproximada da Schwab Foundation traz a ideia de que o Empreendedorismo Social assenta em business ventures com propósito social ou seja, “empresas híbridas que estabelecem ligação entre o for-profit e o non-profit bem como as próprias organizações públicas. No entanto, não encaixando em nenhuma destas três esferas” (Mair; Robinson & Hockerts, 2006:5).

 

Na visão de Perrini, inspirada em Laville, existe uma decisão democrática e participativa levando a que os interesses próprios de um ou mais não condenem a actividade principal da empresa social (Perrini & Vurro; 2006: 64). Para Dees a empresa social não é uma empresa de dádiva até pela forma empresarial que pode tomar, mesmo não visando o lucro primordialmente (Dees, 1998:5) .

 

Já o Institute for Social Entrepreneurs (ISE) define o empreendedor social como “um indivíduo que usa o retorno do seu trabalho para prosseguir objectivos sociais e simultaneamente procura um retorno financeiro e social. Pode ser um indivíduo que esteja, ou não, no sector non-profit (ISE, 2002). Aqui, o espectro alarga-se e finalmente a questão financeira é colocada verdadeiramente em cima da mesa, além disso, a definição vai ainda mais longe ao colocar a hipótese da actividade de empreendedorismo social não estar ligada ao non-profit. É esta visão que, em Portugal, ainda assusta muita gente ligada à "causa social".

 

Também a RIPESS, com vasta experiência, sobretudo no campo da Economia Social e Solidária, apresenta uma visão mais clara e enquadrada com o conceito anterior do que é o Empreendedorismo Social. A empresa social apresenta-se como uma empresa que tem, obviamente um fim social. Gera retorno pela venda que faz de bens e serviços ao invés de depender de financiamentos externos e com benefícios que revertem para a missão social, mais que para os accionistas (RIPESS, 2015). Neste campo, a mesma entidade vem também a apontar para a necessidade de esclarecer que as empresas sociais não podem substituir o Estado em serviços essenciais, como não devem ser um meio de absorção de fundos. Tomando como base a definição da própria organização, estas organizações têm de ser capazes de gerar dividendos por si próprias, não excluindo o suporte de outros mecanismos de financiamento, mas tendo sempre como prioridade a venda de bens e serviços que permitam garantir a sustentabilidade das mesmas

 

Neste enquadramento teríamos verdadeiras organizações empresariais com cariz social a actuar num mercado concorrencial com as demais organizações empresariais e equiparadas não só legalmente mas sobretudo fiscalmente.

 

Contudo, uma nota para o facto deste processo permitir que estas organizações não venham a perder a sua vocação social, mas trabalhem para melhores resultados, menor dependência externa e acabem por gerar um afunilamento que levará à exclusão de muitas instituições que são somente sorvedouros de fundos e cuja eficiência não justifica os elevados investimentos realizados pelos Governos, pelas organizações empresariais e sobretudo pela comunidade civil. Os recursos são escassos e muitos deles não estão efectivamente ao serviço de quem mais deles necessita.

 

Perante muitos paradoxos, a que ainda vamos assistindo... teria Vergílio Ferreira razão quando no seu "Em Nome da Terra" dizia a Mónica que "o maior prazer de quem precisa, é haver quem  precise mais"?

 

Para quem quiser saber mais:

  • Perrini, Francesco; Vurro, Clodia (2006), “Social Entrepreneurship: Innovation and Social Change Across Theory and Practice”, em Mair, Johanna; Robinson, Jeffrey e Hockerts, Kai; Hampshire (orgs.), Social Entrepreneurship e New York, Palgrave Macmillan.
  • Dees, J. Gregory; Haas, Peter; Haas, Miriam, (1998), The Meaning of “Social Entrepreneurship, s.l.; s.n.

 

Fonte da Imagem: Própria.

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O conceito está na "moda" e tudo é Empreendedorismo Social... erradamente. Além de que é necessário sair à rua e observar...

 

Entrando nesta matéria, importa perceber como podemos trazer ao Empreendedorismo  uma componente social. A diferença entre os dois conceitos é praticamente nula, ou seja acresce a componente de que o Empreendedorismo Social assenta sobretudo na missão social, ou se quisermos, um campo de actuação social.

 

Drayton, considerado o “pai” do Empreendedorismo Social e fundador da Fundação Ashoka, organização que junta e premeia empreendedores sociais por todo o mundo, defende estes como sendo indivíduos com ideias inovadoras e que permitem a solução dos problemas mais prementes da sociedade. Os empreendedores sociais são ambiciosos e persistentes, procuram não deixar as questões sociais para o Estado ou para o sector privado. É deste modo, encontram formas de trabalhar e resolver os problemas - mudando o sistema, espalhando a solução e abrindo os horizontes da sociedade (Ashoka, 2015).

 

 

Drayton aponta também uma questão essencial nos dias de hoje, afirmando que o Empreendedorismo Social é um excelente exemplo de gestão e adaptação aos actuais tempos de mudança:

 

Uma organização que trabalhe segundo as convenções hierárquicas do passado não estará habilitada para funcionar num mundo em constante mutação. É um modelo obsoleto. Não importa se actua no sector empresarial ou social, a questão da mudança está sempre presente e não importa o tamanho da organização (Drayton, 2015).

 

A visão da Schwab Foundation for Social Entepreneurship não difere muito da Ashoka na medida em que vê o Empreendedorismo Social como a aplicação de abordagens sustentáveis e práticas inovadoras que beneficiam a sociedade em geral, com especial ênfase nos mais desfavorecidos (Schwab Foundation, 2015). Aliás, a definição da Schwab vai mais longe e define o Empreendedorismo Social como um

 

termo que captura uma abordagem única aos problemas económicos e sociais, uma abordagem que é transversal a diversos sectores e disciplinas e que assenta em determinados valores e processos comuns (...) independentemente da área deste ou daquele (empreendedor social) e de se tratarem de organizações cuja base é lucrativa ou não lucrativa (idem).

 

Se por um lado o Empreendedorismo Social pode ser visto como algo semelhante ao empreendedorismo por outro só é possível com a operação centrada na comunidade e voltada para o suporte e ajuda desta mesma comunidade, estando menos focado na obtenção de lucros (Thompson, 2002:431).

 

Todavia, continuamos com a questão prática por definir. A mesma parece incidir mais uma vez sobre as motivações, ignorando a questão operacional. Este alerta é dado, sobretudo quando o indivíduo é o grande visado e, no fundo, o detentor da visão de mudar o mundo. Muitas são as organizações de Empreendedorismo Social que assentam na figura dos indivíduos, confundindo-se muitas vezes com os próprios e, em alguns casos, são estes mesmos indivíduos que pela sua persistência não só de liderança, mas até de visão levam ao fim destes empreendimentos.

 

São quatro os pontos críticos no que concerne a esta matéria e indubitavelmente levam a consequências nefastas no seio das organizações :

  1. o culto da personalidade;
  2. o foco no indivíduo e nas suas competências esquecendo outros que o podem completar no seu processo de gestão;
  3. o foco na ideia e não o trabalho da própria ou mesmo de outras (aparentemente não é preciso “inventar a pólvora”);
  4. o foco nos sobreviventes, ou seja a ausência de estudos sobre os projectos falhados e que permitiriam melhorar o acompanhamento e a gestão destas empresas (Light; 2006).

 

O Empreendedorismo Social nasce por intermédio de uma necessidade da comunidade ou indo mais longe até da própria sociedade. É, apesar de tudo, primordial  ter em conta que a sua actuação é colectiva e é neste sentido que não pode cair na tentação de ser um caminho de egos ou até de grupos de indivíduos cujo interesse está aquém do objectivo fundamental do projecto.

 

 

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ONG, bom ou mau?

por Robinson Kanes, em 19.10.16

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Como é que se fala com uma ONG (Organização não Governamental)? Costumo colocar esta questão múltiplas vezes e chego à conclusão que existem ONG’s que fazem um papel extraordinário e com impactes directos e indirectos na vida dos cidadãos ou animais... mas...

 

... existe uma grande massa de ONG’s que provavelmente existe porque... simplesmente existe... ou é uma óptima forma de promoção dos seus “associados” ou, em último caso, piscam o olho ao tão desejado subsídio.

 

Falo de algumas experiências que me chegaram de colegas e amigos que sempre que tentam o contacto com algumas destas instituições obtêm um silêncio que se arrasta por emails e emails, sem esquecer os telefonemas e um “simpático desprezo”... também já passei por tal.

 

Experimentem, muitos de vós conseguir um emprego, mesmo quando é raramente publicitado, em algumas destas organizações e... vejam o resultado.

 

Eu quero acreditar que estão todos na rua a ajudar o próximo e não dispõe de tempo para responder àquele que lhes remeteu um email à procura de emprego, ou simplesmente quer apresentar um projecto. Em alguns casos, até para se ser voluntário é uma aventura e... em muitas delas é importante estar-se bem relacionado. Ainda me recordo de um episódio ocorrido durante um jantar em que falando de voluntariado fui abordado por um amigo que imediatamente se prontificou a arranjar aquela cunha na instituição “y”... segundo ele era uma óptima forma de entrar na política e fazer o tão aclamado... personal branding.

 

Pergunto-me, para que servem? Porque existem? Se têm um fundo de apoio social cultural ou cívico, porque não prestam retorno perante a abordagem de terceiros? Falta de meios poderá ser a resposta... sim, mas a falta de meios servirá de desculpa para não olhar, ou ignorar potenciais projectos que podem mudar a vida de muitas pessoas ou até de regiões inteiras? Não é esse o trabalho destas instituições?

 

Mas alguns poderão afirmar: “algumas delas até fazem alguma coisa”. Sim, fazem. Mas em tempos de escassez de recursos, sobretudo económicos, não seria interessante aplicar os fundos em projectos cujo impacte justificasse a intervenção? Schindler dizia que “quem salva uma pessoa, salva o mundo”... de facto, mas o contributo de 10 milhões ao invés de ser aplicado para a salvação de 1000, deve continuar a ser aplicado na salvação de 1? São questões com as quais vamos ter de nos debater mais cedo ou mais tarde.

 

Os recursos são escassos e a solidariedade dos cidadãos começa a ser cada vez menor devido à ausência de resultados visíveis que vão além de campanhas que promovem o “ajudamos X pessoas” mas por aí se perdem.

 

Não deverá também o cidadão exigir mais destas instituições, nomeadamente em termos de apresentação de resultados e que vão para além de balanços e demonstrações (o que já é algo), muitas vezes revestidos de manobras contabilísticas?

 

Não deverá, em muitas situações, o cidadão exigir um trabalho com mais empowerment ao invés do perpetuar de situações de pobreza, decadência ou deterioração com medidas paliativas que só prolongam a situação até ao colapso final?

 

E os cidadãos? Em que medida podem trabalhar bairro a bairro, comunidade a comunidade, para eles próprios serem agentes geradores de mudança?

 

(imagem: Steps of Justice, 2016)

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Estamos quase no Natal (é verdade, já vi aqueles tradicionais bolos em alguns hipers), época de excelência para a solidariedade. Mas será que conhecemos bem o conceito de solidariedade? A solidariedade passa somente por... dar? Aí falaríamos de Dádiva (para uma abordagem inicial a este tema recomendo vivamente o clássico Ensaio Sobre a Dádiva de Mauss) e Reciprocidade mas penso que o sapo não conseguiria aguentar tanta matéria nos seus servidores e com toda a certeza ainda iríamos acabar por perceber que dar e dádiva são duas coisas que nem sempre caminham na mesma linha de actuação.

 

O Natal (em Outubro a falar do Natal, enfim...) é uma época de explosão consumista e à qual a solidariedade não é alheia. Mas a "solidariedade" que praticamos no Natal passa pelas boas acções de dar e com isso ficar perfeitamente tranquilo enquanto abrimos aquele presente... aquela mala caríssima, na noite de consoada, que daria para alimentar 100 pessoas no Sudão durante 2 anos. Não sou a miss mundo, logo também não vou explorar esta temática, pelo menos desta forma.

 

A solidariedade é algo que tem de viver connosco e não ser somente uma apropriação das instituições sociais ou até de indivíduos que no fundo procuram fazer algo pelos outros ou que encontram esse conceito uma vez por ano, sobretudo durante esta época. Pensem no trânsito (aqueles que conduzem)... e depois digam-me se são pessoas solidárias... excepto aquela senhora com ar simpático e um look atraente que me deu passagem à saída do IC2 para o Parque das Nações: se estiver a ler estas palavras, sim é para si. Até porque aquele indivíduo de SUV insistia em não me deixar entrar.

 

A solidariedade como instrumento, não de dar... por dar, mas de fazer algo. De criar um caminho. Falo sobretudo de iniciativas que visam não só capacitar mas dotar aqueles que mais precisam, não só de conhecimento teórico, mas acima de tudo de instrumentos, meios e acesso a financiamento (fora das instituições sociais, sempre que possível) que permitam o desenvolvimento de negócios e a promoção da sua inclusão. Meios que promovam a sobrevivência destes projectos com a autonomia dos próprios e sem a presença de estruturas de apoio (que por vezes são também causadoras de entropia).

 

Aí somos transportados para uma verdadeira prática solidária, sobretudo de nível económico, em que organizações empresariais colaboram numa lógica de parceria e partilha, fazem trocas comerciais e alteram o conceito de financiamento para o conceito de geração de negócio, de estar no mercado de igual para igual, com uma vocação mais humana, mais social e comunitária mas, mesmo assim competitivas. Organizações em que os seus gestores ou colaboradores são remunerados pelos dividendos gerados pelos seus negócios. E nesse campo, também é o desenvolvimento de uma prática solidária, que faz sentido, que tem impacte nas pessoas e na comunidade, que gera retorno e sobretudo que fomenta a autonomia dos envolvidos no processo de decisão do seu futuro e da sua vida. Organizações que podem dizer: o fruto do nosso trabalho gera X de retorno sem o receio de falar de valores monetários.

 

Muitos dirão que pode ser um discurso sem nexo e contra tudo o que é a solidariedade. Diria que também pode ser verdade, mas importa lembrar que é mais fácil enterrar a cabeça na areia e defender que a causa social não é um negócio (que o é, e em alguns casos, altamente lucrativo) e bloquear iniciativas de mercado cujo impacte na comunidade é de tal modo positivo que a geração de dividendos é somente o lado menos visível da actuação de muitas organizações empresariais.

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