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De Montjuïc te Contemplo...

por Robinson Kanes, em 31.01.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Saimos do bulício da cidade, da multiculturalidade do Raval e da multidão do Port Vell e subimos a Montjuïc ou "Monte de Jove"... Barcelona tem daqui uma das mais belas vistas - não terá sido por acaso que, desde os momentos pré-históricos, muitos povos se foram aqui estabelecendo. Por este monte, por exemplo, passaram os romanos que aqui ergueram o monumento a "Jove", daí o outro nome desta elevação.

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Quando subimos via "Passeig Josep Carner" - zona de "Drassanes" - a primeira imagem com que ficamos é arrebatadora: os "Jardins Mirador", onde se encontra o "Mirador de L'Alcaide", dão-nos uma vista única do Porto, da zona central e litoral da cidade. Mas não nos fiquemos por aqui, ganhemos forças e subamos até ao "Castell de Montjuïc", uma fortaleza do século XVII, um autêntico mirador de 360º da cidade e onde até os entusiastas da aviação podem observar o movimento no "El Prat". Podem dar uma vista de olhos pela interessante história deste espaço no website cultural do "Ajuntament" de Barcelona. Os que gostam de estudar a Guerra Civil têm aqui uma óptima fonte de conhecimento que inclui fotografias singulares dos bombardeamentos da aviação italiana e das peripécias (menos felizes) que tiveram lugar naquela fortaleza - recomendo vivamente. Admito que subir toda aquela colina de bicicleta e acabar no "Castell" era uma das coisas que mais satisfação me dava durante aqueles tempos em Barcelona.

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E se é de desporto que falamos, não poderemos deixar de falar do "Anella Olímpico", ou "Anel Olimpico", nascido aquando dos Jogos Olímpicos de Barcelona e que hoje inclui o "Estádio Olímpico Lluís Companys", o "Palau Sant Jordi" as fantásticas piscinas "Bernat Picornell" e a "Torre Calatrava", uma torre de telecomunicações projectada pelo mesmo arquitecto que projectou também a Gare do Oriente, Santiago Calatrava. Não é o mais fascinante que vamos encontrar, mas é algo que encontramos no caminho.

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Mas Montjuïc não é apenas um espaço com belas vistas ou com um cariz histórico-cultural, é também um lugar onde a Natureza por si só conquista todos aqueles que por aí passeiam ou fazem desporto - com intervenção humana, o Jardim Botânico é o mais emblemático, até porque as suas origens remontam a uma antiga lixeira.

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Depois de deixar a Carrer Ausiàs March de bicicleta, Montjuïc era o local ideal para preencher um dia de actividades onde não poderia faltar uma refeição ao ar-livre. Um local singular onde se conjugava a natureza, a história, a cultura e o desporto, sem esquecer todo um entorno paisagístico único! E se é de cultura que falamos, também é aí que encontramos a "Fundação Joan Miró" - não sou entusiasta do artista, mas as referências daqueles com quem privei eram óptimas. A par do "Poble Espanyol", foram dois espaços que nunca visitei - o último sempre o encarei como uma espécie de "Portugal dos Pequenitos" pois é o espaço onde podemos encontrar, em miniatura, alguns dos lugares mais belos de Espanha. Esta construção ainda é parte do que restou da Exposição Mundial de 1929 e que teve lugar naquela cidade. Mas já estamos a descer com uma vista espectacular sobre a zona de Llobregat. É por aí que encontramos o  "Museu Nacional de Arte da Catalunha".

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Este Museu, mesmo para quem não aprecia, merece no mínimo uma caminhada pelo seu exterior. Situado no "Palau de Montjuïc", é edificio classicicista (erguido para a Exposição Mundial de 1929) e que apresenta uma das mais belas colecções de românico do mundo - em termos de dimensão, é considerada a mais completa. Além da parte arquitectónica, nomeadamente o Salão do Trono e a Cúpula, sem dúvida que a visita às secções de arte românica e gótica são fundamentais, vejam as "Carpideiras". Claro que não poderia deixar passar um dos meus pintores de eleição como El Greco ("São João Baptista e S. Francisco de Assis", Tintoretto, Zurbarán,. Caliari, Tiepolo ou Tiziano que estão incluídos na colecção "Cambó" (uma nobre família Catalã) - por pouco me esquecia, mas tenho de me ajoelhar, também podemos encontrar nesta colecção pinturas de Rubens e Goya! E se pensarmos que estes e muitos outros também se encontram na colecção "Thyssen-Bornemisza"? Uma verdadeira "barrigada" de pintura que tornará qualquer dia mais especial e onde nem falta Canaletto.

 

Sei que já estou a ir longe, mas não poderia deixar de falar no acervo de pintura moderna que nos faz querer regressar, na eventualidade do nosso cérebro já não conseguir processar correctamente, perante tantas obras-primas. Não deixem passar o "Auto-Retrato" de Esquível, o espectauclar "Auto-Retrato" de Sorolla, as esculturas de Meunier e Rodin, a "Santa Madalena" e as paisagens de Jubany entre um sem número de obras que apaixonam até os menos entusiastas.

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Anoitece, regresso agora, na minha imaginação, depois de descer pela escadaria do museu com a bicicleta na mão, passo pela "Fonte Mágica" que emana as suas luzes mágicas (à noite e pontualmente) enquanto me preparo para fazer à estrada em direcção à "Plaça Espanya", não sem antes passar pelos pavilhões da "FIRA"... Decido se vou pela "Gran Via de les Corts Catalanes" ou desço a "Avinguda del Mistral" até ao "Raval" onde me posso encontrar com a Helena e o Felip e passar o resto da noite em boa companhia, entre uma ou outra cerveja e uma boa "escalivada".

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 Fonte da Imagem: Própria

 

Hoje, ao ver este sol radioso, deu-me imensa saudade de Espanha. Mas não de toda a Espanha, isso seria demais para uma manhã...

 

Deu-me uma saudade de percorrer a estrada de Segóvia até Ávila, de como é fantástico percorrer as intermináveis estradas que percorrem a Comunidad de Madrid e Castilla y León e de nos perdermos nos secos campos daquela zona de Espanha.

 

A saída ao fim da tarde de Segóvia e a chegada ao anoitecer a Ávila são das coisas mais fantásticas que se podem experienciar. Se Hemingway, tão apaixonado por Espanha, escreveu “As Verdes Colinas de África” pois bem que poderia ter escrito os “Secos Campos de Espanha”.

 

O fim de tarde com cores mediterrânicas, numa conjugação entre o sol de África e o calor da terra espanhola, o halo que esse sol de outro continente abre e permite presentear todos aqueles tão vastos campos com uma luz e fantasmas ancestrais... fazem-nos retornar a tempos antigos, de crenças e costumes, de tradições e identidades multiculturais.

 

Passar por uma “Yeguada” (éguada), parar o carro na berma da estrada e correr lado a lado com as éguas junto à vedação. A crina das éguas e dos cavalos ao vento enquanto correm é dos espectáculos mais bonitos que estes filhos do vento nos permitem vivenciar. Soltos de rédeas, só eles e os campos e... nós. Na Yeguada La Perla ainda encontramos um pouco de Portugal e podemos encostar a nossa cabeça ao cavalo mais dócil que alguma vez poderemos conhecer, o Puro Sangue Lusitano.

 

Deixamos para trás as Yeguadas e a estrada infinita.. em Zarzuela del Monte ainda nos é permitido olhar pelo retrovisor e apreciar a Serra de Guadarrama, bem ao longe, mas imponente e tão importante na história e na geografia do país.

 

A banda sonora que mais saudades me traz nestas aventuras teria de vir dos arredores de Madrid, de Aranjuez e das mãos de Joaquín Rodrigo . Para mim é uma obra-prima da música mundial e que permite tão facilmente conhecer a cultura e “el calor” espanhol logo a partir do primeiro compasso. Não assobiá-la em Espanha é considerado crime...

 

Falo do “Concerto de Aranjuez” escrito em 1939 (em Paris) já no final da Guerra Civil Espanhola. Se por sons for possível descrever a sangrenta guerra de irmãos e o cataclismo que se avizinhava na Europa este é sem dúvida o melhor documento. Escutem o Adagio e digam-me se não é verdade...

 

A história deste concerto, contudo é outra, mas a isso voltarei... afinal é das poucas composições que me consegue provocar um infinito número de sentimentos e emoções.

 

Por ora, vou fechar os olhos e tentar beber um pouco desse sol que me será trazido do outro lado da fronteira... por ora focarei os meus olhos naquele alcatrão imenso... por ora contemplarei o olhar querençoso de um cavalo... por ora deixar-me-ei envolver nos acordes de uma guitarra espanhola...

 

Hoje, poque vem aí o fim de semana, não sugiro um filme. Mas... como é de Espanha que falamos, nada como ler a "Esperança" de André Malraux, um "relato" profundo sobre a Guerra Civil de Espanha e onde me ficou, entre outros, este diálogo: "May ouça; não são precisos nove meses, são precisos cinquenta anos para fazer um homem, cinquenta anos de sacrifícios, de vontade de... de tantas coisas! E quando esse homem está feito, quando nada há mais nele da infância, nem da adolescência, quando verdadeiramente, ele é um homem, nada mais resta senão morrer".

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O "Concerto de Aranjuez", não consigo escolher somente uma parte do mesmo porque todo ele é sublime, mas o Adagio referido é a partir do minuto 5:15. Narciso Yepes, como não poderia deixar de ser. Quem gostar de Paco de Lucía também terá bastantes videos na internet.

 

 

 

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