Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



"Por qué no te callas" Mário...

por Robinson Kanes, em 06.01.21

677906.png

Créditos: https://sol.sapo.pt/artigo/645257/vice-do-conselho-da-magistratura-critica-excessos-de-linguagem-nas-sentencas

 

Se o medíocre se associa ao medíocre,  a arte de imitar, só produz mediocridades.

Platão, in "República"

 

 

É incrível como é que a questão da adulteração de um CV para fazer passar um indivíduo num crivo de um concurso internacional gera tanta polémica em Portugal. Será que estamos a evoluir e agora ao invés de termos 90% da população adorar uma boa cunha, um favor ou a mentir sobre a experiência profissional, só temos 60%? Pior ainda quando a escolhida/preferida é outra pessoa que já não importa tanto por causa das apertadas "golas".

 

No entanto, como diria o saudoso Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. O que me traz aqui é um Secretário de Estado Adjunto da Justiça que diz o seguinte sobre alguém que descobriu mais um esquema que envergonha qualquer um: "Quanto ao facto de ter sido retirado do Portal da Justiça um comunicado, a razão é simples: a dignidade das instituições e a autoridade democrática do Estado não permitem que dirigentes demitidos usem plataformas e serviços públicos como se fossem quintas privadas.". Parece-me bem, aliás, espero que Mário Belo Morgado faça disso exemplo para toda a estrutura da administração pública e local e a partir de agora esteja atento. Temo é que tenha de criar uma Secretaria de Estado só para isso. Isto é proferido no Twitter por um juiz superior e que já foi Director Nacional da Polícia de Segurança Pública (sim, é verdade, não estamos no Laos, mas é verdade)... Que sentido de responsabilidade! A censura e a falta de vergonha já não têm m limites quando para se destruir e achincalhar ainda se cai numa cinca bem pior.

 

Mas quem é o Mário? Refiro-me a este cavalheiro como Mário porque tenho dúvidas se será juiz ou político profissional tal é o número de cargos que já ocupou e que me levanta dúvidas entre aquilo a que se chama separação de poderes. Também é de estranhar que em Portugal existam tantos juízes ligados à política, quer por intermédio de cargos ocupados na mesma quer por distribuição de "benesses" aqui e acolá. O artigo de Nuno Gonçalo Poças que um amigo teve oportunidade de me enviar ontem, reflecte bem este estado da arte e a própria conivência do mais alto magistrado da nação com estes verdadeiros esquemas: o candidato Sousa, o mesmo que há mais de 20 anos continua em campanha eleitoral (descontado os anos em que queria ser o sucessor de Marcello Caetano e seguir as pisadas do seu ídolo Salazar), e nem se apercebeu que havia ganho as presidenciais. As intrigas e o comportamento de mulher de soalheiro não conseguem esconder que também Marcelo é um homem do regime e foge a sete pés quando tem que ser o Presidente diferente que diz ser. Espanta-me também (ou talvez não) que tenha sido Nuno Gonçalo Poças a fazer uma pesquisa tão aprofundada (onde nem a Ministra da Justiça escapa) sobre esta teia e não um jornalista.

 

Mas de facto, o Mário é perito em dizer uma coisa e o seu contrário o que, para um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, me faz pensar se tem estofo para a profissão que exerce. O Mário é o mesmo que defende abertura da justiça, que esta não deve ser secreta, mas depois gosta de mostrar tiques de censura no Twitter, sem esquecer que o secretismo em torno das actas do Estado de Emergência - para o Mário, estas não deveriam ser públicas. Mas voltemos às quintas, algo que o Mário parece não gostar, mas esquece que em 2018, emitiu um despacho como Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura onde pedia para ser consultado pelos magistrados das suas intenções de adiar processos e leituras de sentenças. Esta situação não ocorreu propriamente no seguimento de um processo em que um os visados tinha roubado fruta de pomar alheio, sucedeu nos casos de Duarte Lima e dos Vistos Gold.

 

Finalmente, o Mário que parece ter mais estofo para estar agarrado ao poder do que para ser juiz, é aquele que não foi reeleito para o cargo que ocupava no Conselho Superior de Magistratura, e até eu consigo entender o porquê: quem passar pela página do instagram da candidatura do mesmo fica com ideia que a Justiça é um pouco como dizia o saudoso Jeroen Dijsselbloem acerca dos mediterrânicos: "mulheres e copos". Chego a pensar se o Conselho Superior da Magistratura, no entender do Mário é uma espécie de Gambrinus ou efectivamente uma Tasca do Careca, mas com pior aspecto. Além disso o Mário não dispensa aquele nacional contração espasmódica de sacar umas boas selfies nas cadeiras do avião.

 

Na verdade, acredito que, como referiu em tempos o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, "os juízes reprovam essa situação (justiça de mãos dadas com a política), não por constituir uma ilegalidade (...)mas porque pode levantar problemas de ética”. Custa-me, embora reconheça a legalidade, ver juízes em cargos de confiança política, sem que abdiquem para sempre da profissão. No meu entender de cidadão, de Democracia e princípio da Separação de Poderes, tem muito pouco e se a isso juntarmos as ligações que muitos também têm com o futebol, dará que pensar se vivemos efectivamente nessa Democracia em que julgamos estar. Afinal quando temos alguém que exerce o cargo de Ministra da Justiça toma posse como juíza do Supremo Tribunal é o reflexo do estado ultrajante e totalitarista a que chegámos... Se voltarmos bem lá para trás, muitos dos envolvidos na teia que Poças apresenta ainda são encontrados no caso Casa Pia e em alguns factos que envergonhariam qualquer Democracia... Roma pagava bem aos seus generais, e pelos vistos na Lusitânia também os pulhas pagam bem aos seus bandalhos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

uigures.jpg

Créditos: https://www.dailymail.co.uk/news/article-3137211/At-18-people-killed-knife-bomb-attack-Chinese-Muslims-police-checkpoint-atheist-government-bans-fasting-Ramadan.html

 

O homo sapiens não é feito para a luta, por isso, devia aprender a arte e a sabedoria da fuga, como as lebres e os veados. Mas ele adoro a luta e a guerra. Quem terá criado esta criatura tão estúpida.

Yoko Tawada, in "Memórias de um Urso Polar"

 

 

O título deste artigo deve ser a justificação para o facto dos Rohingya e dos Uigures terem passado um pouco ao lado dos nossos pensamentos natalícios. Na verdade, assistimos a uma crescente destruição dests grupo étnicos islâmicos não só em Myanmar como na China. Enquanto no primeiro país a perseguição é clara e não se faz grande segredo em torno de, no segundo, as coisas acontecem de outra forma, numa lógica do gulag educativo e bom para todos - onde é que já vimos isto. 

 

O final de 2020 não vai trazer a vacina para que esta perseguição cesse, aliás, a mesma tem atingido outra dimensão no Bangladesh, onde os Rohingya que procuraram abrigo nesse débil país enfrentam agora, depois do medo em Myanmar, a deportação para ilhas isoladas daquele território. O Governo do Bangladesh afirma que as deportações são executadas com o consentimento dos próprios, todavia, não faltam testemunhos pela internet e pelas redes sociais do contrário. Myanmar, por sua vez, continua a limpeza étnica e recusa-se a reconhecer a cidadania a esta minoria. De facto, continuamos a cair nos erros do passado e só a reconhecer genocídios quando os mesmos passam a escala dos milhões de mortos - se bem que alguns genocídios, sobretudo para alguns indivíduos e partidos a Ocidente, parecem ser mais que os outros mesmo que a dimensão tenha sido maior. Também é importante não deixar passar que muito deste ódio teve o "alto patrocínio" da rede social Facebook que muito tardiamente começou, de forma branda, a encerrar as páginas de incitamento ao ódio.

 

Já a China comunista, e diante de quem o Chefe de Estado Português se babou, continua a sua perseguição aos Uigures com o intuito de alterar toda a sua génese e inclusive eliminar a sua fé islâmica. Na verdade, muitos dos membros desta etnia estão a ser enviados para campos de concentração, gentilmente apelidados de campos de reeducação e onde se procura desprover todos estes indivíduos daquilo que os torna... humanos. O número de detidos não cessa de crescer e a construção de campos de concentração também não, além de que a loucura não tem limites quando alegadamente até crianças com meses são encarceradas nestes campos de inferno. Assiste-se a uma verdadeira eliminação civilizacional e identitária, o que já não é uma novidade.

 

As demonstrações de preocupação que nos chegam de muitos países fazem-se notar de forma muito leve, um pouco como assistimos em períodos horrorosos da História do século XX, e onde a preocupação não é mais que uma formalidade expressa num comunicado de imprensa para ficar bem nos meandros da geopolítica e das relações internacionais.

 

Vamos ficando com a sensação de que os anos vão passando e um dos mecanismos mais maravilhosos do ser-humano, a memória, tende a ficar desgastada e corroída pelo supérfluo e pelo esquecimento. Tenhamos coragem de ousar e de fazer ouvir a nossa voz, porque o caminho para o inferno, segundo Sapolsky, está pavimentado de racionalização. Apesar de termos a falsa ideia de que elegemos os nossos governantes para nos representarem, é importante que tenhamos noção de que podemos sempre ir mais longe e garantir que a sua governação está sobre o nosso jugo... Isto se tivermos algum interesse no que se passa em locais bem distantes, é um facto...

 

Para os portugueses que também tanto andaram preocupados com as eleições norte-americanas e com a eleição de Biden, que não se esqueçam de fazer o follow up à promessa de campanha em que o presidente eleito afirmou que aplicaria sanções económicas à China motivadas pela situação dos Uigures e com a repressão em Hong Kong.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Porque Não Sou Apologista de Contra-Concursos!

por Robinson Kanes, em 16.11.17

showtime.jpg

 Fonte da Imagem: http://alpientertainment.com/en/service/showtime/

 

 

Este é o artigo que me pode custar todos os seguidores e todas as visualizações que vou tendo ao longo dos últimos tempos, todavia, e posto que já fui abordado com esta situação cumpre-me também dar a minha opinião, e não, como muitos sabem não me considero um "blogger". Ainda tenho muito que aprender e, muito honestamente, não é a minha área.

 

Espero também que este meu artigo, se for lido, seja entendido como algo construtivo, porque a ideia base deste "contra-concurso" foi muito interessante. Falo do concurso que para melhores "blogs" e que está a ser divulgado nesta plataforma.

 

1. Promover algo como forma de revolta a algo que aconteceu no dia anterior parece-me contraprudecente, esta é a minha opinião. Pode ser uma "brincadeira", mas a fazer que façamos as coisas bem. Maturar a ideia só trará bons resultados a longo prazo. Isto é uma espécie de resposta quente a um "email" que recebemos e não gostamos e que mais tarde tem consequências. Em suma, é o poder a cair na rua e sempre que assim é as coisas não correm bem.

 

2. Um concurso tem de ter regras, este que está a decorrer não as tem. Antes de falar tive de fazer uma pesquisa e vemos "bloggers" a nomearem três e quatro "blogs" para a mesma categoria e outros a não nomearem para todas. Mais exemplos existem, como nomear "blogs" que já estão encerrados. Tem de existir um fio condutor. 

 

3. Defendo que também, sendo um concurso, tem de decorrer em espaço neutro, aliás, até como mais-valia para o futuro, seria interessante ter um espaço próprio. Com espaço próprio quero dizer um "blog" próprio, além de dotar o mesmo dessa neutralidade, poderia e deveria ser gerido por "bloggers" que seriam sorteados à sorte e convidados a gerir o mesmo. À neutralidade seria possível dar um toque de imparcialidade também. Já diz o ditado que "à mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta" pelo que seria um bom começo e valorizaria e muito o papel da organização.

 

4. Penso também que seria de bom tom envolver a plataforma SAPO, e digo isto sem qualquer ligação à mesma, até porque quem me segue sabe que nem somos os melhores amigos. Daria até muito credibilidade à iniciativa.

 

5. Temos de ter em conta que o próprio SAPO dá primazia na divulgação de certos "blogs" e "bloggers" e que existem também bastidores activos e que não envolvem o SAPO. Como é que lidamos com esta situação? Não corremos o risco de cair num erro "Orwelliano" e substituir uma elite por outra? Será que estamos mesmo a chegar aos mais escondidos com esta iniciativa?

Como é que podemos conseguir que isso não aconteça? É uma discussão interessante para se ter. Aliás, não existindo um espaço neutro até a própria autora da iniciativa acaba por assumir um destaque face a muitos outros. Aqui vale o que vale, em meu entender, se teve a ideia merece disfrutar da mesma, mas nem sempre o público pensa assim.

 

6. Também não existe um sistema de votação único. Chocam várias formas de votação que levantam algumas questões: Ao colocar nos comentários os "blogs" nos quais vou votar não estou a influenciar outros votantes? Posso! Mas também o IP fica gravado e sabemos que o voto não é repetido, aliás, pode ser mas a origem é diferente e assim podemos reduzir a margem de erro.  Mas em privado a questões também se colocam: quem é que vota? Só "bloggers" ou também podem votar "não-bloggers"? E como é que garantimos que cada "email" por exemplo é único? Não é difícil a minha pessoa criar 100 enderenços e enviar nomeados.

 

7. Finalmente, e não me levem a mal, não vi tanto entusiasmo em criar e aderir a iniciativas de cidadania sobretudo face aos acontecimentos dos últimos meses. Um bom "blog" não deve ter impacte apenas na chamada "blogoesfera", um bom "blog" faz parte e toma parte no mundo real.

 

Nada disto invalida que a ideia não tenha sido óptima, bem pelo contrário - merece, aliás, os meus parabéns. E sim, é uma brincadeira e que todos se divirtam, vale mais alguma coisa do que nada. Eu nem me lembraria sequer...

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Mensagens






Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB