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Obrigado SNS!

por Robinson Kanes, em 26.08.20

15287fcb90c41af48bf9a578484890fe-783x450.jpgCréditos: https://zap.aeiou.pt/hospital-lisboa-sem-radiologistas-202802

 

Este não é um artigo que surja no rescaldo do "vamos todos ficar bem" (uma bela cópia forçada do que espontaneamente surgiu em Itália), das palavras amáveis com profissionais de saúde e com palmas à janela para televisão captar ou porque estávamos com um medo enorme de morrer de COVID-19.

 

Este é um artigo que surge para agradecer de facto o bom trabalho realizado por muitos profissionais que todos os dias dando ou não o seu máximo garantem a nossa saúde. É também para enaltecer o bom trabalho e colocar um contraponto aos que argumentam que dispendem rios de dinheiro no privado (quem acha que a saúde não custa dinheiro ou então é grátis anda completamente alheado da realidade) mas não dão uma oportunidade ao Serviço Nacional da Saúde, não é tão... Aliás, quando o tema é medicina privada, já repararam que ninguém vai ai hospital? Vão à Luz, aos Lusíadas ou à CUF, entre tantos outros.

 

Todos os dias conheço muitos e muitos casos com relativa proximidade, pelo que, me focarei num dos mais recentes.

 

Em pleno pico da pandemia em Portugal, e perante a impossibilidade de um utente se dirigir ao seu médico de família, foi-lhe sugerido que contactasse a sua médica via email - contactar a médica de família via email, em Portugal, ainda é uma daquelas coisas que faz levantar um tornado de reclamações. Deu-se o contacto, e no dia seguine surge uma resposta. Mais uma troca de emails e o "convite" para em menos de uma semana se dirigir ao centro de saúde. Entrada imediata, atendimento em menos de 30 minutos e sem a enchente habitual daqueles que frequentam os centros de saúde diariamente como se fosse o café. Quando, incrivelmente, não se paga nem um euro de taxa moderadora é natural que tudo isto aconteça. Ser consultado e não pagar por isso, pouco que seja, nos tempos actuais, é qualquer coisa.

 

Feita uma observação clínica, porque era necessário, foram marcados exames que ao fim de uma semana e meia estavam prontos. Nova análise à distância com uma rapidez louvável (no próprio dia da recepção dos exames) e uma resposta com a indicação de que estava marcada uma consulta de especialidade num hospital central, nomeadamente o São José, em Lisboa - a carta chegaria entretanto.

 

Em menos de um mês chegou a carta e também em menos de um mês a consulta teve lugar. Hospital, normalmente a abarrotar e onde  confusão reina, totalmente calmo, apesar de algum movimento. Auxiliares à entrada dos serviços com mais simpatia, afinco e dedicação que em muitos lugares onde se vendem artigos ou experiências de luxo.

 

Espera para se ser atendido? Nem 30 minutos. O especialista, um médico da velha guarda, com muito conhecimento que em menos de um minuto deslindou o caso e, não sendo nada de grave, "quase colocou" a opção de cirurgia nas mãos do paciente, pois não era um caso de extrema gravidade. Papéis assinados, uma enorme simpatia (e até sou da opinião que um médico pode, mas não está lá para ser simpático) e a informação de que seria agendada a cirurgia.

 

Cirurgias no SNS? Lista de Espera? Nem neste ano nem para o próximo. Passavam pouco mais de 3 horas desde a consulta e um telefonema de uma médica (não foi de um assistente administrativo) a indagar da disponibilidade do doente para uma cirurgia em menos de um mês. Face à resposta de que existia essa disponibilidade, ficou marcado e aguarda-se o contacto do secretariado tendo em vista o fornecimento de todos os detalhes.

 

Entretanto, em todo este processo, ainda nem um euro saiu do bolso do utente que nem é isento e fica perplexo como é que tudo isto se está a fazer sem custos. Sem custos directos para si, mas com um gigantesco custo para o SNS, ou seja, para o Orçamento de Estado e consequentemente para todos nós. Não é uma pessoa rica, muito longe disso, mas não consegue ainda hoje lidar com o facto de não pagar nada, e até a cirurgia parece não ser uma preocupação.

 

Por tudo isto e muito mais, OBRIGADO SNS!

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por MJP...

por Robinson Kanes, em 09.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: Amarjeet Kumar Singh/SOPA Images/Lightrocket via Getty Images - https://www.sciencemag.org/news/2020/05/doctors-race-understand-rare-inflammatory-condition-associated-coronavirus-young-people  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

O que aprendi nos últimos seis meses…

Quando recebi o generoso convite do R., que muito me honra e agradeço, para reflectir sobre o que aprendi nos últimos seis meses, pensei que seria uma boa oportunidade de colocar em palavras escritas o que me vai no pensamento.

 

E, assim, de repente  (ou talvez não!), já passou metade de 2020... um ano diferente... arriscaria, mesmo, dizer que este será, muito provavelmente, o ano mais atípico que a maioria de nós já experienciou...

Fomos brindados com acontecimentos inesperados  (inimagináveis)  que abalaram, algumas das nossas certezas...

No início do ano, creio que poucos pensariam que este vírus chegaria à Europa... à medida que o tempo foi decorrendo e as imagens do desespero  (e da morte), que chegavam de Itália e de Espanha,  invadiam os nossos ecrãs, fomo-nos dando conta que isto era "real"... que o"nosso dia" haveria de chegar... era inevitável a chegada do vírus a Portugal... muitos de nós, conhecedores das fragilidades do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) - onde eu me incluo - temeram o pior...

Entretanto, ocorreu o proclamado “milagre Português”, que redundou no cenário que, actualmente, experienciamos…

 

A verdade é que depois de muito pensar, não creio que tenha aprendido nada de novo nestes últimos seis meses (decorrente da Pandemia) … mas, a verdade é que, constatei muitas coisas que já sabia, nomeadamente:

 

- O Ser Humano é muito vulnerável e controla muito pouco (ou nada) à sua volta, ao contrário do que muitos pensam;

- O Bem comum deverá sobrepor-se à (minha) vontade individual, ainda que, signifique ter de abdicar da Minha Liberdade de circulação, que tanto prezo;

- Nada é garantido, de um momento para o outro tudo pode mudar “sem aviso prévio” e, por isso, devemos aproveitar o melhor possível o momento presente e não adiar aquilo que consideramos importante;

- O que se torna essencial, em momentos de crise, são as relações de qualidade que estabelecemos com as nossas pessoas e que se revelam à prova de qualquer distanciamento físico;

- A Saúde Mental (tão estigmatizada e desvalorizada) é muito mais frágil (e difícil de manter, sobretudo, em confinamento) do que a Saúde Física;

- As crises não tornam os indivíduos “melhores Pessoas”, apenas evidenciam as suas características mais marcantes, ou seja, tornam-nos mais refinados;

- O Mundo não é cor-de-rosa, não somos todos amigos e não vai ficar tudo bem para todos;

- O Mundo é um lugar repleto de desigualdades, que se evidenciam e acentuam em momentos de crise;

- Há sempre quem esteja pronto a lucrar com a tragédia alheia;

- A memória é curta e os erros cometidos são facilmente repetíveis;

- Há muita gente que não saber viver em sociedade, adoptando comportamentos de risco que fazem perigar a saúde alheia;

- Os profissionais de saúde apenas são reconhecidos e valorizados pelo seu trabalho quando uma crise sanitária se instala e ninguém deseja morrer por ausência de cuidados de saúde!!!  

MJP

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A Elite dos Otorrinos no SNS!

por Robinson Kanes, em 16.12.19

Stupid Stock Photos (1).jpg

Créditos: https://1.bp.blogspot.com/-Ao6nkr-G444/Tq2QXGb3JSI/AAAAAAAALCs/Gr7if-G6uv0/s1600/Stupid+Stock+Photos+%25281%2529.jpg

 

Os grandes valores não se definem, como se não define uma simples dor de dentes.

Vegílio Ferreira, in "Conta Corrente V"

 

 

Sou um acérrimo defensor do Serviço Nacional de Saúde (SNS), aliás, quando a coisa aperta é lá que todos vão parar! Junto-me nessa causa a muitos políticos deste país onde se inclui o Presidente da República que defende com unhas e dentes o SNS, sobretudo se a lista de espera, para este, não se aplicar.

 

O que vou contar vem de fonte mais que fidedigna, aliás, assisti a algumas das peripécias. Um doente que se desloque a um certo hospital da cidade de Lisboa e que seja um caso de vertigem postural paroxística benigna (VPPB) é atendido por um internista, o que é rotineiro. Mas, e porque existem critérios, não é visto por um otorrinolaringolista, mesmo que este esteja disponível. Ou seja, "leva" com o habitual "Betaserc" e com sorte um "Primperan", além do "vá para casa descansar que isso passa" (independentemente deste nem se aguentar de pé ou estar há dias/semanas nesta situação). E antes de começarmos a pensar mal dos internistas, lembrem-se que estes nada podem fazer quando o outro especialista recusa ver o doente... Nesta primeira situação, a enfermeira, já na triagem, pediu desculpas pelo facto de não conseguir que o doente (diagnosticado, por sinal no privado mas por um excelente profissional do SNS) fosse visto logo pelo otorrino pois já não é novo e é perfeitamente explicado pelo doente - o que não dispensa que o profissional de saúde faça a sua avaliação.

 

A verdade é que a velha história de que o "Betaserc" e o "Primperan" resolvem, não é assim tão linear. Existe ainda a hipótese de realizar a manobra de reposicionamento dos canalitos, (manobra de Epley) ou então a manobra de Sermont e a manobra de Brandt-Daroff. Existem especialistas que imediatamente seguem o caminho das manobras, outros nem tanto, mas não é a minha especialidade e não quero ir mais longe sob pena de começar a tecer disparates.

 

Com a repetição dos sintomas, o doente regressou ao hospital. Desta vez, temendo o mesmo tratamento,  foi a outro hospital central que, por sinal, nesse dia, tinha a urgência de otorrino a funcionar no hospital anteriormente escolhido. Sem solução, regressou ao primeiro hospital, onde o enfermeiro da triagem informou que o ideal era ser visto por um otorrino. Mais um telefonema, mais umas trocas de olhares e mais um pedido de desculpas por parte da enfermeira: "desculpem, não posso fazer mais, mas isto está assim...". E mais não digo para não comprometer ninguém.

 

Mais uma vez, a chegada ao internista, uma médica jovem e excelente, daquelas que ainda é humana. Contada a história, e após contacto com a especialista, seguido de contacto com chefe de equipa, sugere uma ida ao privado - e acreditem que insistiu muito para que o doente tivesse o tratamento adequado. A especialista recusara atender este caso - não reúne os critérios! Ou seja, após 20 minutos de insistência por parte da internista que diz não poder fazer mais nada, é sugerida uma consulta de urgência nos dois dias seguintes: isto enquanto o paciente vomita, vê tudo a andar à roda e não come há mais de 4 dias porque, passo a expressão, tudo o que entra sai. "Vão ao privado, ninguém merece ficar a sofrer assim só porque...".

 

Dois dias depois, com o doente um pouco recuperado depois de mais um dia e meio infernal, o atendimento numa consulta onde lhe é dado um novo medicamento que calmamente (mais de duas semanas e...) lá foi diminuindo os sintomas... Com manobras o alívio é quase imediato, todavia, mais do fazer ou não as manobras - não domino a especialidade - é esta forma de encarar os doentes. Se a culpa é dos otorrinolaringolistas, da direcção clínica ou do Ministério da Saúde, não sei, mas que nos colocar a pensar, é um facto e chega a roçar a omissão de auxílio. Mas também não é de admirar... Basta andar atento às peripécias (algumas criminais) que ocorrem com alguns directores de serviço nesta área...

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Vending de Bens Intangíveis...

por Robinson Kanes, em 22.08.18

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 Imagem: Art & About Sidney

 

 

O mundo das artes tem, cada vez mais, de estar aberto ao mundo real. Muitos artistas e correntes que vivem fechados em autênticos mausoléus ou em bairros das grandes cidades, como se estivessem acima dos demais mortais têm os dias contados, sobretudo quando os financiamentos públicos de projectos inúteis começarem a terminar - financiar cultura só porque sim não é o caminho, sobretudo em sociedades onde a grande maioria dos cidadãos já não são propriamente analfabetos.

 

É nesse âmbito que destaco um projecto, "Art & About Sidney" e um dos seus subprojectos, nomeadamente o "Intangible Goods", ou seja, bens intangíveis. Em relação ao projecto mãe, o "Art & About Sidney" não é mais que um projecto que procura, sobretudo junto dos artistas, a promoção de ideias que possam ajudar à definição do espaço urbano quer em termos de identidade quer em termos de desenvolvimento e bem-estar. Procura-se que artistas e público trabalhem juntos e criativamente desenvolvam projectos com real impacte no dia-a-dia de uma metrópole como Sidney.

 

Foi neste âmbito que um dos projectos mais interessantes teve lugar e por isso, também chamou a minha atenção. O "Intangible Goods" não é mais que uma iniciativa que, numa sociedade onde tudo se compra e tudo se vende, procura também trazer para o mercado algo que ainda ninguém consegue vender, e muitos parecem nem sequer perceber que se pode comprar... Que se pode sentir... Falamos de coisas como bem-estar, um propósito, paz, relações e mais um sem número de estados de espírito e emoções que não encontramos no supermercado.

 

Imaginem que numa "vending machine", aquelas máquinas onde colocamos umas moedas e nos sai uma sandes ou um café, conseguimos colocar à venda um pacote de "calma" ou de "repouso", ou então até de" amor" ou "auto-estima". Quais poderão ser os resultados? Sobretudo se estes produtos forem desenvolvidos por profissionais de saúde mental e artistas? E imaginem que alguns dos lucros acabam por reverter para instituições que trabalham na área da saúde mental, sobretudo do ponto de vista cientifico? Parece estranho, mas como qualquer produto de sucesso, também este passou por uma fase de teste e estudo de necessidades junto de uma amostra da população de Sidney.

 

De facto, parece-nos estranho comprar, por exemplo, um estado de alegria, todavia, mais estranho é poder viver essa alegria quase todos os dias, afinal Camus era o primeiro a dizer ("Entre Oui et Non") que tudo era simples, somente os homens é que complicava as coisas... No entanto, praticamente esquecermo-nos anos a fio que, por exemplo, a alegria existe e depende, em muito, de nós próprios.

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Fim-de-Semana com "Il Postino"...

por Robinson Kanes, em 15.12.17

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 Fonte:http://images3.static-bluray.com/reviews/13055_5.jpg

 

Existem filmes que nos marcam para sempre... Existem bandas sonoras que nos marcam para sempre... E existem livros que nos marcam para sempre... E porquê? Porque também existem pessoas que nos marcam para sempre!

 

Este artigo não é uma sugestão, é a força de várias emoções que fervilham sempre que vejo e escuto "Il Postino". De facto, ser em Itália, ter como realizador Michael Radford (relizador do "Mercador de Veneza"), ter Philippe Noiret (Pablo Neruda) e Massimo Troisi (Mario Ruoppolo) como actores, já vale muito.Confesso que o livro de Antonio Skármeta é uma daquelas situações em que o livro se deixa superar pelo filme.

 

Foi a minha miúda que me deu a descobrir este filme tardiamente... De facto, nos anos 90, era uma criança mas... Não é possível que só anos mais tarde lá tenha chegado.

 

"Il Postino" ou "O Carteiro de Pablo Neruda", é um filme que retrata sobretudo a amizade entre o poeta Pablo Neruda durante o seu exílio em Itália e um jovem (quase analfabeto) que decide aprender poesia e acaba por se emancipar por intermédio desta. É pela poesia e pelo uso das metáforas que conquista Beatrice (Maria Grazia Cucinotta) e começa a questionar um certo status quo que reina na ilha. 

 

Os diálogos e a relação que se estabelecem entre Mario e Neruda, são o grande ponto forte deste filme. Michael Radford conseguiu ir bem mais longe que Skármeta e trouxe-nos um filme envolvente e que está ao nível das melhores produções cinematográficas.

 

Um acontecimento paralelo ao filme, contudo, acabou por ser uma das imagens de marca do mesmo: o actor Massimo Troisi, que havia adiado uma cirurgia ao coração para poder gravar o filme, morreu no dia seguinte ao encerramento das filmagens. A personagem de Massimo, morre também no filme, depois de, influenciado por Neruda, ser convidado a declamar poesia numa manifestação comunista, violentamente reprimida pela polícia. Partilho a cena que apaixona todos aqueles que têm oportunidade de ver o filme... Em italiano, sem legendas... Foi sempre assim que vi este filme...

 

 

São filmes diferentes, mas coloco este num patamar muito semelhante a "Cinema Paradiso"... São filmes que nos marcam para a vida e que nos constroem como seres-humanos.

 

Finalmente, a banda sonora. Apesar de nomeado para os óscares nas categorias de "Melhor Filme" e "Melhor Realizador", foi com a "Melhor Banda Sonora Dramática" que "Il Postino" arrecadou uma estaueta. A música é brilhante, composta por mais um compositor da época "spaghetti western", o argentino Luis Bacalov, falecido em Novembro deste ano...

 

Para mim, uma das mais bem conseguidas bandas sonoras de sempre e que me trazem à memória um pouco de Buenos Aires e sobretudo de Itália e daquelas duas ilhas onde o filme foi filmado: a inesquecível Salina, uma das ilhas Eólias que ainda hoje recordo e a ilha de Procida, na Baía de Nápoles. Recomendo uma das versões que mais gosto e que se encontra no albúm "In Cerca di Cibo" de Gianluigi Trovesi e Gianni Coscia... Um acordeão e um clarinete de sonho.

 

É impossível que o tema principal não nos marque, é uma pérola e que já deu origem a diferentes versões e a qual partilho convosco...

 

 

Bom fim-de-semana...

 

P.S: Ao contrário do que foi noticiado, o agente da GNR atropelado ontem no Pinhal Novo não estava numa operação STOP mas sim numa zona onde se realizavam obras de conservação da estrada. Passei numa direcção e ainda o vi a controlar o trânsito. Quando voltava, já vi o equipamento do mesmo espalhado pela estrada e o corpo deitado no chão... Ainda não estava sequer em posição de segurança, o que nos fez pensar se não seria boa ideia verificar o que se passava... Espero que esteja tudo bem com este agente, que minutos antes da minha segunda passagem ali estava a comandar o trânsito.

 

 

 

 

 

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Paleo? Não é Realista!

por Robinson Kanes, em 06.11.17

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 Bodegón con Costillas , Lomo y Cabeza de Cordero, Francisco de Goya - Musée du Louvre

Fonte da Imagem: Própria.

 

Sempre que surge uma nova "dieta", existe um vasto número de "nutricionistas" na nossa praça que quase nos obrigam a aderir à sua ideologia alimentar. Para mim, e por ser um tema demasiado sério para andarmos a brincar com o mesmo ou a assumir o papel de um especialista, penso que cada um de nós deve consultar sempre um profissional da área... Não estamos propriamente a adquirir ou a aderir a uma forma de vestir - a "última" tendência é o Paleo ou os "Primitivos Modernos" ou "Neo Primitivos".

 

Não sou seguidor da corrente e muito menos especialista na área da saúde alimentar pelo que estudei um pouco sobre a matéria, mas não o suficiente, reconheço, pelo que os vossos comentários serão mais que importantes. Nestas matérias mais do que embadeirarmos algo em arco, só porque é cool ou está na moda, temos de ver todas as frentes, eu vou-me focar nos contras, porque prós não faltam, embora mencione alguns.

 

O desenvolvimento desta tendência tem por detrás o polémico Chef Pete Evans. Evans defendeu nos media que se começássemos a replicar a alimentação dos nossos antepassados do paleolítico, a nossa saúde melhoraria substancialmente. Pete Evans, apenas criou uma tendência, e com o devido usufruto para o próprio, mas temos de ter em conta que é só isso e até aí, nada a apontar. Importa sublinhar, contudo, que Evans apenas mediatizou o que já vinha a ser estudado por alguns especialistas que defendem esta prática há mais de 40 anos. Desenganem-se aqueles que pensam que é uma descoberta recente, livros dos anos 70 não faltam.

 

Um dos maiores contestários de Evans, é Marlene Zuk, especialista em Biologia Evolutiva na Universidade do Minesota e uma referência na área. Esta advoga que a dieta Paleo é baseada na ideia de que a genética humana não mudou desde há 10.000 anos para cá, nomeadamente, desde o desenvolvimento da agricultura. Todavia, mais uma vez e segundo a mesma, os nossos genes mudaram e isso fez com o nosso organismo possa perfeitamente "aceitar" alimentos que nunca seriam aceites pelo Homem do Paleolítico. Os especialistas como Zuk vão mais longe, e assumem até, que pouco sabemos do que se alimentavam os nossos antepassados pelo que não podemos sustentar tal teoria. Zuk é a autora do livro "Paleofantasy: What Evolution Really Tells Us about Sex, Diet, and How We Live".

 

Uma outra questão, prende-se com o facto dos defensores desta corrente excluirem das épocas históricas a questão social e das próprias necessidades - à época o homem tinha de caçar ou recolher o que a natureza lhe dava, hoje isso não é necessário, pelo que ficará a questão: justifica que nos comportemos como tal? Coloca-se ainda a questão de que tudo o que comemos actualmente, ou quase tudo, já sofreu a transformação do homem e da própria evolução natural - não podemos conceber que as frutas, legumes e até carne de outrora existam hoje como existiram um dia. Temos de ter cuidado e ter em conta que a tendência paleo não resolve todos os problemas de saúde, como em alguns casos já se tentou fazer crer - a propósito disso, este artigo publicado na Lancet, demonstra que o Homem de outrora não era propriamente aquele ser belo, de corpo esculpido e saudável. Já vão sendo realizados alguns estudos, todavia, muitas doenças poderiam não ocorrer no paleolítico pelo simples facto de muito poucos atingirem uma grande longevidade... Além disso, as doenças actuais não estão só relacionadas com a idade mas também com o estilo de vida e outros factores que vão bem para lá da alimentação. 

 

Outro pormenor prende-se com o facto do Homem, ao longo da história, ter estabelecido diferentes dietas que sempre dependeram da geografia e da variedade de "produtos" disponíveis. Recomendo o artigo de William Leonard na Scientific American de Dezembro de 2002 e este outro da Nature realizado com base no estudo do ADN da placa dentária dos Neandertais - se gostarem desta matéria, para lá das dietas, é sem dúvida uma viagem interessante. Ambos os estudos têm acesso pago e por esse motivo as minhas desculpas.

 

Um outro factor, e aqui creio que podemos extender a todas as dietas, está relacionado com a importância de prevenir aquilo a que os americanos chamam o "what the hell effect", algo como "efeito, mas que raio" e que não é mais do que sublinhar que a prática de diferentes dietas não leva a uma perda de peso, bem pelo contrário. Este comportamente surge também devido à vulnerabilidade a que muitos estão sujeitos assim que "caem em tentação". Neste campo, os estudos vão mais longe, e apontam que basta só a ideia de se ter quebrado determinado regime alimentar, para que os indivíduos percam o auto-controlo. Sugiro este estudo da Universidade de Toronto. 

 

Finalmente, a adopção de determinados hábitos como o regime paleo, pode levar, inclusive, à perda de um ambiente social agradável e também a restrições que são irrealistas para os dias de hoje. Esta é também a opinião de Charlotte Markey, psicóloga e professora na Rutgers University com 15 anos de investigação nesta área. Sugiro o livro "Smart People Don't Diet: How the Latest Science Can Help You Lose Weight Permanently" e também o artigo "Don't Diet!", da autoria da mesma, e publicado na Scientific American Mind de Setembro/Outubro de 2015. Podem encontrar o artigo online mediante pagamento ou adquirir, como eu, a revista.

  

Todavia, nem tudo é mau, uma das vantagens apontadas para esta dieta, é a ausência das chamadas "comidas processadas". Penso que aí é indiscutível. 

 

Com isto, não procuro censurar quem segue estes hábitos (é uma escolha dos próprios, livre e que deve ser respeitada), contudo, temos de ter cautela quando utilizamos o conceito de ciência como se fosse marketing ou um lifestyle, até porque dizer que hoje é possível adoptar uma forma de estar paleolítica é totalmente absurdo - ainda não conheci ninguém que adira a este modo de estar e viva numa caverna sendo recolector ou caçadorO ideal, será sempre conhecer diferentes perspectivas e, sobretudo, quando é de saúde que falamos, conversar com os verdadeiros especialistas (a favor e contra). 

 

 

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"My Hospi Friends"

por Robinson Kanes, em 05.06.17

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Fonte da Imagem: https://myhospifriends.com/en/my-hospi-friends/the-social-network.html

 

Não sou contra redes sociais, mas também tal não me pode impedir de ver o que estas trazem de negativo. É como gostar de pessoas e não me ser possível criticar o que estas têm de mau.

 

No entanto, hoje, venho falar de uma ideia muito interessante e que se reveste também de rede social, nomeadamente a "My Hospi Friends". A "My Hospi Friends", que no fundo poder-se-ia traduzir por "Os Meus Amigos do Hospital", nasceu da vontade de Julien Artu que após um acidente de automóvel acabou num hospital. Sendo eu uma pessoa que também tenta ver algo de bom em tudo, mesmo tudo, depressa percebi que estar numa cama de hospital tem as suas vantagens: dá-nos tempo para pensar! Vão por mim.

 

Foi exactamente isso que Julien Artu fez! Julien pensou e desenvolveu uma plataforma que permite que vários hospitais criarem a sua própria rede social para os pacientes!

 

As vantagens são várias, pois permitem a comunicação de modo formal e informal entre as instituições e os pacientes, por exemplo, a organização de eventos, ementas e um sem número de utilidades. Permite também, e seguindo os exemplos anteriores, que se criem jogos e actividades "online". Mais que isso, permite que as pessoas comuniquem numa rede social e partilhem também as suas experiências, criem grupos e partilhem vários outros conteúdos.

 

Imaginem uma espécie de "Facebook", embora a "My Hospi Friends" até seja uma plataforma bem mais interessante, inclusive do ponto de vista gráfico, dedicado somente a um nicho e perfeitamente especializado na abordagem, não sendo generalista e consequentemente sendo isso mesmo: uma rede social sem interferências externas, o que não acontece propriamente no "facebook", por exemplo.

 

Para mim, sobretudo numa época em que a criação de coisas novas é uma cool trend (tendência "fixe"), mesmo que a utilidade seja igual a zero, acredito mais na reinvenção e a aprimoração do que já existe. Este é mais um interessante resultado.

 

E afinal, sobretudo quem já esteve algum tempo hospitalizado perceberá, quantas experiências interessantes já não partilhamos com alguém nesse ambiente e quando deixámos aquele espaço pura e simplesmente perdemos o contacto?

 

Mais informação disponível em https://myhospifriends.com/en/

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A Doença Que Nos Acossa!

por Robinson Kanes, em 19.01.17

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Jean Baptiste Greuze, A Maldição Paternal (Museu do Louvre)

 

Cada vez mais, tenho a impressão que andam todos tão empenhados em ser felizes nas redes sociais e junto dos amigos que se esquecem de ser felizes em casa, no trabalho ou até quando ninguém está a ver.

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Naturalmente, estarão a pensar, porque é que me atrevo a afirmar tamanho ultraje... na realidade, é que nem a desculpa do “solinho faz bem à saúde” permite a uma grande parte de nós estar bem de saúde! Se é na Irlanda é porque chove e ficamos doentes, em Inglaterra o mesmo, na Suécia morre-se com depressão... então e o “solinho” em terras de D. Afonso Henriques? Parece não ajudar.

 

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o cidadão português é o indivíduo mais” doente” do dito mundo desenvolvido, ou melhor, o que mais se sente em baixo no que toca a essa variável. Desenganem-se todos aqueles que pensam que o rosto fechado do alemão é por doença, ou que a frieza do holandês ou do norueguês é causa de uma patologia no intestino e sem qualquer cura possível...

 

Os portugueses são o povo que se vê como o mais doente à face da terra! Até o húngaro carrancudo e com ar de prisão de ventre consegue ter mais saúde que nós! Até os gregos andam melhores que nós e comem molho Tsatziki antes de atacarem um borrego grelhado com especiarias que nunca mais acabam! Até nos Estados Unidos, onde ir ao médico é o mesmo que comprar um apartamento de luxo na baixa de Chicago sem saber como é que se vai pagar, até aí... as pessoas se sentem mais saudáveis que nunca! Mesmo em países onde a sigla SNS (Serviço Nacional de Saúde) é uma espécie de sonho em ganhar o Euromilhões... até aí, as pessoas se sentem mais saudáveis.

 

O que se passa com o portugueses? Será que a minha lógica do “cara de atum” afinal tem uma base científica que corrobore o meu devaneio?

 

Daqueles que se queixam por tudo e por nada seja o reino dos céus, já dizia Cristo, segundo S. Mateus, pois deles serão os estudos que corroboram tanto mal-estar!... 

 

Fonte da Imagem: Própria

Fonte do Gráfico: OCDE Estatísticas da Saúde, 2015.

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