Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O Anselmo e os erros ertográficos em televisão...

por Robinson Kanes, em 03.09.19

transferir.jpg

Créditos: https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/erro-da-rtp3-sobre-catalunha-inspira-trocadilhos-nas-redes-sociais

 

 

Quem nunca deu um erro ortográfico, mesmo que por gralha? Eu já! Dizem que as minhas mãos falam, e quando o tempo é pouco, lá se escapa qualquer coisa - sim, os textos do Robinson raramente são revistos. 

 

A propósito de alguns artigos publicados no Delito, venho procurar uma explicação para tanto erro ortográfico nos canais de televisão e até nos jornais (online e não só): agradeço ao Pedro o facto de nos dar algumas pérolas porque eu não tenho nem vejo televisão.

 

Uma das explicações poderá estar na história que vou contar. Em tempos, tirava eu o meu primeiro curso e dividia a minha casa com um colega de Gaia - vamos chamar-lhe "Anselmo". O "Anselmo" era um indivíduo que gostava de carros e velocidade e que tinha acabado de entrar numa outra faculdade, mais precisamente para o curso de Engenharia Mecânica.

 

Gostava do "Anselmo", fazia-me rir e era um verdadeiro maluco, não gostava era de estudar. Admito que ainda tentei, mas o "Anselmo" passava mais tempo a fazer street racing e em encontros de malta que gosta de acelerar do que propriamente na faculdade e até na cidade onde deveria estudar. Deixem o "Anselmo", eu também não fui nenhum menino...

 

Os pais do "Anselmo", indivíduos com poucas dificuldades, mais tarde, lá arranjaram forma de colocar o filho na residência de estudantes, sempre se poupam uns "cobres" e o contacto assim foi sendo perdido, mesmo que o pobre "Anselmo" em dois anos tivesse comprado dois carros novos - a troca deu-se, porque o primeiro, a gasolina e topo de gama, já não servia e era preciso apostar em mais cavalagem, mas a diesel. Percebem agora porque é que os serviços sociais tiveram pena do "Anselmo": pagar uma vida de luxo, os estudos e um apartamento/quarto, não está ao alcance de um "pobre" indivíduo.

 

Tudo isto para chegar ao dia em que o "Anselmo" (ou alguém por ele), mexeu os cordelinhos, que isto de estudar não ía dar em nada e de repente se vê a trabalhar em part-time na RTP. E que trabalho (bem cunhado) foi esse? Legendas e rodapés de programas de televisão! O "Anselmo" não era bom de letras, mas afinal para entrar na RTP também nunca foi preciso um grande CV, enquanto existir quem pague todos os meses a contribuição audiovisual há lugar para "todos". Numa coisa, no entanto, o "Anselmo" foi bom: conseguiu a trabalhar para o Estado, enganar o próprio Estado e manter todos os apoios escolares mesmo sendo trabalhador-estudante, lá está e repito, no próprio Estado.

 

Mas, como o "Anselmo" existiam mais, na RTP não, mas a trabalhar no sector público (ainda hoje tento perceber como se é Técnico Superior sem curso superior). Aliás, pelas residências de estudantes pululavam estes parasitas, ou não fossem estas, alvo de brincadeira por parte de muitos perante o facto de possuírem o melhor parque automóvel da faculdade. Alguns e algumas até se vangloriavam dos supostos esquemas para enganar os serviços sociais ou então ostentavam a sua rede de contactos para afirmar o porquê de tais regalias.

 

O primeiro ano passou, o "Anselmo" chumbou (quase a todas as cadeiras), e eis que no segundo ano, pouco ou nada mudou, a não ser o carro, como referi. Também não mudou um certo grau de deficiência escrita e oral, o que pouca importa para se escrever rodapés num canal de televisão público e auferir mais que um gestor de algumas empresas. Mudou o carro e o "Anselmo" passou de part-time a full-time o que levou o "profissional" de televisão ao abandono da faculdade. O "Anselmo" podia não ser bom em muita coisa, mas a fazer pela vida sem muito trabalho era exímio.

 

Talvez, não faltem por aí muitos "Anselmos"... E assim sendo, pois Pedro, muitas das suas inquietações poderão estar esclarecidas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

https---arquivos.rtp.pt-wp-content-uploads-2016-12

 Fonte da Imagem:https://arquivo.imgix.net/https%3A%2F%2Farquivos.rtp.pt%2Fwp-content%2Fuploads%2F2016%2F12%2Fmeio-seculo-de-televisao_1481647219.png?fit=crop&h=461&ixlib=php-1.1.0&w=860&s=b8898264b144e6b636ca5322df42dc78

 

Consultei, após ter visto uma notícia pouco clara sobre a matéria, o "Relatório para a Igualdade de Género, Cidadania e Não Discriminação" encomendado pela Rádio Televisão Portuguesa (RTP) - importa notar, para este artigo, que a RTP é uma das fundadoras do Fórum Empresas para a Igualdade.

 

Após uma introdução e um enquadramento legal com um carácter teórico louvável, onde se discorre sobre valores e ética, conclui-se "no que se refere à eliminação de eventuais discriminações, ressalva-se que a RTP apesar de não mostrar evidencias, tem realizado um esforço e consciência no incremento progressivo do género feminino ao topo das carreiras e a posições de chefia e cargos de responsabilidade estratégica" - ou seja, não há evidências mas tem sido feito um esforço, não há provas suficientes desse esforço mas ele está lá, neste tipo de relatórios este tipo de subjectividade não pode nem deve constar.

 

Outras questões que se colocam estão relacionadas com a antiguidade dos colaboradores pois "a maioria dos trabalhadores se encontra nos escalões etários entre os 45 e 54 anos, sendo que 68,6% dos trabalhadores têm idade igual ou superior a 45 anos". Sou dos primeiros a defender que os mais velhos têm um lugar importante nas organizações, mas 68,6% de headcount  com 45 ou mais anos de idade não é sinal de uma organização dinâmica. 

 

Uma outra variável - e aqui assumo que sou de uma geração que não sonha com o emprego para a vida no mesmo local - prende-se com o facto de praticamente 60% dos colaboradores ter mais de 20 anos de casa! Aqui as interpretações podem ser várias, na medida em que pode ser um recrutador atractivo, mas também uma organização que pode não estar a acompanhar os tempos em termos de inovação, dinâmica e até recursos humanos. 

 

A resposta à questão anterior poderá estar na média salarial que se situa entre €2.219,99 para as mulheres e os €2.344,33 para os homens o que cria um certo comodismo (ambos são os números de um salário-base). A diferença, segundo o relatório, deve-se sobretudo ao facto de serem mais homens a ocupar cargos de responsabilidade. Já tinhamos aqui alguma matéria para análise, não só na questão de género (tão em voga) mas também na discussão de que em Portugal se trabalha só para o salário.

 

Contudo, chegamos à conclusão que a RTP, empresa pública paga por todos nós (mesmo por quem nem sequer tem aparelho de televisão ou rádio) remunera muito bem os seus colaboradores, isto à escala portuguesa. Tal não me assustaria se fosse uma organização privada mas... Fará sentido que uma empresa que dá prejuízo veja ser injectados milhões e mais milhões dos contribuintes e pague salários acima da média nacional, premiando, desse modo, os constantes e já mencionados prejuízos? Será que a RTP presta, efectivamente, um serviço público? Porque é que os contribuintes são obrigados a garantir a sobrevivência desta estação que nem sempre é conhecida pela sua transparência que, muitas das vezes, começa ao nível do recrutamento?

 

Porque é que na RTP, tal como a TAP, sempre que se fala em privatização, surge um coro de protestos com movimentos criados para o efeito - sempre pelos mesmos, sendo o mais famoso o realizador António Pedro Vasconcelos sempre patriota com a RTP e com a TAP mas muito pouco com o resto do país e demais instituições e valores. Que terá a RTP de tão especial que "não pode" ser privatizada mas pode continuar a dar um prejuízo gigante a todos nós, quando se privatizaram empresas estatais lucrativas e reconhecidas pela qualidade do serviço? Que interesses serve a RTP não só na política mas em algumas áreas da nossa sociedade? Todos sabemos que a um Governo, seja ele qual for, importa ter o seu canal televisivo e radiofónico, mas os tempos mudam e a cidadania deveria exigir mais da RTP.

 

Finalmente, e retomando a questão salarial, poderemos alegar que estamos perante profissionais, muitos deles, com qualificações superiores, mas aí também temos de fazer a ponte para a realidade nacional e as surpresas estarão à vista. Pegando no slogan de um movimento criado pelo indivíduo acima citado, é razão para dizer "não tap os olhos", ou neste caso, "não nos tapem é os olhos".

 

O estudo pode ser consultado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds



Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB