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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Chegamos ao último de cinco artigos em que procurei encontrar algumas das coisas boas que temos por Portugal. 

 

Dediquei este último artigo ao Ribatejo. Mais uma vez, culpa da minha paixão pela região e também pela parca divulgação que a mesma tem. Para muitos, infelizmente, o Ribatejo continua a ser apenas uma boa almoçarada em Almeirim. Contudo, também muitos são aqueles que ainda desconhecem as verdadeiras riquezas deste lugar, inclusive eu, que não me canso de ser surpreendido.

 

Para conhecer muito do que este território nos dá, é essencial que as quatro rodas fiquem pelo caminho, aliás, as duas rodas (sem motor) serão fundamentais para percorrer parte do caminho que leva Muge à Ponte Rainha D. Amélia - o ideal será mesmo deixar o automóvel em Benavente e fazer a estrada do campo até Muge. É perto dessa localidade que podemos seguir lado-a-lado com a linha de caminho-de-ferro do Ramal de Vendas Novas e que liga Setil (perto do Cartaxo) à vila que lhe dá o nome, já no Alentejo. É um ramal de mercadorias e que atravessa paisagens deveras interessantes. 

 

Foi o início da construção deste ramal que levou também à construção de uma das mais bela pontes que temos em Portugal: a Ponte Rainha D. Amélia, inagurada pela própria e pelo Rei D. Carlos a 14 de Janeiro de 1904. Esta ponte liga o concelho do Cartaxo a Salvaterra de Magos e permite uma fabulosa panôramica do Tejo já com Santarém à vista. Com projecto de António de Vasconcellos Porto, esta ponte foi, à data, considerada a ponte ferroviária mais extensa da Península Ibérica. Outra curiosidade, não menos interessante, é o facto desta ponte ter sido a única travessia ferroviária sobre o Rio Tejo em Portugal até à adaptação da Ponte 25 de Abril em anos mais recentes.

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Em 1987, a ponte viria a ser substituida por uma outra de betão, contudo, como forma de preservar um património singular e também permitir a deslocação das populações dos dois concelhos que abrange, a Ponte Rainha D. Amélida foi, em 2001, inaugurada como ponte pedonal e rodoviária. Parar durante a travessia da mesma é possível, sobretudo se circularmos a pé ou de bicicleta. É aí que podemos ver a imensidão do Tejo na sua deslocação para a Azambuja, antes de chegar a Vila Franca de Xira onde começa a sentir o sal do oceano.

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Percorrer o Ribatejo é sempre uma aventura e uma descoberta e, para os mais aventureiros, além da companhia do Tejo e dos carris é fácil deixarmo-nos envolver pela imensidão dos férteis campos agrícolas e pela avifauna que percorre todas as margens daquele rio. Com um pouco de sorte, podemos encontrar também vários amigos de quatro patas, os "filhos do vento" que por aí deambulam.

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E claro... Se conseguirem pedalar, voltem a Muge e sigam em direcção Almeirim porque já não fica longe. A Sopa da Pedra, a Espetada de Lulas ou a Perna de Borrego do Minhoto são divinais, isto sem mencionar a simpatia e boa disposição que encontramos sempre no Ribatejo. Se a boa disposição é importante, também não posso deixar de mencionar o Toucinho e aí prepare-se para sentir o Ribatejo à mesa em cada gargalhada forte ou em cada animada discussão sobre touros. Também é comum encontrarmos indivíduos de nacionalidade espanhola e com eles entrarmos numa animada festa! (recomendações imparciais e sem qualquer componente publicitária, baseadas somente numa experiência de quem já frequentava estes dois espaços ainda era um feto). 

 

Podem também, aproveitar para fazer um piquenique nos vários recantos que se encontram ao longo das margens do Tejo. Não será difícil encontrar um onde se possa comer e relaxar um pouco  e apreender toda a tranquilidade que aquela região nos traz e à qual, até o próprio Tejo não é indiferente na sua lenta e pacífica deslocação até ao mar...

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Notas De Um Feriado no Ribatejo...

por Robinson Kanes, em 25.04.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

O Ribatejo...

Muitas vezes falo do Ribatejo, pelo cheiro da terra, pela bravura e espírito de sacrifício das suas gentes, pelos pastos verdejantes no Inverno e pela aridez dos mesmos no Verão. Pelo vinho que naquela terra tem um sabor especial, sobretudo se bebido num café de estrada entre cartazes tauromáquicos e calor de gente da terra! Mas o Ribatejo é uma paixão, é um sentir, é um viver numa dimensão mediterrânica única. É uma terra rica na fronteira entre o Norte e o Sul de um país.

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Terra de "toiros" como dizem os aficionados, terra de "toiros" como aqueles que perdem horas a observar estes senhores de negro que vagueiam pelos pastos verdejantes. Chamam-lhes "gado bravo" mas é no seu olhar que encontramos a busca de paz e o afastamento que desejam de todos aqueles que lhes tirem o seu agradável descanso.

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E com tudo isto, já falta tão pouco para as Festas da Ascensão na Chamusca... para umas migas no Poiso do Bezouro (publicidade não paga e baseada na experiência e na imparcialidade como deve ser qualquer sugestão), mas... mais que as migas a acompanhar uma carne ribatejana frita, o calor e a simpatia dos colaboradores, a entrega das cozinheiras que mesmo fora d'horas não deixam os comensais à porta. Para um almoço tardio naquela antiga adega ainda com o cheiro de outros tempos e, cuja decoração original, dispensa qualquer investimento em desprestigiantes adereços modernos e descontextualizados.

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 Bom feriado, quem sabe... com um passeio pelo Ribatejo...

 

 

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Fim de Semana o Cão e o Ribatejo!

por Robinson Kanes, em 07.04.17

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Fonte das Imagens: Própria 

 

Com o fim de semana à porta, vem também a limpeza e o engomar. A isto, alia-se o limpar o carro, escovar o cão e...

 

Contudo, ultimamente denotei um pormenor. Tenho o hábito, sempre que estou a passar a ferro, de ouvir música. Isso não é novo. No entanto, tenho-me deparado que existem músicas que confortam mais o meu cão que outras. Por exemplo, reparei que Mozart não é o estilo do canídeo (excepto o Requiem). Todavia, se ouvir Rachmaninoff ou até Tchaikovsky o senhor da casa fica mais sereno e até parece apreciar as composições. Mas não é só música clássica! Uma das paixões do príncipe, e também minha, é Diana Krall... Acredito que esta noite, entre ferro e limpezas, vou ser acompanhado pelas "Quiet Nights" - não é inédito, é um clássico de Bossa Nova de 1963 e com o título original de "Corcovado" - com a autoria do Mestre Jobim. Contudo, na voz desta senhora, tudo é tão... mágico... (sugiro a compra do CD a quem o possa fazer, pois o leque de composições merece bem a pena).

 

Uma sugestão para o fim de semana? Quem não for em romaria à praia pode sempre ir até ao Ribatejo - e este a dar-lhe com o Ribatejo - parece-me ser uma escolha óptima. Se acham que não, vejam as imagens e estas nem são nada distantes de Lisboa.

 

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Talvez tenha uma relação especial com este território, sobretudo com as suas gentes e com a proximidade que nos é trazida com a terra, com os animais, com o trabalho árduo mas apaixonado, com algum marialvismo e garra bem ribatejanos... é bom olhar a corrente do Tejo, o ar do Sorraia e ao longe apreciar o desfile de cabeças de gado ou então das cegonhas com o seu "tac tac tac tac"...

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(ao fundo, uma Garça Real)

 

Numa semana onde a Humanidade perdeu mais um pouco daquilo que lhe dá nome, parece ser uma oportunidade para relaxar e aproveitar as "Quiet Nights" do Ribatejo, agradecendo o barulho das aves nocturnas ao invés do som da morte...

 

Bom fim de semana...

 

As "Quiet Nights"...

 

 

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Fim de Semana de um Estranho no Paraíso...

por Robinson Kanes, em 24.03.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Tinha vontade de falar de Londres, sobretudo porque tinha “pessoas” no Parlamento, mas... será que vale mesmo a pena? Não. Até porque hoje já todos regressaram aos trabalhos e só o “sensacionalismo” de uns ainda está focado na temática. E além disso, a história, neste caso, é de quem a vive... falem da Síria, de África, da Ásia, ou até de certas coisas que envergonhariam o próprio Satanás. Estou religioso, de facto...

 

Mas é fim de semana e já não falava aqui um pouco das limpezas e do estar agarrado ao ferro e à tábua. Também vai ter de ser...

 

Entretanto descobri que perder em média 45 a 60 minutos a preparar uma carta de apresentação bem bonita e um CV adequado à posição não traz resultados. Diz-me o marketing que pelo menos em cada 10, um cai! E em cada 500 ou 1000 não cair nenhum? Talvez porque o produto nem seja visto ou o “marketeer” é mau. Todavia, no que toca a este aspecto quero continuar firme como o Ethan Hawley de Steinbeck.

 

Para o fim de semana sugiro que vejam um filme bem adequado à semana que passou e aos tempos actuais... não, não é o Exterminador Implacável (embora pudesse ser, se nos lembrarmos da inteligência artificial). É o “Homem Elefante” de David Lynch, revi esta semana... se há um filme brilhante deste realizador é este! Uma história de dignidade humana que não deixa ninguém indiferente... à diferença. Além do excelente realizador (nem sempre...) ajoelhem-se perante Anthony Hopkins, John Gielgud, John Hurt e Anne Bancroft! O filme é de 1980 mas a preto e branco para dar mais enfâse ao cenário Vitoriano e à história. Deveria ser uma visualização obrigatória...

 

Se me é permitido, uma música... uma música que traz Borodin para o palco, pois a melodia é do mesmo, foi herdada deste compositor para posteriormente ser interpretada no musical “Kismet”. Confesso-vos que cantada pelo Tony (não é o Carreira) consegue projectar um halo de sensações múltiplas, sobretudo para aqueles que se sentem... estranhos no paraíso (talvez como John Merrick, o Homem Elefante, quiçá...). Tony Bennett pode ser música de velho, mas é dos meus preferidos, além disso foi o único que conseguiu fazer a Lady Gaga cantar alguma coisa com nexo e aproveitar a boa voz que a mesma tem.

 

 

E hoje há jackpot! E uma “passeata”? Vamos ao Ribatejo? Os “piquininos” já nasceram...

 

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Bom fim de semana...

 

O Homem Elefante (trailer... um trailer dos bons...)

 

Tony Bennett - "Stranger in Paradise" 

 

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