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Dizem que é "Personal Branding"...

por Robinson Kanes, em 08.03.19

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Créditos: https://www.freepik.es/psd-gratis/hombre-elegante-senalandose-si-mismo_938521.htm

 

É só para dizer que se um indivíduo passa a vida no LinkedIn a empolar o seu trabalho, a dizer que é o maior e que até recebe prémios, que tem muito orgulho na equipa (que por vezes nem lidera) e defende que a sua empresa é fantástica além de que é óptimo trabalhar em tal local onde tudo é perfeito e as condições são mais que muitas é porque...

 

...está à procura de emprego!

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Paulinha no País das Mascarilhas...

por Robinson Kanes, em 07.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.pinterest.pt/pin/51158145743906666/ 

 

 

Um destes dias, um antigo colega encontrou-se comigo para um café e falámos daquelas coisas pelas quais passámos... E que interessam pouco mas enchem os minutos com conversa e dão a sensação de que se alguém nos liga ao fim de uns anos é porque tem um bom motivo para isso: um pedido!

 

Conversa e mais conversa, lá percebi que não ter facebook e outras redes sociais é uma coisa óptima e sempre me ajuda a controlar uma qualquer veia "comadreira" que possa ter, leia-se gossip. Minto! Tenho uma rede social que é o "LinkedIn" e foi aí que o Gomes me apanhou. O Gomes, sempre atento ao mercado e à vida dos outros lá me mostrou o sucesso que a "Paulinha", uma antiga colega do departamento de recursos humanos estava a ter nessa mesma rede. Interessante, afinal, depois de ter deixado o emprego porque não aguentava a pressão e tipo de trabalho que lhe era atribuído e quer era de acordo com a sua formação, lá tinha encontrado um caminho.

 

A grande questão é que a "Paulinha", qual mascarilha, também no LinkedIn escondia a sua verdadeira face... Afinal, a responsável pelo payroll (processamento de salários, digam lá que já não parece outra coisa), naquela sua passagem pela organização também tinha sido responsável pela implementação de um projecto de desenvolvimento, formação e responsável por toda essa área... Caramba, e eu que me lembro de que a "Paulinha" mal se via e não me recordo sequer de alguma vez ver aquela triste figura (sim, era daquelas tóxicas) a abraçar esses projectos...

 

Eu sei que é gossip, mas caramba "Paulinha", é preciso mentir assim tanto? E quantas personagens destas não abundam por aí e o pior disto tudo é que existem pessoas que acreditam! Acreditam até alguém lhes dar um projecto para as mãos e sair tudo "furado", todavia, quem for esperto tem sempre alguém para culpar e aí se vão perpetuando estas pragas por muito do nosso espaço de trabalho... 

 

Mas o Luisinho é igual, quem o vir no LinkedIn fica com a sensação que é quase o CEO da empresa mas depois é um mero administrativo que, por sinal, deixa muito a desejar... Depois temos a Mariazinha, que não tem redes sociais e no meio de tudo aquilo... É quem tem mais responsabilidades e efectivamente desempenha as funções que os outros dizem fazer. O Luisinho até escreve títulos profissionais pomposos em inglês quando nem domina a língua... Digam lá que não é formidável...

 

Honestamente, espero que a Paulinha encontre emprego numa qualquer companhia de teatro ou até na televisão... Afinal a sua verdadeira vocação é a de comediante e, para isso, basta aproveitar essas mesmas redes sociais e continuar a contar umas chalaças. No entanto, uma coisa é certa - vai ter mais sorte a "Paulinha" do que aquele que colocar a verdade no seu CV, seja em que plataforma for... É assim, no país das mascarilhas, onde parece que todos usam chapéus com ventoinhas...

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Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Em tempos, por aqui passaram algumas perguntas... Hoje, reparo que todas estão por responder, motivo pelo qual as coloco lá mais para baixo, no entanto, novas perguntas surgiram...

 

Porque é que continuamos a ter um Ministro das Finanças que prejudica o país a troco de bilhetes para a "bola" e continua a sair impune? E nem é só este...

 

Porque é que os relatórios e as investigações dos incêndios de 2017 continuam a ser desprezados e sem apuramento de responsabilidades?

 

Porque é que, aquando do escândalo da "Raríssimas" (eu sei que já ninguém se lembra e os culpados ficaram impunes) se disse que não era a prática comum na área social, mas casos destes não faltam em Portugal? Quem o disse continua no activo quer como Primeiro-Ministro, Ministro da Solidariedade e Segurança Social e Presidente da República. E muitas destas instituições continuam a ser aclamadas como bons exemplos de solidariedade.

 

Porque é que as instituições que trabalham na área social, à semelhança das instituições desportivas, gozam de total impunidade neste país?

 

Porque é que existem pontes em risco de cair, linhas-férreas destruídas, património a cair e ninguém parece preocupado com isso, mesmo quando alguns espaços são concessionados e ninguém hesita em cobrar... Por exemplo... Portagens ao preço do ouro?

 

Porque é que todos os negócios danosos do Estado nunca têm culpados?

 

Porque é que as Comissões de Inquérito Parlamentar nunca dão em nada?

 

Porque é que a Lei do Financiamento dos Partidos vai passar e a pouca vergonha corruptiva vai continuar - resultou a manipulação aos cidadãos quer por parte dos partidos quer por parte do próprio Presidente da República que interviu no momento em que os cidadãos estavam revoltados, mas agora com os ânimos mais serenados, vai aprovar a mesma enquanto fala de voluntariado - voluntariado, essa mão de obra a custo zero que enriquece muitas instituições neste país!

 

Porque é que Portugal é dos países onde se passa mais tempo preso (porque se rouba uma carteira com 10 euros, por exemplo) mas os presos por corrupção quase que se contam pelos dedos de uma mão, sabendo nós que é o grande cancro e o veículo destruidor do país e consequentemente da vida dos cidadãos?

 

Porque é que os sindicatos da Autoeuropa (conduzidos pelo PCP e pelo BE) estão a tentar entrar noutras indústrias de Palmela e Setúbal, onde ainda não têm peso, com o intuito de destruir o tecido produtivo da região?

 

Porque é que a Santa Casa da Misericórdia é uma das instituições mais ricas do país e até se dá ao luxo de comprar parte de um banco como o Montepio que, apesar do mau momento, continua a dar grandes festas que enchem a Altice Arena? Não é estranho o silêncio da nossa classe política em torno deste caso?

 

E permitam-me... Mas porque é que o terceiro comentador da nação que usa humor para fazer política e não ser responsabilizado pelo que diz (falo de Ricardo Araújo Pereira) aponta sempre as balas a partidos como o PSD, mas quando a escandaleira anda pelos partidos mais à Esquerda ou dos corporativismos em que este se movimenta - e que o alimentam - não parece ter tanto interesse em dizer piadas humorísticas dotadas de sentido de manipulação? Cuidado quando falamos de mérito e de currículos...

 

E não querendo abusar e exaltar a minha pessoa... Quando falei de redes sociais como o Facebook e mencionei (eu e muitos outros) as vulnerabilidades das mesmas e a possibilidade de ocorrência de factos como os que agoram estão na origem deste escândalo recente, chamaram-me "desactualizado e quadrado". Os mesmos cuja única coisa que dominam é o email e o smartphone... Perdoem-me, mas numa blogosfera onde tanta gente é perita em personal branding, tive de ter o meu momento...

 

Até breve...

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E agora as perguntas de outros tempos - também aqui

 

- Como está a situação das instituições responsáveis pela alimentação dos bombeiros durante os incêndios do Verão passado? Ao que se sabe, não foram raros os casos em que o dinheiro foi para um lado e a comida para o outro.

 

- Por falar em dinheiro, por onde andam os milhões, aqueles muitos milhões, que muitas instituições declararam ter recebido a propósito do incêndio de Pedrogão? Eu sei que é raríssimo prestarem contas ao cêntimo, mas onde andam? Porque é que os envolvidos não falam, inclusive aqueles que deram a cara no espéctáculo realizado na Altice Arena e outros? 

 

- Como é que o ministro Vieira da Silva passa nos pingos da chuva, não dá respostas convicentes e agora é inocente? Há tanta coisa por explicar, como sugerir que as queixas sejam encaminhadas para o Ministério Público e não faça o devido seguimento, quer junto desta instituição, quer dentro do seu próprio ministério! Hoje dizem-nos que um tesoureiro alerta para movimentações bancárias anormais, mas isso não pode ser considerado uma hipotética gestão danosa.

 

- Afinal, o que é que aconteceu em Tancos?

 

- E ninguém questionou o Primeiro Ministo do porquê de, com a conivência da lei, ter travado um caso judicial, o célebre caso das escutas que, segundo o Ministério Público, se revestia de crimes de extrema gravidade para o país e para o Estado Democráctico. Ninguém perguntou porque é que pactuou com o crime quando "ignorou" um parecer da Procuradoria Geral da República que dizia, mais ou menos desta forma, que esta legislação permitia que alguns interesses instalados se perpetuassem mesmo lesando ao mais alto nível o Estado Democrático.

 

- Depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter ido a Angola, não só por interesses de Estado, como está a relação do nosso país com aquele Estado? Afinal que lá foi fazer este senhor?

 

- Porque é que a política se continua a imíscuir nos negócios dos privados? Ainda não esquecemos a Altice e a estranha interferência de Governo e partidos de esquerda na Autoeuropa. Além disso, estes dias com a fábrica fechada são os chamados "down days" que acontecem em muitas outras fábricas, não é assim tão normal em indústria! Não entendo o dilema actual!

 

- Onde andam as roupas doadas que continuam a ser vendidas por muitas Instituições de Solidariedade Social?

 

- Porque é que a UBER é ilegal mas continua a actuar sem que sejam tomadas medidas?

 

- Porque é que num país laico, insistentemente temos um Presidente da República a fazer a apologia do catolicismo e que "só" as instituições da Igreja fazem o bem pelo país?

 

-Porque é que o escândalo nas messes da Força Aérea é tão pouco falado? E porque é que perante as acusações que foram feitas de que tais esquemas são praticados por todas as Forças Armadas desde os tempos do antigo regime, não se actua?

 

-E por falar em Tecnoforma? Alguém tem ouvido falar disso?

 

-Porque é que Portugal continua a ser o país dos apelidos? Basta olhar para a política, para cargos em instituições públicas e mesmo em instituições privadas cuja relação com o Estado é fundamental para a sobrevivência das mesmas.

 

-E afinal. Como é que está a situação da casa comprada abaixo do valor de mercado por Fernando Medina?

 

-Porque é que os "jobs for the boys" são uma real instituição "criminosa" portuguesa e ninguém parece estar interessado? Haverá um "boy" em cada português empregado no público ou até no privado?

 

-Porque é que partidos como o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda parecem não existir desde há uns tempos para cá? Ou aliás, existem para sugerir o impossível para os funcionários públicos e para os seus... O resto do país não terá interesse para estes?

 

-Porque é que ainda hoje as palavras do Francisco, do Zibaldone, me fazem tanto sentido:

"Aos que pensam que a corrupção e a evasão fiscal são de pouca monta, só tenho a dizer: por cada pessoa corrompida, há outra que pode aparecer morta por denunciar o crime; por cada pessoa que utiliza cunhas para entrar num emprego, há outra que fica à porta e começa a descrer num sistema que impede a mobilidade social; por cada pessoa que foge aos impostos, há milhões que passam fome ou vêem os seus negócios arruinados pela violência fiscal exercida sobre os mais fracos".

 

-Porque é que a EMEL, uma das empresas mais lucrativas do país - estranho, tratando-se de uma empresa pública de estacionamento - vai receber 4 milhões de Euros do Turismo de Portugal? A EMEL esse grande responsável pelo turismo em Portugal...

 

-Porque é que a propósito dos incêndios de Pedrogão, só temos como arguidos, até agora, devo ressalvar, aqueles que combateram o incêndio? Porque é que o relatório do Ministério da Administração Interna não teve o peso político e mediático que teve o da Comissão Independente?

 

- E onde andam os desenvolvimentos, se é que existem, acerca dos esquemas onde foram apanhados Paulo Portas e o vice-comentador da nação Luis Marques Mendes? O comentador todos sabemos quem é... Comentador de umas coisas e ausente de outras.

 

- Porque é que se criminaliza tanto na praça pública a amizade de José Sócrates com Carlos Santos Silva e e pouco ou nada se fala da grande amizade de Marcelo Rebelo de Sousa com Ricardo Salgado?

 

- Porque é que ser Presidente do INEM significa andar sempre metido em "cambalachos"?

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Mas Ela não Queria Atravessar...

por Robinson Kanes, em 13.12.17

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(Editado a partir do original publicado a 07 de Novembro de 2016 e que me veio à memória após alguns comentários no artigo de ontem e depois de mais um caso em que a "solidariedade" se mistura com a "voracidade"). 

 

Num destes dias, em mais uma reunião de executivos na Taberna dos Cabrões (ela existe mesmo e fica no Montijo) dei comigo a discutir uma matéria interessante ligada ao personal branding.

 

Não fui o palestrante (quem me dera colocar aqui uma foto em cima do balcão com um headset e um led screen por detrás com a minha imagem e umas garrafas de vinho tinto ribatejano vazias) até porque naquele contexto não tinha curriculum para tal e já vão perceber porquê.

 

À mesa, algumas personagens que decidem os destinos de algumas vidas num raio de 50 metros da dita Taberna: o Sr. António (reformado da indústria transformadora), o Sr. Fernando (idem), o David (o anfitrião e um Chief Happiness Officer nato), o Sr. Lucas (comunista convicto), o Sr. Lima (agricultor) e o Zé dos Canivetes (ninguém sabe muito bem o que ele faz, mas consta que se dedica a uns trabalhos de construção civil), o Sr. Matos (um antigo funcionário das finanças), o Sr. Vasco (trabalhador numa herdade ribatejana) e o Sr. Zé (forcado). Denotem que nenhum deles gosta que os trate por “Senhor”.

 

Na verdade, todos eles, inclusive eu, temos inquietações sobre a arte do personal branding. No entanto, a temática foi mais longe e nisto o Sr. Fernando começa a explanar sobre a “mania das importâncias” e os impactes nessa prática. Chegados à conclusão que naquela cidade ribatejana não faltavam exemplos, a tertúlia chegou às redes sociais e... imagine-se ao LinkedIn!

 

Só eu tinha LinkedIn, aliás não estranho, sendo aquele grupo tão especial, só veio mostrar mais uma vez que as pessoas que mais admiro e que mais se pautam pela competência e capacidade de trabalho não têm LinkedIn.

 

Posto que as conversas são como as cerejas, chegámos à “solidariedade”, tão em voga nas redes sociais. É bom ser “solidário” e além disso esse rótulo ajuda a desbloquear alguns entraves no mercado de trabalho e até nas influências, não sejamos ingénuos.

 

Recordo-me agora das várias partilhas a que tenho assistido nesta rede com actos de perfeita “solidariedade”: é aquele sem-abrigo que convidamos para almoçar, aquele indivíduo bagageiro com ar de pobrezinho ao qual pagamos um bilhete de avião como gorjeta de hotel para ir visitar a família ou então, uma fotografia junto de umas crianças sorridentes que não fazem a mínima ideia do que estão ali a fazer. Parece-me bem e louvável, mas não há tip sem selfie, senão depois como é que eu me promovo nas redes sociais?

 

Até que ponto muitas destas histórias são realidade? Ou sendo, até que ponto são forçadas? Não há limites para o personal branding? É um reflexo do nosso tempo, aliás é por isso que em breve vou iniciar um curso na área da antropologia que procura explicar o porquê da necessidade de fazer posts. De tudo o que leio e já tive oportunidade de observar e estudar, penso já ter algumas respostas.

 

Todavia, dirão os mais críticos: “ouça lá Robinson, se não falar disso, ninguém irá saber, certo?”. Errado talvez, na medida em que nem sempre o apoio/ajuda/intervenção junto de outrem justifica uma imediata “mediatização” da minha pessoa. Alguns dos actos mais nobres que já vi serem realizados não tiveram publicidade e se no fundo queremos mudar o mundo, já deveríamos ficar contentes com o sorriso que daí pode advir. Aliás, o Marketing Social também aí tem uma palavra a dizer em relação a tais limites.

 

Não estaremos a cair no erro daquela história popular em que, a uma turma do ensino primário, é solicitado que façam uma boa acção e aquando da avaliação, três dos alunos dizem ter ajudado a mesma “velhinha” a atravessar a rua. Perante o espanto da professora (três pessoas!) estes respondem que a dita senhora não queria atravessar, daí tal necessidade de reforços. Há quem vá mais longe e com a publicidade do acto crie uma associação que apoia velhinhas que desejam atravessar a rua, garantindo assim, que no futuro todas as refeições serão à base de ostras e camarão. Até haverá espaço para os "herdeiros da parada" iniciarem o seu percurso profissional a "ajudar" os outros.

 

Confesso que penso nisso de um modo que visa a ideia em como corremos o risco, até nestas áreas mais sensíveis de criar um efeito perverso e camuflado de intenção e denote-se que não critico o meio mas sim o fim. É cada vez mais ténue a linha que separa o egoísmo da reciprocidade e da benevolência e isso pode ser perigoso. O mesmo seria extensível a outras áreas, inclusive os recursos humanos, que a meu ver nunca tiveram um lote de candidatos tão solidários, competentes e capazes como hoje... ou um lote tão vasto de profissionais de marketing pessoal e outro talvez ainda mais vasto de propagandistas.

 

“Mas há gente boa”, dirão uma vez mais aqueles cépticos. Claro que há! E ainda bem! Por exemplo o Sr. Fernando que, praticamente sem reforma, todos os dias alimenta o cão abandonado que lhe apareceu à porta, ou o Zé dos Canivetes que teve vergonha de dizer que gastou 30 euros numa campanha do Banco Alimentar (podia ter escolhido melhor, eu sei) ou finalmente do David, que além de oferecer requintadas “ginjinhas” aos visitantes, oferece tamanha boa disposição que transforma um momento de tristeza num fim de tarde de riso e boa disposição (e a culpa não é da ginja).

 

Algumas curiosidades:

Personal Branding: espécie de "eu é que sou bom" ou "olhem para o que eu digo que faço e coloco nas redes sociais, mas não falem com quem trabalha comigo,  a não ser que seja um amigo";

Chief Happiness Officer: uma moda para mostrar que somos muito amigos das pessoas, nada mais;

Tip: gorgeta, mas reparem lá se tip não é muito mais in?

Post: hoje ninguém escreve "comentário", é só por isso.

Selfie: sou eu, estão a ver que sou eu? Sou mesmo eu! Eu estive lá...O que é que lá fiz? Não sei, mas estive lá, vejam!

 

 

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Há Festa no Panteão! E Mais Houvesse!

por Robinson Kanes, em 13.11.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

E mais uma vez, a ditadura das redes sociais ditou que um não-tema se tornasse num dos mais comentados. O segredo para se conseguir algo do Governo, da Justiça ou seja lá do que for é colocando o mesmo nas redes sociais pois são estas bem mais importantes que a palavra ou a acção dos cidadãos. Liderarmos com base no que dizem as redes sociais vai-nos levar por um caminho perigoso...


Festas e outros eventos sempre existiram em monumentos nacionais! Fossem religiosos ou não, este tipo de eventos sempre existiu ou os jantares e as festas privadas de uns iluminados deste país nos Jerónimos (que rapidamente são abafadas quando se descobrem) são o quê? E outras tantas festas que acontecem em conventos e igrejas, são o quê? 

 

Será que os portugueses se revoltariam tanto se soubessem quanto custam aqueles jantares de Estado em Queluz, Mafra ou mesmo na Ajuda. Será que os portugueses se revoltariam com os luxos que pagam às autarquias, poder central, outras tantas instituições do Estado e subsidiodependentes de toda esta máquina? 

 

Não entendo a revolta com um jantar de gala num espaço que tem um custo de aluguer de €3.000.00! São os que criticam esses jantares que se revoltam por pagar para entrar nesses espaços! No entanto, se o Panteão estiver a cair aos bocados já nos revoltamos porque ninguém o repara ou fica em estado de choque quando vê o valor dos seus impostos reflectido no funcionamento dos mesmos! Quem me dera que todos os dias existisse um jantar no Panteão e outros monumentos nacionais, desde que salvaguardando o património.

 

Vamos proibir as visitas turísticas, porque são entretenimento, vamos proibir os espectáculos musicais porque são entretenimento, até o artigo que escrevi em tempos sobre o Panteão é uma devassa do espaço e deve ser proibido! Não sugiro que se façam "raves" no Panteão, todavia um jantar de gala é um evento nobre, protocolar! Só num país onde as pessoas estão habituadas a ter tudo de mão beijada se pode colocar esta questão, não admira por isso que as contas públicas sejam o que são.

 

Eu ficaria do lado dos contestatários se estes perguntassem porque é que algumas figuras lá estão sepultadas e outras não... Se são estes os nossos heróis, diria que alguém não estudou história. Sobre isso não vejo ninguém a colocar questões. Destes contestatários, quantos já foram ao Panteão? Quantos sabem quais as figuras que lá estão sepultadas? De repente os comentadores de tudo e de nada tornaram-se patriotas porque sempre dá mais uns "likes".

 

Todos os dias existem eventos em Portugal e não são só aqueles que surgem nas televisões. Todos os dias somos visitados por grupos de empresas que realizam imensos eventos e usufruem também destes espaços, pagando pelos mesmos e garantido a conservação e funcionamento destes. Até naquilo que é de todos queremos ter a nossa "quintinha"? Ainda criticamos o orgulhosamente sós que um estadista em tempos proferiu. 

 

Surpreende-me também que o próprio Primeiro-Ministro tenha apelidado esta iniciativa de indigna aproveitando a mesma para, políticamente, criticar o Governo anterior, esquecendo que bem antes do mesmo já haviam lá sido realizados eventos com a chancela do seu partido e até do próprio António Costa, quem diria! Então não estarão lá potenciais investidores na economia do país? Não estamos a trabalhar pelo desenvolvimento de Portugal? Até porque alguns dos que lá estão sepultados ao invés de darem algo ao país, sempre viveram foi à sombra do dinheiro deste país. Uma nota de destaque para Paddy Cosgrave que rapidamente veio a público pedir desculpas. Reconheço que foi um acto de nobreza, mas não o deveria ter feito - solicitou um serviço que lhe foi prestado. Também Marcelo Rebelo de Sousa, na sua já habitual atitude de cata-vento da nação criticou o jantar, tudo a bem das sondagens e depois de perceber a reacção popular. Eu criticaria as feiras do livro (comerciais) em Belém... Sobretudo quando este tem um histórico de promover livros na televisão, maioria dos quais nunca leu... É sempre mais confortável seguir a linha da popularidade, sempre nos dá um destaque...

 

Mas finalmente falemos de mercantilização - se para os partidos e senhores deputados deste país o Panteão não deve ser mecantilizado, então deixemos de financiar também os partidos que devem ser independentes na sua acção a favor do país! Deixemos também de mercantilizar as almas de muitos deputados, sindicatos e funcionários deste país a bem da sobrevivência do mesmo! Será que se não fosse a mercantilização dos reais interesses da nação muitos destes senhores optariam pelo caminho político? Não me parece!

 

O dinheiro não cai do céu, embora por cá todos tenhamos a ideia de que podemos gastar o que temos e o que não temos que depois alguém paga a conta... Não é assim! As coisas têm custos e esses custos têm de ser pagos e se for através do encaixe que advém pela dinamização e divulgação destes espaços, porque não?

 

Quem se quiser revoltar, revolte-se com isto: em tempos tive de organizar um evento num monumento nacional, um dos mais importantes deste país! Pagámos o espaço e alguns serviços adjudicados em exclusividade (que o mesmo espaço obrigava a contratar) e no final, aquando da recepção das diferentes facturas, temos um recibo ("recibo-verde") da pessoa que acompanhou o processo (receber-nos e enviar os custos somente). Questionámos e foi-nos dito pela mesma que era assim! Estranhámos a situação e indagámos junto de entidades que já haviam passado pelo mesmo e que nos aconselharam a não falar muito e pagar sob pena da respectiva pessoa nos dificultar a vida ao máximo e quase embargar o evento! Estamos somente a falar de uma técnica que trabalhava naquele espaço! Mas mais uma vez, criticar uma festa é mais cómodo do que criticar corrupção, porque aí pode algo pode explodir bem perto de nós e ninguém quer levar com estilhaços!

 

Que bom seria, se todos os dias existisse um jantar no Panteão e que toda esta raiva por parte de muitos cidadãos e políticos tivesse sido demonstrada quando mais de 100 heróis nacionais perderam a vida há menos de 6 meses! Que esta raiva se unisse contra os grandes problemas estruturais deste país e deixássemos os afectos e os aspectos decorativos para depois...

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O Ódio Dos Moralistas...

por Robinson Kanes, em 22.06.17

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Artemisia Gentileschi - Judite Decapitando Holofernes (Galeria Uffizi)

 

Fonte da Imagem: Própria

 

O drama dos incêndios (e outras recentes polémicas) criou um facto curioso e que me fez ir à procura de “material” que permitisse dissertar sobre algumas inquietações e ter também o vosso retorno.

 

De facto, torna-se interessante assistir a um comportamento nas redes sociais e até nos blogs que já não é novo mas que, pela proximidade dos acontecimentos, torna as situações mais evidentes.

 

Vejamos... Nas redes sociais, nos media digitais e nos blogs, de um momento para o outro passamos do sentimento mais comovente e de revolta com os factos para as fotografias das “mini-férias” ou do fim de semana espectacular no Algarve. Rápida a transição do “estou em choque” para o “yuppie” (também existe o contrário)... Sim, estou chocado, mas tenho a necessidade de mostrar ao mundo que estou em “altas”. 

 

Mas o que tem sido interessante é a proliferação da mensagem contra o “ódio”. Hoje em dia, discordar de uma situação ou do status quo é odiar (ou populismo), sobretudo se o ódio for contra aqueles que defendemos (ou somos pagos para defender) diariamente em blogs e redes sociais. Interessante também, que muitos dos que criticam o ódio acabam por incitar ao mesmo, especialmente quando recorrem ao vernáculo e ao ataque directo...

 

Eu tenho mais medo dos “amigos” (e dos alpinistas) que defendem alguns do tal “ódio” e que são privilegiados na comunicação do que daqueles que odeiam e soltam os seus desabafos no momento... É que os últimos não procuram manipular ninguém e tendem a ser insentos. Acredito que muitas vezes só querem justiça, mesmo que não expressem essa vontade da melhor forma. Tenho medo daqueles que vivem tranquilos, à sombra de clientelismos, de uma pseudo-fama e de alguma pseudo-importância que nos tenta ser impingida todos os dias no sentido de nos fazer acreditar que são estes os "representantes" da voz do povo - e não falo de políticos como já perceberam. Não tenho medo do povo "revoltado", aliás, nem qualquer bom estadista tem medo do seu povo...

 

A apatia (ou falsa apatia) tende a reinar sobre a justiça... E se um povo pede justiça, ao invés de também descarregarmos um discurso de ódio, devemos inicialmente pensar o porquê de tanta revolta, de tanto ódio, se quisermos considerar uma solução. A apatia que nos faz ser líderes de uma certa sobranceria virtual não nos torna melhores do que aqueles que criticamos, pelo contrário.  Mas talvez seja mais fácil ignorar a interrogação de Steinbeck e deixarmo-nos arrastar ao invés de nos deixarmos guiar pelos nossos principios. Talvez o retorno seja imediato, porque a justiça é mais morosa e nem sempre nos enche a conta bancária ou o ego...

 

Mas talvez seja isso... Talvez, nós que tantas vezes somos tão solidários e "boa onda", sejamos bem piores que um povo que efectivamente se revoltou com a perda estúpida (sem aspas) dos seus compatriotas... Porque nas cidades, os apáticos e falsos moralistas de sofá continuam a apaziguar à calma de metralhadora na mão...  No entanto, se um dia o país precisar verdadeiramente destes indivíduos, fora do digital e das palavras, serão os primeiros a fazer as malas e a partir. Até porque é sempre mais fácil chorar do que assumir as responsabilidades...

 

 

 

(Este espaço esteve parado durante estes dois dias, por uma razão simples: respeito pelas vítimas e pelo luto e também pela necessidade de ouvir, de pensar... Sobretudo quando praticamente todos querem falar, mas poucos querem ouvir...).

 

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13 de Maio é Dia de "Regime Sunset Party"!

por Robinson Kanes, em 09.05.17

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Fonte da Imagem: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkien

 

Quer-me parecer que no dia 13 de Maio alguém para os lados do Vimieiro e outro alguém para os lados do Rio de Janeiro terão motivos de sobra para montar uma psicadélica no túmulo e dançar. Dançar qual festa underground em Reiquejavique ou Copenhaga! Untz... Untz... Untz... (imaginem esta batida a acompanhar o resto das minhas palavras). 

 

É verdade, o Professor Marcelo (o Caetano) e o Professor Salazar mal sabiam que após 43 anos do golpe militar que fez cair o regime ditatorial iriam ter um dia inteiramente dedicado aos próprios... E logo no "Maio, Maduro Maio", imortalizado por Zeca Afonso.

 

O 13 de Maio arrisca-se a ser a celebração dos três pilares que a história e os críticos celebraram como as bases do regime: Fátima, Futebol e Fado! Senão vejamos: o Benfica (o antigo clube do regime para muitos) arrisca-se a ser campeão nacional já no dia 13 de Maio! E quando o Benfica é campeão, o país entra em modo de feriado, aliás, só a expectativa de ser já está a parar a nobre nação! E pára literalmente... Até eu parei quando a comitiva do ano passado foi recebida em festa na Câmara Municipal de Lisboa em hora de ponta. Quem estava a trabalhar teve de ficar debaixo de um calor intenso na rotunda do Marquês de Pombal cerca de uma hora à espera que passasse um autocarro! Isto será festa para durar umas duas semanas e aumentar dramaticamente a taxa de natalidade do país.

 

O dia 13 de Maio também será o mote para a visita do Papa Francisco e para a celebração do centenário das aparições de Fátima! A classe política já lá está para o beija-mão e o país vai parar. Não entendo é todo o aparato, pois nem em cimeiras da Nato vi tanto exercício de segurança. A BMW é que não se fez rogada e já “ofereceu” uma viatura para a GNR fazer publicidade! Com 10 milhões a ver, só em Portugal, fora no resto do mundo, é o investimento em marketing mais lucrativo do ano. Eu faria o mesmo!

 

Mas o dia 13 de Maio também pode ser um dia para festejar um outro “F” e não é o Fado. O Fado agora é só para alguns e trocou a “tasca” pelos grandes palcos, pelos vestidos de estilita e jóias caras, logo, perdeu esse estatuto. Algum fado já parece mais Pop e Soul do que propriamente a canção tradicional que qualquer um canta desde que diga "Aiiiiiiiiieeeen Mooooooooouuuuurariaaaaaaa". Já dizia Fernando Farinha na sua Canção de Lisboa, "O fado é chique".

 

Agora, e como alguém da nossa praça já o disse, o outro “F” são os Festivais ou “Fest” como se convencionou chamar. Até o mais típico festival português apanha com o “Fest”, ou não duvidem que a existir, ainda teríamos um “Coirato Portugal Fest” (eu sei que é courato, mas é como o touro e toiro para os aficionados).

 

Mas, em minha opinião, o terceiro “F” é o Facebook - que engloba aqui outras redes sociais. Tivessem Marcelo (o Caetano) e Salazar conhecido Mark Zuckerberg, o Facebook teria sido o substituto perfeito da PIDE e com sede em Portugal, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, e não em Menlo Park na Califórnia. Imaginem como a PIDE seria desnecessária pois voluntariamente os cidadãos fariam chegar as informações a quem os quisesse controlar, além de que, viveriam uma vida que julgavam ser em plena liberdade mas com os constrangimentos de fazer uma vida para os outros de modo a não serem ostracizados pela turba. Mais que controlar cidadãos era importante controlar a exposição. Um trabalho bem mais fácil, em meu entender.

 

Acredito que os dois professores estarão também satisfeitos pelo facto do Presidente da República ter sido uma pessoa do regime anterior, embora os portugueses, sobretudo os críticos do regime, só conheçam a imagem construída no pós-revolução. Acresce a este um sem número de indivíduos que hoje tem destaque na vida pública portuguesa e bebeu muito do regime ditatorial.

 

Em suma, tivessem aqueles dois governantes pensado bem e trocado o “F” do fado pelo “F” do Facebook e ainda hoje seriamos um país a viver numa ditadura, assim, vivemos em várias... menos mal...

 

(Actualização: 09/05/20167 12:00 GMT)

Graças aos poucos que ainda se dedicam a ler-me, venho a informar que se junta mais um "F": o de Festival da Canção! Em suma, já montei a tenda no Poço do Bispo e pode ser que apareçam alguns fantasmas para entrar nesta "Sunset Party", até o DJ vai ter aquela voz de rádio dos anos 50)

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Ultimamente, sobretudo em redes profissionais, quantas vezes não lemos/ouvimos um coro de indivíduos "altamente motivados" a proferir as seguintes afirmações:

 

Na minha área nunca me deito antes das duas da manhã!

Entro sempre cedo para o trabalho e nunca tenho horas para chegar a casa!

Não tenho tempo para a minha família e mal vejo os meus filhos mas adoro o meu trabalho e dou tudo pelo menos!

Passo o dia em reuniões e trabalho tanto, mas tanto, mas tanto mesmo que não sei se chego aos 50 e adoro é tão bom!

Lido com clientes do pior e faço todo o trabalho do meu escritório mas é tão bom trabalhar em equipa!

O que eu gosto no meu trabalho é de trabalhar muito, mas muito mesmo até cair e estou sempre a sorrir!

 

Por norma, estas afirmações surgem sempre seguidas por um:

 

Mas estou super motivado, adoro o meu trabalho, é aquilo que eu gosto mais e todos os dias me entrego de corpo e alma, porque é mesmo um sonho!

 

Das duas uma: ou estamos perante indivíduos que têm um problema com a sua vida pessoal e veiculam todo o tempo para o trabalho, ou então são efectivamente... estúpidos.

 

Sou muito pragmático no trabalho. Já realizei trabalhos apaixonantes, já me deparei com meses sem vir a casa por causa do trabalho, nunca soube o que era sair mais cedo e muito menos sou daqueles que defende que viver sem trabalhar é possível e basta acreditar nos "Chakras" que se consegue tudo. Em suma, gosto de trabalhar, mas... meus senhores, poupem-me o discurso de que chegar aos 30 anos completamente arrasado e que trabalho e mais trabalho é que é bom, mesmo que sejamos um autêntico autómato. Não, não é! Além de que trabalho sem o lado familiar e de lazer não é... trabalho. Lamento se vos desiludi e se provavelmente gorei as vossas expectativas de agradarem ao vosso empregador... a não ser que, esse empregador seja aquilo a que em Espanha chamam de "negrero".

 

Todavia, também é interessante reparar que muitos destes trabalhadores 24/7 quando recebem uma chamada ou um email às seis da tarde não respondem porque já saíram do trabalho. Também é interessante reparar que muitos deste trabalhadores de árdua entrega, à sexta-feira, passam o dia a colocar informação nas redes sociais e a enviar emails aos colegas com frases como: "yuppppppie é sexta-feira, vem aí a rambóia do fim de semana!". Também é interessante ver as redes sociais, não profissionais, destes indivíduos com fotos de boa vida e pouco de trabalho. Finalmente, também é interessante, vocês estarem a fazer horas no trabalho ou a trabalhar durante o fim de semana e feriados e os convites para jantaradas e afins não pararem de cair... e quem convida? Estes profissionais que nem sabem o que é ir à casa de banho porque estão sempre a trabalhar.

 

E alguns dirão: "mas eles até enviam emails às duas da manhã!". Sim, eu também, sobretudo se passar o meu dia nas redes sociais e não me dedicar ao trabalho... ou então, programar o meu outlook (caixa de correio) para descarregar um sem número de emails a horas menos próprias - digam lá que não fica bem? Robinson trabalhador. Além de que, enviar emails, para mim, não é trabalho a não ser que se trabalhe em assistência ao cliente e se use essa via para prestar esclarecimentos. Fraco profissional e fraca chefia que mede a produtividade baseada na quantidade de emails enviados.

 

Em suma, se assistisse a um colaborador meu com este discurso, pensava duas vezes na manutenção deste na minha organização, pois está a passar uma imagem de que o cuidado com os colaboradores é igual a nada. Também aposto que, publicamente, estaria a piscar o olho a uma outra organização, ávida de contratar profissionais que só sabem trabalhar e andam sempre com a manta atrás qual personagem de Charlie Brown. Isto, talvez, porque está cansado e detesta a minha organização!... Ou então, porque... somente é parvo.

 

Boa semana, bom trabalho...

 

P.S: também não percebo porque é que quando procurei imagens para este artigo, sempre que utilizava a palavra trabalho, praticamente só me surgem indivíduos ao computador ou a sorrir (aquele sorriso forçado) em ambiente de escritório...

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E se as Redes Sociais Aumentarem a Privacidade?

por Robinson Kanes, em 18.04.17

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Fonte da Imagem: <a href='http://www.freepik.com/free-vector/laptop-with-hand-drawn-social-media-elements_944027.htm'>Designed by Freepik</a>

 

No nosso país e numa sociedade ocidental é comum falar-se da privacidade como um aspecto que tem vindo a decair com o advento das redes sociais. No entanto, deixemos o nosso pequeno mundo e pensemos no caso chinês ou até de muitos países do sudoeste asiático.

 

Na China, por exemplo, as redes sociais, ao invés de serem um foco de devassa da vida alheia, funcionam exactamente ao contrário. Em países como a China é comum que famílias inteiras durmam no mesmo quarto, que partilhem os mesmos espaços, que vivam com outras famílias em comunidade e sem qualquer preocupação com a privacidade. Eu tenho amigos e já tive vizinhos chineses e foi possível comprovar isso! Para a China tradicional, guardar um segredo, é basicamente esconder alguma coisa má! Ou seja, quem tem segredos... não é de confiança.

 

Em suma, as redes sociais, maioritariamente, não servem como uma espécie de montra para os indivíduos. O viver bem com a sua família, com os seus amigos e com a comunidade deixam de lado esse género de preocupação - essa preocupação que para nós, sobretudo portugueses, é tão importante. Seria necessário uma outra abordagem e estudos, mas provavelmente ouso questionar se no caso ocidental não existe mais insegurança, medo e solidão do que no caso Chinês em que é exactamente ao contrário. Essa necessidade de mostrar e de aparecer não vem de todo de um bem-estar consigo próprio e com a comunidade.

 

No caso da China - e com a margem de erro devida pois trata-se de um país enorme e com diferenças abismais entre as diferentes regiões – as redes sociais são o local ideal para preservar a privacidade. São o local onde muitas pessoas partilham aquilo de que tem medo e choca a sua própria comunidade, são também o local onde podem ter os seus segredos, mas mesmo assim é comum que diferentes indivíduos troquem até as suas senhas de acesso às diferentes redes sociais.

 

É uma situação curiosa e que coloca noutro patamar a questão do impacte das redes sociais nos indivíduos e na cultura dos povos e, mais uma vez, reforça que não são as redes sociais que fazem os indivíduos, mas os indivíduos que fazem as redes sociais.

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Da "Instamum" à "Depressedmum"...

por Robinson Kanes, em 22.03.17

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 Fonte da Imagem: http://www.shapefit.com/wp-content/uploads/2014/12/smartmag-featured-image-tammy-mom.jpg

 

Estar grávida está na moda, mas quem quiser ser trendy, além da gravidez tem ainda de contar com o facto de os gémeos serem a opção mais in.

 

Mas... vamos focar-nos nas senhoras, porque afinal também existem os pais.

 

Actualmente as mães são umas verdadeiras instamums (Instamães), ou pintemums (pintmães) ou até facemums (facemães). E o que é isto? Mães que são o último grito da gravidez e até do pós-parto, sobretudo nas redes sociais. A pressão social e mediática é tal, que o ideal é aparecer grávida mas com um look de quem passa os dias no ginásio. Uma grávida elegante, sorridente e de bem com a vida. Uma gravidez perfeita sem os percalços habituais é coisa do passado. Estar grávida é cool! Partilhá-lo nas redes sociais ainda é mais cool... desde que não se esteja gorda, flácida ou pouco atraente.

 

Onde é que isto começa? Nas “celebridades”, nas “bloggers” e naquelas amigas que ficam grávidas mas que têm aparência de monitora de aulas de fitness. Daqui às partilhas de corpos elegantes e “photoshopados” (photoshopados? Oh Robinson...) vai um passo, e daqui à pressão para se ser uma instamum vai outro passo, e daqui para chegar à depressão e desejar nunca vir a engravidar novamente vai outro.

 

Mas as coisas até começam bem... aquela “celebridade” com barriga lisa antes e depois do parto surge como a inspiração... o problema surge é quando passamos o nosso tempo a olhar a inspiração - que virtualmente continua inspiradora - e a nossa forma física continua deplorável, aos olhos da instamum. Aos olhos da instamum, porque aos olhos de um indivíduo normal é um físico... normal?

E há instamum que goste de se sentir gorda, sem poder partilhar as fotos da boa forma no facebook, quando a cunhada de cinco em cinco minutos mostra aquele corpo invejável e só pariu há uma semana?

 

A verdade é que existem casos em que a depressão é tal que as senhoras se esquecem do que é uma gravidez e do que é real e não é! Existem situações em que as depressões arrasam o casamento. Deixar que as redes sociais, as opiniões dos grupos de pseudo-amigos contagiem o bem-estar das mães é um passo atrás, inclusive no ser mãe e no ser mulher! Mesmo os pseudo-detentores de opinião não são "ninguém", quando muito... são um canal para ajudar ao nosso pensamento e, ter tempo para pensar, é fundamental. Caso contrário, entraremos na desculpa da falta de tempo, mas aí faço minhas as palavras de Steinbeck quando dizia que a ausência de tempo para pensar era o equivalente ao não ter vontade de pensar.

 

Sejam mães e não queiram ser estrelas, se eu pudesse escolher, era o que eu fazia... e provavelmente não seria o meu filho que faria de mim uma estrela. Deixem de passar horas a fazer scrolling (o típico sobe e desce com as páginas de internet) às outras mães no computador, no tablet ou smartphone e sejam mães!

 

E porque não escolher não querer engravidar? É um direito, e honestamente louvável, tendo em conta que existe gente a mais neste mundo! Digam que sou egoísta mas... analisem os números e veremos quem está a ser mais egoísta na equação.

 

A gravidez é uma escolha, é uma fase e uma das coisas mais normais no reino animal. Estar grávida é a coisa mais normal do mundo! Estar gorda por causa da gravidez, cheia de estrias, flácida, desesperada, cansada, irritada é a coisa mais normal do mundo! Comer doces e milhões de porcarias que nunca se comeriam antes é a coisa mais normal do mundo (se tivermos dinheiro para tal)! E não minhas senhoras, quem já teve filhos não é a única pessoa a saber tudo sobre crianças como também o vosso bebé quando nasce não é lindo. Não é... é feio, cor-de-rosa, a maioria das vezes, mas fica bem dizer “ai que bonito bebé sai ao pai”! Um dia ainda me terão de explicar como é que olham para um bebé com horas e dizem estas coisas! E não, ninguém é perfeito, só serão perfeitas se pagarem a alguém para espalhar que vocês são perfeitas.

 

Em conclusão, minhas senhoras se existir quem não goste das vossas estrias, das vossas peles, da vossa irritação, do vosso mau-humor, honestamente... fizeram um erro de cálculo na escolha do pai e daqueles que vos rodeiam.

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