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É passar por lá...

por Robinson Kanes, em 09.02.21

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Créditos: https://www.ebaumsworld.com/images/feminism-fail/81157278/

 

Pronto, hoje é terça-feira... Dia de estarmos no SardinhaSemLata... Passem por

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Sardinhas de raça e Eugénio de Andrade...

por Robinson Kanes, em 19.01.21

eugenio de andrade.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje é o dia da habitual sardinhada no espaço SardinhaSemLata, onde o anti-racismo, mais do que o racismo, merecerá destaque, vejam aqui

 

Não posso também deixar passar, sobretudo tendo em conta o poeta e a paixão que alguém próximo tem pelo mesmo... A 19 de Janeiro de 1923, entre as terras frias do Fundão nascia um dos maiores vultos da poesia: Eugénio de Andrade!

 

Adeus

Como se houvesse uma tempestade 

escurecendo os teus cabelos belos,

ou se preferes, a minha boca nos teus olhos 

carregada de flor e dos teus dedos

 

como se houvesse uma criança cega

aos tropeções dentro de ti,

eu falei em neve, e tu calavas,

a voz onde contigo me perdi.

 

Como se a noite viesse e te levasse,

eu era só fome o que sentia;

digo-te adeus, como se não voltasse

ao país onde o teu corpo principia.

 

Como se houvesse nuvens sobre nuvens,

e sobre as nuvens mar perfeito,

ou se preferes, a tua boca clara

singrando largamente no meu peito

Andrade, E (1990). Obra de Eugénio de Andrade / 2 (pp.16). Porto: Limiar

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Sardinhada em Odivelas...

por Robinson Kanes, em 01.12.20

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Créditos: https://imgflip.com/i/4cwh5z

 

Hoje, na nossa presença habitual de terça-feira no SardinhasSemLata, fomos a Odivelas, ainda passámos por São Paulo e eis que terminámos em Barcelona com uma descarga eléctrica daquelas... As sardinhas ficaram chamuscadas, mas algumas ainda se comem... Passem por lá se quiserem saber mais, é só clicar aqui.

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A Morte do Homem Branco...

por Robinson Kanes, em 25.11.20

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Créditos:https://sylg1.files.wordpress.com/2016/09/keep-calm-and-kill-all-white-people.png

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões!

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Enquanto uns dizem que o comunismo nunca existiu, outros também podem incitar ao ódio com palmas. Ainda esta semana, um indivíduo que tem sido um dos garantes que o discurso de ódio em Portugal não cessa, e onde nem a polícia escapa, é aquele que recentemente agitou a bandeira da morte ao homem branco. Várias conclusões têm de ser retiradas sendo que, se fosse um outro qualquer a minha opinião seria exactamente a mesma.

 

Será que se fosse um indivíduo da nossa praça, e já nem vou sublinhar André Ventura, a proferir essas mesmas palavras mas com uma diferença, a mudança no tom de pele, a reacção seria mesma? Um processo judicial, extravasamento de competências e pedidos de investigação por parte de Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa, além dos habituais pacíficos/manipuladores humoristas e jornalistas da nossa praça a pedirem a sua cabeça... Mas foi Mamadou Ba, que em Portugal goza de especial estatuto - ainda desconheço a que propósito, mas somos o país dos estatutos, este é mais um.

 

Por outro lado, surgiu o discurso (mesmo daqueles que sabem muito bem o que Ba quis dizer, todavia, a sua voz revolucionária cessa quando a imagem pública pode ficar manchada pelo políticamente incorrecto) de defesa do contexto em que as mesmas palavras foram proferidas. Eu não ouvi só aquelas palavras e a ideia com que fiquei foi de que todo o contexto era de ódio, de repulsa e de incitamento ao combate. Amedronta-me ver que aqueles que atacam os discursos extremistas mas depois desculpabilizam estas palavras - afinal é só retórica, são metáforas, são palavras mal escolhidas! Se hoje disser que não gosto de cerveja preta, são os mesmos que dizem logo que sou racista! Onde é que está a coerência? Corremos o risco de perder palco e de sermos conotados com extrema-direita? Com reaccionarismo? A verdade, a pluralidade e moderação nunca serão de extremos... No entanto, é a conivência com um extremo que alimenta o outro, além da criação de fantasmas numa sociedade que tem tantos problemas para resolver e que acaba por criar no cidadão comum uma certa desilusão quando começa a conceber que está na base da pirâmide, amordaçado e escravizado.

 

Também me assusta o discurso: "homem branco"; "homem preto"; "eles"; "nós"... Tenho muitas dúvidas que a grande maioria dos indivíduos que Mamadou Ba diz defender se revejam nestas palavras... Ainda bem que não estamos na África do Sul, caso contrário, Malema teria um aliado de peso. Ou então talvez seja um defeito meu que vejo seres-humanos e iguais perante a lei... e não catálogos...

 

Mais do que as palavras, o ódio que vemos nestas reuniões privadas, neste discurso que não é público e onde os "sociais utópicos" lá estão para defender os pobres coitados, é corrente. É certo que alguns estão por bem, mas conheço suficientemente alguns destes defensores para perceber que estou mais seguro junto de uma hiena esfomeada do que propriamente junto de determinadas personagens, normalmente apenas predadores de subvenções dos regimes que eles próprios criticam.

 

Assusta-me, mas isso talvez seja porque ontem perdi uma noite inteira a falar de Democracia, liberdade e acesso à educação com um "homem preto" que ninguém conhece, mas coloca a emancipação do seu povo à frente de querelas e discursos de ódio extremo, porque no final, é na luta pela paz, pela liberdade e pela educação do seu povo que coloca o seu foco...

 

P.S.: um dos últimos indivíduos (Fredrick Demond Scott) que disse "kill all the white  people" abriu a cabeça a seis inocentes norte-americanos, um deles uma sem-abrigo idosa.

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Créditos: https://imgflip.com/tag/cultural+appropriation?page=6

Como é habitual à terça-feira, venham de lá quebrar as regras morais e comer uma sardinhas, é aqui.

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Não sejas mariquinhas...

por Robinson Kanes, em 02.10.20

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Imperial War Museum - London

Imagem: Robinson Kanes

 

Não possuindo uma cultura própria também não revela interesse em adquiri-la. Ao contrário do proletário do início da Era Industrial, que se organizava em clubes que, muitas vezes, eram também associações operárias que aspiravam a uma formação, o membro da classe baixa moderna parece há muito ter desistido de si próprio.

Gabor Steingart, in "O Conflito Global ou a Guerra da Prosperidade"

 

 

 

Enquanto os velhos continuam a morrer miseravelmente em lares ilegais, enquanto vão sendo aprovadas leis e atropelos às mais variadas liberdades, pois alguns temas fracturantes, sobretudo nos países da Península Ibérica vão sendo colocados em segundo plano, o que em Espanha já começa a gerar alguma contestação, por terras lusas uma das prioridades actuais é condicionar a formação militar por intermédio da não utilização de algumas expressões. Apenas um aparte: serei apenas eu, ou actualmente falamos de lares ilegais como se fosse a coisa mais normal do mundo? "Morreram 10 idosos num lar ilegal", "os lares ilegais estão a adoptar medidas para...", "o director de um lar ilegal diz que está tudo sob controlo". Acho que "lar ilegal", subinho o "ilegal" deveria ser suficiente para... Afinal, se colocar uma nota publicitária na janela do meu estabelecimento e não pagar a respectiva licença arrisco-me à multa e ao encerramento.

 

Todavia, parece que o Ministério da Defesa quer proibir algumas expressões em meio militar e que podem ser ofensivas, quer para mulheres quer para não heterossexuais (perdoem-me a não utilização do L+ uma série de letras, mas o espaço aqui é pouco) e para indivíduos de outras raças. Voltamos a dar um salto por cima da educação para a cidadania e a promover a obrigação de comportamentos ao invés de tentarmos trabalhar a sociedade de forma coerente. Actualmente é comum, sobretudo em países ocidentais e com importações de um país maior, se procurar alterar a ferros a weltanschauung e sempre que isso acontece, alguém acaba fuzilado no longo prazo.

 

Destacam-se, neste âmbito, expressões como "não sejas mariquinhas" ou "até pareces uma menina". Em meu entender, sobretudo em relação à primeira, não sei quem é mais homofóbico, se quem utiliza a expressão se aquele que entende a mesma como ofensiva à sua pessoa. Não acredito em agendas pré-preparadas, mas admito que existem situações que começam a extravasar aquilo que é admissível e com sérias consequências (negativas) ao nível social e cultural. Um país com tantos pedófilos à solta e com tantos processos controversos deste âmbito, alguns oriundos do antigo regime, "completamente abafados", está preocupado se o Sargento Meireles chama "mariquinhas" ao Soldado Rodrigues!

 

No caso dos meios militares, este género de ideias só pode vir de quem nunca colocou o pé num quartel, quanto mais em combate. Em termos de instrução a pressão faz também parte, e sim, chamar nomes à mãe, à mulher e aos filhos, levar o ser-humano à condição mais humilhante possível. Terror? Quem não quiser tem a hipótese de não se submeter, mas importa lembrar que é isso que lhe pode salvar a vida, por exemplo, se for capturado pelo inimigo. O que não pode acontecer é assistir a um soldado revoltado e muito incomodado que deixa as armas e os camaradas para trás porque do outro lado do terreno o inimigo gritou "seus maricas!". 

 

Começamos a desenvolver nichos perigosos em que, por estes dias, só uma troca de olhares já vai servir de mote para colocarmos alguém na cadeia. Como também alguém diria, "nos entretantos" muitas situações vão ocorrendo sem que exista inquietação, um pouco como aqueles que criticam ou forçam teorias sobre Trump ou Biden por serem indecorosos e vivem obcecados com o primeira mas são os primeiros a pactuar com muitos dos males que assolam o seu país, estão os deuses com vida difícil na medida em que escasseiam os espíritos livres, como nos diria Nietzche... E em suma, entre ter lares ilegais e velhos a morrer por lá (e é só um exemplo) como se ambas as situações fossem as mais normais do mundo, andamos mais cogitativos com o "pareces uma menina, pega na G3 como deve ser"...

 

E sim, ainda hoje a alemã me disse "não sejas maricas" porque estava todo abrigadinho da chuva e parecia um totó!

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Sardinhas com libretto dos tempos modernos...

por Robinson Kanes, em 15.09.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje é dia de andarmos pelo SardinhaSemLata... Decidimos escrever um libretto enquanto se devoram algumas sardinhas, sardinhas essas, que ainda pingam no pão. Acompanhe-se com "vinho tostão" e temos o manjar perfeito para uma pós-modernidade, eventualmente imperfeita. É só seguirem-nos aqui.

 

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Sentido de Oportunidade!

por Robinson Kanes, em 10.09.20

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Créditos: Eroi in Divisa

 

É importante iniciar este texto sublinhando que a violência policial não é um facto inexistente, e como tal, deve merecer a nossa atenção. Penso que aqui a opinião é unânime. 

 

Com efeito, não têm sido raros os casos em que assistimos a uma mediatização excessiva e ao nascimento de novos heróis (e não são as vítimas) alicerçados numa retórica de luta contra o poder onde a polícia, por incrível que pareça, surge como um dos elos mais fracos. Pelos jornais, pela política e até por um certo humor altamente parcializado (algo que em Portugal é já uma instituição) e inclusive pelo anormal poder dos comentadores, vai sendo criada a ideia de que é uma prática diária.

 

Bater nas polícias, especialmente nas polícias nacionais e não militarizadas tem sido uma prática comum nos últimos tempos. Não censuro que se faça em relação a casos justificáveis, mas tenho de assumir algum espanto com a descontextualização e distorção dos factos, o não entendimento do contexto e a provocação em off seguida de filmagens em on

 

Como as armas são um meio de defesa mas ao mesmo tempo, na mão de humanos imbecis, podem ser um meio de ataque, também os telemóveis podem ser uma arma de ataque letal. Numa sociedade aberta onde alegadamente as aulas de cidadania podem servir para abrir horizontes, estimular o empowerment e o espírito critico, talvez não estejamos a fazer o nosso papel fundamental que é promover todos esses aspectos e com visíveis consequências na avaliação e participação dos cidadãos na vida pública. Possivelmente, nessa sociedade, muitos dos jornais e televisões actuais teriam de fechar portas devido às parcas audiências, não obstante, o país e o mundo teriam muito mais a ganhar e com toda a certeza os extremos seriam menos.

 

No final de contas, não deve existir nada mais humilhante, sobretudo quando as coisas ficam mais complicadas, que é requerermos a protecção daqueles a quem quotidianamente aplicamos a nossa "soma zero".

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E isto é o quê?

por Robinson Kanes, em 27.08.20

As sociedades modernas acreditam nos dogmas humanistas e socorrem-se da ciência para os confirmar e implementar e não para os questionar.

Yural Noah Harari, in ""Homo Deus"

 

Foi no dia 25 de Agosto, ou seja, anteontem... Onde estão as manifestações na rua? Onde estão os pedidos de justiça? É racismo? É violência contra idosos? Pode ser tudo, mas é um crime como muitos que temos visto, só que este precisa da CWB para se tornar conhecido e "por acaso" chegou à FOX. Vi tanta gente chocada com alguns vídeos por aí, até lamentando como era possível que outras pessoas não tivessem ficado em estado de choque, mesmo que no conforto do sofá. Dá que pensar...

 

Este foi em Janeiro deste ano...

Todas as vidas interessam, e independentemente de tudo o resto, temos que protestar é pelo cumprimento da lei... Porque segundo essa lei todos os cidadãos são iguais mesmo com as suas diferenças, sejam elas quais forem... O resto, além de "show off" e ignorância é dotado de "hypes" que só acentuam as diferenças e os extremismos.

 

 

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(Anti)Racismo (em)na Baixa...

por Robinson Kanes, em 29.07.20

iStock-1221333903.jpgCréditos: https://www.ies.be/content/covid-19-amplifier-racism-and-inequalities

 

Seriam cerca das quatro da tarde e eis que devorava o meu almoço, um belo prego e um sumo de laranja, coisa saudável e mesmo a condizer com a boa forma (não!)  e um dia de trabalho que teimava em não terminar.

 

Estando de pé, ladeava-me um casal de indivíduos de etnia cigana num habitual aparato onde o filho corria por todo o espaço (e sem máscara) e a gritaria era tal que intimidava todos os que se encontravam no espaço, quer a comer quer a trabalhar. Enquanto saboreava qualquer coisa, a esposa, grávida, pedia ao esposo que lhe fosse buscar um rissol. Carinhosamente, o marido, eis que foi pedir o dito rissol. Não! "Olha, vai lá buscar tu". Até tem outra  sonoridade quando dito sem máscara dentro de um espaço fechado. E assim foi, há que saber tratar uma mulher, então grávida, nada como um mimo - estranhamente os defensores das minorias só apontam as balas num sentido, esquecendo-se que dentro de algumas minorias existem coisas que... 

 

O lado bom da caricata situação é que permitiu à senhora que, de forma arrogante e sem qualquer respeito pela colaboradora do espaço exigisse que a tosta mista, entretanto terminada de confeccionar, fosse aparada. Há que manter os níveis no café low cost esquina que isto de vir o pão com pontas e a alface e o queijo de fora não condiz com nada.

 

E eis que, já com a senhora de volta à mesa e em pé, surge um indivíduo africano, com o aspecto de quem estava a trabalhar no duro numa obra perto. Pede o seu pão, está de máscara e até preserva algum distanciamento social. Eis que, com uma mão no nariz, a frágil senhora grávida, começa com a outra mão a fazer aquele gesto de  afastamento para o indivíduo negro, e com um também habitual "aiiiiii olha queres ver"... 

 

Estava ali uma bela história para o Robinson apreciar. Eis que, tomando as dores da esposa, aquela que mesmo grávida tem de se desenrascar, o esposo profere um "aiiiii queres ver que não ouves, levas já duas chapadas que te virooooo". Este é o momento em que o Robinson pensa... Bem, acho que vou ter de actuar, mas optei por ficar, além de que tinha uma camera mesmo apontada à minha pessoa e a mesma capta gestos mas não sons. Ainda era cedo para contribuir para a criação de um mártir.

 

Sai novamente um "olha queres ver... este filho da.... não sai daqui, levas duas bolachadas que te viro". O indivíduo negro que, provavelmente nem percebia português, dirigiu-se à caixa para pagar, e quando estava a sair ouviu novamente alguém chamar nomes à sua mãe e ainda levantar-lhe a mão ameaçando-o de pancada da grossa. Pousei o prego e dei dois passos, mas optei por seguir a actuação do indivíduo que ignorou totalmente o facto. Alguém tinha de trabalhar para pagar impostos e muito provavelmente enviar dinheiro para uma localização distante e perder tempo não fazia parte das suas prioridades. Os olhares de todos voltaram ao chão, sobretudo depois da minha pessoa ter "recuado". Respirava-se fundo, mas o medo era notório.

 

No espaço todos se sentiram intimidados e o silêncio reinou. Reinou até à saída vitoriosa daquele casal, ainda sem máscara, até ter entrado na viatura de aluguer estacionada na via pública, em zona proibida e debaixo dos olhos dos agentes da Polícia Municipal e da Polícia de Segurança Pública. Não costumam ser tão coniventes com os indivíduos da malta de cargas e descargas, mas esses não têm espaço mediático, são meros trabalhadores e também laboram meio ano só para pagarem impostos.

 

Será que a SOS Racismo aceita esta minha denúncia? Será que se o Robinson tivesse actuado de imediato não apareceria nas televisões com o rótulo de racista? Possivelmente... Não foi o medo que me levou a ficar quieto mas sim a atitude madura e inteligente da vítima e isso foi a maior lição que tive naquele dia. Todavia, a outra lição com que fico é que, independentemente da raça, cor, etnia, a intimidação continua a ter lugar e as baforadas excêntricas e sem qualquer sentido que encontram racismo em tudo, estão a anular a capacidade de encontrarmos e resolvermos as verdadeiras demonstrações desse mesmo racismo e até de violência. Tudo isto sem esquecer a revolta contida de muitos que, em períodos mais débeis, pode facilmente soltar-se... E o perigo está aí. Até porque os temas que estão a afundar o país continuam a ser abafados pela má exploração de tópicos como este e outros...

 

Enquanto andarmos entretidos com manifestações e petições (algumas delas, sobretudo as notícias em torno das mesmas, altamente manipuladoras) para solicitar subsídios vitalícios pelo "simples" facto de alguém ter perdido um ente querido num homicídio (o que é uma tragédia), e ainda não totalmente esclarecido, vamos esquecendo todos os outros e muitos deles que morreram a dar a vida por todos nós. Vamos deixando passar os buracos de milhões que esta crise está a gerar, a falta de dinheiro na segurança social para fazer face aos problemas da crise (existem cidadãos que não estão a receber aquilo a que têm direito por alegada falta de verbas) e os já habituais casos como o Novo Banco. Ainda hoje disse que Portugal parecia a Venezuela a um nacional desse país e a resposta desse foi: "Como a Venezuela? Ainda está é pior!".

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