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Homens sem Guerra...

por Robinson Kanes, em 27.11.18

IMG_3476.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

A grande maioria dos indivíduos nascidos na Europa parece hoje esquecer os perigos bélicos que ameaçam o velho continente... A sorte bafejou-os com o facto de nunca terem passado por um conflito, por nunca terem dormido numa trincheira, por nunca terem cheirado qualquer arma química, por nunca terem lutado numa guerra mundial sem fim ou simplesmente num confronto sanguinário entre irmãos como foi a Guerra Civil Espanhola.

 

Estamos e vivemos na Europa como se tudo fosse pacífico, mesmo fazendo fronteira com países em conflitos sangrentos e perigosos para a estabilidade do velho continente. Os jovens e até aqueles mais velhos, esquecem o sangue que foi preciso correr para a Europa se tornar num continente de paz, um continente capaz de permitir um estilo de vida que, embora sendo apetecível, fez esquecer que para lá das fronteiras europeias existe mais mundo e que, mesmo cá dentro, algumas feridas ainda estão bem abertas.

 

Ignoramos, por exemplo, a tensão entre a Ucrânia e a Rússia, como também ignoramos que a primeira quer ser membro da NATO e que, em caso de hostilidade, todos nós temos de ser solidários com esse país e hipoteticamente encetar uma guerra com a Rússia, governada por um indivíduo que ainda não digeriu o fim da URSS.

 

Comportamo-nos, no nosso canto, a brincar às guerras em jogos de computador, mas esquecemos que o sangue que vemos em imagens de videojogos pode ser real, pode ter cheiro, pode ser sentido e pode até ser o nosso. De facto e como dizia Alves Redol em a Barca dos Sete Lemes, "as guerras não deviam começar, mas quando começam está tudo perdido" - está tudo perdido e já é mais difícil voltar atrás, sobretudo numa época contemporânea com tantos desafios e tantas vulnerabilidades que não existiam em tempos idos.

 

Tudo isto traz-me à memória a "Casa Canadiana", aquela casa junto à praia, aquela casa que foi a primeira a ser libertada (pelo menos diz-se) durante o "Dia D". A casa que, logo nos primeiros instantes até ser conquistada, custou a vida a praticamente 100 homens do "The Queen's Own Rifles". Não devemos esquecer esses tempo, e se, porventura uma guerra começou porque as dificuldades eram imensas e as estratégias de sobrevivência de cada nação tudo pareciam justificar, não deixemos que tantas outras comecem simplesmente porque somos indivíduos completamente ocos e sem sentido algum de cidadania e de dever com o próximo.

 

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 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

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Testemunhas da Perseguição...

por Robinson Kanes, em 21.04.17

IMG_2287.JPG

 Rembrandt Harmens Van Rijn, O Sacrifício de Isaac - Pormenor (Alte Pinakothek)

Fonte da Imagem: Própria

 

Não sou Testemunha de Jeová (TJ). Também reconheço que existem coisas que me deixam a pensar no que a este movimento concerne (admito que talvez por alguma falta de informação) e... também conheço muitas TJ e nunca tive nada a apontar às mesmas. Posso ter algumas questões, mas não posso negar a cordialidade, a simpatia e o reconhecimento que já tive por parte deste movimento, aliás, num dos casos até pela cúpula da própria organização a nível mundial!

 

Foi no dia 20 de Abril de 2017, ou seja, ontem, que um tribunal russo sentenciou o fim deste movimento naquele país. Para os mais esquecidos, não foram somente os judeus a serem perseguidos durante o regime Nazi. Durante este regime, também os homossexuais, os ciganos, muitos povos eslavos e outros foram perseguidos. Aliás, um dos alvos foram também as TJ que agora testemunham uma repetição da História... é interessante perceber que a História se repete tantas vezes. Sou obrigado a recorrer-me de um dos mais actuais escritores/pensadores: Aldous Huxley. Este dizia-nos que "talvez a maior lição da História seja que ninguém aprendeu as lições da História". Mais uma vez não aprendemos a lição e vemos a História a repetir-se, sobretudo porque não existe sequer um argumento válido ou sequer uma ameaça de conspiração.

 

Estamos a entrar em terrenos pantanosos, sobretudo quando os já referidos nazis são sempre o bode expiatório. Nunca percebi porque se fala tanto dos Nazis e não se fala do Estalinismo ou até de outros regimes que fariam Kim Jong Un parecer o Peter Pan. Podemos alegar que as TJ são uma comunidade perigosa e com as quais é preciso cautela... mais aí podíamos falar de tantos outros grupos, associações, clubes e outras organizações que. Não vejo nenhuma acção nesse sentido. Podíamos falar da questão das transfusões de sangue, e que, para mim, cabe a cada um decidir o seu destino. No caso português, por exemplo, um juiz pode, tratando-se de um menor, decidir em nome da família.

 

Esta perseguição sem sentido pode abrir portas a outro tipo de perseguição e criar também um case study a ser seguido por outros países. Em nome da liberdade, estamos a perseguir inocentes, quais anos que se seguiram à Queda da Bastilha e que de Liberdade tiveram pouco... ou até demais... 

 

Estamos a perseguir "potenciais criminosos" sem acusação formada e fundamentada... e sempre que isto acontece, o resultado pode ser catastrófico. Espero que os tiroteios em França, não desviem a atenção deste facto...

 

Bom fim de semana e que não continuem a testemunhar retrocessos civilizacionais...

 

Fontes da notícia: www.reuters.com e www.jw.org

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