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Fonte: http://citizensjournal.us/blatant-blue-state-hypocrisy/

 

Como se avalia um país segundo o espaço noticioso de uma das rádios mais ouvidas do país e que se gaba de ser um exemplo a seguir no que concerne à informação? Eu explico... Aliás, é um exemplo que encaixa que nem uma luva na televisão e outras rádios, mas vejamos...

 

Depois do separador... Surge algo como isto:

 

- Associações ambientalistas contestam mina de urânio em Espanha. Segundo "y" da plataforma "x" Portugal tem de agir para evitar um novo Almaraz.

 

- Combates na Síria continuam, 70 mortos nos últimos dois dias.

 

- O Sporting joga hoje com o Tondela, Jorge Jesus já disse que a equipa está motivada e empenhada em ganhar. O Tondela está classificado na posição "x" da tabela a "y" pontos do sporting. Os onzes das equipas já são conhecidos, o Sporting vai entrar com... (30 segundos a ouvir) e o Tondela com (30 segundos a ouvir). A equipa do Sporting precisa de ganhar para não perder o comboio dos primeiros e sobre isso falou Jorge Jesus na conferência de imprensa... (mais 1 minuto e qualquer coisa). O jogador do Tondela "X" também falou aos microfones da "nossa rádio" e disse que... (mais 1 minuto e qualquer coisa). "Jorge Jesus usa cuecas azuis, foi ao balneário, disse olá aos jogadores, sorriu, coçou o pescoço, mascou pastilha, sentou-se, levantou-se, gritou, riu, deu um pontapé no banco, respirou (não, e nem estou a falar da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa), voltou para trás, arrependeu-se, voltou para a frente" e por aí adiante... Ainda houve tempo para dizer que caiu um "azulejo" do estádio de Alvalade mas que foi prontamente reposto por um funcionário do Lidl. Também houve tempo para dizer que Bruno de Carvalho vestiu uma gravata azul e se prepara para falar ao país, porque é algo que vai afectar a vida de todos os portugueses.  Também se ía falar de outros clubes, mas como metia senhores do Norte de Portugal, ministros de finanças e outros políticos não houve grande tempo de antena.

 

Mas o melhor estava para vir, pois logo a seguir um suplemento informativo deveras importante: a análise ao jogo com um sem número de personagens que irão falar de futebol como se estivessem a discutir um orçamento de estado e a transformar um simples passe numa espécie de ofensiva Russa sobre Berlim! 

 

Falei da cobertura dos media a Marcelo Rebelo de Sousa? Já soube que está em S. Tomé, que comeu uma fruta tropical desconhecida, que adormeceu no avião e até fez uma bolhinha de baba enquanto dormia (correcção, não dorme), que o Comandante do Avião se chamava Alfredo e que tirou uma selfie com o presidente, e que lhe disse que o clima de crispação com o co-piloto tinha de acabar e que era ele que ía resolver a situação. Soubemos também que Marcelo esteve num hotel em Príncipe, que voltou a comer, promulgou umas leis enquanto comia um pedaço de jaca e que coçou o olho direito e depois o esquerdo. Soubemos também que Marcelo Rebelo de Sousa está em S. Tomé e que vai ser o grande dinamizador do país, ou seja, S. Tomé nunca mais será o mesmo depois desta visita - amontoa-se gente nas ruas e o que não falta são gritos de "Ti Celito" que alguns dizem ser vaias mas não são. Aliás, assobiar em S. Tomé é também reconhecer as pessoas e além disso existe uma tradição muito são-tomense que é o "vai-te embora daqui malandro" que se diz sempre quando se elogia alguém!

 

Entretanto caiu um telhado na Avenida Marginal 4 de Julho, mas Marcelo foi o primeiro a chegar e disse que tudo estava a ser feito, embora tenha garantido que o facto de não estar lá ninguém, não significa que todos os meios operacionais não estejam 

 

Também soubemos que Marcelo vai estar numa cerimónia alusiva ao massacre de Batepá onde centenas de forros foram massacrados pela administração colonial portuguesa por se manifestarem contra os abusos desta e dos proprietários brancos - administração colonial essa... Que Marcelo defendeu com unhas e dentes, ou melhor, com palavras, pois com unhas e dentes defenderam aqueles que não fugiram à guerra... Imaginem Estaline, em 2018, a descerrar uma placa num qualquer gulag e a mostrar a sua tristeza por esses tempos... Ou Hitler em Treblinka a chorar as vítimas do terror nazi.

 

 

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 Fonte da Imagem:https://arquivo.imgix.net/https%3A%2F%2Farquivos.rtp.pt%2Fwp-content%2Fuploads%2F2016%2F12%2Fmeio-seculo-de-televisao_1481647219.png?fit=crop&h=461&ixlib=php-1.1.0&w=860&s=b8898264b144e6b636ca5322df42dc78

 

Consultei, após ter visto uma notícia pouco clara sobre a matéria, o "Relatório para a Igualdade de Género, Cidadania e Não Discriminação" encomendado pela Rádio Televisão Portuguesa (RTP) - importa notar, para este artigo, que a RTP é uma das fundadoras do Fórum Empresas para a Igualdade.

 

Após uma introdução e um enquadramento legal com um carácter teórico louvável, onde se discorre sobre valores e ética, conclui-se "no que se refere à eliminação de eventuais discriminações, ressalva-se que a RTP apesar de não mostrar evidencias, tem realizado um esforço e consciência no incremento progressivo do género feminino ao topo das carreiras e a posições de chefia e cargos de responsabilidade estratégica" - ou seja, não há evidências mas tem sido feito um esforço, não há provas suficientes desse esforço mas ele está lá, neste tipo de relatórios este tipo de subjectividade não pode nem deve constar.

 

Outras questões que se colocam estão relacionadas com a antiguidade dos colaboradores pois "a maioria dos trabalhadores se encontra nos escalões etários entre os 45 e 54 anos, sendo que 68,6% dos trabalhadores têm idade igual ou superior a 45 anos". Sou dos primeiros a defender que os mais velhos têm um lugar importante nas organizações, mas 68,6% de headcount  com 45 ou mais anos de idade não é sinal de uma organização dinâmica. 

 

Uma outra variável - e aqui assumo que sou de uma geração que não sonha com o emprego para a vida no mesmo local - prende-se com o facto de praticamente 60% dos colaboradores ter mais de 20 anos de casa! Aqui as interpretações podem ser várias, na medida em que pode ser um recrutador atractivo, mas também uma organização que pode não estar a acompanhar os tempos em termos de inovação, dinâmica e até recursos humanos. 

 

A resposta à questão anterior poderá estar na média salarial que se situa entre €2.219,99 para as mulheres e os €2.344,33 para os homens o que cria um certo comodismo (ambos são os números de um salário-base). A diferença, segundo o relatório, deve-se sobretudo ao facto de serem mais homens a ocupar cargos de responsabilidade. Já tinhamos aqui alguma matéria para análise, não só na questão de género (tão em voga) mas também na discussão de que em Portugal se trabalha só para o salário.

 

Contudo, chegamos à conclusão que a RTP, empresa pública paga por todos nós (mesmo por quem nem sequer tem aparelho de televisão ou rádio) remunera muito bem os seus colaboradores, isto à escala portuguesa. Tal não me assustaria se fosse uma organização privada mas... Fará sentido que uma empresa que dá prejuízo veja ser injectados milhões e mais milhões dos contribuintes e pague salários acima da média nacional, premiando, desse modo, os constantes e já mencionados prejuízos? Será que a RTP presta, efectivamente, um serviço público? Porque é que os contribuintes são obrigados a garantir a sobrevivência desta estação que nem sempre é conhecida pela sua transparência que, muitas das vezes, começa ao nível do recrutamento?

 

Porque é que na RTP, tal como a TAP, sempre que se fala em privatização, surge um coro de protestos com movimentos criados para o efeito - sempre pelos mesmos, sendo o mais famoso o realizador António Pedro Vasconcelos sempre patriota com a RTP e com a TAP mas muito pouco com o resto do país e demais instituições e valores. Que terá a RTP de tão especial que "não pode" ser privatizada mas pode continuar a dar um prejuízo gigante a todos nós, quando se privatizaram empresas estatais lucrativas e reconhecidas pela qualidade do serviço? Que interesses serve a RTP não só na política mas em algumas áreas da nossa sociedade? Todos sabemos que a um Governo, seja ele qual for, importa ter o seu canal televisivo e radiofónico, mas os tempos mudam e a cidadania deveria exigir mais da RTP.

 

Finalmente, e retomando a questão salarial, poderemos alegar que estamos perante profissionais, muitos deles, com qualificações superiores, mas aí também temos de fazer a ponte para a realidade nacional e as surpresas estarão à vista. Pegando no slogan de um movimento criado pelo indivíduo acima citado, é razão para dizer "não tap os olhos", ou neste caso, "não nos tapem é os olhos".

 

O estudo pode ser consultado aqui.

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