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Da Apologia da Escroqueria!

A Visão e o Raríssimo Manuel Delgado...

por Robinson Kanes, em 16.10.19

 

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Créditos: TVI

 

 

Os hábitos são fáceis de criar mas muito difíceis de quebrar.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade"

 

No país dos compadrios, não é de admirar que uma prática comum seja o facto dos verdadeiros escroques, dos verdadeiros pulhas passarem de bestas a bestiais e os verdadeiros bestiais em segundos se transformarem em bestas, sobretudo se não estiverem inseridos em grupos e grupelhos de cariz partidário, profissional, solidário e mediático. 

 

Devo admitir, embora respeite a liberdade que um meio de comunicação tem de "botar faladura" de todo e qualquer indivíduo, que foi com perplexidade que vejo em destaque um comentário do alto da sua sabedoria do senhor Manuel Delgado. Na Visão e com o respectivo destaque no SAPO, o raríssimo Manuel Delgado, o tal que não acha imoral acumular fortuna com dinheiro destinado ao tratamento de crianças com doenças raras; o tal que viaja, e passo a expressão, "à conta" das crianças com doenças raras e ainda tem o displante de se fotografar em belos e próximos passeios com a presidente de uma associação que já todos percebemos como funcionava, volta a aparecer. O tal que nada sabia, um pouco à semelhança de Vieira da Silva, então Ministro que teve o justo prémio de se manter no cargo e continuar como se nada tivesse acontecido - quem tem a família "toda" no Governo não deve abandonar os seus, de facto.

 

Delgado vem falar de novos modelos, de moralidade e claro, de política. Utiliza até expressões como " ignorância, imaturidade e excesso de ideologia liberal" para criticar aqueles que têm uma opinião diferente da sua. Quanto a isso, não tenho nada contra, é o retrato de um moribundo moral que ainda respira, mas este senhor, mais um dos que sofre da real amnésia nacional quando confrontado com factos que o colocam em maus lençóis, não deveria ter vergonha de aparecer? E o palco que lhe é dado? Sabemos que continua a desempenhar funções em áreas que muitos que até sabem mais nunca poderão sonhar, quando muito poderão emigrar. Estarão a Visão e o Sapo a dar tempo de antena e a trazer para a praça de cara lavada este indivíduo? É assim que procuramos a renovação? É assim que valorizmaos os melhores? Não!

 

Neste país onde prejudicar o erário público e ser um pulha, desde que bem relacionado, se pode aguardar uma demissão e uma ligeira caminhada pelo deserto para voltar em força como salvador da pátria, não é de espantar. Não é de espantar que indivíduos como este continuem por aí a pulular, com altos cargos públicos e partidários, com altos cargos aqui e acolá e com o nome manchado na praça.

 

O público esquece-se, mas um verdadeiro aluno deste senhor da Universidade Nova, por certo, não hesitaria em recusar-se a assistir às aulas de tão "reputado" profissional! No entanto, fica sempre bem dizer que o professor é deste e daquele partido, desta e daquela associação, mesmo que se trate de um verdadeiro pulha! Os valores, o saber e a integridade pouco interessam para o CV... Afinal, e como dizia Paula Brito da Costa, por outras e palavras quando ainda era presidente da Raríssimas, são senhores como este que podem trazer o "guito"... E não só...

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Noite de Facas Longas...

por Robinson Kanes, em 26.11.18

IMG_2296.jpgJudite decapitando Holofernes, Caravaggio -Gallerie Degli Uffizi

Imagem: Robinson Kanes

 

Existe uma coisa em política que me coloca sempre a pensar em como a pescadinha de rabo na boca é mesmo uma realidade e não há forma de, muitas vezes, cortar de vez às postas um enrolar hipócrita e prejudicial, inclusive para a Democracia.

 

Vejamos... Um dos maiores discursos dos indivíduos de esquerda, sobretudo daqueles mais adeptos da causa e que chamam (democraticamente) fascita a qualquer um que tenha uma ideia diferente da sua, é a de que alguém domina e controla tudo, de que o capitalismo nefasto subjuga as pessoas e transforma as mesmas em objectos, que as elites todos os dias encenam mais um acto da famosa "noite das facas longas". Este discurso de cassete, repetido décadas e décadas, tende até a enganar alguns mais incautos, todavia...

 

É estranho como estes arautos da liberdade, da ética e dos valores, muitas vezes, são alimentados pelo mesmo sistema que criticam, pelo sistema que lhes permite viver uma vida tranquila e até bem coroada em termos monetários. Uma espécie de sistema, grande maioria das vezes público, que ao alimentar tais faustosas vidas, ainda permite que, democraticamente, possam exprimir os mais absolutos disparates - não me refiro somente a Mário Nogueira, Francisco Louçã, Catarina Martins e tantos e tantos outros que podemos citar.

 

Também nos faz pensar no facto de, quando no poder, este tipo de indivíduos e clãs, rapidamente esquecer os problemas que antes apontavam. Se existiam impostos altos, na boca dos mesmos, terão deixado de existir, se existiam desigualdades, rapidamente deixaram de existir... O importante passa sobretudo por manter um discurso próximo de uma maioria que vota e que está ligada ao funcionalismo público. Afinal, uma coisa são meia-dúzia de estivadores, já outra são quadros técnicos do Estado. Alimentar os pobres não lhes dando, contudo, empowerment é também um forma de manter uma larga camada de população que vê nestes discursos a tábua de salvação.

 

Quando têm a mínima sensação de poder, é vê-los (democraticamente) a exercer uma espécie de "noite das facas longas" mas com outro nome, é que a denominação anterior puxa muito ao fascismo e ninguém quer comparar conceitos, mesmo que na prática as coisas sejam pouco diferentes. Essa mínima sensação de poder, faz com que estes indivíduos se comportem de pior forma que um capitalista e acumulem riqueza, nem sempre porque investiram mas porque o poder lhes dá - uma espécie de transformação de "filhos da sopeira" que de repente passam a senhores do feudo - por norma, quando isso acontece com pouco esforço ou preparação, o resultado é catastrófico.

 

Soa a discurso elitista de facto, mas a realidade não distingue discursos. Afinal, já Platão havia dito em a "República", que é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". É do cúmulo da liberdade, conceito repetido até à exasutão por estes indivíduos, que (democraticamente) se alimentam muitos tiranos com capa de bom samaritano.

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