Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



cudillero-2.jpgImagens: Robinson Kanes e GC

 

 

A manhã não está animadora quando deixamos Gijón, no entanto, depois de mais uma café em Avilés, (conhecemos Avilés de estarmos sempre a tomar café quando por lá passamos) o tempo parece colocar-se de acordo com o nosso estado de espírito. Em San Juan de Nieva o bom tempo e o mar calmo já criam a perfeita sintonia para o que se avizinha. Desta vez não queremos ir pelo interior e deixamos que seja o mar a indicar-nos o caminho até entrarmos na Galiza - ainda a uns dias e quilómetros de distância.

cudillero.jpg

O objectivo do dia, é sobretudo sentir e estar em Cudillero. No entanto, até lá e na costa entre Avilés e aquele pueblo, as praias e as escarpas são um dos atractivos principais. Não queremos perder o mar de vista, até porque as montanhas são sempre uma presença nas nossas costas quando os nossos olhos se perdem na imensidão do Cantábrico.

cudillero.jpg

Cudillero tem um interesse especial, é um daqueles locais que nos inspira e nos recorda (embora à maneira asturiana que não é melhor nem é pior, é bem diferente) locais mediterrânicos e do Adriático que encontramos mais a sul, desde Espanha até à Turquia. Além disso, é também em Cudillero que se encontra a "Fundación Selgas-Fagalde", um pouco antes de se chegar ao pueblo em si. Os jardins e o palácio tornam-na num dos tesouros artísticos e culturais mais bem escondidos do norte de Espanha.

fundacion_selgas_fagalde_asturias.jpg

Mas eis que chegamos a Cudillero que, além do carácter pitoresco com as suas casas de diferentes cores e ganhando espaço à montanha, também se tornou curioso para nós, apaixonados pela cultura dos "pexins vs lavradores" um pequeno apontamento etnológico. Também aqui "existe" uma divisão social bastante vincada, com os "Mariñana" (os habitantes que estão junto ao mar, sejam eles lavradores ou pescadores), com os "Xalda" (os que vivem no interior, maioritarieamente da terra) e os "Vaqueira" (os pastores da montanha, os mais isolados da comunidade).

cudillero-3.jpg

No entanto, se aprofundarmos ainda mais e deixarmos toda a área de influência do Ayuntamiento encontramos uma outra divisão somente em Cudillero composta pelos "pixuetos" (os pescadores) e pelos "caízos" (vivem na rua principal e tendem a dedicar-se ao comércio). Temos a sorte de encontrar habitantes a falar "pixueto", um dialecto local. É fantástico, faz-nos querer ouvir mais e ficar por ali para almoçar, o mar e aquelas gentes são a companhia perfeita num dos locais mais bonitos das Astúrias e até do norte de Espanha.

cudillero-2.jpg

É dia de mercado e também é dia de faina, há peixe fresco e por isso não resistimos à "Merluza del Pincho" e a um "Pixín a la Plancha". Pescada ao anzol e um tamboril grelhado, não pode haver melhor, sobretudo quando o cheiro do mar (bastante intenso) e o cheiro do prato quase não se distinguem. Não é difícil comer bem nas Astúrias, seja no interior, seja junto ao mar sobretudo se os passeios junto à "Playa de Oleiros", "Playa del Silencio", "Playa de Riocabo" e a "Playa Concha de Artedo" abrirem o apetito como abriram.

cudillero.jpg

Admiráveis praias não faltam para tornar todo este cenário único que não promete desaparecer, sobretudo porque se segue toda a costa asutriana até Figueras e Castropol, onde estas encontram, do outro lado da Ria del Eo, a também pitoresca Ribadeo, já na Galiza.

 

Outros Caminhos:

Valladolid: Primeiro Estranha-se... Depois Entranha-se...

Pela A62, de Palencia a Burgos.

Atravessar a verde Cantábria!

Regresso ao Passado em Santillana del Mar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ribadesella e uma Praia Asturiana...

por Robinson Kanes, em 19.08.19

ribadesella_asturias.jpgImagens: Robinson Kanes

 

A vida é feita, bem o sabemos, de pequenos nadas que é o que mais conta para o nada que somos no fácil e correntio.

Vergílio Ferreira, in "Conta-Corrente III"

 

As montanhas estão cada vez mais perto, aliás, em Llanes já se mostravam na sua supremacia terrestre suprema mas, e embora uma paixão pela altitude e pelos mistérios dos montes, custa-nos deixar o mar... E é por isso que seguimos o "Sella" até Ribadesella!

ribadesella_asturias (2).jpg

Custa-nos deixar o forte aroma que vem do Cantábrico e talvez por isso fiquemos presos a Ribadesella, mais um pequeno porto, mais um pequeno estuário, mais um encontro entre os pálidos rios da montanha e o mar em toda a sua força - até "esquecemos" o Património da Humanidade, a "Cueva de Tito Bustillo" e nos deixamos encantar por um passeio na marginal junto ao rio (o "Sella"). Caminhamos até onde este beija o mar, uma caminhada na areia ("Playa de Santa Marina") onde também partilhamos um beijo celebrando esse encontro e onde o vento faz convidado.

ribadesella_asturias_2.jpg

Ribadesella é aquele local de veraneio com cariz de norte da Europa, afinal os Picos da Europa estão mesmo ali, Cangas de Onis (uma das portas de entrada) é bem perto... As casas demonstram um apetite das famílias pelo local e também da própria aristocracia, afinal estamos num Principado onde a comunhão de um povo de forte e nobre raça se une a uma aristocracia secular.

ribadesella_asturias_4.jpg

Mais uma sidra? Ainda é cedo e a tortilla de Llanes ainda faz "estragos" no estômago. Contemplemos o mar e aproveitemos para percorrer a cidade, junto às docas, cheira a peixe fresco que trocou as caixas de madeira pela esferovite...

ribadesella_asturias_5.jpg

Despedimo-nos de Ribadesella com um até já, até porque temos curiosidade com o pôr-do-sol. Mais uns quilómetros, mais uma alteração de planos, se é que os mesmos existem... Não resistimos, contudo, e queremos terminar a manhã junto ao mar... Acabamos junto a uma praia, uma praia asturiana com uma "Estrella Galicia" na mão e um sorriso a cada gole enquanto alguém, ao longe... tal como nós, conversa com o mar e deste recebe em troca toda a sua venustidade. Recordo Michael Nyman, aliás, Michael Nyman pelas mãos de Valentina Lisitsa com "Time Lapse" - banda sonora do filme "A Zed & Two Noughts". Porquê? Não sei... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um Retiro no Zavial com "Sem Olhos em Gaza"...

por Robinson Kanes, em 29.09.17

IMG_3565.jpg

Fonte das Imagens: Própria 

 

As Liberdades particulares - e não há liberdade que não seja particular - são sempre condicionadas por alguma forma de escravatura geral.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Sempre que ando pelo Barlavento Algarvio, existe um lugar que nunca falha, seja na aurora de um novo dia ou já durante o crespúsculo: a Praia do Zavial.

 

Perto da Praia da Ingrina, é um lugar onde fora da época alta, sobretudo nos meses de Abril, Maio, Setembro e Outubro, podemos afastar-nos do mundo ou do bulício das cidades e encontrar aqui um retiro, quem sabe até mesmo antes de um almoço ou de um jantar no restaurante que serve a praia. Um livro, a companhia de crianças que aproveitam a última luz para jogar futebol na praia quase vazia, os surfistas a conquistar as ondas e a areia em comununhão com o mar são o cenário ideal que não é raro por ali encontrar.

 

É uma praia tranquila, sobretudo para quem não a frequenta no Verão, e além disso é o local perfeito para relaxar depois de um dia a percorrer Sagres e as Praias de Vila do Bispo. Falei de livros e recordo-me que durante a minha última passagem por aquelas areias, acabei a tarde com dois capítulos do "Sem Olhos em Gaza" de Aldous Huxley.

 

Quem estiver a pensar que é um livro sobre a Faixa de Gaza, pode colocar o mesmo de parte - o título é inspirado num poema de John Milton ("Samson Agonistes"), mais precisamento no verso "sem olhos em Gaza, no moinho com os escravos". A escolha deste autor não é casual e basta conhecer um pouco da biografia de Milton para o perceber.

IMG_20170929_090458.jpg

Mais uma vez, é um Huxley desiludido com o mundo (as peripécias desenrolam-se entre finais do século XIX e primeiros 35 anos do século XX), olhando à volta e vendo, sobretudo na média e alta sociedade, uma total ausência de valores e uma crise apática com o meio envolvente. É um desalento já notado em "Regresso ao Admirável Mundo Novo", é um Antonhy (personagem principal) preocupado, mas contudo perdido no meio da futilidade da época, de um pai mais preocupado com detalhes linguísticos do que com a tristeza do mundo; são amigos intelectuais, mas com essa mesma intelectualidade virada para o superflúo ou para vidas vazias de conteúdo - "há que distinguir entre conhecer e experimentar. Verdade conhecida não é a mesma que verdade experimentada. Devia haver duas palavras distintas".

 

É uma cegueira colectiva, conceito que os comentários ao livro, muitas vezes e bem, colocam como pano de fundo da obra. Uma nota para a mãe de Antonhy, que no livro tem um papel especial, embora a sua presença seja já sempre com base num passado, posto que esta já se encontra morta. Talvez seja essa ausência uma mais-valia para o livro...

 

Como em quase toda a obra de Huxley, pelo menos dentro daquilo que já me foi permitido ler ("Admirável Mundo Novo", "Regresso ao Admirável Mundo Novo", "A Ilha", "Férias em Crome", "Céu e Inferno", "Os Demónios de Loudon", "Sem Olhos em Gaza) encontro a actualidade assustadoramente bem descrita e decomposta. Termino com mais uma passagem: "Apenas os bárbaros entre nós,  sabem o que são. Os civilizados têm consciência  do que podem ser e são por isso incapazes de saber, o que,  para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se de como extrair da sua experiência atómica total, uma personalidade".

 

São as minhas sugestões para estes dias... Bom fim-se-semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_3448.jpg

Fonte das Imagens: Própria. 

 

Desde a passagem pela Cordoama que esta temática andava adormecida, pelo que, nada como 15km a caminhar ou a pedalar até ao Cabo de São Vicente (desde a Cordoama), sem esquecer a praia da Ponta Ruiva. Também é possível seguir por estrada, via Vila do Bispo (EM1265 e EN268).

 

O Cabo de São Vicente, além de uma viagem ao nosso passado de navegadores e conquistadores, é também o local onde podemos apreciar um dos melhores crepúsculos da Europa ou despedirmo-nos do farol guardião em direcção ao atlântico profundo. Em tempos, no século IV, foi também um local de peregrinação dos cristãos que visitavam aqui o túmulo de São Vicente (até ser destruído pelos muçulmanos no século XII), daí o nome Cabo de São Vicente. Aliás, S. Vicente e a sua lenda terão grande impacte também na história de Lisboa e justificam o porquê dos Corvos no brasão da cidade, mas isso será outra matéria.

IMG_3453.jpg 

Convido a que nos abriguemos na fortaleza, não a original mandada erguer por D. João III e terminada por D. Sebastião, mas sim naquela de planta poligonal que foi erguida por D. Filipe III de Espanha, após a anterior ter sido arrasada pelo célebre Francis Drake, um dos mais famosos corsários ingleses que espalhou o terror também no Algarve. Com poucos turistas ao fim do dia, é algo único, sobretudo para aqueles que já trazem o cansaço e o encanto de um passeio pela Costa Vicentina ou pelo Barlavento Algarvio.

 

Uma das atracções deste local, além do sem número de visitantes que aqui acorre em épocas mais turísticas, é sem dúvida a presença de várias aves. Destaco algumas, nomeadamente a Cagarra (calonectris diomedea), o Ganso-Patola (Morus Bassanus) que infelizmente ainda não consegui apreciar,  e a minha paixão, nomeadamente algumas aves de rapina como o Bútio-Vespeiro (pernis apivorus), a Águia-Calçada (aquila pennata), a Águia Cobreira (circaetus gallicus) e os Grifos (gyps fulvus). Devido a número de pessoas que por ali deambulam, nem sempre é fácil observar estes reis dos céus pelo que é necessária alguma cautela a quem ousar procurar locais mais recônditos e potencialmente mais perigosos.

IMG_3455.jpg

Mas não é só no Cabo de São Vicente que podemos ter um óptimo final de tarde. Nada como continuar a caminhar e seguir em direcção à Praia do Beliche (ou Belixe) e apreciar daí também o espectáculo crepuscular e com os pés na água, na areia ou então abrigados na sua gruta que atrai imensos visitantes. Em época baixa, ou já com a noite a aproximar-se, é um espectáculo singular! Aproveitem com conta peso e medida e cedam à tentação da massificação... O segredo deste pôr do sol está na paz que se sente e no sentimento de isolamento.

 

Do Cabo de São Vicente a esta praia são somente 3,5km a caminhar, praticamente o mesmo que por estrada, pelo que poderão fazer uma pausa a meio e recuperar forças na Fortaleza do Beliche (ou Belixe) e olhar o promontório que já se começa a perder de braço dado com o oceano. Esta fortaleza, de origem ainda desconhecida, tem um percurso semelhante à Fortaleza de São Vicente, ou seja, também foi atacada por Francis Drake e posteriormente reconstruída por Filipe III de Espanha. Para quem aprecia arquitectura militar de defesa de costa vai apreciar este local e tentar imaginar as "batarias" a disparar rajadas de projectéis acompanhadas pelo fogo da Fortaleza de São Vicente contra as frotas de piratas e corsários. Em dias de sol parece impossível que em águas daquelas, tão duros combates se tenham travado, um pouco à semelhança do que sentimos em Barbate, Cádiz.  Neste monumento existe também uma pequena capela, a Capela de Santa Catarina, embora seja dedicada a Santo António.

IMG_3470.jpg 

E chegados aqui, sigamos então para a praia, estendamos a toalha, tiremos uns refrescos e umas sandes da mochila e esperemos que o sol se despeça e o cheiro do mar nos traga uma das melhores experiências do mundo... E tudo isto, todo este glamour, a um preço fantástico de zero euros. E sendo que o mesmo é grátis, colaborem reduzindo a vossa pegada ecológica ao máximo.

 

IMG_3457.jpg 

 Algumas notas:

 

 

  • Sugestões bibliográficas sobre a temática, porque aqui citamos as fontes:

Coutinho, Valdemar (1997), Castelos, fortalezas e torres da região do Algarve, Faro, Algarve em Foco Editora.

Almeida, João de (1948), Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses Volume 3, Lisboa, Edição de Autor.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Abençoado Agosto e Bendito Vento!

por Robinson Kanes, em 11.08.17

 

IMG_4464.JPG

  Fonte das Imagens: Própria.

 

O português tem um problema crónico: nunca, mas mesmo nunca, irá dizer... Estou bem! 

 

No Inverno é porque não chove! Vem a chuva... É porque não faz sol. É porque está calor e na sua senda consumista acredita que tem de vir o frio para se vestir de acordo com a estação. Vem o frio... É porque está frio! Por acaso, no Verão não se importa que o país seque. Desde que o calor esteja no pico, queremos lá saber que meio-mundo esteja a morrer à sede, que não faltem caipirinhas e água do mar na praia! E como é Verão e a silly season está aí a queimar muitas mentes o principal inimigo passou a ser... O fogo? Não, já ninguém quer ouvir falar de incêndios... Mas em Abrantes está o pânico! E? Espero que não morra ninguém, caso contrário ao invés de querermos inflacionar listas de mortos vamos querer é eliminar as mesmas só para não tirar o brilho às férias...

 

Mas o drama, o verdadeiro horror, a tragédia (gostaram do momento Artur Albarran?) dos herdeiros de Viriato é o vento! Maldito Éolo que ainda vives no Império Romano a atormentar estes lusitanos cuja principal preocupação são os teus ventos! 

IMG_4491.JPG

Adoro uma boa chuva de Verão e o vento, desde que não se ande sempre a dizer na comunicação social que vai continuar (os incendiários agradecem), também me é agradável. Além de que não é preciso ir para os trópicos ou até para o Algarve para assistir a profissionais de alto gabarito a fazerem acrobacias aproveitando aquele sobre o qual quase toda a gente, por estes dias, decidiu descarregar a sua frustração. Além disso... Sempre se partilham umas fotografias mal tiradas.

 

Posto isto, a minha sugestão para estes dias de fim de semana é simples: ponham-se ao vento e voem! Voar também faz bem!

IMG_4470.JPG

Até porque afinal, a verdade é esta: enquanto muitos de vós se refugiam no conforto de um espaço fechado com medo de uma brisa, ainda há quem aproveite, e bem, o Bóreas das nortadas!

 

Bom fim de semana...

IMG_4643.JPG

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pela Cordoama, Barriga e Castelejo...

por Robinson Kanes, em 03.08.17

IMG_3403.jpg

 Fonte das Imagens: Própria.

 

Apesar de ser Verão e as praias se encherem de cor e festa, a verdade é que existem praias que são mais belas longe desta época... Três delas situam-se lado-a-lado, bem perto de Vila do Bispo: a Praia do Castelejo a leste, a Praia da Cordoama ao centro e a Praia da Barriga a oeste. É interessante como não nos cansamos de percorrer esta costa, como cada praia é uma descoberta, cada penhasco um desafio e o oceano o nosso companheiro mais fiel e que se vai transformado quilómetro a quilómetro.

IMG_3400.jpg

Comecemos pela Cordoama, uma praia com extenso areal e ideal para a prática de desportos náuticos (sobreutdo surf) e também para a prática de parapente, mas pouco recomendável para crianças ou pessoas que não queiram arriscar no mar devido à ondulação. À semelhança da Praia da Barriga é ideal para observar as escarpas e contemplar o oceano. No entanto, a Cordoama e o Castelejo têm uma particularidade: são divididas por uma colina e é daí que se consegue ter também uma das melhores vistas da Costa Vicentina. É um local icónico e que permite, por vezes, apreciar de cima verdadeiras acrobacias aquáticas ou então aéreas devido à prática de parapente. A Cordoama não se pode considerar uma praia romântica nem das mais belas da Costa Vicentina, mas é sem dúvida um ponto obrigatório, quanto mais não seja para deixarmos que os ventos que acompanham o atlântico nos purifiquem.

IMG_3419.jpg

A Praia da Barriga é ideal para ser o ponto de partida para uma caminhada até à Cordoama e depois ao Castelejo na maré-baixa. É conhecida sobretudo pelos praticantes de surf e bodyboard.

 

Finalmente, a jóia da coroa destas praias, a Praia do Castelejo: além da ondulação forte oferece ainda um contraste singular entre o negro xisto e a areia dourada a que se junta a Pedra da Laje que pela sua semelhança a um castelo é apontada como a responsável pelo nome da praia. Uma das outras mais-valias deste local é o Trilho Ambiental do Castelejo e que ainda integra uma área de Rede Natura 2000! Circular e com apenas 3,5km é obrigatório percorrer o mesmo, seja a pé ou de bicicleta. Apesar de não ir dar à praia, é possível fazer um piquenique junto ao lago antes de se abandonar o trilho, até porque os cheiros do Castelejo não nos deixarão fugir sem pisarmos aquelas areias. Mais informação sobre o trilho aqui.

IMG_3428.jpg

E como estamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina não deixem de consultar e levar convosco o Código de Conduta e Boas Práticas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Da Bordeira ao Amado...

por Robinson Kanes, em 14.07.17

IMG_3379.jpg

 Fonte das Imagens: Própria

 

De volta à Costa Vicentina, imaginem deixar a Praia de Vale Figueiras e fazerem uns meros 16km para sul, pela EN268 e depois pela Estrada da Praia e chegarem à Praia da Bordeira, também conhecida como Praia da Carrapateira pela proximidade com a Carrapateira e por também ser aí a foz da Ribeira com o mesmo nome. Podem sempre fazer o percurso a pé ou de bicicleta que são apenas 11km.

 

Nesta zona, depois de uma visita pelas localidades da Bordeira e da Carrapateira, nada como seguir em direcção à praia e a partir daí fazer o caminho da Estrada da Praia até à Praia do Amado. Deixem o carro e peguem na bicicleta ou vão a pé, pois serão dos 3,5km mais bonitos e pitorescos que algum dia farão! Recomendo vivamente e é não-negociável, além de que têm passadiços com miradouros que vos permitem ir descansando.

IMG_3344.jpg

É neste troço que começamos a sentir a Costa Vicentina verdadeiramente, onde rocha e mar tendem a ser mais austeros e a trazerem-nos já um pouco dos cheiros do Cabo de S. Vicente.

 

Após a Praia da Bordeira, surge-nos a Praia da Zimbreirinha, e é aqui que as portas se abrem para um mundo novo, para todo o expoente da Costa Vicentina e para um local encantadoramente inóspito. Ao longe ainda conseguimos observar a Arrifana, como se a paisagem insistisse em manter diante dos nossos olhos tão belo lugar. Infelizmente, já não é possível apreciar o Portinho da Zimbreirinha e o seu ancoradouro pelafita devido a uma derrocada.

 

Como é bom caminhar ou pedalar e observar as diferentes cores da rocha e do mar que alterna entre o verde água e o azul escuro das águas profundas. Como é bom sentir o vento do atlântico, suave mas ao mesmo tempo com força suficiente para nos fazer respeitar aquele mar donde outrora arriscamos sair em pequenas cascas de noz à conquista do Mundo! Lembro-me agora dos "Navegadores" de Sophia:

 

Esses que desenharam os mapas da surpresa

Contornando os cabos e dando nome às ilhas

E por entre brilhos espelhos e distâncias

Por entre aéreas brumas irisadas

Em extáticas manhãs solenes e paradas

No breve instante eterno surpreenderam

O arcaico sorrir do mar recém criado

Andresen, Sophia de Mello Breyner "Navegadores", Poemas Dispersos

 

De regresso a terra, voltar à caminhada ou sentir aquele vento enquanto nos deslocamos de bicicleta, é algo mágico mas também um verdadeiro postal. O difícil vai ser fazer o caminho sem parar de 50m em 50m.

IMG_3368.jpg

Um dos pontos altos deste passeio é a Praia do Portinho do Forno que, além de ser um pequeno porto e o mas antigo da Carrapateira, é também um ponto de encontro para os entusiastas do Todo-o-Terreno (TT), motorizado ou não. Não é incomum vermos pequenos grupos de praticantes de BTT, jipes ou motas de TT. Todavia, aqui podemos parar e contemplar a paisagem imaginando tempos passados em que os barcos atracavam e se carregavam os burros que deveriam levar o resultado da faina para a lota da Carrapateira. Também é aqui que o "puzzle" de diferentes tonalidades da água torna este lugar tão especial. Podem sempre aproveitar e beber um refresco ou até almoçar no restaurante que aí se encontra. 

IMG_3385.jpgE como o caminho se faz caminhando, nada como continuar um percurso que já não queremos que acabe, até porque já vemos a Praia do Amado ao fundo e ficamos com aquele misto de encanto e fadiga mas em que percebemos que afinal não estamos assim tão cansados e queremos que o momento não termine. Uma das formas de prolongar o mesmo será trazer um bom piquenique, ou como se utiliza no Brasil, um convescote. A oportunidade de apreciar uma refeição leve num local destes, nem em muitos dos melhores restaurantes do mundo! 

IMG_3381.jpg

Levantemo-nos pois e sigamos em direcção à riqueza geológica e faunística da Praia do Amado, sem esquecer a flora que a tornam num dos locais mais importantes ao nível da preservação de habitats! Um outro habitat muito importante é o dos surfistas, pois é considerada uma das melhores praias a nível europeu para a prática desta modalidade. Esta já é uma praia mais movimentada, pois é escolhida por muitos veraneantes e por empresas de animação turística.

 

Cansados? Porque não voltar para trás e voltar a fazer o mesmo caminho? Eu fá-lo-ia, além de que o fim de semana, para quem o goza, está mesmo aí à porta! Não deixem de ir à Carrapateira e à Bordeira, são duas localidades fantásticas, de boas gentes e que vos proporcionam uma experiência singular onde o campo convive pacificamente e numa harmonia singular com o mar.

IMG_3392.jpg 

Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

 

Bom fim de semana. Voltarei na terça-feira!

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Praia de Vale Figueiras.

por Robinson Kanes, em 04.07.17

IMG_3328.JPG

Fonte das Imagens: Própria 

 

Como o prometido é devido, porque é Verão e porque depois da Arrifana fiquei de fazer um piquenique, eis que me encontro convosco na Praia de Vale Figueiras!

 

Para lá chegarmos, nada como deixar a Arrifana e voltar à estrada que vem de Aljezur (N120) e virar para onde diz Vila do Bispo e Sagres entrando na N268! Seguindo essa estrada, após uns 4km encontraremos uma placa que diz Vale Figueiras e nada como seguir por uma estrada alcatroada até chegarmos a uma estrada de terra batida e novamente, mais perto da praia, voltarmos ao alcatrão. Também é um percurso que pode ser feito de bicicleta, todavia, já estamos a falar de 22km e de um regresso com uma inclinação por terra batida. Contudo, podem sempre aventurar-se pela estrada municipal 1003-1, sobretudo se vierem da Arrifana, são só 14km mas... Com mais aventura.

IMG_3325.JPG 

Típica praia da Costa Vicentina, liga à Praia do Penedo, uma outra praia de beleza ímpar! Nesta praia podemos encontrar, sobretudo em época baixa, muitos praticantes de modalidades aquáticas, sobretudo surf e bodyboard e percorrer os quase 3km de praia (inclui Praia do Penedo) numa harmonia perfeita entre a terra e o mar. Para os amantes das bicicletas, sobretudo BTT, como já referi, é também um desafio interessante e a chegada à praia é qualquer coisa de fantástico, pois saímos de pequenos montes e até chegarmos ao meio do areal temos a sensação de estar a atravessar uma porta que nos fará entrar num mundo imenso onde a areia erve de palco para a observação de uma grande parte da costa... Inclusive a Arrifana.

IMG_3335.JPG

É um óptimo local para se estar e levar o piquenique. A Praia de Vale Figueiras não é uma praia muito frequentada e as vistas, bem como a própria envolvência tornam-na o local perfeito para estenderem a manta e com a vossa cara-metade, apreciarem ao longe a Arrifana. É também um óptimo local para recuperar energias antes de entrarem nas grandes falésias que ornamentam a costa até Sagres! Para quem tem animais, é também o local perfeito para um passeio, desde que apanhem os dejectos!

 

Como estão no Parque Natural do Sudoeste Alenteja e Costa Vicentina, não se esqueçam do "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vamos Limpar a Lagoa de Albufeira?

por Robinson Kanes, em 26.06.17

image003.jpg

 

Bem pertinho de Sesimbra, a poucos quilómetros da praia do Meco, existe a maior zona húmida da Península de Setúbal!

 

Para terem uma ideia, a Lagoa de Albufeira encontra-se classificada como Zona de Protecção Especial (ZPE), como sítio da Rede Natura 2000 (http://www.icnf.pt/portal/naturaclas/cart) e, a Lagoa Pequena é ainda considerada Zona Húmida de Importância Internacional pela Convenção de Ramsar (http://www.ramsar.org).

 

"A Lagoa da Albufeira encontra-se num sistema dunar, no seguimento da arriba fóssil da Costa da Caparica e tem uma área aproximada de 155 ha, apresentando uma forma alongada e sendo constituída por duas áreas lagunares denominadas por Lagoa Grande e Lagoa Pequena. Ambas estão ligadas por um canal estreito e sinuoso, designado por Bico dos Corvos.

A Lagoa Grande está separada do mar por uma barreira arenosa. No equinócio da Primavera é, em geral, aberta artificialmente uma barra única. No Inverno, durante temporais fortes, a barra pode abrir naturalmente. Nas zonas do litoral existe uma área de dunas. As margens da lagoa têm declives relativamente suaves, mais acentuados na zona norte. Uma boa parte do espelho de água da lagoa está livre de vegetação. 

 

A montante da lagoa encontra-se uma zona palustre formada por uma mancha relativamente extensa de caniçal, designada por Lagoa da Estacada. Actualmente esta zona está separada da Lagoa Pequena por um dique e é alimentada essencialmente pela ribeira da Apostiça. Junto ao dique desenvolve-se uma mancha de salgueiros e alguns choupos.

 

A rodear praticamente toda a lagoa encontra-se um vasto pinhal, onde se destacam o Pinheiro-manso (Pinus pinea), o Pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e alguns Eucaliptos (Eucalyptus globulus) e Sobreiros (Quercus suber). Por vezes existe algum estrato arbustivo. Os terrenos agrícolas surgem normalmente nos terrenos de vale de cheia das ribeiras que desaguam na lagoa: ribeira de Aiana, Ferraria e Apostiça.". (Fonte: Espaço Interpretativo da Lagoa Pequena).

 

A esta riqueza única, associa-se ainda a avifauna, mas disso voltarei a falar neste espaço.

 

Aproveitem o Verão para fazer algo pelo ambiente, passem uma manhã muito divertida e com impacte directo na natureza, eu não faltarei. Deixem-se também envolver num ambiente descontraído e onde haverá espaço para o convívio. Se a praia for a vossa preferência, isso não será desculpa porque a Praia (de Mar) da Lagoa é mesmo ali ao lado. 

 

Finalmente, deixo-vos também uma sugestão: a mata que rodeia a lagoa é vastíssima, levem piquenique, espaços não faltam! Para os mais aventureiros, a bicicleta também é uma óptima opção para passar um dia inesquecível!

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aljezur, o Estuário e a Praia da Amoreira...

por Robinson Kanes, em 02.06.17

IMG_3206.JPG

Fonte das Imagens: Própria 

 

E porque o tempo convida e... Porque vem aí o fim-de-semana, para alguns... Que tal uma ida à praia? Apanhar sol e passar o dia junto ao mar, que tal? Não!

 

Praia, natureza (não que praia não o seja) e cultura podem conjugar-se perfeitamente. Existe um lugar em Portugal (entre outros) onde é possível conseguir tudo isso num raio de 10km! 

 

Que tal ir a Aljezur e subir ao Castelo? Apreciar ao longe aquele altaneiro monumento e daí contemplarmos o nascer do sol quais sentinelas medievais! Não vão ficar arrependidos porque terão de imediato uma vista para o que se segue e que acabará por preencher o resto do dia. E recordem-se, fica apenas a 60 km de Vila Nova de Milfontes, a 8 km da Praia da Carriagem (lembram-se?) e a 32 km de Lagos!

IMG_3205.JPG

Depois da História e de uma viagem pelos tempos medievais, nada como descer pelo castelo e de bicicleta (preferencialmente) rumar à Praia da Amoreira. São apenas uns 7 km!

 

O automóvel é opção e ir a pé também! No entanto, o estacionamento é condicionado e além disso perdem o encanto da estrada que ladeia o estuário-lagunar da Foz da Ribeira de Aljezur. Chegando cedo, é possível aproveitar para avistar a fauna e observar a flora. Para mim é um santuário, na medida em que permite avistar algumas das aves que mais me encantam: a Garça-Real Cinzenta (e que bonita que é) e o Guarda-Rios! Encontram outras como a Galinha-de-Água e também alguns mamíferos como a lontra (boa sorte com esta). Apreciem também as formações rochosas, as lagoas, o sapal, as dunas (apelidadas de “medos da Amoreira” pelos locais) e as arribas. É um local lindíssimo onde os binóculos são recomendados.

 

Se deixarem que a hora de almoço se cruze no vosso caminho, porque não um piquenique? Ali mesmo à beira da estrada, mas com vista para o estuário e para os pastos, onde o gado bovino da região acrescenta mais uma cor à mescla de contrastes!

 

Depois do almoço, nada como um passeio na praias, ribeirinha e litoral, sem esquecer a passagem pela rocha do “treme-treme” onde poderão encontrar vários pescadores de cana na mão à espera dos sargos tão característicos daquela costa. Podem sempre tentar negociar a compra de um ou dois. Confesso, no entanto, que não é de todo o meu peixe predilecto.

IMG_3216.JPG

Depois do passeio e da digestão, nada como um mergulho no mar e deixar que o fim do dia chegue para contemplar as cores do crepúsculo... Ali mesmo, sentados na areia. Se estiverem acompanhados, namorem. Namorem muito porque o local a isso convida! E porque não surpreender a vossa cara-metade com uma bebida refrescante no bar que dá apoio à praia e que é um local simpático com uma vista panorâmica sobre a mesma. 

 

Fosse eu, e no fim do dia voltaria ao estuário, pois é a melhor altura do dia para observar as aves! É a hora da Garça-Real... E que encanto é observar tão nobre e portentosa ave!

 

IMG_3212.JPG

A entrada na noite pode ser passada junto da fogueira (cuidado com o local onde se dedicam a acender a mesma) a grelhar os sargos, ou então num café tradicional de Aljezur entre uns petiscos da terra e um bom vinho. Mesmo que o vinho não seja grande coisa, nestas alturas e nestes locais tem sempre um sabor especial... Talvez pela companhia. Juntem-lhe uns percebes, um queijo, ou uns bichos (camarões) e têm o momento perfeito! Sugiro que escolham o café menos apetecível e paguem uma rodada a quem lá estiver.

 

Quando deixarem este paraíso, podem sempre atestar o automóvel (se for o vosso meio de transporte) nas bombas de gasolina que ficam à saída da vila para quem vem do sul, sempre ajudam os bombeiros.

 

E nunca se esqueçam! Estão numa área de Parque Natural (Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina) por isso é fundamental a leitura do “Código de Conduta e Boas Práticas” que pode ser descarregado aqui.

IMG_3221.JPG

 

Bom Fim de Semana...

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds



Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB