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Leitura do Dia: Education at a Glance 2018!

por Robinson Kanes, em 13.09.18

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Créditos https://www.irishtimes.com/news/science/the-reason-why-modern-teaching-methods-don-t-work-1.2115219

 

É só mais um estudo... Um estudo que nunca se poderá dizer que é infalível - mas também não é só irmos atrás da comunicação social e esperar que sejam estes a dar-nos as respostas.

 

Também não é a ter pena de quem trabalha 20 anos e "só" aufere 1700 euros ilíquidos por mês que podemos ter pena de uma classe. Ver como vi professores a queixarem-se da triste sorte é no mínimo hilariante, vale-nos o facto de que ninguém se lembrou daqueles "extras" que também surgem no recibo de vencimento e aumentam os salários. Tenhamos também pena de quem (não são todos, de facto) tem trabalho garantido para a vida ou pode sempre abandonar o mesmo e procurar melhor (mas nem sempre o faz).

 

A educação em Portugal tem girado em torno das reinvindicações da classe dos professores, contudo, este estudo alerta para áreas que são bem mais importantes, nomeadamente: os gastos com a educação "vs" retorno e impacte da mesma. Não alerta, no entanto, para o próprio modelo de educação que, em muitas situações, está obsoleto e completamente à margem das necessidades de uma sociedade pós-moderna. Esses assuntos ninguém parece querer discutir porque, muito provavelmente, levariam a grandes mudanças que colocariam muitos professores (não todos) num patamar de total incapacidade para o serviço. Este meu comentário, todavia, não invalida que ainda se preservem métodos antigos que funcionam, nomeadamente a disciplina e o método cientifico.

 

Finalmente, o que se está a passar com os professores, é o facto de um grupo que em tempos foi uma elite, estar agora a ser nivelado com os parâmetros ditos normais, ou seja, mais uma profissão, com a sua devida importância, mas nem mais nem menos que as outras... E sempre que isso acontece, a contestação é inevitável...

 

Podem ler o estudo aqui

 

Boas leituras...

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Imagem: http://globalfoodconnections.com/climate-change-threatens-ancient-mayan-farming-practices/ 

 

 

E se culturalmente quase que podemos afirmar que existia um povo dentro de um outro povo, também socialmente as desigualdades eram profundas e além dos mais desfavorecidos, está o exemplo das mulheres, completamente afastadas de toda e qualquer intervenção no conselho.

 

Neste contexto de Rio de Onor, poderemos contar uma “estória” que se afasta radicalmente da realidade e que para a discussão de uma economia mais solidária somente poderá dar o seu maior contributo no espírito de união que permite muitas vezes a populações completamente isoladas geograficamente e socialmente sobreviverem perante condições tremendamente adversas ao invés de sociedades que nasceram por oposição a outras. Nesse sentido Rio de Onor é efectivamente um grande exemplo a par com a segurança da identidade cultural e comunitária.

 

Actualmente este é o seu contributo, sobretudo para uma sociedade cada vez mais individualista e sem sentido de comunidade e cidadania. Por outro lado, é um exemplo a não seguir no que toca ao papel das mulheres e dos mais desfavorecidos nas novas práticas económicas que deverão encarar estes, não dignos de dádiva, mas sobretudo actores ao nível de qualquer outro, tornando-se também eles agentes de mercado e de desenvolvimento local sustentável.

 

Conclusão

 

Rio de Onor preencheu e ainda hoje preenche o imaginário de muitos estudiosos e antropólogos. Todavia, Rio de Onor.

 

Em relação aos quatro pontos de partida deste texto, o primeiro ponto efectivamente vai ao encontro de uma das bases de uma economia solidária: a união dos interessados em comunidade, como forma de vencer os obstáculos económicos e geográficos que jamais seriam vencidos se cada um o fizesse de forma isolada. A questão da cultura de oposição está completamente de lado, pelo contrário os laços transfronteiriços eram extremamente fortes e tanto o lado espanhol como o português partilhavam deste espírito de interajuda e cooperação nos destinos da aldeia.

 

Rio de Onor não passa o teste de sociedade igualitária quer na administração dos recursos (não confundir com distribuição), na sua posse e sobretudo no afastamento das mulheres no que concerne aos destinos e até vida quotidiana da aldeia. Atentemos provavelmente à época, e que num regime ditatorial não tinha aberto ainda espaço para a formalização dos direitos das mulheres. Importa, no entanto, não esquecer que antes do regime ditatorial já existia Rio de Onor.

 

Do ponto de vista de sucesso rural, Rio de Onor nunca conseguiu produzir grandes quantidades de produtos, pelo que alimentava praticamente uma economia de subsistência. A dimensão também deverá ser tida em conta, pelo que para o futuro, talvez não seja de descorar que, ao invés de comunidades aldeãs isoladas, ser dado o passo para a criação de redes aldeãs com um modelo de gestão comum a todas.

 

No que concerne ao quarto e último ponto, a resposta é sim. Claramente as mulheres, sobretudo das zonas raianas e serranas, têm cada vez mais um papel fundamental na dinamização do interior ou de áreas isoladas. A partida dos maridos, não deve passar pela espera de um hipotético encaixe financeiro no futuro, mas sim por uma mobilização destas para o trabalho da\na terra.

 

Face a todos estes argumentos, Rio de Onor é uma “estória” da qual podemos tirar muitas lições de sobrevivência e esquecermos as utopias.

 

Rio de Onor tinha as suas lacunas, no entanto, retirando o sumo das boas práticas e aprendendo com os factores negativos, até porque, a título de exemplo, seria um autêntico suicídio afastar desta forma as mulheres, muitas destas aldeias e vilas terão muito a ganhar - sobretudo se não cometerem o erro de se voltarem somente para si mesmas. Poderão desenvolver-se numa óptica socioeconómica e com isso garantir patamares de sustentabilidade para todos os seus habitantes.

 

Citando os rionorenses "bamus a deitar piedras" e ver o resultado final.

 

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (7)

 

Leituras recomendadas:

 

  • Dias, Jorge, Rio de Onor, Comunitarismo AgroZPastoril, Editorial Presença, Lisboa;

  • Laville, Jean Louis, A Economia Solidária: Um Movimento Internacional, Revista crítica de Ciências Sociais, 84, Março 2009: 7Z47;

  • Marques, Joana S.; Social and Solidarity Economy, United Nations Research Institute for Social Development, Geneva, 2013;

  • McMurtry, John, Prometheus, Trojan Horse or Frankenstein The Social and Solidarity Economy as Community Creation, Market Wedge, or State Monster, United Nations Research Institute for Social Development, Geneva, 2013;

  • O’Neil, Brian Juan, Proprietários, Lavradores e Jornaleiras, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Pais de Brito, Joaquim, Retrato de Aldeia com Espelho, Ensaio sobre Rio de Onor, Publicações Dom Quixote, Lisboa;

  • Piolanyi, Karl, A Grande Transformação, Editora Campus, Rio de Janeiro, 2000;

  • Prügl, Elizabeth; Razavi, Shahra; Reysoo; Fenneke, Gender and Agriculture After Neoliberalism, The Graduate Institute Geneva, Geneva, 2012;

  • Wolf, Eric, Peasants, Prentice Hall, New Jersey, 1966;

 

 

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Edvard Munch - "Entardecer" (Museu Nacional-Thyssen Bornemisza)

Imagem: Própria

 

É cultural... 

 

Quando queremos desculpar comportamentos estúpidos e para o qual não temos uma justificação que possa validar tal irresponsabilidade, lá nos socorremos do "é cultural".

 

Um desses comportamentos é aquilo a que se pode chamar o "quarto do hora académico", vulgo atraso irresponsável e falta de respeito pelos outros. Em Portugal, e mesmo por outras paragens, o chegar atrasado ou até falhar a um compromisso é algo visto como perfeitamente normal. Tão normal, que até se incute em programas de televisão, jornais e rádios como uma coisa boa - chegar atrasado é ser cool, é ser yeah, é ser... estúpido.

 

Temos de descontar os atrasos que, obviamente, são forçados e não são a regra mas sim a excepção, aliás, quem nunca se atrasou que atire a primeira pedra - é melhor não dizer isto porque até conheço alguns indivíduos que...

 

No entanto, cada vez que nos atrasamos estamos a prejudicar alguém ou até mesmo um processo. Quando nos atrasamos para uma reunião ou para um encontro profissional estamos a destruir a agenda daqueles com quem combinámos uma hora e a promover também o atraso destes noutros compromissos - ou seja, uma bola de neve. Além de que, quando nos atrasamos, também em âmbito profissional, estamos a fazer com que outrem não possa sair a horas para estar junto da família ou em outras actividades porque tem de fazer o trabalho que não pôde fazer enquanto estava à nossa espera e também, enquanto esteve connosco. Afectamos o bem-estar e a produtividade daquele com quem irresponsavelmente interagimos! Mas na verdade, quem é que quer saber disso, sobretudo quando é B2C (business to client)?

 

Quando nos atrasamos, temos de ter em conta que do outro lado está uma pessoa que tem uma agenda, pessoal e profissional, e que também tem de trabalhar e viver - por cá, tendemos a esquecer isso, sobretudo quando não temos nada que fazer e passamos o dia na praia, mas depois forçamos o desgraçado deste ou daquele estabelecimento a esperar por nós às nove da noite para, por exemplo, visitarmos um espaço ou fazermos uma reunião. Esquecemo-nos que, enquanto estivemos na praia e nos levantámos às onze da manhã, alguém já estava fora da cama às cinco e no dia seguinte repete a rotina.

 

A desculpabilização deste tipo de atítudes não pode ser uma prática, sobretudo quando quem as pratica fica muito revoltado, ou porque é chamado à atenção, ou porque, e passo a expressão, "bate com o nariz na porta". A revolta é tal que se fica com a ideia de que o grande crime é cometido por aquele que esperou horas a fio e se fartou de tanto esperar ou até porque teve outros compromissos.

 

Temos ainda os atrasados (mentais) que enviam mensagens ou telefonam a dizer que em cinco minutos estão a chegar. Por norma, quando um português diz que chega em cinco minutos, o ideal é fazermos uns bons quilómetros para ir tomar um café, ler o jornal e voltar... Com um pouco de sorte ainda o apanhamos a chegar.

 

Recordo-me que em tempos, no primeiro dia em que cheguei para dar aulas a alunos do ensino superior, o director do curso me disse que tinha de ter em conta o "quarto de hora académico" seguido daquele "eh eh eh, sabe como é". Lembro-me também de ter feito uma expressão pouco simpática e ter respondido que, um dia, quando os alunos tiverem compromissos profissionais, não iriam existir quartos de hora académicos e de que além disso era uma tremenda injustiça para com aqueles que cumpriam e chegavam a horas, pelo que, nas aulas do Robinson, a repetição desse comportamento não seria tolerada. Não obtive resposta e fiquei a pensar que tinha carimbado o passaporte para não voltar a dar aulas naquela instituição.

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Bater no(s) Fundo(s)...

por Robinson Kanes, em 28.08.18

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Imagem: Própria.

 

 

Na passada semana, em conversa com alguns conhecidos, tomei conhecimento de uma reportagem televisiva que, alegadamente, colocou o dedo na ferida - mais um - em relação aos apoios e acções de solidariedade para com Pedrogão Grande. 

 

Temos de atentar no facto de que, em Portugal, os incêndios de Pedrogão (como se os de Outubro, Monchique e outros não fossem de interesse) produziram, pela primeira vez e em larga escala, a ideia de que a solidariedade é um negócio pouco transparente. Confirmou-se, pois até hoje ainda ninguém explicou com rigor o destino dos fundos, que afinal para esclarecidos e ignorantes ou meros ingénuos, o dinheiro da "esmolinha" nem sempre acerta no bolso do "pobrezinho". Aliás, 2017 e 2018 foram pródigos em casos de solidariedade pessoal, literalmente...

 

Mas é voltando a essa reportagem que temos de fazer três exercícios: o primeiro é de que estamos perante uma reportagem que aponta alguns factos concretos e verídicos mas ainda é só uma reportagem. O segundo é de que devemos pensar porque é que casos como estes só chegam ao conhecimento do público e das autoridades por intermédio dos media... E terceiro, e se tudo isto for verdade?

 

Debato-me no terceiro e último: e se tudo isto for verdade? Se for verdade que o dinheiro dos contribuintes e de  todos aqueles que solidarizaram com Pedrogão (e falo de Pedrogão mas abarco todos os outros concelhos afectados) estiver a ser esbanjado por oportunistas corruptos? E se tudo isto for verdade, como é que fica o papel dos políticos - muitos deles ao mais alto nível - que se solidarizaram também com estes indivíduos e até lhes deram apoio mediático e não só? Se tudo isto for verdade, como é que um povo reage quando, aqueles que deveriam garantir a sua segurança, são os primeiros a falhar. Como é que saíndo impunes e abusando dessa impunidade ainda desrespeitam mortos e vivos absorvendo os lucros, pois a palavra é essa, os lucros da desgraça? Não defendo, nunca defendarei a Justiça feita na rua, todavia... Devo admitir que não é fácil desejar que algumas cabeças se afastem do resto do corpo num qualquer pelourinho! A conversa do doa a quem doer, sem causar dor começa a ser enfadonha...

 

E se tudo isto for verdade? Presumo que até existirem factos que provem todos estes esquemas são verdadeiros devemos ter cautela nos comentários e nos ditos julgamentos públicos, no entanto, também é nas ruas que se diz que "contra factos não há argumentos". Se tudo isto for verdade, uma coisa Pedrogão Grande tem de nos ensinar - chega de corrupção, irresponsabilidade, impunidade e incompetência!

 

Talvez a melhor homenagem que podemos prestar a todas as vítimas dos incêndios e não só, é finalmente começar a combater ferozmente estes comportamentos! Mais do que criar brigadas de combate a incêndios, é criar mecanismos que promovam a competência, o mérito e a responsabilidade. Mais do que criar oficiais de segurança, é criar mecanismos que combatam a corrupção... Até porque, todos sabemos, que o poder autárquico, a par do central, é também ele, em muitas situações um antro de corrupção que só não é mais posto a nu porque a apetência pelo paternalismo luso permite que autarquias e autarcas sejam a única fonte de rendimento e justifiquem a existência de algumas localidades. É esta apetência que permite que em alguns concelhos tenhamos autênticos ditadores que semeiam o medo e paralisam todos aqueles que levantem a voz contra os mesmos... Não são raros os casos em que tive pessoas diante de mim em pânico porque o "senhor presidente da câmara" ou o "vereador X" podiam acabar com uma carreira, uma família ou até com a sobrevivência dessas mesmas pessoas.

 

Fuji ao tema, de facto, mas na verdade, este tipo de situações continua a ocorrer e é a apatia das instituições e sobretudo dos cidadãos que o permite... Entretanto, também a Democracia vai ardendo de forma totalmente descontrolada.

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Paul Delaroche - "A Execução de Lady Jane Grey" (National Gallery)

Imagem: Própria

 

 

A Liberdade! Como é difícil. Numa carroça quem tem menos problemas é o cavalo.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente II"

 

E é pelo título que começo este texto: a única diferença é que os primeiros utilizam um discurso totalmente diferente e mais meigo para dizerem o mesmo que os segundos não escondem defender.

 

A semana transacta veio mostrar, mais uma vez, que Portugal é um país tendencialmente de esquerda, aliás, a Constituição da República Portuguesa disso é exemplo! É mais fácil criar um grupo terrorista de esquerda que uma tertúlia de extrema direita. 

 

Não vou entrar pelo discurso que vem dizer que os regimes totalitários de esquerda mataram mais indivíduos que os de direita, até porque poderia ferir algumas susceptibilidades, sobretudo de indivíduos que ainda clamam por muitos desses mesmos ditadores e bebem da cartilha dos mesmos como se fosse uma bíblia. No entanto, o caso do (des)convite de Marine Le Pen para ser oradora na Web Summit em 2018 foi uma das maiores demonstrações de que em Portugal a Democracia ainda não entrou numa fase de maturidade, sobretudo debaixo dos tectos daqueles que falam dela diariamente e desfilam pelas avenidas no 25 de Abril.

 

O PCP foi logo um dos primeiros partidos a insurgir-se contra tal convite! É estranho quando estamos perante um partido que apoia Nicolás Maduro na Venezuela, Kim Jong Un na Coreia do Norte e só não apoia Estaline na Rússia (URSS) porque esse já morreu e mesmo os que o seguiram já não estão disponíveis para levantar o grande império. Importa lembrar que o PCP era também apoiante de um grupo terrorista financiado pelo tráfico de droga, nomeadamente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

 

Outro dos partidos que contestou este convite foi o Bloco de Esquerda... Aquele partido clean, de gente que diz ser do povo e de mente aberta mas que tem vindo a mostrar a sua verdadeira face. Fizesse esse mesmo partido o ruído que fez durante os anos da Troika e agora com esta matéria, com casos como o de José Sá Fernandes, Ricardo Robles e os voltes de face de Francisco Louçã, já para não falar na brilhante gestão da única Câmara que alguma vez conquistou (Salvaterra de Magos) e da presença de Nigel Farage na Web Summit do ano passado, e teríamos sem dúvida um país bastante melhor! Ou então já não teríamos Bloco de Esquerda. E o que terão a dizer o Bloco de Esquerda e o PCP, países declaradamente anti-europeístas mas que depois não abdicam do assento parlamentar em Estraburgo e até em outras instituições europeias, já para não mencionar os subsídios europeus!

 

França, um país democrático, permite a existência de um partido como aquele da qual Marine Le Pen faz parte, já Portugal (ou meia dúzia de indivíduos que gosta de dizer que fala em nome de todos os portugueses - o que é errado, pois não são raras as vezes em que meia dúzia de indivíduos estão sozinhos nessas reinvindicações) não aceita sequer que essa senhora venha a um evento. É razão para perguntar: que Democracia é esta que permite que partidos que suportam o Governo possam agir como uma censura? A tal censura de outros tempos e que tanto criticam... Que Democracia é esta que só defende e só quer ouvir as ideias de um lado em detrimento do outro? Temo que seja mais um caso em que a vítima rapidamente passa a agressor e estes casos têm vindo a repetir-se, a revolução soviética começou assim, só para falar em temas queridos a estes dois partidos... Estamos perante aqueles casos em que os ofendidos animais da quinta, delegando nestes demagogos a sua sobrevivência, acabam por ser mortos ou então ficam a assistir à gula dos porcos!

 

De facto, dá que pensar... Se ambos os extremos são maus, talvez o pior ainda consiga ser aquele que vai absorvendo os impostos de todos nós com um discurso camuflado ao invés daquele que claramente marca a sua posição...

 

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Monchique: Estão a Levar os Linces!

por Robinson Kanes, em 10.08.18

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Imagens: A minha GC 

 

 

Anteontem foi o dia do gato e foi também o dia em que, e bem, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) deu ordens para a transferência de um grande património nacional para a Espanha: os Linces Ibéricos! 

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Felinos de uma beleza única, o Lince Ibérico é mais que um mero "gato" que anda por aí, é algo nosso e faz parte da nossa identidade como portugueses ou, se assim quisermos, como povo ibérico. Tenho nos linces uma paixão similar ao Lobo Ibérico, e devo reconhecer que foram mais uns que sofreram e têm vindo a sofrer com a acção do homem na natureza! Continuamos a destruir tudo e não nos parecemos preocupar muito com isso mesmo que os sinais estejam à vista!

 

Aproveito talvez esta temática para fazer uma pergunta: tantas vezes que escuto os "paizinhos" a falarem da perpetuação dos genes, das gerações vindouras, do bem-estar dos filhos, será que, quando não fazem nada para mudar um pouco o mundo em que vivem também têm esse pensamento? De facto, o "real-umbiguismo", mesmo no tema dos filhos, é uma realidade mas... Se isto correr mal, não esperem que os vossos filhos sejam especiais e sobrevivam!

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A forma como estamos desligados da natureza, a forma como olhamos para muitas espécies, como se fossem peixes em aquário ou animais que devem estar enjaulados para gáudio de muitos, deixa-me perplexo... 

 

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Por aqui, espera-se que os Linces regressem em breve, e vão regressar. São cidadãos nacionais, são o nosso património, fazem parte da nossa cultura e temos uma grande dívida para com eles... E já tenho saudades de, lá bem longe, de binóculos em punho, tentar vislumbrar um dos maiores tesouros do nosso país!

 

Bom fim de semana....

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 Créditos - Imagem: http://www.openresearchwestminster.org/2015/02/re-imagining-rurality-conference-and-exhibition-27-28-february-2015/

 

 

Rio de Onor, como muitos outros exemplos de aldeias do Norte de Portugal, é essencialmente agrícola. As vantagens que uma economia mais solidária pode tirar destas vilas agrícolas podem estar num actor que outrora foi ostracizado, ou seja, se Rio de Onor foi outrora fechado à participação das mulheres, hoje poderia aprender com o modelo latino-americano onde a participação das mulheres é cada vez maior e parece intensificar-se em relação ao sexo masculino. Um dos estudiosos desta temática Deere, chega mesmo a afirmar que a agricultura efeminizou-se e as mulheres deixaram de ser trabalhadores de segundo plano e tornaram-se autênticas managers para a agricultura. (Deere: 2005) Isto muito por culpa da emigração dos homens em busca de melhores condições de vida - algo que é cada vez mais uma realidade em Portugal e sobretudo naquele Portugal profundo onde por exemplo Rio de Onor se encaixa. 

 

O que daqui retiramos? Um impacte social gigantesco, com as mulheres a terem uma palavra a dizer nos destinos destas comunidades e acima de tudo a serem elas próprias um dos motores de desenvolvimento da comunidade.

 

O papel da formação (imperial para o sucesso de políticas de economia mais solidária) é fundamental na medida em que tem de criar o espaço para o empowerment destas, sobretudo na exploração das mais valias do seu próprio território.

 

Rio de Onor é sem dúvida fascinante do ponto de vista da comunidade e do estudo antropológico-económico. O comunitarismo ligado às dificuldades territoriais; a suposta igualdade entre os membros da comunidade, a aparente democracia participativa, a divisão dos recursos e a correcta distribuição da terra fazem-nos pensar em importar do passado um conceito apaixonante. Todavia, esse mesmo conceito acarreta os riscos de idealizar algo que as monografias de alguns autores, nomeadamente Dias, criaram e mais que isso, criar estereótipos que praticamente por obrigação ou vaidade levam uma comunidade a agir como tal.

 

Rio de Onor efectivamente, dá-nos muitas lições, nomeadamente em relação ao próprio conceito de comunitarismo, mas também do modo como os indivíduos, face às dificuldades que o terreno e a localização, se uniram e levaram avante formas de organização que os permitissem sobreviver de uma forma que isoladamente jamais conseguiriam, aliás, o endividamento crescente e o carácter dionisíaco apontados por Dias disso também são exemplo.

 

Se do ponto de vista ambiental, artístico e de bem-estar não existe informação relevante, do ponto de vista económico e de gestão podemos retirar daqui um pouco de cooperativismo que ia até à própria gestão dos costumes, ultrapassando largamente a esfera económica, embora nem sempre numa óptica de reciprocidade.

Continuando a explorar a óptica de conhecimento, começamos a entrar em terrenos mais isolados que a própria aldeia, nomeadamente no que concerne ao carácter social e ao projecto políticonos mostra: a pouca equidade na distribuição das terras, do trabalho e do gado.

 

Continua...

 

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (1)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (2)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (3)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (4)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (5)

O Falso Comunitarismo e as Aldeias Comunitárias do Norte de Portugal - Rio de Onor (6)

 

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Marcelo, Il Capo!

por Robinson Kanes, em 06.08.18

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Créditos: https://www.dn.pt/media/interior/marcelo-a-consolar-obras-de-arte-a-nova-faceta-do-presidente-pop-9135039.html

 

 

O que me traz aqui é o último comentário de Marcelo acerca dos partidos políticos e de como estes devem ser uma família da qual não se deve abdicar e muito menos trocar. Quem diz os partidos diz a família Espírito Santo ou não fosse Marcelo o defensor do lema de que mais importante que ser rico é dar-se bem com gente rica. Eu admito que este é um discurso de partido único (que Marcelo tão bem conhece) ou então de organização criminosa, algo aproximado a uma máfia.

 

Para Marcelo, trocar de partido não é opção, mesmo que se embarque por um sem número de comportamentos e tomadas de posição que sejam contra toda e qualquer ética ou valores defendidos por quem se vê confrontado com essas mesmas situações. Resta-me perguntar a Marcelo porque é que não continuou como adepto e usufruidor (ele e tantos outros que agora deambulam pela nossa praça, alguns até de esquerda) de um regime fascista? Porque é que trocou de família e escolheu uma mais adequada aos tempos de mudança? Porque é que Marcelo na sua versão democrática também virou costas ao partido de que faz parte e do qual foi presidente (um presidente para esquecer), pelo menos temporariamente? O PSD saíra dos tempos da Troika e a proximidade com essa família poderia não ter trazido tantos votos, falar no PSD durante a campanha para as presidenciais foi algo do qual Marcelo fugiu a sete pés e até fez questão de se distanciar na sua pseudo-independência. Marcelo é uma espécie de Ricardo Robles mas em versão exagerada, um homem com muitas famílias e só assim pode explicar a constante pululação entre umas e outras.

 

Marcelo, e não me canso de reforçar este ponto, também é português e irmão dessa família que são os portugueses, todavia, onde andava Marcelo quando minava as sombras do poder com o discurso de que tudo quanto fosse homem deveria estar a defender as colónias (chamando nomes até àqueles que não o faziam) e quando chegou a sua vez lá meteu a real cunha para não pegar numa arma e muito menos pisar um terreno de combate- interessante comportamento para quem hoje é o chefe supremo de outra família, as forças armadas.

 

Finalmente, e com a outra família que é a comunicação social (aquela a quem é mais fiel), foi o facto de termos ouvido Marcelo dizer que não reservou hotéis em nome próprio nesta sua deslocação para "férias" ao interior do país para não ser perseguido pelos presidentes de câmara, essa família de gente aborrecida que uma vezes dá jeito, outras nem por isso... Afinal Marcelo está de "férias" e não quer ouvir que conhece a terra e como faz com Cristiano Ronaldo, exalta este quando lhe importa, e varre para um canto quando já não importa... Mas a família da qual Marcelo não abdica é a comunicação social e aí é importante ligar a tudo e a todos para que acompanhem cada minuto de umas "férias solitárias e isoladas do mundo", mesmo que até se procure o pódio de uma corrida velocipédica para mais uns minutos de fama ou então queira assumir o lugar de porta-voz do Ministério da Administração Interna ou até da própria Protecção Civil.

 

Mas, na verdade, Marcelo nunca poderá ser um "capo" - para o mal ou para o bem, um "capo" não dispõe e se vê livre da família como lhe dá jeito. Para o mal ou para bem, até numa organização mafiosa, o "capo" é fiel aos seus valores... Um verdadeiro "capo" faz, não espera por canais mediáticos a encherem páginas e imagens com  temas sem interesse ocultando a verdadeira inércia...   

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Trepanação Colectivamente Assistida!

por Robinson Kanes, em 02.08.18

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Fonte da Imagem:  A minha GC

 

 

- E tu Robinson, porque te ausentaste? Bem, caro Platão, estive a acompanhar o "Tour de France"...

-Brilhante Robinson!

Platão, in "República"

 

 

 

Como as coisas andam por este mundo... Andamos preocupados com as "gajas boas" no futebol mas não queremos saber da corrupção que grassa na modalidade e a origem, nem sempre bem esclarecida, dos montantes que envolvem a modalidade ao mais alto nível. De facto é brilhante! Tiramos as "gajas boas", mas não nos tirem a bola, mesmo que o nosso clube e aqueles que o gerem sejam autênticos criminosos que gozam de todo o tipo de impunidade. 

 

A prioridade actual é que não se mostrem as mamas da criminosa! Isso é que não! Mas a senhora em causa matou dois indivíduos e roubou 2 milhões de euros! E? Desde que não lhe mostrem as mamas, mesmo que ocultadas por uma camisa, está tudo bem, o resto não é importante. 

 

Também ouvi dizer que um certo Robles anda por aí numas negociatas imobiliárias! É legítimo, não cometeu nenhuma ilegalidade! No entanto, esse Robles não é aquele que criticava tanto Medina em termos de política imobiliária em Lisboa e depois se vendeu por um cargo de vereador? Sendo esse, é mais um como o Zé que era independente, depois passou para o Bloco de Esquerda e depois de se ter vendido a António Costa passou a chamar-se Engenheiro José Sá Fernandes e nunca ninguém mais ouviu falar dele, embora continue como vereador na mais importante autarquia do país. Mas o que não é legítimo, é Robles cair nessa tentação portuguesa que se chama a hipocrisia, sobretudo quando envolve dinheiro. E o silêncio do Bloco? Eu bem digo, desde a criação da geringonça que foi mais um "partido" que deixou de se ouvir e tem vindo a cair em algumas armadilhas bem peculiares...

 

Por França, as coisas não estão diferentes. Como também é época de férias, toda uma esquerda unida, alicerçada na ausência de notícias típica da "silly season" tem tentado derrubar Emmanuel Macron a propósito do caso Benalla. Pelo pouco que acompanhei, é uma verdadeira tentativa de derrubar um presidente num caso que não justifica tamanho ódio... E é esta a palavra. Também por França se anda a dar mais importância aos media... Ou então a ausência de jornalistas que encontrem notícias nesta época é uma realidade.

 

Também as questões climáticas continuam a ser uma brincadeira e uma fantochada... A plebe quer é calor, e quem vive do calor quer é dinheiro, mesmo que não sirva de muito quando a Natureza der o golpe final. Vamos para a praia e continuemos a não exigir nada (a nível global) aos governantes deste mundo. 

 

E porque se fala de ambiente e clima, porque é que parece não existirem mais instituições/associações ambientalistas além daquelas onde está sempre infiltrado o senhor Francisco Ferreira? Antes era "Quercus", mas como ficou zangado por ter perdido o poder que julgava vitalício, criou a "Zero" que agora merece todo o destaque mesmo que seja uma instituição sem provas dadas, sobretudo face a outras.

 

Finalmente... Portugal, Grécia, Estados Unidos e outras localizações com menos destaque, são a prova de que os incêndios estão cada vez mais fora de controlo! Entretanto, como me deparei com uma ignição aqui perto de casa, telefonei para a Glassdrive que me substituiu imediatamente os vidros da casa por uns anti-incêndio. Pelo menos foram mais rápidos que a Protecção Civil.

 

 

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Memória Curta: Cavaco e a Natalidade...

por Robinson Kanes, em 12.07.18

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Créditos: http://jsdpontedabarca.blogspot.com/2011/01/ponte-da-barca-acredita.html 

 

 

Diz o povo que "virá quem bom de mim fará", no entanto, quando o tema é a presidência da república, o ideal é "virá quem de mim má figura fará". Não vou mais uma vez fazer uma critica ao tão perfeito e idolatrado Presidente da República... Quero ir à memória curta que o povo e os media têm para esquecer que Marcelo nem sempre foi (nem é) perfeito e que Cavaco Silva nem sempre foi assim tão imperfeito.

 

O mais recente "bota abaixo" nacional caiu sobre Cavaco Silva quando surgiu a defender o desenvolvimento de políticas que estimulem a natalidade. Continuo a dizer que já temos gente a mais no mundo e que no longo prazo será/é insustentável, no entanto, o coro de críticas em torno do discurso de Cavaco não se fez esperar. Ora se disse que o antigo presidente da república nunca tinha dado importância à natalidade ora que já não gostava de betão. Muita alarvidade junta que culminou com mais um enxovalhamento público, sobretudo para quem padece de uma espécie de doença neurodegenerativa.

 

Na realidade, aqueles que criticam o betão de Cavaco são os mesmos que desfilam nos seus carros pelas auto-estradas feitas com esse mesmo betão. São os mesmos que se orgulham de dizer que em menos horas chegam ao interior do país e que usufruem de centros culturais e de um sem número de infraestruturas de... betão.

 

Mas a realidade é ainda mais assustadora, e aqui os media também desempenham o seu papel, quando esquecem que uma das bandeiras de Cavaco, como Presidente da República, foi a natalidade! Se dúvidas existem, deixo algumas notícias que foram aleatóriamente retiradas de um motor de busca.

 

Logo no dia 09 de Março de 2011, no discurso da sua segunda tomada de posse como Presidente da República, Cavaco Silva dizia:

 

A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.

 

Mas vamos recuar mais um pouco, a 24 de Novembro de 2007 o "Público" mencionava o apelo do então Presidente à natalidade: 

"É uma alegria estar no meio de tantas crianças", afirmou. A frase não era inocente. Cavaco queria deixar um apelo ao aumento da natalidade. "Não posso deixar de estar muito preocupado porque nascem poucas crianças".

E ainda vai mais longe, aliás, está tudo aqui e também noutras publicações, no "Jornal de Negócios" e novamente no "Público"... E tudo isto só em 2007!

O chefe de Estado diz que é preciso inverter as previsões que apontam para que dentro de 30 anos Portugal tenha 7 milhões de habitantes em vez dos actuais 10 milhões.

 

Mas podemos sempre dizer que o povo tem memória curta, pelo que, não recuemos tanto e vamos a 2015 e à "SIC Notícias" para ler e ouvir:

 

"O declínio da fecundidade não é uma inevitabilidade, mas há quereconhecer  que, muito provavelmente,teremos de nos habituar a níveis que não correspondem  à reposição das gerações",

 

Cavaco Silva até condecorou com a Ordem do Infante D. Henrique quem dedicou o seu tempo a estudar a fecundidade em Portugal. 

 

E para fechar, porque exemplos não faltam na rede, uma notícia do "Expresso" datada de 19 de Dezembro de 2012:

 

O Presidente da República manifestou hoje "grande preocupação pelo inverno demográfico" que Portugal atravessa, sublinhando que "um país sem crianças é um país sem futuro" e alertando para a "importância decisiva" dos apoios à natalidade e à protecção dos mais jovens.

 

Cavaco não andava a distribuir beijinhos, nem a tirar selfies e muito menos a telefonar aos jornalistas e a sorrir para as cameras de televisão. Poderia também não cumprir tudo o que prometia, mas pelo menos tinha um discurso sustentado, identificava problemas e não utilizava o dom da oratória balofa. Desta vez, a "opinião pública" que são meia-dúzia que desfila pelas redes sociais e em espaços de visibilidade que de "almoço grátis" têm pouco, deveriam repensar muito do que disseram e escreveram...

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