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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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O Candidato a Emprego em Portugal. Um Exemplo.

por Robinson Kanes, em 20.08.19

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Créditos: https://i.pinimg.com/originals/ee/78/8e/ee788eb436efe391d18d272ab28052e8.jpg 

 

 

Em nada o homem está, ainda hoje tão perto do macaco como no que diz respeito aos negócios.

Elias Canetti, in "Massa e Poder"

 

Em Portugal existe a tendência para o queixume em relação à forma como os candidatos a um emprego são tratados pelas organizações. É um facto que existe uma mais que proeminente tendência para a ausência de clareza e respeito nos recrutadores, no entanto, não são raras as situações em que nem sempre o "lado negro da força" está na entidade recrutadora/empregadora.

 

Partilho uma situação que me chegou, e que me leva a crer que em Portugal existem vários mundos, mesmo entre candidatos: o mundo daqueles que se mexem muito bem em termos de compadrio e nem se podem considerar candidatos, o mundo daqueles que pouco fazem para conseguir um emprego mas ele lá acaba por surgir (muito networking, muito show off, muitos louros por intermédio de outros e falta de ética) e ainda aqueles que, por mais que se esforcem, não conseguem um emprego com facilidade. Ainda há espaço, curto, para aqueles que se esforçam e até conseguem alguma coisa.

 

A situação que relato é verídica e encontra-se, muito provavelmente, no segundo patamar. Portugal é um país de corporativismos que se reflectem também nas classes profissionais e por isso, embora existam muitos profissionais no mercado, só meia-dúzia parece ter a atenção dos recrutadores.

 

Imaginem um indivíduo que não é genial mas vos é remetido por uma empresa de recrutamento (genial é, pelo menos na forma como se promove). Não é o vosso preferido, mas também não são vocês que têm de escolher, é dada a liberdade para o supervisor directo o fazer. Este indivíduo, não sendo brilhante, sofre do excesso de confiança de quem está confortável num emprego e está alheio a muitas dificuldades - sobretudo as que virão num futuro não longínquo. Em todo o processo e com o indivíduo a merecer a preferência, é tida em conta a oferta de um salário bruto acima dos €3000 - bastante acima - viatura (algo que nem estava no plano) e os habituais seguros e benesses que já vão sendo prática em algumas empresas.

 

A verdade é que existem red flags que alguns de nós já vão conseguindo identificar, nomeadamente o medo de sair da actual empresa (porque se tem um contrato efectivo e com alguns anos de permanência) e a interpelação ao recrutador com perguntas do género, e passo a citar: "Qual é a marca,o modelo, tipo de combustível e qual o plafond de combustível?". É importante focar que este profissional, no seu trabalho, não tinha nem metade dos benefícios e muito menos viatura própria para uso pessoal - sim, porque a função mal exige que se desloque. Bons tempos em que um Fiat Uno ferrugento servia muito bem para mim e nem isso tive! E não sou assim tão velho, aliás, já nem sou do tempo do Fiat Uno.

 

Apesar de tudo, e porque existem boas pessoas neste país (por mim tinha sido imediatamente descartado), são dados todos os esclarecimentos. São prestados os esclarecimentos e ao fim de alguns dias chega o compromisso de que a oferta vai ser aceite. 

 

A organização mobliza-se, tudo se prepara para receber o candidato e eis que, o departamento de recursos humanos recebe um email numa madrugada de um fim de semana. O grande candidato, esse "terror" do LinkedIn, o "profissional top" (ainda estou para perceber onde) informa que vai voltar atrás na proposta - na segunda-feira era o primeiro dia. 

 

Contactado pela organização, ignora todas as chamadas! Fá-lo também em relação à empresa de recrutamento e, até hoje, ainda não existe retorno. Entretanto, já se passaram umas semanas e casos destes não faltam. Talvez seja um aviso à navegação, talvez para procurar naqueles currículos que são enviados por candidatos que ainda acreditam que alguém um dia vai olhar para os mesmos e reconhecer todo o seu valor.

 

Em relação à nossa "estrela cadente" (porque o mundo é pequeno), "profissionais" destes não faltam, sobretudo num país onde são sempre os mesmos, onde não existe abertura para recrutar pessoas diferentes e até com diferentes backgrounds. Ainda por estes dias, à procura de uma pós-graduação, em várias instituições de ensino dou sempre comigo a ter de ver os suspeitos do costume, sempre a mesma gente e em alguns casos, sempre a mesma súcia.

 

São também estes mercenários que não permitem a "ascensão" ou chegada ao mercado de trabalho de outros indivíduos que efectivamente são bons, se esforçam, e perdoem a expressão, dão o litro! Dão o litro, e sejamos francos e racionais, até trabalham por muito menos - embora eu não defenda políticas de baixos salários só porque sim. Os outros, os outros são os "profissionais" que trabalham apenas por ganância e com total ausência de ética, que trabalham para a viatura que impressiona amigos e vizinhos mas que, na realidade, o trabalho em si, pouco os move.

 

Mas afinal, talvez seja eu que estou errado e não consigo conceber um emprego sem uma dose de paixão. 

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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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O Padeiro que pôs a mão na Massa...

por Robinson Kanes, em 30.07.19

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Créditos: https://franschhoek.org.za/event/bread-making-course-bread-wine-restaurant/

 

 

Se descobrires uma vida melhor do que governar, para os que devem governar, podes conseguir um Estado bem . administrado. Pois só nesse mandarão aqueles que são realmente ricos, não em dinheiro, mas naquilo em que deve abundar quem é feliz - uma vida boa e sensata. Se, porém, os mendigos e os esfomeados de bens pessoais entrarem nos negócios públicos, pensando que é daí que devem arrebatar o seu benefício , não é possível que seja bem administrado. Efectivamente, gera-se a disputa pelo poder, e uma guerra dessas,  doméstica e interna, deita-os a perder, a eles e ao resto da cidade.

Platão, in  "República"

 

 

Em tempos, ouvi a história de um senhora cujo filho não estava a aproveitar os milhares de euros que eram investidos pelos pais, trabalhadores incansáveis, num curso superior na Universidade Católica. Fiquei imediatamente a pensar se o indivíduo não andaria nos copos e nas farras que a vida de estudante encerra, aquela vida pobre e de muito sacrifício. Para mim sempre foi, sobretudo quando visitava alguns colegas em residências universitárias e não conseguia estacionar o 206 porque as mesmas estavam com os estacionamentos ocupados por carros de alta cilindrada.

 

Na verdade, o que retirava o jovem das aulas durante o dia e durante a noite era outro vício bem mais perigoso que as drogas, as mulheres da vida ou a bebida: a juventude partidária! Com efeito, quando questionado pela mãe sobre a má-vida, a resposta foi "estudar agora não é muito importante! Importante é dar-me com esta malta que isso é que vai fazer o meu futuro". 

 

A verdade é que os licenciados em juventudes partidárias tendem a ser um cancro para o país, sobretudo quando nem fazem a licenciatura e escolhem carreiras mais modestas mas, sem dúvida, em muitos casos, mais interessantes, porque não padeiro? Uma nota: vejo mais arte num padeiro que num administrativo que "apenas" actualiza folhas de Excel.

 

Ser padeiro, profissão antiga e que merece o meu maior respeito, pode também abrir portas para ser especialista em protecção civil! E quando isto acontece... Temos a empresa que vende golas (uma empresa de Turismo de Aventura criada, aparentemente só para aproveitar a onda financeira dos incêndios de 2017), que por sinal é do amigo e da esposa (que por mero acaso é militante do nosso partido), a vender serviços ao Estado. Temos esse famoso especialista a colocar em risco a vida de todos os portugueses que possam necessitar das respectivas golas... E isso é normal, porque padeiros de Gaia não faltam, só lamento é que a "Padeira de Aljubarrota" tenha sido uma lenda que poucos ousam, actualmente, tornar real.

 

Num país onde tantos especialistas, em tantas áreas, têm de emigrar ou aceitar empregos para os quais não estudaram (o que não é mau) e com salários miseráveis... Num país onde tenham desistido das suas valências e dos seus sonhos por culpa destes padeiros que continuam a contaminar as instituições públicas e privadas, não raras vezes em posições de elevada responsabilidade técnica e funcional... Continuamos de olhos fechados perante estas situações! Continuamos a valorizar mais aquele que tem mil e um cargos e não desempenha qualquer tarefa na maioria deles, temos os profissionais das revistas e das palestras e continuamos a ocultar quem tem realmente valor e competências para tantos e tantos cargos neste crónico atrasadismo mental - já não é cultural! 

 

Se a todos estes juntarmos os padeiros que acumulam cursos superiores só porque sim, temos um país governado não por padeiros mas por autênticos sapateiros!

 

P.S.: entretanto, soube-se à data da publicação deste artigo que também as carcacinhas andaram a querer imitar os pães de quilo com contratos públicos.

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120 na Auto-Estrada? Isso é de Meninos!

por Robinson Kanes, em 29.07.19

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Créditos: https://deskgram.net/fernovogroup

 

 

Sou contra a censura de todo e qualquer texto, por muito estúpido que seja, até porque nunca sabemos quando aquele "tontinho" que estamos a atacar pode ter razão. Além disso, temos belas pérolas para apreciar... Só lamento que nem sempre seja feito o contraponto a muitos disparates que são ditos. Por exemplo, eu digo bastantes e às vezes ninguém me diz nada - isso não é bom para a Democracia.

 

Um destes, dias dei comigo a ler um artigo que me enviaram porque achei que só poderia ser uma brincadeira, no entanto, estava muito distante de ser um momento de humor. Um indivíduo, de seu nome Vítor Rainho, explanava no "Jornal I" a sua revolta face a este país, mas vejamos:

 

Criticou uma auto-estrada (A8), apelidando a mesma de acto de loucura, mas não dispensou o uso da mesma quando tinha mais alternativas, por exemplo, uma nacional ou até outras auto-estradas. 

 

Mas o nosso Tommi Mäkinen não se ficou por aqui. Do alcatrão passou para o ataque à GNR que, ao invés de ter ficado no "posto" eis que decidiu andar nas estradas a patrulhar e a multar quem não cumpre com as regras! Anda uma pessoa a pagar impostos para a Brigada de Trânsito ficar a almoçar nos restaurantes de beira de estrada em Muge ou então na Apúlia e agora lembram-se de andar nas estradas a patrulhar! Uma vergonha!

 

O "forrobodó", expressão utilizada pelo autor, era uma coisa digna de se ver. Eu ainda não consigo perceber como é que deixam que a GNR atenda os telefonemas quando alguém pede socorro. É que é logo um "forrobodó" atrás dos criminosos! Um escândalo!

 

E quando já pensávamos que não podia ser pior, eis que o nosso cavaleiro do asfalto questiona a velocidade de 120km/h nas auto-estradas! Vai mais longe e até refere que esteve quase a adormecer face a tão monótona velocidade.

 

A conclusão desta mente brilhante é que a sociedade civil se deveria mobilizar (sim, sublinhei para acentuar o ridículo) e fazer boicote às auto-estradas, colocando com isso as gasolineiras, as concessionárias e o Governo em muito maus lençóis! Portanto, quando criticamos textos ou artigos de gente que fundamenta opiniões, muitas deles com base em factos cientificos, temos uma guerra civil em Portugal mas quando se ataca a "estupidez" que é o facto da GNR fazer cumprir a lei e o facto de andar a 120km/h não ser algo tolerável numa sociedade civilizada pouco importa!

 

Eu sugiro que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes ou a Prevenção Rodoviária Portuguesa contratem o senhor Vítor Rainho para influencer: "Jovem! Tens um Civic todo quitado, aquilo não deita fumo pela ponteira por causa da IPO e ainda te causa sono? Previne o acidente e desperta com o Vtec aberto até às 8000 rotações! Do bufo!"

 

Alguém lembre também o senhor Rainho, que a velocidade não está só relacionada com o perigo que a mesma por si só pode constituir, existem também as questões ambientais. Provavelmente o senhor Rainho nunca teve de andar a 50km/h na cidade, numa via rápida de muitos quilómetros e cuja limitação existia porque o ar era irrespirável! Não precisa de ir para muito longe, pode começar por Madrid onde tal é comum! Quanto mais velocidade, mais consumo e também mais poluição. Mas no alegre provicianismo bacoco ainda não há espaço para ir mais longe - o orgulhosamente sós ainda anda na cabeça de muitos portugueses, sobretudo daqueles que deveriam estar um pouco mais evoluídos.

 

Em jeito de conclusão, ao senhor Rainho, apenas deixo algumas sugestões:
 
 
1º Vá à Ponte Vasco da Gama, mas sentido Lisboa-Montijo, para não pagar portagem, e simule uma paragem inesperada na "cauda de Samora". Espere então até levar com um carro a 120km/h na sua traseira. Ou então experimente andar bem acordado, e não sonolento (que andar a 120km/h dá sono) e "espatifar-se" contra um sobreiro na A2!
 
2º Escolha uma estrada ao acaso e atravesse a pé a mesma como se quisesse receber o dinheiro de um seguro mas tente escolher uma viatura que circule apenas a 50km/h. Vai ver que não dói nada no seu corpinho lindo!
 
3º E já que falou na A8. Então experimente fazer a descida de Loures (sentido Malveira-Lisboa) a 200km/h (isso é velocidade de homem, valentão!) e terá um carro voador que, com sorte, aterra em cima da Hovione em Sete Casas!
 
4º Ate-se à traseira do seu "Ferrari", coloque a boca no escape e diga ao condutor que acelere até aos 120km/h durante uns bons quilómetros. É o melhor para os pulmões!
 
5º Com tantos problemas neste mundo, o senhor Rainho está preocupado porque não consegue ir a Esposende a mais de 120km/h o que lhe causa sono e até um desconto nos pontos da carta! Senhor Rainho, tem de sair dessa via e ver o que se passa à sua volta, pois o Mundo tem muito mais com que se possa preocupar, pelo menos o mundo fora da real pequenez nacional.
 
 

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A Negra História Repete-se...

por Robinson Kanes, em 22.07.19

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Créditos: https://www.drodd.com/html7/black.html

 

Poderei tornar-me repetitivo, até porque, por aqui, não faltam artigos sobre incêndios, sobre terrorismo (para mim, incêndios com mão criminosa são terrorismo), sobre canalhice, desplante e o "populista selfizismo" da desgraça.

 

Depois do ano de Pedrogão e de todo o interior, onde Pedrogão até serviu para ocultar o que se veio a passar em Outubro do mesmo ano numa das mais vergonhosas trapaças da política e dos media em toda a Democracia portuguesa, a história vem-se repetindo...

 

Enquanto de férias, a classe política e todos os portugueses ignoraram Monchique, voltaram a ignorar Monchique e este ano voltarão a ignorar o que já se está a passar no interior do país! Não faltam fogos com causas naturais, sem dúvida, mas a falta de estratégia em termos de ordenamento do território continua a ser gritante e ninguém aprendeu nada até hoje! A corrupção, tema tão falado aqui e que para muitos em Portugal (pelo menos assim vociferam em rádios, jornais e televisões) até é uma coisa boa tem também aqui o seu papel! O Governo central que governa para a imagem e para as sondagens anuncia tudo e nada, aliás, enquanto o país arde, um Primeiro-Ministro e muitos ministros estão ao mesmo tempo em campanha eleitoral, preenchendo um palco carregado de grandes leds ao estilo web summit.

 

Com um país novamente a arder, a notícia que salta para a capa é a hipotética maioria absoluta de um partido, isso sim é importante - faz-me recordar um país a arder num certo Junho que acabou com uma estrada cheia de corpos carbonizados mas cuja prioridade do Primeiro-Ministro foi lançar um estudo para aferir da sua popularidade! A prioridade foram também as fotografias (humilhantes para as vítimas) de um Presidente da República abraçado a indivíduos em lágrimas como se fosse o pater familia da nação - o aconchego daqueles que se colocam em frente às câmeras fotográficas, os outros interessam pouco... 

 

Com um país novamente a arder, volta a sobressair a incompetência autárquica em toda a sua plenitude e uma esquerda completamente calada, um partido comunista obsoleto e um bloco de esquerda com chama fascista que vivem no absurdo silêncio como se tudo isto fosse normal! Talvez despertem com as sondagens, porque o poder pode estar por um fio... Temos um PAN que parece sim o partido do Peter Pan, que de natureza tem pouco e vive o sonho de criança que é ser um partido cool. Temos os Verdes, braço não armado do PCP que serve para colocar mais uns deputados na Assembleia da República mas que de verdes têm muito pouco, ou nada! Temos associações de natureza e ambientais, sempre com os mesmos, que expulsos de uma de outra se vão renovando com a criação de mais associações. Um meio para que muitos profissionais encostados e professores universitários alcancem as tipícas ambições de provincianos num país apático.

 

Podemos chamar a tudo isto populismo! Mas se populismo é ficar completamente de rastos com um país que todos os anos arde, que era verde e agora é negro (e até as pessoas assim estão a ficar, negras, sem um sorriso), pois bem, sou populista! Se ser populista é ignorar todos as perdas humanas dos incêndios, todo o esforço dos operacionais, todas as perdas irrecuperáveis em termos de flora e fauna, pois bem, sou populista! Se ser populista é querer respirar e não conseguir porque o ar está irrespirável e tóxico, pois bem, sou populista! Se ser populista é não embarcar na miragem de investir na imagem de um país para estrangeiro ver, de cidades grandes para estrangeiros "gold" viverem, pois bem, sou populista... Se ser populista é colocar acções concretas à frente de demagogias e selfies, pois bem, sou populista! 

 

Mas o importante, o importante agora é não estragar as férias aos portugueses que já andam a pensar na greve dos camionistas e de como isso lhes pode afectar a ida à praia em Agosto! Isso é importante, mesmo que vivam num país negro, carregado de assimetrias, mas que lá fora vive de ocultar informação passando a imagem de um paraíso que não é! E como em tempos escrevi, caramba, nunca mais morrem pessoas nos incêndios destes dias, para alguém se mexer...

 

Algumas leituras:

O Fogo do Inferno e as Chamas da Irresponsabilidade e da Vergonha!

Pensamentos da Malta do Bairro Sobre Exames, Incêndios, Corrupção e Cegueira Colectiva

Sr. Presidente, Não Somos Nada Bons!

Caramba, Nunca Mais Morrem Pessoas nos Incêndios Destes Dias!

O Fogo que Nos Continua a Queimar!

O Fogo que Fala...

Um Elogio ao Dr. Vasco e à D. Lídia

Fogos: Os Erros Repetem-se e os Responsáveis Sobrevivem à Fogueira!

Portugal em Guerra!

Incêndios: Espanha nas Ruas, Portugal no Sofá.

Eu Tenho um Incendiário na Família!

Paisagens de Carvão 2017

São Perguntas, Senhores, São Perguntas...

Paisagens de 2017 - Os Sobreviventes.

Bater no(s) Fundo(s)...

São Perguntas, Senhores, São Perguntas... Ainda Todas Sem Resposta!

Balde de Helicóptero com Água Fria...

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1.jpgCréditos: http://coveteur.com/2018/06/24/best-looks-new-york-gay-pride-parade-2018/

 

Em tempos, por aqui, assumi a minha sexualidade. Não foi fácil e até me valeu uma valente discussão e a fuga de uns 6 seguidores. Consultando esse artigo, penso que terão uma clara noção de como vejo as coisas. Se me quiserem chamar homofóbico, sintam-se livres para tal, todos os homossexuais e lésbicas que no dia-a-dia comigo convivem dirão imediatamente o contrário. Será mais fácil assim, e sempre se é mais sério do que aqueles que hoje em dia comentam e fazem humor fugindo a estas questões, mas um dos trunfos do sucesso, há bem poucos anos, foi, passo a expressão, descascar na homossexualidade e até nas raças... Não é Ricardo Araújo Pereira e outros tantos? Mudam-se os budgets, mudam-se as convicções...

 

Tudo o que é em excesso, nomeadamente a busca da igualdade, tende a cair no ridículo a criar uma diferença ainda maior, vejamos um exemplo: em quantas cidades não temos guetos destinados a indivíduos que não se identificam com aquilo a que chamam "norma" (está entre aspas)? Na verdade, o hype veio para ficar o que tem levado a que a igualdade se torne cada vez mais a diferença! Experimentem fazer uma parada de "machos" desnudos na rua e vão ver as dificuldades que terão, já o contrário! Lembrem-se que andamos a proibir o piropo...

 

Imaginem que a vossa personalidade e forma de estar é sempre a de que são "machos" (ou mulheres daquelas assim bem frias) e preparem-se para a censura social - façam, contudo, toda a vossa vida girar em torno do facto de que se é gay e vão ver os resultados. É óbvio que tal também só acontece em determinados meios, nomeadamente urbanos... Reconheço também que noutras localiações ainda é algo que merece uma reflexão.

 

Outra das questões está relacionada com o efeito hype que já chegou a muitas empresas, inclusive multinacionais que aderiram à moda e até alteraram logótipos para que as "cores gay" possam estar presentes.

 

Não deixa de ser interessante, pois são muitas dessas organizações que, em algumas situações fazem discriminação de género (masculino/feminino), estrato social e até idade... Não deixa de ser interessante que, numa sociedade onde alguém com mais de 30/35 anos já tem dificuldade em conseguir um emprego porque é velho, este tema seja um autêntico tabu e os hypes coloridos uma prioridade! Em termos de recrutamento, mais do que ser preto, cigano, amarelo ou gay, o importante é ser profissional... Em algumas situações nem entendo tanto alarido porque a entrada é directa (cunha).

 

Chegamos ao cúmulo de organizar "gay parades" e "obrigar" todos os colaboradores a estarem presentes! Portanto, aquilo que é uma orientação sexual minoritária, passa a ser uma imposição à maioria que tem de estar presente numa festa em que se faz a apologia de determinada orientação sexual! Não estamos a falar de um ano de vendas, ou da celebração do Verão... De facto, em muitas situações, é puro brand awareness e a cúpula nem partilha de tais ideais, no entanto, as coisas estão a acontecer. Raramente vejo festas africanas para as senhoras da limpeza! Raramente vejo festas dos balcãs ou de leste para as empregadas de housekeeping nos hotéis... Raramente vejo festas para os "velhos"! Lembro-me em tempos, de ter visitado uma organização empresarial portuguesa, daquelas que estão na moda, e onde a directora de marketing exaltava a responsabilidade social da mesma dizendo que faziam muito pelo bairro social que ficava ao lado do "business park" ("business park", só pinta) - não faltava oferta nas limpezas para as senhoras daquele bairro! 

 

Temo que, no longo-prazo, a euforia se transforme em ódio quando, nos tempos actuais, e sobretudo no ocidente, um cidadão homossexual, por exemplo, não é mais nem menos que um outro qualquer cidadão! Quando chegarmos a essa conclusão, finalmente, teremos chegado àquilo que é a perfeição em termos de "integração" se assim quiserem entender... Ninguém dá pela diferença, no entanto, para isso, é preciso mais cidadania e menos euforia e... em alguns casos conter a tentação de querer ser diferente para que as redes sociais possam reagir.

 

Importa recordar, e a título de exemplo, que em Inglaterra, um aluno foi expulso de uma sala de aula e depois da escola, porque defendeu perante o professor que só existem dois sexos: masculino e feminino... 

 

Em suma, mais do que uma opinião vincada, procuro criar um ambiente para a reflexão, até porque estou cansado de ver opiniões e actuações de sentido único...

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image_23.jpgCréditos: https://www.nvinoticias.com/nota/109336/acoso-callejero-en-oaxaca-suplicio-cotidiano

 

Um destes dias, numa conversa fútil de café, voltou a temática dos piropos, nem sei a que propósito. A verdade é que alguém atirou para cima da mesa que tinha lido algures que era um tema que estava a voltar: É Verão, como em Portugal nada se passa (passa-se tanta coisa, mas não se apontam para aí os holofotes que ninguém quer chatices) e dá trabalho saber o que acontece no Mundo, inventa-se para não se ser esquecido.

 

O piropo! De repente o piropo transformou-se na maior ameaça às mulheres! Aliás, a Humanidade foge desse tema com um medo atroz, ninguém quer saber em violações ou mutilações genitais quando o piropo anda por perto. De repente, um pouco na lógica de "Me Too", um grupo de iluminados decidiu que as mulheres sofrem muito com o piropo! Não conheço uma que alguma vez se tenha sentido em estado de choque com um piropo na rua, muito honestamente!

 

Tenho, inclusive, conhecimento de um caso em que um piropo até deu azo à seguinte resposta: "aí em cima és o maior, vem cá abaixo e não fazes um terço do que dizes pá"! Desde esse dia, esta mulher sofreu muito e teve de ser acompanhada... Não! E não, as mulheres não têm medo de andar na rua por causa dos piropos (quantas vezes já repeti esta palavra?) e não andam em grupo porque têm medo de serem atacadas por "piropeiros" - em alguns casos, muitas até nem se importavam! Muitas e muitos! Sim, porque também as há que deitam o seu piropo ao cavalheiro! Ainda me lembro (há muito tempo) de partilhar a cabine com cinco mulheres, praças da Força Aérea, no regional que ligava o Entroncamento a Santa Apolónia... O que não faltaram foram piropos. E eu detestei, foi uma coisa horrível! O que mais detestei foi quando tiveram de sair em Vila Franca de Xira para irem para a Ota! Já pensaram, soubesse eu e tinha dito "oh aviãozinho, vais para o aeroporto?" - sim, há época falava-se do aeroporto na Ota.

 

É inacreditável como os "anti-piropo", se dão ao luxo de ofender na praça pública e com cobertura de meios de comunicação que não devem fazer avaliação de desempenho, um sem número de indivíduos e não hesitam em ditatorialmente querer obrigar os outros "à sua boa onda", muitas vezes também, camuflada de humor.

 

De facto, temos de corrigir velhos comportamentos na nossa sociedade, mas não é com hypes, com contadores de likes e com uma necessidade tremenda de dar saltos para que reparem em nós que lá vamos! Aproveitem sim para tocar na ferida em temas fracturantes e deixem lá o indivíduo mandar o seu piropo - por este andar, qualquer dia, elogiar a beleza de uma mulher ainda vai colocar alguém na cadeia! Um destes dias, olhar uma mulher nos olhos e dizer que a amamos e que tem umas formas que só me dão vontade de a agarrar e... ainda vai dar cadeia - simplesmente porque um grupo de indivíduos criado entre videojogos, entradas à borla em espectáculos, bares do Bairro Alto e um sem número de cunhas, sobretudo nos media, se lembra de impor as suas liberdades aos outros.

 

O que deveria ser ilegal, por exemplo, era indivíduos que escrevem mal, carregam no vernáculo (porque ser mal-criado é "cool") e passam o ar de "boa onda" só porque usam barba e/ou t-shirt enquanto defendem as nobres causas, sentados na esplanada de um café a chorar pelas criancinhas em África ao mesmo tempo que marcam as próximas férias (ou tentam que alguma revista ou canal de televisão o faça) na Tailândia e em hotéis de 5*****! Não vão as criancinhas pobres serem "piropeiras" e dessas queremos distância! Quem é que não troca um "acoso callejero" por um bom "acoso hotelero"?

 

P.S.: isto tudo será porque os "Piropo", há muito tempo, lançaram um disco com o nome de "Russians" e com o emblema da União Soviética? Será uma espécie de retaliação?

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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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