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Memória Curta: Cavaco e a Natalidade...

por Robinson Kanes, em 12.07.18

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Créditos: http://jsdpontedabarca.blogspot.com/2011/01/ponte-da-barca-acredita.html 

 

 

Diz o povo que "virá quem bom de mim fará", no entanto, quando o tema é a presidência da república, o ideal é "virá quem de mim má figura fará". Não vou mais uma vez fazer uma critica ao tão perfeito e idolatrado Presidente da República... Quero ir à memória curta que o povo e os media têm para esquecer que Marcelo nem sempre foi (nem é) perfeito e que Cavaco Silva nem sempre foi assim tão imperfeito.

 

O mais recente "bota abaixo" nacional caiu sobre Cavaco Silva quando surgiu a defender o desenvolvimento de políticas que estimulem a natalidade. Continuo a dizer que já temos gente a mais no mundo e que no longo prazo será/é insustentável, no entanto, o coro de críticas em torno do discurso de Cavaco não se fez esperar. Ora se disse que o antigo presidente da república nunca tinha dado importância à natalidade ora que já não gostava de betão. Muita alarvidade junta que culminou com mais um enxovalhamento público, sobretudo para quem padece de uma espécie de doença neurodegenerativa.

 

Na realidade, aqueles que criticam o betão de Cavaco são os mesmos que desfilam nos seus carros pelas auto-estradas feitas com esse mesmo betão. São os mesmos que se orgulham de dizer que em menos horas chegam ao interior do país e que usufruem de centros culturais e de um sem número de infraestruturas de... betão.

 

Mas a realidade é ainda mais assustadora, e aqui os media também desempenham o seu papel, quando esquecem que uma das bandeiras de Cavaco, como Presidente da República, foi a natalidade! Se dúvidas existem, deixo algumas notícias que foram aleatóriamente retiradas de um motor de busca.

 

Logo no dia 09 de Março de 2011, no discurso da sua segunda tomada de posse como Presidente da República, Cavaco Silva dizia:

 

A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.

 

Mas vamos recuar mais um pouco, a 24 de Novembro de 2007 o "Público" mencionava o apelo do então Presidente à natalidade: 

"É uma alegria estar no meio de tantas crianças", afirmou. A frase não era inocente. Cavaco queria deixar um apelo ao aumento da natalidade. "Não posso deixar de estar muito preocupado porque nascem poucas crianças".

E ainda vai mais longe, aliás, está tudo aqui e também noutras publicações, no "Jornal de Negócios" e novamente no "Público"... E tudo isto só em 2007!

O chefe de Estado diz que é preciso inverter as previsões que apontam para que dentro de 30 anos Portugal tenha 7 milhões de habitantes em vez dos actuais 10 milhões.

 

Mas podemos sempre dizer que o povo tem memória curta, pelo que, não recuemos tanto e vamos a 2015 e à "SIC Notícias" para ler e ouvir:

 

"O declínio da fecundidade não é uma inevitabilidade, mas há quereconhecer  que, muito provavelmente,teremos de nos habituar a níveis que não correspondem  à reposição das gerações",

 

Cavaco Silva até condecorou com a Ordem do Infante D. Henrique quem dedicou o seu tempo a estudar a fecundidade em Portugal. 

 

E para fechar, porque exemplos não faltam na rede, uma notícia do "Expresso" datada de 19 de Dezembro de 2012:

 

O Presidente da República manifestou hoje "grande preocupação pelo inverno demográfico" que Portugal atravessa, sublinhando que "um país sem crianças é um país sem futuro" e alertando para a "importância decisiva" dos apoios à natalidade e à protecção dos mais jovens.

 

Cavaco não andava a distribuir beijinhos, nem a tirar selfies e muito menos a telefonar aos jornalistas e a sorrir para as cameras de televisão. Poderia também não cumprir tudo o que prometia, mas pelo menos tinha um discurso sustentado, identificava problemas e não utilizava o dom da oratória balofa. Desta vez, a "opinião pública" que são meia-dúzia que desfila pelas redes sociais e em espaços de visibilidade que de "almoço grátis" têm pouco, deveriam repensar muito do que disseram e escreveram...

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Atrás das Cegonhas - Almodôvar

por Robinson Kanes, em 10.07.18

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

 

Em qualquer viagem ao Algarve uma paragem em Almodôvar é sempre importante. É fundamental para garantir que as minhas amigas continuam tranquilamente a habitar aquele concelho e dão um colorido especial à chegada à sede do mesmo. 

 

Com os ares da Serra do Caldeirão a contagiarem este regresso, foi necessário escolher um local para o pequeno-almoço antes de voltar à minha visita com estas aves. Nada melhor que o miradouro que fica à entrada da vila e nos dá uma panorâmica da mesma. Levem pequeno-almoço, é obrigatório.

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Tomado o pequeno-almoço, que só acaba com um café já dentro da vila, nada como regressar ao objectivo que me fez sair da auto-estrada, até porque o tempo era pouco, posto que em Faro já me esperava muito trabalho. E é quando, bem perto, sou surpreendido por um espectáculo que é sempre singular, uma cegonha no chão, tentando encontrar algo que também lhe possa fazer dizer que tomou um pequeno-almoço.

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Não há nada que pague tamanho espectáculo em plena planície alentejana. Contudo, apenas uma nota: a distância de segurança foi mantida, e a aproximação não deve ser feita. São animais que estão no seu habitat e por muito que estejam habituados à presença humana não podem ver o seu espaço invadido por nós. Recomendo binóculos, caso contrário ao invés de estarem a apreciar a natureza estão a contribuir para a sua destruição!

 

E a verdade é que quem tem binóculos vê mais ao longe do que quem não os tem e está perto. A surpresa acabou por chegar e está bem representada na imagem abaixo.

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 É nestes momentos que percebemos que o melhor da vida não tem preço e que as coisas mais espectaculares que podemos observar, por vezes, estão mesmo ali ao virar da esquina. Admito que me considerei um privilegiado, e como eu outros, mas de facto, esta imagem fez-me ficar por ali mais tempo do que esperava.

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 Simplesmente maravilhoso. Mais uns minutos a apreciar e eis que é chegada a hora em que o relógio nos diz que temos de voltar. E, mais uma vez, levo comigo a imagem destas grandes e belíssimas aves e, ao invés de voltar à auto-estrada, sigo pelas planícies do Alentejo onde pequenas elevações já anunciam as curvas do Caldeirão.

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 Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/119345458847352926/

 

 

A Realidade em tempo de antena e veracidade

30 segundos: Israel mata 20 palestinianos.

30 segundos: Palestinianos rebentam café em Tel-Aviv.

45 segundos: Preço do petróleo a subir.

20 segundos: Tensão na Europa no eixo Itália-Alemanha.

5 minutoa: Crise no Mediterrâneo e no deserto do Sahara.

5 minutos: Reconstrução das zonas de área ardidas em 2017.

2 minutos: Investimento no IP3 de milhões.

1 Minuto: Novo presidente no México.

3 minutos: Tensão no Irão com aumento dos protestos no sudoeste do país.

4 minutos: União Europeia com novo procedimento contra a Polónia que insiste em "esticar a corda".

2 minutos: Forças militares e policiais da Indonésia continuam a matar cidadãos da Papua.

Um sem número de minutos: outros acontecimentos como tragédias, inovações, política nacional e internacional, casos de corrupção sobretudo na política em Portugal e não só, taxas de pobreza, finanças pessoas e nacionais, crises sociais e culturais...

 

Outras realidades

Meia dúzia de pessoas no acolhimento da selecção nacional no aeroporto.

Jogadores junto dos adeptos à chegada ao aeroporto.

Mero encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e um presidente estrangeiro, nomeadamente, Donald Trump.

Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues e outros fazem publicidade em evento privado e continuam a patrocinar, post-mortem, a criação de um herói nacional que pouco ou nada fez pelo país (realidade mesmo que se goste do mesmo, temos de admitir, até porque o próprio tinha essa noção).

A classe política portuguesa está enterrada até ao pescoço em casos de corrupção, negócios danosos, tráfico de influências...

Tancos continua sem responsabilidades (doa a quem doer, alguém dizia)...

 

Portugal

20 minutos: selecção a aterrar no aeroporto de Lisboa.

20 minutos: jogadores a sairem do avião no aeroporto de Lisboa.

15 minutos: entrevista aos milhares que estavam no aeroporto de Lisboa (eu não os vi em tal número).

10 minutos: Bruno de Carvalho volta a comentar no Facebook.

15 minutos: Sousa Cintra e Jaime Marta Soares e outros tantos falam sobre o Sporting.

5 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa vai ao WC e diz que está asseado e limpo.

5 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa condecora indivíduo que escreveu uma frase num muro em Carnide.

5 minutos: Quaresma a sair do WC e a pentear o cabelo.

2 minutos: o iate privado de Cristiano Ronaldo e a pegada que o mesmo deixou numa praia em Ibiza.

4 minutos: primo afastado de Rui Patrício fala sobre o guarda-redes mesmo sem nunca ter estado com o mesmo.

5 minutos: filho de Cristiano Ronaldo joga futebol com o pai.

20 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa melhor que Donald Trump no modo como apertou a mão. Um herói, Portugal e Estados Unidos, os norte-americanos que se cuidem (afinal foi só um aperto de mão desagradável).

10 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa heróis, António Costa e Ferro Rodrigues só lá porque sim, mas heróis nacionais como Zé Pedro.

10 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa comenta o resultado da selecção nacional

10 minutos: Luis Marques Mendes comenta o resultado da selecção nacional e junta-se a Marcelo Rebelo de Sousa nos comentários e sabedoria acerca de temas como economia, direito, política, indústria, comércio, cultura, mecânica, matemática aplicada, esgrima, paddle, psicologia organizacional, automóveis, música, betão armado, construção de piscinas em prédios de 5 andares, mudanças de pneus, lides domésticas, enfartes de miocárdio, gestão de bases de dados, marketing aplicado a detergentes para a loiça, aplicação de alcatrão ou cimento em auto-estradas, electricidade em comboios de alta velocidade, limpezas de casas de banho em espaços públicos. Além de que, não procurem contrariar, caso contrário são reaccionários.

60 minutos: jogadores da selecção entusiasmados abraçam adeptos.

10 minutos: João Moutinho comeu um pão com queijo mas sem manteiga, veja a reacção do jogador.

30 minutos: dedicados a impingir personagens e práticas que não fosse este tempo de antena comprado, muitas vezes em telejornais, nunca conseguiriam vingar.

2 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa diz que Portugal não é o EUA, pois uma celebridade nunca chegaria a presidente...

 

... Espera aí... Então mas... Espera lá... Mas o Donald Trump, que mal ou bem teve de fazer durante anos a fio pela vida no mundo dos negócios e teve algum tempo de antena em programas de televisão é uma celebridade que chega a presidente e... Marcelo com mais de 20 anos de "show off" e tempos de antena como nunca ninguém teve em Portugal (nem os seus "padrinhos" António de Oliveira e Marcello - com dos L)... Marcelo que fica especado no Parque Eduardo VII a posar para a selfie, enquanto tem uma fila à frente, qual figurante de Pai Natal no Colombo é o quê? Será que Portugal é assim tão diferente dos Estados Unidos?

 

As realidades andam trocadas...

 

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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A Democracia dos Derrotados...

por Robinson Kanes, em 04.06.18

 

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 Créditos: http://www.polyp.org.uk/corporate-rule_cartoons/cartoons_about_corporaterule_and_democracy.html

 

 

 

Vou tentar abordar este tema como o cidadão comum, como aquele que não quer pensar a política como um todo mas como um mecanismo que tem em vista o bem geral do país e se preocupa com o dia-a-dia do mesmo e prefere não pensar num outro tipo de manobras.

 

As moda das "geringonças" tem levado a algo estranho na história da Humanidade, nomeadamente, a escrita dessa mesma História pelos perdedores e não pelos vencedores. A diferença é pouca, um pouco como o comunismo vs fascismo onde se utilizam diferentes palavras para descrever a mesma vontade, o segredo é contestar o outro e abonar o nosso.

 

Até podemos dizer que, apesar de tudo, existe uma maioria e que portanto representa a maioria dos cidadãos. Mas voltamos ao cerne da questão: será que é assim tão democrático puxar o tapete a um candidato ou partido vencedor e substituir o mesmo por um candidato ou partido derrotado? Será que essa defesa, por muitos, de que essa maioria tem o aval dos cidadãos é assim tão realista? Até porque, alguém os consultou em relação a essa matéria? Uma coisa são as coligações entre um partido vencedor e outros partidos tendo em vista uma maioria parlamentar, outra coisa é não olhar a meios para, face a um derrota eleitoral, atacar o poder.

 

É preciso ter em conta que não são raras as situações em que para chegarmos a esses consensos os intervenientes vendem a alma ao diabo e abdicam em muito daquilo que foram as suas grandes lutas partidárias, ideológicas e de encontro aos interesses daqueles que neles votaram. Será que, mesmo que com uma minoria parlamentar, temos legitimidade para deixar cair um Governo mas, mais grave que isso, substituir o mesmo por um outro que não foi democraticamente eleito? Não confudir esta afirmação com legalmente eleito... Existem algumas diferenças entre o que é legal e o que é democrático.

 

Exemplos não faltam... Quem viu o "Podemos" na data da sua fundação e o vê agora? Quem viu o Bloco de Esquerda há menos de meia dúzia de anos e o vê agora? Pergunto muitas vezes se esse movimento ainda existe para lá de meia dúzia de artigos de opinião que são um hino ao paradoxo. Não os tenho visto em parte alguma e tenho a ideia de que estamos a viver a repetição nacional do que acontece em Lisboa, primeiro com o "Zé" que rapidamente desapareceu do mapa com o cargo de Vereador e se passou a chamar Engenheiro José Sá Fernandes, ou então com Ricardo Robles que, com um semblante de militante do CDS, também se tornou uma espécie de militante do PS com uma inclinação especial para Fernando Medina. É interessante ver como estes débeis não tiveram coragem de ser justos, e como nos disse Rabindranath Tagore, escapam ao dever de ser justos e tentam obter resultados rápidos pelas vias abreviadas da injustiça. Aqueles que tanto criticavam, inclusive as políticas do PS e de José Sócrates são os mesmos que agora, incondicionalmente, apoiam um copy-paste do seu Governo e de muitas políticas similares ou até mais agressivas para os cidadãos.

 

Pergunto também pelo PCP e pelas constantes afirmações de que se está contra tudo o que um Governo faz, mas continua a garantir a presença desse mesmo Governo no poder? Não chega apenas pagar almoços com dinheiros camarários e não só a idosos e pensionistas antes das eleições... Que o diga Bernardino Soares, em Loures...

 

E entre tudo isto, onde se encontra a maioria de indivíduos que acreditava nestes partidos quando defendiam a redução dos combustíveis, a redução dos impostos, um melhor combate aos incêndios, mais investimento em educação e saúde, mais isto e mais aquilo... Será que essa maioria se identifica com o status quo?

 

Em Espanha, esta semana, Pedro Sánchez tomou posse como Primeiro-Ministro, apesar das constantes derrotas e até de, internamente, nem sempre ser visto como a opção mais credível... Mas ele aí está com 84 deputados face aos 137 que venceram as eleições. Vamos ver como será gerida a questão da Catalunha e como resistirá o "Podemos", agora que Pablo Iglesias e a esposa, dois cidadãos simples e humildes, mas também dois assalariados de luxo do mesmo movimento, têm de pagar a casa de 600 mil euros em Madrid.

 

Claramente estas coisas são mais complexas, no entanto, no quotidiano, é com estas interrogações que nos deparamos.

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"Silly Season" - Abertura Oficial em Alcochete!

por Robinson Kanes, em 31.05.18

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Créditos: https://tnews.ir/news/bbc199478253.html

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in  "Crime e Castigo"

 

 

Tende a ser mais tardia a abertura de tão interessante época que todos os anos tem lugar mas...

 

... Em Alcochete este ano começou mais cedo! E nem falo dos ataques terroristas que alguns continuam a dizer que aí tiveram lugar, numa certa academia de desporto - os mesmos que diziam ser uma tolice considerar os incêndios, o crime organizado e outros acontecimentos bem mais dramáticos como terrorismo. A "silly season" está oficialmente aberta em Alcochete quando as filas para aceder à pacata vila já chegam à Ponte Vasco da Gama, ou pelo menos, à saída para Montijo e Alcochete. Mas...

 

...Vão todos saborear o que de bom se faz em Alcochete em termos de comida? Vão viver a vila e a suas gentes? Vão apreciar uma das mais belas zonas ribeirinhas do país? Não! Assim que passamos a segunda rotunda que nos abre a vila, tudo se dissipa pois o trânsito fica todo no Freeport!

 

Lembram-se daquele centro comercial construído em reserva natural e que deu tanto que falar na justiça e na praça pública? Aquele que foi criticado e envolveu alegadas situações de corrupção? Muitos dos seus criticos são os que entopem agora a entrada na vila para lá irem comprar roupa de refugo mas que tem uma marca! Tem defeito, está fora de moda? Que interessa, tem a marca! Ainda me recordo de uma personagem que conheci que dizia ter uma camisa de uma grande marca comprada nesse estabelecimento e que perante a minha afirmação de que era uma camisa branca normal me respondeu dizendo que tinha a marca e assim as pessoas viam que era uma camisa boa! 

 

Querem camisas boas? Vão a Pequim e é muito provável que no prédio ao lado do vosso exista uma fábrica que produz para uma grande marca e aí comprem camisas a 5 dólares e que por cá custam para cima de 200 euros e com melhor qualidade pois não são fabricadas para serem vendidas em outlet! Uma nota: afirmação baseada em factos reais!

 

Hoje, o habitante de Alcochete que veio de Lisboa ou até do Alentejo teve uma manhã muito difícil! O alcochetano de gema ou mero residente sentiu na pele como é entrar em Paris ou Londres de automóvel, porque a loucura das compras de Verão começou - o fim do mês e os feriados deram um empurrão e... Estamos em Portugal onde um par de cuecas de marca vale que coloquemos a viatura em cima de hortas e de terrenos privados! 

 

Mas tudo tem coisas boas e coisas más... Se por um lado esta multidão não invade Alcochete, não estragando também a vila, por outro nem sequer sabe que existe uma reserva natural cujo nome é Reserva Natural dos Estuário do Tejo, a mesma que, segundo uma empresa que realizou um estudo de impacto ambiental, pouco ou nada será afectada por um futuro aeroporto! Afinal, isto dos flamingos e outra "passarada" é bonito nos vestidos e na piroseira de Verão, mas na natureza quem é que quer saber disso?

 

Tenho a sensação de que hoje vou ter mesmo de fugir para Alpiarça ou Chamusca antes que esta febre me consuma... Entretanto passei por dois guarda-rios (as aves) que estavam a comentar que os seres-humanos eram um pouco parolos...

 

Bom feriado... Mesmo para aqueles que só sabem que é um dia em que alguns não trabalham ou recebem a dobrar... Afinal, nestes dias somos todos católicos apostólicos romanos mesmo que nunca tenhamos ido a uma eucaristia!

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Pablo Iglesias e o Caviar...

por Robinson Kanes, em 25.05.18

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 Créditos: https://www.vozpopuli.com

 

A História não cessa de se repetir e de nos ensinar que entre extrema-esquerda e extrema-direita só mudam os actores, no entanto, o guião é sempre o mesmo.

 

Agora foi Pablo Iglesias, em Espanha, que caiu na tentação de copiar Luis de Guindos, aquele Ministro da Economia espanhol a quem o Iglesias atirou farpas de mau estadista pelo facto de adquirir em Madrid uma casa no valor de seiscentos mil euros que muito provavelmente até pagou com dinheiro legítimo. Iglesias e a esposa, que vão aumentando a economia familiar através do "Podemos", um partido que "fala muito" mas faz pouco, vêm agora fazer o mesmo, aliás, vão mais longe e até investem uns euros mais.

 

De facto, mais uma vez, somos surpreendidos, ou não, com situações do género, de uma esquerda amiga do povo mas que não é mais que uma elite que se alimenta de um discurso balofo e que encanta esse mesmo povo. O caso foi pouco falado em Portugal, e ter ouvido Carlos César e Luis Montenegro a falarem do mesmo e a criticarem a atitude de Iglesias foi no mínimo cómica. Carlos César, cujo tempo de antena nos media tem sido desmesurado, tem quase toda a família colocada por si em serviços públicos e/ou partidários. Luis Montenegro é o famoso maçon que se viu envolvido num processo que abalou a Assembleia da República. Tudo isto, sem esquecer algumas das situações em que vamos sabendo que estes indivíduos estão envolvidos - São estes os indivíduos que nos falam de moral e são elevados ao patamar desta em muitos meios de comunicação social!

 

Poderia também falar do Bloco de Esquerda ou do Partido Comunista Português, mas esses estão adormecidos e a seguir o exemplo de Pablo Iglesias... Todavia, Pablo Iglesias ainda vai aparecendo, já os primeiros... Andarão a pintar as antigas e novas mansões? Seria interessante perceber onde andam esses burgueses dos erário público com fato-macaco de proletário.

 

Finalmente, e o caso de Pablo Iglesias é mais um, começamos a correr o risco de assinar por baixo que, finalmente, a Justiça não é igual para todos... Referendar a continuação de Pablo Iglesias num partido é o mesmo que legitimar a prática (que só por si não é ilegal), no entanto, devemos começar a temer os muitos casos que, sobretudo em Portugal, são apagados porque o criminoso pede desculpa ou devolve o que roubou saindo impune enquanto outros são encarcerados ou despojados de bens e assistem à destruição da sua vida porque se esqueceram de pagar o IMI.

 

É desses que Pablo Iglesias e muitos outros, inclusive os citados neste artigo riem... Riem como os porcos de Orwell no último capítulo de uma conhecida e tão actual obra...

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Futebolada e Selfies! Basta!

por Robinson Kanes, em 16.05.18

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Créditos da Imagem: https://me.me/i/i-have-no-clue-what-my-governmentis-doing-butiknoweverything-there-5907005

 

Mas em que país, ou até em que mundo, vivemos? Mas porque é que em todo o lado temos de levar com tudo e mais alguma coisa que tenha a ver com o futebol? 

 

É mais importante o futebol que a economia; que os massacres que andamos todos a legitimar no médio-oriente; que os números do emprego/desemprego; que o dia-a-dia que faz andar um país! É na rádio, é nas conversas, é nas montras, é no emprego (onde quem já não gosta de futebol se arrisca a ser alvo de discriminação) é em todo o lado e mais algum! 

 

Mas que império é este onde não faltam comentadores, programas, processos e todo um monopólio de informação e desinformação em torno do mesmo! Mas que império é este que movimenta milhões e mais milhões, muitas vezes sem origem conhecida e ninguém se preocupa em saber? Mas que império é este onde a corrupção é tolerada e defendida pelos supostos adeptos, vulgo, e no caso português, praticamente toda a população! Mas que império é este onde um episódio de violência tem mais eco que os episódios de violência em outros sectores e até no mundo?

 

Mas que histeria colectiva é esta em que, mais importante que ser português, é a porcaria (sem aspas) do clube que se tem? Que histeria colectiva é esta que transforma o "estudo" do futebol numa autêntica aula de matemática aplicada forçando uma coisa que não tem sabedoria nenhuma em algo complexo?

 

E a política no meio de tudo isto? Silêncio, promiscuídades e um deixa andar que chega a assustar - a mim assusta-me, como cidadão. Entretanto, o professor da nação, vai ensinando os franceses a tirar selfies, talvez porque não tenha mais nada para lhes ensinar senão uma cartilha de que estamos todos muito bem e somos o máximo... 

 

E no Governo e na Assembleia da República? Viva o futebol! Legislar e garantir que o combate à corrupção, evasão fiscal, enriquecimento ilícito, reforma do Estado, financiamento partidário, benefícios dignos de um Estado totalitário, afinal tudo isso pode esperar... Até vender a alma ao diabo por uns bilhetes para a bola, e aqui não é só no sector público, só a título de exemplo, não faltam recrutadores em empresas que o fazem a troco da colocação deste ou daquele indivíduo...

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Os Irritantes...

por Robinson Kanes, em 11.05.18

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Fonte da Imagem: https://pixabay.com 

 

O hipócrita é o espantoso hermafrodita do mal.

Victor Hugo

 

 

 

Quando chegamos a um patamar de desenvolvimento onde a teoria de Turing está prestes a chegar à luz do dia, percebemos que o desenvolvimento dos humanos não acompanha o desenvolvimento da robótica e consequentemente da inteligência artificial...

 

Muitos são aqueles que em Portugal respiram de alívio com os últimos desenvolvimentos do processo de Manuel Vicente, que em Angola seguirá agora outros trâmites que permitirão a indivíduos como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e tantos outros fiquem bem na fotografia com Angola mas mal perante os portugueses. A questão aqui é que Angola não esquece e em Portugal amanhã já ninguém se lembra... O saldo final, neste campo, não poderia ser mais positivo para todos.

 

Dentro do clube dos irritantes, voltamos a encontrar um Marcelo que volta aos seus discursos de chantagem e a tantos anos das presidenciais já começou a preparar o terreno. O ano passado lançou a terraplanagem, agora começa a aplicar o cascalho. Fazer depender a sua decisão dos fogos é minimamente redutor. Penso que, Marcelo deveria fazer depender sim a sua futura candidatura da capacidade de alterar um status quo com o qual vai pactuando. Fala muito, diz muito pouco, e com um discurso balofo de quem sempre praticou mais a oratória do que a acção lá vai comprando os portugueses com a veia de inovador que deixa tudo na mesma.

 

Também é interessante que no clube dos irritantes, surja um Costa que pede aos portugueses que se têm problemas que consultem um advogado. Estará Costa a pensar em deixar a política e dedicar-se à advocacia novamente? Interessante é que Costa não tenha pedido às vítimas de Pedrogão, aos banqueiros, às empresas de helicópteros, aos administradores do BES e da TAP, a José Sócrates e a tantos outros para procurarem um advogado...

 

Também não sou daqueles que diz tudo o que Trump faz é mau, mas extinguir o Programa de Monitorização de Gases com Efeito de Estufa da NASA é, no mínimo, retroceder à Idade do Gelo e contribuir com mais uma forte pedra para a lápide que começa a formar-se à volta do planeta Terra. Os Estados Unidos não podem nem devem chegar a este ponto e retornar aos colonos estupidificantes da Guerra da Independência, até porque o processo de desenvolvimento do país após esse conflito foi moroso e levou muitos anos a tornar os Estados Unidos na potência que são hoje.

 

Finalmente, irritante é também muita da comunicação social portuguesa que insistentemente nos impige vozes que defendem a impunidade de Lula da Silva. Os defensores, sobretudo brasileiros, de Lula da Silva, encontram em Portugal o palco perfeito para a defesa de um corrupto. Talvez encontrem aqui o palco perfeito para puxar do conceito de fascismo aplicado a todos os que não pensam como eles. Aliás, actualmente, não pensar como muitos partidos de esquerda e extrema-esquerda é uma atítude fascista... Pelo menos na boca daqueles que o praticam, mas ao invés de ter uma origem na extrema-direita, tem na extrema-esquerda - por falar em extrema-esquerda, é interessante ver, sempre que pode, o Presidente da República Portuguesa negar a existência desta em Portugal! Será que Marcelo, como todos nós, sabe que é o defensor máximo de uma Constituição que aplaude a extrema-esquerda mas proibe a extrema-direita e procura varrer alguma poeira para debaixo do tapete?

 

E por falar em Constituição e Justiça, por mais quantos anos os Provedores de Justiça irão continuar a dizer à classe política que  estão a elaborar leis que criam uma autêntica partidocracia, aliás, iria mais longe e díria uma autêntica ditadura? O caso do financiamento das campanhas autárquicas é um deles, onde os partidos estão isentos de IVA mas os movimentos de cidadãos não... É isto a Democracia...

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Paulinha no País das Mascarilhas...

por Robinson Kanes, em 07.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.pinterest.pt/pin/51158145743906666/ 

 

 

Um destes dias, um antigo colega encontrou-se comigo para um café e falámos daquelas coisas pelas quais passámos... E que interessam pouco mas enchem os minutos com conversa e dão a sensação de que se alguém nos liga ao fim de uns anos é porque tem um bom motivo para isso: um pedido!

 

Conversa e mais conversa, lá percebi que não ter facebook e outras redes sociais é uma coisa óptima e sempre me ajuda a controlar uma qualquer veia "comadreira" que possa ter, leia-se gossip. Minto! Tenho uma rede social que é o "LinkedIn" e foi aí que o Gomes me apanhou. O Gomes, sempre atento ao mercado e à vida dos outros lá me mostrou o sucesso que a "Paulinha", uma antiga colega do departamento de recursos humanos estava a ter nessa mesma rede. Interessante, afinal, depois de ter deixado o emprego porque não aguentava a pressão e tipo de trabalho que lhe era atribuído e quer era de acordo com a sua formação, lá tinha encontrado um caminho.

 

A grande questão é que a "Paulinha", qual mascarilha, também no LinkedIn escondia a sua verdadeira face... Afinal, a responsável pelo payroll (processamento de salários, digam lá que já não parece outra coisa), naquela sua passagem pela organização também tinha sido responsável pela implementação de um projecto de desenvolvimento, formação e responsável por toda essa área... Caramba, e eu que me lembro de que a "Paulinha" mal se via e não me recordo sequer de alguma vez ver aquela triste figura (sim, era daquelas tóxicas) a abraçar esses projectos...

 

Eu sei que é gossip, mas caramba "Paulinha", é preciso mentir assim tanto? E quantas personagens destas não abundam por aí e o pior disto tudo é que existem pessoas que acreditam! Acreditam até alguém lhes dar um projecto para as mãos e sair tudo "furado", todavia, quem for esperto tem sempre alguém para culpar e aí se vão perpetuando estas pragas por muito do nosso espaço de trabalho... 

 

Mas o Luisinho é igual, quem o vir no LinkedIn fica com a sensação que é quase o CEO da empresa mas depois é um mero administrativo que, por sinal, deixa muito a desejar... Depois temos a Mariazinha, que não tem redes sociais e no meio de tudo aquilo... É quem tem mais responsabilidades e efectivamente desempenha as funções que os outros dizem fazer. O Luisinho até escreve títulos profissionais pomposos em inglês quando nem domina a língua... Digam lá que não é formidável...

 

Honestamente, espero que a Paulinha encontre emprego numa qualquer companhia de teatro ou até na televisão... Afinal a sua verdadeira vocação é a de comediante e, para isso, basta aproveitar essas mesmas redes sociais e continuar a contar umas chalaças. No entanto, uma coisa é certa - vai ter mais sorte a "Paulinha" do que aquele que colocar a verdade no seu CV, seja em que plataforma for... É assim, no país das mascarilhas, onde parece que todos usam chapéus com ventoinhas...

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