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Sardinhas à Kamenev...

por Robinson Kanes, em 24.11.20

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Créditos: https://cdn3.geckoandfly.com/wp-content/uploads/2017/08/anti-socialism.jpg

 

Sardinhas comunistas são um mito, é verdade. Segundo muitos, nunca existiram... Hoje estamos no SardinhaSemLata como é habitual... Venham comer umas sardinhas à Kamenev no nosso Politburo aqui e apanhar uma bela Bubnova...

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Uber Medina, Glovo Costa e Povo Eats...

por Robinson Kanes, em 23.11.20

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Créditos: https://www.buzzfeednews.com/article/venessawong/mcdonalds-and-uber-eats-need-each-now-other-more-than-ever

 

Os eleitores comuns começam a sentir que os mecanismos democráticos só não os capacitam. O ruído à volta está a mudar e não conseguem perceber nem compreender porquê. O poder está a fugir-lhes das mãos e ainda não sabem para onde é que se transferiu.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

Por um destes dias, tive o prazer de ler um artigo de Javier Carrasco, no "Valencia Plaza", jornal de referência da "Comunitat Valenciana",  e cujo título era o seguinte: "Portugal camina hacia la dictadura". Se é certo que Espanha não está melhor para atirar este tipo de farpas e o ex-jornalista do El Mundo também não é propriamente a pessoa mais conhecedora da realidade portuguesa, tenho de reconhecer que entre algumas falsas verdades encontrei algumas reais verdades que passam por baixo da alcatifa das redacções nacionais: 

Nuestro país vecino vive una insólita crisis política. El Gobierno portugués se escuda en la lucha contra el coronavirus para restringir las libertades y los derechos de sus ciudadanos. Pero en esta empresa, la de frenar el virus, ha fracasado. Bruselas vigila el autoritarismo del Ejecutivo luso para evitar una vuelta a los tiempos de Salazar  

(..)

La situación comienza a parecerse a Polonia y Hungría, dos estados que están en el punto de mira de la UE por posible conculcación de derechos fundamentales

 

Confesso que ainda tenho de aferir algumas circunstâncias destas e outras afirmações, no entanto, algumas revelações dos últimos dias (a juntar a outras tantas) começam a dar uma certa justiça a Carrasco e todos aqueles "gajos de Marvila" que se podem rever nestas palavras. Falamos sempre com desprezo dos "gajos de Marvila", não obstante, muitas revoluções e muitas lutas começaram em tabernas...

 

Fernando Medina já nos avezou a um certo autoritarismo na Câmara Municipal de Lisboa. Medina é um cavalheiro que utiliza o poder público como se fosse o seu feudo. É também o politico do alojamento local que, logo à primeira crise, virou as costas a todos os empreendedores que apostaram na cidade (independentemente das consequências). É o cavalheiro que expulsou os lisboetas da cidade e agora os quer trazer de volta com rendas acessíveis como se fossem indigentes, é o cavalheiro que ignorou o exemplo de Barcelona - é o senhor Teixeira Duarte. É também (à semelhança de outros) dono de espaço televisivo onde tece comentários numa clara falta de sentido e responsabilidade pública - um presidente de câmara, especialmente da capital do país não devia permitir que a sua ambição (mesmo que desmesurada e autocrática) o deixasse descer tão baixo. 

 

Medina é agora o político que quer neutralizar, mais uma vez, a iniciativa privada, criando uma "empresa pública" que fará concorrência desleal a empresas como a Uber e a Glovo. Medina, que não se importou com os taxistas quando a Uber era uma imagem de modernidade para Lisboa (excepto quando estalou a contestação), é o mesmo que agora, na versão "eats" quer destruir a iniciativa privada, qual comité central que tudo controla e tudo decide. As taxas que estas empresas estão a praticar são esmagadoras para o negócio da restauração, todavia existem reguladores que devem estar atentos a abusos no mercado e os consumidores que têm de decidir se querem pactuar com aumentos dos custos para a restauração e consequentemente optar por outras formas de adquirir os produtos, numa lógica de cidadania responsável - nunca o poder político! Estamos a dar um excelente exemplo a quem deseja investir em Portugal!

 

Medina, que cegamente já procura a liderança do PS, é o mesmo que, juntando-se a outros já quer ilegalizar partidos catalogado-os de racistas e xenófobos. Na verdade, e goste-se ou não do CHEGA, este partido encontra-se legalizado junto das devidas instâncias e não é a concorrência que deve adoptar uma atitude autoritária de castração do mesmo. Ilegalizem-se então os partidos que são autênticas famílias, partidos onde a corrupção grassa e partidos proibidos pela União Europeia, sem esquecer os partidos que têm lesado o erário público ao longo de décadas - temo que Fernando Medina fique sem partido também e ele próprio se possa encontrar em maus lençóis. Senhor Medina, Portugal ainda não é uma Ditadura, ainda não... No dia em que for, serei dos primeiros a combater a mesma ou qualquer tentativa sequer de... Seja de que quadrante for.

 

Também o Governo liderado por António Costa vai fazendo os habituais favores a partidos de extrema-esquerda para se perpetuar no poder, à semelhança do que se passa em Espanha - e o próximo congresso do PCP e as medidas restritivas com o aval do Presidente da República (o que não espanta, pois foi adepto de uma ditadura) vai autenticamente cuspindo e subjugando os portugueses. É imoral e é intolerável... António Costa é também o real cumpridor da Constituição da República Portuguesa pois, uma vez mais, dividiu os portugueses em portugueses de primeira e portugueses de segunda com uma tolerância de ponto nos feriados de Dezembro. Contudo, sugere ao privado que seja tolerante e siga o exemplo. Mais uma vez, é preciso manter o sindicalismo calmo e os funcionários públicos satisfeitos, e convenhamos senhor Primeiro-Ministro, acha mesmo que os responsáveis do privado se encontram em situação de dispensar os seus colaboradores? Em que mundo vive senhor Primeiro-Ministro? Acha que aqueles que lhe pagam o salário (sem cortes), a si e aos demais, têm condições para parar? Ou estamos perante uma manobra para evitar uma hipotética revolta entre funcionários públicos e funcionários do privado? A sorte do senhor Primeiro-Ministro é ter uma elite pública tão grande que na maioria dos agregados familiares existe um funcionário público e assim vai conseguindo manter a paz social, além de que, mal ou bem, também os pensionistas (que são muitos) vão recebendo o seu cheque a tempo e horas... Até um dia... Recordo-lhe as palavras de Tocqueville que nos dizem que "é sobretudo no pormenor que é perigoso subjugar os homens". Todavia, e com conhecimento de causa, todos os dias dezenas de portugueses abandonam o país porque afirmam, entre outras coisas, não estarem a trabalhar para sustentar uma máquina pública que tudo suga, uma verdadeiro take-away da já parca produção nacional. E reconheço, senhor Primeiro-Ministro, existem muitos funcionários públicos que fazem um trabalho de excelência... 

 

Deixo também uma nota para o facto deste fim-de-semana, Espanha ter saído à rua para contestar a política educativa ideológica que está a ser levada a cabo naquele país. Também em Portugal estamos a sofrer essa transformação autoritária e criminosa, todavia, também um dia os portugueses saírão à rua a exigir a educação que eles querem e não aquela que lhes é imposta por agendas extremistas e que além de alterarem e apagarem a História, procuram também incutir comportamentos e doutrinas à força! Protocronismos não passarão!

 

Entretanto, entre um Uber Medina, um João Galamba que diz que nunca se imaginou a trabalhar e um Glovo Costa, o Povo Eats... Outros, contudo, vão preferindo o Momondo e a Booking e fogem deste país para outros que os acolhem, os remuneram justamente, não lhes sugam os frutos do trabalho e ainda os reconhecem! E sim... Por incrível que pareça, é possível reconhecer o trabalho ou o investimento de outrém e ainda ser justamente pago por isso...

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Créditos: https://www.playficient.com/employee-onboarding-ideas/

 

O homem não empenha numa acção uma parte limitada de si mesmo; e quanto mais acção pretende ser total, mais a parte empenhada é diminuta. O senhor sabe que é difícil ser-se homem, sr. Scali, mais difícil do que julgam os políticos.

André Malraux, in "A Esperança"

 

Com tantos anos de extrema esquerda em Portugal e perante a alegada ameaça de um também alegado partido de extrema-direita em Portugal, surgiu um daqueles manifestos que alinhou nos hypes actuais - o hype é real, se os signatários estão na moda é outra coisa. Gente nova (?), onde encontramos o cidadão português representado em toda a sua plenitude e com grande histórico laboral nas mais variadas actividades que fazem andar um país! Gente fresca uma nova mentalidade! Portugal a dar passos de gigante... Aliás, só me consigo lembrar da Ndrangheta calabresa a criar um manifesto contra a Cosa Nostra siciliana... Chamei-lhe manifesto do "coiso" porque não percebi muito bem qual é o alcance nem o nome e muito menos onde está a apregoada clareza.

 

Foi por isso que criei o Movimento 7.9.1.2.a), inspirado no Movimento 5.7, mas com identidade, com rigor e que além de pontos também tem alíneas, tomem lá que estou mais à frente. E para dar início a este movimento decidi conhecer este manifesto que, como referi, é uma amostra real do português comum:

 

Adolfo Mesquita Nunes: este indivíduo não foi aquele cavalheiro que em tudo o que conquistava, o facto de ser gay era sempre a razão de? Também não é aquele que um dia quer ser presidente do CDS e fez uma pausa política para ir para a GALP sem saber ler nem escrever? É que com os resultados das últimas legislativas e com a ascensão do CHEGA é possível que o CDS desapareça do mapa, nada como ter um pé na GALP e um no Partido, assim não se perde tudo. 


Alexandre Homem Cristo: Um académico e colunista do Observador. Hum... Pois...

Ana Margarida Craveiro: espero que não seja a Directora de Comunicação de uma... Sociedade de Advogados? Ai é?

Ana Rita Bessa: O partido do táxi está prestes a tornar-se o partido da trotinete e não há cadeiras para ocupar na Assembleia da República. E até gosto desta senhora, traz classe e requinte ao Parlamento.

Ana Rodrigues Bidarra: não era uma senhora que escrevia umas coisas com um cavalheiro que também está na lista, até tinham um "Conselho de Estado"? Só conheço isto da mesma. 

André Abrantes Amaral: Ora, mais um advogado. Afinal somos o país das licenciaturas em Direito, convenhamos.

Bruno Alves: É o jogador da bola? Se for é caceteiro!

Bruno Vieira Amaral: Escritor, critíco literário e colunista. Pronto, é isto...

Carla Quevedo: Surge-me uma actriz argentina no google, não deve ser a mesma... Espero que seja uma jovem com novas ideias.

Carlos do Carmo Carapinha: um senhor fora do sistema, completamente original... Uma novidade nestas coisas, ou talvez não. Pelo menos é Director Administrativo, um homem do sector empresarial.

Carlos Guimarães Pinto: um cavalheiro fora do sistema... Espera, foi presidente do Iniciativa Liberal. 37 anos e académico... Mais um académico e "pouco" ligado à vida partidária.

Carlos Marques de Almeida: Mais um professor universitário. Sentido prático não vai faltar a este movimento pelo que estou a ver. Isto parece o Estudo Geral.

Cecília Carmo: Esta senhora não era a jornalista do desporto? Agora tem uma agência de comunicação. Malta jovem e original.

Diana Soller: Uma académica, política e funcionária do PSD. Gente nova, menos mal e sempre tem dois "l" no nome.

Diogo Belford Henriques: Membro do Conselho de Opinião da RTP nomeado pelo CDS. Conselho de Opinião da RTP, really? Colunista e "board" numa sociedade de advogados da nossa praça. Portanto, colunistas, membros de sociedades de advogados e académicos... Vamos bem. Por pouco não tinha nome de carrinha de caixa aberta...

Eugénia Galvão Teles: Mais uma pessoa do direito e colunista. Confesso que começo a perder as deixas e assim o meu artigo começa a ser repetitivo.

Fernando Alexandre: Secretário de Estado e académico. Consoante a cor partidária vai tendo uma opinião diferente do país. Notável. Venha gente nova e original, pelo menos, neste caso, a opinião vai mudando.

Francisco José Viegas: Um dos que está sempre em todas... Colunista, editor, um dos dinossauros do país, opinador profissional. Convém ter gente mais velha da nossa sociedade, é preciso moderar a rebeldia desta juventude no manifesto. Tem uma coisa boa, adora Vergílio Ferreira.

Francisco Mendes da Silva: Mais um advogado de uma grande sociedade e político profissional. Tenho de ir ver outra vez se no manifesto consta, de facto, originalidade.

Gonçalo Dorotea Cevada: mais um cavalheiro das consultoras, especialista em matéria fiscal e... colunista... Pois...

Henrique Burnay: Um independente... Não... Mais um cavalheiro do Direito e académico, é senior partner de uma consultora. Mais um representante do que é ser português. 

Henrique Raposo: ainda dizem que Marcelo está em todas. Este é mais um daqueles cavalheiros que está em todas sem ninguém perceber muito bem porquê... Aqui é um típico português. E também é colunista em tudo e mais alguma coisa.

Inês Teotónio Pereira: jornalista e política e mais uma cara nova, ou talvez não. Jornalista e política, também não preciso de dizer mais nada.

João Amaro Correia: arquitecto e fervoroso benfiquista. Pelo menos, no clube tem semelhança com mais de metade da população. Consta que é blogger com vocação e instagramer por intuição. Um bom mote para mudar o país.

João Diogo Barbosa: aquela malta que ainda não terminou a universidade mas já tem uma carreira em ascensão? É jovem, mas os hábitos são velhos e bons amigos não devem faltar.

João Nuno Vaz Tomé: se é quem eu estou a pensar, mais um cavalheiro independente. Perdão, afinal é do CDS.

João Taborda da Gama: Secretário de Estado e filho de Jaime Gama... Que original... A grande família socialista também a ter representação. 

José Diogo Quintela: Olha o indivíduo que gosta de explorar trabalhadores e gosta de dizer isso na televisão. Também não é aquele que é apanhado alcoolizado a conduzir e todos acham imensa piada? Mais um colunista no Público e no Observador, bons fornecedores deste movimento. E pensar que este indivíduo, tal como os restantes Gato Fedorento evoluíram de "palmeiros profissionais" e com píadas que hoje criticam...  Admira-me que não esteja aqui um Tiago Dores, um sem-abrigo a quem o Observador deu um jeito.

José Eduardo Martins: advogado, colunista, deputado e um dos barões do PSD. Só sangue novo e com ideias novas...

Lourenço Cordeiro: não conheço mas numa coisa é moderno: frequenta muito o twitter.

Margarida Olazabal Cabral: mais uma advogada de uma grande sociedade de advogados... Irra, não cessa...

Miguel Esteves Cardoso: escreve-se uns livros com vernáculo, o Público e umas rádios elevam-no a intelectual, cria um jornal para dizer mal da concorrência olhando pouco à ética e aí está: sempre em tudo e todas... Mais uma pessoa jovem e muito original. Desde Março fechado em casa! O homem com que podemos contar para vir para a rua combater pelo país!

Miguel Loureiro: Um homem das artes! Ena, menos mal... Espero...

Miguel Monjardino: colunista e académico. Eu sei, não é de propósito, mas não posso evitar.

Miguel Poiares Maduro: olha o cavalheiro preocupado com o mundo mas gourmet de grande gabarito. Afinal eu também sou um pouco hipócrita. Vá lá que não tem filiação política, não é colunista e não é mais um académico. Alto... Um momento... Afinal é tudo isso... Até gosto do cavalheiro.

Nuno Amaral Jerónimo: Espero que não seja o cavalheiro que faz tudo em 10 e 15 minutos! É mesmo... Este cavalheiro sabe "como ficar estupidamente culto em apenas 10 minutos" ou então "como salvar o mundo em 15 minutos". O rei da TedEx, vou já largar o Tony Robbins. 

Nuno Gonçalo Poças: mais um advogado e mais um colunista do Observador... E lá vai o coelinho da Duracell.

Nuno Miguel Guedes: é aquele cavalheiro jornalista que tira sempre fotos em grande estilo e com a cabeça sempre de lado não é?

Nuno Sampaio: Arquitecto, certo? Já são dois... Cuidado, senhores advogados.

Pedro Gomes Sanches: Um homem do Estado, académico e colunista do Observador... "And going and going...". Proferiu isto: "Não sou conservador porque sou católico, ou porque sou avesso à mudança, ou porque antigamente é que era bom. E por isso sou do CDS e creio que é o João Almeida a escolha de que o partido necessita". Um génio.

Pedro Mexia: Mais um real emplastro... Uma cara nova. Poeta, colunista, critíco literário. Só novidades e um digno representante do que é ser português.

Pedro Norton: um homem da televisão, que até gosto de ouvir, e também da Gulbenkian. Já faltava uma novidade perante tanto mais do mesmo... Hum...

Pedro Picoito: Académico, colunista e já viram a foto do cavalheiro no Observador? Hilariante... Vejam...

Raquel Vaz-Pinto: Com um apelido totalmente desconhecido e mais uma académica. Estamos bem entregues, portanto. E viva a gente nova e original.

Rubina Berardo: esta economista soube cedo o que era importante para vencer na vida: tirar cursos superiores e ser política. Original não é?

Samuel de Paiva Pires: já foi muita coisa, mas é essencialmente mais um académico. Como muitos desta lista, já tem no LinkedIn que faz parte do manifesto, toca a criar engagement

Samuel Úria: já mais de uma dúzia de pessoas me perguntou quem era este cavalheiro. É músico e colunista. Não gosto como músico fui ver como se safava a dar opiniões. Continue músico... Também está em todas, não vá cair no esquecimento.

Sandra Clemente: Direito, Academia, Colunismo... E pronto, é isto...

Sebastião Bugalho: então mas este não era aquele jovem estudante, filho de jornalistas e que sem saber ler nem escrever rapidamente ascendeu no i, passou para o Sol, TVI,  vendeu-se a um partido, agora está no Observador e pelo meio tem grandes flops quando o assunto é ética. Jovem, mas vícios de dinossauro do burgo. É inacreditável como é que estes indivíduos... E como é que alguém ainda o convida para um manifesto. Por este andar, quem será o seguinte, o Armando Vara?

Teresa Caeiro: política, direito... E pronto, lá vai o coelinho Duracell...Gente jovem não falta.

Teresa Violante: Académica e colunista no... Observador. Esta malta janta todos os dias no mesmo restaurante e na mesma mesa, certo? Ah, também tem Direito na formação.

Vasco Ressano Garcia: Alguém que mistura política e Igreja como quem faz uma salada de alface e tomate para o jantar sem lhe colocar oregãos e azeite. Alguém que está voltado para o futuro, sem dúvida.

Vasco Rosa: mais um colunista do Observador, penso eu. Desconheço o CV, mas já vi que também é pouco importante.

Vera Gouveia Barros: colunista, académica e uma mulher do Estado. Era aqui que eu tinha esperança de encontrar uma mulher empresária... Ah... Foi por pouco.

 

De facto é interessante ver aqui o português comum, fora das lides partidárias, longe da sociedade bafienta alfacinha, dos jantares de troca de favores. O português que trabalha e que todos os dias vive realmente em Portugal. Vejo aqui empresários, gente de trabalho, e uma representação de Norte a Sul, desde Tui até Huelva... Perdão, Valença até Vila Real de Santo António. Temos futuro! Temos futuro! Haja esperança... Para ser ainda mais actual, apenas sugiro que não só a maioria apresente nomes com dois apelidos mas todos os assinantes. Se querem estar actuais é fundamental.

 

Falta a assinatura do Bloco de Esquerda, do PCP e de António Costa... Aliás, ver António Costa criticar uma geringonça entre PSD e Chega é o mesmo que ver Estaline a chamar nomes a Pol Pot, doesn't match. Além de que em Portugal já chegámos à conclusão que direita e esquerda, de facto, não existem... Tem outro nome, mas não é esquerda nem direita.

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Sardinhas Sem Interesse...

por Robinson Kanes, em 10.11.20

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Créditos: https://victawr.wordpress.com/tag/epic-fail-guy/

 

Fujam que hoje não vale a pena passar por aqui. É "whataboutism" e muitos outros temas que não têm grande interesse...

Uma lamentável terça-feira no SardinhaSemLata...

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Créditos: https://www.healtheuropa.eu/brits-demand-more-mental-health-services-after-covid-19/102922/

Quanto mais sabemos menos conseguimos prever.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

A globalização, o progresso e até o conhecimento produzido, permitiu que pandemia de SARS-CoV-2 atingisse uma escala nunca antes vista na Humanidade. Todavia, o balanço ainda vai demorar muitos anos e (espero eu que não) talvez possamos chegar à inferência que fizemos uma gestão desastrosa da mesma, seja ao nível governamental seja ao nível de todos nós, cidadãos. 

 

Tentei evitar a partilha de alguns casos, mas o somatório de situações coloca-me perante uma situação mais complexa. Se por um lado a saúde mental dá uma oportunidade a quem nela trabalha nestes tempos (ou melhor, aos que colocam o paciente como prioritário e que não vendem banha da cobra, como diz o povo) por outro deixa-nos muitas questões por responder. A situação actual permitiu também perceber que no foro médico, a saúde mental não tem o valor que deveria ter e que uma Ordem dos Psicólogos Portugueses não é mais que um baile de máscaras e posições bem remuneradas - a existência da mesma chega a ser uma castração da própria saúde mental.

 

O primeiro caso que aqui trago é de uma professora que está perto dos 60 anos. Uma pessoa extremamente inteligente, viajada e com uma visão da realidade bastante apreciável. Até aqui nada de novo, apenas que, esta senhora, entrou numa espiral de medo em relação à pandemia que ninguém consegue explicar. O espoletar do pânico surgiu em Abril, durante o confinamento e, segundo o esposo, devido às horas fechada em casa com a televisão como companhia. Actualmente não sai de casa e só chamadas via Skype com os netos estão a atenuar a situação. Não a reconheço...

 

O segundo caso é similar em termos de formação profissional e humana, todavia ainda estamos a falar de alguém mais viajado e completamente fora do status quo. Esta é a mulher que se o marido não quer sair do país para viajar ela sai... É a mulher livre, que se cuida e vive toda a sua vida com uma postura, se me permitem, bastante para a frente. Só recentemente consegiu sair à rua e mesmo isso é uma tormenta para o marido pois, e a título de exemplo, nem sequer tem ajuda com os sacos do supermercado, não vá o vírus estar presente. Tudo o que é possível é congelado, tudo o que não é, é escaldado... O que não encaixa, não se consome. A senhora não coloca a mão numa maçaneta, seja em casa ou fora dela. Não é de televisões, mas de jornais... Atenta aos comentadores e às notícias destes. Não a reconheço, e aqui devo dizer que fiquei deveras surpreendido, podia cair uma bomba nuclear que esta senhora rapidamente levantaria a cabeça e socorreria os mortos.

 

O terceiro caso é um cavalheiro. Imaginem alguém com uma carreira política, conhecedor do mundo, empresário e uma daquelas pessoas que se lhe apetecer jantar  esta noite em Nova Iorque de tudo faz para que isso aconteça. Alguém também esclarecido, atento, com formação superior e que muito dificilmente embarca em situações de pânico, bem pelo contrário. Actualmente não sai de casa, vive fechado e culpando todos os outros que relativizam o que se passa na televisão (televisão essa que está sempre ligada à espera de desenvolvimentos acerca da pandemia), porque continuam com a sua vida. Ninguém fora do seio familiar entra em casa, nem para fazer reparações... Os negócios não são prioridade, controlo dos mesmos totalmente perdido.

 

Outros casos poderia juntar, pelo que, a minha questão é simples... Como é que estamos a lidar com estas situações? Como é que, em certa medida, não seremos também responsáveis por estar a destruir a vida de dezenas (e escrevo dezenas porque só me estou a cingir aos casos que conheço) de cidadãos com o actual estado de pânico e informação excessiva, não raras vezes, sem qualquer filtro ou aferição se a mesma é real. Em Espanha, dispararam ao pontos dos dentistas não terem mãos a medir, os casos de bruxismo que podem ter danos irreversíveis nas articulações temporomaxilares e causar um desgaste gigantesco nos dentes. Nos Estados Unidos a Kaiser Family Foundation (KFF) reportou que 53% dos norte-americanos reportou que a sua saúde mental tinha sido afectada (durante os primeiros tempos da pandemia eram 32%). Os números, até Julho, não pararam de subir como se pode aferir pelo gráfico abaixo. Se a isto juntarmos o consumo de fármacos, o aumento das taxas de alcoolismo e suicídios, temos um cocktail explosivo, além de que, não será novo dizer que este tipo de problemas não se resolve com vacinas de um dia para o outro.

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Fonte: KFF, 2020

 

Em Wuhan, e segundo a Lancet, o alegado berço do vírus, profissionais de saúde tiveram um acompanhamento psicológico singular com duas equipas, uma equipa de resposta com a participação de directores e assessores de imprensa nos hospitais (geriu equipas e a comunicação) e uma outra equipa técnica que formulou instrumentos de intervenção, regras e providenciou pareceres técnicos supervisionando o processo. Uma terceira equipa composta por psiquiatras fez a intervenção no terreno e uma quarta participou numa espécie de hotline assistance dando formação em como lidar com o vírus e também como lidar com alguns problemas de saúde mental. Foi na China... Com tanta informação, tantas tendências importadas e neste campo estamos a ser tão tardios.

 

E como não poderia deixar de ser, os indivíduos mais vulneráveis, apesar de não representarem os casos que acima apresentei, serão os mais afectados que em termos de saúde mental e também em termos de salários e condições de vida. Se a isto juntarmos o aumento da workload e de traumas que os tornam mais susceptíveis a situações de stress, burnout, depressão e situações de stress pós-traumático, temos um futuro negro para muitos indivíduos.

 

Uma boa saúde mental, em circunstâncias normais é fundamental para uma sociedade funcionar bem, se tivermos em conta os números que não cessam de aumentar por causa da pandemia, vamos perceber que a reposta e a recuperação durante e após a pandemia será muito mais desafiante, além de que a saúde mental de um país não é conduzida por académicos nem pode viver apenas de palestras e artigos de opinião.

 

Virá um pós-covid, aliás para mim já é uma realidade, não consigo estar quieto, todavia ele virá e alguém terá de apanhar os cacos...

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Dos biltres cavalheiros...

por Robinson Kanes, em 04.11.20

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Jan Asselijn - O Cisne Assustado - Rijksmuseum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A principal diferença entre a célula do túmor maligno e o tecido normal reside fundamentalmente no facto daquela ter perdido a informação genética que precisa para representar o seu papel como membro útil na comunidade de interesses do organismo. Comporta-se como um animal unicelular (...) desprovido de estruturas especiais, dividindo-se anárquicamente de tal modo que o tecido tumoral, ao infiltrar-se nos tecidos, todavia saudáveis, desenvolve-se e acaba por destruí-los.

Konrad Lorenz, in "Os Oito Pecados Mortais da Humanidade Civilizada"

 

 

Pior que um metralha assumido ou um verdadeiro birbante é o, e passo a redundância, indecente biltre. O biltre pulula pela nossa sociedade, bebendo do que ela tem pior e muitas vezes até ele próprio criando esse cocktail fatal para o desenvolvimento da mesma, já Rousseau dizia que a verdade não nos torna ricos e o povo também não atribui embaixadas, nem lugares e muito menos pensões.No entanto, é o biltre que não hesita em mostrar o seu lado bom, de preocupação com o próximo e crente que é um embaixador para um mundo melhor e até "suavemente" critica a mesma. Pessoalmente, prefiro lidar com uma verdadeira besta (e uma besta verdadeira) do que com um pulha. Antes um bufo (só disse bufo para fazer tremer a malta da PIDE) que acerta no alvo que um calculista psicopata.

 

E foi neste sentido que, entre tantas peripécias deste âmbito, fui encontrar uma raiz aljofareira. Se tal até pode ter pouco valor, na realidade, pode ter efeitos que vão bem para lá de duas ou três vitimas e tem um efeito montra assinalável. A personagem, um homem "conhecido" da praça e sempre que estala os dedos tem um séquito de lambe-botas que procura não sair da sua pseudo-esfera de influência pois nunca se sabe quando é que vamos concretizar a ambição de conseguir aquele emprego mais exectuvio, sabendo também que não será a responder ao anúncio que lá chegaremos. Alguns seguem-no apaixonadamente, outros com medo, pois em país pequeno e tacanho, basta movimentar um cordel ou dois para destruir uma carreira... Ou assim se quer fazer pensar.

 

Defendia portanto o mesmo, com um grafismo ajustado e já na habitual forma de storytelling, sublinhada por auto-citações com o intuito de criar impacte qual Marco Aurélio da Rua dos Bacalhoeiros - interessante como de repente agora todos temos milhões de histórias inspiradoras para contar, sssim de repente, não é? - que conhecia um familiar que trabalhava numa empresa de telecomunicações e que tinha sido esse mesmo indivíduo que lhe havia desvendado ter instruções da mesma para não recrutar candidatos acima dos 45 anos. Malvados! Como é que é possível que neste mundo existam ainda organizações com essa postura! Malvados, caiam os demónios, desça Deus ao Campo de Ourique e que o cavaleiro do apocalipse destrua a terra mas deixe ficar a o "Maria de Perre" em Viana... Sinto-me enternecido, escorre-me uma lágrima pelo canto do olho (tenho uma lágrima no canto do olho... tenho uma lágrima no canto do olho... ok, menos...).

 

Neste momento, meio LinkedIn, meio mundo empresarial em Portugal vai estar ao lado deste cavalheiro cujo apelido rima com bombeiro. Deste e de tantos outros que todos os dias se dizem a mudar o mundo do trabalho em Portugal mas não há forma de os vermos para lá das habituais histórias e comentários na imprensa e nas redes sociais. Além de que se há coisa que não evoluiu muito foi essa área, estranho facto, tendo em conta os títulos inelegíveis que muitos destes especialistas ostentam, e que nos dão a sensação que lidam com matérias ao nível da compreensão de um Spock.

 

Mas agora já não é só uma lágrima... Choro! Choro mesmo com pena das pessoas com mais de 45 anos! E é aqui que eu também penso... Malvados, como é possível, que Buda desça à Terra e condene toda esta gente, que a espada de Rei Artur trespasse toda essa gente, que o Power Ranger vermelho venha dar uma coça nessa gente e que o Chuck Norris ainda tenha forças para pontampear esta gente para Ilha da Fuseta! E é também aqui que eu e outros atrevidos (e alguns fizeram-no directamente) colocamos a questão: mas olha lá oh bombeiro, qual é a empresa? É que um testemunho daqueles atirado desta forma para o ar só me faz lembrar o Kim Jong Un a dizer ao povo norte-coreano que temos de combater e matar o inimigo... O tal inimigo ou inimigos que muitos norte-coreanos combatem há décadas nessa guerra que não existe, mas que são levados a pensar que sim. Talvez Jerónimo de Sousa, tão próximo do cavalheiro até saiba. Ainda me lembro dos tempos em que via o South Park e quando numa das muitas mortes do Kenny, alguém dizia "they killed Kenny" e perante a pergunta "who killed him?" a resposta era sempre "they... they... they killed him".

 

E pronto, acabou aqui este texto porque o cavalheiro, mesmo em off, divulgou o nome da organização. 

 

Não, não acabou... Porque respondendo apenas a um dos seus lambe-botas e provavelmente clientes de topo, esquecendo os outros... Quem anda por Portugal sabe que há por aí muita malta aberta e moderna (e rasteira) mas que não fala com a plebe (embora se alimente dela), só com o topo ou com aqueles que levam a cabeça baixa ou a língua de fora... Lá disse que não era simpático divulgar até porque podia prejudicar o familiar e toda aquela conversa de circunstância habitual tipíca do "vamos a eles em plena Avenida da Liberdade" mas quando enfrentamos as fera e olhamos para trás à procura de apoio, o fervoroso porta-estandarte já está em Almeirim a comer uma espetada de lulas no Minhoto. O típico intocável que não lida bem com a verdade e cuja coragem deixa muito a desejar.

 

Vamos assim caminhando, com mãos cheias de nada que se alimentam das munições que carregam as bazucas, com mãos cheias de nada que alimentam castelos de cartas e egos e cuja produção e qualidade é igual a zero. Assim vamos sendo sérios, abertos e inovadores, mas no fundo conservando todos os tabus e todo o status quo, o mesmo status quo que alimenta estas nulidades e todos aqueles que as suportam e admiram. Os outros podem sempre emigrar, podem sempre afastar-se do lobby, do compadrio, do bacoco e fraco networking, as verdadeiras indústrias, ou não fosse uma das frases preferidas de uma certa falange populacional "quem está mal que se mude". O biltre... O biltre continua por aí a vaguear, a beber e a criar o pior que a sociedade tem e que nem sempre é o mal, mas muito provavelmente aqueles que o dizem combater.

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Faz-me "espéce"...

por Robinson Kanes, em 28.10.20

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Créditos:https://funnypicture.org/funny-fails-army-10-free-wallpaper.html#.X5lAnVP7RhE

 

Apenas os bárbaros entre nós, sabem o que são. Os civilizados têm consciência do que podem ser e são por isso incapazes de saber o que, para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se  de como extraem da sua experiência atómica total , uma personalidade.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Recordo-me de Ana Bola, para também eu dizer que... "faz-me espéce"... Mas afinal o que é que me faz "espece"?

Faz-me "espéce" ouvir alguns indivíduos da nossa praça, apelidarem Rui Pinto de ladrão em plena audiência perante um juiz. Indivíduos, que defendem autênticos criminosos com trânsito em julgado, e passo a expressão, estão enterrados até às orelhas e também eles envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro, fraude e corrupção - os que se julgam intocáveis. Isto é mais ou menos o mesmo que termos o Alves dos Reis (e esse ainda tinha nível e graça) chamar ladrão e fazer-se de vítima ao indivíduo que roubou um bolo na "Sacolinha" em Oeiras. Oeiras e roubo é mau exemplo, eu sei... Juro que quando escrevi isto não pensei em Isaltino a roubar um palmier recheado enquanto fumava um charuto e transportava um copo de Rémy Martin. Até porque o letrado e desenvolvido povo eleitor de Oeiras aprovaria de imediato.

 

Faz-me "espéce", sempre que Marcelo tenta não deixar passar uma para aparecer e lhe corre mal, ofuscar-se durante uns dias. Do ponto de vista da comunicação é uma jogada de mestre, não pode é ser um hábito sob pena de até o mais incauto perceber a jogada. E quem diria que os mamilos mais conhecidos do país não seriam os da Érica Fontes ou da Joana Amaral Dias e muito menos os de Alberto João Jardim, mas os de Marcelo. Quando a história desmistificar um dos piores presidentes, a imagem que ficará, será sem dúvida a perna cruzada e o "olhar" matador para a câmera enquanto se administra uma vacina e claro... os calções azuis desbotados. Claro que Marcelo nem pensa nas câmeras, é mera coincidência.

 

Faz-me "espéce" também que Marcelo, a propósito da morte de Vicente Jorge Silva, tenha espaço de comentário num jornal, nomeadamente o "Público" e onde além da apologia a um grande amigo e de toda uma classe que o sustenta, ainda consegue transformar o jornal numa espécie de obra-prima da imprensa tais são os elogios rasgados ao mesmo. Vestir a pele de ardina-mor não lhe fica bem sendo Presidente (de papagaio-mor diz-se que...), mas todos sabemos como é dependente da comunicação social e da imprensa para existir. Uma mão cheia de nada, precisa sempre de muletas para sobreviver e até ser eleito presidente. E depois ainda menosprezam o Tino de Rans, o Trump e o Tiririca.

 

Faz-me "espéce" ver os arautos dos Direitos Humanos, da verdade e da mais alta moral, serem caras de organizações geridas por fundos estatais de países que desprezam completamente esses mesmos direitos e até têm, no seu território, campos de concentração. São esses estados que inclusive ignoram as atrocidades cometidas contra algumas das bandeiras desses indivíduos: homossexualidade, violência sobre as mulheres e indivíduos de outros credos e raças - a polícia matar um preto nos Estados Unidos é um crime hediondo, já noutras paragens será cultural? São também essas organizações que estão envolvidas em escândalos que não lembram a ninguém e têm prejudicado o erário público, ou seja, todos nós. Não que eu possa até ter algo contra as mesmas, mas... Querer algo e o seu contrário. Afinal em Portugal S.A., tudo se vende e tudo se compra.

 

Faz-me "espéce" ver o que o Bloco de Esquerda votou contra o Orçamento de Estado. Ver que as sondagens estão a atirar Marisa Matias para o fundo da tabela, por certo, terá tido influência. Ou então já a pensar numa próxima legislatura, o Bloco quer afastar-se para não sofrer as consequências. Faz-me "espece", mas não me espanta, afinal é o Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que se cala e tudo consente quando se arranja um "tachito".

 

Faz-me "espéce" que o PCP (partido totalitarista e supostamente não admitido no seio da União Europeia) ainda controle as decisões neste país. Uma minoria, a par de muitos sindicatos, sobretudo ligados ao funcionalismo público, que é um autêntico cancro e tem atrasado o desenvolvimento do país. Espero que alguém aprenda alguma coisa com os Açores!

 

Faz-me "espéce" ver os deputados não-inscritos, independentes aprovarem (abstenção é consentir que) o Orçamento de Estado. Será que a senhora que ninguém conhece e ex-deputada do PAN e a senhora Katar Moreira já estão a apostar em serem candidatas "independentes" pelo PS num futuro próximo? Infelizmente, ao contrário do que aconteceu com o Ciudadanos em Espanha, os novos movimentos cheios de gente de boa vontade, acabam vendidos ao sistema vigente, o shake ao status quo rapidamente é abandonado. Que o diga Fernando Nobre e outros tantos...

 

Faz-me "espéce" que um indivíduo não possa estar num funeral de um ente querido que até era um tipo odiável e que só levaria 20 pessoas mas se for para ir ao Avante, à Fórmula 1 ou às festas do regime já possa conviver com mais de 10 000 pessoas. O vírus é chique e gosta de croquetes, show-off e desporto motorizado mas não gosta de jantares em família, funerais e casórios. Aliás, casórios até gosta se tiverem muita gente e forem de malta de bem na praça, um pouco como as festas de aniversário da Padeira de Aljubarrota (da Malveira?) em espaços públicos da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Faz-me "espéce", num país tão pequeno, tanto ódio e interesse em Donald Trump mas ao mesmo tempo pactuar com atrocidades que não lembram a alguns dos piores ditadores do Mundo. Falar do Trump fica bem, mostra-se que se sabe (sabe?) muito da realidade norte-americana e não se perde o emprego nem os amigos.

 

E para terminar, toda a minha consideração e respeito pelos agentes da autoridade que irão controlar as entradas e saídas dos concelhos durante os próximos dias. Com tanta excepção, tanta desinformação e afins, temo que não vá ser uma tarefa fácil. Ainda vamos ver fotografias/montagens como as que temos visto de médicos e enfermeiros, com agentes esgotados com a cabeça deitada no volante.

 

Faz-me "espéce", pronto...

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London Imperial War Museum

Picture: Robinson Kanes

 

 

I am a kind of plagiarist of a title recently used by José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), a well-known Spanish economist who is eyeing the economy from the front and usually is forced to deny journalists with the tics of economists.

 

Before moving on to the content of the article itself, I would also like to take this opportunity to bring up a few words of this economist who, recently, admitted his perplexity at the fact that Spain legislates for everything and nothing ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") and continues to ignore the relevant facts which, if put aside by a certain "put their noses of joint'", will lead Spain to a state of economic calamity that will be hardly surpassed. For a moment it seems that we are talking about Portugal...

 

"Bazooka" money (and since I have not yet digested this kind of begging and pride in other people's money) still has no destination, in fact, much of this money is already assigned to the state, to social policies (a jargon to camouflage the lack of knowledge of the application of funds). Nobody knows where it is going and nobody seems to be interested either. The crises will be ongoing, the world of the "Les Trente Glorieuses" has not existed for a long time, and periods of prosperity will be less and less lasting, which will cause the collapse of many economies and, when it comes to deciding, only those who will adapt best and make optimal use of foreign currency will be the ones lucky enough to receive European support. European solidarity has a limit and the approval of this latest package has already shown that many in the East, North and even Central Europe do not want to see the same funds being siphoned off by states which do not make wise use of them. As citizens, we should all demand an explanation of how the funds are spent and even a daily profit and loss account, as has been done (in my view too much already) with the daily briefings by the Health National Board. It is frightening to see that the majority of Portuguese are still not really concerned about the situation of the country, the palliatives are having their effect. The chronic lack of strategic vision, let's be positive, then we'll see, all in the interest of Social Justice - the new concept that nobody can explain but it's great to throw everything into the same bag and shirk responsibilities.

 

This is the time also to wake up as a country, to understand the millions that are wasted in grants both for social causes, useless associations and mercy, and for business corporations that make improper use of them, and for the public purse where municipalities are included, and for a countless number of public and private interests that bring nothing good to a country. We must be able to say no! We must know how to apply all these funds and demand a set of specifications, we cannot spend millions on white elephants and millions on associations that each year hold an exhibition for the poor! We must demand results. We have to understand why every day I always meet someone who says he is in layoff but continues to work and the company receives funds from all of us! These funds are not to be used for the purchase of Porsches that transformed one of the poorest regions of Europe into the one that had the most concentration of premium vehicles, the Vale do Ave.

 

Portugal must also understand how many useless positions it has in the civil service and eliminates them! You can start by reconverting because there are areas (also public) where resources can be well applied! It makes no sense to have 10 administrators who spend the day playing solitaire drinking coffee in a department that issues one case per month and in a hospital to be in need of help you have a lack of human resources! We also have to have the courage to eliminate jobs if we have to, we cannot allow many useless wage earners paid with our taxes to keep looking away because their job is not affected. In the private sector too, we must be serious, and the pandemic has shown that there are also many unprofitable jobs!Many of these jobs are being kept at the expense of low wages and because many entrepreneurs like to have their "office" full as it is. Many of these jobs are being kept at the expense of low wages and because many entrepreneurs like to have their "office" full because it sounds like a big corporation! Those are the same ones where everything can be missing in the organization except the paper and the printer!

 

We must also cease to destroy the outstanding human resources that we have! We cannot export individuals who are brilliant and would lend so much to this country! We cannot, we must pay them, we must take them in. We cannot leave these individuals out of the labor market or hire them and promise them a brilliant career and build them a wall just because we still have a medieval mentality. We cannot have job advertisements (when they exist) wherever they go and in whatever area and position they seem to copy-paste each other and recruiters who are obsolete, inoperative, and tremble whenever a CV does not comply with the Europass. We cannot let candidates who go for a job interview be neglected because they are innovative, uncomplicated, shake up the status quo, and take the "mistake" of asking what the organizations' objectives for that position are - a question that never gets answered! We can't overlook candidates who show what they're worth and listen to the "good here is me, not you" answer. We have to surround ourselves with the best, we even have to allow our place to be taken by those same individuals later on - we don't have to be dinosaurs in the same organizations for eternity. We cannot look at high turnover rates in certain departments with the idea that everyone who goes there is bad and the dinosaur in the leadership position is good because he has been in the position for over 10 years! The problem is not the soldiers but the general!

 

We need to work on our soft skills, our citizenship and this is not only done through training. We have to incorporate new teachings and not give the excuse of "but it's always been like this" or "it doesn't work here" or "it's cultural". It is rare to have the headquarters located outside so that certain internal tricks are not discovered. It is necessary to open to the world and this is not done with a cheap trip to that country! You have to take your brain and not just your camera!

 

In universities, we have to understand what matters and what does not matter. Only a fool doesn't understand that in such a small country there are universities that never end and that are also a drain on public money, a stage for academics and some of them with useless courses and in many cases unrelated to the labor market. We also have to bet on technical and pre-university education, but then we can't pay the minimum wage to technicians who are highly qualified. We cannot say that the country is evolving like never before because 51 000 students have entered higher education courses... Get there is easy, in many areas, you can even make it with your eyes closed -the problem comes later.

 

We must also say that the high tax burden is not an exception in salaries and it's not only the bosses' fault (in Portugal we still say, bosses...). We cannot allow double taxation as happens in car tax, but the thirst to have a new car is greater than the thirst to demand rights and duties! It is this thirst that contributes to the hunger of the future.

 

We need to pay attention to the very best, we need to know where they are, and they are not only in magazines, on social networks, and on television... They are not in publications with paid articles, in exchanges of favors, or receiving paid prizes. For example, there is an individual in the human resources field who has built up a career with prizes in years that the organizations went through strikes all the time and scandals. We have to understand where these people are, we have to place them in a group apart and take advantage of them as Plato would say, we cannot allow mediocrity to associate with more mediocrity and produce even more mediocrity.

 

The leaders of this country cannot be made in newspaper and television newsrooms, they cannot be made in partisan youth, they cannot be made in corporatism and in Freemasonry rags that grow in all areas, they must be developed and found in the public square, based on their achievements and on the guidance of great leaders, committed to the well-being of their own, because this is also the source of their well-being. All this is complex and not with unlimited hours of work... Speaking of unlimited hours, our desire to always say that we are working, that we work hours and hours on end, that we are always in meetings and calls, and that in the end, it doesn't turn into earnings. Let's do only 10% of the much that we see preaching here and there, and probably we'll have a better place, let's break the taboos, let's talk head-on about the problems - that's where the success of the solutions comes from - and let's make sure that Eça's works are really past and not current, let's let Raúl Brandão's reports of the French invasions not be a rotten Portugal that is still there today and let Junot's wife not run away to France in panic. And Junot who was not exactly a gentleman...

 

Let's stop with "acomismes", denying this world in a kind of hope for a brighter future. This future will not be bright and only the ability of today to prepare for tomorrow's challenges will make it possible to guarantee minimum welfare for all. Let us not let distractions and the idea that we are apparently too far ahead make us give up on ourselves - let us lower the provincial ego (which disguises instability and insecurity). As Raghuram Rajan will tell us, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finally, let us stop looking at corruption as a natural thing! Corruption is an attack on Human Rights, but there is always the feeling that in every Portuguese there is always someone with some kind of skeletons in the closet. We must demand more of our politics and of our Justice, the same justice that now seems to be discredited because football and other institutions that dominate the narrow-minded people who live the week waiting for the "Circus Maximus". They keep spitting in our faces, starting with the President (paternalism is the enemy of freedom and democracy) and going down the road, passing judges to individuals laughing at us in the middle of the Senate. Fighting this is populism, it is now the excuse of the political spectrum from right to left-wing.

In culture, too, we must look ahead, value those who work in it, put it at the service of society, and stop understanding it only as a channel for more and more subventions. An agent of culture does not have to live off the state, he has to try to sell his work in a society that also has to appreciate what is good about the arts. We have to understand how we can bring people because even the most illiterate are able to appreciate Ibsen or Picasso, we need to get out of the top of the intellect where this developed world is only understood by us, we have to have a culture without vices and also corporatism. Always the same faces, always the same topics... Demand the freedom to have a play "Catherine and the beauty of killing communists" and not only "Catherine and the beauty of killing fascists"... Always the same, always the same themes and always the same incompatibilities... After all, a director of a national theatre uses this one as a disseminator of his work and his ideology (which has been condemned by the European Union) with all that is good for him, forgetting the words of Vergílio Ferreira who said that to be an artist was to exhaust the moment that fell to us.

 

All this is not technical, as it is easy to set up a factory or transform a country in terms of infrastructure, it is difficult to change behavior and make things happen? In terms of changing behavior, many try to do so, especially lately, but with political and corporate objectives, based on hypes and uninformed a society that is more easily manipulated when it is so and proudly finds itself very informed.

 

It depends on each one of us, and damn... To get here so much blood has flowed, there were already so many who descended from the families of Altamira sought and died so that today we are on a level of evolution never seen before, let us make use of it and show that the achievements and mistakes of our ancestors, were not in vain!

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Se nada fizermos, Portugal vai ao fundo!

por Robinson Kanes, em 28.09.20

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London Imperial War Museum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in "Crime e Castigo"

 

Faço uma espécie de plágio de um título recentemente utilizado por José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), um conhecido economista espanhol que olha para a economia de frente e não raras vezes tem de desmentir jornalistas com tiques de economistas.

 

Antes de passar ao conteúdo do artigo, propriamente dito, aproveito para trazer também algumas palavras deste economista que ainda recentemente, admitiu a perplexidade pelo facto de em Espanha se legislar por tudo e por nada ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") e se continuar a ignorar os factos relevantes que, sendo colocados de lado por vias de um certo "atirar de areia para os olhos" levarão Espanha a um estado de calamidade económica dificilmente ultrapassável. Por momentos, parece que estamos a falar de Portugal...

 

O dinheiro das bazucas (e como ainda não digeri esta espécie de mendicidade e orgulho no dinheiro alheio) continua sem ter um destino, aliás, muito deste dinheiro está já destinado ao Estado, às políticas sociais (um jargão para camuflar o desconhecimento da aplicação dos fundos). Ninguém sabe para onde vai e também ninguém parece estar interessado. As crises serão constantes, o mundo dos "30 anos dourados" já não existe há muito e os períodos de prosperidade serão cada vez menos duradouros o que provocará o colapso de muitos economias e, na hora de decidir, só aqueles que melhor se adaptarão e melhor uso farão das divisas, serão os felizes contemplados com apoios europeus. A solidariedade europeia tem um limite e a aprovação deste último pacote já mostrou que a Leste, a Norte e até no Centro da Europa são muitos os que não pretendem assistir ao sorver destes mesmos fundos por Estados que não fazem uma utilização criteriosa destes. Como cidadãos, todos devemos exigir uma explicação da aplicação dos fundos e inclusive a demonstração dos resultados numa base diária, como se tem feito (em meu entender já em demasia) com os briefings diários da Direcção-Geral de Saúde. É assustador perceber que a maioria dos portugueses ainda não está verdadeiramente preocupada com a situação do país, os paliativos estão a ter o seu efeito... A crónica ausência de visão estratégica, vamos ser positivos, depois logo se vê, tudo em prol da Justiça Social - o novo conceito que ninguém sabe explicar mas é óptimo para colocar tudo no mesmo saco e fugir às responsabilidades. 

 

Este é o momento para também despertarmos como país, para percebermos os milhões que são desperdiçados em subvenções quer para causas sociais, associações inúteis e misericórdias, quer para organizações empresariais que fazem mau uso destas, quer para o erário público onde se incluem autarquias e para um sem número de interesses públicos e privados que nada trazem de bom para um país. Temos de saber dizer não! Temos de saber aplicar todos estes fundos e exigir um caderno de encargos, não podemos gastar milhões em elefantes brancos e milhões em associações que por ano realizam uma exposição para os pobrezinhos! Temos de exigir resultados. Temos de perceber porque é que todos os dias encontro sempre a alguém que diz estar em layoff mas continua a trabalhar e a empresa a receber fundos de todos nós! Estes fundos não são para ser aplicados na compra de Porsches que transformaram uma das regiões mais pobres da Europa naquela que mais concentração tinha de veículos topo de gama, o Vale do Ave.

 

Portugal tem também de perceber a quantidade de posições inúteis que tem na função pública e eliminar as mesmas! Pode começar pela reconversão, pois existem áreas (também públicas) onde os recursos podem ser bem aplicados! Não faz sentido ter 10 administrativos que passam o dia a jogar solitário a beber cafés num departamento camarário que emite um processo por mês e num hospital estarmos a precisar de auxiliares! Temos de também ter coragem de eliminar postos de trabalho se assim tiver que ser, não podemos é permitir que muitos inúteis assalariados pagos com os nossos impostos continuem a assobiar para o lado porque o seu emprego está intacto. Também no sector privado temos de ser sérios, e a pandemia veio demonstrar que existem também muitos empregos improfícuos! Muitos destes empregos vão sendo mantidos porque os salários são baixos e porque são muitos os empresários que gostam de ter o "escritório" cheio porque dá a ideia de que se é uma grande organização! São os mesmos em que tudo pode faltar na organização, menos o papel e a impressora!

 

Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos! Não podemos exportar indivíduos que são brilhantes e dariam tanto a este país! Não podemos, temos de lhes pagar, de os acolher. Não podemos deixar estes indivíduos fora do mercado de trabalho ou contratar os mesmos prometendo uma carreira brilhante e encostá-los a um canto, porque ainda temos a mentalidade da courela! Não podemos ter anúncios de emprego (quando os há) onde seja para que área e posição forem, parecem copy-paste uns dos outros e recrutadores obsoletos, inoperantes e que tremem sempre que um CV não segue o Europass. Não podemos deixar que candidatos que se dirigem a uma entrevista de emprego sejam negligenciados porque são inovadores, descomplicam, abanam o status quo e cometem o "erro" de perguntar quais são os objectivos da organização para aquela posição - pergunta que nunca tem resposta! Não podemos preterir candidatos que mostram aquilo que valem e ouvem a resposta do "o bom aqui sou eu, era só o que faltava". Temos de nos rodear dos melhores, temos até de permitir que o nosso lugar mais tarde possa vir a ser ocupado por esses mesmos indivíduos - não temos de ser dinossauros nas mesmas organizações anos e anos a fio. Não podemos olhar para altas taxas de turnover em determinados departamentos com a ideia de que todos os que lá passam são maus e o dinossauro que ocupa a posição de chefia é que é bom porque já ocupa o cargo há mais de 10 anos! O problema não está nos soldados está no general!

 

Precisamos de trabalhar as nossas soft skills, a nossa cidadania e isso não se faz só com uma acção de formação. Temos de incorporar novos ensinamentos e não darmos a desculpa do "mas sempre foi assim" ou do "aqui não resulta" ou ainda do "é cultural". São raros os casos de fintas que são feitas a headquarters localizados no exterior para que não se descubram certas manhas internas. É preciso abrir para o mundo e isso não se faz com uma viagem barata àquele ou a este país! É preciso levar o cérebro e não só a máquina fotográfica!

 

Nas universidades temos de perceber o que importa e o que não importa. Só um tolo não percebe que num país tão pequeno existem universidades que nunca mais acabam e que são também um sorvedouro de dinheiros públicos, um palco para académicos e algumas delas com cursos inúteis e em muitos casos sem qualquer relação com o mercado de trabalho. Temos de apostar também no ensino técnico e pré-universitário, mas depois não podemos pagar o salário mínimo a técnicos não superiores mas altamente qualificados. Não podemos dizer que o país evolui como nunca porque entraram 51 000 alunos em cursos superiores... Entrar é fácil e actualmente até tirar um curso superior, em muitas áreas, se consegue de olhos fechados, o problema vem depois.

 

É preciso dizer basta também à elevada carga de impostos, nos salários não é excepção e a culpa não é só dos patrões (em Portugal ainda dizemos patrões...). Não podemos permitir duplas tributações como acontece no imposto automóvel, mas a sede de ter um carro novo é maior que a sede de exigir direitos e deveres! É essa sede que contribui para a fome do futuro.

 

Também temos de ouvir os melhores, temos de saber onde eles estão, e esses não andam só nas revistas, nas redes sociais e nas televisões... Não andam em publicações com artigos pagos, em trocas de favores ou a receberem prémios pagos. A título de exemplo, existe um indivíduo que na área dos recursos humanos tem construído carreira com prémios em anos que as organizações por onde passam fazem greves a todo o momento e os casos de escandaleiras são uma realidade. Temos de perceber onde essa gente, temos de colocar esses cidadãos num grupo à parte e aproveitá-los como nos diría Platão, não podemos é deixar que a mediocridade se associe a mais mediocridade e produza ainda mais mediocridade.

 

Os líderes deste país não podem ser fabricados nas redacções de jornais e televisões, não podem ser fabricados em juventudes partidárias, não podem ser fabricados no corporativismo e em rascas maçonarias que crescem em todas as áreas, devem ser desenvolvidos e encontrados na praça pública, com base nos seus méritos e no acompanhamento de grandes líderes, comprometidos com o bem-estar dos seus, pois daí advém também o seu bem-estar. Tudo isto é complexo e não é com horas ilimitadas de trabalho... Falando em horas ilimitadas, o nosso desejo de dizer sempre que estamos a trabalhar, que trabalhamos horas e horas a fio, que estamos sempre em reuniões e calls e que no final não se converte em ganhos. Façamos só 10% do muito que vemos apregoar aqui e alí, e provavelmente teremos um país melhor, quebremos os tabús, falemos frontalmente dos problemas - é daí que vem o sucesso das soluções - e façamos com que as obras de Eça sejam mesmo passado e não actualidade, deixemos que os relatos de Raúl Brandão das invasões francesas não sejam um podre Portugal que ainda hoje ali se revê e que a mulher de Junot não fuja para França em estado de choque. E Junot que não era propriamente um cavalheiro...

 

Deixemo-nos de acomismes, de negar este mundo numa espécie de esperança num futuro brilhante. O futuro não será brilhante e só a capacidade de hoje nos prepararmos bem para o amanhã fará com possamos garantir mínimos de bem-estar para todos. Não deixemos que as distracções e uma ideia de aparentemente estarmos muito à frente nos faça desistir de nós próprios - baixemos o ego (que disfarça instabilidade e insegurança) provinciano. Como nos dirá Raghuram Rajan, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finalmente, paremos de olhar para a corrupção como uma coisa normal! A corrupção é um atentado aos Direitos Humanos, mas fica sempre a sensação de que em cada português há sempre alguém com uma espécie de esquema ou telhado de vidro. Temos de exigir mais da nossa política e da nossa Justiça, a mesma justiça que agora parece estar descredibilizada porque o futebol e outras reais instituições do reino dominam os cérebros tacanhos que vivem a semana à espera do circus maximus. Continuam-nos a cuspir na cara, começa na Presidência da República  (paternalismo é inimigo da liberdade e da Democracia) e vai por aí abaixo, passa pelos juízes até indivíduos que se riem de nós em plena Assembleia da República. Lutar contra esta é populismo, é agora o argumento do quadrante político da direita à esquerda.

 

Também na cultura temos de olhar para a frente, valorizar quem trabalha nesta, colocar a mesma ao serviço da sociedade e deixar de entender esta apenas como um canal para mais e mais subvenções. Um agente de cultura não tem de viver do Estado, tem de procurar vender o seu trabalho numa sociedade que também tem de apreciar o que de bom se faz nas artes. Temos de perceber como é que podemos trazer as pessoas, porque até mesmo o mais iletrado é capaz de apreciar Ibsen ou Picasso, precisamos é de sair do topo da intelectualidade onde esse mundo desenvolvido só é compreendido por nós, temos de ter uma cultura sem vícios e também ela um corporativismo em muitas situações, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos temas... Exigir a liberdade de ter uma peça "Catarina e a beleza de matar comunistas" e não apenas "Catarina e a beleza de matar fascistas"... Sempre os mesmos, sempre os mesmos temas e sempre as mesmas incompatibilidades... Afinal, um director de um teatro nacional, usa este como divulgador da sua obra e da sua ideologia (por sinal condenada pela União Europeia) com tudo o que de bom para este daí advém, esquecendo-se das palavras de Vergílio Ferreira que afirmava que ser artista era esgotar o instante que nos coube.

 

Tudo isto não é técnico, pois é fácil erguer uma fábrica ou transformar um país em termos de infraestruturas, difícil é mudar o comportamento e fazer com que as coisas acontençam... Em termos de mudança de comportamento, muitos o tentam, sobretudo ultimamente, mas com objectivos políticos e corporativistas, alicerçados em hypes e desinformado uma sociedade que mais facilmente é manipulada quando assim é e orgulhosamente se acha muito informada.

 

Depende de cada um de nós, e caramba... Para chegarmos aqui já foi tanto o sangue que correu, já foram tantos aqueles que descendendo das famílias de Altamira procuraram e morreram para que hoje estejamos num patamar de evolução nunca antes visto, façamos uso disso e mostremos que as conquistas e os erros dos nossos antepassados, não foram em vão!

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Costa Nostra...

por Robinson Kanes, em 12.09.20

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Créditos: https://jornalacores9.pt/costa-acompanha-frustracao-de-medina-mas-defende-que-meios-estao-a-ser-reforcados/

 

A melhor forma de assustares um português? Fala-lhe em mudança, nunca mais o vês!

GC

 

Admito que, depois do último artigo, tinha pouco interesse em repetir o tema da Sicília, todavia, algumas das "grandes" figuras nacionais não me dão muita hipótese de ser impopular. Como poderá dizer uma certa juíza entretanto silenciada, "são escolhas".

 

Na verdade, e nada tenho contra o futebol, devo admitir que em Portugal (e não só) a promíscuidade entre política, comunicação social e clubes de futebol é escandalosamente arrepiante.

 

Para citar alguns exemplos, temos o caso de um sem número de governantes que em tempos, a troco de um jogo de futebol num europeu de, venderam a alma ao diabo. Um faleceu entretanto e foi visto como um herói, outros pagaram uns tostões e não foram a julgamento. Para mim isso não é inocência, é pagar para não ser encarcerado e manter as regalias na função pública. Afinal, também por "cá", Cristiano Ronaldo e José Mourinho pagaram e ficaram "meninos de bem". Ai se o "Toino" sabe, da próxima vez que se vir a passar 5 anos na cadeia por ter roubado uma banana no hiper low cost vai alegar a jurisprudência para se livrar do cárcere.

 

Outro exemplo, é também o de um ex-ministro das finanças (e não é caso único) que utilizando o cargo, mendigava lugares na tribuna de honra de um determinado clube de futebol para que o filho também pudesse assistir a jogosl, e sobretudo trabalhar o seu networking com a malta influente.

 

Temos ainda o sem número de agentes políticos que surgem em comissões de honra e orgãos gestores de clubes de futebol, mesmo quando ainda exercem funções públicas e com total incompatibilidade com os cargos, o mais recente caso de Rui Moreira na Câmara Municipal do Porto disso é exemplo.

 

Finalmente, temos também um jornal nacional que tem como comentador o Director Geral da Microsoft para a Europa Ocidental, e é com este título e também como sócio que se apresenta, a defender um clube de futebol - não como um parceiro de negócios, mas como uma espécie de adepto possuído. Se está autorizado pela organização que representa, podemos aceitar, embora não me pareça propriamente a melhor prática dentro da Microsoft. Em relação ao jornal que publica o artigo, já sabemos como estas coisas funcionam... "Está desculpado". Sabemos que a Microsoft tem o Benfica como cliente, e isso é óptimo e em nada censurável, bem pelo contrário, no entanto existem linhas, mesmo no negócio, que nunca se ultrapassam - e não é só por uma questão ética e profissional, mas também relacionada com o próprio negócio. 

 

E tudo isto para chegarmos ao mais recente exemplo, onde o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o Primeiro-Ministro (o primeiro sem o segundo não existiria, portanto, uma espécie de "mini me") surgem na comissão de honra de um candidato à presidência de um clube de futebol. A promiscuidade, mais uma vez ao seu mais alto nível, sem esquecer que num país civilizado e prudentemente governado, não é admissível este comportamento. Na eventualidade  de ser uma prática moralmente aceitável, existem mais clubes na cidade. Por sua vez, também a pessoa do candidato que ambos apoiam e o próprio clube encontram-se envoltos em polémicas e processos judiciais. Todos são inocentes até trânsito em julgado, no entanto, patrocinar candidaturas no decorrer do processo não é a melhor forma de mostrar neutralidade e ausência de pressão sobre os agentes policiais e judiciários. Talvez a impunidade que ambos têm tido em várias situações os deixe tranquilos.

 

Concluíndo, e voltando à Microsoft, é bom lembrar que por muito menos, existiram marcas que abandonaram determinados indivíduos ou organizações. Por cá, parece que as coisas funcionam ao contrário.

 

Em suma, é motivo para dizer que num país de máfias, umas mais pequenas e outras maiores (e na sua maioria recheadas de alorpados cretinos) mas com graves danos para o país, a Costa Nostra é mais uma que veio para ficar.

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