Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Dizem que a sardinha está de morrer...

por Robinson Kanes, em 07.07.20

p1240985.jpg

Créditos: https://100anos100arvores.wordpress.com/tag/fernando-medina/

 

É o que dizem, no habitual espaço de terça-feira no SardinhaSemlata... Vão lá comer uma, basta ir por aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Hoje a Sardinha traz ódio...

por Robinson Kanes, em 30.06.20

93768475_3309581579052693_8652805195157209088_n.jp

Créditos: https://www.facebook.com/AberdeenSardineFestival/photos/pb.249823545028527.-2207520000../3309581572386027/?type=3&theater

 

Hoje é aquele dia em que grelho umas sardinhas e partilho com todos vós... Podem temperar as mesmas com um pouco de ódio aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Movimento Português Anti-Racista e Anti-Colonialista...

E de todas as outras coisas que estão na moda...

por Robinson Kanes, em 22.06.20

Amsterdam.jpg

Rembrandt Harmenszoon van Rijn - "A Ronda Nocturna" - Pormenor (Rijksmuseum)

Imagem: Robinson Kanes

 

Não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração.

Friederich Nietzsche, in "Para Além do Bem e Mal".

 

Jovem!

 

Não tens nada que fazer para lá das redes sociais e da praia? Não sabes o que é a Democracia? Vives dos meus impostos? Queres apagar a História? Gostas de aparecer e pertencer a causas mesmo sem saberes porquê ou sem teres ideias de futuro? Não tens ideias e  até no teu bairro tens medo de dizer um "ai"? Queres destruir uma sociedade democrática? Se respondeste sim a uma questão que seja, junta-te à nossa causa! Não te esqueças é de criar um instagram ou um facebook para sentires que estás a tomar parte num sentimento de pseudo-maioria!

 

Para atingirmos os nossos objectivos propomos:

 

- Destruição do Mosteiro dos Jerónimos, do Santuário de Fátima e de todas as Igrejas e monumentos ligados à Igreja Católica, essa grande promotora do colonialismo em tempos antigos e causadora de milhões de mortes por esse mundo fora - pelo caminho vai a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, a Feitoria e a Casa da Dízima! Feitoria é coisa de colonialismo e não é propriamente o meu restaurante predilecto, a Casa da Dízima é só porque não gostei propriamente das duas vezes que lá comi pregado, só por isso, o que já é um acto atroz!

 

- Destruição da estátua de D. Afonso Henriques, um indivíduo que batia na mãe e a partir de Guimarães promoveu a causa racista matando árabes por aí abaixo;

 

- No seguimento do ponto anterior, circunscrição de Portugal ao Condado Portucalense e devolução do restante território aos mouros, eles depois que se entendam com os que foram expulsos pela mouraria;

 

- Destruição das estátuas de todos os reis e até do próprio Marquês de Pombal;

 

- Exoneração de um político-mor, um ferranho defensor do colonialismo e cuja opinião pública só mudou com a mudança do regime (efeito cata-vento);

 

- Destruição de milhões de edições de livros, obras de arte, manifestações culturais, gastronómicas e sociais que são herança ou tiveram como base indivíduos racistas e colonialistas! Abaixo os Santos Populares, viva a Festa do Avante!

 

- Abaixo a ciência em todas as suas vertentes;

 

- Fim ao hino nacional, e no fundo, ao ser português;

 

- União com movimentos internacionais tendo em vista a destruição das pirâmides do Egipto, de totos os vestígios do Império Grego e Romano, em suma de praticamente todos os sítios históricos da Antiguidade e outros mais contemporâneos excepto os edifícios históricos que tenham lojas da Primark e da Humana;

 

- Aliás, sugiro a destruição da Europa, dos Estados Unidos, da Rússia, de todo o Médio-Oriente, da China, em suma de toda a Ásia. Mas como também há racismo em África e na América do Sul, vamos destruir tudo. 

 

- Pela quantidade de raças que se aí se encontram, a mudança ou até a destruição do Largo do Intendente em Lisboa, em homenagem a Diogo Inácio de Pina Manique, esse racista absolutista.

 

- Destruição do Bairro Alto, isso é racismo e dá a sensação que os brancos do Alto olham de cima para as outras raças da Baixa. Principe Real é um ultraje e deverá ser renomeado para qualquer coisa como Presidente do Comité ou "influencer square" ou "Game Changer".

 

- Sugiro que o principal acesso ao Hospital de São José, a Avenida Almirante Reis, seja fechada ao trânsito inclusive de ambulâncias para que, e especialmente em períodos de confinamento, te possas manifestar, sem perceberes, em muitos dos casos, bem porquê. 

 

- Em temas verdadeiramente urgentes e fracturantes da nossa sociedade, enterra a cabeça na areia e faz de conta que nada se passa, nomeadamente a corrupção, os incêndios, a propaganda digna de regime ditatorial, o crime, a impunidade e todas as falcatruas e defeitos de um país provinciano. Segue a moda! Segue a moda e não vires os olhos para o lado. 

 

- Não penses, nós pensamos por ti e tens um Presidente da República que também o faz. 

 

Se não tens coragem para isto tudo, mas queres ser um indivíduo bem visto e sentir-te parte do grupo, escreve só meia-dúzia de tretas que encontras nas notícias e partilha na internet, também assim estarás a fazer a tua parte. No entanto, quando o fizeres, não te esqueças que o racismo não existe só contra negros e lembra-te de te esqueceres de tudo isto ao fim de uma semana dedica-te de imediato a outra causa que esteja na berra, o like é garantido e assim a tua opinião contará mais que as outras, mesmo que todos se estejam a borrifar para o que escreves online.

 

Junta-te à nossa causa e vais fazer parte de um movimento único e que defende a liberdade dos povos com violência e hipocrisia. Uma coisa é certa, nunca te sentirás cansado porque todos os dias há novas causas, a próxima será a da existência de gafanhotos gigantes extraterrestres que falam e estão escondidos debaixo dos corpos dos pagadores de impostos - estão prontos a atacar para extinguir a raça humana pelo que se seguirá o ataque ao consumo de vinho branco que é uma clara demonstração de supremacia branca!

 

P.S.: aquela do político-mor, coloca-me a pensar como é que um indivíduo que... chega a presidente de... Enfim, coisas minhas.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Da Discriminação Etária...

por Robinson Kanes, em 08.06.20

HPIM0244.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Young people are just smarter

O "vanguardista" Marck Zuckerberg numa conferência em Stanford

 

 

Numa época em que tudo é discriminação, desde que seja mediático (daqui a uns tempos colocarei em texto o porquê da insistência no "mediático"), abordo um tema que é mais presente do que se imagina e nem por isso gera grande debate. Nem tudo tem de ter a devida importância, é um facto.

 

No entanto, enquanto destilamos heróicamente o ódio face a um caso isolado nos EUA e legitimamos a violência, embora no conforto do nosso sofá que dá sempre mais jeito e não nos permite correr grandes riscos, deixamos passar outros temas igualmente importantes - ser discriminado porque se é velho (ou até novo, o conceito de ageism é mais vasto) é igualmente importante como ser-se discriminado porque se é preto ou amarelo.

 

Na verdade, quantos de nós não conhecem situações em que a discriminação etária foi praticada, tenha sido ela de forma directa ou indirecta? Quantos de nós tememos o assédio e a "vitimização" também elas formas de descriminação etária que nem sempre incidem sobre as vítimas?

 

No emprego, em marcas que até nos abastecem desde a despensa à garagem, no dia-a-dia... Quantas pessoas não conseguem um emprego porque são "velhas" mesmo tendo qualificações fisicas e mentais para o trabalho? Quantas vezes não nos deparamos com os anúncios (e reconheço que só o facto de responder a um anúncio é praticamente garantia de que não se vai conseguir o emprego) em que a discriminação indirecta vem bem detalhada? E quem é que já reparou numa empresa de distribuição que de um momento para o outro quase que deixou de ter maiores de 40 nas caixas, pelo menos numa área geográfica em particular. 

 

Na verdade, andamos a discutir tanto o cuidado que damos às nossas crianças e até a legitimar que se paguem milhares/milhões para "comprar" algumas... Comprar algumas, sem aspas... Ou forçar a geração do feto, o que é importante, mas não atribuímos importância aos nossos sábios mais velhos, por exemplo? É estranho, particularmente numa sociedade ocidental que caminha para o aumento do seu número de velhos de forma avassaladora. Como é que encaramos estas situações a nível social, cultural até, e sobretudo económico?

 

E quantos de nós já nos erguemos (meia-dúzia de "nice catchy posts" na internet não contam) contra a discriminação etária, sobretudo nos nossos empregos/actividades? Quantos de nós já furamos o status quo e recrutámos, ou apoiamos o recrutamento daquele "cota" para a posição "Y"? Excluo obviamente situações em que uma "cara jovem" pode efectivamente funcionar melhor que uma "cara mais velha", que as há, não vejo as coisas de forma tão radical.

 

Finalmente, e porque sei que tenho alguns seguidores da área artística e que nem sempre concordam comigo, porque é que com tantos bons artistas, neste caso actores, mais velhos, e com excelentes competências, contratamos actores mais jovens (alguns bem medíocres) e caracterizamos os mesmos para fazerem papéis de mais velhos? Talvez como disse Larry Gelbart, a única forma de evitar a discriminação etária em Hollywood seja mesmo morrer jovem...

 

Fica aberto o espaço para falarmos um pouco mais sobre o tema e não dizermos que somos apenas contra a discriminação etária porque sim, no entanto, acredito que uma larga maioria se esteja, e passo a expressão, a borrifar para isso. Espero, contudo, que este meu último pensamento esteja errado...

 

Este texto foi escrito e inspirado num alguém que contra tudo e contra todos conseguiu virar a mentalidade de uma multinacional (em Portugal) e também contra todas as expectativas mostrou que os mais velhos podem fazer a diferença nas organizações. Este texto foi inspirado em todos aqueles que, como eu, já tiveram acesas discussões, muitas vitórias e muitas derrotas para que alguém mais velho ficasse com a posição. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Banhos, Ciência de Esquina e Banhadas...

por Robinson Kanes, em 30.05.20

London.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Ontem, violando os deveres do confinamento, sentei-me na esplanada do costume, não a "Taberna dos Cabrões", mas aquela que já deu azo a grandes artigos.  Foi por lá que se fizeram alguns balanços da semana entre choco frito, cerveja Sagres da "botella" (a imperial esgotou), martini, gin só com limão e sem água tónica, azeitonas, queijo de Azeitão e bochechas... Agora lembrei-me do...

 

O primeiro balanço saiu da boca de um marialva daqueles que não compreendia como é que se defende o confinamento e o distanciamento social e depois se disputa nas televisões palco mediático por idas à praia, ainda por cima antes da abertura oficial da época balnear e perto de bairros onde a bomba começa a explodir e só são importantes para a selfie popular (lembrei-me do funeral popular que se faz em Alcochete) ou para o Banco Alimentar Contra a Falta de Fome. Na ausência da bola, é preciso continuar na senda da popularidade com alguns relatos de autênticas "banhadas" que mais parecem um Benfica-Sporting. Não foi o marialva, fui eu, mas não convém sempre dizer que sou eu... 

 

Entretanto, uma das grandes figuras de Alcochete, toca noutro ponto: mas porque raio é que temos de andar a colocar sempre o nosso dinheiro nas mordomias da TAP? Porque é que a TAP interessa tanto? Além dos votos e dos conluios, anda toda uma súcia de desejosos em nacionalizar a mesma... Aprendam com a Lufthansa, a Alemanha não serve só para nos dar dinheiro. E mais não digo, antes que a música seja outra, como disse "em tempos" um dos patrocinados do regime e alguém que confunde a pasta de ministro com a de ditador, com todo o respeito pelos segundos que subiram, mal ou bem, a pulso.

 

E numa zona onde alguns comunistas abundam, especialmente os que são financiados pelo Orçamento de Estado, são muitos o que questionam porque é que um dos espectáculos mais duvidosos em termos legais e de pagamento de impostos vai ter uma cláusula especial lá para início de Setembro. Aqui a conclusão foi fácil: "vamos lá e rebentamos com aquilo tudo". Denotem que isto foi o proprietário de um pastor alemão que usa sapato de vela, veste camisa Ralph Lauren e usa calças de montar a proferir - após a décima segunda cerveja (e sempre são 33cl x 12).

 

Finalmente, e depois de ter recebido da Suiça um link com muitos smiles, link esse de uma publicação daquelas revistas de especialidade cujos artigos são sempre com os mesmos, ninguém conseguiu deixar de estar inquieto com Miguel Pina Martins - um senhor que aparecia muito, depois deixou de aparecer quando a fraca procura de acções em Bolsa se deu e agora volta em força como porta-voz de mais uma associação - um aparte: nunca vi um país tão pequeno com tantas associações, e olhem que sempre me ensinaram que menos é mais.

 

Este indivíduo, cujo mérito no desenvolvimento de um conceito de brinquedos é notório, uma ideia brilhante, aplica o discurso ameaçador do "ou nos dão aquilo que queremos ou fechamos", no habitual atirar de números para o ar e declarando guerra aos senhorios, particularmente aos proprietários de centros comerciais que, no entender deste, deveriam ser "penalizados" pois os custos são inferiores aos dos arrendatários. Para um gestor, o conceito de investimento e retorno do mesmo deveria ser mais claro, além de que, sendo moralmente condenável ou não, lá porque eu estou a sofrer, o do lado não tem que sofrer também - chama-se economia de mercado. Além disso, não basta criar conceitos e desenvolver produtos e ficar à espera que seja o mercado a vir ter connosco, até porque este n\ão é estanque, cada vez menos.

 

Pina Martins pede também ao Estado, os famosos empréstimos a fundo perdido e mais um sem número de privilégios para o retalho, dando a entender que o retalho são somente as lojas de centro comercial ou as mais conhecidas. Chego a ter dúvidas que muitas organizações empresariais ligadas ao retalho tenham esta visão. A repetição do discurso da crise, do dinheiro grátis e da chantagem está à vista, mas...

 

... em nenhuma linha vi Miguel Pina Martins tecer planos para o futuro, nomeadamente no médio-prazo. Também não vi Miguel Pina Martins focar-se nas novas formas de fazer chegar o produto ao consumidor final, acabando por defender (e colocando esse escolha no próprio consumidor - anda a falhar na análise) o tradicional comportamento retalhista da ida à loja. Existiu uma crise com proporções dantescas, mas falamos no regresso ao que era, do "vai ficar tudo igual"... É o mundo a mudar e "vai ficar tudo bem" não é o mesmo que dizer "mais do mesmo"! Se num país com economia dinâmica e sem esperar subsídios do Estado a toda a hora, esta visão arruina qualquer empresa. O comércio online, desafios logísticos, reconversão dos colaboradores, formas de investimento, estratégia nacional e internacional, desenvolvimentod e produtos, nada disso é falado, nada! Até o hype do "teletrabalho" é deixado de lado, para alguns, já coisa do passado. E de facto até é, pois nos últimos meses parece que descobrimos a pólvora, a verdade é que já tinha sido descoberta há décadas...

 

Pergunto, aliás, perguntamos todos a Miguel Pina Martins: fundo perdido? Em que mundo é que vive, Miguel? Pelo facto de sermos o país das borlas e do esmaga orçamentos (em tudo) é que também não evoluímos muito, mas permita-me dizer-lhe que não é motivo para trazer essa questão à praça. E olhe que vi empresas a encerrar nesta fase porque (até arrogantemente) se recusavam a ser financiadas pelos impostos de todos nós e a ouvir associações que só criam entropia e defendem interesses que vão muito além dos interesses de todos os associados. A nossa recomendação, Miguel, venha mais para a esplanada e passe menos tempo nos media. Venha discutir connosco e ensinar-nos qualquer coisa... Olhe que até nos enfrascamos de surface  e gráficos na mão, mas uma coisa é certa, nunca nos lembraríamos da dos fundos perdidos e do regresso ao que era.

 

P.S.: também falámos de coisas boas, sobretudo quando se chegou ao gin. Nasceu um burrito que está cada vez mais brincalhão e ainda ninguém conseguiu perceber como é que eu não sendo um aficionado, mas apaixonado pelos touros no campo, continuo a ter excelentes momentos com aquela malta... 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sardinhada pela Liberdade de Imprensa...

por Robinson Kanes, em 26.05.20

556194-e1485094470170.jpg

Créditos: https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/e-se-andre-ramos-falar-verdade-18040

 

Hoje a sardinhada é temperada com fraca ética e com muitas especiarias à base de liberdade de imprensa... Espero que as sardinhas não venham a sair queimadas ou fechadas numa lata. Acompanhem-nos aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Prescrição Perpétua...

por Robinson Kanes, em 20.05.20

Antonio Allegri (Corregio) - _Descanso na fuga parAntonio Allegri (Corregio) - "Descanso na fuga para o Egipto com São Francisco" (Le Gallerie Degli Uffizi) 

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel Garcia Márquez in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

Não há muito que elaborar neste artigo, basta colocar nos escaparates deste local pouco agradável a seguinte citação, depois da Comissão de Protecção de Crianças, Jovens e Pessoas Vulneráveis da Arquidiocese de Braga ter sido confrontada com a ocultação de dois casos (que se conheçam) de abuso sexual de menores por parte de sacerdotes: "canonicamente prescritos".

 

Depois de "Ballet Rose" continuar a ser um escândalo e continuar presentemente ocultado (e já dura há mais de meio século) porque altas figuras do regime de Salazar e depois da Democracia ainda se encontram vivas e outras, apesar de falecidas, não podem ver os nomes manchados... Depois do processo Casa Pia ter sido a pouca vergonha que foi com leis aprovadas na Assembleia da República à pressa para ilibar altas figuras do Estado (da época e de hoje), ler "canonicamente prescritos" não me deveria espantar. Mas espanta...

 

Chocados ficamos com as Valentinas, com os casos de abuso sexual de menores em meios vulneráveis (isto se forem notícia, caso contrário é tema pouco interessante) mas como cidadãos deixamos que o crime de abuso sexual de menores em Portugal continue a ser uma coisa ligeira, um crime de roubo de carteira por esticão e em alguns casos, até uma questão cultural. Até em meio prisional os reclusos têm mais sensibilidade para "castigar" estes criminosos do que propriamente a nossa política, a nossas instituições sociais e claro, nós cidadãos.

 

Canonicamente prescrito é a desculpa ideal para ocultar crimes de abuso sexual de menores (e continuo a repetir a expressão) sem que ninguém se preocupe muito com isso, porque a Igreja, sobretudo em Braga é uma real instituição que vai dispondo de alguns interesses da cidade como quer, e o beijo na cruz é transversal se queremos ter sucesso por lá. 

 

Para estar acima da lei num dos crimes mais hediondos que se podem cometer basta dizer que está "canonicamente prescrito"! Uns dizem que se estão a "cagar para o segredo de Justiça" (é ele sim, o Presidente da Assembleia da República), outros dizem que as leis dos homens não estão acima das leis de meia-dúzia de indivíduos que utilizam a ortodoxia em proveito próprio e continuam a não ter qualquer pejo em cometer crimes contra a Humanidade. 

 

Até lá,  vamos continuando intelectualmente e criticamente prescritos... Pelo menos até serem os nossos filhos a serem abusados pelas sotainas. Interessante a semelhança da palavra com Satanás.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Desacatos no Parque...

por Robinson Kanes, em 18.05.20

PSP.jpg

Créditos: https://www.vieiradominho.tv/esquadra-da-policia-do-bairro-bela-vista-atacada-com-cocktails-molotov/

 

E dos desacatos do fim de semana na freguesia do Parque das Nações? Onde é que estão as associações de defesa dos cidadãos que foram atormentados com os mesmos? Onde andam as tulhas repletas de comentários e artigos de opinião?

 

E ser PSP em Portugal? Ser PSP em Portugal significa ter um coro de criticas quando se faz o trabalho em prol dos demais e cair no esquecimento quando sofre na pele à mão de muitos que impunemente continuam a dançar entre os pingos da chuva da Justiça.

 

Enquanto este silenciamento continuar e impavidamente ocultarmos este tipo de situações ou adoptarmos o discurso do politicamente correcto com toques de "caça-likes" e do "não vou falar contra a corrente", não vamos resolver o problema. Vamos, aliás, alimentar o discurso dos "Venturas" que tantos com espaço na praça procuram eliminar. Só estão a alimentar a máquina...

 

Finalmente, quem é que defende o cidadão trabalhador português? Quem é que defende o cidadão cumpridor da lei em Portugal? Quando um cão morde um homem devia ser notícia, mas em Portugal dá-se exactamente o contrário e a escalabilidade de algumas situações está aí.

 

Este tipo de questões não se resolve com selfies (ou na sua nova versão de papagaismo-mor selfies do vírus) mas sim com acções concretas e musculadas, num país onde além de existirem cidadãos de segunda e de terceira (consagrado em Constituição) ainda existem aqueles que têm mais diretos, mais impunidade e menos deveres que os demais. Isto não é Democracia, é, como alguém dizia, uma "piada de mau-gosto".

 

Uma Nota final:

E aos criticos da também "fraca" actuação da PSP, lembrem-se que não é fácil controlar uma multidão de 100 pessoas, algumas delas armadas e no seu território e além disso ainda terem de lidar com a pressão dos media e com um representante máximo da nação que as destrói num discurso hipócrita e de aproximação ao criminoso em detrimento da autoridade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

IMG_0874.jpg

Orazio Borgianni -  "A Visão de São Jerónimo" (Musée du Louvre)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Whenever two people meet, there are really six people present. There is each man as he sees himself, each man as the other person sees him, and each man as he really is.

William James in, "The Principles of Psychology"

 

 

Agora que já todos assassinámos os dois suspeitos pela morte de uma criança em Atouguia da Baleia. Agora que todos nós, que falamos de direitos e democracia como paladinos do bom comportamento, já enforcámos sumariamente no pelourinho dois suspeitos de um crime - suspeitos, importa reforçar - é importante perceber que talvez estejamos apenas a analisar e a adquirir opiniões emocionais e de revolta popular com base em apenas 1% do processo.

 

Enquanto somos rápidos a tecer julgamentos na praça pública (e ainda bem que existe a Justiça para não ceder às nossas emoções), não somos tão rápidos a perceber o que é que tantas vezes está à nossa volta. Não somos tão rápidos, a denunciar o crime de violência doméstica (e violência doméstica não é só o matulão a bater na mulher indefesa) que acontece mesmo ao nosso lado. Não somos tão rápidos a perceber as circunstâncias sociais que revestem este tipo de casos. Somos rápidos a defender o politicamente correcto e a cair rapidamente na onda mediática da espuma dos dias, acabando, por intermédio do nosso comportamento por tropeçar naquilo que repudiamos.

 

Na verdade, enquanto não largamos a onda geral e paramos para pensar de forma critica, não reparamos que estes episódios, salvo muito raras excepções, não se concretizam num dia - existe todo um historial por detrás e que, mais uma vez, é do conhecimento das instituições, das autoridades e inclusive dos vizinhos, os tais que não se inibem de opinar dizendo que "já sabiam que aquilo acontecia".

 

Na realidade, ao exigirmos a morte imediata de suspeitos, e volto a reforçar, suspeitos, estamos de uma forma ou de outra a procurar na morte de outrem, que também tem direitos consagrados na Constituição e em todas os códigos abaixo desta, a nossa forma de exclusão de responsabilidade.

 

É utópico pensar que salvaremos todas as crianças, todas as mulheres e todos os homens, pensar o contrário é tolo. No entanto, não é utópico estarmos mais atentos, ao nosso pequeno bairro, ao nosso pequeno mundo e acima de tudo às nossas instituições. É a elas que devemos exigir trabalho e competência, é a nós próprios que devemos exigir deveres (sim, deveres, palavra tão complexa) de cidadania. 

 

É necessária cautela, porque condenar alguém sem o devido processo judicial pode levar a erros gravosos, pode inclusive levar à "condenação" de inocentes. Não podemos defender um Estado de Direito uns dias, e defender milícias populares nos outros. Importa também, ter em conta que os resultados destes processos, devem servir para acautelar situações futuras. Tanto profissionais judiciais, como profissionais de saúde mental, profissionais de serviço social e nós cidadãos devemos acompanhar e analisar com toda a atenção, porque também nos cabe a nós garantir que este tipo de situações não atinge uma escalabilidade que acaba por se consumar em crimes hediondos.

 

E depois do show off mediático e do "eu também tenho opinião" (como se alguém se importasse com isso), quantos de nós nos debruçamos sobre o processo, sobre o desfecho e sobre as conclusões? Preferimos a poesia ou a revolta do momento...

 

Finalmente, uma nota, embora sem total conhecimento do processo: está aí mais um alerta para provar que a saúde mental não é o caixote do lixo do sistema de saúde. A saúde mental, não é nem pode ser um tema de lifestyle, um tema de programas de televisão em que o profissionalismo de alguns deixa a desejar, sem contar com aqueles que falam de saúde e bem-estar mental como se fosse uma trend new age ou porque lemos meia dúzia de coisas na internet e achamos que somos bons conselheiros.A saúde mental é um tema sério, e que tem de ser gerido com a devida honestidade e valor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

8666655_orig.jpgCréditos: https://jaypgreene.com/2016/06/28/ed-reform-is-animal-farm/

 

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar estra contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado. Em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do mobbing, do ódio social.

Konrad Lorenz, in "Los ocho Pecados Mortales de la Humanidad Civilizada"

 

Nos últimos dias tenho andado alheado da realidade nacional como um todo. O trabalho tem-me consumido e o pouco tempo disponível, admito, é dedicado a quem está perto, ou melhor, àqueles que, por segurança podem estar perto - os outros ainda esperam. 


No entanto, ontem, vésperas de 1 de Maio, em plena Praça da Figueira, ao avistar uma viatura de matrícula recente e com megafones montados, pensei ser mais um daqueles avisos a enviar as pessoas para casa. Poderia ser, mas não era, era uma viatura nova a enaltecer uma central sindical, a CGTP, e a convidar à participação (em plena rua) na manifestação do 1º de Maio. A crise automóvel fica mais atenuada com as compras sindicais...


Com o país, aliás, com o mundo fechado há meses, com a quase proibição de estarmos perto de quem amamos, dos nossos familiares, dos nossos amigos, dos nossos empregos, das nossas segundas casas, dos nossos espaços, inclusive com limitações à liberdade de circulação que fariam corar de vergonha um Mussolini ( quem não apanhar esta última, pode perguntar ao nosso Presidente da República, simpatizante da causa quando os tempos eram outros) abrimos mão de tudo isso para que um conjunto de indivíduos, que de democrático parece ter pouco, possa fazer algo de máximo interesse e inadiável - defender uma ideologia. Aliás, nos ultimos tempos tenho percebido que, aqueles que mais apregoam liberdade e direitos são so que no segundo seguinte ao discurso decorado fazem exactamente o seu contrário. Mas é preciso desfilar e espalhar a ideologia bacoca, em que poucos acreditam e querem acreditar, mas que continua a minar as decisões de um país! Fechamos a economia, mas permitimos manifestações que de novo nada trazem! 


É verdade que os sindicatos e a aceitação destes é boa para o voto governativo e presidencial, além de que, muitos deles, acabam sempre por defender diretos (deveres, poucos) de classes profissionais que já são das mais privilegiadas. Dá sempre jeito defender os que vivem do Estado, para o Estado, da sombra do Estado e deixar que uma maioria viva num ambiente patético, sem esquecer os pobrezinhos - esses também são importantes para a foto e para alimentar alguns impérios que incluem misericórdias, bancos alimentares e tantas outras IPSS. Distribuir comida em tempos como os de hoje, de fato e gravata e ainda participar numa selfie, nem Tarantino faria melhor!


Hoje, muitas bestas ficarão em casa retidos, nem do seu concelho de residência poderão sair, em último caso arriscam mesmo a detenção e para quê? Para que as bestas que andam sempre com o conceito de liberdade na boca, possam sair à rua! Honestamente, um povo com um pingo de cidadania, hoje poderia sair à rua, ir para as praias e para os cafés, viver como se nada tivesse acontecido. Esse povo, apesar do dispartate que estaria fazer, mostrava, pelo menos, que de palhaço teria pouco... Mesmo que, em alguns casos, tal significasse sacrificar uma certa estabilidade paternalista com tentáculos familiares, sociais, profissionais e partidários.

 

Fechamos a economia, ignoramos os verdadeiros especialistas e fazemos reuniões semanais com meros académicos e boys partidários de forma a corroborarem a decisão política, abalamos os laços sociais, fechamos o mundo como o conhecemos. Todavia, manifestações que cedem a estranhas pressões de um poder político e social bafiento podem ter lugar - de facto, já estamos habituados a que nos cuspam, mas... Fechamos um país e impomos, em alguns casos, estranhas regras que um povo inteiro questiona e nem sequer é ouvido, ignoramos os verdadeiros especialistas, mas deixemos que uns possam sair à rua para defender ideologias políticas e fechamos os outros em casa, normalmente aqueles que pagam as mordomias dos que nas ruas desfilam.


É razão para citar Orwell e chegar à conclusão que "todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros".

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens







Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB