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Irrepresentable...

por Robinson Kanes, em 22.01.21

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Imagem: GC e Robinson Kanes

 

Mon royame est de c'est monde.

Albert Camus, in "L'Envers et l'Endroit" (Amour de Vivre) - Camus cita os gregos contrariando o que Cristo respondeu a Pilates em João, XVIII, 36 

 

Não tento sobreviver ao vírus, tenho as minhas cautelas, os riscos existem, isso basta-me para me sentir bem - no que concerne à desgraça, lamento não dar para o peditório, usando as palavras de um dos visitantes deste espaço.

 

Procuro sobreviver ao agudizar da hipocrisia (agora as políticas governamentais já são más, mas há uns meses chamavam a quem tal afirmava de idiota) numa fase em que temos de garantir a paz e a calma, agora é tarde e também é cedo para apontar armas. Agora não é tempo de discursos da moral, das opiniões que mudam segundo as redes sociais, segundo a turba e as diferentes plataformas, noticiosas e não noticiosas. Como se muda de opinião de um minuto para o outro, hoje em dia... Ainda bem que tal, maioritariamente, só acontece a quem usa o teclado de forma pública... Ainda bem...

 

Tento sobreviver ao pânico e ao medo, não em mim, mas junto de alguns que me rodeiam, não é fácil quando tenho uns minutos face aos meses de invasão grosseira da mente que  tantos continuam a perpetrar a troco de leituras e audiências. Talvez agora me chamem de idiota, como "chamaram" há uns tempos... Mas perdoem-me não resistir ao mordaz e cínico: eu bem dizia! Leia-se eu como um grande "nós".

 

Não exploro esta situação como uma espécie de carona invertido, não me coloco como especialista em saúde, apenas alguém que diz umas coisas e que parece que ao invés de procurar holofotes, teima em disparar sobre qualquer luz que se acenda - uma busca por não sofrer por aquilo em que não acredito, pois isso faz-me não acreditar na vida e não a pretendo jogar à aventura, socorrendo-me aqui "Do Mundo Original" do grande VF . Talvez um dia me arrependa, quiçá... 

 

Nessa sobrevivência, e não sendo um homem que aprecie as quatro paredes de um escritório, por vezes é necessário uma retirada, não gosto da palavra meditação... Sair das gentes, pensar a sós, isolar-me desse mundo nem que o escritório mais formal dê lugar ao assento de um carro ou mesmo a um tijolo qualquer numa praia ou beira-rio desprezada e pejada de detritos. 

 

Retiro-me, não escuto o "Addio a Palermo", de Morricone e composto para o filme "Corleone", como por estes dias mencionei ao amigo João-Afonso. Procuro outras sonoridades, talvez me faça bem agora o "Vacío Sideral" de Miguel Ángel Delgado e do espectacular albúm "En Mundo en la Boca".

 

Deixo que o vento me misture os pensamentos, o meu reino é, de facto, deste mundo... De um mundo que desconheço e que rapidamente oscila entre o discurso mais terno e a mais ignóbil descarga de ódio. Um mundo de faz de conta ou talvez não... Talvez esse reino seja mesmo assim e os restos de acomisme sejam isso mesmo, detritos de uma esperança que nunca se concretizará - o melhor dos mundos poderia ser hoje e não é, porque terá de ser no futuro que se avizinha ainda mais desafiante e sedento de Homens sem conseguir livrar-se de wannabes. A Terra bem roda... Mas teima em não conseguir sacudi-los para fora da sua órbita ou sequer transformá-los em húmus transformando podres almas em saprófitas.

 

Acabo este texto a ouvir Davide Salvado, e o seu galego inconfundível... Talvez o "Aire" de um dos melhores músicos da Ibéria me possa inundar e me dar todas as forças para vencer mais um dia em que sei que tenho de estar bem para que outros também possam estar. Preciso dos ares de lá... Sufocam-me os ares de um rectângulo fechado sobre si próprio... Um rectângulo irrepresentable de García Lorca mas com uma náusea perpétua cujas metástases corrompem um dos solos mais ricos do Mundo.

 

São horas de levantar, aguardo mais uns minutos. Fecho um pouco os olhos e deixo que o Tejo se transforme na Avenida de la Constitución em Granada... Permito-me, eventualmente, a ter dois dedos de conversa com o poeta e com o dramaturgo acerca da revolução social antes de voltar ao reino.

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Créditos: https://pixabay.com/pt/photos/motor-ciclo-3260697/

 

Sabendo que existem múltiplas ocorrências em que a actividade que um centro de estudos, um ATL ou uma creche diz desempenhar é efectivamente aquela que podemos verificar, existem situações em que a lei é contornada em todas as suas formas... E a recente polémica relacionada com o encerramento destes espaços veio confirmar algumas áreas mais obscuras como sucedeu com os lares ilegais que praticamente toda a gente sabe que são às centenas mas parece ser normal e até encarado como se de estabelecimentos legalizados se tratassem.

 

Se existiam dúvidas que muitos centros de estudo e ATL eram somente depósitos de crianças, essas dúvidas ficaram dissipadas. Não são raros os casos em que para fugir à lei (e aos impostos) muitos centros de estudo não são aquilo que dizem ser. São meras creches ou então depósitos de crianças que não reúnem as condições (inclusive em termos de dimensões) para exercer uma actividade que implica outras licenças e outras prerrogativas. Se fizermos algumas pesquisas às notícias dos últimos dias, vemos pais que deixam as crianças nestes centro de estudos de manhã e só as recolhem ao fim do dia... Também a actividade de muitos ATL pode ser questionada, pois para mim, ainda me faz uma certa confusão se Actividades de Tempos Livres ou de Enriquecimento Curricular são somente brincar com jogos de tabuleiro, atirar bolas uns aos outros ou ficar sentado (muitas vezes no chão) a ver televisão e muitas vezes acompanhados por indivíduos não habilitados para as funções. Não tenho filhos, mas se fosse pai, pensaria duas vezes antes de colocar o meu filho numa espécie de "filhão".

 

Esta situação leva a outras que tenho ouvido pontualmente e que se referem ao impacte destes espaços em, por exemplo, prédios habitacionais. Ora se uma creche tem de obedecer a vários trâmites e normalmente até estão localizadas em edifícios independentes, um Centro de Estudos ou um ATL, não raras vezes, estão situados em infraestruturas habitacionais o que levanta, normalmente, situações relacionadas com ruído e até riscos para a segurança das crianças e daqueles que habitam no mesmo prédio.Todavia, esse parece não ser um problema, o que é de estranhar, pois se tivermos em conta que para ter um pronto-a-vestir tenho de reunir mil e uma condições, por vezes descabidas de qualquer nexo. 

 

Casos destes pululam por aí, e não parece existir por parte dos municípios e do próprio Governo, vontade em rever este género de situações... Também não raras vezes, estes estabelecimentos são explorados a tempo inteiro por indivíduos que deveriam estar a prestar um serviço público pago por todos nós mas que ninguém consegue conceber como é que conseguem estar num local e no outro ao mesmo tempo...

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A dokinni vai dar cabo disto tudo...

por Robinson Kanes, em 11.01.21

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Imagem: instagram

 

Este mundo precisa de tudo menos  de informação suplementar.

Michel Houellbecq, in " Extensão do Domínio da Luta"

 

Em Portugal começa a nascer uma nova trend: o "caronismo". Esta tendência é uma espécie de prática em que médicos com vontade de serem mais estrelas de televisão do que propriamente médicos (e que provocam em muitos profissionais da área estupefacção) se colocam como os profetas da desgraça. Vale tudo... Vídeos, livros e espaços de opiniões em telejornais que os colocam como peritos em várias especialidades médicas... Não fossem os canais informativos uma peça importante na transmissão de notícias, muito provavelmente nem nunca falaria sobre Ana Isabel Pedroso, médica no Hospital de Cascais. Os Médicos de Matosinhos e Cascais têm sempre outro... estão a ver? Também é importante que a TVI não se esqueça de mencionar a actividade no privado, afinal não é mal nenhum, bem pelo contrário, mas fica bem, mesmo que não agrade àqueles que só defendem SNS ou não vejam com bons olhos que um profissional de saúde trabalhe nos dois lados da barricada. 

 

Um destes dias, pois não tendo eu televisão, juro que ligo para a operadora para cortar alguns canais à minha mãe...

 

Confesso que Robinson Kanes tem muito que se lhe diga, mas se uma "dokinni" (nome pelo qual esta profissional é conhecida na rede social instagram) me vier dizer que o Mundo está a acabar e vamos todos morrer de SARS-Cov-2, admito que é possível que ao invés de fugir para a Marateca, muito provavelmente me vou meter no meio da Festa do Avante e sem máscara, especialmente durante aqueles concertos em que os pontapés e as orgias à belga são uma constante. Ana Isabel Pedroso (ou Dra. Ana Isabel Pedroso como se intitula ao mesmo tempo que diz ser a fofinha "dokinni") seguiu a linha que alguns profissionais de saúde tentaram seguir em Itália, aproveitando publicações do "La Repubblica" ou do "Corriere della Sera" para surgir num canal informativo (TVI 24) a anunciar o caos (actos isolados que em termos de comunicação dão sempre uma óptima imagem) e a mostrar o rosto com as marcas da doença, ou melhor com as marcas das horas dedicadas ao combate à doença. Este conceito já está esgotado em Itália... E até gerou alguma controvérsia face aos médicos superstar. Poderia ficar chocado, é um facto, mas afinal parece-me um rosto de "fim de festa" ou de quem tive mais um dia de trabalho... Anormal? Não.

 

A "dokinni", que como Carona se queixa das horas sem fim a trabalhar  mesmo sendo remunerada por isso, é a mesma, também como Carona, que sempre arranja tempo para a televisão e auto-promoção. Anunciar o fim do Mundo com um "A terceira vaga está a rebentar com isto tudo" assusta-me... Quando um médico vem para a televisão sem quaisquer dados fazer destas afirmações é uma espécie de antigo Ministro da Propaganda iraquiano invertido em que ao invés de manter a calma sai pela rua aos gritos com um "fuuuuujam". Depois de um meu familiar ter ouvido um colaborador de um hospital dizer que era "mais uma para morrer naquela sala", também já espero tudo.

 

Mas... Por falar em marcas, sugiro que a TVI 24 comece um novo programa que fale das marcas do trabalho dos portugueses, tem cerca de 10 milhões de candidatos... Bem, 10 milhões não, talvez seja em demasia, mas percebem o que eu quero dizer. Os candidatos poderão também contratar uma agência de comunicação ou perceberem se têm amigos produtores no Whatsapp.

 

E como não gosto de falar das pessoas sem dar uma vista de olhos por alguns aspectos da vida pública das mesmas, lá dei com uma "dokinni" que já é presença habitual nas televisões e também, pelo teor dos comentários, amiga de caras dessas mesmas televisões... Portanto, está explicado. O problema é que este tipo de favores, facultados em canais informativos, só reforça o discurso daqueles que têm os media como uma das maiores ameaças à estabilidade dos nossos tempos.

 

Finalmente, também é interessante ver a tristeza de uma médica que tira uma selfie com marcas da batalha, enquanto improvisa um bico de pato ao mesmo tempo que partilha publicações de quem está muito bem na vida e percorre o caminho daqueles que almejam ser estrelas com vídeos pseudo-educativos mas que colocam o interlocutor como um idiota ou discursos inspiradores dignos de um qualquer Gustavo Santos. Também sugiro à dokinni, que faz questão de mencionar que é a Dra. Ana Isabel Pedroso que apesar da profissão, não é "enxerto" que se escreve, mas sim "excerto". É que isto de ser Dr...

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"Por qué no te callas" Mário...

por Robinson Kanes, em 06.01.21

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Créditos: https://sol.sapo.pt/artigo/645257/vice-do-conselho-da-magistratura-critica-excessos-de-linguagem-nas-sentencas

 

Se o medíocre se associa ao medíocre,  a arte de imitar, só produz mediocridades.

Platão, in "República"

 

 

É incrível como é que a questão da adulteração de um CV para fazer passar um indivíduo num crivo de um concurso internacional gera tanta polémica em Portugal. Será que estamos a evoluir e agora ao invés de termos 90% da população adorar uma boa cunha, um favor ou a mentir sobre a experiência profissional, só temos 60%? Pior ainda quando a escolhida/preferida é outra pessoa que já não importa tanto por causa das apertadas "golas".

 

No entanto, como diria o saudoso Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. O que me traz aqui é um Secretário de Estado Adjunto da Justiça que diz o seguinte sobre alguém que descobriu mais um esquema que envergonha qualquer um: "Quanto ao facto de ter sido retirado do Portal da Justiça um comunicado, a razão é simples: a dignidade das instituições e a autoridade democrática do Estado não permitem que dirigentes demitidos usem plataformas e serviços públicos como se fossem quintas privadas.". Parece-me bem, aliás, espero que Mário Belo Morgado faça disso exemplo para toda a estrutura da administração pública e local e a partir de agora esteja atento. Temo é que tenha de criar uma Secretaria de Estado só para isso. Isto é proferido no Twitter por um juiz superior e que já foi Director Nacional da Polícia de Segurança Pública (sim, é verdade, não estamos no Laos, mas é verdade)... Que sentido de responsabilidade! A censura e a falta de vergonha já não têm m limites quando para se destruir e achincalhar ainda se cai numa cinca bem pior.

 

Mas quem é o Mário? Refiro-me a este cavalheiro como Mário porque tenho dúvidas se será juiz ou político profissional tal é o número de cargos que já ocupou e que me levanta dúvidas entre aquilo a que se chama separação de poderes. Também é de estranhar que em Portugal existam tantos juízes ligados à política, quer por intermédio de cargos ocupados na mesma quer por distribuição de "benesses" aqui e acolá. O artigo de Nuno Gonçalo Poças que um amigo teve oportunidade de me enviar ontem, reflecte bem este estado da arte e a própria conivência do mais alto magistrado da nação com estes verdadeiros esquemas: o candidato Sousa, o mesmo que há mais de 20 anos continua em campanha eleitoral (descontado os anos em que queria ser o sucessor de Marcello Caetano e seguir as pisadas do seu ídolo Salazar), e nem se apercebeu que havia ganho as presidenciais. As intrigas e o comportamento de mulher de soalheiro não conseguem esconder que também Marcelo é um homem do regime e foge a sete pés quando tem que ser o Presidente diferente que diz ser. Espanta-me também (ou talvez não) que tenha sido Nuno Gonçalo Poças a fazer uma pesquisa tão aprofundada (onde nem a Ministra da Justiça escapa) sobre esta teia e não um jornalista.

 

Mas de facto, o Mário é perito em dizer uma coisa e o seu contrário o que, para um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, me faz pensar se tem estofo para a profissão que exerce. O Mário é o mesmo que defende abertura da justiça, que esta não deve ser secreta, mas depois gosta de mostrar tiques de censura no Twitter, sem esquecer que o secretismo em torno das actas do Estado de Emergência - para o Mário, estas não deveriam ser públicas. Mas voltemos às quintas, algo que o Mário parece não gostar, mas esquece que em 2018, emitiu um despacho como Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura onde pedia para ser consultado pelos magistrados das suas intenções de adiar processos e leituras de sentenças. Esta situação não ocorreu propriamente no seguimento de um processo em que um os visados tinha roubado fruta de pomar alheio, sucedeu nos casos de Duarte Lima e dos Vistos Gold.

 

Finalmente, o Mário que parece ter mais estofo para estar agarrado ao poder do que para ser juiz, é aquele que não foi reeleito para o cargo que ocupava no Conselho Superior de Magistratura, e até eu consigo entender o porquê: quem passar pela página do instagram da candidatura do mesmo fica com ideia que a Justiça é um pouco como dizia o saudoso Jeroen Dijsselbloem acerca dos mediterrânicos: "mulheres e copos". Chego a pensar se o Conselho Superior da Magistratura, no entender do Mário é uma espécie de Gambrinus ou efectivamente uma Tasca do Careca, mas com pior aspecto. Além disso o Mário não dispensa aquele nacional contração espasmódica de sacar umas boas selfies nas cadeiras do avião.

 

Na verdade, acredito que, como referiu em tempos o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, "os juízes reprovam essa situação (justiça de mãos dadas com a política), não por constituir uma ilegalidade (...)mas porque pode levantar problemas de ética”. Custa-me, embora reconheça a legalidade, ver juízes em cargos de confiança política, sem que abdiquem para sempre da profissão. No meu entender de cidadão, de Democracia e princípio da Separação de Poderes, tem muito pouco e se a isso juntarmos as ligações que muitos também têm com o futebol, dará que pensar se vivemos efectivamente nessa Democracia em que julgamos estar. Afinal quando temos alguém que exerce o cargo de Ministra da Justiça toma posse como juíza do Supremo Tribunal é o reflexo do estado ultrajante e totalitarista a que chegámos... Se voltarmos bem lá para trás, muitos dos envolvidos na teia que Poças apresenta ainda são encontrados no caso Casa Pia e em alguns factos que envergonhariam qualquer Democracia... Roma pagava bem aos seus generais, e pelos vistos na Lusitânia também os pulhas pagam bem aos seus bandalhos.

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Do Neocarpideirismo...

por Robinson Kanes, em 07.12.20

vultures-4600468_1920.jpgCréditos Nel_Botha-NZ /Pixabay

 

O neocarpideirismo parece ser uma arte que veio para ficar com as redes sociais o com o "look at me", uma espécie de evolução daquilo que foi o carpideirismo.

 

Mas o que foi essa ciência do carpideirismo? Imaginem umas moças contratadas ou convidadas para carpir em honra dos defuntos para conseguir que as famílias e amigos destes mostrassem à freguesia que aquele corpo em câmara-ardente tinha sido um indivíduo muito conhecido e que será por todos para sempre recordado. Referi moças mas mas normalmente eram aquelas velhas viúvas ou solteiras que andavam sempre de negro.

 

O carpideirismo era uma arte que atingia o seu real esplendor aquando do momento da descida do corpo à terra para se encontrar com Deus... Descer à terra para subir aos céus e assim encontrar a vida eterna... Interessante, mas no mínimo paradoxal... O choro e as lamentações, as flores e os gritos que ecoam pelas campas... "Ele eraaaa tãooooo boooom, coitadinhooooo". Era digno de ser, aliás, muitas sopranos foram contratadas no cemitério do Alto de São João.

 

Contudo, o carpideirismo esteve adormecido e voltou em força com novos artistas que recolheram muita da sabedoria desses anos e o adaptaram aos novos tempos, nascendo assim, o neocarpideirismo. E o que é o neocarpideirismo?

 

O neocarpideirismo, ao contrário do primeiro, sai mais barato. A chusma agora voluntaria-se para ser carpideiro. Além de ser mais barato, já não é só composto por velhas e viúvas de negro, mas por gente de todas as idades sendo que agora é mais direccionado para caras conhecidas. E é aqui que encontramos uma das grandes diferenças: antes carpia-se para exaltar o morto, hoje anda-se a carpir para exaltar o carpideiro. Ou seja, sendo o morto alguém conhecido - mesmo que tenha sido um traste - é este que presta um serviço (também ele livre de custos) ao carpideiro.

 

Todos querem estar associados à morte de, seja por prestar sentidos pêsames a alguém que não conhecem de lado nenhum (e não raras vezes nem acompanharam da sua vida) seja para prestar condolências à família como se isso fosse importante. Muitos são os mesmos que não enviam uma mensagem quando alguém próximo empaveia.

 

Além disso o neocarpideirismo reveste-se do neoborreguismo, que é uma espécie de condenação daqueles que estiveram a chorar na morte do pai mas não se emocionam com a morte de um desconhecido. Mesmo que tenham sido os mesmos a ouvirem "é a vida, Deus assim quis"... Aquele cliché que fica sempre bem num funeral mesmo que o tipo seja ateu. 

 

No entanto, existe ainda uma elite dentro do neocarpideirismo, que são os carpidosapadores, sobretudo em redes sociais ou espaços de visibilidade e que emitem imediatamente o seu parecer e o seu pesar às 19h:00m quando a certidão de óbito marca 18:h59m. Eu tenho de confessar uma coisa... Aquela malta já só pode ter uma pasta com uma caterva de nomes e a cada um tem atribuido um epitáfio ou um triste texto de como aquele que parte era gente de bem e que marcou para sempre a sua vida. Existem alguns que também se atrasam e fazem sair o documento depois de perceberem que aquilo está a ganhar tracção pois ao anteciparem-se podem ferir o politicamente correcto, não vá um opinion-maker tecer algum ódio ou divulgar algum pormenor escabroso. Ninguém gosta de ficar mal na fotografia.

 

Igualmente, alguém ainda me há-de explicar - esta arte não é para todos - como é que alguém que sofre tanto com a morte de outrem, nos minutos seguintes já consegue ter uma música, um poema, um texto de 200 páginas ou um filme e estar de cinco em cinco minutos a disparar "instas" e "tweets". Eu admito que não sou capaz, mesmo quando não quero dar nas vistas e conto mesmo dizer algo verdadeiro. Bem, mais ou menos, porque algumas vezes se for verdadeiro é possível que diga algo como: o gajo também não era propriamente flor que se cheirasse, convenhamos.

 

Existe também o taberno-carpideirismo que não foi alvo de grandes transformações. Este consiste basicamente numa colectânea de documentos que também alguém tem armazenada e pronta a sair sempre que alguém fenece. Mas como agora "não se" podem fazer piadas quando alguém nos abandona (nem dizer a verdade do passado de muitos), estes artistas tendem a circular numa espécie de underground como locais de trabalho, cafés, "whatsapps" e jantaradas de amigos... Normalmente, muito destes taberno-carpideiros também assumem o papel da elite acima referida, afinal a neohipocrisia também veio para ficar.

 

E finalmente, qual inquisição de novos saberes, existem os sucessores dos cristãos-novos, aqueles que em tempos gozavam com tudo e com todos e assim chegaram ao estrelato, especialmente nestas ocasiões, e agora são conhecidos por, sempre que a alguém  (de preferência que lhes traga retorno) lhe arrefece o céu da boca, serem os primeiros a lamentar tamanha perda com palavras bonitas e fofinhas.

 

Temos arte culta e adulta, como dizem os outros...

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Web FLOP e Web Dolo...

por Robinson Kanes, em 03.12.20

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Créditos:http://www.gplsalvador.org/site/noticias/page/11/

 

 

O céu é de todos e este mundo de quem mais apanha.

Raúl Brandão, in "A Farsa"

 

Em 2017 escrevi sobre a Web Summit, uma espécie de avaliação muito pessoal para o bem e para o mal. Acreditava no sucesso destes eventos, embora reconheça que os milhões investidos numa feira de vaidades dificilmente oferecem o retorno esperado, além de que, a época das feiras que trazem milhões em proveitos para vendedores e público já lá vai a não ser que queiramos comprar material militar. Atiram-se estimativas para o ar, dados pouco claros, mas nunca nada que seja certo. Ocupações hoteleiras, turismo, muitos jantares... Haverá uma estratégia a longo-prazo como existiu com a EXPO 98 e não queremos tornar público? Espero efectivamente que sim e sonho com o dia em que terei de me retratar.

 

A verdade é que a competição pela Web Summit foi abandonada por muitos países (todos com mais riqueza que Portugal) porque simplesmente o Sr. Cosgrave exigia milhões. Falamos de milhões que cidades como Barcelona, a título de exemplo, não estavam dispostas a pagar - um pouco na lógica daquelas propostas de patrocínio em que se vende a ideia de que o patrocinador vai pagar milhões a troco de notoriedade, não obstante, quando solicitamos números e resultados práticos os proponentes começam a falar do jogo do Benfica.

 

O senhor Cosgrave também é aquele tipo porreiro, visionário de um mundo melhor, mais tecnológico e menos capitalista. Um tipo porreiro que veste t-shirts e calças sem bainhas, mas não abdica dos impostos dos portugueses. O tipo porreiro e solidário que vende as camisolas da companheira a preço de ouro, tão dourado que nem as melhores casas de moda arriscam tanto na lógica do "rei vai nu". A malta fixe, solidária e visionária, adquiriu tudo, afinal quem é que não quer a camisola tradicional, fabricada por artesãs de Donegal (artesãs portuguesas é que não) e que valem até €850. Louboutin também fabrica lenços muito tradicionais mas paga menos de €10 a quem os fabrica, mesmo que cada um seja vendido aos preços que todos conhecem. Cosgrave está também à frente de uma organização cujo feedback nos sites de recrutamento deixa algo a desejar, mas não deixa de ser uma organização cool do estilo startup yeah yah.

 

No entanto, quando a nossa ideia não engana a malta evoluída, onde é que vamos? Vamos aos países pequenos mas que gostam de coisas à grande. Em Portugal, o poder político, encontrou na Web Summit uma forma de exaltação. Presidente de Câmara, Governo e Presidente da República foram os reis do palco e até ocultaram algumas das maiores figuras mundiais. Boa propaganda, para a entrada da política portuguesa na Era do (ultrapassado) headset de palco. Penso até que foi aí que Marcelo aprendeu a movimentar-se e a falar de beijos no telescola. Lembram-se dos filmes de Visconti onde naquelas terras empobrecidas do sul de Itália, se gastava tudo numa festa e no palanque estavam os representantes do regime? É mais ou menos isso...

 

Na verdade, a Web Summit não justifica o investimento público numa altura em que já se adivinhavam tempos difíceis. Um empreendimento desta monta, num evento cujos bilhetes não são acessíveis ao comum dos portugueses tem muito que se lhe diga. Alguns doam-se por mera caridade a alguns alunos... 11 milhões de euros por ano (no mínimo), não darão para atrair investimento tecnológico estrangeiro em Portugal e criar empregos especializados de longa-duração? E dirão alguns: mas a Web Summit traz potenciais investidores e dá visibilidade! Visibilidade? Vejam os resultados de 2019! A diferença entre o arraial das Bragadas na Póvoa de Santa Iria e o a Web Summit foi muito ténue... Investidores? Queremos mesmo trazer tecnológicas para Portugal? Queremos mesmo atrair para lá dos baixos salários? Façamos o seguinte e "não gastamos" um euro: reveja-se a política fiscal, a justiça, a burocracia do Estado e criem-se condições de crescimento para estas e para os seus colaboradores e já temos mais de metade do caminho feito. E porque não uma espreitadela à Irlanda que já não quer sustentar o senhor Paddy? Temos muito que aprender em termos de captação de investimento estrangeiro. Só espero é que os trabalhadores portugueses não o façam, caso contrário, amanhã o Palácio de Belém, o Palácio de São Bento e outros tantos símbolos deste nosso Portugal serão incendiados. A Web Summit será a plataforma de selfies que mais dinheiro custa ao erário público, logo depois do Presidente da República. 

 

Finalmente, o caso recente do "mega-evento" online, e o silêncio imposto em torno do mesmo (a oposição também lá tem o seu espaço cheio de nada), são de uma tremenda gravidade, mormente numa época em que os nossos impostos são necessários para a levantar um país completamente destruído pela epidemia. É uma vergonha entregarmos milhões ao Sr. Cosgrove por uma mão cheia de nada e não termos dinheiro para infraestruturas básicas ou andarmos a mendigar dinheiro na Europa... Mais uma vez, a poeira dos temas hype e o foco na pandemia varrem para debaixo do tapete mas uma clássica cuspidela à portuguesa, sobretudo na cara daqueles cidadãos que trabalham ou que estão impedidos de trabalhar.

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Sardinhas à Kamenev...

por Robinson Kanes, em 24.11.20

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Créditos: https://cdn3.geckoandfly.com/wp-content/uploads/2017/08/anti-socialism.jpg

 

Sardinhas comunistas são um mito, é verdade. Segundo muitos, nunca existiram... Hoje estamos no SardinhaSemLata como é habitual... Venham comer umas sardinhas à Kamenev no nosso Politburo aqui e apanhar uma bela Bubnova...

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Uber Medina, Glovo Costa e Povo Eats...

por Robinson Kanes, em 23.11.20

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Créditos: https://www.buzzfeednews.com/article/venessawong/mcdonalds-and-uber-eats-need-each-now-other-more-than-ever

 

Os eleitores comuns começam a sentir que os mecanismos democráticos só não os capacitam. O ruído à volta está a mudar e não conseguem perceber nem compreender porquê. O poder está a fugir-lhes das mãos e ainda não sabem para onde é que se transferiu.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

Por um destes dias, tive o prazer de ler um artigo de Javier Carrasco, no "Valencia Plaza", jornal de referência da "Comunitat Valenciana",  e cujo título era o seguinte: "Portugal camina hacia la dictadura". Se é certo que Espanha não está melhor para atirar este tipo de farpas e o ex-jornalista do El Mundo também não é propriamente a pessoa mais conhecedora da realidade portuguesa, tenho de reconhecer que entre algumas falsas verdades encontrei algumas reais verdades que passam por baixo da alcatifa das redacções nacionais: 

Nuestro país vecino vive una insólita crisis política. El Gobierno portugués se escuda en la lucha contra el coronavirus para restringir las libertades y los derechos de sus ciudadanos. Pero en esta empresa, la de frenar el virus, ha fracasado. Bruselas vigila el autoritarismo del Ejecutivo luso para evitar una vuelta a los tiempos de Salazar  

(..)

La situación comienza a parecerse a Polonia y Hungría, dos estados que están en el punto de mira de la UE por posible conculcación de derechos fundamentales

 

Confesso que ainda tenho de aferir algumas circunstâncias destas e outras afirmações, no entanto, algumas revelações dos últimos dias (a juntar a outras tantas) começam a dar uma certa justiça a Carrasco e todos aqueles "gajos de Marvila" que se podem rever nestas palavras. Falamos sempre com desprezo dos "gajos de Marvila", não obstante, muitas revoluções e muitas lutas começaram em tabernas...

 

Fernando Medina já nos avezou a um certo autoritarismo na Câmara Municipal de Lisboa. Medina é um cavalheiro que utiliza o poder público como se fosse o seu feudo. É também o politico do alojamento local que, logo à primeira crise, virou as costas a todos os empreendedores que apostaram na cidade (independentemente das consequências). É o cavalheiro que expulsou os lisboetas da cidade e agora os quer trazer de volta com rendas acessíveis como se fossem indigentes, é o cavalheiro que ignorou o exemplo de Barcelona - é o senhor Teixeira Duarte. É também (à semelhança de outros) dono de espaço televisivo onde tece comentários numa clara falta de sentido e responsabilidade pública - um presidente de câmara, especialmente da capital do país não devia permitir que a sua ambição (mesmo que desmesurada e autocrática) o deixasse descer tão baixo. 

 

Medina é agora o político que quer neutralizar, mais uma vez, a iniciativa privada, criando uma "empresa pública" que fará concorrência desleal a empresas como a Uber e a Glovo. Medina, que não se importou com os taxistas quando a Uber era uma imagem de modernidade para Lisboa (excepto quando estalou a contestação), é o mesmo que agora, na versão "eats" quer destruir a iniciativa privada, qual comité central que tudo controla e tudo decide. As taxas que estas empresas estão a praticar são esmagadoras para o negócio da restauração, todavia existem reguladores que devem estar atentos a abusos no mercado e os consumidores que têm de decidir se querem pactuar com aumentos dos custos para a restauração e consequentemente optar por outras formas de adquirir os produtos, numa lógica de cidadania responsável - nunca o poder político! Estamos a dar um excelente exemplo a quem deseja investir em Portugal!

 

Medina, que cegamente já procura a liderança do PS, é o mesmo que, juntando-se a outros já quer ilegalizar partidos catalogado-os de racistas e xenófobos. Na verdade, e goste-se ou não do CHEGA, este partido encontra-se legalizado junto das devidas instâncias e não é a concorrência que deve adoptar uma atitude autoritária de castração do mesmo. Ilegalizem-se então os partidos que são autênticas famílias, partidos onde a corrupção grassa e partidos proibidos pela União Europeia, sem esquecer os partidos que têm lesado o erário público ao longo de décadas - temo que Fernando Medina fique sem partido também e ele próprio se possa encontrar em maus lençóis. Senhor Medina, Portugal ainda não é uma Ditadura, ainda não... No dia em que for, serei dos primeiros a combater a mesma ou qualquer tentativa sequer de... Seja de que quadrante for.

 

Também o Governo liderado por António Costa vai fazendo os habituais favores a partidos de extrema-esquerda para se perpetuar no poder, à semelhança do que se passa em Espanha - e o próximo congresso do PCP e as medidas restritivas com o aval do Presidente da República (o que não espanta, pois foi adepto de uma ditadura) vai autenticamente cuspindo e subjugando os portugueses. É imoral e é intolerável... António Costa é também o real cumpridor da Constituição da República Portuguesa pois, uma vez mais, dividiu os portugueses em portugueses de primeira e portugueses de segunda com uma tolerância de ponto nos feriados de Dezembro. Contudo, sugere ao privado que seja tolerante e siga o exemplo. Mais uma vez, é preciso manter o sindicalismo calmo e os funcionários públicos satisfeitos, e convenhamos senhor Primeiro-Ministro, acha mesmo que os responsáveis do privado se encontram em situação de dispensar os seus colaboradores? Em que mundo vive senhor Primeiro-Ministro? Acha que aqueles que lhe pagam o salário (sem cortes), a si e aos demais, têm condições para parar? Ou estamos perante uma manobra para evitar uma hipotética revolta entre funcionários públicos e funcionários do privado? A sorte do senhor Primeiro-Ministro é ter uma elite pública tão grande que na maioria dos agregados familiares existe um funcionário público e assim vai conseguindo manter a paz social, além de que, mal ou bem, também os pensionistas (que são muitos) vão recebendo o seu cheque a tempo e horas... Até um dia... Recordo-lhe as palavras de Tocqueville que nos dizem que "é sobretudo no pormenor que é perigoso subjugar os homens". Todavia, e com conhecimento de causa, todos os dias dezenas de portugueses abandonam o país porque afirmam, entre outras coisas, não estarem a trabalhar para sustentar uma máquina pública que tudo suga, uma verdadeiro take-away da já parca produção nacional. E reconheço, senhor Primeiro-Ministro, existem muitos funcionários públicos que fazem um trabalho de excelência... 

 

Deixo também uma nota para o facto deste fim-de-semana, Espanha ter saído à rua para contestar a política educativa ideológica que está a ser levada a cabo naquele país. Também em Portugal estamos a sofrer essa transformação autoritária e criminosa, todavia, também um dia os portugueses saírão à rua a exigir a educação que eles querem e não aquela que lhes é imposta por agendas extremistas e que além de alterarem e apagarem a História, procuram também incutir comportamentos e doutrinas à força! Protocronismos não passarão!

 

Entretanto, entre um Uber Medina, um João Galamba que diz que nunca se imaginou a trabalhar e um Glovo Costa, o Povo Eats... Outros, contudo, vão preferindo o Momondo e a Booking e fogem deste país para outros que os acolhem, os remuneram justamente, não lhes sugam os frutos do trabalho e ainda os reconhecem! E sim... Por incrível que pareça, é possível reconhecer o trabalho ou o investimento de outrém e ainda ser justamente pago por isso...

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Créditos: https://www.playficient.com/employee-onboarding-ideas/

 

O homem não empenha numa acção uma parte limitada de si mesmo; e quanto mais acção pretende ser total, mais a parte empenhada é diminuta. O senhor sabe que é difícil ser-se homem, sr. Scali, mais difícil do que julgam os políticos.

André Malraux, in "A Esperança"

 

Com tantos anos de extrema esquerda em Portugal e perante a alegada ameaça de um também alegado partido de extrema-direita em Portugal, surgiu um daqueles manifestos que alinhou nos hypes actuais - o hype é real, se os signatários estão na moda é outra coisa. Gente nova (?), onde encontramos o cidadão português representado em toda a sua plenitude e com grande histórico laboral nas mais variadas actividades que fazem andar um país! Gente fresca uma nova mentalidade! Portugal a dar passos de gigante... Aliás, só me consigo lembrar da Ndrangheta calabresa a criar um manifesto contra a Cosa Nostra siciliana... Chamei-lhe manifesto do "coiso" porque não percebi muito bem qual é o alcance nem o nome e muito menos onde está a apregoada clareza.

 

Foi por isso que criei o Movimento 7.9.1.2.a), inspirado no Movimento 5.7, mas com identidade, com rigor e que além de pontos também tem alíneas, tomem lá que estou mais à frente. E para dar início a este movimento decidi conhecer este manifesto que, como referi, é uma amostra real do português comum:

 

Adolfo Mesquita Nunes: este indivíduo não foi aquele cavalheiro que em tudo o que conquistava, o facto de ser gay era sempre a razão de? Também não é aquele que um dia quer ser presidente do CDS e fez uma pausa política para ir para a GALP sem saber ler nem escrever? É que com os resultados das últimas legislativas e com a ascensão do CHEGA é possível que o CDS desapareça do mapa, nada como ter um pé na GALP e um no Partido, assim não se perde tudo. 


Alexandre Homem Cristo: Um académico e colunista do Observador. Hum... Pois...

Ana Margarida Craveiro: espero que não seja a Directora de Comunicação de uma... Sociedade de Advogados? Ai é?

Ana Rita Bessa: O partido do táxi está prestes a tornar-se o partido da trotinete e não há cadeiras para ocupar na Assembleia da República. E até gosto desta senhora, traz classe e requinte ao Parlamento.

Ana Rodrigues Bidarra: não era uma senhora que escrevia umas coisas com um cavalheiro que também está na lista, até tinham um "Conselho de Estado"? Só conheço isto da mesma. 

André Abrantes Amaral: Ora, mais um advogado. Afinal somos o país das licenciaturas em Direito, convenhamos.

Bruno Alves: É o jogador da bola? Se for é caceteiro!

Bruno Vieira Amaral: Escritor, critíco literário e colunista. Pronto, é isto...

Carla Quevedo: Surge-me uma actriz argentina no google, não deve ser a mesma... Espero que seja uma jovem com novas ideias.

Carlos do Carmo Carapinha: um senhor fora do sistema, completamente original... Uma novidade nestas coisas, ou talvez não. Pelo menos é Director Administrativo, um homem do sector empresarial.

Carlos Guimarães Pinto: um cavalheiro fora do sistema... Espera, foi presidente do Iniciativa Liberal. 37 anos e académico... Mais um académico e "pouco" ligado à vida partidária.

Carlos Marques de Almeida: Mais um professor universitário. Sentido prático não vai faltar a este movimento pelo que estou a ver. Isto parece o Estudo Geral.

Cecília Carmo: Esta senhora não era a jornalista do desporto? Agora tem uma agência de comunicação. Malta jovem e original.

Diana Soller: Uma académica, política e funcionária do PSD. Gente nova, menos mal e sempre tem dois "l" no nome.

Diogo Belford Henriques: Membro do Conselho de Opinião da RTP nomeado pelo CDS. Conselho de Opinião da RTP, really? Colunista e "board" numa sociedade de advogados da nossa praça. Portanto, colunistas, membros de sociedades de advogados e académicos... Vamos bem. Por pouco não tinha nome de carrinha de caixa aberta...

Eugénia Galvão Teles: Mais uma pessoa do direito e colunista. Confesso que começo a perder as deixas e assim o meu artigo começa a ser repetitivo.

Fernando Alexandre: Secretário de Estado e académico. Consoante a cor partidária vai tendo uma opinião diferente do país. Notável. Venha gente nova e original, pelo menos, neste caso, a opinião vai mudando.

Francisco José Viegas: Um dos que está sempre em todas... Colunista, editor, um dos dinossauros do país, opinador profissional. Convém ter gente mais velha da nossa sociedade, é preciso moderar a rebeldia desta juventude no manifesto. Tem uma coisa boa, adora Vergílio Ferreira.

Francisco Mendes da Silva: Mais um advogado de uma grande sociedade e político profissional. Tenho de ir ver outra vez se no manifesto consta, de facto, originalidade.

Gonçalo Dorotea Cevada: mais um cavalheiro das consultoras, especialista em matéria fiscal e... colunista... Pois...

Henrique Burnay: Um independente... Não... Mais um cavalheiro do Direito e académico, é senior partner de uma consultora. Mais um representante do que é ser português. 

Henrique Raposo: ainda dizem que Marcelo está em todas. Este é mais um daqueles cavalheiros que está em todas sem ninguém perceber muito bem porquê... Aqui é um típico português. E também é colunista em tudo e mais alguma coisa.

Inês Teotónio Pereira: jornalista e política e mais uma cara nova, ou talvez não. Jornalista e política, também não preciso de dizer mais nada.

João Amaro Correia: arquitecto e fervoroso benfiquista. Pelo menos, no clube tem semelhança com mais de metade da população. Consta que é blogger com vocação e instagramer por intuição. Um bom mote para mudar o país.

João Diogo Barbosa: aquela malta que ainda não terminou a universidade mas já tem uma carreira em ascensão? É jovem, mas os hábitos são velhos e bons amigos não devem faltar.

João Nuno Vaz Tomé: se é quem eu estou a pensar, mais um cavalheiro independente. Perdão, afinal é do CDS.

João Taborda da Gama: Secretário de Estado e filho de Jaime Gama... Que original... A grande família socialista também a ter representação. 

José Diogo Quintela: Olha o indivíduo que gosta de explorar trabalhadores e gosta de dizer isso na televisão. Também não é aquele que é apanhado alcoolizado a conduzir e todos acham imensa piada? Mais um colunista no Público e no Observador, bons fornecedores deste movimento. E pensar que este indivíduo, tal como os restantes Gato Fedorento evoluíram de "palmeiros profissionais" e com píadas que hoje criticam...  Admira-me que não esteja aqui um Tiago Dores, um sem-abrigo a quem o Observador deu um jeito.

José Eduardo Martins: advogado, colunista, deputado e um dos barões do PSD. Só sangue novo e com ideias novas...

Lourenço Cordeiro: não conheço mas numa coisa é moderno: frequenta muito o twitter.

Margarida Olazabal Cabral: mais uma advogada de uma grande sociedade de advogados... Irra, não cessa...

Miguel Esteves Cardoso: escreve-se uns livros com vernáculo, o Público e umas rádios elevam-no a intelectual, cria um jornal para dizer mal da concorrência olhando pouco à ética e aí está: sempre em tudo e todas... Mais uma pessoa jovem e muito original. Desde Março fechado em casa! O homem com que podemos contar para vir para a rua combater pelo país!

Miguel Loureiro: Um homem das artes! Ena, menos mal... Espero...

Miguel Monjardino: colunista e académico. Eu sei, não é de propósito, mas não posso evitar.

Miguel Poiares Maduro: olha o cavalheiro preocupado com o mundo mas gourmet de grande gabarito. Afinal eu também sou um pouco hipócrita. Vá lá que não tem filiação política, não é colunista e não é mais um académico. Alto... Um momento... Afinal é tudo isso... Até gosto do cavalheiro.

Nuno Amaral Jerónimo: Espero que não seja o cavalheiro que faz tudo em 10 e 15 minutos! É mesmo... Este cavalheiro sabe "como ficar estupidamente culto em apenas 10 minutos" ou então "como salvar o mundo em 15 minutos". O rei da TedEx, vou já largar o Tony Robbins. 

Nuno Gonçalo Poças: mais um advogado e mais um colunista do Observador... E lá vai o coelinho da Duracell.

Nuno Miguel Guedes: é aquele cavalheiro jornalista que tira sempre fotos em grande estilo e com a cabeça sempre de lado não é?

Nuno Sampaio: Arquitecto, certo? Já são dois... Cuidado, senhores advogados.

Pedro Gomes Sanches: Um homem do Estado, académico e colunista do Observador... "And going and going...". Proferiu isto: "Não sou conservador porque sou católico, ou porque sou avesso à mudança, ou porque antigamente é que era bom. E por isso sou do CDS e creio que é o João Almeida a escolha de que o partido necessita". Um génio.

Pedro Mexia: Mais um real emplastro... Uma cara nova. Poeta, colunista, critíco literário. Só novidades e um digno representante do que é ser português.

Pedro Norton: um homem da televisão, que até gosto de ouvir, e também da Gulbenkian. Já faltava uma novidade perante tanto mais do mesmo... Hum...

Pedro Picoito: Académico, colunista e já viram a foto do cavalheiro no Observador? Hilariante... Vejam...

Raquel Vaz-Pinto: Com um apelido totalmente desconhecido e mais uma académica. Estamos bem entregues, portanto. E viva a gente nova e original.

Rubina Berardo: esta economista soube cedo o que era importante para vencer na vida: tirar cursos superiores e ser política. Original não é?

Samuel de Paiva Pires: já foi muita coisa, mas é essencialmente mais um académico. Como muitos desta lista, já tem no LinkedIn que faz parte do manifesto, toca a criar engagement

Samuel Úria: já mais de uma dúzia de pessoas me perguntou quem era este cavalheiro. É músico e colunista. Não gosto como músico fui ver como se safava a dar opiniões. Continue músico... Também está em todas, não vá cair no esquecimento.

Sandra Clemente: Direito, Academia, Colunismo... E pronto, é isto...

Sebastião Bugalho: então mas este não era aquele jovem estudante, filho de jornalistas e que sem saber ler nem escrever rapidamente ascendeu no i, passou para o Sol, TVI,  vendeu-se a um partido, agora está no Observador e pelo meio tem grandes flops quando o assunto é ética. Jovem, mas vícios de dinossauro do burgo. É inacreditável como é que estes indivíduos... E como é que alguém ainda o convida para um manifesto. Por este andar, quem será o seguinte, o Armando Vara?

Teresa Caeiro: política, direito... E pronto, lá vai o coelinho Duracell...Gente jovem não falta.

Teresa Violante: Académica e colunista no... Observador. Esta malta janta todos os dias no mesmo restaurante e na mesma mesa, certo? Ah, também tem Direito na formação.

Vasco Ressano Garcia: Alguém que mistura política e Igreja como quem faz uma salada de alface e tomate para o jantar sem lhe colocar oregãos e azeite. Alguém que está voltado para o futuro, sem dúvida.

Vasco Rosa: mais um colunista do Observador, penso eu. Desconheço o CV, mas já vi que também é pouco importante.

Vera Gouveia Barros: colunista, académica e uma mulher do Estado. Era aqui que eu tinha esperança de encontrar uma mulher empresária... Ah... Foi por pouco.

 

De facto é interessante ver aqui o português comum, fora das lides partidárias, longe da sociedade bafienta alfacinha, dos jantares de troca de favores. O português que trabalha e que todos os dias vive realmente em Portugal. Vejo aqui empresários, gente de trabalho, e uma representação de Norte a Sul, desde Tui até Huelva... Perdão, Valença até Vila Real de Santo António. Temos futuro! Temos futuro! Haja esperança... Para ser ainda mais actual, apenas sugiro que não só a maioria apresente nomes com dois apelidos mas todos os assinantes. Se querem estar actuais é fundamental.

 

Falta a assinatura do Bloco de Esquerda, do PCP e de António Costa... Aliás, ver António Costa criticar uma geringonça entre PSD e Chega é o mesmo que ver Estaline a chamar nomes a Pol Pot, doesn't match. Além de que em Portugal já chegámos à conclusão que direita e esquerda, de facto, não existem... Tem outro nome, mas não é esquerda nem direita.

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Sardinhas Sem Interesse...

por Robinson Kanes, em 10.11.20

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Créditos: https://victawr.wordpress.com/tag/epic-fail-guy/

 

Fujam que hoje não vale a pena passar por aqui. É "whataboutism" e muitos outros temas que não têm grande interesse...

Uma lamentável terça-feira no SardinhaSemLata...

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