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Quando o Barril de Pólvora afinal tem Gasolina!

por Robinson Kanes, em 18.04.19

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Créditos: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/respostas-rapidas-quais-os-efeitos-da-suspensao-do-abastecimento-de-combustiveis-434468

 

Os camionistas que transportam matérias perigosas passaram a ser aquilo a que se chama "umas valentes bestas". Não sou favorável às greves, muito menos a sindicatos, no entanto, também não sou favorável a esta crescente demonização de quem se revolta: enfermeiros, camionistas, empregados de call center, médicos e outros demais. Existe uma excepção para os professores e para muitos actores do sector público - resta perceber porquê!

 

Ao invés de andarmos a defender um Governo e uma Presidência que gerem o país de acordo com o barómetro da popularidade e das redes sociais, temos de perceber o porquê destes protestos. Temos de separar o sindicalismo, que tem um objectivo que não é o bem dos trabalhadores, das reais necessidades destes.

 

Temos também de perceber este silêncio, quase criminoso do PCP e BE que, desde que circulam pelos corredores do poder, foram contra tudo aquilo que apregoavam e defendiam antes de ocuparem esse mesmo poder - estou longe de partilhar das filosofias obsoletas e das máscaras de intelectualidade de esquina destes partidos, no entanto, qualquer indivíduo consegue perceber que estamos perante duas falácias da Democracia e qualquer voto nestes partidos é apenas assinar por baixo: eu sou estúpido e gosto de ser!

 

Temos de perceber que, mais uma vez, tanto Governo como Presidência não sabem gerir crises e muito menos prever as mesmas - assistimos a discursos e sorrisos que já não enganam ninguém que vão mascarando tanta incompetência na gestão de cargos públicos - a única prioriade são as selfies, o mediatismo, a injecção de dinheiro em bancos e a gestão de impostos, alguns deles ilegais segundo as leis nacionais e europeias. Em tempos de crise o discurso estudado e tendo em vist a popularidade não resolve nada - é preciso agir e falar depois, coisa difícil num país cheio de comentadores mas sem verdadeiros políticos.

 

Temos de perceber porque é que não existe um oleoduto para o aeroporto de Lisboa, o único da sua "dimensão" sem um - um investimento que até é barato, pois 10 milhões face a 150 a 200 camiões por dia a circular está longe de ser um valor elevado. Porque é que ainda não se discutiu? Não sou entendido na matéria mas temos todos o direito de saber a viabilidade.

 

E finalmente, mais do que demonizar os camionistas, eu procuraria enaltecer o trabalho destes homens que todos os dias garantem que nada nos falte! São aquelas profissões que não têm LinkedIn, que não pululam por esta e por aquela revista mas que são fundamentais para o nosso quotidiano - até porque... acredito eu, seria mais fácil substituir todos os maus gestores em Portugal do que estes homens que carregam, diariamente, uma bomba às costas. Se uma coisa estes momentos nos ensinam é que todos somos indispensáveis e todos merecemos o mesmo respeito.

 

P.S: Entretanto morreram 29 pessoas num acidente com um autocarro na Madeira - não dá "selfies" e "likes" nas redes sociais, mas era bom também pensarmos nisso...

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Créditos: http://www.antimafiaduemila.com/rubriche/saverio-lodato/71093-vivere-o-morire-di-trattativa-paolo-borsellino-ne-mori.html

 

Salvatore Riina, mais conhecido por Totò Riina, se ainda fosse vivo, por certo, ficaria absolutamente espantado com o facto de em Portugal ser mais fácil montar um polvo do que na ilha da Sicília. Em Palermo, entre uma "pasta alla norma" e um "chinotto", "il capo dei capi" rapidamente chegaria à conclusão que por terras lusas teria tido ainda mais sucesso e sem necessidade de recorrer às armas.

 

Também Ricardo Salgado e compadres, por certo não serão assim tão culpados e apelidar os mesmo de "donos disto tudo" começa a ser ofensivo para outros que perdem assim o verdadeiro protagonismo. O que Ricardo Salgado e respectivos compadres fizeram foi apenas aproveitar o panorama e alimentar uma corja de parasitas (da direita mais conservadora à esquerda mais radical) que não se bastou na usurpação dos bens públicos. Se hoje não se sabe mais do caso BES é porque se Ricardo Salgado abre a boca temos uma guerra civil.

 

Se por um lado, muitos conquistam o espaço nos partidos e na máquina de consumir cargos e dinheiros públicos, outros começam, e muito bem, em terrenos mais longínquos. Podemos falar de Cabeceiras de Basto, da Covilhã,  de Gondomar, de Vila Nova de Gaia, de Castelo Branco e de tantas outras localidades que serviram de rampa de lançamento para muitos... Também podemos falar dos Açores e de como estes são também uma excelente ponte política para chegar a Lisboa, mesmo que por lá tenhamos causado prejuízos de milhões. É dos Açores que muitos conseguiram colocar quase toda a família na administração central, na administração regional, local e em muitas empresas do Estado! Foi do arquipélago e depois da sua nova base em Lisboa que muitos tentáculos vão sendo criados e a impunidade alimentada. É por Lisboa que se circula como Riina que não temia os carabinieri nem a contestação dos sicilianos.

 

Uns dizem a César o que é de César, mas Portugal nunca foi de César... Todavia, qual imperador, este e tantos outros vão impunemente controlando tudo à sua volta, mesmo que o poder não lhes seja dado pelos deuses mas por uma população que se revolta se o Benfica perde mas não mexe o dedo perante os roubos diários a que é sujeita - uma população que, se mais inteligente fosse, e soubesse o que se passa nos corredores da Assembleia da República, talvez já tivesse entrado no edifício e qual tomada da Bastilha, já há muito tivesse feito rolar as cabeças de muitos "capos". Uma população que teme homens como Falcone e Borsellino, vá-se lá saber porquê...

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Corvo: Uma Ilha do Tamanho do Mundo! (Parte 02)

por Robinson Kanes, em 08.04.19

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Imagens: Robinson Kanes e GC

 

 

Apesar da dimensão, caminhar pelas poucas ruas da vila do Corvo tem o seu interesse: respira-se o ar do mar, sente-se o isolamento - não se pode negar - mas sente-se também a distância de tudo e de todos. No caso de alguém que vive numa cidade não existe melhor refúgio. Se a isto juntarmos a simpatia e boa disposição dos corvinos temos o mote certo para voltar muitas vezes ao BBC pois rapidamente conhecemos quase todos os habitantes da ilha. Mas paremos para pensar aqui: quantas vezes, com tantas e tantas pessoas à nossa volta e também nos sentimos isolados?

 

O tempo continua a melhorar e o sol espreita - optamos por não repetir a caminhada a pé até ao caldeirão, como é conhecida a caldeira do Corvo e, se não a mais bonita, é por certo uma das três mais belas do arquipélago! Descobrimos, por mero acaso, pai da Vera! Prestável, lá nos coloca na sua carrinha e nos leva  ver a caldeira! Fazer a estrada (ou o caminho a pé) até à caldeira é uma experiência única - a proximidade com o mar, o cruzamento com o gado (ou não fosse o Corvo uma ilha dos Açores) e a oportunidade de observar algumas aves.

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O momento alto é a oportunidade observar a caldeira e imaginar o que terá pensado Diogo de Teive em 1452 quando se deparou com um dos monumentos mais belos que o planeta Terra tem: aquela caldeira situada a 718m de altitude - Um autêntico coliseu e cujas pequenas ilhas no seu interior se assemelham às 9 ilhas do arquipélago. 

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Se me perguntarem se vale a pena apanhar um voo na Nova Zelândia só para ver este caldeirão, a minha resposta é imediata: sim! É daqueles locais onde queremos ficar horas e horas a contemplar o mar pelo miradouro, a apreciar o interior da caldeira e a escutar o som do gado que por lá deambula sem restrições, afinal, aquele espaço, mais que nosso, é deles! Chegar, tirar uma fotografia e voltar é desrespeitar tão impactante local!

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Por ali ficámos uns bons 90 minutos, trocando impressões e absorvendo toda aquela magia natural! O dia foi passando e acabámos a contornar a ilha pelo lado oeste e a deambular pelos campos agricolas enquanto a chuva já começava a molhar. Não foi isso que impediu que sujássemos os pés e voltássemos a parar para apreciar umas laranjas directamente arrancadas da árvore - ainda não estavam doces pelo que, as do Pico continuam a merecer a nossa preferência.

 

Acabamos a tarde num espaço singular, uma das casas onde o pai da Vera, entre uma bebida e uns cigarros nos fala da ilha, dos Açores, de como é fácil e desafiante viver num pedaço de terra com pouco mais de 17 km2. Falamos das festas, da praia, da cerveja - uma instituição na ilha do Corvo - e de como todo o mundo também pode estar naquele pedaço de terra. Ficamos a saber que no Corvo, todos aqueles que chegam têm um tecto e comida na mesa e também que todos aqueles que não chegam com boas intenções rapidamente são envergonhados pelos locais - conta-se que em tempos, um desses indivíduos foi despido e amarrado no meio da aldeia ficando por lá durante mais de um dia. A verdade é que sentimos isso, até porque fomos várias vezes convidados para jantar aqui e ali!

A noite começa a dar sinais de que quer tomar conta dos céus e descemos à vila. Bebemos mais um café e um copo no BBC e preparamos o estômago para a jantarada enquanto vamos conversando com dois músicos de Ponta Delgada responsáveis por animar o serão.

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A festa acabou de madrugada e logo cedo, depois de um bom pequeno-almoço e de uma visita aos moinhos, voltámos ao aeroporto ainda sem saber se o voo aconteceria. O avião chegou, e as duas viaturas do bombeiros esperam sempre a chegada dos aviões com os motores ligados - Finalmente o ok do comandante - Luis Gouveia, uma lenda nos Açores - e partimos!

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Na Vila, mesmo ainda antes de chegarmos ao aeroporto, todos diziam não ser possível: "durmam, deixem-se estar sossegadinhos que vão ficar connosco por uns dias". A verdade é que o Q200 descolou e também é verdade que após ter chegado com uma vontade imensa de sair no primeiro voo que houvesse, fiquei com aquela saudade e também a vontade de ficar mais uns tempos! De percorrer vezes sem fim a ilha, de beber uns copos no "formidável" e no BBC entremeados por umas fatias de queijo do Corvo, de apreciar a praia que nunca apreciei e de simplesmente me deixar levar pela imensidão daquele mundo.

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Perdeu a parte 01? Está aqui!

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Créditos: https://www.esquire.com/style/mens-fashion/a34784/goodfellas-style-25th-anniversary/

 

A história da máfia familiar dos partidos vai continuando... Agora foi Cavaco Silva que teve de engolir o sapo de aceitar que também ele colaborou na promoção do mérito dos incompetentes que chegaram a lugares públicos sem perceberem porquê! E que terá Marques Mendes a dizer - agora que o nome do mesmo chegou às ruas? A par de Cavaco Silva, dos administradores do BES, da CGD, do Banco de Portugal e tantos outros, também vai ser apanhado pela epidemia de amnésia que entretanto se abateu sobre Portugal? O saltitão que desde novo é bem conhecido pela sua ambição política (falhada) tenta agora seguir os passos do padrinho (um político falhado que utilizou as televisões para chegar ao mais alto cargo da nação).

 

Sempre foi assim, e pensar que é só com António Costa que isto acontece é puro erro, é pura apatia e conivência com o regime podre da política nacional. É provavelmente querer sofrer de amnésia pois nunca se sabe quando é que nosso lugar na empresa ou instituição "X" pode estar ameaçado caso a situação comece a colapsar... E convenhamos, em algumas localidades deste país quase não existe um indivíduo que não tenha telhados de vidro no que à "cunha" diz respeito.

 

Outra das coisas que salta à vista é a hipocrisia de António Costa ao dizer que a Assembleia da República deve começar a legislar sobre esta matéria! Só agora? E é preciso legislação para ser sério e ético? E que tal colocarmos as máfias de leste a legislar sobre o crime em Portugal? É quase o mesmo...

 

E o Bloco de Esquerda? O Bloco de Esquerda ainda acaba extinto tal é a não existência que tem tido nos últimos tempos a não ser a prosa sem sentido e paradoxal que ainda vai sendo permitida a Francisco Louçã em tantos meios de comunicação capitalistas (estranho que um anti-capitalista utilize os meios daquele que abomina para ir alimentando a sua demagogia)! E o PCP? Por este andar ainda fica com os seus "partidários" completamente descalços porque se isto chega ao poder local lá se vai uma das maiores fontes de rendimento de qualquer comunista.

 

E a hipocrisia de Marcelo que após a demissão de um Secretário de Estado rapidamente vem para os holofotes emitir a sua opinião habitual de que está de acordo e acha bem? Este caso já dura há muito e não assistimos a Marcelo com muito interesse na situação, até acho que era mais fácil ver Marcelo a ligar para as rádios e para a televisão do que propriamente sobre esta temática, ou melhor, condenar estas situações, pois até agora tem chutado a bola para o seu antecessor! É importante lembrar que fora do país houve por aí um presidente que anunciou uma recandidatura ao cargo e é importante começar a fazer campanha. Apesar do discurso anti-cunha de Marcelo até ser algo que louvo, na prática é preciso começar a ver mais acção e menos populismo! Além de que uma coisa são as cunhas, outras são os favores que temos de pagar.

 

Entretanto, temo que este caso adormeça e mais ninguém se recorde, voltando as coisas ao mesmo e Portugal se continue a afundar! Ou então cria-se uma comissão de inquérito parlamentar, a forma mais leviana que os pseudo-democratas portugueses descobriram para imporem uma ditadura partidária camuflada de Democracia.

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Jobs for the Family!

por Robinson Kanes, em 01.04.19

 

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Créditos: https://www.youtube.com/watch?v=i5nXkCIQbBQ

 

Nos últimos tempos muito se tem falado da autêntica família, ou famílias, que se reuniram nos comandos da nação portuguesa.

 

Se por um lado temos o escândalo que é o facto de um Governo (e consequentemente um país) ser gerido por um pequeno grupo de famílias - por sinal da mesma cor política - temos de atentar que não é só nessa instituição que tal acontece! É na administração pública, nas autarquias (um dos cancros do país tem aí uma das suas mais fortes metásteses, e onde imperam estas situações) e em muitos outros serviços públicos e com impacte público: só a título de exemplo, podemos falar da Cultura, Social/Solidariedade, Espetáculo e tantas outras áreas.

 

Temos de atentar também no outro tipo de famílias que vive agarrado ao erário público, nomeadamente a tradicional cunha, tráfico de influências e outros mecanismos imorais que permitem a amigos, parceiros de negócios ou meros pagamentos de favores chegarem a uma função na estrutura pública. Não é só a consanguinidade que reina! 

 

Na verdade, sobretudo no mundo do jornalismo, televisão, artes (essa área tão impoluta e tão liberal que afinal...) e até outras áreas, surgiu um sem número de vozes a contestar o ataque às relações familiares no Governo. Talvez porque se teme o efeito bola de neve e se comece a questionar o nepotismo subjacente a muitas delas - basta seguir apelidos e rapidamente lá chegaremos. Talvez porque, pela primeira vez no Portugal "moderno" possa ser ateado o rastilho que colocará a nú uma das causas principais de uma apatia  empresarial, cultural, social e política.

 

Um dos argumentos de muitos desses interessados foi também o de que, sendo alguém filho de um político/ministro porque é que não poderia chegar também a um cargo semelhante, como se fosse algo de uma grande injustiça.

 

O primeiro contra-argumento que aponto é o facto de que o "mundo não é perfeito"! Esta conjetura, sobretudo em investigação e no discurso mundano" de que tudo tem uma base de bem e funciona bem é absurda - meus caros, só quem vive na internet e não sai de casa concebe que tudo é claro, límpido e perfeito. Só quem não está dentro da política é que não tem noção (ou não quer ter) que a grande maioria dos concursos públicos tendo em vista a admissão de funcionários são autênticas fraudes!

 

O segundo argumento é o de que, não será mais fácil a um filho de um ministro ser também ministro? Não será mais fácil a filiação num partido trazer benefícios que de outro modo (por norma dotado de mais moralidade, ética e cumprimento das regras) nunca se teria? E podemos dizer que determinado indivíduo até tem um bom currículo e portanto... E portanto não é mais fácil ter um bom currículo quando provavelmente a entrada no mercado de trabalho e em determinados meios não foi facilitada pelo familiar/amigo "X"? Sempre que exaltamos a qualidade de um currículo temos de ter sempre um vector em conta: onde e como tudo começou! Só assim podemos aferir de que todos partiram da mesma posição.

 

Também é de estranhar que os defensores desta consanguinidade na administração do país são os mesmos que criticam o facto de o administrador "X" ser filho do administrador "Y" numa empresa privada e familiar!

 

Um paradoxo que dá que pensar. Um pouco como o discurso da esquerda quando fala da direita... Para quem possa não saber, uma das maiores ameaças (neste contexto) às empresas familiares nem são os administradores que nomeiam familiares mas aqueles que, sendo meros colaboradores sem ligação à família, recrutam família e amigos que são muitas vezes responsáveis pela existência de autênticas máfias no seio das empresas e um enorme entrave à produtividade e crescimento das mesmas.

 

Finalmente, ficamos também a perceber que a educação universal como meio de potencial emancipação dos indivíduos está ameaçada! As escolas de elite (e não sou critico das mesmas, bem pelo contrário), as juventudes partidárias, a descendência e determinados associativismos continuam a ser o garante de um bom futuro.

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Créditos: https://www.scrubadub.com/

 

Enquanto andamos todos a correr no sentido de quem é o mais solidário com Moçambique... Uns escrevem, outros tiram "selfies", outros ocupam horas na televisão com discursos ocos que até as tropas adormecem, outros organizam concertos para sair do esquecimento... Eu faço uma pergunta para pensarmos no fim de semana...

 

... E se em Portugal houvesse um lava-jato? E porque se tem tanto medo de colocar na lei a delacção premiada? Será que existiriam prisões para todos? Ficaria o pais mergulhado no caos porque ficava sem classe política e sem mais de metade da população? E se fosse um lava-jato ético e moral?

 

A pensar...

 

P.S.: Uma palavra de agradecimento a todos os que estão de corpo e alma a ajudar quem precisa, quer em Moçambique quer em outras partes do Mundo.

E já agora... Alguém diga a Fernando Medina que uma coisa é achar-se (tal como o filho já o pensa no Colégio de elite que frequenta) "dono disto tudo" e subir à montanha do Pico sem autorização e andar a distribuir favores a todos e mais alguns em Lisboa, sobretudo aos construtores, já outra coisa são as borlas aos operadores de trotinetes.

 

Bom fim de semana...

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De "saca patrocínios" a "anti-patrocínios"!

por Robinson Kanes, em 21.03.19

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Créditos: https://www.neworld.com/newsblog/2018/three-reasons-why-brands-should-partner-with-social-media-influencers/

 

Houve tempos em que a corrida atrás das marcas, no sentido de conseguir que estas patrocinassem blogues ou enviassem produtos, era tal que se tornou uma tendência. De facto, não foram as marcas que procuraram os "bloggers", pelo menos numa fase inicial, mas o contrário. Na verdade, acabou por suceder que muitos espaços ficaram, digamos, famosos e as marcas acabaram elas próprias por também serem proactivas na procura de "influencers".

 

Sinto-me também à vontade para falar deste tema pois é política, que este espaço não tenha quaisquer apoios, patrocínios ou mecenas, no entanto, não é de todo impossível que tal venha a suceder. A importância é deixar claro o que é uma parceria, por exemplo, e um artigo sem parceria. O importante é que um artigo não seja uma venda do princípio ao fim e muitas vezes realizada de forma medíocre por pessoas que de marketing percebem pouco - o que até não abona a favor da marca. Imaginem que as coisas correm mal, quem faz a gestão da crise?

 

Todavia, tenho assistido a uma tendência, na comunidade SAPO e não só, de anti-patrocínios. Nomeadamente, por parte daqueles que queriam apoios e não os têm (basta aferir o conteúdo de alguns artigos e claramente se percebe o objectivo) ou então de outros que tentam explorar um novo conceito - ser "anti-parcerias blogueiras", apelidemos as coisas desta forma.

 

O ser "cool" agora, passa por ser anti-parcerias! Nada como explorar a temática e dizer que as marcas são umas "marotas" que andam a enganar as pessoas - pior que isso, trazer isso a público, revelando o mau carácter e a falta de ética e profissionalismo dos "bloggers".

 

Também existem aqueles que se vangloriam de recusar parcerias mas nem um pedido recebem - faz parte do mundo da ilusão e do "like". Também aqui as marcas pecam, pois nem sempre analisam um mercado que, mais do que procurar profissionalmente desenvolver um negócio, tem motivações que por vezes não são garante de que se possa confiar nas qualidades de quem "vende" a marca - além disso não estão "protegidos" por códigos de conduta, havendo apenas uma dependência do carácter do blogger - e no mundo real e sobretudo na internet, sabemos como é facilmente moldável e mutável. 

 

Em todo este ruído, fica uma total ausência de explicação face ao modo como funcionam estas estratégias de marketing, o rigor no sentido de escrever sobre produtos de forma imparcial e acima de tudo de ser um verdadeiro "brand advocate", esse sim um real valor para o consumidor e para a marca. O que ficamos é com um sem número de textos vazios, por vezes até com bastantes leituras e comentários. Todavia, somente de uma pequena comunidade que em nada representa, criando uma ilusão que em nada vai ao encontro da realidade, até porque, conseguir o "like" é fácil, o problema está na confiança...

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Cuidadinho, vai aqui o meu paizinho!

por Robinson Kanes, em 19.03.19

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Créditos: http://apps3333.bigbigabum7.icu/?utm_medium=oxxGrJ1EO8rl%2flkgHhDHtdaJe%2b6y3ml38Z%2b1ZX9QaLo%3d&t=main4

 

 

As crianças são encantadoras e por elas os pais dão tudo. Falam delas aos amigos, publicam fotos nas redes sociais, criam blogues dedicados às mesmas e acima de tudo sentem um adoração infinita por esse acontecimento a que tanto gostam de chamar de "milagre da vida", como se os outros seres-vivos da Terra fossem peças de manufactura ou a biologia não fosse uma coisa normal.

 

O amor dos pais pelos filhos é uma coisa que devemos enaltecer. Aquilo que mais me encanta são os papás e as mamãs que colocam autocolantes nas respectivas viaturas: "Mateus a bordo", ou então "Santiago a bordo" ou até o tradicional "bebé a bordo"! É amoroso não é? Por acaso não escolhi nem José e muito menos Ricardo porque hoje todas as crianças têm praticamente os mesmos nomes - mal os papás sabem que os filhos daqueles que realmente são ricos e finos, pronto, dão nomes perfeitamente normais aos filhos, como Joaquim, Óscar ou até Manuel! A filha do falecido Américo Amorim, chama-se? Paula! O filho do falecido Belmiro de Azevedo, chama-se? Paulo! O antigo "dono disto tudo", chama-se? Ricardo! E o primo, como se chama? José Maria, de facto!

 

E permitam-me: acham que alguém quer saber se o vosso filho se chama Bernardo e que vai no interior do vosso carro a crédito? Acham mesmo?

 

Mas retomando os autocolantes - e aquele especial, o "cuidadinho vai aqui o meu paizinho"? Por acaso, e até acredito que exista, ainda não vi o "cuidadinho vai aqui a minha mãezinha"! Se uma certa corrente castradora que anda por aí sabe, vai começar a apedrejar os carros desses machistas! Como se só os homens fossem merecedores de serem reconhecidos com o piroso "tóclante". Machistas! (Nem sei como é que ainda permitem que se diga "pais e filhos" e não "pais, mães e filhos".

 

O que os papás não sabem é que provavelmente esse "tóclante" deveria servir para alertar os outros condutores! Alertar os outros condutores dos papás e das mamãs que adoram as suas crianças e até espelhos colocam no interior dos carros para, enquanto conduzem, não tirarem os olhos do "filhinho", não vá este morrer entretanto. Pode morrer, de susto, quando olha para conta-quilómetros ou quando o papá e a mamã se comportam como verdadeiros selvagens ao volante!

 

Os papás que adoram os seus filhinhos e até trocam de carro porque de repente nasceu um filho, deveriam gostar dos filhos ao ponto de respeitarem os limites de velocidade e as demais regras de trânsito! É que ultrapassagens altamente perigosas, excesso de velocidade, manobras perigosas e altamente agressivas no trânsito enquanto levam os filhos nas suas station-wagon ou SUV pode não só acabar com a vida do filhinho amado como com a vida do filhinho do outro! E acreditem que nem a cadeirinha que mais parece o assento de um carro de WRC os vai salvar!

 

Eu sei que até é permitido que se faça a vida negra aos pais dos outros para que o nosso filhinho tenha tudo, é um facto que a nossa sociedade até aceita isso! Mas convenhamos, que levar tanto amor no carro e depois entrar a abrir, qual street racer na Ponte Vasco da Gama,  com um carro a brilhar mas com os pneus gastos (porque a malta pensa que os invejosos só olham para a chapa e porque os indivíduos das casas de pneus não gostam muito de créditos) é uma coisa que...

 

Arriscar a vida do filhinho no traço contínuo ou com uma "entrada à cão" só porque estar na fila a ouvir programas estupidificantes das três rádios mais ouvidas de Portugal nem sempre é agradável, é uma coisa que...

 

Em suma, começo a ter mais respeito pelo acelera do M3 ou do Type R do que propriamente da carrinha pirosa com a cadeirinha... Que isto de andar ao lado de carros com filhos a bordo, todo o cuidado é pouco e pior que um "racer" ou um tipo com o carro todo "quitado" é o pai ou mãe com pressa de chegarem a casa ou à creche do filho.

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De Almourol a Recordar...

por Robinson Kanes, em 14.03.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

Poderia vir aqui repetir a história do Castelo de Almourol mas tenho de admitir que as recordações que este castelo e toda a área envolvente me trazem vão bem para além do monumento em si e do seu carácter histórico. 

Tenho em mim a memória daqueles fins de tarde na companhia do meu pai, depois do serviço... Recordo-me dos militares a usufruirem do Tejo, quer com a sua ponte do regimento de engenharia, quer com banhos naquelas águas como refrescante de horas e horas de treino ali mesmo em cima, em Tancos... Ou então ainda mais acima pois eram, na sua maioria, paraquedistas. 

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Almourol era o pôr do sol que no Ribatejo e também no Alentejo tem uma luz especial e onde disputava o seu protagonismo com Vila Nova da Barquinha ou até com o Arrepiado, quando se atravessava para a margem sul do Tejo via Constância ou via Chamusca. Fins de tarde quentes e onde escutei mil e uma histórias e ensinamentos - talvez algumas tenham feito de mim o homem que sou hoje! 

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Almourol traz-me também à memória a vontade de, ainda miúdo, querer atravessar aquelas águas a nado e descobrir os segredos do castelo - dizia o meu pai, para me assustar, que ainda lá se encontravam cavaleiros do templo e que todo o cuidado era pouco.

 

Hoje apeteceu-me recordar mais um pouco desses tempos no Ribatejo, das tardes em Praia do Ribatejo, de Constância, da Atalaia e das muitas amizades que se faziam na Asseiceira, já a caminho de Tomar.

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Essas Malditas Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.19

 

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Créditos: https://tenor.com/view/white-woman-dancing-gif-11348861

 

Agora que o "Dia da Mulher" já aí está... Agora que a hashtag está esgotada e o número de visualizações não cessa de aumentar; agora que muitos daqueles que levantam a voz contra a violência doméstica já se vão acalmando e engolindo em seco o facto de falarem muito nas redes sociais mas não terem coragem de testemunharem num tribunal, é altura de fazer uma pequena análise às primeiras horas do dia 08 de Março.

 

Começo pelas conclusões: o maior inimigo da mulher... é a mulher! Ou melhor, algumas mulheres... 

 

Quando muitas mulheres de bem com a vida se preparam para celebrar o dia 08 com um sorriso, com uma flor e com uma grande jantarada que até poderia envolver uns indivíduos desnudos, eis que surjem os novos libertadores, aqueles que defendem o bem de todos e a Democracia como nunca se viu.

 

E o que diziam estas mentes esclarecidas que lutam pelos nossos direitos? Que o "Dia da Mulher" não é um dia de festa mas um dia de luto!

 

De facto! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a chorar no quarto depois de cozinharem para o marido, ou então de desenrascarem uns cereais enquanto choram sozinhas no sofá, optaram por ir para a festa? Malditas mulheres que ao invés de irem tomar conta dos filhos hipotecam a feliz vida de mães por uma festa! Malditas mulheres que ao invés de ficarem a destilar textos feitos e imagens de péssimo gosto nas redes sociais foram para a farra! Malditas mulheres que deveriam ter ficado a ver programas de televisão de 5ª categoria para depois poderem comentar os mesmos nas redes sociais e nos blogues como se fosse a coisa mais imporante do mundo - isto enquanto outras mulheres sofrem! Malditas mulheres que têm a vida em risco porque testemunharam a favor de uma outra mulher em tribunal mas mesmo assim arriscam sair para uma noitada ao invés de ficarem armadas em juízes de sofá!

 

Deviam ter ficado em casa vestidas de preto e a chorar! A chorar por aquelas que morreram...Maldição esta das pessoas que não opinam no "show mediático" e vão viver a vida! Gente fria que não se interessa pelos factos! Gente fria que defende as mulheres e não alinha com aqueles que na segunda-feira já vão ver se conseguem prejudicar a colega de trabalho que está em vias de ser promovida!

 

Ai essas malditas mulheres que só querem ser mulheres e também não estão muito interessadas em ser rotuladas e entrarem no jogo da "velhinha que não queria atravessar".

 

A essas que hoje vão partir a louça toda, divirtam-se... E divirtam-se muito!

 

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