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"Tá a Andar de Mota"...

Rosa Mota e o Pavilhão...

por Robinson Kanes, em 29.10.19

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Créditos: https://www.ligarunning.pt/noticias/details.php?id=2536417&s=r

 

O Governo já apresentou o programa que pretende implementar em Portugal para os próximos quatro anos deixando de fora um sem número de medidas estruturais que todos prometem década após década mas nada se vê.

 

No entanto, o país, não deixou ficar esquecida a vaidade da atleta do povo, Rosa Mota. Esta senhora, que vemos sempre em corridas por tudo e por nada e também em campanhas partidárias, ficou muito ofendida porque o seu nome não vem em primeiro na nova designação do "Palácio de Cristal" ou "Pavilhão Rosa Mota". O novo nome "Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota", não agrada à atleta que parece achar que tem mais importância do que quem investe no crescimento e desenvolvimento de uma cidade e não vive à sombra desta.

 

Mas vejamos, pois até podemos ficar do lado de Rosa Mota, daí a importância deixar algumas questões:

- Em todo este tempo que Rosa Mota teve o exclusivo do nome, será que fez o suficiente para que o edifício não acabasse por ficar quase em ruínas? Sendo embaixadora desse local, o que fez?

 

- Para a remodelação do edifício, o que fez Rosa Mota em termos de investimento e ideias para o mesmo?

 

- Sabendo das intervenções no edifício, porque é que Rosa Mota e o seu agente, fintaram a autarquia portuense e encetaram negociação com a Unicer (que aparentemente não teve sucesso)? Quem faz este tipo de manobra não procura propriamente discutir nomes mas outras coisas, nomeadamente contrapartidas monetárias.

 

- Será Rosa Mota assim tão importante para o Porto? Sabemos o quão traiçoeiro pode ser dar nomes de ruas e espaços a indivíduos que nos podem deixar ficar mal - Cristiano Ronaldo e José Mourinho, por exemplo, só não foram presos porque pagaram milhões de euros por simplesmente terem sido criminosos, no entanto, como outros (sobretudo ligados ao desporto) continuam a ser os nossos grandes embaixadores.

 

- Rosa Mota, tão activa partidariamente, terá alguma vez tentado transformar o "seu" Porto e com isso deixar a sua marca na cidade - e não estou a falar de duas ou três corridas para entreter as pessoas.

 

- Será que este drama não está relacionado com o simples facto de Rosa Mota não ter sido considerada quando se falou de pagamentos?

 

- Será que Rosa Mota se esqueceu que as homenagens não são dados adquiridos e que podem ser retiradas (e aqui nem foi o caso)? Será que Rosa Mota ainda não percebeu que as homenagens não surgem a pedido? Rosa Mota não é proprietária do espaço, portanto é algo que era passível de acontecer a qualquer momento.

 

- Será também Rosa Mota melhor que muitos portuenses que têm trabalhado para o desenvolvimento da cidade? E são muitos que diariamente fazem mais do que dizer que são do Porto. Não são apenas portuenses em capas de revista ou tempos de antena partidários. Além de que ainda circula a história de que perante a falta de subsídios a atleta ameaçou representar outra bandeira - se foi verdade, desconheço, mas fica aqui uma boa dica para o polígrafo investigar.

 

- E será que vale mais ter um espaço em ruínas com um nome de um atleta ou um espaço dinâmico e que se pode rentabilizar a si próprio?

 

- Deste modo, não devemos também devolver o nome original à primeira ponte sobre o Tejo? Consta até que o pouco democrático indivíduo em questão nem queria o seu nome na mesma!

 

E será que Francis Obikwelu, Fernanda Ribeiro, Aurora Cunha, Manuela Machado (eleita a melhor atleta ibero-americana em 1998) e tantos outros são menos importantes que esta senhora, ou será que o facto de não estarem ligados a partidos políticos (excepto Fernanda Ribeiro)e corporativismos tem influência? Em países pequenos, onde são sempre os mesmos, é isto que acontece... Muitas ditaduras e muitas sensibilidades.

 

Uma nota final: e se efectivamente o Presidente da República cancelou a sua presença na inauguração do espaço por desconforto com esta situação, temos mais uma vez Marcelo igual a si próprio, ao sabor do vento e a presidir a um país para comunicação social ver. Além disso, a ser verdade, mais uma vez, Marcelo toma parte numa matéria que nada tem a ver com a posição que ocupa.

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A Democracia Pervertida

por Robinson Kanes, em 17.09.19

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Créditos: https://www.concrete-online.co.uk

 

 

A política de espectáculo oculta os problemas de fundo, substitui pelos programas o encontro da personalidade, embrutece a capacidade de raciocíonio e de juízo em proveito das reacções emocionais e sentimentos irracionais de atracção e antipatia (...) os cidadãos são infantilizados, deixam de se envolver na vida pública, ficam alienados, são manipulados por gadgets e imagens, a Democracia é desnaturada e pervertida.

Gilles Lipovetsky, in "O Império do Efémero"

 

 

No passado dia 15 de Setembro, foi o Dia Mundial da Democracia, do que vi, pouco se falou, até por aqui... Um ou outro apontamento, mas nada completamente dedicado, a Democracia não está na moda, não é hype que queiramos seguir. Confundimos Democracia com total liberdade, sobretudo com liberdade para ser apático, nulo na capacidade de ser humano e cidadão.

 

Repito, tantas e tantas vezes, e não me cansarei de repetir (e não sou o único) em como é possível que uma sociedade que atingiu o topo da evolução - pelo menos em comparação com períodos históricos anteriores - esteja tão apática, tão embrutecida e tão ausente da realidade. No apogeu do que é ser um humano, e no apogeu da informação, nunca estivemos tão virados para nós e tão alheados do mundo, nunca fomos tão moldáveis e tão criticos daqueles que assumem a nossa defesa porque não fica bem que alguém nos aponte o dedo e o apoio a estes pode retirar-nos da zona de conforto. Em Portugal, por exemplo, nunca estivemos tão alheados do que se passa por cá e especialmente por esse mundo, nunca estivemos tão renitentes a aceitar a realidade e a discutir a mesma - o provincianismo também se encontra aí.

 

Criticamos/elogiamos quando é moda, mesmo que seja algo que nem percebemos muito bem, e deixamos o que é realmente importante de lado. Entregamo-nos à hipocrisia, e pegando num dos exemplos mais recentes, ficamos amigos da Amazónia e queremos mudar o mundo com um like ou com uma fotografia, no entanto, com o nosso país em chamas estamos completamente desligados - a tragédia dos incêndios este ano, em Portugal, passou completamente ao lado! Algo maravilhoso em pré-época de eleições legislativas e também porque alguém disse que não se recandidaria perante a repetição de tragédias semelhantes a Pedrogão e aos incêndios de Outubro daquele fatídico ano - mesmo que, todos os anos, desde então, muitas tragédias se repitam.Importa lembrar também que, muito convictos da nossa liberdade, só nos lembrámos da Amazónia porque fomos quais carneiros, seguidores de uma campanha anti-Bolsonaro. Com isto, não quero ilibar o senhor da sua responsabilidade, mas a verdade é que a questão só teve destaque por isso mesmo e não porque andamos preocupados com a floresta!

 

Ouvi alguém dizer, um destes dias, que o "ideal era arder tudo, os portugueses e tudo o mais para ver se isto começa de novo com gente mais digna de ser chamada de português", portante uma espécie da castigo divino qual dilúvio "noeniano". É extremo, mas convenhamos que é um alerta para algo.

 

Somos também os primeiros a ficar revoltados porque um desconhecido escreveu que o ser-humano era uma peste, mesmo que todos os dias deixemos escapar que o ser-humano é estúpido e mesmo que humilhemos aqueles seres-humanos que nos rodeiam, mas quantas vezes assumimos uma posição para mudar alguma coisa? Quantas vezes saímos do nosso conforto, dos nossos artigos, das nossas redes sociais para fazer alguma coisa? Quando é que deixamos de ser heróis à mesa do café e passamos a ser heróis na praça e com a coerência desejada? É mais fácil continuar como se está, ou numa eterna hipocrisia ou num eterno queixume! E ai daquele que se mexa, esse é arrogante e estúpido! Alguém disse o que pensava (mesmo que da forma menos correcta) e temos uma calamidade nacional... O país arde, os profissionais de saúde não têm meios para trabalhar, a corrupção grassa, mas isso pouco importa... Somos básicos e infantis, gostamos de uma mão protectora que nos retire o ónus da cidadania e do sacrifício.

 

Pode ser até que estejamos num mundo de palermas como nos quis dizer o Shade, da "Esperança" de Malraux. Shade só gostava de "problemas" e criticava o facto de "toda a gente (andar) agora com as cabeças inchadas desmedidamente inchadas e não (saberem) o que fazer com elas". Shade, hoje, seria estúpido... Provavelmente seria isso que López lhe chamaria. Provavelmente, alguém que partilhe destas palavras também seja estúpido... Talvez eu seja estúpido...

 

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Créditos

Imagem 1: https://ionline.sapo.pt/artigo/657951/passadeiras-lgbti-campolide-pinta-passadeira-com-a-cor-do-arco-iris?seccao=Portugal

Imagem 2: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/as-promessas-antonio-costa-umas-sim-outras-80010

Imagem 3: https://sicnoticias.pt/pais/2018-06-28-Marcelo-Rebelo-de-Sousa-vai-hoje-as-Lajes-antes-de-regressar-a-Lisboa

 

 

Qualquer indivíduo que percorra a freguesia de Campolide acaba de perceber que a NOS lançou uma mega-campanha que passa por colorir as estradas com as suas cores e com o seu logótipo. Os mais cépticos dirão que se trata de uma campanha publicitária de privados a ser realizada com dinheiros públicos mas... Na verdade, quem é que não vai sentir vontade de ver a Guerra dos Tronos via NOS ao invés de utilizar a Vodafone ou a MEO? Aliás, para aqueles que estão sempre zangados com as facturas da televisão e do telefone, podem agora cuspir em cima da NOS e pisar toda uma organização! Digam lá que isto não é responsabilidade social?

 

Quem não utiliza passadeiras, e por norma segue por muitos atalhos, é Marcelo Rebelo de Sousa e também António Costa! Marcelo, como já é hábito, sente a necessidade de justificar perante os portugueses que um comportamento seu ocorreu por determinado motivo - a isto chama-se insegurança - e utiliza sempre o maquiavélico discurso de que os "portugueses perceberam", os "portugueses querem" ou os "portugueses decidiram". Não, senhor Presidente, fale por si, até porque uma milhão e qualquer coisa de votos e uma total ausência de bases credíveis não lhe permite utilizar esse discurso. A desculpa esfarrapada do "eu estava na China e não sabia de nada" também não serve, como não serve o paternalismo gasto do "eu sirvo para prevenir crises" dando a subentender que, soubesse o Presidente, rapidamente salvaria a Nação - um pouco como um dos seus ídolos, o Professor Salazar.

 

Também não entendo o espanto de Costa e Marcelo com Joe Berardo! Berardo "apenas" utiliza discurso mal trabalhado e burgesso de quem enriqueceu de forma rápida (muito rápida) mas nem por isso enriqueceu como pessoa! Joe Berardo apenas se comportou como tantos outros que são efectivamente os "donos disto tudo" e continuam a gozar de total impunidade! Joe Berardo cuspiu na cara dos portugueses como todos os outros desde Paulo Portas, Oliveira & Costa, Isaltino Morais, Salgado & Ca., António Domingues, José Sócrates, Vitor Constâncio (até foi "promovido" para o Banco Central Europeu) e um sem número de deputados, advogados do regime, políticos e alguns gestores e empresários dignos de serem fechados numa prisão e nunca mais abandonarem a mesma sob pena de levarem o país à bancarrota! E piores que estes visados, os parasitas que em torno destes deambulavam, alguns até continuam a ter destaque em jornais, rádios e televisões como se fossem representantes da moral e da opinião nacional!

 

Mas... Onde estava António Costa quando José Sócrates faltava ao respeito a Juízes e Procuradores? Terá ficado chocado? Onde estava Marcelo quando elogiava largamente Berardo? Ou... Onde está Marcelo quando o tema é a família Salgado? Aliás, esse é um tema do qual o nosso Presidente "foge como o diabo da cruz", já diz o povo. Onde está o choque com as instituições de solidariedade social, muitas delas metásteses da corrupção que grassa pelo país? Onde está o choque com os crimes cometidos pela Igreja e com os indultos presidenciais concedidos a padres que maltratam (sendo parco na afronta escrita) crianças? Onde está o choque de Marcelo e também Costa? Onde está o choque de Marcelo quando não retira as condecorações a indivíduos como Mourinho e Ronaldo que deveriam estar presos em Espanha por fuga aos impostos? 

 

Estou em querer que Berardo se esqueceu de pagar alguns favores ou então de enviar algumas garrafas de vinho da Bacalhôa para estes dois senhores... Marcelo já mostrou que não reage bem a isso - sobretudo quando não foi convidado para a "ilha Salgado" em Angra dos Reis numa certa passagem de ano e acabou a cuspir no prato que comeu... Será que também não foi convidado para um humilde almoço na pobre casa de Berardo, aquele T0 em Azeitão e muito modesto que dá pelo nome de Quinta da Bacalhôa? Pode sempre tentar no Bombarral, na pobrezinha Quinta dos Loridos cujo valor de mercado é tão baixo que não paga as divídas deste senhor.

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Perguntas a Centeno e a Tantos Outros Reis Nus...

por Robinson Kanes, em 06.01.18

 

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Fonte da Imagem: Própria.

 

Em Roma tudo se compra

Juvenal, in "Sátiras"

 

Como é que podemos ter confiança num qualquer político que se vende por um bilhete de futebol (entre muitos, Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira) colocando em causa a sua imagem, o país, a ética, os valores, o Estado e a honra?

 

Como é que podemos acreditar que quem se vende por um bilhete de futebol não se vende por coisas de maior dimensão?

 

Como é que podemos acreditar que um economista se esqueça de uma das máximas da economia, nomeadamente de que não existem almoços grátis?

 

Como é que ainda existem pessoas que acham normal este tipo de situações quando podem ser muitas vezes os interesses dos país em jogo? Por menos, Marcelo Rebelo de Sousa, nos tempos da ditadura, foi corrido da tribuna dos ministros porque ao acompanhar o pai ouviu que aquele espaço era para os ministros e não para os filhos dos mesmos.

 

Porque é que são escândalos atrás de escândalos mas é sempre a mesma coisa - impunemente se vai caminhando?

 

Porque é que se faz um escândalo (e até certo ponto, bem) com a "Raríssimas" (aquela de que já não se fala porque muitos nomes começaram a vir para a Praça Pública) e se fala menos da Fundação "O Século" que imediatamente após buscas teve logo indivíduos que foram constituídos arguidos? Importa lembrar que foi o escândalo que levou a Polícia à Raríssimas, no caso da Fundação "O Século", foi o contrário.

 

Mas também não é de admirar... Se o verdadeiro Cristiano Ronaldo não paga impostos e ainda se dá ao luxo de provocar a justiça espanhola, porque é que o Cristiano Ronaldo das finanças deveria ter vergonha de vender a honra por um bilhete de futebol para si e para o filho...

 

Porque é que o Dia de Reis em Portugal passa completamente ao lado das celebrações natalícias? Será porque ostentar um bolo-rei não provoca (na nossa cabeça) uma grande aceitação social? Será que é por não podermos dizer que fomos às compras adquirir um... bolo-rei?

 

Feliz dia de reis... Mesmo que eles caminhem nus... 

 

 

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Quando os Porcos Não Se Distinguem dos Homens...

por Robinson Kanes, em 24.08.17

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A Marcha do Cavalo de Tróia sobre Tróia - Giovanni Domenico Tiepolo (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria.

 

 

Há temas que não merecem a nossa atenção, contudo, não merecem a nossa atenção até envolverem aqueles que representam os cidadãos. Posto que o Ministério da Educação entrou em campo de lápis azul no caso dos manuais de actividades da Porto Editora, não poderia deixar passar esta situação em claro.

 

Sinto-me como um animal preso numa quinta incendiada, com vista para o atlântico e, como animal nessa quinta, a aperceber-me de que "dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens" começa a ser "impossível distingui-los uns dos outros". Foi assim que Orwell, em a "A Quinta dos Animais", tão bem soube definir a sociedade da época e que não parece ter evoluído muito deste então. Até me espanta que o livro acima esteja no Plano Nacional de Leitura face a muito do que se tem assistido.

 

A ditadura é tal que já não se pode ser menino nem menina, no entanto, não é raro o dia em que não vejamos um coro de vozes a exaltar a "homossexualidade" (é só um exemplo)... Dizem que é uma defesa da causa e que lutam contra a diferença. Quando não quero ser reconhecido procuro não andar em bicos de pés a chamar a atenção para a minha pessoa. Queremos liberdade sexual e vincar a diferença sob a capa da igualdade, depois andamos a discutir que entre meninos e meninas não há diferenças?

 

Como é que vamos fazer em relação às casas-de-banho? Vamos retirar o urinol do WC dos cavalheiros? Vamos distribuir pensos higiénicos para o sexo masculino (alguns bem precisavam de facto)? Também vamos obrigar os meninos a brincar com bonecas (e há muitos que brincam, eu brinquei muito com a Barbie e com o Ken quando ia visitar uma das minhas primas)? As coisas acontecem naturalmente e não é crime nenhum ver uma "miúda" a andar de skate, no entanto, quando começamos a impor comportamentos as coisas começam a tornar-se mais sérias, sobretudo se esses comportamentos visarem uma larga maioria (quando esta não provoca dolo nos demais) que só comete o erro de simplesmente existir!  Mas deixo uma outra questão: vamos fechar os retalhistas de vestuário que têm uma secção para meninos e meninas? Não aprendemos nada com a história do "Happy Meal".

 

Porque é que andamos a dizer mal da Porto Editora e a corroer o negócio da mesma com "não-problemas" e, por exemplo, no caso do Ministério da Educação, não andamos preocupados com dirigentes corruptos, professores que facilitam a passagem de alunos (já ninguém se lembra dos exames?), professores com meia-dúzia de anos de casa que se dão ao luxo de saírem do país por dois anos para passear, voltarem e terem um lugar à disposição (perto de casa) estando à espera de um filho e consequentemente com uma "baixa" a caminho, prejudicando alunos e outros colegas? Não é que seja a pior coisa do mundo, mas aqueles que estão anos à espera de colocação e muitas vezes ficam sem trabalho por causa destes indivíduos? E as bolsas e os apoios aos livros? Andei numa faculdade onde sabíamos sempre quando as bolsas eram pagas, tal era o desfile de vaidade dos "pobres" bolseiros. Quantos portugueses beneficiam de apoios sem merecer os mesmos no que toca a educação? Vivemos na época do elemento distractor, mas começa a ser demais.

 

Estas são as perguntas que os portugueses querem ver respondidas e não o "Index" a promover a existência de uma só "religião" e de uma só forma de ver as coisas só porque meia-dúzia de indivíduos exerce mais pressão que 10 milhões... Os extremos tocam-se e... Se noutros regimes se promove a diferença, noutros promove-se a igualdade de uma forma que quem for diferente arrisca-se a acabar num auto-de-fé.

 

Um destes dias ainda vamos perceber que distinguir cidadania de opressão deveria ser punível por lei, vamos perceber também que não é o indíviduo isolado que assim pensa, até porque Nietzsche dizia e bem que "a loucura é rara nos indivíduos - mas é a regra, no grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas"... Como é estranho que num país onde grassa a corrupção, o favorecimento ilícito, o terrorismo interno (incêndios e não só), os desvios à ética e a ausência de planos estruturais para o país, ninguém procura leis que não estabeleçam diferenças nessas temáticas... A igualdade é muito importante, desde que o pensamento dos outros seja igual ao meu... 

 

 

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Política Autárquica de "Selfie"...

por Robinson Kanes, em 23.08.17

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 Fonte das Imagens: Própria

 

Depois da grande reportagem da Trafaria TV, da autoria da Maria (sim, simplesmente Maria), acerca de cartazes das autárquicas e do seu conteúdo lascivo, a Robinson TV decidiu também ir à procura de alguns exemplos. A reportagem da Trafaria TV pode ser vista aqui.

 

Os nossos correspondentes encontraram em Ponte de Sor uma equipa jovem, tartarizada (aumentem a imagem, mas não se  choquem) e acima de tudo corajosa, ou alguns dos seus membros não vestissem um blazer azul com quadrados pequenos ou então de estilo liso mas em azul-choque - o bolso no peito também é uma realidade. Escapa o candidato a presidente que apenas se esqueceu de fazer a barba no dia em que tirou a foto para o cartaz de campanha. Neste, surge com um semblante de personagem de um qualquer livro de catequese.

 

"Juntos no rumo certo" é o lema, no entanto, confesso que uma selfie tirada com um telemóvel em tons de dourado me deixa sempre apreensivo, sobretudo quando se apela ao voto popular e se vai viver do erário público.

 

Uma nota: será que é boa ideia votar em candidatos que dizem estar empenhados em satisfazer as necessidades do concelho mas depois adoptam o comportamento humano de estarem auto-centrados a tirar uma foto a si próprios? Acabo por ficar com a sensação de que a modernidade não está no facto de se tirar uma fotografia com um smartphone mas sim no reforço do "eu". Só a definição de selfie já responde a muitas perguntas...

 

Finalmente, pois não sei se é a fotografia que é tratada, se é o brilho do telemóvel, sugiro que o indivíduo de casaco ofuscante consulte o médico, pois aquelas mãos amarelas não auguram nada de bom.

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E se em Ponte de Sor a moda da selfie parece estar a resultar, em Alcochete também já seguem a mesma estratégia, até o verde-água sai da arca de naftalina e vem para a ribalta. Mas Alcochete é terra de gente rija, onde se arregaçam as mangas e enquanto os "busca-tacho" estão mais interessados na fotografia, o candidato a presidente surge de cinzento a olhar para o povo com um olhar que transmite a sua mensagem:  "se pudesse candidatava-me sozinho, mas tenho de levar sempre a caravana atrás". E somos ou não somos um país com uma luz única? Olhem para os olhos deles, que mal se abrem, parecem estar todos a olhar para o mais brilhante lingote de ouro do mundo... Talvez até estejam, pelo menos é essa a expectativa no início de Outubro...

 

 

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O Ódio Dos Moralistas...

por Robinson Kanes, em 22.06.17

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Artemisia Gentileschi - Judite Decapitando Holofernes (Galeria Uffizi)

 

Fonte da Imagem: Própria

 

O drama dos incêndios (e outras recentes polémicas) criou um facto curioso e que me fez ir à procura de “material” que permitisse dissertar sobre algumas inquietações e ter também o vosso retorno.

 

De facto, torna-se interessante assistir a um comportamento nas redes sociais e até nos blogs que já não é novo mas que, pela proximidade dos acontecimentos, torna as situações mais evidentes.

 

Vejamos... Nas redes sociais, nos media digitais e nos blogs, de um momento para o outro passamos do sentimento mais comovente e de revolta com os factos para as fotografias das “mini-férias” ou do fim de semana espectacular no Algarve. Rápida a transição do “estou em choque” para o “yuppie” (também existe o contrário)... Sim, estou chocado, mas tenho a necessidade de mostrar ao mundo que estou em “altas”. 

 

Mas o que tem sido interessante é a proliferação da mensagem contra o “ódio”. Hoje em dia, discordar de uma situação ou do status quo é odiar (ou populismo), sobretudo se o ódio for contra aqueles que defendemos (ou somos pagos para defender) diariamente em blogs e redes sociais. Interessante também, que muitos dos que criticam o ódio acabam por incitar ao mesmo, especialmente quando recorrem ao vernáculo e ao ataque directo...

 

Eu tenho mais medo dos “amigos” (e dos alpinistas) que defendem alguns do tal “ódio” e que são privilegiados na comunicação do que daqueles que odeiam e soltam os seus desabafos no momento... É que os últimos não procuram manipular ninguém e tendem a ser insentos. Acredito que muitas vezes só querem justiça, mesmo que não expressem essa vontade da melhor forma. Tenho medo daqueles que vivem tranquilos, à sombra de clientelismos, de uma pseudo-fama e de alguma pseudo-importância que nos tenta ser impingida todos os dias no sentido de nos fazer acreditar que são estes os "representantes" da voz do povo - e não falo de políticos como já perceberam. Não tenho medo do povo "revoltado", aliás, nem qualquer bom estadista tem medo do seu povo...

 

A apatia (ou falsa apatia) tende a reinar sobre a justiça... E se um povo pede justiça, ao invés de também descarregarmos um discurso de ódio, devemos inicialmente pensar o porquê de tanta revolta, de tanto ódio, se quisermos considerar uma solução. A apatia que nos faz ser líderes de uma certa sobranceria virtual não nos torna melhores do que aqueles que criticamos, pelo contrário.  Mas talvez seja mais fácil ignorar a interrogação de Steinbeck e deixarmo-nos arrastar ao invés de nos deixarmos guiar pelos nossos principios. Talvez o retorno seja imediato, porque a justiça é mais morosa e nem sempre nos enche a conta bancária ou o ego...

 

Mas talvez seja isso... Talvez, nós que tantas vezes somos tão solidários e "boa onda", sejamos bem piores que um povo que efectivamente se revoltou com a perda estúpida (sem aspas) dos seus compatriotas... Porque nas cidades, os apáticos e falsos moralistas de sofá continuam a apaziguar à calma de metralhadora na mão...  No entanto, se um dia o país precisar verdadeiramente destes indivíduos, fora do digital e das palavras, serão os primeiros a fazer as malas e a partir. Até porque é sempre mais fácil chorar do que assumir as responsabilidades...

 

 

 

(Este espaço esteve parado durante estes dois dias, por uma razão simples: respeito pelas vítimas e pelo luto e também pela necessidade de ouvir, de pensar... Sobretudo quando praticamente todos querem falar, mas poucos querem ouvir...).

 

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Fonte de Imagem: Associated Press

 

De resto, nós não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos.

Albert Camus, in a Queda

 

 

São oito horas da manhã, acabo de chegar ao carro depois de um passeio pela praia com o meu cão, ligo o rádio e escuto: 43 mortos e 59 feridos no incêndio de Pedrógão Grande (última actualização a 21/06: 64 mortos e mais de 179 feridos + 25 em Góis)! Muitos dos mortos morreram ao tentar fugir das chamas dentro das viaturas!

 

Não sei o que dizer! Por muito que tenha um Primeiro Ministro que, perante a ausência de uma equipa de comunicação não consiga ter um discurso à altura; por muito que tenha um presidente de afectos e do povo (mas sem perder o discurso burilado) que, sem informação concreta e sempre na busca de protagonismo, tem como primeira abordagem dizer que a culpa é do tempo; por muito que tenha um presidente da Liga de Bombeiros que ocupa uma “centena” de cargos neste país e salienta que é a natureza revoltada a causa de tantas mortes, só me apraz dizer: VERGONHA!

 

Vergonha de todos os anos ser a mesma coisa! Vergonha de ir constantemente a Espanha e, quando o tema são os incêndios, indagarem como é possível num país como o nosso! Estar em Plasencia, local árido e debaixo de 43 graus e me dizerem que não têm medo dos incêndios mas sim daqueles que podem chegar do outro lado da fronteira! Vergonha de ouvir promessas, de ver o meu povo a entrar em depressão porque não tem lugar para colocar a toalha na praia ao invés de exigir mais àqueles que nos governam! Vergonha de ver um lobby de indústrias e de associações (incluo aqui muitas corporações de bombeiros e outras associações de cariz solidário) a continuar a facturar com a miséria daqueles que vêm os seus bens ou as suas vidas destruídas pelos incêndios! Ver a total displicência dos altos cargos da nação visivelmente comprometidos e numa posição de “sacudir água do capote”, do seu e de outros! Vergonha de ver os mesmos oportunistas de sempre a pedirem donativos para as vítimas dos incêndios (não darei um euro)! Vergonha de não existir uma clara aposta na prevenção! Vergonha pela ausência de meios! Vergonha por ver helicópteros e aviões parados por falta de milhares para a manutenção, quando as frotas de viaturas de luxo do Estado são renovadas constantemente e até se pagam subsídios mensais de €40.00 a motoristas para lavarem as mesmas (e ai de quem ousar retirar tal subsídio). Vergonha de ver alguém (sem formação sequer na área) arrecadar €15.000 para “estudar” a compra de uma viatura táctica de combate a incêndios que custa pouco mais que esse valor! Vergonha de ver reinar uma sensação de impunidade e o compadrio provinciano ao qual também estão sujeitas entidades da protecção civil! Vergonha de ver um povo que se revolta mais se o país vizinho levanta um processo a um jogador de futebol por fuga aos impostos e até aplaude a corrupção em muitas áreas (com a célebre desculpa do “se não for assim”) e não é capaz de pedir mais ou assumir uma posição em relação aos destinos do seu país, sobretudo quando está em chamas! 

 

Onde estão os pais que tanto apregoam amar os filhos mas não se preocupam com as gerações futuras? Onde estão as acções concretas para mudar o rumo das coisas? Onde estão os cidadãos? Partilhar a “porcaria” de lamentos e cruzes nas redes sociais não muda a situação! Torna-vos (na vossa cabeça) mais aceites pelos outros, mas é só isso! Porque é que entre os países do sul da Europa, Portugal é o único a ver a sua área florestal a decrescer (30%!!!)? E a questão do corpo de guardas florestais? Porque é que só se fala de incêndios no Verão? Porque temos sempre a sensação de que a abertura da "Época de Incêncios" é uma espécie de "vamos lá que isto agora é que vai ser"?

 

Já chega! É preciso dizer basta!

 

Onde estão cumpridas as promessas do ano passado, feitas à pressa e com tanta pompa e circunstância (e com o país em chamas) por parte de Primeiro Ministro e Presidente da República? Não chegam sorrisos e afectos! Num mundo onde os sorrisos e as palavras soltas valem mais que acções concretas, temos de começar a pensar nos riscos e nos prejuízos da inoperância prática! Ignorarmos os factos e focarmo-nos na autopromoção e no discurso elaborado, sobretudo nesta temática, está a destruir o país! Onde estão os resultados? As coisas não acontecem com demagogia e afectos, bem como o mundo não avança com selfies! Se tivermos noção que aqueles que devem fazer algo o estão a fazer, passamos bem sem abraços e beijinhos!... Ou talvez a nossa preferência se fique efectivamente pelo folclore digno de filmes satíricos balcânicos.

 

Não digam também, às famílias daqueles que morreram que a culpa é do tempo, quando a ausência de trabalho e prevenção são notórias. Até poderão ter sido as condições meteorológicas, mas todos os anos? Tenham a vergonha de nem sequer aparecer junto dessas famílias! Não são discursos dignos de eucaristia a horas de telejornal que mudam as coisas! A responsabilidade de termos um país mais dia menos dia, transformado em carvão é vossa!

 

Eu tenho vergonha... Porque a culpa também é minha! Porque os culpados somos todos nós! À data, sinto que também sou responsável pela morte deste número de pessoas e isso envergonha-me!

 

 

 

 

Ainda a digerir esta situação, este espaço vai estar parado durante os próximos dias... Até porque o ano passado disse convictamente que uma desgraça muito, mas muito grande um dia iria acontecer a propósito do nosso “desprezo” pela questão dos incêndios... 

 

Últimas notas: a todos os que lutam contra a chamas com sentido patriótico enquanto, muitas vezes, outros sem qualquer preparação os empurram para o inferno, as minhas palavras de profunda ADMIRAÇÃO! Já escrevi sobre isto aqui. Lutemos! Agora, de facto, é o melhor a fazer.

 

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