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Porquê? Ainda sobre as "fake news"...

por Robinson Kanes, em 25.03.20

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Fonte: https://www.americangrit.com/2018/07/25/challenges-wed-like-see-internet/

 

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e a conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente".

 

Todos falam de "fake news", é tema corrente, mas à boa portuguesa (e não só) quando é altura de fazer alguma coisa continuam as vozes mas os braços tendem a não aparecer... Ou a serem cortados.

 

Foi preciso um indivíduo português estar em Inglaterra e acompanhar as notícias da sua pátria para denunciar uma das maiores escandaleiras dos media em Portugal. A história da liberdade de imprensa, que agora vai sendo chamada de liberdade de comunicação, vai-nos mostrando que "alguém" continua a ter mais liberdade que os demais. Até quem nos governa tem limites, inclusive num cenário de "Estado de Emergência", já alguns media... Um dia ainda vamos ver uma guerra a ter início por causa de um "jornalista" de trazer por casa se lembrar que afinal não estudou para relatar factos mas emitir opiniões e até criar esses mesmos factos, mas espera aí, isso até já...

 

Referi aqui também alguns exemplos de como se pisa o risco e não se recolhem as consequências, no entanto, uma estação de televisão (SIC) foi mais longe e mostrou uma Londres envolvida no caos por causa do "vírus chinês", como já é apelidado.

 

Ao vídeo, bastante actual (2011) atribuiu-se uma história rocambolesca e que não desculpabiliza a jornalista que o fez sair para a rua mas também não pode desculpabilizar um director de informação e todos aqueles que também são responsáveis pela informação do canal, inclusive o "pivot" que "lançou" a notícia como se de um filme de terror se tratasse. Podemos errar no vídeo, mas não  podemos errar na montagem que é feita em torno do mesmo, isso é ir longe, demasiado longe.

 

Também foi preciso que um indivíduo em Inglaterra, sim, em Inglaterra, viesse mostrar a falsidade desta notícia! Em Portugal passava, como passavam tantas outras e ninguém dava por nada. A prova de que bebemos tudo aquilo que nos colocam à frente sem sequer questionar ou pensar é assustadora e enquanto andamos todos galantemente a achar-nos muito esclarecidos e letrados, não passamos de um bando de ovelhas que procura a sua relva sem olhar ao essencial. Reclamamos e achamo-nos demasiado espertos quando uma chefia nos pede para fazer alguma coisa, por exemplo, mas digerimos tudo o resto com uma facilidade tremenda, daí serem sempre os mesmos com as mesmas mãos cheias de nada... Daí sermos um paraíso para que o "chico-espertismo" continue a vingar.

 

Finalmente, a SIC é também o tentáculo televisivo do "Polígrafo", será que essa notícia foi ao polígrafo? É que este polígrafo tende a diferenciar-se do polígrafo electrónico pela forma como é tendencioso e erra nas análises que faz, ou não fosse o seu fundador/editor, um indivíduo que esteve envolvido num escândalo por, alegadamente, ser sócio de uma empresa que promovia publicamente determinados indivíduos (alguns com o nome bem manchado) - algo incompatível com a profissão de jornalista.

 

O que aconteceu este fim-de-semana e tem vindo a acontecer nos últimos anos é grave, é muito grave, e a liberdade de informação não deve servir de desculpa para que se cometam as maiores atrocidades, já dizia Platão que "é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". Esperemos também que estes dias, sirvam para podermos pensar um pouco e desligar a televisão e algumas publicações electrónicas de vez... É altura de seleccionar aquilo que vemos e aquilo que queremos ser - e continuar a ser uma seresma, também é uma opção, a escolha final é de cada um.

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COVID 19: A Pouca Vergonha Mediática

por Robinson Kanes, em 16.03.20

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Créditos: https://www.facebook.com/soundsofmediapanic/

 

Tenho andado ausente, tenho pensado em reter as palavras, sobretudo numa altura como esta. Tenho opiniões muito próprias acerca da forma como a crise do COVID 19 está a ser gerida, mas vou guardar para mim. Acredito que cada Governo está a fazer o que pode e entendo perfeitamente o não querer fechar fronteiras. Quem quiser uma União Europeia e uma Europa forte e unida vai perceber o porquê - se não perceber, umas aulas de história contemporânea e da própria União, não farão mal a ninguém.

 

Continuo a trabalhar, não me fecho em casa, além disso não posso deixar parceiros, clientes e as minhas equipas sem apoio. Não está fácil, e provavelmente todos sabemos qual o final, mas enquanto houver esperança, chorar e lamentar não é permitido, a orquestra irá continuar a tocar e os homens não abandonarão o leme, aliás, em muitos, apenas um o quis fazer e a opção foi respeitada. Enquanto existir um cliente a precisar de nós, lá estaremos, até ao último homem! Se o Governo precisar de nós e das nossas infraestruturas, lá estaremos!

 

Deixei de ler jornais e afins. Sigo as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e recuso-me a pactuar com práticas que me deixam boquiaberto e me fazem pensar se o ideal, ao invés de fechar fronteiras, não é fechar jornais, algumas publicações online até televisivas.

 

Ver publicações de referência (será?) a partilharem testemunhos de indivíduos (amigos) que posam para o instagram enquanto criticam o Serviço Nacional de Saúde e passam a imagem de que é cool estar internado mesmo tendo arriscado sabendo que podia ser portador do vírus, deixa-me a pensar se a estupidificação colectiva atingiu o seu momento 2.0. Ter o vírus ou ter estado com alguém que, já me torna um especialista! Lamento, mas não, por isso, nestes tempos, o ideal é propagar as fotos pelo instagram e fechar a boca. O cunhismo e o compadrio também se perpetuam em tempos de crise, afinal muitos dos actores incompetentes são os mesmos que existiam antes desta crise!

 

Ver publicações de referência a partilharem testemunhos anónimos (sempre anónimos faz-me pensar se não serão epifanias de quem não tem nada que escrever) de que em Madrid, há duas semanas "parecia uma Guerra", estou a citar. Eu estive há duas semanas em Madrid (data da notícia) e a última coisa que se via era um clima de guerra, as prateleiras estavam cheias, as farmácias "vazias" e não havia caos nas ruas! Nem em Madrid nem nos arredores, e os arredores, no meu caso foram Getafe, Alcobendas e Alcalá de Hénares. Ainda esta semana saiu o relato do "inferno", estou a citar, na Noruega! Qual a publicação? Visão!

 

A semana passada, também lia numa publicação (Jornal I) que se focava no facto da baixa de Lisboa estar deserta e toda a gente andar de máscara! Falso! Só a partir de sexta-feira se sentiu uma quebra muito maior e mesmo no dia de hoje, são muitas as pessoas que andam sem máscara. O home office nas redacções deve estar a dar nisto! Se querem dar notícias verdadeiras, o melhor é saírem mesmo de casa, caso contrário, abstenham-se de falar do que não sabem.

 

Chega de instalar o medo! Basta! Liberdade de Imprensa não é o cultivo de ódios e do medo, e mesmo isso, deverá ser revisto no pós-crise COVID 19 - alguém tem de começar a ser punido! Não é com discursos destes que fazemos serviço público e muito menos estaremos do lado de quem nos quer proteger! 

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Irão: Do Pedido de Desculpas...

por Robinson Kanes, em 24.01.20

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Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décumo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Podemos até afirmar que não haveria outra hipótese... Que era a resposta esperada mas...

... Quantas vezes vimos altos responsáveis políticos e militares a assumirem o que generais, líderes políticos e religiosos assumiram com o abate do avião da Ukranian Airlines? Não passou uma semana e um país como o Irão assume a responsabilidade pela destruição de um avião com cidadãos estrangeiros e nacionais daquele país.

 

A verdadeira bofetada que o Irão deu ao assumir este acidente mostrou que os erros existem e mesmo em situações de alta tensão temos de os assumir! De quantos pedidos desculpas estamos à espera relativos a massacres, atentados e guerras iniciadas por países ditos desenvolvidos? Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação ao Iraque! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação à Síria! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas relativo a muitas colónias no Norte de África e na América do Sul! É importante lembrar que numa coisa tão simples como foi o "Bloody Sunday" na Irlanda do Norte, só com David Cameron o pedido de desculpas surgiu. E o pedido de desculpas relativo à destruição do avião da Malaysia Airlines sob território ucraniano? E mesmo as organizações empresariais que exploram crianças e demais população em países sub-desenvolvidos, o tais que em tempos era chique apelidar de Terceiro Mundo? E quando é que pedimos desculpas por fazer negócios e parcerias com países que torturam e eliminam dissidentes e indivíduos de diferentes etnias e culturas? Quando é que pedimos desculpas por apertar a mão a criadores de sistemas como o "skynet"?

 

O Irão, para o mal ou para o bem, deu-nos uma grande lição e mesmo não sendo o maior admirador do regime iraniano, tenho de reconhecer que se existissem mais líderes e países a ter este tipo de atitude o mundo poderia ser um local muito melhor! Além disso, não me custa engolir que um país como o Irão tem mais anos disto (civilização) que nós... Até porque, consta que ainda mais antigo que a própria Pérsia, é o Irão.

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Do Irão com Paixão...

por Robinson Kanes, em 08.01.20

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Imagem: Robinson Kanes (Não percam nunca a vossa amizade...)

 

 

O direito do homem a não matar. A não aprender a matar. Este direito não está consagrado em nenhuma constituição.

Svetlana Alexievich, in "Rapazes de Zinco"

 

 

Hoje não venho falar de visitas ao Irão... O Irão é mais que isso, é mais do que um postal, é um país com uma cultura e uma História que países como os Estados Unidos, por exemplo, nunca terão. Não vou ser contra os Estados Unidos, até porque prefiro (pelo menos para já) viver num regime mais semelhante ao norte-americano.

 

No entanto, não posso deixar de elogiar uma terra que me recebeu muito bem, quer pelas minhas origens culturais e religiosas totalmente diferentes quer por respeitar a minha negação das segundas. Denoto que algumas das discussões religiosas mais leves e mais abertas que tive aconteceram no Irão. Senti até que, ao contrário do que se diz, o dilema não se dá entre religiões mas entre "derivações" da mesma.

 

Não posso deixar de recordar aqueles sorrisos de homens carimásticos e de belas mulheres que podemos encontrar em qualquer cidade ou vila iraniana! Caramba, deixemos a porcaria da política e de interesses obscuros (vejam as acções de algumas empresas de armamento a subir) e foquemo-nos nas pessoas, no povo! Esse é um povo que não deseja violência, sobretudo no caso iraniano, que até por vários acontecimentos históricos demonstra uma grande vontade em estar junto do Ocidente, inclusive dos Estados Unidos.

 

Todavia, o que um povo não pode suportar é sofrer ameaças e sanções só porque uma Democracia decidiu atacar directamente o país - a morte de Qasem Soleimani é um ataque ao país. O povo iraniano e também o iraquiano não podem tolerar que uma Democracia invada os seus territórios e mate os seus líderes com total apoio de vários outros países e ainda recuse abandonar esses mesmos territórios. As ameaças de Donald Trump ao Iraque (e não falo do Irão) são qualquer coisa que deveria envergonhar qualquer democrata, qualquer cidadão com direitos, seja ele americano ou não! Junte-se a isto o abandono dos aliados curdos e mais vale cavarmos um buraco e escondermo-nos bem lá no fundo. A postura da comunidade internacional ocidental também é lamentável e nem o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas consegue esconder o facciosismo.

 

Todo este aparato só servirá para uma coisa: endurecer a postura do regime iraniano que já mostrava alguma vontade de abertura, além de que existem países aliados do Ocidente com maior limitação aos direitos humanos, e ainda reforçar o apoio ao regime por parte dos iranianos. Ninguém é isento de culpas, mas este levantar de poeira pode acabar da pior forma, até porque uma nação soberana e com a dimensão do Irão não pode cruzar os braços sob pena de se repetirem mais actos hediondos.

 

Os Estados Unidos e Europa estão também a perder uma oportunidade soberana de tomar parte na(s) nova(s) Rota(s) da Seda e com isso embarcar num caminho de prosperidade económica, social e política, aliás, estão neste momento a ser um entrave a esse desenvolvimento e a permitirem que países como a China e a própria Rússia aproveitem e assumam os destinos da região.

 

Todavia, neste momento, só me posso recordar de toda aquela gente boa, especialmente um pequeno grupo que, nas margens do Zāyandé-Rūd, partilhou connosco da sua comida, da sua casa e da sua vida, desde o primeiro momento em que nos conheceu numa clara demonstração de afecto que não vemos por cá, inclusive em Portugal, onde os principais seguidores da política dos afectos são os mais distantes daqueles a quem querem vender tamanha falsa ideia.

 

O Irão, aliás, os iranianos são um povo com quem todos temos de aprender e com uma bagagem intelectual e cultural que me faz, perante os mesmos, curvar-me e fazer uma vénia em respeito por tão importantes indivíduos. 

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Ferro Rodrigues e a Oxidação da Política.

por Robinson Kanes, em 06.01.20

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Henri Regnault - Execução Sumária (Musée d'Orsay)

Imagem: Robinson Kanes

 

A moral, mesmo quando se renova, anda mais atrasada em relação à melhor inteligência de cada época, do que os comboios em relação aos seus horários, quando os nevões obstruem as linhas.

Ferreira de Castro, in "A Experiência".

 

Já diz a malta que "e se o Ferro Rodrigues incomoda muita gente, o Ventura incomoda muito mais". Ou talvez não... Se existe uma coisa que André Ventura tem incomodado são os criminosos e muitos políticos deste país que, por sinal, alguns também são criminosos - tendo em conta que são cada vez mais, talvez daqui a um ano a forma como escrevi dê lugar a uma figura de estilo.

 

Sabemos que Ferro Rodrigues é mais um daqueles portugueses da nossa praça que caminha impunemente e não teme nada nem ninguém. Não querendo tecer considerações se foi ou não culpado (eu quero acreditar que não) num daqueles casos no processo Casa-Pia que poderia ter ficado mais bem esclarecido, até em abono do próprio. A nuvem em torno deste ainda paira!

 

Ferro Rodrigues também é aquele que disse não querer saber do segredo de justiça e claro defensor de um governo socialista que tem uma grande parte dos seus membros, inclusive o então chefe do executivo a contas com a justiça. Ferro Rodrigues também é aquele que abomina a palavra vergonha, e talvez por isso não utilize a mesma quando percebe que as dívidas dos partidos prescreveram. Não é uma vergonha, é um facto. É pulhice, é intrujice, é uma embaçadela criminosa!

 

Dá também que pensar o facto de Ferro Rodrigues, como presidente da Assembleia da República, venha ser parcial e atacar um deputado que estava a pôr a descoberto algumas peripécias do seu partido. Em Portugal deixou de ser pemitido utilizar a palavra "vergonha" ao que parece, desde que se seja de Esquerda, obviamente...

 

Ferro Rodrigues é mais um dos escroques que vai pululando por aí, com uma rede de influências nefasta e que é carregado qual Leão X aos ombros de todos nós que não exigimos justiça, não exigimos carácter e muitos menos integridade a alguém que tem ocupado os cargos que Ferro Rodrigues tem tido a sorte (só pode ser sorte...) de ocupar.

 

André Ventura não é perfeito, está longe de ser perfeito, no entanto, o patinho feio dos pequenos partidos entretanto eleitos para a Assembleia da República, parece estar a fazer mais que uma Iniciativa Liberal que se quer profissional e vanguardista mas que é antiquada e está na posse de meia-dúzia que de diferente em relação aos demais da praça, tem pouco. É uma espécie de malta cuja pele já não exala mofo, usa camisa sem gravata e blazer caro, mas ainda tem muito do seu pensamento a cheirar a bafio e vestido de preto. Uma espécie de "cool people" com mentalidade "retro".

 

Falar do Livre e da sua deputada, é pura perda de tempo...

 

André Ventura agradece e demonstra que é capaz de colocar muita gente incomodada - inclusive o próprio Marcelo que já aconselha este e aquele a candidatar-se ou não à Presidência, qual Presidente do Conselho perante Humberto Delgado, velhos tiques que não se perdem). Depois da vergonhosa atitude de Ferro Rodrigues, os aplausos de algumas bancadas, demonstraram bem de como o sistema político está montado em Portugal, ou seja, um verdadeiro cancro, com metástases que fazem do nosso país a república das bananas, como, certo ministro, há algumas semanas, fez questão de dizer que não o é. Um ministro que  foi empurrado pelo mesmo aparelho e por padrinhos e que Ferro Rodrigues bem conhece.

 

É importante lembrar que o Presidente da Assembleia da República é "só" a segunda figura da nação... Talvez Ferro Rodrigues leve isso tão a peito e ache que lhe dá direito de ser déspota ou simplesmente um sem vergonha, porque isto de ser déspota também exige um nível que Ferro Rodrigues e outros não apresentam.

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Da importância do CHEGA!

por Robinson Kanes, em 24.10.19

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Créditos: www.publico.pt

 

Não venho com este texto defender a ideologia de um partido como o CHEGA , ou até apelar a que este partido algum dia seja maioritário no parlamento. Não o defendo, até porque entendo que, como partido e como pessoa que tem à frente, ainda tem um longo caminho a percorrer, no entanto...

 

O modo como o CHEGA tem sido alvo de ataques no Parlamento revela que a "extrema" não está só com um deputado na Assembleia da República. O modo como outros partidos têm censurado a presença deste deputado (especialmente CDS-PP, BE, PCP e Livre - que afinal não é assim tão livre) é vergonhosa do ponto de vista da Democracia! Depois do partido ser catalogado como extrema-direita (como erradamente o Vox o é em Espanha), o partido populista, eis que agora é o alvo a abater - soa de forma estranha quando existem partidos com maior presença parlamentar que, segundo a União Europeia, estão equiparados a regimes genocidas e que não podem ser "permitidos" nessa União.

 

Também é estranho que André Ventura e membros do CHEGA não possam circular livremente em Portugal como outros o fazem! André Ventura vive numa bolha de segurança sob pena de ser agredido ou até abatido por expressar a sua opinião, dá que pensar quando apelidamos o CHEGA de intolerante. Outros circulam livremente, mesmo defendendo a morte deste e daquele político que vai contra a sua ideologia de pensamento único.

 

Para o mal ou para bem, vai ser interessante aferir como o Parlamento vai reagir à proposta de diminuição de deputados a apresentar pelo CHEGA. Vai ser interessante aferir qual a expressão dos inúmeros jornalistas que se referem a este partido em tom de "gozo" ou "desprezo" e de forma parcial indo contra a ética (se é que a mesma ainda existe) e tudo aquilo que aprenderam - inclusive, deturpando propostas e mensagens. Vai ser interessante ver os deputados e os responsáveis políticos a discutirem propostas e não a pessoa de André Ventura.

 

Como cidadão, "não me assusta" ter extrema-direita no Parlamento, pois também existe extrema-esquerda e não vejo muita gente preocupada com isso. Se é para acabar, acabe-se com as duas! Na verdade, uma coisa é certa, o CHEGA veio abanar o status quo e mostrar muita da podridão e hipocrisia presentes nos actuais partidos e movimentos políticos (pouco) amigos do cidadão.

 

O CHEGA é também um alerta àqueles que acusam André Ventura de se ter aproveitado do mediatismo na televisão. Em Portugal exemplos desses não faltam, um até é Presidente da República (outro, aos Domingos, anda a ver se o é) e foram precisos mais de 20 anos para chegar ao cargo, inclusive com jornalistas descaradamente a fazerem campanha pelo mesmo em prime time e espaços noticiosos. Um dos criticos,  que até alinha em "cartas abertas" contra André Ventura é Ricardo Araújo Pereira, cuja cor política, convicções e objectos de critica mudam sempre de acordo com orçamento e com as audiências - convenhamos, também nunca utilizou o espaço mediático (começou como "palmeiro) nem o clube desportivo para ser elevado de humorista à falsa categoria de intelectual-mor do reino.

 

Vamos esperar para ver... E contra os defensores da liberdade que estão contra, tenho de dizer: é a Democracia, estúpido!

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IMG_2374.jpgImagem: Robinson Kanes

 

 

Algures no Curdistão (não importa qual dos lados), longe daquilo que se pode chamar uma rota turística e onde dispensamos a utilização das câmeras fotográficas para "rede social ver", o sol parece queimar. Valem-nos as pessoas, se existe povo simpático e afável, esse povo encontra-se no Curdistão.

 

O calor faz crepitar a pele, por aqui a temperatura aumenta de forma considerável (ou desce na mesma proporção). Estamos perto de fronteiras sensíveis, nomeadamente com a Turquia, Irão e Iraque e já perto da Síria. Utilizamos vestes curdas, ajuda a  que não tenhamos problemas.

 

Existem povos que sempre reclamaram um Estado e têm conseguido esse intento com o apoio da comunidade internacional, já os curdos têm vindo a lutar ao longo de muitos séculos também pela sua independência e essa luta tem vindo a ser aproveitada também para que algumas potências consigam alguns dos seus intentos com escala temporal. Não procurando defender ou criticar a causa curda, a recente utilização e posterior traição dos Estados Unidos é exemplo. Mais uma vez utilizámos um povo, uma facção, um movimento para conseguirmos um objectivo claro e depois zarpámos! Sabemos os impactes que tal provoca no longo prazo, o terrorismo é um deles.

 

No entanto, existem coisas que ninguém deve ver. Não falo da morte em si, essa é inevitável tantas vezes. Não falo dos feridos nem de corpos decepados que nos consternam, que nos horrorizam e nos marcam para sempre. Refiro-me sobretudo ao cinismo e à truculência daqueles que empreendem o mais lucrativo comércio do mundo: as armas.

 

Ninguém deve ser confrontado com o mercado negro do armamento, em plena rua, sem qualquer embaraço ou segredo. Indivíduos cujas origens parecem vir desde o Médio-Oriente até á Ásia Oriental, passando pelo Ocidente e pela Europa de Leste. Armas, munições e até veículos com a chancela das potências da paz, outras com a chancela daquelas que se dizem culturas pacifistas. Máquinas de matar novas e usadas que irão cair nas mãos de homens, mulheres e crianças com um claro objectivo: matar outros homens, mulheres e crianças.

 

Quando pensamos em tráfico de armas nunca pensamos que em algumas situações possa ser verdadeiramente um mercado a céu aberto, um bazar onde se vende a morte. Engolimos em seco, imaginamos os efeitos em combate, até porque também sabemos como utilizar uma "arma ligeira" e os efeitos que a mesma provoca. Isso agonia-nos, deixa-nos angustiados e paralisados. Não podemos fazer nada, se o tentarmos acabamos com um projéctil na cabeça, muito provavelmente. Qual o destino destas armas? A Síria e o Iraque tão perto, tanta tensão no Cáspio...

 

Por perto passam os habitantes da "aldeia", indiferentes à chacina que está a acontecer, indiferentes ao facto de um dia poderem ser eles também vitímas do que ali se troca. São gente que vive o seu dia-a-dia, que já se habituou e que até é feliz assim, não podemos ver os outros apenas pela nossa perspectiva. Já outros, sabem muito bem o que está a acontecer e no olhar mostram toda a sua inquietação.

 

Contemplamos a paisagem em redor - estamos no fim do mundo entre pedras e montanhas. Imaginamo-nos no regresso, num hipotético centro de mundo, numa esplanada junto ao mar, enquanto naquele "fim de mundo"... Enquanto naquele fim de mundo sob a ilusão da religião, de algumas políticas se coloca fim à Humanidade.

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Imagem: https://www.kenya-today.com

 

 

A organização social dos homens parece-se muito com a dos ratos que, também eles, são no interior da tribo fechada seres sociais e pacíficos, mas que se comportam como verdadeiros demónios para com os congéneres que não pertendem à sua comunidade.

Konrad Lorez, in "A Agressão".

 

Que a presença/intervenção de nações não africanas naquele que é o mais belo continente do mundo mais de 50% das vezes não traz benefícios é um facto! E é talvez, por isso, que tivemos uma guerra civil em Angola, o genocídio do Ruanda, os desastres da Costa de Marfim e da Libéria e ainda um outro desastre que temos conhecido de perto devido à nossa intervenção na força de manutenção de paz, que é a República Democrática do Congo. Interessante que os países enumerados são quase todos francófonos...

No entanto, será que também sabemos o que se está a passar nos Camarões e no Burundi? As Nações Unidas sabem, muitos políticos de nações com interesses económicos ou simplesmente solidários sabem. Mas, e nós?

 

Nos Camarões, a pressão religiosa e sobretudo entre áreas francófonas e anglófonas, com primazia para as primeiras, levou a um conjunto de revoltas que acabou com a declaração unilateral de independência por parte da região anglófona, a "Ambazonia". Isto significou a destruição de toda e qualquer presença de poder soberano que restava dos estado camaronês e o estabelecimento de uma força separatista. Se a isto juntarmos violência entre comunidades, o Boko Haram, suportado pelo ISIS e o tráfico de armas perpetrado por "membros da Ambazonia" (alguns a residir no estrangeiro), temos um cocktail explosivo bem montado e que já faz jorrar sangue e consequentemente abre espaço para que possamos falar em genocídio. Acresce que existem outros intervenientes: as organizações não governamentais (ONG) a operar na região e que nem sempre têm em conta o interesse daqueles que aparentemente dizem proteger: muitas destas organizações têm ideais políticos, religiosos e até sociais que podem não trazer a estabilidade desejada. Os Camarões são um barril de pólvora na já turbulenta região ou este país não fizesse fronteira com países como a Nigéria, Chade e República Centro Africana.

 

Mas se este conflito ainda vai sendo pouco conhecido do grande público, existe um outro ainda mais oculto e que se candidata a ter também o seu capítulo na galeria dos genocídios africanos, quiçá, ao lado do Ruanda. 

 

O Burundi, o 2º país mais pobre do Mundo, com cerca de já 400 00 exilados e uma população em que 73% dos seus habitantes contraíram malária, é visto pelas Nações Unidas como um território no qual está a ter lugar um genocídio - em alguns casos, camuflado com as mortes por malária.

 

Aqui o cocktail explosivo não é melhor - o Burundi, com histórico em termos de conflitos tribais, tem um papel importante no acolhimento e apoio de hutus, aliás, é considerado pelo Ruanda como um albergue de hutus, uma maioria no Burundi. Por seu lado, o Burundi acusa as forças ruandesas "pós-genocídio", e maioritariamente tutsis, de terem perpetrado um segundo genocídio no Ruanda, dessa vez, contra hutus.

 

No Burundi, o presidente Nkurunziza continua a liderar o país com mão de ferro, esquecendo a constituição (acusando Kagame do mesmo perante a protecção da comunidade internacional) e continuando a fomentar os contratos de exploração mineira com a China e com a Rússia, isto ao mesmo tempo que estas nações (e outras) fecham os olhos à morte que assola o país. O acesso de ONG não é permitido, bem como todo e qualquer acesso a enviados de instituições internacionais como a própria ONU. Se a isto juntarmos a saída do Burundi do Tribunal Penal Internacional, as sanções do Banco Mundial no fornecimento de pesticidas e adubos, a "extracção" desregulada de café,  e mais uma vez, o fornecimento de armas por parte do "Primeiro Mundo", temos outro cocktail bem explosivo.

 

Ninguém sabe como tudo isto se vai resolver, os que se poderiam importar, vão extraíndo os bens daqueles povos e abandonarão os dois países quando nada restar e até lá... Até lá continuaremos a beber aquele café tão bom no conforto das nossas casas ignorando, talvez, o sangue que está em cada grão... Até lá continuarão a morrer pessoas, muitas delas, provavelmente nem serão números para uma estatística, num mundo que vive em delírio acerca do modo como pode gerir quantidades astronómicas de "data", alguns deles completamente irrelevantes...

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Giorgio Vasari e Federico Zuccari - Juízo Final/Pormenor da Cúpula (Catedral de Santa Maria del Fiore - Florença)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A maior parte do raciocínio exige uma interacção entre aquilo que as imagens presentes mostram como sendo o agora e aquilo que as imagens recordadas mostram como sendo o antes. O racicíonio eficaz também exige a antecipação do que vem a seguir, e o processo de imaginação necessário para a antecipação de consequências, também depende da recordação do passado.

António Damásio, in " A Estranha Ordem das Coisas. A Vida, os Sentimentos e as Culturas Humanas".

 

 

Foi aprovado pelo parlmento português um voto de congratulação pelo facto de um padre, José Tolentino Mendonça, ter sido nomeado para Cardeal no Vaticano. De facto, em bloco (excepto com o voto contra do PCP e do seu apêndice o PEV) o Parlamento congratulou-se com a nomeação. Sempre me suscitou imensa curiosidade que, num país com tanto para resolver e com tantos deputados que se dizem sempre muito ocupados, se perca tempo com estas coisas.

 

De um dia para outro, todos ficaram a saber que Tolentino Mendonça é um poeta e padre madeirense e que, segundo as palvras dos autores do voto de congratulação, "nos cargos em que tem servido, como padre, capelão e posteriormente vice-reitor da Universidade Católica, como responsável pela Pastoral da Cultura e pela Comunidade da Capela do Rato ou agora, como arquivista no Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, marcou e marca com o seu extraordinário humanismo e abertura ao mundo”. Honestamente? 99% dos portugueses não está interessado, apesar das toneladas de artigos e reportagens que procuram à força fazer-nos entrar este senhor pelos olhos!

 

Todavia, é extraordinário, Portugal está mais rico e mais desenvolvido porque existe Tolentino Mendonça, vejam-se os feitos conseguidos por este senhor - com tanta gente em Portugal a empurrar um país (que por vezes nem quer ser empurrado) para a frente, com tantos portugueses lá fora a fazerem de Portugal mais do que aquilo que muitas vezes é, e voltamos a nossa passadeira vermelha, mais uma vez, para a Igreja, ou melhor, para um outro Estado, o Vaticano. Eu sugiro, se não existir já, uma condecoração da República, afinal estas são as melhores formas de fazer amigos, pagar e cobrar favores - começou com Sampaio, passou ao de leve por Cavaco e tem o seu expoente em Marcelo. Junte-se a isto os favores às editoras com a feira do livro de Belém - as mesmas editoras que Marcelo promovia em horário nobre na televisão com livros que nunca lia.

 

E por falar em Marcelo: junte-se a isto que temos o beato-mor (ou será servo) do reino que já fez mais viagens ao Vaticano que muitos cardeais, que se ajoelha e beija a mão a um Chefe de Estado (o Papa representa o Estado do Vaticano) confirmando a submissão de todo um povo a um outro país, além de que, sempre que o assunto é Igreja Católica lá está na linha da frente, seja em procissões, seja para deixar o país em momentos criticos para ir ao beija-mão, seja até para vir a público defender a Universidade Católica (entidade privada) pelo simples facto de não pagar qualquer imposto e taxas e mesmo assim isso ser normal. Sabemos que a Igreja abre muitas portas, sobretudo a leigos, que o diga também António Guterres e até a muitos que foram encontrando alguns bons empregos graças a umas presenças constantes lá na capela ou igreja do sítio.

 

No entanto, este também é o país que, na sua Casa da Democracia, condena a criação de um museu em Santa Comba Dão, nomeadamente o Museu Salazar. Se por um lado aplaude um lado da história e cria um museu que tem vindo a ser apropriado pelo comunismo (Peniche) por outro quer varrer o outro lado da História para debaixo do tapete. Lembremo-nos que um dos braços mais fortes de Salazar e da ditatura em Portugal foi a Igreja, a mesma a que Tolentino Mendonça pertence e, no fundo, Marcelo Rebelo de Sousa e tantos outros servem. Fátima nasceu no Estado Novo, a mesma Fátima que agora move milhões e até já é palco para desfiles mediáticos com políticos e pseudo-estrelas de televisão a colaborarem para a selfie - é cool ser "mariano", essa grande obra do Estado Novo. Essa maldição que nem deve ser lembrada!

 

Todo o parlamento em bloco (para mim a abstenção de PSD e CDS-PP é apenas ridícula e portanto assumo como estejam a favor) votou que a História fosse apagada, mesmo aqueles que beberam do regime e claro, também aqueles que aproveitarem o 25 de Abril para irem construíndo algumas ditaduras mais ou menos privadas. Importa lembrar que, com o desaparecimento de muitos que chegaram ao poder após o 25 de Abril, o sentimento de um povo deveria ser de muita consternação e pesar, mas é somente de alívio. Nem a manobra de marketing com o funeral de Mário Soares teve sucesso, nomeadamente o "efeito espelho" para parecer que eram muitos os presentes. Portugal no pós 25 de Abril chega a lembrar-me a queda de Ceaușescu na Roménia, onde o novo regime foi distribuído pelos democratas de ocasião: a facção moderada do partido comunista, membros do partido e pelos outros que lutavam contra o regime mas nutriam uma paixão especial por ocupar os lugares do mesmo. A verdade é que nenhum lutador da liberdade morreu de fome, bem pelo contrário.

 

Mais uma vez, o parlamento, com tanto para fazer, perde tempos infinitos com votos de condenação que nada mais servem do que para justificar a criação de mais um grupo de trabalho sem quaisquer efeitos práticos. O Parlamento português votou ontem o apagar da História e à semelhança da Constituição, admitiu ser um estado praticamente comunista! E por falar em comunismo, porque é que não nos tornamos em paladinos da Democracia e fazemos, em Portugal, uma espécie de extensão do Museu do Terror de Budapeste ou até do Museu do Comunismo de Praga? Como se fez com o Hermitage em Málaga ou com o Louvre em Abu Dhabi.

 

P.S.: leram lá em cima "arquivista no Arquivo Secreto do Vaticano"? Sim, aquele que se um dia fica aberto ao público pode levar ao fim de muitas instituições por esse mundo fora, inclusive da Igreja Católica.

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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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