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Do Irão com Paixão...

por Robinson Kanes, em 08.01.20

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Imagem: Robinson Kanes (Não percam nunca a vossa amizade...)

 

 

O direito do homem a não matar. A não aprender a matar. Este direito não está consagrado em nenhuma constituição.

Svetlana Alexievich, in "Rapazes de Zinco"

 

 

Hoje não venho falar de visitas ao Irão... O Irão é mais que isso, é mais do que um postal, é um país com uma cultura e uma História que países como os Estados Unidos, por exemplo, nunca terão. Não vou ser contra os Estados Unidos, até porque prefiro (pelo menos para já) viver num regime mais semelhante ao norte-americano.

 

No entanto, não posso deixar de elogiar uma terra que me recebeu muito bem, quer pelas minhas origens culturais e religiosas totalmente diferentes quer por respeitar a minha negação das segundas. Denoto que algumas das discussões religiosas mais leves e mais abertas que tive aconteceram no Irão. Senti até que, ao contrário do que se diz, o dilema não se dá entre religiões mas entre "derivações" da mesma.

 

Não posso deixar de recordar aqueles sorrisos de homens carimásticos e de belas mulheres que podemos encontrar em qualquer cidade ou vila iraniana! Caramba, deixemos a porcaria da política e de interesses obscuros (vejam as acções de algumas empresas de armamento a subir) e foquemo-nos nas pessoas, no povo! Esse é um povo que não deseja violência, sobretudo no caso iraniano, que até por vários acontecimentos históricos demonstra uma grande vontade em estar junto do Ocidente, inclusive dos Estados Unidos.

 

Todavia, o que um povo não pode suportar é sofrer ameaças e sanções só porque uma Democracia decidiu atacar directamente o país - a morte de Qasem Soleimani é um ataque ao país. O povo iraniano e também o iraquiano não podem tolerar que uma Democracia invada os seus territórios e mate os seus líderes com total apoio de vários outros países e ainda recuse abandonar esses mesmos territórios. As ameaças de Donald Trump ao Iraque (e não falo do Irão) são qualquer coisa que deveria envergonhar qualquer democrata, qualquer cidadão com direitos, seja ele americano ou não! Junte-se a isto o abandono dos aliados curdos e mais vale cavarmos um buraco e escondermo-nos bem lá no fundo. A postura da comunidade internacional ocidental também é lamentável e nem o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas consegue esconder o facciosismo.

 

Todo este aparato só servirá para uma coisa: endurecer a postura do regime iraniano que já mostrava alguma vontade de abertura, além de que existem países aliados do Ocidente com maior limitação aos direitos humanos, e ainda reforçar o apoio ao regime por parte dos iranianos. Ninguém é isento de culpas, mas este levantar de poeira pode acabar da pior forma, até porque uma nação soberana e com a dimensão do Irão não pode cruzar os braços sob pena de se repetirem mais actos hediondos.

 

Os Estados Unidos e Europa estão também a perder uma oportunidade soberana de tomar parte na(s) nova(s) Rota(s) da Seda e com isso embarcar num caminho de prosperidade económica, social e política, aliás, estão neste momento a ser um entrave a esse desenvolvimento e a permitirem que países como a China e a própria Rússia aproveitem e assumam os destinos da região.

 

Todavia, neste momento, só me posso recordar de toda aquela gente boa, especialmente um pequeno grupo que, nas margens do Zāyandé-Rūd, partilhou connosco da sua comida, da sua casa e da sua vida, desde o primeiro momento em que nos conheceu numa clara demonstração de afecto que não vemos por cá, inclusive em Portugal, onde os principais seguidores da política dos afectos são os mais distantes daqueles a quem querem vender tamanha falsa ideia.

 

O Irão, aliás, os iranianos são um povo com quem todos temos de aprender e com uma bagagem intelectual e cultural que me faz, perante os mesmos, curvar-me e fazer uma vénia em respeito por tão importantes indivíduos. 

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Ferro Rodrigues e a Oxidação da Política.

por Robinson Kanes, em 06.01.20

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Henri Regnault - Execução Sumária (Musée d'Orsay)

Imagem: Robinson Kanes

 

A moral, mesmo quando se renova, anda mais atrasada em relação à melhor inteligência de cada época, do que os comboios em relação aos seus horários, quando os nevões obstruem as linhas.

Ferreira de Castro, in "A Experiência".

 

Já diz a malta que "e se o Ferro Rodrigues incomoda muita gente, o Ventura incomoda muito mais". Ou talvez não... Se existe uma coisa que André Ventura tem incomodado são os criminosos e muitos políticos deste país que, por sinal, alguns também são criminosos - tendo em conta que são cada vez mais, talvez daqui a um ano a forma como escrevi dê lugar a uma figura de estilo.

 

Sabemos que Ferro Rodrigues é mais um daqueles portugueses da nossa praça que caminha impunemente e não teme nada nem ninguém. Não querendo tecer considerações se foi ou não culpado (eu quero acreditar que não) num daqueles casos no processo Casa-Pia que poderia ter ficado mais bem esclarecido, até em abono do próprio. A nuvem em torno deste ainda paira!

 

Ferro Rodrigues também é aquele que disse não querer saber do segredo de justiça e claro defensor de um governo socialista que tem uma grande parte dos seus membros, inclusive o então chefe do executivo a contas com a justiça. Ferro Rodrigues também é aquele que abomina a palavra vergonha, e talvez por isso não utilize a mesma quando percebe que as dívidas dos partidos prescreveram. Não é uma vergonha, é um facto. É pulhice, é intrujice, é uma embaçadela criminosa!

 

Dá também que pensar o facto de Ferro Rodrigues, como presidente da Assembleia da República, venha ser parcial e atacar um deputado que estava a pôr a descoberto algumas peripécias do seu partido. Em Portugal deixou de ser pemitido utilizar a palavra "vergonha" ao que parece, desde que se seja de Esquerda, obviamente...

 

Ferro Rodrigues é mais um dos escroques que vai pululando por aí, com uma rede de influências nefasta e que é carregado qual Leão X aos ombros de todos nós que não exigimos justiça, não exigimos carácter e muitos menos integridade a alguém que tem ocupado os cargos que Ferro Rodrigues tem tido a sorte (só pode ser sorte...) de ocupar.

 

André Ventura não é perfeito, está longe de ser perfeito, no entanto, o patinho feio dos pequenos partidos entretanto eleitos para a Assembleia da República, parece estar a fazer mais que uma Iniciativa Liberal que se quer profissional e vanguardista mas que é antiquada e está na posse de meia-dúzia que de diferente em relação aos demais da praça, tem pouco. É uma espécie de malta cuja pele já não exala mofo, usa camisa sem gravata e blazer caro, mas ainda tem muito do seu pensamento a cheirar a bafio e vestido de preto. Uma espécie de "cool people" com mentalidade "retro".

 

Falar do Livre e da sua deputada, é pura perda de tempo...

 

André Ventura agradece e demonstra que é capaz de colocar muita gente incomodada - inclusive o próprio Marcelo que já aconselha este e aquele a candidatar-se ou não à Presidência, qual Presidente do Conselho perante Humberto Delgado, velhos tiques que não se perdem). Depois da vergonhosa atitude de Ferro Rodrigues, os aplausos de algumas bancadas, demonstraram bem de como o sistema político está montado em Portugal, ou seja, um verdadeiro cancro, com metástases que fazem do nosso país a república das bananas, como, certo ministro, há algumas semanas, fez questão de dizer que não o é. Um ministro que  foi empurrado pelo mesmo aparelho e por padrinhos e que Ferro Rodrigues bem conhece.

 

É importante lembrar que o Presidente da Assembleia da República é "só" a segunda figura da nação... Talvez Ferro Rodrigues leve isso tão a peito e ache que lhe dá direito de ser déspota ou simplesmente um sem vergonha, porque isto de ser déspota também exige um nível que Ferro Rodrigues e outros não apresentam.

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Da importância do CHEGA!

por Robinson Kanes, em 24.10.19

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Créditos: www.publico.pt

 

Não venho com este texto defender a ideologia de um partido como o CHEGA , ou até apelar a que este partido algum dia seja maioritário no parlamento. Não o defendo, até porque entendo que, como partido e como pessoa que tem à frente, ainda tem um longo caminho a percorrer, no entanto...

 

O modo como o CHEGA tem sido alvo de ataques no Parlamento revela que a "extrema" não está só com um deputado na Assembleia da República. O modo como outros partidos têm censurado a presença deste deputado (especialmente CDS-PP, BE, PCP e Livre - que afinal não é assim tão livre) é vergonhosa do ponto de vista da Democracia! Depois do partido ser catalogado como extrema-direita (como erradamente o Vox o é em Espanha), o partido populista, eis que agora é o alvo a abater - soa de forma estranha quando existem partidos com maior presença parlamentar que, segundo a União Europeia, estão equiparados a regimes genocidas e que não podem ser "permitidos" nessa União.

 

Também é estranho que André Ventura e membros do CHEGA não possam circular livremente em Portugal como outros o fazem! André Ventura vive numa bolha de segurança sob pena de ser agredido ou até abatido por expressar a sua opinião, dá que pensar quando apelidamos o CHEGA de intolerante. Outros circulam livremente, mesmo defendendo a morte deste e daquele político que vai contra a sua ideologia de pensamento único.

 

Para o mal ou para bem, vai ser interessante aferir como o Parlamento vai reagir à proposta de diminuição de deputados a apresentar pelo CHEGA. Vai ser interessante aferir qual a expressão dos inúmeros jornalistas que se referem a este partido em tom de "gozo" ou "desprezo" e de forma parcial indo contra a ética (se é que a mesma ainda existe) e tudo aquilo que aprenderam - inclusive, deturpando propostas e mensagens. Vai ser interessante ver os deputados e os responsáveis políticos a discutirem propostas e não a pessoa de André Ventura.

 

Como cidadão, "não me assusta" ter extrema-direita no Parlamento, pois também existe extrema-esquerda e não vejo muita gente preocupada com isso. Se é para acabar, acabe-se com as duas! Na verdade, uma coisa é certa, o CHEGA veio abanar o status quo e mostrar muita da podridão e hipocrisia presentes nos actuais partidos e movimentos políticos (pouco) amigos do cidadão.

 

O CHEGA é também um alerta àqueles que acusam André Ventura de se ter aproveitado do mediatismo na televisão. Em Portugal exemplos desses não faltam, um até é Presidente da República (outro, aos Domingos, anda a ver se o é) e foram precisos mais de 20 anos para chegar ao cargo, inclusive com jornalistas descaradamente a fazerem campanha pelo mesmo em prime time e espaços noticiosos. Um dos criticos,  que até alinha em "cartas abertas" contra André Ventura é Ricardo Araújo Pereira, cuja cor política, convicções e objectos de critica mudam sempre de acordo com orçamento e com as audiências - convenhamos, também nunca utilizou o espaço mediático (começou como "palmeiro) nem o clube desportivo para ser elevado de humorista à falsa categoria de intelectual-mor do reino.

 

Vamos esperar para ver... E contra os defensores da liberdade que estão contra, tenho de dizer: é a Democracia, estúpido!

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IMG_2374.jpgImagem: Robinson Kanes

 

 

Algures no Curdistão (não importa qual dos lados), longe daquilo que se pode chamar uma rota turística e onde dispensamos a utilização das câmeras fotográficas para "rede social ver", o sol parece queimar. Valem-nos as pessoas, se existe povo simpático e afável, esse povo encontra-se no Curdistão.

 

O calor faz crepitar a pele, por aqui a temperatura aumenta de forma considerável (ou desce na mesma proporção). Estamos perto de fronteiras sensíveis, nomeadamente com a Turquia, Irão e Iraque e já perto da Síria. Utilizamos vestes curdas, ajuda a  que não tenhamos problemas.

 

Existem povos que sempre reclamaram um Estado e têm conseguido esse intento com o apoio da comunidade internacional, já os curdos têm vindo a lutar ao longo de muitos séculos também pela sua independência e essa luta tem vindo a ser aproveitada também para que algumas potências consigam alguns dos seus intentos com escala temporal. Não procurando defender ou criticar a causa curda, a recente utilização e posterior traição dos Estados Unidos é exemplo. Mais uma vez utilizámos um povo, uma facção, um movimento para conseguirmos um objectivo claro e depois zarpámos! Sabemos os impactes que tal provoca no longo prazo, o terrorismo é um deles.

 

No entanto, existem coisas que ninguém deve ver. Não falo da morte em si, essa é inevitável tantas vezes. Não falo dos feridos nem de corpos decepados que nos consternam, que nos horrorizam e nos marcam para sempre. Refiro-me sobretudo ao cinismo e à truculência daqueles que empreendem o mais lucrativo comércio do mundo: as armas.

 

Ninguém deve ser confrontado com o mercado negro do armamento, em plena rua, sem qualquer embaraço ou segredo. Indivíduos cujas origens parecem vir desde o Médio-Oriente até á Ásia Oriental, passando pelo Ocidente e pela Europa de Leste. Armas, munições e até veículos com a chancela das potências da paz, outras com a chancela daquelas que se dizem culturas pacifistas. Máquinas de matar novas e usadas que irão cair nas mãos de homens, mulheres e crianças com um claro objectivo: matar outros homens, mulheres e crianças.

 

Quando pensamos em tráfico de armas nunca pensamos que em algumas situações possa ser verdadeiramente um mercado a céu aberto, um bazar onde se vende a morte. Engolimos em seco, imaginamos os efeitos em combate, até porque também sabemos como utilizar uma "arma ligeira" e os efeitos que a mesma provoca. Isso agonia-nos, deixa-nos angustiados e paralisados. Não podemos fazer nada, se o tentarmos acabamos com um projéctil na cabeça, muito provavelmente. Qual o destino destas armas? A Síria e o Iraque tão perto, tanta tensão no Cáspio...

 

Por perto passam os habitantes da "aldeia", indiferentes à chacina que está a acontecer, indiferentes ao facto de um dia poderem ser eles também vitímas do que ali se troca. São gente que vive o seu dia-a-dia, que já se habituou e que até é feliz assim, não podemos ver os outros apenas pela nossa perspectiva. Já outros, sabem muito bem o que está a acontecer e no olhar mostram toda a sua inquietação.

 

Contemplamos a paisagem em redor - estamos no fim do mundo entre pedras e montanhas. Imaginamo-nos no regresso, num hipotético centro de mundo, numa esplanada junto ao mar, enquanto naquele "fim de mundo"... Enquanto naquele fim de mundo sob a ilusão da religião, de algumas políticas se coloca fim à Humanidade.

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Imagem: https://www.kenya-today.com

 

 

A organização social dos homens parece-se muito com a dos ratos que, também eles, são no interior da tribo fechada seres sociais e pacíficos, mas que se comportam como verdadeiros demónios para com os congéneres que não pertendem à sua comunidade.

Konrad Lorez, in "A Agressão".

 

Que a presença/intervenção de nações não africanas naquele que é o mais belo continente do mundo mais de 50% das vezes não traz benefícios é um facto! E é talvez, por isso, que tivemos uma guerra civil em Angola, o genocídio do Ruanda, os desastres da Costa de Marfim e da Libéria e ainda um outro desastre que temos conhecido de perto devido à nossa intervenção na força de manutenção de paz, que é a República Democrática do Congo. Interessante que os países enumerados são quase todos francófonos...

No entanto, será que também sabemos o que se está a passar nos Camarões e no Burundi? As Nações Unidas sabem, muitos políticos de nações com interesses económicos ou simplesmente solidários sabem. Mas, e nós?

 

Nos Camarões, a pressão religiosa e sobretudo entre áreas francófonas e anglófonas, com primazia para as primeiras, levou a um conjunto de revoltas que acabou com a declaração unilateral de independência por parte da região anglófona, a "Ambazonia". Isto significou a destruição de toda e qualquer presença de poder soberano que restava dos estado camaronês e o estabelecimento de uma força separatista. Se a isto juntarmos violência entre comunidades, o Boko Haram, suportado pelo ISIS e o tráfico de armas perpetrado por "membros da Ambazonia" (alguns a residir no estrangeiro), temos um cocktail explosivo bem montado e que já faz jorrar sangue e consequentemente abre espaço para que possamos falar em genocídio. Acresce que existem outros intervenientes: as organizações não governamentais (ONG) a operar na região e que nem sempre têm em conta o interesse daqueles que aparentemente dizem proteger: muitas destas organizações têm ideais políticos, religiosos e até sociais que podem não trazer a estabilidade desejada. Os Camarões são um barril de pólvora na já turbulenta região ou este país não fizesse fronteira com países como a Nigéria, Chade e República Centro Africana.

 

Mas se este conflito ainda vai sendo pouco conhecido do grande público, existe um outro ainda mais oculto e que se candidata a ter também o seu capítulo na galeria dos genocídios africanos, quiçá, ao lado do Ruanda. 

 

O Burundi, o 2º país mais pobre do Mundo, com cerca de já 400 00 exilados e uma população em que 73% dos seus habitantes contraíram malária, é visto pelas Nações Unidas como um território no qual está a ter lugar um genocídio - em alguns casos, camuflado com as mortes por malária.

 

Aqui o cocktail explosivo não é melhor - o Burundi, com histórico em termos de conflitos tribais, tem um papel importante no acolhimento e apoio de hutus, aliás, é considerado pelo Ruanda como um albergue de hutus, uma maioria no Burundi. Por seu lado, o Burundi acusa as forças ruandesas "pós-genocídio", e maioritariamente tutsis, de terem perpetrado um segundo genocídio no Ruanda, dessa vez, contra hutus.

 

No Burundi, o presidente Nkurunziza continua a liderar o país com mão de ferro, esquecendo a constituição (acusando Kagame do mesmo perante a protecção da comunidade internacional) e continuando a fomentar os contratos de exploração mineira com a China e com a Rússia, isto ao mesmo tempo que estas nações (e outras) fecham os olhos à morte que assola o país. O acesso de ONG não é permitido, bem como todo e qualquer acesso a enviados de instituições internacionais como a própria ONU. Se a isto juntarmos a saída do Burundi do Tribunal Penal Internacional, as sanções do Banco Mundial no fornecimento de pesticidas e adubos, a "extracção" desregulada de café,  e mais uma vez, o fornecimento de armas por parte do "Primeiro Mundo", temos outro cocktail bem explosivo.

 

Ninguém sabe como tudo isto se vai resolver, os que se poderiam importar, vão extraíndo os bens daqueles povos e abandonarão os dois países quando nada restar e até lá... Até lá continuaremos a beber aquele café tão bom no conforto das nossas casas ignorando, talvez, o sangue que está em cada grão... Até lá continuarão a morrer pessoas, muitas delas, provavelmente nem serão números para uma estatística, num mundo que vive em delírio acerca do modo como pode gerir quantidades astronómicas de "data", alguns deles completamente irrelevantes...

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Giorgio Vasari e Federico Zuccari - Juízo Final/Pormenor da Cúpula (Catedral de Santa Maria del Fiore - Florença)

Imagem: Robinson Kanes

 

 

A maior parte do raciocínio exige uma interacção entre aquilo que as imagens presentes mostram como sendo o agora e aquilo que as imagens recordadas mostram como sendo o antes. O racicíonio eficaz também exige a antecipação do que vem a seguir, e o processo de imaginação necessário para a antecipação de consequências, também depende da recordação do passado.

António Damásio, in " A Estranha Ordem das Coisas. A Vida, os Sentimentos e as Culturas Humanas".

 

 

Foi aprovado pelo parlmento português um voto de congratulação pelo facto de um padre, José Tolentino Mendonça, ter sido nomeado para Cardeal no Vaticano. De facto, em bloco (excepto com o voto contra do PCP e do seu apêndice o PEV) o Parlamento congratulou-se com a nomeação. Sempre me suscitou imensa curiosidade que, num país com tanto para resolver e com tantos deputados que se dizem sempre muito ocupados, se perca tempo com estas coisas.

 

De um dia para outro, todos ficaram a saber que Tolentino Mendonça é um poeta e padre madeirense e que, segundo as palvras dos autores do voto de congratulação, "nos cargos em que tem servido, como padre, capelão e posteriormente vice-reitor da Universidade Católica, como responsável pela Pastoral da Cultura e pela Comunidade da Capela do Rato ou agora, como arquivista no Arquivo Secreto do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica, marcou e marca com o seu extraordinário humanismo e abertura ao mundo”. Honestamente? 99% dos portugueses não está interessado, apesar das toneladas de artigos e reportagens que procuram à força fazer-nos entrar este senhor pelos olhos!

 

Todavia, é extraordinário, Portugal está mais rico e mais desenvolvido porque existe Tolentino Mendonça, vejam-se os feitos conseguidos por este senhor - com tanta gente em Portugal a empurrar um país (que por vezes nem quer ser empurrado) para a frente, com tantos portugueses lá fora a fazerem de Portugal mais do que aquilo que muitas vezes é, e voltamos a nossa passadeira vermelha, mais uma vez, para a Igreja, ou melhor, para um outro Estado, o Vaticano. Eu sugiro, se não existir já, uma condecoração da República, afinal estas são as melhores formas de fazer amigos, pagar e cobrar favores - começou com Sampaio, passou ao de leve por Cavaco e tem o seu expoente em Marcelo. Junte-se a isto os favores às editoras com a feira do livro de Belém - as mesmas editoras que Marcelo promovia em horário nobre na televisão com livros que nunca lia.

 

E por falar em Marcelo: junte-se a isto que temos o beato-mor (ou será servo) do reino que já fez mais viagens ao Vaticano que muitos cardeais, que se ajoelha e beija a mão a um Chefe de Estado (o Papa representa o Estado do Vaticano) confirmando a submissão de todo um povo a um outro país, além de que, sempre que o assunto é Igreja Católica lá está na linha da frente, seja em procissões, seja para deixar o país em momentos criticos para ir ao beija-mão, seja até para vir a público defender a Universidade Católica (entidade privada) pelo simples facto de não pagar qualquer imposto e taxas e mesmo assim isso ser normal. Sabemos que a Igreja abre muitas portas, sobretudo a leigos, que o diga também António Guterres e até a muitos que foram encontrando alguns bons empregos graças a umas presenças constantes lá na capela ou igreja do sítio.

 

No entanto, este também é o país que, na sua Casa da Democracia, condena a criação de um museu em Santa Comba Dão, nomeadamente o Museu Salazar. Se por um lado aplaude um lado da história e cria um museu que tem vindo a ser apropriado pelo comunismo (Peniche) por outro quer varrer o outro lado da História para debaixo do tapete. Lembremo-nos que um dos braços mais fortes de Salazar e da ditatura em Portugal foi a Igreja, a mesma a que Tolentino Mendonça pertence e, no fundo, Marcelo Rebelo de Sousa e tantos outros servem. Fátima nasceu no Estado Novo, a mesma Fátima que agora move milhões e até já é palco para desfiles mediáticos com políticos e pseudo-estrelas de televisão a colaborarem para a selfie - é cool ser "mariano", essa grande obra do Estado Novo. Essa maldição que nem deve ser lembrada!

 

Todo o parlamento em bloco (para mim a abstenção de PSD e CDS-PP é apenas ridícula e portanto assumo como estejam a favor) votou que a História fosse apagada, mesmo aqueles que beberam do regime e claro, também aqueles que aproveitarem o 25 de Abril para irem construíndo algumas ditaduras mais ou menos privadas. Importa lembrar que, com o desaparecimento de muitos que chegaram ao poder após o 25 de Abril, o sentimento de um povo deveria ser de muita consternação e pesar, mas é somente de alívio. Nem a manobra de marketing com o funeral de Mário Soares teve sucesso, nomeadamente o "efeito espelho" para parecer que eram muitos os presentes. Portugal no pós 25 de Abril chega a lembrar-me a queda de Ceaușescu na Roménia, onde o novo regime foi distribuído pelos democratas de ocasião: a facção moderada do partido comunista, membros do partido e pelos outros que lutavam contra o regime mas nutriam uma paixão especial por ocupar os lugares do mesmo. A verdade é que nenhum lutador da liberdade morreu de fome, bem pelo contrário.

 

Mais uma vez, o parlamento, com tanto para fazer, perde tempos infinitos com votos de condenação que nada mais servem do que para justificar a criação de mais um grupo de trabalho sem quaisquer efeitos práticos. O Parlamento português votou ontem o apagar da História e à semelhança da Constituição, admitiu ser um estado praticamente comunista! E por falar em comunismo, porque é que não nos tornamos em paladinos da Democracia e fazemos, em Portugal, uma espécie de extensão do Museu do Terror de Budapeste ou até do Museu do Comunismo de Praga? Como se fez com o Hermitage em Málaga ou com o Louvre em Abu Dhabi.

 

P.S.: leram lá em cima "arquivista no Arquivo Secreto do Vaticano"? Sim, aquele que se um dia fica aberto ao público pode levar ao fim de muitas instituições por esse mundo fora, inclusive da Igreja Católica.

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historia_da_morte_ocidente.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A última coisa que vem à cabeça de alguém que está prestes a ir de fim de semana é a morte! No entanto, o prometido é devido (promessa à MJP) e assim sendo começa de forma bastante célere o artigo de hoje como uma sugestão do diabo: Philippe Ariès e o seu trabalho "Sobre a História da Morte no Ocidente". Arìes foi um historiador, no entanto, foi um pioneiro a desmistificar a morte, sobretudo numa óptica mais sociológica e até antropológica.

 

Arìes faz-nos uma demonstração de como a temática da morte, a Ocidente, foi evoluindo ao longo dos séculos  bem como dos seus avanços e recuos na forma como lidamos com a mesma. Arìes vai ao homem medieval que se preparava para a morte e chega ao homem moderno com descobertas muito interessantes como a evolução da própria localização do cemitério. Esta é uma das obras que mais gostei de ler e de facto é fascinante, levando-me a aferir de que em muitas situações relacionadas com o tema da morte, estamos mesmo lá para trás. Em muitas situações o homem medieval estava bastante mais à frente que nós, sobretudo na preparação para a morte - é um facto que a religião ajudava, a fé em algo superior também.

 

Em termos musicais, o último fim de semana de Agosto traz-me algumas memórias e uma certa nostalgia... Sinto que tenho de ouvir "The Last Waltz" do compositor sul-coreano Jo Yeong-wook. Transporta-nos efectivamente para essa nostalgia, para esses passos alegres num passado distante alternando entre as memórias longínquas e os sorrisos presentes. Este tema faz parte da banda sonora do filme "Old Boy", prémio do júri, em 2014, no Festival de Cannes - não associo a música ao filme, mas tenho de admitir que a banda sonora e o filme merecem uma visita.

Um fim de semana sem um filme não é um digno desse nome... Não sei porquê, de repente recordei-me do filme "Merry Christmas Mr. Lawrence", indicado para uma palma de ouro em Cannes e que até contou com David Bowie como actor. É um filme de 1983 e que baseia nos livros e experiências de Laurens van der Post como prisioneiro de guerra no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Talvez me tenha deixado influenciar por "Old Boy" ou talvez não...

 

Afinal, a banda sonora tem esta obra-prima de Ryuichi Sakamoto - "Merry Christmas Mr. Lawrece" para escutar e ver. Acho que ainda anda algures por aqui! Sakamoto (que participou no filme) anda de certeza em CD, mas será tema para outro artigo...

E porque as boas notícias são para ser dadas e sempre fica algo para se pensar: Angola também está a arder... Muitos países em África também estão a arder... A Sibéria arde há meses... Em Moçambique continuam a morrer milhares de pessoas devido às cheias, mas ninguém quer saber... Desta vez não há folclore e por isso também não existem likes. Quando o tecto vos cair em cima, os vossos corpos forem carbonizados ou descobrirem qual a sensação de morrerem afogados, lembrem-se que também só serão lembrados se as vossas mortes derem likes.

 

Um apontamente final: em Hong Kong também se cancelou uma manifestação pela Democracia e por não ser possível acautelar a integridade física dos participantes. Na Rússia a história repete-se, mas aqueles que andaram calados nos incêndios de Pedrogão (PAN, BE, PCP, PS, Quercus e demais suspeitos do costume) criticam Portugal por não tomar uma posição em relação à Amazónia e até se esquecem do nosso papel em Timor e nos 20 anos do referendo para a independência - algo que tem sido celebrado ao longo da semana...

 

Bom fim de semana...

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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Créditos: https://rr.sapo.pt/noticia/56402/marcelo-e-costa-com-a-seleccao-com-moral-muito-elevado

 

O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo.

Agustina Bessa-Luís

 

 

“estabelece o regime fiscal aplicável às competições UEFA Nations League Finals 2019 e UEFA Super Cup Final 2020”, determinando que “são isentos de IRC e IRS os rendimentos relativos à organização e realização das provas”. Vide mais em Lei n.º 38/2019

 

E é assim que começa mais uma cuspidela e uma real risada na cara de todos os portugueses! Temos um Governo que utiliza a bancada parlamentar do PS para fazer sair mais um atentado à nação - vive impunemente o futebol que ainda, ao longo de tantos anos, não justificou se os investimentos (e corrupção) em torno do mesmo efectivamente valeram de alguma coisa ao país! Vejamos os beneficiários de mais um atentado a Portugal: "entidades organizadoras das finais, representantes e funcionários, bem como associações dos países e clubes de futebol, desportistas e equipas técnicas (treinadores, equipas médicas e de segurança privada e outro pessoal de apoio).

 

O termo cuspidela pode ser forte, mas porque é que, mais uma vez, um Governo (cujos membros também se vendem por bilhetes de futebol) e um Presidente (que hipócritamente justificou como sendo um compromisso internacional) cederam às tentações do futebol? Porque é que este tema tem sido tratado de forma tão recatada? E onde andam os humoristas - os tais que "não têm" filtros - e comentadores que habitualmente se sentam nos camarotes/bancadas VIP dos estádios? Basta ver muitas dessas cadeiras para ter uma real noção de como o futebol ainda dita as regras na política e não só!

 

Como é que um país pode aceitar a inútil justificação de que até pode existir dupla tributação? Que preocupação é esta do Governo (não só deste) e de políticos que há anos continuam a infringir as "directivas" de Bruxelas na dupla tributação relacionada, por exemplo, com o imposto automóvel, esse sim que prejudica a grande maioria dos portugueses?

 

Permitam-me perguntar porque é que os portugueses têm de ser verdadeiramente achincalhados por mais um pseudo-espectáculo futebolístico? E não me venham com prestígio! Prefiro ter o prestígio de ser um país industrializado, sério e justo ao invés de um país recheado de estrelas de futebol, muitas delas que fogem aos impostos e pagam a vítimas de violação para ficarem caladas (Já lhes tiraram as condecorações?).

 

Hoje "estaremos" alegremente a apoiar Portugal e o conluio futebolístico reinante! Alegremente estaremos num circo que, muito honestamente, temos todo o gosto em participar como autênticos palhaços. Se só cantamos o hino para o futebol, se também hoje o "fizermos", pensemos nas palavras do mesmo e pensemos no que é ser português... Talvez as bancadas fiquem vazias e as televisões e as rádios sem audiência... Ou talvez não, talvez não...

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Os Fura-Casamentos!

por Robinson Kanes, em 03.06.19

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Créditos: https://www.weddingjournalonline.com/10-brilliant-wedding-fails-caught-on-camera/

 

A popularidade e as redes sociais continuam a ditar as políticas do Governo. E como a economia parece estar a crescer, pelo menos é o que nos dizem, e as pessoas tendem a casar mais, pelo que, não vamos deixar que esse eleitorado se vire contra nós.

 

Só em Portugal é que a Autoridade Tributária não pode actuar em casamentos ou festas para não ferir susceptibilidades! O cancelamento de uma mega-operação que visa o interesse de todos os contribuintes não pode simplesmente ter lugar porque os "pombinhos" que fogem ao fisco não podem ser perturbados no dia mais feliz das suas vidas - pobre gente que chega ao casamento a pensar que este será o dia mais feliz da sua vida. Segundo o Ministério das Finanças, "uma ação inspetiva que perturbe o normal funcionamento de uma cerimónia ou festa de casamento não pode ser considerada proporcional face ao objetivo de fiscalização de cumprimento de obrigações fiscais”. Abre-se aqui uma porta interessante: e que tal começarmos a praticar todos os delitos e mais alguns aproveitando a realização de um casamento? Criminosos deste país, apresentem-se!

 

Portanto, o que isto quer dizer é que as floristas, as empresas de catering, os espaços, os organizadores de casamentos, os decoradores e um sem número de fornecedores (sem esquecer os pombinhos - ou os pais, que normalmente são quem paga e se endivida) pode fugir ao fisco impunemente mas não pode ser perturbado para não estragar um dia tão feliz! Um dia tão feliz que faz com que o dia de muitos, por exemplo numa cama de hospital, seja horrível porque não existem condições nem dinheiro para os tratamentos! Esses podem sofrer.

 

Em Portugal, quem trabalha na área da organização de eventos, sobretudo casamentos, sabe como funciona este negócio! Não são raras as empresas que perdem milhões em facturação porque o "vizinho do lado" facilita no IVA! Muitas dessas organizações prestam inclusive serviços ao Estado! É prática comum, habitual e até recomendada e incentivada entre casais! 

 

É mais do que comum os noivos puxarem por esta questão para conseguir que o dia do casório seja de ostentação mesmo que não paguem os impostos! Esses são os mesmos que as finanças querem proteger, ou melhor, o Ministro das Finanças! Esses são os mesmos que prejudicam quem quer negociar de forma séria em Portugal - esses sim devem ser atacados pela Autoridade Tributária, e porquê? Porque perdem negócio e o pouco que fazem é declarado expondo-os a um maior risco de infracção e fiscalização!

 

Se quem não deve não teme, porque é que temos de proteger esses criminosos fiscais que brindam ao casamento e gozam com a cara de todos os outros que pagam impostos? Brindemos pois aos pombinhos, às organizações e pessoas que promovem estes casamentos criminosos - deste modo vamos contribuir também para a fuga aos impostos e a destruição de negócios bem montados, bem geridos e sustentáveis que acabam por fechar ou não prosperar apenas porque cumprem com as suas obrigações legais!

 

Vamos fazer com que a Autoridade Tributária e a Polícia Municipal não exerçam as respectivas competências! Vamos deixar crescer a ideia de que facturas e licenças são dispensáveis! Já tive ituações em que a Polícia Municipal esteve à porta pelo simples facto de ter declarado o que estava a fazer - aliás, segundo alguns agentes, se tivesse ficado "calado", não teria fiscalização! Mas aqui, a culpa não é de quem anda na rua, mas de quem está ao Comando!

 

E como tenho referido desde as eleições europeias, depois admiram-se da condescendência com a corrupção (que em Portugal é assustadora) e com o facto de ninguém perceber o porquê de tanta abstenção quando as razões estão mesmo à frente de todos! 

 

P.S.: enquanto escrevia este artigo, fui informada da morte de Agustina Bessa-Luis. A ela voltarei, deixo o espaço agora para aqueles que gostam de ser os arautos da desgraça ou eventualmente apreciam mais um "like" que um livro da autora.

 

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