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Netanyahu e o Discurso da Vergonha!

por Robinson Kanes, em 19.04.19

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Créditos: https://www.aljazeera.com/news/2016/02/israeli-forces-kill-young-palestinian-woman-hebron-160213113005302.html

 

Os Estados Unidos não irão responder, perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra no Afeganistão - caberá a cada norte-americano envergonhar-se desse facto. Quem não perdeu tempo a pronunciar-se foi Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita. Netanyahu, vem enaltecer esta decisão pois trata-se de uma oportunidade única de ver o seu país ilibado do terrorismo de Estado que Israel comete sobre a Palestina - isto sem querer ilibar algumas práticas violentas também levadas a cabo pelos palestinianos.

 

Para Israel, pois é em nome de Israel que Netanyahu fala, o TPI parece querer implicar com as democracias, como se um país democrático dentro de portas, mas que se comporta como um genocida fora delas, pudesse dispensar os tribunais de direitos humanos. O outro facto apontado é o de que, tanto Estados Unidos como Israel, não são membros do TPI. Eu também não sou membro de nenhum tribunal mas isso não significa que não seja chamado à justiça. O que Netanyahu quer dizer é que os seus soldados podem abater crianças (só porque sim) que isso não tem qualquer impacte negativo na medida em que Israel se julga impune a toda e qualquer lei! Mas o que terá a dizer Netanyahu das democracias árabes que, para ele, são um antro de terroristas? Com que cara continuará a criticar países como o Irão ou até a Arábia Saudita? Afinal são países, nomeadamente o Irão, onde também existem eleições democráticas.

 

Temo que Netanyahu não possa ser sequer apelidado de terrorista, pois custa perceber as suas motivações e o seu discurso, pelo que, não quero cair no erro de tecer um elogio ao apelidar o mesmo de terrorista.

 

Mas vejamos, e em jeito de conclusão... Será que o primeiro-ministro israelita é contra os julgamentos de Nuremberga? Será que o primeiro-ministro israelita defende que as condenações emitidas contra os nazis não deveriam ter ocorrido? Afinal a Alemanha de Hitler não estava sujeita ao escrutínio de entidades como o TPI!

 

Finalmente, Netanyahu esquece-se de que quando aponta o dedo a outros regimes, também estes pensam exactamente como ele. Netanyahu precisa dos Estados Unidos, caso contrário, Israel desaparece do mapa no dia seguinte, no entanto, não tem de se comportar como um ditador e muito menos assumir uma sensação de impunidade que envergonha qualquer democracia e qualquer cidadão israelita. Se ainda hoje existem indivíduos que negam um facto concreto que foi o Holocausto, tal também se deve ao efeito cópia que uma nação como Israel demonstrou ao longo dos anos.

 

Na verdade, Netanyahu voltou a ganhar as eleições... Mas custa-me acreditar, até pelo que conheço de Israel e de muitos israelitas, que os cidadãos daquele país se revejam nestas palavras e neste sentimento.

 

Infelizmente, não é só em Portugal que faltam verdadeiros HOMENS, e em Israel o legado Yitzhak Rabin e Shimon Peres parece estar cada vez mais entregue àqueles que pensam como o radical que assassinou o primeiro!

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Traga as pipocas e junte a família! Amanhã, quando chegar ao trabalho também se vai sentir parte do grupo de malta "fixe" que vê séries a "bombar"!

Com os cumprimentos da Agência da ONU para os refugiados!

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Créditos: http://www.antimafiaduemila.com/rubriche/saverio-lodato/71093-vivere-o-morire-di-trattativa-paolo-borsellino-ne-mori.html

 

Salvatore Riina, mais conhecido por Totò Riina, se ainda fosse vivo, por certo, ficaria absolutamente espantado com o facto de em Portugal ser mais fácil montar um polvo do que na ilha da Sicília. Em Palermo, entre uma "pasta alla norma" e um "chinotto", "il capo dei capi" rapidamente chegaria à conclusão que por terras lusas teria tido ainda mais sucesso e sem necessidade de recorrer às armas.

 

Também Ricardo Salgado e compadres, por certo não serão assim tão culpados e apelidar os mesmo de "donos disto tudo" começa a ser ofensivo para outros que perdem assim o verdadeiro protagonismo. O que Ricardo Salgado e respectivos compadres fizeram foi apenas aproveitar o panorama e alimentar uma corja de parasitas (da direita mais conservadora à esquerda mais radical) que não se bastou na usurpação dos bens públicos. Se hoje não se sabe mais do caso BES é porque se Ricardo Salgado abre a boca temos uma guerra civil.

 

Se por um lado, muitos conquistam o espaço nos partidos e na máquina de consumir cargos e dinheiros públicos, outros começam, e muito bem, em terrenos mais longínquos. Podemos falar de Cabeceiras de Basto, da Covilhã,  de Gondomar, de Vila Nova de Gaia, de Castelo Branco e de tantas outras localidades que serviram de rampa de lançamento para muitos... Também podemos falar dos Açores e de como estes são também uma excelente ponte política para chegar a Lisboa, mesmo que por lá tenhamos causado prejuízos de milhões. É dos Açores que muitos conseguiram colocar quase toda a família na administração central, na administração regional, local e em muitas empresas do Estado! Foi do arquipélago e depois da sua nova base em Lisboa que muitos tentáculos vão sendo criados e a impunidade alimentada. É por Lisboa que se circula como Riina que não temia os carabinieri nem a contestação dos sicilianos.

 

Uns dizem a César o que é de César, mas Portugal nunca foi de César... Todavia, qual imperador, este e tantos outros vão impunemente controlando tudo à sua volta, mesmo que o poder não lhes seja dado pelos deuses mas por uma população que se revolta se o Benfica perde mas não mexe o dedo perante os roubos diários a que é sujeita - uma população que, se mais inteligente fosse, e soubesse o que se passa nos corredores da Assembleia da República, talvez já tivesse entrado no edifício e qual tomada da Bastilha, já há muito tivesse feito rolar as cabeças de muitos "capos". Uma população que teme homens como Falcone e Borsellino, vá-se lá saber porquê...

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Créditos: https://www.esquire.com/style/mens-fashion/a34784/goodfellas-style-25th-anniversary/

 

A história da máfia familiar dos partidos vai continuando... Agora foi Cavaco Silva que teve de engolir o sapo de aceitar que também ele colaborou na promoção do mérito dos incompetentes que chegaram a lugares públicos sem perceberem porquê! E que terá Marques Mendes a dizer - agora que o nome do mesmo chegou às ruas? A par de Cavaco Silva, dos administradores do BES, da CGD, do Banco de Portugal e tantos outros, também vai ser apanhado pela epidemia de amnésia que entretanto se abateu sobre Portugal? O saltitão que desde novo é bem conhecido pela sua ambição política (falhada) tenta agora seguir os passos do padrinho (um político falhado que utilizou as televisões para chegar ao mais alto cargo da nação).

 

Sempre foi assim, e pensar que é só com António Costa que isto acontece é puro erro, é pura apatia e conivência com o regime podre da política nacional. É provavelmente querer sofrer de amnésia pois nunca se sabe quando é que nosso lugar na empresa ou instituição "X" pode estar ameaçado caso a situação comece a colapsar... E convenhamos, em algumas localidades deste país quase não existe um indivíduo que não tenha telhados de vidro no que à "cunha" diz respeito.

 

Outra das coisas que salta à vista é a hipocrisia de António Costa ao dizer que a Assembleia da República deve começar a legislar sobre esta matéria! Só agora? E é preciso legislação para ser sério e ético? E que tal colocarmos as máfias de leste a legislar sobre o crime em Portugal? É quase o mesmo...

 

E o Bloco de Esquerda? O Bloco de Esquerda ainda acaba extinto tal é a não existência que tem tido nos últimos tempos a não ser a prosa sem sentido e paradoxal que ainda vai sendo permitida a Francisco Louçã em tantos meios de comunicação capitalistas (estranho que um anti-capitalista utilize os meios daquele que abomina para ir alimentando a sua demagogia)! E o PCP? Por este andar ainda fica com os seus "partidários" completamente descalços porque se isto chega ao poder local lá se vai uma das maiores fontes de rendimento de qualquer comunista.

 

E a hipocrisia de Marcelo que após a demissão de um Secretário de Estado rapidamente vem para os holofotes emitir a sua opinião habitual de que está de acordo e acha bem? Este caso já dura há muito e não assistimos a Marcelo com muito interesse na situação, até acho que era mais fácil ver Marcelo a ligar para as rádios e para a televisão do que propriamente sobre esta temática, ou melhor, condenar estas situações, pois até agora tem chutado a bola para o seu antecessor! É importante lembrar que fora do país houve por aí um presidente que anunciou uma recandidatura ao cargo e é importante começar a fazer campanha. Apesar do discurso anti-cunha de Marcelo até ser algo que louvo, na prática é preciso começar a ver mais acção e menos populismo! Além de que uma coisa são as cunhas, outras são os favores que temos de pagar.

 

Entretanto, temo que este caso adormeça e mais ninguém se recorde, voltando as coisas ao mesmo e Portugal se continue a afundar! Ou então cria-se uma comissão de inquérito parlamentar, a forma mais leviana que os pseudo-democratas portugueses descobriram para imporem uma ditadura partidária camuflada de Democracia.

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Jobs for the Family!

por Robinson Kanes, em 01.04.19

 

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Créditos: https://www.youtube.com/watch?v=i5nXkCIQbBQ

 

Nos últimos tempos muito se tem falado da autêntica família, ou famílias, que se reuniram nos comandos da nação portuguesa.

 

Se por um lado temos o escândalo que é o facto de um Governo (e consequentemente um país) ser gerido por um pequeno grupo de famílias - por sinal da mesma cor política - temos de atentar que não é só nessa instituição que tal acontece! É na administração pública, nas autarquias (um dos cancros do país tem aí uma das suas mais fortes metásteses, e onde imperam estas situações) e em muitos outros serviços públicos e com impacte público: só a título de exemplo, podemos falar da Cultura, Social/Solidariedade, Espetáculo e tantas outras áreas.

 

Temos de atentar também no outro tipo de famílias que vive agarrado ao erário público, nomeadamente a tradicional cunha, tráfico de influências e outros mecanismos imorais que permitem a amigos, parceiros de negócios ou meros pagamentos de favores chegarem a uma função na estrutura pública. Não é só a consanguinidade que reina! 

 

Na verdade, sobretudo no mundo do jornalismo, televisão, artes (essa área tão impoluta e tão liberal que afinal...) e até outras áreas, surgiu um sem número de vozes a contestar o ataque às relações familiares no Governo. Talvez porque se teme o efeito bola de neve e se comece a questionar o nepotismo subjacente a muitas delas - basta seguir apelidos e rapidamente lá chegaremos. Talvez porque, pela primeira vez no Portugal "moderno" possa ser ateado o rastilho que colocará a nú uma das causas principais de uma apatia  empresarial, cultural, social e política.

 

Um dos argumentos de muitos desses interessados foi também o de que, sendo alguém filho de um político/ministro porque é que não poderia chegar também a um cargo semelhante, como se fosse algo de uma grande injustiça.

 

O primeiro contra-argumento que aponto é o facto de que o "mundo não é perfeito"! Esta conjetura, sobretudo em investigação e no discurso mundano" de que tudo tem uma base de bem e funciona bem é absurda - meus caros, só quem vive na internet e não sai de casa concebe que tudo é claro, límpido e perfeito. Só quem não está dentro da política é que não tem noção (ou não quer ter) que a grande maioria dos concursos públicos tendo em vista a admissão de funcionários são autênticas fraudes!

 

O segundo argumento é o de que, não será mais fácil a um filho de um ministro ser também ministro? Não será mais fácil a filiação num partido trazer benefícios que de outro modo (por norma dotado de mais moralidade, ética e cumprimento das regras) nunca se teria? E podemos dizer que determinado indivíduo até tem um bom currículo e portanto... E portanto não é mais fácil ter um bom currículo quando provavelmente a entrada no mercado de trabalho e em determinados meios não foi facilitada pelo familiar/amigo "X"? Sempre que exaltamos a qualidade de um currículo temos de ter sempre um vector em conta: onde e como tudo começou! Só assim podemos aferir de que todos partiram da mesma posição.

 

Também é de estranhar que os defensores desta consanguinidade na administração do país são os mesmos que criticam o facto de o administrador "X" ser filho do administrador "Y" numa empresa privada e familiar!

 

Um paradoxo que dá que pensar. Um pouco como o discurso da esquerda quando fala da direita... Para quem possa não saber, uma das maiores ameaças (neste contexto) às empresas familiares nem são os administradores que nomeiam familiares mas aqueles que, sendo meros colaboradores sem ligação à família, recrutam família e amigos que são muitas vezes responsáveis pela existência de autênticas máfias no seio das empresas e um enorme entrave à produtividade e crescimento das mesmas.

 

Finalmente, ficamos também a perceber que a educação universal como meio de potencial emancipação dos indivíduos está ameaçada! As escolas de elite (e não sou critico das mesmas, bem pelo contrário), as juventudes partidárias, a descendência e determinados associativismos continuam a ser o garante de um bom futuro.

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Vistos Junk

por Robinson Kanes, em 27.02.19

junk.jpgCréditos: https://ama.com.au

 

Nem tudo o que brilha é ouro... O povo agarrou esta expressão e o povo raramente se engana... O povo e a Comissão Especial do Parlamente Europeu que analisou as políticas no âmbito da emissão de "vistos gold" praticadas em 20 países da União Europeia. Esta chega mesmo a mencionar que os mesmos apresentam um alto risco de segurança e fomentam crimes de branqueamento de capitais e evasão fiscal.

 

Em Portugal, o impacte destas medidas ainda é um tema que amedronta, sobretudo os suspeitos do costume que aqui, têm a sua origem no Governo de Passos Coelho e terminam no de António Costa. Nunca foram apresentados dados claros dos resultados destas iniciativas.

 

O que dirá agora Fernando Medina, o paladino da habitação e da Teixeira Duarte, quando recordar o facto de em Outubro do ano passado ter dito que  os "vistos gold" eram para manter e que deveriam ser flexíveis e adaptáveis às necessidades de cada região? Que dirá o deputado Carlos Peixoto? Que dirão o PSD, o PS e o CDS-PP, partidos que chumbaram a proposta de fim dos "vistos gold" apresentada pelo Bloco de Esquerda? Que dirão Filipe Neto Brandão do PS, e Telmo Correia do CDS-PP, que defenderam, em nome das suas bancadas e com unhas e dentes, que os "vistos gold" eram o "plano perfeito"? E que dirá o "Ministro da Propaganda Iraquiano" Augusto Santos Silva? Que defesa farão estes e tantos outros de quase todas as cores partidárias da falta de transparência e sustentação da criminalidade? 

E os resultados? Onde estão os biliões e a criação de emprego? Onde é que a nossa economia beneficiou de facto com estas iniciativas? Apresentem-nos resultados e como também diz o povo por outras paragens "cut the bullshit".

 

 

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Exames do 9º Ano e a Cultura do Desleixo...

por Robinson Kanes, em 11.02.19

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Créditos: https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/bloco-de-esquerda-quer-acabar-com-exames-nacionais-do-9-o-ano

 

Lembro-me de ter tido um professor na faculdade que, quando questionado pelos alunos do porquê de se fazer um exame e não se fazer um trabalho de grupo com o peso do exame respondeu: "quando estiverem numa empresa, com um problema para resolver, também vão responder que é preciso fazer um trabalho de grupo?".

 

Esta recordação a propósito de mais uma proposta do Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que era contra tudo e contra todos, exigia demissões e agora parece que não existe quando a temática são temas fracturantes. Aliás, existe e continua a alimentar-se de um protagonismo que tem saído caro a todos os cidadãos portugueses.

 

A nova trend do movimento é agora terminar com os exames no 9º ano. De facto, quando ao invés de termos técnicos e pessoas competentes numa assembleia temos a família inteira e o grupo de amigos que reune no Bairro Alto, é natural que surjam propostas como estas. Entretanto, sobre a questão dos professores, este movimento tem estado em silêncio.

 

O que o Bloco de Esquerda tem de entender é que, mais do que fazer um exame,  é preciso incutir nos alunos uma cultura de trabalho, de avaliação e até reconhecimento desse trabalho. É preciso que os alunos percebam que o seu trabalho tem uma consequência, um resultado, independentemente de passarem uma noite a decorar fórmulas ou textos! O que o Bloco de Esquerda tem de perceber é que não pode, sob a pseudo-intelectualidade que caracteriza este movimento, incutir o seu pensamento único com claras consequências para os alunos, futuros trabalhadores e futuros líderes. É um facto que demasiado conhecimento e demasiado mérito é algo com que os partidos de extrema-esquerda não se solidarizam, pois um povo pensante não se submente a políticas de uma pseudo-elite intelectual que se acha dona do saber e dos destinos de outrem.

 

Os exames, mais do que uma mera prova de conhecimentos, são uma forma de educação, são uma forma de formar cidadãos. Cidadãos que um dia trabalharão e por certo não terão duas faces. Serão esses cidadãos que irão a entrevistas de emprego e que alimentarão algumas posições parlamentares com os seus impostos, posições essas cuja prova de conhecimentos possivelmente terá ficado na gaveta...

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Mínimo... Muito Mínimo...

por Robinson Kanes, em 05.02.19

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Créditos: https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/vieira-da-silva-garante-que-vai-resolver-atrasos-nas-pensoes-no-primeiro-semestre-404764

 

Poderia abordar o porquê do salário mínimo em Portugal ser baixo mas também não poder ser mais elevado devido a outros factores como a produtividade e a má organização do trabalho em Portugal - também temos de ter em conta que se o salário mínimo em Portugal não é mais alto se deve ao facto da cultura do querer o mais barato (excepto se gadgets e automóveis) ou até da aquisição título gratuito.

 

Mas, mais que o salário, existem indivíduos que são mínimos e, entre os pingos da chuva, vitórias do Benfica, populismos dos anti-populistas, lá passam sem ninguém dar por eles. Um deles é o ministro Vieira da Silva, um herdeiro do período socrático (mais um daqueles que desconhecia um sem número de irregularidades) e que acha perfeitamente normal a existência de portugueses de segunda e portugueses de primeira - pelo menos, nesse aspecto, é fiel à Constituição, outro marasmo que tem travado o desenvolvimento do país com revisões ténues e nada profundas. 

 

Estabelecer um salário mínimo para a função pública e outro para o sector privado é, no mínimo, uma afronta a todos os que trabalham no sector privado. Mais ainda é o argumento de que no sector privado também existem diferentes patamares salariais. Existem, como existem na função pública mas são em mercado livre e sem interferência estatal e negociados entre empresários e o colaboradores - além disso, mais uma vez, estão sempre sujeitos a um patamar... mínimo.

 

Em ano de eleições o Governo voltou aos tiros no pé, no entanto, por incrível que pareça, os portugueses deixaram passar mais este atentado à sua cidadania - o Governo sabe, Vieira da Silva também sabe, os partidos que suportam o Governo sabem... Sabem que o funcionário público é um votante fiel, que não é dos que mais se abstem e que ainda é uma das grandes massas da população sob o jugo de sindicatos e influências partidárias e isso pode mudar uma votação por completo.

 

Entretanto, as reformas estruturais do Estado vão ficando na gaveta e as políticas de desenvolvimento a longo prazo no papel... Entretanto, os mesmos dinossauros (e não são nada raríssimos) vão ocupando um espaço que, quais eucaliptos, não hesitam em secar, não só em termos económicos mas em termos de ideias e modernidade! Entretanto... Temendo que o futuro fique nas mãos de outros lá vão deixando os seus tentáculos... Mariana Vieira da Silva e Sónia Fertuzinhos são dois exemplos...

 

É motivo para dizer, mínimo... muito mínimo...

 

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Os Amigos são para as Ocasiões...

por Robinson Kanes, em 04.02.19

 

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Imagem: https://tribunaexpresso.pt/um-azar-do-kralj/2018-06-28-Ronaldo-a-presidente--E-bem-capaz-de-resultar

 

Os amigos são para as ocasiões e não é só Rui Rio que se lembra disso quando se trata de defender os seus, mesmo quando cospem nos votos de todos os cidadãos e simulam presenças na Assembleia da República. Mas a política, mais do que sentido de dever, é uma praça de amizades, sobretudo quando também envolve futebol, e, desta vez foi o intocável património nacional (futebol) que saiu impune de mais uma vergonha para qualquer cidadão nacional.

 

A recente atitude de não retirar as condecorações a Cristiano Ronaldo demonstrou - mais uma vez - o poder do futebol em Portugal. O que o Presidente da República quis dizer ao não retirar as condecorações a um criminoso que fugiu aos impostos e até foi condenado a pena de prisão, foi que, desde que o assunto seja futebol, mexa com populismos e votos, tudo é permitido. Também Marcelo cuspiu em todos os portugueses que pagam os seus impostos e não gozam uma vida melhor porque continuam a alimentar instituições que tudo absorvem e viagens a roçar o privado de algumas altas entidades do Estado. Depois da amnistia a um padre que era tido como um ser repugnante e por isso foi condenado, já tudo se espera - afinal, também Marcelo tem de pagar os seus favores, sobretudo à santa Igreja que é um dos pilares da sua popularidade na trilogia, assistencialismo, media e religião. Pelo menos para mim, maior criminoso que o próprio, é aquele que conhece o crime, assiste ao crime e o legitima!

 

Mas deixemos Marcelo e pensemos na forma como toleramos isto: temos em Portugal um jogador de futebol (e toda uma instituição futebolística) que goza de total impunidade, aliás, a clubes e jogadores os portugueses tudo perdoam e tudo dão mas são os primeiros a julgar na praça pública aquele que roubou um quilo de laranjas para alimentar a família. Que cidadania completamente inebriada é esta que se vende desta forma tão... fácil? Que cidadania é esta que pede a cabeça de um bando de desocupados (E até os acusa de terrorismo...) que invade uma academia de futebol mas permite que o terrorismo diária afunde o país num buraco sem fundo?

 

José Sócrates, Zeinal Bava e outros perderam as condecorações da República, os intocáveis que afinal não são mais intocáveis que um jogador de futebol... Andamos de facto inebriados, resta saber até quando, porque não hesitamos em ameaçar e aplaudir a prisão de quem pede uma revisão dos impostos ns combustíveis e na forma como é administrado o Estado mas batemos palmas aos criminosos que, muito provavelmente, sustentam a nossa popularidade. E quando assim é, por norma, as coisas não acabam bem... Pelo menos em países onde o povo ainda pensa e deseja um futuro melhor e não uma embriaguez imediata...

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Noite de Facas Longas...

por Robinson Kanes, em 26.11.18

IMG_2296.jpgJudite decapitando Holofernes, Caravaggio -Gallerie Degli Uffizi

Imagem: Robinson Kanes

 

Existe uma coisa em política que me coloca sempre a pensar em como a pescadinha de rabo na boca é mesmo uma realidade e não há forma de, muitas vezes, cortar de vez às postas um enrolar hipócrita e prejudicial, inclusive para a Democracia.

 

Vejamos... Um dos maiores discursos dos indivíduos de esquerda, sobretudo daqueles mais adeptos da causa e que chamam (democraticamente) fascita a qualquer um que tenha uma ideia diferente da sua, é a de que alguém domina e controla tudo, de que o capitalismo nefasto subjuga as pessoas e transforma as mesmas em objectos, que as elites todos os dias encenam mais um acto da famosa "noite das facas longas". Este discurso de cassete, repetido décadas e décadas, tende até a enganar alguns mais incautos, todavia...

 

É estranho como estes arautos da liberdade, da ética e dos valores, muitas vezes, são alimentados pelo mesmo sistema que criticam, pelo sistema que lhes permite viver uma vida tranquila e até bem coroada em termos monetários. Uma espécie de sistema, grande maioria das vezes público, que ao alimentar tais faustosas vidas, ainda permite que, democraticamente, possam exprimir os mais absolutos disparates - não me refiro somente a Mário Nogueira, Francisco Louçã, Catarina Martins e tantos e tantos outros que podemos citar.

 

Também nos faz pensar no facto de, quando no poder, este tipo de indivíduos e clãs, rapidamente esquecer os problemas que antes apontavam. Se existiam impostos altos, na boca dos mesmos, terão deixado de existir, se existiam desigualdades, rapidamente deixaram de existir... O importante passa sobretudo por manter um discurso próximo de uma maioria que vota e que está ligada ao funcionalismo público. Afinal, uma coisa são meia-dúzia de estivadores, já outra são quadros técnicos do Estado. Alimentar os pobres não lhes dando, contudo, empowerment é também um forma de manter uma larga camada de população que vê nestes discursos a tábua de salvação.

 

Quando têm a mínima sensação de poder, é vê-los (democraticamente) a exercer uma espécie de "noite das facas longas" mas com outro nome, é que a denominação anterior puxa muito ao fascismo e ninguém quer comparar conceitos, mesmo que na prática as coisas sejam pouco diferentes. Essa mínima sensação de poder, faz com que estes indivíduos se comportem de pior forma que um capitalista e acumulem riqueza, nem sempre porque investiram mas porque o poder lhes dá - uma espécie de transformação de "filhos da sopeira" que de repente passam a senhores do feudo - por norma, quando isso acontece com pouco esforço ou preparação, o resultado é catastrófico.

 

Soa a discurso elitista de facto, mas a realidade não distingue discursos. Afinal, já Platão havia dito em a "República", que é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". É do cúmulo da liberdade, conceito repetido até à exasutão por estes indivíduos, que (democraticamente) se alimentam muitos tiranos com capa de bom samaritano.

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