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Sardinhada em Odivelas...

por Robinson Kanes, em 01.12.20

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Créditos: https://imgflip.com/i/4cwh5z

 

Hoje, na nossa presença habitual de terça-feira no SardinhasSemLata, fomos a Odivelas, ainda passámos por São Paulo e eis que terminámos em Barcelona com uma descarga eléctrica daquelas... As sardinhas ficaram chamuscadas, mas algumas ainda se comem... Passem por lá se quiserem saber mais, é só clicar aqui.

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A Morte do Homem Branco...

por Robinson Kanes, em 25.11.20

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Créditos:https://sylg1.files.wordpress.com/2016/09/keep-calm-and-kill-all-white-people.png

 

O homem precisa de ver mais as suas possibilidades que as suas prisões!

Agustina Bessa-Luís, in "Ternos Guerreiros"

 

Enquanto uns dizem que o comunismo nunca existiu, outros também podem incitar ao ódio com palmas. Ainda esta semana, um indivíduo que tem sido um dos garantes que o discurso de ódio em Portugal não cessa, e onde nem a polícia escapa, é aquele que recentemente agitou a bandeira da morte ao homem branco. Várias conclusões têm de ser retiradas sendo que, se fosse um outro qualquer a minha opinião seria exactamente a mesma.

 

Será que se fosse um indivíduo da nossa praça, e já nem vou sublinhar André Ventura, a proferir essas mesmas palavras mas com uma diferença, a mudança no tom de pele, a reacção seria mesma? Um processo judicial, extravasamento de competências e pedidos de investigação por parte de Ferro Rodrigues e Marcelo Rebelo de Sousa, além dos habituais pacíficos/manipuladores humoristas e jornalistas da nossa praça a pedirem a sua cabeça... Mas foi Mamadou Ba, que em Portugal goza de especial estatuto - ainda desconheço a que propósito, mas somos o país dos estatutos, este é mais um.

 

Por outro lado, surgiu o discurso (mesmo daqueles que sabem muito bem o que Ba quis dizer, todavia, a sua voz revolucionária cessa quando a imagem pública pode ficar manchada pelo políticamente incorrecto) de defesa do contexto em que as mesmas palavras foram proferidas. Eu não ouvi só aquelas palavras e a ideia com que fiquei foi de que todo o contexto era de ódio, de repulsa e de incitamento ao combate. Amedronta-me ver que aqueles que atacam os discursos extremistas mas depois desculpabilizam estas palavras - afinal é só retórica, são metáforas, são palavras mal escolhidas! Se hoje disser que não gosto de cerveja preta, são os mesmos que dizem logo que sou racista! Onde é que está a coerência? Corremos o risco de perder palco e de sermos conotados com extrema-direita? Com reaccionarismo? A verdade, a pluralidade e moderação nunca serão de extremos... No entanto, é a conivência com um extremo que alimenta o outro, além da criação de fantasmas numa sociedade que tem tantos problemas para resolver e que acaba por criar no cidadão comum uma certa desilusão quando começa a conceber que está na base da pirâmide, amordaçado e escravizado.

 

Também me assusta o discurso: "homem branco"; "homem preto"; "eles"; "nós"... Tenho muitas dúvidas que a grande maioria dos indivíduos que Mamadou Ba diz defender se revejam nestas palavras... Ainda bem que não estamos na África do Sul, caso contrário, Malema teria um aliado de peso. Ou então talvez seja um defeito meu que vejo seres-humanos e iguais perante a lei... e não catálogos...

 

Mais do que as palavras, o ódio que vemos nestas reuniões privadas, neste discurso que não é público e onde os "sociais utópicos" lá estão para defender os pobres coitados, é corrente. É certo que alguns estão por bem, mas conheço suficientemente alguns destes defensores para perceber que estou mais seguro junto de uma hiena esfomeada do que propriamente junto de determinadas personagens, normalmente apenas predadores de subvenções dos regimes que eles próprios criticam.

 

Assusta-me, mas isso talvez seja porque ontem perdi uma noite inteira a falar de Democracia, liberdade e acesso à educação com um "homem preto" que ninguém conhece, mas coloca a emancipação do seu povo à frente de querelas e discursos de ódio extremo, porque no final, é na luta pela paz, pela liberdade e pela educação do seu povo que coloca o seu foco...

 

P.S.: um dos últimos indivíduos (Fredrick Demond Scott) que disse "kill all the white  people" abriu a cabeça a seis inocentes norte-americanos, um deles uma sem-abrigo idosa.

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Sardinhas à Kamenev...

por Robinson Kanes, em 24.11.20

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Créditos: https://cdn3.geckoandfly.com/wp-content/uploads/2017/08/anti-socialism.jpg

 

Sardinhas comunistas são um mito, é verdade. Segundo muitos, nunca existiram... Hoje estamos no SardinhaSemLata como é habitual... Venham comer umas sardinhas à Kamenev no nosso Politburo aqui e apanhar uma bela Bubnova...

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Uber Medina, Glovo Costa e Povo Eats...

por Robinson Kanes, em 23.11.20

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Créditos: https://www.buzzfeednews.com/article/venessawong/mcdonalds-and-uber-eats-need-each-now-other-more-than-ever

 

Os eleitores comuns começam a sentir que os mecanismos democráticos só não os capacitam. O ruído à volta está a mudar e não conseguem perceber nem compreender porquê. O poder está a fugir-lhes das mãos e ainda não sabem para onde é que se transferiu.

Yuval Noah Harari, in "Homo Deus"

 

Por um destes dias, tive o prazer de ler um artigo de Javier Carrasco, no "Valencia Plaza", jornal de referência da "Comunitat Valenciana",  e cujo título era o seguinte: "Portugal camina hacia la dictadura". Se é certo que Espanha não está melhor para atirar este tipo de farpas e o ex-jornalista do El Mundo também não é propriamente a pessoa mais conhecedora da realidade portuguesa, tenho de reconhecer que entre algumas falsas verdades encontrei algumas reais verdades que passam por baixo da alcatifa das redacções nacionais: 

Nuestro país vecino vive una insólita crisis política. El Gobierno portugués se escuda en la lucha contra el coronavirus para restringir las libertades y los derechos de sus ciudadanos. Pero en esta empresa, la de frenar el virus, ha fracasado. Bruselas vigila el autoritarismo del Ejecutivo luso para evitar una vuelta a los tiempos de Salazar  

(..)

La situación comienza a parecerse a Polonia y Hungría, dos estados que están en el punto de mira de la UE por posible conculcación de derechos fundamentales

 

Confesso que ainda tenho de aferir algumas circunstâncias destas e outras afirmações, no entanto, algumas revelações dos últimos dias (a juntar a outras tantas) começam a dar uma certa justiça a Carrasco e todos aqueles "gajos de Marvila" que se podem rever nestas palavras. Falamos sempre com desprezo dos "gajos de Marvila", não obstante, muitas revoluções e muitas lutas começaram em tabernas...

 

Fernando Medina já nos avezou a um certo autoritarismo na Câmara Municipal de Lisboa. Medina é um cavalheiro que utiliza o poder público como se fosse o seu feudo. É também o politico do alojamento local que, logo à primeira crise, virou as costas a todos os empreendedores que apostaram na cidade (independentemente das consequências). É o cavalheiro que expulsou os lisboetas da cidade e agora os quer trazer de volta com rendas acessíveis como se fossem indigentes, é o cavalheiro que ignorou o exemplo de Barcelona - é o senhor Teixeira Duarte. É também (à semelhança de outros) dono de espaço televisivo onde tece comentários numa clara falta de sentido e responsabilidade pública - um presidente de câmara, especialmente da capital do país não devia permitir que a sua ambição (mesmo que desmesurada e autocrática) o deixasse descer tão baixo. 

 

Medina é agora o político que quer neutralizar, mais uma vez, a iniciativa privada, criando uma "empresa pública" que fará concorrência desleal a empresas como a Uber e a Glovo. Medina, que não se importou com os taxistas quando a Uber era uma imagem de modernidade para Lisboa (excepto quando estalou a contestação), é o mesmo que agora, na versão "eats" quer destruir a iniciativa privada, qual comité central que tudo controla e tudo decide. As taxas que estas empresas estão a praticar são esmagadoras para o negócio da restauração, todavia existem reguladores que devem estar atentos a abusos no mercado e os consumidores que têm de decidir se querem pactuar com aumentos dos custos para a restauração e consequentemente optar por outras formas de adquirir os produtos, numa lógica de cidadania responsável - nunca o poder político! Estamos a dar um excelente exemplo a quem deseja investir em Portugal!

 

Medina, que cegamente já procura a liderança do PS, é o mesmo que, juntando-se a outros já quer ilegalizar partidos catalogado-os de racistas e xenófobos. Na verdade, e goste-se ou não do CHEGA, este partido encontra-se legalizado junto das devidas instâncias e não é a concorrência que deve adoptar uma atitude autoritária de castração do mesmo. Ilegalizem-se então os partidos que são autênticas famílias, partidos onde a corrupção grassa e partidos proibidos pela União Europeia, sem esquecer os partidos que têm lesado o erário público ao longo de décadas - temo que Fernando Medina fique sem partido também e ele próprio se possa encontrar em maus lençóis. Senhor Medina, Portugal ainda não é uma Ditadura, ainda não... No dia em que for, serei dos primeiros a combater a mesma ou qualquer tentativa sequer de... Seja de que quadrante for.

 

Também o Governo liderado por António Costa vai fazendo os habituais favores a partidos de extrema-esquerda para se perpetuar no poder, à semelhança do que se passa em Espanha - e o próximo congresso do PCP e as medidas restritivas com o aval do Presidente da República (o que não espanta, pois foi adepto de uma ditadura) vai autenticamente cuspindo e subjugando os portugueses. É imoral e é intolerável... António Costa é também o real cumpridor da Constituição da República Portuguesa pois, uma vez mais, dividiu os portugueses em portugueses de primeira e portugueses de segunda com uma tolerância de ponto nos feriados de Dezembro. Contudo, sugere ao privado que seja tolerante e siga o exemplo. Mais uma vez, é preciso manter o sindicalismo calmo e os funcionários públicos satisfeitos, e convenhamos senhor Primeiro-Ministro, acha mesmo que os responsáveis do privado se encontram em situação de dispensar os seus colaboradores? Em que mundo vive senhor Primeiro-Ministro? Acha que aqueles que lhe pagam o salário (sem cortes), a si e aos demais, têm condições para parar? Ou estamos perante uma manobra para evitar uma hipotética revolta entre funcionários públicos e funcionários do privado? A sorte do senhor Primeiro-Ministro é ter uma elite pública tão grande que na maioria dos agregados familiares existe um funcionário público e assim vai conseguindo manter a paz social, além de que, mal ou bem, também os pensionistas (que são muitos) vão recebendo o seu cheque a tempo e horas... Até um dia... Recordo-lhe as palavras de Tocqueville que nos dizem que "é sobretudo no pormenor que é perigoso subjugar os homens". Todavia, e com conhecimento de causa, todos os dias dezenas de portugueses abandonam o país porque afirmam, entre outras coisas, não estarem a trabalhar para sustentar uma máquina pública que tudo suga, uma verdadeiro take-away da já parca produção nacional. E reconheço, senhor Primeiro-Ministro, existem muitos funcionários públicos que fazem um trabalho de excelência... 

 

Deixo também uma nota para o facto deste fim-de-semana, Espanha ter saído à rua para contestar a política educativa ideológica que está a ser levada a cabo naquele país. Também em Portugal estamos a sofrer essa transformação autoritária e criminosa, todavia, também um dia os portugueses saírão à rua a exigir a educação que eles querem e não aquela que lhes é imposta por agendas extremistas e que além de alterarem e apagarem a História, procuram também incutir comportamentos e doutrinas à força! Protocronismos não passarão!

 

Entretanto, entre um Uber Medina, um João Galamba que diz que nunca se imaginou a trabalhar e um Glovo Costa, o Povo Eats... Outros, contudo, vão preferindo o Momondo e a Booking e fogem deste país para outros que os acolhem, os remuneram justamente, não lhes sugam os frutos do trabalho e ainda os reconhecem! E sim... Por incrível que pareça, é possível reconhecer o trabalho ou o investimento de outrém e ainda ser justamente pago por isso...

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EjkKZD9WoAA-Ci9.jpegCréditos: https://twitter.com/FAOYemen/status/1313092618126077954/photo/1

 

A 06 de Outubro, há pouco mais de um mês, recebia a notícia de que no Iémen a vacinação destinada a animais foi terminada devido à falta de financiamento por parte dos membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e por privados. Os mais antropocentricos pensarão porque é que a vacinação de animais tem de ser uma prioridade, mas vejamos...

 

No Iémen, cerca de 3,2 milhões de indivíduos (215 mil famílias sensivelmente) vivem da pecuária, quer em termos alimentares quer em termos de geração de income. A existência de vacinas e consequentemente a vacinação dos animais elimina a montante muitos problemas cuja resolução poderá ser mais complexa...e cara - ainda hoje a ONU afirmou que vai disponibilizar 100 milhões para combater a fome em 7 países. O Iémen está incluído, país onde 24 milhões de pessoas dependem da assistência humanitária - 24 Milhões! A população total roça os 29 milhões.

 

Vacinar estes animais é dinamizar a economia, é alimentar seres-humanos, é permitir que muitos se possam ocupar com uma actividade, sustentar a família e acima de tudo é um alívio para o Estado e para os financiadores de um país completamente devastado por um guerra civil desde 2011 aquando dos ecos da Primavera Árabe que depôs Ali Abdullah Saleh e colocou no poder Abdrabbuh Mansour Hadi. 

 

Além da corrupção, da Al-Qaeda, da insegurança alimentar e de movimentos separatistas, a gota de água foi o movimento huti que, sendo xiita e defendendo  os xiitas zaidi procurou tomar o controlo da Província de Saada. O apoio, inesperadado, de muitos sunitas a Hadi, levou à escalada da violência, ao exílio deste e a uma das mais sangrentas guerras da década - ainda tenho na memória a emboscada a centenas de soldados sauditas decepados pelos rebeldes e que não terá passado em Portugal. A hipotética ameaça da influência do Irão (xiita) levou a que a Arábia Saudita se envolvesse directamente na guerra com mais oito países árabes e ainda com o apoio logístico de países como os Estados Unidos (O nobel da paz e presidente em 2015, Barack Obama autorizou o apoio e internamente foi acusado de participar na catástrofe), Reino Unido, o pacífico Canadá e França. A ira árabe que também afecta o último país tem muito que se lhe diga, embora nada justifique as atrocidades cometidas.

 

Agora, com o fim do apoio directo à população, sobretudo numa forma de empowerment - a melhor forma de combater a miséria sendo que a caridade só a fomenta - assitimos à escalada daquela que já é uma das maiores catástrofes humanitárias do século. Em termos de má-nutrição e a título de exemplo, a Food & Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a 27 de Outubro deste ano, dava conta do maior número de casos de nutrição registados naquele país em crianças abaixo dos cinco anos... Um aumento de 10% em relação a 2019 o que equivale a cerca de 98 000 crianças em risco de morrerem devido à má-nutrição. Em termos de Má-nutrição Severa/Severe Acute Malnutrition (SAM), a percentagem aumentou em 15.5%. Em suma, uma em cada cinco crianças corre o risco de morrer por má nutrição, sendo que em algumas provincias o número pode ser duas e até três em cada cinco.

 

O Iémen, apesar do desinteresse de quase todos, é um país importante para a estabilidade regional (se tivermos em conta que a Síria é outro foco de tensão) e arrisca-se a ser um pólo logístico da Al-Qaeda e com alcance mundial. Também é pelo estreito de Bab al-Mandab que passam muitos dos navios petroleiros do Mundo, e isto também tem que se lhe diga.

 

Em relação às vacinas para o gado, o reinício do programa implicará agora um custo de 3 milhões de dólares. Se tivermos em conta que países como Portugal gastaram milhões na aquisição de medicamentos que não têm qualquer efeito (e foram alertados para isso) contra o SARS CoV-2, dará que pensar... 

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Créditos: https://www.playficient.com/employee-onboarding-ideas/

 

O homem não empenha numa acção uma parte limitada de si mesmo; e quanto mais acção pretende ser total, mais a parte empenhada é diminuta. O senhor sabe que é difícil ser-se homem, sr. Scali, mais difícil do que julgam os políticos.

André Malraux, in "A Esperança"

 

Com tantos anos de extrema esquerda em Portugal e perante a alegada ameaça de um também alegado partido de extrema-direita em Portugal, surgiu um daqueles manifestos que alinhou nos hypes actuais - o hype é real, se os signatários estão na moda é outra coisa. Gente nova (?), onde encontramos o cidadão português representado em toda a sua plenitude e com grande histórico laboral nas mais variadas actividades que fazem andar um país! Gente fresca uma nova mentalidade! Portugal a dar passos de gigante... Aliás, só me consigo lembrar da Ndrangheta calabresa a criar um manifesto contra a Cosa Nostra siciliana... Chamei-lhe manifesto do "coiso" porque não percebi muito bem qual é o alcance nem o nome e muito menos onde está a apregoada clareza.

 

Foi por isso que criei o Movimento 7.9.1.2.a), inspirado no Movimento 5.7, mas com identidade, com rigor e que além de pontos também tem alíneas, tomem lá que estou mais à frente. E para dar início a este movimento decidi conhecer este manifesto que, como referi, é uma amostra real do português comum:

 

Adolfo Mesquita Nunes: este indivíduo não foi aquele cavalheiro que em tudo o que conquistava, o facto de ser gay era sempre a razão de? Também não é aquele que um dia quer ser presidente do CDS e fez uma pausa política para ir para a GALP sem saber ler nem escrever? É que com os resultados das últimas legislativas e com a ascensão do CHEGA é possível que o CDS desapareça do mapa, nada como ter um pé na GALP e um no Partido, assim não se perde tudo. 


Alexandre Homem Cristo: Um académico e colunista do Observador. Hum... Pois...

Ana Margarida Craveiro: espero que não seja a Directora de Comunicação de uma... Sociedade de Advogados? Ai é?

Ana Rita Bessa: O partido do táxi está prestes a tornar-se o partido da trotinete e não há cadeiras para ocupar na Assembleia da República. E até gosto desta senhora, traz classe e requinte ao Parlamento.

Ana Rodrigues Bidarra: não era uma senhora que escrevia umas coisas com um cavalheiro que também está na lista, até tinham um "Conselho de Estado"? Só conheço isto da mesma. 

André Abrantes Amaral: Ora, mais um advogado. Afinal somos o país das licenciaturas em Direito, convenhamos.

Bruno Alves: É o jogador da bola? Se for é caceteiro!

Bruno Vieira Amaral: Escritor, critíco literário e colunista. Pronto, é isto...

Carla Quevedo: Surge-me uma actriz argentina no google, não deve ser a mesma... Espero que seja uma jovem com novas ideias.

Carlos do Carmo Carapinha: um senhor fora do sistema, completamente original... Uma novidade nestas coisas, ou talvez não. Pelo menos é Director Administrativo, um homem do sector empresarial.

Carlos Guimarães Pinto: um cavalheiro fora do sistema... Espera, foi presidente do Iniciativa Liberal. 37 anos e académico... Mais um académico e "pouco" ligado à vida partidária.

Carlos Marques de Almeida: Mais um professor universitário. Sentido prático não vai faltar a este movimento pelo que estou a ver. Isto parece o Estudo Geral.

Cecília Carmo: Esta senhora não era a jornalista do desporto? Agora tem uma agência de comunicação. Malta jovem e original.

Diana Soller: Uma académica, política e funcionária do PSD. Gente nova, menos mal e sempre tem dois "l" no nome.

Diogo Belford Henriques: Membro do Conselho de Opinião da RTP nomeado pelo CDS. Conselho de Opinião da RTP, really? Colunista e "board" numa sociedade de advogados da nossa praça. Portanto, colunistas, membros de sociedades de advogados e académicos... Vamos bem. Por pouco não tinha nome de carrinha de caixa aberta...

Eugénia Galvão Teles: Mais uma pessoa do direito e colunista. Confesso que começo a perder as deixas e assim o meu artigo começa a ser repetitivo.

Fernando Alexandre: Secretário de Estado e académico. Consoante a cor partidária vai tendo uma opinião diferente do país. Notável. Venha gente nova e original, pelo menos, neste caso, a opinião vai mudando.

Francisco José Viegas: Um dos que está sempre em todas... Colunista, editor, um dos dinossauros do país, opinador profissional. Convém ter gente mais velha da nossa sociedade, é preciso moderar a rebeldia desta juventude no manifesto. Tem uma coisa boa, adora Vergílio Ferreira.

Francisco Mendes da Silva: Mais um advogado de uma grande sociedade e político profissional. Tenho de ir ver outra vez se no manifesto consta, de facto, originalidade.

Gonçalo Dorotea Cevada: mais um cavalheiro das consultoras, especialista em matéria fiscal e... colunista... Pois...

Henrique Burnay: Um independente... Não... Mais um cavalheiro do Direito e académico, é senior partner de uma consultora. Mais um representante do que é ser português. 

Henrique Raposo: ainda dizem que Marcelo está em todas. Este é mais um daqueles cavalheiros que está em todas sem ninguém perceber muito bem porquê... Aqui é um típico português. E também é colunista em tudo e mais alguma coisa.

Inês Teotónio Pereira: jornalista e política e mais uma cara nova, ou talvez não. Jornalista e política, também não preciso de dizer mais nada.

João Amaro Correia: arquitecto e fervoroso benfiquista. Pelo menos, no clube tem semelhança com mais de metade da população. Consta que é blogger com vocação e instagramer por intuição. Um bom mote para mudar o país.

João Diogo Barbosa: aquela malta que ainda não terminou a universidade mas já tem uma carreira em ascensão? É jovem, mas os hábitos são velhos e bons amigos não devem faltar.

João Nuno Vaz Tomé: se é quem eu estou a pensar, mais um cavalheiro independente. Perdão, afinal é do CDS.

João Taborda da Gama: Secretário de Estado e filho de Jaime Gama... Que original... A grande família socialista também a ter representação. 

José Diogo Quintela: Olha o indivíduo que gosta de explorar trabalhadores e gosta de dizer isso na televisão. Também não é aquele que é apanhado alcoolizado a conduzir e todos acham imensa piada? Mais um colunista no Público e no Observador, bons fornecedores deste movimento. E pensar que este indivíduo, tal como os restantes Gato Fedorento evoluíram de "palmeiros profissionais" e com píadas que hoje criticam...  Admira-me que não esteja aqui um Tiago Dores, um sem-abrigo a quem o Observador deu um jeito.

José Eduardo Martins: advogado, colunista, deputado e um dos barões do PSD. Só sangue novo e com ideias novas...

Lourenço Cordeiro: não conheço mas numa coisa é moderno: frequenta muito o twitter.

Margarida Olazabal Cabral: mais uma advogada de uma grande sociedade de advogados... Irra, não cessa...

Miguel Esteves Cardoso: escreve-se uns livros com vernáculo, o Público e umas rádios elevam-no a intelectual, cria um jornal para dizer mal da concorrência olhando pouco à ética e aí está: sempre em tudo e todas... Mais uma pessoa jovem e muito original. Desde Março fechado em casa! O homem com que podemos contar para vir para a rua combater pelo país!

Miguel Loureiro: Um homem das artes! Ena, menos mal... Espero...

Miguel Monjardino: colunista e académico. Eu sei, não é de propósito, mas não posso evitar.

Miguel Poiares Maduro: olha o cavalheiro preocupado com o mundo mas gourmet de grande gabarito. Afinal eu também sou um pouco hipócrita. Vá lá que não tem filiação política, não é colunista e não é mais um académico. Alto... Um momento... Afinal é tudo isso... Até gosto do cavalheiro.

Nuno Amaral Jerónimo: Espero que não seja o cavalheiro que faz tudo em 10 e 15 minutos! É mesmo... Este cavalheiro sabe "como ficar estupidamente culto em apenas 10 minutos" ou então "como salvar o mundo em 15 minutos". O rei da TedEx, vou já largar o Tony Robbins. 

Nuno Gonçalo Poças: mais um advogado e mais um colunista do Observador... E lá vai o coelinho da Duracell.

Nuno Miguel Guedes: é aquele cavalheiro jornalista que tira sempre fotos em grande estilo e com a cabeça sempre de lado não é?

Nuno Sampaio: Arquitecto, certo? Já são dois... Cuidado, senhores advogados.

Pedro Gomes Sanches: Um homem do Estado, académico e colunista do Observador... "And going and going...". Proferiu isto: "Não sou conservador porque sou católico, ou porque sou avesso à mudança, ou porque antigamente é que era bom. E por isso sou do CDS e creio que é o João Almeida a escolha de que o partido necessita". Um génio.

Pedro Mexia: Mais um real emplastro... Uma cara nova. Poeta, colunista, critíco literário. Só novidades e um digno representante do que é ser português.

Pedro Norton: um homem da televisão, que até gosto de ouvir, e também da Gulbenkian. Já faltava uma novidade perante tanto mais do mesmo... Hum...

Pedro Picoito: Académico, colunista e já viram a foto do cavalheiro no Observador? Hilariante... Vejam...

Raquel Vaz-Pinto: Com um apelido totalmente desconhecido e mais uma académica. Estamos bem entregues, portanto. E viva a gente nova e original.

Rubina Berardo: esta economista soube cedo o que era importante para vencer na vida: tirar cursos superiores e ser política. Original não é?

Samuel de Paiva Pires: já foi muita coisa, mas é essencialmente mais um académico. Como muitos desta lista, já tem no LinkedIn que faz parte do manifesto, toca a criar engagement

Samuel Úria: já mais de uma dúzia de pessoas me perguntou quem era este cavalheiro. É músico e colunista. Não gosto como músico fui ver como se safava a dar opiniões. Continue músico... Também está em todas, não vá cair no esquecimento.

Sandra Clemente: Direito, Academia, Colunismo... E pronto, é isto...

Sebastião Bugalho: então mas este não era aquele jovem estudante, filho de jornalistas e que sem saber ler nem escrever rapidamente ascendeu no i, passou para o Sol, TVI,  vendeu-se a um partido, agora está no Observador e pelo meio tem grandes flops quando o assunto é ética. Jovem, mas vícios de dinossauro do burgo. É inacreditável como é que estes indivíduos... E como é que alguém ainda o convida para um manifesto. Por este andar, quem será o seguinte, o Armando Vara?

Teresa Caeiro: política, direito... E pronto, lá vai o coelinho Duracell...Gente jovem não falta.

Teresa Violante: Académica e colunista no... Observador. Esta malta janta todos os dias no mesmo restaurante e na mesma mesa, certo? Ah, também tem Direito na formação.

Vasco Ressano Garcia: Alguém que mistura política e Igreja como quem faz uma salada de alface e tomate para o jantar sem lhe colocar oregãos e azeite. Alguém que está voltado para o futuro, sem dúvida.

Vasco Rosa: mais um colunista do Observador, penso eu. Desconheço o CV, mas já vi que também é pouco importante.

Vera Gouveia Barros: colunista, académica e uma mulher do Estado. Era aqui que eu tinha esperança de encontrar uma mulher empresária... Ah... Foi por pouco.

 

De facto é interessante ver aqui o português comum, fora das lides partidárias, longe da sociedade bafienta alfacinha, dos jantares de troca de favores. O português que trabalha e que todos os dias vive realmente em Portugal. Vejo aqui empresários, gente de trabalho, e uma representação de Norte a Sul, desde Tui até Huelva... Perdão, Valença até Vila Real de Santo António. Temos futuro! Temos futuro! Haja esperança... Para ser ainda mais actual, apenas sugiro que não só a maioria apresente nomes com dois apelidos mas todos os assinantes. Se querem estar actuais é fundamental.

 

Falta a assinatura do Bloco de Esquerda, do PCP e de António Costa... Aliás, ver António Costa criticar uma geringonça entre PSD e Chega é o mesmo que ver Estaline a chamar nomes a Pol Pot, doesn't match. Além de que em Portugal já chegámos à conclusão que direita e esquerda, de facto, não existem... Tem outro nome, mas não é esquerda nem direita.

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Faz-me "espéce"...

por Robinson Kanes, em 28.10.20

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Créditos:https://funnypicture.org/funny-fails-army-10-free-wallpaper.html#.X5lAnVP7RhE

 

Apenas os bárbaros entre nós, sabem o que são. Os civilizados têm consciência do que podem ser e são por isso incapazes de saber o que, para fins práticos e sociais, realmente são - esqueceram-se  de como extraem da sua experiência atómica total , uma personalidade.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza"

 

Recordo-me de Ana Bola, para também eu dizer que... "faz-me espéce"... Mas afinal o que é que me faz "espece"?

Faz-me "espéce" ouvir alguns indivíduos da nossa praça, apelidarem Rui Pinto de ladrão em plena audiência perante um juiz. Indivíduos, que defendem autênticos criminosos com trânsito em julgado, e passo a expressão, estão enterrados até às orelhas e também eles envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro, fraude e corrupção - os que se julgam intocáveis. Isto é mais ou menos o mesmo que termos o Alves dos Reis (e esse ainda tinha nível e graça) chamar ladrão e fazer-se de vítima ao indivíduo que roubou um bolo na "Sacolinha" em Oeiras. Oeiras e roubo é mau exemplo, eu sei... Juro que quando escrevi isto não pensei em Isaltino a roubar um palmier recheado enquanto fumava um charuto e transportava um copo de Rémy Martin. Até porque o letrado e desenvolvido povo eleitor de Oeiras aprovaria de imediato.

 

Faz-me "espéce", sempre que Marcelo tenta não deixar passar uma para aparecer e lhe corre mal, ofuscar-se durante uns dias. Do ponto de vista da comunicação é uma jogada de mestre, não pode é ser um hábito sob pena de até o mais incauto perceber a jogada. E quem diria que os mamilos mais conhecidos do país não seriam os da Érica Fontes ou da Joana Amaral Dias e muito menos os de Alberto João Jardim, mas os de Marcelo. Quando a história desmistificar um dos piores presidentes, a imagem que ficará, será sem dúvida a perna cruzada e o "olhar" matador para a câmera enquanto se administra uma vacina e claro... os calções azuis desbotados. Claro que Marcelo nem pensa nas câmeras, é mera coincidência.

 

Faz-me "espéce" também que Marcelo, a propósito da morte de Vicente Jorge Silva, tenha espaço de comentário num jornal, nomeadamente o "Público" e onde além da apologia a um grande amigo e de toda uma classe que o sustenta, ainda consegue transformar o jornal numa espécie de obra-prima da imprensa tais são os elogios rasgados ao mesmo. Vestir a pele de ardina-mor não lhe fica bem sendo Presidente (de papagaio-mor diz-se que...), mas todos sabemos como é dependente da comunicação social e da imprensa para existir. Uma mão cheia de nada, precisa sempre de muletas para sobreviver e até ser eleito presidente. E depois ainda menosprezam o Tino de Rans, o Trump e o Tiririca.

 

Faz-me "espéce" ver os arautos dos Direitos Humanos, da verdade e da mais alta moral, serem caras de organizações geridas por fundos estatais de países que desprezam completamente esses mesmos direitos e até têm, no seu território, campos de concentração. São esses estados que inclusive ignoram as atrocidades cometidas contra algumas das bandeiras desses indivíduos: homossexualidade, violência sobre as mulheres e indivíduos de outros credos e raças - a polícia matar um preto nos Estados Unidos é um crime hediondo, já noutras paragens será cultural? São também essas organizações que estão envolvidas em escândalos que não lembram a ninguém e têm prejudicado o erário público, ou seja, todos nós. Não que eu possa até ter algo contra as mesmas, mas... Querer algo e o seu contrário. Afinal em Portugal S.A., tudo se vende e tudo se compra.

 

Faz-me "espéce" ver o que o Bloco de Esquerda votou contra o Orçamento de Estado. Ver que as sondagens estão a atirar Marisa Matias para o fundo da tabela, por certo, terá tido influência. Ou então já a pensar numa próxima legislatura, o Bloco quer afastar-se para não sofrer as consequências. Faz-me "espece", mas não me espanta, afinal é o Bloco de Esquerda, o partido esganiçado que se cala e tudo consente quando se arranja um "tachito".

 

Faz-me "espéce" que o PCP (partido totalitarista e supostamente não admitido no seio da União Europeia) ainda controle as decisões neste país. Uma minoria, a par de muitos sindicatos, sobretudo ligados ao funcionalismo público, que é um autêntico cancro e tem atrasado o desenvolvimento do país. Espero que alguém aprenda alguma coisa com os Açores!

 

Faz-me "espéce" ver os deputados não-inscritos, independentes aprovarem (abstenção é consentir que) o Orçamento de Estado. Será que a senhora que ninguém conhece e ex-deputada do PAN e a senhora Katar Moreira já estão a apostar em serem candidatas "independentes" pelo PS num futuro próximo? Infelizmente, ao contrário do que aconteceu com o Ciudadanos em Espanha, os novos movimentos cheios de gente de boa vontade, acabam vendidos ao sistema vigente, o shake ao status quo rapidamente é abandonado. Que o diga Fernando Nobre e outros tantos...

 

Faz-me "espéce" que um indivíduo não possa estar num funeral de um ente querido que até era um tipo odiável e que só levaria 20 pessoas mas se for para ir ao Avante, à Fórmula 1 ou às festas do regime já possa conviver com mais de 10 000 pessoas. O vírus é chique e gosta de croquetes, show-off e desporto motorizado mas não gosta de jantares em família, funerais e casórios. Aliás, casórios até gosta se tiverem muita gente e forem de malta de bem na praça, um pouco como as festas de aniversário da Padeira de Aljubarrota (da Malveira?) em espaços públicos da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Faz-me "espéce", num país tão pequeno, tanto ódio e interesse em Donald Trump mas ao mesmo tempo pactuar com atrocidades que não lembram a alguns dos piores ditadores do Mundo. Falar do Trump fica bem, mostra-se que se sabe (sabe?) muito da realidade norte-americana e não se perde o emprego nem os amigos.

 

E para terminar, toda a minha consideração e respeito pelos agentes da autoridade que irão controlar as entradas e saídas dos concelhos durante os próximos dias. Com tanta excepção, tanta desinformação e afins, temo que não vá ser uma tarefa fácil. Ainda vamos ver fotografias/montagens como as que temos visto de médicos e enfermeiros, com agentes esgotados com a cabeça deitada no volante.

 

Faz-me "espéce", pronto...

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Alterações Climáticas? That's a fact Jack!

por Robinson Kanes, em 26.10.20

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Créditos: Frédéric Noy - Panos Pictures

 

Não são as grandes ideias que os outros tiveram, mas as pequenas coisas que só a ti te ocorrem.

Haruki Murakami, in "Sputnik Meu Amor"

 

Uma das situações que fez parar as alterações climáticas foi a temática do SARS-CoV-2, pelo menos é a ideia com que ficamos e onde já nem o publicitário "how dare you" de uma jovem sueca tem eco. Previsível, numa campanha que teria os dias contados pelo simples facto de não ter um plano a longo-prazo e procurar apenas um rápido impacte. 

 

No entanto, a realidade nem sempre é a que encontramos nas notícias e na verdade, com o "apoio" do Fórum Económico Mundial (FEM) foi possível aferir que talvez o actual vírus seja o menor dos nossos problemas, e como dizem os americanos "that's a fact Jack", vejamos:

 

Em 2030 (daqui a 9 anos, portanto), o degelo contiuará de tal forma que o nível do mar irá subir cerca de 20cm (US Global Change Research Program - USGCRP). Todos sabemos as consequências deste facto, sobretudo para países com costa oceânica. No Golfo do México já são actualmente 60cm (Center for Science Education) e ao qual se juntam as tempestades cada vez mais severas, bem como no Noroeste dos Estados Unidos, onde estas (desde Janeiro de 2020) já são mais de 25 (USGCRP).

 

Todavia, não é preciso viajar 9 anos no tempo para chegar à conclusão que, e ainda falando em águas oceânicas, 90% dos recifes de coral estão ameaçados e 60% em estado de ameaça grave (National Oceanic and Atmospheric Administration).

 

Viajemos para terra e encaremos o facto de que a redução da área arável já atirou 100 milhões de pessoas para a pobreza extrema (Banco Mundial). 100 milhões de novos pobres, coloquemos as coisas desta forma. Em terra também chegámos à conclusão que as mortes devido às alterações climáticas aumentam por ano em 250 000 (Organização Mundial de Saúde - OMS). Não são 250 000 mortes, mas mais 250 000! A OMS é a mesma organização que nos quis ver todos fechados em casa por causa do Coronavírus e ainda as mortes estavam bem longe deste número.

 

Neste contexto, países como o Bangladesh, Tailândia, Vietname e outros, continuam e continuarão a sofrer um aumento das tempestades e consequentes inundações que provocam migrações em massa (Climate Central). Todos sabemos como o aumento da capacidade de carga vai levar a que outros conflitos possam surgir, inclusive com países vizinhos. Se tivermos em conta que actualmente 140 milhões de pessoas já se encontram deslocadas devido à insegurança alimentar, falta de água e fenómenos extremos (Banco Mundial), podemos imaginar o futuro.

 

Também ainda não é necessário viajar mais uns anos para chegar à conclusão que 8% da população mundial sofreu no último ano uma redução na disponibilidade de água potável (Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC) e que o Ártico também já tira férias e no Verão fica sem gelo (Arctic Council) - o Ártico no Verão fica sem gelo, sublinho... Já falei em tempos da gravidade desta situação.

 

Mas viajemos agora 19 anos e vamos até 2040. 19 anos é já amanhã, pelo que é já amanhã também que o mundo irá superar o limite dos 1,5ºC de aumento de temperatura imposto pelo Acordo de Paris (IPCC). É uma espécie de diferença entre um bife mal passado e um bem passado. Mas podemos deixar a grelha e passar ao forno, pois em 2050 a previsão é de que 2000 milhões da população mundial sofra com temperaturas na ordem dos 60º durante mais de 10% do ano (The Future We Choose - Surviving the Climate Crisis por Christina Figueres e Tom Rivett-Carnac). Em suma, não iremos precisar de máscaras para nos proteger de vírus mas sim da poluição extrema.

 

Se uma das coisas que as previsões em relação às alterações climáticas nos têm mostrado é que muitas vezes falham... Falham porque o que está previsto para daqui a 100 anos pode acontecer já amanhã. E é por isso que as previsões para 2100 apontam já para uma subida da temperatura na ordem dos 4ºC, sobretudo nas latitudes mais a norte (IPCC). Não estamos a regular o esquentador, 4ºC é uma coisa demasiado séria e com consequências no nível do mar: só a título de exemplo, a Flórida passará a ser uma coisa do passado, os recifes de coral desaprecerão e as consequências ao nível da fauna e flora marinha serão mais que desastrosas (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO). No ar e em terra uma vasta maioria dos insectos terão desaparecido e além das consequências em vários outras áreas - também as colheitas sofrerão pela falta de polinização (Biological Conservation). Falar em cataclismo é pouco, deixemo-nos de palavras bonitas.

 

Palavras bonitas não poderão livrar ninguém da seca extrema que afectará 40% do planeta (Proceedings of the National Academy of Sciences - PNAS) e a título de exemplo significará que uma área equivalente ao Estado do Massachussets irá arder por ano nos Estados Unidos (United States Environmental Protection Agency - EPA) aliás, os recentes incêndios na Califórnia, no Colorado, na Autrália e na Sibéria já mostram essa triste realidade. E tão pouco se fala deles... Estranhamente.

 

E finalmente, porque até nos toca de forma séria, o sul de Portugal e Espanha estará transformado num autêntico deserto, provocando carências alimentares e falta de água de uma gravidade extrema (Science) e acrescento até as migrações que daí advirão. Mário Lino parecia estar certo quando nos dizia que bastava atravessar a ponte e chegar à margem sul para estar no deserto. Temo é que em pouco tempo baste atravessar o Mondego.

 

Mais do que estar fechados em casa, no shopping ou a pensarmos no nosso umbigo (com o coronavírus, o egoísmo tornou-se uma doença) é altura de pararmos para pensar,  de deixarmos de ser refractários à verdade e sensíveis apenas a estímulos artificiais sob pena de não nos sabermos governar, como escreveria Tagore. É tempo de termos ideias e acima de tudo exercermos a nossa cidadania.

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O virus é democrático mas parece ser o único...

por Robinson Kanes, em 23.10.20

235866_RGB-981x1024.jpgCréditos: Caglecartoons.com, The Netherlands, March 6, 2020 | By Joep Bertrams

 

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Até o dia dos mortos se finou... Não acredito que uma romaria aos cemitérios possa fazer grande diferença no facto de gostarmos de alguém, está morto e pronto, não obstante, reconheço quem tem nesta prática e nesta forma de lidar com a morte uma visão diferente da minha e que está tão enraizada na nossa sociedade e costumes e que vai muito para além da crença católica. Todavia, este constante ataque ao cidadão que faz por sobreviver e cumprir o pouco que ainda lhe resta de liberdade começa a ser assustador - e pensar que em tempos alguém foi tão criticado por "querer" congelar a Democracia por seis meses.

 

Vejamos, todos aqueles que nos cortam a vida social, humana, cultural e profissional, são os mesmos que no Verão não hesitaram em (e sempre com o jornalismo medíocre atrás) mostrar-se na praia, fins-de-semana seguidos e chamando todos para o ajuntamento parolo habitual do Verão. São os mesmos que não hesitaram em jantar nos restaurantes da praça para português pobre que come uma sopinha ver. São também os mesmos que permitiram ajuntamentos como o 1º de Maio, várias manifestações da direita à esquerda e o grande acontecimento de 2020 que foi a festa do Avante. Não paga impostos, utiliza o erário público, utiliza mão de obra a custo zero e ainda recebe este prémio, enquanto os outros encerram empresas. São os mesmos que se congratularam com a Fórmula 1 no Algarve e permitem uma multidão num fim-de-semana e proibem o cidadão comum de velar os mortos ou estar em família no outro. São os mesmos que encheram o campo pequeno mal o vírus saiu do confinamento e parece ter dito "bem, vou-me embora, vou partir naquela estrada". O vírus é democrático, mas começo a crer que Portugal não...

 

Começa também a ser em demasia o pânico que é gerado nas televisões e jornais - e já lá vão seis meses. Basta! Basta! Basta! As pessoas estão cansadas e assustadas e estou em crer que muitos dos media que embarcam nesta lógica perceberam que três meses de lockdown fazem maravilhas pelas audiências e também pela destruição da inteligência dos cidadãos. Basta de termos matemáticos; profissionais de saúde;  físicos; filósofos; "comentadeiros"; "viradores de frangos" e mais um sem número de indivíduos que procuram destaque a todo o custo e todos os dias nos apresentam modelos e teorias completamente descabidas de base cientifica ou assentes em modelos ultrapassados e que só aumentam o pânico, deixem de ser "wannabes" e concentrem-se no essencial. Isto não é uma guerra como nos querem fazer crer e muito menos o fim do Mundo. É, sem dúvida, um aviso à nossa sociedade, mas sobretudo pela forma como somos "geridos", "controlados" e claro, como nos comportamos. Existem muitas soluções, a economia não pode parar! Mas a Irlanda confinou! Sim, e vejam como economicamente e laboralmente se organizou. Vejam um website de ofertas de emprego naquele país ou tentem ver como se está a comportar o tecido empresarial e percebam que tem mais dinâmica e ofertas de emprego (com qualidade) que um Portugal em tempos áureos!

 

Começa também a ser cansativo ter uma Organização Mundial de Saúde (OMS) e por cá uma Direcção Geral da Saúde (DGS) que um dia nos dizem que a máscara é para utilizar e no outro já não! Que às nove da manhã nos dizem que o contágio não se dá por contacto com superfícies a à tarde já nos diz que afinal todo o cuidado é pouco. É uma OMS que privilegiou os confinamentos mas agora volta atrás... Para o caso de alguém se ter olvidado, a OMS, legalmente, não é uma organização cientifica e muito menos médica, é uma organização política, é essa a sua base!

 

Também não podemos ter confiança total do lado da saúde (não estou a afirmar que não devemos escutar e seguir os conselhos), pelo simples facto de não ter uma visão holística da sociedade, da economia e do Mundo, e é aí que o poder político e cívico tem de mostrar que pode ouvir, acatar, mas exercer uma espécie de gestão da situação do que lhe chega. Também não podemos ter sociedades médicas a afirmarem que os melhores não estão a ser ouvidos em detrimento de outros que provavelmente se movimentam melhor no plano mediático e político. Passámos demasiado tempo no Verão a apanhar sol na praia, sejamos consistentes nas mensagens e nos alertas.

 

Todos sabemos que os números estão a ser "martelados", não tenhamos ilusões, mas mesmo assim, não podemos deixar de viver, não podemos parar a economia e muito menos destruir o que temos de nosso, já nem como cidadãos mas como pessoas! Não façam isso e não deixem que isso vos seja feito.

 

O Mundo do pânico pandémico (e não escrevi da pandemia) está, entre as gotas da chuva a transformar-se. Existem conflitos a eclodir por todo o Mundo, muitos deles pela liberdade de países e povos outros somente a aproveitarem a baixa atenção mediática a outros temas. É terrorífico ver que por cá, inclusive em espaços de blogues e artigos de opinião ainda se defende, aproveitando a embalagem da pandemia, um regime maoista que desenvolve campos de concentração! Existem, como na Nigéria, Colômbia, Chile e outras nações, ataques coordenados a quem diz não: na Nigéria as autoridades antes de abaterem manifestantes pela Liberdade que só estavam concentrados pacificamente, tiveram o cuidado de preparar o terreno, afastando testemunhas com zonas de contenção, retirando câmeras e limpando a zona! Estes são os testemunhos mais violentos, mas também sabemos como Portugal é um país perfeito para "abater" quem diz não!

 

Respeitemos os outros, tenhamos todos os cuidados exigidos para não multiplicar a propagação do vírus, mas acima de tudo não deixemos de viver e não embarquemos numa espécie de suicídio colectivo. Mais do que morrer de medo e desprovido de qualquer personalidade, importa sim saber como reagir face à adversidade e apostar numa mudança que tem de acontecer, e nesse aspecto, o vírus é uma grande oportunidade de nos tornarmos melhores em muitos campos, embora, infelizmente, em muitos territórios, não seja uma prioridade.

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Astra inclinant, sed non obligant...

por Robinson Kanes, em 16.10.20

tagus_tejo.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Voltaire disse um dia que "é perigoso estar certo quando o Governo está errado". É perigoso estar certo quando determinados vícios contaminam uma sociedade, desde a política à Justiça, desde a mentalidade ao comportamento do simples cidadão... É perigoso ouvir sempre os mesmos, sobretudo quando sustentados apenas na imagem pública e acima de tudo é perigoso manter a cabeça fora de água quando todos preferem esconder-se no lodaçal do fundo do rio...

 

Bom fim-de-semana, caríssimos...

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