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Não Podemos Mais...

por Robinson Kanes, em 09.10.20

A-Pablo-Iglesias-le-contestan-con-la-misma-medicin

Créditos: https://www.diarioprogresista.es/pablo-iglesias-contestan-misma-medicina-tic-tac/

 

En política no se pide perdón, en política se dimite.

Pablo Iglesias

 

Admito, com ligeira perplexidade, que nos preocupemos tanto com as idas à casa-de-banho de Bolsonaro e Donald Trump (e só destes dois... e sempre para o mal), do outro lado do Atlântico mas deixemos escapar, por exemplo, o que se passa em Espanha. O que se passa por cá, já não me espanta, o efeito avestruz elevado ao seu estado mais normal.

 

É neste contexto que o terramoto político e social que pode rebentar em Espanha também pode trazer consequências para o nosso país ou não fosse o epicentro localizado num dos partidos mais adorados em Portugal, o Unidas Podemos. A sede de poder de Pedro Sánchez levou, à semelhança do que acontece em Portugal, à aliança com a extrema-esquerda espanhola, sobretudo republicana e pouco moderada. Aquela esquerda dos cidadãos, do "Podemos" que vinha salvar o mundo como o fracassado Syriza na Grécia e o Bloco de Esquerda em Portugal.

 

Todavia, temos assistido a uma demonstração de ausência de ideias para o país (apenas o foco no discurso - e só no discurso - de ajudar os pobres, estar do lado dos criminosos "okupas", a independência da Catalunha e o fim da monarquia) e casos atrás de casos de corrupção e movimentações totalitárias dignas de uma URSS, bem como uma repetição à portuguesa da grande família: Iglesias e a mulher partilham a liderança de um partido e influenciam ambos as decisões governamentais.

 

Sob a égide de Pablo Iglesias, o "Podemos" tem sido alvo de vários escândalos de corrupção dos quais se destaca a famosa "Caja B", adjudicações fraudulentas, relações promíscuas com jornalistas, as movimentações de del Olmo, os famosos casos Calvente e Dina Bousselham, falsas denúncias para ter vantagem eleitoral e um sem número de "sacos azuis". A táctica, quando confrontado com a situação, também à semelhança do que acontece em Portugal, é desaparecer (Marcelo nisso é exímio quando o assunto não lhe é favorável) ou então atacar os adversários com um "vocês também fizeram" ou ainda "assunto encerrado" à boa maneira de António Costa e do Ministro da Propaganda, Augusto Santos Silva.  Em relação a falsas denúncias e com tantas similitudes no modus operandi, só me recordo de um caso de correspondência com ameaças e que até fizeram (mais uma vez sem qualquer sentido) que os mais altos cargos da nação viessem pressionar a Investigação e a Justiça - já existirão desenvolvimentos acerca de quem foi ou foram os autores dessa correspondência? Os resultados rápidos tardam em aparecer...

 

Não obstante, à semelhança de tantos outros casos na Península Ibérica, o líder do Podemos, foi o mesmo que em tempos (2016) dizia que perante as suspeitas de casos de corrupção ou similares no seu partido, a demissão seria a opção única! Hoje, diz-se vitíma daqueles que querem vingar os impetos da independência catalã e ostenta o total apoio que lhe é dado por Sánchez - o poder, custe o que custar, mesmo que no Senado espanhol já se grite (sim, grite) pela demissão de Iglesias. Isto aconteceu enquanto a senadora do PP, Elena Muñoz, anteontem, denunciava muitos destes casos e inclusive o desrespeito pelas mulheres - logo o partido que tanto apregoa a causa embora o seu porta-voz (Pablo Echenique) até já tenha sido condenado por fraude à Segurança Social! Estranhos tempos onde o algo e o seu contrário começam a ser a tónica dominante dos heróis... 

 

A História ensina-nos que nem sempre aqueles que inicialmente surgem como os grandes salvadores da Humanidade, os defensores de todos os direitos e das causas sociais, da justiça social (ainda ninguém sabe bem o que quer dizer este conceito, mas fica sempre bem utilizar) são aqueles que, tendo o mínimo acesso ao poder, normalmente do Estado (mas até em muitas organizações empresariais vemos isso), são os primeiros a fazerem um Nicolae Ceaușescu parecer um menino aos olhos dessa mesma História.

 

Unidas Podemos parece estar mais a desunir Espanha do que propriamente a unir, sobretudo numa altura em que o vírus que nos assola mata milhares de espanhóis e a própria economia. A ausência de debate e soluções sérias, o ataque constante à unidade de Espanha na pessoa do Rei, não auguram nada de bom para o futuro... Além de que, muitas destas cenas, também não são diferentes na antiga província espanhola, apenas mudam os actores.

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Unidos Podemos... Corrompernos también...

por Robinson Kanes, em 17.08.20

pablo-iglesias-655x368.jpg

Créditos: https://okdiario.com/espana/iglesias-afirma-recaera-psoe-entregar-gobierno-partido-mas-corrupto-europa-452963

 

A los corruptos les vamos a llamar corruptos.

Pablo Iglesias, 2015 

 

De Espanha têm vindo algumas notícias sobre o Rei Emérito, o que é de bom tom, no entanto, as notícias que colocam, sobretudo os partidos salvadores do início da década como uns dos grandes prevaricadores e usurpadores do Estado Democrátio é  que merecem a nossa inquietação, em suma, os mesmos que lutam contra o mal somente porque não o podem praticar. 

 

Depois de vários escândalos, onde se inclui a famosa casa de Pablo Iglesias Turrión e da esposa, um casal descontraido que não utiliza gravata ou tailleur mas que enriqueceu de forma demasiado rápida e com base nos "coitadinhos" espanhóis - famosa casa em Madrid no valor de €600  000 euros - os espanhóis perceberam que nem os paraplégicos, nem os indivíduos que usam rastas e inclusive nem aqueles que se vestem de forma informal (alguns a roçar a sujidade), os barbudos (de barba mal aparada) ou até aqueles que ousam amamentar numa assembleia nacional e cuja imagem é projectada para promover a diferença do sistema "limpinho" e "engravatado" não são em nada diferentes, bem pelo contrário, comportam-se de forma pior que os porcos de um famoso livro.

 

Desta vez foi o ex advogado do Podemos, José Manuel Calvente, que denuncia a corrupção no partido como sendo ainda mais vexatória do que nos famosos casos Gürtel e Filesa. Para Calvente "a  diferença de todos os casos de corrupção partidários em Espanha, é que no Podemos não estamos perante uma alegada corrupção de um partido, mas antes corrupção dentro do partido devido a um alegado financiamento ilegal de alguns  dos seus dirigentes". A ser verdade, o caso Robles e tantos outros casos morais e criminais relacionados com partidos como o Bloco de Esquerda e até o próprio PCP (o impune partido nacional) parecem pouco... Ou talvez não... Basta perceber como alguns, e friso alguns, membros destes partidos se movimentam e como até o modus operandi é similar.

 

O caso "caja B" em Espanha já está a ser investigado depois de Calvente ter admitido que no Podemos se praticaram "delitos de financiamento ilegal, branqueamento de capitais, gestão danosa e revelação de segredos", juntando-se ainda a má utilização de fundos públicos. Lembrar que este foi o partido, pela voz da sua militante e actual Ministra da Igualdade, Irene Montero, que há pouco mais de 15 dias, dizia acerca da "fuga" de Juan Carlos o seguinte: 'España no admite más corrupción ni más impunidad'.

 

Perante estes factos, as altas instâncias do Podemos, inclusive os seus líderes, defendem-se apenas com o argumento de que tudo é "rumorologia" e com os casos de corrupção do PP de Rajoy. Face às perguntas directas não existem quaisquer respostas, basta para aferir desse comportamento de fuga, acompanhar algumas entrevistas em Espanha. Como também o "El Mundo" diz a 15 de Agosto, mesmo com alguns dos factos a serem realidade, até porque a presunção de inocência deve manter-se, "ni borracho ni solo, Pablo Iglesias va a salir de Moncloa". Adivinham-se tempos difíceis em Espanha.

 

Infelizmente, no país vizinho, também já são muitos os cidadãos que começam a ficar cansados da corrupção sistémica, onde PP e PSOE lideram mas que agora afecta também partidos como o Ciudadanos e até o VOX a nível mais local. Contudo, parece ser o Podemos, o partido "limpo", um sério candidato ao trono dos mais corruptos de Espanha e com isso, quer queiramos quer não, o próprio VOX vai ganhando pontos, basta assistir a alguns debates no Palácio das Cortes para perceber o nível intelectual e de conhecimento da realidade que estes últimos, sobretudo as suas deputadas, têm.  Os libertadores, afinal, não parecem ser tão diferentes dos agressores e onde é que já vimos isto tantas vezes ao longo da História... Que o digam os cidadãos que viviam para lá de um muro que dividia Berlim e talvez um dia o digam também os portugueses.

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