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Playlist para uma Noite de Verão...

por Robinson Kanes, em 13.07.18

A caipirinha está pousada na mesa. Hora de repousar depois de mais um dia de trabalho que acabou com o pilão a triturar as limas que irão apimentar ainda mais a bravia cachaça. Não estamos em Manaus, não é uma daquelas noites húmidas em que ouvimos toda a floresta a pronunciar-se... Desta varanda, surgem talvez mais algumas músicas que me marcam e que, mais uma vez, talvez digam um pouco de quem se esconde por detrás de meia dúzia de teclas.

Começo por uma das minhas cantoras preferidas, uma surpresa "recente" que é companhia não só em noites de verão mas também durante o trabalho. É impossível não ficar bem disposto com esta voz, com estas letras... É impossível não nos deixarmos contagiar por Natalie Lafourcade! Esta senhora mereceria só um artigo, quiçá o venha a ter. Se tenho de escolher uma música, pois que para esta noite de Verão na varanda ou até para uma óptima festa entre amigos ou num lugar desconhecido, só poderei destacar "Tú Sí Sabes Quererme". Uma das músicas que mais bem disposto me deixa e, acima de tudo, faz mexer os pés de chumbo. Adoro Natalie Lafourcade!

Lembro-me agora dos Beirut. O fim da faculdade serviu de mote para conhecer esta banda. Desde aí nunca mais os deixei... Tudo começou com "Elephant Gun" e desde então têm merecido destaque na prateleira de CD cá por casa. É sem dúvida uma das mais conhecidas, mas não poderia deixar escapar. A sonoridade eslava misturada com os balcãs produz uma melodia única. Num ritmo único, devemos deixar que nos acompanhe numa noite de verão ou numa longa viagem... Uma viagem pelas nossas vísceras, pelo nosso ser, pelas nossas emoções.

 Talvez não seja a melodia mais animada de todas e muito menos seja o ideal para uma noite de Verão - mas Julho tem o dom de ser também um mês maldito. Existem recordações que não se podem varrer para debaixo do tapete e existem músicas que nos acompanham nessa dor que por vezes teima em ocupar um espaço de tranquilidade e felicidade, afinal também não será ela parte dessa mesma felicidade? Tenho em "Porz Goret" de Yann Tiersen uma dessas companhias para esses momentos. Gosto do lado mais intimista de Yann Tiersen, longe daquela mescla pseudo-contemporânea que defrauda os amantes de "Amélie". Gosto deste Yann Tiersen, grande músico e compositor.

E o calor só me consegue lembrar aquelas noites quentes andaluzas ou a temporada passada em Barcelona. Para isso nada melhor que "Noches de Andalucia" de Govi. Por incrível que pareça, não é andaluz e muito menos espanhol, é mesmo alemão. Se é bom recordar as noites quentes do sul de Espanha, então esta será uma das melhores escolhas.

Uma noite quente de verão não pode descurar o calor do sul de França e da bela cidade portuária de Marselha! O mediterrâneo moderno, juntando o calor de África e a paixão europeia fazem surgir Soha que nos convida para o "Cafe Bleu". Se falamos de recordações, pois bem, deixemos que Marselha surja também nos meus pensamentos.

Entra a alemã de copo na mão e diz a brincar que parecemos dois bêbados tal é o consumo lá por casa, subentenda-se um copo de caipirinha cada um. E aqui as coisas animam, muda a música e entra um dos senhores venerados cá de casa, Billy Idol e o "Dancing with Myself". Não está nada mal... Deixo ficar e começo a mexer-me.

E agora as coisas mudam e o ânimo vai sendo uma constante. Com a alemã ao leme entra um daqueles senhores que nos faz assistir a todos os seus concertos de norte a sul do país: Lloyd Cole. E claro, não poderia deixar de ser "Jennifer She Said". Recordamos os concertos e como este senhor é em palco desde os tempos dos "The Commotions". Palavras para quê... Se eventualmente o indivíduo que me assaltou o carro estiver a ler, devolva-me um dos CD do Lloyd Cole que teve a gentileza de tirar do meu porta-luvas naquele fatídico dia.

Uma playlist por aqui não poderia deixar de contar com uma música italiana, talvez uma das melhores da nova geração: Annalisa com "Scintille". Uma música que me deixa a levitar e uma óptima companhia para trabalho e claro está, para aquelas noites de verão na companhia da bendita caipirinha ou então do mero copo de água, pois o calor pode ser tanto que a água é mesmo a melhor escolha. Annalisa é das vozes mais belas e genuínas do cenário musical italiano... Ainda longe de Giorgia, mas uma "concorrente" interessante.

 E noites de calor não podem deixar de me chamar ao continente mãe, aquele continente aqui tão perto e que é África. Apesar de nascida em Londres, é impossível não ver o rosto de África na voz de Sona Jobarteh. Escolhi uma das músicas que mais gosto e que dá nome também às origens desta intérprete: "Gambia". Uma música que nos transporta para as ruas das cidades de muitos países africanos e retrata as verdadeiras origens musicais sem importações baratas que acabam por fazer sucesso em países... Como o nosso?

Finalmente, a fechar esta playlist, e não sendo propriamente um motivo de orgulho, nenhuma noite de verão pode ficar sem Barry Manilow... Não só porque é uma daquelas músicas "à velho" que não abona muito a favor de quem tinha idade para ser filho ou neto do mesmo mas também porque nos leva a "Copacabana" e nos recorda também aquele verão carioca de 2017 onde a caipirinha eram bem melhores que a minha...

 Bom fim de semana,

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Memória Curta: Cavaco e a Natalidade...

por Robinson Kanes, em 12.07.18

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Créditos: http://jsdpontedabarca.blogspot.com/2011/01/ponte-da-barca-acredita.html 

 

 

Diz o povo que "virá quem bom de mim fará", no entanto, quando o tema é a presidência da república, o ideal é "virá quem de mim má figura fará". Não vou mais uma vez fazer uma critica ao tão perfeito e idolatrado Presidente da República... Quero ir à memória curta que o povo e os media têm para esquecer que Marcelo nem sempre foi (nem é) perfeito e que Cavaco Silva nem sempre foi assim tão imperfeito.

 

O mais recente "bota abaixo" nacional caiu sobre Cavaco Silva quando surgiu a defender o desenvolvimento de políticas que estimulem a natalidade. Continuo a dizer que já temos gente a mais no mundo e que no longo prazo será/é insustentável, no entanto, o coro de críticas em torno do discurso de Cavaco não se fez esperar. Ora se disse que o antigo presidente da república nunca tinha dado importância à natalidade ora que já não gostava de betão. Muita alarvidade junta que culminou com mais um enxovalhamento público, sobretudo para quem padece de uma espécie de doença neurodegenerativa.

 

Na realidade, aqueles que criticam o betão de Cavaco são os mesmos que desfilam nos seus carros pelas auto-estradas feitas com esse mesmo betão. São os mesmos que se orgulham de dizer que em menos horas chegam ao interior do país e que usufruem de centros culturais e de um sem número de infraestruturas de... betão.

 

Mas a realidade é ainda mais assustadora, e aqui os media também desempenham o seu papel, quando esquecem que uma das bandeiras de Cavaco, como Presidente da República, foi a natalidade! Se dúvidas existem, deixo algumas notícias que foram aleatóriamente retiradas de um motor de busca.

 

Logo no dia 09 de Março de 2011, no discurso da sua segunda tomada de posse como Presidente da República, Cavaco Silva dizia:

 

A família é o elemento agregador fundamental da sociedade portuguesa e, como tal, deve existir uma política activa de família que apoie a natalidade, que proteja as crianças e garanta o seu desenvolvimento, que combata a discriminação dos idosos, que aprofunde os elos entre gerações.

 

Mas vamos recuar mais um pouco, a 24 de Novembro de 2007 o "Público" mencionava o apelo do então Presidente à natalidade: 

"É uma alegria estar no meio de tantas crianças", afirmou. A frase não era inocente. Cavaco queria deixar um apelo ao aumento da natalidade. "Não posso deixar de estar muito preocupado porque nascem poucas crianças".

E ainda vai mais longe, aliás, está tudo aqui e também noutras publicações, no "Jornal de Negócios" e novamente no "Público"... E tudo isto só em 2007!

O chefe de Estado diz que é preciso inverter as previsões que apontam para que dentro de 30 anos Portugal tenha 7 milhões de habitantes em vez dos actuais 10 milhões.

 

Mas podemos sempre dizer que o povo tem memória curta, pelo que, não recuemos tanto e vamos a 2015 e à "SIC Notícias" para ler e ouvir:

 

"O declínio da fecundidade não é uma inevitabilidade, mas há quereconhecer  que, muito provavelmente,teremos de nos habituar a níveis que não correspondem  à reposição das gerações",

 

Cavaco Silva até condecorou com a Ordem do Infante D. Henrique quem dedicou o seu tempo a estudar a fecundidade em Portugal. 

 

E para fechar, porque exemplos não faltam na rede, uma notícia do "Expresso" datada de 19 de Dezembro de 2012:

 

O Presidente da República manifestou hoje "grande preocupação pelo inverno demográfico" que Portugal atravessa, sublinhando que "um país sem crianças é um país sem futuro" e alertando para a "importância decisiva" dos apoios à natalidade e à protecção dos mais jovens.

 

Cavaco não andava a distribuir beijinhos, nem a tirar selfies e muito menos a telefonar aos jornalistas e a sorrir para as cameras de televisão. Poderia também não cumprir tudo o que prometia, mas pelo menos tinha um discurso sustentado, identificava problemas e não utilizava o dom da oratória balofa. Desta vez, a "opinião pública" que são meia-dúzia que desfila pelas redes sociais e em espaços de visibilidade que de "almoço grátis" têm pouco, deveriam repensar muito do que disseram e escreveram...

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Etiópia e Eritreia - O Abraço!

por Robinson Kanes, em 09.07.18

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Créditos: (ERITV via AP) 

 

 

Não é só pelas Coreias que a diplomacia está a conseguir grandes resultados- Existem em África dois países irmãos que ao fim de mais de 20 anos de costas voltadas decidiram abraçar-se e voltar a conversar. Falo da Etiópia, que além de ser o breço de um café fantástico, é também o segundo país mais populoso de África e ainda da Eritreia. Estes dois países, além de terem já estado envolvidos em guerras um com o outro, possuem algumas das mais antigas marcas de presença civilizacional do mundo e ao longo de séculos, até pela sua posição geográfica estratégica são apetecíveis para muitos colonizadores. Falar dos territórios da  Etiópia e da Eritreia é também falar da má gestão de muitos colonizadores europeus e do médio-oriente ao longo dos séculos.

 

Dois países esquecidos e onde a fome fez milhões de vítimas, prosseguem agora uma via de desenvolvimento ainda ténue ao ponto de se reflectir directamente e com impacte nos seus cidadãos. Todavia os resultados começam a surgir e a Etiópia já é um dos que mais cresce.

 

Este reencontro foi interessante, não só por ter sido revestido por uma imensa alegria entre as partes, não fosse Abiy Ahmed ter chegado à Eritreia e ter sido recebido com abraços e muitas gargalhadas pelo presidente Isaias Afwerki. Neste encontro, entre outras temáticas, foi tomada a decisão de abrir fronteiras entre os dois países e segundo Abiy (não são só os consagrados da História que têm bonitos discursos) "a linha de fronteira foi abolida hoje como uma demonstração de verdadeiro amor... O amor é maior que toda e qualquer arma moderna como tanques e misséis. O amor consegue ganhar os corações e vimos isso hoje em Asmara. De hoje em diante, a guerra não é uma opção para o povo da Eritreira e da Etiópia. O que precisamos agora é de amor.". Também Afwerki aludiu ao facto dos dois países começarem, a partir de agora, a trabalhar como um só no seu desenvolvimento! A cumprirem-se todas estas declarações temos em África uma lição a aprender, sobretudo nesta fase em que a Europa se encontra dividida, novamente, numa imensa manta de retalhos.

 

Resta-nos esperar para ver o futuro, até porque a Eritreia continua a ser uma espécie de Coreia do Norte e com esta nova mudança talvez Afwerki siga as pisadas de Abiy e encete um sem número de reformas económicas, liberte jornalistas e membros da oposição e permita ainda o acesso livre à internet.

 

O mundo deveria andar atento a estes pequenos passos, que podem ser efectivamente de gigante para o continente africano que, com nações fortes, paz e independência face a outras potências pode mudar o rumo da sua História e assim, também permitirem que a pouco e pouco as crises migratórias sejam solucionadas, pois é em África que estão os problemas e na Europa continuamos com paliativos sabendo que existe uma cura.

 

Não é espectacular, não dá likes mas faz o rumo da História ter um lado mais sorridente...

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 Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/119345458847352926/

 

 

A Realidade em tempo de antena e veracidade

30 segundos: Israel mata 20 palestinianos.

30 segundos: Palestinianos rebentam café em Tel-Aviv.

45 segundos: Preço do petróleo a subir.

20 segundos: Tensão na Europa no eixo Itália-Alemanha.

5 minutoa: Crise no Mediterrâneo e no deserto do Sahara.

5 minutos: Reconstrução das zonas de área ardidas em 2017.

2 minutos: Investimento no IP3 de milhões.

1 Minuto: Novo presidente no México.

3 minutos: Tensão no Irão com aumento dos protestos no sudoeste do país.

4 minutos: União Europeia com novo procedimento contra a Polónia que insiste em "esticar a corda".

2 minutos: Forças militares e policiais da Indonésia continuam a matar cidadãos da Papua.

Um sem número de minutos: outros acontecimentos como tragédias, inovações, política nacional e internacional, casos de corrupção sobretudo na política em Portugal e não só, taxas de pobreza, finanças pessoas e nacionais, crises sociais e culturais...

 

Outras realidades

Meia dúzia de pessoas no acolhimento da selecção nacional no aeroporto.

Jogadores junto dos adeptos à chegada ao aeroporto.

Mero encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e um presidente estrangeiro, nomeadamente, Donald Trump.

Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues e outros fazem publicidade em evento privado e continuam a patrocinar, post-mortem, a criação de um herói nacional que pouco ou nada fez pelo país (realidade mesmo que se goste do mesmo, temos de admitir, até porque o próprio tinha essa noção).

A classe política portuguesa está enterrada até ao pescoço em casos de corrupção, negócios danosos, tráfico de influências...

Tancos continua sem responsabilidades (doa a quem doer, alguém dizia)...

 

Portugal

20 minutos: selecção a aterrar no aeroporto de Lisboa.

20 minutos: jogadores a sairem do avião no aeroporto de Lisboa.

15 minutos: entrevista aos milhares que estavam no aeroporto de Lisboa (eu não os vi em tal número).

10 minutos: Bruno de Carvalho volta a comentar no Facebook.

15 minutos: Sousa Cintra e Jaime Marta Soares e outros tantos falam sobre o Sporting.

5 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa vai ao WC e diz que está asseado e limpo.

5 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa condecora indivíduo que escreveu uma frase num muro em Carnide.

5 minutos: Quaresma a sair do WC e a pentear o cabelo.

2 minutos: o iate privado de Cristiano Ronaldo e a pegada que o mesmo deixou numa praia em Ibiza.

4 minutos: primo afastado de Rui Patrício fala sobre o guarda-redes mesmo sem nunca ter estado com o mesmo.

5 minutos: filho de Cristiano Ronaldo joga futebol com o pai.

20 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa melhor que Donald Trump no modo como apertou a mão. Um herói, Portugal e Estados Unidos, os norte-americanos que se cuidem (afinal foi só um aperto de mão desagradável).

10 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa heróis, António Costa e Ferro Rodrigues só lá porque sim, mas heróis nacionais como Zé Pedro.

10 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa comenta o resultado da selecção nacional

10 minutos: Luis Marques Mendes comenta o resultado da selecção nacional e junta-se a Marcelo Rebelo de Sousa nos comentários e sabedoria acerca de temas como economia, direito, política, indústria, comércio, cultura, mecânica, matemática aplicada, esgrima, paddle, psicologia organizacional, automóveis, música, betão armado, construção de piscinas em prédios de 5 andares, mudanças de pneus, lides domésticas, enfartes de miocárdio, gestão de bases de dados, marketing aplicado a detergentes para a loiça, aplicação de alcatrão ou cimento em auto-estradas, electricidade em comboios de alta velocidade, limpezas de casas de banho em espaços públicos. Além de que, não procurem contrariar, caso contrário são reaccionários.

60 minutos: jogadores da selecção entusiasmados abraçam adeptos.

10 minutos: João Moutinho comeu um pão com queijo mas sem manteiga, veja a reacção do jogador.

30 minutos: dedicados a impingir personagens e práticas que não fosse este tempo de antena comprado, muitas vezes em telejornais, nunca conseguiriam vingar.

2 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa diz que Portugal não é o EUA, pois uma celebridade nunca chegaria a presidente...

 

... Espera aí... Então mas... Espera lá... Mas o Donald Trump, que mal ou bem teve de fazer durante anos a fio pela vida no mundo dos negócios e teve algum tempo de antena em programas de televisão é uma celebridade que chega a presidente e... Marcelo com mais de 20 anos de "show off" e tempos de antena como nunca ninguém teve em Portugal (nem os seus "padrinhos" António de Oliveira e Marcello - com dos L)... Marcelo que fica especado no Parque Eduardo VII a posar para a selfie, enquanto tem uma fila à frente, qual figurante de Pai Natal no Colombo é o quê? Será que Portugal é assim tão diferente dos Estados Unidos?

 

As realidades andam trocadas...

 

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O Lado Negro dos Heróis!

por Robinson Kanes, em 21.06.18

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Créditos: http://prospect.org

 

 

O caso recente da descoberta de que Einstein mostrava um comportamento racista levanta algumas questões que me parecem peculiares.

 

No caso de Einstein, podemos sempre afirmar que esse era um comportamento e uma forma de pensar vigente à época, todavia, o autor desta descoberta, Ze'ev Rosenkranz, não aceita essa desculpa muito por culpa das evidências que encontrou.  Rosenkranz salientou que à época já existia uma mentalidade mais aberta e que encarava culturas opostas de uma forma menos severa ou sem quaisquer preconceitos. A minha opinião aqui, divide-se... Contudo, sabemos que Einstein foi criado numa comunidade que também não é mais tolerante de todas.

 

Este facto leva-me à apologia de determinadas figuras da História, umas já falecidas e outras que ainda por cá vão andando. Se por um lado admiramos algumas descobertas, talentos e conquistas, raramente falamos de um outro lado - quantos artistas não são pessoas intratáveis e que não foram propriamente um bom exemplo de como se devem comportar os seres-humanos? Quantos indivíduos não são admirados e cometeram atrocidades gigantescas contra os seus, por exemplo? Não vamos mais longe: em Portugal é proibido elogiar Hitler, mas já não é de todo descabido fazer a apologia de Estaline, isto ao mais alto nível!

 

O que ainda torna tudo mais estranho, é o facto de criticarmos o nosso vizinho porque se "mete nos copos" e aplaudirmos com passadeira vermelha aquele que é viciado em drogas ou que é um corrupto. Facilmente batemos palmas a quem foge deliberadamente, e em muitos milhõs ao fisco, mas criticamos aquele que se esqueceu de pagar 50 cêntimos de parquímetro! Criticamos a nossa vizinha porque em três meses conheceu dois homens mas não criticamos a celebridade que todas as noites vende o corpo a troco de fama. Hoje, em que como alguém já disse a semana passada, se é celebridade por ser, ou seja, o título de celebridade surge porque não se é propriamente bom nisto ou naquilo mas porque se é... celebridade... Dá que pensar o modo como admiramos determinadas personagens.

 

Temo que a História ensine a actualidade a perdoar todo o mal de anos a troco de um dia na passadeira da fama ou até a justificar as maiores atrocidades desde que depois se consiga algum sucesso... Talvez os cidadãos possam ganhar consciência de que também eles, ou melhor, são eles que devem escrever a História, e não uma ou outra exaltação bem fabricada. Temo que vivamos, obviamente que nem sempre, numa espécie de cegueira e admiração por falsos ídolos.

 

Vamos acreditar, contudo, que um dos maiores criticos e figura de proa contra o racismo, tenha efectivamente mudado a sua forma de pensar e tenha morrido como um verdadeiro defensor dos direitos humanos.

Podem encontrar aqui um dos textos que Ze'ev Rosenkranz, escreveu na Time.

 

 

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Israel e um Estranho Paradoxo...

por Robinson Kanes, em 19.06.18

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 Créditos. http://america.aljazeera.com/articles/2013/9/13/oslo-accords-explained.html

 

 

Admito que é extraordinário ver um país como Israel, a grande nação do judaísmo, a cometer erros históricos semelhantes àqueles de que foi sendo vítima ao longo dos séculos - o culminar foi o genocídio nazi, tão falado, talvez demais falado em detrimento de outros genocídios perpetuados antes, durante e após.

 

Os últimos tempos, para além da construção de muros e vedações, tem mostrado uma hostilidade atroz por parte deste Estado face ao Estado Palestiniano que, obviamente, também não é isento de culpas. Todavia, o modo como são abatidos palestinianos por parte das forças israelitas é qualquer coisa para a qual o mundo e sobretudo as Nações Unidas não parecem estar muito interessadas em discutir, inclusive o seu Secretário-Geral, completamente inapto para o cargo que tem vindo a desempenhar - não basta o papel do bom cristão, de santo salvador que deixou um país à beira do abismo e uma demagogia obsoleta para mudar o mundo.

 

A agressão israelita tem sido tão forte que nem os mortos são poupados, e nos últimos anos, não são raros os casos em que polícia e forças militares israelitas invadem cemitérios e destroem túmulos, campas para construirem espaços de lazer para israelitas e quiçá acabarem com uma cultura e com um povo da face da terra - onde é que já vimos isso! O último foi e está a ser o cemitério de Bab Al-Rahma, onde estão os túmulos de Ubada ibn as-Samit e Shadad ibn Aus, dois próximos do profeta Maomé! Esta é uma prática constante, onde os bulldozers de Israel entram sem dó e arrasam em segundos estes espaços sagrados e que são a identidade cultural e religiosa de um povo - entretanto vão-se matando a tiro aqueles que defendem estes locais sagrados - tratados pela alta esfera israelita quase sempre como terroristas. Aliás, para muitos governantes e cidadãos israelitas não existem palestinianos mas sim terroristas - não é raro em entrevistas não existir sequer uma menção a estes indivíduos como palestinianos mas sim como terroristas perante a passividade de muitos jornalistas e responsáveis políticos.

 

É um discurso que ao longo de décadas tem ganho uma força que hoje em dia alguém que atira pedras a um soldado é visto como uma terrorista, mas um soldado que retira alguém que está em casa e mata só porque sim esse mesmo alguém em frente aos filhos é um agente de paz! Também nós colocamos a mão no gatilho ao continuar a permitir o perpetuar destes comportamentos.

 

É uma questão antiga, uma má gestão por parte do Ocidente, empenhado em resolver os expedientes da Segunda Guerra Mundial e do passado colonializador... Talvez por isso procure agir como uma avestruz... Entretanto, os terroristas vão morrendo enquanto o ódio, por culpa destes actos, vai sendo incentivado e, ao invés de estarmos a limpar um povo da face da Terra, talvez estejamos a contribuir para a criação de um povo de ódio... Um povo com ódio que será visto sempre como o principal culpado enquanto o outro lado, não menos sangreto mas mais poderoso e talvez inteligente na forma como gere a comunicação e a teia de influências, vai sendo tratado como vítima... Mesmo quando levanta muros, cria vedações e desrespeita culturas ancestrais, encarcerando o povo palestiniano num gueto - palavra que a muitos lembrará os anos 30 e 40 do século XX e não pelos melhores motivos.

 

Todo este processo deveria deixar-nos envergonhados, sobretudo aqueles que passaram por um genocídio, que a História, ou melhor, aqueles que escrevem a História, insistem em quase assinalar que foi o único.

 

(é importante recordar que tenho amigos de ambos os lados da barricada e tento sempre perceber um lado e o outro e não estou a fazer a apologia de uns em detrimento de outros).

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"My Dear Ribatejo"

por Robinson Kanes, em 16.06.18

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Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Em tempos, muito falei aqui do Ribatejo e da minha paixão por aquelas terras que me acolheram. O Ribatejo fez parte da minha infância, parte da minha adolescência e, no fundo, da minha idade adulta. Olho para o Ribatejo como aquela terra que sempre me acolheu bem, mesmo não tendo nascido na lezíria, na charneca ou abençoado pelas águas do Tejo quando ainda o doce não é invadido pelo salgado do oceano.

 

Nestes dias em que abordamos a selecção e os impactes na identidade nacional, eu retorno ao que é uma região onde ainda se sente o que é ser português e talvez, mais que isso, mediterrânico. É aí que estão os verdadeiros portugueses também, onde ainda encontramos campinos nos campos (e não é só no sentido de atracção turística, bem pelo contrário) e o ar tem um sabor especial, mesmo quando carregado daquele calor que nos obriga a refugiar sob a telha de uma pequena taberna enquanto cheiramos o vinho bafejado pelos ares do Tejo.

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 Nos campos vemos sempre os seus habitantes, o gado, as aves e aqueles que trabalham desde longos tempos sempre com um espírito de sacrifício único e com um sorriso no rosto. Muitos ainda a remeterem-nos para a literatura de Redol e das vidas duras que estão associados ao trabalho no campo. Mas também as festas e as celebrações dão um ânimo peculiar ao Ribatejo, seja num arraial na Ascensão da Chamusca, seja num qualquer tasco "mal frequentado" em Alcochete!

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Percorrer o Ribatejo é, talvez, percorrer um dos lugares da Terra onde Natureza e Homem vivem numa simbiose quase perfeita, onde tudo se une, onde ritos e aspectos naturais ancestrais convivem em harmonia. 

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Olhar os olhos do gado nas pastagens é outro espectáculo único. Aí podemos passar horas debaixo de uma árvore a escutar o sons daquelas terras mas também a sentir o caminhar dos pesados animais que se alimentam nesta terra fértil. Arrisquemos em levar uma manta, comida e com sorta talvez tenhamos uma bela companhia para almoçar, só temos de apreciar o ruminar, lentamente e olhar o horizonte, por vezes a perder de vista e imaignar: "my dear Ribatejo".

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Créditos: https://lengstorf.com/remote-work-everyone-wins/ 

 

 

Para algumas chefias, um empregado a trabalhar a partir de casa é um risco para a organização: é um preguiçoso que não quer vir trabalhar, um verdadeiro baldas. Mas também é um reflexo de uma certa tacanhez provinciana do "se eu cá estou tu também tens que estar".

 

De facto, não sou defensor do trabalho sempre a partir de casa, é fundamental criar uma interacção humana fundamental para o exercício de qualquer profissão e até para o bem-estar. Além disso, existindo (porque nem sempre existe), o espaço físico da organização acaba por ser uma parte da identidade e da cultura da mesma. 

 

No entanto, e é por aqui que me parece oportuno iniciar, surgem várias mais-valias quando é possível (e reforço, quando possível) estar em home-office ou até em remote. Extraordinariamente o espírito de equipa é mais desenvolvido e mais bem trabalhado. Estranho, não é? Afastamos as pessoas e elas começam a trabalhar melhor! Trabalham melhor a comunicação, sentem-se mais ligadas umas com as outras no sentido de alcançar um objectivo comum onde cada um desempenha um papel fundamental. Por incrível que pareça é mais fácil alguém em remote estar mais ligado aos seus pares do que se trabalhasse lado a lado com estes. Até as reuniões via "Skype" ou "WebEx" se tornam mais produtivas e muito mais reduzidas em tempo.

E convenhamos, acabam-se muitos problemas, nomeadamente o gossip, os ódios, a competição desmedida e que em nada abona o trabalho quando em equipa. É também claro que esta minha afirmação não se aplica a todos os contextos, aliás, quando acima mencionei a questão da identidade e cultura não foi por acaso. Existem ainda culturas onde o gossip é mal visto e por isso não se aplica essa variável - em culturas do sul da Europa além de ser tolerado é altamente alimentado por muitos quadros médios e respectivas chefias.

 

Outra questão que se coloca é a produtividade. Quando estamos sempre num local rodeados de pessoas e de elementos distractores a nossa produtividade tende a baixar - de repente somos atirados para reuniões com as quais não contávamos, temos de ajudar alguém (muitas vezes porque esse alguém não quer fazer o seu trabalho), temos de atender o telefone do colega, temos de ouvir o fim de semana banal do colega num Turismo Rural e um sem número de distracções que nos limitam. Poderia ir mais longe a ainda mencionar que não são raras as vezes em que muitos colaboradores apenas estão no local de trabalho e trabalham mais horas porque sim!

 

Também não são raras as situações em que assistimos a colaboradores que cumprem o horário mas com uma alta taxa de produtividade e que sofrem na pele o facto de não serem desleixados e não se comportarem como aqueles que saiem tarde (mas não chegam cedo) ou simplesmente fazem horas e mais horas sem ninguém entender bem o porquê! Recordo-me de, em tempos, e já com a madrugada a fazer-se anunciar, de estar a trabalhar com uma colega de uma outra empresa que recebeu via Wattsapp uma mensagem da chefia que partilhava com todos os colaboradores a seguinte mensagem: "é assim mesmo, tudo a bulir!". Segundo a mesma, era sempre assim e nunca com palavras de incentivo - denotem que essas equipas já estavam a trabalhar num rol de dias seguidos e nem com meia dúzia de horas de sono diárias. Perguntei-lhe porque é que não ía descansar, até porque tudo estava feito e era gente a mais para o que já havia a fazer, respondeu-me que não ficava bem!

 

Estranho pensarmos que a distância melhora a produtividade. Se por um lado é bom, pelo outro dá que pensar. Trabalho nos dois contextos e considero que o misto é fundamental.

 

 

 

 

 

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Em Sitges... Entre o Mar e um Café...

por Robinson Kanes, em 08.06.18

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Fonte Imagens: Própria. 

 

 

Conheci sempre Sitges fora da época de Verão, o que me transporta para uma experiência mais genuína, até porque esta pequena cidade chega a ser apelidada da Saint Tropez da Catalunha. Contudo, nada é mais errado, pois quem já esteve em ambas as localizações vai perceber que as diferenças são muitas e cada espaço tem as suas peculariedades. 

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Sitges é sempre o meu retiro de Barcelona. Rapidamente acessível de comboio pela estação de Passeig de Gràcia (Barcelona Sants ou Estació de França também são opção) é sem dúvida uma cidade para tranquilamente percorrer as pequenas ruelas, parar numa qualquer pastelaria e sentir a brisa do mar que se torna mais intensa quando apertada pelos edifícios que ladeiam as estreitas ruas. Admito que um dos melhores momentos aquando da minha vida em Barcelona era o pequeno-almoço em Sitges. Sair cedo de Ausiàs March, apanhar o comboio, atravessar o Garraf e em Sitges apreciar uma manhã com gente simpática e com o mar ali como companheiro era sem dúvida um momento soberbo.

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Sitges é também daquelas cidades pequenas onde as estações de caminho-de-ferro têm vida e onde o quotidiano se sente a pulsar nessas tão importantes ágoras. No Verão, a cidade enche-se de turistas e talvez muita da sua magia se perca, no entanto, mesmo em meses mais "tristes" como Novembro, as pessoas são gentis e a simpatia e alegria do povo espanhol é evidente em cada conversa. Além disso, nos meses de Inverno conseguem-se autênticos dias de Verão que enchem as ruas, sobretudo ao fim de semana, na costa desde Castelldefels até Tarragona.

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Bem perto de Barcelona, é uma cidade com uma intensa actividade cultural, onde se destacam o Festival de Cinema, o  Carnaval e as "noches sitgeanas". Mas Sitges é muitos mais, é o estilo mediterrânico bem presente na arquitectura, nas varandas, nas pessoas, na brisa marítima, nos sons que ecoam e por aquele cheiro único que nenhum fragrância consegue igualar. O património é uma das suas imagens de marca e isto acontece sem ter necessidade de possuir grandes monumentos. Aqui o "small is beautiful" tem uma das suas mais maiores exaltações.

IMG_2528.jpgOutra das coisas que não se pode dispensar em Sitges é a caminhada junto ao mar... Aliás, o banho no mar é altamente recomendável. Aqui as cores do Mediterrâneo também não deixam ninguém indiferente e o todo o pitoresco do horizonte contagia-nos de uma forma que não nos faz querer voltar a Barcelona.

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O que podemos dizer mais desta cidade? Sentemo-nos num qualquer banco de jardim diante do mar... Temos o pequeno-almoço  tomado, o café (como tem de ser), o sol a tocar-nos no rosto e um sem número de aromas que nos limpam os pulmões... Será que é preciso dizer mais alguma coisa? Pois bem, esperemos pela noite e vamos de "copas". À noite a cidade não se transforma, não deixa que lhe tirem a identidade e é isso que também a torna mais interessante para quem aprecia ficar até de madrugada a aproveitar aquilo que só as cidades espanholas (e Argentinas) podem oferecer.

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Já vai ficando tarde e é preciso voltar a apanhar o comboio. É possível que hoje a noite ainda não tenha acabado, é preciso passar em Cornellà de Llobregat... Até lá, vamos discutindo porque é que Sitges é tão especial e merece o seu destaque lado a lado com Saint Tropez, até porque entre uma e outra cidade, dificil é escolher.

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Bom fim de semana... 

 

 

 

 

 

 

 

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A Democracia dos Derrotados...

por Robinson Kanes, em 04.06.18

 

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 Créditos: http://www.polyp.org.uk/corporate-rule_cartoons/cartoons_about_corporaterule_and_democracy.html

 

 

 

Vou tentar abordar este tema como o cidadão comum, como aquele que não quer pensar a política como um todo mas como um mecanismo que tem em vista o bem geral do país e se preocupa com o dia-a-dia do mesmo e prefere não pensar num outro tipo de manobras.

 

As moda das "geringonças" tem levado a algo estranho na história da Humanidade, nomeadamente, a escrita dessa mesma História pelos perdedores e não pelos vencedores. A diferença é pouca, um pouco como o comunismo vs fascismo onde se utilizam diferentes palavras para descrever a mesma vontade, o segredo é contestar o outro e abonar o nosso.

 

Até podemos dizer que, apesar de tudo, existe uma maioria e que portanto representa a maioria dos cidadãos. Mas voltamos ao cerne da questão: será que é assim tão democrático puxar o tapete a um candidato ou partido vencedor e substituir o mesmo por um candidato ou partido derrotado? Será que essa defesa, por muitos, de que essa maioria tem o aval dos cidadãos é assim tão realista? Até porque, alguém os consultou em relação a essa matéria? Uma coisa são as coligações entre um partido vencedor e outros partidos tendo em vista uma maioria parlamentar, outra coisa é não olhar a meios para, face a um derrota eleitoral, atacar o poder.

 

É preciso ter em conta que não são raras as situações em que para chegarmos a esses consensos os intervenientes vendem a alma ao diabo e abdicam em muito daquilo que foram as suas grandes lutas partidárias, ideológicas e de encontro aos interesses daqueles que neles votaram. Será que, mesmo que com uma minoria parlamentar, temos legitimidade para deixar cair um Governo mas, mais grave que isso, substituir o mesmo por um outro que não foi democraticamente eleito? Não confudir esta afirmação com legalmente eleito... Existem algumas diferenças entre o que é legal e o que é democrático.

 

Exemplos não faltam... Quem viu o "Podemos" na data da sua fundação e o vê agora? Quem viu o Bloco de Esquerda há menos de meia dúzia de anos e o vê agora? Pergunto muitas vezes se esse movimento ainda existe para lá de meia dúzia de artigos de opinião que são um hino ao paradoxo. Não os tenho visto em parte alguma e tenho a ideia de que estamos a viver a repetição nacional do que acontece em Lisboa, primeiro com o "Zé" que rapidamente desapareceu do mapa com o cargo de Vereador e se passou a chamar Engenheiro José Sá Fernandes, ou então com Ricardo Robles que, com um semblante de militante do CDS, também se tornou uma espécie de militante do PS com uma inclinação especial para Fernando Medina. É interessante ver como estes débeis não tiveram coragem de ser justos, e como nos disse Rabindranath Tagore, escapam ao dever de ser justos e tentam obter resultados rápidos pelas vias abreviadas da injustiça. Aqueles que tanto criticavam, inclusive as políticas do PS e de José Sócrates são os mesmos que agora, incondicionalmente, apoiam um copy-paste do seu Governo e de muitas políticas similares ou até mais agressivas para os cidadãos.

 

Pergunto também pelo PCP e pelas constantes afirmações de que se está contra tudo o que um Governo faz, mas continua a garantir a presença desse mesmo Governo no poder? Não chega apenas pagar almoços com dinheiros camarários e não só a idosos e pensionistas antes das eleições... Que o diga Bernardino Soares, em Loures...

 

E entre tudo isto, onde se encontra a maioria de indivíduos que acreditava nestes partidos quando defendiam a redução dos combustíveis, a redução dos impostos, um melhor combate aos incêndios, mais investimento em educação e saúde, mais isto e mais aquilo... Será que essa maioria se identifica com o status quo?

 

Em Espanha, esta semana, Pedro Sánchez tomou posse como Primeiro-Ministro, apesar das constantes derrotas e até de, internamente, nem sempre ser visto como a opção mais credível... Mas ele aí está com 84 deputados face aos 137 que venceram as eleições. Vamos ver como será gerida a questão da Catalunha e como resistirá o "Podemos", agora que Pablo Iglesias e a esposa, dois cidadãos simples e humildes, mas também dois assalariados de luxo do mesmo movimento, têm de pagar a casa de 600 mil euros em Madrid.

 

Claramente estas coisas são mais complexas, no entanto, no quotidiano, é com estas interrogações que nos deparamos.

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