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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por menina-mulher.

por Robinson Kanes, em 02.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: https://www.wallpaperup.com/528753/mood_sensual_fashion_beauty_beautiful_girl_face_cute_attractive_lovely_woman_female_model.html ( (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

 

Começo com um paradoxo: tenho tentado não pensar demais, passando o dia a pensar – especialmente nos últimos seis meses. Por isso este convite foi um desafio, mas um dos bons, que como vão ver, a seguir, acabou a fazer-me sorrir.

 

Admito que desde dezembro (daí os seis meses) estava atenta às notícias do Oriente, mas, na minha inocência de pessoa pouco ligada às Ciências, acreditava que íamos passar “só” por uma “sequela” do SARS 1, ou seja, volta e meia ouvir falar da nova gripe nos noticiários, quase como um fait-divers, mas a achar que a sua representatividade no nosso “cantinho à beira mar plantado” ia ser mínima.

 

Chega março e percebi... pânico, particularmente em quem me rodeia, ou não seja eu irmã de uma pessoa em imunodepressão e que está dependente de medicações e tratamentos diários. No “nosso umbigo familiar”, o que primeiro percebemos é que a (agora nova) Covid-19 ia mudar os nossos dias e as prioridades do país e logo do curso dos tratamentos com que vivemos, todos os dias.

 

Seguiu-se a muito lenta alteração do espírito e atitudes dos lisboetas nos transportes públicos e nos restaurantes (os meus habitats mais naturais aqui na capital), tanto que, na noite anterior ao decretar do isolamento voluntário pela empresa onde trabalho, estive com amigos a jantar e a Covid não foi, de todo, o principal tema de conversa.

E plim! Na tarde seguinte, entrei em confinamento voluntário e por cá continuo quase 120 dias depois.

 

O que aprendi?

  • Que lido melhor com o confinamento do que esperava. Lido bem com o trabalhar de casa, com as reuniões com câmara e sem ela; que os meus gatos também têm horários e que conseguem ser companheiros de trabalho muito chatinhos...;
  • Que cozinhar me acalma e me dá um foco ao dia: o alimentar os outros, o encontrar novidades seguras, o ganhar coragem para experimentar, mesmo dentro das minhas “quatro paredes”;
  • Que morar numa casa não é o mesmo que viver numa casa, e que passar tanto tempo dentro de casa leva a um graaaande “síndroma de ninho;
  • Que “as dicas certas”, “a produtividade”, o “melhoramento pessoal” não funciona igual para todos, e pode bem até aumentar a ansiedade e o sentimento de alienação;
  • Que morar a 300 quilómetros da nossa família é difícil, mas agora experimentem viver com a regra “não podes sair de casa” e vão ver que centenas de quilómetros se transformam num continente com um oceano pelo meio;
  • Que descer as escadas para ir à mercearia ao lado da porta pode ser todo um programa, agora na companhia de máscara e luvas e um cronómetro.

 

Mas, acima de tudo, aprendi que vivemos num país que se entrega e se ouve quando o mal é comum, mas que se distrai facilmente quando os estímulos são muitos.

Aprendi que informação pode ser demais, mas que o “lava sempre bem as mãos”, o “mantém 2 metros de distância”, o “apoia os negócios locais” já não são informação, mas são sim formação da nossa personalidade no “novo normal”.

 

Venha o copo de vinho à 6ª feira, para brindar a mais uma semana (minimamente) sãos, e cá estaremos daqui a meio ano, para nos abraçarmos virtualmente, outra vez!

Blog da menina-Mulher

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Maria Araújo...

por Robinson Kanes, em 25.06.20

WhatsApp Image 2020-06-24 at 23.07.49.jpegCréditos: GC/ (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Estávamos todos a par do que acontecia na República Popular da China, pensávamos que um desconhecido, perigoso e invisível vírus, que obrigou a que milhões de pessoas tivessem de ficar fechadas em casa, não chegaria à Europa, muito menos a um cantinho à beira-mar plantado: o nosso país.

Em Fevereiro, fui uns dias de férias para conhecer um pouco mais do Alentejo, dias estes muito bem passados, "que tranquilidade!", de regresso a casa, já se ouvia nas notícias que Itália era o foco de infecção, os media entravam casa adentro a toda a hora, o Coronavírus estava na Europa.


E de Itália a França e Espanha, Portugal começou a sentir o perigo, agiu o governo atempadamente, e, de uma forma inesperada, mudámos o nosso estilo de vida.


Somos um povo de afectos, estavam proibidos os beijos e os abraços, o alerta constante de evitar o contacto físico e manter o distanciamento desencadeou nas pessoas o medo de ser contaminado.


As cidades ficaram desertas.


Às crianças foi-lhes tirada a rotina das creches, da escola. Interromperam-se os afectos, as brincadeiras com os amiguinhos, os parques de rua para brincar. Estava nas mãos da família adaptarem-nas a uma nova rotina, árdua e exigente.


A nossa casa passou a ser o escritório, a escola, as consultas, as reuniões, a fé, a cultura, o ginásio, a loja que procurávamos para comprar alguma coisa que nos satisfizesse o ego de tão triste estávamos neste isolamento forçado.


Passados este seis meses ( comentando com um familiar, a quem foi muito difícil este tempo de confinamento, que, apesar de tudo, parece-nos que já foi há bastante tempo ), não tendo alterado o meu comportamento muito mais que anteriormente, aprendi algumas coisas que em situações normais certamente não pensaria nelas: 

aprendi que fiquei mais tolerante a pequenas coisinhas que me irritavam, sobretudo más interpretações ou juízos de valor que eu mesma fazia; 

aprendi que o medo faz (re)agir perante ocorrências inesperadas, "esquecer" o vírus e seguir em frente, há que proteger os seres mais frágeis; 

aprendi a controlar a minha ansiedade se me doesse um dedo, ou a ponta nariz, e,sim,tive dores no braço, e deixar de procurar o médico especialista disto e daquilo só porque queria ficar tranquila (não vou a uma consulta desde novembro do ano passado); 

aprendi, basta querer, que o tempo que tenho chega para tudo: ler, computar, tomar conta do sobrinho neto quando é preciso, cozinhar, fazer as tarefas da casa, passear, apoiar quem me pede ajuda;

aprendi que os nossos melhores momentos são aqueles que dedicamos a quem mais gostamos: um almoço e/ou jantar convívio via whatsapp;

aprendi que o progresso traz riscos, que a insegurança e a desigualdade social aumentam.

O homem é um ser vulnerável.

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Movimento Português Anti-Racista e Anti-Colonialista...

E de todas as outras coisas que estão na moda...

por Robinson Kanes, em 22.06.20

Amsterdam.jpg

Rembrandt Harmenszoon van Rijn - "A Ronda Nocturna" - Pormenor (Rijksmuseum)

Imagem: Robinson Kanes

 

Não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração.

Friederich Nietzsche, in "Para Além do Bem e Mal".

 

Jovem!

 

Não tens nada que fazer para lá das redes sociais e da praia? Não sabes o que é a Democracia? Vives dos meus impostos? Queres apagar a História? Gostas de aparecer e pertencer a causas mesmo sem saberes porquê ou sem teres ideias de futuro? Não tens ideias e  até no teu bairro tens medo de dizer um "ai"? Queres destruir uma sociedade democrática? Se respondeste sim a uma questão que seja, junta-te à nossa causa! Não te esqueças é de criar um instagram ou um facebook para sentires que estás a tomar parte num sentimento de pseudo-maioria!

 

Para atingirmos os nossos objectivos propomos:

 

- Destruição do Mosteiro dos Jerónimos, do Santuário de Fátima e de todas as Igrejas e monumentos ligados à Igreja Católica, essa grande promotora do colonialismo em tempos antigos e causadora de milhões de mortes por esse mundo fora - pelo caminho vai a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, a Feitoria e a Casa da Dízima! Feitoria é coisa de colonialismo e não é propriamente o meu restaurante predilecto, a Casa da Dízima é só porque não gostei propriamente das duas vezes que lá comi pregado, só por isso, o que já é um acto atroz!

 

- Destruição da estátua de D. Afonso Henriques, um indivíduo que batia na mãe e a partir de Guimarães promoveu a causa racista matando árabes por aí abaixo;

 

- No seguimento do ponto anterior, circunscrição de Portugal ao Condado Portucalense e devolução do restante território aos mouros, eles depois que se entendam com os que foram expulsos pela mouraria;

 

- Destruição das estátuas de todos os reis e até do próprio Marquês de Pombal;

 

- Exoneração de um político-mor, um ferranho defensor do colonialismo e cuja opinião pública só mudou com a mudança do regime (efeito cata-vento);

 

- Destruição de milhões de edições de livros, obras de arte, manifestações culturais, gastronómicas e sociais que são herança ou tiveram como base indivíduos racistas e colonialistas! Abaixo os Santos Populares, viva a Festa do Avante!

 

- Abaixo a ciência em todas as suas vertentes;

 

- Fim ao hino nacional, e no fundo, ao ser português;

 

- União com movimentos internacionais tendo em vista a destruição das pirâmides do Egipto, de totos os vestígios do Império Grego e Romano, em suma de praticamente todos os sítios históricos da Antiguidade e outros mais contemporâneos excepto os edifícios históricos que tenham lojas da Primark e da Humana;

 

- Aliás, sugiro a destruição da Europa, dos Estados Unidos, da Rússia, de todo o Médio-Oriente, da China, em suma de toda a Ásia. Mas como também há racismo em África e na América do Sul, vamos destruir tudo. 

 

- Pela quantidade de raças que se aí se encontram, a mudança ou até a destruição do Largo do Intendente em Lisboa, em homenagem a Diogo Inácio de Pina Manique, esse racista absolutista.

 

- Destruição do Bairro Alto, isso é racismo e dá a sensação que os brancos do Alto olham de cima para as outras raças da Baixa. Principe Real é um ultraje e deverá ser renomeado para qualquer coisa como Presidente do Comité ou "influencer square" ou "Game Changer".

 

- Sugiro que o principal acesso ao Hospital de São José, a Avenida Almirante Reis, seja fechada ao trânsito inclusive de ambulâncias para que, e especialmente em períodos de confinamento, te possas manifestar, sem perceberes, em muitos dos casos, bem porquê. 

 

- Em temas verdadeiramente urgentes e fracturantes da nossa sociedade, enterra a cabeça na areia e faz de conta que nada se passa, nomeadamente a corrupção, os incêndios, a propaganda digna de regime ditatorial, o crime, a impunidade e todas as falcatruas e defeitos de um país provinciano. Segue a moda! Segue a moda e não vires os olhos para o lado. 

 

- Não penses, nós pensamos por ti e tens um Presidente da República que também o faz. 

 

Se não tens coragem para isto tudo, mas queres ser um indivíduo bem visto e sentir-te parte do grupo, escreve só meia-dúzia de tretas que encontras nas notícias e partilha na internet, também assim estarás a fazer a tua parte. No entanto, quando o fizeres, não te esqueças que o racismo não existe só contra negros e lembra-te de te esqueceres de tudo isto ao fim de uma semana dedica-te de imediato a outra causa que esteja na berra, o like é garantido e assim a tua opinião contará mais que as outras, mesmo que todos se estejam a borrifar para o que escreves online.

 

Junta-te à nossa causa e vais fazer parte de um movimento único e que defende a liberdade dos povos com violência e hipocrisia. Uma coisa é certa, nunca te sentirás cansado porque todos os dias há novas causas, a próxima será a da existência de gafanhotos gigantes extraterrestres que falam e estão escondidos debaixo dos corpos dos pagadores de impostos - estão prontos a atacar para extinguir a raça humana pelo que se seguirá o ataque ao consumo de vinho branco que é uma clara demonstração de supremacia branca!

 

P.S.: aquela do político-mor, coloca-me a pensar como é que um indivíduo que... chega a presidente de... Enfim, coisas minhas.

 

 

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Sardinhada junto ao Zāyandé-Rūd...

por Robinson Kanes, em 16.06.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje comem-se sardinhas nas margens do Zāyandé-Rūd, acompanhem-nos nesta comezaina, aqui.

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Woke Capital e Racismo na Sardinhada de Hoje...

por Robinson Kanes, em 09.06.20

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Créditos: http://www.umgasmagazine.com/museum-failure-failed-inventions/

 

Hoje a sardinha está temperada com "woke capital" e racismo... 

Nada como passarem por e apreciarem uma bela sardinhada com muito pimento vermelho.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

por Robinson Kanes, em 27.05.20

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Créditos: https://soundmacguy.wordpress.com/2018/06/29/good-moaning-london/

 

 

Amanhã, pela segunda vez este espaço estará aberto aos amigos e seguidores do mesmo. Aliás, pela segunda, em tempos alguém (alguém, porque foi anónimo) quis expressar uma opinião e cedi-lhe o "Não é que não Houvesse" por um dia.

 

Todas as quintas, um convidado poderá falar um pouco do que aprendeu nos últimos seis meses. Esta época, por certo, fez-nos pensar e aprender muitas coisas e mesmo que até ao final do ano, os estilhaços (bons e maus) de toda esta crise irão marcar-nos... Pelo menos a todos os que têm coluna vertebral e têm de trabalhar para viver ou, não podendo trabalhar, querem fazer algo pelas suas vidas e dar um significado às mesmas.

 

É também uma forma de nos conhecermos, de conhecermos o outros e quem sabe até de nos deixarmos inspirar.

 

Quem nos acompanha, vá ficando por aí - amanhã o meu convidado será um grande Amigo destas ondas agrestes onde navega o "Não é que não Houvesse", até porque... Haver, havia, não era grande coisa, mas havia.

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Avante contra a Liberdade...

por Robinson Kanes, em 14.05.20

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Créditos: https://rdldn.co.uk/elgin-maida-vale/mao-communist-1024x586/

 

Lenine dizia que a Liberdade era um bem tão precioso que tinha de ser controlado... Será por isso que um dos últimos países onde um certo comunismo ainda dita as regras faz aplicar esta regra com total impunidade.

 

Depois do 1º de Maio e da cedência ao sindicalismo naftalinoso eis que chegamos ao Avante. O Partido Comunista Português (PCP) não abdica de fazer a festa, como não abdicou com os seus tentáculos de fazer o 1º de Maio, doa a quem doer, como dizia um Chefe de Estado no tempo dos fogos (até agora ainda ninguém sentiu dores...).

 

O que nos coloca a pensar é a inquietação provocada por uma minoria que consegue todos os anos realizar festas privadas/partidárias que alegadamente utilizam fundos e meios públicos, fogem aparentemente aos impostos e cujos promotores se dão luxo de contornar a lei em pleno Estado de Emergência contrariando tudo e todos e fazendo valer a sua vontade. Que poder é este para escarrar na cara de todos os portugueses que trabalham e cumprem a lei? Que poder é este que domina o Estado Democrático e o funcionalismo público? Questionamos tanto as opções e das ideias de André Ventura (que enfim...) mas continuamos há mais de 45 anos a suportar autênticas ditaduras de uma minoria poderosa que defende regimes sanguinários. Não hesitamos em citar Hitler (o mais popular, logo mais fácil para os mentecaptos) mas aplaudimos os servos de Kim Jong Un, Maduro, Estaline, Pol Pot e por aí adiante... Não é uma questão de esquerda e de direita, é de terror!

 

Continuamos também a permitir que os intentos de uma Constituição claramente comunista e com uma exagerada protecção da máquina do Estado e de todos aqueles que vivem na sua sombra, impedindo, não em raras ocasiões, o desenvolvimento do país e a reforma do Estado - a ausência de coragem para fazer esta reforma tem sido um dos nossos maiores atrasos crónicos - e assim promete continuar a ser, pelo menos tambem enquanto continuarmos numa dicotomia esquerda/direita.

 

Continuamos a deixar que tudo isto aconteça, mesmo que enquanto um grupo de gente de bem, democrática e que vive na miséria a ajudar o próximo (ou não) faça o que bem entende... Fazendo o que bem entende enquanto ficamos confinados nas nossas casas, enquanto não poderemos celebrar festas populares de cariz religioso e profano com origens em tempos que nem o comunismo sonhava existir. Teremos de ficar em casa, muitos de nós, durante as férias porque não podemos exercer a nossa liberdade e ajudar a economia em nome de um bem maior. Teremos de abdicar de produzir, de exercer muitas actividades... No fim, muitos de nós ainda irão perguntar porquê! Talvez poucos, talvez aqueles que estejam cansados de ver os seus impostos a fugir por túneis sem fim, talvez aqueles que preferem lutar a viver na sombra do paternalismo!

 

Porque é que continuamos a ficar parados e corroídos de ferrugem enquanto o mundo cresce? É a pergunta que se coloca, além de que não é de descartar que talvez gostemos e talvez o atraso civilizacional e económico crónico seja por vontade própria... Basta ver o nosso apetite insaciável por destruir que tem novas ideias para o país, seja a nível público seja a nível privado. 

 

Ainda dizem que o orgulhosamente sós era do tempo da outra senhora... O orgulhosamente sós continua na cabeça da maioria...

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Sardinhada em Isfahan...

por Robinson Kanes, em 12.05.20

isfahan (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Paul Dolan diz-nos que a chave para sermos mais felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos  ao que não nos causa felicidade". Afinal, e segundo as palavras do mesmo,  "não é a mesma  coisa que prestar atenção à própria felicidade". É por isso que no meio um turbilhão de más notícias decidi ir apanhar um ar fresco a Naqsh-e Jahan e resolvi por lá fazer a sardinhada desta semana... Podem acompanhar aqui.

 

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Fim de Tarde em Janeiro...

por Robinson Kanes, em 22.01.20

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Imagem: Robinson Kanes (Bari)

 

A vida não é uma forma, é uma mistura complexa de géneros.

Antal Szerb, in "Viajante à Luz da Lua".

 

Os London Grammar, com o seu "Strong", acompanham o momento em que escrevo este artigo. O sol começa a ficar mais fraco, é o fim de tarde de Inverno que tanto me apaixona. Custa-me imaginar que esperemos ansiosamente pelo Verão quando temos um fim de tarde como este para apreciar... Somos seres estranhos na beleza de nós no mundo e do mundo em nós.

 

Hoje quiseram saber de mim, ou talvez mera calhandrice... Foi bom, não tenho andado por aqui e no que tenho, acabo por ser mais selectivo - também não tenho muito para escrever deste nosso país, acho que acabei por abandoná-lo na minha cabeça, fechei-me às notícias, aos desenvolvimentos políticos e por aí adiante - as chuvas do Uganda têm este efeito em nós, talvez um dia fale disso. E não... Não tive milhares de emails de também milhares de pessoas a chorarem por mim, a oferecerem-me bolas de queijo, toalhas de linho ou presuntos inteiros no tempo em que vou andando desaparecido. 

 

"Hey Now" toca agora. Uma voz melodiosa e tão pura de Hannah Reid... O reflexo do sol nos prédios, a sonoridade que ecoa pelas esquinas desta sala e o calor de estar aqui. Uma ambulância que passa, o amarelo dos prédios mais adiante a adquirir um tom mostarda, queimado pelos últimos raios de sol de uma tarde de Janeiro. Não sei mais o que dizer, no entanto, sei que vão passando, sei que vão lendo e levando um pouco de mim, e isso já me faz querer ficar por aqui. 

 

Vou lavar a cara e partir para mais um repasto na companhia daqueles de quem mais gostamos. E é só mais um final de tarde de Janeiro, algo bucólico, mas que nas voltas do cosmos é o mais especial do Universo.

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Do turismo LGBTYZGHJKL...

por Robinson Kanes, em 15.01.20

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Imagem: https://www.projectq.us/atlanta/atlanta_stages_gay_pensacola2014_instagram_takeover?gid=15667

 

Existe uma coisa que me faz alguma confusão e que me custa a entender do ponto de vista pessoal embora reconheça que, se gera lucro, deve ser aproveitado num âmbito mais empresarial. Refiro-me àquela designação de turismo que tem muitas letras e todos os dias vai tendo uma nova, algo como turismo LGBTWSCEFBRTYHGBNUNMKIOLPQAX...

 

De facto, o arco-iris é um mercado apetecível do ponto de vista das vendas, no entanto, aqueles que tanto reinvindicam igualdade não estarão a cair no erro de criar mais desigualdade? A sede de igualdade é cada vez mais uma forma de criar uma espécie de elite e que por sua vez alimenta o ódio de outros.

 

Custa-me perceber porque é que vejo dinheiros públicos a promoverem, por exemplo, um turismo que promove a desigualdade. Ainda preciso que alguém me explique se um hotel para um indivíduo LGBGHJDXVNTEXHMJUDFHGNJTYTEYGTJTEJYRTJYTJT é diferente de um hotel para um homem ou para uma mulher que não se identifica com siglas.

 

Alguém me pode explicar se o facto de ser LGBTVFEWFGWGRWGWGTGTRG obriga a que existam acessos diferentes num museu ou se a comida tem de ser diferente. Eu assumo-me como hetero, e espero não ser perseguido por ser hetero, pois sou e assumo isso sem medo de represálias, mas será que devo começar a não frequentar determinados locais e destinos sob pena de ser perseguido ou até me sentir mal - perante a lei, e como cidadãos, não somos todos iguais? É que nem é só nesta matéria, mas em outras, começo a sentir que o facto de ser um indivíduo que paga impostos, trabalha, é hetero, consegue pagar as contas, não vive de subsídios, não embandeira em arco o facto de ter esta ou aquela doença e procura ter uma vida normal me começa a prejudicar....

 

É óbvio que existem temáticas e atracções diferentes dependendo dos gostos de cada um, mas uma coisa é promover isso comercialmente, outra é utilizar a arma dos direitos e do civismo para promover algo que além de ser, por vezes ridículo, é mais corrosivo do que propriamente agregador.

 

Agora podem chamar-me homofóbico, mas se achar que todos somos iguais é uma espécie de homofobia, pois bem, então que me chamem de tal e já agora não se esqueçam da designação de populista ou fascista, tão comum nos dias de hoje e que encaixa em todos aqueles que fazem perguntas ou dizem não!

 

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