Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Uma Cidade Portuária: Honfleur...

por Robinson Kanes, em 17.08.18

IMG_3364.JPG

Imagens: Próprias e GC

 

A minha paixão por cidades portuárias é mais que evidente... Durante toda a minha infância e adolescência (e ... idade adulta) o mar foi uma presença. Tendo uma parte da família ligada ao mar é natural que os genes cá estejam a desempenhar o seu papel.

 

Honfleur, embora não sendo um colosso, é aquela cidade onde o Sena encontra o Canal da Mancha e, segundo alguns (ou seja, eu), esse rio perde todo aquele romantismo, que alguns (ou seja, eu), não lhe reconhecem. Gosto, apesar de tudo, de Honfleur... Uma cidade pacata do Departamento de Calvados, em plena Normandia. Cidade tranquila, com uma pequena baía onde encontramos algumas embarcações de lazer que contrastam com aquelas que laboram e procuram as riquezas marinhas do Canal da Mancha. Ainda continuo a preferir que fosse ao contrário, mas o turismo, as cidades e o próprio funcionalismo a essa mudança obrigam.

IMG_3379.JPG

Gosto, sobretudo, do interior da cidade... Estar em Honfleur e não usufruir dos bares e restaurantes junto aos veleiros não é ir a Honfleur - essa área tem o nome de "Vieux Bassin". Todavia, e conhecendo relativamente bem (para um visitante) a Normandia, nunca tinha estado em Honfleur. Gosto dos cafés dentro da cidade, sobretudo, das ruas calmas, de uma forma diferente de estar numa cidade portuária que acabar por ser invadida por turistas ou não fosse uma das primeiras atracções turísticas para quem atravessa o Canal da Mancha vindo de Inglaterra ou até entrado pelo norte de França.

IMG_3369.JPG

Cidade comercial ao logo da História e uma das mais disputadas durante a Guerra dos Cem Anos (mais uma vez a proximidade com a vizinha Inglaterra), agrada-me também por ser a cidade onde nasceu Erik Satie - quem sabe, algumas das suas "Gymnopédies", não terão tido alguma inspiração por estas bandas... Não creio, todavia fica essa nota que reforça uma necessidade de visitar esta cidade. Com uma história ligada ao Impressionismo, é também uma cidade onde as artes plásticas têm o seu lugar, destaco apenas o "Museu Eugène Boudin" que alberga pinturas do artista e inclusive de Monet.

IMG_3357.JPG

Uma das grandes atracções, contudo, é a "Igreja de Santa Catarina"! Totalmente de madeira, muito por culpa da tradição naval, é deveras um encanto para quem gosta de arquitectura! Uma igreja de madeira, com o cheiro intenso da madeira velha e toda aquela austeridade particular, é uma supresa daquelas que marca!

IMG_3374.JPG

IMG_3370.JPG

Cansados do cheiro da madeira e de tão grande riqueza, nada como parar na boutique de café junto ao restaurante "Entre Terre & Mer". Sendo os mesmos proprietários, tenho a agradecer a simpatia das duas colaboradoras que, servindo apenas dois cafés, nos trataram como se tivessemos jantar lavagante ou outras iguarias daquele mar ali tão perto - sem publicidade porque paguei os respectivos dois euros por cada um.

 

Finalmente, e falar deste aspecto num país com tão belas pontes como Portugal não é propriamente fascinante, todavia, nada como aproveitar as vistas (caras) da "Ponte de Normandie" para o Estuário do Sena ou até do mesmo rio ainda confinado num espaço mais curto pela "Ponte de Tancarville" - vindos do lado de Le Havre, não há como fugir.

IMG_3354.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Vila e a Praia da Arrifana.

por Robinson Kanes, em 09.06.17

IMG_3229.JPG

 Fonte das Imagens: Própria

 

Para quê fugir de Aljezur? Lembram-se aqui? A comida é boa, as pessoas são simpáticas e o ambiente é óptimo. Por isso, porque não descobrir um dos tesouros de Portugal e do Mundo? A cerca de 10km fica a Praia da Arrifana. A Praia da Arrifana é considerada uma daquelas praias que vai estar na moda, espero, no entanto, que a Capacidade de Carga (ver definição abaixo) seja acautelada.

 

De Aljezur à Praia da Arrifana o caminho, por bicicleta, a pé ou de carro é fantástico. A pé conseguimos caminhar mais perto do mar e refrescar o corpo com a brisa marítima. Para ser perfeito nada como fazer o percurso da Praia do Monte Clérigo, onde podemos apreciar a Praia da Amoreira (ver hiperligação acima) noutra perspectiva, e seguir em direcção à Arrifana. No total são cerca de 15km que podem ser reduzidos para metade se o automóvel ficar no Monte Clérigo.

 

IMG_3268.JPG

De carro vamos pelo campo e aí refrescamos o olhar com a companhia do gado e de cães pastores que por ali deambulam e nos fazem parar para umas "festas". Além disso, posto que a panorâmica é mais limitada, alimentamos a expectativa da chegada.

 

Chegamos à Arrifana e temos a sensação de estar a sentir o Mediterrâneo, que já não fica longe. O atlântico ali tem outra força, muito por culpa da baía que protege a praia de ventos e ondas mais tenebrosos. É também nesta povoação que se encontra a famosa “Pedra da Agulha”, localizada no topo sul da praia. A vila piscatória é isso mesmo, uma fotografia viva do mediterrâneo.

 

Mas... Chegar à Arrifana e não sentir o cheiro a peixe grelhado é o mesmo que ir a Lisboa e não comer um pastel de nata ou visitar os Jerónimos. O cheiro dos sargos, do carapau da costa, do pargo e dos robalos fazem as delícias de quem gosta de comer um bom peixe. Façam amizades, comprem até o peixe, sobretudo em época baixa, e acabem a degustar uma destas iguarias na casa de algum pescador...

 

IMG_3233.JPG

 

Mas antes vamos à praia e, mais que sentir as águas cristalinas que chegam a fazer lembrar as Caraíbas (só que estas mais bonitas), é fundamental apreciar a panorâmica da praia. Uma verdadeira beleza! Rapidamente se percebe porque é que a natureza decidiu criar tal refúgio natural.

 

Mas caminhemos mais um pouco pela povoação e vamos chegar à Fortaleza da Arrifana (datada de 1635).Paremos e respiremos antes de entrar... É que somos imediatamente transportados para outra dimensão e para uma das mais belas vistas do mundo! Contemplemos, apreciemos a Ponta da Atalaia (onde se encontra um valiosíssimo Ribat Muçulmano (com um cemitério com 900 anos de valor inigualável) e a Praia de Vale Figueira (lá iremos).

IMG_3237.JPG

É impossível não ficar de pé a sentir a brisa marítima no rosto. É impossível deixarmos que os nossos olhos não tomem o controlo da nossa vontade e vagueiem perdidos pelo horizonte. A fortaleza envolve-nos também com a sua história de luta contra o mar e contra o desprezo de muitos durante anos a fio, desde a Marinha ao Ministério das Finanças e um sem número de entidades que não lhe reconheceram o valor histórico. Hoje está recuperada e, mais uma vez, é um miradouro e uma infraestrutura de valor singular. Cada pedra, cada rocha que a sustém é uma prova viva da luta da rocha contra o mar.

 

O mar lá em baixo, as vistas de cortar a respiração continuam a fazer-nos deambular e, nem mesmo, o cheiro do sargo grelhado nos afasta desse isolamento uno com a natureza. Deixamos que em nós os versos de Sophia se entranhem no espírito e nessa comunhão com o mar:

 

As ondas quebravam uma a uma

Eu estava só com a areia e com a espuma

Do mar que cantava só para mim.

 

IMG_3254.JPG

As gaivotas chamam a nossa atenção, é preciso assar o sargo. Paramos no restaurante que se encontra junto à fortaleza e provamos um branco alentejano. Abastecidos de frescura e do sabor do Alentejo, percorremos caminho até perto do pequeno porto de abrigo. É aí que nos espera o peixe grelhado e a companhia inesquecível que farão deste dia, mais um dia especial e único.

IMG_3236.JPG

Notas:

  • Capacidade de Carga Turística: Segunto a Organização Mundial de Turismo, a Capacida de Carga Turística é o número máximo de pessoas que podem visitar determinado local turístico, sem afectar o meio físico, económico ou sociocultural e sem reduzir de forma inaceitável a qualidade da experiência dos visitantes.
  • Nunca esqueçam o "Código de Conduta e Boas Práticas"pois estão num Parque Natural. Pode ser descarregado aqui.
  • Interessante e precioso documento acerca do "Ribat Muçulmano" pode ser descarregado aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds



Mensagens

Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB