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Um Mero! Um Mero!

por Robinson Kanes, em 18.09.20

mero_batata_doce.jpg

Imagens: Robinson Kanes

 

 

Porquê este título? Podemos dizer que é uma espécie de private joke relativa a um comensal que em tempos afirmava ter capturado um exemplar deste peixe... O resto, só assistindo, porque contado. Embora não tenho dúvidas que em termos de apetite seja cavalheiro para devorar uma baleia!

 

Entrando também em modo "Sabino Rui", sim, já começo a ter saudades do trânsito em tempos de confinamento, mas não foi isso que me trouxe aqui.

transito_lx.jpg

O que me traz aqui hoje é algo de fulcral importância para a nação: um mero grelhado, uma esmagada de batata doce e uns restos de feijão verde. Chegar a casa e não saber o que fazer, dá nisto. Aproveitam-se sempre uns restos, é um facto e acaba por ser a oportunidade para abrir uma botella. Consta por aí que alguém também andou a fazer das suas, pelo que, fica lançado o mote para vir partilhar ou fazer o mesmo lá nas terras dele.

 

Assim foi esta semana e fica aqui uma sugestão de fazer água na boca e que é bastante simples: um mero (e que seja bem fresquinho), uma esmagada de batata doce, se possível regada com um bom balsâmico, o da imagem já tem uns tempos e veio directamente de Modena, bem perto de Bolonha. Por falar em Bolonha e em iguarias, juntem-lhe umas "Ervas de Provence" (ao peixe) e fica uma maravilha, estas vieram de Avignon, mas penso que até se conseguem arranjar por aí.

herbes_de_provence.jpg

A acompanhar, depois de acabado um resto de tinto alentejano, algo que me tem surpreendido bastante, o "Albariño" das Rias Baixas, zona de Cambados e com perfume do Atlântico. Não confundir com o outro, mais perto da nossa zona de Monção e Melgaço. É de um aroma e de um sabor de tal forma frutados que é impossível dizer não. Neste caso em particular, não abrimos os dois, mas estamos a falar de vinhos que oscilam entre os três e os seis euros. Aquilo a que se chama uma bela pomada, adquirida em Vilagarcía de Arousa e com excelente relação qualidade-preço. O "Cruz de Montirago" é um verdadeiro exemplo de um excelente vinho a preço low-cost.

albarino.jpg

Finalmente, e porque o fim-de-semana está aí, uma leitura atenta (até porque é francamente rápida) ao livre do Bernard-Henri Lévy, o conhecido filósofo francês que foi um dos primeiros a questionar o "pânico" em torno do vírus. Uma leitura interessante de alguém que não entra em delírio e nem sempre come aquilo que lhe colocam à frente.

bernard_henri_levi.jpg

Em jeito de conclusão, façam uma visita aos Açores, especialmente ao Corvo, hoje dei comigo a recordar aquela malta... Podem começar por aqui e também por aqui

 

 

P.S.: Perdoem a apresentação, mas como referi, é uma daquelas refeições preparadas à pressa, e honestamente, não tenho muita preocupação em colocar tudo no sítio para a fotografia... 

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Il Gattopardo... Il Robinsonpardo...

por Robinson Kanes, em 11.09.20

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Imagem: https://www.pinterest.pt/classical826/il-gattopardo/

 

Foi na quarta-feira que tive a oportunidade de rever o filme baseado na obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "Il Gattopardo". Mais um filme de se lhe tirar o chapéu do mestre Visconti (sem esquecer a banda sonora de outro mestre: Nino Rota). Com o Nimas totalmente ocupado, respeitando o devido distanciamento, aquele momento foi mais um daqueles em que viajamos pela Itália profunda e pela Sicília, terra apreciada pelos cineastas italianos e também berço de muitos. 

 

Em relação à película, estar vivo e não ter visto a mesma, é como já ter morrido. Com efeito, agora com outra maturidade, recordo as palavras de Fabrizío (interpretado pelo magnifíco Burt Lancaster), aquando da sua visão da Sicília: “I siciliani non vorranno mai migliorare per la semplice ragione che credono di essere perfetti; la loro vanità è più forte della loro miseria.”.

 

Por momentos, senti a pele e a alma a envelhecerem-me, a tomarem conta de um aspecto ainda jovem em mim e a tornarem-me desencantado por uma nação, tal como o Princípe de Salina. Nesta espécie de exaltação e de show, de ineptas personagens aos pulos em busca de, sento-me num chesterfield, algures no Palazzo Valguarnera Gangi, e partilho da desilusão daquele nobre que afinal, antes de tudo e todos, percebeu que a saída de uns e a entrada de outros, só permitiu mudar algumas personagens e conceder algum poder a - mas na realidade, tudo ficou na mesma. Até mesmo o Conde de Tancredi, aquele que lutou a favor de Garibaldi e "desonrou" a nobreza se deixou levar pela não mudança. Também aqui vi Portugal, vi até parte da minha Espanha e de facto, reconheci que para evitar a contaminação dos deuses que preferem a apatia e o provincianismo da sua mentalidade, sair aos 20 anos do rectângulo já é sair tarde, pois algumas crostas entretanto se formam e podem dificultar o processo.

 

Talvez tenha ganho maturidade (e aqui tenho sérias dúvidas, não chego lá tão cedo) e esteja em crer que, como dirão os psicólogos clinícos, o paciente tem de ser o primeiro a querer a cura da sua perturbação - talvez tenha de me convencer nisso e desistir do doente. Talvez assista ao baile, talvez não... Talvez troque a casaca real pela casaca de Garibaldi e continue a lutar e a acreditar mesmo quando a ataraxia está por todo o lado, ou talvez queira estar sozinho a percorrer um qualquer quelho em Palermo, pois desejando, como um certo Lobo de Hesse, "música em vez de chinfrim, felicidade em vez de divertimento, alma em vez de dinheiro e verdadeiro trabalho em vez de bulício, paixão em vez de brincadeira", por certo, não é nestas fronteiras que encontrarei o meu lar. Talvez em Céfalu, aquele lugar junto ao mar onde nos esperarão os nossos amigos romanos, uma bela salada ao pequeno-almoço e um dos mais belos "tramontos" do Mundo. Talvez em Palermo ou mesmo em Bagheria sentados numa qualquer esplanada do Corso Italia... Talvez por aí...

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A pensar Istambul...

por Robinson Kanes, em 08.09.20

istambul (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Hoje é terça-feira, é dia de andarmos pelo SardinhaSemLata... Atravessamos o Bósforo e pensamos a cidade... Podem encontrar-nos aqui.

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Recados ao Turismo...

por Robinson Kanes, em 03.09.20

portugal_spain.jpgImagem: Robinson Kanes (ou GC?, não me lembro)

 

 

Não me apetece escrever... Cansa-me... Lembro-me agora de António Lobo Antunes e do seu cansaço para a escrita ou então de Vergílio Ferreira que nos seus diários (Conta-Corrente) matava uma profunda discussão filosófica com um "vou mijar". Talvez por isso, me fique por uns recados.

 

Não me apetece escrever porque além de ser tão cedo que ainda nem o galo cantou, tenho de apanhar o barco e aproveitar dois dias únicos. Juntar trabalho e férias tem coisas boas, sobretudo quando se está do lado de lá da raia - é a minha forma de protestar contra um país que elimina uma actividade como o Turismo mas depois permite que um partido faça uma festa ilegal, ou pior, imoral.

 

É também a minha troca com este cavalheiro que me brindou com mais uma aventura pelo meu também amado Gerês, aliás, mais especificamente, pelo Planalto da Mourela. Top! Ainda por cima o homem dorme na serra!

 

Por fim, deixo um conselho ao Turismo de Portugal, sobretudo na gestão do "VisitPortugal": mais do que partilharem fotos que se assemelham a páginas de uma "fuças" (nome simpático para "Caras") e apadrinharem bloggers ou influencers pagos (que também é importante), ouçam os verdadeiros viajantes e tirem o "armanço" das fotos, o que temos de bom não precisa de espantalhos. "Lá está você, Robinson!". Desta vez não, sou só o mensageiro.

 

Finalmente... Façam como outras entidades similares e interajam (nas redes sociais, por exemplo) com aqueles que pagam para visitar Portugal e não somente com aqueles que são pagos para o fazer. Não precisam de ir lá para fora, por cá, e a título de exemplo, o Turismo do Centro tem uma óptima abordagem. Eu sei que é bom sentirmos que estamos acima de tudo e não falarmos com o povo, à boa maneira portuguesa gostamos de ser os profetas lá no alto, mas olhem para o que outros já estão a fazer... 

 

Bom avante, bom fim-de-semana e um Setembro com uma visita ao Douro! A melhor época do ano para lá passar! Por falar em Douro, ainda tenho de passar na "Martha's" - o "Special Reserve Tawny" é uma pomada daquelas e faz ver (se faz!!!) a muitos vinhos mais caros!

 

P.S.: Ninguém no "Martha´s Group" me pagou para falar do vinho, cuja descoberta devo ao Dr. Vasco de Cabeceiras. Devo dizer que é qualquer coisa, sobretudo se o formos buscar à origem e aproveitarmos a deslocação a Santa Marta de Penaguião para apreciar uma das mais belas regiões do Mundo! Palavra de brand advocate...

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Sardinhada ao Crepúsculo em Acciaroli

por Robinson Kanes, em 18.08.20

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Créditos:  https://www.corriere.it/buone-notizie/19_luglio_16/chiuso-tramonto-l-avviso-clienti-libraio-romantico-1805d84a-a7cd-11e9-87b1-16eba1cb2125.shtml

 

Hoje lemos o Corriere della Sera e vamos até Acciaroli no nosso espaço habitual à terça-feira do SardinhaSemLata.

Leiam-nos aqui.

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Luísa de Sousa

por Robinson Kanes, em 14.08.20

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Créditos: Luísa de Sousa

 

O que aprendi nos últimos seis meses ….

 

Já conhecia esta rubrica do Robinson Kanes e quando recebi o seu convite para participar, que desde já agradeço imenso, fiquei sem saber o que escrever ….

Sim, porque, os meus dias foram sempre iguais, os mesmos de sempre, com as minhas rotinas de sempre ….

Ora vejamos:

Nunca deixei de trabalhar. Tenho funções numa Empresa Pública, considerada prioritária nos seus serviços, logo, nunca estivemos fechados. Todos os dias saía à mesma hora, contemplava o mesmo caminho, trabalhava com muita motivação e regressava à mesma hora …

Sempre fiz os meus treinos em casa desde que fui mãe, já lá vão uns 30 anos. Tenho um plano de treinos que sigo à risca, que vou ajustando conforme as necessidades e que me dá a força, motivação, energia e saúde que necessito para envelhecer bem.

Passei pela pandemia Covid 19, de mansinho, “bem ao lado”, ouvindo e lendo notícias aqui e ali, sem me preocupar em demasia (porque não tinha tempo para preocupações), sem me stressar (porque sou muito despreocupada), acreditando que não passaria de uma fase (porque sou muito otimista) e continuando com a “minha vida” que adoro e me faz muito feliz.

Nunca deixei de escrever nos meus blogs sobre a felicidade, o amor, a alegria, a paixão, a amizade, o otimismo, a motivação, a saúde e o bem-estar, porque são o meu “mantra” diário.

O pouco que aprendi, talvez muito, mas nada surpreendente, foi que, todos fomos postos à prova enquanto seres humanos, do quanto somos vulneráveis e frágeis psiquicamente, do que somos capazes de fazer (para o bem e para o mal) em situações de atípicas como a que estamos a viver, e que o Mundo não é o lugar seguro que pensávamos que era.

 

Luísa de Sousa

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Sardinha com Vírus!

por Robinson Kanes, em 04.08.20

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Peter Paul Rubens  - "A Queda dos Condenados" - Pormenor (Alte Pinakothek)

Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje, na nossa presença habitual de terça-feira no SardinhasSemLata, falámos do quão boa a pandemia tem sido para todos nós! Pode parecer estranho, mas todos os males do Mundo acabaram e só ficou um, um vírus e alguns hypes para encher jornais e dar a ideia de que somos todos activistas e não inúteis que só trabalham e usufruem da vida. Passem por lá e comam uma sardinha contaminada, basta ir aqui!

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Mami...

por Robinson Kanes, em 30.07.20

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Tiziano Vecellio - Retrato de Settimia Jacovacci (Szépművészeti Múzeum)

Imagem: Robinson Kanes  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Os meus últimos seis meses foram anómalos; foram-no para toda a humanidade, sei-o bem.

 

Quiçá esta é uma das poucas vezes em que, enquanto pessoas, num mesmo momento histórico, vivemos preocupações tão semelhantes.

 

Claro que uns somos mais próximos do que outros, quer pelas nossas condições económicas, quer pelas nossas convicções morais. este facto aproxima-nos ou distancia-nos na forma de viver esta nova realidade mundial.

 

O meu filho nasceu no início da pandemia. sai para a maternidade em “liberdade”, regressei a casa em confinamento. não vou fingir que foi um horror, não foi. estar em casa com os meus dois tesouros e com o meu companheiro – que habitualmente está fora em trabalho-, foi bom, foi reconfortante, foi até apaziguador nos tempo que vivíamos. não havia preocupações de emprego - temos uma situação estável e ele estava em teletrabalho. inquietava-nos o isolamento da família alargada, a vontade de estar “nos braços da minha mãe”, de lhe apresentar o neto, de ouvir a casa cheia com os meus sobrinhos e a minha princesa a correr por todo lado.

 

Havia e há uma preocupação latente por não saber o quanto tempo durará a situação.

 

Sai de casa pela primeira vez, para ir às compras, no início do mês de junho. senti-me como uma criança pequena abandonada no bosque. sentia perigo em todo lado, estava nervosa, sentia-me a sufocar. saí apressada, não comprei metade do que estava na lista e comprometi todo o processo de “higienização”. estava confinada, por opção, há demasiado tempo.

 

Começo a trabalhar dentro de quinze dias. daqui a trinta, o meu filho vai para a creche e a minha filha para o pré-escolar. e, se por um lado, sinto que temos de assumir a nova realidade em que vivemos, por outro, sinto-me num filme de ficção científica em que o que me apetece é ficar com a vida “adormecida” até esta invasão passar.

 

Regressando à questão que hoje me trouxe a este poiso “o que aprendi nos últimos seis meses” tenho de confessar que nada aprendi, desculpem a falta de poesia ou dramatismo. posso, com falsa modéstia, assumir que reiterei o que há muito descobri: não vale a pena planear muito a nossa vida, criar expectativas ou sofrer por antecipação. a vida surpreende-nos sempre!

 

Nota: lembrei-me agora, aprendi a fazer pão!

 

Mami

 

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O que aprendi nos últimos seis meses...

Por Folhas de Luar...

por Robinson Kanes, em 23.07.20

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Imagem: Robinson Kanes (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

Vida

Saio para a rua e vejo os olhos que não vejo. Vejo as mesmas faces que via e também as mesmas faces que agora já são outras. Percebi o desencanto de perceber a ínfima partícula do desespero. E também a ínfima partícula da coragem. Percebi que quando o destino nos trespassa... os homens se encerram em máscaras. Fábula e mistério. Vida. Tudo atirado ao imenso abismo da impotência. Dizer exactamente o que aprendi...não sou capaz. Ainda hoje vi crianças a correr no recreio do infantário. Lembrei-me da floração das rosas. Dos calmos riachos. Da espuma das ondas. Contudo...sinto em mim a confusão do mundo. A importância das esplanadas...cheias. Agora vazias...ou quase. O calvário das sombras que se espraiam nos nossos medos. De repente somos irrelevantes. Sentimos a pele a desarticular-se com o frio que nos percorre. E também vejo as lágrimas que se escondem . Percebo que somos fortes. Que somos sonho. Que escalamos colinas. Que todos os dias nos escoamos pelas ruas. Que não podemos fechar-nos em medos. Sublime é o mistério que nos encerra no mundo. Sublime é também a nossa existência. Curta ou comprida. Leve ou pesada. Sublime é a nossa respiração...profunda. Irrisório é o nosso corpo. Somos um e outro. Platónicos crentes em deuses. Ou em nadas. Suspiramos olhando as estrelas. E sabemos que somos apenas...a volúpia das nossas ideias. As folhas arrastadas pelo vento. O encontro com o luar. E sentimos que há uma vida que troça de nós. Aceitamo-la. Porque tudo é belo. Que tudo se desfaz e tudo continua. E a nossa cinza será produzida pelo imenso fogo da vida. Resta-nos ocupar o nosso espaço. E sermos, como dizia Flaubert, “grandeza de pó, majestade de nada!”.

Folhas de Luar

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José Malhoa -  "Retrato de D. Luís Filipe" (Museu José Malhoa)

 

 

A busca de originalidade, que é tão característica da Modernidade, manifesta-se no facto de procurar modelos que são apenas aparentes, que ela destrói, para se afirmar contra eles; os verdadeiros, contudo, dos quais está dependente, ficam assim tanto mais bem escondidos. Este processo pode ser inconsciente; muitas vezes, é consciente e mendaz.

Elias Canetti, in "A Consciência das Palavras"

 

Por Braga, e depois de uma dia onde a Tourigalo bem podia fazer os seus grelhados no alcatrão, admito que me deu para pensar o Mundo. Seria mais fácil antecipar e subir ao Bom Jesus num aquecimento para o dia de amanhã, mas o ar pesado dos fogos de hoje e o calor não o recomendam, nem mesmo à noite... Noite de quinta-feira em que ainda nem sei bem o que vai sair nas linhas de baixo.

peixe_galo_açorda.jpg

Mas o Mundo hoje é outra coisa, hoje é somente um peixe-galo, ou melhor, uns filetes de peixe-galo com as ovas do proprietário da ementa. Como não poderia deixar de ser, uma paixão do Ribatejo, uma daquelas paixões que não consigo deixar para trás tal é a qualidade que se sente de ano para ano: um "Quinta da Alorna Arinto Chardonnay Reserva". Um branco, é Verão e na cidade dos 3 P está um calor que não se pode, encontro de astros fatal. Adeptos do tinto que me perdoem, mais uma vez, mas nem os franceses resistem aos brancos no nosso Verão. Em relação aos três P, não vou responder a questões, quem é de Braga sabe...

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Lembram-se de lá em cima ter dito que não sabia o  que vinha por aí abaixo? Estou a fazer aquilo que se chama "encher chouriços" e a seguinte tentativa será colocar a foto de um gatinho ou um vídeo com bebés.. Não... Mas posso pensar numa leitura, afinal dá aquele ar de intelectual (o que é um intelectual?) que lê cinco livros por dia. Só me resta colocar a minha foto ou fazer uma entrevista com uma estante repleta livros atrás de mim. Escolho, e por aqui já não é novidade, a minha última aquisição na Lello: "A Consciência das Palavras". Elias Canetti, como sempre nos habituou, aqui pelo ensaio, é mais um daqueles autores que nos faz sempre pensar em como as suas palavras são sempre tão actuais... Em como, apesar de tanta mudança, só o Humano parece teimar em não acompanhar o ritmo frenético do globo - parece que acompanha, mas... Ah! E a Lello não me pagou pela hiperligação e o vinho fui eu que o paguei, mas são malta simpática e por isso...

elias_canetti.jpeg

Já a caminho do fim, a parca inspiração tende a desaparecer e já nem o "encher chouriços" me vale, sai um tema para este fim-de-semana. Pensei em Bach, agora que olho alguns discos do mesmo e que só me trazem à memória o Natal de Berlim de 2013. Dava aquele ar intelectual à coisa, de facto... Mas não... Klingdale e uma noite inteira a dançar isto...

Siga que a Heineken ainda aquece nas mãos... Vinho branco e cerveja holandesa, e a noite ainda agora começou. Ainda vou ter os adeptos do politicamente correcto a pedirem-me que beba sumo de beterraba e a lançarem um boicote a este artigo. A imagem de Sua Majestade Fidelíssima, o Rei D. Luís, "o Popular" é só para dar um ar pedante à coisa e... até aposto que era indivíduo para me acompanhar numa noite de dança e alta rave nos claustros do Mosteiro de Landim...

 

Dance people! Nem que seja em modo confinamento, mas dancem e bebam até ser dia!

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