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Allegro Vicacissimo adiado...

por Robinson Kanes, em 23.09.19

Jabr-Walking.jpgImagem: https://www.newyorker.com/tech/annals-of-technology/walking-helps-us-think

 

Pensava em como as pessoas que se querem bem, sem pensar em mais nada a não ser na triste insensatez da vida e no carácter vão do amor, acabam por viver lado a lado os próprios destinos que, por serem incompreensíveis as mantêm afastadas como nos pesadelos sem sentido.

Hermann Hess, in  "Gertrud"

 

Tchaikovsky escuta o seu concerto para violino e pensará em como é possível numa interpretação de pouco mais de meia-hora colocar tantas emoções, tantos sentimentos e tantos sonhos que fora da partitura se desfazem. Nem sempre a música ajuda as mentes perturbadas, ao contrário do que dizia Horácio. Essa mesma música tende, por vezes, a colocar-nos ainda mais perturbados e destruídos. Pode ter um efeito nefasto no modo como gerimos as nossas emoções...

 

Essa música faz-nos pensar no sonho mas também na realidade, de ter de acreditar naquilo que não queremos, de perceber que queremos deixar de ser um fantoche, de chegar à conclusão que o presente e o futuro dessa realidade não precisa de nós! Que nós somos pedras no caminho, que tudo tem um tempo e o tempo de uns não é o tempo de outros. Encarar esta realidade não é fácil para alguns, acaba por ser mais simples para os outros e é isso que lhes dá força para continuar.

 

Esses que não percebem o tempo, esses que se preocupam com um mundo, esses que não se cansam de falhar, ou porque a vida os marcou para sempre com esse destino ou simplesmente porque são efectivamente falhados. Não terão a consciência de que tudo tem um limite e que a realidade que um dia almejam e que até conquistaram durante algum tempo não estará lá para sempre - ninguém aguenta para sempre viver com um falhado, ninguém aguenta uma vida ao lado de um idealista. Ninguém aguenta para sempre quem acredite efusivamente no amor e aqueles que talvez acabam por viver de olhos fechados como se a própria existência fosse um acto de cobardia.

 

Oui, tout est simple. Ce sont les hommes qui compliquent les choses... Diz-nos Camus no ensaio "Entre oui et non" do seu ""L'Envers et l'Endroit". E sim, são os homens que complicam as coisas, que criam distrações, que criam convenções que decidem como se manipulam e jogam os sentimentos... São os homens que querem dominar a natureza e acabam dominados pela sua vontade de indagar, de ir mais além mesmo que estejam numa espécie de curva de 360º. São os homens que se cansam daquilo que outrora amaram, é humano, sobretudo num mundo que se devora a si próprio em consumo material e emocional.

 

Ficamos a meio na "Canzonetta", porque o "Allegro Vicacissimo" não é para hoje... Amanha será outro dia, e o mundo nasce todos os dias, mesmo que a força humana nos tente impor, não raras vezes, o mesmo mundo de ontem ou o mesmo mundo monótono e amorfo, mesmo que lutemos para fazer a diferença já ontem! E se um dia o "Allegro Vicacissimo" não tiver lugar, pois bem... Talvez que o "Hino dos Querubins" nos acompanhe numa ascenção que não será rodeada de anjos e de Deus, mas da tristeza que nos consumirá até ao dia em que o céu da boca nos arrefecer e não mais a nosso cérebro receber a mensagem que nos chega dos olhos e dos ouvidos. Até ao dia em que afastaremos o nosso pensamento do mundano...

 

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Entre o "Acomisme" e as Cinzas...

por Robinson Kanes, em 18.07.19

asturias.jpgImagem: Robinson Kanes

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que ermege da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Talvez um dos maiores segredos para uma vida de sucessos esteja de facto relacionada com a capacidade de nos despojarmos de um certo "acomisme", de pensarmos a nossa realidade com aquilo que temos agora e pensar pouco no que há-de vir. Talvez sim, talvez não... Retirando intelectualidade à coisa, será o mesmo que dizer "vive o momento".

 

Será isso que nos torna mais fortes perante a adversidade, perante todos os mal-entendidos que, de um minuto para o outro, podem dinamitar as nossas relações? Dou comigo a pensar em como as coisas mudam ao longo dos tempos, em como na distracção dos dias nos desviamos daquilo que é importante, e talvez... outrem o faça. Porque é que os abraços se perdem, porque é que os beijos e os carinhos se perdem? Será porque vivemos esse "acomisme"? Nós estamos presentes, estamos face a face com numa vivência diária... E porque é que? Porque é que a falta/ausência nos leva a questionar tudo isso? Talvez não esteja apto a responder a essa questão, talvez a minha capacidade de ter ideias esteja reduzida na tristeza e aguarde a ventura para poder ser mais expansiva.

 

De facto, não sei... Custa-me perceber o turbilhão de emoções que de repente se alteram e de um minuto para o outro se transformam. Talvez as palavras de García Márquez tenham razão de ser quando este nos diz que "os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as suas mães os dão à luz, mas que a vida os obriga uma e outra vez ainda a parirem-se a si mesmos". Talvez nesse trecho da "Crónica de uma Morte Anunciada" esteja resumido uma componente da nossa vivência! Somos paridos uma vez, mas temos de nos parir uma e outra e outra vez...

 

Talvez tenha nascido novamente por estes dias, ou talvez não... É neste anabolismo que nos podemos bater até o cansaço - correndo o risco de cair na apatia total e no vazio. É neste anabolismo que nos afundamos e percebemos que o mundo é como é, sem utopias... Sem coisas belas que duram para sempre. E assim caminhamos até ao dia em que já não queremos ser fetos, não queremos ser corpos extraídos numa fecundadidade que teima em não cessar. Esse é o dia, ou a escala de dias, em que deixamos cair a toalha ao chão e ficamos abandonados à nossa tristeza, deixando que a vida corra o seu caminho até sermos estrume... Até sermos nós nas lágrimas dos outros, pelo menos até ao momento em que deixam o crematório e depois de um banho, já em casa, sacodem o pouco que ainda resta do que de nós ficou no ar poluído da cidade ou na terra que se renova com a nossa massa...

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En Cantabria, una "playlist" para nosotros...

por Robinson Kanes, em 27.06.19

IMG_0014.JPGImagem: Robinson Kanes

 

 

Santander... Toda a Cantábria fica para trás e a fascinação daquele mundo verde contrasta com o mar Cantábrico mesmo ali diante de nós. Santander conta-nos histórias de pescadores, de navios comerciais e de uma industrialização que a tornam tão rica e com tantos contrastes. Para trás fica o Carbaceno e mais um sem número de memórias e quilómetros nos pés...

 

Contemplando esse mar enquanto aguardamos por mais umas "copas" perto do "Mercado de la Esperanza", sentamo-nos, ligamos o iPod (sim, ainda o utilizamos), estendemos as pernas e acabamos a escutar a nossa playlist...

 

A presença do mar chama-nos para "Llorándole debajo del agua", o dueto de Rojas e Niña Pastori. Não podemos ficar indiferentes aos sons de Espanha. Uma das grandes músicas de Rojas, talvez pelo toque especial de Niña Pastori... Nem com o Cantábrico por perto podemos esquecer o Mediterrâneo.

Continuamos por Espanha, talvez com uma música mais apropriada para uma viagem, mas o que é o repouso da viagem se não uma parte dessa mesma viagem e nunca o seu fim? Escutamos Bebe, e cantamos "¿donde estabas quando te llamaba" do single "Me Fui". Por certo perceberás o porquê da minha preferência por esta música.

Bebe leva-nos para outra música, para aquela que, para mim, é um dos seus grandes sucessos... "Siempre me Quedara"... "Palafueras Telarañas". Um ritmo especial, uma voz espanhola de nova geração e uma melodia que nos envolve e nos transporta para um passado com mais serenidade e com mais esperança no futuro que se aproxima. Esta música tem esse poder.

E porque não fazermos esta playlist toda em castelhano? Afinal, este é o país que melhores recordações e vivências nos trás, aquele que dizemos ser a nossa casa. Voltamos a Ninã Pastori, eu sei, devo ter nascido numa pedra em Grazalema ou numa casa do Albaicín, mas não posso deixar passar "Amor de San Juan". Vamos descer até Cádiz e apreciar?

E na Cantábria não nos larga este foco do sul? Maldição... Vamos aproveitar e parar em Jerez de la Frontera e voltar à Real Escuela? Fiquemos com "Los Delinqüentes" e viver aquilo que tanto gostamos: "El Aire de la Calle". Recordamos essa banda que desapareceu e que teve um tremendo sucesso... Temos saudades e o falecido Miguel Ángel Benitez também terá... Esteja lá onde esteja!

A respiração do mar torna-se mais intensa e invade "El Sardinero". Dançamos na varanda, afinal por cá não temos os filtros do país do lado. Queremos aquecer as coisas e desafiar o frio bafo marinho e encomendamos a voz de Olivia Ruiz com os franceses Nouvelle Vague num cover da música dos Mano Negra (escrita por Manu Chao). Gostamos desta versão que é presença quase diária nas nossas vidas... "Mala Vida". Mala vida si...

Existem bandas que com o tempo vão ficando melhores, que se vão perpetuando e não são efémeras... Que podem sair dos grandes holofotes, mas que ficam. Uma dessas bandas são os "La Oreja de Van Gogh" (estarão a chegar aqui os ares do País Basco?).  Já sem a grande figura que foi Amaia Montero e com a encantadora Leira Martínez (fica aqui uma dica para um certo espaço), continuam a dar cartas - uma banda que é difícil esquecer. E como estamos pelo "Sardinero", nada como escutar "La Playa", um dos grandes sucessos da banda ainda com a voz de Amaia - inesquecível!

Mantemos a selecção, até para dar espaço à senhora Martinez e escutamos, com a companhia de uma espécie de "Hojaldre de Astorga", "La Niña que Llora en tus Fiestas"... Não estamos com muita vontade de deixar de dançar! Temos de trocar as "copas" por um jantar se a coisa continua a assim... Percebemos porque é que esta banda ainda não se extinguiu. 

Com Sole Giménez ou Lydia, esta banda da belíssima colheita de 1983, é outra das que nunca morre! Talvez por isso também mereça dois destaques enquanto a noite começa a cair e as luzes do Sardinero começam a acender. Presuntos Implicados é mais uma daquelas bandas que nos encantam desde que começamos a ouvir a voz de Sole Giménez, uma voz única e singular que, em muito, ajudou a catapultar esta banda para o sucesso. Como foste tu que me deste a conhecer esta preciosidade, nada como escutarmos uma das suas melhores músicas e com uma frase que muito utilizas: "Nunca es para Siempre".

Já vais? Vais colocar aquele vestido? Não me parece, deixas a tua formalidade para outras paragens, pelo menos esta noite... Eu "Esperare", e deixo que as últimas cores do dia se desvaneçam com os Presuntos Implicados...

Vamos? Já devem estar à nossa espera...

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Verdades na Estrada...

por Robinson Kanes, em 21.11.18

 

IMG_5865.JPGImagem: Robinson Kanes

 

Uma carrinha de caixa aberta, uma estrada movimentada e uma verdade bem latente, logo abaixo da matrícula. E razão para recordar as palavras do mestre Vergílio Ferreira e pensar  em "quantas vidas se fariam com o que a nossa não utilizou"...

 

 

 

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Desde o Jardim de Luxemburgo, Uma Paris Quente...

por Robinson Kanes, em 14.09.18

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Créditos: Robinson Kanes 

 

 

Fim de tarde quente... Anormalmente, Paris estava quente, quente como um deserto com temperaturas a tocarem os 40 graus. Anormalmente, também Paris tinha, finalmente, uma luz... Não era uma luz forte, talvez uma luz diferente mas que colocava a cidade com uma iluminação homogénea mas alegre.

 

Sentada, num banco, a nossa "modelo" da fotografia contemplava o horizonte, algo smoggy mas encantador. Bela contemplação terá sido, pois foi tempo suficiente para aquele clara, de uma tonalidade bretã ficar tocada por uma cor mais escura. Ao longe a Torre Eiffel, imponente, não tão bela ao perto, mas de uma imponência que a tornou na imagem de marca da cidade e, injustamente, até de um país. Ao longe, o verde em contraste com o cinzento enriquecia a visão...

 

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Mas é ali, no "Jardin de Luxembourg", entre o "Quartier Latin" e "Saint-Germain-des-Prés que temos a vista mais romântica da torre em todo o seu esplendor. Entre as árvores que abundam nos 25 hectares de jardim e a vista também para o "Palácio de Luxemburgo" é possível nestes finais de tarde quentes, apreciar uma Paris diferente, uma Paris, aí sim, talvez mais romântica e apaixonante, sem estereótipos ou qualquer outra imagem de marca que nem sempre corresponde à realidade.

 

Com uma pequena coroa de tranças, a nossa bretã - não sei se o seria - apreciava essa Paris, sentia essa Paris. À sua volta a cidade parou, as crianças deixaram de correr, outros pararam as suas leituras, outros bloquearam no seu passeio e assim a cidade ficou à mercê dos seus olhos ou da sua paz... Olhando à volta, percebiamos que afinal a nossa bretã era apenas mais uma entre tantos outros que especialmente respiravam aquele ar quente  e se entregavam a tal contemplação.

 

Naquele final de tarde, Paris escaldava, mas estranhamente parecia mais calma, mais romântica e mais humilde em toda a sua sumptuosidade.

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Do Park Güell ao Cosmopolitismo de Gràcia...

por Robinson Kanes, em 14.05.18

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

 

Prometi para esta vez um percurso mais turístico. Sem sair do "L’Eixample" deixo a "Ausiàs March" ou até a empresa na Avinguda Diagonal para rapidamente chegar à Sagrada Família! Para mim nunca foi um lugar propriamente especial, além das suas eternas obras me causarem alguma estranheza.

São também célebres as palavras de George Orwell acerca da fealdade da infraestrutura e a estranheza  pela mesma ter sido poupada por Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Para mim sempre foi um local sem grande chama, se é que o podemos dizer, isto já para não falar nos cafés e restaurantes caros em torno do mesmo, um pouco como em Roma junto ao Coliseu.

 

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Daqui as opções são várias e uma delas pode ser o "Park Güell" em "La Salut". Pessoalmente, é um percurso que dá gosto em fazer a pé, embora admita que muitos não estão para isso. Também admito que gosto do movimento da "Carrer de Sardenya" e até do próprio ar cosmopolita que já vem de Gràcia. Prefiro o "Park Güell" aberto ao público. Não é que se consiga fugir das multidões mas podemos apreciar alguns momentos mais tranquilos, além de achar que o parque se visita bem e se consegue apreciar a obra de Gaudi sem pagar bilhete.

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Quando estamos de frente para a porta do parque, nada como virar à esquerda, seguir a estrada e subir a escadaria que nos levará ao interior do parque. Aí tudo muda… Começamos a subir e a ver uma outra Barcelona diferente daquela que já falei aqui e aqui, só a título de exemplo. Vislumbramos uma Barcelona para o mar, encontramos o "Tibidabo" e ainda conseguimos visualizar um pouco do parque. É a Barcelona cosmopolita que vemos daqui desde Gràcia até ao mar… Para uma primeira visita a Barcelona, ou até para um regresso, acredito que este miradouro é o local ideal para iniciar uma visita - é aqui que conseguimos captar muito do espírito da cidade.

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Se adicionarmos a este panorama um pôr-do-sol único, mais um daqueles que o Mediterrâneo tanto nos dá, temos o dia perfeito na cidade. Paremos pelo miradouro, respiremos a cidade, sintamos o contágio que vem do mar até nós. Fiquemos por aí um pouco… Segue-se a descida, e nada como percorrer a área gratuita do "Park Güell" e apreciar o próprio parque, acredito que conseguirão ver muitos dos pormenores mais interessantes do mesmo e poupar uns euros.

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Vamos descer? Pois passemos pela "Casa-Museu Gaudí" e desçamos a Gràcia bem pelo centro, atravessando a "Carrer de Montmary"  e transpondo a "Travessera de Gràcia"! Aqui é importante aproveitar bem a zona e o bairro antes de entrar na zona mais in. Ambas se podem combinar, aliás, o que faria era visitar uma e depois a outra, mas quando se vive ou se passa uma grande temporada na cidade tudo isso é mais fácil. 

 

E eis que chegamos ao "Passeig de Gràcia"! Uma nota... De facto, o caminho mais apetecível é o "Passeig de Gràcia", no entanto, ignorar ruas e respectivas transverssais da "Carrer de Pau Claris" e visitar o "Museu Egípcio" ou até o "Centre Català d'Art"... Em suma... Quanto mais nos perdermos no emaranhado de ruas, melhor!

 

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Mas vamos para a "Plaça Joan Carles I" e iniciemos a descida pelo "Passeig de Gràcia" e rapidamente encontraremos do lado esquerdo a "Casa Milà", também conhecida como "La Pedrera". Só conheci este espaço por fora, foram muitos aqueles que em Barcelona me aconselharam a não visitar a mesma por dentro e, pelo que tive oportunidade de procurar, não me arrependi. No entanto, cabe a cada um decidir. A própria história é interessante, na medida em que o primeiro proprietário da mesma assumiu ter ido parar à miséria devido à extravagância "gaudiana". Exteriormente é apetecível e merece o nosso olhar, mesmo que por segundos. 

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Nesta rua já se sente a fervilhar a Gràcia em toda a sua força com os cafés, as lojas, as gentes a dominarem a atmosfera daquela zona. Estamos na Catalunha, mas não deixamos de estar em Espanha onde facilmente encontramos estes ambientes. Levantemos os olhos e apreciemos os diferentes edifícios que se estendem ao longo do bairro e não esqueçamos a "Casa Vicens" e a "Casa Fuster" com o seu café vienense... Não poderia deixar escapar esta, mesmo que o café e um mimo doce fiquem para lá de um orçamento mais contido.

 

Com as energias repostas, pois já cai a noite e até vos convido para jantar em casa, pois lembram-se do meu amigo do Bon Preu? Temos um "rape" com açafrão e leite de coco à espera! No entanto, não podemos deixar de continuar a apreciar esta elegante rua e passar pela "La Manzana de la Discòrdia". Este é mais um daqueles espaços em que o exterior preenche a visita. Aqui podemos apreciar os três arquitectos que estiveram na sua construção, nomeadamente as esculturas e a cúpula de Domènech i Montane, as esculturas nas janelas e os vitrais da entrada de Puig i Cadafalch e finalmente algumas das influências de Gaudì que saltam bem à vista mal olhamos o edifício. Deixamos para amanhã a "Fundació Antoni Tàpies"? Pois bem, vamos então descer até à "Plaça Catalunya" e a apreciar os edifícios modernistas... Viremos para "Urquinaona" onde chegaremos a Ausiàs March - já nos acenam para jantar!

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Memórias de Ausiàs March e da Barcelona Gipsy Balkan Orchestra...

Pelo Passeig Lluís Companys até à Torre Agbar...

Da Cascata da Ciutadella até ao Port Olímpic com Mompou...

Barceloneta, Onde Fica o Coração...

Pelo Port Vell até Drassanes...

De Montjuïc te Contemplo...

Pela Rambla... Contagiado pela Imensidão de Gente!

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Reial até à Plaça Sant Jaume.

Pelo Barri Gòtic: Da Plaça Catalunha até à Catedral e à Plaça del Rei!

Pelo Barri Gòtic: Da Pintura de Picasso ao Palau de la "Musica Catalana"...

 

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Ases pelos Ares...

por Robinson Kanes, em 10.05.18

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Fonte das imagens: Própria. 

 

 

Depois de ter estado a ver passar os aviões, seleccionei mais um pouco da experiência daquele dia. O que me levou a tal? Talvez uma espécie de gosto que foi ficando, talvez o facto do anterior artigo ter merecido uma grande aceitação da vossa parte, ao contrário do que eu pensava, talvez por nostalgia... A primeira imagem não foi inocente, não fosse a minha última viagem pela TAP ter sido feito a bordo, mais uma vez, do Embraer 195. Com mais 38m de comprimento, só destes a companhia aérea dispõe de 4! É a aeronave que abre esta página.

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Dediquei-me também a fotografar alguns pormenores, e neste campo, os aviões, pelo seu aspecto e especificidades, dão imenso espaço a que qualquer um tenha interesse em ir mais longe no campo da fotografia, mesmo que, como eu, pouco ou nada percebam dessa arte! Também as cores ajudam a conseguir belos planos.  Utilizei o conceito de nostalgia... Talvez uma dessas primeiras activações de tal somática tenha surgido, quando também, a preparar uma descolagem, lá estava o Boeing 757 da United e que podemos ver abaixo. Acima, o que encontramos é um Boeing 737-800 da Ryanair.

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Mas voltando à nossa companhia, a TAP, apaixonei-me também pelo ATR 72-600, uma aeronave mais pequena e a turbo-hélices. Honestamente, gosto muito deste género de aeronaves, ainda nos remetem para o passado, todavia não nos devemos deixar enganar, pois não perdem nada em segurança e eficiência para outros tipos de motores. São também dotadas de tecnologia de ponta ao nível dos melhores aviões! Além disso, ainda alimento o "sonho" de voar num Lockheed  C-130, mais conhecido por Hercules.

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E é desta forma que me vou preparando para descolar, afinal já são horas de voltar e o tráfego no aeroporto de Lisboa é ininterrupto, além de que não faltarão oportunidades para assistir de novo a todo o bulício que rodeia esta infraestrutura. Na fotografia, descola mais um Embraer 195 com São João da Talha como pano de fundo.

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 Antes de descolar... Falei já de nostalgia e também esta foto me fez recordar aquela estada de um mês em Istambul! Tentei imaginar-me dentro daquele Boeing 737 800 com destino ao aeroporto de Atatürk. Talvez faça como aquelas crianças que no artigo anterior imitavam os aviões de braços abertos... Imaginando-se também a voar...

 

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"Playlist" para um Martini Rosso...

por Robinson Kanes, em 02.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.gutekueche.at/cynar-martini-rosso-rezept-23200

 

 

Um copo de Martini Rosso pode durar uns segundos... Pode durar minutos... Pode durar uma hora... Um copo de martini on the rocks acompanhado pela música ideal pode durar uma noite... É com este copo de Martini que respondo a um desafio colocado por email, como forma de partilhar um pouco de mim, embora noutros moldes, e vos deixo a minha playlist para esse momento... Para essa noite, onde algumas nuvens escondem as estrelas e o silêncio daquela varanda deixa que cada acorde se funda entre a laranja e a mistura alcoólica.

 

"The Cinematic Orchestra - Arrival of The Birds & Transformation" - Do documentário "The Crimson Wing: Mystery of the Flamingos". Com a Reserva Natural do Estuário do Tejo tão perto, a banda sonora deste documentário leva-me para perto daqueles seres que vejo todos os dias palmilhando as salinas em busca de alimento ou efectuando um dos voos mais coloridos e belos do mundo. A melodia é fascinante e já foi aproveitada também para anúncios televisivos.

 

 

"Ennio Morricone - Deborah's Theme" - Outra banda sonora - do filme "Once Upon a Time in America" que conto falar aqui e uma obra-prima de Hollywood. Enriquece uma qualquer noite, um qualquer espírito. Não poderia deixar Morricone de fora, para mim, o grande do século XX! É preciso ver o filme e deixar que a noite na varanda, de Martini Rosso como companhia tenha uma pequena aragem... Suave... O suficiente para conter algumas emoções que poderemos não controlar.

 

 

Em continuação pelos italianos, não poderia deixar escapar "Ludovico Einaudi - I Giorni". Talvez porque representa tudo aquilo que a música de Einaudi nos dá. Cá por casa não faltam discos do compositor que já tive oportunidade de ver ao vivo. Paz, reflexão, pensamento, espaço para muitos dos artigos que escrevo...

 

 

"Sergei Rachmaninoff  - Concerto para Piano nº 2" - É entrar nos clássicos, no entanto, não poderia ficar de fora um dos meus compositores de eleição. A pureza da música é qualquer coisa de maravilhoso, a doce serenidade com que Rachmaninoff nos contagia, mesmo quando os acordes se tornam mais violentos e dolorosos é algo ao alcance de poucos compositores! Tem o seu lugar de honra cá em casa, sem qualquer dúvida... E também no porta-luvas do carro, quando nos entregamos a algumas paragens técnicas para... respirar... O "Concerto para Piano nº 2" porque foi uma das primeiras obras que ouvi do mesmo e a sinto tão actual... Uma curiosidade, vão reconhecer o "All by Myself" em algumas passagens.

 

 

"Ennio Morricone - Malena" - Malena é uma daquelas músicas apaixonantes, sobretudo se conhecermos o filme e os locais onde o mesmo foi gravado. É, para mim, regressar à Sicília, sentar-me na "Scala dei Turchi" e atirar as "folhas" deste blog ao mar. É regressar a Siracusa, é percorrer a Sicília e viver uma história de amor e encanto. É ouvir e sentir aquelas sensações que só Morricone nos consegue trazer. É uma certa nostalgia de quem não tem idade para ter nostalgia... Uma das melhores músicas de sempre.

 

 

"Sting - Shape of my Heart" - A fugir ao padrão, numa noite em que se contempla o céu, esta é uma daquelas músicas que não pode faltar. Vale o que vale e dispensa palavras, nem tudo tem de ter uma explicação.

 

 

"Eleni Karaindrou - To Vals Tou Gamou" - Outra das minhas paixões, Eleni Karaindrou. Conheci-a com a banda sonora do filme "Eternity and a Day" e desde então nunca mais a larguei. A sonoridade grega e turca, um passado pouco longínquo e uma riqueza ímpar tornam a suas músicas património da Humanidade! "To Vals Tou Gamou" é sem dúvida uma obra singular e que merece um trago especial deste Martini.

 

 

"Bruce Springsteen - Streets of Philadelphia" - Na varanda, com as ruas lá fora, com uma certa paz reinante, não poderia deixar passar esta música do rei! Uma música fantástica, uma melodia única de um dos poucos que ainda vai fazendo verdadeira música por esse mundo fora, sobretudo numa vertente mais "comercial". Um hino e uma das músicas que marcou a minha infância, mesmo quando nem eu próprio percebia bem o que a mesma queria dizer.

 

 

Faltam duas para as 10 músicas? Pois continuarei a fazer render o copo... Outra composição que não poderia deixar sem passar, e voltando a Itália é "Pietro Mascagni - Intermezzo/Cavalleria Rusticana". É uma das mais belas melodias alguma vez criadas! Retirada a obra com apenas um acto "Cavalleria Rusticana" é um hino ao amor e à paixão, embora no contexto da obra surja após Santuzza revelar a Alfio a traição de Lola! É um outro regresso à Sicilia, mas também uma apaixonante e reconfortante melodia para contemplar enquanto as nuvens vão deixando espaço para as estrelas... Sublime!

 

 

 E finalmente, porque a noite já vai longa e só a rodela de laranja dá cor ao copo, só resta espaço e força para a versão de "Peter Gabriel - The Book of Love". Talvez uma das músicas mais românticas e que, com a voz de Peter Gabriel, se transforma definitivamente em algo de divino! Peter Gabriel tem esse poder, de transformar a música e de a tornar em algo tão complexo que fascina pelo modo como depois a encontramos tão simples e tão facilmente audível.

 

 

 Uns bons momentos para todos...

 

 

 

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"Amarcord"

por Robinson Kanes, em 01.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.moma.org/calendar/events/1506

 

 

Talvez de que somos, o somos por efeito do que se é e não do que se acumula sobre isso. O que se acumula apenas coordena o que já se é ao nível a que se vai ser.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente IV"

 

 

A minha paixão por filmes italianos não é novidade, sobretudo se caminharmos alguns bons anos para trás, anos em que nem eu era sonhado!

 

No entanto, juntar num só filme Frederico Fellini e Nino Rota, o resultado só pode resultar num Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - "Amarcord" é um desses exemplos! A banda sonora nunca mais nos sairá dos ouvidos!

 

Passado no Borgo San Giuliano perto da Rimini dos anos 30, acabou por ser uma inspiriração de Fellini, baseada na infância do mesmo, até porque "Amarcord" vem do dialecto romagnol e quer dizer algo como "eu lembro-me".  Estamos perante um número de personagens (a adolescente e a sua família, o acordeonista, a bonitona da cidade, os defensores dos bons costumes...) que é afectado nas suas vidas pela itália fascista dos anos 30. É um filme que nos mostra um pouco a realidade da época, quer do ponto de vista do indivíduo quer da própria presença do mesmo na comunidade.

 

 

Não é um filme com uma história fascinante mas que vale pelo que é - deixo-me portanto - de grandes divagações.

 

Deixem-se envolver por uma Itália de outros tempos e pela música de Rota, já será o suficiente para apreciar uns minutos mágicos...

 

Bom feriado...

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Fonte das Imagens: Própria 

 

 

Antes de saírmos do ponto de encontro combinado no artigo passado, partilho convosco o facto de ter lido alguns maus comentários sobre Barcelona. De facto, nenhuma cidade é perfeita e podemos sempre apontar pontos negativos ou até dizer que não gostamos mas daí a dizer que não se gosta de Barcelona "porque sim" e baseado somente numa experiência de fim-de-semana, devo dizer que é bastante redutor.

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Deste modo, continuemos pela zona turística, mas também antiga, de Barcelona. Tomamos um café naquela que foi a minha casa, com o "peixeiro" do "Bon Preu" da Ausiàs March que me ensinou a fazer um "rape" (tamboril) com caril e que ainda hoje faz as delícias daqueles que frequentam a nossa casa. Barcelona também é isto, fazer amigos em cada canto, em cada espaço, mesmo que seja um supermercado e, de facto, isto não conseguimos em dois dias.

 

Vamos então? Façamos a Ausiàs March, atravessando a "Plaça Urquinaona" e entremos na Plaça Catalunya. Já conseguimos ouvir a "Rambla" e todo aquele movimento desta praça, um dos principais pontos para apanhar transportes em Barcelona. Se a praça é bela? No contexto de Barcelona é mais uma praça, mas comecem a apreciar as gentes e a ver a vida a acontecer e a vossa opinião muda em segundos!

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Mas caminhemos, a Catedral aguarda por nós! Para mim, quem tiver de escolher entre a Catedral do século XVI e a Sagrada Família, eu sugiro que escolha a primeira. Dedicada a Santa Eulália - aliás, a cripta com o túmulo desta santa é uma das atracções - esta catedral tem uma fachada algo ao estilo francês porque só no século XIX se reuniram fundos para terminar a mesma. Com 29 capelas, no exterior, apesar da beleza, não a podemos incluír no roteiro das grandes catedrais, sobretudo porque em Espanha tem uma forte concorrência. Mas é também no exterior que encontramos uma das praças mais movimentadas da cidade e não é só com turistas - é aqui que ao fim de semana, os habitantes da cidade, dançam a sardana - a dança de roda catalã que representa a unidade.  Falámos também de Santa Eulália, pois aquela estátua no topo da torre central é desse mesma santa.

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No entanto, quando temos a impressão de não estarmos perante uma catedral de Burgos ou até mesmo de Colónia, entramos e tudo muda! Visitem o coro e procurem encontrar a multiplicidade de estilos presentes na catedral, que vão desde a construção paleocristã até ao estilo gótico francês passando pelo românico e gótico (catalão). Apesar de tudo, também não é esta a minha igreja preferida em Barcelona... Quiçá passemos lá no próximo artigo.

 

Saímos da catedral e eis que chegamos à Plaça del Rei, ou melhor, aos vestígios de Barcino, uma povoação romana! Se por fora ficamos com essa sensação, esperem para conhecer o subsolo e as relíquias que por lá se encontram - um dos museus que merece a visita é o "Museu d'História de Barcelona". Também é nesta praça que podem namorar um pouco - pode parecer estranho, mas uma das imagens mais românticas que tive da cidade foi aí mesmo... 

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Ainda andamos pelo centro, ainda estamos rodeados de turistas - algo que em Barcelona é assunto delicado - e ainda nos conseguimos apaixonar por esta cidade, todavia, é também aqui que uma estada mais prolongada nos permite conhecer aqueles recantos aos quais "só" os habitantes de tão bela cidade conseguem ter acesso... E no meio disto tudo, vou voltar ao caminho da "Plaça Sant Jaume" e procurar aquela mercearia familiar que vende um presunto "extremeño" de comer e chorar por mais...

 

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