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Bater no(s) Fundo(s)...

por Robinson Kanes, em 28.08.18

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Imagem: Própria.

 

 

Na passada semana, em conversa com alguns conhecidos, tomei conhecimento de uma reportagem televisiva que, alegadamente, colocou o dedo na ferida - mais um - em relação aos apoios e acções de solidariedade para com Pedrogão Grande. 

 

Temos de atentar no facto de que, em Portugal, os incêndios de Pedrogão (como se os de Outubro, Monchique e outros não fossem de interesse) produziram, pela primeira vez e em larga escala, a ideia de que a solidariedade é um negócio pouco transparente. Confirmou-se, pois até hoje ainda ninguém explicou com rigor o destino dos fundos, que afinal para esclarecidos e ignorantes ou meros ingénuos, o dinheiro da "esmolinha" nem sempre acerta no bolso do "pobrezinho". Aliás, 2017 e 2018 foram pródigos em casos de solidariedade pessoal, literalmente...

 

Mas é voltando a essa reportagem que temos de fazer três exercícios: o primeiro é de que estamos perante uma reportagem que aponta alguns factos concretos e verídicos mas ainda é só uma reportagem. O segundo é de que devemos pensar porque é que casos como estes só chegam ao conhecimento do público e das autoridades por intermédio dos media... E terceiro, e se tudo isto for verdade?

 

Debato-me no terceiro e último: e se tudo isto for verdade? Se for verdade que o dinheiro dos contribuintes e de  todos aqueles que solidarizaram com Pedrogão (e falo de Pedrogão mas abarco todos os outros concelhos afectados) estiver a ser esbanjado por oportunistas corruptos? E se tudo isto for verdade, como é que fica o papel dos políticos - muitos deles ao mais alto nível - que se solidarizaram também com estes indivíduos e até lhes deram apoio mediático e não só? Se tudo isto for verdade, como é que um povo reage quando, aqueles que deveriam garantir a sua segurança, são os primeiros a falhar. Como é que saíndo impunes e abusando dessa impunidade ainda desrespeitam mortos e vivos absorvendo os lucros, pois a palavra é essa, os lucros da desgraça? Não defendo, nunca defendarei a Justiça feita na rua, todavia... Devo admitir que não é fácil desejar que algumas cabeças se afastem do resto do corpo num qualquer pelourinho! A conversa do doa a quem doer, sem causar dor começa a ser enfadonha...

 

E se tudo isto for verdade? Presumo que até existirem factos que provem todos estes esquemas são verdadeiros devemos ter cautela nos comentários e nos ditos julgamentos públicos, no entanto, também é nas ruas que se diz que "contra factos não há argumentos". Se tudo isto for verdade, uma coisa Pedrogão Grande tem de nos ensinar - chega de corrupção, irresponsabilidade, impunidade e incompetência!

 

Talvez a melhor homenagem que podemos prestar a todas as vítimas dos incêndios e não só, é finalmente começar a combater ferozmente estes comportamentos! Mais do que criar brigadas de combate a incêndios, é criar mecanismos que promovam a competência, o mérito e a responsabilidade. Mais do que criar oficiais de segurança, é criar mecanismos que combatam a corrupção... Até porque, todos sabemos, que o poder autárquico, a par do central, é também ele, em muitas situações um antro de corrupção que só não é mais posto a nu porque a apetência pelo paternalismo luso permite que autarquias e autarcas sejam a única fonte de rendimento e justifiquem a existência de algumas localidades. É esta apetência que permite que em alguns concelhos tenhamos autênticos ditadores que semeiam o medo e paralisam todos aqueles que levantem a voz contra os mesmos... Não são raros os casos em que tive pessoas diante de mim em pânico porque o "senhor presidente da câmara" ou o "vereador X" podiam acabar com uma carreira, uma família ou até com a sobrevivência dessas mesmas pessoas.

 

Fuji ao tema, de facto, mas na verdade, este tipo de situações continua a ocorrer e é a apatia das instituições e sobretudo dos cidadãos que o permite... Entretanto, também a Democracia vai ardendo de forma totalmente descontrolada.

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Joaquín Torres-García - Bodegón con Máscaras, (MoMA New York - "JoaquínTorres-García: The Arcadian Modern." 2015)

Fonte da Imagem: Própria

 

 

Por vezes, temo pensar que avaliamos mal as pessoas e nutrimos por elas um sentimento que é sempre de desconfiança, ou não fossem Portugal e Turquia os países da OCDE onde esta é maior. No entanto, são cada vez mais as vezes onde essa desconfiança tem uma razão para existir, e até quando não existe, rapidamente é deitada abaixo por mais um caso... Ainda me recordo de alguém ter dito que a "Raríssimas" era caso único e o país não é assim, mas o que não faltam são instituições solidárias que são tão solidárias que até enriquecem, de formas pouco claras, quem delas vive... E são tantas, desde o "O Sonho", até à Fundação "O Século", já para não falar nos constantes casos em instituições da Igreja Católica que rapidamente são abafados, exemplo maior está na Cáritas, isto alegadamente...

 

O último caso não envolve dinheiro, mas envolve moral e valores, algo que não deveria ter um preço, mas nunca como hoje esteve à venda por tão poucos euros. Refiro-me à  presidente da "Associação das Vítimas de Pedrogão" que aceitou, pela mão de Adolfo Mesquita Nunes (já repararam que ultimamente só se fala deste indivíduo? Ainda vamos ouvir falar muito dele, quando já nos tiver sido bem vendido) o convite de um partido para ingressar numa equipa coordenadora no âmbito das próximas eleições legislativas. A ser verdade que por detrás da criação da associação esteve uma jurista da Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos - e do CDS-PP - as coisas até acabam por fazer sentido. Mais sentido fazem quando o ódio à Ministra da Administração Interna de então era bem latente, já para não falar na cabala que se tentou montar em torno do número de mortos com o patrocinio de movimentações partidárias - alguém voltou a ver essa senhora que estava tão certa do que dizia?

 

Recentemente saiu um estudo, e falarei dele, onde se lia que a maioria dos empresários portugueses considerava que para ter sucesso era necessário ter amigos na política - aqui não falamos de produção, falamos de viver de impostos e de donativos, mas o modus operandi parece ser o mesmo e no fim vemos a "Cidadania" a ser derrotada pela ambição desmedida e pela ditadura partidária que fechou Portugal numa camisa de forças. Resta lembrar que Nádia Piazza recebeu o "Prémio Cidadania 2017",   atribuído pela Plataforma das Associações da Sociedade Civil. E num país onde existem tantas associações, que movimentam milhões que ninguém consegue perceber onde são aplicados, seria uma boa ideia pensar na Associação das Vítimas da Associação de Vítimas de Pedrogão, talvez entre todas as mencionadas, seja a única que tenha uma verdadeira razão para existir.

 

E como desconfiado que sou, as ascensões meteóricas, têm sempre razões que a própria razão desconhece, deturpando as palavras de Blaise Pascal. E quem me disse é um especialista... Nesta área, de criar ídolos. A brincar, rimo-nos também com as mudanças que acontecem quando trocamos a camisa e as calças de ganga pelos saltos altos e pela alta costura.

 

Por estes dias, percebemos que a Cidadania voltou a ser derrotada e que as vítimas de Pedrogão, agora que meses passaram, a única coisa que conseguiram foi serem fantoches ou verdadeiros palhaços neste circo em que se transformaram muitos sectores da vida nacional - mereciam mais respeito e menos aproveitamento, sobretudo político e até monetário!

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Foi a partir deste espaço que o incêndio foi comandado e em que se viveram os difíceis momentos da gestão de informação referente às fatalidades. Foi igualmente neste espaço que foi recebido o Senhor Presidente da República, para além de outras entidades que visitaram o PCO na noite do dia 17 e madrugada do dia 18 de junho.

Das audições efetuadas por esta CTI foi unânime a opinião, manifestada por operacionais, autarcas, agentes de proteção civil entre outros testemunhos, de que o PCO estava permanentemente superlotado, desorganizado, desorientado, descoordenado, com autoridades políticas a intervirem também nas decisões operacionais. A comunicação social estava em peso e muito próxima do PCO. O comando e coordenação da operação era obrigado a intervalar o seu trabalho para realizar briefings às diferentes autoridades e entidades que ali se deslocaram. E as comunicações não fluíam, atendendo também à localização do PCO e às falhas detetadas no SIRESP (...) O comando de uma operação de socorro não pode ser prejudicado por estas circunstâncias, como parece ter acontecido em vários momentos.

(pág. 130)

 

E o circo das "selfies" e dos coletes pomposos instalado e a interferirem nas operações prejudicando o trabalho dos especialistas, tudo a favor da popularidade. Neste âmbito a comunicação é fundamental mas foi severamente condicionada pelo folclore mediático...

 

É, contudo, excecional que tenha havido uma decisão do COS, 2.o CONAC Albino Tavares às 04h56 de 18 de junho, ordenando ao Chefe Sala do CDOS de Leiria que os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO acerca dos alertas que ali recebiam. A partir daquela hora todos os alertas deveriam ser comunicados ao PCO por telefone, e só após validação do mesmo, seriam ou não inseridos na fita do tempo do SADO. O 2.o CONAC, no decorrer da sua audição junto desta CTI, justificou a sua decisão com o excesso de informação que era produzida a partir do CDOS de Leiria.

Este procedimento contraria o SGO, bem como toda a doutrina instituída relacionada com o funcionamento do SADO, que impõe que as todas as situações críticas devem, até de forma intempestiva, ficar registadas no sistema, independentemente da determinação operacional associada. Esta determinação do COS pode subtrair à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão dos acontecimentos na noite de 17 para 18. Pode até admitir-se que, para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veiculadas através de chamadas efetuadas para o PCO mas que não teriam sido registadas.

Por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável. (pág. 132)

 

Porque se manda "desligar" a "caixa negra" das operações? Partiu do operacional nomeado ou partiu de outrem? Estamos perante algo que pode ser considerado um crime que visa ocultar provas.

 

Vale a pena referir que, no decorrer da operação de combate, houve Comandantes de sector que referiram nunca terem sido contactados pelo PCO. A dimensão do incêndio, as dificuldades de comunicação, os resultados dramáticos em termos de vidas humanas e o ambiente gerado pelo congestionamento nas instalações do PCO permitem talvez justificar aqueles comportamentos, embora se entenda que sem coordenação e sem orientação não é possível executar a ação de comando. (pág. 132)

 

Sem comentários...

 

Importa referir ainda que, como órgão diretor no âmbito de uma operação de socorro, o PCO tem a obrigação de dar nota pública do ponto de situação da ocorrência de forma regular. Constatou- se que a autoridade operacional não o fez nas primeiras 30 horas da ocorrência. A autoridade política assumiu, em parte, essa função. Esta, no seu âmbito, desempenha naturalmente o seu papel, mas não menos importante nestes acontecimentos, é o papel da autoridade operacional, que deve conduzir a gestão da informação operacional de emergência nos diversos escalões, com o objetivo de fornecer, proactivamente, informação técnica e operacional, oportuna e precisa, aos órgãos de comunicação social e aos cidadãos.

 

Idem

 

Constata-se assim que num intervalo de 3 horas, entre as 19h30 e as 22h30, o incêndio teve três COS, o que por si só não traduz uma decisão errada. Mas a questão é que estes ajustamentos coincidiram com a fase mais crítica da operação de socorro, pelo que não é garantido que nestas passagens de comando, ainda que cara a cara, alguma informação mais critica não tenha sido desvalorizada ou perdida. (pág. 137)

Esperava-se que a estrutura do Comando Nacional, recentemente reforçada, daria garantias de acompanhamento e funcionamento do CNOS para o número de ocorrências que se verificavam no país. Sublinhe-se que mais de 95% das ocorrências foram acompanhadas e resolvidas pelos respetivos Comandos Distritais. A presença ativa do Comandante Nacional teria todo o sentido pelo facto de se estar perante uma das piores catástrofes com que o País alguma vez foi confrontado. (pág. 138)

 

Casa onde todos mandam... 

 

há relatos testemunhais que referem a existência de uma fila de trânsito que se terá formado na EN 236-1, no troço entre o nó com o IC 8 e o cruzamento para Várzea/Vila Facaia, em momento não determinado mas não muito tempo depois das 20h00, coincidindo com a fuga a partir das aldeias a leste da EN 236-1. Este congestionamento terá dificultado a progressão do trânsito para sul e tido eventualmente consequências fatais para algumas das pessoas que se encontravam na EN 236-1 a tentar fugir às chamas, e que acabaram por tomar o sentido inverso na direção de Castanheira de Pera. A este respeito o relatório da GNR é completamente omisso, apesar de terem sido ouvidas várias testemunhas civis no âmbito do inquérito. (pág. 143)

 

Porque não estão esses testemunhos no relatório da GNR?

 

Muito embora a atuação da GNR pareça, de acordo com as informações recolhidas, ter sido a correta, dentro de todos os condicionalismos, nomeadamente de comunicações, e tendo em conta a excecionalidade da situação, fica por apurar até que ponto o corte do acesso ao IC 8, terá tido alguma influência no relatado congestionamento de trânsito na EN 236-1 entre o cruzamento com estrada Várzea/Vila Facaia e o nó com o IC 8. Fica também por apurar a aparente contradição sobre o relato de não haver trânsito naquela via entre as 20h00 e as 20h15, e os relatos que referem a existência de um congestionamento de trânsito. Finalmente fica por apurar porque razão, perante a rápida aproximação da frente de fogo, não foi feito o corte da EN 236-1 na direção Figueiró dos Vinhos – Castanheira de Pera. A justificação de não haver ordens do COS nesse sentido, contrasta com a descrição de que os cortes de estrada foram essencialmente tomados por livre iniciativa dos militares da GNR, de acordo com a sua perceção do risco para a circulação do trânsito. (pág. 144)

 

Este parágrafo levanta imensas questões e contrariedades sobre as quais uma investigação criminal se deveria debruçar. Demasiadas pontas soltas que não podem ficar sem resposta, pois foi aqui que se deu uma tragédia de grandes proporções e que levou à morte de muitos cidadãos.

 

Mais para diante, estão as propostas, com toda a certeza um tema futuro... De Pedrogão e de outras ocorrências ficam as mortes pelo desleixo, sobretudo de quem comanda, pelo folclore político e por uma enorme falta de competência e sentimento de impunidade que teimam em grassar, sobretudo no sector público. A todos aqueles que combateram com o que sabiam e podiam, sobretudo os que não estiveram em posições de comando, uma grande agradecimento...

 

 

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Fonte da Imagem: Própria. 

 

o Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios carece de uma forte incorporação de conhecimento. Muitas das decisões são tomadas apenas com base em conhecimento empírico e baseadas em perceções normalmente questionáveis

 

Incompetência! Inaptidão para o cargo. Falamos do território nacional, de património natural e edificado, de pessoas e bens, de animais...

 

A Escola Nacional de Bombeiros, integralmente financiada por recursos públicos, deverá ser integrada no sistema educativo nacional, transformando-se numa escola profissional e orientando a sua ação prioritariamente para perfis profissionais acreditados. A oferta atual de cursos de curta e muito curta duração, deverá ser avaliada e eventualmente reformulada, explorando as modalidades de ensino a distância. (pág. 19)

 

Porque já não o é? Ainda por cima suportada integralmente por todos nós?

 

A sociedade portuguesa tem um distanciamento cultural em relação à floresta que urge ultrapassar. Por esse motivo, Portugal regista um elevadíssimo número de ignições por ano, valor que é seis vezes superior ao registado em Espanha e 19 vezes superior ao da Grécia. (pág. 22)

 

A culpa também é nossa...

 

No período 2000-2016 os custos de prevenção variaram, no entanto, muito pouco: entre os três períodos, entre 23 a 25 milhões de euros por ano. Os custos com a supressão, porém, aumentaram naqueles três períodos de 65,9 para 69,5 e para 78,1 milhões de euros por ano, destacando-se a importância dos meios aéreos de combate que variaram naquele período entre 50% e 65% do custo total de supressão. (pág. 37)

 

Para aqueles que defendem que a prevenção tem tido um aumento no investimento face ao combate...

 

A causa da ignição inicial associada ao incêndio de Pedrogão Grande não consta ainda do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF). O relatório circunstanciado da GNR datado de 26 de julho refere que teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores; o ponto de ignição situa-se num troço da linha de média tensão que numa extensão de 500 m estava desprovido de faixa de proteção. (pág. 61)

 

Atentemos no "teve origem na linha elétrica, por contacto ou descarga, a qual observámos estar muito próxima da copa das árvores". A tese de acidente continua a ter validade? Fica a questão.

 

O EUMETSAT assinala uma descarga elétrica positiva na região por volta das 14h45 sendo de notar que os registos de raios detetados pelo IPMA não incluem a descarga que originou o fogo de Góis nem aquelas observadas em fase mais adiantada do incêndio de Pedrogão Grande. (pág. 62)

De acordo com os testemunhos existentes a propagação inicial do fogo foi tímida e a sua intensidade inicial muito reduzida, apresentando no caso de Regadas Cimeiras chamas com tamanho aproximado de 20 cm. (pág. 64)

 

Contradições e a confirmação de que o fogo só atingiu uma maior "força" horas mais tarde. Não foi imediato.

 

A existência de maquinaria pesada propriedade das câmaras municipais ou protocoladas para sua utilização (como é o caso das máquinas da Associação de Desenvolvimento Regional da Serra do Açor – ADESA) é muito valorizada, quer para ações de beneficiação de caminhos e/ou de faixas de gestão de combustíveis, quer para apoio ao combate a incêndios florestais.

Existem equipas de sapadores florestais em todos os concelhos. Estas equipas são utilizadas, mas apenas em vigilância, primeira intervenção e rescaldo. (pág. 102) 

À exceção da REN e EDP, o cumprimento do PMDFCI pelas restantes entidades é considerado relativamente baixo. (pág. 103)

 

Nem tudo é mau e afinal, uns dos que são apontados como os maus da fita em muitas situações, até são os que cumprem a lei. No entanto, a ignição de Pedrogão coloca algumas questões nesta matéria.

 

Refira-se o caso de Pedrógão-Grande que não tem o plano aprovado, apesar de ter procedido ao planeamento das faixas de gestão de combustível. Este planeamento (gestão combustível) não pode ser negligenciado, sendo por isso considerado na presente análise. (pág. 104)

 

Voltamos a ter o presidente de câmara vítima em xeque...

 

Os técnicos apontam a necessidade de preparar as populações para ocorrências como a de Pedrogão, através de um trabalho pedagógico continuado e dirigido.

Metade dos técnicos acha que faltaram meios no incêndio de Pedrogão e que houve falhas de coordenação. Há críticas também à falta de formação dos bombeiros e ao facto de os comandantes não serem escolhidos em função das suas competências. Houve críticas também de descoordenação no PCO.

Houve igualmente críticas às falhas de comunicação, sobretudo por motivos organizacionais. Apesar das críticas ao dispositivo de combate, a maioria dos técnicos considera que as condições foram excecionais em termos de meteorologia e de comportamento do incêndio. (pág. 114)

 

Mais uma vez o empowerment e educação das populações não está a ser feito. Mais uma vez a questão das nomeações por factores que não são as competências a justificar o compadrio. Contudo, existe o reconhecimento de que foi uma situação atípica.

 

O briefing do dia 14 de junho deu conta do agravamento da situação meteorológica a partir do dia 16 e culminando nos dias 17 e 18, com previsões do aumento da temperatura máxima do ar e diminuição da humidade relativa (e sem recuperação noturna no interior do país), aliás como se veio a verificar. Muito significativamente, apontou para “instabilidade no interior, mais provável a partir do dia 17 com trovoada e aguaceiros”. Em Portugal o apoio à decisão baseado na informação pirometeorológica está subdesenvolvido, pese embora o manancial de informação atualmente disponível e que procede de várias fontes. Além do IPMA há que referir o European Forest Fire Information System e o serviço “Mapas e Dados Meteorológicos e Florestais”, disponibilizado pelo Instituto Dom Luiz e apoiado pela ANPC e ICNF. (pág. 120)

 

A informação existe, não existem indivíduos ou os que existem não possuem competência para interpretar a mesma.

 

Na descrição da situação meteorológica pode-se ler no 4o parágrafo do referido CTO, sublinhado e a bold no comunicado técnico “entre os dias 16 e 18, a temperatura máxima poderá atingir valores entre 40 e 43 o C nas regiões do interior...” associado a ventos moderados e a humidades abaixo dos 30%. Sem dúvida que se estaria na presença de um quadro em que era expectável tempo quente e seco com permanência de condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Sabe-se também que estávamos em plena fase Bravo, em que os meios disponíveis e a capacidade instalada é francamente menor do que a prevista e planeada para a fase Charlie. Contudo não deixa de ser estranho que em sede de determinações operacionais, de acordo com o ponto 4 do já referido CTO, o único meio de reforço pré-posicionado para o quadro previsto fosse o Grupo de Ataque Ampliado (GRUATA) da Força Especial de Bombeiros (FEB), na base de apoio logístico (BAL) de Castelo Branco. (pág. 122)

 

Sem comentários...

 

deduzindo-se que por isso a probabilidade de novas ocorrências deveria ser igualmente baixa. Este racional é reforçado no documento de resposta à senhora Ministra onde se reafirma que: “... dado que na zona de Pedrógão não ocorriam incêndios há 10 anos, por este facto a zona não era historicamente relevante.”Além de não haver rigor factual na afirmação, a não ocorrência de incêndios numa série de anos não deverá constituir fundamento para aliviar o planeamento operacional e a prevenção.

Ou seja, para cada dia, para cada mês ou para cada ano que passa sem que um território, caracterizado por elevado risco de incêndio florestal, seja fustigado pelo fogo, conduz a um aumento gradual de risco de incêndio, situação que aconselharia a redobrar a atenção relativa a novos incêndios. Por este motivo, medidas de ajustamento operacional, antecipando cenários, teriam tido todo o sentido, se orientadas para o interior norte do distrito de Leiria, bem como para os distritos de Castelo Branco e de Coimbra.(pág. 123)

Amadorismo, incompetência, negligência... Como é possível que indivíduos com tamanha responsabilidade apresentem justificações e pareceres destes...

 

Na fita de tempo é referido que às 18h18 é acionado o H03-Kamov para este teatro de operações, o que nunca veio a acontecer como se comprova pelo relatório de controlo missão diário desta aeronave, já que à mesma hora foi mobilizado para São Miguel Rio Torto, concelho de Abrantes, distrito de Santarém, onde efetuou sete descargas e onde esteve em missão até ao final do dia. Assim conclui-se que entre 16h03/16h10 e as 17h58/18h06, um período de cerca de duas horas na fase mais crítica do incêndio, não esteve nenhum meio aéreo a operar no incêndio de Pedrógão Grande, nem em ATI nem em ATA. Precisamente no início da fase de ataque ampliado, na qual os meios deveriam ser diferenciados, esta operação ficou desprovida de qualquer meio aéreo.(pág. 128)

 

Sem Comentários...

 

Continua...

 

 

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É licito concluir, portanto, que houve subavaliação e excesso de zelo na análise da fase inicial do incêndio de Pedrógão Grande, que contribuíram para que o ataque inicial não conseguisse debelar o avanço do fogo. (...) No caso de Pedrógão Grande, quando tecnicamente se passou à fase de ataque ampliado, dever-se-ia ter alterado o comportamento do combate. Contudo, entre as 16h00 e as 18h00, numa fase crítica do incêndio, não houve intervenção de meios aéreos. Este período abrange já um primeiro momento de ataque ampliado sem a presença de qualquer meio aéreo. (págs. 12 e 13)

 

Ao contrário do que disse o Primeiro-Ministro, afinal as falhas já não foram só no início do incêndio... Está a esquecer-se da prenvenção e desta fase...

 

Poder-se-á recordar que as medidas de gestão de combustível em redor das vias de comunicação e em volta dos aglomerados populacionais não tinham sido cumpridas. A promiscuidade entre casas e árvores nestes aglomerados, por incúria ou falta de recursos económicos dos proprietários, cria situações de enorme risco junto às habitações. Nas vias de comunicação, as obrigações das entidades gestionárias e/ou concessionárias não tinham sido cumpridas de acordo com as determinações legais. (pág. 14)

 

Vamos continuar a ter pena dos presidentes de câmara?

 

O PCO voltou a emigrar, já no dia 19, para Avelar (Ansião). O seu funcionamento, para além dos aspetos técnicos referidos, foi nos primeiros dias perturbado pela presença excessiva de autoridades e elementos de órgãos da comunicação social. Situação que se deveria evitar, pois a função de comando exige total concentração. (pág. 15)

 

O folclore dos senhores do colete, bem como o folclore de altas entidades governativas (Presidente da República e Primeiro-Ministro não são excepção) acabou por ser também responsável por uma maior ineficácia dos meios. Uma coisa é estar a apoiar, outra coisa é atrapalhar. O populismo tem destas coisas, desta vez as selfies foram um entrave. Interessante que pouco se falou sobre este tema...

 

Nestes dois mega-incêndios, as falhas de comunicações do SIRESP foram sendo colmatadas transitoriamente com o recurso às redes móveis públicas e à ROB. Estas redes permitiram superar pontualmente as ineficiências da rede SIRESP funcionando como redes redundantes. A rede SIRESP está baseada em tecnologia ultrapassada (quando comparada com as tecnologias 3G e 4G). Representou, quando foi introduzida, um enorme avanço em relação à fragmentação passada. Mas não acompanhou a evolução vertiginosa que as tecnologias de comunicação sofreram nos últimos anos. (pág. 15)

 

A culpa não foi do SIRESP, mas andamos a pagar milhões para ter um sistema de comunicações obsoleto que até é superado por sistemas ao dispor de qualquer cidadão. Sendo um sistema obsoleto, não tendo culpa na tragédia... Quem adjudicou tal sistema?

 

no que respeita ao incêndio de Pedrógão Grande, e para além das excecionalidades meteorológicas atrás referidas, não houve pré-posicionamento de forças, nem análise da evolução da situação com base na informação meteorológica disponível. A partir do momento em que foi comunicado o alerta do incêndio, não houve a perceção da gravidade potencial do fogo, não se mobilizaram totalmente os meios que estavam disponíveis e os fenómenos meteorológicos extremos acabaram por conduzir o fogo, até às 03h00 do dia 18 de junho, a uma situação perfeitamente incontrolável. (pág. 15)

 

O que é preciso mais?

 

Continua...

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 Fonte da Imagem: Própria.

 

Esta semana a grande sugestão  que todo e qualquer português com idade para votar ou fazer algo pelo seu país deve ler (e se não souber peça para lhe lerem) é o "Relatório de Análise e apuramento dos factos relativos aos incêndios que ocorreram em Pedrogão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã, entre 17 e 24 de Junho de 2017" - basta descarregar o mesmo aqui. Deve fazê-lo porque os media deveriam fazer o seu papel que era informar, mas cuidado com as análises e as selecções a gosto que são feitas...

 

Hoje e amanhã, como cidadão (sem conhecimento técnico e sem vontade de influenciar o que quer que seja) vou ter este espaço aberto onde colocarei vários excertos da minha leitura com alguns comentários. Contudo, reafirmo, leiam todos o relatório e tirem as vossas conclusões.

 

A questão que se coloca é a seguinte: no século XXI, com o avanço do conhecimento nos domínios da gestão da floresta, da meteorologia preventiva, da gestão do fogo florestal, das características físicas e da ocupação humana do território, como é possível que continuem a existir acontecimentos como os dramáticos incêndios da zona do Pinhal Interior que tiveram lugar no verão de 2017? (pág. 7)

 

É a pergunta que todos colocam e ninguém responde, porque?

 

A desadequação entre as funções desempenhadas por cada um dos diversos agentes e as respetivas qualificações e competências é um dos graves problemas que impede a solução de muitos dos problemas existentes em torno dos incêndios florestais (e) teremos de orientar a atuação para a adoção de forças especializadas, com elevado nível de qualificação, destinadas à resolução destas problemáticas, o que não se coaduna com amadorismos. (pág. 8)

 

Gente a mais, despesa a mais, amadorismo a mais e trabalho a menos, jobs for the boys... Aqui a culpa não é do raio...

 

Em Espanha, por exemplo, qualquer incêndio de amplitude significativa tem um Diretor, que é um técnico florestal experimentado na gestão da floresta e do fogo. Esse perfil profissional, também iniciado em Portugal mas adotado de forma distinta, é pouco solicitado, conduzindo a que as operações de combate a incêndios tenham um carácter estritamente quantitativo, em redor da mobilização de homens, viaturas, aviões ou helicópteros, apimentados com os relatos artificialmente empolados da responsabilidade de alguns órgãos da comunicação social. (págs. 8 e 9)

 

Temos o meios e os profissionais, mas provavelmente, estes não terão os amigos certo. O perigoso poder dos media a ser apontado como influenciador na tomada de decisões. Não vi isto em nenhum website noticioso.

  

Recorde-se, desde logo, que a autoridade florestal nacional mudou seis vezes de figurino institucional nos últimos vinte anos. Para uma instituição que se manteve estável durante mais de um século, nada de bom haveria a esperar desta evolução tortuosa. (pág. 9)

 

Responsáveis políticos desta e de outras épocas?

 

A área de faixas de gestão de combustível, incluídas nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, dos 11 municípios afetados pelos incêndios de Pedrogão Grande e Góis, atingem a extensão de 31 712,09 ha. No período de 2012 a 2017, apenas foram executados cerca de 19%, de acordo com a informação cartográfica recolhida. O maior constrangimento apontado foi a falta de cumprimento da legislação ao nível das faixas de rede secundária (50 m em volta das edificações, 10 m para cada lado da rede viária e 100 m à volta dos aglomerafos populacionais), comprometendo transversalmente proprietários privados e as entidades gestoras das infraestruturas públicas e privadas. (pág. 12)

 

Os Presidentes de Câmara e outros que se fizeram de vítimas durante todo este processo, onde estão para responder a esta questão? Podem responder agora, que as autárquicas já foram e a demagogia já não é necessária.

 

As condições atmosféricas então vigentes determinaram no dia 16 de junho um alerta especial de perigo de incêndio florestal em nível Amarelo para todo o território por parte do CNOS. Estava- se ainda na fase Bravo (15 de maio a 30 de junho) e não tinha sido tomada decisão alguma para eventualmente antecipar a fase Charlie (normalmente de 1 de julho a 30 de setembro). Face às condições instaladas e previstas, a avaliação que deve ser feita relativamente à prontidão das atividades de pré-supressão de incêndios é francamente negativa, uma vez que:

  •  Os postos de vigia para deteção de incêndios mais próximos da ocorrência de Pedrógão Grande não estavam ainda ativos;

  •  não havia vigilância móvel armada nem pré-posicionamento de meios de combate em local estratégico, à exceção dos sapadores florestais.

    Nesta situação, e perante os avisos e alertas meteorológicos, estavam criadas as condições para que um eventual incêndio florestal se desenvolvesse, explorando as condições físicas, meteorológicas e de insuficiente prontidão das forças de proteção civil. A antecipação da fase crítica do DECIF poderia ter permitido a deteção mais precoce dos fogos nascentes e certamente teria tido implicações nos resultados do combate aos incêndios.

    É manifesta a rigidez dos procedimentos e recursos disponíveis para a pré-supressão e supressão a incêndios em Portugal, indicando deficiências na perceção do risco e impedindo uma resposta efetiva à evolução temporal do potencial de incêndios ao longo do ano. Note-se que Portugal não dispõe de operacionais especializados em meteorologia aplicada a incêndios, com acompanhamento permanente (em tempo real) das condições e dos incêndios ativos.

 

Negligência atroz de todos os responsáveis por esta área, inclusive políticos! O que estes palavras nos dizem é que existia conhecimento da situação de gravidade e nada foi feito... Quem é/são os responsáveis? As lágrimas no dia da(s) tragédia(s) foram somente o choro de criminosos que ficaram cara-a-cara com os estragos do crime. Este facto é de uma gravidade extrema!

 

Continua...

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Fonte de Imagem: Associated Press

 

De resto, nós não podemos afirmar a inocência de ninguém, ao passo que podemos afirmar com segurança a culpabilidade de todos.

Albert Camus, in a Queda

 

 

São oito horas da manhã, acabo de chegar ao carro depois de um passeio pela praia com o meu cão, ligo o rádio e escuto: 43 mortos e 59 feridos no incêndio de Pedrógão Grande (última actualização a 21/06: 64 mortos e mais de 179 feridos + 25 em Góis)! Muitos dos mortos morreram ao tentar fugir das chamas dentro das viaturas!

 

Não sei o que dizer! Por muito que tenha um Primeiro Ministro que, perante a ausência de uma equipa de comunicação não consiga ter um discurso à altura; por muito que tenha um presidente de afectos e do povo (mas sem perder o discurso burilado) que, sem informação concreta e sempre na busca de protagonismo, tem como primeira abordagem dizer que a culpa é do tempo; por muito que tenha um presidente da Liga de Bombeiros que ocupa uma “centena” de cargos neste país e salienta que é a natureza revoltada a causa de tantas mortes, só me apraz dizer: VERGONHA!

 

Vergonha de todos os anos ser a mesma coisa! Vergonha de ir constantemente a Espanha e, quando o tema são os incêndios, indagarem como é possível num país como o nosso! Estar em Plasencia, local árido e debaixo de 43 graus e me dizerem que não têm medo dos incêndios mas sim daqueles que podem chegar do outro lado da fronteira! Vergonha de ouvir promessas, de ver o meu povo a entrar em depressão porque não tem lugar para colocar a toalha na praia ao invés de exigir mais àqueles que nos governam! Vergonha de ver um lobby de indústrias e de associações (incluo aqui muitas corporações de bombeiros e outras associações de cariz solidário) a continuar a facturar com a miséria daqueles que vêm os seus bens ou as suas vidas destruídas pelos incêndios! Ver a total displicência dos altos cargos da nação visivelmente comprometidos e numa posição de “sacudir água do capote”, do seu e de outros! Vergonha de ver os mesmos oportunistas de sempre a pedirem donativos para as vítimas dos incêndios (não darei um euro)! Vergonha de não existir uma clara aposta na prevenção! Vergonha pela ausência de meios! Vergonha por ver helicópteros e aviões parados por falta de milhares para a manutenção, quando as frotas de viaturas de luxo do Estado são renovadas constantemente e até se pagam subsídios mensais de €40.00 a motoristas para lavarem as mesmas (e ai de quem ousar retirar tal subsídio). Vergonha de ver alguém (sem formação sequer na área) arrecadar €15.000 para “estudar” a compra de uma viatura táctica de combate a incêndios que custa pouco mais que esse valor! Vergonha de ver reinar uma sensação de impunidade e o compadrio provinciano ao qual também estão sujeitas entidades da protecção civil! Vergonha de ver um povo que se revolta mais se o país vizinho levanta um processo a um jogador de futebol por fuga aos impostos e até aplaude a corrupção em muitas áreas (com a célebre desculpa do “se não for assim”) e não é capaz de pedir mais ou assumir uma posição em relação aos destinos do seu país, sobretudo quando está em chamas! 

 

Onde estão os pais que tanto apregoam amar os filhos mas não se preocupam com as gerações futuras? Onde estão as acções concretas para mudar o rumo das coisas? Onde estão os cidadãos? Partilhar a “porcaria” de lamentos e cruzes nas redes sociais não muda a situação! Torna-vos (na vossa cabeça) mais aceites pelos outros, mas é só isso! Porque é que entre os países do sul da Europa, Portugal é o único a ver a sua área florestal a decrescer (30%!!!)? E a questão do corpo de guardas florestais? Porque é que só se fala de incêndios no Verão? Porque temos sempre a sensação de que a abertura da "Época de Incêncios" é uma espécie de "vamos lá que isto agora é que vai ser"?

 

Já chega! É preciso dizer basta!

 

Onde estão cumpridas as promessas do ano passado, feitas à pressa e com tanta pompa e circunstância (e com o país em chamas) por parte de Primeiro Ministro e Presidente da República? Não chegam sorrisos e afectos! Num mundo onde os sorrisos e as palavras soltas valem mais que acções concretas, temos de começar a pensar nos riscos e nos prejuízos da inoperância prática! Ignorarmos os factos e focarmo-nos na autopromoção e no discurso elaborado, sobretudo nesta temática, está a destruir o país! Onde estão os resultados? As coisas não acontecem com demagogia e afectos, bem como o mundo não avança com selfies! Se tivermos noção que aqueles que devem fazer algo o estão a fazer, passamos bem sem abraços e beijinhos!... Ou talvez a nossa preferência se fique efectivamente pelo folclore digno de filmes satíricos balcânicos.

 

Não digam também, às famílias daqueles que morreram que a culpa é do tempo, quando a ausência de trabalho e prevenção são notórias. Até poderão ter sido as condições meteorológicas, mas todos os anos? Tenham a vergonha de nem sequer aparecer junto dessas famílias! Não são discursos dignos de eucaristia a horas de telejornal que mudam as coisas! A responsabilidade de termos um país mais dia menos dia, transformado em carvão é vossa!

 

Eu tenho vergonha... Porque a culpa também é minha! Porque os culpados somos todos nós! À data, sinto que também sou responsável pela morte deste número de pessoas e isso envergonha-me!

 

 

 

 

Ainda a digerir esta situação, este espaço vai estar parado durante os próximos dias... Até porque o ano passado disse convictamente que uma desgraça muito, mas muito grande um dia iria acontecer a propósito do nosso “desprezo” pela questão dos incêndios... 

 

Últimas notas: a todos os que lutam contra a chamas com sentido patriótico enquanto, muitas vezes, outros sem qualquer preparação os empurram para o inferno, as minhas palavras de profunda ADMIRAÇÃO! Já escrevi sobre isto aqui. Lutemos! Agora, de facto, é o melhor a fazer.

 

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