Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Da Tua Ressurreição...

por Robinson Kanes, em 31.03.18

IMG_2652.jpg

Fonte da Imagem: Própria - Exposição "Steve McCurry Icons" - Castello Visconteo - Pavia

 

Autoria da Foto: Steve Mcurry 

 

 

Por todo o lado celebram a tua crucificação e a tua ressureição... Uns vagueiam pela rua, seguindo a tua cruz e simulando os teus passos, já outros aproveitam para passar férias e outros para fazer negócio, quais mercadores do templo. Muitos nem prestam atenção àquilo que apregoas, mas nada como apreciar a pausa - por lazer ou dinheiro, quem é que não se converte?

 

Dizem por aí que morreste por nós, que foste parar a essa cruz porque simplesmente estava aí a salvação do mundo, a salvação dos homens - como se o centro do universo fossem os homens. Sei, com efeito, que agora não é fácil voltar e dizer que o teu pai criou o Universo e... A Terra é o centro do mesmo e à volta do qual tudo gira. Deixa-me também lembrar-te que ao longo da história foram muitos aqueles que morreram "crucificados" e cuja morte acabou por desencadear a morte de muitos inocentes, o teu exemplo não foi diferente. Achas que esses tiveram livre-arbítrio?

 

Em mais de 2000 anos a tua morte ainda não mudou a história do mundo, mas deixa-me dizer-te que tens um público paciente - se eu disser que amanhã entrego um relatório e não o faço, podes crer que alguém me vai pedir explicações! 2018 anos para fazer obra... Nem em Portugal encontra paralelo, mas porque demoras? Por todo o lado andam muitos a dizer que são os teus enviados, os eleitos para espalhar a tua palavra, mas olhando para o passado e para o presente, sou levado a acreditar que os teus discípulos, principalmente Pedro, estavam ébrios ou agarrados ao telemóvel aquando da famosa ceia em que meteste o Iscariotes entre a espada e a parede. Ninguém entendeu a tua mensagem, nem mesmo quando carregavas a cruz... Olha que nem aí seguem o teu exemplo, pedem a outros que a carreguem, que isto de carregar a cruz não é para gente de batina. O pior de tudo é que ainda se julgam Caifás...

 

Vais ressuscitar, mesmo que já o tenhas feito tantas vezes contra a ciência, contra os filósofos e contra todos aqueles que te negam... Mais um ano em que vais ressuscitar enquanto sabujamente comemos borrego ou cabrito como se não houvesse amanhã. 2018 anos é tempo de sobra para te exigir mais, afinal, tens noção que és o político que tem levado mais tempo a cumprir as promessas?

 

Ao ressuscitares este ano, lembra-te da Síria, lembra-te do cemitério do Mediterrâneo, lembra-te do Sudão e de todos aqueles países em conflito mas que, comercialmente e consequentemente mediáticamente não têm interesse para nós e para aqueles cujo escapulário te presta homenagem. Ao ressuscitares este ano, lembra-te de dizeres ao Homem que na tua ausência, esse mesmo Homem não foi capaz de se governar. Será que tu, Homem que disseste ser, te revês nas palavras de Camus e não fizeste mais que inventar Deus para não te matares? Será que ao caminhares alegremente para cruz não deixaste de acreditar no teu pai, quando descobriste que esse Deus não existia?

 

Ressuscita e dá uma volta por aí... Não te levo a mal se ao fim de 5 minutos te fechares novamente no Santo Sepúlcro e deixares uma mensagem a pedir para não celebrarem mais a tua ressureição.

 

Feliz Páscoa...

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

5aba67c4fc7e9322118b456a.jpg

 Fonte da Imagem: https://www.rt.com/news/422490-may-kemerovo-putin-condolences/

 

 

Recentemente, o incêndio num centro comercial na Sibéria fez as aberturas dos telejornais e ilustrou capas de jornais e outros meios de comunicação na Europa – pelo menos, em três países tive oportunidade de me deparar com isso. Tentei procurar em Portugal, mas de facto o futebol, a chuva miúda ou o vestido da festa de algum indivíduo sem interesse para os destinos do país, tem um peso enorme que apaga qualquer outra notícia.

 

Mas não é por aqui que vou, pelo que, acabo por fazer a comparação com a tragédia dos incêndios. Na Rússia, esse país de gente fria, sobretudo face a nós, calorosos portugueses, tive oportunidade de assistir ao choque das pessoas, às lágrimas do cidadão comum e à partilha da dor nas ruas. Vi o foco nas pessoas e não em políticos ou nas chamadas “figuras públicas”, vi a importância do tempo de sofrimento, daquele espaço que é necessário para chorar, para sentir o choque, afinal... para sofrer, por muito que nos custe admitir. Tal, contudo, não invalidou as criticas à actuação deste ou daquelo indivíduo ou instituição, no entanto, esse tempo é respeitado. Algumas destas imagens foram transmitidas pela Russian Today, uma televisão a comando do Kremlin e de Putin, mas que teve o cuidado de deixar que o luto fosse visível, sem show off.

 

Outra coisa que não vi (e até tenho seguido os desenvolvimentos) foi o foco nos concertos solidários e nas acções solidárias e com forte mediatização! Vi as pessoas a chorarem, a sentirem a dor e a partilhar algo que temos de sentir, viver e obviamente ultrapassar, mas tudo a seu tempo, sob pena de não vivermos o luto, seja ele qual for.

 

Fogos florestais também não têm comparação com incêndios urbanos, no entanto, imediatamente foram detidas 5 pessoas para averiguação – não estou com estas palavras a defender a rápida punição ou julgamentos sumários de eventuais culpados mas, pelo menos, procurar os responsáveis e começar a agir. Em Portugal ainda andamos à procura dos culpados e já estamos quase a um ano da data em que muitos morreram em Pedrogão. Afectos e palavras são interessantes mas em alguns países são precisas acções no terreno sob pena de ter um povo enfurecido e na rua a pedir justiça - na Rússia não se fizeram concertos solidários nem imagens para as câmaras de televisão, pediu-se justiça!

 

Defendo que em situações de gravidade, dispensam-se as palavras e avança-se com as soluções sem criar “grupos de trabalho”, no entanto, com corpos ainda na morgue ou no local da tragédias, admito que me custa encarar o mediatismo da suposta solidariedade e o espectáculo em torno da tragédia, onde é importante estar porque... Simplesmente se está...

 

Quando o luto não é feito, quando a tragédia não é enfrentada, quando não vemos as acções e camuflamos a ausência de tudo isso com “espectáculo”, corremos o risco de desresponsabilizar quem o deve ser e podemos estar a ocultar a realidade.

 

Associarmo-nos a tragédias, em Portugal e não só, é “fixe”, mas na realidade... Mais fixe é gerir a situação em si e acima de tudo exigir Justiça! Isso não nos traz visibilidade, mas faz de nós seres-humanos que dizem viver em Democracia.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Em Abril Feriados Mil!

por Robinson Kanes, em 04.05.17

Untitled.png

 

Hilaire-Germain-Edgar Degas, Cena na Praia (National Gallery)

Fonte da Imagem: Própria

 

Terei sido só eu, ou foram mais alguns que sentiram que no mês de Abril o país parou? Aliás, continua parado pelo menos até ao final da primeira quinzena de Maio, que começou com um feriado logo no dia 1 e uma espécie de feriado (para privilegiados) no dia 13.

 

A sensação com que fiquei, foi de que em Abril, salvo em algumas áreas, o país esteve completamente a meio-gás. Seria interessante ver o lado positivo - para o turismo e restauração foi bom com toda a certeza - mas também o lado negativo... até porque o Verão, na cabeça de muitos, já está aí e....

 

O problema, em meu entender, não residiu na questão de existirem vários feriados. Parece-me que a grande questão está relacionada com o facto de, em Portugal, sempre que existe um feriado (especialmente se for entre uma segunda-feira e uma sexta-feira) toda a semana que antecede ou que segue a esse mesmo feriado fica condicionada. Uma espécie de long-term happy friday.

 

Dou um exemplo: quantas vezes não ouvimos “para a semana vai ser difícil fazer isso", ou "agendar uma reunião por causa do feriado, já sabe como é”. Ao que sei, o feriado é apenas de um dia, mas na mente de muito boa gente, o contágio é tal que a semana se transforma toda ela numa espécie de feriado. Nesse campo, Abril foi um mês atípico! Foi a antevisão da Páscoa, com as férias e com a Páscoa propriamente dita, foi a ponte e o feriado do 25 de Abril, foi o fim de semana prolongado do 1 de Maio e vai ser a visita do Papa!

 

O problema é que Julho e Agosto estão aí e não é de todo incomum ouvirmos dizer em Junho, “isso agora só lá para Setembro, depois das férias”, isto sem esquecer os feriados desse mês de Junho!

 

A isto junta-se a dificuldade do regresso. Parece que o regresso ao trabalho arranca tão devagar que o dia seguinte ao feriado é revestido de uma espécie de long-term blue monday. Quem nunca se debateu por reparar que à segunda-feira, por exemplo, é por vezes, impossível conseguir que alguém faça alguma coisa? É um arrastar de zombies à procura de se alimentarem da carne e do sangue do fim do dia.

 

Mais interessante ainda, é quando não temos/aproveitamos tolerâncias de ponto, não gozamos férias nesses dias, trabalhamos mais, ou vemos o nosso trabalho parado, porque muitos estão de “férias” e aquando da chegada dos mesmos após esse período somos olhados de lado porque... vamos descansar... um pouco o síndrome de quem trabalha no Verão (muitas vezes a fazer o trabalho dos colegas) e quando vai de férias em Setembro ou Outubro é olhado de soslaio ou então ainda ouve um “outra vez de férias, rica vida!”.

 

Honestamente, não sei até que ponto é que não estamos também a dar feriado e descanso à nossa economia... e à sustentabilidade das nossas vidas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Boa Páscoa e Esqueçam as Cruzes!

por Robinson Kanes, em 13.04.17

Untitled.png

Michelangelo Merisi da Caravaggio, A Deposição de Cristo (Museus do Vaticano)
Fonte da Imagem: Própria

 

Pois é, católicos e não católicos e... católicos não praticantes que é a mesma coisa que não católicos mas com o lado bom de ser católico quando dá jeito, especialmente nos feriados.

 

Vem aí a Páscoa e, embora não vá muito à Igreja, confesso que esta época vale sobretudo pelo facto de podermos reflectir e estar com a família ou com aqueles de quem gostamos. Também tendo a pensar no crucificado que nasceu há 2017 anos e nos insistem em dizer que morreu por nós. Se morreu por nós não deve ter servido de muito, até porque o que não falta são cruzes por ocupar e outras tantas que foram sendo ocupadas. 

 

Mas a Páscoa é sobretudo isso e, embora não esteja por terras portuguesas, devo dizer que pode ser um tempo para telefornarmos àquelas pessoas de quem gostamos ou que já nem telefonamos há séculos... eu sei que isso se faz no Natal, mas... porque não na Páscoa? Será porque nesta época não se dão presentes ou porque aquela mensagem não tem impacte:

 

 

 A família Martins deseja a todos os seus amigos uma santa e feliz Páscoa, pois estamos sempre a pensar em vocês, mas só conseguimos comunicar convosco quando aproveitamos a mensagem de felicidades da mãe do Carlos e direccionamos para todos os contactos. Que continuem a ter um bom ano, no Natal, como vossos amigos que somos voltaremos ao contacto.

 

Aproveitem a Páscoa como qualquer outra época, aproveitem-na e vivam-na intensamente. Não pensem tanto na cruz e pensem no modo como o crucificado se pôs a andar e ninguém deu por ele, aliás, até hoje não lhe encontraram o rasto... acredito que terá pensado, certamente, que tinha carregado a sua cruz e que cada qual agora que carregasse a sua - "já me tramasteis muito, mas a mim não me tramais mais".

 

Feliz Páscoa... e até segunda...

 

E a melhor banda sonora para a Páscoa não podia deixar de ser a obra-prima de J. S. Bach: "A Paixão Segundo S. Mateus", bem a propósito. Vale cada minuto das quase 3 horas de duração... mesmo para quem não gosta.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Mensagens

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog



subscrever feeds




Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB