Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A EGEAC pariu um Rato!

por Robinson Kanes, em 13.07.20

tumblr_ly1wo5ouy91qb8f0mo1_1280.jpg

Gustave Doré - A Assembleia dos Ratos 

Créditos: https://biblioklept.org/2015/07/02/the-council-of-rats-gustave-dore/

 

Aderir à mentira como se fosse verdade é decapitar-se

Rabindranath Tagore, in "A Casa e o Mundo"

 

De uma coisa o Museu do Aljube se pode orgulhar, representa bem a cultura do "uma coisa e o seu contrário", e nisso, somos de facto seres fantásticos que por terras lusas deambulamos.

 

Na verdade, um museu que ostenta as máximas da Liberdade, da Democracia e da Tolerância, escolhe para o mais alto cargo da instituição uma militante comunista que nem sabe (ou não quer ver a realidade, à semelhança da grande maioria dos militantes) o que é um Gulag. Esta é também a militante que defende convictamente um regime como a Coreia do Norte e outros entretanto em ruínas, como a ex-União Soviética. Estivessem vivos José Barreto Sacchetti ou Barbieri Cardoso e muito provavelmente seriam candidatos também ao lugar, ou então teríamos a abertura de um concurso internacional feito à medida de Erich Mielke ou até de Abdelaziz bin Humaid al Humain. Pedro Nuno Santos também poderia ser uma opção... Nada como um jovem bolchevique, com tiques capitalistas e capaz de um autoritarismo atroz, em suma, o típico político ascende porque sim.

 

Que a EGEAC tem um poder algo anormal em Lisboa e na própria estrutura camarária já não é novidade, mas desta vez, os favores políticos ultrapassaram todos os limites. Ou talvez não... A Câmara Municipal de Lisboa e as suas empresas municipais não são mais que uma agência de recrutamento para determinadas cores partidárias, um pouco à semelhança do que acontece em muitas outras autarquias e até organismos do Estado. Rita Rato, pertencente a uma organização equiparada pela União Europeia ao Partido Nacional Socialista (Nazis, portanto) surgiu porque está a passar pelo mesmo processo de um Adolfo Mesquita Nunes à direita, ou seja, a criação de uma figura para que no futuro daí possa sair um candidato a... Em política, o que parece é e ainda vamos ouvir falar desta senhora. Em tempos disse o mesmo em relação ao primeiro.

 

Todavia, o que leva uma instituição a abrir um concurso onde coloca requisitos que obrigatoriamente devem ser cumpridos, mas que os ignora na hora de escolher o candidato? Rita Rato, além de não ter formação em museologia, não tem qualquer experiência em dinamização de espaços e exposições. Que terão pensado dois dos últimos candidatos que foram à entrevista de fachada (e quem já se candidatou a cargos públicos sabe do que falo) e que também se sentiram "despachados" na mesma.

 

Não é que o Museu do Aljube seja de magna importância no panorama museológico nacional, mas é mais um claro exemplo da corrupção que grassa em Portugal sem que nada se faça perante as distracções paralelas que vão preenchendo a nossa praça. Este espaço, localizado em frente ao Centro de Estudos Judiciários (CEJ) pode ser agora alvo de visitas de estudo quando o tema for corrupção, é só atravessar a rua e sempre sai mais barato. Alguns desprezam esta forma de ver as coisas, os "menores" até lhe chamam "reinvindicaçõezinhas", os mesmos que só falam de liberdade e de direitos, estranho paradoxo... Autênticos laptop heroes camuflados de Robespierre, mas que no fundo não passam de acomodados com tiques de tirania.

 

De facto, todos aqueles que visitarem este museu (sustentado com dinheiro de todos nós), passarão a ter uma clara visão na primeira pessoa do que é a tirania e o totalitarismo e aí, com tal gestão, o museu está a cumprir aquilo para o qual foi criado. Viva a cultura! Viva a Liberdade, especialmente a minha!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Isto está a aquecer...

por Robinson Kanes, em 10.07.20

Polar-Bear-on-Iceberg.jpg

Créditos: https://lakeshoresolar.com/index.php/home-extended/polar-bear-on-iceberg/

 

O clima... Só podemos andar "apanhados do clima", de facto. Eu hipócrita me confesso, afinal ando de avião, tenho carros a gasóleo e não consigo ter uma pegada nula, esforço-me mas não é o suficiente.

 

Todavia, a realidade, por muito assustadora que se apresente, não parece estar a fazer-nos compreender que o futuro em termos de alterações climáticas não se avizinha risonho. Entendo que muitos ainda pensem que "isto já não vai ser no meu tempo", mas a verdade é que pode ser mesmo e se não for no tempo destes será no tempo dos adoráveis filhos concebidos na lógica da perpetuação dos genes. Como é que podemos ser solidários com o próximo se nem com aqueles que amamos o somos.

 

Junho foi um mês óptimo para fazer uma fogueira, afinal, desde que existem registos meteorológicos, nunca existiu ano mais quente (Fevereiro, Março e Abril foram os segundos). Se em Portugal nem terá sido dos piores e os incêndios também andaram doentes com Coronavírus, juntando-se ainda uma certa frustração pela perda de tempo de antena para a epidemia, a verdade é  que o assador esteve bem quente, sobretudo no Árctico. Não me enganei, falei mesmo do Árctico e foco também a Gronelândia. A título de curiosidade, se a Gronelândia, aquela pequena ilha em comparação com a Antárctida, derreter, o nível médio da água do mar irá subir 7 metros! Imaginem que calçamos o chinelo de enfiar no dedo, toalha da Coca-Cola e cadeira pirosa debaixo do braço e vamos à Costa da Caparica ou a Matosinhos e de repente... Só vemos a geleira carregada de cervejas e uvas a aterrar em Pegões.

 

Tudo isto para chegar ao ponto em que temos de nos preocupar seriamente com as consequências deste fenómeno e especialmente com o facto do mesmo suceder cada vez mais vezes e ainda com mais intensidade de ano para ano. Quem o diz é a NASA, a agência daquele país onde muitos associam aquecimento global a propaganda. Sugiro a quem ainda tiver dúvidas que invista 2 minutos do seu tempo com uma reportagem da Reuters filmada nos campos de arroz do Vietname e onde os trabalhadores que fazem a colheita deste cereal já só o podem fazer de noite! Estamos a falar de campos de arroz e não em recolha de cactos. 

 

Penso que ainda não temos real noção dos cataclismos que todos estes fenómenos podem causar e com impactos em tudo aquilo que possamos imaginar, nomeadamente em relação ao ambiente, às pessoas e às sociedades, mas também em relação à economia. A epidemia de COVID-19 já nos mostrou como algo, à partida tão vulnerável, pode destruir a economia mundial e por arrasto muitas outras áreas. 

 

2020 tem tudo para ser o ano mais quente de sempre, mas voltemos ao Árctico: no dia 20 de Junho e em Verkhoyansk (Sibéria/Rússia) iremos encontrar temperaturas de uns assustadores 38º centígrados que, associados aos dados do Copernicus Climate Change Service (C3S*) revelam, até à data, um ano negro para a o Globo.

era_t2m_Arctic_Siberia_time_series_June_1900_scale

 

Entendo que se lance o medo global (ou se tente) por causa de um infectado com "peste negra" (como se a mesma não estivesse já controlada) mas não estará na altura de lançar o "pânico" também em relação ao clima? Se não chega, juntemos o permafrost do Árctico que está a derreter e cujas consequências são apenas o desaparecimento de cidades inteiras que estão sob o mesmo e a libertação para a atmosfera de uma quantidade astronómica de gases que provocam efeito-estufa, nomeadamente dióxido de carbono e metano.

pasted image 0.png

Fonte:  NASA: The 1980-2015 seasonal cycle anomaly in MERRA2 along with the 95% uncertainties on the estimate of the mean.

E porque não ter em conta algo que nos é tão próximo nestes tempos que vivemos e encarar que um perigo maior poderá estar à nossa espera, pois o permafrost armazena bactérias e vírus que não conhecemos e que podem ser letais para homens e animais.

 

Finalmente, e porque é importante falar em números, por muito que queiramos  ignorar os mesmos, e tomando apenas como exemplo os Estados Unidos, segundo o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), só nos primeiros seis meses deste ano, 10 desastres climáticos provocaram um prejuízo de 10 biliões de dólares! Argumentar que financeiramente é difícil fazer algo, não pode servir de desculpa sob pena de que as perdas superem os dividendos em larga escala.

Billion $ 1120 x 534_v2 (1).png

Fonte: NOAA: Assessing the U.S Climate in June 2020

 

É tempo da economia e dos nossos comportamentos começarem a ser mais eco-friendly e também estarmos dispostos, como consumidores, a procurar os produtos oriundos de produtores e/ou vendedores ambientalmente e socialmente responsáveis. Não chegam as palavras, são precisas acções, porque ao contrário dos humanos, a Natureza não se deixa convencer tão facilmente.

 

P.S.: também a Ucrânia tem sido fustigada, desde segunda-feira, dia 6 de Julho, por vários incêndios (sim, a Ucrânia) e que já mataram 5 pessoas, colocando no hospital cerca de 30 à data da publicação deste artigo. Incêndios deste género já têm existido desde Abril e até ameaçaram Chernobyl...

Autoria e outros dados (tags, etc)

O que aprendi nos últimos seis meses...

Por MJP...

por Robinson Kanes, em 09.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: Amarjeet Kumar Singh/SOPA Images/Lightrocket via Getty Images - https://www.sciencemag.org/news/2020/05/doctors-race-understand-rare-inflammatory-condition-associated-coronavirus-young-people  (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

O que aprendi nos últimos seis meses…

Quando recebi o generoso convite do R., que muito me honra e agradeço, para reflectir sobre o que aprendi nos últimos seis meses, pensei que seria uma boa oportunidade de colocar em palavras escritas o que me vai no pensamento.

 

E, assim, de repente  (ou talvez não!), já passou metade de 2020... um ano diferente... arriscaria, mesmo, dizer que este será, muito provavelmente, o ano mais atípico que a maioria de nós já experienciou...

Fomos brindados com acontecimentos inesperados  (inimagináveis)  que abalaram, algumas das nossas certezas...

No início do ano, creio que poucos pensariam que este vírus chegaria à Europa... à medida que o tempo foi decorrendo e as imagens do desespero  (e da morte), que chegavam de Itália e de Espanha,  invadiam os nossos ecrãs, fomo-nos dando conta que isto era "real"... que o"nosso dia" haveria de chegar... era inevitável a chegada do vírus a Portugal... muitos de nós, conhecedores das fragilidades do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) - onde eu me incluo - temeram o pior...

Entretanto, ocorreu o proclamado “milagre Português”, que redundou no cenário que, actualmente, experienciamos…

 

A verdade é que depois de muito pensar, não creio que tenha aprendido nada de novo nestes últimos seis meses (decorrente da Pandemia) … mas, a verdade é que, constatei muitas coisas que já sabia, nomeadamente:

 

- O Ser Humano é muito vulnerável e controla muito pouco (ou nada) à sua volta, ao contrário do que muitos pensam;

- O Bem comum deverá sobrepor-se à (minha) vontade individual, ainda que, signifique ter de abdicar da Minha Liberdade de circulação, que tanto prezo;

- Nada é garantido, de um momento para o outro tudo pode mudar “sem aviso prévio” e, por isso, devemos aproveitar o melhor possível o momento presente e não adiar aquilo que consideramos importante;

- O que se torna essencial, em momentos de crise, são as relações de qualidade que estabelecemos com as nossas pessoas e que se revelam à prova de qualquer distanciamento físico;

- A Saúde Mental (tão estigmatizada e desvalorizada) é muito mais frágil (e difícil de manter, sobretudo, em confinamento) do que a Saúde Física;

- As crises não tornam os indivíduos “melhores Pessoas”, apenas evidenciam as suas características mais marcantes, ou seja, tornam-nos mais refinados;

- O Mundo não é cor-de-rosa, não somos todos amigos e não vai ficar tudo bem para todos;

- O Mundo é um lugar repleto de desigualdades, que se evidenciam e acentuam em momentos de crise;

- Há sempre quem esteja pronto a lucrar com a tragédia alheia;

- A memória é curta e os erros cometidos são facilmente repetíveis;

- Há muita gente que não saber viver em sociedade, adoptando comportamentos de risco que fazem perigar a saúde alheia;

- Os profissionais de saúde apenas são reconhecidos e valorizados pelo seu trabalho quando uma crise sanitária se instala e ninguém deseja morrer por ausência de cuidados de saúde!!!  

MJP

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estónia: estar à frente é isto...

por Robinson Kanes, em 08.07.20

educational-technology-in-estonia-1-638.jpg

Créditos: https://pt.slideshare.net/MerlinLinde/educational-technology-in-estonia?smtNoRedir=1

 

Creating a new country from scratch has given Estonia the license to imagine what a country could be. 

Taavet Hinrikus, in "National borders - a thing of the past?"

 

 

No país onde ter um vasto conjunto de shared-services e call-centers é sinónimo de vanguarda tecnológica, temos de ter em conta que não é isso que, ao contrário do discurso, nos coloca nos primeiros lugares, ou pelo menos em lugares mais aprazíveis. Reconheço que, em comparação com países bem mais desenvolvidos que Portugal, não temos as facilidades tecnológicas do nosso país e também reconheço que shared-services e call-centers, não deixem de ser uma mais-valia desde que não assentes apenas em mão-de-obra barata e altamente qualificada.

 

Enquanto muitos só agora despertaram para a necessidade de olhar para o futuro e para os desafios que o mesmo nos coloca (uns despertaram, colocaram os habituais posts no LinkedIn e fizeram artigos de revista mas já se esqueceram) existem outros que, entrando na corrida do desenvolvimento de forma mais tardia, já dão passos de gigante e que inclusive lhes permitem suportar com maior presteza os desafios "impostos" pelo surto pandémico de COVID-19.

 

Na Estónia, encontramos uma total automatização (e que funciona, não é só ter) dos registos de saúde e a "e-prescrição" que em tempos de pandemia foi fundamental para o combate à mesma, sem esquecer de mencionar que a tecnologia Blockchain já é uma realidade, sobretudo nesta área. Destaco o "e-ambulance", um sistema que detecta a posição de uma chamada de emergência alocando a mesma para a ambulância mais próxima, isto enquanto o médico que aguarda no  hospital ou se dirige para o local da ocorrência pode ir consultando o tipo de sangue, alergias, tratamentos recentes, medicação e um sem outro número de informações pertinentes.

 

É na Estónia que também o "GoSwift", um sistema de gestão de transportes, do tráfego e de fronteiras, permite um enorme controlo de custos e poupança de tempo com reais impactos na vida das pessoas, nas deslocações para o trabalho e obviamente em toda a cadeia logística. 

 

A assinatura electrónica e os selos digitais são também uma realidade, aliás, este país foi pioneiro no uso da identidade digital. Também os chamados online meetings já eram uma realidade antes da pandemia e com a mesma não se assistiu a uma euforia de muitos indivíduos como se de crianças com novo brinquedo se tratassem. Enquanto uns cá se gabavam, sobretudo no Linkedin de estarem muito à frente, e passo a expressão, imagino que outros se ririam e muito de tal gabarolice.

 

Finalmente, e porque a lista seria longa (e a ela voltarei), destaco dois pontos que para mim são uma grande mais-valia quando queremos fazer as coisas e deixar a propaganda de lado:

 

- Durante o lockdown, o Governo da Estónia opromoveu um hackathon online para que qualquer indivíduo colocasse os seus problemas/desafios relacionados com a pandemia. Automaticamente, a plataforma fazia/dfaz o match com voluntários dispostos a ajudar e a encontrar uma solução. Porque é importante? É querer resolver os problemas, é querer criar empowerment na população, é desenvolver um espírito de inter-ajuda e de comunidade, é colocar as pessoas no centro da informação e torná-las também autónomas. É tirar o melhor partido de todos e com todos e não sonegar informação e competências que erradamente nos querem fazer pensar que só meia-dúzia de iluminados conseguem atingir.

 

- Deixo este mote que pode ser encontrado no portal e-Estonia: "o sonho estónio é ter o menos de Estado possível, contundo o Estado necessário". Em relação a isto, não preciso de escrever muito mais, por muito que choque os iluminados que falei acima e os acomodados.

 

Terminando, e segundo os dados do "World Economic Forum", Portugal não está na vanguarda em termos de empreendedorismo ao contrário do que, mais uma vez se tenta vender. Porque empreendedorismo não é só criar empresas porque sim ou sem qualquer viabilidade económica no longo prazo.

large_MWV-iNQo1UpGF2MZlFkQIjNqikFy18P6d7fmwJojXs8.

O "top ten" é ocupado por vários outros países e onde, se ligarmos (e sou eu a afirmar, sem todos os dados na minha posse) o sucesso no combate à pandemia com a dinâmica empreendedora, tecnológica e de empowerment da sociedade, temos uma relação claramente vencedora. Temos aqui países saídos recentemente do bloco soviético e bem mais pequenos que Portugal, quase todos. É com estes que temos de nos comparar, mas preferimos falar e discursar para as televisões e ignorar estes actores por razões óbvias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dizem que a sardinha está de morrer...

por Robinson Kanes, em 07.07.20

p1240985.jpg

Créditos: https://100anos100arvores.wordpress.com/tag/fernando-medina/

 

É o que dizem, no habitual espaço de terça-feira no SardinhaSemlata... Vão lá comer uma, basta ir por aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ciao Genio!

por Robinson Kanes, em 06.07.20

unnamed.jpg

Créditos: http://www.enniomorricone.org/

Quem por aqui nos segue, sabe que não preciso de dizer mais nada... Hoje morreu um familiar bem próximo...

Autoria e outros dados (tags, etc)

All means All - TODOS são mesmo TODOS!

por Robinson Kanes, em 03.07.20

Cartoon-1-All-means-all-colours-768x543.jpg

Créditos: https://gem-report-2020.unesco.org/poll/

 

Que a inteligência cheire mal, mas não mais que a estupidez.

Vergílio Ferreira, in o "Existencialismo é um Humanismo"

 

 

Existem os hypes e existem as realidades, os primeiros são impingidos e mediáticos, os segundos... Os  segundos são isso mesmo, a realidade - ambos legítimos, mas com análises diferentes. Falamos de racismo, é só um exemplo, como se fosse num sentido único (brancos contra pretos) mas nunca questionamos a génese de determinados comportamentos que começa com a educação ou falta dela, e é ao encontro dessa génese que chegamos a mais uma conclusão: só menos de 10% dos países têm leis que asseguram uma completa inclusão pela educação (UNESCO - "Global Education Monitoring Report: Inclusion and Education 2020"). 

 

Todos temos conhecimento, ou deveríamos ter, que a exclusão não se deve somente a factores raciais ou de género, mas também de pobreza, geografia, idade, deficiência, linguagem, religião, crenças e atitudes, só para citar alguns exemplos. Com a COVID-19 assistimos ao acentuar destas situações sobretudo em meios que já enfrentavam desafios na educação e ensino de indivíduos mais vulneráveis às lacunas do sistema.

 

Segundo a UNESCO, são 258 milhões de crianças e jovens que estão completamente excluídos nesse acesso, sendo que o factor principal dessa exclusão é mesmo a pobreza. 258 milhões que estão nas estatísticas e sabemos como a margem de erro, infelizmente nestes estudos, peca sempre por ser para cima. Um exemplo de uma verdade cruel é o facto de que, em cerca de 20 países do mundo, uma jovem que complete os estudos secundários ser um case study, tal a raridade de casos. 

 

A realidade mostra-nos também que uma grande maioria de países ainda pratica a segregação educacional com severos impactos em termos de discriminação e usando a tradução à letra do inglês, uma quase alienação dos indivíduos. A realidade mostra-nos que ainda existem países (2) que não autorizam que jovens grávidas frequentem as escolas, que existem países (117!!!) que permitem casamentos entre crianças e que nessa mesma realidade ainda temos países (20) que não rectificaram as emanações da 138º Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e que estabelece as premissas "Sobre a Idade Mínima de Admissão ao Emprego".

 

E neste somatório de coisas boas, nem os mais desenvolvidos escapam. Dentro dos países da Organização para a Coperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), dois terços dos alunos com um background migratório frequentam escolas ondes são 50% da população estudantil, em termos de inclusão sabemos o que isto significa. Em Portugal isto também acontece, sobretudo em termos de turmas que servem de depósito de imigrantes.

 

As exclusões são mais que muitas e em alguns casos, a realidade mostra-nos que 335 milhões de raparigas frequentam escolas que não lhes garantem as condições minímas de sanidade e higiene que lhes permitam frequentar as aulas durante a menstruação. Sim, a menstruação gera exclusão...

 

Para o fim deixo uma  questão que provavelmente não passa pela cabeça de muitos e que contribui para uma das situações já relatadas, a alienação dos alunos. São muitos os indivíduos que estão excluídos dos materiais de ensino, da História, das ciências e com isso acabam por sentir que chegaram a outro planeta e estão em campos de reeducação para se adaptarem a um novo mundo. Em alguns casos, esta prática é realizada em países cujas lideranças se esforçam em varrer a História, mas não só.

 

No entanto, também muitas boas iniciativas estão a ser realizadas e para isso, nada como visitar o "Profiles Enhancing Education Reviews (PEER)". É aí que vamos de descobrir que em algumas regiões da India já são incluídas línguas tribais nos programas, que no Quénia as aulas são ajustadas ao calendário dos povos nómadas (esta é qualquer coisa...) e na Austrália, 19% dos alunos não se adaptam apenas à escola, também é a escola que se adapta às suas necessidades e desta união tira o melhor partido destes.

 

Infelizmente, por cá, vejo os professores da velha guarda (do básico ao superior) avessos à inovação, em pânico porque as coisas e o mundo mudam, com preocupações meramente administrativas, salariais e em alguns casos de demais expedientes e status. Apesar de tudo, não somos os piores, mas também não somos os melhores.

 

Podemos fazer mais alguma coisa ao invés de debitar palavras? Podemos, pouco que seja é possível e até podemos começar por aqui em ALL means ALL. Se queremos ser "virais", vamos arriscar com esta campanha, não dá likes mas pode mudar o Mundo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O que aprendi nos últimos seis meses...

Por menina-mulher.

por Robinson Kanes, em 02.07.20

be68076629107c4fe0814e3187f3a227-1000.jpgCréditos: https://www.wallpaperup.com/528753/mood_sensual_fashion_beauty_beautiful_girl_face_cute_attractive_lovely_woman_female_model.html ( (imagem da exclusiva responsabilidade do autor do espaço)

 

 

Começo com um paradoxo: tenho tentado não pensar demais, passando o dia a pensar – especialmente nos últimos seis meses. Por isso este convite foi um desafio, mas um dos bons, que como vão ver, a seguir, acabou a fazer-me sorrir.

 

Admito que desde dezembro (daí os seis meses) estava atenta às notícias do Oriente, mas, na minha inocência de pessoa pouco ligada às Ciências, acreditava que íamos passar “só” por uma “sequela” do SARS 1, ou seja, volta e meia ouvir falar da nova gripe nos noticiários, quase como um fait-divers, mas a achar que a sua representatividade no nosso “cantinho à beira mar plantado” ia ser mínima.

 

Chega março e percebi... pânico, particularmente em quem me rodeia, ou não seja eu irmã de uma pessoa em imunodepressão e que está dependente de medicações e tratamentos diários. No “nosso umbigo familiar”, o que primeiro percebemos é que a (agora nova) Covid-19 ia mudar os nossos dias e as prioridades do país e logo do curso dos tratamentos com que vivemos, todos os dias.

 

Seguiu-se a muito lenta alteração do espírito e atitudes dos lisboetas nos transportes públicos e nos restaurantes (os meus habitats mais naturais aqui na capital), tanto que, na noite anterior ao decretar do isolamento voluntário pela empresa onde trabalho, estive com amigos a jantar e a Covid não foi, de todo, o principal tema de conversa.

E plim! Na tarde seguinte, entrei em confinamento voluntário e por cá continuo quase 120 dias depois.

 

O que aprendi?

  • Que lido melhor com o confinamento do que esperava. Lido bem com o trabalhar de casa, com as reuniões com câmara e sem ela; que os meus gatos também têm horários e que conseguem ser companheiros de trabalho muito chatinhos...;
  • Que cozinhar me acalma e me dá um foco ao dia: o alimentar os outros, o encontrar novidades seguras, o ganhar coragem para experimentar, mesmo dentro das minhas “quatro paredes”;
  • Que morar numa casa não é o mesmo que viver numa casa, e que passar tanto tempo dentro de casa leva a um graaaande “síndroma de ninho;
  • Que “as dicas certas”, “a produtividade”, o “melhoramento pessoal” não funciona igual para todos, e pode bem até aumentar a ansiedade e o sentimento de alienação;
  • Que morar a 300 quilómetros da nossa família é difícil, mas agora experimentem viver com a regra “não podes sair de casa” e vão ver que centenas de quilómetros se transformam num continente com um oceano pelo meio;
  • Que descer as escadas para ir à mercearia ao lado da porta pode ser todo um programa, agora na companhia de máscara e luvas e um cronómetro.

 

Mas, acima de tudo, aprendi que vivemos num país que se entrega e se ouve quando o mal é comum, mas que se distrai facilmente quando os estímulos são muitos.

Aprendi que informação pode ser demais, mas que o “lava sempre bem as mãos”, o “mantém 2 metros de distância”, o “apoia os negócios locais” já não são informação, mas são sim formação da nossa personalidade no “novo normal”.

 

Venha o copo de vinho à 6ª feira, para brindar a mais uma semana (minimamente) sãos, e cá estaremos daqui a meio ano, para nos abraçarmos virtualmente, outra vez!

Blog da menina-Mulher

Autoria e outros dados (tags, etc)

Playlist porque não me consigo desligar...

por Robinson Kanes, em 01.07.20

Istambul.jpg

Imagem: Robinson Kanes

 

Por aqui vou andando... Não há forma de fugir destas terras que me sugam e às quais me entrego com o maior prazer. Esta semana, apesar das memórias e de uma apaixonante fotografia que me chegou da fronteira com a República Democrática do Congo, foi a música que, mais uma vez me levou a sentir o sabor das terras para lá do Adriático, para lá do Trieste. Talvez, por isso, enquanto o "Vallado Tinto de 2014" teima em saltar do copo, me deixe levar pelas longas caminhadas do oriente... Daquele oriente que não consigo deixar...

 

Começo por Tigran Hamasyan, que já foi presença por aqui e cujo último concerto na Gulbenkian deixou o público completamente rendido à humildade e qualidade artística de um dos melhores músicos do nosso tempo. Fica "Lilac" para ouvir enquanto os nossos ouvidos descansam dos sons das montanhas arménias. Invejo Tigran Hamasyan pelo facto de viver em Yerevan com vista para o Ararate.

Falei do concerto de Novembro de 2019 na Gulbenkian e também só posso recordar Norayr Kartashyan, um homem que domina o duduk e não só. Sempre envolvido em vários projectos foi uma fantástica descoberta... Deixo-me levar por "Hayr Komitasin", é simplesmente genial e só me recorda longas caminhadas com o pó na cara, um pó especial que, ao chegar a bom porto, não queremos que nos saia do rosto...

Aram Movsisyan poderá não dizer muito a uma grande maioria de quem me lê mas na Arménia é um Senhor. A sua voz faz-nos amar ainda mais este país único. Deixo que o tinto descanse enquanto fecho os olhos e escuto esta música tradicional arménia, "Havun Havun",acabo por recuar ao século X.

Não podia deixar a fronteira arménia sem ouvir Lévon Minassian, um dos mais conhecidos e mais famosos intérpretes da "flauta mágia arménia". Da banda sonora do filme "Bab'azis: Le prince ici fils contemplait âme" é uma das suas interpretações de excelência e uma das mais conhecidas (a composição coube a Armand Amar)... Não importa rebuscar muito quando a nossa cabeça pisa terras que nos engolem pela história e quando são artistas deste calibre a comprarem-nos o bilhete para as mesmas. O gosto pela música e pela banda sonora fez-me ver o filme, como não poderia deixar de ser... Genial! Retiro o meu chapéu a Nacer Khemir.

Na música electrónica, as sonoridades árabes são sempre uma das coisas que me fazem apreciar o género... Não sendo daquelas bandas, os Acid Arab são sem dúvida um fenómeno onde o moderno e o tradicional, de facto, quando se juntam, podem dar um excelente resultado! Juntem uma discoteca em Budapeste ou uma travessia pelo Qatar ao volante de um Mitsubishi Pajero e esta música no rádio e... Enfim, existem coisas que não se contam... "Zhar"!

Não podia deixar escapar o Irão, e por isso, também não posso deixar de trazer dois exemplos da música contemporânea do Irão e que preservam as raízes em cada nota e em cada acorde. No Irão ainda não é permitido o consumo de bebidas alcoólicas, caso contrário, era com todo o gosto que beberia num qualquer café em Isfahan um copo com estes senhores: Shahram Nazeri e Hafez Nazeri com "The Passion of Rumi".

Uma das vozes iranianas que mais aprecio... A curiosidade e a partilha de conhecimentos levou-me até Shiraz para descobrir Sara Naeini. Aprecio uma grande maioria das músicas deste intérprete, mas na escolha de uma, difícil... Fico-me por "Del Yar" embora reconheça que a versão de "Jane Maryam" está qualquer coisa! Inspiradora, simplesmente inspiradora e como é bom pisar Shiraz mais uma vez...

Prometo deixar o Irão, mas não posso deixar esta terra sem voltar ao filme "Bab'Azis" e encontrar a bela actriz Ghazal Shakeri que também canta e foi nessa banda sonora que descobri uma das muitas pérolas desta senhora: "Song of the Red Dervish". Existem coisas que se gostam e não sabemos explicar...

De um filme que me apaixonou, ficou-me, à semelhança de tantos outros a banda sonora... "Istambul Kirmizi" ou também conhecido como "Rosso Istambul" trouxe-me uma experiência cinematográfica inesquecível e uma banda sonora de Giulian Taviani e Carmelo Travia, mas como diria a personagem do Tele Rural Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. Destaco a conhecida (pelo menos na Turquia) Gaye Su Akyol com "Kırmızı Rüyalar". Para nos deixarmos envolver e dançarmos na sala... Adoro esta "miúda". Com tempo, escutem também "Cehennem Meyhanesi".

Deixo uma surpresa para último. Também por intermédio do cinema, descobri uma actriz que tem uma voz especial: Demet Evgar. Não é uma pop star mas gosto da voz... Ficou-me e partilho uma das peculiares músicas que fui encontrando da mesma, aqui com Kemal Hamamcıoğlu. Sentemo-nos numa árvore e escutemos "Mak Mek Mok".

Sinto saudade... Sento-me perto Anadolu Hisarı e contemplo o Bósforo seguindo as suas águas até ao Mar Negro, até um novo Mundo, até uma nova paixão...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Hoje a Sardinha traz ódio...

por Robinson Kanes, em 30.06.20

93768475_3309581579052693_8652805195157209088_n.jp

Créditos: https://www.facebook.com/AberdeenSardineFestival/photos/pb.249823545028527.-2207520000../3309581572386027/?type=3&theater

 

Hoje é aquele dia em que grelho umas sardinhas e partilho com todos vós... Podem temperar as mesmas com um pouco de ódio aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor




Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sardinhas em Lata

Todas as Terças, aqui! https://sardinhasemlata.blogs.sapo.pt/

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Pesquisar

  Pesquisar no Blog





Mensagens







Copyrighted.com Registered & Protected 
CRD7-BFJD-IWHB-ZXDB