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Obrigado a Todos...

por Robinson Kanes, em 13.09.17

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Grupo do Leão - Columbano Bordalo Pinheiro (Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado)

Fonte da Imagem: Própria

 

Nós não estamos no espaço, somo-lo funcionalmente no modo original de nos relacionarmos com o que nos cerca.

Vergílio Ferreira, in "O Existencialismo é um Humanismo"

 

Nascido em finais do ano passado, penso que é chegada uma das alturas em que me parece imperioso agradecer a todos os que ousam e perdem o seu tempo a ler um sem número de disparates... Já perceberam que falo deste espaço.

 

Poderia afirmar que o "Não É Que Não Houvesse" existiria, quanto mais não fosse num caderno cá em casa, sem a vossa presença,  mas não poderia afirmar que teria a riqueza que tem. São vocês que o alimentam com as vossas leituras, com as vossas passagens e sobretudo com os vossos comentários. Muitos comentários são de um conteúdo e rigor louváveis, e face a muito do que vejo, é com bastante orgulho que os acolho. De facto, a primazia da qualidade em alguns de vós é tocante e isso também a mim me faz sorrir e pensar que uma única leitura, uma única visualização ou um único comentário a um artigo tem muito mais valor que milhares de visitas e comentários vazios de conteúdo e até sem paixão.

 

Com o tempo, uma espécie de egoísmo - afinal fui eu quem criou este espaço, pelo que é natural - foi-se desvanecendo e fui levado a reconhecer que os impulsionadores disto são vocês. Penso que fazemos uma boa equipa e que não há aqui um indivíduo que escreve e se coloca por cima a olhar a multidão... Somos todos a multidão. 

 

Mais que o blog do Robinson, este é o vosso blog, pelo que não concebo deixar alguém sem resposta ou sem espaço para se expressar. Aqui não é um espaço para impor regras, tendências ou a minha palavra, é um espaço para todos juntos chegarmos a uma conclusão, seja uma lágrima ou um sorriso, ou até uma debandada popular. Aqui é um espaço onde são sempre bem acolhidas as pessoas verdadeiras, aqueles que são os cidadãos verdadeiros e não pseudo-elites mediáticas ou tecno-provincianas... Aqui os problemas são mesmo problemas e as celebrações são verdadeiras festas de chegar a casa pela manhã com a camisa aberta ou os saltos na mão. Também a revolta aqui pode ser mais descontrolada e... Nem com "zero" visualizações, ostracização, ou obrigação de seguir uma pseudo-elite virtual cederemos à tentação de perder a nossa essência, contudo, temos a humildade de reconhecer erros e aprender. 

 

Foi graças a vocês, mesmo aqueles que acompanham sem opinar, que senti a responsabilidade de não perder o foco, mesmo com todas as implicações que isso possa acarretar. Foi talvez por isso, e mencionei num blog de outrem, que também já tive os meus dissabores perante uma oferta de publicidade que obrigaria à perda de neutralidade da minha parte -  ou seja, dizer menos bem de algo (mesmo sendo verdade) não seria permitido. A minha perda de neutralidade é perder todo o meu carácter perante vós e o "Não É Que Não Houvesse" não é um blog publicitário nem sujeito a pressões, até poderiamos sê-lo e seria legítimo, mas não é, aqui não funciona assim. Também já perdi seguidores por tocar em temas sensíveis, mas isso não vai mudar, não podemos apregoar a bandeira de sermos muito para à frente, mas desde que só concordem connosco ou não nos toquem na ferida. 

 

É com vocês que também tenho aprendido, é com vocês que também tenho rido e é com vocês que tenho percebido: a maior riqueza de um blog são as pessoas - aquelas que frequentam e não a pessoa que escreve! Quem pensar o contrário, quem se achar que é o guru que todos seguem, até pode ter sucesso, mas anda a enganar a "clientela".

 

Obrigado a todos e até breve...

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Uma Estranha Dificuldade em Dizer Obrigado!

por Robinson Kanes, em 30.03.17

Untitled.png

 Joaquín Torres-García, Dos figuras misteriosas (The Museum of Modern Art "MOMA" - Colecção Privada)

Fonte da Imagem: Própria

 

Estamos na semana em que ocorre aquele que se auto-denomina o evento máximo dos Recursos Humanos em Portugal.

 

A sensação que este género de eventos me provoca é de que estamos sempre perante um discurso que não vai ao encontro da realidade - até porque o evento não é propriamente aberto a todos. Fala-se muito, faz-se muito networking, passeia-se muito o ego... mas depois...

 

Se existem alguns painéis ou palestrantes que até trazem algo de novo, fica sempre aquela sensação, sobretudo para quem quer aprender e partilhar ao invés de aparecer, de que se poderia ter ido mais longe - acredito até que esse é o fim último da organização. Neste âmbito, foco os Recursos Humanos ou Pessoas, como lhe queiram chamar, porque o meu artigo é por aí que entra.

 

Em Portugal, e misturo aqui a minha experiência com muitas outras com que tenho tido contacto, existe uma palavra que tem alguma dificuldade em sair, ou melhor uma atitude... o reconhecimento, o obrigado. Ou agradecemos quando temos um milhar de pessoas a aplaudir ou então quando, e socorrendo-me de uma expressão popular, "traz água no bico” que é igual ao “deixa-me cá agradecer àquele que preciso do gajo para me abrir aqui umas portas”...

 

A dificuldade que muitos indivíduos têm em agradecer, nem que seja com um obrigado é algo que daria um estudo de caso daqueles. Uma das razões que poderia apontar, agitando todos os testemunhos que já tive e a minha própria experiência, está na insegurança. Está na insegurança de que agradecer a outrem é colocar-me a mim numa posição vulnerável do... “não sou assim tão bom”. É a insegurança de não estar talhado tecnicamente e humanamente para a posição que ocupo e qualquer agradecimento a outrem coloca o meu lugar em risco. Dizer bem do outro é dizer mal de mim que sou o melhor.

 

Fazendo a ponte da questão humana, coloco também a ausência de soft skills e até de carácter. E o povo é sábio quando diz “não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu”. Se por um lado o sentimento de “negreiro” ainda vigora, por outro é o daquele que não serviu nem pediu mas assume a sua posição sem ter feito um caminho de... trabalho. Pode parecer elitista, mas na verdade... as coisas correm melhor quando se serve a quem não serviu...

 

Também, sempre que alguém emigra, o argumento comum (pelo menos daqueles com que contacto) em relação ao trabalho é que no exterior o “reconhecimento” é a mais-valia e algo que não existe dentro da pátria. O reconhecimento por outros povos em detrimento do reconhecimento do seu próprio povo. Diria que é dos piores sentimentos que um profissional, aliás, um indivíduo pode sentir.

 

Não podemos falar de engagement, employer branding, communication (comunicação), teamwork (trabalho de equipa), trust (confiança) e outros tantos jargões que nos fazem parecer importantes mesmo que sejamos uma nulidade. Se não formos capazes de dizer O-B-R-I-G-A-D-O ou até M-U-I-T-O-S P-A-R-A-B-É-N-S passar a níveis superiores é pura perda de tempo e de recursos! E mais que isso temos de ser capazes de encorajar as nossas equipas, dar-lhes espaço para trabalhar, guiá-las e não abandoná-las à sorte e só nos lembrarmos das mesmas quando falamos de Key Performance Indicators (KPI) e auditorias. Não podemos falar de motivation (digam lá que não soa melhor que motivação e me faz parecer importante) se não formos capazes de reconhecer, dar instrumentos e trabalharmos, mas trabalharmos à séria para recrutar e promover os melhores. Se eu confiar em mim, farei tudo para que sejam melhores que eu.

 

No entanto, também existe uma espécie não tão rara quanto isso na fauna laboral que são os indivíduos que, ao verem o seu trabalho reconhecido, parece que receberam uma carta de despedimento, mas desses falarei mais tarde.

 

Agradeçam e digam obrigado, estimulem e impulsionem o sucesso dos outros e não o façam apenas quando os standards (padrões, normas...) exigem ou só porque já todos disseram e fica mal na fotografia aquele que não o fizer.

 

Do ponto de vista do Return on Investment (ROI) - digam lá que também não me fica nada mal dizer esta sigla assim como quem sabe disto tudo e mais alguma coisa? - vão também deparar-se com ganhos superiores, até porque a despesa é zero e o retorno é mais que muito.

 

Hoje que voltou a estar na moda a Felicidade – voltou, para tristeza de alguns, é algo mais que estudado e ainda bem, não descobriram a pólvora, lamento – pode ser que alguém se lembre de trazer algo que é igualmente importante e também já deveria estar na moda, a Gratidão!

 

Definição muito breve de alguns conceitos para quem não está familiarizado:

 

Soft Skills: atributos pessoais que permitem a alguém interagir eficientemente e harmoniosamente com outras pessoas. Envolve conceitos como a comunicação, competências sociais, inteligência social e emocional, liderança e outros.

Engagement: esforço aplicado pelo trabalhado na execução das tarefas estando este integrado e comprometido psicologicamente com o seu trabalho. Tem como resultado um efeito positivo ao nível da satisfação dos clientes, da produtividade, lucros, retenção de colaboradores e sucesso organizacional. Um trabalhador envolvido coloca muito mais de si e do seu esforço no trabalho.

Employer Branding: promoção do bem-estar dos colaboradores no local de trabalho. Os colaboradores são encarados como embaixadores da organização e consequentemente transmitem essa postura positiva para clientes, colegas e potenciais candidatos. É também uma forma de marketing na medida em que visa que a organização se torne um local aprazível para se trabalhar.

Key Performance Indicators: métrica utilizado sobretudo em ambiente empresarial (mas não só) que permite avaliar factores que são fundamentais para o sucesso de uma organização. Diferem de organização para organização e têm em vista determinados alvos e objectivos que são definidos pela gestão. 

Return on Investment: a definição pode variar consoante a área, mas não é mais que a relação entre o que se ganhou e o que se perdeu face a determinado investimento. 

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