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O Urso Pardo e um certo Hebetismo Colectivo...

por Robinson Kanes, em 10.05.19

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Créditos: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2018/11/video-viral-de-urso-mostra-o-lado-negativo-de-filmar-animais-com-drones

 

Existe por aí um urso-pardo (Ursus arctos) que deveria ter sido motivo de orgulho para qualquer português! Orgulho e vergonha, afinal fomos nós que acabamos com a presença deste animal no nosso país. Além de que histerismos e show off na comunicação social, nem sempre correm bem...

 

Como este, outros... O lobo ibérico (Canis lupus signatus) quase extinto porque lhe destruímos o habitat e é normal que este queira caçar fora desse espaço; múltiplas espécies de aves de rapina porque uma religião intolerante, falsa e alicerçada em dogmas que, na actualidade, seriam punidos com prisão, se lembrou de repetir que eram animais de mau agoiro (embora os único que conheça e que se encaixam nese rótulo são, de facto, os humanos) e tantos outros animais que o egoísmo humano tem levado ao extermínio. Outro exemplo é o lince ibérico (Lynx pardinus), mais uma espécie que deveria ser uma das imagens de marca do nosso país mas o cidadão comum nem faz ideia de que existe, só quando são atropelados ou surgem envenenados.

 

Espero efectivamente que todo o espectáculo em torno desta descoberta não leve a uma autêntica caça ao urso e que, vindo de Espanha, rapidamente seja levado para a Cantábria e Astúrias de modo a ser devolvido ao habitat, até porque em Espanha a estrutura de protecção está já montada e em Portugal continuamos a deixar que espécies marinhas, como os golfinhos, morram em "lagos" no Parque das Nações porque a vontade, a burocracia e a incompetência a isso levam - num país onde tudo se controla, só ainda não se controla a incompetência e a corrupção.

 

Também não irei entrar no humor brejeiro e típico que se foi ouvindo de que "é só mais um urso" e do "o que não falta aí são ursos". Isso é conversa de quem protesta muito mas faz pouco, além de que, nos dias de hoje, comparar um urso a um ser humano é uma ofensa para o primeiro.

 

E como vem aí o fim de semana, deixo uma sugestão, o livro "O Urso-pardo em Portugal", de Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta, que aborda a extinção deste mamífero em Portugal.

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Créditos: wook

 

Bom fim de semana...

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Créditos: https://www.vortexmag.net/15-fantasticas-curiosidades-sobre-o-25-de-abril-de-1974/

 

 

A resposta ao título deste artigo parece difícil mas, vendo bem as coisas, não é assim tão complicada. Vejamos:

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque também não se conseguem rever em festejos/celebrações arcaícas e completamente fora dos nossos tempos. Desfiles militares obsoletos, celebrações formais e altamente protocolares numa Assembleia da República que vive cada vez mais longe dos cidadãos.

 

Os jovens não querem saber dos 25 de Abril porque também não percebem a força que têm. Se por um lado caiu um regime ditatorial, a Democracia portuguesa ainda está longe de fazer acreditar que é possível mudar algo - qualquer um percebe que quem não estiver relacionado com a política ou com um ou outro corporativismo não tem qualquer poder. Para fazer algo em Portugal é preciso vender a alma ao diabo ou então comprar alguém e mesmo assim esperar ter sorte. Ainda temos um Estado paternalista que se arroga no direito de pensar e fazer pelos outros. Em Portugal, a censura e o exílio continuam a existir, de forma menos violenta, mas a existir.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque ao olharem para aqueles que agora celebram esse acontecimento deparam-se com um paradoxo: muitos daqueles que agora batem palmas foram indivíduos do regime, basta olhar para o Presidente da República, mas não só. Não é segredo que Marcelo já se colocava em bicos de pés para seguir o legado de Salazar e de Marcello Caetano. Como Marcelo tantos outros partidários de um antigo regime por aí pululam como neo-democratas.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril pois quando olham para a Assembleia da República encontram indivíduos que ainda hoje ninguém percebe como é que escaparam a condenações por pedofilia, corrupção e outros crimes hediondos! Ninguém percebe como é que quem fala de liberdade, justiça e direitos não  olha a meios para destruir a res publica em benefício pessoal ou então coloca a família inteira no Governo ou na admnistração pública.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque, na noite desse mesmo dia, em 2019 (em 2019!) a televisão estatal (RTP1 - paga por todos para alguns) apresenta um programa de homenagem a "Abril" e a "Zeca Afonso" com artistas da pior qualidade, uma banda que ainda toca em ritmos dos anos 50 e as mesmas figuras de sempre (sim, ainda me custa perceber, não tendo televisão, porque é que tenho de pagar a presença de Carlos Alberto Moniz e outros na televisão do Estado). Sempre os mesmos num Coliseu dos Recreios às moscas, com indivíduos bafientos, um Júlio Isidro desactualizado e uma Sílvia Alberto sem perceber bem o que é que lá está a fazer e até se dá ao luxo de cometer a gaffe de que antes do 25 de Abril a disparidade salarial entre homens e mulheres era uma realidade, como se após 1974 as coisas tivessem mudado assim tanto! Porque é que com tantos valores em Portugal, a RTP continua a promover a mediocriade e sempre as mesmas figuras?

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque chegaram à conclusão que a diferença entre uma certa esquerda governante e a governação anterior a esse dia de 1974 não é assim tão diferente. 

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque essa esquerda libertadora afinal só não se transforma nos porcos de Orwell porque não teve espaço para tal. Refiro-me à esquerda que critica o capitalismo mas não se inibe de adquirir bens produzidos pelo mesmo e de aprender em escolas capitalistas. É a mesma esquerda que apoia regimes como a Coreia do Norte e a Venezuela.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque se deparam sempre com as mesmas referências políticas e em tantas outras áreas, referências essas que marcam de tal forma a agenda que se tem a sensação de que não é possível fazer nada - daqui à ditadura é um pequeno passo.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril, porque patrocinou uma Constituição completamente à esquerda, com cidadãos de primeira e cidadãos de segunda - uma constituição que proíbe a extrema-direita mas não proíbe a extrema-esquerda. Basta assistir a desfiles da segunda para perceber que a distância é muito ténue ou praticamente não existe.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril que, embora tendo sido benéfico, apenas existiu porque os militares estavam numa situação desconfortável e o povo não se uniu (Povo unido jamais será vencido, por cá, tem muito que se lhe diga). Os jovens já sabem disso e também sabem que os aclamados heróis da revolução não foram aqueles que a fizeram mas o que se aproveitaram da mesma até à sua morte. Podemos falar da família Soares e de outras.

 

Os jovens não querem saber do 25 de Abril porque, por mais que trabalhem, nunca terão reconhecimento pelo seu esforço e pelo seu trabalho, bem pelo contrário! Tantos que conheci que tiveram de emigrar porque já não aguentavam tanto esforço e espezinhamento diário de uma certa mentalidade vigente que se arroga no direito de tudo saber e de tudo controlar. Quantos vi emigrarem porque desistiram do seu país cansados de recebr 500 euros por trabalho de 5000 enquanto outros recebiam 10000 por trabalho de 500.

 

Finalmente, os jovens não querem saber do 25 de Abril porque o escândalo "Ballet Rose" é um rol de crimes hediondos e que envergonhariam qualquer país. Crimes que continuam a ser abafados e muitos dos que já morreram e outros que continuam vivos vão passar impunes - desde altos dirigentes da Igreja, monárquicos, republicanos, empresários e políticos! Muito se falou do caso Casa Pia, e do "Ballet Rose"?

 

Não é assim tão complicado perceber porque é que os jovens se estão a borrifar para o 25 de Abril!

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E se o beijo fosse hoje?

por Robinson Kanes, em 20.02.19

kiss3.jpgCréditos: https://nypost.com/2012/06/17/the-true-story-behind-the-iconic-v-j-day-sailor-and-nurse-smooch/

 

Anda nas bocas do mundo a morte de George Mendonsa... O marinheiro que protagonizou, com Zimmer Friedman a imagem acima.

 

A fotografia é um dos marcos da história contemporânea mas... E se fosse hoje? Se hoje, aquele marinheiro, no meio da avenida, se agarrasse a uma desconhecida e lhe "espetasse" um beijo?

 

Imaginem também que a fotografia vinha parar às redes sociais!

 

Por certo, já estaria ser condenado por assédio sexual!

 

 

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Jamaica Beat...

por Robinson Kanes, em 24.01.19

1323428.jpgImagem: www.publico.pt

 

Lisboa e arredores puderam, nos últimos dias, ter uma amostra do que é viver em Kingston e até no resto da verdadeira Jamaica: os portugueses acordaram para o facto de, embora a uma pequena escala, se conseguir em horas mobilizar centenas de indivíduos de bairros algo distantes entre si tendo em vista a prática de crimes violentos. Os barris de pólvora por cá também existem e paióis abertos a todos não existem apenas em Tancos.

 

Os portugueses também ficaram a saber que um ataque contra uma academia de futebol é terrorismo mas o ataque a polícias e o incitamente à violência contra as forças de defesa do Estado por parte de indivíduos desocupados, partidos/ajuntamentos políticos (alguns até suportam o actual Governo) e associações "pacíficas" é apenas um delito menor. Como frisam o Presidente da República e o Ministro da Administração Interna, o povo português é sereno... Sereno como se pudesse aceitar tudo e mais alguma coisa, desde que não seja o futebol, tudo é permitido e... Sereno.

 

Quem está à frente de associações como a SOS Racismo e de partidos políticos como o Bloco de Esquerda, entre outros, tem de ter cautela com o que publica e com o que diz, caso contrário, faz-nos pensar se a diferença entre fascimo, populismo, comunismo e uma certa extrema esquerda não é de facto uma semelhança. O ataque gratuito às forças políciais tem sido uma constante, isto talvez porque muitos partidos políticos não tenham a sua própria força policial, uma espécie de Stasi ou Milítsia. Também fico algo pensativo quando escuto o discurso de que todos os extremos são maus, no entanto, alguns ditos moderados começam a assumir um papel demasiado extremista...

 

Também é de estranhar que num país democrático, manifestações como as dos "coletes amarelos" sejam vistas como acontecimentos fascistas e populistas e este tipo de actos seja encarado como algo isolado e que não merecem tanta atenção. Se por um lado temos manifestações com um intuito claro de lutar contra um certo estado de coisas que nem sempre é o melhor, por outro temos violência gratuita. Mais grave é quando o mencionado Presidente da República, já em campanha eleitoral, adquire também a atitude de repudiar os primeiros e aceitar como normal os segundos. 

Também pergunto onde andavam os telemóveis dos membros de partidos do Partido Comunista e o Bloco quando a Polícia carrega sobre aqueles que defendem um país mais justo e menos corrupto? 

 

Mais uma vez, a polícia, em Portugal é um alvo a abater por determinados quadrantes políticos e sociais, a mesma polícia que nem sempre pode executar as suas funções porque presta serviço a esses mesmo quadrantes e aos "ópios" do povo - no entanto, pode ser que um dia a polícia seja tão pacífica e tão neutra que não actue sob pena de ser acusada de violência. Afinal, como refere  dirigente da SOS Racismo e assesor do Bloco de Esquerda, a Polícia é uma bosta... Que chatice zelar pelo bem público... A Polícia, essa sim, parece ser cada vez mais deixada à mercê de uma certa bandidagem e altamente solicitada quando alguém decide dizer que esta Democracia já teve (se é que alguma vez teve) dias melhores.

 

Cabe também apurar responsabilidades em termos sociais - afinal, que têm feito as instituições estatais, autárquicas e sociais no sentido de empoderar muitos dos habitantes destes bairros para que arranjem um emprego (muitos já o têm e são cidadãos exemplares) e possam comprar/arrendar as suas casas e assim acabar com estes guetos? Continua a preferir-se o assistencialismo e as recolhas dos bancos alimentares com direito a câmeras de televisão, permitindo assim que a taxa de empowerment seja maior - até porque cidadãos com mais empowerment questionam o status quo e exigem mais da política, algo mais que subsídios, exigem uma política séria.

 

No entanto, para mal de muitos, Portugal é um país que ainda respeita os seus polícias e não será uma minoria com assento parlamentar e uma ou outra instituição que conseguirá abalar este sentimento. Entretanto, os dias de violência continuam e o povo está sereno, isto até um polícia agredir um hooligan num estádio de futebol, aí é que vamos ter a revolta nacional ou bando de desocupados invadir um centro de treinos. 

 

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Fonte da Imagem: AP Photo/Binsar Bakkara

 

Vivemos no século XXI, temos tudo à nossa disposição, desde a tecnologia ao conhecimento, somos todos o máximo. Nunca, como hoje, tivemos tanto material para não ler aquilo que dá título a este artigo, mas...

 

Segundo a "Survival", 10 membros de uma tribo amazona foram massacrados por exploradores de ouro - o famoso mineral que vale tanto como um seixo mas ao qual atribuímos um valor inexplicável. Estamos a falar de tribos que ainda não têm contacto com a nossa sociedade e que vão sendo cada vez mais pequenas. Para que se tenha uma ideia, um quinto da população foi dizimada e podemos falar em genocídio! Esta não é uma temática nova na Amazónia, bem pelo contrário, e o governo de Michel Temer não é o melhor amigo dos índios - não podemos esquecer as ligação aos lobbies agro-industriais. Neste momento, a justiça brasileira abriu um inquérito e está a investigar, tendo já sido detidos dois indivíduos, contudo, continuamos a seguir o espírito de Cortés ou o dos "pacíficos" exploradores portugueses. Interessante... Como hoje ainda vemos com simpatia e fraternidade a evangelização forçada.

 

O vídeo abaixo fala um pouco deste povo... Importa lembrar que o governo federal nega a existência destas tribos e existem Organizações-Não-Governamentais (ONG) que promovem campanhas sob a capa da protecção mas que visam prejudicar e eliminar estas tribos...

 

 

Um outro episódio vem daquela que já foi denominada de capital mundial dos orangotangos: a Floresta de Tripa, terra natal do Orangotango da Sumatra. Este tema não é novo, mas continua a ser ignorado por muitos que a Indonésia é o principal destruidor de floresta do mundo! Os orangotangos vão ser dizimados, maioritariamente, por culpa daquele que surgiu como alternativa ao óleo alimentar convencional. Aquele que foi tão apregoado em dietas e que seria mais saudável que o anterior, mas saudável apenas para as nossas cozinhas... O óleo de palma, pouco tem de saudável para os outros animais, e a sua disseminação está a levar ao fim do Orangotango da Sumatra e até de outras espécies. As causas? Desflorestação que pode ser por abate de árvores, incêndios ou utilização de pesticidas e outras agentes quimicos que levam à destruição da flora e da fauna!

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Fonte da Imagem: https://www.worldwildlife.org/species/sumatran-orangutan

 

Mas a nossa amabilidade não se fica por aqui, quando os orangotangos não são presos e encarcerados até morrerem, são abatidos quando procuram comida e as mães morrem a proteger os filhos que são roubados para serem vendidos como animais de estimação! Actualmente, estima-se que existam 6,600 exemplares destes animais distribuidos por duas ilhas, Sumatra e Bornéu! A Floresta de Tripa (em alto risco de desaparecer) é somente uma parte do Ecossistema Leuser com 2.6 milhões de hectares e o único local da terra onde orangotangos, tigres, rinocerontes e elefantes vivem em harmonia num estado selvagem!

 

Deixo-vos com um vídeo do qual todos nos devíamos envergonhar. As imagens podem chocar, pelo que, quem não se quiser envergonhar e assistir, simplesmente não clique, embora a realidade seja para ser vista...

  

Algumas Notas:

 

Notícia no New York Times:

https://www.nytimes.com/2017/09/10/world/americas/brazil-amazon-tribe-killings.html?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Notícia no website da Survival, responsável do alerta para o mundo:

https://www.survivalinternational.org/news/11810?ncid=edlinkushpmg00000313

 

Algumas ONG, que lutam contra a extinção dos orangotangos:

 

Save the Orangutan

http://savetheorangutan.org/

 

Sumatran Orangutan Conservation Program

http://sumatranorangutan.org

 

International Animal Rescue

https://www.internationalanimalrescue.org

 

 

 

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