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Do Uganda... Com dor e esperança...

por Robinson Kanes, em 05.02.21

uganda (3).jpg

Imagem: John B. 

 

 

Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décimo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? 

Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Em tempos, por estas bandas, uma espécie de indivíduo"distorce discursos", dizia-me que estava feliz com a vitória de Biden numa tentativa de "sair por cima" e com isso me fazer sentir mal, apenas porque (de forma errada devido a lacunas pedagógicas na interpretação de textos) me julgava apoiante de Trump. Tempos de delírio louco nas semanas que antecederam a eleição e que agora se esgotou numa espécie de marido que atinge o climax e se vira para o lado a ressonar - ou seja, mãos cheias de nada. Tristes aqueles cuja felicidade anda ao sabor da moda, "ovelhoas" modernos como diria John Littman...

 

Todos os dias encontro sempre algo que me faça feliz, não preciso de eleições nos Estados Unidos enquanto pactuo com ditaduras internas para encontrar algo de bom. Mas ontem, bem cedo o meu dia começou da melhor forma: O Tribunal Penal Internacional, finalmente deu como culpado de crimes de guerra e contra a Humanidade, Domonic Ongwen. Ainda sem sentença, esta besta humana foi o Comandante do "Lords of Resistance Army" (LRA) no Uganda, o que lhe permitiu cometer toda a espécie de atrocidades como raptos, violações e a utilização de crianças-soldado entre 2002 e 2004.

 

Sob a égide de Joseph Kony e da sua distorção do cristianismo (o LRA é uma espécie de Estado Islâmico versão cristã), estes cavalheiros espalharam/espalham o terror não só no Uganda mas também  no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Central Africana... Três países que estão como estão, sendo que Kony é talvez o homem mais procurado de África.

 

Talvez tenha pouco interesse por estes dias, mas ainda online, o rosto de quem sofreu esta violência e medo na pele é algo indescritível num misto de alegria e pesar. A felicidade tem destas coisas...

 

Aproveitando a minha presença no Uganda, as eleições acabaram por ter lugar, apesar da contestação ao ditador-mor Museveni. O corte no acesso à internet, a prisão do opositor Bobi Wine, as mortes encetadas pelas forças ugandesas permitiram que mais uma velha besta continue no poder. Bobi Wine continua numa espécie de prisão domiciliária após as eleições, todavia nasceu uma esperança... Os jovens do Uganda despertaram e vão querer um novo país. Um dos mais jovens países do Mundo terá dado o primeiro passo para um futuro melhor e mesmo que Bobi Wine não venha a ser um líder perfeito as pessoas acordaram e estão empenhadas, quando todo o Mundo treme, em mostrar do que o Uganda é capaz e tem gente para isso... Se quiserem importar cidadãos com essa vontade para Portugal, serão bem-vindos... 

 

E falando de  importação... É absolutamente fantástico o discurso daquele povo. Aquele povo deseja arduamente que os seus jovens e melhores profissionais regressem/fiquem no país. Não defendem a emigração para a Europa, por exemplo... Não defendem muitos dos seus serem humilhados por traficantes e trabalhos de baixa linha no velho continente, querem-nos ao serviço do seu país. Por vezes chego a pensar se um país como Portugal não estará no ranking do desenvolvimento abaixo do Uganda. E é também aqui que fico a pensar num ponto extremamente importante defendido por mim e por muitos... As grandes vagas de imigração para a Europa são resolvidas a montante! É um facto que isso implica investimento e pode ser mau para o negócio que muitas ONG estão a fazer no Mediterrâneo (verdadeiras e ricas multinacionais do coitadinho), mas não está a resolver o problema. Primeiro pensa-se em como encontrar fundos, depois prolonga-se o problema e quando secarem os fundos, encontra-se outro teatro de miséria com acesso a outros fundos.

 

Hoje, sendo sexta-feira, deveria ser como já o aqui disseram, um dia mais calmo e com algumas partilhas menos pesadas neste espaço, mas talvez existam coisas que são bem melhores que um copo de vinho... Todavia, uma coisa é certa... Hoje será aberta uma garrafa de um dos melhores vinhos cá de casa e celebraremos a punição dos maus e a esperança num futuro melhor para aquele país... Tanto entusiasmo e há quem me diga que isso já é o desligar do meu próprio país... 

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As Mamas da Liz Hurley...

por Robinson Kanes, em 03.02.21

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Créditos: yahoo.co.uk / Liz Hurley Instagram

 

E de repente, a chavasqueira toma conta deste espaço porque vamos falar de mamas! Sim, a Liz Hurley tem 55 anos e um corpo invejável onde se incluem as mamas, por sinal, igualmente atraentes. So what? Sim a Liz Hurley deverá ser das poucas britânicas realmente atraentes, so what? Sim, muitas mulheres gostariam de chegar aos 55 como a Liz Hurley. So what

 

Mas tendo em conta que o chavascal tem limites, não vou entrar na discussão das redes sociais nem das celebridades, seria perda de tempo, fico-me mesmo pela apreciação dos seios da senhora. Não obstante, quando alguém como a Liz Hurley expõe parcialmente os seus seios e é alvo de um coro de criticas, inclusive de um dos mais mediáticos gentlemen de bem, mas que não passa de um dos novos censores, Piers Morgan, começamos a pensar. Ninguém sabe muito bem o que é este cavalheiro e o que é que ainda faz nas manhãs de Inglaterra. Ninguém percebe como é que uma coisa destas escalou em importância enquanto o Mundo está transformado numa autêntica sarrafusca! Abrir noticiários com isto é...

 

Posto que, nesta sociedade aberta do politicamente correcto é mau dizer que a roupa é preta pois já estamos a ser racistas, é mau até falar de racismo em África porque não é cool (mas se for nos Estados Unidos já é ser activisita) e é mau levantar um braço ou até fazer humor, todos os cuidados são poucos... a bem da liberdade, dizem. Um humorista que hoje em dia queira fazer jus à profissão não vai longe, ou se vende à política e ao futebol (sim, o Ricardo Araújo Pereira, o Nogueira e tantos outros... acho que houve um que até se trocou todo a propósito de uma passagem de ano mais rebelde) e passa a ser um canal de débito político e ao sabor de quem governa , ou então procura uma nova profissão... Já não se pode ser engraçado que é o fim do mundo. Aliás, já nem assertivo, fará engraçado... Não fosse o humor e tanta coisa já seria esquecida, como se tem tentado que seja nas escolas.

 

Penso hoje que uma série como o Allo' Allo'! nunca teria sucesso, aliás, seria censurada logo à partida! Eu vejo o Allo' Allo', tenho todos os episódios e parto o caco a rir com os alemães, ou melhor, com os nazis! Com os nazis, com os franceses, com a Resistência, com os ingleses, com o fascista Bertorelli e claro com o fantástico agente da Gestapo, Herr Flick! Tornei-me numa besta? Não! Não tendo acompanhado aquando da estreia, vi em diferido e suscitou-me até bastante curiosidade acerca de alguns tópicos. Mas depois criticamos umas mamas atraentes praticamente escondidas... 

 

E enquanto reprovamos as mamas da Liz Hurley, vamos empreendendo o novo hype de uma sociedade decadente que dá demasiada importância a desocupados, perdão, influencers, e embarcou naquela coisa de liberdade feminina que se chama... menstruação! Aliás, vestir de branco e exibir uma enorme mancha vermelha é o que está a dar! Ainda bem que a maioria das mulheres não se revê nisto e outras até dizem que se a emancipação da mulher é isto mais vale voltar ao que era! Como as consigo entender... E sim, não sou mulher, mas posso falar sobre, poupem-me à superioridade moral. Não sou mulher e gosto de mulheres, preferencialmente atraentes como a Liz! Uau! Posso?

 

Enquanto criticamos a mamas da Liz Hurley, estamos a ir contra aquilo que queremos para as mulheres, enquanto criticamos a Liz Hurley mostramos quão hipócritas somos e como fazemos parte de um monte de ovelhas que coloca o bem-estar à frente do look at me. Enquanto enxovalhamos a Liz Hurley, e até achando que é creepy que tivesse sido o filho maior a fotografar, fechamos os olhos a tanta coisa e escavamos um buraco maior do que aquele que queremos tapar. 

 

Esta é a mesma hipocrisia que assistimos em movimentos e causas criadas no momento e ao sabor do like mas depois enfiamos a cabeça na areia porque ser homossexual em Aceh, Indonésia, pronto, como é bem longe, vá... uma 43 chibatadas no lombo e à frente de quem quiser ver até é uma coisa aceitável. A Indonésia é cool, tem Bali, pronto... Nem tudo é mau. Recordo-me do episódio hipócrita do "batom vs velhos bêbados"  e de facto, como tão bem retrata Houellebecq, de que "no mundo moderno (é) permitido trocar a toda a hora, ser bi, trans, zoófilo, sadomaso, mas (é) proibido ser velho". Basta pegar nesta observação e transportá-la para tantos episódios do quotidiano.

 

O vírus tem-nos roubado tanta coisa que é tão nossa, que é tão humana, que não nos roube as nossas liberdade e não nos coloque na cabeça a pedra da loucura de Bosch ou até da histeria colectiva que mais parece um pelourinho mas com gente ainda mais louca com tiques de altamente civilizada e desenvolvida. Realmente... como diz o povo, "o trabalho faz tanta falta"...

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Sardinha Vacinada...

por Robinson Kanes, em 02.02.21

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Créditos: https://starecat.com/katie-i-dont-want-the-covid-vaccine-i-dont-trust-what-they-put-in-it-also-katie-snorting-cocaine/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a cumprir a penitência da terça-feira. 

Aproveitei, e como me sobraram vacinas que já haviam sobrado de uma misericórdia e que antes também já haviam sobrado de uma delegação do INEM, vacinei-me também. Não sou grupo de alto risco, os pulhas da misericórdia também não e os do INEM, perdão dos amigos do INEM, também não, mas isto a res publica só é pública depois de me precaver em privado. 

 

Mas confesso, foram só sobras e por via das dúvidas vacinei também o peixe, o gato e o cão, além do papagaio da D. Dorinda (é mor, fala muito consoante o vento) e claro do indivíduo que a partir de hoje me vai oferecer sempre os almoços de francesinha.

 

Basta irem aqui para saberem mais...

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Os Heróis da Natureza em Virunga...

por Robinson Kanes, em 01.02.21

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Créditos: The Jane Goodall Institute

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Marquéz, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

 

Apesar de acharmos que estamos a passar por algo único (porque nos bateu à porta "finalmente") não estamos. Lamento decepcionar aqueles que só encontram "covid" à frente e até se "esqueceram" das habituais campanhas quando existem tempestades em Moçambique como as das últimas semanas... 

 

O que não faltam são heróis neste mundo, que agora descobriu tal palavra, mas que também rapidamente a esquece tal o modo como é levada à exaustão. É inacreditável pensar que existem indivíduos que morrem a tentar defender a natureza, sobretudo habitats e animais. Na verdade, é algo que acontece praticamente numa base diária, mas os recentes acontecimentos na República Democrática do Congo (RDC) vieram mais uma vez demonstrar que as frentes de combate não se resumem a um vírus. 

 

No conhecido Parque Nacional de Virunga (o mais antigo e o primeiro "site" africano a ser declarado Património Mundial da UNESCO) seis guardas foram alvo de uma emboscada que os matou a todos de uma vez só. No ano passado foram treze, na última década cerca de duzentos! Também é moda utilizar o conceito de "linha da frente" (enfim...), pois existem muitas por esse mundo fora e desta vez o ataque foi impiedoso àqueles que defendem a vida selvagem e lutam contra o tráfico de plantas e sobretudo, neste caso em particular, contra a extinção do Gorila da Montanha, uma espécie em vias de extinção. Muitos poderão não ter noção da importância desta espécie, mas bastará, mesmo que a alguma distância, observar um animal destes para perceberem do que estamos a falar.

 

Em relação à RDC, um dos países mais "ricos" de África, já nem será necessário tecer comentários... Um mundo Ocidental em modo cataclismo só aumentará a destruição de um país, de um continente... Até um grupo de patifes no Myanmar, em paragens mais distantes, aproveitou a deixa da fragilidade Ocidental para fazer valer a sua força e com o alto patrocínio dos suspeitos do costume... Espero ver os senhores Zuckerberg e Dorsey a cortarem as redes sociais para estes senhores da guerra como o fizeram para Trump... Ou talvez não.

 

Estes rangers, como as Akashinga, são a verdadeira linha da frente da Natureza e pagam com a vida essa paixão. Num país onde a vida tem o valor de uma moeda de um euro, e o vírus actual será o menor dos problemas, o tráfico de recursos naturais chega aos 170 milhões de dólares - sendo que 47 milhões financiam milícias e grupos terroristas - um orçamento que ultrapassa largamente quem pouco tem mais do que uma automática que constantemente encrava e ainda tem de contar as munições. E desenganemo-nos quando desvalorizamos o papel destes homens na medida em que alguns já morreram a salvar cidadãos ocidentais - recordo o caso de uma senhora, a ranger Rachel Masika Baraka que perdeu a vida ao tentar salvar de um rapto dois indivíduos britânicos.

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Créditos: Virunga National Park (Foto de Rachel Masika Baraka)

 

Estes senhores não defendem a Natureza a viajar de veleiro e muito menos com discursos pomposos emitidos a milhares de quilómetros e carregados de nada. Estes senhores defendem com o seu sangue a própria natureza e isso merece o nosso reconhecimento e a nossa acção, porque na maioria dos casos, os milhões produzidos pela violência não são para consumo interno...

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Porque existem vírus bem mais perigosos...

por Robinson Kanes, em 26.01.21

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Créditos: https://imgflip.com/i/3u4tcj

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a falar de vírus muito perigosos, mas podem ficar mais calmos... O SARS-CoV 2 não é um deles... 

Passem por lá, é só clicar aqui.

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141984225_10158178486731867_4966213057139066488_o.Créditos: https://www.elmundo.es/ - @taverinez

 

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que emerge da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Parece que o Mundo nunca esteve tão mal... De facto, os tempos não são bons, mas não é pior momento da Humanidade e muito do caos não é obra do ocaso mas das nossas escolhas. O anunciado "fim dos tempos" com o SARS-CoV 2 leva ao pânico quase global. Estranhamente com tantas guerras, doenças e miséria que continuam e "sempre" estiveram aí não tenhamos entrado em pânico. Dá que pensar... Dá que pensar...

 

Mas enquanto a lógica vigente de que tudo é mau continua a ter lugar, existem os pessimistas optimistas que não perdem a esperança apesar de dispararem em todas as direcções. E é nesse optimismo que partilho algo que num país como Portugal importa pouco neste momento (triste sina) mas que é uma conquista única em termos de ciência! 

 

Foi na Ruhr-Universität de Bochum, Alemanha, que um conjunto de investigadores conseguiu um genial feito, e até hoje impossível em mamíferos, ao conseguirem que ratos com lesões ao nível da medula espinal voltassem a andar! Isto significa uma esperança enorme para tantos acidentados pelo mundo fora! 

 

Por intermédio da injecção de uma proteína no cérebro (hiprinterleucina-6), estes investigadores conseguiram provocar um estímulo nas células nervosas ao ponto destas se regenerar em. Está proteina espalha-se igualmente pelo cérebro conseguindo um efeito nunca alcançado até hoje. 

 

O passo seguinte serão os mamíferos de maior dimensão, todavia, e embora ainda possa levar décadas para termos resultados mais concretos, é uma conquista única para a Humanidade e sobretudo para os apaixonados das neurociências!

 

Neste mundo actual, onde após o "vai ficar tudo bem" parece ter dado lugar ao "vai ficar tudo péssimo" - como se palmas e clichés nos procurassem enganar e pensar que tudo passava em semanas - ainda vão existindo muitas coisas boas e muitas vidas a serem salvas, seja agora... Seja num futuro que parecemos não querer encarar e muito menos preservar.

 

É segunda-feira... E para os que se recusarem a estar em casa a ouvir, a ler e a visualizar uma quase lavagem cerebral (afinal, para muitos que pedem que fiquemos em casa no sofá não há nada melhor que um confinamento para aumentar audiências e likes) sempre existem boas notícias por esse mundo fora, ou até neste nosso pequeno bairro...

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"Por qué no te callas" Mário...

por Robinson Kanes, em 06.01.21

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Créditos: https://sol.sapo.pt/artigo/645257/vice-do-conselho-da-magistratura-critica-excessos-de-linguagem-nas-sentencas

 

Se o medíocre se associa ao medíocre,  a arte de imitar, só produz mediocridades.

Platão, in "República"

 

 

É incrível como é que a questão da adulteração de um CV para fazer passar um indivíduo num crivo de um concurso internacional gera tanta polémica em Portugal. Será que estamos a evoluir e agora ao invés de termos 90% da população adorar uma boa cunha, um favor ou a mentir sobre a experiência profissional, só temos 60%? Pior ainda quando a escolhida/preferida é outra pessoa que já não importa tanto por causa das apertadas "golas".

 

No entanto, como diria o saudoso Sabino Rui, não foi isso que me trouxe aqui. O que me traz aqui é um Secretário de Estado Adjunto da Justiça que diz o seguinte sobre alguém que descobriu mais um esquema que envergonha qualquer um: "Quanto ao facto de ter sido retirado do Portal da Justiça um comunicado, a razão é simples: a dignidade das instituições e a autoridade democrática do Estado não permitem que dirigentes demitidos usem plataformas e serviços públicos como se fossem quintas privadas.". Parece-me bem, aliás, espero que Mário Belo Morgado faça disso exemplo para toda a estrutura da administração pública e local e a partir de agora esteja atento. Temo é que tenha de criar uma Secretaria de Estado só para isso. Isto é proferido no Twitter por um juiz superior e que já foi Director Nacional da Polícia de Segurança Pública (sim, é verdade, não estamos no Laos, mas é verdade)... Que sentido de responsabilidade! A censura e a falta de vergonha já não têm m limites quando para se destruir e achincalhar ainda se cai numa cinca bem pior.

 

Mas quem é o Mário? Refiro-me a este cavalheiro como Mário porque tenho dúvidas se será juiz ou político profissional tal é o número de cargos que já ocupou e que me levanta dúvidas entre aquilo a que se chama separação de poderes. Também é de estranhar que em Portugal existam tantos juízes ligados à política, quer por intermédio de cargos ocupados na mesma quer por distribuição de "benesses" aqui e acolá. O artigo de Nuno Gonçalo Poças que um amigo teve oportunidade de me enviar ontem, reflecte bem este estado da arte e a própria conivência do mais alto magistrado da nação com estes verdadeiros esquemas: o candidato Sousa, o mesmo que há mais de 20 anos continua em campanha eleitoral (descontado os anos em que queria ser o sucessor de Marcello Caetano e seguir as pisadas do seu ídolo Salazar), e nem se apercebeu que havia ganho as presidenciais. As intrigas e o comportamento de mulher de soalheiro não conseguem esconder que também Marcelo é um homem do regime e foge a sete pés quando tem que ser o Presidente diferente que diz ser. Espanta-me também (ou talvez não) que tenha sido Nuno Gonçalo Poças a fazer uma pesquisa tão aprofundada (onde nem a Ministra da Justiça escapa) sobre esta teia e não um jornalista.

 

Mas de facto, o Mário é perito em dizer uma coisa e o seu contrário o que, para um juiz do Supremo Tribunal de Justiça, me faz pensar se tem estofo para a profissão que exerce. O Mário é o mesmo que defende abertura da justiça, que esta não deve ser secreta, mas depois gosta de mostrar tiques de censura no Twitter, sem esquecer que o secretismo em torno das actas do Estado de Emergência - para o Mário, estas não deveriam ser públicas. Mas voltemos às quintas, algo que o Mário parece não gostar, mas esquece que em 2018, emitiu um despacho como Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura onde pedia para ser consultado pelos magistrados das suas intenções de adiar processos e leituras de sentenças. Esta situação não ocorreu propriamente no seguimento de um processo em que um os visados tinha roubado fruta de pomar alheio, sucedeu nos casos de Duarte Lima e dos Vistos Gold.

 

Finalmente, o Mário que parece ter mais estofo para estar agarrado ao poder do que para ser juiz, é aquele que não foi reeleito para o cargo que ocupava no Conselho Superior de Magistratura, e até eu consigo entender o porquê: quem passar pela página do instagram da candidatura do mesmo fica com ideia que a Justiça é um pouco como dizia o saudoso Jeroen Dijsselbloem acerca dos mediterrânicos: "mulheres e copos". Chego a pensar se o Conselho Superior da Magistratura, no entender do Mário é uma espécie de Gambrinus ou efectivamente uma Tasca do Careca, mas com pior aspecto. Além disso o Mário não dispensa aquele nacional contração espasmódica de sacar umas boas selfies nas cadeiras do avião.

 

Na verdade, acredito que, como referiu em tempos o Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, "os juízes reprovam essa situação (justiça de mãos dadas com a política), não por constituir uma ilegalidade (...)mas porque pode levantar problemas de ética”. Custa-me, embora reconheça a legalidade, ver juízes em cargos de confiança política, sem que abdiquem para sempre da profissão. No meu entender de cidadão, de Democracia e princípio da Separação de Poderes, tem muito pouco e se a isso juntarmos as ligações que muitos também têm com o futebol, dará que pensar se vivemos efectivamente nessa Democracia em que julgamos estar. Afinal quando temos alguém que exerce o cargo de Ministra da Justiça toma posse como juíza do Supremo Tribunal é o reflexo do estado ultrajante e totalitarista a que chegámos... Se voltarmos bem lá para trás, muitos dos envolvidos na teia que Poças apresenta ainda são encontrados no caso Casa Pia e em alguns factos que envergonhariam qualquer Democracia... Roma pagava bem aos seus generais, e pelos vistos na Lusitânia também os pulhas pagam bem aos seus bandalhos.

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Adiós Viejito...

por Robinson Kanes, em 30.12.20

armando manzanero.jpg

Créditos: https://www.latercera.com/culto/2020/12/28/murio-armando-manzanero-tocado-por-la-mano-de-dios/

 

Aprendí que puede un beso
Ser más dulce y más profundo
Que puedo irme mañana mismo de este mundo
Las cosas buenas ya contigo las viví
Y Contigo aprendí
Que yo nací el día en que te conocí

Armando Manzanero, Contigo Aprendí (Excerto)

 

 

O ano acabou com mais uma perda. Talvez esta não seja digna dos holofotes que outros mais inúteis tiveram, mas na verdade, depois de ter sabido da notícia via ABC (Espanha), encontrei pequenas menções ao facto em Portugal, muito pequenas... mas encontrei, algumas delas com um bom delay.

 

Armando Manzanero, músico e compositor mexicano morreu aos 85 anos. Aquele ar simpático ainda jovem e que se prolongou durante a idade adulta até ao dia em que perdeu a vida. Manzanero não é propriamente o estilo de cantor que um europeu da minha idade pudesse escutar, todavia, cresci a ouvir o senhor, não fosse presença em casa dos meus pais. Tenho de admitir que muitas das suas músicas são verdadeiros hinos que ecoaram por toda a América do Sul e em Espanha onde é admirado ao nível dos melhores cantores e músicos daquele país.

 

Com Manzanero, senti que partiu mais um pouco da minha infância, que o meu cemitério teve mais uma campa e que já precisa de um certo alargamento. Penso que também se perdeu mais um verdadeiro músico, de músicas com conteúdo, de músicas imemoráveis, daquelas que ainda nos lembramos ao fim de um mês ou até mesmo depois de abandonarem as rádios ou redes sociais porque já esgotaram a paciência dos ouvintes ou sobretudo porque já ninguém paga para que as mesmas lá estejam...

 

É o fim de mais um romântico, de alguém que escrevia e percebia de música. É a magia intrínseca das suas baladas e uma entrega única que tem vindo, e agora mais, a ser interpretada também por tantos outros músicos. 

 

A morte de Manzanero foi anunciada com "Adoro", todavia, prefiro despedir-me deste cavalheiro com outras duas músicas, uma que me apaixonou já em idade para ter juízo e outra que muitas vezes escutei lá por casa. Começo com "Contigo Aprendí", uma das músicas que nunca esquecerei... e termino com "Nada Personal", um dueto com Lisset e que chegou a ser tema de uma novela... Ninguém é perfeito...

Armando Manzanero fará parte da banda sonora desta passagem de ano com toda a certeza... Desta e de tantas outras, porque afinal, não foi só Manzanero que morreu. Do México, resta-me agora uma das suas melhores vozes, a ainda muito jovem Natalie Lafourcade.

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Créditos: https://www.dailymail.co.uk/news/article-3137211/At-18-people-killed-knife-bomb-attack-Chinese-Muslims-police-checkpoint-atheist-government-bans-fasting-Ramadan.html

 

O homo sapiens não é feito para a luta, por isso, devia aprender a arte e a sabedoria da fuga, como as lebres e os veados. Mas ele adoro a luta e a guerra. Quem terá criado esta criatura tão estúpida.

Yoko Tawada, in "Memórias de um Urso Polar"

 

 

O título deste artigo deve ser a justificação para o facto dos Rohingya e dos Uigures terem passado um pouco ao lado dos nossos pensamentos natalícios. Na verdade, assistimos a uma crescente destruição dests grupo étnicos islâmicos não só em Myanmar como na China. Enquanto no primeiro país a perseguição é clara e não se faz grande segredo em torno de, no segundo, as coisas acontecem de outra forma, numa lógica do gulag educativo e bom para todos - onde é que já vimos isto. 

 

O final de 2020 não vai trazer a vacina para que esta perseguição cesse, aliás, a mesma tem atingido outra dimensão no Bangladesh, onde os Rohingya que procuraram abrigo nesse débil país enfrentam agora, depois do medo em Myanmar, a deportação para ilhas isoladas daquele território. O Governo do Bangladesh afirma que as deportações são executadas com o consentimento dos próprios, todavia, não faltam testemunhos pela internet e pelas redes sociais do contrário. Myanmar, por sua vez, continua a limpeza étnica e recusa-se a reconhecer a cidadania a esta minoria. De facto, continuamos a cair nos erros do passado e só a reconhecer genocídios quando os mesmos passam a escala dos milhões de mortos - se bem que alguns genocídios, sobretudo para alguns indivíduos e partidos a Ocidente, parecem ser mais que os outros mesmo que a dimensão tenha sido maior. Também é importante não deixar passar que muito deste ódio teve o "alto patrocínio" da rede social Facebook que muito tardiamente começou, de forma branda, a encerrar as páginas de incitamento ao ódio.

 

Já a China comunista, e diante de quem o Chefe de Estado Português se babou, continua a sua perseguição aos Uigures com o intuito de alterar toda a sua génese e inclusive eliminar a sua fé islâmica. Na verdade, muitos dos membros desta etnia estão a ser enviados para campos de concentração, gentilmente apelidados de campos de reeducação e onde se procura desprover todos estes indivíduos daquilo que os torna... humanos. O número de detidos não cessa de crescer e a construção de campos de concentração também não, além de que a loucura não tem limites quando alegadamente até crianças com meses são encarceradas nestes campos de inferno. Assiste-se a uma verdadeira eliminação civilizacional e identitária, o que já não é uma novidade.

 

As demonstrações de preocupação que nos chegam de muitos países fazem-se notar de forma muito leve, um pouco como assistimos em períodos horrorosos da História do século XX, e onde a preocupação não é mais que uma formalidade expressa num comunicado de imprensa para ficar bem nos meandros da geopolítica e das relações internacionais.

 

Vamos ficando com a sensação de que os anos vão passando e um dos mecanismos mais maravilhosos do ser-humano, a memória, tende a ficar desgastada e corroída pelo supérfluo e pelo esquecimento. Tenhamos coragem de ousar e de fazer ouvir a nossa voz, porque o caminho para o inferno, segundo Sapolsky, está pavimentado de racionalização. Apesar de termos a falsa ideia de que elegemos os nossos governantes para nos representarem, é importante que tenhamos noção de que podemos sempre ir mais longe e garantir que a sua governação está sobre o nosso jugo... Isto se tivermos algum interesse no que se passa em locais bem distantes, é um facto...

 

Para os portugueses que também tanto andaram preocupados com as eleições norte-americanas e com a eleição de Biden, que não se esqueçam de fazer o follow up à promessa de campanha em que o presidente eleito afirmou que aplicaria sanções económicas à China motivadas pela situação dos Uigures e com a repressão em Hong Kong.

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Sardinhas à Papagaio-Mor...

por Robinson Kanes, em 15.12.20

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Créditos: https://funchalnoticias.net/2016/09/14/o-ppresidente-que-beija-e-prova-tudo/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a grelhar sardinhas congeladas que o tempo há muito que já não é para sardinha fresca e a época da faina está fechada.

Desta feita, fizemos umas "Sardinhas à Papagaio-Mor", estão secas e não sabem a nada, vá-se lá saber porquê... Saibam mais aqui.

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