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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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A Nossa Elite: Aliu Camará!

por Robinson Kanes, em 15.07.19

tiago miranda - expresso.jpgCréditos: Tiago Miranda/Expresso

 

Não sou propriamente conhecido por elogiar tudo o que é português... No entanto, vou ficando com a sensação que, apesar de ser dos poucos que o reconhece, muitos outros que alimentam o discurso contrário são os primeiros a criticar a nobre nação porque não homeageia um músico, um actor ou quem quer que seja que venha do Brasil!

 

Entendo que agora estamos no hype (já longo, e é isso que me "assusta") de fazer vénias a tudo o que vem do Brasil e não só - e tanta coisa boa que há no Brasil e só importamos o que é mau! Recomendo aos pseudo-intelectuais e pseudo-influenciadores que olhem para dentro quando morre um dos nossos escritores ou uma das nossas figuras ao invés de espalharem o discurso que somos "atrasados" porque não se deu o devido destaque a este ou àquele artista do lado de lá do Atlântico . Do alto da vossa elite política, cultural e mediática (elite?) e da pseudo-intelectualidade, desçam à terra e reconheçam outros heróis, alguns deles o garante de que podem escrever as maiores barbaridades e disparates.

 

Um deles, a quem devem tirar o chapéu (ou devo dizer a bóina? Mas essa tem de ser merecida) é o soldado Aliu Camará, filho de guineenses e nascido no Casal da Boba na Amadora. Estes exemplos de sucesso tendem a não ser explorados pelas "SOS Racismo" deste país e também por isso a capa do "Expresso" é um verdadeiro elogio a este soldado. É um verdadeiro elogio aos desconhecidos que todos os dias nos defendem, cá e lá e ainda têm tempo para defender os demais! 

 

Muitos também censuram o excesso de reconhecimento a estes indivíduos porque se voluntariam para estas missões e até são pagos por isso. Os mesmos que batem palmas a jogadores de futebol e ainda têm tempo para agredir o vizinho no café - jogadores esses que numa hora ganham mais que muitos destes homens num ano!

 

A capa do "Expresso" é uma das grandes capas deste ano, um orgulho a todos nós: "sou Comando, vou sair daqui de pé", diz um soldado olhando para a câmera fotográfica e com as duas pernas amputadas! Poupem-me os discursos, poupem-me as conversas, um Comando não quebra... Aquele homem vai abandonar o hospital de pé! Um de nós choraria porque, com pernas, talvez não tivesse as sapatilhas de marca para calçar!

 

Lembrem-se muitos daqueles que defendem a extinção desta força (Bloco de Esquerda, PCP e tantos outros pseudo-pacifistas e moralistas) que aquele homem é um exemplo do que é ser português. Não é um desses indivíduos que ao primeiro soar de alarme, por certo, também serão os primeiros a saltar a fronteira e a defender o país da Venezuela ou de outras paragens distantes para que, quando tantos outros tiverem morrido, voltarem como os grander obreiros da vitória! Isto de ser patriota e defender a paz com palavras e obras de arte a milhares de quilómetros de distância tem muito que se lhe diga...  

 

Devemos estar orgulhosos, porque até ganhámos o mundial de hóquei em patins, cuja equipa tem de mendigar ser recebida pelo "entertainer" da nação... Devemos estar orgulhosos porque temos homens como estes e que, segundo dizem, na República Democrática do Congo são chamados de "ronaldos"... Quando provavelmente eram os "ronaldos" deste país que deveriam ser apelidados de "camarás"...

 

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A Bófia Existe para Levar no Lombo!

por Robinson Kanes, em 10.07.19

EPRIs2.jpgCréditos: Polícia de Segurança Pública.

 

O que vou escrever hoje não é novo, já por aqui falei de tropas especiais, como os Comandos - e de ser estranho que a negligência em mortes de recrutas seja sempre nesta força e nunca nas outras, pelo menos para os media - e da Polícia de Segurança Pública (PSP), nomeadamente, aqui e também neste artigo. Tomo sempre o cuidado de ser realista e não embarcar no discurso corrente e que dá trunfos, sobretudo aos comentadores de bancada que gostam do políticamente correcto, mesmo que estejam a cometer um erro crasso e com consequências no longo prazo. Por isso, se sou populista, pois bem, que o seja quem defende um Estado de Direito e não um estado de hipocrisia e selfies.

 

Na verdade, vão sendo mais recorrentes os casos em que agentes da PSP são recebidos à paulada, à pedrada e à pistolada em bairros problemáticos e não só. Se por um lado, um agente da PSP algema à força um indivíduo, passa a ser tema neste país e com pedidos de execução pública no pelourinho. Por outro lado, quando um agente da PSP é agredido, ou as notícias não existem, ou então ficam lá naquele cantinho bem escondido enquanto os comentadores acima mencionados, e perdoem-me a expressão, nem piam! 

 

Um deles é o comentador-mor do reino, que desautoriza a polícia (e confirma com a sua atitude a acusação de racismo contra esta) , troca abraços e tira selfies com criminosos - se eu apedrejar um polícia sou um criminoso, a não ser que existam leis diferentes para mim e para os outros - mas que não se vê a tomar uma atitude de apoio ao trabalho dos polícias! Importa recordar que são elementos da PSP que garantem a segurança do Presidente, nomeadamente, agentes do Corpo de Guarda Pessoal (CGP) integrado na Unidade Especial de Polícia (UEP).

 

Reconheço também, que podem existir abusos por parte das forças de segurança, no entanto, esta desautorização constante e esta falta de reconhecimento começa a ser escandalosa, sobretudo por parte dos habituais defensores dos coitadinhos mas que moram na Lapa e nos bairros mais ricos de Oeiras e Cascais - os mesmos que jamais tolerariam morar em locais como a Quinta da Princesa ou Cova da Moura. É fácil defender as "minorias" nas páginas dos jornais, nas televisões, na assembleia da república e nas redes sociais, ser activista no sofá e nas lentes das câmeras...

 

Mas... No meio de tudo isto, onde ficam aqueles que arriscam a vida por um salário miserável? Aqueles que muitas vezes também habitam nestes bairros e que garantem a nossa segurança. Onde está o reconhecimento da sociedade pelos nossos agentes e como pode ele existir se os mais altos cargos da nação simplesmente desrespeitam o seu papel? Onde está a discussão pública acerca da elevada taxa de suicídios, sobretudo na PSP? Os mortos não dão votos! Muitos dos polícias também não pululam nas redes sociais como tal, e por isso, não são influencers na caça ao voto e no mediatismo.

 

É fácil falar mal da polícia e quase defender um Estado onde a polícia é tratada como lixo, sobretudo quando se tem tempo de antena (tantas vezes inexplicável) nos media... Mesmo quando a grande maioria dos portugueses defende exactamente o contrário - e é isso que é preocupante! À semelhança de tantos temas, cada vez menos, o que se vê e lê por aí não é o pensamento do país real... E no longo prazo, tende a ser perigoso. 

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O Toiro Vencedor!

por Robinson Kanes, em 09.07.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Em pleno século XXI, num país que se diz desenvolvido, ainda tenho de fazer a seguinte pergunta: a que pretexto se violenta um animal na arena, ou nas ruas de uma qualquer cidade, por puro prazer ou desporto? Também não venho apregoar politicas à PAN e defender que todos devem comer ração vegetal (enquanto o PAN às escondidas devorará, muito provavelmente, umas boas costeletas de novilho). 

 

Tenho de sublinhar que também me fazem uma certa impressão as reacções humanas quando é o touro a ganhar a "parada" - então mas não é o desafio do homem contra a "besta"? A "arte" não é essa, ou quando a "arte" não joga a nosso favor interpretamos as coisas de forma diferente, como a derrota do touro fosse sempre certa? Fica a questão... 

 

Importa também lembrar que na equação existe um cavalo... Alguém por acaso também observa o sofrimento do cavalo, ou pensam que um animal daqueles se diverte? Só quem não conhece o comportamento dos cavalos é que defende o contrário. Iniciemos pelo básico da questão (e já não entro em questões comportamentais): experimentem ser montados por indivíduos que não sabem montar a cavalo (de dressage sabem pouco) e além disso peçam que vos coloquem arreios pela goela abaixo, e enquanto vos montam, ainda vos obrigam a fazer hiperflexão do pescoço. Genial, não?

 

A isto juntam-se os seres humanos que praticam a tauromaquia, normalmente oriundos das mesmas famílias de sempre, algumas ricas, outras que gostariam de ser mas que, na sua maioria, dominam as lides nacionais... O povo que se entretenha a pegar o touro ou sonhe com a hipótese de um dia ser matador.

 

 

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A propósito do mais recente "acidente" em Coruche, desta vez foi o touro a ganhar, ou não... Terá tido um sofrimento ainda maior - conhecendo algumas das personagens que frequentam praças de touros, terá sofrido e muito... Mas ganhou e nem por isso saiu em braços e foi adorado por todos aqueles que estavam na praça de touros!

 

Em suma, podemos esperar alguma coisa de alguém que se diverte a assistir a um espancamento (e morte) gratuita de outro animal? Admito que me faz confusão... E em alguns casos até poderei ser hipócrita na abordagem, afinal também como peixe como se não houvesse amanhã. No entanto, não deixo de defender a vida animal! Além disso, estes espectáculos são, não raras vezes, financiados por todos nós!

 

Mas sim, também eu sou hipócrita que não abdico da amizade de muitas famílias com ganadarias e criadores equinos, pessoas que valorizo bastante, e perdoem-me, até mais que os "solidários" e "ambientalistas" de sofá ou de televisão. Admiro a camaradagem do povo ribatejano e dos marialvas, um povo singular e com quem sei que posso contar! Verdadeiros amigos, gente boa e com que me divirto muito! Sim, é verdade... Admiro essa gente e sua companhia faz-me bem! Bem melhor do que a da maioria dos defensores dos animais!

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Uma União Europeia "à Lagardère”.

por Robinson Kanes, em 03.07.19

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Créditos: https://www.euractiv.com/section/eu-elections-2019/news/christine-lagarde-a-non-conventional-pick-for-the-ecb-presidency/

 

Falar-se de Isaltino Morais (e outros) em Portugal é o suficiente para causar alguns rápidos vómitos, sobretudo se estivermos a falar de ética, Justiça e... Pouca vergonha. No entanto...

 

No entanto, depois de Juncker, o senhor dos cambalachos com multinacionais no Luxemburgo, a União Europeia decide, mais uma vez, lançar uma pedra para aquela que poderá ser a sua destruição a longo prazo. Essa destruição, contudo, não será com guerras nem conflitos económicos, mas com uma destruição de valores e pela total ausência de interesse por parte dos europeus. Se em Portugal o pouco interesse com as questões europeias é latente e poucos estão interessados em conhecer as causas, na União Europeia o esforço também não tem lugar! 

 

Defendo a União Europeia (concordo e discordo também com algumas políticas), contudo, colocar Christine Lagarde como representante máxima do Banco Central Europeu (BCE) é, no mínimo, um dos maiores escândalos depois de Juncker e até Vitor Constâncio. Durão Barroso e outros também, mas ninguém poderia prever que mais tarde poderiam seguir outros caminhos...

 

Tantas vezes criticamos o nosso país, mas estamos numa Europa que elege para o BCE alguém que pedia a outros (aos gregos) que pagassem impostos e auferia rendimentos de milhões sem pagar qualquer taxa sobre isso! Elegemos para o BCE alguém que desviou verbas públicas e foi condenada por isso - mas não cumpriu pena porque era a Directora do Fundo Monetário Internacional! A impunidade dos clássicos ainda dura... Sobretudo quando tais "julgamentos fantoche" são conduzidos pelos próprios parlamentares! Uma espécie de comissão parlamentar que, mais uma vez, obstrui a verdadeira justiça! A gravidade é tal que nem a pseudo-condenção de Lagarde surge no seu cadastro!

 

É com a "eleição" dos suspeitos do costume, e sempre do mesmo bloco dominador, que aqueles que querem uma Europa unida esperam ter o apoio dos seus cidadãos? Especialmente do bloco de leste (que, de certo modo, até sai "vencedor" como força de bloqueio) e do bloco mediterrânico? É assim que os portugueses também podem confiar num Governo que coloca como candidato a vice presidente do Parlamento Europeu, Pedro Silva Pereira - indivíduo com claros "telhados de vidro" no caso Sócrates e que foi "escondido" dos portugueses aquando da campanha para as eleições europeias? 

 

Em suma, é esta Europa que está preparada para os tempos mais difíceis da sua existência?

 

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Sobre a Corrupção e um Obrigado ao Sapo!

por Robinson Kanes, em 01.07.19

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Créditos:https://www.bloomberg.com/news/features/2017-06-08/no-one-has-ever-made-a-corruption-machine-like-this-one

 

Tenho de iniciar este artigo com um agradecimento especial à "página principal" do portal SAPO, sobretudo pela partilha do meu último texto dedicado à corrupção. Tenho de admitir que não esperava, quer pelo teor quer pelo "esticar da corda" com que abordei o tema. O SAPO e eu nem sempre estamos de acordo, mas também tenho de reconhecer quando faz um bom trabalho e quando tem em conta os meus artigos e de outros que, embora menos divulgados, também vão tendo o seu destaques. Obrigado! E admito que é com um grande sorriso que vejo que também estão atentos a temáticas que são verdadeiramente interessantes, mesmo que a partilha deste género de conteúdos nem sempre possa gerar a simpatia de todos os vossos visitantes. OBRIGADO!

 

Aproveito também este artigo, porque não deixei de pensar nas palavras que ouvi num programa de rádio (Bloco Central, na TSF - 28/06/2019) onde, mais uma vez, uma rádio que já foi de algum nível dá espaço de comentário a indivíduos que ninguém consegue perceber o porquê: o típico comentador de tudo que tanto está num programa a comentar política e/ou economia como num outro a comentar futebol e cuja vida gira em torno de tecer comentários - pior que isso, o jornalista comentador que não quer perceber a linha entre ser jornalista e ser, de certo modo, influencer e arrogante na exposição da sua "verdade"... Nem que seja na Rádio Voz do Sardoal, não consigo perceber.

 

Não posso deixar de ficar estupefacto com o facto de um desses mesmos indivíduos, que estão numa rádio de expressão nacional, vir dizer, por outras palavras, que a corrupção não é um problema, ou quando muito, não é um problema grave! Um dos argumentos, até faz sentido, não fosse surgir com o intuito de não dar importância ao que foi anunciado pelo Conselho da Europa e que se  debatia com o facto de termos leis a mais no combate à corrupção! Aliás, vai mais longe e diz que muitas delas violam a Constituição e vão além daquilo que deveriam ir! Até pode fazer sentido, mas aí também fará sentido debater a Constituição noutras matérias - tema pouco abordado! Também não vi nesse programa ser defendido o facto de que se temos tantas leis, porque é que não são aplicadas como deveriam ou o porquê dos meios não serem reforçados.

 

Um outro argumento, está relacionado com o facto de se encarar o tema da corrupção como sendo populista e como uma forma de que, quem não tem sustento, poder ganhar dinheiro a falar e a denunciar a corrupção! Face a um argumento destes, chego a pensar se na cabeça de quem profere isto não se procura promover as práticas de corrupção ou, no mínimo, abafar a discussão em torno desta - já não questiono o porquê de tal pensamento. Se falar e combater a corrupção for populista ou pindérico, pois bem, chamem-me tudo isso! Melhor isso do que corrupto ou vendido encartado.

 

As pérolas não se ficam por aqui, e uma outra é o facto de garantir que o Ministério Público e quem investiga a corrupção tem meios e campo de actuação mais que suficientes! Sugiro que fale com quem trabalha, só a título de exemplo, no Ministério Público ou na Polícia Judiciária. Parece que o intuito aqui é responsabilizar quem combate a corrupção, pela existência da mesma - no mínimo, vergonhoso!

 

Finalmente, o argumento de que a Justiça condiciona a acção de determinado partido que está refém do "caso Sócrates"! A Justiça não condiciona ninguém e ao contrário do que foi veiculado por alguns media nos últimos dias, não vive de derrotas nem vitórias - ao contrário da política, a Justiça não é um jogo, embora seja o desejo de muitos jornalistas, comentadores de WC e políticos.

 

Espero que, de facto, quem acompanhe estes programas - cuja ideia é interessante - não se deixe levar pelas alarvidades que são ditas por indivíduos mandatados por outrem ou que simplesmente vivem de opinar sobre tudo e sobre nada e que têm também os seus expedientes. Temo que esta espécie de comentadores tenha demasiado tempo de antena e pouca avaliação/crítica por parte de quem vê/lê/ouve... Temo que o comentário de outrem seja o "delegar do nosso pensamento e espírito critico". Temo que não se avalie a credibilidade, conhecimento e competência destes indivíduos...

 

Em alguns casos, chego a "temer" que num país sem corrupção, indivíduos destes também não existiriam...

 

P.S.: Não deixem de visitar este espaço que nos fala da importância de preservamos o nosso Tejo! Tenho a vaga ideia de que esta temática vai andar por lá e por cá nos próximos tempos!

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Créditos: http://circulodainovacao.pt/politica/2017-07-03-Pressao-cresce-Azeredo-inamovivel

 

O povo português começa a ter noção de que uma das maiores ameaças à Democracia vem da casa da ...Democracia, nomeadamente da Assembleia da República (AR). Isto porque assistimos diariamente a uma instituição que serve para legitimar a impunidade e a incompetência e, em muitos casos, abafar situações de lesa-pátria e pressionar os tribunais a "não decidir".

 

O caso mais recente é o relatório de Tancos, onde os partidos da Esquerda (quem diria que o Bloco e o PCP...) se alinharam para excluir de responsabilidades no caso Tancos, tanto António Costa como o antigo ministro da defesa, Azeredo Lopes. Ou seja, o relatório de Tancos vai ser aprovado mesmo que, declaradamente enviesado face à realidade.

 

Caberá perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa a quem irá doer então o furto das armas! Caberá perguntar a Azeredo Lopes porque foi forçado a demitir-se - posto que não tem quaisquer responsabilidades. Caberá perguntar a António Costa porque é que forçou a demissão do seu ministro! Caberá perguntar porque é que tantos outros ministros abandonaram os cargos em situações que, apesar de terem responsabilidade, não podiam controlar as ocorrências! Caberá perguntar a António Costa quando é que finalmente assume as suas responsabilidades como Primeiro-Ministro - que vão para além de fomentar a divisão dos portugueses em indivíduos de segunda e de primeira.

 

A casa da Democracia tende a ser, cada vez mais, a casa da vergonha, a casa onde acima dos interesses do país se encontra um número exagerado de indivíduos com mais tentáculos que um polvo gigante e que se arrogam de gozar de total impunidade e de usar a lei para se ilibarem dos crimes que cometem!

 

Entretanto, o caso vai-se arrastando e se alguém for condenado (o que me levanta dúvidas) serão sempre os peões que sujaram as mãos... Entretanto, a informação de que a Presidência sabia da encenação do aparecimento das armas, também ficou esquecida, sobretudo pelos media que são fiéis a Marcelo.

 

Esta notícia, também divulgada pelo Sapo 24, é mais uma daquelas que vai passar ao lado dos portugueses e ao lado daquilo que deveria ser a Democracia...  Nada de anormal, no país em que todos somos estrelas mas em que ninguém é responsável por nada...

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