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Aprendam! Eles não duram sempre!

por Robinson Kanes, em 27.09.19

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Imagem: Petr David Josek / AP

 

Não é absolutamente necessário voar e entrar pelo sol adentro, basta rastejar até um lugarzinho limpo nesta terra onde de vez em quando o sol brilha e nós nos podemos aquecer.

Franz Kafka, in "Carta ao Pai".

 

Não resisti, por isso aprendam... Eles não duram sempre e mostram que ainda existem Homens com "H" grande...

 

Agora sim... Até breve!

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O país onde não havia natureza...

por Robinson Kanes, em 09.09.19

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Imagem: GC

 

 

Os portugueses são daqueles povos que se podem orgulhar de ter legislação para tudo. Existe uma falha, cria-se imediatamente uma lei para preencher esse vazio ou alguém influente na política comete um crime, cria-se uma lei que permita a fuga desse indivíduo à Justiça. No entanto, quantas leis têm efectivamente aplicabilidade prática? Quantas leis são seguidas e quantas outras não são  mais que um processo de entropia à própria aplicação da justiça?

 

Existem em Portugal, tantas outras leis relacionadas com o ordenamento do território e com o ambiente, mas só aquelas que acompanham o cimento parecem merecer a atenção de quem governa e de quem é governado. O tema ambiente não dá votos! Poderão falar do crescimento do PAN, no entanto, a bandeira deste são os cães e os gatos, não propriamente as políticas ambientais e de sustentabilidade. Os "Verdes" não existem, pura e simplesmente, lembram-me sempre aquelas micro e pequenas empresas que ninguém percebe como sobrevivem perante a ineficiência de vendas e concretização de negócio.

 

Os temas ambientais não merecem destaque porque simplesmente ninguém quer saber! Queremos ter um aeroporto para viajar mais barato e aumentar o turismo de "chinelo no pé", mas não queremos saber os impactes do mesmo no ambiente. Não queremos saber dos Parques Naturais, das Reservas Naturais e muito penas de Zonas Especiais de Protecção. Não estamos preocupados com o processo mais que visível de desertificação e muito menos nos preocupamos se todos os dias alguém faz descargas no Tejo e em outros rios e nada se faz. Ninguém está preocupado com as promessas (e algum trabalho, efectivamente) realizadas no âmbito de pós-Pedrogão e dos incêndios de Outubro daquene ano fatidíco.

 

Um aparte, sei que não acontece com todos, mas não são raras as situações em que já presenciei bombeiros no terreno sem saber o que fazer ou, passo a expressão, "à nora" porque o comando é fraco. Não são raras as vezes que assisto a bombeiros plantados à entrada de localidades à espera de um incêndio que está a quilómetros, porque as ordens passam por desmobilizar a frente e proteger habitações! É importante que não morra ninguém e poucas casas sejam destruídas sob pena dos media serem implacáveis. Até porque, em termos de área ardida, destruição da fauna e da flora, os cidadãos não estão interessados.

 

Deveríamos ter vergonha pelo simples facto do Tribunal de Justiça da União Europeia ter condenado Portugal pelo falhanço na declaração de 61 sítios como zonas especiais de conservação - simplesmente porque ignorou as orientações da Comissão Europeia no âmbito da "directiva Habitats". Será assim tão difícil num país tão pequeno e com prazos tão alargados? Terão os cidadãos cultura ambiental (ou interesse) para exigirem mais dos Governos nestas matérias? Eu envergonho-me de estar num país em que tal acontece, em que Pedrogão e o "Outubro negro" foram óptimos para o mediatismo de muita gente e onde todos os mortos, feridos e envolvidos na tragédia foram completamente ignorados e as suas mortes ou dificuldades acabaram por ser em vão. E hoje como estou em "apartes", não é estranho que o piloto de uma força militar que disse anos a fio (e ainda diz) não ter condições para o combate a incêndios, estar a pilotar um helicóptero privado de uma empresa ligada à indústria do papel? E como este quantos existem? Não é também estranho que um piloto de 34 anos, que mora no Montijo (segundo me foi dado a saber), faz uma "perninha" a pilotar helicópteros privados e ainda é comandante de uma corporação de bombeiros a cerca de 350 km de casa? Como é que se consegue tempo e eficiência para todos estes deveres? Deveres esses que, na sua maioria são pagos com dinheiro de todos nós. Todavia, também não quero, com isto, menosprezar a capacidade de trabalho do profissional.

 

Finalmente, também o Tribunal de Contas arrasou, e voltando ao tema, a ineficiência ou total ausência do plano para a desertificação! Perdoem-me a expressão, mas "caramba que raio anda tanta gente a fazer?". Temo que estes reparos de uma das instituições públicas que melhor funciona fique, mais uma vez, no esquecimento. Não deve ser fácil estar no Tribunal de Contas e ser constantemente humilhado pelo total desprezo político em relação a esta instituição! Num país com cidadania e patriotismo fora de estádios de futebol, esta seria uma das instituições mais acarinhadas pelos cidadãos e que mais apoio teria destes para fazer valer aquilo que agora são meras observações...

 

Portugal talvez seja mesmo o país onde, além de contas claras, não há natureza...

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O Anselmo e os erros ertográficos em televisão...

por Robinson Kanes, em 03.09.19

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Créditos: https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/erro-da-rtp3-sobre-catalunha-inspira-trocadilhos-nas-redes-sociais

 

 

Quem nunca deu um erro ortográfico, mesmo que por gralha? Eu já! Dizem que as minhas mãos falam, e quando o tempo é pouco, lá se escapa qualquer coisa - sim, os textos do Robinson raramente são revistos. 

 

A propósito de alguns artigos publicados no Delito, venho procurar uma explicação para tanto erro ortográfico nos canais de televisão e até nos jornais (online e não só): agradeço ao Pedro o facto de nos dar algumas pérolas porque eu não tenho nem vejo televisão.

 

Uma das explicações poderá estar na história que vou contar. Em tempos, tirava eu o meu primeiro curso e dividia a minha casa com um colega de Gaia - vamos chamar-lhe "Anselmo". O "Anselmo" era um indivíduo que gostava de carros e velocidade e que tinha acabado de entrar numa outra faculdade, mais precisamente para o curso de Engenharia Mecânica.

 

Gostava do "Anselmo", fazia-me rir e era um verdadeiro maluco, não gostava era de estudar. Admito que ainda tentei, mas o "Anselmo" passava mais tempo a fazer street racing e em encontros de malta que gosta de acelerar do que propriamente na faculdade e até na cidade onde deveria estudar. Deixem o "Anselmo", eu também não fui nenhum menino...

 

Os pais do "Anselmo", indivíduos com poucas dificuldades, mais tarde, lá arranjaram forma de colocar o filho na residência de estudantes, sempre se poupam uns "cobres" e o contacto assim foi sendo perdido, mesmo que o pobre "Anselmo" em dois anos tivesse comprado dois carros novos - a troca deu-se, porque o primeiro, a gasolina e topo de gama, já não servia e era preciso apostar em mais cavalagem, mas a diesel. Percebem agora porque é que os serviços sociais tiveram pena do "Anselmo": pagar uma vida de luxo, os estudos e um apartamento/quarto, não está ao alcance de um "pobre" indivíduo.

 

Tudo isto para chegar ao dia em que o "Anselmo" (ou alguém por ele), mexeu os cordelinhos, que isto de estudar não ía dar em nada e de repente se vê a trabalhar em part-time na RTP. E que trabalho (bem cunhado) foi esse? Legendas e rodapés de programas de televisão! O "Anselmo" não era bom de letras, mas afinal para entrar na RTP também nunca foi preciso um grande CV, enquanto existir quem pague todos os meses a contribuição audiovisual há lugar para "todos". Numa coisa, no entanto, o "Anselmo" foi bom: conseguiu a trabalhar para o Estado, enganar o próprio Estado e manter todos os apoios escolares mesmo sendo trabalhador-estudante, lá está e repito, no próprio Estado.

 

Mas, como o "Anselmo" existiam mais, na RTP não, mas a trabalhar no sector público (ainda hoje tento perceber como se é Técnico Superior sem curso superior). Aliás, pelas residências de estudantes pululavam estes parasitas, ou não fossem estas, alvo de brincadeira por parte de muitos perante o facto de possuírem o melhor parque automóvel da faculdade. Alguns e algumas até se vangloriavam dos supostos esquemas para enganar os serviços sociais ou então ostentavam a sua rede de contactos para afirmar o porquê de tais regalias.

 

O primeiro ano passou, o "Anselmo" chumbou (quase a todas as cadeiras), e eis que no segundo ano, pouco ou nada mudou, a não ser o carro, como referi. Também não mudou um certo grau de deficiência escrita e oral, o que pouca importa para se escrever rodapés num canal de televisão público e auferir mais que um gestor de algumas empresas. Mudou o carro e o "Anselmo" passou de part-time a full-time o que levou o "profissional" de televisão ao abandono da faculdade. O "Anselmo" podia não ser bom em muita coisa, mas a fazer pela vida sem muito trabalho era exímio.

 

Talvez, não faltem por aí muitos "Anselmos"... E assim sendo, pois Pedro, muitas das suas inquietações poderão estar esclarecidas.

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Imagens: Robinson Kanes

 

Esta é talvez uma das bandeiras deste espaço, quem já o vem seguindo vai percebendo a afinidade que por aqui se tem com o mesmo e a forma como se tem lutado para que o novo aeroporto de Lisboa não destrua um dos mais belos santuários naturais do Mundo.

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O Tejo é, cada vez mais, um rio em vias de extinção: em Espanha soam os alarmes (ver o Tejo em Toledo  mete dó) e em Portugal ignora-se, e até se fomenta (não punir é o mesmo que aceitar) a sua poluição que vem desde Ródão e Fratel e segue por todo o rio até às descargas, já em Lisboa - sem esquecer toda a movimentação de navios que agora ganha novo ritmo com o terminal de cruzeiros - é sempre a poluir.

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O Tejo é um dos nossos maiores bens, o Estuário ainda mais, mas insistimos em obras faraónicas, em investir mais dinheiro e continuar a alimentar interesses de meia-dúzia em prol da destruição de outros. Andamos tão tristes com a Amazónia (e o que aí vem não vai ser agradável, de facto) mas andamos a esquecer os nossos incêndios e um dos estuários mais belos do Mundo. 

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É triste perceber que a grande maioria dos lisboetas não conhece este Estuário! Ainda recentemente me desloquei com um "alfacinha" ao Seixal (nascido, criado e ainda com casa bem no coração da cidade) que, ao chegar, perto da Câmara Municipal e num ponto mais alto, ficou deslumbrado com aquela baía e parecia um tonto a tirar fotografias: "mas isto é lindo, não conhecia... Isto é lindo!".

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Enquanto pensamos no novo aerporto, numa das mais belas praias da região de Lisboa, em Alcochete, os avisos desaconselham os banhos... O que se fez para reverter esta situação ao longo dos anos? Nada! O que se tem feito para combater a pesca ilegal de bivalves e a existência de autênticas máfias no rio? Tudo acontece sob o olhar da GNR e da Polícia Marítima que parecem estar de mão atadas. Nada se faz ou ficamo-nos por escassas intervenções - apreende-se uma embarcação, surgem logo duas ou três! Entretanto, a autarquia continua a investir em touradas, com o consentimento dos seus habitantes, é preciso ter isso em conta.

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Ainda recentemente se falou de um problema com aves no aeroporto de Sá Carneiro, que obrigou a uma aterragem de emergência, foi em Portugal. No entanto, pouco se falou do voo da Ural Airlines que saiu de Moscovo e que, após a descolagem, viu os reactores serem destruídos por aves obrigando a uma aterragem num campo de milho! Não utilizarei a palvra milagre, porque é dar os louros ao que não existe e esquecer o trabalho dos pilotos! Aterrar um avião acabado de descolar, carregado de combustível, num campo de milho e sem incendiar ou provocar mortos é uma proeza daquelas! Não terão os holofotes dos pilotos do Rio Hudson, Hollywood e a CNN não ficam em Moscovo.

 

Uma nota final para a Amazónia: a Amazónia é um património do mundo, a Amazónia tem vindo a ser destruída ao longo de décadas e só agora o mundo acordou para esta realidade! Porquê? Dá "likes"? O efeito rebanho afinal é mesmo uma realidade? Porque todos querem seguir as celebridades? Quando é que nos lembramos que, embora influenciando pela positiva, não raras vezes estamos perante um "show off" que se esgota em horas e os resultados serão nulos! Quando é que agiremos por nós? Quando é que o mundo viola pela "primeira vez" uma lei internacional em prol do bem e faz questão de dizer que a Amazónia é de todos?

 

Deixo este gráfico e uma ligação com mais informações para percebermos que toda esta calamidade não é só "obra de Bolsonaro" (embora também este esteja a falhar redondamente), como parece ser o pensamento geral! Um olhar mais atento vai descobrir que os anos anteriores à eleição deste foram negros para a floresta! No entanto, a culpa maior é de todos nós que consumimos produtos oriundos desta floresta e que nada fazemos para mudar o estado das coisas! Além disso, a floresta amazónica não compreende só o Brasil!

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Fonte: https://rainforests.mongabay.com/amazon/amazon_destruction.html

Até lá, fiquemos sentados a assistir e a aguardar pelos voos baratos que nos levarão de Lisboa para outros destinos igualmente com voos baratos a troco de um investimento que nos vai sair muito caro!

 

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photo-1497129907035-91f1b95c8119.jpgCréditos: Jez Timms

 

Nota Introdutória

Tinha este texto sem título e em rascunho há muito, daí a alusão a um estudo. Como era o único, abri pensando que era algo para apagar. Tenho dúvidas que o tenha publicado - já o procurei e não me parece que esteja. Por acreditar que continua actual, faço-o sair hoje. Por sinal, a Mia durante o dia de ontem publicou alguns pontos que podem muito bem completar este artigo e por isso a sua saída foi inevitável.

 

 

A chave para sermos felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos ao que não nos causa felicidade. Não é a mesma coisa que prestar atenção à própria felicidade.

Paul Dolan, in "Projectar a Felicidade".

 

Um dos temas tabu deste país voltou a ter um foco de atenção (pouco, mas melhor que nenhum) pela mão de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos: "As mulheres em Portugal: como são, o que pensam e o que sentem?".

 

Muito se tem falado em igualdade de género e, no caso das mulheres, as que mais reivindicam e apregoam o actual hype, são as mesmas que pactuam com salários mais baixos que os homens, aliás, algumas até impulsionam essa prática nos locais onde trabalham.

 

E quantas também não vivem infelizes no sexo e já nem amam as pessoas com quem estão mas, por força do hábito ou de uma posição mais tranquila na vida, vão aguentado esse martírio. Muitas são também aquelas que não lidam bem com o sexo oposto e portanto criam a sua posição de uma forma mais agressiva, direi.

 

E aquelas que usam o facto de serem mulheres mas quando chamadas à praça, não querem ferir susceptibilidades (mesmo que não saibam dizer a última palavra). Muitas são também aquelas que agora exaltam as mulheres no trabalho mas choravam junto dos homens (inclusive em redes sociais profissionais) por um emprego, apelando à boa-vontade dos amigos - uma tanto chorou que depois da saída (forçada) de uma instituição financeira como Human Resources Business Partner chegou rapidamente a Directora de Recursos Humanos numa empresa ligada aos media.

 

Estranho que muito se fale da questão de género mas esta temática (salários, sociedade, vida em família, liberdade de escolha) continue a passar ao lado das reais reinvindicações... Não dá likes e até pode tirar o emprego ou uma vida estável e, quando assim é, viramos as atenções para algo que, aparentemente, é mais popular e "solidário". Ainda um destes dias procurava alguém que falasse sobre esta temática, alguém que até gosta de aparecer e só repete que é COO/CEO/CFO/CSO/CCCCCCCCC de tudo e mais alguma coisa e que até é mulher mas quando a temática passava ao lado do hype e se centrava naquilo que era importante... Lembram-se das susceptibilidades?

 

Mas deixo uma questão, ou várias: quando é que se começa a debater seriamente a diferença salarial? Quando é que uma mulher pode dizer claramente ao marido ou companheiro que o sexo é uma porcaria? Quando é que uma mulher pode, inclusive trair o marido e merecer o mesmo tipo de recriminação que o próprio? Quando é que uma mulher, e é aqui que pretendo chegar, pode dizer que não quer ter filhos por opção ou está profundamente arrependida de ter filhos? Ou até que teve filhos por uma questão de pressão social, de moda ou de status? Quando é que uma mulher pode encarar os homens com a mesma força, por exemplo, numa reunião onde nem sempre é a líder? Poucas o ousam fazer e perdoem-me, mas nesse campo as mulheres são, ou mostram ser, bastante mais frágeis e emocionais que os homens... Isso também pode mudar.

 

Um aparte... Existem indivíduos que actualmente trazem crianças ao mundo por que é cool ou então porque lhes permite (pensam) subir um patamar! Como casar, comprar a casa, fazer a viagem de lua-de-mel e comprar carro novo e... aumentar a dívida familiar. Aliás, até será mais bem aceite que uma esposa de outrem durma com uma chefia para aguentar a economia lá de casa mas que jamais diga que não quer ter filhos porque quer ter outro estilo de vida!

 

As mulheres (e também os homens) ainda não podem dizer simplesmente que não querem ter filhos por opção! A chuva de criticas e a ostracização social faz-se imediatamente notar! A família critica, os amigos criticam (muitos, lá no fundo, porque invejam) e a própria sociedade o faz - essa mulher - ou homem - pode assim trabalhar mais que os outros, não ter férias quando os outros podem e sacrificar-se como fosse um ser cujo facto de não ter filhos aparentemente faça com que não tenha vida própria. Já lidei com situações em que mulheres foram primeiramente despedidas porque não choraram nem usaram os filhos como forma de alterar a posição do empregador! Que podemos chamar a isso: discriminação? Segregação? 

 

Será crime uma mulher dizer que não quer ter filhos porque quer viver a vida? Será assim tão egoísta num mundo onde não faltam crianças? Lembro-me em tempos de ter lido as palavras de um CEO de uma fábrica de brinquedos portuguesa chamar de egoístas às mulheres que não queriam ter filhos porque assim não ajudavam a segurança social do país! Acredito, todavia, que estas palavras queriam dizer seria mais: sim, quanto mais crianças mais negócio para mim, além disso fica-me bem dizer isto porque sou um networker nato e gosto de aparecer porque sou muito solidário - todavia, dos colaboradores deste senhor, ninguém ouve falar, mesmo quando a entrada em bolsa se revela um desastre. Espero também que este senhor não fuja nem com um cêntimo às obrigações fiscais e não necessite de apoios do Estado para nada! Isso é que é ser solidário com todos nós.

 

Ferreira de Castro, em "A Experiência", dizia que uma "moral, qualquer que seja, se, por um lado, se renova, por outro envelhece, e há normas de moralidade colectiva que, com o tempo, revelam toda a sua desumanidade e tornam-se portanto, imorais". Portanto que moral preside ao facto de ter o direito a não querer ter filhos? Onde é que entra! E o direito a dizer arrependo-me de ter tido filhos? E o direito a dizer separei-me porque já não amava nem suportava mais outrem ou até porque sexualmente não me satisfazia?

 

Andamos muito atentos e participativos nos hypes das redes sociais e dos media, e no entanto, na realidade, vamos ficando mais conservadores e egoístas que nunca... Porque a realidade não tem holofotes e aí podemos mostrar (involuntariamente) o que realmente somos, e por norma, não é algo bonito de se ver. Andamos reféns e passamos ao lado de problemas que estão a destruir um país, um continente e um mundo.

 

Finalmente, temo também que se ande a utilizar em demasia o exemplo isolado para fazer uma grande campanha em torno desta ou daquela mulher, mas com parcos efeitos no longo prazo. Uma espécie de "G.I. Jane".

 

P.S.: é um texto sobre mulheres, mas muito do que aqui é escrito também é aplicável a homens. E sim, acredito na classificação homens/mulheres, dispenso todas as outras classificações independentemente de apoiar que cada um pode dispôr da sua vida, do seu corpo e do seu intelecto como bem entender. Espero que não me expulsem como expulsaram um aluno (criança) de uma escola em Inglaterra por insistir com o professor que só existiam homens e mulheres, independentemente das tendências sexuais.

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O Estuário do Tejo...

por Robinson Kanes, em 09.08.19

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Imagens: Robinson Kanes

 

O Estuário do Tejo... A Reserva Natural do Estuário do Tejo, esse espaço em vias de extinção, uma extinção há muito anunciada, ou não fosse o estado de abandono da mesma por parte das autoridades nacionais. Tanto se fala da preocupação com o ambiente, mas é mesmo às portas da (e na própria) capital que se assiste ao apagar de um património que, depois de destruído, será irrecuperável. O "senhor Ryanair" é que já deve estar muito satisfeito e a preparar a sua espingarda para começar a caçada aos pássaros.

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Mas o que está em risco? O que é que podemos perder com o novo aeroporto e a construção desmedida que está a tomar conta desta zona que, supostamente, deveria ser protegida? Onde estão os ambientalistas? Onde estão os partidos da natureza? Onde está a promessa de cuidar do ambiente e do nosso património único? Já deixaram que os incêndios destruissem o nosso país, permitiram que industriais sem escrúpulos destruissem os nossos rios, só falta acabarem com este estuário!

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Quem toma conta desta espécie que, por sinal, é protegida - a Garça Real (Ardea cinerea)?

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E esta "passarada"? Vamos destruir umas das principais rotas migratórias do Mundo? Este é um espectáculo singular na Primavera e no Outuno que vai deixar de existir!

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E o corvo-marinho (Phalacrocorax carbo), o terror do peixe na maré baixa. Quando em bando é um espectáculo digno de ser ver nas margens do Tejo. Um autêntico ataque aéreo digno de registo!

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E os flamingos do Tejo (Phoenicopterus roseus) os autóctenes e os migratórios? Andamos todos vestidos à flamingos, com bóias e vestidos pirosos mas ignoramos a sua destruição? Mas que apropriação é esta ou já encaramos os mesmos como mera peça de decoração?

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Será que uns voos mais baratos valem a destruição de todo este espaço? Valem a construção de mais uma infraestrutura gigante, de mais uma ponte e de todo um desastre ambiental sem precedentes? E quem estamos a satisfazer a pretexto do desenvolvimento do país? Os interesses da AHRESP? Dos novos empresários do turismo que desconhecem o conceito de turismo sustentável? De políticos que nunca responderam por estes crimes? Temos um aeroporto em Beja a apanhar pó! 

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Já percebemos que o Governo actual (e muitos dos anteriores) falharam em toda a medida na defesa dos interesses do cidadão comum e do país... Por quanto tempo mais vamos deixar que estes crimes continuem sem pelo menos lutarmos por aquilo que é nosso para sempre e não somente por legislaturas de 4 anos? E porque não estamos também a ter em conta a subida no nível dos mares e os impactes que isso terá numa zona como aquela onde querem localizar o novo aeroporto?

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Defendam o pouco que ainda resta de bom no vosso país! 

 

P.S.: há pouco mais dois dias, um avião da United aterrou de emergência devido ao embate com uma ave. A situação ocorreu no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Imaginem no Montijo (que não é só Montijo, é o Seixal, Barreiro, Almada, Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira, Palmela, Moita, Benavente, Alcochete - e isto são apenas sedes de concelho).

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its-always-sit-peter-steine.jpgCréditos: https://condenaststore.com/featured/its-always-sit-peter-steiner.html

 

Defende-se uma doutrina com a mesma tenacidade e idêntica paixão que se procura preservar esta contra a aniquilação ou uma perspectiva comprovada ou o saber de uma  cultura antiga depurada mediante a sua selecção. Quem não está de acordo com tal opinião, sofrerá a sua parte, pois será estigmatizado como herege, será caluniado, e se possível será desacreditado, em suma, descarregar-se-á sobre ele a reacção altamente especializada do «mobbing», do ódio social.

Korand Lorenz, in  "Os Oito Pecados Mortais da Civilização".

 

 

Confesso que esta semana tinha em mente continuar com uma escrita mais polite, digamos assim. O lado bom é que não se arranjam inimigos e inimizades na gestão, no entanto...

 

No entanto, já começa a ser exagerado esta preocupação com o que se passa no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA), como se o que estivesse a acontecer em ambos os países fosse alguma espécie de novidade (basta um pestanejar fora de contexto e temos o caos montado) - e contra mim falo que ligo mais ao que se passa lá fora do que às pequenas coisas que por cá ocorrem, já que às grandes, todos passam ao lado.

 

Mas enquanto andamos a criticar a polícia montada nos EUA que prende um indivíduo e o leva atado a uma corda para a esquadra deixamos que o Governo vigente e o presidente cool de Portugal continuem a defender a existência de portugueses de primeira e de segunda (e em alguns casos de terceira). Preferimos lamentar um atentado (e bem) mas não deixamos a toalha de praia enquanto o país arde! Terrorismo é invadir uma academia de futebol, incendiar um país é um lapso, invadir supermercados e esquadras de polícia são crimes menores. Terrorismo é termos um primeiro-ministro que não se mostra para não prejudicar a imagem e envia o Ministro da Propaganda Iraquiano, Augusto Santos Silva, o porta-voz de todos os Governos PS dos últimos anos - todos sabemos como Santos Silva se mexe nos media. Importa lembrar que Augusto Santos Silva é Ministro dos Negócios Estrangeiros mas tem tido a palavra em tudo o que é assunto/escandaleira de política nacional. Santos Silva diz "assunto encerrado" e todos os media se calam!

 

Mas voltando ao Texas... É isso, estamos no Texas (ao menos tivessem assistido ao "Walker, O Ranger do Texas") - esta gente urbana vê alguém com um chapéu à cowboy e pensa que o Texas é uma espécie de Namíbia! Até aqui se vê um Portugal a duas velocidades de pensamento. Na Venezuela, na Coreia do Norte, na Rússia ou na China aquele senhor teria sido imediatamente abatido ou transportado com os queixos a bater numa unimog! Trump também se enganou no nome da cidade onde teve lugar recentemente um atentado e é o colapso em Portugal! Pelo menos Trump tem um país daquele tamanho para pensar, por cá, com meia-dúzia de quilómetros, muitos nem sabem onde ficam as principais cidades do interior. Reforço, não sou defensor de Trump...

 

O selfie man demonstra também que ainda não perdeu os tiques corporativistas que traz do Estado Novo e "aumenta" os juízes em 700 euros! Não está mal, afinal também deixou que passassem dois ordenados mínimos, um para funcionários públicos e outro para cidadãos de segunda. Interessante em Marcelo é que aprova e depois condena, uma espécie de assassino da Democracia que dispara o tiro contra a senhora mas depois diz que não é bem assim que as coisas devem ser... Se isto não é populismo ou conivência com uma política podre, não sei o que será! Não esqueçamos que é este mesmo senhor que acha que sabe mais que o Tribunal Constitucional. Um dia admirem-se da ascensão do populismo que tanto temem... Só lhe estão a dar espaço.

 

Marcelo também é especialista em dividir o povo, já o fez em vários episódios e agora está a fazer o mesmo com os motoristas, tentando virar o país contra estes, agora até tem a companhia do raríssimo Vieira da Silva (alguém que num país verdadeiramente democrático já estaria preso!). Já não é a primeira nem a segunda vez que Marcelo o faz, seguindo a tendência do Governo! Que o Governo o faça, até se entende, mas um Presidente da República? É feio, é desonesto, já para não mencionar o contínuo desrespeito pelas polícias (excepto pela GNR, guarda pretoriana do regime) e pelos militares - não tivessem sido estes a destruir o seu sonho de ser Presidente do Conselho antes do 25 de Abril. Marcelo vai sorrindo cinicamente dos portugueses enquanto vai actuando na sombra! Marcelo só não se revolta com algumas figuras públicas com muitos telhados de vidro, com a Igreja, com as rádios e televisões e claro, com a "bola", onde o perdão de impostos e a corrupção é uma coisa aceitável, defendendo inclusive esse atentado (terrorismo político?) com compromissos internacionais. Nem a humilhação na OCDE mudou a atitude deste senhor que se vai comportando como uma espécie de político mexicano comprado pelos cartéis da droga, qual filme americano dos anos 80 sobre estas temáticas.

 

Reafirmo, não percebo a critica ao que se passa no outro lado do Atlântico, ou pelo menos o exagero. Nos EUA, Trump, o alvo perfeito, e Bolsonaro porque uma pseudo-elite brasileira (não todos os brasileiros) que se instalou em Portugal parece monopolizar a opinião em muitos media e até no panorama cultural nacional. No entanto, na Rússia, estamos a assistir à aniquilação da oposição e à tomada de poder no sentido de reactivar a União Soviética: Crimeia e Geórgia que o digam! Silêncio total... É mais fácil falar de encontros nacionalistas e querer uma democracia desde que seja com a minha vontade e lei. Não vejo ninguém a criticar as brigadas anti-fascistas e de extrema-esquerda que desfilam pelas ruas deste país, qual legião hitleriana invertida aquando do 1º de Maio, 25 de Abril e outras tantas manifestações. No entanto, vejo muitos destes criticos a partilharem as democráticas fotos das férias em países autoritários como a Tailândia, China, Vietname, Laos e Emiratos Árabes Unidos!

 

Debate em duas direcções precisa-se... Agora chamem-me o que quiserem, mas recuso ser alguém cuja embriaguez democrática atinge de tal forma o pensamento que o transforma num caos totalitário! Citando um dos grandes heróis de muitos destes senhores, Lenine, cada vez mais "a liberdade é um bem de tal modo precioso que tem de ser controlado", sobretudo face àqueles que a estão a usar para imporem o seu autoritarismo camuflado de bondade. Isto acontece sempre que a política se julga intocável e as pseudo-elites intelectuais julgam ter a desenvoltura mental que o comum dos mortais não consegue atingir!

 

P.S.: Deixo duas questões: Sr. Presidente, alguém em Maio/Junho prometeu o "fim" da corrupção em Julho, já estamos em Agosto? Como comentador profissional e autor dessa promessa, terá algo a dizer? Também prometeu que não se recanditaria se as tragédias dos incêndios se repetissem - em que está  pensar? Monchique, Mação, Vila de Rei e tantas outras tragédias com feridos e mortos, não são tragédias, são meros churrascos? Cuidado, não se faz política com a carne queimada daqueles que foram apanhados pelo desleixo do Estado. E ainda falta Tancos...

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1000.jpegCréditos: AP/Sam Mednick

 

O Sudão do Sul é mais um daqueles países que, pontualmente, tem 20 segundos de atenção nas notícias e pouco importa para todos nós! O "folclore" dos refugiados no Mediterrâneo tem mais impacte, no entanto, esquecemos que a origem não está nas águas deste mar... Está em locais mais longínquos.

 

Num país devastado pela guerra e consequente violência, travam-se guerras "anónimas". São guerras travadas entre guardas armados de metralhadoras automáticas e caçadores furtivos. Os primeiro defendem as reservas da tirania dos segundos e também da invasão humana. Muitos destes guardas são também antigos soldados que combateram na guerra e agora travam uma guerra que já não é civil mas sim contra aqueles que querem destruir uma das, se não a maior, riquezas do Sudão do Sul: os parques nacionais! São seis parque nacionais e 13 reservas de caça (13% do território).

 

Num país onde a guerra matou mais de 400 000 pessoas e cuja paz ainda é recente e frágil, procura-se agora estimular um turismo sustentável e promover o estudo de todos estes espaços - alguns passos já foram dados em relação ao elefantes da floresta e à grande migração dos antílopes, uma das maiores do continente. No entanto, a tarefa não é fácil: a disseminação de armamento e a sede de consumo dos países desenvolvidos são promotores da caça furtiva! Também os recursos são escassos, num país que investe, mesmo assim cerca de seis milhões de dólares na defesa da natureza (é pouco, mesmo assim, mas acredito que bem mais que num país como Portugal - mais rico, por sinal).

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Créditos: AP/Sam Mednick

 

Esta é uma guerra que não pretende dar tréguas - para que se tenha uma ideia, os guardas do parque dormem sempre separados, pois os ataques dos caçadores furtivos a estes são constantes e a garantia de que pelo menos alguns possam sobreviver já é uma conquista! Estes são os verdadeiros guardas da Natureza, ou melhor, os soldados da Natureza que além de lidarem com autênticos guerrilheiros ainda têm de conter o avanço das populações que, com a exploração agricola, vão devastando importantes áreas protegidas. Juntem-se a isto as ameaças de morte e temos um cocktail explosivo!

 

Todavia, entre a crueldade existem sempre focos de esperança. É importante ter em conta que estamos num país em ruinas e no centro de África, mas surgem iniciativas no sentido de mostrar e explicar este valioso património às crianças, de fazer viagens de campo colocando as crianças "em contacto" com os animais - só assim a destruição poderá dar lugar à preservação e criar uma mentalidade de união nacional na defesa daquele que é um património do Sudão do Sul e de todos nós! Também assim, o Sudão do Sul está a investir em futuros soldados da Natureza e também em, quiçá, futuros técnicos de turismo ambiental e sustentável ou até biólogos e investigadores!

 

Com o apoio de entidades estrangeiras mas ainda sem o peso de muitas associações ou ONG (que, não raras vezes, atrasam o processo e não criam empowerment nas populações), podemos ter aqui um exemplo para o mundo. Talvez assim, também possamos ser mais activos na defesa do ambiente no nosso país, até porque andamos preocupados com as políticas ambientais de um país (sempre o mesmo) do outro lado do Atlântico e fechamos os olhos ao que se passa por cá e no resto do mundo.

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A Nossa Elite: Aliu Camará!

por Robinson Kanes, em 15.07.19

tiago miranda - expresso.jpgCréditos: Tiago Miranda/Expresso

 

Não sou propriamente conhecido por elogiar tudo o que é português... No entanto, vou ficando com a sensação que, apesar de ser dos poucos que o reconhece, muitos outros que alimentam o discurso contrário são os primeiros a criticar a nobre nação porque não homeageia um músico, um actor ou quem quer que seja que venha do Brasil!

 

Entendo que agora estamos no hype (já longo, e é isso que me "assusta") de fazer vénias a tudo o que vem do Brasil e não só - e tanta coisa boa que há no Brasil e só importamos o que é mau! Recomendo aos pseudo-intelectuais e pseudo-influenciadores que olhem para dentro quando morre um dos nossos escritores ou uma das nossas figuras ao invés de espalharem o discurso que somos "atrasados" porque não se deu o devido destaque a este ou àquele artista do lado de lá do Atlântico . Do alto da vossa elite política, cultural e mediática (elite?) e da pseudo-intelectualidade, desçam à terra e reconheçam outros heróis, alguns deles o garante de que podem escrever as maiores barbaridades e disparates.

 

Um deles, a quem devem tirar o chapéu (ou devo dizer a bóina? Mas essa tem de ser merecida) é o soldado Aliu Camará, filho de guineenses e nascido no Casal da Boba na Amadora. Estes exemplos de sucesso tendem a não ser explorados pelas "SOS Racismo" deste país e também por isso a capa do "Expresso" é um verdadeiro elogio a este soldado. É um verdadeiro elogio aos desconhecidos que todos os dias nos defendem, cá e lá e ainda têm tempo para defender os demais! 

 

Muitos também censuram o excesso de reconhecimento a estes indivíduos porque se voluntariam para estas missões e até são pagos por isso. Os mesmos que batem palmas a jogadores de futebol e ainda têm tempo para agredir o vizinho no café - jogadores esses que numa hora ganham mais que muitos destes homens num ano!

 

A capa do "Expresso" é uma das grandes capas deste ano, um orgulho a todos nós: "sou Comando, vou sair daqui de pé", diz um soldado olhando para a câmera fotográfica e com as duas pernas amputadas! Poupem-me os discursos, poupem-me as conversas, um Comando não quebra... Aquele homem vai abandonar o hospital de pé! Um de nós choraria porque, com pernas, talvez não tivesse as sapatilhas de marca para calçar!

 

Lembrem-se muitos daqueles que defendem a extinção desta força (Bloco de Esquerda, PCP e tantos outros pseudo-pacifistas e moralistas) que aquele homem é um exemplo do que é ser português. Não é um desses indivíduos que ao primeiro soar de alarme, por certo, também serão os primeiros a saltar a fronteira e a defender o país da Venezuela ou de outras paragens distantes para que, quando tantos outros tiverem morrido, voltarem como os grander obreiros da vitória! Isto de ser patriota e defender a paz com palavras e obras de arte a milhares de quilómetros de distância tem muito que se lhe diga...  

 

Devemos estar orgulhosos, porque até ganhámos o mundial de hóquei em patins, cuja equipa tem de mendigar ser recebida pelo "entertainer" da nação... Devemos estar orgulhosos porque temos homens como estes e que, segundo dizem, na República Democrática do Congo são chamados de "ronaldos"... Quando provavelmente eram os "ronaldos" deste país que deveriam ser apelidados de "camarás"...

 

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A Bófia Existe para Levar no Lombo!

por Robinson Kanes, em 10.07.19

EPRIs2.jpgCréditos: Polícia de Segurança Pública.

 

O que vou escrever hoje não é novo, já por aqui falei de tropas especiais, como os Comandos - e de ser estranho que a negligência em mortes de recrutas seja sempre nesta força e nunca nas outras, pelo menos para os media - e da Polícia de Segurança Pública (PSP), nomeadamente, aqui e também neste artigo. Tomo sempre o cuidado de ser realista e não embarcar no discurso corrente e que dá trunfos, sobretudo aos comentadores de bancada que gostam do políticamente correcto, mesmo que estejam a cometer um erro crasso e com consequências no longo prazo. Por isso, se sou populista, pois bem, que o seja quem defende um Estado de Direito e não um estado de hipocrisia e selfies.

 

Na verdade, vão sendo mais recorrentes os casos em que agentes da PSP são recebidos à paulada, à pedrada e à pistolada em bairros problemáticos e não só. Se por um lado, um agente da PSP algema à força um indivíduo, passa a ser tema neste país e com pedidos de execução pública no pelourinho. Por outro lado, quando um agente da PSP é agredido, ou as notícias não existem, ou então ficam lá naquele cantinho bem escondido enquanto os comentadores acima mencionados, e perdoem-me a expressão, nem piam! 

 

Um deles é o comentador-mor do reino, que desautoriza a polícia (e confirma com a sua atitude a acusação de racismo contra esta) , troca abraços e tira selfies com criminosos - se eu apedrejar um polícia sou um criminoso, a não ser que existam leis diferentes para mim e para os outros - mas que não se vê a tomar uma atitude de apoio ao trabalho dos polícias! Importa recordar que são elementos da PSP que garantem a segurança do Presidente, nomeadamente, agentes do Corpo de Guarda Pessoal (CGP) integrado na Unidade Especial de Polícia (UEP).

 

Reconheço também, que podem existir abusos por parte das forças de segurança, no entanto, esta desautorização constante e esta falta de reconhecimento começa a ser escandalosa, sobretudo por parte dos habituais defensores dos coitadinhos mas que moram na Lapa e nos bairros mais ricos de Oeiras e Cascais - os mesmos que jamais tolerariam morar em locais como a Quinta da Princesa ou Cova da Moura. É fácil defender as "minorias" nas páginas dos jornais, nas televisões, na assembleia da república e nas redes sociais, ser activista no sofá e nas lentes das câmeras...

 

Mas... No meio de tudo isto, onde ficam aqueles que arriscam a vida por um salário miserável? Aqueles que muitas vezes também habitam nestes bairros e que garantem a nossa segurança. Onde está o reconhecimento da sociedade pelos nossos agentes e como pode ele existir se os mais altos cargos da nação simplesmente desrespeitam o seu papel? Onde está a discussão pública acerca da elevada taxa de suicídios, sobretudo na PSP? Os mortos não dão votos! Muitos dos polícias também não pululam nas redes sociais como tal, e por isso, não são influencers na caça ao voto e no mediatismo.

 

É fácil falar mal da polícia e quase defender um Estado onde a polícia é tratada como lixo, sobretudo quando se tem tempo de antena (tantas vezes inexplicável) nos media... Mesmo quando a grande maioria dos portugueses defende exactamente o contrário - e é isso que é preocupante! À semelhança de tantos temas, cada vez menos, o que se vê e lê por aí não é o pensamento do país real... E no longo prazo, tende a ser perigoso. 

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