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Se nada fizermos, Portugal vai ao fundo!

por Robinson Kanes, em 28.09.20

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London Imperial War Museum

Imagem: Robinson Kanes

 

 

Um chapéu é apenas uma panqueca, posso ir comprá-lo ao Zimmermann, mas aquilo que se guarda debaixo do chapéu, isso já não se pode comprar.

Fiodor Dostoievski, in "Crime e Castigo"

 

Faço uma espécie de plágio de um título recentemente utilizado por José María Gay de Liébana ("España se hunde y no hacemos nada"), um conhecido economista espanhol que olha para a economia de frente e não raras vezes tem de desmentir jornalistas com tiques de economistas.

 

Antes de passar ao conteúdo do artigo, propriamente dito, aproveito para trazer também algumas palavras deste economista que ainda recentemente, admitiu a perplexidade pelo facto de em Espanha se legislar por tudo e por nada ("sobre el pulpo casero, los vuelos de las palomas ciudadanas") e se continuar a ignorar os factos relevantes que, sendo colocados de lado por vias de um certo "atirar de areia para os olhos" levarão Espanha a um estado de calamidade económica dificilmente ultrapassável. Por momentos, parece que estamos a falar de Portugal...

 

O dinheiro das bazucas (e como ainda não digeri esta espécie de mendicidade e orgulho no dinheiro alheio) continua sem ter um destino, aliás, muito deste dinheiro está já destinado ao Estado, às políticas sociais (um jargão para camuflar o desconhecimento da aplicação dos fundos). Ninguém sabe para onde vai e também ninguém parece estar interessado. As crises serão constantes, o mundo dos "30 anos dourados" já não existe há muito e os períodos de prosperidade serão cada vez menos duradouros o que provocará o colapso de muitos economias e, na hora de decidir, só aqueles que melhor se adaptarão e melhor uso farão das divisas, serão os felizes contemplados com apoios europeus. A solidariedade europeia tem um limite e a aprovação deste último pacote já mostrou que a Leste, a Norte e até no Centro da Europa são muitos os que não pretendem assistir ao sorver destes mesmos fundos por Estados que não fazem uma utilização criteriosa destes. Como cidadãos, todos devemos exigir uma explicação da aplicação dos fundos e inclusive a demonstração dos resultados numa base diária, como se tem feito (em meu entender já em demasia) com os briefings diários da Direcção-Geral de Saúde. É assustador perceber que a maioria dos portugueses ainda não está verdadeiramente preocupada com a situação do país, os paliativos estão a ter o seu efeito... A crónica ausência de visão estratégica, vamos ser positivos, depois logo se vê, tudo em prol da Justiça Social - o novo conceito que ninguém sabe explicar mas é óptimo para colocar tudo no mesmo saco e fugir às responsabilidades. 

 

Este é o momento para também despertarmos como país, para percebermos os milhões que são desperdiçados em subvenções quer para causas sociais, associações inúteis e misericórdias, quer para organizações empresariais que fazem mau uso destas, quer para o erário público onde se incluem autarquias e para um sem número de interesses públicos e privados que nada trazem de bom para um país. Temos de saber dizer não! Temos de saber aplicar todos estes fundos e exigir um caderno de encargos, não podemos gastar milhões em elefantes brancos e milhões em associações que por ano realizam uma exposição para os pobrezinhos! Temos de exigir resultados. Temos de perceber porque é que todos os dias encontro sempre a alguém que diz estar em layoff mas continua a trabalhar e a empresa a receber fundos de todos nós! Estes fundos não são para ser aplicados na compra de Porsches que transformaram uma das regiões mais pobres da Europa naquela que mais concentração tinha de veículos topo de gama, o Vale do Ave.

 

Portugal tem também de perceber a quantidade de posições inúteis que tem na função pública e eliminar as mesmas! Pode começar pela reconversão, pois existem áreas (também públicas) onde os recursos podem ser bem aplicados! Não faz sentido ter 10 administrativos que passam o dia a jogar solitário a beber cafés num departamento camarário que emite um processo por mês e num hospital estarmos a precisar de auxiliares! Temos de também ter coragem de eliminar postos de trabalho se assim tiver que ser, não podemos é permitir que muitos inúteis assalariados pagos com os nossos impostos continuem a assobiar para o lado porque o seu emprego está intacto. Também no sector privado temos de ser sérios, e a pandemia veio demonstrar que existem também muitos empregos improfícuos! Muitos destes empregos vão sendo mantidos porque os salários são baixos e porque são muitos os empresários que gostam de ter o "escritório" cheio porque dá a ideia de que se é uma grande organização! São os mesmos em que tudo pode faltar na organização, menos o papel e a impressora!

 

Temos também de deixar de destruir os óptimos recursos humanos que temos! Não podemos exportar indivíduos que são brilhantes e dariam tanto a este país! Não podemos, temos de lhes pagar, de os acolher. Não podemos deixar estes indivíduos fora do mercado de trabalho ou contratar os mesmos prometendo uma carreira brilhante e encostá-los a um canto, porque ainda temos a mentalidade da courela! Não podemos ter anúncios de emprego (quando os há) onde seja para que área e posição forem, parecem copy-paste uns dos outros e recrutadores obsoletos, inoperantes e que tremem sempre que um CV não segue o Europass. Não podemos deixar que candidatos que se dirigem a uma entrevista de emprego sejam negligenciados porque são inovadores, descomplicam, abanam o status quo e cometem o "erro" de perguntar quais são os objectivos da organização para aquela posição - pergunta que nunca tem resposta! Não podemos preterir candidatos que mostram aquilo que valem e ouvem a resposta do "o bom aqui sou eu, era só o que faltava". Temos de nos rodear dos melhores, temos até de permitir que o nosso lugar mais tarde possa vir a ser ocupado por esses mesmos indivíduos - não temos de ser dinossauros nas mesmas organizações anos e anos a fio. Não podemos olhar para altas taxas de turnover em determinados departamentos com a ideia de que todos os que lá passam são maus e o dinossauro que ocupa a posição de chefia é que é bom porque já ocupa o cargo há mais de 10 anos! O problema não está nos soldados está no general!

 

Precisamos de trabalhar as nossas soft skills, a nossa cidadania e isso não se faz só com uma acção de formação. Temos de incorporar novos ensinamentos e não darmos a desculpa do "mas sempre foi assim" ou do "aqui não resulta" ou ainda do "é cultural". São raros os casos de fintas que são feitas a headquarters localizados no exterior para que não se descubram certas manhas internas. É preciso abrir para o mundo e isso não se faz com uma viagem barata àquele ou a este país! É preciso levar o cérebro e não só a máquina fotográfica!

 

Nas universidades temos de perceber o que importa e o que não importa. Só um tolo não percebe que num país tão pequeno existem universidades que nunca mais acabam e que são também um sorvedouro de dinheiros públicos, um palco para académicos e algumas delas com cursos inúteis e em muitos casos sem qualquer relação com o mercado de trabalho. Temos de apostar também no ensino técnico e pré-universitário, mas depois não podemos pagar o salário mínimo a técnicos não superiores mas altamente qualificados. Não podemos dizer que o país evolui como nunca porque entraram 51 000 alunos em cursos superiores... Entrar é fácil e actualmente até tirar um curso superior, em muitas áreas, se consegue de olhos fechados, o problema vem depois.

 

É preciso dizer basta também à elevada carga de impostos, nos salários não é excepção e a culpa não é só dos patrões (em Portugal ainda dizemos patrões...). Não podemos permitir duplas tributações como acontece no imposto automóvel, mas a sede de ter um carro novo é maior que a sede de exigir direitos e deveres! É essa sede que contribui para a fome do futuro.

 

Também temos de ouvir os melhores, temos de saber onde eles estão, e esses não andam só nas revistas, nas redes sociais e nas televisões... Não andam em publicações com artigos pagos, em trocas de favores ou a receberem prémios pagos. A título de exemplo, existe um indivíduo que na área dos recursos humanos tem construído carreira com prémios em anos que as organizações por onde passam fazem greves a todo o momento e os casos de escandaleiras são uma realidade. Temos de perceber onde essa gente, temos de colocar esses cidadãos num grupo à parte e aproveitá-los como nos diría Platão, não podemos é deixar que a mediocridade se associe a mais mediocridade e produza ainda mais mediocridade.

 

Os líderes deste país não podem ser fabricados nas redacções de jornais e televisões, não podem ser fabricados em juventudes partidárias, não podem ser fabricados no corporativismo e em rascas maçonarias que crescem em todas as áreas, devem ser desenvolvidos e encontrados na praça pública, com base nos seus méritos e no acompanhamento de grandes líderes, comprometidos com o bem-estar dos seus, pois daí advém também o seu bem-estar. Tudo isto é complexo e não é com horas ilimitadas de trabalho... Falando em horas ilimitadas, o nosso desejo de dizer sempre que estamos a trabalhar, que trabalhamos horas e horas a fio, que estamos sempre em reuniões e calls e que no final não se converte em ganhos. Façamos só 10% do muito que vemos apregoar aqui e alí, e provavelmente teremos um país melhor, quebremos os tabús, falemos frontalmente dos problemas - é daí que vem o sucesso das soluções - e façamos com que as obras de Eça sejam mesmo passado e não actualidade, deixemos que os relatos de Raúl Brandão das invasões francesas não sejam um podre Portugal que ainda hoje ali se revê e que a mulher de Junot não fuja para França em estado de choque. E Junot que não era propriamente um cavalheiro...

 

Deixemo-nos de acomismes, de negar este mundo numa espécie de esperança num futuro brilhante. O futuro não será brilhante e só a capacidade de hoje nos prepararmos bem para o amanhã fará com possamos garantir mínimos de bem-estar para todos. Não deixemos que as distracções e uma ideia de aparentemente estarmos muito à frente nos faça desistir de nós próprios - baixemos o ego (que disfarça instabilidade e insegurança) provinciano. Como nos dirá Raghuram Rajan, "people innovate when they are confident that they can question, when they are open to more radical changes and when they do not fear reprisal for it".

 

Finalmente, paremos de olhar para a corrupção como uma coisa normal! A corrupção é um atentado aos Direitos Humanos, mas fica sempre a sensação de que em cada português há sempre alguém com uma espécie de esquema ou telhado de vidro. Temos de exigir mais da nossa política e da nossa Justiça, a mesma justiça que agora parece estar descredibilizada porque o futebol e outras reais instituições do reino dominam os cérebros tacanhos que vivem a semana à espera do circus maximus. Continuam-nos a cuspir na cara, começa na Presidência da República  (paternalismo é inimigo da liberdade e da Democracia) e vai por aí abaixo, passa pelos juízes até indivíduos que se riem de nós em plena Assembleia da República. Lutar contra esta é populismo, é agora o argumento do quadrante político da direita à esquerda.

 

Também na cultura temos de olhar para a frente, valorizar quem trabalha nesta, colocar a mesma ao serviço da sociedade e deixar de entender esta apenas como um canal para mais e mais subvenções. Um agente de cultura não tem de viver do Estado, tem de procurar vender o seu trabalho numa sociedade que também tem de apreciar o que de bom se faz nas artes. Temos de perceber como é que podemos trazer as pessoas, porque até mesmo o mais iletrado é capaz de apreciar Ibsen ou Picasso, precisamos é de sair do topo da intelectualidade onde esse mundo desenvolvido só é compreendido por nós, temos de ter uma cultura sem vícios e também ela um corporativismo em muitas situações, sempre os mesmos rostos, sempre os mesmos temas... Exigir a liberdade de ter uma peça "Catarina e a beleza de matar comunistas" e não apenas "Catarina e a beleza de matar fascistas"... Sempre os mesmos, sempre os mesmos temas e sempre as mesmas incompatibilidades... Afinal, um director de um teatro nacional, usa este como divulgador da sua obra e da sua ideologia (por sinal condenada pela União Europeia) com tudo o que de bom para este daí advém, esquecendo-se das palavras de Vergílio Ferreira que afirmava que ser artista era esgotar o instante que nos coube.

 

Tudo isto não é técnico, pois é fácil erguer uma fábrica ou transformar um país em termos de infraestruturas, difícil é mudar o comportamento e fazer com que as coisas acontençam... Em termos de mudança de comportamento, muitos o tentam, sobretudo ultimamente, mas com objectivos políticos e corporativistas, alicerçados em hypes e desinformado uma sociedade que mais facilmente é manipulada quando assim é e orgulhosamente se acha muito informada.

 

Depende de cada um de nós, e caramba... Para chegarmos aqui já foi tanto o sangue que correu, já foram tantos aqueles que descendendo das famílias de Altamira procuraram e morreram para que hoje estejamos num patamar de evolução nunca antes visto, façamos uso disso e mostremos que as conquistas e os erros dos nossos antepassados, não foram em vão!

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"Kiss & Ride"

por Robinson Kanes, em 21.09.20

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Créditos: https://www.mirror.co.uk/news/weird-news/kiss--ride-signs-installed-5017292

 

"Kiss & Ride" é uma nomenclatura que já não é nova, mesmo em Portugal. De uma forma simplista, não é mais que a existência de uma faixa na via pública onde se pode parar e deixar entrar ou sair alguém - normalmente alunos em escolas.

 

Todavia, e especialmente em Lisboa, onde a febre da mobilidade continua a expandir-se mais que um vírus e sem olhar a planeamento, estas faixas têm sido criadas junto de algumas escolas. É interessante que a primeira faixa tenha sido criada no Colégio Sagrado Coração de Maria e não numa escola pública, sendo que a 50 metros existe uma. Esperemos que Lisboa não se transforme na cidade de "Kiss & Rides" só para topos de gama ou de jovens alérgicos a transportes públicos. Vai um pouco contra o turismo de "pé de chinelo", convenhamos...

 

Também podemos sempre enquadrar este tipo de medidas na nova moda de fragmentar cidades, e dentro de um bairro com 100 habitantes criar 120 nichos. Não obstante, podemos olhar para estas iniciativas como uma forma de facilitar a circulação do trânsito e até fomentar a segurança rodoviária junto das escolas.

 

Pessoalmente, e sendo praticável em várias escolas, pode ser uma boa alternativa, desde que respeitada pelos automobilistas - o que já levanta outras questões quando falamos de encartados com sangue luso.

 

Importará também perceber até que ponto estas áreas são deveras fundamentais e se são reservadas a estas actividades numa lógica de 24/7 ou só em períodos de pico (entrada e saída de alunos das escolas).

 

No entanto, e também seguindo a moda dos últimos anos, a edilidade de Lisboa importou o conceito na sua linguagem original: "Kiss & Ride". E parece ser aqui que, reina a discórdia. Se por um lado, a faixa "Bus" também não é uma coisa muito portuguesa, como também o "STOP", será que não se poderá optar por algo mais português? Recuperando a música de João Galhardo e Raul Ferrão, não é motivo para dizer "Lisboa não Sejas Francesa"? Sabemos que a Lisboa dos últimos anos tem procurado ser uma cidade para estrangeiro ver e viver, excluindo-se a manutenção de alguma "vida alfacinha" em alguns bairros bafientos especialmente nas Avenidas Novas e com um público difícil parado ainda anos 60 e 70 mas... Já assisti a indivíduos que achavam bem ser em inglês porque o futuro (presente?) habitacional de Lisboa são os estrangeiros.

 

Se assim é, será que também não devemos defender mais a nossa língua? Portugal é um país membro, aliás, a génese da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) pelo que, não podemos fazer um pouco mais pelo português ? Se até naquilo que sustenta uma organização desta importância nada conseguimos fazer, de que valerá ter/pertencer a esta espécie de Commonwealth? 

 

A tarefa não é fácil, quando provavelmente quem decide deve ter um daqueles títulos de "Mobility Specialist and Very Intelligent Unique and Gorgeous God of Lisbon", coisa pouca  o país onde o sujeito que atende telefonemas e aufere €530 mensais é o "Customer Engagement Lead Specialist" ou quando uma padaria é coisa de labregos e "Baker Lab" uma coisa de gente mais do que letrada na arte de bem fazer pão, perdão, bread.

 

Fica o tema a discussão e até aproveito para sugerir a criação de faixas de "Kiss & Ride" noutras zonas da cidade onde se apanham e largam passageiros com um beijinho, nomeadamente no Monsanto, no Instituto Superior Técnico (sobretudo depois da hora de expediente) e no Alto do Parque Eduardo VII. Digamos que aí o nome pode nem estar mal escolhido. Já temos a "Pink Street" mas nessa rua os "topos de gama" de vidros fumados não deambulam tanto.

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As polícias que se lixem! Viva a ETA!

por Robinson Kanes, em 17.09.20

 

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Créditos: Chema Barroso - https://www.madridiario.es/policias-y-guardias-civiles-protestan-en-el-congreso-por-el-pesame-de-sanchez-a-un-etarra

 

 

O pior das humilhações  é que fazem quem as sofre sentir-se  culpado.

Javier Cercas, in "As Leis da Fronteira".

 

Espanha vive tempos conturbados, à semelhança de Portugal, onde a extrema-esquerda com a conivência do centro-esquerda impõe a agenda atropelando muitos dos valores mais básicos. Parece subsistir, numa base diária, um claro exemplo para demonstrar o cataclismo político e social para onde algumas áreas caminham. Acresce a este facto, uma direita fraca e uma extrema-direita em franca ascenção - não incluo o VOX neste rótulo de extrema-direita, ao contrário do que muitos tentaram fazer sem sucesso.

 

A mais recente, e permitam-me a expressão, escandaleira, foi protagonizada pelo Primeiro Ministro Pedro Sánchez que veio a público e com toda a solenidade prestar as suas condolências e grande pesar pelo suícido de um Euskadi Ta Askatasuna (ETA) na prisão onde se encontrava a cumprir pena. Num país que, nos tempos actuais, precisa de estar mais unido que nunca, ver um chefe de Governo a assumir esta posição face a um violento separatista é, no mínimo, rocambolesco e sem qualquer sentido de Estado. Fazer ressurgir feridas ainda mal fechadas de um passado muito recente não é próprio de um Governo e atentará até contra a própria Constituição e unidade de Espanha.

 

Por certo, a pressão de Iglesias, alguém que acredita piamente que irá conquistar o poder e transformar Espanha num campo de batalha emergindo como um totalitarista travestido de suino orwelliano, terá tido os seus efeitos. Iglesias, contudo, à semelhança daqueles que lutaram na Guerra Civil espanhola, não tem ideais e não procura a paz entre os seus concidadãos apenas a vontade em se assumir como uma espécie de Demiurgo com tiques estalinistas.

 

No entanto, em Espanha, o povo e as próprias polícias não vão no discurso da serenidade (e até algo totalitarista), encetado por muitos dirigentes e que sai sempre da cartola, sobretudo do nosso Presidente da República, nomeadamente quando as coisas podem correr mal. Foi neste contexto que todo um povo e especialmente os agentes da ordem, particularmente a Guardia Civil e o Corpo Nacional de Polícia, mostraram o seu descontentamento, colocando inclusive, no Palácio das Cortes, um sem número de urnas encenando os funerais dos agentes da autoridade mortos pela ETA, que cometeram suícido ou que foram mortos no cumprimento do dever nunca tendo merecido qualquer palavra deste e de muitos governos espanhóis. Acresce aos factos, um pouco à semelhança do que também acontece por cá, a irresponsabilidade de ainda não se ter desenvolvido um programa de prevenção do suicídio nas forças de autoridade e que em Espanha é um dos principais cavalos de batalha destas.

 

É é trazendo a discussão para Portugal, que é notório que temos assistido a selfies tiradas pelas mais altas individualidades do Estado junto dos heróis que apedrejam ou disparam sobre a polícia ou então que simplesmente desprezam toda e qualquer indicação das autoridades. Pensar que ter os militares na mão, sobretudo mantendo incompreensíveis regalias, é a solução para se manter um Estado em paz e sob controlo, pode ser um erro crasso no longo prazo, até porque, não vivemos no país "orgulhosamente só" que em muita alta esfera política, sobretudo aquela que adora mergulhos no mar, ainda causa saudade.

 

E se, à semelhança do que vai sendo sublinhado por muitos, o discurso que acabei de ter é populista, aliás, como o próprio combate à corrupção, então é com muito orgulho que o sou. 

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Costa Nostra...

por Robinson Kanes, em 12.09.20

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Créditos: https://jornalacores9.pt/costa-acompanha-frustracao-de-medina-mas-defende-que-meios-estao-a-ser-reforcados/

 

A melhor forma de assustares um português? Fala-lhe em mudança, nunca mais o vês!

GC

 

Admito que, depois do último artigo, tinha pouco interesse em repetir o tema da Sicília, todavia, algumas das "grandes" figuras nacionais não me dão muita hipótese de ser impopular. Como poderá dizer uma certa juíza entretanto silenciada, "são escolhas".

 

Na verdade, e nada tenho contra o futebol, devo admitir que em Portugal (e não só) a promíscuidade entre política, comunicação social e clubes de futebol é escandalosamente arrepiante.

 

Para citar alguns exemplos, temos o caso de um sem número de governantes que em tempos, a troco de um jogo de futebol num europeu de, venderam a alma ao diabo. Um faleceu entretanto e foi visto como um herói, outros pagaram uns tostões e não foram a julgamento. Para mim isso não é inocência, é pagar para não ser encarcerado e manter as regalias na função pública. Afinal, também por "cá", Cristiano Ronaldo e José Mourinho pagaram e ficaram "meninos de bem". Ai se o "Toino" sabe, da próxima vez que se vir a passar 5 anos na cadeia por ter roubado uma banana no hiper low cost vai alegar a jurisprudência para se livrar do cárcere.

 

Outro exemplo, é também o de um ex-ministro das finanças (e não é caso único) que utilizando o cargo, mendigava lugares na tribuna de honra de um determinado clube de futebol para que o filho também pudesse assistir a jogosl, e sobretudo trabalhar o seu networking com a malta influente.

 

Temos ainda o sem número de agentes políticos que surgem em comissões de honra e orgãos gestores de clubes de futebol, mesmo quando ainda exercem funções públicas e com total incompatibilidade com os cargos, o mais recente caso de Rui Moreira na Câmara Municipal do Porto disso é exemplo.

 

Finalmente, temos também um jornal nacional que tem como comentador o Director Geral da Microsoft para a Europa Ocidental, e é com este título e também como sócio que se apresenta, a defender um clube de futebol - não como um parceiro de negócios, mas como uma espécie de adepto possuído. Se está autorizado pela organização que representa, podemos aceitar, embora não me pareça propriamente a melhor prática dentro da Microsoft. Em relação ao jornal que publica o artigo, já sabemos como estas coisas funcionam... "Está desculpado". Sabemos que a Microsoft tem o Benfica como cliente, e isso é óptimo e em nada censurável, bem pelo contrário, no entanto existem linhas, mesmo no negócio, que nunca se ultrapassam - e não é só por uma questão ética e profissional, mas também relacionada com o próprio negócio. 

 

E tudo isto para chegarmos ao mais recente exemplo, onde o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o Primeiro-Ministro (o primeiro sem o segundo não existiria, portanto, uma espécie de "mini me") surgem na comissão de honra de um candidato à presidência de um clube de futebol. A promiscuidade, mais uma vez ao seu mais alto nível, sem esquecer que num país civilizado e prudentemente governado, não é admissível este comportamento. Na eventualidade  de ser uma prática moralmente aceitável, existem mais clubes na cidade. Por sua vez, também a pessoa do candidato que ambos apoiam e o próprio clube encontram-se envoltos em polémicas e processos judiciais. Todos são inocentes até trânsito em julgado, no entanto, patrocinar candidaturas no decorrer do processo não é a melhor forma de mostrar neutralidade e ausência de pressão sobre os agentes policiais e judiciários. Talvez a impunidade que ambos têm tido em várias situações os deixe tranquilos.

 

Concluíndo, e voltando à Microsoft, é bom lembrar que por muito menos, existiram marcas que abandonaram determinados indivíduos ou organizações. Por cá, parece que as coisas funcionam ao contrário.

 

Em suma, é motivo para dizer que num país de máfias, umas mais pequenas e outras maiores (e na sua maioria recheadas de alorpados cretinos) mas com graves danos para o país, a Costa Nostra é mais uma que veio para ficar.

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Sentido de Oportunidade!

por Robinson Kanes, em 10.09.20

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Créditos: Eroi in Divisa

 

É importante iniciar este texto sublinhando que a violência policial não é um facto inexistente, e como tal, deve merecer a nossa atenção. Penso que aqui a opinião é unânime. 

 

Com efeito, não têm sido raros os casos em que assistimos a uma mediatização excessiva e ao nascimento de novos heróis (e não são as vítimas) alicerçados numa retórica de luta contra o poder onde a polícia, por incrível que pareça, surge como um dos elos mais fracos. Pelos jornais, pela política e até por um certo humor altamente parcializado (algo que em Portugal é já uma instituição) e inclusive pelo anormal poder dos comentadores, vai sendo criada a ideia de que é uma prática diária.

 

Bater nas polícias, especialmente nas polícias nacionais e não militarizadas tem sido uma prática comum nos últimos tempos. Não censuro que se faça em relação a casos justificáveis, mas tenho de assumir algum espanto com a descontextualização e distorção dos factos, o não entendimento do contexto e a provocação em off seguida de filmagens em on

 

Como as armas são um meio de defesa mas ao mesmo tempo, na mão de humanos imbecis, podem ser um meio de ataque, também os telemóveis podem ser uma arma de ataque letal. Numa sociedade aberta onde alegadamente as aulas de cidadania podem servir para abrir horizontes, estimular o empowerment e o espírito critico, talvez não estejamos a fazer o nosso papel fundamental que é promover todos esses aspectos e com visíveis consequências na avaliação e participação dos cidadãos na vida pública. Possivelmente, nessa sociedade, muitos dos jornais e televisões actuais teriam de fechar portas devido às parcas audiências, não obstante, o país e o mundo teriam muito mais a ganhar e com toda a certeza os extremos seriam menos.

 

No final de contas, não deve existir nada mais humilhante, sobretudo quando as coisas ficam mais complicadas, que é requerermos a protecção daqueles a quem quotidianamente aplicamos a nossa "soma zero".

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No SardinhaSemLata com as Akashinga

por Robinson Kanes, em 01.09.20

GPJNews_Zimbabwe_KM_Rangers_Action_Shots_Images_2-Créditos: https://globalpressjournal.com/africa/zimbabwe/australian-training-women-stop-poachers-zimbabwe-right-man-job/

 

Hoje é terça-feira e como tal é o dia de andarmos pelo SardinhasSemLata. Visitem-nos aqui e acompanhem-nos até ao Zimbabwe onde vamos conhecer as Akashinga.

Boa viagem!

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Estado de Calamidade na Brasa...

por Robinson Kanes, em 25.08.20

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Créditos: https://www.huffingtonpost.fr/entry/scarface-va-avoir-droit-a-un-remake-signe-des-freres-coen_fr_5ebe6441c5b6500cdf6691f5

 

Hoje declarou-se o Estado de Calamidade no SardinhaSemLata. Podem acompanhar a nossa rubrica das terças-feiras. É já aqui.

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Não há festa como esta!

por Robinson Kanes, em 24.08.20

 

35583452_03048_oGOjESU_osCXP6o.jfifCréditos: https://www.dnoticias.pt/2020/8/20/71215-dgs-esta-a-pedir-mais-documentos-tecnicos-sobre-a-festa-do-avante/

 

Há várias instituições que organizam as suas iniciativas, e a avaliação sanitária há de valer da mesma maneira para todas as iniciativas (...) Não me parece que o vírus mude de natureza de acordo com a natureza das iniciativas.

Marcelo Rebelo de Sousa, 17 de Maio de 2020

 

 

Nunca fui a uma festa do Avante e nunca fui contra quem decide pactuar com o financiamento de um partido repudiado pela União Europeia - equiparado a um partido nazi. Mas ao contrário do que faria um partido comunista, a União Europeia, permite democráticamente que no seu seio, à semelhança de partidos declaradamente de extrema-direita, que também os partidos de ideologia comunista (ou extrema-esquerda que é praticamente o mesmo só muda o rosto) possam ter direito à palavra se essa for a escolha dos seus cidadãos. Admito que sempre achei estranho como é que partidos que defendem a destruição da União Europeia aceitam receber dinheiro dessa instituição e suplicam também por fundos e "bazucas" da mesma para os países onde estão, sobretudo se o cano da bazuca tiver muitos buracos. É como dizer que não se gosta de cerveja mas beber umas dez imperiais por dia e "nos entretantos" roubar os copos.

 

E como seria de esperar, depois de produtores de eventos, músicos, técnicos de audiovisuais e todo um mundo produtivo (e trabalhador - uns falam dos trabalhadores, os outros trabalham efectivamente) ter ficado parado, e assim continuar, desde Março até ao dia de hoje, eis que vamos fazer um mega-evento com 33 mil pessoas por dia. Uma espécie de repetição de grande evento do regime como aquele que teve lugar no Campo Pequeno e onde não faltaram as elites políticas da nação, mas desta feita, ainda mais grandioso e ao ar livre. Afinal, somos um país fantástico, organizamos eventos e é isso que agora nos faz promover internacionalmente... Sobretudo se em muitos oferecermos quase tudo, inclusive isenções de impostos. Por falar em isenções de impostos, é melhor não falarmos sobre isso quando o tema é Festa do Avante, mais uma daquelas coisas dignas de um país como a Bielorrúsia e com a conivência de todos os Governos ao longo da nossa história "democrática".

 

Existe, com efeito, uma pergunta que todos os portugueses deveriam colocar, ou aliás, várias... Porque é que não se puderam fazer arraiai, alguns com pouco mais 50 indivíduos e agora se podem fazer festas com 33 000? Porque é que aldeias, vilas e cidades se viram impedidas de realizar eventos com muito mais história que uma festa partidária e que serve para encher os cofres de um partido que odeia multinacionais mas factura tanto ou mais? Porque é que muitos dos nossos cidadãos, sobretudo fora das nossas metrópoles, se viram sem aquele momento do ano tão especial, aliás, para alguns o único e agora se pode fazer um evento deste calibre? E finalmente, porque é que muitas empresas pagadoras de impostos e cumpridoras da lei se viram impedidas de organizar nem que fosse um minúsculo jantar com 20 pessoas e agora faz-se uma festa gigante como esta e onde a questão fiscal é sempre um daquelas nuvens onde até o conceito de off-shore faz tremer alguns militantes... Piores nuvens só aquelas que surgem se decidirmos consultar os financiamentos que muitas instituições de solidariedade social, misericórdias e associações de tudo e de nada recebem, não raras vezes, sem sabermos para quê. Talvez seja o meu mau feitio, mas gastar um milhão para fazer um estudo para adjudicação de coisa nenhuma, também essa com o seu custo, é qualquer coisa.

 

São perguntas que podemos deixar na modesta sede do PCP em Lisboa, num modesto edifício na Avenida da Liberdade e que não é tão elegante como o "paupérrimo" palacete da CGTP - um dos seus tentáculos. Falamos de um modesto edifício com direito a vários lugares públicos em ocupação privada, na principal avenida da cidade e que até são gradeados sempre que uma viatura abandona o local, não vá algum incauto por aí estacionar. O mais provável é ser corrido pelos indivíduos que agora vendem bilhetes à porta e projectam música pela avenida, espero que paguem as licenças que existem para esse tipo de utilização do espaço público. Já bastam os recursos públicos da Câmara Municipal do Seixal ao serviço de um interesse partidário.

 

Talvez ande realmente deslocado e passe demasiado tempo lá fora, ou então, talvez me comece a sentir como a mulher do médico do "Ensaio Sobre a Cegueira"... Ou talvez o único cego seja eu. Talvez seja isso... Entretanto, na Moita, uma câmara municipal também comunista, não se irá abdicar das tradicionais festas em Setembro, depois de se ter conhecimento do que se iria passar no vizinho Seixal. É irresponsável? Pode ser, mas quem somos todos nós para falar depois do que está previsto para daqui a pouco mais de 10 dias. Pelo menos na Colômbia ainda se combatem as FARC e na Coreia do Norte existe uma corrente contra o "grande líder". 

 

Uma coisa é certa, não há festa como esta... 

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Unidos Podemos... Corrompernos también...

por Robinson Kanes, em 17.08.20

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Créditos: https://okdiario.com/espana/iglesias-afirma-recaera-psoe-entregar-gobierno-partido-mas-corrupto-europa-452963

 

A los corruptos les vamos a llamar corruptos.

Pablo Iglesias, 2015 

 

De Espanha têm vindo algumas notícias sobre o Rei Emérito, o que é de bom tom, no entanto, as notícias que colocam, sobretudo os partidos salvadores do início da década como uns dos grandes prevaricadores e usurpadores do Estado Democrátio é  que merecem a nossa inquietação, em suma, os mesmos que lutam contra o mal somente porque não o podem praticar. 

 

Depois de vários escândalos, onde se inclui a famosa casa de Pablo Iglesias Turrión e da esposa, um casal descontraido que não utiliza gravata ou tailleur mas que enriqueceu de forma demasiado rápida e com base nos "coitadinhos" espanhóis - famosa casa em Madrid no valor de €600  000 euros - os espanhóis perceberam que nem os paraplégicos, nem os indivíduos que usam rastas e inclusive nem aqueles que se vestem de forma informal (alguns a roçar a sujidade), os barbudos (de barba mal aparada) ou até aqueles que ousam amamentar numa assembleia nacional e cuja imagem é projectada para promover a diferença do sistema "limpinho" e "engravatado" não são em nada diferentes, bem pelo contrário, comportam-se de forma pior que os porcos de um famoso livro.

 

Desta vez foi o ex advogado do Podemos, José Manuel Calvente, que denuncia a corrupção no partido como sendo ainda mais vexatória do que nos famosos casos Gürtel e Filesa. Para Calvente "a  diferença de todos os casos de corrupção partidários em Espanha, é que no Podemos não estamos perante uma alegada corrupção de um partido, mas antes corrupção dentro do partido devido a um alegado financiamento ilegal de alguns  dos seus dirigentes". A ser verdade, o caso Robles e tantos outros casos morais e criminais relacionados com partidos como o Bloco de Esquerda e até o próprio PCP (o impune partido nacional) parecem pouco... Ou talvez não... Basta perceber como alguns, e friso alguns, membros destes partidos se movimentam e como até o modus operandi é similar.

 

O caso "caja B" em Espanha já está a ser investigado depois de Calvente ter admitido que no Podemos se praticaram "delitos de financiamento ilegal, branqueamento de capitais, gestão danosa e revelação de segredos", juntando-se ainda a má utilização de fundos públicos. Lembrar que este foi o partido, pela voz da sua militante e actual Ministra da Igualdade, Irene Montero, que há pouco mais de 15 dias, dizia acerca da "fuga" de Juan Carlos o seguinte: 'España no admite más corrupción ni más impunidad'.

 

Perante estes factos, as altas instâncias do Podemos, inclusive os seus líderes, defendem-se apenas com o argumento de que tudo é "rumorologia" e com os casos de corrupção do PP de Rajoy. Face às perguntas directas não existem quaisquer respostas, basta para aferir desse comportamento de fuga, acompanhar algumas entrevistas em Espanha. Como também o "El Mundo" diz a 15 de Agosto, mesmo com alguns dos factos a serem realidade, até porque a presunção de inocência deve manter-se, "ni borracho ni solo, Pablo Iglesias va a salir de Moncloa". Adivinham-se tempos difíceis em Espanha.

 

Infelizmente, no país vizinho, também já são muitos os cidadãos que começam a ficar cansados da corrupção sistémica, onde PP e PSOE lideram mas que agora afecta também partidos como o Ciudadanos e até o VOX a nível mais local. Contudo, parece ser o Podemos, o partido "limpo", um sério candidato ao trono dos mais corruptos de Espanha e com isso, quer queiramos quer não, o próprio VOX vai ganhando pontos, basta assistir a alguns debates no Palácio das Cortes para perceber o nível intelectual e de conhecimento da realidade que estes últimos, sobretudo as suas deputadas, têm.  Os libertadores, afinal, não parecem ser tão diferentes dos agressores e onde é que já vimos isto tantas vezes ao longo da História... Que o digam os cidadãos que viviam para lá de um muro que dividia Berlim e talvez um dia o digam também os portugueses.

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Do Irão com Paixão...

por Robinson Kanes, em 08.01.20

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Imagem: Robinson Kanes (Não percam nunca a vossa amizade...)

 

 

O direito do homem a não matar. A não aprender a matar. Este direito não está consagrado em nenhuma constituição.

Svetlana Alexievich, in "Rapazes de Zinco"

 

 

Hoje não venho falar de visitas ao Irão... O Irão é mais que isso, é mais do que um postal, é um país com uma cultura e uma História que países como os Estados Unidos, por exemplo, nunca terão. Não vou ser contra os Estados Unidos, até porque prefiro (pelo menos para já) viver num regime mais semelhante ao norte-americano.

 

No entanto, não posso deixar de elogiar uma terra que me recebeu muito bem, quer pelas minhas origens culturais e religiosas totalmente diferentes quer por respeitar a minha negação das segundas. Denoto que algumas das discussões religiosas mais leves e mais abertas que tive aconteceram no Irão. Senti até que, ao contrário do que se diz, o dilema não se dá entre religiões mas entre "derivações" da mesma.

 

Não posso deixar de recordar aqueles sorrisos de homens carimásticos e de belas mulheres que podemos encontrar em qualquer cidade ou vila iraniana! Caramba, deixemos a porcaria da política e de interesses obscuros (vejam as acções de algumas empresas de armamento a subir) e foquemo-nos nas pessoas, no povo! Esse é um povo que não deseja violência, sobretudo no caso iraniano, que até por vários acontecimentos históricos demonstra uma grande vontade em estar junto do Ocidente, inclusive dos Estados Unidos.

 

Todavia, o que um povo não pode suportar é sofrer ameaças e sanções só porque uma Democracia decidiu atacar directamente o país - a morte de Qasem Soleimani é um ataque ao país. O povo iraniano e também o iraquiano não podem tolerar que uma Democracia invada os seus territórios e mate os seus líderes com total apoio de vários outros países e ainda recuse abandonar esses mesmos territórios. As ameaças de Donald Trump ao Iraque (e não falo do Irão) são qualquer coisa que deveria envergonhar qualquer democrata, qualquer cidadão com direitos, seja ele americano ou não! Junte-se a isto o abandono dos aliados curdos e mais vale cavarmos um buraco e escondermo-nos bem lá no fundo. A postura da comunidade internacional ocidental também é lamentável e nem o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas consegue esconder o facciosismo.

 

Todo este aparato só servirá para uma coisa: endurecer a postura do regime iraniano que já mostrava alguma vontade de abertura, além de que existem países aliados do Ocidente com maior limitação aos direitos humanos, e ainda reforçar o apoio ao regime por parte dos iranianos. Ninguém é isento de culpas, mas este levantar de poeira pode acabar da pior forma, até porque uma nação soberana e com a dimensão do Irão não pode cruzar os braços sob pena de se repetirem mais actos hediondos.

 

Os Estados Unidos e Europa estão também a perder uma oportunidade soberana de tomar parte na(s) nova(s) Rota(s) da Seda e com isso embarcar num caminho de prosperidade económica, social e política, aliás, estão neste momento a ser um entrave a esse desenvolvimento e a permitirem que países como a China e a própria Rússia aproveitem e assumam os destinos da região.

 

Todavia, neste momento, só me posso recordar de toda aquela gente boa, especialmente um pequeno grupo que, nas margens do Zāyandé-Rūd, partilhou connosco da sua comida, da sua casa e da sua vida, desde o primeiro momento em que nos conheceu numa clara demonstração de afecto que não vemos por cá, inclusive em Portugal, onde os principais seguidores da política dos afectos são os mais distantes daqueles a quem querem vender tamanha falsa ideia.

 

O Irão, aliás, os iranianos são um povo com quem todos temos de aprender e com uma bagagem intelectual e cultural que me faz, perante os mesmos, curvar-me e fazer uma vénia em respeito por tão importantes indivíduos. 

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