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Créditos: https://www.dailymail.co.uk/news/article-3137211/At-18-people-killed-knife-bomb-attack-Chinese-Muslims-police-checkpoint-atheist-government-bans-fasting-Ramadan.html

 

O homo sapiens não é feito para a luta, por isso, devia aprender a arte e a sabedoria da fuga, como as lebres e os veados. Mas ele adoro a luta e a guerra. Quem terá criado esta criatura tão estúpida.

Yoko Tawada, in "Memórias de um Urso Polar"

 

 

O título deste artigo deve ser a justificação para o facto dos Rohingya e dos Uigures terem passado um pouco ao lado dos nossos pensamentos natalícios. Na verdade, assistimos a uma crescente destruição dests grupo étnicos islâmicos não só em Myanmar como na China. Enquanto no primeiro país a perseguição é clara e não se faz grande segredo em torno de, no segundo, as coisas acontecem de outra forma, numa lógica do gulag educativo e bom para todos - onde é que já vimos isto. 

 

O final de 2020 não vai trazer a vacina para que esta perseguição cesse, aliás, a mesma tem atingido outra dimensão no Bangladesh, onde os Rohingya que procuraram abrigo nesse débil país enfrentam agora, depois do medo em Myanmar, a deportação para ilhas isoladas daquele território. O Governo do Bangladesh afirma que as deportações são executadas com o consentimento dos próprios, todavia, não faltam testemunhos pela internet e pelas redes sociais do contrário. Myanmar, por sua vez, continua a limpeza étnica e recusa-se a reconhecer a cidadania a esta minoria. De facto, continuamos a cair nos erros do passado e só a reconhecer genocídios quando os mesmos passam a escala dos milhões de mortos - se bem que alguns genocídios, sobretudo para alguns indivíduos e partidos a Ocidente, parecem ser mais que os outros mesmo que a dimensão tenha sido maior. Também é importante não deixar passar que muito deste ódio teve o "alto patrocínio" da rede social Facebook que muito tardiamente começou, de forma branda, a encerrar as páginas de incitamento ao ódio.

 

Já a China comunista, e diante de quem o Chefe de Estado Português se babou, continua a sua perseguição aos Uigures com o intuito de alterar toda a sua génese e inclusive eliminar a sua fé islâmica. Na verdade, muitos dos membros desta etnia estão a ser enviados para campos de concentração, gentilmente apelidados de campos de reeducação e onde se procura desprover todos estes indivíduos daquilo que os torna... humanos. O número de detidos não cessa de crescer e a construção de campos de concentração também não, além de que a loucura não tem limites quando alegadamente até crianças com meses são encarceradas nestes campos de inferno. Assiste-se a uma verdadeira eliminação civilizacional e identitária, o que já não é uma novidade.

 

As demonstrações de preocupação que nos chegam de muitos países fazem-se notar de forma muito leve, um pouco como assistimos em períodos horrorosos da História do século XX, e onde a preocupação não é mais que uma formalidade expressa num comunicado de imprensa para ficar bem nos meandros da geopolítica e das relações internacionais.

 

Vamos ficando com a sensação de que os anos vão passando e um dos mecanismos mais maravilhosos do ser-humano, a memória, tende a ficar desgastada e corroída pelo supérfluo e pelo esquecimento. Tenhamos coragem de ousar e de fazer ouvir a nossa voz, porque o caminho para o inferno, segundo Sapolsky, está pavimentado de racionalização. Apesar de termos a falsa ideia de que elegemos os nossos governantes para nos representarem, é importante que tenhamos noção de que podemos sempre ir mais longe e garantir que a sua governação está sobre o nosso jugo... Isto se tivermos algum interesse no que se passa em locais bem distantes, é um facto...

 

Para os portugueses que também tanto andaram preocupados com as eleições norte-americanas e com a eleição de Biden, que não se esqueçam de fazer o follow up à promessa de campanha em que o presidente eleito afirmou que aplicaria sanções económicas à China motivadas pela situação dos Uigures e com a repressão em Hong Kong.

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Aos que... Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 24.12.20

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Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/74168725083507425/

 

O que mais importa não é o novo que se vê mas o que se vê de novo no que já tinhamos visto.

Vergílio Ferreira, in "Conta Corrente V"

 

Aos que todos os dias perdem tempo precioso a ler os meus disparates...

Aos que só perdem esse tempo uma vez por outra...

Aos que só me acompanham por caridade e porque também os leio...

Aos que gostavam de me comentar mas não o fazem sabe-se lá porquê...

Aos que muito comentam...

Aos que me detestam e espumam da boca sempre que escrevo alguma coisa...

Aos que me enviam emails simpáticos...

Aos que me enviam emails menos simpáticos...

Aos que enviam emails menos simpáticos para que outros não me leiam...

Aos que exigem o fim do Não é que não Houvesse...

Aos que só me vão ler ao SardinhaSemLata...

Aos que me enviaram mensagens de Natal...

Aos que de vez em quando me dão um destaque...

Aos que apreciam cogumelos em lata... Sim, eu sei que é difícil ser vosso amigo... Pior só a amizade com alguém que ouve Pólo Norte...

Aos crentes e não crentes...

Aos que acham que Paulo Coelho, Augusto Cury ou Gustavo Santos são ciência...

Aos que confundem séries do Netflix com realidade...

Aos que gostam de Rabanadas Poveiras...

Aos que se interessam realmente por isto...

Aos que já me leram no WC...

Aos que já me leram sob efeito de estupefacientes...

Aos que já mostraram o Não é que não Houvesse aos avós...

Aos que choram a ver Cinema Paradiso...

Aos poetas, prosadores, leitores de livros ou simplesmente leitores de capas...

Aos que nunca têm coragem de dizer que este ou aquele artigo é muito fraco...

Aos que tiveram vontade de bater em Skármeta e Redford por matarem o Mario no "Il Postino"...

A todos aqueles que não sabem que tenho um espaço destes...

E finalmente... A todos aqueles "Salvatores" que, de uma forma ou de outra têm estado nesta caminhada que começou para durar umas semanas e....

... Spektakulär!

 

Feliz Natal!

 

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A Sarah no SardinhaSemLata

por Robinson Kanes, em 22.12.20

uganda-2132664_1920.jpgCréditos: David Peterson / pixabay.com

 

Hoje é dia de escrevermos no SardinhaSemLata... E é só isso...

Passem por lá, é só clicar aqui.

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Forte de São Filipe... Um Retiro...

por Robinson Kanes, em 21.12.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Se me perguntarem qual um dos melhores spots em Portugal para passar um fim de tarde, não terei dúvidas em responder que esse lugar é o Forte de São Filipe em Setúbal.

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Foi pousada, esteve fechado e há poucos anos foi devolvido ao público. Estamos perante uma das melhores coisas que se fizeram em Setúbal nos últimos tempos. Durante um dia de semana, os finais de tarde, especialmente em dias quentes, adquirem uma sensação incomparável. Entre uma bebida e um passeio pelo espaço, é o local ideal para reflectir um pouco, para sofrer até e para contemplar o Sado, o Castelo de Palmela, a cidade de Setúbal e claro, Tróia e todo um oceano. A capela é também um espaço de obrigatória visita, aliás, das mais bonitas que podemos visitar no nosso país, o verdadeiro exemplo do small is beautiful.

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Entre um copo e boa companhia, Setúbal, lá em baixo, retoma o caminho do desenvolvimento a que tem sido exposto nos últimos anos. A cidade tem todo o potencial para se tornar uma das grandes urbes do país, sem esquecer o potencial turístico. Esperemos que assim continue.

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Gosto do forte, da esplanada e de tentar encontrar entre a serra, uma outra esplanada igualmente interessante em Palmela (um dia lá iremos). A bebida convida à conversa, a conversa convida à bebida e o tempo vai passando, partilham-se histórias e claro... bebe-se. Deixo, normalmente o moscatel roxo para segundo plano, é coisa que nunca falta em casa e deixo-me levar pelas ideias de quem está no bar. Tudo menos whisky, que na minha opinião em particular, é uma bebida péssima e bebe-se só para se dizer que se é importante. 

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Gosto do Forte, permite que o Pastor Alemão entre, e acreditem que este é uma verdadeira companhia para aqueles momentos em que temos de pensar, beber e tomar decisões. Embora tenha quase a certeza que o alsaciano prefere andar no meio da Arrábida do que propriamente a aturar as epifanias do companheiro humano.

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O vento tende, pontualmente a ser uma presença, mas neste espaço, entre folhas a voar, tout disparaîtra mais, mais le vent nous portera, como cantaram os Noir Désir. Maintenant le vent me portera para a saída... Entre abraços, sorrisos, patadas e gente boa, é hora de descer à cidade e quiçá terminar a tarde num dos excelentes restaurantes desta cidade...

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Só eu Escapei porque o Mal não Existe...

por Robinson Kanes, em 19.12.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

O homem não quer matar a sede. O homem quer é a sede. Por isso é que come tremoços quando bebe cerveja.

Vergílio Ferreira, in "Promessa"

 

 

Deixar passar a oportunidade de ver no mesmo palco, Lídia Franco, Márcia Breia, Maria Emília Correia e Catarina Avelar seria um ultraje. Foi por isso que voltei ao Teatro Aberto para assistir à peça "Só eu Escapei" de Caryl Churchill e encenada por João Lourenço. Não estamos perante uma peça para tempos de Natal, no entanto, a mesma, sendo escrita há cerca de 4 anos é mais actual que nunca - temo até que Caryl Churchill tenha um oráculo. O teatro tem a capacidade de nos colocar a pensar e a reflectir, de nos chocar até... E é nesse choque que abandonamos a sala com a sensação de que o Mundo não é aquilo que pensamos e de que caminhamos para um "fim" iminente, trágico até, em contraste com toda a inovação que temos. Fazendo até aqui uma ponte com o romance, somos em alguns momentos transportados para os admiráveis mundos de Huxley. 

 

A cultura faz bem, um jantar no "Pano de Boca", o restaurante do teatro que muito aprecio, faz maravilhas... Não me canso de repetir que os filetes de peixe-espada preto, com banana e milho, simplesmente geniais.

 

Um dos melhores filmes que vi este ano e vencedor do Urso de Ouro em Berlim, "O Mal não Existe". A minha admiração pelo cinema iraniano fica mais uma vez reforçada com este filme de Mohammad Rasoulof. Um filme que se foca na pena de morte e na luta que os indivíduos enfrentam na concretização ou não da mesma. É um filme extraordinário, com a sensibilidade que só os iranianos conseguem ter e que custou a liberdade (cerca de um ano) a Rasoulof por desafiar o regime. O filme é fantástico e penso que nos traz uma realidade que nos orgulhamos de já não ter de enfrentar e onde até fomos pioneiros no combate a... Admirável! Assisti nos cinemas UCI em Lisboa, mas vai andar pelo país...

Para terminar, não podia deixar de lado alguém de quem falei recentemente num artigo de memórias sobre Berlim: Severija - uma actriz lituana que deslumbra a cantar, sobretudo em alemão. Simplesmente adoro "Zu Asche, Zu Staube" e embora nunca tenha visto "Babylon Berlin", a banda sonora é qualquer coisa. Um timbre semelhante ao de Sónia Tavares, mas esta senhora é mais humilde e sabe cantar, além de que trabalhou a respiração.

Já agora, anda tudo doido ou a falta de trabalho (ou melhor, o emprego sem trabalho e com a real cunha) anda a deixar algumas pessoas completamente tontas? Até o anúncio da CNE para as eleições presidenciais gera revolta? Será que é desta que a estátua do Marquês vai abaixo? Como diz o outro, "olha, escuta... vai mas é trabalhar e fazer algo de útil pela sociedade".

 

Boas Festas...

 

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Erinnerungen an Berlin...

por Robinson Kanes, em 16.12.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Passam agora pouco mais de seis anos desde aqueles tempos em Berlim... Dei comigo a pensar naquela época e no pequeno Mercado de Natal na Alexanderplatz, bem pertinho do Sony Center. A noite que agora me vem à memória, colocava, no segundo, o lançamento na Europa de um dos grandes êxitos cinematográficos da época - um Harry Potter qualquer. Mas era no mercado que queria estar, uns minutos antes de jantar num restaurante que fazia umas massas na hora. Massas apetecíveis, sempre repleto de gente animada, contrastando com alguns restaurantes da área. Além disso, era mais barato e quando o dinheiro não é meu, não gosto de esbanjar, afinal tenho sempre de jantar e é orçamento do esforço de todos, além de que a minha estada era bastante longa...

 

Estreava na época um sobretudo que me ajudou a combater o frio de Berlim e acima de tudo a aguentar os passeios nocturnos perto do Marriott em Alexanderplatz. Do ir e vir até ao Reichstag, do piscar de olhos às embaixadas russas e americanas e como não poderia deixar de ser, entrar na noite com algumas passagens pela Friedrichstraße para me perder na "Dussmann Kulturkaufhaus" e escutar alguns amadores do piano a tentarem a sorte. Não poderei esquecer as fortunas que aí deixei em livros e CD (e excesso de bagagem). A obra completa de John Sebastian Bach da BachAkademie, dirigida por Helmuth Rilling e distribuída pela histórica Hänssler ainda hoje faz as delícias cá por casa. Desfrutava do Mundo, essa casa dos mortais como nos fez perceber Heidegger.

 

Alexanderplatz "era" uma área com uma pujança tremenda em termos de novas construções, modernos edifícios, confortáveis e abertos, sem esquecer um evento inesquecível numa estação de metro acabada de construir e onde, à boa maneira alemã, uma das áreas ficou em tosco, antecipando um aumento de tráfego no futuro. E como nada se desperdiça, um evento singular na estação de metro que ainda hoje recordo... Serviu de inspiração, contra tudo e contra todos, para realizar algo semelhante em Portugal e que foi um sucesso. Não foi algo muito falado, também não era essa a ideia.

 

Todavia, era ao fim do dia, entre as massas, o mercado e a boa companhia que gostava de estar. Era no percorrer as ruas vazias e austeras da cidade e de entrar naquele jardim densamente arborizado e escuro que se seguia às Portas de Brandemburgo, depois de ter percorrido a Unter den Linden, que gostava de me entregar a Berlim. Esses momentos só eram igualáveis ao pequeno-almoço no simpático restaurante do hotel com vista para a avenida e para os transeuntes que logo pela manhã se dirigiam para o trabalho. Local deveras interessante... Encantador e singelo, mas sedutor o suficiente para sentir a nova Berlim de tal forma que, sempre que possível, esse pequeno-almoço alongava-se por três ou mais quartos de hora. Nesta zona era difícil imaginar a Berlim de outros tempos, a única coisa que poderia almejar dada a minha idade. Todavia, a viagem de comboio de Schönefeld (entretanto encerrado) até ao centro aguçou-me a curiosidade: a escuridão das folhas das árvores, a lama, as valas com águas negras e uma imensa sensação de ainda estarmos do lado de lá do muro.

 

Tempo para um aparte, pois recordo-me que meti conversa com um suíço, de Zurique mas que residia em Berlim, ainda no aeroporto por causa do táxi. Acabei a acompanhá-lo no comboio. Falou-me que Berlim estava agora, em pleno século XXI, a modernizar-se muito por fruto das poupanças dos alemães ao longo do século XX e primeira década do novo milénio. Brinquei com Portugal que recebia milhões há muito, inclusive dos contribuintes alemães e teimava em não dar o salto. Riu-se, julgo, não tenho dúvidas que pensou que eu estava a brincar...

 

Foi numa dessas manhãs entre croissants e uns ovos que fiquei a reflectir no que me disse um alemão no dia anterior, depois de uma pergunta minha acerca da eficiência dos membros da sua equipa... "é muito simples, equipas motivadas, apaixonadas pelo trabalho e onde cada um sabe muito bem o que tem de fazer". É muito simples, de facto... Mas ao mesmo tempo, para alguns parece ser tão complexo, tão difícil e penoso de modo a que ninguém tente harmonizar o processo. Parece um pensamento para artigo de recursos humanos ou LinkedIn, mas se o fosse provavelmente seria apenas conversa e total inacção. 

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Na minha memória faz-se noite, volto ao mercado, faço umas compras mais locais e no centro comercial diante do mesmo, algo mais internacional. Bebo Gluwien, como os melhores lebkuchen da minha vida - e se algo desperta em mim o cookie monster, são as lebkuchen - e percebo que numa língua à época totalmente desconhecida, acabei por compreender muito daquilo que sou hoje e encontrar na frieza alemã um acolhimento singular... Das gargalhadas mais sinceras que já presenciei hoje foram aí mesmo... em Berlim...

 

Acabo esta noite a ouvir Severija, uma lituana com um bom alemão e que me deu a conhecer a banda sonora de "Babylon Berlin" com "Zu Asche Zu Staub"... Berlim traz-me boas memórias...

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Convidei Obama para beber um Villas-Boas

Porque o resto ainda está para vir...

por Robinson Kanes, em 06.12.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

Talvez os princípios da organização comunitária pudessem ser orientados não somente para realizar uma campanha, mas para governar, para encorajar a participação e a cidadania activa, franquiando o processo àqueles que haviam sido deixados de fora. Ensinar as pessoas a não se limitarem a confiar nos seus líderes eleitos, mas a confiarem umas nas outras e em si próprias.

Barack Obama, in "Uma Terra Prometida"

 

 

Não tenho por prática escrever sobre um livro antes de terminar a leitura, e não raras vezes, até de submeter a obra a uma releitura. No entanto, e graças à minha mãe, uma apreciadora de Barack Obama e que se convence que o tenho como um ídolo, embora questione muito a sua governação, dei uma oportunidade ao cavalheiro em "Uma Terra Prometida".

 

Comecei a lê-lo, acompanhou-me um "Villas-Boas Reserva 2016", e de facto, não poderia ter feito melhor escolha, que rapidamente transitou para o jantar - o vinho. Não é um vinho em que se sinta totalmente o Douro, mas é apetecível para acompanhar uma leitura e um queijo de ovelha (meia-cura) de Zugarramurdi... Sinto saudades de "Nafarroa" e de "Euskadi".

 

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Assisto a um homem simples, o Presidente (esse título nunca se perde) Obama, pelo menos na fase em que ainda está na campanha às primárias. Um homem com real vontade em mudar o Mundo e com um foco muito interessante na sua vida pessoal e na família - a relação com Michelle e com as filhas é apaixonante. Além de que, Obama também é daqueles que dispensa festas e encontros mascarados de palcos para ascensão social e privilegia a família e um pequeno círculo de amigos. Para já, tem o meu voto por também me rever no mesmo.

 

E como é Domingo, e ainda tenho os dedos a estalar depois de ter ido correr com um gelo daqueles, deixo-vos com uma sugestão musical e cinematográfica.

 

Começo pela segunda: "Le Meilleur Reste à Venir" - os franceses (a produção é franco-belga) não conseguem fazer comédias sem uma boa carga dramática e é por isso que um Dezembro não deve passar sem uma ida ao cinema para ver este filme de Alexandre De La Patellière e Matthieu Delaporte. Adorei o duo Fabrice Luchini-Patrick Bruel, especialmente o último actor... É uma verdadeira história de amizade e das decisões difíceis que temos de tomar quando uma verdadeira amizade - algo raro nos dias de hoje - nos coloca à prova. O resto... Vejam o filme.

Para terminar, recupero algo que me tem acompanhado várias vezes neste início de Dezembro... Amilcare Ponchielli e o seu mais que fabuloso "Capriccio per oboe e pianoforte, op.80". Isto é maravilhoso... Ideal para acompanhar uma leitura, o trabalho ou simplesmente para acendermos um candeeiro de pé e ficarmos no sofá a entregar o nosso pensamento às mil e umas taquicaridas que a nossa condição nos obriga a enfrentar.

Bom Domingo...

 

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prague_czech_republic.jpgImagens: Robinson Kanes

 

 

É Natal e com o mau tempo os portugueses lidam mal... É natural num país onde uma grande parte das infraestruturas são castelos de papel.

 

E não seja por isso, já que o fim-de-semana com cheiro a Natal vem aí! Sim, afinal algum dia tinha de ser e na época apropriada. Quando o Natal já não é tema é que eu venho falar do mesmo, apesar do esgotamento a que foi sujeito, desde Outubro, por estas bandas e não só. Acho estranho ainda ninguém ter falado do Carnaval ou até da Páscoa, já vai sendo hora.

eugenio_de_andrade_coracao_do_dia_mar_de_setembro-

Uma boa leitura para o Natal... Para aqueles que dizem que a poesia não tem grande interesse para mim, hoje até lhes faço a vontade e atiro-lhes com o "Coração do Dia Mar de Setembro" de Eugénio Andrade. O senhor já morreu há algum tempo, por isso nem estou a aproveitar uma onda de falar que se gosta ou se aprecia um escritor recém-falecido. Tomem e embrulhem com um momento pedante...

 

Variações em Tom Menor

 

Para jardim te queria

Te queria para gume

ou o frio das espadas.

Te queria para lume

Para orvalho te queria

sobre as horas transtornadas.

 

Para a boca te queria.

Te queria para entrar

e partir pela cintura.

Para barco te queria.

Te queria para ser

Canção breve, chama pura.

 

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia - Mar de Setembro"

 

Vou já ao teatro, e aproveito para comprar uns bilhetes para "Ricardo III", encenado por Thomas Ostermeier e texto do grande Shakespeare e em alemão (com tradução). Ideal para a passagem de ano, pois há espectáculo dia 31 também! Podem saber mais sobre esta peça no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Para escutar... Música de Natal, admito que já irrita. Por isso, o melhor do Natal pode ser passado com Johann Sebastian Bach e uma bela de uma Kantate. Tomem lá a Cantata BW 142 - Uns ist ein Kind geboren que dizem ser de Bach. Digo-vos que é do bufo, ou não as tivesse todas por cá...

E como existe algo ainda pior que música de Natal, nada como um filme para esta época e bem católico, Forušande, do realizador Asghar Farhadi. Filme iraniano, não podia ser mais adequado ao Natal. A vida e o teatro e o teatro da vida... Enfim, é isto e o filme é muito porreiro! Libertem-se das amarras do menino nas palhas estendido (ou será deitado?) e mergulhem na realidade. Os iraninanos são dos melhores neste mundo a fazer filmes e este é um exemplo supremo!

E finalmente porque é Natal, aproveitem para dizer àquela pessoa que gostam realmente dela, isto se tiverem tempo enquanto dão umas moedinhas ao pobrezinho no momento em que tiram uma selfie... ou no espectáculo de abertura das prendas que em algumas casas chega a ser repugnante, sobretudo quando são tantas que, no caso dos miúdos, nem se apercebem do que estão a abrir e parecem autênticas bestas perdidas no meio de tanta oferta...

 

Feliz Natal...

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O Natal nunca mais será o mesmo!

por Robinson Kanes, em 11.04.19

IMG_20190303_170305.jpgCréditos: Robinson Kanes

 

Crianças que esperam pelo presente! Pais que gastam um orçamento de Estado em prendas como se isso colmatasse a vossa ausência o resto do ano? Malta que procura naquela noite de 24 para 25 a paz por intermédio de um bem de consumo?

 

 

Lamento informar-vos mas o "Pai Natal" apareceu morto numa rua da Corunha por estes dias. Ao que tudo indica poderá ter sido assassinado por alguém a mando da Amazon ou do Alibaba. Todavia, algumas fontes confirmaram que a morte se deveu a causas naturais. Outros relatos apontam que foi atingido por um 737-800 da Ryanair carregado de ingleses para Tenerife! São muitos também aqueles que alegam ao facto do figado não ter resistido a tanta Coca-Cola. Há ainda quem diga que foi uma das renas que se cansou de não receber ordenado há mais de seis meses. E finalmente, há quem jure a pés juntos que pode ser um adepto do Deportivo que saiu do "Riazor" embriagado e chateado porque não conseguiu umas tapas e queijo galego às 11 da noite.

 

 

A verdade é que o "Pai Natal" morreu e nada será como dantes...

 

 

Entretanto, nas escolas portuguesas e laicas, já se celebram missas pascais pedindo a Cristo que volte em Dezembro com um saco cheio de prendas e assim possa substituir São Nicolau - o Vaticano é que entretanto já emitiu um comunicado de imprensa dizendo que os presentes de Cristo são para consumo interno e não vão alterar uma lei com 2019 anos! 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa também já se pronunciou e lamentou a morte desta individualidade tendo fretado um avião carregado de jornalistas para estar presente no funeral que se realizará na Lapónia. Da parte do Governo estará o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva que ficará por essas terras depois de dizer que quem se preocupa com a corrupção (atribuir cargos públicos a familiares, porque sim, é corrupção) é parolo. Não consta que volte a Portugal.

 

 

Em suma, temos de assumir que a magia do Natal se perdeu, mas ainda vamos tendo alguns "batatoons" que por aí pululam... Podia ser pior.

 

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Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

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