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O Natal nunca mais será o mesmo!

por Robinson Kanes, em 11.04.19

IMG_20190303_170305.jpgCréditos: Robinson Kanes

 

Crianças que esperam pelo presente! Pais que gastam um orçamento de Estado em prendas como se isso colmatasse a vossa ausência o resto do ano? Malta que procura naquela noite de 24 para 25 a paz por intermédio de um bem de consumo?

 

 

Lamento informar-vos mas o "Pai Natal" apareceu morto numa rua da Corunha por estes dias. Ao que tudo indica poderá ter sido assassinado por alguém a mando da Amazon ou do Alibaba. Todavia, algumas fontes confirmaram que a morte se deveu a causas naturais. Outros relatos apontam que foi atingido por um 737-800 da Ryanair carregado de ingleses para Tenerife! São muitos também aqueles que alegam ao facto do figado não ter resistido a tanta Coca-Cola. Há ainda quem diga que foi uma das renas que se cansou de não receber ordenado há mais de seis meses. E finalmente, há quem jure a pés juntos que pode ser um adepto do Deportivo que saiu do "Riazor" embriagado e chateado porque não conseguiu umas tapas e queijo galego às 11 da noite.

 

 

A verdade é que o "Pai Natal" morreu e nada será como dantes...

 

 

Entretanto, nas escolas portuguesas e laicas, já se celebram missas pascais pedindo a Cristo que volte em Dezembro com um saco cheio de prendas e assim possa substituir São Nicolau - o Vaticano é que entretanto já emitiu um comunicado de imprensa dizendo que os presentes de Cristo são para consumo interno e não vão alterar uma lei com 2019 anos! 

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa também já se pronunciou e lamentou a morte desta individualidade tendo fretado um avião carregado de jornalistas para estar presente no funeral que se realizará na Lapónia. Da parte do Governo estará o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva que ficará por essas terras depois de dizer que quem se preocupa com a corrupção (atribuir cargos públicos a familiares, porque sim, é corrupção) é parolo. Não consta que volte a Portugal.

 

 

Em suma, temos de assumir que a magia do Natal se perdeu, mas ainda vamos tendo alguns "batatoons" que por aí pululam... Podia ser pior.

 

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Feliz Natal...

por Robinson Kanes, em 22.12.17

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 Fonte da Imagem: Própria

 

"O Natal parece-me ser um tempo festivo necessário; precisamos de uma época em que possamos lamentar as falhas das nossas relações humanas: é a festa do fracasso, triste mas consoladora.

Graham Greene, in "Viagens com a Minha Tia"

 

 

Eis que está para breve o grande dia... 

 

Fui criado em ambiente católico, com todas as tradições e... No final, acabei a acreditar em cada pessoa, em cada animal, em cada pedra, em cada árvore... Em suma, em cada átomo. Contudo, existem momentos que são celebrados com intensidade, e o Natal é um deles. Esta ano, por vários motivos, o Natal será celebrado mesmo no Natal... Sim, de facto devo ser o único português com capacidade de se auto-sustentar que ainda não comprou uma única prenda, não fez a árvore de Natal e nem sequer pensou em nada relacionado com o Natal - Que tristeza, que indivíduo cinzento -  de facto, nunca me senti tão infeliz... Ou não. Sim, hoje será o dia de fazer a árvore, mais logo.

 

Temo, contudo, que nos dias 24 e 25 até venha a viver o Natal com mais intensidade. Temo que a histeria colectiva que se inicia em finais de Outubro leve as pessoas a chegarem cansadas a esta época e a encararem o 26 como um "já foi", venha o Ano Novo... Sim, depois entrarão no 2 em depressão colectiva até uma próxima celebração ou um feriado com ponte. De que valeu todo o empenho e stress que passou?

 

Por aqui, ficaremos ausentes, quiçá, até ao dia 26. Também este espaço fará a sua paragem e aproveitará para se reformular. Não vamos mudar o layout nem ter redes sociais para atrair mais seguidores, vamos continuar a apostar naquilo que tem feito a diferença: o conteúdo.

 

Ter um blog não comercial leva a que o empenho tenha de ser maior, leva a que a relação com todos os visitantes seja sempre o fundamental e, acima de tudo, que as discussões sejam bem pensadas e acima de tudo bem estruturadas e com um certo grau de avaliação. Obriga a uma relação especial com cada um de vós que não passe apenas pelo "obrigado" ou pelo "sim, claro, abraço". Obriga a que esteja com todos e que acompanhe também muitos dos que me acompanham, não por uma questão de "pagamento de visitas e comentários", mas sim por uma questão de querer mesmo seguir e explorar. Já tenho perdido seguidores, em alguns casos, por não corresponder com comentários em troca, mas prefiro essa honestidade a somente debitar meia dúzia de palavras retiradas da fornada que vai abastecer todos os outros espaços. Além disso, tenho de admitir que não sou obrigado a gostar dos blogs de todos os que me seguem - falei nestes últimos pontos, sobretudo numa lógica de quem também tem o seu espaço.

 

Não faz sentido falar de uma relação de reciprocidade e de acompanhamento mútuo se acabo apenas a centrar a questão no meu espaço. Gosto de ler muitos outros espaços, ler com calma, trocar e debater ideias com todo o entusiasmo. Além disso, tenho de admitir que há vida para além do blog, e tem de haver, e aqui perdoem-me... Mas tem de merecer uma maior alocação de tempo.

 

Deste modo, e por respeito aos que me vão aturando com muita paciência, acredito que o devo fazer... Por isso, talvez esteja a cair aqui uma certa tendência de "slow blogging", com menos artigos, mas com mais conteúdo. Um blog com mais estrutura, mais estudo dos temas abordados, mais trabalho por parte do próprio responsável por este estabelecimento. Isto não é trabalho, não tem de ser cansativo para ninguém e, acima de tudo, deve primar por um sem número de valores que já perceberam que são inerentes a este espaço. Menos é mais, sempre ouvi dizer, e o facto de não andarmos sedentos de protagonismo e reconhecimento, talvez seja um bom incentivo para desacelerar. E honestamente, acredito, pelo menos num blog não comercial, que não é necessário perder a cabeça nem criar conteúdos só para reter "clientes".

 

"Slow blogging", talvez venha a ser o próximo artigo, já depois do Natal. Sim, não vamos falar como foi o Natal e o que recebemos ou então falar do novo ano logo a 25 como se esta época fosse uma espécie de plano de trabalho por etapas. Em trabalho faz todo o sentido, na nossa vida pessoal, nunca! 

 

Desejo a todos um Feliz Natal, sobretudo genuíno e com todas as coisas boas que o ser-humano deve/deveria transportar... Independentemente da religião ou de qualquer outra convicção. O Natal não tem de ter um presépio, uma história bem encenada e uma árvore de Natal para ser um momento singular! Sejam vocês o Natal!

 

Feliz Natal,

 

 

 

 

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O Verdadeiro Natal no Striezelmarkt...

por Robinson Kanes, em 28.11.17

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 Fonte das Imagens: Própria.

 

Uma das imagens mais belas que se pode ter da Saxónia e que me fazem recordar as minhas deslocações e estadas em Berlim é o "Striezelmarkt" de Dresden, ou seja, o Mercado de Natal local. Todavia, acredito que a melhor entrada na Saxónia não será via Berlim, mas sim pela Boémia com a primeira paragem alemã na pitoresca Bad Schandau mesmo junto ao Elba.

 

Não vou falar de Dresden, para mim, a cidade mais bonita e romântica da Alemanha, mas sim do seu Mercado de Natal. Os Mercados de Natal da Alemanha são dos mais genuínos e interessantes que podemos conhecer e aqui, admito, que somos (portugueses) claramente ultrapassados na forma de celebrar o Natal.

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O "Striezelmarkt" remonta a 1434 e tinha a duração de apenas um dia. Este mercado visava apenas venda de carne, segundo as as leis de Frederico II, Princípe da Saxónia. O nome advém da palavra "Striezel" que é uma espécie de pão típico de Natal e também conhecido por "Stollen". Caminhar pela Altmarkt com uma caneca de Glühwein (vinho tinto aquecido com canela, cravinho, laranja ou limão e açúcar) numa das mãos e na outra com uma Lebkuchen (um espécie de bolo de mel e com um sabor a gengibre que... hum...) pode ser um dos passeios mais interessantes que vão ter nas vossas vidas. Dresden é uma cidade romântica e das poucas fora do Mediterrâneo que me apaixonam, mas sem dúvida que um Natal a dois não pode nem deve dispensar um passeio junto ao Elba e pela Altmarkt. Amigos alemães que não me enviem Lebkuchen no Natal têm de aturar o mau feitio do Robinson.

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Com a maior pirâmide "Erzgebirge" do mundo (14,62m) e o maior arco de Natal do mundo (13,5m de largura), neste mercado é impossível resistir às bancas que vendem somente produtos natalícios, desde a comida a peças de atesanato com especial destaque para os brinquedos. Também as "barraquinhas" são decoradas com extremo bom gosto e que tornam quase impossível não relembrar os tempos de criança... Eu diria até que voltamos a ser crianças. Quem diria também que há 72 anos esta cidade foi arrasada por um dos mais terríveis bombardeamentos da história e um dos grandes desastres cometidos pelos aliados que não olharam a meios e mataram um sem número de civis (250 000 foi a contagem inicial, que agora aponta para 25 000) de forma absolutamente desnecessária e ainda hoje um tema tabu quando se fala na Segunda Guerra Mundial, pois são muitos os que defendem que se tratou de um crime de guerra.

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Cachecol, gorro, e uma caminhada bem abraçados e aconhegados com a nossa paixão, tornarão todo e qualquer momento neste mercado inesquecíveis e nem o frio da Saxónia será capaz de quebrar a vontade de conviver na rua entre amigos de longa data ou recém-amigos que connosco, sem medo do gelo, partilham momentos singulares e inesquecíveis.

 

Toda a cidade é uma festa, mesmo antes, se viermos da Estação vamos encontrar também um enorme Mercado de Natal, e atravessando o Elba encontramos, logo a seguir à Estátua do Cavaleiro de Ouro (Augusto, o Forte - Rei da Polónia e Grão Duque da Lituânia) mais um mercado que não nos deixa ficar quietos e onde podemos saborear um sem número de produtos locais, aqui, com forte enfoque nas carnes.

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Apesar do frio, o melhor local para saborear estes petiscos é mesmo junto ao Elba, sem necessidade de voltarmos a atravessar a ponte. De noite ou de dia, e muitas vezes com um frio cortante, podemos contemplar o "Brühlsche Terrasse", mais conhecida como as "Varandas da Europa" e a "Kunstakademie" (Academia de Belas Artes) sem esquecer a imponente "Hofkirche" e a "Semperoper", a ópera de Dresden e visita obrigatória para um concerto ou mesmo para uma ópera! Acreditem que merece bem a pena assistir, nem que seja a um concerto da Orquestra Estatal de Dresden.

 

Olhando à minha volta e assistindo a mais uma loucura colectiva, que de Natalícia tem pouco, saberia bem caminhar por entre bonecos de madeira, cheiro a lareiras e a vinho quente enquanto colava os meus lábios e os aquecia na minha alemã numa qualquer barraquinha do "Striezelmarkt"... 

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Por aqui, voltaremos para a semana... Boa Semana e antes do Natal vivam os vossos e todos aqueles que vos rodeiam... Todos os dias....

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Nunca Mais Acaba o Natal!

por Robinson Kanes, em 27.11.17

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Fonte da imagem:  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/89/16/3f/89163f33a238b5e825a89d506be59013.jpg

 

(Original publicado a 30 de Novembro de 2016 e agora reeditado com outro sabor...)

 

Já estamos na época natalícia... O vizinho da frente já comprou um lote de luzes que dava para iluminar Amesterdão inteira, mesmo naqueles dias mais escuros. Obviamente que o vizinho do lado, não querendo ficar para trás na corrida energética, comprou um lote de luzes que obriga os aviões com destino a Schiphol a mudar de rota e a aterrar em Haia devido ao encandeamento provocado pela fortaleza de luzes capaz de fazer inveja a qualquer artilharia anti-aérea.

Não vou questionar a vertente comercial do Natal. É preciso vender e, em alguns casos, antecipadamente. Um exemplo? Os jantares de Natal das empresas, isso leva tempo e começar em Setembro pode ser um bom ponto de partida.

E quem não gosta de andar por Praga, Nuremberga, Dresden e outras cidades e sentir o espírito dos mercados de Natal? Quem não gosta do convívio, de um Glühwein ou de uma boa conversa embrulhado em cachecóis e casacos bem quentes? E a entrada é grátis!

Todavia, em alguns países (Portugal também), tenho a sensação de que quando chega o dia de Natal, para muito boa gente, é o dia em que finalmente chega a paz e o sossego! Acabou-se a injecção de anúncios, catálogos no correio, as músicas da Mariah Carey ou então “midis” com o “jingle bells”, crianças aos berros, os peditórios, os “emails” de boas festas formatados, as propagandas de Governos que fazem lembrar as ditaduras sul-americanas, e aquela correria de comprar coisas mais caras e que também existem a melhor preço noutras épocas do ano.

 

E quem é que não adora circular num hipermercado num ou num centro comercial, numa época tão bela e de paz, mas que se não toma cuidado ou é empurrado ou atropelado por um conjunto de gente com mau feitio e com o desejo de comprar qualquer coisa, qual leão atrás de uma palanca - eu acredito que não é fácil ter dinheiro na carteira e poder gastá-lo em tudo e mais alguma coisa, mas vejamos, nem todos podemos ter a sorte de viver na Síria, no Egipto, no Bangladesh ou na Venezuela! Não andem tristes nem se comportem como autênticos figurantes do videoclip do “Thriller” de Michael Jackson. Infelizmente, ter dinheiro para gastar e poder acumular dívidas tocou-nos e temos de viver com isso, por isso que o façamos com um sorriso e simpatia e respeito pelos outros... Eu sei que não é fácil, mas os outros também conseguem viver.

 

Depois temos as “Black Fridays”, que, num país com mais dias de promoções que habitantes faz claramente todo o sentido. Faz tanto sentido que alguns até vão mais longe e criam os “Black Weekends” ou as “Black Weeks” não vá escapar algo à nossa lista de desejos.



Acredito até, que o dia de Natal, ou mesmo a consoada, são uma tremenda ressaca e que o ar enfadado, na cara de muitos, prova isso mesmo. Lá se vai um subsídio para meia-dúzia de horas e ainda por cima para marcar no calendário esta comunhão. O dia de Natal em si, é feito sentado à mesa e numa apatia muitas vezes assustadora... É preciso comer e ficar com um aspecto anafado! Tenho aquela sensação de que alguns indivíduos "encharcam-se" tanto nesta época que indago se não temos qualquer relação com o urso, por exemplo, que precisa de uns bons quilos de salmão para aguentar o período de hibernação sem comer ( no caso dos humanos, esse período dura até à Páscoa e em alguns casos até às chamadas férias de Verão). Não esquecemos que a fauna portuguesa precisa de épocas impostas para festejar algo... Mesmo que acabe farta e cansada com uma expressão de cara de atum.

A vertente consumista (mesmo a dos peditórios) é tanta e tão mecanizada como a própria época que questiono se ainda existe Natal. E nem sou daqueles que vê o Natal com o menino Jesus nas palhas deitado (ou será nas palhas estendido?) ,mas sim o Natal como uma época que se sinta, que se viva, que se experimente com naturalidade e com a emoção devida, independentemente da religião ou qualquer outra convicção... Se tiverem oportunidade de partilhar e "ensinar" o espírito de Natal com indivíduos que não são crentes arriscam-se a ter um Natal mais cristão que os próprios cristãos...

Talvez seja uma visão romanceada... talvez seja até uma visão infantil, mas tal como Saint-Exupery, eu próprio possa ser levado a pensar se a infância em Saint-Maurice-de-Rémens não teria sido o corolário de uma vida e o que aí se seguiu uma luta pela verdade e pela realidade da mesma.

 

P.S: E porque já se fala de Natal, o meu desejo é  que ninguém se lembre de me proibir de sorrir ou cantar no carro... Se o ACP (Automóvel Clube de Portugal) e a LPCPBD (Liga Portuguesa Contra as Pessoas Bem Dipostas) começam a perceber que existem muitos indivíduos como eu, vão perserguir-nos como a qualquer fumador que puxe do seu cigarro dentro do veículo. Eu sei que é uma forma estúpida de conseguir financiamento para campanhas e para algumas carteiras... Mas isso não!

 

 

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Natal Para Todos!

por Robinson Kanes, em 23.12.16

 

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Vou escrever algo sobre o Natal? Vou desejar um Feliz Natal aos dois indivíduos que seguem atentamente o meu blog? Eles estarão à espera disso, sobretudo vindo de alguém como eu... sem jeito para isto?

 

Falar de Natal... acredite-se ou não que o Deus menino nasceu e ficou nas palhas deitado... ou nas palhas estendido... o que importa é passar esta época e todas as outras com aqueles de quem gostamos – “Ah! Mas não me apetece estar na mesa de Natal com aquele meu cunhado que não posso ver à frente!” – afinal há sempre remédio para tudo. Que tal sugerir a reconciliação ou então deixar a hipocrisia para trás e convidar a família/amizade mais próxima e... apanhar um voo para Sidney e passar o Natal a surfar com aqueles que nos dizem algo? Quem diz Sidney, pode falar de Esposende, da Costa Nova ou até da praia artifical com ondas de Castanheira de Pêra, é tudo igual.

 

Esta Natal pensem naqueles que estão convosco, não adiem aquele elogio, aquele momento... (Pingo Doce, vocês têm “o meu momento” não estou a plagiar”), não adiem aquele beijo, aquele abraço e deixem de ser caras de atum... sejam genuínos e não tenham medo de dizer que amam aquela pessoa! Pensem naqueles a quem já não podem dizer ou até naqueles que não têm essa oportunidade porque têm de estar num bunker para não levar com uma bomba em cima. Lembrem-se que, enquanto muitos de nós, nos enchemos em silêncio de bombas calóricas, outros desejam que bombas vindas do céu, qual estrela cadente de Natal, não lhes caiam em cima da cabeça.

 

Este Natal, abracem alguém de quem gostem ou até aquele “atrasado” da contabilidade... sabiam que vive sozinho há anos? Arranquem-lhe um sorriso, pode ser que em Janeiro lhe arranquem mais facilmente uma folga no orçamento.

 

Desejo a todos um Bom Natal, independentemente do credo, filosofia ou até gosto pela época, na medida em que, mais que o Natal, são os valores que se impõem, e esses... esses atravessam toda e qualquer convicção.

 

Façam um esforço e como Dickens o faria, honrem o Natal nos vossos corações e procurem mantê-lo todo o ano.

 

P.S: não pensem que estou a ficar "mole", ok?

 

Fonte da Imagem: própria.

 

 

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Striezelmarkt Soa Mal, mas é Genuíno.

por Robinson Kanes, em 09.12.16

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Vamos recuperar a tradição dos mercados de Natal e fazer concorrência aos centros comerciais? E como é que fazemos para nos distinguir-mos da concorrência e sermos diferentes?

 

É simples, para sermos diferentes de um shopping center temos de começar pela designação – vamos dar um nome tradicional que nos remeta para as origens dos mesmos em Portugal - aí vão alguns exemplos: Mercado Crafts & Design, Pink Market, Urban Market, Christmas Market Fashion Outlet. Pelo menos já estamos a ser diferentes, digam lá que língua mais tradicional portuguesa que o... inglês? Ainda me lembro do meu trisavô contar como era belo e acolhedor o Sortelha Fashion Market ou o Freixo de Numão Christmas Market e isto ainda no século XIX!

 

Mas ainda não chega, é preciso ir mais longe e apostar em produtos típicos de Natal ou até abrir a porta a produtos natalícios de outros países. Portanto, vamos apostar em... produtos que existem todo o ano made in China e outras tantas origens sem esquecer que podemos encontrar as mesmíssimas coisas ao longo de todo o ano em qualquer grande superfície. Já viram aqueles mercados onde se vendem caveiras e pulseiras da felicidade?

 

E como é que podemos ser ainda mais inovadores? Vamos apostar no Pai Natal em exclusivo ou então, até criar uma reconstrução dos soldadinhos de chumbo, estes últimos muito tradicionais... só que na Alemanha e em outros países do centro da Europa.

 

É claro que temos bons exemplos, mesmo até boas práticas em alguns cuja base tradicional não é a melhor, mas... não estou a ver o Dresdner Striezelmarkt adoptar o nome de Dresden Amazing Christmas Market só porque... Dresdner Striezelmarkt não soa bem ao ouvido. Experimentem dizer Dresdner Striezelmarkt várias vezes seguidas... será por isso que deixariam de visitar o Dresdner Striezelmarkt?

 

Fonte da Imagem: Própria.

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Estamos quase no Natal (é verdade, já vi aqueles tradicionais bolos em alguns hipers), época de excelência para a solidariedade. Mas será que conhecemos bem o conceito de solidariedade? A solidariedade passa somente por... dar? Aí falaríamos de Dádiva (para uma abordagem inicial a este tema recomendo vivamente o clássico Ensaio Sobre a Dádiva de Mauss) e Reciprocidade mas penso que o sapo não conseguiria aguentar tanta matéria nos seus servidores e com toda a certeza ainda iríamos acabar por perceber que dar e dádiva são duas coisas que nem sempre caminham na mesma linha de actuação.

 

O Natal (em Outubro a falar do Natal, enfim...) é uma época de explosão consumista e à qual a solidariedade não é alheia. Mas a "solidariedade" que praticamos no Natal passa pelas boas acções de dar e com isso ficar perfeitamente tranquilo enquanto abrimos aquele presente... aquela mala caríssima, na noite de consoada, que daria para alimentar 100 pessoas no Sudão durante 2 anos. Não sou a miss mundo, logo também não vou explorar esta temática, pelo menos desta forma.

 

A solidariedade é algo que tem de viver connosco e não ser somente uma apropriação das instituições sociais ou até de indivíduos que no fundo procuram fazer algo pelos outros ou que encontram esse conceito uma vez por ano, sobretudo durante esta época. Pensem no trânsito (aqueles que conduzem)... e depois digam-me se são pessoas solidárias... excepto aquela senhora com ar simpático e um look atraente que me deu passagem à saída do IC2 para o Parque das Nações: se estiver a ler estas palavras, sim é para si. Até porque aquele indivíduo de SUV insistia em não me deixar entrar.

 

A solidariedade como instrumento, não de dar... por dar, mas de fazer algo. De criar um caminho. Falo sobretudo de iniciativas que visam não só capacitar mas dotar aqueles que mais precisam, não só de conhecimento teórico, mas acima de tudo de instrumentos, meios e acesso a financiamento (fora das instituições sociais, sempre que possível) que permitam o desenvolvimento de negócios e a promoção da sua inclusão. Meios que promovam a sobrevivência destes projectos com a autonomia dos próprios e sem a presença de estruturas de apoio (que por vezes são também causadoras de entropia).

 

Aí somos transportados para uma verdadeira prática solidária, sobretudo de nível económico, em que organizações empresariais colaboram numa lógica de parceria e partilha, fazem trocas comerciais e alteram o conceito de financiamento para o conceito de geração de negócio, de estar no mercado de igual para igual, com uma vocação mais humana, mais social e comunitária mas, mesmo assim competitivas. Organizações em que os seus gestores ou colaboradores são remunerados pelos dividendos gerados pelos seus negócios. E nesse campo, também é o desenvolvimento de uma prática solidária, que faz sentido, que tem impacte nas pessoas e na comunidade, que gera retorno e sobretudo que fomenta a autonomia dos envolvidos no processo de decisão do seu futuro e da sua vida. Organizações que podem dizer: o fruto do nosso trabalho gera X de retorno sem o receio de falar de valores monetários.

 

Muitos dirão que pode ser um discurso sem nexo e contra tudo o que é a solidariedade. Diria que também pode ser verdade, mas importa lembrar que é mais fácil enterrar a cabeça na areia e defender que a causa social não é um negócio (que o é, e em alguns casos, altamente lucrativo) e bloquear iniciativas de mercado cujo impacte na comunidade é de tal modo positivo que a geração de dividendos é somente o lado menos visível da actuação de muitas organizações empresariais.

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