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Fonte das Imagens: Própria.

 

Mesmo junto ao local do meu nascimento, bem no centro de Lisboa, onde o Saldanha se agiganta enfrentando a rotunda do Marquês, onde o Sheraton oculta a Maternidade Alfredo da Costa, encontra-se uma das jóias do património nacional que é de todos nós: a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves.

 

Também conhecida por "Casa Malhoa", pois deveu-se ao pintor a ordem para a execução do projecto do arquitecto Norte Júnior, bem nos alvores do século XX, mais precisamente em 1904-05! Aliás, o Prémio Valmor, logo após a sua construção, demonstra o carácter arquitectónico de extremo encanto deste espaço que viria também a ser o atelier do artista!

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Estamos perante uma relíquia no centro de Lisboa, sobretudo numa zona cosmopolita, onde os altos edifícios modernos e as "Avenidas Novas" quase a tornam oculta ao olhar dos transeuntes. Todavia, a majestade não se perde e permite que no meio de muitos gigantes e cinzentos prédios, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves se resguarde do futuro e lance uma aura que a protege do bulício citadino. 

 

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A casa, contudo, é conhecida hoje por este nome, pois em 1932 foi adquirida por Anastácio Gonçalves um coleccionador de arte  que por vontade expressa a deixou, após a sua morte em 1965, ao Estado Português. O espólio é tal que, segundo a Direcção Geral do Património Cultural, conta com 3.000 obras de arte divididas em três núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Conta também com património de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês, sem esquecer alguns desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto. Genial!

 

Como confesso admirador de pintura, além da arquitectura, esta é para mim um dos pontos fortes do espaço e que nos leva por uma viagem sem igual pela pintura portuguesa do periodo romântico (Tomás da Anunciação, Vieira Portuense, Miguel A. Lupi e Alfredo Keil) e Naturalista (Marques de Oliveira e Silva Porto). O atelier é um gáudio no que à obra do pintor Silva Porto concerne! Mas se pensam que ficamos por aqui, juntem-lhe também nomes como José Malhoa, João Vaz e claro, Columbano Bordalo Pinheiro - três nomes que por si só valem já a visita!

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Estamos perante uma riqueza primorosa e que vai surpreender aqueles que ainda desconhecem um dos mais belos recantos de Lisboa. Diria até que nos sentimos a regressar àquela época e ficamos a sentir e a ouvir uma Lisboa diferente, sem os automóveis e os ruidos modernos, mas sim uma Lisboa antiga e, sobretudo à época e naquele local, de um glamour ímpar.

 

Mas se é de sons que falamos, também aqui se realizam, além de conferências e seminários, alguns recitais! E como é deleitável estar num local destes e poder desfrutar de um concerto de música clássica, por exemplo. Mesmo para quem não gosta, acredito que seja uma experiência única, como a que teve lugar no dia 04 de Outubro e que contou com a "Ludovice Ensemble" a interpretar obras de Sebastien Bach, Handel, Telemann, Vivaldi e outros.

 

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 Túlia Passando Sobre o Cadáver do Pai - Columbano Bordalo Pinheiro (estudo). A tela final encontra-se no Museu Nacional de Arte Contemporânea.

 

Se em Lisboa ainda existem espaços capazes de nos fazer viajar no tempo, sobretudo num tempo não muito distante, a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves é um deles! Acredito que naquele atelier, onde Malhoa se inspirou, não nos faltará vontade de trajar à época e dançar, cantar ou simplesmente contemplar, para lá dos lindissímos vitrais, uma Lisboa de outros tempos...

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 Lugar do Prado (Santa Marta-Minho) - António da Silva Porto

 

E no final, porque não descer pela Avenida Fontes Pereira de Melo e terminar com um piquenique no Parque Eduardo VII ou no Jardim Amália Rodrigues? No entanto, admito... O meu maior desejo é mandar colocar mesas naquele atelier e convidar todos aqueles pintores! Ali, reunidos a degustar um óptimo almoço, a dissecar diferenças e inovações entre o ontem e hoje, seria sem dúvida um dos dias mais perfeitos da vida de qualquer um de nós... Tudo isto, sem esquecer uma pintura final, com todos os comensais à mesa, não como "Os Bêbados" de Malhoa, mas como o "Grupo do Leão" de Columbano ao som de uma das melodias de Keil (que também pintava, como poderemos aferir no espaço da casa).

 

 

Para mais informações, podem sempre consultar o website do espaço.

Bom fim-de-semana...

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Lisboa: O Museu Nacional de Arqueologia.

por Robinson Kanes, em 14.06.17

 

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Fonte das Imagens: Própria. 

 

Por aqui continua-se a falar de Lisboa...

 

Depois da azáfama da festa e das peripécias com taxistas, parece-me interessante focar um espaço que, apesar de se encontrar numa localização singular, é ainda ignorado por muitos: o Museu Nacional de Arqueologia.

 

O Museu Nacional de Arqueologia fica localizado no Mosteiro dos Jerónimos, uma pequena porta entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha. Não é um museu grande, sobretudo para quem já esteve em museus do género por esse mundo fora, no entanto, é o nosso Museu Nacional de Arqueologia e que conta já com mais de um século de existência. Este museu, fundado em 1893 por José Leite de Vasconcelos, se não é maior, é pela dificuldade do espaço, mas também pela dispersão dos artefactos arqueológicos e, não negarei, por um lento reconhecimento dos achados arqueológicos em Portugal. 

 

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Imaginem que podem começar a vossa viagem pelo Paleolítico, passando pelo Mesolítico (destaque para o “Esqueleto Humano de S. Romão”), Neolítico (destaque para o “Enterramento Colectivo do Escoural”), Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro (destaque para a “Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires”), Civilização Romana, Período Visigótico, Período Islâmico e terminar na Idade Média (destaque para a “Cabeceira de Sepultura”)... Imaginem como podem percorrer milhares de anos num pequeno espaço mas com uma riqueza sem igual! Mesmo os menos entusiastas vão gostar porque não obriga a grandes horas encerrados num museu. 

 

Finalmente, uma nota particular para as "Antiguidades Egípcias"! Regressem aos séculos daquela civilização e apreciem o “Barco Votivo”, as “Máscaras Funerárias” e, como não poderia deixar de ser, os dois Sarcófagos (“Sarcógafo de Irtieru” e “Sarcófago Pabasa”). Sinto que ainda são muitos os que se fascinam com a arte inerente aos sarcófagos mas se sentem tristes por nunca ter visto nenhum, pensando que só nos grandes museus da Europa ou no Egipto se encontram estas peças! Pois aqui, podem matar a vossa curiosidade, merece bem a pena!

 

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Além do serviço educativo, este museu conta também com uma forte componente de investigação que o torna um dos mais importantes no contexto internacional.

 

Este é dos museus que mais surpreende, não só pelo desconhecimento de alguns, pois ao estar entre a Igreja dos Jerónimos e o Museu de Marinha não é fácil sobressair, mas também pela riqueza e lição de história que ali se encontra. No entanto, estar localizado no Mosteiro dos Jerónimos também tem uma sua mais-valia, na medida em que tem a honra de ter a sua casa numa espaço único no mundo!

 

É a ideia perfeita para uma manhã! Podem começar com um pequeno almoço em Belém - e há mais pastelarias para além dos tradicionais “Pastéis de Belém” – caminhar um pouco junto ao rio e ao Padrão dos Descobrimentos, aproveitar a feira de antiguidades nos jardins de Belém (1º Domingo de cada mês e com algumas relíquias interessantes, sobretudo literárias) e terminar com a visita ao museu.

 

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Aproveitem, até porque dia 21 de Junho inaugura  a exposição “LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades”. Estão ainda a decorrer as exposições “Religiões da Lusitânia. Loquuntur saxa”, “Lusitânia dos Flávios. A propósito de Estácio e das Silvas” e “Um Museu, tantas coleções ! Testemunhos da Escravatura. Memória Africana”. Genial, não?

 

Podem saber mais sobre estas exposições, sobre a colecção permanente, contactos, preços, horários e dias de entrada livre no website do museu em   http://www.museuarqueologia.pt

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