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O Holocausto do West Bank...

por Robinson Kanes, em 11.02.21

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Créditos: Associated Press

 

No Verão de 1948, no espaço de algumas horas, os meus pais, como centenas de milhar de palestinianos, perderam tudo. O meu contou-me que estava no colégio quando souberam que os israelitas estavam a massacrar as pessoas nas aldeias vizinhas. A sua família e todos os vizinhos fugiram em direcção a Gaza, então sob domínio egípcio. Como muitos jovens, critiquei o meu pai durante muito tempo por não ter ficado e lutado, mas depois li os relatos dos "novos historiadores" israelitas e compreendi que os palestinianos, com as sua espingardas de má qualidade, não tinham qualquer hipótese. Ficar teria sido um verdadeiro suicídio, e era preciso sobreviver para preservar o futuro.

Kenizé Mourad, in "O Perfume da Nossa Terra - Vozes da Palestina e de Israel" 

 

 

Dei comigo, por várias vezes esta semana, a olhar para esta fotografia... Assumo até que tentei prestar pouca atenção à mesma. Procurei filtrar, afinal a propaganda não é só de um lado e por isso é necessário manter algum distanciamento. Também já escrevi sobre isto algumas vezes, "não deveria" ser tema sequer para voltar a trazer... É pouco relevante, não é importante, actualmente é como faire monter la mayonnaise.

 

A verdade é que ninguém, e passo a expressão, com dois dedos de testa, consegue ficar indiferente aos crimes que continuam a ocorrer, crimes contra a Humanidade! O Estado de Israel (o Estado e não os israelitas) continua impunemente a semear o terror no Vale do Jordão. Na Cisjordânia continuam a cometer-se atrocidades dignas também de um Holocausto, todavia, surgem apenas avisos, apenas consternação. Alguns esperam por Biden, como se este fosse o salvador, pois que desesperem... O silêncio pode manter as luzes, mas não pode esconder o resto... Apenas um assobiar para o lado numa guerra em que não podemos dizer que existe um lado totalmente inocente. É também relevante afirmar que não deixa de ser estranho, até quando já a própria Arábia Saudita ganha alguma consciência (independentemente do que levou a) e liberta a activista Loujain al-Hathloul - um ponto para os alegados radicais, muitos pontos a menos para os pacíficos e pobres perseguidos.

 

A história da comunidade de Khirbet Humsu é uma das mais intrigantes e mais interessantes na luta de territórios entre David e Golias... As mais recentes peripécias passam por três meses, ou perto disso, em que as forças israelitas, sem qualquer motivo, derrubaram por três vezes aldeias e vilas inteiras e também por três vezes o povo palestiniano as reergueu. O mesmo povo que diz não ter para onde ir, já nem é uma questão de reclamar território... Até porque, diz-nos a História e o presente, que nenhum dos lados, quer ao mais alto nível político quer a nível militar, parece estar interessado em resolver a questão pacificamente.

 

Esta fotografia, contudo, transporta-me para um cenário misto, onde uma película bem realizada se mistura com a realidade. Os sorrisos e a alegria de crianças que nem sabem bem que bandeira transportam, mas de uma coisa estão certas: é a sua terra! É a sua terra e o seu futuro que, esperamos, entre sorrisos e muitas lágrimas, não acabe com um projéctil na testa ou com um colete armadilhado. Espero que transportem a bandeira da esperança e que possam ser os futuros líderes de um povo. Futuros líderes vencedores na diplomacia e na paixão pelos seus, mesmo que tenham sofrido tentativas de deportação quase como numa espécie de vingança por aqueles que mais de meio século antes passaram pelo mesmo.

 

Estes putos são o pó e a esperança de um Mundo melhor... Não os ignoremos... E não faltam por aí putos a transportar bandeiras...

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É passar por lá...

por Robinson Kanes, em 09.02.21

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Créditos: https://www.ebaumsworld.com/images/feminism-fail/81157278/

 

Pronto, hoje é terça-feira... Dia de estarmos no SardinhaSemLata... Passem por

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Lokman Slim - E assim se mata um Cidadão!

por Robinson Kanes, em 08.02.21

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Créditos: AFP

 

Meu caro Negus, disse cordialmente, quando se deseja que a revolução seja uma maneira de viver por si própria, quase sempre se torna uma maneira de morrer.

André Malraux, in "A Esperança"

 

 

Lokman Slim dirá pouco a quem não tem grande afinidade com o Líbano. É um daqueles nomes que, para o bem e para o mal, vive sobretudo ligado aos que sentem, numa base diária, a violência na pele e que, no caso do Líbano, procuram uma solução para um dos mais belos países do médio-oriente.

 

Mas porquê o interesse em Slim? É simples... Slim, um activista e realizador libanês era um cidadão. Slim era um cidadão empenhado em fazer a diferença no Líbano combatendo o sectarismo envolvendo a participação dos cidadãos e assim levar, através desse empowerment, uma espécie de transição verdadeiramente democrática e participativa naquela pérola de país! Um promotor daquilo a que também chamamos a "Cultura da Lembrança" ou se preferirem da "Memória". Foi alguém que, criado numa família com actividade política e religiosa, foi estudar para Paris e voltou, trazendo e dinamizando as artes no Líbano e apelando sempre à paz, aliás, o filme "Massaker" é uma das suas grande obras. Alguém que defendeu o seu país lá dentro e não a milhões de quilómetros... Alguém que não voltou como herói quando vivia ricamente em Paris e depois de ter sido "terminada" uma revolução.

 

Slim lutava contra o sectarismo onde se incluía o Hezbollah e do qual era inimigo, todavia, naquela região, quando o tema é paz e empowerment, temos sempre a sensação de que o inimigo por vezes também pode estar do lado mais... amigo. O Hezbollah negou o assassinato e até já exigiu investigação, todavia, independentemente de quem terá ordenado a morte deste homem, é certo que a investigação pouco ou nada resolverá. O Líbano é fascinante, os seus habitantes igualmente, mas a tensão política, as guerras com Israel, têm destruído o país de uma forma lamentável.

 

No passado dia 3 de Fevereiro morreu, com quatro tiros na cabeça e um nas costas, mais um agente da paz, mais alguém que não queria sectarismos e aparelhos partidários e pejados de interesses a Governar, minorias sedentas de poder e riqueza que subjugam milhões... Esse foi o seu erro e provavelmente, até em Portugal, muitos saberão o que terá tantas vezes sentido Slim, sobretudo aqueles que não vendem a alma ao diabo e colocam o interesse do país à frente dos interesses partidários e de outros interesses que oscilam em torno deste cangalho em que se transformou a Democracia portuguesa - e que também pouca importância deu ao facto, ou não fosse esse um conceito, o de cidadania, algo que aterroriza muita gente.

 

A cidadania perdeu um dos seus principais actores e a paz voltou a ser alvejada...

 

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Do Uganda... Com dor e esperança...

por Robinson Kanes, em 05.02.21

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Imagem: John B. 

 

 

Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décimo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? 

Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Em tempos, por estas bandas, uma espécie de indivíduo"distorce discursos", dizia-me que estava feliz com a vitória de Biden numa tentativa de "sair por cima" e com isso me fazer sentir mal, apenas porque (de forma errada devido a lacunas pedagógicas na interpretação de textos) me julgava apoiante de Trump. Tempos de delírio louco nas semanas que antecederam a eleição e que agora se esgotou numa espécie de marido que atinge o climax e se vira para o lado a ressonar - ou seja, mãos cheias de nada. Tristes aqueles cuja felicidade anda ao sabor da moda, "ovelhoas" modernos como diria John Littman...

 

Todos os dias encontro sempre algo que me faça feliz, não preciso de eleições nos Estados Unidos enquanto pactuo com ditaduras internas para encontrar algo de bom. Mas ontem, bem cedo o meu dia começou da melhor forma: O Tribunal Penal Internacional, finalmente deu como culpado de crimes de guerra e contra a Humanidade, Domonic Ongwen. Ainda sem sentença, esta besta humana foi o Comandante do "Lords of Resistance Army" (LRA) no Uganda, o que lhe permitiu cometer toda a espécie de atrocidades como raptos, violações e a utilização de crianças-soldado entre 2002 e 2004.

 

Sob a égide de Joseph Kony e da sua distorção do cristianismo (o LRA é uma espécie de Estado Islâmico versão cristã), estes cavalheiros espalharam/espalham o terror não só no Uganda mas também  no Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Central Africana... Três países que estão como estão, sendo que Kony é talvez o homem mais procurado de África.

 

Talvez tenha pouco interesse por estes dias, mas ainda online, o rosto de quem sofreu esta violência e medo na pele é algo indescritível num misto de alegria e pesar. A felicidade tem destas coisas...

 

Aproveitando a minha presença no Uganda, as eleições acabaram por ter lugar, apesar da contestação ao ditador-mor Museveni. O corte no acesso à internet, a prisão do opositor Bobi Wine, as mortes encetadas pelas forças ugandesas permitiram que mais uma velha besta continue no poder. Bobi Wine continua numa espécie de prisão domiciliária após as eleições, todavia nasceu uma esperança... Os jovens do Uganda despertaram e vão querer um novo país. Um dos mais jovens países do Mundo terá dado o primeiro passo para um futuro melhor e mesmo que Bobi Wine não venha a ser um líder perfeito as pessoas acordaram e estão empenhadas, quando todo o Mundo treme, em mostrar do que o Uganda é capaz e tem gente para isso... Se quiserem importar cidadãos com essa vontade para Portugal, serão bem-vindos... 

 

E falando de  importação... É absolutamente fantástico o discurso daquele povo. Aquele povo deseja arduamente que os seus jovens e melhores profissionais regressem/fiquem no país. Não defendem a emigração para a Europa, por exemplo... Não defendem muitos dos seus serem humilhados por traficantes e trabalhos de baixa linha no velho continente, querem-nos ao serviço do seu país. Por vezes chego a pensar se um país como Portugal não estará no ranking do desenvolvimento abaixo do Uganda. E é também aqui que fico a pensar num ponto extremamente importante defendido por mim e por muitos... As grandes vagas de imigração para a Europa são resolvidas a montante! É um facto que isso implica investimento e pode ser mau para o negócio que muitas ONG estão a fazer no Mediterrâneo (verdadeiras e ricas multinacionais do coitadinho), mas não está a resolver o problema. Primeiro pensa-se em como encontrar fundos, depois prolonga-se o problema e quando secarem os fundos, encontra-se outro teatro de miséria com acesso a outros fundos.

 

Hoje, sendo sexta-feira, deveria ser como já o aqui disseram, um dia mais calmo e com algumas partilhas menos pesadas neste espaço, mas talvez existam coisas que são bem melhores que um copo de vinho... Todavia, uma coisa é certa... Hoje será aberta uma garrafa de um dos melhores vinhos cá de casa e celebraremos a punição dos maus e a esperança num futuro melhor para aquele país... Tanto entusiasmo e há quem me diga que isso já é o desligar do meu próprio país... 

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Sardinha Vacinada...

por Robinson Kanes, em 02.02.21

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Créditos: https://starecat.com/katie-i-dont-want-the-covid-vaccine-i-dont-trust-what-they-put-in-it-also-katie-snorting-cocaine/

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a cumprir a penitência da terça-feira. 

Aproveitei, e como me sobraram vacinas que já haviam sobrado de uma misericórdia e que antes também já haviam sobrado de uma delegação do INEM, vacinei-me também. Não sou grupo de alto risco, os pulhas da misericórdia também não e os do INEM, perdão dos amigos do INEM, também não, mas isto a res publica só é pública depois de me precaver em privado. 

 

Mas confesso, foram só sobras e por via das dúvidas vacinei também o peixe, o gato e o cão, além do papagaio da D. Dorinda (é mor, fala muito consoante o vento) e claro do indivíduo que a partir de hoje me vai oferecer sempre os almoços de francesinha.

 

Basta irem aqui para saberem mais...

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Os Heróis da Natureza em Virunga...

por Robinson Kanes, em 01.02.21

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Créditos: The Jane Goodall Institute

 

A fatalidade faz-nos invisíveis.

Gabriel García Marquéz, in "Crónica de uma Morte Anunciada"

 

 

Apesar de acharmos que estamos a passar por algo único (porque nos bateu à porta "finalmente") não estamos. Lamento decepcionar aqueles que só encontram "covid" à frente e até se "esqueceram" das habituais campanhas quando existem tempestades em Moçambique como as das últimas semanas... 

 

O que não faltam são heróis neste mundo, que agora descobriu tal palavra, mas que também rapidamente a esquece tal o modo como é levada à exaustão. É inacreditável pensar que existem indivíduos que morrem a tentar defender a natureza, sobretudo habitats e animais. Na verdade, é algo que acontece praticamente numa base diária, mas os recentes acontecimentos na República Democrática do Congo (RDC) vieram mais uma vez demonstrar que as frentes de combate não se resumem a um vírus. 

 

No conhecido Parque Nacional de Virunga (o mais antigo e o primeiro "site" africano a ser declarado Património Mundial da UNESCO) seis guardas foram alvo de uma emboscada que os matou a todos de uma vez só. No ano passado foram treze, na última década cerca de duzentos! Também é moda utilizar o conceito de "linha da frente" (enfim...), pois existem muitas por esse mundo fora e desta vez o ataque foi impiedoso àqueles que defendem a vida selvagem e lutam contra o tráfico de plantas e sobretudo, neste caso em particular, contra a extinção do Gorila da Montanha, uma espécie em vias de extinção. Muitos poderão não ter noção da importância desta espécie, mas bastará, mesmo que a alguma distância, observar um animal destes para perceberem do que estamos a falar.

 

Em relação à RDC, um dos países mais "ricos" de África, já nem será necessário tecer comentários... Um mundo Ocidental em modo cataclismo só aumentará a destruição de um país, de um continente... Até um grupo de patifes no Myanmar, em paragens mais distantes, aproveitou a deixa da fragilidade Ocidental para fazer valer a sua força e com o alto patrocínio dos suspeitos do costume... Espero ver os senhores Zuckerberg e Dorsey a cortarem as redes sociais para estes senhores da guerra como o fizeram para Trump... Ou talvez não.

 

Estes rangers, como as Akashinga, são a verdadeira linha da frente da Natureza e pagam com a vida essa paixão. Num país onde a vida tem o valor de uma moeda de um euro, e o vírus actual será o menor dos problemas, o tráfico de recursos naturais chega aos 170 milhões de dólares - sendo que 47 milhões financiam milícias e grupos terroristas - um orçamento que ultrapassa largamente quem pouco tem mais do que uma automática que constantemente encrava e ainda tem de contar as munições. E desenganemo-nos quando desvalorizamos o papel destes homens na medida em que alguns já morreram a salvar cidadãos ocidentais - recordo o caso de uma senhora, a ranger Rachel Masika Baraka que perdeu a vida ao tentar salvar de um rapto dois indivíduos britânicos.

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Créditos: Virunga National Park (Foto de Rachel Masika Baraka)

 

Estes senhores não defendem a Natureza a viajar de veleiro e muito menos com discursos pomposos emitidos a milhares de quilómetros e carregados de nada. Estes senhores defendem com o seu sangue a própria natureza e isso merece o nosso reconhecimento e a nossa acção, porque na maioria dos casos, os milhões produzidos pela violência não são para consumo interno...

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A Liberdade num copo de Viña Ardanza...

E na Grécia com Níkos...

por Robinson Kanes, em 29.01.21

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Imagem: Robinson Kanes

 

Nada espero, nada temo: sou livre

Epitáfio de Níkos Kazantzákis

 

Aproxima-se a hora de jantar... Celebremos... Nada em particular para celebrar, somente a existência e o estar por cá. Não celebramos porque é a data X ou Y, celebramos porque sim, o calendário não tem de ditar a nossa vida, para isso já basta ser a contagem dos dias em que adiamos a nossa extrema-unção. 

 

Juntemos-lhe um bom petisco e associemos-lhe um La Rioja, mais propriamente um Viña Ardanza - Reserva 2012. Só tenho de agradecer a sugestão aquando da deslocação às Caves Rioja Alta por esta mistura fatal de "tempranillo" e "garnacha". É bem possível que se sigam mais encomendas... No Natal acompanhou o cabrito e o borrego, hoje acompanha... Sei lá, ainda nem decidi e não me apetece pensar nisso. 

 

Enquanto o Viña Ardanza respira, deixo-me levar neste sentimento de falta de abraços, de falta de sermos humanos - quero visitar Zorba pela perspectiva do seu "criador", o apaixonante Níkos Kazantzákis. O filme de Yannis Smaragdis é uma forma de sonharmos e viajarmos com este senhor e de conhecermos uma das suas grandes personagens, Zorba. Simplesmente apaixonante, sobretudo se apreciarmos a obra do escritor grego e o seu mundo que é tão nosso - existem filmes para sonhar, este é um deles.

 

E dou comigo a pensar naquele taxista que era também professor de História, também de seu nome Níkos... Saudades do bulício ateniense, da Plaka e das discussões para comprar um pote "hand made" e com o respectivo selo. E é nestas alturas que damos connosco a pensar em como é que é possível ter saudades daquela poluição quando atravessamos a cidade em direcção a Pireu... Em como é possível ter saudades de olhar do alto do Licabeto a obra de Demiurgo... Penso na liberdade de Níkos, do taxista... Penso em Jovanotti...

 

La voglio qui per me, la voglio qui per te
La voglio anche per chi non la vuole per sé
Tempi difficili, a volte tragici
Bisogna crederci e non arrendersi

Sim! Viva la Libertà! Porra!

 

Pois que se beba a Kazantzákis, a Smaragdis, a Atenas, a Jovanotti e ao Níkos pois, enquanto o o fruto de Baco brilha no copo, só podemos mesmo pensar em nada esperar e nada temer, ser somente livres... Nessa liberdade, acho que também preciso de ser, não apenas em projecto, essa forma de não ser, mas com tranquilidade de consciência. Vergílio Ferreira não poderia estar mais certo.

 

Bom fim-de-semana,

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Holocausto ou Holocaustos?

Onde a vítima se confunde com o agressor...

por Robinson Kanes, em 28.01.21

RTS1RIU6_IsraelPalestine_Nakba_protest_0.jpgCréditos: Mohamad Torokman/Reuters

 

Um cérebro pode servir para fins bastante diferentes e (a) conquista do mundo é mais desejável que a sua ordem.

André Malraux, in "A Tentação do Ocidente"

 

Causa-me alguma angústia pensar que muitos jovens não sabem o que foi o Holocausto nazi. Causa-me também igual angústia imaginar que um número ainda maior nem sabe o que foi a União Soviética, o que não é de estranhar tendo em conta os adeptos que esta ainda vai tendo, sobretudo em Portugal onde, neste campo, se tenta reescrever a História. Podemos desculpar os jovens, já não podemos desculpabilizar os adultos, os mesmos que fecham os olhos aos holocaustos presentes.

 

Esquecer o Holocausto é esquecer toda uma História que está para trás, aliás, os holocaustos até lá não foram uma novidade, todavia, a proximidade, o horror e uma máquina bem oleada de propaganda (é inegável) dão-nos a sensação de que foi caso único. Não foi! Mesmo depois da guerra, os holocaustos multiplicaram-se e de uma forma ou de outra, alguns ainda por aí existem... Passemos pela China, por alguns países do Sudoeste Asiático, por África e até por Israel.

 

Nada me move contra israelitas ou judeus, bem pelo contrário. Provavelmente terei influências judaicas também e tenho uma grande admiração por todos aqueles com quem tenho oportunidade de partilhar momentos da minha vida e onde os conflitos israelo-árabes são sempre tema de discussão. Todavia...

 

... Não deixa de ser caricato que o "estado do Holocausto", desde há muito, e também por causa das políticas de desenhar fronteiras a régua e esquadro das potências europeias, seja também aquele que tem mais guerras em pouco mais de meio século de História do que alguns com milénios. A Guerra dos Seis Dias, a Crise do Suez e tantas outras bravatas que inclusive culminaram com a anexação de territórios de outros países, veja-se o exemplo dos Montes Golan e dos denominados "territórios ocupados", tem lançado a região no caos.

 

Já passou tempo suficiente para "pagarmos" pelo Holocausto e começar a exigir que Israel (também conhecida pelo seu terrorismo de Estado) cumpra os Direitos Humanos e se abstenha de perpetrar um Holocausto contra o povo palestiniano, numa sede imensa de ampliar o seu território. A questão palestiniana é complexa, daria muitos artigos, até porque a dificuldade em encontrar quem tenha mais razão nesse conflito não é fácil e talvez por isso seja algo que até hoje ainda não foi resolvido - o estadista israelita que esteve mais perto de uma solução foi assassinado por um dos seus. 

 

Numa base diária, Israel tem subjugado o povo palestiniano, tem-no morto e tem-lhe roubado território com uma passividade internacional gritante, direi até assustadora - um pouco à semelhança do que foi encetado pelos causadores do "Holocausto" nos primórdios da Segunda Guerra Mundial. Não é justificável e não deixa de ser um paradoxo ver a vítima a fazer exactamente o mesmo que o agressor. Imaginem estar na vossa casa, no vosso bairro e no vosso país e de repente terem um bulldozer e dezenas de soldados a expulsarem-vos de casa sem razão aparente e a destruir-vos o lar... Dizer que isto é algo normal é quase como negar o Holocausto - por menos começou uma guerra violentíssima na Síria. Neste campo, a loucura com o coronavirus, tem ajudado a que muitas destas acções praticamente nem sejam do conhecimento público - não se confinam só pessoas, confina-se o pensamento e a liberdade.

 

Na verdade, esta sensação de impunidade permitiu o desplante, e aliás o erro histórico de, nos mesmos dias em que se "celebrava" o aniversário do Holocausto, Israel ter feito um ultimato ameaçador aos Estados Unidos a propósito da aproximação ao Irão e inclusive deixar transparecer que planeia um ataque àquele país. Imaginem confortar um inocente que, enquanto recebe o vosso abraço, carrega a sua masada para matar ainda mais inocentes. O timing foi desastroso e o argumento ainda mais. Se a isto juntarmos também o facto de terem "passado ao lado" os alegados bombardeamentos israelitas em solo sírio, junto à fronteira com o Iraque da passada semana, temos um estranho cocktail de hipocrisia. 

 

Se tratar outro povo como bestas, retirando-lhe direitos, humilhando-os numa base diária, criando muros e invadindo as suas casas e dispondo das suas vidas rasgando toda e qualquer emanação da Carta dos Direitos Humanos é digno, pois bem, então não se admirem de que, mais do que um dia nos esquecermos do Holocausto, o aplaudirmos...

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Porque existem vírus bem mais perigosos...

por Robinson Kanes, em 26.01.21

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Créditos: https://imgflip.com/i/3u4tcj

 

Hoje estamos no SardinhaSemLata a falar de vírus muito perigosos, mas podem ficar mais calmos... O SARS-CoV 2 não é um deles... 

Passem por lá, é só clicar aqui.

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141984225_10158178486731867_4966213057139066488_o.Créditos: https://www.elmundo.es/ - @taverinez

 

 

A esperança nada mais é do que uma alegria inconstante que emerge da imagem de qualquer coisa futura ou passada, sobre a qual não é possível ter certezas.

António Damásio, in "Ao Encontro de Espinosa"

 

Parece que o Mundo nunca esteve tão mal... De facto, os tempos não são bons, mas não é pior momento da Humanidade e muito do caos não é obra do ocaso mas das nossas escolhas. O anunciado "fim dos tempos" com o SARS-CoV 2 leva ao pânico quase global. Estranhamente com tantas guerras, doenças e miséria que continuam e "sempre" estiveram aí não tenhamos entrado em pânico. Dá que pensar... Dá que pensar...

 

Mas enquanto a lógica vigente de que tudo é mau continua a ter lugar, existem os pessimistas optimistas que não perdem a esperança apesar de dispararem em todas as direcções. E é nesse optimismo que partilho algo que num país como Portugal importa pouco neste momento (triste sina) mas que é uma conquista única em termos de ciência! 

 

Foi na Ruhr-Universität de Bochum, Alemanha, que um conjunto de investigadores conseguiu um genial feito, e até hoje impossível em mamíferos, ao conseguirem que ratos com lesões ao nível da medula espinal voltassem a andar! Isto significa uma esperança enorme para tantos acidentados pelo mundo fora! 

 

Por intermédio da injecção de uma proteína no cérebro (hiprinterleucina-6), estes investigadores conseguiram provocar um estímulo nas células nervosas ao ponto destas se regenerar em. Está proteina espalha-se igualmente pelo cérebro conseguindo um efeito nunca alcançado até hoje. 

 

O passo seguinte serão os mamíferos de maior dimensão, todavia, e embora ainda possa levar décadas para termos resultados mais concretos, é uma conquista única para a Humanidade e sobretudo para os apaixonados das neurociências!

 

Neste mundo actual, onde após o "vai ficar tudo bem" parece ter dado lugar ao "vai ficar tudo péssimo" - como se palmas e clichés nos procurassem enganar e pensar que tudo passava em semanas - ainda vão existindo muitas coisas boas e muitas vidas a serem salvas, seja agora... Seja num futuro que parecemos não querer encarar e muito menos preservar.

 

É segunda-feira... E para os que se recusarem a estar em casa a ouvir, a ler e a visualizar uma quase lavagem cerebral (afinal, para muitos que pedem que fiquemos em casa no sofá não há nada melhor que um confinamento para aumentar audiências e likes) sempre existem boas notícias por esse mundo fora, ou até neste nosso pequeno bairro...

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