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Sardinhada picante com racismo e homofobia...

por Robinson Kanes, em 02.06.20

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Créditos: https://i.imgflip.com/rqox5.jpg

 

Sim, hoje é dia de sardinhada no Sardinhas em Lata ou SardinhaSemLata, é como quiserem, na verdade... Começo as minhas terças-feiras de Junho com mais um artigo que, tenho cá para mim, ainda vai acabar mais em caldeirada do que em sardinhada...

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Caso Floyd: Onde andam agora os justiceiros?

por Robinson Kanes, em 01.06.20

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Créditos: https://newspushed.com/minneapolis-burns-as-rioters-loot-businesses/

 

A certeza com que agimos hoje pode parecer medonha não só para as gerações futuras, mas também para os nossos "eus" futuros.

Robert Sapolsky, in "Comportamento"

 

Onde andam aqueles que, sem uma investigação (inclusive sem uma autópsia), e baseados num vídeo incompleto partilhado pelas redes sociais e posteriormente em alguns meios de comunicação, rapidamente condenaram na praça pública um indivíduo pela morte de outro, colocando como principal convicção para tal acto as causas raciais? Perante o espectáculo assustador de pilhagens e mortes, onde andam?

 

Será que uma morte que é mediatizada tem mais valor que três ou mais mortes ocorridas devido à nossa interpretação dos factos ou sede em dar nas vistas? Porque é que imediatamente conotamos essa morte com racismo para ter mais valor? Será que é mais fashion ou as hashtags "pilhagem" ou "morte" não têm tanta saída? Não é que alguém se preocupe com a opinião da maioria de nós, mas...

 

Porque é que enterramos a cabeça na areia perante as imagens assustadoras de pilhagens, violência e morte, essas sim, bem demonstradoras da realidade? Porque é que permitimos que até as tão famosas "selfies" sejam a imagem de marca da pilhagem? Praticar actos de violência e "sacar" a foto da posteridade: olha para mim a fazer "justiça".

 

Façamos um exercício: face a um alegado crime cometido por um polícia no nosso bairro contra um indivíduo de uma minoria, rapidamente protestamos e exigimos a revolta porque também (somos nós forçados a acreditar) o foi por motivos raciais. O nosso comportamento de querer tomar parte na onda mediática provoca um sem número de actos de violência. O primeiro está relacionado com a pilhagem e consequente destruição da nossa empresa, continuamos calados? Não bastando, os negócios dos nossos vizinhos são também destruidos, continuamos calados e a achar que é normal? Dois dos nossos familiares e o proprietário do café onde vamos todos os dias acabam no Instituto de Medicina Legal dentro de um congelador, continuamos calados? Finalmente, instituições e património do Estado são pilhados e destruídos, mas a conta vem para casa e serão precisos os salários de 10 anos de trabalho para pagar o prejuízo. Provavelmente aí não continuaremos calados...

 

O show mediático e as redes sociais em si não são um perigo (bem pelo contrário), mas um destes dias ainda vão "desencadear uma guerra", ou melhor, nós é que a vamos provocar! Como é que podemos defender a condenação sumária de alguém com base no que vemos nas redes sociais e num ou outro canal de comunicação e depois enterramos a cabeça na areia quando os resultados desse nosso comportamento, directa ou indirectamente provocaram uma tragédia ainda maior.

 

Nos tempos que correm, temo que, mais do que termos medo dos criminosos, devemos ter medo daqueles que exigem justiça, sobretudo na praça pública, pois os actos de tirania e hipocrisia arriscam a ser mais nefastos e destruidores que os comportamentos dos primeiros. No fundo, não somos diferentes e com uma tremenda facilidade caímos no "shoot first, and ask questions later". Ao exigirmos justiça desta forma ou a hipocritamente andarmos ao sabor da onda, somos nós próprios que estamos a destruir a Justiça, a Liberdade e a Democracia.

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Sem Destino no Adriático...

por Robinson Kanes, em 23.05.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

A maioria dos homens não tem destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa"

 

Já tão perto, o mar Adriático arrasta-nos para a Costa Albanesa com o Parque Natural de Llogara a Norte. Terras perigosas dizem, em tempos talvez, hoje mais seguras apesar da distância que nos separa de Tirana a nordeste. Sem destino, apenas com o gelado italiano na memória e com águas que brotam história, cada salpico traz consigo milhares de anos de diálogos e de sangue. O mar tem a capacidade de nos retirar o peso do mundo mas também de nos fazer reflectir sobre o mesmo, apreende-nos e faz-nos querer ir mais longe... Talvez o desabafo para percorrer a Albânia, a Macedónia e entrar em Istambul pela Bulgária, percorrer o Mar Negro até Batumi ou Poti, já na Geórgia, e aí repousar antes do regresso à Arménia.

 

Sem destino, "como barcos contra a corrente, arrastados incessantemente", para citar Scott Fitzgerald, ao sabor das vagas... Ensina-nos a vida moderna, que o destino não existe, ou simplesmente acontece e todos os dias se renova numa espécie de conceito cuja formulação deixo aos pensadores deste século. Absorvem-se já os ares da terra albanesa, pois as suas águas territoriais já nos acolheram. Nesse embalo rimo-nos de como é que é possível acreditar e viver num mundo em que damos tudo como um dado adquirido e tamb´ém troçamos daqueles que, evidentemente, se riem de pensarmos dessa forma... Como era bom que a pandemia que assola o mundo em 2020 tivesse sido há uns anos. Talvez aqueles que perdendo o estrelato, o topo da hierarquia em prol da verdade tenham a razão do seu lado, talvez até não. Quiçá o herói de Kazantzakis tenha toda a razão do mundo enquanto dançava nas areias das não distantes praias gregas. Quiçá nenhum de nós tenha real noção e no conforto de uma paz sustentada em tenros pilares tenha sucumbido ao drama do conforto, mesmo que aponte os tempos actuais como um período de mudança. Também nos podemos rir, afinal a mudança há muito que começou e só um jerico pode afirmar que, agora nestes meses, é que é o tempo de mudar. 

 

Cheira a Tavë Kosi, ou melhor, talvez nós queiramos que esse aroma e o que vem atrás dele nos entre pelo estômago... O Souvlaki há muito para trás já não nos engana o apetite. Podemos atravessar a Macedónia e ficar pelas praias da Bulgária antes de seguir caminho? Mil e um destinos, mil e um de nadas e naquele momento, onde a água e a terra albanesa se beijam e levam o que ainda de mediterrânico existe até aos balcãs, seja também o momento oportuno para selarmos com um beijo e um sorriso o destino. Para o escrever e transformá-lo em passado, porque não me quero mover no contínuo mas sim ficar extremamente sensível naquilo a que Cortázar chamava de descontinuidade vertiginosa da existência.

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Sardinhada em Isfahan...

por Robinson Kanes, em 12.05.20

isfahan (1).jpgImagem: Robinson Kanes

 

Paul Dolan diz-nos que a chave para sermos mais felizes é prestarmos mais atenção ao que nos faz felizes e menos  ao que não nos causa felicidade". Afinal, e segundo as palavras do mesmo,  "não é a mesma  coisa que prestar atenção à própria felicidade". É por isso que no meio um turbilhão de más notícias decidi ir apanhar um ar fresco a Naqsh-e Jahan e resolvi por lá fazer a sardinhada desta semana... Podem acompanhar aqui.

 

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Chazada com a Alice...

por Robinson Kanes, em 04.05.20

imgID134049270.jpg.gallery.jpgCréditos: https://www.harrowtimes.co.uk/news/15663073.boris-johnson-drops-in-at-eastcote-care-home/

 

Não é que não houvesse... Haver havia, não era grande coisa, mas haver havia... E como havia, hoje estamos no espaço da Alice com uma chazada  e um grande passeio pela Arrábida...

Boa semana,

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Talvez Volver...

por Robinson Kanes, em 27.04.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

La mayoría de los hombres non tienen destino.

Manuel Vilas, in "Ordesa"

 

Talvez porque sim... Talvez porque, mais uma vez, já sinta tanto a tua falta... Talvez porque um dia possa ser, finalmente, em definitivo! Talvez porque nem a mais perigosa das pestes conseguirá esvaziar as tuas ruas, os teus becos e bares do ruído e da presença daqueles que não trocam a rua nem o constante empurrar e conversas perdidas em alta voz enquanto se escuta "las cosas pequeñitas".

 

Não,  "La Latina" nunca conseguirá sobreviver sem os gritos, os risos, as tapas e as cervejas que a enchem de Segunda-Feira a Domingo, até porque, naquelas ruas, não existe nem Lunes nem Viernes, nem Sabado nem Domingo. Talvez porque a fronteira um destes dias abrirá e entre o "Espanol" e o "La Zarzuela", lá estaremos para tomar aquele tão apetecível anti-depressivo que tão bem nos faz... 

 

Talvez porque nos faz falta a aridez da Extremadura, de La Mancha e da Comunidad, sem esquecer o acolhimento que sempre nos proporcionas... Mesmo que a altas horas na "La Segunda Base" entre a Mauricio Legendre e a Augustin Foxá, já perto de Chamartín e onde debaixo daquelas arcadas, a animação é uma constante e não nos faz sentir a falta da loucura das Cortes.

 

Talvez por isso, volveremos cuanto antes...

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Entre os Aplausos e o Isolamento Mental...

por Robinson Kanes, em 09.04.20

IMG_20190622_161453.jpgImagem: Robinson Kanes

 

Por certo já alguém deve ter abordado a temática, no entanto, o Coronavirus vai sendo visto de duas formas: por uns como uma guerra e por outros como um romance - ora sendo um caso "novo" para o mundo de hoje, balizamos o mesmo nessas duas margens e talvez nem o estejamos a combater como deveríamos, mas sobre isto, falarão os especialistas (desde que não tenham amigos nos jornais e não sejam o senhor Buescu). Por pouco me esquecia, ainda faltam aqueles que estão à espera que a tempestade passe e vão utilizando as fórmulas gastas do passado.

 

O que me espanta é que na segunda década do século XXI, para se tornar viral e ser notícia como se a lua se tivesse tornado verde e habitável, é preciso aplaudir e reconhecer quem trabalha, ou melhor, parte de quem trabalha. Até hoje, aplaudir todos ainda não era propriamente sinal de criação de conteúdos virais, o melhor é fazerem mesmo uma música, mesmo que copiada de outros artistas - pode ser que acabem num telejornal (basta fazer umas comparações entre uns "artistas" nacionais e um artista internacional).

 

Aplaudir o próximo, e lamento desapontar os românticos, não deveria ser notícia, deveria sim, ser uma coisa banal. Apreciar o trabalho do próximo, reconher esse trabalho e até recompensá-lo terá de ser das coisas mais normais do mundo (embora em alguns casos... Mas a isso voltarei num futuro próximo) e não um mero conteúdo ou prática viral! No caso português, como em outros, aplaudir profissionais de saúde, cantar o hino e colocar bandeiras não deve ser fancy e uma cópia do que já se fez noutras localizações, mas sim uma prática comum. Até porque em países como Itália e Espanha, muitos dos movimentos que vimos foram espôntaneos - quem conhecer bem aqueles dois povos sabe do que falo... Não se tratou somente de uma boa onda. Não se tratou apenas de show off para rede social.

 

O isolamento e o distaciamento sociais vão mudar bastante a nossa forma de estar no futuro, em alguns casos para pior, mas que os aplausos, o reconhecimento e o mérito, mudem para melhor, que seja um hábito, uma banalidade... Uma coisa é certa: teremos cidadãos, empresas e administrações públicas mais bem preparadas para futuras crises, e elas virão. É altura das ideias serem vividas e não se ficarem pelo pensamento, como dizia Malraux, no entanto, isso pode implicar que a prosa macilenta dos arautos da praça seja substituída pela força e empenho dos silenciosos...

 

P.S.: aproveitem e comam umas SardinhaSemLata (O Filipe deve ter bebido umas boas canecas para ter sequer pensado em convidar-me para este espaço...)

 

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Ter COVID 19 também pode ser "fancy".

por Robinson Kanes, em 20.03.20

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Fonte: LinkedIn

 

Que o diga um indivíduo de Águeda que não tem olhado a meios para ser um dos grandes embaixadores da "covidomania". Este indivíduo, que dá pelo nome de Pedro Xavier Simões (três nomes como manda a regra actual), foi sendo impingido pelo Sapo e por outros meios, sobretudo através do amigo "jornalista" Nuno Noronha. Se é para fazer furos "jornalísticos", nada como começar pelos amigos, sempre assim foi, até aí não é novidade...

 

Neste furo, falava-se do indivíduo que padecia desgraçadamente nos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC) posando qual instagramer de sucesso para a foto. Até o cabelo, apesar das limitações em aplicar mais cera, foi tendo o cuidado devido. Enquanto criticava o Serviço Nacional de Saúde, dava como porta-voz do seu estado de saúde, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, um especialista de saúde como nunca se viu até hoje - aliás, este indivíduo que veio de Itália e não se lembrou de fazer isolamento voluntário e alargou a infecção a colegas de trabalho, é o primeiro a alertar de que isto vai ficar muito pior e que não estamos preparados. Daqui à saída em grande estilo dos HUC foi um passo onde nem a garrafinha de água foi deixada para trás, sem esquecer a montagem com uns óculos, um livro e tudo aquilo que dá jeito para criar uma imagem pessoal. Covid 19 é uma terra de oportunidades...

 

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E pronto, temos um herói pouco acidental, promotor da irresponsabilidade e especialista em vírus. 

 

Mas a história não fica por aqui, afinal enquanto muitos "famosos" (bem entre aspas) se mostram muito preocupados com a humanidade enquanto partilham as coisas boas da vida, mesmo que em casa, temos o Pedro Simões (reduzido apenas a dois nomes), muito preocupado no seu LinkedIn com a fotografia que o Diário de Coimbra, ou como é conhecido na cidade, o "Calinas" (porque é que será...), partilhou num artigo sobre si depois deste abandonar os HUC. E pensar que o Sobral Cid não fica assim tão longe...

 

Todos devemos sentir uma certa pena por este indivíduo, mas por certo, não é obviamente por ter contraído COVID 19 mas sim por gostar de usar camisas à Tom Cruise no filme "Cocktail", laço à empregado de mesa da "Versailles" e capa (ou casaco) à Harry Potter. Idealmente e enquanto os mortos não são aos magotes, o melhor é também que aqueles que podem estar em vias de empaviar, tenham alguma coisa que os ligue a algo ou alguém famoso... Não importa o vosso nome, mas de quem são conhecidos ou algo do género.

 

Entretanto, estou já a criar um movimento de partilha de fotografias de todos aqueles que morreram e vão morrer de COVID 19 para seleccionarmos a melhor, especialmente aquelas onde a malta surge assim com melhor aspecto, de copo na mão e tal ou então com uma imagem das últimas férias em Torremolinos. Enviem-me as vossas, eu já escolhi a minha para a CMTV: estou de peito à mostra a beber uma Sagres na praia de Paço de Arcos. Admito que se me acontecer algo, vou ficar furioso se aparecer uma daquelas em que estava... Normal?

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Irão: Do Pedido de Desculpas...

por Robinson Kanes, em 24.01.20

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Em nove décimos do homem o que pensa é o animal. E é com o décumo que resta que quereis reinventá-lo? Quereis? Mas é da parte que negais nos outros que vos servis de engodo para a pregação.

Vergílio Ferreira, in "Signo Sinal"

 

Podemos até afirmar que não haveria outra hipótese... Que era a resposta esperada mas...

... Quantas vezes vimos altos responsáveis políticos e militares a assumirem o que generais, líderes políticos e religiosos assumiram com o abate do avião da Ukranian Airlines? Não passou uma semana e um país como o Irão assume a responsabilidade pela destruição de um avião com cidadãos estrangeiros e nacionais daquele país.

 

A verdadeira bofetada que o Irão deu ao assumir este acidente mostrou que os erros existem e mesmo em situações de alta tensão temos de os assumir! De quantos pedidos desculpas estamos à espera relativos a massacres, atentados e guerras iniciadas por países ditos desenvolvidos? Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação ao Iraque! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas em relação à Síria! Ainda estamos à espera de um pedido de desculpas relativo a muitas colónias no Norte de África e na América do Sul! É importante lembrar que numa coisa tão simples como foi o "Bloody Sunday" na Irlanda do Norte, só com David Cameron o pedido de desculpas surgiu. E o pedido de desculpas relativo à destruição do avião da Malaysia Airlines sob território ucraniano? E mesmo as organizações empresariais que exploram crianças e demais população em países sub-desenvolvidos, o tais que em tempos era chique apelidar de Terceiro Mundo? E quando é que pedimos desculpas por fazer negócios e parcerias com países que torturam e eliminam dissidentes e indivíduos de diferentes etnias e culturas? Quando é que pedimos desculpas por apertar a mão a criadores de sistemas como o "skynet"?

 

O Irão, para o mal ou para o bem, deu-nos uma grande lição e mesmo não sendo o maior admirador do regime iraniano, tenho de reconhecer que se existissem mais líderes e países a ter este tipo de atitude o mundo poderia ser um local muito melhor! Além disso, não me custa engolir que um país como o Irão tem mais anos disto (civilização) que nós... Até porque, consta que ainda mais antigo que a própria Pérsia, é o Irão.

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Do Irão com Paixão...

por Robinson Kanes, em 08.01.20

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Imagem: Robinson Kanes (Não percam nunca a vossa amizade...)

 

 

O direito do homem a não matar. A não aprender a matar. Este direito não está consagrado em nenhuma constituição.

Svetlana Alexievich, in "Rapazes de Zinco"

 

 

Hoje não venho falar de visitas ao Irão... O Irão é mais que isso, é mais do que um postal, é um país com uma cultura e uma História que países como os Estados Unidos, por exemplo, nunca terão. Não vou ser contra os Estados Unidos, até porque prefiro (pelo menos para já) viver num regime mais semelhante ao norte-americano.

 

No entanto, não posso deixar de elogiar uma terra que me recebeu muito bem, quer pelas minhas origens culturais e religiosas totalmente diferentes quer por respeitar a minha negação das segundas. Denoto que algumas das discussões religiosas mais leves e mais abertas que tive aconteceram no Irão. Senti até que, ao contrário do que se diz, o dilema não se dá entre religiões mas entre "derivações" da mesma.

 

Não posso deixar de recordar aqueles sorrisos de homens carimásticos e de belas mulheres que podemos encontrar em qualquer cidade ou vila iraniana! Caramba, deixemos a porcaria da política e de interesses obscuros (vejam as acções de algumas empresas de armamento a subir) e foquemo-nos nas pessoas, no povo! Esse é um povo que não deseja violência, sobretudo no caso iraniano, que até por vários acontecimentos históricos demonstra uma grande vontade em estar junto do Ocidente, inclusive dos Estados Unidos.

 

Todavia, o que um povo não pode suportar é sofrer ameaças e sanções só porque uma Democracia decidiu atacar directamente o país - a morte de Qasem Soleimani é um ataque ao país. O povo iraniano e também o iraquiano não podem tolerar que uma Democracia invada os seus territórios e mate os seus líderes com total apoio de vários outros países e ainda recuse abandonar esses mesmos territórios. As ameaças de Donald Trump ao Iraque (e não falo do Irão) são qualquer coisa que deveria envergonhar qualquer democrata, qualquer cidadão com direitos, seja ele americano ou não! Junte-se a isto o abandono dos aliados curdos e mais vale cavarmos um buraco e escondermo-nos bem lá no fundo. A postura da comunidade internacional ocidental também é lamentável e nem o próprio Secretário-Geral das Nações Unidas consegue esconder o facciosismo.

 

Todo este aparato só servirá para uma coisa: endurecer a postura do regime iraniano que já mostrava alguma vontade de abertura, além de que existem países aliados do Ocidente com maior limitação aos direitos humanos, e ainda reforçar o apoio ao regime por parte dos iranianos. Ninguém é isento de culpas, mas este levantar de poeira pode acabar da pior forma, até porque uma nação soberana e com a dimensão do Irão não pode cruzar os braços sob pena de se repetirem mais actos hediondos.

 

Os Estados Unidos e Europa estão também a perder uma oportunidade soberana de tomar parte na(s) nova(s) Rota(s) da Seda e com isso embarcar num caminho de prosperidade económica, social e política, aliás, estão neste momento a ser um entrave a esse desenvolvimento e a permitirem que países como a China e a própria Rússia aproveitem e assumam os destinos da região.

 

Todavia, neste momento, só me posso recordar de toda aquela gente boa, especialmente um pequeno grupo que, nas margens do Zāyandé-Rūd, partilhou connosco da sua comida, da sua casa e da sua vida, desde o primeiro momento em que nos conheceu numa clara demonstração de afecto que não vemos por cá, inclusive em Portugal, onde os principais seguidores da política dos afectos são os mais distantes daqueles a quem querem vender tamanha falsa ideia.

 

O Irão, aliás, os iranianos são um povo com quem todos temos de aprender e com uma bagagem intelectual e cultural que me faz, perante os mesmos, curvar-me e fazer uma vénia em respeito por tão importantes indivíduos. 

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