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Crianças-Soldado: Os Putos Esquecidos...

por Robinson Kanes, em 12.02.19

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Créditos: https://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/9391115/UN-hundreds-of-thousands-of-child-soldiers-kept-in-slavery.html

 

Admito que é revoltante quando chamam de egoísta alguém que, por opção, não quer ter filhos. Por norma, a acusação parte de quem pretende ter filhos, ou já os tem,  mas faz questão que os mesmos tenham os seus genes, nem que para isso tenham de despender milhões em tratamentos - e, em alguns casos, mais valia que tais genes não andassem pela superfície terrestre. Mas o que é ser egoísta?

 

Escrevo sobre este tema no dia seguinte à publicação, por parte da "Child Soldiers International" de uma comunicação que refere a duplicação do número de crianças soldados desde 2012 - nomeadamente um aumento na ordem dos 160%, ou seja, mais 30 000 casos.

 

Esta conclusão, para que possamos perceber a mesma, baseou-se numa análise dos relatórios das Nações Unidas, nomeadamente os relatórios anuais "Crianças em Conflitos Armados" de 2018 e 2013. Estes relatórios tornam-se mais assustadores quando percebemos que estes números, muito provavelmente não correspondem À totalidade dos casos. 

 

Mas as crianças em combate não são apenas do sexo masculino, como se pensa, pois também as raparigas sofrem, muitas vezes como escravas de apoio e como... Escravas sexuais! Aliás, o aumento da violência sexual sofreu também um aumento! Estamos a falar de crianças que chegam a ter 7 anos e menos e que, mesmo quando libertadas, encontram (por motivos religiosos e culturais) o isolamento e a repulsa por parte das comunidades acabando por sofrer as consequências de um passado negro.

 

A dificuldade em acolher estas crianças noutros países é também uma realidade, não só legal mas também cultural, afinal, somos muito humanos com as crianças desde que tenham a nossa cor, os nossos genes e não nos causem problemas administrativos. Também somos humanos se formos uma "pop star" e nos deslocarmos ao Sudão, com um milhar de fotógrafos para assistir à adopção de um "pretinho". Também ignoramos que, aqueles que chegarem a adultos não serão propriamente os adultos mais recomendáveis - nascer no meio de uma guerra, com uma arma na mão, não augura nada de bom para o futuro!

 

Hoje é um bom dia para fazermos um exercício: pensemos que, enquanto estamos no trabalho, os nossos filhos são retirados da creche paga a peso de ouro - ter os filho em creches do Estado já não é cool, mesmo que provoque o endividamente dos pais - e são levados para a guerra. Em troca do tablet e do smartphone é-lhes dada uma kalashnikov e uma valente tareia. Imaginem que nunca mais saberão dos vossos filhos e que, muito provavelmente acabarão mortos em dias! Imaginem que as vossas filhas são levadas para lavar os pés a senhores da guerra e também para serem violadas numa base diária por estes!

 

Fechem os olhos, parem um pouco e imaginem tudo isso! Imaginem que, mais logo, quando deixarem o vosso emprego, é o cenário que irão encontrar... Imaginem também que, é por puro egoísmo que muitas destas crianças nunca terão um lar porque afinal... Não há espaço para elas no mundo dito desenvolvido, onde a solidariedade impera e, aparentemente, não pode have espaço para o egoísmo...

 

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Noite de Facas Longas...

por Robinson Kanes, em 26.11.18

IMG_2296.jpgJudite decapitando Holofernes, Caravaggio -Gallerie Degli Uffizi

Imagem: Robinson Kanes

 

Existe uma coisa em política que me coloca sempre a pensar em como a pescadinha de rabo na boca é mesmo uma realidade e não há forma de, muitas vezes, cortar de vez às postas um enrolar hipócrita e prejudicial, inclusive para a Democracia.

 

Vejamos... Um dos maiores discursos dos indivíduos de esquerda, sobretudo daqueles mais adeptos da causa e que chamam (democraticamente) fascita a qualquer um que tenha uma ideia diferente da sua, é a de que alguém domina e controla tudo, de que o capitalismo nefasto subjuga as pessoas e transforma as mesmas em objectos, que as elites todos os dias encenam mais um acto da famosa "noite das facas longas". Este discurso de cassete, repetido décadas e décadas, tende até a enganar alguns mais incautos, todavia...

 

É estranho como estes arautos da liberdade, da ética e dos valores, muitas vezes, são alimentados pelo mesmo sistema que criticam, pelo sistema que lhes permite viver uma vida tranquila e até bem coroada em termos monetários. Uma espécie de sistema, grande maioria das vezes público, que ao alimentar tais faustosas vidas, ainda permite que, democraticamente, possam exprimir os mais absolutos disparates - não me refiro somente a Mário Nogueira, Francisco Louçã, Catarina Martins e tantos e tantos outros que podemos citar.

 

Também nos faz pensar no facto de, quando no poder, este tipo de indivíduos e clãs, rapidamente esquecer os problemas que antes apontavam. Se existiam impostos altos, na boca dos mesmos, terão deixado de existir, se existiam desigualdades, rapidamente deixaram de existir... O importante passa sobretudo por manter um discurso próximo de uma maioria que vota e que está ligada ao funcionalismo público. Afinal, uma coisa são meia-dúzia de estivadores, já outra são quadros técnicos do Estado. Alimentar os pobres não lhes dando, contudo, empowerment é também um forma de manter uma larga camada de população que vê nestes discursos a tábua de salvação.

 

Quando têm a mínima sensação de poder, é vê-los (democraticamente) a exercer uma espécie de "noite das facas longas" mas com outro nome, é que a denominação anterior puxa muito ao fascismo e ninguém quer comparar conceitos, mesmo que na prática as coisas sejam pouco diferentes. Essa mínima sensação de poder, faz com que estes indivíduos se comportem de pior forma que um capitalista e acumulem riqueza, nem sempre porque investiram mas porque o poder lhes dá - uma espécie de transformação de "filhos da sopeira" que de repente passam a senhores do feudo - por norma, quando isso acontece com pouco esforço ou preparação, o resultado é catastrófico.

 

Soa a discurso elitista de facto, mas a realidade não distingue discursos. Afinal, já Platão havia dito em a "República", que é do cúmulo da liberdade que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas". É do cúmulo da liberdade, conceito repetido até à exasutão por estes indivíduos, que (democraticamente) se alimentam muitos tiranos com capa de bom samaritano.

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Caminhando e Voando Baixinho...

por Robinson Kanes, em 10.09.18

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Fonte: Robinson Kanes e GC 

 

 

Eles estão por aí... Andam também pelas nossas cidades, e não são raras as vezes em que estão mesmo junto a nós e nem damos por eles... O corvo (corvus) é das aves (é um passeriforme) mais belas que existem! Ao longo dos séculos foram perseguidos e associados a temáticas como a bruxaria e não só - muito por culpa de uma religião que viu demónios em tudo e decidiu criar símbolos que acabaram por ter consequências nefastas para muitos animais, especialmente para as aves.

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Os corvos andam em todo o lado e aquele crocitar tão característico é facilmente reconhecível. Devo admitir que aves pretas e cavalos pretos são uma paixão que tenho. Estes senhores nada temem e já não são raras as vezes em que observo que não hesitam um segundo em desafiar outras aves como falcões ou águias - num desses episódios, uma águia calçada (aquila pennata) foi "obrigada" a desistir de um ataque porque a mãe corvo não desarmou. Foram tais as investidas que terá tomado, provavelmente, a melhor decisão. Só para que se tenha uma ideia, o falcão-sacre (falco cherrug) que estava connosco e foi colocado a voar, não ousou sair de um telhado enquanto a mesma águia não desapareceu. 

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Estes companheiros foram observados à beira do Reno perto de Neuss e o facto de caminharem por aquelas bandas sem acusarem a nossa presença foi fundamental para os ver mais de perto em pleno solo, o que não é de todo incomum, são aves territoriais que passam muito tempo no solo (entenda-se solo bem visível e perto dos humanos), ao contrário de outras.

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Já terão percebido que os senhores que se seguem são os ratos, não que eu perceba muito destes animais, devo dizer que admiro a inteligência dos mesmos e a forma - por vezes "trágica" - como se organizam. Em muitos casos são estudados em comparação com o comportamento humano e as diferenças não são assim tão poucas... 

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Em termos de propagação de doenças, os ratos também não são propriamente apreciados, todavia, tenhamos em conta que também nós não passamos tal exame com distinção e somos responsáveis por muitas das doenças que estes também acabaram por "desenvolver". Estes exemplares que encontramos nas fotografias foram fotografados em plena cidade de Paris, um antro de ratos (e não estou a ser irónico). Em Paris e tantas outras cidades, apesar do perigo, o convívio entre ratos e humanos nem sempre é de guerra e enquanto se está sentado no jardim ou no parque, não são raras as ocasiões em que uns ignoram outros e em alguns casos até confraternizam.

IMG_3775.JPG Por aqui andámos a voar baixinho e a caminhar bem junto ao chão... Afinal, quando somos bipedes, tendemos a esquecer que algumas das maiores riquezas do planeta e da vida, estão mesmo ali em baixo.

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Etiópia e Eritreia - O Abraço!

por Robinson Kanes, em 09.07.18

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Créditos: (ERITV via AP) 

 

 

Não é só pelas Coreias que a diplomacia está a conseguir grandes resultados- Existem em África dois países irmãos que ao fim de mais de 20 anos de costas voltadas decidiram abraçar-se e voltar a conversar. Falo da Etiópia, que além de ser o breço de um café fantástico, é também o segundo país mais populoso de África e ainda da Eritreia. Estes dois países, além de terem já estado envolvidos em guerras um com o outro, possuem algumas das mais antigas marcas de presença civilizacional do mundo e ao longo de séculos, até pela sua posição geográfica estratégica são apetecíveis para muitos colonizadores. Falar dos territórios da  Etiópia e da Eritreia é também falar da má gestão de muitos colonizadores europeus e do médio-oriente ao longo dos séculos.

 

Dois países esquecidos e onde a fome fez milhões de vítimas, prosseguem agora uma via de desenvolvimento ainda ténue ao ponto de se reflectir directamente e com impacte nos seus cidadãos. Todavia os resultados começam a surgir e a Etiópia já é um dos que mais cresce.

 

Este reencontro foi interessante, não só por ter sido revestido por uma imensa alegria entre as partes, não fosse Abiy Ahmed ter chegado à Eritreia e ter sido recebido com abraços e muitas gargalhadas pelo presidente Isaias Afwerki. Neste encontro, entre outras temáticas, foi tomada a decisão de abrir fronteiras entre os dois países e segundo Abiy (não são só os consagrados da História que têm bonitos discursos) "a linha de fronteira foi abolida hoje como uma demonstração de verdadeiro amor... O amor é maior que toda e qualquer arma moderna como tanques e misséis. O amor consegue ganhar os corações e vimos isso hoje em Asmara. De hoje em diante, a guerra não é uma opção para o povo da Eritreira e da Etiópia. O que precisamos agora é de amor.". Também Afwerki aludiu ao facto dos dois países começarem, a partir de agora, a trabalhar como um só no seu desenvolvimento! A cumprirem-se todas estas declarações temos em África uma lição a aprender, sobretudo nesta fase em que a Europa se encontra dividida, novamente, numa imensa manta de retalhos.

 

Resta-nos esperar para ver o futuro, até porque a Eritreia continua a ser uma espécie de Coreia do Norte e com esta nova mudança talvez Afwerki siga as pisadas de Abiy e encete um sem número de reformas económicas, liberte jornalistas e membros da oposição e permita ainda o acesso livre à internet.

 

O mundo deveria andar atento a estes pequenos passos, que podem ser efectivamente de gigante para o continente africano que, com nações fortes, paz e independência face a outras potências pode mudar o rumo da sua História e assim, também permitirem que a pouco e pouco as crises migratórias sejam solucionadas, pois é em África que estão os problemas e na Europa continuamos com paliativos sabendo que existe uma cura.

 

Não é espectacular, não dá likes mas faz o rumo da História ter um lado mais sorridente...

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 Créditos: https://www.pinterest.pt/pin/119345458847352926/

 

 

A Realidade em tempo de antena e veracidade

30 segundos: Israel mata 20 palestinianos.

30 segundos: Palestinianos rebentam café em Tel-Aviv.

45 segundos: Preço do petróleo a subir.

20 segundos: Tensão na Europa no eixo Itália-Alemanha.

5 minutoa: Crise no Mediterrâneo e no deserto do Sahara.

5 minutos: Reconstrução das zonas de área ardidas em 2017.

2 minutos: Investimento no IP3 de milhões.

1 Minuto: Novo presidente no México.

3 minutos: Tensão no Irão com aumento dos protestos no sudoeste do país.

4 minutos: União Europeia com novo procedimento contra a Polónia que insiste em "esticar a corda".

2 minutos: Forças militares e policiais da Indonésia continuam a matar cidadãos da Papua.

Um sem número de minutos: outros acontecimentos como tragédias, inovações, política nacional e internacional, casos de corrupção sobretudo na política em Portugal e não só, taxas de pobreza, finanças pessoas e nacionais, crises sociais e culturais...

 

Outras realidades

Meia dúzia de pessoas no acolhimento da selecção nacional no aeroporto.

Jogadores junto dos adeptos à chegada ao aeroporto.

Mero encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e um presidente estrangeiro, nomeadamente, Donald Trump.

Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Ferro Rodrigues e outros fazem publicidade em evento privado e continuam a patrocinar, post-mortem, a criação de um herói nacional que pouco ou nada fez pelo país (realidade mesmo que se goste do mesmo, temos de admitir, até porque o próprio tinha essa noção).

A classe política portuguesa está enterrada até ao pescoço em casos de corrupção, negócios danosos, tráfico de influências...

Tancos continua sem responsabilidades (doa a quem doer, alguém dizia)...

 

Portugal

20 minutos: selecção a aterrar no aeroporto de Lisboa.

20 minutos: jogadores a sairem do avião no aeroporto de Lisboa.

15 minutos: entrevista aos milhares que estavam no aeroporto de Lisboa (eu não os vi em tal número).

10 minutos: Bruno de Carvalho volta a comentar no Facebook.

15 minutos: Sousa Cintra e Jaime Marta Soares e outros tantos falam sobre o Sporting.

5 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa vai ao WC e diz que está asseado e limpo.

5 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa condecora indivíduo que escreveu uma frase num muro em Carnide.

5 minutos: Quaresma a sair do WC e a pentear o cabelo.

2 minutos: o iate privado de Cristiano Ronaldo e a pegada que o mesmo deixou numa praia em Ibiza.

4 minutos: primo afastado de Rui Patrício fala sobre o guarda-redes mesmo sem nunca ter estado com o mesmo.

5 minutos: filho de Cristiano Ronaldo joga futebol com o pai.

20 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa melhor que Donald Trump no modo como apertou a mão. Um herói, Portugal e Estados Unidos, os norte-americanos que se cuidem (afinal foi só um aperto de mão desagradável).

10 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa heróis, António Costa e Ferro Rodrigues só lá porque sim, mas heróis nacionais como Zé Pedro.

10 Minutos: Marcelo Rebelo de Sousa comenta o resultado da selecção nacional

10 minutos: Luis Marques Mendes comenta o resultado da selecção nacional e junta-se a Marcelo Rebelo de Sousa nos comentários e sabedoria acerca de temas como economia, direito, política, indústria, comércio, cultura, mecânica, matemática aplicada, esgrima, paddle, psicologia organizacional, automóveis, música, betão armado, construção de piscinas em prédios de 5 andares, mudanças de pneus, lides domésticas, enfartes de miocárdio, gestão de bases de dados, marketing aplicado a detergentes para a loiça, aplicação de alcatrão ou cimento em auto-estradas, electricidade em comboios de alta velocidade, limpezas de casas de banho em espaços públicos. Além de que, não procurem contrariar, caso contrário são reaccionários.

60 minutos: jogadores da selecção entusiasmados abraçam adeptos.

10 minutos: João Moutinho comeu um pão com queijo mas sem manteiga, veja a reacção do jogador.

30 minutos: dedicados a impingir personagens e práticas que não fosse este tempo de antena comprado, muitas vezes em telejornais, nunca conseguiriam vingar.

2 minutos: Marcelo Rebelo de Sousa diz que Portugal não é o EUA, pois uma celebridade nunca chegaria a presidente...

 

... Espera aí... Então mas... Espera lá... Mas o Donald Trump, que mal ou bem teve de fazer durante anos a fio pela vida no mundo dos negócios e teve algum tempo de antena em programas de televisão é uma celebridade que chega a presidente e... Marcelo com mais de 20 anos de "show off" e tempos de antena como nunca ninguém teve em Portugal (nem os seus "padrinhos" António de Oliveira e Marcello - com dos L)... Marcelo que fica especado no Parque Eduardo VII a posar para a selfie, enquanto tem uma fila à frente, qual figurante de Pai Natal no Colombo é o quê? Será que Portugal é assim tão diferente dos Estados Unidos?

 

As realidades andam trocadas...

 

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O Lado Negro dos Heróis!

por Robinson Kanes, em 21.06.18

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Créditos: http://prospect.org

 

 

O caso recente da descoberta de que Einstein mostrava um comportamento racista levanta algumas questões que me parecem peculiares.

 

No caso de Einstein, podemos sempre afirmar que esse era um comportamento e uma forma de pensar vigente à época, todavia, o autor desta descoberta, Ze'ev Rosenkranz, não aceita essa desculpa muito por culpa das evidências que encontrou.  Rosenkranz salientou que à época já existia uma mentalidade mais aberta e que encarava culturas opostas de uma forma menos severa ou sem quaisquer preconceitos. A minha opinião aqui, divide-se... Contudo, sabemos que Einstein foi criado numa comunidade que também não é mais tolerante de todas.

 

Este facto leva-me à apologia de determinadas figuras da História, umas já falecidas e outras que ainda por cá vão andando. Se por um lado admiramos algumas descobertas, talentos e conquistas, raramente falamos de um outro lado - quantos artistas não são pessoas intratáveis e que não foram propriamente um bom exemplo de como se devem comportar os seres-humanos? Quantos indivíduos não são admirados e cometeram atrocidades gigantescas contra os seus, por exemplo? Não vamos mais longe: em Portugal é proibido elogiar Hitler, mas já não é de todo descabido fazer a apologia de Estaline, isto ao mais alto nível!

 

O que ainda torna tudo mais estranho, é o facto de criticarmos o nosso vizinho porque se "mete nos copos" e aplaudirmos com passadeira vermelha aquele que é viciado em drogas ou que é um corrupto. Facilmente batemos palmas a quem foge deliberadamente, e em muitos milhõs ao fisco, mas criticamos aquele que se esqueceu de pagar 50 cêntimos de parquímetro! Criticamos a nossa vizinha porque em três meses conheceu dois homens mas não criticamos a celebridade que todas as noites vende o corpo a troco de fama. Hoje, em que como alguém já disse a semana passada, se é celebridade por ser, ou seja, o título de celebridade surge porque não se é propriamente bom nisto ou naquilo mas porque se é... celebridade... Dá que pensar o modo como admiramos determinadas personagens.

 

Temo que a História ensine a actualidade a perdoar todo o mal de anos a troco de um dia na passadeira da fama ou até a justificar as maiores atrocidades desde que depois se consiga algum sucesso... Talvez os cidadãos possam ganhar consciência de que também eles, ou melhor, são eles que devem escrever a História, e não uma ou outra exaltação bem fabricada. Temo que vivamos, obviamente que nem sempre, numa espécie de cegueira e admiração por falsos ídolos.

 

Vamos acreditar, contudo, que um dos maiores criticos e figura de proa contra o racismo, tenha efectivamente mudado a sua forma de pensar e tenha morrido como um verdadeiro defensor dos direitos humanos.

Podem encontrar aqui um dos textos que Ze'ev Rosenkranz, escreveu na Time.

 

 

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Futebolada e Selfies! Basta!

por Robinson Kanes, em 16.05.18

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Créditos da Imagem: https://me.me/i/i-have-no-clue-what-my-governmentis-doing-butiknoweverything-there-5907005

 

Mas em que país, ou até em que mundo, vivemos? Mas porque é que em todo o lado temos de levar com tudo e mais alguma coisa que tenha a ver com o futebol? 

 

É mais importante o futebol que a economia; que os massacres que andamos todos a legitimar no médio-oriente; que os números do emprego/desemprego; que o dia-a-dia que faz andar um país! É na rádio, é nas conversas, é nas montras, é no emprego (onde quem já não gosta de futebol se arrisca a ser alvo de discriminação) é em todo o lado e mais algum! 

 

Mas que império é este onde não faltam comentadores, programas, processos e todo um monopólio de informação e desinformação em torno do mesmo! Mas que império é este que movimenta milhões e mais milhões, muitas vezes sem origem conhecida e ninguém se preocupa em saber? Mas que império é este onde a corrupção é tolerada e defendida pelos supostos adeptos, vulgo, e no caso português, praticamente toda a população! Mas que império é este onde um episódio de violência tem mais eco que os episódios de violência em outros sectores e até no mundo?

 

Mas que histeria colectiva é esta em que, mais importante que ser português, é a porcaria (sem aspas) do clube que se tem? Que histeria colectiva é esta que transforma o "estudo" do futebol numa autêntica aula de matemática aplicada forçando uma coisa que não tem sabedoria nenhuma em algo complexo?

 

E a política no meio de tudo isto? Silêncio, promiscuídades e um deixa andar que chega a assustar - a mim assusta-me, como cidadão. Entretanto, o professor da nação, vai ensinando os franceses a tirar selfies, talvez porque não tenha mais nada para lhes ensinar senão uma cartilha de que estamos todos muito bem e somos o máximo... 

 

E no Governo e na Assembleia da República? Viva o futebol! Legislar e garantir que o combate à corrupção, evasão fiscal, enriquecimento ilícito, reforma do Estado, financiamento partidário, benefícios dignos de um Estado totalitário, afinal tudo isso pode esperar... Até vender a alma ao diabo por uns bilhetes para a bola, e aqui não é só no sector público, só a título de exemplo, não faltam recrutadores em empresas que o fazem a troco da colocação deste ou daquele indivíduo...

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Paulinha no País das Mascarilhas...

por Robinson Kanes, em 07.05.18

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Fonte da Imagem: https://www.pinterest.pt/pin/51158145743906666/ 

 

 

Um destes dias, um antigo colega encontrou-se comigo para um café e falámos daquelas coisas pelas quais passámos... E que interessam pouco mas enchem os minutos com conversa e dão a sensação de que se alguém nos liga ao fim de uns anos é porque tem um bom motivo para isso: um pedido!

 

Conversa e mais conversa, lá percebi que não ter facebook e outras redes sociais é uma coisa óptima e sempre me ajuda a controlar uma qualquer veia "comadreira" que possa ter, leia-se gossip. Minto! Tenho uma rede social que é o "LinkedIn" e foi aí que o Gomes me apanhou. O Gomes, sempre atento ao mercado e à vida dos outros lá me mostrou o sucesso que a "Paulinha", uma antiga colega do departamento de recursos humanos estava a ter nessa mesma rede. Interessante, afinal, depois de ter deixado o emprego porque não aguentava a pressão e tipo de trabalho que lhe era atribuído e quer era de acordo com a sua formação, lá tinha encontrado um caminho.

 

A grande questão é que a "Paulinha", qual mascarilha, também no LinkedIn escondia a sua verdadeira face... Afinal, a responsável pelo payroll (processamento de salários, digam lá que já não parece outra coisa), naquela sua passagem pela organização também tinha sido responsável pela implementação de um projecto de desenvolvimento, formação e responsável por toda essa área... Caramba, e eu que me lembro de que a "Paulinha" mal se via e não me recordo sequer de alguma vez ver aquela triste figura (sim, era daquelas tóxicas) a abraçar esses projectos...

 

Eu sei que é gossip, mas caramba "Paulinha", é preciso mentir assim tanto? E quantas personagens destas não abundam por aí e o pior disto tudo é que existem pessoas que acreditam! Acreditam até alguém lhes dar um projecto para as mãos e sair tudo "furado", todavia, quem for esperto tem sempre alguém para culpar e aí se vão perpetuando estas pragas por muito do nosso espaço de trabalho... 

 

Mas o Luisinho é igual, quem o vir no LinkedIn fica com a sensação que é quase o CEO da empresa mas depois é um mero administrativo que, por sinal, deixa muito a desejar... Depois temos a Mariazinha, que não tem redes sociais e no meio de tudo aquilo... É quem tem mais responsabilidades e efectivamente desempenha as funções que os outros dizem fazer. O Luisinho até escreve títulos profissionais pomposos em inglês quando nem domina a língua... Digam lá que não é formidável...

 

Honestamente, espero que a Paulinha encontre emprego numa qualquer companhia de teatro ou até na televisão... Afinal a sua verdadeira vocação é a de comediante e, para isso, basta aproveitar essas mesmas redes sociais e continuar a contar umas chalaças. No entanto, uma coisa é certa - vai ter mais sorte a "Paulinha" do que aquele que colocar a verdade no seu CV, seja em que plataforma for... É assim, no país das mascarilhas, onde parece que todos usam chapéus com ventoinhas...

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Ajudar ou Humilhar?

por Robinson Kanes, em 16.04.18

 

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 Fonte da Imagem: https://www.curejoy.com

 

 

Alguns acontecimentos recentes trouxeram à luz do dia uma discussão que se impõe, discussão essa que, muito popularmente, defino como o conceito do “mas ela não queria atravessar”.

 

Quantas não são as situações em que alguém vos está a ajudar com algo e levanta a voz e adquire uma expressão corporal e gestos que vocês ficam com a sensação de que essa pessoa não vos está ajudar mas a humilhar ou a tirar proveito da vossa fraqueza? Poderia pegar na célebre foto de Marcelo Rebelo de Sousa a abraçar uma das pessoas afectadas pelos incêndios e descarnar todo aquele quadro até se perceber que ali não estava solidariedade mas uma espécie de humilhação – não irei por aí, até porque deixo essa análise para os profissionais da área.

 

Com efeito, o que eu pergunto é: se levantar o braço e pedir ajuda revela humildade, revelará sempre humanidade alguém ajudar-vos e não vos dar espaço para aprenderem ou adquirirem algum empowerment?

 

É uma questão que importa pensar, até para nos tornamos mais autónomos e agir como indivíduos que podem e devem estar preparados para muitos dos desafios com que lidamos todos os dias e temos receio de enfrentar.

 

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Da Tua Ressurreição...

por Robinson Kanes, em 31.03.18

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Fonte da Imagem: Própria - Exposição "Steve McCurry Icons" - Castello Visconteo - Pavia

 

Autoria da Foto: Steve Mcurry 

 

 

Por todo o lado celebram a tua crucificação e a tua ressureição... Uns vagueiam pela rua, seguindo a tua cruz e simulando os teus passos, já outros aproveitam para passar férias e outros para fazer negócio, quais mercadores do templo. Muitos nem prestam atenção àquilo que apregoas, mas nada como apreciar a pausa - por lazer ou dinheiro, quem é que não se converte?

 

Dizem por aí que morreste por nós, que foste parar a essa cruz porque simplesmente estava aí a salvação do mundo, a salvação dos homens - como se o centro do universo fossem os homens. Sei, com efeito, que agora não é fácil voltar e dizer que o teu pai criou o Universo e... A Terra é o centro do mesmo e à volta do qual tudo gira. Deixa-me também lembrar-te que ao longo da história foram muitos aqueles que morreram "crucificados" e cuja morte acabou por desencadear a morte de muitos inocentes, o teu exemplo não foi diferente. Achas que esses tiveram livre-arbítrio?

 

Em mais de 2000 anos a tua morte ainda não mudou a história do mundo, mas deixa-me dizer-te que tens um público paciente - se eu disser que amanhã entrego um relatório e não o faço, podes crer que alguém me vai pedir explicações! 2018 anos para fazer obra... Nem em Portugal encontra paralelo, mas porque demoras? Por todo o lado andam muitos a dizer que são os teus enviados, os eleitos para espalhar a tua palavra, mas olhando para o passado e para o presente, sou levado a acreditar que os teus discípulos, principalmente Pedro, estavam ébrios ou agarrados ao telemóvel aquando da famosa ceia em que meteste o Iscariotes entre a espada e a parede. Ninguém entendeu a tua mensagem, nem mesmo quando carregavas a cruz... Olha que nem aí seguem o teu exemplo, pedem a outros que a carreguem, que isto de carregar a cruz não é para gente de batina. O pior de tudo é que ainda se julgam Caifás...

 

Vais ressuscitar, mesmo que já o tenhas feito tantas vezes contra a ciência, contra os filósofos e contra todos aqueles que te negam... Mais um ano em que vais ressuscitar enquanto sabujamente comemos borrego ou cabrito como se não houvesse amanhã. 2018 anos é tempo de sobra para te exigir mais, afinal, tens noção que és o político que tem levado mais tempo a cumprir as promessas?

 

Ao ressuscitares este ano, lembra-te da Síria, lembra-te do cemitério do Mediterrâneo, lembra-te do Sudão e de todos aqueles países em conflito mas que, comercialmente e consequentemente mediáticamente não têm interesse para nós e para aqueles cujo escapulário te presta homenagem. Ao ressuscitares este ano, lembra-te de dizeres ao Homem que na tua ausência, esse mesmo Homem não foi capaz de se governar. Será que tu, Homem que disseste ser, te revês nas palavras de Camus e não fizeste mais que inventar Deus para não te matares? Será que ao caminhares alegremente para cruz não deixaste de acreditar no teu pai, quando descobriste que esse Deus não existia?

 

Ressuscita e dá uma volta por aí... Não te levo a mal se ao fim de 5 minutos te fechares novamente no Santo Sepúlcro e deixares uma mensagem a pedir para não celebrarem mais a tua ressureição.

 

Feliz Páscoa...

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