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A Economia e o nosso cérebro não usam máscara...

por Robinson Kanes, em 14.10.20

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Créditos: Mauro Biani (http://maurobiani.it/), La Repubblica - (https://www.repubblica.it/)

 

A História encarregar-se-á de nos mostrar se de facto, no primeiro semestre de 2020, cometemos um erro ao fazer a experiência falhada de frozen-unfrozen da economia mediante uma hipotética doença mortal; se cometemos um erro ao acreditar na teoria do pós-furacão em que durante e logo a seguir à tempestade a economia cai a pique mas rapidamente recupera; se, simplesmente, fomos demasiado precipitados e cometemos o maior suicídio colectivo da História ou ainda se fomos invadidos de pânico e não soubemos reagir. Aparentemente, outro cataclismo se segue que é a aceleração das mudanças climáticas e que já representa milhões de mortes anuais.

 

No entanto, já vai sendo tempo para se fazerem os primeiros balanços e rapidamente chegamos à conclusão que nem a previsão de uma pandemia de "gripe espanhola" com um número de óbitos a rondar os 70 milhões, conseguiria fazer cair tão drásticamente o Produto Interno Bruto (PIB) como poderá provocar o SARS-CoV-2. Segundo as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) seria de 5% para a primeira situação e é actualmente de 8% para a segunda. "Uma crise como nenhuma outra, uma recuperação incerta" como lhe chamou a instituição em Junho num dos seus habituais "World Economic Outlook Reports". Em Outubro, já temos um FMI a trilhar um caminho mais árduo que o esperado, não estivessem os casos de COVID-19 a aumentar e muitas economias ainda a adiar o seu arranque - excepto a China que está a crescer como ninguém. Será pela ausência de casos? Será pelo total desrespeito pelos Direitos Humanos (alegadamente até a utilização de campos de concentração e mão-de-obra escrava) e ausência de uma protecção social? Será um Estado a funcionar na sua perfeição?

 

Todavia, não sendo economista, preocupa-me ver (e eu que tantas vezes sou atacado por defender os ricos) que muitos chamados ricos, vão ficando cada vez mais ricos e muitos pobres vão ficando cada vez mais pobres. O vírus até pode ser democrático, tão democrático que, aparentemente, até foge dos países mais totalitários, não obstante, os seus efeitos já não são tão democráticos. O que é que está a "falhar", para que os 1% continuem cada vez mais ricos? Capacidade de superação, reinvenção? E para os pobres estarem cada vez mais pobres? Não, deixem-se de arco-iris, não está nada tudo bem e, atentando ao caso português, não é com o Estado como principal agente económico que vai ficar, mesmo sendo o tecido produtivo algo imperfeito na sua maioria - bazuca das políticas sociais (também ainda ninguém percebeu quais são) não vai chegar a todos. Infelizmente, a gestão do problema também não será fácil, pois um Estado usurpador face a um grupo grande de empresários sedentos de fundos tende sempre a não correr bem e já é um problema crónico na Lusitânia. E ainda temos a questão do endividamente público e privado, outra bomba que fará Beirute parecer um petardo.

 

Como nos diz um recente artigo publicado no "The Economist" ("The peril and the promise") a verdade é que o mundo não está parado, e que a economia não estando a crescer como o desejado, também não ficou estática e está a tentar sobreviver acelerando a mudança em áreas como o comércio, a tecnologia, a finança e a política económica. Acrescentaria também as mudanças sociais, algo que tende a escapar, por vezes, a estes publicações. Na verdade, vejamos como já estamos mais familiarizados as novas tecnologias mais básicas (o retalho que o diga) e como temos de nos adaptar a cada momento à mudança (entendo que repetir a palavra mudança em Portugal é criar o meu próprio suicídio profissional, mas...), a novas formas de trabalhar, e não é com a crescente tendência de títulos pomposos, com especialistas em LinkedIn e criação de autênticos silos no mercado de trabalho que conseguiremos resultados. É com a capacidade de nos reinventarmos, de acolhermos novas metodologias, de estarmos preparados para perceber que existiu o antes e estamos no agora (e como isto é difícil de entender) e que ainda virá o depois. É de nos retratarmos quando em tempos alguém falava em "remote" e todos desprezavam, especialmente os adeptos do presentismo (a expressão presenteísmo é infeliz) e é também de olharmos para aqueles que em tempos (e ainda hoje) se sentam à nossa frente para falar de sustentabilidade, novas formas de abordagem ao trabalho e à sociedade e reconhecermos que pelo menos alguma percentagem de razão teriam... Mas não, ao invés disso, achamos tudo o máximo e fazemos (algumas organizações e colaboradores) questão de "parolamente" promover como se tivessemos descoberto a América, práticas e processos já amplamente implementados há décadas.

 

Se não estivermos preparados alguém estará, e não tem de ser em amargo sofrimento, mas também não é com discursos motivacionais sem fundamento ou vídeos do Sinek (embora o midlle management adore) que abraçaremos essa mudança. Muitos poderão, sobretudo em Portugal, não o sentir, as bazucas vão acalmando as hostes, mas o Mundo mudou, para o bem (e já dei alguns exemplos acima), mas também para o mal: conflitos da América do Sul até ao Mar da China a acentuarem-se, a extrema-direita em ascensão na Europa face a um declinío das instituições democráticas, da social democracia, da esquerda moderada e de uma esquerda da paz e dos cidadãos que se revelou um autêntico desastre e deixou muitos sem esperança quais animais enclausurados numa quinta.

 

Estamos perante guerras e conflitos que repentinamente "deixaram de existir" e tensões económicas e sociais que um mundo altamente globalizado não consegue controlar. Para o bem, temos know-how como nunca existiu na História, temos meios para enfrentar as dificuldades (se bem que o mundo não é nem nunca será perfeito), repetimos constantemente a palavra "solidariedade" (é só colocar a mesma em prática, e solidariedade não é esmola) e uma capacidade de escolher e tomarmos decisões em conjunto. O Mundo está a mudar e aqueles que ainda querem ficar à espera de uma vacina, como se isso fosse o antídoto para voltar ao antes, esses efectivamente que vão fazer turismo... Porque se a sua acção face às dificuldades é umas mais-valia, a sua inacção é um perigo que não devemos arriscar.

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Créditos: https://imgflip.com/tag/cultural+appropriation?page=6

Como é habitual à terça-feira, venham de lá quebrar as regras morais e comer uma sardinhas, é aqui.

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Não Podemos Mais...

por Robinson Kanes, em 09.10.20

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Créditos: https://www.diarioprogresista.es/pablo-iglesias-contestan-misma-medicina-tic-tac/

 

En política no se pide perdón, en política se dimite.

Pablo Iglesias

 

Admito, com ligeira perplexidade, que nos preocupemos tanto com as idas à casa-de-banho de Bolsonaro e Donald Trump (e só destes dois... e sempre para o mal), do outro lado do Atlântico mas deixemos escapar, por exemplo, o que se passa em Espanha. O que se passa por cá, já não me espanta, o efeito avestruz elevado ao seu estado mais normal.

 

É neste contexto que o terramoto político e social que pode rebentar em Espanha também pode trazer consequências para o nosso país ou não fosse o epicentro localizado num dos partidos mais adorados em Portugal, o Unidas Podemos. A sede de poder de Pedro Sánchez levou, à semelhança do que acontece em Portugal, à aliança com a extrema-esquerda espanhola, sobretudo republicana e pouco moderada. Aquela esquerda dos cidadãos, do "Podemos" que vinha salvar o mundo como o fracassado Syriza na Grécia e o Bloco de Esquerda em Portugal.

 

Todavia, temos assistido a uma demonstração de ausência de ideias para o país (apenas o foco no discurso - e só no discurso - de ajudar os pobres, estar do lado dos criminosos "okupas", a independência da Catalunha e o fim da monarquia) e casos atrás de casos de corrupção e movimentações totalitárias dignas de uma URSS, bem como uma repetição à portuguesa da grande família: Iglesias e a mulher partilham a liderança de um partido e influenciam ambos as decisões governamentais.

 

Sob a égide de Pablo Iglesias, o "Podemos" tem sido alvo de vários escândalos de corrupção dos quais se destaca a famosa "Caja B", adjudicações fraudulentas, relações promíscuas com jornalistas, as movimentações de del Olmo, os famosos casos Calvente e Dina Bousselham, falsas denúncias para ter vantagem eleitoral e um sem número de "sacos azuis". A táctica, quando confrontado com a situação, também à semelhança do que acontece em Portugal, é desaparecer (Marcelo nisso é exímio quando o assunto não lhe é favorável) ou então atacar os adversários com um "vocês também fizeram" ou ainda "assunto encerrado" à boa maneira de António Costa e do Ministro da Propaganda, Augusto Santos Silva.  Em relação a falsas denúncias e com tantas similitudes no modus operandi, só me recordo de um caso de correspondência com ameaças e que até fizeram (mais uma vez sem qualquer sentido) que os mais altos cargos da nação viessem pressionar a Investigação e a Justiça - já existirão desenvolvimentos acerca de quem foi ou foram os autores dessa correspondência? Os resultados rápidos tardam em aparecer...

 

Não obstante, à semelhança de tantos outros casos na Península Ibérica, o líder do Podemos, foi o mesmo que em tempos (2016) dizia que perante as suspeitas de casos de corrupção ou similares no seu partido, a demissão seria a opção única! Hoje, diz-se vitíma daqueles que querem vingar os impetos da independência catalã e ostenta o total apoio que lhe é dado por Sánchez - o poder, custe o que custar, mesmo que no Senado espanhol já se grite (sim, grite) pela demissão de Iglesias. Isto aconteceu enquanto a senadora do PP, Elena Muñoz, anteontem, denunciava muitos destes casos e inclusive o desrespeito pelas mulheres - logo o partido que tanto apregoa a causa embora o seu porta-voz (Pablo Echenique) até já tenha sido condenado por fraude à Segurança Social! Estranhos tempos onde o algo e o seu contrário começam a ser a tónica dominante dos heróis... 

 

A História ensina-nos que nem sempre aqueles que inicialmente surgem como os grandes salvadores da Humanidade, os defensores de todos os direitos e das causas sociais, da justiça social (ainda ninguém sabe bem o que quer dizer este conceito, mas fica sempre bem utilizar) são aqueles que, tendo o mínimo acesso ao poder, normalmente do Estado (mas até em muitas organizações empresariais vemos isso), são os primeiros a fazerem um Nicolae Ceaușescu parecer um menino aos olhos dessa mesma História.

 

Unidas Podemos parece estar mais a desunir Espanha do que propriamente a unir, sobretudo numa altura em que o vírus que nos assola mata milhares de espanhóis e a própria economia. A ausência de debate e soluções sérias, o ataque constante à unidade de Espanha na pessoa do Rei, não auguram nada de bom para o futuro... Além de que, muitas destas cenas, também não são diferentes na antiga província espanhola, apenas mudam os actores.

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Normandia: um dia de homenagem

por Robinson Kanes, em 30.09.20

american_cemetery_normandy.jpgImagens: Robinson Kanes & GC

 

 

A morte é morte de alguém e tê-lo sido de alguém não é levada pelo moribundo mas pelo sobrevivente

Aristóteles, in "De Anima"

 

Deixamos Bayeux e voltamos para trás, para perto da memorável "Juno Beach", mais precisamente para Courseulles-sur-Mer. É aqui que o carro descansa e as bicicletas descem do tejadilho. Entramos em modo "Tour de Normandie" e procuramos ir ao encontro de alguns dos locais que durante anos, permanecem na nossa memória devido à grande invasão. Daqui em diante e antes de apontarmos ao Mont Saint-Michel vai ser a pé e sobre duas rodas.

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Começamos com uma deslocação de cerca de sete quilómetros, até ao Cemitério Canadiano de Bény-sur-Mer. e que é o repouso dos primeiros mortos canadianos no Desembarque - o de Bretteville-sur-Laize ficou para os que morreram nos momentos posteriores. Mesmo à beira da estrada e já se sente o peso da História, o peso da morte. A primeira sensação? Tantos mortos e este é só o primeiro... Tantos miúdos no chão que morreram em nome da libertação da Europa, em nome de um mundo que nunca mais seria o mesmo... Sentimo-nos cobardes por não termos mantido esse mundo desejável e que lhes custou estupidamente a vida - e este nem é um dos maiores jardins de pedra. Respira-se fundo, ouve-se o vento entre as árvores, faz-se uma revisão da matéria e leem-se as mensagens que encontramos em cada lápide.

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Damos connosco a perceber que já passou mais de uma hora e ainda há tanto para sentir, algo sem aparente explicação... É hora de partirmos, regressarmos para perto de "Juno Beach" e prestar também aí a nossa homenagem junto do memorial e também da primeira casa a ser conquistada naquele dia fatídico e mortífero. 

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Torno-me repetitivo, mas de facto, acabo sempre a pensar, para quê? Será que, à semelhança do que fazemos com os acidentes de viacção, onde muitos juízes condenam os culpados a visitar hospitais, particularmente com as vítimas dos embates, não deveríamos fazer isto com aqueles que parecem esquecer o passado? 

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As praias são isso mesmo, praias, é preciso fechar bem os olhos, ter presente a História da invasão e voltar a esses tempos, caso contrário será mais difícil, mesmo sentido os ares que nos chegam da Mancha. Temos de prosseguir, o nosso destino em duas rodas será o cemitério alemão de "La Cambe" e antes ainda temos de voltar ao Cemitério de Guerra em Bayeux.

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Pelo caminho, um destaque e paragem obrigatória no Cemitério Americano em "Omaha Beach", Colleville-sur-Mer. Até lá, museus e memoriais não faltam, as praias e aquelas região, mesmo à entrada de algumas vilas, não esquecem aqueles que tombaram pela França e pela Europa. Mas temos de parar em Colleville, os Americanos sabem honrar os seus e de facto, este cemitério, é um verdadeiro monumento, uma grandiosa homenagem aos mortos em combate que atravessaram o Atlântico e depois o Canal da Mancha e tombaram em solo francês.

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O número de mortos é imenso, o espaço é imenso e o contraste entre a beleza e o cuidado do local com aqueles que ali jazem é qualquer coisa. Procurou-se criar o paraíso para que aqueles soldados ali possam descansar, bem nas colinas que dão para a praia onde muitos tombaram. A quietude do espaço, a forma como tudo está cuidado (melhor que em muitos palácios), o silêncio... Olhamos novamente o mar que trouxe todos estes corpos para a terra, um Atlântico atravessado, para depois se ultrapassarem as águas da mancha e morrer em nome de todos nós. Vida triste, não podermos reconhecer estes jovens e mesmo os mais velhos, a lágrima... O pensamento a caminhada entre cruzes de Cristo e de David não bastam, deixam-nos impotentes e desarmados. Ficamos a engolir em seco, saímos a engolir em seco. Pensamos no hoje e até no amanhã, pensamos em todos os cemitérios como este e que não existiram... Perguntamos, para quê?

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Prosseguimos... É hora de prosseguir, mas depois daquele dia, não mais somos os mesmos... Depois daquele dia, já adultos e sem a magia que ser criança nos provoca ingenuidade, nunca mais olharemos aquela costa depois deste regresso.

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Honfleur, uma cidade portuária

Atrás de Marcel Proust em Cabourg

A pacata e firme Caen

Bayeux: uma jóia normanda

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Filhos em Lata...

por Robinson Kanes, em 22.09.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje, no SardinhaSemLata e na habitual participação à terça-feira, falaremos de filhos e pressão social. 

Acompanhem o nosso texto aqui.

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Um Mero! Um Mero!

por Robinson Kanes, em 18.09.20

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Imagens: Robinson Kanes

 

 

Porquê este título? Podemos dizer que é uma espécie de private joke relativa a um comensal que em tempos afirmava ter capturado um exemplar deste peixe... O resto, só assistindo, porque contado. Embora não tenho dúvidas que em termos de apetite seja cavalheiro para devorar uma baleia!

 

Entrando também em modo "Sabino Rui", sim, já começo a ter saudades do trânsito em tempos de confinamento, mas não foi isso que me trouxe aqui.

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O que me traz aqui hoje é algo de fulcral importância para a nação: um mero grelhado, uma esmagada de batata doce e uns restos de feijão verde. Chegar a casa e não saber o que fazer, dá nisto. Aproveitam-se sempre uns restos, é um facto e acaba por ser a oportunidade para abrir uma botella. Consta por aí que alguém também andou a fazer das suas, pelo que, fica lançado o mote para vir partilhar ou fazer o mesmo lá nas terras dele.

 

Assim foi esta semana e fica aqui uma sugestão de fazer água na boca e que é bastante simples: um mero (e que seja bem fresquinho), uma esmagada de batata doce, se possível regada com um bom balsâmico, o da imagem já tem uns tempos e veio directamente de Modena, bem perto de Bolonha. Por falar em Bolonha e em iguarias, juntem-lhe umas "Ervas de Provence" (ao peixe) e fica uma maravilha, estas vieram de Avignon, mas penso que até se conseguem arranjar por aí.

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A acompanhar, depois de acabado um resto de tinto alentejano, algo que me tem surpreendido bastante, o "Albariño" das Rias Baixas, zona de Cambados e com perfume do Atlântico. Não confundir com o outro, mais perto da nossa zona de Monção e Melgaço. É de um aroma e de um sabor de tal forma frutados que é impossível dizer não. Neste caso em particular, não abrimos os dois, mas estamos a falar de vinhos que oscilam entre os três e os seis euros. Aquilo a que se chama uma bela pomada, adquirida em Vilagarcía de Arousa e com excelente relação qualidade-preço. O "Cruz de Montirago" é um verdadeiro exemplo de um excelente vinho a preço low-cost.

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Finalmente, e porque o fim-de-semana está aí, uma leitura atenta (até porque é francamente rápida) ao livre do Bernard-Henri Lévy, o conhecido filósofo francês que foi um dos primeiros a questionar o "pânico" em torno do vírus. Uma leitura interessante de alguém que não entra em delírio e nem sempre come aquilo que lhe colocam à frente.

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Em jeito de conclusão, façam uma visita aos Açores, especialmente ao Corvo, hoje dei comigo a recordar aquela malta... Podem começar por aqui e também por aqui

 

 

P.S.: Perdoem a apresentação, mas como referi, é uma daquelas refeições preparadas à pressa, e honestamente, não tenho muita preocupação em colocar tudo no sítio para a fotografia... 

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As polícias que se lixem! Viva a ETA!

por Robinson Kanes, em 17.09.20

 

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Créditos: Chema Barroso - https://www.madridiario.es/policias-y-guardias-civiles-protestan-en-el-congreso-por-el-pesame-de-sanchez-a-un-etarra

 

 

O pior das humilhações  é que fazem quem as sofre sentir-se  culpado.

Javier Cercas, in "As Leis da Fronteira".

 

Espanha vive tempos conturbados, à semelhança de Portugal, onde a extrema-esquerda com a conivência do centro-esquerda impõe a agenda atropelando muitos dos valores mais básicos. Parece subsistir, numa base diária, um claro exemplo para demonstrar o cataclismo político e social para onde algumas áreas caminham. Acresce a este facto, uma direita fraca e uma extrema-direita em franca ascenção - não incluo o VOX neste rótulo de extrema-direita, ao contrário do que muitos tentaram fazer sem sucesso.

 

A mais recente, e permitam-me a expressão, escandaleira, foi protagonizada pelo Primeiro Ministro Pedro Sánchez que veio a público e com toda a solenidade prestar as suas condolências e grande pesar pelo suícido de um Euskadi Ta Askatasuna (ETA) na prisão onde se encontrava a cumprir pena. Num país que, nos tempos actuais, precisa de estar mais unido que nunca, ver um chefe de Governo a assumir esta posição face a um violento separatista é, no mínimo, rocambolesco e sem qualquer sentido de Estado. Fazer ressurgir feridas ainda mal fechadas de um passado muito recente não é próprio de um Governo e atentará até contra a própria Constituição e unidade de Espanha.

 

Por certo, a pressão de Iglesias, alguém que acredita piamente que irá conquistar o poder e transformar Espanha num campo de batalha emergindo como um totalitarista travestido de suino orwelliano, terá tido os seus efeitos. Iglesias, contudo, à semelhança daqueles que lutaram na Guerra Civil espanhola, não tem ideais e não procura a paz entre os seus concidadãos apenas a vontade em se assumir como uma espécie de Demiurgo com tiques estalinistas.

 

No entanto, em Espanha, o povo e as próprias polícias não vão no discurso da serenidade (e até algo totalitarista), encetado por muitos dirigentes e que sai sempre da cartola, sobretudo do nosso Presidente da República, nomeadamente quando as coisas podem correr mal. Foi neste contexto que todo um povo e especialmente os agentes da ordem, particularmente a Guardia Civil e o Corpo Nacional de Polícia, mostraram o seu descontentamento, colocando inclusive, no Palácio das Cortes, um sem número de urnas encenando os funerais dos agentes da autoridade mortos pela ETA, que cometeram suícido ou que foram mortos no cumprimento do dever nunca tendo merecido qualquer palavra deste e de muitos governos espanhóis. Acresce aos factos, um pouco à semelhança do que também acontece por cá, a irresponsabilidade de ainda não se ter desenvolvido um programa de prevenção do suicídio nas forças de autoridade e que em Espanha é um dos principais cavalos de batalha destas.

 

É é trazendo a discussão para Portugal, que é notório que temos assistido a selfies tiradas pelas mais altas individualidades do Estado junto dos heróis que apedrejam ou disparam sobre a polícia ou então que simplesmente desprezam toda e qualquer indicação das autoridades. Pensar que ter os militares na mão, sobretudo mantendo incompreensíveis regalias, é a solução para se manter um Estado em paz e sob controlo, pode ser um erro crasso no longo prazo, até porque, não vivemos no país "orgulhosamente só" que em muita alta esfera política, sobretudo aquela que adora mergulhos no mar, ainda causa saudade.

 

E se, à semelhança do que vai sendo sublinhado por muitos, o discurso que acabei de ter é populista, aliás, como o próprio combate à corrupção, então é com muito orgulho que o sou. 

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Sardinhas com libretto dos tempos modernos...

por Robinson Kanes, em 15.09.20

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Imagem: Robinson Kanes

 

Hoje é dia de andarmos pelo SardinhaSemLata... Decidimos escrever um libretto enquanto se devoram algumas sardinhas, sardinhas essas, que ainda pingam no pão. Acompanhe-se com "vinho tostão" e temos o manjar perfeito para uma pós-modernidade, eventualmente imperfeita. É só seguirem-nos aqui.

 

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Il Gattopardo... Il Robinsonpardo...

por Robinson Kanes, em 11.09.20

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Imagem: https://www.pinterest.pt/classical826/il-gattopardo/

 

Foi na quarta-feira que tive a oportunidade de rever o filme baseado na obra de Giuseppe Tomasi di Lampedusa: "Il Gattopardo". Mais um filme de se lhe tirar o chapéu do mestre Visconti (sem esquecer a banda sonora de outro mestre: Nino Rota). Com o Nimas totalmente ocupado, respeitando o devido distanciamento, aquele momento foi mais um daqueles em que viajamos pela Itália profunda e pela Sicília, terra apreciada pelos cineastas italianos e também berço de muitos. 

 

Em relação à película, estar vivo e não ter visto a mesma, é como já ter morrido. Com efeito, agora com outra maturidade, recordo as palavras de Fabrizío (interpretado pelo magnifíco Burt Lancaster), aquando da sua visão da Sicília: “I siciliani non vorranno mai migliorare per la semplice ragione che credono di essere perfetti; la loro vanità è più forte della loro miseria.”.

 

Por momentos, senti a pele e a alma a envelhecerem-me, a tomarem conta de um aspecto ainda jovem em mim e a tornarem-me desencantado por uma nação, tal como o Princípe de Salina. Nesta espécie de exaltação e de show, de ineptas personagens aos pulos em busca de, sento-me num chesterfield, algures no Palazzo Valguarnera Gangi, e partilho da desilusão daquele nobre que afinal, antes de tudo e todos, percebeu que a saída de uns e a entrada de outros, só permitiu mudar algumas personagens e conceder algum poder a - mas na realidade, tudo ficou na mesma. Até mesmo o Conde de Tancredi, aquele que lutou a favor de Garibaldi e "desonrou" a nobreza se deixou levar pela não mudança. Também aqui vi Portugal, vi até parte da minha Espanha e de facto, reconheci que para evitar a contaminação dos deuses que preferem a apatia e o provincianismo da sua mentalidade, sair aos 20 anos do rectângulo já é sair tarde, pois algumas crostas entretanto se formam e podem dificultar o processo.

 

Talvez tenha ganho maturidade (e aqui tenho sérias dúvidas, não chego lá tão cedo) e esteja em crer que, como dirão os psicólogos clinícos, o paciente tem de ser o primeiro a querer a cura da sua perturbação - talvez tenha de me convencer nisso e desistir do doente. Talvez assista ao baile, talvez não... Talvez troque a casaca real pela casaca de Garibaldi e continue a lutar e a acreditar mesmo quando a ataraxia está por todo o lado, ou talvez queira estar sozinho a percorrer um qualquer quelho em Palermo, pois desejando, como um certo Lobo de Hesse, "música em vez de chinfrim, felicidade em vez de divertimento, alma em vez de dinheiro e verdadeiro trabalho em vez de bulício, paixão em vez de brincadeira", por certo, não é nestas fronteiras que encontrarei o meu lar. Talvez em Céfalu, aquele lugar junto ao mar onde nos esperarão os nossos amigos romanos, uma bela salada ao pequeno-almoço e um dos mais belos "tramontos" do Mundo. Talvez em Palermo ou mesmo em Bagheria sentados numa qualquer esplanada do Corso Italia... Talvez por aí...

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Sentido de Oportunidade!

por Robinson Kanes, em 10.09.20

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Créditos: Eroi in Divisa

 

É importante iniciar este texto sublinhando que a violência policial não é um facto inexistente, e como tal, deve merecer a nossa atenção. Penso que aqui a opinião é unânime. 

 

Com efeito, não têm sido raros os casos em que assistimos a uma mediatização excessiva e ao nascimento de novos heróis (e não são as vítimas) alicerçados numa retórica de luta contra o poder onde a polícia, por incrível que pareça, surge como um dos elos mais fracos. Pelos jornais, pela política e até por um certo humor altamente parcializado (algo que em Portugal é já uma instituição) e inclusive pelo anormal poder dos comentadores, vai sendo criada a ideia de que é uma prática diária.

 

Bater nas polícias, especialmente nas polícias nacionais e não militarizadas tem sido uma prática comum nos últimos tempos. Não censuro que se faça em relação a casos justificáveis, mas tenho de assumir algum espanto com a descontextualização e distorção dos factos, o não entendimento do contexto e a provocação em off seguida de filmagens em on

 

Como as armas são um meio de defesa mas ao mesmo tempo, na mão de humanos imbecis, podem ser um meio de ataque, também os telemóveis podem ser uma arma de ataque letal. Numa sociedade aberta onde alegadamente as aulas de cidadania podem servir para abrir horizontes, estimular o empowerment e o espírito critico, talvez não estejamos a fazer o nosso papel fundamental que é promover todos esses aspectos e com visíveis consequências na avaliação e participação dos cidadãos na vida pública. Possivelmente, nessa sociedade, muitos dos jornais e televisões actuais teriam de fechar portas devido às parcas audiências, não obstante, o país e o mundo teriam muito mais a ganhar e com toda a certeza os extremos seriam menos.

 

No final de contas, não deve existir nada mais humilhante, sobretudo quando as coisas ficam mais complicadas, que é requerermos a protecção daqueles a quem quotidianamente aplicamos a nossa "soma zero".

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