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Mulheres…Mas Pouco...

por Robinson Kanes, em 09.03.17

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José Clemente Orozco,  O Martírio de Santo Estevão (Museus do Vaticano)

 

 

A maior parte dos reis que a História celebra nunca foram educados para reinar.

Jean-Jacques Rousseau, in o Contrato Social

 

Estive ontem, como convidado, numa actividade de recursos humanos centrada no "Dia da Mulher".

 

Estaria tudo bem, até aproximar-se de nós uma senhora que reclamava pelo simples facto dos responsáveis da respectiva organização estarem a sortear algumas prendas e não oferecerem um presente a cada uma das colaboradoras. Nada transcendente, no entanto, e confesso que até tenho uma grande simpatia pela organização (uma multinacional) em causa, entendo que as organizações têm as suas limitações pelo que, mais vale pouco que nada. E reforço, continuo a ter uma grande simpatia pela mesma organização, inclusive pelo CEO, mas não em Portugal.

 

O problema surge quando a “queixa” avançou, até porque se estava num clima que se pode apelidar de “boa onda” e a pobre da senhora afirmou: “somos mulheres, somos iguais”. Do ponto de vista da retórica e da afirmação de um direito a mesma passou com distinção... todavia, do ponto de vista da humanidade, alguém iria a cometer um verdadeiro genocídio... e já vão perceber o porquê do uso deste conceito.

 

Considero-me uma pessoa pragmática e com uma frieza germânica quando toca a tomar decisões difíceis... tive uma fase da vida em que cheguei a questionar alguma dessa frieza, mas nada me preparou para o que ainda vou vendo e ouvindo por parte de indivíduos que se dizem civilizados, que são portugueses, que são ilustrados e em modo Sociedade 9.0 e afins... o típico somos todos muito para a frente no Facebook e nas publicações que escrevem por nós, mas...

 

Face ao argumento da senhora em causa, a resposta da “Responsável” de Recursos Humanos (com um cargo de manager, portanto nem estamos a falar de directores) foi um “calma lá, não somos iguais que eu sou directora e você trabalha nas operações, não somos nada iguais, se alguém merece alguma coisa mais até sou eu”.

 

Pior? Só estamos em Dachau, já vamos a Treblinka. Na mesma celebração, fui abordado por uma pessoa com um cargo na mesma organização que me informou que alguém (manager) se havia recusado a integrar uma acção de formação como formanda porque não tinha nada que aprender com ninguém e muito menos com uma pessoa que acabou de chegar à organização. Nessa acção de formação, o Director para Portugal e dois membros do Conselho Executivo (fora do país) foram os primeiros a aceitar. Em jeito formal, acrescento: "mais se informa que as duas senhoras não têm sequer know-how na área em que desenvolvem trabalho".

 

Foram duas situações a mais para um só dia... lamentavelmente, pessoas jovens, mas com mais de 20 anos de casa, que sempre trabalharam no mesmo local e sem quaisquer qualificações para a tarefa... assumirem esta atitude narcisista e totalmente desumana com outros colaboradores (não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu, já diz o Povo) é deplorável e seria motivo de despedimento em todas as organizações por onde já passei. Para mim a resposta é simples: insegurança. Todavia, a insegurança não pode, nem deve, ser o bode expiatório para as maiores atrocidades e para o perpetuar de um sentimento de impunidade.

 

Nestas alturas, é-me fácil perceber como é que crianças judias (não só na Alemanha) de um dia para o outro viram os seus amigos de sempre a arremessarem pedras na sua direcção. É-me muito fácil perceber como é que Hutus foram capazes de matar familiares e amigos Tutsis de uma hora para a outra. É-me fácil perceber como é que Sérvios, Croatas e Bósnios deixaram de se abraçar num dia e se começaram a matar no outro.

 

 

Optei por sair, há situações com as quais recuso pactuar, mesmo como convidado. Chegado a casa, escutando uma Cantata de Bach, respondi a uma SMS recebida entretanto e afirmei que não era o ambiente no qual queria estar, pedindo as minhas desculpas e sugerindo passeios ao ar-livre, formações e psicólogos para que os envolvidos pudessem tomar consciência daquilo que tinham dito, mas pior que isso, daquilo que pensavam e pensam. Daqui aos exemplos que dei atrás, é um pequeníssimo passo, pois a diferença entre um indivíduo destes e um Rudolf Hess ou um Radovan Karadzic é que estes últimos tinham autoridade “legal” para o fazer.

 

Prometo que amanhã falo de coisas boas, mas não poderia deixar passar esta em claro, porque é falando dos erros que também aprendemos e não a construir frondosos palácios sob bases de papel, além de que, é estudando a fundo o problema que encontramos a solução. E afinal... era o "Dia da Mulher"...

 

Fonta da Imagem: Própria.

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Não Vou Falar de Mulheres!

por Robinson Kanes, em 08.03.17

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 Cartaz Alusivo à Mobilização na Segunda Guerra Mundial, London Imperial War Museum

Fonte da Imagem: Própria

Não vou falar de mulheres! 

 

Mas como não falar de mulheres? Na verdade, mais de metade dos meus seguidores são... mulheres.

 

Hoje é um dia especial para as senhoras e poupem-me aqueles jantares e euforias de emancipação em que vale tudo desde andar aos gritos num restaurante até apanhar uma valente "carraspana" só... porque é "Dia da Mulher". Tal não é celebrar a mulher, quando muito é celebrar a parvoíce que é comum a homens e mulheres.

 

Anda por aí o mote de uma greve, confesso que não acompanhei esse assunto, mas... greve de? Porque se é mulher? Eu diria que é mais uma espécie de jantar com comida, vinho e gritaria à mistura e com poucos efeitos práticos.

 

Não posso falar sobre o que é o "ser mulher", não o sou, quando muito sou um espectador. Lembro-me agora de uma iniciativa que está a ser feita numa fábrica deste país, em que uma mulher, contra o status quo do oferecer flores e afins, desenvolveu um projecto, baseado numa iniciativa das Nações Unidas, que visa a mobilização de todas as mulheres tendo em vista a melhoria da fábrica e para isso avançou com um conjunto de iniciativas que vão desde o debate de ideias até implementação das mesmas. E o foco, não assenta somente em cargos de chefia, mas em linhas de montagem, segurança e limpeza. Infelizmente, ou felizmente, essa mulher não é uma networker nem se expõe em redes sociais, diz a mesma que, o seu lugar  é com as suas pessoas e não tem tempo para trocar o trabalho e a responsabilidade por uma passerelle vazia de conteúdo. Aqui lhe deixo a minha homenagem!

 

Por fim, uma nota a propósito do "Dia da Mulher": tenho assistido a anúncios de iniciativas que visam a valorização e homenagem à mulher, no entanto, numa óptica de que as únicas mulheres de valor são aquelas que ocupam cargos de relevância, muitos deles atingidos sem qualquer mérito. Entre muitos casos, infelizmente, destaco o de um folheto de uma Câmara Municipal, a do Montijo, em que serão homenageadas somente as mulheres com cargos de direcção na respectiva instituição e também com cargos de coordenação em agrupamentos escolares... isto é pensar nas mulheres do concelho. 

 

Se é para homeagear, vamos homenagear todas as mulheres, desde a senhora da  limpeza que limpa a lama que as rodas da minha bicicleta deixa no chão - e ainda me sorri - até à senhora que lidera uma grande organização. No fundo... lá bem no fundo... as diferenças até são poucas. Pode ser que, no "Dia da Mulher", mulheres e homens, mais que seres distintos no sexo (sim, género é para palavras) sejam mais iguais no respeito, humanidade, trabalho e educação. Nós homens, sem elas, nesse campo, também não seremos nada.

 

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